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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Entre a euforia e a realidade

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No passado sábado, dia 25 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere húngara por três bolas sem resposta, no Estádio da Luz, em jogo a contar para a Qualificação para o Mundial 2018 – e eu estive lá! Três dias depois, a Seleção Nacional foi derrotada pela sua congénere sueca, no Estádio Club Sport Marítimo, na Madeira, em jogo de carácter amigável.

 

Comecemos por falar do jogo com a Hungria, a que fui assistir com a minha irmã. Estava um bom ambiente na Luz. O estádio estava praticamente cheio, incluindo os tais dois ou três mil húngaros que, mesmo em minoria, conseguiram fazer-se ouvir. Foram-se calando mais à medida que a vitória portuguesa se ampliava, contudo. O público português também se manifestou sonoramente, com de resto acontece em todos os jogos da Seleção em casa. Gostei, particularmente, de cantar e ouvir cantar “Campeões! Campeões! Nós somos Campeões!”. Não dá para nos fartarmos deste cântico – da mesma maneira como não dá para nos fartarmos do orgulho de sermos Campeões Europeus.

 

Suponho que esta seja uma boa altura para falar sobre a polémica claque portuguesa e deixar o assunto arrumado. Quando descobri que a claque que puxara por Portugal durante o Euro 2016 de forma brilhante (sobretudo na final, em que silenciaram os maioritários franceses durante noventa por cento do jogo) iria regressar para o Portugal x Hungria, fiquei entusiasmada. Conforme julgo já ter referido antes, quando a minha irmã me leva aos jogos do Sporting, aquilo que mais gosto é de ouvir os cânticos da curva sul. Recriarem isso num jogo da Seleção seria fantástico.

 

E durante o jogo em si até resultou… mais ou menos. A claque ficou sentada quase debaixo os húngaros, o que não resultou muito bem em termos acústicos. No entanto, lá foi conseguindo com que os seus cânticos contagiassem ocasionalmente o resto da multidão portuguesa. Eu pelo menos ia cantando (pareceu-me ouvir o Pouco Importa a certa altura).

 

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Num mundo ideal, tudo o que uma claque faria seria isso: cantar, puxar pela equipa. Na realidade, vejo agora que esperar que uma claque se portasse civilizadamente era demasiado. À chegada à Luz terão havido desentendimentos  entre os membros da claque (que estariam a entoar cânticos anti-Benfica) e alguns adeptos no local. Não sei se esses cânticos foram resposta a alguma provocação e não me interessa. Só sei que a questão – certamente empolada pela proximidade do Benfica x F.C.Porto, bem como pelo boicote das águias à gala das Quinas de Ouro e ao próprio jogo com a Hungria – deu polémica. Chegou, em certos momentos, a desviar a atenção da Seleção em si.

 

A Federação já se veio demarcar das atitudes das claques e garantir que a Seleção não tem, e provavelmente nunca terá, um grupo oficial de apoio. Eu, apesar de tudo, acho melhor assim. Por muito que tenha gostado da claque durante o jogo com a Hungria, se o preço a pagar são mesquinhezes como estas, não vale mesmo a pena. Perdoem-me a linguagem, mas foi por causa de m*rdas como esta que desisti dos clubes. Não tragam guerras clubísticas para a Equipa de Todos Nós, não estraguem o ambiente pacífico dos jogos – a Seleção não é nada disto!

 

Agora que já arrumámos esse assunto, prossigamos.

 

   

O início do jogo com a Hungria este longe de ser perfeito. A Seleção demorou algum tempo a encaixar-se. O primeiro golo surgiu aos trinta minutos, na sequência da jogada deliciosa que dá para ver em cima, obra de Cristiano Ronaldo, Raphael Guerreiro e André Silva. Este último marcou, assim, o primeiro golo da Seleção em 2017.

 

O segundo não demorou. Desta feita, foi André Silva a assistir para Cristiano Ronaldo, que rematou de fora da área. A vantagem ampliou-se para 2-0.

 

Na segunda parte, as coisas abrandaram. André Silva saiu para dar lugar a Bernardo Silva. A ideia com que fiquei foi que Fernando Santos quis jogar pelo seguro e gerir o resultado. Neste jogo, isso correu bem. Os húngaros avançaram um pouco no terreno, mas não chegaram a ameaçar verdadeiramente. Cristiano Ronaldo marcou o terceiro golo da noite, de livre direto à esquerda – ainda não sei muito bem como é que ele rematou com aquele ângulo. O resultado manteve-se inalterado até ao apito final.

 

Tive pena que não se tivesse marcado mais um golo – acho que merecíamos. Nós, o público, chegámos a cantar “SÓ MAIS UM! SÓ MAIS UM!”. Também estranhei que Bernardo Silva não tivesse alinhado de início.

 

 Tirando isso, não há nada de mau a apontar à Seleção neste jogo. Correu melhor do que estava à espera – pensava que os húngaros iam dar mais luta. Os novos BFFs futebolísticos André Silva e Cristiano Ronaldo prometem vir a dar muitos golos à Seleção no futuro próximo. Saí da Luz muito satisfeita e otimista relativamente à Equipa de Todos Nós e assim me mantive durante os dias seguintes...

 

...até ao particular com a Suécia.

 

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Este era um jogo, tanto para homenagear Cristiano Ronaldo na sua terra natal, como para homenagear o povo madeirense. Uma maneira de lhes agradecer pelo apoio à Seleção, sobretudo durante o Europeu. Recordo que a Madeira esteve dezasseis anos à espera de voltar a ver a Equipa de Todos Nós.

 

O jogo até começou bem. Cristiano Ronaldo marcou logo aos dezoito minutos, após um momento de magia de Gelson Martins, que assistiu de trivela. Este foi o septuagésimo-primeiro golo do madeirense com a Camisola das Quinas e o quinto jogo seguido da Seleção em que marcou. Ou seja, aos 32 anos, Ronaldo está a atravessar a sua melhor fase na Equipa de Todos Nós – quando a sua época no Real não está a correr tão bem como outras.

 

Um dos seus próximos recordes a bater será o de melhor marcador europeu a nível de seleções. Ronaldo encontra-se, neste momento, no terceiro lugar, com dois húngaros à sua frente: Kocsis, com setenta e cinco golos, no segundo lugar, e Ferenc Puskas, com oitenta e quatro, no primeiro lugar. O segundo lugar é perfeitamente alcançável, na minha opinião – se Ronaldo continuar assim, por alturas do fim do ano já terá ultrapassado Kocsis. O primeiro lugar é mais difícil, naturalmente. Mas, lá está, Ronaldo tem feito carreira esticando os limites do possível.

 

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Por sua vez, Gelson voltou a participar no segundo golo. Desta feita, fintou uns quantos defesas suecos, tentou assistir para Bernardo Silva, mas acabou por ser o sueco Granqvist a desviar para dentro da baliza.

 

Entre Gelson, Renato Sanches (que também estava espevitado nesse jogo), André Silva, Bernardo Silva, Raphael Guerreiro e outros de que não me recordo neste momento, tenho imensas esperanças nesta geração. Não devemos voltar a ter um fenómeno estilo Cristiano Ronaldo nos próximos... cem ou duzentos anos. Mas julgo haver qualidade suficiente nesta nova geração para a Equipa de Todos Nós nos continuar a dar alegrias a longo prazo.

 

Confesso que, por alturas do intervalo, me deixei levar pela euforia. Na prática, a Seleção Portuguesa não se tinha mostrado assim tão superior à sueca. E a realidade atingiu-nos em força, na segunda parte. Fernando Santos efetuou várias alterações para a segunda parte, procurando, mais uma vez, gerir a vantagem. Desta vez não resultou muito bem, a defesa fragilizou-se. Para além disso, verdade seja dita, metade dos portugueses não deviam estar muito para ali virados: este era apenas um particular e, conforme toda a gente insistia em recordar-nos, em vésperas de jogos importantes de clubes.

