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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Portugal 2 Suíça 0 - Noites como estas

IMG_20170513_140959_HDR.jpgNa passada terça-feira, dia 10 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere suíça por duas bolas a zero, no Estádio da Luz... e eu estive lá! Este era o último jogo da Qualificação para o Mundial 2018. Com esta vitória, Portugal iguala a Suíça em pontos. No entanto, como tem mais golos marcados, fica em primeiro lugar no grupo e Apura-se diretamente para o Mundial.

 

Às vezes pergunto a mim mesma porque raio ainda tenho dúvidas no que toca a esta Seleção.

 

Conforme tinha escrito antes, fui ao jogo com a minha irmã. Uma vez que a lotação estava esgotada (até a Madonna veio, para delícia de muitos), os profissionais da Federação tinham recomendado que viéssemos o mais cedo possível. Eu e a minha irmã seguimos as recomendações e chegámos mais ou menos uma hora antes do início do jogo.

 

Por sinal, chegámos ao mesmo tempo que a maioria dos adeptos suíços, entoando cânticos em coro. Não houve confusão. Pelo contrário, uns deles meteram-se comigo. Falavam alemão, do qual não compreendo uma palavra (deviam ser da chamada “Suíça alemã”), mas lá percebi que queriam tirar uma selfie comigo. Eu aceitei, sobretudo por uma questão de fair-play – é sempre bonito confraternizar com adversários.

 

Eu, no entanto, suspeito que eles estavam menos interessados em fair-play e mais no meu decote. Enfim.

 

Eu e a minha irmã ficámos sentadas na bancada BTV (julgo que é essa), não muito longe dos adeptos suíços. Estes começaram a fazer barulho desde muito cedo, puxando pela sua equipa.

 

Mais um motivo para respeitar a Suíça, de resto: os seus adeptos não se deixaram intimidar por uma Luz esgotada, decidida a fazer a sua parte na luta pela Qualificação.

 

 

E, de facto, o momento da coreografia, com as cartolinas verdes e vermelhas provocou-me arrepios – sobretudo enquanto cantávamos “A Portuguesa”. Foi uma jogada de mestre por parte da Federação.

 

O jogo não foi muito fácil, pelo menos não de início. Portugal jogava bem, sem grande brilho mas com consistência – João Mário foi o primeiro a chamar-me a atenção, mas também William, Eliseu (com a sua pouca utilização no Benfica, não estava à espera que jogasse tão bem) e Bernardo Silva se destacavam.

 

Os suíços, no entanto, iam sendo capazes de travar as iniciativas portuguesas. De tal forma que a primeira oportunidade de perigo para Portugal ocorreu apenas aos trinta e dois minutos – uma boa iniciativa de Bernardo Silva. A Suíça também atacava de vez em quando mas com ainda menos eficácia – Rui Patrício teve uma noite inesperadamente tranquila.

 

Os dedos das mãos já não chegam para contar os jogos de futebol a que já assisti ao vivo. No entanto, ainda não me fartei – ver através de um ecrã pura e simplesmente não se compara a isto. Ainda por cima, desta vez estávamos apenas algumas filas acima do campo, relativamente perto dos jogadores. Dava para irmos gritando coisas como “Corre, Eliseu!”, “Vai, miúdo!”, “Força William!” e eles podiam ouvir.

 

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Em teoria. Na prática não davam sinais disso, claro. Como seriam capazes de se concentrar no jogo se estivessem atentos a todas as baboseiras que vêm das bancadas? Quando se trata de dar força, no entanto, gosto de pensar que eles percebem a mensagem.

 

O jogo foi na semana passada mas, só recordando-me disto, já estou com saudades e ansiosa por regressar a um jogo da Seleção. O pior é que duvido que a Turma das Quinas volte a jogar tão cedo em Lisboa.

 

Mas também estou a queixar-me de barriga cheia: eu que fui a dois jogos este ano.

 

Tivemos um bocadinho de sorte com o nosso primeiro golo, há que admiti-lo. Mas também não se pode dizer que Portugal não o tenha merecido. Poucos minutos antes do intervalo, Eliseu centrou para João Mário. Este enrolou-se com o defesa e o guarda-redes da Suíça, mas a bola acabou por entrar.

 

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A partir da nossa bancada não dava para ver bem o que se passava – durante algum tempo pensámos que tinha sido João Mário a marcar. Na altura, achei justo – ele estava a ser um dos melhores em campo. Só ao intervalo é que descobrimos que tinha sido auto-golo de Djourou.

 

Enfim. Golo é golo.

 

Dá sempre jeito partir para o intervalo com um golo acabado de marcar. A segunda parte foi quase completamente dominada por Portugal, sobretudo nos primeiros dez minutos. O facto de os suíços se terem aberto mais ajudou. Esta fase culminou com uma jogada brilhante, em que a bola passou por mais de metade da Seleção antes de Bernardo Silva assistir para André Silva, que concluiu com um remate atrapalhado mas certeiro.

 

É bom ver a Equipa de Todos Nós marcar um golo assim, com a contribuição direta de quase toda a equipa. Podemos continuar muito dependentes de Ronaldo (e acho que é mais uma dependência psicológica do que outra coisa qualquer), mas ninguém pode negar que existe Seleção para além dele.

