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O Meu Clube É a Seleção!

Mulher de muitas paixões, a Seleção Nacional é uma delas.

Era preciso exagerar?

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No passado sábado, dia 30 de novembro, realizou-se o sorteio para a fase de grupos do Europeu do próximo ano, que terá lugar em várias cidades europeias. Portugal foi sorteado para o grupo F, juntamente com a Alemanha, a França e o vencedor da Liga A dos play-offs que terão lugar em março.

 

Antes de mais nada, se não se importam…

 

 

Obrigada. Estava a precisar.

 

Havia muito boa gente a desejar um grupo difícil para este Europeu. Começando pelo próprio Fernando Santos, terminando em mim, até certo ponto. Estamos fartinhos de sabê-lo, eu mesma tenho referido-o várias vezes aqui no blogue, nos últimos tempos: tradicionalmente, Portugal dá-se melhor em condições adversas. Quando os adversários são considerados fáceis, Portugal atrapalha-se. Também se sabia que, estando no pote 3, a Seleção dificilmente calharia num grupo demasiado difícil.

 

Mas também não era preciso exagerar. Queriam um grupo difícil? Ora tomem!

 

Pude acompanhar o sorteio pela televisão. Doeu um bocadinho ver Ricardo Carvalho e João Mário entregando a Henri Delaunay – é nossa! Nós conquistámo-la com sangue, suor e muitas lágrimas (de tristeza e alegria). Falando por mim, ainda não estava preparada para me separar dela.

 

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Enfim. Ficam as recordações.

 

Como habitual, os potes 1 e 2 foram sorteados primeiro. Quando a Alemanha e a França calharam no mesmo grupo, soltei logo um gemido: estava definido o Grupo da Morte. 

 

Devia ter adivinhado logo. 

 

Este foi mais um caso de sofrimento até ao fim. Tivemos de ver as outras seleções do pote 3 sendo sorteadas para outros grupos, até só sobrarmos nós para o grupo F.  

 

 

Se espreitarem as minhas publicações na página do Facebook deste blogue na altura do sorteio, verão que não reagi muito bem. Ainda não recuperei por completo. Mas também, para ser sincera, não era para menos. Naquele momento, se apanhasse os Marmanjos a jeito, dava-lhes um abanão:

 

– Estão a ver no que dá complicar a Qualificação sem necessidade?!?

 

Alemanha e França, os últimos dois Campeões do Mundo! Mesmo sem ter em conta o (péssimo) histórico que temos com estas duas equipas, não sei se era possível termos um grupo mais difícil. Pelo menos a nível europeu, a única outra seleção que se equipara em termos de dificuldade e de histórico desfavorável é a Espanha. 

 

Mas agora procuremos analisar as coisas com mais calma. Começando pela Alemanha. 

 

Como se poderão recordar, os últimos quatro jogos que disputámos com eles não correram bem. Em 2006, jogámos pelo terceiro lugar no Mundial e perdemos por 3-1. Em 2008, já tinha eu este blogue, perdemos por 3-2, nos quartos-de-final do Europeu – embora, tanto quanto me recordo, não tenhamos jogado muito mal. Também não jogámos mal quando perdemos com eles, no Euro 2012

 

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Mas a nossa recordação mais recente de jogarmos com alemães é de sermos massacrados em Salvador. Esse é um trauma que ainda não passou. Não admira que Joachim Löw diga que guarda boas recordações de Portugal. Claro que guarda.

 

Dito isto, a Alemanha não parece ser, neste momento, o tubarão futebolístico que era há uns anos. No Mundial 2018 defendiam o título mas foram eliminados logo na fase de grupos – provando que a maldição é real, logo eles que eu pensava que seriam a exceção à regra. A crise continuou na Liga das Nações, quando ficaram em último lugar na fase de grupos – mas também estava lá com a França e com a Holanda. 

 

Pelo meio, Joachim Löw operou uma pequena revolução na equipa. Deixou pelo caminho vários dos seus habituais, até só sobrarem Manuel Neuer, Toni Kroos, Marco Reus e Ilkay Gundongan. Ao mesmo tempo, encheu a equipa de jovens. De facto, Löw não considera esta Alemanha favorita ao título europeu por ser uma equipa demasiado inexperiente.

 

Talvez seja… mas não deixam de ser jogadores de boa qualidade, alinhando em grandes clubes europeus. Não deixam de ser a Alemanha. Ninguém com dois dedos de testa vai subestimá-los. 

 

Por sua vez, a França será, sem sombra de dúvidas, a melhor seleção do mundo neste momento. Desde que perderam o Europeu para nós, fizeram praticamente tudo bem. Venceram o Mundial 2018, para grande azia minha. Os únicos tropeções que deram nos últimos dois anos foi ficarem em segundo lugar na fase de grupos da Liga das Nações (recordo que ficaram no mesmo grupo que a Alemanha e a Holanda) e perderem contra a Turquia neste Apuramento – o único motivo pelo qual ficaram no pote 2. A seleção francesa está recheada de nomes sonantes, aponta para o título e, agora que nos apanharam no grupo… vão querer vingança.

 

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Apesar de lhes termos ganho o Europeu, não tenhamos ilusões. Houve muito mérito nosso, mas algo que jogou a nosso favor foi o facto de os franceses nos terem subestimado. Ainda aquando deste sorteio, Didier Deschamps apelidou Fernando Santos de “espertalhão” por ter dito, na altura, que a França era favorita ao Europeu… mas era alguma mentira? A França jogava em casa e, ao contrário de nós, já tinham vencido o Europeu antes. Não é culpa nossa que eles tenham achado que eram favas contadas – nós tínhamos, e continuamos a ter, menos currículo, mas ninguém chega a uma final por acaso.

 

De qualquer forma, sabemos agora que os franceses não vão cometer esse erro de novo. E para além do que disse acima sobre eles serem os actuais melhores do mundo, se considerarmos o nosso histórico com eles, tirando a final do Europeu… não é animador. Mais de quarenta anos sem conseguirmos vencê-los, três derrotas em meias-finais. 