 

Com tudo isso, não nos podemos queixar senão de nós próprios, nem no que toca aos golos de Claesson, nem mesmo no auto-golo de João Cancelo, ao cair do pano.

 

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Vou ser sincera: doeu perder este jogo. Sobretudo porque andava eufórica com a Seleção desde o jogo com a Hungria. Mas também já ando nisto há tempo que chegue para saber quando há motivo para alarme. Não é o caso. Mesmo com um onze completamente diferente do habitual, a Seleção teve bons momentos. Além de que este é apenas um particular e derrotas em particulares são frequentes na era de Fernando Santos. E, tendo em conta que a Qualificação tem corrido bem desde aquela primeira derrota, as coisas podiam estar bem piores. Acreditem, para mim o Mundial 2014 não foi há assim tanto tempo.

 

Agora vem aí a Taça das Confederações. Sendo esta a nossa primeira vez, ainda não sei ao certo como é que isso vai funcionar, em termos de calendário pelo menos (Divulgação dos Convocados, início da preparação, etc). Dava-me jeito saber, para poder planear as publicações aqui no blogue e na página do Facebook em função disso.

 

Estou a assumir que o calendário será semelhante à de um Europeu ou Mundial: Convocatória (tanto para as Confederações como para o jogo com a Letónia da Qualificação) logo após o término do campeonato de clubes (ou seja, 22 ou 23 de maio); início do estágio após a Taça de Portugal (ou seja, dia 29 ou 30 de maio). Como a Letónia fica na Europa de Leste, perto da Rússia, a Seleção deverá seguir para território russo logo após o jogo do Apuramento. Uma complicação será a final da Champions, a 3 de junho. O Ronaldo e o Pepe que me perdoem, mas espero que o Real Madrid não se qualifique este ano.

 

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Hei de falar melhor sobre a Taça das Confederações mais tarde. Para já, tudo o que precisam de saber é que, a menos que ocorra algum imprevisto, vou fazer como faço num Europeu ou Mundial: publicarei um texto antes da Divulgação dos Convocados e um texto depois. É só uma questão de a Federação confirmar a data (espero que não demore muito).

 

Em todo o caso, já sabem, podem esperar comigo pela Taça das Confederações na página do Facebook de apoio a este blogue.

Mea culpa

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No próximo sábado, dia 25 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol recebe a sua congénere húngara no Estádio da Luz, em jogo a contar para a Qualificação para o Mundial 2018… e eu vou estar lá. (No jogo com a Hungria, não no Mundial… pelo menos ainda não tenho planos para isso.) Três dias mais tarde, receberá a Seleção sueca no Estádio Club Sport Marítimo, na Madeira, em jogo de carácter amigável.

 

Esta é a primeira entrada de 2017. Bom resto de ano a todos os leitores. Antes de falarmos sobre estes jogos e sobre os Convocados… tenho um mea culpa a fazer. Ao contrário do que aconteceu nos anos anteriores, desta feita, não houve revisão de 2016. Se alguém estava à espera desse texto, peço imensa desculpa.

 

Eu não tinha planeado saltar a revisão de 2016. Pelo contrário, de início, até estava entusiasmada por escrever sobre as aventuras e desventuras da Equipa de Todos Nós nesse ano - afinal de contas, 2016 foi o melhor ano de sempre para a Seleção Nacional. No entanto, se forem ler os últimos textos do ano passado, hão de ver que eu já me queixava de desgaste relativamente a este blogue. Ora, esse desgaste afetou a revisão do ano. Até comecei a trabalhar nela relativamente cedo - pouco após o jogo com a Letónia - mas acabei por arrastá-la durante semanas, até bem depois do início de 2017.

 

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Para além do desgaste, acho que um dos motivos pelos quais o texto estava a custar a sair era porque queria escrever sobre o Europeu e, sobretudo, sobre a final - mas não queria escrever sobre o resto do ano. Não tinha quase nada a dizer sobre os jogos antes e depois do Europeu que não tivesse dito antes. Mesmo aquilo que queria acrescentar sobre o Europeu não era assim tanto.

 

O facto de ter menos tempo do que o costume para dedicar à escrita também não ajudou.

 

A meio de janeiro dei por mim com metade do texto ainda por escrever. Ia fazendo contas à vida, pondo a hipótese de publicar este texto em data passada - fingir que o tinha publicado nos primeiros dias do ano. Mas depois pensei… o meu blogue por norma já não tem muitas visitas. Calculo que as revisões anuais tenham ainda menos - não me parece que a maior parte das pessoas tenha paciência para ler textos tão grandes. Não costumo importar-me com isso - se me importasse, já tinha desistido do blogue há muito tempo. Mas se este texto me estava a custar tanto a escrever e se muito poucas pessoas o leriam… para quê estar a chatear-me?

 

Não foi uma decisão fácil de tomar. Durante algum tempo não estive cem por cento certa de que fiz bem. No entanto agora, que já se passaram mais de dois meses, não me arrependo - só me arrependo de não ter detetado o problema antes e de não ter procurado uma solução enquanto ainda ia a tempo. As vantagens têm sido várias - a maior de todas é ter-me permitido afastar-me um pouco deste blogue, curando o desgaste que vinha a sentir. Hoje, estou de novo entusiasmada por voltar a escrever sobre a Seleção.

 

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Tenho uma certa pena por não ter partilhado convosco algumas das ideias que queria incorporar na revisão de 2016, admito. Mas devo poder falar sobre elas noutras ocasiões. Ainda não sei se, mais à frente, haverá uma revisão de 2017 - vai depender de muitas coisas. Se houver, talvez venha em moldes diferentes.

 

Mas passemos ao assunto principal deste texto: os próximos jogos da Seleção. A Convocatória para esta jornada dupla não trouxe grandes novidades. A única Chamada que causou alguma polémica, ainda que ligeira, foi a de Renato Sanches, que está longe de ser indiscutível no Bayern de Munique.  Fernando Santos disse que nunca tinha dito que os jogadores tinham de jogar os noventa minutos para serem elegíveis para serem Convocados… mas acho que o Selecionador está a arranjar lenha para se queimar em futuras Convocatórias com essa desculpa. De resto, é pouco provável que Renato seja titular, sobretudo agora em que Bernardo Silva está numa fase tão boa.

 

Como já vai sendo habitual depois destes longos hiatos, demorei um pouco a recordar-me em que ponto ficaram as coisas no que toca à Qualificação, aquando do nosso último jogo. Continuamos em segundo lugar, a três pontos da Suíça, que só tem vitórias neste Apuramento. É pouco provável que isso mude nesta jornada, já que o seu adversário será a Andorra. Por sua vez, Portugal vai voltar a jogar contra a Hungria, nove meses depois do caricato jogo do grupo do Euro 2016.

 

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Fernando Santos afirmou, aquando da Convocatória, que não acredita que a Hungria venha à Luz jogar para o empate. Eu também não. Primeiro, no Europeu, eles conseguiram fazer com que o futuro Campeão Europeu suasse para conseguir um empate. Segundo, eles estão em terceiro lugar no grupo de Apuramento, por uma diferença de dois pontos em relação a nós - ou seja, se nos vencerem, passam-nos à frente. Porque haveriam os húngaros de não dar tudo por tudo? Não, não devemos esperar facilidades - até porque, segundo Fernando Santos, os húngaros terão cerca de dois mil adeptos na Luz, puxando por eles.

 

Talvez seja por isso que a Federação esteja a fazer publicidade a este jogo de forma bastante acesa. Não que eu precisasse disso - eu e a minha irmã comprámos os bilhetes um ou dois dias após serem colocados à venda no Continente (gostamos de aproveitar os 50% de desconto em cartão). Infelizmente, voltámos a ficar no terceiro anel - por algum motivo, o Continente onde costumamos comprar os bilhetes não recebe outros lugares… Enfim, teremos de experimentar comprar noutros hipermercados.