 

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A parte chata de golos como este é que os resumos em vídeo cortam uma parte da jogada. Tive de recorrer às gravações automáticas para revê-la na íntegra – e estas desaparecem ao fim de alguns dias.

 

Depois desta, o jogo decorreu sem incidentes de maior. Portugal procurou segurar o resultado, sem abdicar de tentar o 3-0. Estivemos perto, sobretudo com a oportunidade de Cristiano Ronaldo, aos oitenta minutos. O Capitão conseguiu isolar-se perante o guarda-redes suíço mas depois atrapalhou-se com a finta.

 

Não estava nos seus dias, pobre Ronaldo. É capaz de ter sido dos menos eficazes em campo, entre os portugueses – a antítese do que aconteceu em Andorra, curiosamente. Não que tenha sido grave – outros brilharam por ele, tal como vimos antes.

 

Cristiano Ronaldo um dia destes deixará a Seleção (embora Fernando Santos diga que ele ainda poderá jogar durante cinco anos). Não temos nenhum fenómeno como ele para tomar o seu lugar – nem agora, nem nos próximos... duzentos anos, provavelmente. No entanto, com jogadores como Bernardo Silva, João Mário, William, entre muitos outros, não precisamos de nos preocupar com o futuro.

 

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Finalmente, o árbitro apitou três vezes, consumando o nosso Apuramento direto. Pela segunda vez consecutiva, escapamo-nos aos play-offs. Continua a saber bem. Em termos de números, esta foi a nossa melhor Qualificação de todos os tempos, com noventa por cento de vitórias. No Apuramento anterior também só tínhamos perdido uma vez. Mas como foram apenas oito jogos, a percentagem de vitórias foi de apenas 87,5.

 

Continua a faltar, ainda assim, uma Qualificação imaculada.

 

Uma palavra sobre a Suíça. Escrevi em textos anteriores que respeitava imenso os suíços por tudo o que fizeram nesta Qualificação. Isso não mudou com a derrota deles. São uma boa equipa, estiveram à nossa frente – nós, Campeões Europeus – na tabela classificativa durante mais de um ano, os seus adeptos foram exemplares na Luz. O mais justo teria sido ambas as equipas Qualificarem-se diretamente. 

 

A Suíça, no entanto, tem ainda a hipótese de ir à Rússia via play-offs. Eu vou torcer por eles.

 

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Fernando Santos  disse na Conferência de Imprensa que esta é uma das melhores seleções de sempre. Se é a melhor, é discutível – depende dos critérios. No entanto, em termos de resultados, de consistência, ninguém discorda: é a número um até agora.

 

A Seleção de Fernando Santos (isto é, de finais de 2014 até agora) pode nem sempre ter praticado o futebol mais excitante ou bonito. Mas os únicos fracassos até agora foram a derrota perante a Suíça (que, de qualquer forma, acabou agora mesmo de ser corrigida) e as meias-finais da Taça das Confederações. Pelo meio, tornámo-nos Campeões Europeus.

 

Fernando Santos celebrava o seu aniversário naquele dia. E, de facto, todos nós devemos dar graças por ele ter nascido e dado tanto à Seleção.

 

Foi mesmo a única coisa que faltou naquela noite: cantarmos os Parabéns a Fernando Santos.

 

  

Bem, ao menos pudemos comover o Selecionador com o “Hino à capela”, como o próprio descreveu, no fim do jogo. Eu não estava à espera, mas não me surpreendeu – o mesmo já tinha acontecido há quase seis anos (!!), no jogo com a Bósnia-Herzegovina.

 

Depois de o jogo acabar (ou talvez antes, não me lembro ao certo), reparei neste cartaz, algumas filas acima do meu lugar, com uma nova versão do Pouco Importa. Quando estávamos nos túneis para sair do estádio, consegui apanhar os autores do cartaz e pedir-lhes para tirar esta fotografia (serão membros da claque do Euro 2016, que criou o cântico original?). Ainda me juntei a eles quando começaram a cantar esta nova quadra, no meio da multidão que abandonava a Luz (tentei filmar o momento, mas atrapalhei-me com o telemóvel).

 

Já cantei, portanto, que “o Mundial da Rússia, vamos ganhá-lo também”. Na realidade, contudo, ainda não quis pensar a sério nisso. É muito cedo. Mais disparatado ainda é pensar já nos Convocados, como já vi – faltam sete meses! Os momentos de forma mudam até lá!

 

Haverá tempo para falarmos sobre o Mundial e sobre as ambições de ganhá-lo. Entristece-me um bocadinho, aliás, não voltarmos a ter jogos oficiais até junho.

 

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Enfim. Havemos de sobreviver.

 

Já sabemos que, no próximo mês, receberemos a Arábia Saudita e os Estados Unidos, em jogos particulares. Não me admiraria, no entanto, se Fernando Santos deixasse a maior parte dos habituais de fora. Não esperemos, portanto, jogos muito interessantes. Os de há quase dois anos não foram.

 

Recordo, no entanto, que de uma forma ou de outra esses jogos ajudaram-nos a sagrarmo-nos Campeões Europeus. É para noites como a de 10 de julho de 2016 e a de 10 de outubro deste ano que estamos todos aqui.

