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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Portugal 3 Suíça 1 – Deus Ex Machina

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Na passada quarta-feira, dia 5 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere suíça por três bolas contra uma, em jogo a contar para as meias-finais da Liga das Nações. Portugal garantiu assim a presença na final, onde irá jogar hoje com a Holanda.

 

Deus Nosso Senhor… ou melhor, Cristiano Ronaldo ouviu as minhas preces. Portugal vai à final! Não temos de ir a Guimarães. É um alívio.

 

Fernando Santos surpreendeu ao meter de início João Félix e Bruno Fernandes, bem como Rúben Neves e Nelson Semedo. Parecia mentira. Cheguei a pensar se Fernando Santos estaria a ceder à pressão de alguns comentadores e mesmo da opinião pública em geral. Em teoria, era uma boa ideia. Na prática, era a primeira vez que aqueles jogadores iam jogar na mesma equipa. Não havia garantias.

 

Tentei manter o otimismo mesmo assim. No entanto, a Suíça entrou por cima e em cima se manteve durante uma boa parte do jogo. De uma maneira geral, não achei que a exibição tivesse sido tão má como alguns a têm pintado. Mas, sim, esperava-se melhor tendo em conta as individualidades em campo.

 

Houveram muitas ocasiões em que os suíços fizeram o que quiseram perante a nossa defesa. Dá para ver um bom exemplo disso no resumo abaixo, logo a primeira jogada. Até dói. Valeu Rui Patrício. Os únicos motivos pelos quais, aliás, a Suíça não se adiantou no marcador foram precisamente intervenções à última hora e uma dose generosa de sorte.

 

 

Pelo meio, Ronaldo fez esta maldade.

 

Acabámos por ser nós a abrir o marcador. Não tenho a certeza de que a falta é legítima, mas o livre foi executado na perfeição. O guarda-redes nem se conseguiu mexer.

 

Mesmo em desvantagem, os suíços não tiraram o pé do acelerador. Seferovic, em particular, estava com ganas – teve várias oportunidades, incluindo uma em que rematou contra a trave.

 

Por outro lado, em cima do intervalo, João Félix conseguiu isolar-se em frente à baliza aberta mas o suíço tocou-lhe no ombro, Félix atrapalhou-se e rematou para as nuvens. Gritei tanto com o miúdo nesse lance…

 

O domínio da suíça manteve-se no início da segunda parte mas, mesmo assim, só conseguiram marcar de penálti, em circunstâncias confusas para toda a gente. O jogo parara para consulta no vídeo-árbitro após uma possível falta sobre Bernardo Silva para penálti. Eu distraí-me por um momento com o telemóvel e, quando dei por ela, tinha sido marcado um penálti contra nós, no lance anterior.

 

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Se eu fiquei confusa vendo o jogo em casa, imagino como se terão sentido as pessoas nas bancadas. Mas a verdade é que, no lance anterior, Nélson Semedo cometera falta para penálti, ou seja, tudo o que acontecera a seguir não era válido.

 

Confesso que tenho algumas dúvidas de que o penálti é legítimo – se aquilo é falta para penálti, o lance envolvendo João Félix, no final da primeira parte, também deveria ser – mas a verdade é que o nosso livre convertido a golo fora igualmente questionável. Só não percebo muito bem porque é que o VAR não parou a jogo logo a seguir à falta de Semedo. Acho que faz parte das regras do vídeo-árbitro, eles têm de deixar a jogada prosseguir, mas não entendo a lógica.

 

Ainda estamos todos em adaptação ao VAR.

 

Em todo o caso, Ricardo Rodriguez bateu o penálti. Rui Patrício adivinhou o lado – ou foi Ronaldo a segredar-lho ao ouvido, antes? – mas a bola passou-lhe por baixo do corpo. Estava feito o empate.

 

Os vinte minutos seguintes de jogo foram relativamente equilibrados. Portugal continuava sem conseguir criar grandes oportunidades. Nesta altura, a coisa parecia encaminhar-se para um prolongamento… o que eu não queria de todo. Seria mais meia hora nas pernas dos Marmanjos e poucos dias para recuperar para o jogo de domingo. Além disso, se tivéssemos de ir a penáltis, podia dar para os dois lados – e da última vez a coisa não deu para o nosso.

 

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É nessa altura que, do nada, Cristiano Ronaldo saca dois coelhos da cartola. No primeiro, Rúben Neves fez um daqueles passes típicos dele, de longa distância, Bernardo Silva recebe a bola já na grande área, assiste para Ronaldo, que não perdoa.

 

Poucos minutos mais tarde, Gonçalo Guedes isolou Ronaldo a meio do meio-campo suíço. Quando este chegou à grande área, Guedes ainda lhe pediu a bola. Ronaldo no entanto deve ter pensado algo do género “Esquece, puto, ainda tu usavas fraldas e eu já resolvia jogos”. Ele mesmo se desviou de um par de suíços e rematou certeiro para as redes.

 

E assim se mudou o curso de um jogo em o quê? Cinco minutos? É isto Cristiano Ronaldo: de um momento para o outro decide um jogo. Se isto fosse ficção, uma história, haveria quem acusasse o Capitão de ser um Deus Ex Machina: uma personagem, objeto ou evento que surge do nada, sem quaisquer indícios antes e altera por completo o curso da história – geralmente resolvendo as coisas a favor dos protagonistas.

 

Não foi isso que Ronaldo fez? Mudar o rumo da narrativa quando toda a gente pensava saber como a história ia acabar – ou pelo menos o que aconteceria a seguir?