 

Dizer que não vai ser fácil é eufemismo.

 

Com isto tudo, ainda mal referi o terceiro adversário. Este só será definido daqui a uns meses, o que me é estranho – estava habituada a ter grupos decididos por completo nesta altura. Para sermos sinceros, este adversário é a menor das nossas preocupações – em parte porque é difícil preocupar-nos com um adversário por definir. 

 

Em princípio, o terceiro adversário será o vencedor da Liga A: Islândia, Hungria ou Bulgária. Tecnicamente a Roménia também joga na Liga A mas, uma vez que Bucareste é uma das cidades-anfitriãs do grupo C, se a Roménia se Qualificar irá para esse grupo, de modo a poder jogar em casa. Nesse caso, as outras equipas que poderão entrar na equação serão a Geórgia, a Bielorrússia, a Macedónia e o Kosovo. 

 

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Não quero perder muito tempo com estas últimas equipas, já que é menos provável virem para o nosso grupo. Se isso acontecer, logo escreverei sobre isso. 

 

Por algum motivo, os meus pressentimentos dizem-me que será a Islândia a Qualificar-se – a nossa velha amiga com quem nos estreámos no Euro 2016. No Mundial 2018 os islandeses não passaram da fase de grupos e, na Liga das Nações, ficaram em último lugar no seu grupo. Sempre estavam na Liga A, mas… Não estou a vê-los fazendo frente à Alemanha ou à França (se mesmo nós estamos aqui aflitos…), mas sempre guardam boas recordações de Portugal. Pode não ser suficiente para nos vencerem, mas sempre lhe dará alguma motivação.

 

Por sua vez, a Hungria não parece estar ao nível a que esteve durante o Europeu, naquele jogo tão parvo. Ainda assim, se se Qualificarem, jogarão em casa. Da última vez que jogámos em Budapeste, vencemos mas não foi fácil e trouxemos mais pontos do que precisávamos. 

 

Por fim, a Bulgária não foi ao Mundial 2018. Na Liga das Nações, esteve na Liga C. Nos últimos anos só disputámos um jogo particular com eles, em 2016 (antes de pesquisar para este texto já nem me lembrava deste jogo), de onde saímos derrotados por 1-0. Ainda assim, não estou a vê-los, criando grandes dificuldades a Portugal (meu Deus, espero não me arrepender destas palavras…).

 

Em todo o caso, a qualquer que seja a seleção a Qualificar-se para o nosso grupo… os meus pêsames. Se estivesse no lugar deles, quase preferia ficar de fora do Europeu. 

 

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Uma das coisas que me preocupa nesta fase de grupos é o facto de nos estrearmos com o vencedor do playoff. Portugal tem a infeliz mania de não ganhar o primeiro jogo de uma fase final, conforme já assinalei aqui no blogue. Desta feita não vai dar para perder pontos – com dois tubarões no nosso tanque, não nos podemos dar ao luxo de levar dentadas da sardinha. Vamos ter de entrar a matar – mais sobre isso já a seguir. 

 

A única vantagem do grupo F é o facto de ser dos melhores em termos de deslocações. Entre Munique, na Alemanha, e Budapeste, na Hungria, são “só” 553 quilómetros de distância. Em comparação com as cidades dos outros grupos é metade ou menos. 

 

Isto de fazer o Europeu um pouco por todo o continente é muito bonito, mas muito complicado em termos de logística. Jogadores e equipas técnicas das várias seleções vão chegar ao fim do campeonato completamente esgotados. 

 

Fernando Santos lamentou o facto de não termos ficado no grupo de Bilbau – sempre daria para ficarmos em casa, na Cidade do Futebol. Continuo a achar que devíamos ter candidatado Lisboa e/ou Porto para a organização deste Europeu. No entanto, em 2013-2014, com a troika a respirar sobre os nossos pescoços, quem estava disposto a arriscar? Ninguém calculava que nos sagraríamos Campeões Europeus nem que Portugal se tornaria um dos melhores destinos turísticos do Mundo. Assim sendo, deveremos instalar-nos em Budapeste. 

 

Resumindo e concluindo, espera-nos uma viagem dura e turbulenta para defendermos o Europeu. Não faltará emoção, disso podemos ter a certeza. Precisamente por isso, em vez de Grupo da Morte, há quem prefira chamar a conjuntos como este Grupo da Vida ou Grupo da Glória, como ouvi no outro dia. Tudo muito bonito e não nego que haja verdade nisso. Mas é fácil dizer que é o Grupo da Vida, um grupo emocionante quando se está do lado de fora, com um balde de pipocas. Não quando é a nossa equipa em palco.

 

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É muito simples: vamos ter de dar o nosso melhor. Vamos ter de deixar as nossas habituais parvoíces de lado, vestir o fato de super-heróis, invocar a força, o espírito, o que quer que seja que nos permitiu sagrar-nos Campeões Europeus. Repetindo mais uma vez, temos a fama de nos sairmos melhor em circunstâncias difíceis, de nos superar-nos. Vamos ter de passar da fama à prática.

 

Quanto a nós, adeptos, temos de nos preparar para muito sofrimento. Agora é uma boa altura para marcar consulta no cardiologista, arranjar umas receitas para nitroglicerina (o comprimido que se põe debaixo da língua). Vai ser duro… mas a verdade é que não queríamos que fosse de outra maneira. 

 

Eu acredito que será possível sobrevivermos a este grupo, nem que seja pelo terceiro lugar. Até ao momento ultrapassámos sempre a fase de grupos de Europeus – alguns em circunstâncias quase tão difíceis ou mesmo igualmente difíceis. E se conseguirmos sobreviver a um grupo com a Alemanha e a França – sobretudo se conseguirmos vencer pelo menos um deles – seremos capazes de sobreviver a praticamente tudo neste Europeu. Estou certa de que jogadores, equipa técnica e Federação em geral farão tudo para que isso aconteça.