 

Que tenhamos muitas noites como estas no próximo ano, na Rússia.

Seis pontos (e um ou dois no sobrolho do Pepe)

IMG_20170414_001567.jpgNa passada quinta-feira, dia 31 de julho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere faroense por cinco bolas a uma, no Estádio do Bessa. Três dias depois, a Seleção foi ao Groupama Arena, em Budapeste, vencer a sua congénere húngara por uma bola a zero.

 

Foram dois jogos muito diferentes, ainda que ambos nos tenham dado três pontos. Comecemos pelo primeiro.

 

O jogo com as Ilhas Faroé arrancou bem. Logo aos dois minutos, Bernardo Silva assistiu para Cristiano Ronaldo, que rematou de pontapé de bicicleta para as redes faroenses.

 

Penso que foi, também, no Estádio do Bessa que, há cerca de onze anos, lhe anularam injustamente um golo parecido. Este foi a compensação, suposto eu.

 

Mesmo em desvantagem, as Ilhas Faroé limitaram-se a defender. Estacionaram o autocarro e Portugal viu-se aflito para chegar à baliza deles. O segundo golo teve de ser marcado de penálti – mais uma vez, obra de Cristiano Ronaldo.

 

Não seria, no entanto, a Turma das Quinas se não houvesse um deslize de vez em quando. Foi o que aconteceu aos trinta e oito minutos. Os faroenses faziam os lançamentos de linha lateral como quem marca um pontapé de canto. Num deles, conseguiram atirar a bola para dentro da nossa grande área. José Fonte não conseguiu intercetar, Baldinvsson teve um momento inusitado de inspiração e rematou diretamente para a nossa baliza – Rui Patrício não pôde fazer nada.

 

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A frágil vantagem não demorou a ser ampliada, contudo. Aos cinquenta e oito minutos, Cristiano Ronaldo assistiu para William Carvalho (que estava a fazer um belo jogo) rematar de cabeça para o 3-1. Cerca de cinco minutos mais tarde, foi a vez de William assistir para Cristiano Ronaldo finalizar.

 

Ainda houve tempo para Nélson Oliveira ampliar a vantagem, poucos minutos após entrar em campo. Um dos defesas faroenses conseguiu intercetar um cruzamento de Ronaldo, mas deixou a bola solta e Nélson não desperdiçou. Ficou feito o resultado.

 

Falemos, então, sobre o jogo com a Hungria. Tenho de fazer um mea culpa: no texto anterior subestimei os húngaros. Depois de estes vencerem a Letónia, percebi que fui parva: eles precisavam de ganhar a Portugal para se manterem na luta pelo segundo lugar (ou seja, motivação não lhes faltava) e iam jogar em casa.

 

Não, não ia ser fácil. Pensar o contrário era ilusão.

 

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Portugal até entrou bem no jogo e dominou durante a primeira hora. Perdeu, no entanto, Fábio Coentrão aos vinte e sete minutos (isto é normal?). E, dois minutos mais tarde, Pepe levou uma cotovelada no sobrolho que o deixou a sangrar.

 

Alguém devia ter avisado os húngaros que, quando nós, portugueses, dissemos que queríamos três pontos, estes não eram na testa do Pepe!

 

O autor da gracinha foi expulso, claro. Os colegas, no entanto, não perceberam a mensagem. Menos de dez minutos mais tarde, foi Cédric a sangrar – desta vez, da maçã do rosto.

 

O que é que os húngaros tinham contra nós? Ainda estavam com o jogo da Luz atravessado na garganta? Ou era ainda o 3-3, no Europeu?

 

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Só se sabe que a agressividade dos húngaros deixou os portugueses atarantados, sem saber como reagir, até aos quarenta e cinco minutos.

 

Ao menos o intervalo ajudou os Marmanjos a recuperar o sangue-frio. Logo aos quarenta e oito minutos, Cristiano Ronaldo assistiu para André Silva que, em cima da linha de baliza, conseguiu empurrar a bola em direção às redes.

 

Estava feito o mais difícil.

 

Depois do golo, Portugal procurou manter a posse de bola, defendendo a vantagem. A ideia que fica é que os Marmanjos tiveram medo que a coisa descambasse para o agitado 3-3 do Europeu. Este “engonhanço” deixou-nos a todos numa pilha de nervos até aos noventa (fazendo lembrar o último jogo com a Rússia), não impediu uma ou outra iniciativa dos húngaros (aqueles livres, incluindo o do último minuto, davam-me flashbacks do jogo do Europeu) mas, no fim, resultou. Portugal totaliza, agora, vinte e um pontos – ainda menos três que a Suíça.

 

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Pois é, os suíços continuam invictos nesta Qualificação. São, a par da Alemanha, a Seleção com mais pontos nesta fase de Apuramento. Consta que um dos responsáveis é um sujeito de nome Seferovic, que joga pelo Benfica e, nesta época, já marcou sete golos em sete jogos.

 

E a culpa é nossa – tal como, de certa forma, aconteceu com a Islândia no Euro 2016. Se tivéssemos vencido a Suíça, há um ano, nada disto estaria a acontecer. Tal como comentei ontem, com a minha irmã, fomos nós que criámos este monstro.

 

- E vamos ser nós a acabar com ele – respondeu-me ela.