 

 

Antes de partirmos sobre as reflexões gerais, uma nota para o público no Dragão: proporcionaram um ambiente fantástico que, acredito, contribuiu para a vitória. Consta que estiveram elementos de várias claques a dirigir os cânticos, à semelhança do que aconteceu durante o Euro 2016 (se as claques só servissem para isto…). Destaque para os cânticos de “CRIIIISTIANO RONAAALDO!!”, como no vídeo acima. Houve um momento em que deu para ver o Capitão incapaz de conter o sorriso perante todas aquelas vozes.

 

Mal posso esperar por fazer parte deste ambiente na final.

 

O jogo terminou, assim, com um resultado que, todos concordam, não reflete a diferença de qualidade entre as duas equipas. Nada disto é novo: um jogo em que o coletivo deixou a desejar, com uma exibição entre o fraquinho e o assim-assim, com o Capitão-papá a salvar o couro nacional.

 

Não acho que tenha sido Ronaldo-mais-dez – Rúben Neves, Bernardo Silva e Gonçalo Guedes foram importantes para o segundo e terceiro golos; Pepe, Rúben Dias e William tiveram os seus momentos. No entanto, mantém-se muitos dos problemas que já se tinham manifestado nos jogos da Qualificação. A diferença é que, desta vez, Ronaldo conseguiu resolver.

 

Na Conferência de Imprensa após o jogo, Fernando Santos justificou-se dizendo que tem tido pouquíssimo tempo para trabalhar com os jogadores. É uma “desculpa” já tem barbas em contexto de seleção, mas estará errada? Pelo que tenho lido e ouvido, muitos comentadores parecem saber exatamente como colocar estes talentos a uso. Não digo que estejam errados mas, na prática, será que eles, ou outros treinadores, conseguiriam melhores resultados?

 

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Também tem surgido a questão – não tanto entre os comentadores, mais entre os adeptos – de se Portugal joga melhor com Ronaldo ou sem ele. As exibições durante as fase de grupos da Liga das Nações sem o Capitão foram, de facto, melhorzinhas – o primeiro jogo com a Itália e com a Polónia, pelo menos. Mas, se me permitem simplificar demasiado a coisa e/ou falar de coisas que não entendo a cem por cento, será preferível termos uma equipa sem Ronaldo, com todas as individualidades mais jovens à vontade para mostrarem o que valem? Ou termos uma equipa montada em torno de Ronaldo, em que os mais jovens jogam pior, mas em que o Capitão pode fazer a sua cena e dar-nos vitórias? Não há nenhuma maneira de combinar as duas opções?

 

Enfim. Tudo isto são questões para médio/longo prazo. A curto prazo, temos uma final para disputar, hoje. A nossa terceira final europeia. A segunda final europeia em casa. É certo que não tem o prestígio de um Europeu, mas isso deve-se, em parte, ao facto de ser a primeira edição. E eu vou estar lá!

 

O nosso adversário será a Holanda. Conforme escrevi antes, eu teria apostado na Inglaterra – eles no entanto cometeram erros, em parte devido ao cansaço, que se revelaram fatais. Ainda assim, só vi o prolongamento, mas aqui garantem que a Holanda dominou em praticamente todos os aspetos estatísticos. Temos a nosso favor o histórico, o fator casa, um dia extra de descanso para nos, mais meia hora de jogo para eles. O que não é garantia de nada.

 

Em suma, não vai ser pêra doce. Ou melhor, não vai ser laranja doce.

 

A questão é agora saber se a qualidade exibicional que temos apresentado nos últimos jogos será suficiente perante esta Holanda. Não sei se será – teremos de jogar um bocadinho melhor.

 

Como o costume, vou procurar manter o otimismo apesar das minhas reservas. Afinal de contas, eu também achava que poderíamos não ter qualidade suficiente para vencer a última final em que participámos. Não será o fim do mundo se não conseguirmos ganhar. Mas não é todos os dias que temos a oportunidade de lutar por um título, muito menos em casa. Temos a obrigação de dar o nosso melhor – e acredito que é isso que os Maranjos farão. Por todos nós.

 

Continuem a acompanhar esta aventura na Liga das Nações quer aqui neste blogue quer na página do Facebook

Tanque de tubarões

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Na próxima quarta-feira, dia 5 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol defronta a sua congénere suíça no Estádio do Dragão, em jogo a contar para- a final four da Liga das Nações. Se vencer, disputará a- final no mesmo estádio no próximo domingo, dia 9 de junho. Se perder, disputará o terceiro lugar na prova no mesmo dia, no Estádio Afonso Henriques. Seja qual for o jogo de domingo, eu estarei lá!

 

Este é o quarto ano consecutivo em que Portugal participa numa fase final de um campeonato de seleções. Sabe bem, não haja dúvida. É uma competição curtinha, apenas dois jogos, no entanto. Não difere muito das habituais jornadas de Qualificação desta altura do ano,  na prática.

 

Isto é, se  não tivermos em conta que, nessas jornadas, encontramos equipas como a Rússia ou o Azerbaijão. Nesta fase final temos a Suíça, a Inglaterra e a Holanda. Um nível completamente diferente.

 

Além de que há um troféu que podemos ganhar. E que é uma prova organizada por nós – a primeira desde o Euro 2004.

 

Já tinha referido antes que tenho bilhetes para a Liga das Nações, para mim e para a minha irmã. Temos bilhetes Super Sunday – ou seja, ou para a final ou para o jogo de atribuição do terceiro e quarto lugares, consoante o resultado de Portugal perante a Suíça.

 

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Ora, inteligente como sou, só no outro dia, quando estava a preparar esta crónica é que percebi que o jogo do terceiro lugar será no Estádio Afonso Henriques, em Guimarães. Pensava que ambos os jogos seriam no Dragão! Já tinha marcado a estadia no Porto, para a noite de 9 para 10! Tive um mini-ataque de pânico, confesso. 