 

Em todo o caso, eu, como sempre, quero estar lá, independentemente do lugar Quero ver a Seleção jogar, ao vivo, pela primeira vez como Campeões Europeus. Quero fazer a minha parte para obtermos uma vitória e continuarmos na luta pela Qualificação direta.

 

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Esta dupla jornada incluirá, também, um particular com a Suécia. Pela primeira vez em dezasseis anos, a Seleção irá jogar na Madeira. Na verdade, estou surpreendida por não termos tido um jogo lá há tanto tempo - quando é a terra natal da maior figura da Seleção da última década. Há muito que os madeirenses mereciam ver Cristiano Ronaldo jogando em casa - não admira que os bilhetes tenham esgotado tão depressa.

 

Vai ser giro voltar a jogar contra os suecos, três anos e meio (!?!?!?) após os inesquecíveis playoffs de Apuramento para o Mundial 2014. Estou bastante entusiasmada por voltarmos a ter Zlatan Ibrahimovic como adversário - quem acompanhe a página no Facebook deste blogue saberá que acho imensa piada aos seus modos convencidos (#daretoZlatan).

 

Por esta altura, é interessante recordar os playoffs contra a Suécia (a segunda mão, em particular) e compará-los com a final do Europeu - sobretudo no que toca ao papel de Cristiano Ronaldo. Aqueles 3-2 à Suécia foram espetaculares, ninguém duvida disso, está no meu top 10. Está, no entanto, numa posição baixa pois, como escrevi na altura, só deu Ronaldo nessa noite, os outros portugueses pouco fizeram, houve momentos em que até atrapalharam. Nessa noite, fomos mesmo Ronaldo-mais-dez.

 

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Por sua vez, na final do Europeu, notou-se de maneira diferente a influência de Ronaldo. Como todos sabemos, ele saiu lesionado ainda na primeira meia-hora de jogo. De uma maneira paradoxal, longe de se dar por vencida, o resto da Seleção uniu-se, fortaleceu-se, decidiu ganhar o jogo por ele. Num jogo em que praticamente nada estava a nosso favor, mesmo antes de perdermos Ronaldo, em que era Portugal contra o Mundo, a Seleção adotou o lema da sua maior figura: “O vosso amor torna-nos mais fortes, o vosso ódio torna-nos imparáveis.”

 

Foi por isso que vencemos. Porque, em vez de sermos Ronaldo-mais-dez, fomos onze Ronaldos. A Seleção “Ronaldo-mais-dez” já nos deu várias vitórias, mas a Seleção “onze Ronaldos” deu-nos um título. Espero que a Equipa de Todos Nós não se esqueça disso, sobretudo nos desafios que se avizinham.

 

Mas estou a desviar-me do assunto deste texto. Para já, a prioridade é ganhar o jogo com a Hungria, para continuarmos esta série de vitórias e nos mantermos na luta pelo primeiro lugar, e fazer um bom amigável com a Suécia. Enfim, as mesmas prioridades de sempre, já se sabe como é.


Vou estar muito ocupada nos dias entre os dois jogos, não devo ter tempo para escrever a crónica do jogo com a Hungria antes do jogo com a Suécia. Contem, assim, com uma entrada única sobre os dois jogos. Em todo o caso, como sempre, podem acompanhar as aventuras e desventuras da Seleção nesta dupla jornada comigo, na página do Facebook deste blogue. Fiquem bem.

Seleção 2013

 
Mais um ano encontra-se à beira do fim, mais um ano encontra-se à beira do início. Como já faz parte da praxe, segue-se a revisão de 2013.
 
Este, depois de 2012, tornou a ser um ano de altos e baixos. Começo a perceber que esta é a regra, que 2011 foi a exceção. É pena... Bem, 2013, ao menos, teve um final feliz, esperançoso. Embora tenha começado por dar seguimento à má fase com que 2012 terminou.
 
O primeiro jogo do ano foi um particular com o Equador, que teve lugar no Estádio Afonso Henriques, em Guimarães. À semelhança do que aconteceu em muitos, muitos jogos dos últimos dois anos, a Seleção tinha todas as condições e mais algumas para proporcionar um bom jogo aos inúmeros adeptos que vieram ao estádio e desperdiçou-as. Para além do habitual circo publicitário, dos pedidos de moldura humana, Cristiano Ronaldo completava vinte e oito anos na véspera do jogo. Em jeito de celebração, entre outros motivos, cinco mil adeptos assistiram ao treino e cantaram os parabéns a Ronaldo. 
 
Como é que a Seleção agradeceu? Perdendo 3-2 com o Equador.
 
 
 
É certo que a equipa visitante era forte, não estava ali apenas para elevar a auto-estima da seleção da casa. Chegou mesmo a Qualificar-se para o Mundial 2014. No entanto, encontrava-se perfeitamente ao alcance de Portugal. A Seleção até teve bons momentos no jogo: Ronaldo marcou o primeiro golo da Turma das Quinas do ano (mais tarde, marcaria igualmente o último); Hélder Postiga marcaria na segunda parte, colocando Portugal em vantagem durante... dois minutos. A Turma das Quinas acabou por ser vítima de si mesma com o Eduardo ficando mal na fotografia no primeiro golo, no início do jogo e, dois minutos após o golo de Postiga, com uma parvoíce do guarda-redes e de João Pereira. Depois, com Ronaldo e Postiga já fora de campo, os equatorianos marcaram pela terceira vez - e até foi um belo remate.
 
Apesar de este jogo ter sido (mais) uma desilusão, tinha a atenuante de ter sido apenas um particular. O verdadeiro balde de água fria veio mês e meio mais tarde, em Telavive, perante Israel. As circunstâncias, diga-se, não eram as ideiais: Nani lesionado e João Moutinho em forma duvidosa. Mesmo assim, tudo indicava que os israelitas não nos dariam grandes problemas. Estávamos enganados. Ou melhor, não foram propriamente os israelitas a dar-nos problemas. Mais uma vez, fomos nós mesmos.
 
 
Portugal até começou bem no jogo, com o Bruno Alves marcando um golo logo no primeiro minuto. Só que depois, pensando certamente que a coisa se resolveria sozinha, os portugueses entraram numa de "deixa andar". Como resultado, das três vezes que os israelitas foram à nossa baliza, marcaram. O que nos valeu foi Hélder Postiga - após ter falhado inúmeras oportunidades na primeira parte, diga-se - ter marcado no rescaldo no terceiro golo israelita, relançando a equipa. Os portugueses lá tentaram reverter a situação e lá conseguiram anular a desvantagem ao cair do pano. Tendo em conta que tínhamos estado a perder por 3-1, este empate quase pareceu uma vitória. No entanto, a exibição roçou o medíocre, as contas para o Apuramento estavam comprometidas, era o nosso quinto jogo consecutivo sem ganhar. O otimismo atingia mínimos históricos. Não me lembro de alguma vez ter estado tão furiosa com os Marmanjos como estive nessa altura. Considero, mesmo, que este foi o pior momento da Seleção em 2013.
 
 
 
 
A Seleção viajou para Baku, no Afeganistão, amputada de Cristiano Ronaldo - que vira o segundo cartão amarelo no jogo de Telavive - obrigada a ganhar. Apesar de, na teoria, o Azerbaijão pertencer a um campeonato inferior ao nosso, na prática, ainda nos vimos um bocadinho à nora para ganhar - culpa, sobretudo, do eterno problema da finalização. Acabou por ser necessário os azeris verem-se reduzidos a dez para os portugueses marcarem. Primeiro, por cortesia de Bruno Alves. Depois, de Hugo Almeida. Um jogo longe de brilhante mas, em todo o caso, a primeira vitória em mais de seis meses. Na altura, tive esperança de que isto representasse um ponto de viragem na Qualificação para o Mundial 2014. E até foi. Mais ou menos.
 
