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O Meu Clube É a Seleção!

Mulher de muitas paixões, a Seleção Nacional é uma delas.

Para despachar

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Na passada quinta-feira, dia 11 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou a zeros com a sua congénere irlandesa, em Dublin, em jogo a contar para a Qualificação para o Mundial 2022.

 

Não estava nos meus planos dedicar um texto apenas a este jogo. Nos últimos anos, a regra tem sido uma crónica para cada jornada de Seleção, geralmente dois jogos, ou mesmo três. No entanto, não tenho muito a dizer sobre o que aconteceu em Dublin, consegui escrever o primeiro rascunho relativamente depressa. Mais vale despachar isto. 

 

Curiosamente, essa parece ter sido a atitude da Seleção Nacional perante a Irlanda. 

 

Como já tinha dito no texto anterior, a minha mãe fez anos nesse dia e o plano era irmos jantar fora. No entanto, eu e os meus pais constipámo-nos (era mesmo uma constipação, nós fizemos o teste!) e achámos melhor ficar em casa e encomendar comida. Na altura fiquei contente pois, como expliquei antes, queria muito ver este jogo. 

 

Agora, preferia mil vezes ter ido jantar fora e ignorado o que se passava em Dublin. 

 

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Fernando Santos apresentou um onze diferente do habitual. Deixou de fora todos os “amarelados”, tirando João Palhinha. António Tadeia acha que o plano era usar as mesmas armas que os irlandeses – o poderio físico – em vez de recorrer aos nossos pontos fortes. É claro que não ia resultar. 

 

Ainda assim, não chega para explicar a péssima atitude com que os jogadores abordaram este jogo. Ninguém parecia esforçar-se por reter uma bola ou recuperá-la quando a perdiam – segundo o GoalPoint, tivemos a pior posse de bola e eficácia de passe de todo o Apuramento, até agora. E a coisa só piorou com o decurso do jogo. Foi tortuoso.

 

Um bom exemplo foi a jogada que resultou no golo anulado dos irlandeses (sim. Os irlandeses foram os únicos a enfiar uma bola numa baliza.). O Rui Patrício esforçando-se por recuperar a bola, obrigado o adversário a cometer falta, e o Danilo ali especado!

 

A partir de certa altura, eu quase torcia pelos irlandeses – e estes não estiveram muito longe de vencer, sobretudo perto do fim. De um lado estava uma equipa de prestígio que não estava para se chatear. Do outro, estava uma equipa mais humilde, menos talentosa, mas apaixonada, aguerrida, catalisada por adeptos que estão entre os melhores do mundo. Por quem quereriam vocês torcer?

 

E veja-se a ironia. Tantos cuidados por causa dos amarelos e depois veio o Pepe e arranjou logo dois. Dois recordes quebrados: o jogador mais velho a representar a Seleção e o jogador mais velho a levar um vermelho ao serviço da Seleção. Bolas, Pepe…

 

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Não quero criticá-lo muito, no entanto, que ele fez questão de continuar com o resto do grupo, mesmo não podendo jogar com a Sérvia. É por isto que ele continua a ser Convocado, que nós continuamos a perdoar-lhe estas atitudes mais parvas: continua a ser capaz e, sobretudo, poucos amam a Camisola das Quinas mais do que ele.

 

A declaração de Fernando Santos no rescaldo do jogo – “Se tivéssemos ganho 5-0 era a mesma coisa” – tem caído mal nas redes sociais. Foi tirada um pouco do contexto, mas a indignação justifica-se, a meu ver. Mesmo que as consequências em termos de classificação sejam as mesmas… isso é coisa que se diga? Estamos a falar de uma Seleção onde alinham alguns dos melhores jogadores da atualidade! 

 

Fernando Santos estava a subir na minha consideração ultimamente, mas com esta deu vários passos atrás. Não vou ao ponto de dizer que este foi o pior jogo da Seleção deste mandato, mas é certamente a pior versão da Seleção. O meu clube não é isto!