 

Na prática, não faria grande diferença se tivesse descoberto mais cedo. Não dá para saber onde jogará a Seleção no domingo até à noite de 5 de junho. Ninguém no seu juízo perfeito iria esperar até essa altura para marcar estadia: a menos que estivessem dispostos a pagar fortunas ou a arriscar não encontrarem sítio onde dormir. Iríamos sempre passar a noite no Porto. O  jogo do terceiro lugar começa às duas da tarde. É preferível ir de Guimarães para o Porto depois desse jogo do que fazer o percurso inverso depois da final – que, se tiver prolongamento e penáltis, poderá terminar perto das onze da noite.

 

A única coisa que faria de diferente, se tivesse sabido antes, seria pôr a hipótese de marcar estadia para a noite de 8 para 9 – mesmo assim, não dava jeito à minha irmã passar duas noites fora.

 

Dará para gerir se formos ao jogo do terceiro lugar. Teremos de levar o carro (em vez de irmos de comboio ou autocarro), pois não teremos tempo de deixar a(s) mala(s) no hotel, no Porto. Se saírmos cedo de Lisboa, temos tempo para chegar a Guimarães.

 

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Será muito mais fácil, no entanto, se Portugal for à final. O jogo será só ao fim da tarde. Poderemos ir tranquilamente de autocarro ou de comboio de manhã. À tarde, haverá tempo para, talvez, dar uma volta pela cidade ou para descansar antes do jogo. E, confesso, gostava um bocadinho mais de ir ao Dragão do que ao Afonso Henriques. 

 

É por isso que espero que a Seleção se Qualifique para a final: dá-me mais jeito. E também porque, indo à final, podemos lutar pelo título, apenas o segundo da nossa História, blá blá blá, aspetos secundários.

 

Fernando Santos anunciou os Convocados para esta prova na semana passada. A Lista não difere radicalmente da anterior. André Silva ficou de fora pois, segundo consta, tem andado lesionado. Não há muito mais a dizer.

 

Como já aconteceu algumas vezes antes, estes primeiros dias da preparação decorreram em regime aberto, como nos clubes. Só hoje (domingo) começa a concentração a sério, em Espinho. Tenho pena que Cristiano Ronaldo não tenha participado na final da Liga dos Campeões, após três seguidas, mas, aqui entre nós que ninguém nos ouve, estou um bocadinho aliviada. Imaginem! Jogar a final da Liga dos Campeões num sábado e, na quarta-feira seguinte, jogar uma meia-final, também de nível europeu? E uma final ou jogo de terceiro lugar no domingo seguinte?

 

O mais certo era Ronaldo pedir para ficar de fora. Eu não o censuraria – ele já vai a caminho dos 35 (!!!!). Além disso, nem sequer participou na fase de grupos. Poderia haver quem o considerasse justo.

 

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Nesse aspeto, os nossos amigos ingleses estão tramados, já que sete dos seus Convocados jogaram a final da Liga dos Campeões. Mas com o mal dos nossos adversários posso eu bem – e não acho que seja garantia de facilidades. Mais sobre isso adiante.

 

Aliás, sendo esta uma fase final com apenas quatro participantes, não é de todo razoável esperar facilidades, de maneira nenhuma. Dito isto, acho que tivemos um bocadinho de sorte ao apanharmos a Suíça das meias-finais – só mesmo porque disputámos a Qualificação anterior com eles, logo, conhecêmo-los relativamente bem. Ainda assim, a Suíça é uma das duas únicas equipas que nos venceram em jogos oficiais no mandado de Fernando Santos. É certo que conseguimos vencê-los quando os enfrentámos em casa… mas mesmo assim.

 

Na Liga das nações, os suíços ficaram no grupo com a Bélgica. Conseguiram o apuramento no último jogo da fase de grupos, precisamente perante os belgas: estiveram a perder por 2-0, mas viraram o resultado para 5-2. Haris Seferovic, do Benfica, assinou um hat-trick. Não vai dar para brincar perante eles.

 

Já agora, aproveitamos a boleia e falamos já da Inglaterra e da Holanda. Afinal de contas, iremos enfrentar um deles no jogo de domingo, mais vale.

 

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A Holanda é teoricamente nossa freguesa, como dizia Luiz Felipe Scolari. Na prática, da última vez que nos cruzámos com eles, num particular, a coisa coisa não correu bem para o nosso lado. Apesar de terem falhado tanto o Euro 2016 como o Mundial 2018, os holandeses têm estado em ascensão no último ano. Partilharam o grupo da Liga das Nações com a França e a Alemanha e sobreviveram. Venceram a França por 2-0 na penúltima jornada. Aos 84 minutos do último jogo estavam a perder por 2-0 com a Alemanha. No entanto, conseguiram empatar, Qualificando-se para a fase final à frente dos nossos amigos franceses.

 

Nada mau, tendo em conta o seu histórico nos anos anteriores.

 

Por fim, vale a pena recordar que quatro dos seus Convocados jogam no Ajax, a equipa sensação desta época na Liga dos Campeões.

 

Por sua vez, os ingleses são, a meu ver, os grandes favoritos a vencer esta competição. São igualmente uma equipa em rumo ascendente, jovem e talentosa. Ficaram em quarto no Mundial 2018 e qualificaram-se para esta final four num grupo que incluiu a Espanha e a Croácia. O facto de a Premier League ter tido quatro equipas nas finais europeias de clubes – e de sete dos seus Convocados terem sido finalistas da Liga dos Campeões, como referi acima – é um bom indicador da qualidade do futebol inglês.

 

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Em suma, temos adversários de qualidade, que para cá chegarem deixaram pelo caminho os três primeiros classificados no Mundial 2018. Na comparação, nós deixámos pelo caminho “só” a Itália, que já viu melhores dias, e a Polónia que, com o devido respeito, não é propriamente um dos grandes da Europa.