Seguiu-se o jogo com a Rússia, em junho. Um jogo de grau de dificuldade acima da média visto que o momento de forma da maioria dos jogadores não era o ideal, a Rússia era o nosso maior adversário na Qualificação e Portugal já não se podia dar a luxo de perder mais pontos. Visto que o jogo se realizava na Luz, fizeram-se, mais uma vez, apelos aos adeptos para que enchessem o Estádio. Não foi um jogo brilhante mas foi bem conseguido por parte dos portugueses, a equipa esteve bem, dominou o jogo. Hélder Postiga marcou o único golo.
 
 
Três dias após este jogo, a Seleção foi recebida na Croácia num jogo de carácter particular. Acabou por ser um jogo semelhante ao da Rússia: sem deslumbrar, houve boa atitude por parte da Turma das Quinas, o domínio foi português. Desta feita, foi Cristiano Ronaldo a marcar o único golo da partida. Este tornar-se-ia um caso sério em termos de golos ao longo da segunda metade do ano.
 
 
 
 
 
Houve um novo jogo particular a meio de agosto. Desta feita, a Seleção enfrentaria a Holanda no Estádio do Algarve. Antes disso, treinou-se no Estádio Nacional, no Jamor. Eu e a minha irmã fomos assistir ao único treino aberto e tivemos o privilégio de tirar fotografias com Miguel Veloso, Eduardo, Beto (no caso da minha irmã) e Paulo Bento. 
 
O jogo com a Holanda não foi brilhante - até porque o número de baixas foi uma coisa parva - mas, mais uma vez, a exibição portuguesa foi convincente, sobretudo ao longo da segunda parte. Verhaegh marcou o golo holandês, aos dezasseis minutos da primeira parte. Ronaldo igualou o marcador aos oitenta e seis minutos.
 
 
Duas ou três semanas mais tarde, no início de setembro, Portugal deslocou-se a Belfast para defrontar a Irlanda do Norte. Nos dias anteriores, falou-se bastante do facto de os irlandeses terem derrotado a Rússia no mês anterior, de serem tomba-gigantes e terem gozo nisso, sobretudo quando jogavam em casa. Algo que acabou por se confirmar dentro de campo, de certa forma. Foi, aliás, um jogo muito estranho, muito por causa de um árbitro caprichoso. A primeira parte do jogo revelou-se dantesca. Bruno Alves marcou mas os irlandeses rapidamente repuseram a igualdade no marcador. Isto nem seria muito grave se, ainda antes do intervalo, Hélder Postiga não tivesse tido a ideia parva de dar uma "turrinha" a um irlandês e o árbitro não o tivesse castigado com o vermelho direto. Uma penalização exagerada, é certo, mas o gesto de Postiga fora desnecessário. Na segunda parte, sem grande surpresa, a Irlanda adiantou-se no marcador, com um golo em fora-de-jogo. As coisas começavam a ficar verdadeiramente negras para Portugal
 
Felizmente, estava lá Ronaldo para salvar o dia. Catalisado tanto pelo buraco em que Portugal se havia deixado cair como, certamente, pelos adeptos que gritavam por Messi, o madeirense marcou o seu primeiro hat-trick com a Camisola das Quinas. Resolveu, deste modo, o imbróglio em que o jogo se transformara e ainda ultrapassou o recorde de Eusébio.
 
 
Infelizmente, o herói de Belfast ficou indisponível para o particular com o Brasil, que se realizou em Boston, nos Estados Unidos. Eu tinha grandes expectativas para este jogo, com o reencontro com Luiz Felipe Scolari e tudo mais. Nesse aspeto, o jogo revelou-se algo anti-climático. Portugal até teve bons momentos, com destaque para o golo de Raul Meireles. No entanto, sobretudo durante a segunda parte, faltou agressividade à Equipa das Quinas - embora os brasileiros se queixassem do jogo faltoso de Bruno Alves. No final, o resultado foi 3-1 para a seleção canarinha.
 
Um mês mais tarde, a Seleção Portuguesa recebeu a sua congénere israelita no Estádio de Alvalade. Foi o primeiro jogo a que assisti em mais de seis anos. Mais uma vez, tínhamos uma série de ausentes: Meireles e Bruno Alves por lesão, Hélder Postiga (GRRR!!!!) e Fábio Coentrão por castigo. Mas, se conseguíssemos vencer, o segundo lugar ficaria consolidado e ainda poderíamos sonhar com o primeiro lugar - bastaria a Rússia cometer um deslize. 
 
 
É claro que Portugal, eterno adepto dos caminhos mais difíceis, não soube aproveitar a oportunidade. A exibição foi fraca, os israelitas não fizeram nada para levar o jogo de vencida, passaram uma boa parte do tempo a engonhar até mesmo quando ainda se encontravam em desvantagem, depois do golo de Ricardo Costa. À semelhança do que aconteceu repetidas vezes ao longo deste Apuramento, foi Portugal a prejudicar-se a si mesmo. Desta feita, através de uma fífia de Rui Patrício. Só não considero este o pior jogo da Seleção do ano porque, mal por mal, garantiu-nos o playoff. De uma maneira extremamente amarga, contudo.
 
O jogo com o Luxemburgo, em Coimbra, foi quase só para cumprir calendário. A Seleção não jogo melhor do que tinha jogado contra Israel, nem precisou. Os luxemburgueses, como seria de esperar, poucas hipóteses tinham contra nós, sobretudo depois de se verem reduzidos a dez. Portugal podia ter arrecadado uma vitória bem mais expressiva mas não esteve para isso - jogo chegou a ser extremamente enfadonho em certas alturas -  contentou-se com o 3-0, cortesia de Varela, Nani (pontos para a assistência de João Moutinho) e Hélder Postiga. Terminava deste modo a fase de grupos da Qualificação para o Mundial 2014, com Portugal no segundo lugar, obrigado a ir aos playoffs lutar por uma vaga no Brasil.
 
O sorteio para definição do adversário do playoff realizou-se cerca de duas semanas mais tarde. Quis a Sorte que defrontássemos a Suécia, primeiro em casa, depois fora. Antes dessa dupla jornada deu-se algo que, tecnicamente, não se relacionava com a Turma das Quinas mas que, na minha opinião, influenciou o seu percurso: as tristes figuras e palavras de Joseph Blatter sobre Cristiano Ronaldo.

 


Considero que ficámos todos em dívida para com o presidente da FIFA. Pouco após uma jornada dupla de Seleção que deixou muito a desejar, em que Ronaldo esteve algo apagado, Blatter teve o condão, não apenas de espicaçar o nosso Capitão - o Comandante - mas também de unir a massa adepta portuguesa em torno da Seleção contra um inimigo comum. O sentimento generalizado anti-Troika, anti-topo da hierarquia europeia, ajudou. Juro, se algum dia ocorrer a improbabilidade de me encontrar com Joseph Blatter, eu abraçá-lo-ei, agradecer-lhe-ei e explicar-lhe-ei porquê. E quero ver a cara com que ficará.
 
A primeira mão do playoff contra a Suécia realizou-se pouco mais de duas semanas depois, perante um Estádio da Luz esgotadíssimo. Conforme seria de esperar, Portugal jogou melhor do que durante a Qualificação. Também ajudou o facto de a Suécia ter jogado para o empate. O poderio físico dos suecos e o seu jogo defensivo cumpriram o seu papel até mais ou menos a meio da segunda parte - aí Cristiano Ronaldo marcou o único golo da partida, conferindo a Portugal uma importante vantagem no playoff.
 