 

A única coisa boa disto tudo é que, lá está, este jogo não terá consequências (a menos que o sorteio para a fase de grupos do Mundial dependa do desempenho na Qualificação, algo que ainda não consegui confirmar). Se ganharmos à Sérvia e conseguirmos o Apuramento, ninguém se vai lembrar do que se passou em Dublin. Mas, como alguém que encara cada jogo da Seleção como uma ocasião especial (uns mais do que os outros, claro), é frustrante quando os próprios Marmanjos não fazem o mesmo.

 

De qualquer forma, quero atirar este jogo para trás das costas e pensar na “final” com a Sérvia. Foi também em parte por isso que escrevi já sobre o jogo com a Irlanda. Acredito que o próximo encontro da Seleção será bem melhor que este. Se, daqui a uns anos, quiser reler a análise a esse jogo, não quero ter de recordar o que aconteceu em Dublin também. Como disse no texto anterior, estarei lá, na Luz. Farei a minha parte. Os Marmanjos que façam a deles. Queremos todos estar no Mundial, daqui a um ano.

 

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Mas se a exibição for igual à de quinta-feira, sou capaz de pedir o meu dinheiro de volta.

Manter o crescendo

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No próximo dia 11 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará a sua congénere irlandesa, em Dublin. Três dias mais tarde, receberá a sua congénere sérvia no Estádio da Luz… e eu estarei lá! Estes serão os últimos dois jogos da fase de Apuramento para o Mundial 2022. 

 

Como o costume, os Convocados foram Divulgados na passada quinta-feira. Esta foi uma Convocatória bastante conservadora, sem nenhuma novidade absoluta. Não surpreende – são os últimos jogos da Qualificação, uma fase decisiva. Toda a gente sabe que Fernando Santos tem um grupinho da sua confiança, sobretudo em circunstâncias como estas 

 

Ainda assim, fiquei desiludida por a Lista não ter incluído Gonçalo Inácio (que marcou um golo este domingo) e Pedro Gonçalves (eleito o melhor em campo no jogo com o Besiktas). Em parte porque ambos já tinham falhado os dois últimos compromissos por lesão – e, agora, são vários meses até à próxima oportunidade. Muita coisa mudará entretanto.

 

Além disso, há séculos que falo da necessidade de rejuvenescermos o setor da defesa e Gonçalo Inácio parece-me ser uma boa aposta. Mas lá está, Fernando Santos confia em José Fonte e este até está num bom momento, segundo consta. E ao menos Inácio vai estrear-se nos Sub-21 (só agora?). E no que toca a Pote, este só recuperou há relativamente pouco tempo (o jogo com o Besiktas foi literalmente na véspera da Convocatória) e existe muita concorrência para a sua posição.

 

Terá de ficar para a próxima. Mas espero que não demore muito mais.

 

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Falemos agora de Marmanjos que estão na Convocatória. O destaque vai para os regressos de Renato Sanches e João Félix, Chamados pela primeira vez desde o Euro 2020. Estou feliz por ter Renato de volta, depois de ter estado muito bem no Europeu. Ele esteve lesionado durante algum tempo, mas agora parece estar em forma e, quando está em forma, Renato é uma força da Natureza. Veja-se uma das coisas que fez no último jogo com o Lille

 

Também estou contente com o regresso de João Félix, ainda que um bocadinho menos ​​(Renato já fez mais na Seleção). Félix é outro que está num bom momento. Foi eleito o melhor jogador do Atlético de Madrid em outubro e marcou um golo ao Bétis, há pouco mais de uma semana, o primeiro em oito meses (é muito tempo sem marcar, por acaso…). Chegou mesmo a ser felicitado pelos colegas, no fim desse jogo.

 

É sempre bom quando os nossos Marmanjos são bem tratados nos seus clubes. Incluindo brincadeiras, claro. Vão ter de me perdoar, mas eu tenho de referir esta, antes do jogo com o Bétis: quando o Griezmann chamou Félix para lhe servir de mascote. E a parte mais engraçada é que o miúdo chegou mesmo a dar-lhe a mão! Eu fartei-me de rir…

 

Entretanto, José Sá e Gonçalo Guedes foram Chamados para substituir os lesionados Anthony Lopes, Rafa e João Mário. 