 

Não tenham ilusões, nós não somos favoritos. A única coisa que temos a nosso favor é o facto de sermos Campeões Europeus (há quase três anos… muita água já correu entretanto) e de jogarmos em casa. Vamos estar a nadar num tanque de tubarões (isto não era o nome de um reality show qualquer?). Apenas três, mas não deixam de ser perigosos.

 

Devo dizer que podia estar mais confiante. Como se o calibre dos nossos adversários não fosse suficiente para nos intimidar, não me esqueci do que aconteceu nos nossos últimos dois jogos. Estou com um bocadinho de medo que façamos exibições fraquinhas outra vez, que Fernando Santos se ponha a inventar, que as estratégias se centrem demasiado em Cristiano Ronaldo e prejudiquem os outros Marmanjos. Sei que temos jogadores de qualidade suficiente para lutarmos pelo título – mas tenho medo que essa qualidade não venha ao de cima.

 

Pode ser que até venha. Pode ser que, de uma maneira tipicamente nossa, nos superemos perante o calibre destes adversários e o contexto de mata-mata. Quem sabe? Ainda somos Campeões Europeus. E vamos jogar em casa – da última vez que organizámos uma fase final europeia, a coisa não correu mal.

 

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Apesar da minha pouca confiança, não deixo de acreditar. Não enquanto for possível. Espero que consigamos, pelo menos, ir à final. E vou querer desfrutar – não é todos os dias que vemos a nossa Seleção jogar contra os grandes da Europa. Ao vivo, no meu caso.

 

Acompanhem comigo o nosso percurso neste mini-tanque de tubarões tanto neste blogue como na página do Facebook.

Portugal 2 Suíça 0 - Noites como estas

IMG_20170513_140959_HDR.jpgNa passada terça-feira, dia 10 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere suíça por duas bolas a zero, no Estádio da Luz... e eu estive lá! Este era o último jogo da Qualificação para o Mundial 2018. Com esta vitória, Portugal iguala a Suíça em pontos. No entanto, como tem mais golos marcados, fica em primeiro lugar no grupo e Apura-se diretamente para o Mundial.

 

Às vezes pergunto a mim mesma porque raio ainda tenho dúvidas no que toca a esta Seleção.

 

Conforme tinha escrito antes, fui ao jogo com a minha irmã. Uma vez que a lotação estava esgotada (até a Madonna veio, para delícia de muitos), os profissionais da Federação tinham recomendado que viéssemos o mais cedo possível. Eu e a minha irmã seguimos as recomendações e chegámos mais ou menos uma hora antes do início do jogo.

 

Por sinal, chegámos ao mesmo tempo que a maioria dos adeptos suíços, entoando cânticos em coro. Não houve confusão. Pelo contrário, uns deles meteram-se comigo. Falavam alemão, do qual não compreendo uma palavra (deviam ser da chamada “Suíça alemã”), mas lá percebi que queriam tirar uma selfie comigo. Eu aceitei, sobretudo por uma questão de fair-play – é sempre bonito confraternizar com adversários.

 

Eu, no entanto, suspeito que eles estavam menos interessados em fair-play e mais no meu decote. Enfim.

 

Eu e a minha irmã ficámos sentadas na bancada BTV (julgo que é essa), não muito longe dos adeptos suíços. Estes começaram a fazer barulho desde muito cedo, puxando pela sua equipa.

 

Mais um motivo para respeitar a Suíça, de resto: os seus adeptos não se deixaram intimidar por uma Luz esgotada, decidida a fazer a sua parte na luta pela Qualificação.

 

 

E, de facto, o momento da coreografia, com as cartolinas verdes e vermelhas provocou-me arrepios – sobretudo enquanto cantávamos “A Portuguesa”. Foi uma jogada de mestre por parte da Federação.

 

O jogo não foi muito fácil, pelo menos não de início. Portugal jogava bem, sem grande brilho mas com consistência – João Mário foi o primeiro a chamar-me a atenção, mas também William, Eliseu (com a sua pouca utilização no Benfica, não estava à espera que jogasse tão bem) e Bernardo Silva se destacavam.

 

Os suíços, no entanto, iam sendo capazes de travar as iniciativas portuguesas. De tal forma que a primeira oportunidade de perigo para Portugal ocorreu apenas aos trinta e dois minutos – uma boa iniciativa de Bernardo Silva. A Suíça também atacava de vez em quando mas com ainda menos eficácia – Rui Patrício teve uma noite inesperadamente tranquila.

 

Os dedos das mãos já não chegam para contar os jogos de futebol a que já assisti ao vivo. No entanto, ainda não me fartei – ver através de um ecrã pura e simplesmente não se compara a isto. Ainda por cima, desta vez estávamos apenas algumas filas acima do campo, relativamente perto dos jogadores. Dava para irmos gritando coisas como “Corre, Eliseu!”, “Vai, miúdo!”, “Força William!” e eles podiam ouvir.

 

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Em teoria. Na prática não davam sinais disso, claro. Como seriam capazes de se concentrar no jogo se estivessem atentos a todas as baboseiras que vêm das bancadas? Quando se trata de dar força, no entanto, gosto de pensar que eles percebem a mensagem.

 

O jogo foi na semana passada mas, só recordando-me disto, já estou com saudades e ansiosa por regressar a um jogo da Seleção. O pior é que duvido que a Turma das Quinas volte a jogar tão cedo em Lisboa.

 

Mas também estou a queixar-me de barriga cheia: eu que fui a dois jogos este ano.