 

A segunda mão do playoff realizou-se na Suécia. Os adeptos da casa, abençoados sejam, ainda não se tinham apercebido do nexo de causalidade entre um Ronaldo alvo de provocações e os desempenhos estratosféricos que ele tem nos jogos que se seguem - apesar de até ter havido um exemplo bem recente de tal. Ou não perceberam ou então deixaram-se levar pelo medo que tinham do Comandante. Não me admiraria se tivesse sido um misto de ambas as situações. Deste modo, os suecos fizeram tudo para destabilizar os portugueses, praticamente desde que estes deram os primeiros passos no país escandinavo. Destaque para a banda que os recebeu no aeroporto, para o animador de rádio que foi de madrugada fazer barulho para junto do hotel da Seleção Portuguesa e, claro, para a infeliz campanha da Pepsi sueca. Eu, na altura, ria-me pois os suecos não sabiam aquilo que estavam a preparar. Hoje, que sei o que aconteceu, ainda me rio mais. Eles mereceram aquilo que apanharam.
 
A noite do jogo em si foi uma das melhores deste ano. A minha irmã fazia anos, tivemos amigos e familiares em casa, vimos e celebrámos o jogo todos juntos. A primeira parte foi relativamente morna, relativamente equilibrada, com a exibição portuguesa a melhorar com o tempo. A segunda parte foi uma montanha russa de emoções. O primeiro golo de Ronaldo deixou-nos a todos a pensar que eram já favas contadas. Os dois golos de Ibrahimovic que se seguiram forma fruto da nossa negligência. O 2-1 ainda nos era favorável mas, pelo que se via, a coisa poderia facilmente dar para o torto. De uma maneira caricata, regressámos pela enésima vez em todo o Apuramento à fase do "Ai Jesus!". E, tal como acontecera em Belfast, teve de vir Ronaldo ao resgate, com mais dois golos que puseram um ponto final na questão.
 

 

Eu sei que, ao longo dos próximos seis, sete meses, não vai interessar mas eu espero que esta nossa campanha de Qualificação não seja esquecida tão depressa. Teve um final feliz, com contornos apoteóticos, mas podia não ter tido. Podia ter corrido muito mal. Tirando, talvez, os jogos com a Rússia, não houve um único jogo em que não nos boicotássemos a nós mesmos. Na maior parte desses jogos, bastaria não termos cometido determinados erros, termo-nos esforçado um bocadinho mais, para conquistarmos o primeiro lugar do grupo.

E não é apenas pelo primeiro ou pelo segundo lugar. Também não é bom em termos de adesão por parte dos adeptos. Ainda no mês passado, aquando dos jogos com a Suécia, ouvi um colega meu afirmar que, no que tocava á Seleção, só lhe interessam os jogos das fases finais ou dos playoffs. Os da Qualificação e os particulares eram-lhe indiferentes. Paulo Bento, uma vez, lamentou que muita gente pensasse assim e eu, há um ano o dois, criticaria atitudes semelhantes à do meu colega. No entanto, se nem os jogadores estiveram para se chatear na maior parte dos jogos de Apuramento, porque haveríamos nós de fazê-lo?
 
Os títulos de algumas das crónicas pós-jogo que escrevi aqui no blogue acabam por ser aplicáveis a toda a Qualificação. "Uma epopeia com contornos dantescos" e "Não havia necessidade". Aquando daquele primeiro jogo com o Luxemburgo, eu não fazia ideia de que o resto do Apuramento se desenrolaria desta maneira. Sim, eu sei que assim soube melhor, eu mesma o admiti. Mas não sei até quando seremos capazes de brincar com o fogo sem nos queimarmos a sério.
 
 

Além disso, caso a Rússia tivesse conseguido o segundo lugar, a Suécia provavelmente teria sido capaz de vencê-los no playoff. Assim, Ibrahimovic não teria ficado de fora do Mundial. É que fiquei a gostar do tipo... É arrogante mas tem piada.
 
Parece que o sorteio dos grupos da Qualificação para o Euro 2016 se realizará algures em Fevereiro. Consta, igualmente, que as regras do jogo vão mudar. Agora que a prova foi alargada de dezasseis a vinte e quatro participantes - ainda estou para ver como é que isso vai funcionar - os dois primeiros classificados em cada grupo Apuram-se diretamente. Os terceiros lugares, tirando o pior, disputarão o playoff. Eu devia estar satisfeita com este baixar de fasquia mas não me custa nada imaginar a Seleção, em resposta, desleixar-se ainda mais do que se desleixou neste Apuramento, contentar-se com o terceiro lugar. Aliás, agora que penso nisso, este facilitismo pode levar a uma quebra geral na qualidade dos jogos desta Qualificação, sobretudo para as grandes candidatas ao Apuramento. Não que me preocupe demasiado com isso, só quero saber de Portugal. Espero que não nos calhe um grupo fácil, dava até jeito ficarmos com uma seleção dita "grande", motivadora. De qualquer forma, o pior adversário de Portugal continuará a ser ele mesmo.

Entretanto, no início deste mês, a Sorte determinou que Portugal ficasse agrupado com a Alemanha, os Estados Unidos e o Gana no Mundial. Um grupo teoricamente mais fácil que o do Euro 2012 mas imprevisível. Todos consideram que está ao alcance de Portugal mas a Equipa de Todos Nós terá de confirmá-lo em campo.

Foi assim o ano da Seleção. Em termos pessoais, foi um ano relativamente morno: mais estável que 2012, mas não mais do que isso. Algumas das maiores alegrias deste ano, dos dias mais felizes, estiveram ligados à Turma das Quinas: a antecipação dos jogos, o rescaldo das vitórias, a visita ao Jamor em agosto, o jogo a que assisti em Alvalade, a festa de anos da minha irmã no dia da segunda mão dos playoffs. 2013 mostrou-me, aliás, que embora algumas das minhas paixões não me despertem o mesmo interesse de antigamente, a Seleção é das poucas de que não me canso. Vão fazer dez anos desde que acompanho fielmente a Turma das Quinas mas meu interesse manteve-se praticamente sempre alto. Acho que em nenhuma altura desta última década deixei de ansiar pelo jogo seguinte. Posso já não escrever aqui no blogue tão frequentemente como antes - porque perco mais tempo a preparar as entradas e muitos dos assuntos acabam sendo abordados na página do Facebook - e certos aspetos, sobretudo antes dos jogos, depois destes anos todos, tornaram-se demasiado batidos. No entanto, cada jogo em si é único. Seja ele um mata-mata de um campeonato de seleções ou um particular com uma equipa de expressão irrelevante.

É a beleza do futebol em si, aliás. Há coisa de um ano ou dois, eu não compreendia como é que as pessoas tinham paciência para acompanhar a liga portuguesa ano após ano - sobretudo durante a altura em que, invariavelmente, o F.C.Porto se sagra campeão. Hoje compreendo: porque, para além de imprevisível, de caprichoso, o futebol é uma história que nunca acaba.

 
Em termos pessoais, 2014 vai ser um ano bem mais empolgante, bem mais decisivo, do que 2013. Em termos de Seleção, também. Já é habitual, para mim os anos pares são os mais interessantes pois, com eles, veem os grandes campeonatos de seleções. Infelizmente, não sei se me vai ser possível acompanhar o Mundial da maneira que acompanhei o Euro 2012 - posso estar a estagiar nessa altura. Vai depender de muitos fatores mas duvido que tenha tempo para ter a página do Facebook atualizada ao minuto com todas as peripécias, como chegava a estar há ano e meio. Já o tinha dito na entrada anterior, nem sequer sei se poderei acompanhar os jogos do Mundial. No entanto, não deixarei de escrever e publicar as respetivas crónicas pós-jogo. Nem que tenha de perder refeições ou mesmo noites para tal. 
 
