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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Jogos


Ontem (terça-feira), às seis da manhã, foram postos à venda os bilhetes para o Portugal-Geórgia, às 6 da manhã e ao fim do dia já estavam esgotadíssimos. Não que me admire muito, já toda a gente sabe o que a casa gasta. Aliás, todos sabemos. Nos noticiários da noite mostraram alguns adeptos na fila, alguns com ideias meio malucas. Tínhamos, por exemplo, um velhote que trouxeram um banquinho para se sentar enquanto esperava na fila e um senhor que andava a distribuir petiscos gratuitos ao pessoal.

Fez-me lembrar o dia em que eu e o meu irmão fomos ao Estádio de Alvalade comprar bilhetes para o jogo contra a Sérvia, Setembro passado. Era uma Segunda-feira e a gente já tinha recuperado daquele empate amarguíssimo frente à Polónia devido a um golo que podia ter entrado para os "Apanhados". Estávamos todos entusiasmados para o jogo de daí a dois dias. A gente levantou-se cedinho e rumámos de Metro ao Campo Grande. Tinham-nos dito que as bilheteiras abriam às dez da manhã mas afinal só abriram ao meio-dia. Tivémos de acampar à porta das bilheteiras. Imagino a minha figura, sentada no chão, encostada à parede, de MP3 nos ouvidos e jornal gratuito na mão, a fazer o sudoku e as palavras cruzadas. Mas foi uma experiência engraçada, diferente. E, de resto, como entretanto se formara uma filazinha generosa, eu e o meu irmão demos graças por termos chegado cedo.

No dia do jogo chovia a potes. Só arranjámos lugar para estacionar perto da Faculdade de Ciências, para chegar ao Estádio íamos morrendo afogados. O que vale é que o boné protege um bocadinho a cabeça da chuva. Chegámos ao Estádio encharcados até aos ossos. Felizmente, à hora do jogo, parou de chover. E até foi divertido. Pelo menos até ao minuto 87...

O que eu não faço pela Selecção... Já aguentei os calores do Sara para ir ter com os marmanjos ao Jamor depois do Mundial, já enfrentei tempestades para ir assistir ao um jogo... Eles devem-me tantas...

De resto, assistir a um jogo ao vivo é uma experiência completamente diferente. É uma sensação estranha ter malta que a gente só vê na televisão a poucos metros de distância de nós. Sentir que se a gente gritar eles podem ouvir-nos (o que não acontece quando vemos o jogo pela televisão, embora o pessoal não deixe de gritar por causa disso...). Lembro-me que, no primeiro jogo que assisti ao vivo, o Portugal-Espanha do Euro 2004, estranhei não ouvir a voz do locutor da televisão.

Foi, de resto, outro jogo memorável. Os espanhóis eram em menor múmero que os tugas, mas começaram desde muito cedo a fazer barulho. É claro que a nossa resposta não tardou. Mergulhámos de cabeça na guerra de gritos e cânticos. Resultado: antes do jogo começar, já o meu irmão ficara rouco. O jogo em si foi um dos melhores do Euro 2004. Marcou o início deste ciclo de triunfos e de identificação popular com a Selecção. Diverti-me imenso. Quando o Nuno Álvares Pereira, quer dizer, o Nuno Gomes marcou, foi uma festa. Toda a gente se pôs de pé, agitando bandeiras e cachecóis, gritando, saltando. Um sujeito sentado à nossa frente trocou com cada um de nós um "dá-cá-mais-cinco!", apesar de nunca o termos visto mais gordo. Foi realmente o máximo.

Geralmente, quando não vou ao estádio, gosto sempre de assistir a jogos com várias pessoas, em cafés ou parecido. O ambiente fica parecido com o dos estádios. Mas nem sempre é possível e tenho de me contentar com o sofá da sala ou a mesa do jantar, com os meus pais e os meus irmãos. A minha mãe gosta de se armar em pessimista, dizendo coisas do género "Pronto, os outros já vão marcar" quando o adversário ataca, mas nos momentos decisivos sofre bastante. O meu pai gosta de se armar em desmancha-prazeres, de dizer de forma bem irritante "Mas o que é que isso interessa!?" quando estamos a falar de futebol, de dar uma de pessimista como a minha mãe, mas, se for preciso, fica vidrado a olhar para a televisão (o que irrita solenemente a minha mãe, sobretudo quando ele devia era ajudar a levantar a mesa) e quando Portugal marca é o que mais salta e festeja. Abençoada coerência.