 

Tivemos um bocadinho de sorte com o nosso primeiro golo, há que admiti-lo. Mas também não se pode dizer que Portugal não o tenha merecido. Poucos minutos antes do intervalo, Eliseu centrou para João Mário. Este enrolou-se com o defesa e o guarda-redes da Suíça, mas a bola acabou por entrar.

 

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A partir da nossa bancada não dava para ver bem o que se passava – durante algum tempo pensámos que tinha sido João Mário a marcar. Na altura, achei justo – ele estava a ser um dos melhores em campo. Só ao intervalo é que descobrimos que tinha sido auto-golo de Djourou.

 

Enfim. Golo é golo.

 

Dá sempre jeito partir para o intervalo com um golo acabado de marcar. A segunda parte foi quase completamente dominada por Portugal, sobretudo nos primeiros dez minutos. O facto de os suíços se terem aberto mais ajudou. Esta fase culminou com uma jogada brilhante, em que a bola passou por mais de metade da Seleção antes de Bernardo Silva assistir para André Silva, que concluiu com um remate atrapalhado mas certeiro.

 

É bom ver a Equipa de Todos Nós marcar um golo assim, com a contribuição direta de quase toda a equipa. Podemos continuar muito dependentes de Ronaldo (e acho que é mais uma dependência psicológica do que outra coisa qualquer), mas ninguém pode negar que existe Seleção para além dele.

 

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A parte chata de golos como este é que os resumos em vídeo cortam uma parte da jogada. Tive de recorrer às gravações automáticas para revê-la na íntegra – e estas desaparecem ao fim de alguns dias.

 

Depois desta, o jogo decorreu sem incidentes de maior. Portugal procurou segurar o resultado, sem abdicar de tentar o 3-0. Estivemos perto, sobretudo com a oportunidade de Cristiano Ronaldo, aos oitenta minutos. O Capitão conseguiu isolar-se perante o guarda-redes suíço mas depois atrapalhou-se com a finta.

 

Não estava nos seus dias, pobre Ronaldo. É capaz de ter sido dos menos eficazes em campo, entre os portugueses – a antítese do que aconteceu em Andorra, curiosamente. Não que tenha sido grave – outros brilharam por ele, tal como vimos antes.

 

Cristiano Ronaldo um dia destes deixará a Seleção (embora Fernando Santos diga que ele ainda poderá jogar durante cinco anos). Não temos nenhum fenómeno como ele para tomar o seu lugar – nem agora, nem nos próximos... duzentos anos, provavelmente. No entanto, com jogadores como Bernardo Silva, João Mário, William, entre muitos outros, não precisamos de nos preocupar com o futuro.

 

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Finalmente, o árbitro apitou três vezes, consumando o nosso Apuramento direto. Pela segunda vez consecutiva, escapamo-nos aos play-offs. Continua a saber bem. Em termos de números, esta foi a nossa melhor Qualificação de todos os tempos, com noventa por cento de vitórias. No Apuramento anterior também só tínhamos perdido uma vez. Mas como foram apenas oito jogos, a percentagem de vitórias foi de apenas 87,5.

 

Continua a faltar, ainda assim, uma Qualificação imaculada.

 

Uma palavra sobre a Suíça. Escrevi em textos anteriores que respeitava imenso os suíços por tudo o que fizeram nesta Qualificação. Isso não mudou com a derrota deles. São uma boa equipa, estiveram à nossa frente – nós, Campeões Europeus – na tabela classificativa durante mais de um ano, os seus adeptos foram exemplares na Luz. O mais justo teria sido ambas as equipas Qualificarem-se diretamente. 

 

A Suíça, no entanto, tem ainda a hipótese de ir à Rússia via play-offs. Eu vou torcer por eles.

 

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Fernando Santos  disse na Conferência de Imprensa que esta é uma das melhores seleções de sempre. Se é a melhor, é discutível – depende dos critérios. No entanto, em termos de resultados, de consistência, ninguém discorda: é a número um até agora.

 

A Seleção de Fernando Santos (isto é, de finais de 2014 até agora) pode nem sempre ter praticado o futebol mais excitante ou bonito. Mas os únicos fracassos até agora foram a derrota perante a Suíça (que, de qualquer forma, acabou agora mesmo de ser corrigida) e as meias-finais da Taça das Confederações. Pelo meio, tornámo-nos Campeões Europeus.

 

Fernando Santos celebrava o seu aniversário naquele dia. E, de facto, todos nós devemos dar graças por ele ter nascido e dado tanto à Seleção.

 

Foi mesmo a única coisa que faltou naquela noite: cantarmos os Parabéns a Fernando Santos.

 

  

Bem, ao menos pudemos comover o Selecionador com o “Hino à capela”, como o próprio descreveu, no fim do jogo. Eu não estava à espera, mas não me surpreendeu – o mesmo já tinha acontecido há quase seis anos (!!), no jogo com a Bósnia-Herzegovina.

 

Depois de o jogo acabar (ou talvez antes, não me lembro ao certo), reparei neste cartaz, algumas filas acima do meu lugar, com uma nova versão do Pouco Importa. Quando estávamos nos túneis para sair do estádio, consegui apanhar os autores do cartaz e pedir-lhes para tirar esta fotografia (serão membros da claque do Euro 2016, que criou o cântico original?). Ainda me juntei a eles quando começaram a cantar esta nova quadra, no meio da multidão que abandonava a Luz (tentei filmar o momento, mas atrapalhei-me com o telemóvel).

 

Já cantei, portanto, que “o Mundial da Rússia, vamos ganhá-lo também”. Na realidade, contudo, ainda não quis pensar a sério nisso. É muito cedo. Mais disparatado ainda é pensar já nos Convocados, como já vi – faltam sete meses! Os momentos de forma mudam até lá!