 

Até lá… 

Escolhido a dedo

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Na passada sexta-feira, dia 1 de dezembro, realizou-se o sorteio para a fase de grupos do Campeonato do Mundo, que terá lugar na Rússia, no próximo ano. Portugal foi sorteado para o grupo B, juntamente com a Espanha, o Irão e Marrocos.

 

Conforme comentou a minha irmã depois do sorteio, este grupo parece ter sido escolhido a dedo. Bem, dois terços dele. Vamos defrontar a seleção que nos expulsou do Mundial 2010… e a seleção comandada pelo treinador que nos orientou nesse mesmo Mundial.

 

Com um sorteio marcado para o Primeiro de Dezembro, acho que era inevitável Portugal e Espanha serem colocados no mesmo grupo. Eu mesma comentei-o na página de Facebook deste blogue, umas horas antes. Deus Nosso Senhor não conseguiu resistir.

 

Eu, para ser sincera, também não resistiria se estivesse no lugar d’Ele.

 

Não nos faltavam motivos para não querermos Espanha como adversária. Nuestros hermanos são um dos nossos maiores borregos. O único jogo oficial em que vencemos foi no Euro 2004 – que continua a ser o jogo mais importante da minha vida (sim, acima da final do Euro 2016. Mais sobre isso um dia destes.) E mesmo assim, em trinta e oito jogos, só contamos oito vitórias.

 

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Nesse aspeto, até dá jeito enfrentarmos a Espanha na fase de grupos e não no mata-mata. Desde que não ocorra nenhuma tragédia, como no último Mundial, bem entendido.

 

Por outro lado, Portugal até tem matado muitos borregos desde que Fernando Santos assumiu o comando – os maiores morreram na final do Euro 2016. Pode ser que Portugal consiga vencer a Espanha… mas continuo a achar pouco provável.

 

Não posso deixar de comentar o motivo pelo qual os espanhóis estavam no pote 2, em vez de entre os cabeças-de-série. A culpa é da Polónia que, para se manter no top 10 do ranking da FIFA e garantir um lugar no pote 1, não realizou nenhum particular durante um ano, até novembro passado.

 

Se o karma funcionasse como deve ser, os polacos teriam ficado com a Espanha no grupo, mas pronto. Só prova aquilo que venho a defender há anos: o ranking não reflete o valor real das seleções – se a Polónia conseguiu manipulá-lo!

 

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Mas regressemos à nossa Seleção.

 

Não fiquei lá muito contente com o sorteio do Irão para o nosso grupo – por causa do seu Selecionador. Ainda não consegui perdoar Carlos Queiroz – não tanto pelo que aconteceu em 2010, mais pela maneira como reagiu, as declarações que prestou ao longo dos anos que se seguiram.

 

Além disso, sejamos sinceros, os dois anos de Queiroz no leme da Seleção foram dos piores da última década.

 

Dito isto, Carlos Queiroz não parece tão rancoroso como antes – pelo contrário, em declarações pós-sorteio, afirmou-se “muito contente”. Se ele continuar a deixar de lado o eventual azedume que ainda sinta pelo que aconteceu, eu farei o mesmo. A vida é demasiado curta.

 

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Dizem que o Irão era a equipa do pote 3 que todos desejavam para os seus grupos. Eu, no entanto, não acredito que os iranianos nos tragam facilidades. É certo que Portugal ganhou os únicos jogos que disputou contra eles – um particular em 1972 (3-0) e um na fase de grupos do Mundial 2006 (2-0). Mas o Irão estará uns furos acima do que estava nessa altura. Muito graças a Queiroz, na verdade, que os orienta desde 2011.

 

Esta foi, aliás, a primeira vez que o Irão se Qualificou para dois Mundiais de seguida. Foram, também, a primeira seleção asiática a garantir o Apuramento. Pelo meio, tiveram uma série de doze jogos sem sofrer golos. São definitivamente uma equipa a respeitar.

 

Só falta falar sobre o jogo com Marrocos. O nosso histórico com esta Seleção é reduzido: um só jogo, no Mundial de 1986, no México.

 

É o problema dos Mundiais, de resto: enfrentamos equipas de outros continentes, contra quem raramente jogamos, logo, que conhecemos mal.

 

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No caso do histórico com Marrocos, o nosso único jogo com eles não nos permite tirar grandes ilações – deu-se durante o chamado “caso Saltillo” Eu já tinha lido ou ouvido uma ou outra coisa sobre este caso mas só agora, em preparação para este texto, é que fui ao Google e… meu Deus. Tão cedo não me apanham a queixar-me do que aconteceu em 2010 e 2014.

 

Eu gostava de perceber porque raio todos os Mundiais em que Portugal participou, tirando o de 66 (que eu saiba!) e o de 2006, resultaram numa crise, com maior ou menor gravidade, mas sempre pouco dignificante para o futebol português.

 

Acho que a Federação já aprendeu com todos estes erros e tem procurado corrigi-los. Com a construção da Cidade do Futebol, com uma escolha mais cuidada dos locais de estágio e medidas como pedir boleia à Força Aérea para a Andorra. Este profissionalismo foi um dos motivos pelos quais nos sagrámos Campeões Europeus. Se este Mundial não correr a nosso favor, não será por falta de organização – espero!

 

Regressemos a Marrocos (a seleção, não o país). Os marroquinos estão de volta ao Mundial vinte anos após a sua última participação. Foram a única equipa africana a Qualificar-se para o Mundial sem sofrer golos.

 

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Ou seja, vamos defrontar dois adversários de menor prestígio e experiência, mas com boas defesas. Portugal não costuma dar-se muito bem com seleções assim. Não podemos facilitar.

 

Estes prognósticos valem o que valem. Na maior parte das vezes, a realidade troca-nos as voltas, para o melhor e para o pior. Veja-se o que aconteceu no grupo do Euro 2016: um dos mais “fáceis” de sempre, um dos nossos piores desempenhos.