 

Gosto desse espírito.

 

Faltam-nos, então, duas finais. A última delas, a mais importante, será em casa. Havemos de falar melhor sobre esses jogos dentro de um mês, aquando da Convocatória para os mesmos. Posso desde já adiantar que eu e a minha irmã vamos tentar arranjar bilhetes. Se tudo correr conforme o planeado, este será um jogo tenso, difícil, de tudo ou nada. Pode ser que ganhemos, pode ser que não. De qualquer forma, quero estar lá.

 

Portugal 4 Letónia 1 - Dois minutos de susto

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No passado domingo, dia 13 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere letã por quatro bolas a uma, no Estádio do Algarve, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da Modalidade.

 

Olhando apenas para o resultado, ninguém diria que a Seleção Nacional se viu à rasca para ganhar à Letónia, em certos momentos. Ao contrário do que aconteceu nos dois jogos anteriores, Portugal não conseguiu marcar cedo e, como é frequentemente perante seleções como a letã, a coisa complicou-se. A primeira parte da Seleção foi sofrível, pastosa, fazendo lembrar vários jogos da Qualificação para o Euro 2016. A Letónia estacionara o autocarro frente à baliza e, ao contrário do que tinha acontecido com o português, este não tinha furos. O penálti, aldrabado por Nani, veio em boa hora - de outra maneira não íamos lá. Cristiano Ronaldo não desperdiçou. Mesmo assim, a vantagem no marcador não deu grande tranquilidade.

 

No início da segunda parte, pouca coisa mudou. A Seleção conseguiu cravar mais um penálti a seu favor, desta feita legítimo. Quando Ronaldo foi batê-lo, por acaso recordei-me de um jogo do Real Madrid, há tempos, em que ele tinha marcado um penálti e falhado outro. E, de facto, a história repetiu-se: a bola bateu primeiro no poste, depois no guarda-redes letão, e saiu para fora.

 

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Como qualquer adepto de futebol sabe, nestas situações, quem não marca, sofre. Numa altura em que Fernando Santos já tinha feito entrar Ricardo Quaresma, os defesas portugueses desentenderam-se e deixaram que Zjuzins rematasse para golo, conseguindo a igualdade.

 

O susto, felizmente, só durou um minuto ou dois. Logo de seguida, Quaresma assiste para a cabeça de William Carvalho, que remata para o seu primeiro golo com a Camisola das Quinas.

 

Só agora, no fim do jogo, é que os portugas acordavam para a vida - sobretudo depois da entrada de Gelson Martins. O Gelson é como a minha cadela, Jane: quando a solto para brincar com outros cães, ela dá-lhes energia, mete-os todos a correr. O Gelson faz o mesmo com os colegas de equipa, quando entra em campo.

 

Ainda houve tempo para Ronaldo se redimir do penálti falhado com um golo acrobático, após assistência, mais uma vez, de Quaresma. Mais tarde, seria Bruno Alves a marcar. É bem possível que a vantagem se dilatasse ainda mais se o jogo fosse mais comprido - de notar, aliás, que o árbitro escolheu terminar o encontro a meio de uma jogada de ataque de Quaresma. Não foi uma noite brilhante em termos de arbitragem.

 

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Em defesa dos jogadores, eles bem tinham passado a semana anterior a avisar que não ia ser fácil. Ao menos foram homenzinhos e, quando foi preciso, reagiram bem - algo que, conforme assinalaram aqui, é uma tradição do reinado de Fernando Santos. Por falar disso, este jogo lembrou-me vários outros, no Apuramento para o Euro 2016: exibições pouco entusiasmantes, Quaresma entra e ajuda a resolver com assistências. Isso não é uma crítica - conseguimos a nossa melhor Qualificação jogando assim. A diferença e que, agora, temos mais talento em campo, não nos limitamos a vitórias pela margem mínima - o que será importante para as contas do Apuramento.

 

Não houve brilhantismo mas o dever ficou comprido. Encerramos 2016 com uma vitória, tal como desejávamos.

 

Como já vai sendo hábito, esperam-nos, agora, mais de quatro meses sem jogos da Seleção. É muito tempo, muita coisa pode mudar até lá - no ano passado, por exemplo, foi tempo suficiente para promessas, como Gonçalo Guedes e Rúben Neves, perderem fulgor e para Renato Sanches surgir do nada  como o novo menino-bonito do futebol português.

 

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Este ano, porém, não me queixo muito - dá-me jeito uma pausa pois tenho sentido algum desgaste com este blogue. Por exemplo, demorei mais tempo do que o costume a escrever e publicar as duas crónicas anteriores a esta (fiz um esforço com este texto para não o arrastar demasiado). Não sei se é por andar com menos tempo para escrever, por estes jogos não serem assim tão interessantes, por o Euro 2016 ter esgotado toda a energia que costumo dedicar a este blogue. Em breve terei de começar a trabalhar na habitual revisão do ano (vai saber bem recapitular 2016) mas, depois disso, será bom não ter de escrever para este blogue durante uns tempos. É provável, no entanto, que daqui a uns dois ou três meses já ande doida com saudades da Seleção. Ao menos assim, quando estivermos em vésperas dos próximos jogos, saberei que recuperei a minha energia e estarei entusiasmada por votar escrever sobre a Equipa de Todos Nós.