 

Haverá tempo para falarmos sobre o Mundial e sobre as ambições de ganhá-lo. Entristece-me um bocadinho, aliás, não voltarmos a ter jogos oficiais até junho.

 

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Enfim. Havemos de sobreviver.

 

Já sabemos que, no próximo mês, receberemos a Arábia Saudita e os Estados Unidos, em jogos particulares. Não me admiraria, no entanto, se Fernando Santos deixasse a maior parte dos habituais de fora. Não esperemos, portanto, jogos muito interessantes. Os de há quase dois anos não foram.

 

Recordo, no entanto, que de uma forma ou de outra esses jogos ajudaram-nos a sagrarmo-nos Campeões Europeus. É para noites como a de 10 de julho de 2016 e a de 10 de outubro deste ano que estamos todos aqui.

 

Que tenhamos muitas noites como estas no próximo ano, na Rússia.

A Batalha Final

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No próximo sábado, dia 7 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará a sua congénere andorrana, no Estádio Nacional de Andorra-a-Velha. Três dias mais tarde, receberá a sua congénere suíça no Estádio da Luz... e eu estarei lá! Estes dois jogos serão os últimos da Seleção Portuguesa na Qualificação para o Mundial 2018.

 

Fernando Santos apresentou uma Convocatória com várias novidades para esta dupla jornada. A que primeiro me chamou a atenção foi o regresso de Éder, após ter falhado a Taça das Confederações. Eu sabia que ele estava a dar-se bem no Lokomotiv de Moscovo – marcou um golo no fim de semana passado e ainda outro no fim de semana anterior – mas não estava à espera que ele regressasse já à Seleção.

 

É claro que não vou criticar a Chamada dele – ninguém com um bocadinho de coração vai fazê-lo. Não deverá roubar a titularidade a André Silva, obviamente, mas poderá ajudar a desbloquear uma situação complicada. Já resultou antes…

 

O facto de Éder estar a jogar na Rússia, no ano em que esta organiza o Mundial, de resto, tem alguma piada – depois de o mesmo ter acontecido há quase dois anos, quando ele se mudou para França antes do Euro 2016.

 

Terá contribuído para o que aconteceu na final? Não sei.

 

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Superstições à parte, por agora estou feliz por o Éder estar a jogar regularmente e a marcar golos, sem levar com vaias de franceses aziados. Se conseguir manter este ritmo, não deverá falhar o Mundial.

 

Menos consensual é o regresso de Renato Sanches. Como é do conhecimento geral, o Renato está a jogar no Swansea. A sua estreia não correu bem e os adeptos do clube não foram meigos. Desde essa altura, tanto quanto tem sido noticiado, Renato não tem feito nada de especial. Fernando Santos garante, no entanto, que ele e os restantes membros da equipa técnica viram “sinais positivos”.

 

Eu vou acreditar – até porque ainda alimento a esperança de voltar a ver o Renato do Euro 2016.

 

Nada a apontar à Chamada de Gonçalo Guedes, que está a sair-se muito bem no Valência.

 

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Por sua vez, Antunes foi Convocado no lugar de Fábio Coentrão, presumivelmente. A exclusão do lateral-esquerdo do Sporting também não foi consensual. Eu, no entanto, não posso dizer que tenha ficado surpreendida – não depois de Coentrão não ter conseguido aguentar meia hora em campo, frente à Hungria. Sendo esta uma jornada dupla muito desgastante, sobretudo na Andorra (conforme veremos a seguir),  também acho que não valia a pena arriscar.

 

E por sinal, como que a justificar esta exclusão, o Fábio lesionou-se durante o fim de semana, acabando por falhar o Clássico. Ou seja, mesmo que Coentrão tivesse sido Convocado, teria de ser substituído. Tudo isto é, por um lado, caricato. Por outro, é triste ver um jogador como ele, cheio de garra e talento, preso neste ciclo vicioso.

 

Na verdade, estou à espera que Raphael Guerreiro regresse à competição – ainda não recuperou da lesão contraída durante a Taça das Confederações. Até porque o Eliseu anda a jogar menos no Benfica. Espero que Antunes consiga dar conta do recado.

 

Por fim, dizer apenas que não compreendo porque é que o Manuel Fernandes não tem sido Convocado.

 

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Estamos, então, na reta final deste Apuramento, ainda no segundo lugar, a três pontos do primeiro. Há cerca de um ano, havia quem dissesse que a Suíça, por esta altura, teria perdido pontos. Era natural pensar assim – com o devido respeito para com os suíços, eles não são nenhuns tubarões, tipo Alemanha ou França (e nós também não).

 

Bem, enganaram-se. Em parte, porque equipas como as Ilhas Faroé ou a Letónia dificilmente roubam pontos a equipas de maior prestígio.  Mas sobretudo por mérito dos próprios suíços. Não consigo deixar de respeitá-los por estarem a fazer uma Qualificação imaculada – feito só igualado pela Alemanha.

 

Existe a possibilidade de os suíços perderem pontos perante a Hungria – sobretudo se os húngaros levarem para Basileia o… chamemos-lhe “espírito lutador” que demonstraram no nosso último jogo contra eles. Mas mesmo na melhor das hipóteses – isto é, Suíça perder contra a Hungria e Portugal ganhar à Andorra – vencermos a Suíça continua a ser a opção mais segura.

 

Não adianta, no entanto, pensar demasiado no jogo contra os suíços antes de vencermos Andorra.  Não foi por acaso que Fernando Santos comparou este jogo a uma meia-final – ninguém no seu juízo perfeito faz planos para a final antes de passar as meias.

 

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Já se sabe que não vai ser fácil. O relvado será artificial. Os andorranos conseguiram empatar em casa com os húngaros e perder por apenas 2-1 perante os suíços. A viagem para lá é complicada: a Federação consegui arranjar um avião da Força Aérea que voe diretamente para a Andorra mas, se o tempo estiver mau, terão de aterrar em Lérida e fazer o resto da viagem de autocarro.