 

Isto também se explica, pelo menos em parte, pelo facto de, por muitos sorteios que se façam, o pior adversário de Portugal continua a ser… ele próprio.

 

Em todo o caso, temos seis meses para nos prepararmos para este Mundial, começando por estes três adversários. Alguns adeptos apontam já para o título… mas isso é conversa para as vésperas da Convocatória Final, como já é costume.

 

Para já, as próximas crónicas serão as revisões de 2016 e 2017, tal como tinha referido no texto anterior. Estou já a trabalhar na de 2016 e, desta vez, espero conseguir acabá-la e publicá-la sem grandes dramas.

 

Continuem por aí – quer através do blogue, quer através da página do Facebook.

Em princípio

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No passado sábado, dia 12 de dezembro, teve lugar em Paris o sorteio para a fase de grupos do Campeonato Europeu de Futebol, que se realizará no próximo verão. Portugal ficou colocado no grupo F, juntamente com a Islândia, a Áustria e a Hungria.

 

Como o costume, eu andava ansiosa por este sorteio. Consegui acompanhá-lo devidamente, pela televisão, com a minha irmã. Fiquei surpreendida por este ter começado apenas meia hora, quarenta minutos depois do início da cerimónia. Ficamos no último grupo, logo, fomos os últimos a conhecer os adversários. O pote 3 e o pote 2 iam sendo esvaziados, sem que a Suécia e a Itália, respetivamente, saíssem. Por um lado, eu não os queria no grupo, por motivos óbvios. Por outro lado, eu não as queria no grupo, por motivos óbvios. Por outro lado, eu queria-os no grupo porque seriam jogos excitantes. As duas seleções ficaram no grupo E, como que a sublinhar que nós tínhamos escapado por pouco às favas. Nós ficámos com equipas, digamos, modestas.

 

O nosso primeiro jogo ficou marcado para dia 14 de junho, em Saint-Étienne, frente à Islândia. Só jogámos duas vezes contra esta equipa, ambas no Apuramento para o Euro 2012. O primeiro jogo ocorreu naquela gloriosa dupla jornada de estreia de Paulo Bento, em que recuperámos a esperança depois do caso Queiroz e de perdermos cinco pontos nos primeiros dois jogos do Apuramento. Não tendo sido um jogo brilhante, teve os seus momentos, com o golo do Cristiano Ronaldo de livre direto, a bomba de Raul Meireles e o golo final de Hélder Postiga.

 

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O segundo jogo terminou com uma vitória por 5-3, mas ainda apanhámos alguns sustos. A primeira parte até terminou com Portugal ganhando por 3-0 - golos de Nani, que marcou dois quase de seguida, e um de Hélder Postiga. No entanto, na segunda parte, os islandeses conseguiram reduzir para 3-2 e, por algum tempo, os portugueses desorientaram-se. Felizmente, João Moutinho meteu ordem no jogo ao marcar o quarto golo português, aos oitenta e um minutos. Eliseu, que já tinha assistido para o primeiro golo de Nani e para o golo de Moutinho, ainda ampliou o resultado para 5-2. Mais tarde seria considerado o Homem do Jogo (sim, estamos a falar do mesmo Eliseu, que joga hoje no Benfica). Ainda houve tempo, mesmo assim, para os islandeses reduzirem, de penálti. 

 

A Islândia partilhou o grupo de Qualificação com a Holanda e a Turquia. Os islandeses venceram os holandeses nos dois jogos que disputaram com eles, contribuindo para o afastamento da Laranja Mecânica do Europeu. Na classificação final do grupo, ficou à frente da Turquia, que muitos considerariam uma ameaça maior. Tudo isto prova que os islandeses podem complicar-nos a vida.

 

A Áustria, com quem jogaremos dia 18 em Paris, tem um histórico favorável frente a nós (três vitórias para o lado deles, duas para o nosso lado e cinco empates), mas não jogamos com eles há vinte anos - desde a Qualificação para o Euro 96. Os austríacos apuraram-se para o Europeu em primeiro lugar no seu grupo, oito pontos à frente da Rússia (!) e dez pontos à frente da Suécia (!!!), ambas equipas que, mais uma vez, muitos considerariam mais perigosas. Penso que é opinião comum que os austríacos serão os nossos adversários mais difíceis neste grupo. Não é difícil perceber porquê.

 

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Fiquei um bocadinho chateada por nos ter calhado a Hungria no grupo, visto esta já ter sido sorteada para o nosso grupo de Apuramento para o Mundial 2018. Já achava eu que essa Qualificação vai ser uma seca. O facto de um dos adversários ser um repetido do Europeu em nada melhora essa condição.

 

A verdade é que vamos encontrar os húngaros no nosso último jogo da fase de grupos, em Lyon, no dia 22. Nunca perdemos contra este adversário e o último empate foi em 1983. Os nossos dois últimos jogos ocorreram durante a Qualificação para o Mundial 2010. Ambos correram bem. O segundo é capaz de ter sido o melhor desta fase de Apuramento. 

 

A Hungria apurou-se para este Europeu via playoffs, vencendo a Noruega. Nesse grupo, foi ultrapassada pela República da Irlanda e pela Roménia. Podemos concluir que, em princípio (vou usar muito esta expressão neste texto, "em princípio"), a Hungria será a Seleção menos ameaçadora deste grupo.

 

Vocês sabem que, por norma, não gosto de grupos "fáceis", de "equipas fáceis". Num Europeu mais alargado do que antes, desconfio particularmente das seleções em estreia - não terão nada a perder, logo, não sentirão a pressão caso as coisas não corram bem.