 

Em todo o caso, a página do Facebook continuará no ativo durante estes meses, sempre atenta a tudo o que se relacione com a Seleção Nacional e com os seus jogadores. Não deixem de a visitar, se ainda não o fizeram.

 

Portugal 5 Camarões 1 - Momentos Brilhantes

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Na passada quarta-feira, dia 5 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu a sua congénere camaronesa no Estádio Magalhães Pessoa, em Leiria, num encontro de carácter particular. Encontro, esse, que terminou com uma vitória da seleção da casa por 5-1.

 
Muito pela experiência da última fase de Qualificação, bem como de outros particulares no passado mais ou menos recente, as minhas expectativas eram baixas. Daí que o resultado final e o jogo - sobretudo a segunda parte - me tenham apanhado de surpresa, pela positiva. 
 
Portugal até entrou bem no jogo, com o seu equipamento novo. Este, já agora, não é feio. Gosto da ideia da gradação de cor, embora o tom mais claro se aproxime demasiado do cor-de-rosa para o meu gosto, pelo menos na transmissão televisiva (nas fotografias do jogo não parece tanto). Além disso, não sou grande fã dos equipamentos monocromáticos: afinal, cerca de quarenta por cento da bandeira portuguesa é verde. Tirando isto, eu aprovo.
 
Dizia eu que Portugal entrara bem no jogo. Muito graças ao estreante Rafa, que parecia empenhado em mostrar o seu valor. Cedo, contudo, os camaroneses deram um ar de sua graça, chegando a pregar-nos alguns sustos. O golo de Ronaldo acabou por surgir precisamente numa altura de ameaça por parte dos Camarões. Belo trabalho de João Moutinho, trazendo a bola para perto da grande área camaronesa, passando a João Pereira e este, por sua vez, colocando a bola em Ronaldo num passe diagonal, permitindo ao Capitão marcar o primeiro golo da Equipa de Todos Nós em 2014 (o primeiro de muitos, esperemos), e ultrapassar Pedro Pauleta na tabela de melhores marcadores da Seleção.
 
 
Agora que penso nisso, em menos de dez anos tivémos dois novos recordes em golos. O que é incrível. Quem sabe quem irá quebrar o recorde que Ronaldo, eventualmente, estabelecerá...
 
Adiante, o golo de Ronaldo não abalou demasiado os camaroneses. Pelo contrário, pareceu motivá-los ainda mais. Por fim, em cima do intervalo, Aboukabar aproveitou uma desatenção da defesa portuguesa para igualar o marcador.
 
Nos resumos não mostram - só a meio da segunda parte é que as imagens passaram - mas o marcador camaronês, após o golo imitou a meia pirueta, ilustrada em cima, com que Ronaldo tem celebrado os golos. Gostei. Pontos para a lata.
 
Bipartida como foi a primeira parte em termos exibicionais, o empate ao intervalo era justo. A Seleção entrou bem melhor na segunda parte, já que regressava a um esquema táctico mais próximo do costumeiro. Tivemos uma série de oportunidades até, finalmente, o nosso barbudo preferido, Raul Meireles - que até já tinha marcado aos Camarões em 2010, duas vezes - aproveitou um passe infeliz entre o guarda-redes camaronês e um defesa para roubar a bola e marcar o segundo golo português.
 
 
Este, sim, quebrou o gelo. A partir daí o jogo foi todo nosso. Nem dois minutos tinham passado e já Fábio Coentrão marcava o terceiro para Portugal e dedicava - digo eu - ao pai falecido e ao filho(a) que tem por nascer. Ele que estava a fazer um belo jogo, ele que na Seleção joga quase sempre bem, mesmo que não esteja a passar por um bom momento no seu clube.
 
Dez minutos mais tarde, Meireles isola Ronaldo, que faz das suas arrancadas em direção à baliza adversária, estilo as da segunda mão dos playoffs, que desaguavam todas em golo. Desta feita, como ele estava muito perto da linha lateral, não me pareceu que conseguisse marcar, apenas assistir. E foi o que aconteceu, mais ou menos. O guarda-redes fez uma defesa incompleta e Edinho aproveitou para fazer o quarto.
 
Ainda houve tempo para Ronaldo fazer, de novo, o gosto ao pé. É, de novo, ele a trazer a bola para junto da grande área camaronesa, passa a Antunes, que a devolve, quando o Capitão já está dentro da grande área, com Miguel Veloso ao lado. Durante momentos hesita, como se ele e Miguel estivessem a decidir quem remataria mas, no fim, ele finta os camaroneses, remata e marca, encerrando o marcador.
 
 
Foi sem dúvida um belo jogo, uma bela maneira de arrancar o ano com a Seleção Nacional. Arriscando cair em exageros, foi um dos melhores particulares dos últimos anos. E, embora os Camarões não sejam propriamente uma grande potência do futebol, também não são um Luxemburgo ou umas Ilhas Faroé, eles Qualificaram-se para o Mundial. Não convém, igualmente, esquecer a tristeza que foram os particulares pré-Euro 2012, o jogo com o Equador no ano passado. Não que a Seleção esteja hoje muito melhor do que estava na altura. Pura e simplesmente, levou o jogo mais a sério, cometeu menos erros (aliás, foi mais o outro lado a cometê-los.
 