 

Três horas de autocarro, uma parte delas através dos Pirinéus? Só de pensar nas curvas fico com náuseas. Façamos figas para que os Marmanjos não tenham de passar por isso.

 

Por outro lado, existe uma grande comunidade portuguesa em Andorra – conforme testemunhado há algumas semanas pelo Presidente Marcelo. Na altura disseram mesmo que ia haver um problema, pois o Estádio não tem espaço para os portugueses todos em Andorra.

 

É este género de problemas que a Seleção agradece.

 

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Mesmo tendo em conta tudo o que enumerei antes, a Turma das Quinas não tem desculpas. Para além de ir jogar quase em casa… é a Andorra! Pode criar-nos dificuldades, sim, mas não queiram comparar. Eles nem sequer têm hipóteses de se Qualificar, nesta altura. É certo que devemos sempre ter cuidado com um adversário que não tenha nada a perder, mas a nossa motivação terá de chegar para contornar esse problema. Tropeçar perante a Andorra não é aceitável. Somos Campeões Europeus ou não?

 

Pode ser, até, que estejamos a preocuparmo-nos demasiado e que, depois, as coisas corram melhor do que estávamos à espera. Tem sido um pouco a regra em vários jogos deste Apuramento. De qualquer forma, é mil vezes melhor que o oposto: subestimarmos o adversário e apanharmos surpresas desagradáveis. Não me importo de sofrer desnecessariamente, desde que ganhemos os três pontos.

 

Por outro lado, se algum dia vier a sofrer do coração por causa disso, posso arrepender-me...

 

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Existe outro aspeto a levar em conta neste jogo: os “amarelados”. Durante estas últimas semanas, tenho-me preocupado mais com Cristiano Ronaldo, por motivos óbvios – e também porque o seu amarelo foi mais recente. Mas estive a pesquisar e descobri que, para além dele, também Gelson Martins, Ricardo Quaresma, Cédric, André Gomes, Pepe e José Fonte viram o amarelo nesta Qualificação.

 

Não nos podemos dar ao luxo de perder nenhum destes Marmanjos – não antes de uma final, em que todas as armas fazem falta. Se fossem apenas dois ou três “amarelados”, Fernando Santos ainda poderia poupá-los (duvido que o fizesse, mesmo assim). Com sete, não dá.

 

É difícil de prever quais destes conseguirão escapar ao amarelo. O Cristiano Ronaldo, por exemplo, já tem idade para ter juízo mas, de vez em quando, tem atitudes de criancinha. A nossa sorte é que ele saiu há pouco tempo de um castigo de cinco jogos – por agora, estará vacinado.

 

Consta que o Cédric é um bocadinho arruaceiro, também. E o Pepe... bem, é o Pepe.

 

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Só nos resta fazer figas para que os Marmanjos se portem que nem meninos de coro e para que o árbitro não se ponha a implicar com eles.

 

Se tudo correr bem na Andorra, o jogo com a Suíça será, então, a Batalha Final deste Apuramento – a épica resolução de um conflito, de um braço-de-ferro, que dura há mais de um ano. Conforme disse acima, tenho imenso respeito pelos nossos amigos suíços, pelo que têm feito nesta Qualificação. Mas só há espaço para um de nós no primeiro lugar. Portugal vai dar luta.

 

O jogo terá lugar no Estádio da Luz, tal como vimos antes. Noutras circunstâncias, acho que teriam escolhido outro estádio – talvez o de Alvalade. No entanto, o saldo desse estádio, em termos de jogos da Seleção, não tem sido favorável – eu que o diga, que fui assistir a três dos quatro últimos jogos em Alvalade e estes incluíram uma derrota (era um particular, mas mesmo assim) e dois empates comprometedores.

 

O Estádio da Luz, por sua vez, tem um histórico recente bem mais favorável – incluindo jogos decisivos, como os playoffs de 2009, 2011 e 2013, todos eles com resultados positivos. Faz sentido que tenha sido escolhido como palco desta Batalha Final.

 

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À hora desta publicação, já foram vendidos pelo menos 55 mil bilhetes – o meu e o da minha irmã incluídos. Tal como tinha prometido antes, comprámos os bilhetes assim que nos foi possível. E – milagre! – vamos ficar abaixo do terceiro anel! Nós e outros 55 mil, pelo menos (pode ser que cheguemos aos 60 mil até lá), estaremos lá, armados até aos dentes com as cores portuguesas e faremos a nossa parte na Batalha Final.

 

Fernando Santos prometeu há mais de um mês que Portugal ganharia estes últimos jogos e que, no dia 10, lhe daria uma prenda de aniversário. Sendo este o homem que nos prometeu, ainda em 2015, que seríamos Campeões Europeus, eu tendo a acreditar nele – até porque, entretanto, já ganhámos dois desses jogos. Eu ajudarei no que puder, sobretudo no dia 10 (espero que possamos cantar os Parabéns ao Selecionador). Mas, como sempre, a maior parte está nas mãos (e nos pés) dos nossos Marmanjos. Não nos desiludam!

Suíça 2 Portugal 0 - Toblerone envenenado

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Na passada terça-feira, dia 6 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol foi derrotada por duas bolas sem resposta, no Estádio St. Jakob-Park em Basileia, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade, que terá lugar na Rússia em 2018.

 

Aquando deste jogo, estava de férias no estrangeiro. Felizmente, conseguimos ver o jogo através da Internet. A nossa ideia era ver através do site da RTP mas o canal não tinha direitos para transmitir o jogo online (como é que os emigrantes veem o jogo?). Tivemos de ser Inácios. A qualidade da imagem era baixa mas, felizmente, não houve interrupções na transmissão.