 

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No entanto, mais do que ser por ser um grupo fácil, este grupo chateia-me por ser enfadonho - tal como o grupo da Qualificação para o Mundial 2018. Ainda na véspera do sorteio do Europeu saía uma lista em que Portugal aparecia entre as seleções mais chatas. Não estou a ver os jogos do grupo mudando essa perceção. Os atractivos dos campeonatos de seleções são os jogos com equipas grandes. Daqueles que, ou ganhamos de forma épica, ou perdemos com dignidade, ou somos completamente humilhados. Aqueles jogos de cortar a respiração, de vida de morte ou muito mais, em que temos constantemente o coração na garganta. Em que cada golo é celebrado de forma intensa e, por vezes, demasiado dramática. Em que chegamos ao fim quase tão exaustos como se nós mesmo tivéssemos jogado. Não estou a ver os jogos desse grupo chegarem a esse nível. Ou melhor, se chegarem é porque as coisas estão a correr mal.

 

Por outro lado, depois da tragédia que foi o Mundial 2014, não vou dizer que não me agrada a ideia de um grupo tranquilo, em que, em princípio, temos tudo para passar. Se estamos mesmo a olhar para o título, emoção e dificuldades não hão de faltar no percurso até à final. Já será suficientemente complicado chegarmos lá, não me vou queixar se o início for, em princípio, facilitado.

 

Regressando à relativa facilidade deste grupo, nos rescaldos destes sorteios, costumamos dar o exemplo do Euro 2000 e 2012, "Grupos da Morte" a que sobrevivemos, e do Mundial 2002, o grupo fácil em que tudo correu mal, tirando no jogo contra a Polónia. Portugal tem o irritante hábito de complicar o que é fácil e o lendário hábito de se superar perante dificuldades. 

 

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E, no entanto, não sei se ainda é assim. Fizemos uma Qualificação tranquila, em que, tirando o primeiro jogo, não complicámos desnecessariamente. Sob a orientação de Fernando Santos, a equipa ganhou uma maturidade que não possuía há dois, três anos. Não estou a vê-los fazendo asneiras que comprometam a passagem aos oitavos-de-final (ainda me é estranho falar de oitavos-de-final num Europeu...), sobretudo quando Fernando Santos diz que quer ganhar o Europeu. Só uma epidemia de lesões e parvoíce estilo Mundial 2014, e mesmo assim. Muita coisa terá de correr mal para não passarmos este grupo. Já aconteceu, é certo, mas quero acreditar que eles aprenderam com os erros. Além disso, em princípio, o clima em França será menos agreste que o brasileiro, logo, também não será por aí...

 

Estou a guardar os meus pensamentos sobre este Europeu e as ambições de Fernando Santos para a habitual entrada na véspera do Anúncio dos Convocados. Para já, a bola está do lado da Federação. Quero saber as datas e os adversários dos particulares prometidos para março, bem como, lá está, o dia do Anúncio. Como poderão ver ao lado, já programei um contador dos dias que faltam para o nosso jogo de estreia no Europeu. Depois, acrescento um segundo contador, para o dia dos Convocados.

 

Quanto a mim, estou neste momento a trabalhar na já tradicional revisão do ano. Continuem desse lado.

Em mares conhecidos

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Primeira entrada de 2014! Bom ano a todos os meus seguidores. Na próxima quarta-feira, Portugal receberá, no Estádio Magalhães Pessoa em Leiria, a sua congénere cama... camaronesa, num jogo de carácter particular.

 
Os Convocados para este embate foram divulgados ontem, sexta-feira. Entre as novidades, encontram-se a ausência dos habituais titulares Nani, Hélder Postiga e Rui Patrício. Os dois primeiros por lesão, sendo que Postiga pode mesmo falhar o Mundial (snif, snif). Vai custar-me ver a Seleção amputada de dois dos meus jogadores preferidos mas, para ser sincera, há já algum tempo que tenho vindo a reparar que nem o Nani nem o Hélder têm estado ao nível de antes, existindo melhores opções para os lugares deles neste momento. Mas espero que não falhem o Brasil, mesmo que não sejam titulares.
 
O pior é que Hugo Almeida, que até tem estado a fazer uma bela época, lembrou-se de contrair uma lesão na sexta-feira passada. Ainda não há confirmação oficial, mas é possível que falhe o jogo com os Camarões. É preciso azar...
 
Rui Patrício, por sua vez, ficou de fora por opção. Algo que até tem uma certa lógica: nos particulares, Paulo Bento costuma pôr um dos guarda-redes suplentes na baliza, não fazia sentido estar a Chamar Patrício - que tive a sorte de encontrar recentemente - só para aquecer o banco, quando se podia observar um guarda-redes novo. 
 
Pena é esse guarda-redes não ter sido o Ricardo, da Académica.
 
 
 
Esta Convocatória não me convence muito, aliás. Acho que existem melhores alternativas para algumas das posições. Não consigo, por exemplo, compreender a chamada de Ivan Cavaleiro (tem um nome engraçado), em detrimento de outros jogadores mais regulares. Paulo Bento justificou Escolhas como esta com o desejo de "conhecer melhor" certos jogadores antes da Convocatória Final para o Brasil. Tem a sua lógica e, de certa forma, explica a ausência de Ricardo Quaresma.
 
- Bem, o Adrien é uma pessoa adorável de se conhecer! - barafustou a minha irmãzinha sportinguista - E o Cédric!
 
Eu também concordo que alguns jogadores do Sporting mereciam mais oportunidades do que aquelas que lhes têm sido dadas mas, lá está, com uma sportinguista ferrenha em casa não garanto imparcialidade. Eu, na verdade, não percebo assim tanto de futebol para verdadeiramente questionar a Convocatória. É claro que tenho lido reclamações pela Internet, umas mais racionais do que outras, mas não me parece haver motivo para grande polémica. É só um particular, um mísero particular, que muito boa gente ignorará, a Convocatória Final será diferente. Ou acham mesmo que Paulo Bento deixaria Patrício de fora do Mundial?
 
Que o diabo seja cego, surdo, mudo e não tenha wi-fi, mesmo assim...
 