Algumas das pessoas com quem tenho falado afirmam-se crentes de que 2014 será o nosso ano. Eu quero crer o mesmo, quero muito crer o mesmo, mas uma parte de mim concorda com os artigos de opinião da praxe, que afirmam que esta Seleção não se compara à de 2004 ou 2006. Por outro lado, a acontecer, a nós ganharmos um título, terá de ser em 2014. Não vou ao extremo de dizer "Agora ou nunca!" mas a verdade é que já deixamos fugir demasiadas oportunidades. A certa altura terá de deixar de ser um sonho. Que deixe de sê-lo em 2014.
 
Esa será uma das passas da Noite de Ano Novo - não gosto de passas mas gosto do ritual de pedir os doze desejos ou de definir os doze objetivos para o ano que começa. Sugiro que, roubando a ideia a uma campanha realizada aquando da passagem de 2005 para 2006, guardem também "uma passa para a Taça". Também desejarei, se não o fim da crise, pelo menos o início (ou a continuação) da recuperação económica. Que possamos ser campeões mundiais e que as nossas vidas melhorem no ano que vêm. A todos os meus leitores e seguidores da página do Facebook, os meus votos de um Feliz Natal e de um 2014, se não cheio de sonhos realizados, pelo menos cheio de bons momentos.

Suécia 2 Portugal 3 - O melhor aniversário de sempre

Na passada terça-feira, 19 de Novembro, depois de uma fase de Qualificação atribulada e, em certos momentos, parva, a Seleção Portuguesa de Futebol garantiu a presença no Campeonato do Mundo da modalidade, que terá lugar no Brasil no próximo ano. Fê-lo derrotando a sua congénere sueca por três bolas a duas no Estádio Friends Arena em Solna, nos arredores de Estocolmo.

Tal como aconteceu há dois anos, foi uma épica segunda mão de playoff que transformou a festa de aniversário da minha irmã em algo inesquecível. Tivemos em nossa casa quatro amigos dela, a nossa avó, a nossa tia, estavam cá os nossos pais, o nosso irmão. Assistimos todos ao jogo. Os amigos dela chegavam a ser mais histéricos do que eu, pelo que não me inibi tanto nos gritos de treinadora-de-sofá-de-sala, como faria normalmente na presença dos meus pais. Um dos amigos da minha irmã, ao encontrar um chapéu de bobo que o meu irmão usou quando fomos ao Portugal x Espanha do Euro 2004, revelou-nos uma superstição que tem com um chapéu parecido do Benfica. Ele pendura-o do lado da televisão correspondente à baliza do adversário. A ideia seria o chapéu funcionar como um íman para a bola. Como poderão ver abaixo, fizemos o mesmo, só pela graça.


Na minha opinião, não entrámos da melhor maneira no jogo, falhando imensos passes, às vezes quase de propósito. De uma forma menos politicamente correta, estávamos a engonhar. Não que os suecos estivessem a tirar partido disso, de resto. A nossa primeira oportunidade acabou por surgir de uma bola parada, de um livre. Depois desta, acabámos por melhorar cada vez mais à medida que o tempo passava, embora não nos tenhamos livrado de uns quantos sustos provocados pelos suecos nos minutos finais da primeira parte, com destaque para um remate de Ibrahimovic.

Aos cinco minutos da segunda parte, Rui Patrício não se deixa levar por uma simulação de Ibrahimovic e defende um remate de Larsson. Calculo que nem o guardião saiba como é que aquilo aconteceu, como é que defendeu aquela. De qualquer forma, um minuto mais tarde, o Moutinho faz um passe de génio para um Ronaldo isolado que galga quase todo o meio campo sueco, ganhando a corrida a Olson, e remata de pé esquerdo, colocando o marcador a funcionar.

Dizer, só, que as celebrações de Paulo Bento, em que este quase choca com um tipo qualquer de tablet na mão, partiram tudo.


Por entre todo o pessoal aos pulos, à frente do sofá, celebrando o golo e o pé e meio no Mundial do Brasil, arranjei maneira de abraçar e beijar a minha irmã, dar-lhe os parabéns, não apenas pelo aniversário mas também por aquele belo presente Todos nós, adeptos e Seleção, pensámos que eram favas contadas, que dificilmente os suecos dariam a volta ao texto. E, refletindo bem o que amiúde se passou ao longo a fase de Apuramento, desleixámo-nos. Esquecemo-nos que aquela era a equipa que conseguira anular uma desvantagem de 4 - 0 perante a Alemanha.

Os portugueses tiveram culpa em ambos os golos de Ibrahimovic. No primeiro, ninguém se mexeu. O segundo surgiu de um livre perigosíssimo, provocado por uma desnecessária falta de Miguel Veloso. Chega a ser caricata esta mania de complicarmos desnecessariamente as coisas, de só saber jogar sob o efeito da adrenalina. O resultado ainda nos era favorável mas ainda faltavam quinze minutos para o jogo acabar. Nada nos garantia que os suecos não marcassem de novo. Calculo que todos nós, apoiantes de Portugal, chegámos a temer um descarrilamento, uma morte na praia - isto quando, dez minutos antes, já nos víamos aportando em terras brasileiras.

 

Mas Ronaldo estava lá, tal como ele fazia questão de assinalar após cada golo. Depressa colocou Portugal de novo aos pulos, aos gritos, com dois golos quase seguidos. O primeiro após passe de Hugo Almeida - o pessoal, eu incluída, tem andado a implicar com o Marmanjo nos últimos tempos, mas temos todos de lhe tirar o chapéu depois desta - o segundo, assistido uma vez mais por João Moutinho. Nas celebrações deste último, a Seleção em peso atirou-se para cima do herói da noite, enterrando-o vivo, recordando-me as igualmente inesquecíveis celebrações do golo de Varela à Dinamarca, no Euro 2012. Por nossa vez, em casa, estávamos todos aos pulos, aos abraços uns aos outros, houve até quem agitasse uma bandeira. Os únicos que não saltaram foram a minha avó - que tem oitenta e muitos anos mas não estava menos feliz - e o meu irmão, que é demasiado bom para estas coisas.

O Cristiano ainda teve uma oportunidade para fazer o póquer antes dos noventa. Eu não percebia, sinceramente, como é que os suecos ainda o deixavam correr sozinho, em direção à baliza...

Foi assim que se descobriu o caminho futebolístico para o Brasil. Foi assim que a minha irmã teve a melhor festa de aniversário de sempre, recebeu o melhor presente: um lugar no Mundial e um hat-trick de Ronaldo. Tal como aconteceu com a segunda mão dos playoffs  de 2011, este jogo foi um bom reflexo da fase de Apuramento que o antecedeu: um começo relativamente calmo, sem fazer prever a atribulação em que, em breve, se transformaria. A vantagem posteriormente anulada por desleixo, quase sem darmos por ela, a fase do "Ai Jesus!", a resolução que ganha contornos de brilhantismo mas que podia, perfeitamente, ter envolvido muito menos stress. O jogo foi muito mediatizado, talvez mesmo excessivamente, como se fosse já um encontro do Mundial - embora até se justifique, visto que estávamos a enfrentar uma seleção com prestígio considerável e o Ronaldo foi, de facto, estratosférico. Muita gente parece ter-se esquecido de que, afinal de contas, não fizemos mais do que a nossa obrigação, que até podíamos ter conquistado este desfecho mais cedo.


É também aqui que a porca torce o rabo: não vou negar que sabe muito melhor conquistarmos o nosso lugar no Mundial assim - no aniversário da minha irmã, perante um adversário que deu luta, com um hat-trick de Cristiano Ronaldo - do que saberia se o tivéssemos conquistado após uma série de vitórias tranquilas, selando-o no jogo com o Luxemburgo ou Israel. Tem muito mais piada ver a azia de Ibrahimovic enquanto celebramos o Apuramento debaixo do seu famoso nariz, do que fazê-lo em frente a luxemburgueses que nunca foram candidatos à Qualificação. Fica mais do que provado que, para o melhor e para o pior, a Seleção Portuguesa encontra-se talhada para jogos de vida ou de morte.