 

Não que tenhamos gostado particularmente de ver o jogo. Portugal até entrou bem, com vontade de comandar. Aos cinco minutos já contávamos dois remates à baliza helvética. Um deles foi de Éder e, por sinal, foi uma jogada parecida àquela que nos deu a Henri Delaunay (pena ter sido ao lado...). Um bom motivador terá sido o público português presente, que fizera o Hino Português ecoar por todo o St. Jakob-Park e, agora, faziam a banda sonora com "Campeões, Campeões" e "É Portugal"..

 

No entanto, as boas intenções não passaram disso pois, em menos de dez minutos, Portugal sofreu dois golos. O primeiro, aos 23 minutos, surgiu na sequência de um livre. Rui Patrício defendeu para a frente, a bola foi parar a Embolo que, na recarga, não falhou. Sete minutos mais tarde, num lance de contra-ataque suíço, os portugueses não acordaram a tempo e Patrício teve de ir buscar a bola ao fundo da baliza outra vez.

 

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Não chegaram a ser dez minutos de "deslumbramento", como apelidou Fernando Santos, menos de um décimo do tempo de jogo, mas foi o suficiente para nos enfiarmos num buraco do qual já não conseguimos sair. A Seleção até ficou melhor organizada na segunda parte, com as entradas de André Silva, João Mário e Ricardo Quaresma. Porém, nesta altura, a Suíça fez o mesmo que Portugal fizera durante o Europeu: pôs-se à defesa. Tivemos uma daquelas típicas e super irritantes ocasiões em que a bola não quer entrar (eu pensava que já tínhamos passado essa fase, com o Europeu). É quase caricata, a maneira como provámos do nosso próprio veneno, como o Pouco Importa se voltou contra nós. O jogo acabou sem que se conseguíssemos sequer reduzir a desvantagem.

 

Não existem ainda motivos para colocar tudo em causa, como dizia Paulo Bento. Todos nós sabemos perfeitamente que esta não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que tropeçamos nas primeiras jornadas de uma Qualificação e não será, de certeza, a última. Esta nem sequer é a situação mais dramática: foi a primeira derrota em jogos oficiais em dois anos, acabámos de nos sagrar campeões da Europa, logo, em princípio, não será preciso correr com o Selecionador. Além disso, a Suíça é um adversário com quem Portugal tem, historicamente, sentido dificuldades; é o mais difícil do grupo, tirando, talvez, a Hungria. Tirando estes dois, os restantes constituintes do grupo de Qualificação - Letónia, Andorra, Ilhas Faroé - em princípio, não nos colocarão dificuldades. Tudo isto é um progresso relativamente ao nosso último grande tropeção. Podemos perfeitamente resolver este imbróglio.

 

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Dito isto tudo, esta derrota não deixa de ser um enorme balde de água fria, depois de termos passado os últimos quase dois meses nas nuvens, com o nosso primeiro título. Nem sequer é a primeira vez que a Seleção tropeça quando anda de ego inchado. E tendo em conta que metade do mundo futebolístico continua a questionar a justiça da nossa vitória em Paris e um dos nossos adversários disse que tivemos sorte no Europeu, eu não queria, de todo, dar-lhes mais argumentos perdendo o nosso primeiro jogo oficial depois do Euro (o que vale é que a França também não começou bem esta Qualificação, logo, não deverão implicar connosco... por agora).

 

Não que tenhamos alguma coisa a provar. Tivemos sorte no Europeu, sim, com aquele golo islandês que nos facilitou o caminho para a final de Paris, mas foi uma compensação por inúmeras participações em Europeus e num Mundial nos últimos dezasseis anos (em que até jogávamos mais bonito) em que "faltou sempre a estrelinha para ficarmos em primeiro". Nós éramos a seleção com melhores participações em Europeus sem nunca termos ganho o título, por amor da Santa! Éramos, literalmente, os campeões das vitórias morais (que, como gosto de dizer, "não têm arte nem engenho"). Podemos ter tido sorte no caminho para a final, mas na final em si não a tivemos. Perdemos cedo o nosso melhor jogador, que por sinal é um dos melhores de todos os tempos (já tinha referido que temos o Melhor do Mundo a jogar por nós há mais de doze anos?) e tivemos de fazer das tripas coração para aguentar os franceses, que pressionavam e jogavam sujo. Uma equipa com menos alma teria sucumbido. Nós não. E não foi por sorte.

 

Mesmo não tendo em consideração o que escrevi acima, a Taça continua em Portugal e por cá ficará até 2020. E isso é que ficará registado na História do futebol. Além do mais, mesmo que Portugal tivesse "jogado bonito" no Europeu, logo, merecido a vitória segundo esses critérios, continuaríamos a ser criticados. Sobretudo pelos franceses, que sempre nos trataram com desdém.

 

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Enfim, perdoem-me este aparte. Vocês sabem como eu às vezes levo criticas à nossa Seleção demasiado a peito. Dizia eu que é uma pena não termos conseguido prolongar o estado de graça. Mas não vou criticar demasiado duramente uma equipa que fez quase tudo bem durante quase dois anos. Fernando Santos garante que a Seleção ganhará os jogos que faltam. Tendo em conta que o Selecionador já garantiu coisas mais absurdas, como que Portugal ganharia o Europeu, mesmo após um par de jogos mal conseguidos na fase de grupos, não tenho motivos para duvidar dele. Continuarei a saborear o estatuto de Campeões Europeus, a cantar o This One's For You, o We Are the Champions e o Pouco Importa, a emocionar-me como vídeos como este

 

Mas é bom que a Seleção não torne a escorregar.