 
Entretanto, no domingo passado, realizou-se o sorteio que determinou a constituição dos grupos do Apuramento para o Euro 2016. Portugal ficou no grupo I, com a Albânia, a Arménia, a Sérvia e a Dinamarca. E a França, embora esta, na condição de equipa-anfitriã, não tenha de passar pela fase de Qualificação.

Devo dizer que acho interessante esta nova regra que determina que a seleção-anfitriã fique "colocada" no grupo de Qualificação mais pequeno, realizando jogos particulares com as outras equipas.

Uma das vantagens do grupo que nos calhou em sorte é o facto de - tirando a França, e mesmo assim - termos defrontado todas as equipas há relativamente pouco tempo. Vamos navegar em mares conhecidos. A Arménia e a Sérvia estiveram também no nosso grupo de Qualificação para o Euro 2008. A Albânia esteve connosco na Qualificação para o Mundial 2010. E a nossa velha amiga Dinamarca, então... Qualificação para o Mundial 2010, para o Euro 2012 e grupo da fase final desta última competição.

A desvantagem é que todas essas equipas nos roubaram pontos nas correspondentes Qualificações. Para o Euro 2008, empatámos 1 a 1 com a Arménia no jogo fora e, no jogo em casa, ganhámos apenas por 1-0, cortesia de Hugo Almeida - não me recordo de mais pormenores desse encontro, tirando o facto de ter sido o último em que Luiz Felipe Scolari esteve castigado - e empatámos ambos os jogos com a Sérvia. Foi até no jogo em Alvalade, a que assisti ao vivo, que se deu aquele triste episódio com Scolari e Dragutinovic. Com a Albânia, empatámos a  zero no jogo em casa, da Qualificação para o Mundial 2010 - outro jogo de má memória - e ganhámos o jogo fora com muita dificuldade. E depois, temos a Dinamarca. Provavelmente a adversária de que mais tenho falado aqui no blogue, com quem não tem sido possível termos um jogo tranquilo.


Para além destes, temos ainda aqueles particulares com a França, com quem não jogamos desde as malfadadas meias-finais o Mundial 2006. Não nego que ando há muitos anos com uma raivazinha de estimação para com os nossos amigos franceses. Eles que nos expulsaram, se não me engano, de três campeonatos de seleções e que, ao longo dos últimos anos, têm sido frequentemente levados ao colo pelas mais altas instâncias do futebol. E apesar de sentir um certo desconforto por irmos defrontar uma seleção com quem não temos sido capazes de atinar, eu agradeço a oportunidade de exorcizarmos este demónio. Eu sei que o jogo não conta para nada, mas até é bom, será menos provável que se puxem cordelinhos a favor dos franceses.

O grupo em si pode ser complicado. No entanto, a alteração das regras atenuam as dificuldades: agora apuram-se diretamente os dois primeiros classificados em cada grupo e o melhor terceiro classificado de cada grupo. Os outros terceiros classificados vão a playoffs. Não posso dizer que estas regras me agradem. Para já, por recear que o facilitismo tenha consequências na qualidade dos jogos: sendo mais fácil uma equipa Qualificar-se, os jogadores não se esforçam tanto. O caso de Portugal, então, é particularmente preocupante porque a Seleção não se dá bem com facilidades. O melhor exemplo é o mais recente: um grupo de Qualificação para o Mundial 2010 teoricamente fácil mas que, na prática, ia dando cabo de mim.

Já que falo do último Apuramento, devo confessar que ando a sentir-me culpada por termos deixado Zlatan Ibrahimovic - jogador com quem tenho vindo a simpatizar - de fora do Mundial. Não que ache que Portugal devia ter perdido nos playoffs, claro que não. No entanto, se tivéssemos ficado em primeiro lugar no grupo, teríamos conseguido a Qualificação direta, a Rússia teria ido aos playoffs, talvez a Suécia conseguisse derrotá-los e Ibra poderia ir ao Brasil. Ele merecia...

Todos são unânimes em afirmar que, ainda que o grupo não seja dos mais acessíveis, só uma catástrofe impedirá Portugal de se qualificar, de uma maneira ou de outra. Muitos opinam mesmo que Portugal é a melhor equipa deste grupo, que o primeiro lugar é perfeitamente alcançável. Na prática, todos sabemos que as coisas nem sempre são assim tão lineares, que Portugal é o pior adversário de si mesmo. Há quem diga mesmo que a Turma das Quinas, mesmo nestas circunstâncias, há de arranjar maneira de ir aos playoffs. "É a nossa cena", diz mesmo a minha irmã. Eu, no entanto, não estou para isso. As coisas teriam de correr mesmo muito mal para a Sérvia e a Dinamarca ficarem à nossa frente na classificação. E eu não aguento outra Qualificação como a última, ou pior. Não, não, não. Quero o primeiro lugar, ainda posso admitir o segundo, porque a Dinamarca é traiçoeira, mas não menos do que isso.

De qualquer forma ainda é cedo para fazer prognósticos.


Nesta Qualificação estrear-se-á, também, um novo modelo de calendário. Teremos a chamada "Semana do Futebol", com jogos diários de seleções durante seis dias seguidos. Em vez do esquema habitual de jogos à sexta e à terça, agora estes podem ser em em duplas de quinta e domingo, sexta e segunda, sábado e terça. A óbvia vantagem deste calendário novo é o regresso dos jogos ao fim-de-semana. Algo que dará particular jeito quando estiver a estagiar ou, eventualmente, a trabalhar e/ou quando quiser ir assistir a um dos jogos.

A desvantagem é este calendário obrigar a estágios mais curtos. O exemplo mais gritante disso é a última dupla jornada da Qualificação: a concentração dos jogadores só deve ser na segunda-feira anterior. Na quinta-feira seguinte, jogamos em casa com a Dinamarca, um dos nossos principais adversários. Três dias depois, enfrentaremos a Sérvia o outro principal adversário, fora, obrigando a um voo de pelo menos umas cinco horas algures nesse intervalo de tempo. Paulo Bento foi particularmente duro nas críticas a este modelo de calendarização, na Conferência de Imprensa de ontem: "Convinha chamar os selecionadores para essas conversas e não serem alguns, que talvez nem deram um pontapé na bola, a decidir esse tipo de mudanças". E tem razão.