 

Estamos então na reta final do Apuramento, com dois jogos de dificuldade média-alta. A nossa situação não é aflitiva: bastam-nos dois empates para conseguirmos a Qualificação. No entanto, jogar para o empate é sempre arriscado e as nossas ambições são maiores. Além disso, eu pelo menos não tenho saudades da velha piada do “de empate em empate…”.

 

O primeiro jogo é com a Irlanda, com quem já jogámos em setembro. Consta que estes têm vindo a crescer com o decurso desta fase de Apuramento. Depois de se terem cruzado connosco, foram simpáticos ao ponto de empatarem com a Sérvia, deixando-nos mais desafogados nesta Qualificação. Mas duvido que eles mantenham a simpatia em Dublin – até porque o jogo terá lotação esgotada. Tenho quase a certeza que os adeptos irlandeses criaram um ambiente vibrante – não necessariamente hostil, mas não favorável a nós. 

 

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Quer-me parecer que será um jogo imperdível… mas eu se calhar vou perdê-lo. A minha mãe faz sessenta anos no dia 11, vamos jantar fora e não sei se o restaurante tem televisão. 

 

Não é a primeira vez que isto acontece. No dia em que a minha mãe fez cinquenta anos, outro número redondo (uau, tenho este blogue há muito tempo…), jogou-se a primeira mão dos play-offs do Euro 2012, contra a Bósnia-Herzegovina. Só consegui ver a primeira meia-hora do jogo, mas também não terá sido uma partida particularmente memorável. Também aconteceu no ano passado, mas era apenas um particular com a Andorra, não acho que tenha perdido muito. 

 

No entanto, este é um jogo que eu queria mesmo ver, sobretudo por causa dos adeptos irlandeses. Posso tentar ver no RTP Play, como já fiz noutras ocasiões, mas não sei se o farei. Nem sempre dá jeito e… são os anos da minha mãe! Não quero passar o jantar todo a olhar para o telemóvel, ou mesmo para uma televisão.

 

Vão ter de me perdoar. Mãe é mãe!

 

Em compensação, tenho bilhetes para o jogo com a Sérvia, no próximo domingo. Pode parecer excessivo – afinal de contas, já fui a um jogo no mês passado. Mas depois das restrições da pandemia, se tenho possibilidades, não quero perder oportunidades como esta. Até porque existe a hipótese, remota mas real, de que a pandemia se descontrole de novo e que regressem as restrições.

 

Desta vez não vou sozinha. Convidei a minha tia. Também convidei a minha avó, mas ela não quis vir (tenho pena, teria sido giro). Será o primeiro jogo da Seleção da minha tia – não sei se será o primeiro jogo de futebol, ponto, mas deverá ser o primeiro em vários anos. E como ela é benfiquista, vai gostar de conhecer a Luz.

 

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Será a terceira vez que vejo um jogo com a Sérvia ao vivo. A primeira, em 2007, foi de má memória, mas a segunda, em 2015, correu muito bem. Por outro lado, da última vez que a Sérvia jogou por cá, na Luz, as coisas correram mal para o nosso lado. 

 

Pode ser que já tenhamos o Apuramento resolvido quando entrarmos em campo, no domingo. Uma parte de mim espera que não, só mesmo para poder assistir a um jogo com alguma adrenalina, mas o resto de mim prefere jogar pelo seguro. Deixarmos a Qualificação arrumada o mais cedo possível, sem stresses desnecessários. Além disso, é possível que a constituição dos potes do sorteio da fase de grupos do Mundial 2022 dependa do desempenho na Qualificação – o que nos saiu caro da última vez.

 

Se a questão ainda não estiver resolvida, poderá ser um jogo difícil. Foi o que aconteceu em Belgrado, em março. É certo que nos anularam um golo injustamente, mas Portugal não fizera o suficiente em campo para merecer claramente a vitória. 