Apesar de a grande estrela do encontro ter sido, para a Comunicação Social, Cristiano Ronaldo e a sua conquista do primeiro lugar na classificação dos marcadores portugueses, para mim é um particular alívio saber que há gente na Seleção capaz de marcar golos para além de Ronaldo. Depois de ele ter sido o único a marcar nos playoffs, tendo um dos golos corrigido duas argoladas cometidas pelos companheiros de equipa, eu estava a ficar preocupada. É verdade que a defesa camaronesa tinha as duas fragilidades, mas mesmo assim... 
 
Uma das coisas de que mais gostei neste jogo foi o facto de quase todos os que entraram em campo terem tido o seu momento brilhante, mesmo sem terem um desempenho uniforme. Começando pelos novatos, uns mais do que outros, certamente os mais motivados: William Carvalho, uma das sensações do campeonato português atual, que parece já estar integradíssimo na família, a todos os niveis; Rafa que, tal como disse antes, entrou muito bem no jogo; Ivan Cavaleiro, que teve um desempenho mais discreto mas a sua assistência para o golo de Fábio Coentrão valeu bem toda a polémica em torno da sua Chamada; Edinho, que marcou o quarto golo, e antes já tinha feito uma acrobaciazinha, seguida de um remate falhado. Pelo meio, João Moutinho foi, como sempre, o motor da Seleção; João Pereira mostrou o motivo pelo qual é considerado um dos melhores laterais-direitos da Europa; Fábio Coentrão, tal como disse acima, esteve num bom nível; Raul Meireles marcou o segundo golo e esteve na origem do quarto.
 
 
Como tal, tem-me irritado o destaque que a Comunicação Social têm dado a Cristiano Ronaldo a propósito deste jogo, quase ignorando os companheiros da Seleção. Quando o fizeram aquando dos playoffs frente à Suécia, eu aceitei porque, na verdade, foi ele o único a marcar mas, na quarta-feira, marcaram outros também. É certo que ele é, de facto, melhor do que os colegas em vários aspetos, merece ser reconhecido por isso, mas agir como se a Turma das Quinas fosse apenas "Ronaldo e mais dez" não e bom nem para os companheiros de Seleção, nem para o próprio Ronaldo. Os primeiros, por não verem os seus esforços devidamente valorizados. O último, porque leva com a pressão toda e se, por acaso, tiver um jogo menos conseguido, cai tudo em cima dele, injustamente - tal como aconteceu no jogo contra a Dinamarca, nos grupos do Euro 2012.
 
Cheguei mesmo a ler no outro dia um artigo de opinião na linha do "mais vulgaridade que qualidade" na Equipa de Todos Nós. Uma opinião que corria antes do Euro 2012, campeonato em que... chegámos às meias-finais, só falhando a final nos penálties com... a Espanha. Como podem ver, tais opiniões valem o que valem. E este artigo ainda tem a desculpa de ter sido escrito antes deste jogo. Com todas as condicionantes, este particular provou, uma vez mais, que a Seleção funciona bem como equipa, que existe um não-sei-quê na Equipa de Todos Nós que, quando está para aí virada, faz com que os jogadores escolhidos se superem a si mesmos, contrariando momentos de forma, tempo de utilização pelos respetivos clube, juízos da opinião pública. Continuo a achar que há por aí muito jogador a merecer lugar na Lista Final para o Brasil, para além daqueles que têm sido Convocados, mas a verdade é que, de uma maneira geral, as escolhas de Paulo Bento têm dado bons resultados. Mais do que isso, o Selecionador - bem como certamente, a restante equipa técnica, os outros jogadores, talvez mesmo a estrutura federativa - tem-se revelado capaz de, nos momentos decisivos, extrair o melhor dos Marmanjos. 
 
 
O maior mérito deste particular foi, precisamente, aumentar-me a esperança para o Mundial, dentro dos limites do realismo. Fazer-me acreditar que, qualquer que seja a Lista Final para o Brasil, independentemente das inevitáveis polémicas, Paulo Bento saberá fazê-la funcionar, tal como funcionou no Euro 2012. Que tudo pode acontecer. Mas não quero entrar muito por aí, não para já. Por enquanto, é dar graças por termos tido mais uma bela noite de Seleção, com todos os efeitos benéficos a ela associados. 
 
De resto, já que é quase meia-noite à hora em que publico isto, podemos considerar que faltam setenta e um dias para a Convocatória Final para o Campeonato do Mundo - altura em que a verdadeira diversão vai começar!
 
P.S. Esta é a centésima quinquagésima entrada deste blogue. Teria calhado melhor se fosse a próxima, se a número cento e cinquenta fosse a antevisão à Lista Final para o Brasil. Seria por volta do aniversário do blogue, perfeita para uma retrospetiva... Enfim. A mais cento e cinquenta publicações!
 

Crença desesperada

Na próxima sexta-feira, dia 15 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol receberá, no Estádio da Luz, à sua congénere sueca. Mais tarde, no dia 19 de novembro, será a vez de os portugueses jogarem no terreno dos suecos. Ambos os jogos contarão para o playoff de acesso ao Campeonato do Mundo da modalidade, que terá lugar no Brasil no próximo ano.