Para ser franca, tão cedo tal não será motivo de preocupação. Só temos nova fase de Apuramento daqui a dez meses. Antes disso temos um Mundial.

Aquilo que, neste momento, me preocupa é toda esta focalização em Ronaldo. Não que ache que a Seleção se tenha transformado em Ronaldo mais dez. Aliás, se há coisa que a Suécia provou é que não basta uma grande figura futebolística na proa para se fazer uma equipa. Ronaldo pôde brilhar porque os colegas o ajudaram - com destaque para Moutinho. No entanto, não sei se isso será suficiente quando, no Mundial, enfrentarmos equipas do calibre da Argentina, da Alemanha, da Espanha. Há dois anos, sentia que tínhamos mais equipa. Não foi só Ronaldo a marcar frente à Bósnia, também houve Nani, Hélder Postiga, Miguel Veloso. Eu sei que era um adversário de outro calibre mas, mesmo assim, há jogadores que, nessa altura, estavam melhor que agora. Nani é claro exemplo disso. Hugo Almeida também já viu melhores dias. Postiga não se deu bem com os suecos sexta-feira e, na segunda mão, nem sequer entrou em campo. Fábio Coentrão anda lesionado e também nem sempre tem sido regular no seu clube, o mesmo acontecendo com Meireles. Está bem, eles jogaram melhor do que se esperava neste playoff, mas não podemos fiar-nos para sempre na capacidade de superação dos jogadores portugueses. Da mesma maneira que não podemos a exigir a Ronaldo que resolva em todos os jogos.


Talvez o onze-base do Euro 2012 já não seja o melhor para a Seleção. Penso que é importante pensar-se seriamente em ir renovando a equipa. Não podemos alegar falta de alternativas, já não estamos como há dois ou três anos. As equipas B começam a dar os seus frutos, os recentes bons resultados dos Sub-21 são prova disso - por algum motivo chamamos "Esperanças" à Seleção dos miúdos. Nomes como Bruma, André Martins, William Carvalho, Wilson Eduardo, Adrien, Cedric, André Gomes, entre muitos outros. Jogadores como este possibilitarão a criação de uma Seleção pelo menos com potencial para uma boa campanha no Campeonato do Mundo em 2014.

Haverá tempo para isso ao longo dos próximos meses. Antes disso, ainda teremos o sorteio da fase de grupos, dia 6 de dezembro. Não vou perder tempo especulando quais seriam os melhores e piores adversários para nós pois a decisão não está em mãos humanas - no entanto, em princípio, analisarei os resultados do sorteio aqui no blogue, tal como fiz anteriormente.


Para já, saboreemos mais um pouco esta épica vitória, este momento de glória de Portugal, com óbvio destaque para Cristiano Ronaldo. O mundo inteiro ficou rendido, não apenas a Cristiano Ronaldo, o Melhor do Mundo a jogar futebol, mas também a Nuno Matos, o Melhor do Mundo a relatar futebol. Sem supresa. Já tenho vindo a elogiar o locutor há muito tempo, ainda antes de saber como ele se chamava. E o jogo de terça-feira foi, de facto, lendário.

Joseph Blatter foi obrigado, certamente, a engolir um sapo do tamanho do Mundo e a congratular Portugal e Ronaldo pela vitória. Quando a mim, ando tentada a enviar um ramo de flores ao senhor por este ter contribuído, não apenas para espicaçar o Ronaldo, catalisando-o para uma das melhores fases da sua carreira mas também por ter relembrado os portugueses que o madeirense merece, afinal de contas, o nosso carinho. Isto para não falar das suas hipóteses aumentadas de ganhar a Bola de Ouro este ano. Foi também nesse espírito que não me deixei irritar pelas tentativas baixas dos suecos de nos destabilizar, incluindo as da Pepsi sueca. Eles já foram suficientemente castigados em campo. Quanto ao Ronaldo, que quase se ia esquecendo de levar a bola para casa ("Ó Onofre, pede a bola do jogo!") faço minhas as sábias palavras de (dizem que é) Beto:


Não é preciso acrescentar mais nada.

No meio desta onda de amor a Cristiano Ronaldo, muitos têm-se afirmado orgulhosos por, no futuro, serem capazes de dizer aos filhos e netos que viram Ronaldo jogar. Eu direi mais do que isso, muito mais do que isso. Que vi Luís Figo, Rui Costa, Pedro Pauleta, Deco, Maniche representando a nossa Seleção. Vi e sofri com os penálties de Inglaterra, vi o Figo a chorar nos braços de Rui Costa, o Scolari apertando as bandeiras portuguesa e brasileira junto ao coração, os golaços de Maniche frente à Holanda, a Nelly Furtado a cantar na cerimónia de encerramento do Euro 2004, as lágrimas de Ronaldo poucas horas depois e, dois anos mais tarde, gritando "Estou aí!" em direção ao Céu, no final do jogo com Inglaterra. Pelo meio, já tinha sido apenas aquele miúdo do Sporting, com o nome de um grande jogador brasileiro, que um ano mais tarde se transferiu para o Manchester United. Fui vendo-o crescendo como jogador, estreando-se na Seleção, marcando pela Seleção, assisti ao vivo ao seu primeiro jogo como titular pelas Quinas. Vi-o marcar golo atrás de golo, fazer assistência atrás de assistência, sucedendo naturalmente a Luís Figo. Vi os ingleses exigirem a cabeça dele após o jogo com Inglaterra de 2006 e, meses mais tarde, renderem-se a ele após uma época fenomenal no Manchester United. Sempre melhorando até se transformar na máquina que é hoje.

Ao mesmo tempo, vi o Nani marcando um golo de pontapé de canto no seu jogo de estreia pela Seleção, celebrando golos com mortais. Vi o Quaresma marcando um golo de trivela. Vi o Hélder Postiga marcando, incansavelmente, com a camisola das Quinas, quase sem que ninguém reparasse. Vi o Miguel correndo como louco pelo campo. Admirei a garra daquele novato Fábio Coentrão no Mundial 2010. Vi Costinha, Ricardo Carvalho, Pepe, Eduardo, Rui Patrício salvando o couro nacional com as suas defesas.

Vi a Seleção em pedaços após o caso Queiroz e surgir, renascida, reconstruída em poucos dias por Paulo Bento, num épico jogo com a Dinamarca, no Dragão. Vi-os ganharem 4-0 à Espanha. Um ano mais tarde, noutro épico jogo, contra todas as expectativas de um ano e poucos meses antes, vi-os Qualificando-se para o Euro 2012. Vi-os saltarem todos para cima do Varela após ele salvar o jogo com a Dinamarca, enquanto eu e a minha irmã gritávamos como nunca na vida. Vi o Ronaldo dedicando os dois golos frente à Holanda ao filho que fazia anos nesse dia. Vi-os enconstando a campeã europeia e mundial Espanha às cordas. E, na passada terça-feira, vi Ronaldo selando a nossa Qualificação para o Mundial 2014 com um hat-trick, vi o Paulo Bento, que tantas vezes parece tão sossegado, a celebrar que nem um louco, vi a Seleção em peso enterrando Ronaldo vivo e ouvi Beto gritar-lhe:

- És o melhor do mundo, cara**o!


Digo tudo isto com muito orgulho, sentindo-me enormemente abençoada por ter nascido na altura certa, de modo a poder testemunhar e recordar tudo isto. Por ser adepta destes homens, os mencionados nesta entrada e os outros todos. É por isso que escrevo este blogue, que tenho a minha página, que coleciono fotos, que monto vídeos. Para poder recordar melhor, para poder encher os ouvidos dos meus filhos e netos com os grandes feitos da Seleção Portuguesa. E agora que estamos, finalmente garantidos no Mundial 2014, é meu desejo que este nos traga muitas mais histórias que mereçam ser recordadas e contadas.