 

De notar que, nesse jogo, a Sérvia melhorou da primeira parte para a segunda. O Selecionador sérvio foi inteligente, soube adaptar-se a nós. Se for necessário, tentará fazer o mesmo no domingo. Temos de estar preparados.

 

Como poderão ler nos textos anteriores, tenho estado satisfeita com o desempenho da Seleção nos últimos jogos. Claro que temos de ter em conta o nível dos adversários mas, como escrevi antes, tem havido uma melhoria de jogo para jogo. Será que conseguimos manter esse crescendo com adversários menos acessíveis, como os próximos?

 

Obtermos a Qualificação é o mínimo exigível e acho que conseguiremos, com maior ou menor dificuldade. Fizemo-lo para todos os Europeus e Mundiais desde 1998, incluindo em circunstâncias mais difíceis do que as atuais. Não será agora que iremos falhar. 

 

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O que eu peço para esta jornada, assim, é a Qualificação e boas exibições. Ou pelo menos melhores exibições que nos jogos que já disputámos este ano com a Sérvia e a Irlanda. Quero continuar a dar o benefício da dúvida a Fernando Santos. Quero acreditar que os erros do Europeu não se vão repetir e que poderemos ter um bom desempenho no Mundial 2022 – caso nos Qualifiquemos. 

 

Como o costume, obrigada pela vossa visita. Acompanhem o último compromisso da Seleção este ano na página de Facebook deste blogue. Até à próxima!

Esperança reforçada

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No passado sábado, dia 9 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere catari por três bolas sem resposta, em jogo de carácter particular. Três dias depois, venceu a sua congénere luxemburguesa por cinco bolas sem resposta, em jogo a contar para a Qualificação para o Mundial 2022… e eu estive lá!

 

Neste texto, vou focar-me menos no jogo com o Catar e mais no jogo com o Luxemburgo. O primeiro foi apenas um particular, menos importante. O segundo foi oficial, com um pouco mais de história, e foi o meu regresso aos jogos da Seleção, mais de dois anos e uma pandemia depois da minha última vez. Tenho muito mais a dizer. 

 

Não que o jogo com o Catar tenha sido mau. Foi acima da média no que toca a particulares nos últimos anos e houve uma clara melhoria em relação ao jogo do mês passado. Os jogadores encararam o jogo com seriedade – gostei do desempenho de Gonçalo Guedes, por exemplo, mas os grandes destaques foram os estreantes, como veremos já a seguir. 

 

Por outro lado, o Catar também não deu uma para a caixa.

 

Ainda assim, foi preciso esperar mais de meia hora pelo primeiro golo da Seleção. O estreante Matheus Nunes fez um excelente passe para outro estreante, Diogo Dalot, em cima da linha final. Este assistiu de cabeça para Cristiano Ronaldo, que não desperdiçou.

 

 

Sem desprimor para o nosso Capitão, que juntou mais um país à sua lista de golos… aqui foram os estreantes a fazer o mais difícil. Em particular Dalot, um dos melhores em campo neste jogo.

 

O segundo golo veio no início da segunda parte, na sequência de um canto batido por João Mário. William Carvalho tentara rematar primeiro, de cabeça, mas o guarda-redes catari defendeu primeiro. Na recarga, José Fonte rematou certeiro para as redes. Foi o seu primeiro golo pela Seleção, apesar de já se ter estreado há uns bons anos. 

 

Bem, ele é um central. Marcar golos não é uma prioridade para ele, pelo menos não da maneira como é para um avançado ou mesmo um médio. Nós estamos mal habituados com Pepe e Bruno Alves.

 

Um dos destaques na segunda parte foi Rafael Leão, que rendeu Cristiano Ronaldo ao intervalo. Via-se mesmo que o Marmanjo queria muito marcar um golo, mas não conseguiu acertar com a baliza. 