Antes da Qualificação para o Euro 2016, contudo, temos o Mundial. E este jogo de preparação com os Camarões. À semelhança do que acontecerá no Apuramento, vamos enfrentar um adversário com quem jogámos há relativamente pouco tempo. Mais especificamente, na preparação para o Mundial 2010. Na altura, ganhámos com golos de Raul Meireles e Nani, mas o facto de Eto'o se ter feito expulsar, desnecessariamente, pode ter ajudado. Julgo que é um bom adversário para este jogo, terá certamente algumas semelhanças com o Gana, pode ser suficientemente motivador para os portugueses fazerem por jogar bem. Não estou, no entanto, à espera de um grande jogo. Tal como já dei a entender acima, nesta altura do campeonato, ninguém se preocupa demasiado com a Seleção. O experimentalismo terá prioridade sobre a qualidade do jogo, talvez mesmo sobre o resultado. É compreensível.

No entanto, como o costume, desejo uma vitória. Mesmo que a exibição não seja brilhante. Para começar bem um ano que se espera que traga muitas felicidades à Seleção Portuguesa.

Na próxima semana entro em estágio. Posso demorar algum tempo a publicar a crónica pós-jogo. Peço-vos um pouco de paciência, tentarei publicar, máximo dos máximos, no próximo fim-de-semana. Por agora, faltam setenta e nove dias para a Convocatória Final. 

Traiçoeiro

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Na passada sexta-feira, dia 6 de dezembro, as 32 seleções que se Qualificaram para a fase de grupos do Campeonato do Mundo, que se realizará no próximo ano, no Brasil, ficaram a conhecer os seus destinos no que toca à distribuição pelos grupos da primeira fase do campeonato. Portugal ficou colocado no grupo G, juntamente com a Alemanha, os Estados Unidos e o Gana.

 
Eu queria acompanhar o sorteio como deve ser: pela televisão, com o computador ao colo ligado à Internet, mas não deu. Talvez até tenha sido pelo melhor pois o sorteio propriamente dito só começou uma hora após o início da cerimónia. Até lá, deve ter sido só cantoria e dançarico - já tinha tido a minha dose disso durante o sorteio do Euro 2012. Em vez disso, acompanhei-a pela rádio, quando vinha no carro. Estacionei junto ao meu prédio ainda decorria o sorteio. Não quis perder pitada, por isso, fiquei dentro do carro ouvindo o relato, só no fim fui para casa.
 
Portugal foi a penúltima equipa a ser colocada. Como os locutores da rádio comentaram, até aqui é sofrer até ao fim... Eles iam dizendo coisas do género: "Ai e tal, este grupo E, com as Honduras e a Suíça, era simpático", afirmações que me irritavam. Depois de nos termos visto aflitos para ficar em segundo lugar neste grupo de Qualificação aparentemente acessível, eu não queria um grupo fácil. 
 
Quis a sorte que ficássemos no grupo G.
 
 
 
 
 
 
 
 
A minha primeira reação foi de satisfação por não termos calhado num grupo demasiado "fácil". Nesse aspeto, o grupo G é o ideal pois não é nem demasiado acessível, nem demasiado difícil. Isto na teoria, claro. Na prática, pode tornar-se traiçoeiro.
 
Comecemos pela Alemanha, com quem nos estreamos no Mundial, dia 16 de junho, segunda-feira, às cinco da tarde, hora portuguesa. Esta seleção é uma velha conhecida nossa, com quem nos estreámos, igualmente, no Euro 2012. Apesar do seu poderio, nós fomos capazes de fazer-lhe frente, se não tivéssemos sido demasiado cautelosos com eles, se tivéssemos tido um bocadinho mais de sorte, podíamos, pelo menos, ter empatado. O pior é que suspeito que eles, em junho, estarão melhores: tiveram duas equipas na última final da Champions, equipa essas que em muito contribuem para a seleção. Destaque para o campeão europeu Bayern de Munique. Que, ainda por cima, está a ser treinado por Pep Guardiola, o grande difusor do tiki-taka. Isto para não falar de Özil, que hoje é o órgão propulsor do Arsenal.
 
Ainda a fazer figas para que, quando jogar com Portugal, Özil entre em modo Real Madrid e faça assistências para Ronaldo marcar na baliza alemã....
 
 
Considero, mesmo, que a Alemanha é a grande candidata a vencer o Mundial, mais ainda do que a Espanha. Só mesmo o Brasil, com Scolari e o fator casa, poderão, eventualmente, igualá-los. Como poderão calcular, é extremamente difícil uma equipa caprichosa como Portugal vencer os altamente organizados alemães.
 
Nessa linha, calha bem o nosso primeiro jogo ser contra eles. Porque assim entraremos em campo contra os Estados Unidos e o Gana obrigados a ganhar - e Portugal dá-se bem nessas circunstâncias. Se fosse ao contrário, era provável que os portugueses se desleixassem perante as equipas "menores e, depois, entrassem em campo com a Alemanha com a corda ao pescoço.
 
Há dois anos, fiquei apreensiva com os resultados do sorteio dos grupos do Euro 2012. Contudo, hoje vejo que esse grupo tinha uma vantagem: era previsível. Conhecíamos bem os nossos adversários, sabíamos o que esperar deles: dificuldades. Tal não acontece neste grupo, sobretudo no que toca aos Estados Unidos e ao Gana.

