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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Vamos lá a ter calma...

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Cá vamos nós pela sexta vez (sétima, se quiserem contar com a Taça das Confederações). Fernando Santos Divulga hoje à noite, pelas oito e um quarto, a lista de Convocados para representar Portugal no Mundial 2018. Como já é hábito deste o primeiro dia deste blogue, eis-me aqui com alguns devaneios antes de, pelo menos na minha cabeça, entrarmos em modo Mundial.

 

Antes de falarmos especificamente sobre a nossa Seleção, algumas palavras sobre o campeonato em geral. Não sei se alguém se lembra disso, mas Portugal chegou a candidatar-se para albergar este Mundial, em conjunto com a Espanha. Na altura em que perdermos para a Rússia, reagi com imensa ingenuidade. No entanto, agora toda a gente sabe que houve dinheiro debaixo da mesa aquando da escolha da Rússia.

 

E do Qatar (ai, a história do Qatar…). E da Alemanha, em 2006. E da África do Sul, em 2010. E de Portugal, no Euro 2004.

 

Não seria melhor transformarmos as candidaturas ao Mundial num leilão? Sempre era mais transparente.

 

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Podem ter existido inúmeras pessoas aliviadas por Portugal e Espanha não terem vencido o concurso. Mesmo assim, agora que já estamos em 2018, sinceramente, se havia boa altura para organizarmos um Mundial (ou, vá lá, parte dele), era este ano. Para além de sermos Campeões Europeus, Portugal está na moda. Temos a Madonna a viver cá, ainda na semana passada recebemos o Festival da Canção, recebemos o Web Summit no ano passado e existem vários portugueses destacando-se em diversas áreas, não apenas no futebol. Podíamos perfeitamente receber uma mão-cheia de jogos do Campeonato do Mundo.

 

Sempre era melhor do que fazê-lo na Rússia, um país que tem sido o epicentro de inúmeros conflitos diplomáticos nos últimos meses e onde a homofobia é bem tolerada. Just sayin’...

 

A mesma lógica aplica-se às candidaturas a cidades-anfitriãs do Euro 2020. Chegou a colocar-se a hipótese de candidatar Lisboa e Porto, mas acabaram por nem sequer fazê-lo. Compreendo as razões: em 2014 a situação do país era um bocadinho pior do que agora, ninguém podia adivinhar que Portugal se tornaria um popular destino turístico e ainda menos que se tornaria Campeão Europeu.

 

Enfim, passemos à frente.

 

 

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Sendo este o nosso primeiro campeonato de seleções após a sagração no Euro 2016 (mais uma vez, sem contar com a Taça das Confederações), muitos adeptos têm vindo há muito tempo (alguns ainda nem dois dias após a final de Paris) a apontar ao título mundial.

 

O que é que eu acho sobre isso? Que é preciso ter calma.

 

Existe a tentação de colocar Europeus e Mundiais dentro do mesmo saco. Eu mesma fi-lo durante muitos anos, quando, na verdade, são campeonatos muito diferentes. Num Europeu participam seleções de um único continente, que se conhecem bem. É quase garantido que já nos cruzámos algumas vezes com os adversários antes, não só noutros Europeus e Mundiais mas também em fases de Qualificação ou em jogos particulares.

 

Mesmo saindo do âmbito das seleções, os jogadores quase todos atuarão em clubes europeus. É possível que já se tenham cruzado com membros das seleções adversárias ou nos campeonatos internos ou na Liga dos Campeões ou Liga Europa. Não há grandes mistérios.

 

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Num Mundial não é bem assim. Até podemos apanhar uma ou outra seleção europeia, mas muitos dos nossos adversários são equipas de outros continentes. Em muitos casos, o nosso historial com equipas dessas reduz-se a meia-dúzia de jogos ou menos – porque não disputamos Qualificações contra eles e porque não é viável marcar particulares contra eles (quem quer sujeitar a sua equipa a um voo longo e cansativo para disputar um jogo a feijões?). Pode existir uma mão-cheia de jogadores nessas equipas que até atuem em campeonatos europeus, sobretudo na América do Sul, mas não sei até que ponto isso influencia o estilo de jogo das seleções.