 

Acabou por culminar num momento caricato aos oitenta e dois minutos. Bruno Fernandes fez-lhe um passe de primeira, desde o meio-campo. Leão conseguiu o mais difícil: desviar-se do guarda-redes e do colega catari. Mas, quando tinha a baliza aberta, atirou à barra. 

 

Um lance digno dos apanhados, coitado.

 

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Bruno Fernandes não resistiu a mandar-lhe uma bicada nas redes sociais, como podem ver. É tão mau...

 

Ao menos Rafael conseguiu carimbar uma assistência, já em tempo de compensação. André Silva – outro que estava com ganas – só teve de desviar de cabeça para a baliza. Ficou feito o resultado. 

 

A única coisa má a apontar a este jogo (e também ao seguinte) é que podiam ter havido ainda mais golos. Pelo menos neste caso era apenas um particular. Se é para falhar oportunidades como aquela do Rafael Leão, que seja quando é a feijões.

 

O Portugal x Luxemburgo foi, então, o meu regresso aos jogos da Equipa das Quinas. Não foi o meu regresso aos estádios após a pandemia – esse regresso ocorreu há poucas semanas, num jogo do Sporting com a minha irmã. Se eu teria preferido regressar com a Seleção, o meu clube? Sim. No entanto, precisamente por causa da pandemia, preferi ser prática em vez de sentimental. Não desperdiço oportunidades. 

 

Foi o que fiz também com este jogo. Tinha férias para tirar, as primeiras este ano, logo, fui passar uma semana ao Algarve (e até apanhei bom tempo. Deu para ir a banhos). A única parte chata é não ter tido companhia – foi a primeira vez que fui a um jogo de futebol sozinha.

 

Não que tenha sido muito mau. Regra geral não tenho problemas em fazer coisas a solo. E no caso deste jogo, encorajou-me a ir trocando comentários com outras pessoas na bancada – algo que, se calhar, não aconteceria noutras circunstâncias. 

 

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Esta foi a minha segunda vez no Estádio do Algarve. A primeira foi em 2005, também perante o Luxemburgo, conforme recordei aqui. Esse jogo terminou com 6-0 no marcador, mas toda a gente sabe que os luxemburgueses melhoraram muito desde então. Não se iam deixar golear desta maneira outra vez.

 

Ou assim pensávamos nós.

 

O ambiente estava ótimo no Estádio do Algarve. Lotação esgotada pela primeira vez desde o início da pandemia o que, depois de uma época inteira de estádios vazios ou parcialmente lotados, terá sabido particularmente bem aos jogadores. 

 

Tal como já acontecera noutros jogos da Seleção, havia uma pequena claque que ia entoando cânticos, alguns adaptados dos clubes. Nem todos conseguiam cativar o público, tirando uma pessoa ou outra. Os melhores eram a tradicional onda e uma adaptação do haka islandês.

 

O jogo dificilmente podia ter começado melhor, com três golos da Seleção em menos de vinte minutos. É certo que os dois primeiros foram de penálti – e que o primeiro penálti não era válido, embora na bancada não conseguíssemos perceber. 

 

Compreendo as queixas de Luc Holtz, selecionador do Luxemburgo, mas todos concordam que não foi por esse penálti que Portugal ganhou. Pode-se discutir, sim, se o jogo teria decorrido da mesma forma se aquele penálti não tivesse sido assinalado. Depende muito de jogo para jogo. Existem casos em que um golo cedo muda tudo, desbloqueia um jogo. Existem outros casos em que, quando a boa entrada de uma das equipas não se traduz em golos – ou quando se falha um penálti, como aconteceu perante a Irlanda – a corrente do jogo muda. 

 

 

No caso deste jogo, no entanto, acho que não faria diferença. Até porque os luxemburgueses fariam nova falta para penálti – esse legítimo – poucos minutos depois.

 

Ainda assim, achei mal quando, mais tarde, Fernando Santos invocou o golo anulado em Belgrado a propósito desta conversa. Uma arbitragem olho por olho no que toca a erros é mau princípio. 