 

 
O jogo com os americanos realizar-se-à no dia 22, domingo, às onze da noite. Infelizmente, ainda me lembro da última vez que jogámos contra os Estados Unidos: tinha eu doze anos e começava a interessar-me a sério por futebol. Lembro-me da vergonha que foi sofrermos três golos durante a primeira meia hora do jogo, mais coisa menos coisa. Todo esse Mundial foi uma humilhação, de resto, tirando o jogo com a Polónia. O jogo com os Estados Unidos nem foi o pior. Segundo o que li e ouvi recentemente, passados estes anos todos, parece que tudo aquilo foi uma palhaçada, desde mesmo antes do Anúncio dos Convocados. Não faço particular questão de saber pormenores - já tive a minha dose com o caso Queiroz. 
 
Um aparte, aliás, para referir que fiquei satisfeita por termos evitado o Irão na fase de grupos. Não queria ter de levar com mais provocações por parte do nosso ex-selecionador - que desprezo mais do que Joseph Blatter ou Michel Platini. A Argentina que trate dele.
 
O selecionador da América é alemão, chegou mesmo a ser selecionador da Alemanha entre 2004 e 2006. O atual selecionador da Alemanha, Joachim Löw, chegou a ser seu adjunto. Jurgen Klinsmann terá, segundo consta, um estilo semelhante ao de Löw mas pior matéria-prima. Em princípio, os Estados Unidos estarão ao nosso alcance mas, conforme o jogo de 2002 provou, não é sensato subestimá-los. Pela parte que me toca, não quero de todo perder perante a seleção de um dos poucos países do Mundo para quem o futebol é um desporto secundário.
O Gana é, para nós, a grande incógnita deste grupo. Jogaremos pela primeira vez contra eles no dia 26, quinta-feira, às cinco da tarde de cá. Dizem que é das melhores seleções africanas mas isso não quer dizer nada, também diziam o mesmo da Costa do Marfim. Mais relevante é o facto de terem chegado aos quartos-de-final do Mundial 2010, tendo ficado perto de se tornarem a primeira equipa africana a chegar às meias-finais de um Mundial. Também joga contra nós o facto de, por serem uma equipa africana, estarem mais habituados ao clima tropical, quente e húmido, que encontraremos no Brasil.
 
 
 
Um dos aspetos curiosos em relação a este grupo é o facto de existirem laços inesperados entre as seleções. Já referi, acima, o caso dos selecionadores da Alemanha e dos Estados Unidos. Consta também que haverá um encontro de irmãos no jogo entre o Gana e a Alemanha já que Kevin Boateng joga na seleção ganesa e o irmão, Jérôme, joga na seleção alemã - nunca tinha ouvido falar de uma situação desse género, de irmãos em seleções diferentes. 
 
Se formos a ver, connosco a termos dois selecionadores liderando equipas alheias neste campeonato, o Fernando Santos, este Mundial começa a assemelhar-se a um torneiozinho de aldeia, em que todos os participantes são amigos, familiares, ou conhecidos. A tal Aldeia Global.
 
Em todo o caso, não é a primeira vez que os nossos companheiros de grupo lidam com estes laços já que os três também partilharam um grupo em 2010. O que também constitui uma desvantagem para nós pois eles têm a experiência desses jogos. Nós não.

Existem outras agravantes no que toca a este Mundial, começando pelas longas viagens a que obrigará, bem como ao clima. Tem-se falado da localização do quartel-general da Turma das Quinas em Terras de Vera Cruz. Eu queria também saber onde é que a Seleção estagiará cá em Portugal, durante o mês de maio. Não me ocorre nenhum local no nosso país capaz de mimetizar o calor e a humidade do norte brasileiro. Talvez fosse melhor os portugueses irem mais cedo do que o habitual para o Brasil, de modo a habituarem-se o mais depressa possível ao clima e fuso horário - embora me doa que eles se afastem tão cedo do calor humano dos adeptos portugueses.

 
Existe, também a questão das horas dos jogos. Dois deles realizar-se-ão durante a semana, às cinco da tarde. O único que decorrerá à noite - e mesmo assim às onze, definitivamente não das mais convenientes - será num domingo. Não sei se vou poder ver os jogos pois, provavelmente, estarei a estagiar. Dependerá do que terei de fazer mas pode dar-se o caso de não poder, sequer, ouvir o relato pela rádio, como faria se estivesse em aulas. Enfim, que remédio. De resto, à hora do jogo, o movimento deve ser reduzido, é pouco provável que faça algo que não permita distrações. 
 
Todos concordam que, caso os Marmanjos estejam com a cabeça no lugar certo - o que é sempre a maior variável - este grupo está ao nosso alcance. Posteriormente, nos oitavos-de-final - o mínimo definido por Paulo Bento - encontraremos uma seleção do grupo H - que, em princípio, não nos colocarão grandes problemas. Nos quartos-de-final é que poderemos cruzar-nos com a Argentina ou a França. Aí não haverá maneira de prever o desfecho. No entanto, caso cheguemos a essa fase, estaremos certamente de olhos no título, logo, teremos de ser capazes de vencer qualquer equipa.
 
 
 
Tal como tem acontecido ao longo da última década, ou mais, há quem nos coloque entre os candidatos ao título. No entanto, apesar do nosso permanente estatuto de favoritos, nunca ganhámos nada. E, francamente, está na altura de mudarmos isso. Duvido que voltemos a ter melhor oportunidade - dificilmente Ronaldo estará a este nível daqui a dois anos. Não digo isto porque ache que ele é que faz tudo na Seleção. Digo isto porque sonho com vê-lo erguendo a Taça há nove anos. Também me refiro à equipa atual, que pode não ser grande coisa em termos de individualidades mas que, quando está para aí virada, nos momentos decisivos funciona, supera-se. Uma característica que, pelo menos no Euro 2012, foi suficiente para fazermos uma prestação que nos encheu de orgulho. É claro que existem coisas que precisam de ser corrigidas na seleção atual mas será para isso que teremos aquelas semanas de estágio - entre outras coisas. Por estas e por outras, acredito, se não na conquista do título, pelo menos numa boa prestação. Agora, que venha o Mundial!