Os Convocados para esta dupla jornada foram Divulgados na passada sexta-feira. Foi uma lista conservadora, demasiado conservadora para o meu gosto - mas não me admira que Paulo Bento não queira arriscar e jogos destas importâncias. William Carvalho é a única novidade e, de resto, não surpreende pelas boas exibições que tem feito no Sporting.

O rumor que corre por aí há já algum tempo é o de que os jogadores sob a tutela do empresário Jorge Mende têm sido favorecidos em termos de Convocatória. É claro que são apenas rumores, não existem ainda provas concrets. No entanto, a ser verdade, depois de Luiz Felipe Scolari ter feito questão de acabar com esses jogos de influências na Equipa de Todos Nós, seria muito triste (e estou a usar um eufemismo) esses maus hábitos estarem a ser recuperados. Não quero, contudo, entrar por aí, insistir em um entre vários fatores de instabilidade que em nada ajudam a Seleção em vésperas de jogos tão importantes e difíceis como estes.


Ficou, então, determinado por sorteio que a Suécia será o nosso adversário neste playoff. A minha primeira reação a tal resultado foi, primeiramente, de alívio por não nos ter calhado a França - o nosso histórico com eles é demasiado assustador. Passando isso à frente, olhando para a Suécia, considero-a relativamente equivalente a Portugal: ambas as seleções possuem a fama - redutora, no caso de Portugal e, provavelmente, também da Suécia - de se confinarem apenas a um jogador de grande prestígio internacional. Nós, para além de Ronaldo, temos Moutinho, Pepe, Rui Patrício. Não duvido que a Suécia tenha, também, as suas figuras equivalentes: mediaticamente mais discretas que Ronaldo ou Zlatan Ibrahimovic mas com um papel importante na sua seleção.

Há, no entanto, que assinalar que a Suécia perdeu o primeiro lugar no seu grupo de Apuramento para a Alemanha enquanto Portugal o perdeu... para a Rússia. Além de que, no último encontro que opôs a Suécia à Alemanha, os nossos próximos adversários estiveram a perder por 4-0 e conseguiram terminar o jogo empatados. Com a Alemanha. Imaginem a disciplina mental que deve ter sido necessária. Comparem-na com o nosso historial de caprichos, desleixos e tiros nos pés.

No entanto, há que recordar, também, que os suecos não estiveram presentes no último Mundial. Nós não falhamos um campeonato de seleções há... bem, dezasseis anos. A idade que, por acaso, a minha irmãzinha completa no dia da segunda mão deste playoff. Este historial tem de contar para alguma coisa, não acham?


Tendo tudo isto em conta, considero que estes playoffs serão extremamente equilibrados. Até porque empatámos com eles a zero nos dois jogos que disputámos com eles na Qualificação para o Mundial 2010. Todos os cenários são possíveis.

Por outro lado, como diz o meu pai, o nosso maior problema não é a Suécia, nem qualquer outro adversário que, literalmente, nos tivesse saído na rifa. O problema é Portugal. Nós somos os nossos piores adversários. A nossa Qualificação foi exemplo disso. Nós tínhamos tudos para nos Apurarmos tranquila e diretamente se não nos tivéssemos desleixado, se pelo menos não tivéssemos perdido quatro pontos nos jogos caseiros. Nesta altura do campeonato, podíamos já estar descansados, a fazer planos para o Mundial. Mas não, estamos em vésperas de um playoff  em que nada está garantido.

Muitos falam da "falta de talento" e tal, mas eu acho que o problema não é esse, é mais antigo. Vejam este vídeo que resume um particular que disputámos com a Suécia em 2004, mês e meio antes do Europeu:


Nesta Seleção jogavam Luís Figo, Rui Costa, Pedro Pauleta, Deco - a geração de jogadores de qualidade internacional com que os críticos não se cansam de comparar a Seleção dos dias de hoje. No entanto, estes talentos todos não impediram o Ricardo de cometer um "frango", o Figo de falhar um penálti, o Rui Jorge de marcar um auto-golo. Não é uma questão de qualidade dos Marmanjos, é algo quase genético. A Seleção Portugues é a sua maior adversária desde... 1921, sou capaz de apostar.

É por estas e por outras que ando algo zangada com a Turma das Quinas, que nem sequer tenho vontade de ir assistir à primeira mão do playoff, no Estádio da Luz. Seria diferente se fosse a segunda mão a ter lugar em casa, no dia de anos da minha irmã, em que eventualmente pudéssemos comemorar o Apuramento no Estádio, com os jogadores. Assim, não. A minha paciência já não dá para tanto, para aderir ao circo, às campanhas publicitárias para, depois, levar com jogos medíocres, como o de Israel em Alvalade. Era até bem feita que os Marmanjos se vissem aflitos, realmente aflitos, para vencerem estes playoffs. Era de maneira que aprendiam a não se desleixarem durante as fases de Apuramento.

Não é de surpreender, portanto, que haja uma quantidade significativa de gente sem grandes esperanças para este playoff.