 

Em todo o caso, estes penáltis serviram para Cristiano Ronaldo juntar mais um par de golos à sua lista. E para gritarmos “SIIIM!” nas bancadas em coro com ele – algo que eu desejava fazer há algum tempo.

 

Tenho a ideia de que a jogada para o terceiro golo da partida começou com João Cancelo, mas posso estar enganada. De qualquer forma, a assistência foi de Bernardo Silva e o remate foi de Bruno Fernandes. O guarda-redes Anthony Moris, se calhar, podia ter feito mais, a bola passou-lhe mesmo por baixo do corpo, mas nada disso tira o mérito a Bruno.

 

Nesta altura, um miúdo de seis ou sete anos sentado atrás de mim comentou:

 

– Isto vai dar em goleada…

 

Eu disse-lhe que costumava ser assim, com o Luxemburgo – ele era demasiado novinho para se recordar desses jogos – e que, se calhar, naquela noite aconteceria o mesmo. No entanto, depois destes frutuosos primeiros vinte minutos, o resto da primeira parte não teve grande história.

 

 

Na segunda parte, aos sessenta e oito, deu-se um dos momentos da noite. Ronaldo rematou com um lindo pontapé de bicicleta. Por seu lado, o guarda-redes Moris resolveu agigantar-se e defender aquela. Um remate espetacular que obrigou a uma defesa espetacular.

 

Imagens posteriores mostraram um Ronaldo desiludido com este falhanço. Também mostraram André Silva ajudando-o a levantar-se, os outros colegas consolando-o, e isto é um dos motivos pelos quais adoro a Seleção. Ao mesmo tempo, nas bancadas, festejámos e cantámos o nome dele (dá para ouvir no vídeo) como se a bola tivesse entrado.

 

Ou se calhar foi a nossa forma de consolá-lo.

 

Em todo o caso, no minuto seguinte, na cobrança do pontapé de canto resultante da defesa, novo destaque. João Palhinha saltou, elevando-se sobre os demais, e marcou de cabeça. Na bancada pensámos que tinha sido Ronaldo a marcar, até pelo festejo, gritámos “SIIIM!” e tudo… só depois vimos que um dos Marmanjos que foi abraçar o marcador usava a camisola 7. Estive uns bons cinco minutos a rir-me da lata do Palhinha. Não há respeito pelo Capitão… 

 

Eu adoro-os. 

 

A cinco minutos do fim, Ronaldo chegou finalmente ao hat-trick. Grande trabalho de Rúben Neves também, que gosta muito de fazer estes passes à distância, quase teleguiados. Ronaldo só teve de desviar de cabeça.

 

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Estava feito o resultado. Cinco a zero. Não tem sido muito habitual a Seleção marcar tanto nos últimos anos – o mais recente fora perante a Andorra, no ano passado. É certo que o Luxemburgo não deixa de ser uma seleção de microestado e houve demérito da parte deles neste jogo, mas a verdade é que não lhe ganhávamos por tanto há dez anos.

 

E o resultado podia ter sido ainda mais volumoso. Continuamos com um problema de eficácia, o que noutras circunstâncias poderia tramar-nos. No entanto, falando por mim e exclusivamente sobre esta noite… eu não podia ter pedido mais. 

 

Foi a maneira perfeita de regressar aos jogos da Seleção, depois de tanto tempo de ausência e de tudo o que aconteceu entretanto. Uma das noites mais felizes deste ano. Cheguei a desejar que o jogo nunca acabasse. Mesmo quando acabou, não pude demorar muito, mas soube-me bem caminhar entre outros adeptos, de bandeira ao ombro, bebendo as últimas gotas daquele ambiente fantástico. Fiz toda a minha viagem de regresso a sorrir e a minha garganta demorou dois dias a recuperar. 

 

Tinha regressado a casa. Deve ser por isso que A Minha Casinha é a verdadeira música da Seleção, por muito que a FPF tente impor-nos outras músicas. 