 

E depois temos a distância e as condições meteorológicas – conforme vimos em 2002 e, mais recentemente, em 2014. Não acho que seja uma coincidência o facto de os dois únicos Mundiais que nos correram bem tenham tido lugar em países europeus (1966, Inglaterra, terceiro lugar: 2006, Alemanha, quarto lugar).

 

De facto, basta comparar o nosso historial em Europeus e Mundiais para se notar a diferença. Só participámos em (*conta pelos dedos*) seis Mundiais. Em dois chegámos às meias-finais, em um chegámos aos oitavos-de-final, nos outros todos não passámos da fase de grupos.

 

Em contraste, sempre que participámos em Europeus (e não falhamos nenhum desde 1996, inclusive), chegámos sempre aos quartos-de-final, no mínimo. Nos últimos vinte anos, só em 2008 é que não chegámos às meias, pelo menos. Conforme tenho vindo a dizer (sobretudo àqueles que dizem que a nossa vitória em Paris veio do nada, foi apenas sorte), éramos a seleção com melhor historial em Europeus sem nunca termos ganho. Levarmos a Taça para casa era apenas uma questão de tempo.

 

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O que, mesmo assim, não impediu as minhas neuroses quando Fernando Santos se pôs a dizer que queria ganhar o Euro 2016. Mas isso sou eu.

 

Muita água terá de correr ainda antes de conseguirmos um currículo assim em Mundiais. Não que isso signifique que será impossível ganharmos, claro que não, mas isso é que, sim, viria quase do nada.

 

Não é de surpreender que, desta feita, Fernando Santos tenha um discurso mais sóbrio e cauteloso – embora não deixe de dizer que o título é um objetivo. Em entrevista ao jornal “O Jogo”, no início do mês, disse que “não podemos pensar que somos favoritos no Mundial porque ganhámos o Europeu.” “Não vou deixar que se embandeire em arco, achando-se que a equipa vai chegar à Rússia, vai ganhar e que o contrário será uma grande complicação.” “Mas também temos a confiança absoluta de que somos capazes de lutar [com os principais candidatos] e será muito difícil ganhar a Portugal.” “Tudo passa por um grande respeito por todos os adversários, com a confiança de que podemos ganhar os jogos.”

 

Devo confessar que os meus prognósticos andam muito voláteis, não sei muito bem o que esperar. Por um lado, tenho medo de um descalabro semelhante ao dos últimos dois Mundiais (não que o desempenho em 2010 em si tenha sido assim tão mau. Pior foi o que aconteceu depois).

 

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Por outro… já tivemos menos hipóteses de ganhar o Mundial, na minha opinião. Somos Campeões Europeus – não nos dá automaticamente o estatuto de favoritos, mas não é de desprezar. Em três anos e meio só contamos uma derrota em jogos oficiais. O Mundial decorrerá num país europeu, onde a meteorologia não será um problema – nós, aliás, estivemos lá no ano passado, logo, sabemos mais ou menos o que nos espera. Por fim, temos Cristiano Ronaldo.

 

Se é para tentar o título, é melhor ser agora.

 

Dito isto tudo, se não conseguirmos ganhar o Mundial, temos de encará-lo com naturalidade. Espero que, de qualquer forma, seja uma participação digna de um Campeão Europeu. Ou pelo menos que não seja uma tragédia completa, como da última vez.

 

O resto é a mesma conversa dos últimos dez anos: vamos tentar disfrutar do momento, do estágio de preparação, dos particulares, de eventuais campanhas de marketing que a Federação esteja a preparar e, claro, dos jogos em si. Ainda não sei ao certo como vou dar conta do recado aqui com o blogue – é possível que, por exemplo, tenha de escrever sobre dois jogos na mesma crónica – mas vou fazer um esforço. De qualquer forma, não deixarei de manter a página do Facebook atualizada.

 

E era isto o que queria dizer. Venham daí os Convocados! (Hoje à noite, às 20h15)