Portugal 1 Suécia 0 - Ainda suficiente

Na passada sexta-feira, dia 15 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu, no Estádio da Luz, a sua congénere sueca, na primeira mão do playoff de acesso ao Campeonato do Mundo da modalidade, que terá lugar no Brasil, no próximo ano. Tal encontro terminou com uma vitória por 1-0 para a equipa da casa que, assim, fica mais perto de descobrir o caminho futebolístico para o Brasil.

Os adeptos cumpriram, mais uma vez, a sua parte: a Luz apresentava lotação esgotada e a festa incluiu, até, uma impressionante bandeira humana, cobrindo toda a bancada do Estádio. E, por uma vez, a Seleção cumpriu, igualmente, a sua parte ao ganhar o jogo com uma boa exibição.

Muitos questionavam as opções de Paulo Bento – eu incluída - tanto em termos de Convocatória como de onze inicial. Muitos receavam que a falta de ritmo competitivo de metade dos titulares o jogo de sexta-feira nos prejudicasse. Felizmente, tais receios desapareceram não muito depois do apito inicial, quando a Seleção entrou em campo cheia de vontade, de garra, jogando ao ataque, empenhada em provar que merece ir ao Mundial.


João Moutinho, por exemplo, foi, como sempre, o motor da equipa e podia ter colocado o marcador a funcionar logo aos cinco minutos se, depois de se ter livrado do guarda-redes sueco, tivesse ficado em melhor ângulo cm a baliza. Para além dele, curiosamente, os três jogadores que mais preocupações levantavam em termos de ritmo competitivo – Raul Meireles, Fábio Coentrão, João Pereira – não desiludiram. O Fábio, já é costume, é dos mais inconformados em jogos desta envergadura. O João Pereira, tal como aconteceu no jogo com a Holanda, não tinha problemas em dar baile a jogadores bem mais altos do que ele – pena é as faltas que comete... Os suecos ainda iam dando um ar de sua graça – destaque para os vinte minutos da primeira parte, em que a defesa portuguesa se desconcentrou momentâneamente, obrigando Rui Patrício a uma bela defesa – mas sempre com ritmo baixo. O tão falado Ibrahimovic pouco apareceu no jogo – Pepe e Bruno Alves fizeram um bom trabalho, foram capazes de neutralizá-lo.

Praticamente todos estiveram bem, de resto – exceptuando, talvez, Hélder Postiga, que não estava nos seus dias. Já faz parte da tradição: contra prognósticos, mometos de forma, mazela, nestas alturas de maior pressão, a Turma das Quinas supera-se.


Não foi, contudo, capaz de resolver o tereno problema da finalização desta feita, há que dar crédito à defesa nórdica. Era uma coisa parva: sempre que nós cruzávamos para a grande área, estava lá sempre um sueco para interceptar os passes.

No entanto, Portugal insistia, não desistia. Na segunda parte, entrámos ainda mais pressionantes, a Suécia pouco mais fez que defender o empate – mas fê-lo bem, para mal dos nossos pecados. Lá teve de vir o nosso Capitão, o nosso Comandante, que nem sequer estava a fazer um jogo por aí além, salvar a noite com um voo rasante ao chão, cabeceando a bola bem colocada por Miguel Veloso para dentro da baliza - um golo não muito diferente do que marcou no particular frente à Holanda. Sendo os suecos demasiado altos para meter por cima... meteu-se por baixo!


Eu, nesta altura, estava a jantar. Aquando do tento não deu para gritar "GOLO!" porque tinha a boca cheia de esparguete. Mas não deixei de me levantar e de dar uns pulinhos, juntamente com a minha irmã.

O 2-0 ainda esteve ao nosso alcance, não fosse a inevitável bola à barra. Assim, o jogo terminou com uma vitória de Portugal pela margem mínima e comigo com uma dor de cabeça, derivada do stress do jogo: o bangover versão Seleção que precedia os jogos do Euro 2012. Um bom sinal.

Não é, de todo, um mau resultado, ainda que este pudesse ter sido mais dilatado. O mais importante era não sofrer golos que nos custassem demasiado caro aquando do resultado agregado - como um bem mais traiçoeiro 2-1. É claro que, caso Ronaldo tivesse marcado a que bateu na trave, estaríamos já com pé e meio no Brasil... Assim, anda continua tudo em aberto. Mas eu sabia que seria assim, que não existiriam demasiadas facilidades neste playoff.

Foi, para além disso, um jogo bem disputado, com Portugal a dominar. Não sei se por qualidade superior dos lusitanos ou pelo jogo defensivo dos suecos. Mas os portugueses, definitivamente, jogaram bem melhor que nos últimos tempos. A questão inevitável é porquê. Porque é que não jogaram assim durante a Qualificação? Sempre eram uns quantos anos de vida que se poupavam... É a tão por mim comentada mania da Turma das Quinas de só saber jogar sob pressão, sob stress. Espírito que ainda foi suficiente para levarmos de vencida, com uma boa exibição, a primeira mão do playoff. Para me fazer acreditar com maior convicção.


Há quem diga que este não foi, na verdade, um jogo. Foi apenas a primeira parte de um encontro de cento e oitenta minutos. Encontramo-nos, neste momento, no intervalo. É sempre positivo chegarmos ao intervalo em vantagem, sem golos sofridos. Na segunda parte, em Estocolmo, teremos de marcar cedo para termos a questão do Apuramento quase resolvida. Parece simples... Pena é aquela "malta" precisar sempre de vinte remates falhados antes de acertar um.

Outra questão prende-se com a abordagem dos suecos à segunda parte do playoff. Nesta primeira, jogaram para o empate e perderam, não só o jogo como também a oportunidade de marcarem fora. Paulo Bento acredita que a Suécia abordará o jogo de amanhã de forma semelhante mas eu duvido. Não apenas pelo que mencionei acima mas também pelo fator casa. Há quem diga que isso não necessariamente mau; pode ser que, ao atacarem mais, aliviem a defesa, facilitando-nos a tarefa de marcar golos. Só espero que o Pepe e o Bruno Alves continuem a anular Ibrahimovic com a mesma eficácia.

A segunda parte do playoff terá lugar em Estocolmo amanhã. Dia em que a minha irmã completa dezasseis anos. Ela convidou amigos dela para jantar, a nossa tia também vem, vamos todos ver o jogo juntos. Será uma noite divertida que, espero, se torne ainda mais memorável com a garantia da Qualificação.


Cristiano Ronaldo garantiu após o jogo - enquanto o filho tentava, adoravelmente, chamar-lhe a atenção - que "a malta quer fazer um bom resultado" na segunda parte do playoff. Eu acredito nele. Ficou claro na primeira parte do playoff que Portugal queria fazer um bom resultado, que queria marcar presença do Brasil, e isso foi sufiente para sermos claramente superiores aos suecos. Muitos esperam que possamos carimbar o passaporte em Estocolmo, mas eu não espero grandes facilidades. O que não quer dizer que não acredite - este jogo teve, aliás, o condão de me devolver a confiança que perdi com os recentes deslizes da Equipa das Quinas. Só ficarei descansada quando soar o apito final após um resultado favorável às cores lusitanas. Do mesmo modo, até ao apito final não deixarei de acreditar. Nem que seja com desespero. Mas estou confiante de que esse tipo de crença não será necessária - até porque os adeptos suecos, apostados em provocar Ronaldo, parecem não ter percebido que adversidades desse género funcionam como catalisador para o nosso Comandante - desde que os portugueses se mantenham concentrados, como na sexta-feira passada. Assim, nada nos impedirá de marcar presença no Mundial 2014, no Brasil.