E, no entanto, podia ser pior. No meio disto tudo, de uma maneira retorcida, acabaram por calhar bem as declarações infelizes de Joseph Blatter sobre Cristiano Ronaldo. As já muito citadas palavras do presidente da FIFA tiveram vários efeitos curiosos. Primeiro, confirmaram as já antigas suspeitas de parcialidade desfavorável a Ronaldo e, quiçá, a Portugal, no topo da hierarquia futebolística, acentuando, deste modo, a antipatia que eu, pelo menos, tenho por Blatter e pelo seu colega Michel Platini. Segundo, tiveram o previsível, mas impressionante, condão de catalisarem o Ronaldo ao ponto de ele marcar, se não estou em erro, oito golos nos três jogos do Real Madrid que se seguiram - destaque para a continência após o primeiro desta série de golos. Por algum motivo a imprensa sueca referiu, recentemente, que Ronaldo era favorito à Bola de Ouro, em detrimento do seu Ibrahimovic: porque sabem que, se menosprezarem Ronaldo, ele vinga-se em campo.

Pena é ser pouco provável os adeptos suecos nas bancadas gritarem por Messi, nos playoffs, quando têm a sua própria superestrela futebolística. É que, da última vez que os adversários da Seleção gritaram pelo astro argentino, o Cristiano Ronaldo fez um hat-trick...

O efeito mais surpreendente, chegando mesmo a ter contornos caricatos, diz respeito às reações dos portugueses em geral. Não é invulgar o Cristiano ser mal amado no seu próprio País porque ele-só-joga-pelo-Real-não-pela-Seleção, tem fama de arrogante, invejam-no por ser "rico, bonito e bom jogador". No entanto, bastou um estrangeiro, um alto dirigente, vir criticá-lo para todo o País (incluindo um ministro) se atirar ao ar e defender, ferozmente, o nosso Comandante - reações catalisadas não só por afeição a Ronaldo mas também, provavelmente, por raivazinhas de estimação à Troika e a outras instituições europeias. Por outras palavras, Blatter transformou-se no inimigo comum que uniu os portugueses na defesa de Ronaldo.

Estou com uma certa esperança de que esta fúria contra Blatter se mantenha por mais uns tempos, não apenas para motivar Ronaldo a continuar a dar tudo de si em campo, mas também para manter os portugueses unidos em torno da Seleção, na vontade de humilhar ainda mais o presidente da FIFA através da Qualificação para o Brasil. Isto numa altura em que os habituais motivos para apoiar a Seleção se encontram enfraquecidos por esta fase de Apuramento.


A Operação Suécia arrancou anteontem. Os maiores receios diziam respeito a lesões de João Pereira e Fábio Coentrão. O primeiro parece já não apresentar limitações. O Fábio já treina em campo, mas condicionado, a dúvida relativa à sua aptidão só será esclarecida, provavelmente, em cima do início da primeira mão. Cristiano Ronaldo e Pepe também ainda não treinaram com o resto do plantel mas, ao que parece, não deixarão de entrar em campo na sexta-feira. Se Deus quiser, não teremos mais baixas. Pelo que, ao contrário do que se poderia alegar em certos jogos desta fase de Qualificação, a ausência de habituais titulares não poderá servir de desculpa.

Confesso que já estive mais otimista. Conforme afirmei acima, esta Qualificação reduziu significativamente a minha tolerância. Vocês sabem que eu assumo sempre que estaremos no campeonato de Seleções seguinte, que praticamente nunca coloco esse cenário em causa. No entanto, acho que as probabilidades de não nos Apurarmos nunca foram tão elevadas. Sei que a Turma das Quinas abordará este jogo de forma diferente como abordou a Qualificação. Nesse aspeto, a Suécia é a adversária ideal: não propriamente com o grau de dificuldade de uma Alemanha, de uma Espanha ou mesmo de uma França mas suficientemente motivadora para os Marmanjos darem o seu melhor em campo. A dúvida que se coloca é se essa nossa capacidade de nos superarmos perante tais adversários será suficiente para disfarçar outros problemas eventuais e vencermos o playoff.

Ainda acredito, atenção, mas é já uma crença desesperada, semelhante à que tinha durante o jogo com a Dinamarca no Euro 2012, depois do 2 a 2. Não me atrevo a não acreditar, acho pura e simplesmente inconcebível não estarmos no Mundial do Brasil. Do Brasil! Não com o Melhor do Mundo do nosso lado. Sobretudo, não depois do que fizemos no Euro 2012! Pode lá ser! Sei que não sou a única a pensar assim. Ninguém neste País quer, certamente, que Portugal fique de fora do Mundial. Nem os jogadores, nem a equipa técnica da Seleção, nem os adeptos, nem mesmo críticos habituais da Equipa de Todos Nós (eu bem vi como toda a gente ficou feliz com o excelente desempenho português no Euro 2012). E, tal como me farto de dizer aqui, o povo precisa destes consolos, destas alegrias, de ansiar por mais disto em 2014. Eu preciso, pelo menos.

É por isso que faço um apelo aos nossos homens: por favor, esforcem-se. Façam por compensar-nos pela tristeza que foi este Apuramento, por honrarem o País, por oferecerem uma alegria a nós todos, com destaque para minha irmãzinha, que faz anos no dia 19 e merece este presente. Todos merecemos. Deem o vosso melhor, então. Por todos nós.