Em relação a mim, às vezes fico mais nervosa com um jogo do que com um teste ou exame. Os nervos geralmente dão-me a volta aos intestinos e tenho quase sempre de ir à casa de banho no intervalo. Durante o jogo, falo bastante (e, noutras alturas, até sou de poucas falas), desde gritinhos de treinadora-de-sofá-da-sala ou de-mesa-do-jantar meio histéricos do género "Ó homem, tira-me a bola daí!" a comentários um bocado totós do género "Meu, o nariz daquele tipo é bem grande". Estes ditos divertem os meus pais (e a mim própria) mas irritam o meu irmão. Ele gosta de ver o jogo mais ou menos em silêncio e fica vidrado, como o meu pai. A minha irmã reage mais ou menos como eu, mas às vezes exagera na histeria, sem ser propriamente necessário.

Em princípio, este Sábado vou ver o jogo em casa. Como se trata de um particular e o adversário não é, por exemplo, a Grécia ou a Itália, suponho que não vá sofrer tanto como o habitual. Em todo o caso, espero que seja um bom jogo, que seja a nossa primeira vitória este ano.

Bandeiras


Na Sexta à noite, Cristiano Ronaldo, Nani, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira juntaram-se aos colegas em Viseu. Agora sim, a Selecção está completa. Os marmanjos tiveram ontem um dia de folga mas já regressaram ao trabalho.

Foi também na Sexta-feira, mas à tarde, que arranjei tempo para pendurar a bandeira à janela. Na verdade, pendurei duas. Uma, grande, no quarto do meu irmão, que no dele dá mais jeito. Outra, mais pequenina, a pedido da minha irmã, no nosso quarto, colada por dento ao vidro. Só espero que a bandeira grande resista ao péssimo tempo que tem feito nestes dias. Acho que fomos dos primeiros no meu prédio a pôr bandeira. Este ano ainda não se vêem muitas bandeiras, pelo menos no meu bairro, talvez mesmo por causa do mau tempo. Se bem que ontem, ao passar na IC19, já perto de Pina Manique, vi numa das margens uma rua cheiinha delas. Talvez mais perto do Europeu e quando o tempo melhorar passemos a ver mais.

Lembro-me do lema da Selecção durante o Mundial 2006 escrito no respectivo autocarro: "À janela uma bandeira/No relvado uma nação inteira. Força Portugal!". A deste ano é diferente: "Este autocarro é movido a Vontade de Vencer". Também é gira só que faz lembrar um bocado o slogan da Galp. Ao menos a do Mundial tem um toque muito mais "nosso" por causa da referência às bandeiras nas janelas. De resto, no site da Federação onde li sobre o lema (http://www.fpf.pt/portal/page/portal/PORTAL_FUTEBOL/SELECCOES/NOTICIA?notid=4186602) diz que foram os adeptos quem votaram... Também achei graça às frases dos autocarros das outras Selecções. A minha favorita foi, por acaso, a da Turquia: "Türkiye aski bu otobüse sigar mi?". Traduzida: "Caberá a paixão turca neste autocarro?". Também gosto da da Suíça: "Endstation: Wien". Traduzida: "Destino final: Viena". Vão ao site para verem as outras frases, que são bem giras.

Tive uma pena danada de não ter podido assinar o autocarro da Selecção. Só soube do evento no próprio dia, se tivesse sabido mais cedo, talvez arranjasse maneira de ir lá dar um pulinho. De resto, para dizer tudo o que me vai na alma, provavelmente escrevinharia no autocarro todo, pneus e pára-brisas incluidos. Enfim, fica para a próxima. O que me vale é que tenho este blog, e como os marmanjos têm Internet nos quartos dos hóteis, talvez, com um bocadinho de sorte, dêem com ele...

Tomoyo Yasumoto é uma japonesinha de 22 ou 23 anos que, deixando para trás o seu emprego, foi, literalmente, "ao outro lado do Mundo" para conhecer a Selecção Nacional e, em particular o Paulo Ferreira, o seu jogador favorito. Ela neste momento deve andar por Viseu, a assistir aos treinos, a seguir o autocarro da Selecção, etc. Hoje ela finalmente encontrou-se com o seu adorado Paulo, este assinou-lhe a camisola e tirou uma fotografia com ela, cumprindo o desejo da sua adepta das mais fiéis. Depois disto, a sortuda vai para a Suíça, para Neuchâtel, acompanhar a Selecção Nacional para onde quer que ela vá. Ah, tenho cá uma inveja da miúda... Também eu gostava de mandar os meus exames à fava, sair de casa de mochila às costas, cachecol e boné da Selecção, passar estes dias a Viseu e depois ir também para a Suíça, nem que tivesse de dormir num banco de jardim. Mesmo que não pudesse assistir aos jogos no estádio, podia conviver com adeptos de outras selecções, assistir aos treinos abertos ao público, seguir o autocarro da Selecção...

Enfim, já que tem essa oportunidade, que Tomoyo a aproveite bem. E, de resto, uma parte de mim nestes dias, viaja com a Selecção no autocarro deles e segue-os para onde que que vão...

"Um por todos e todos por um"


Na Quarta-feira, o Manchester United derrotou o Chelsea na final da Liga dos Campeões. O Cristiano Ronaldo e o Nani sagraram-se Campeões da Europa de Clubes, depois de o primeiro ter marcado um golo e falhado um penálti. O Scolari aproveitou esse jogo para dar uma lição sobre união e entreajuda.

Ele foi recebido e homenageado pelo cantor luso-brasileiro(?) Roberto Leal, numa Conferência de Imprensa ontem de manhã. O cantor fez de mensageiro do Presidente do Brasil Lula da Silva e no inesquecível Pelé. "O Brasil está com Portugal no Euro 2008", foi a mensagem. É a velha história dos "países irmãos".

A presença do Roberto Leal na conferência fez-me lembrar a recepção à Selecção no Estádio do Jamor, há dois anos, no dia da final do Mundial, depois da derrota frente à Alemanha por 3-0. Eu estive lá e duvido que alguma vez esqueça esse dia.

Estava um calor infernal, podia-se fritar ovos nas bancadas. Acho que até ouve uma miúda que se sentiu mal. Antes da chegada dos marmanjos actuavam cantores "pimba" com canções alusivas à Selecção e ao Mundial. Nos intervalos, violinistas tocavam os acordes de "I Will Survive", que geralmente soam depois dos golos da Selecção e uma voz nos altifalantes ia dizendo coisas como "A Selecção já saiu do aeroporto", "A Selecção está na 2ª Circular", "A Selecção está já na A5" e eu só perguntava:

- Mas quando é que eles chegam, pá?!?

Eles chegaram e foi uma festa. Foi quase como se nós é que fôssemos campeões do Mundo, como se as derrotas frente à França e à Alemanha não passassem de pesadelos de uma noite mal dormida. O discurso do Figo, que ia abandonar a Selecção, interrompido por cânticos de "Campeões, Campeões, nós somos Campeões!" e, depois, o discurso de Scolari, interrompido por gritos de "Fica! Fica! Fica!". "Vocês são campeões do carinho de do sentimento. Orgulhem-se do quarto lugar. Nunca deixem de acreditar e pode ser que, um dia, cá estaremos para comemorar uma grande vitória". Toda a gente cantando o hino, esticando cachecóis, jogadores incluídos - o Cristiano tinha o dele de pernas para o ar. Depois, toda a gente a cantar e a dançar, ao som de "Uma Casa Portuguesa" cantada pelo Roberto Leal. Vários jogadores puseram-se a brincar com os instrumentos e tudo. E, no fim, eu e vários tugas fomos dizer adeus aos marmanjos ao autocarro. Foi a primeira vez que vi de perto jogadores como o Maniche, o Figo, o Cristiano e o Simão. Inesquecível.

Foi nesse dia, nessa altura que eu (e outros para além de mim, tenho a certeza) acreditei que o sonho falhara mas ainda não morrera, ainda estava, ainda está, bem vivo, à espera que se cumprido. Um dia a Taça virá para Portugal.

Mas voltando à Conferência de ontem de manhã, o Mister aproveitou o penálti falhado pelo Cristiano para transmitir um apelo à união. "Aprendemos que um jogador não pode carregar os 20, mas sim que os 20 podem carregar um. Quando o Cristiano falhou a grande penalidade, a época podia ter sido marcada negativamente para ele. Mas os companheiros de equipa ajudaram-no e é isso que queremos na nossa Selecção.” Uma excelente época feita pelo Ronaldo podia ter ido pelo cano abaixo, se aquele penálti falhado roubasse a Taça ao United, mas, felizmente a equipa ajudou a corrigir o erro. O mesmo tem de acontecer na Selecção.

A gente tem um bocado a ideia que a Selecção é (só) o Cristiano Ronaldo, tal como achávamos antes que a Selecção era (só) o Figo. Mas não era, não é e nunca será só um jogador. A Selecção é o Cristiano Ronaldo, o Scolari, o Murtosa, o Ricardo, o Quaresma, o Nani, o Simão, o Nuno Gomes, o Fernando Meira, e por aí fora. E são eles, não só o Cristiano, que no Euro 2008 vão lutar pela Taça, para que seja desta que o sonho se torne realidade.

É a velha máxima do "Um por todos e todos por um".