 

Estes jogos reforçaram a esperança que senti no final da jornada do mês passado. Sim, estamos a falar apenas do Catar e do Luxemburgo, não são equipas de renome. Mas foi a segunda vez que os defrontámos este ano e houveram claras melhorias de um encontro para o outro. Fomos mais consistentes, marcámos mais golos e deixámos de sofrê-los – interrompendo uma tendência que se vinha a arrastar. Temos os play-offs garantidos, bastando-nos quatro pontos para carimbarmos o passaporte para o Catar.

 

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Por isso sim, mantenho o benefício da dúvida em relação a Fernando Santos. Por enquanto. Na próxima jornada os testes serão mais difíceis… mas falaremos sobre isso na altura.

 

Obrigada pela vossa visita, como sempre. Soube bem escrever esta. Daqui a menos de um mês haverá mais. Até lá, não deixem de visitar a página de Facebook deste blogue. 

Não pode ser sempre assim?

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No passado dia 1 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere irlandesa por duas bolas contra uma. Três dias mais tarde, venceu a sua congénere catari por três bolas contra uma. Três dias depois desse jogo, venceu a sua congénere azeri por três bolas sem resposta. O primeiro e o último jogo contaram para a Qualificação para o Mundial 2022. O outro foi apenas um particular. 

 

Esta foi uma jornada tripla estranha, pelo menos para mim. Como tinha referido no texto anteriorestava menos entusiasmada que o costume. O jogo com a Irlanda e o jogo com o Catar não ajudaram nesse sentido. O terceiro foi melhor… mas deixou-me numa posição confusa. 

 

Hei de explicar melhor já a seguir. 

 

Uma coisa de cada vez. Longe de me animar, a exibição dos portugas perante a República da Irlanda apenas piorou o meu estado de espírito. Começando pelo penálti desperdiçado.

 

Para ser justa, não me surpreendeu que Cristiano Ronaldo tivesse falhado. Primeiro, o penálti demorou imenso tempo a ser validado. A UEFA (ou terá sido a FIFA?) finalmente ganhou juízo e introduziu o vídeo-árbitro nos jogos de Qualificação. No entanto, nestas circunstâncias torna-se contraproducente: a demora aumenta os nervos. 

 

VAR. Sabotando-nos, quer estando lá quer não. 

 

 

Os irlandeses também não ajudaram, com as suas picardias a Ronaldo durante a espera. Ele que, apesar de quase duas décadas nestas andanças, no que toca a resistência a provocações, é apenas pouco melhor que Sérgio Conceição e os seus filhos. 

 

Aliás, tanto Ronaldo como o irlandês Dara O’Shea podiam ter visto cartões, se o árbitro não estivesse distraído. O primeiro ajustava a bola na marca de grande penalidade, o segundo pontapeou a bola, Ronaldo respondeu com uma palmada leve no braço do outro. 

 

Uma cena saída de um recreio da Primária. 

 

Juntando-se a isto, estava toda a gente a suster a respiração para o “momento histórico” em que Ronaldo quebraria o recorde de Ali Dalei. 

 

É claro que ia correr mal. 

 

O momento histórico acabou por ir para Gavin Bazunu, o guarda-redes irlandês de apenas dezanove anos. O miúdo tinha cinco meses de idade quando Ronaldo subiu aos séniores!

 

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Acho que o penálti falhado afetou os portugueses durante a maior parte do jogo. E como quem não marca sofre, após termos falhado mais um par de tentativas, os irlandeses inauguraram o marcador em cima do intervalo. 

 

Eu tinha vindo para este jogo com pouco entusiasmo e mesmo assim estava a apanhar uma desilusão. Com o devido respeito pelos irlandeses, como é que estávamos a perder com o último classificado do grupo?!

 

A coisa acabou por se resolver literalmente nos últimos cinco minutos da partida. Com um Ronaldo Ex Machina, como em muitas outras ocasiões. Ambos os golos foram marcados de cabeça. O primeiro teve assistência de Gonçalo Guedes, o segundo de João Mário.

 

Nesta altura estava demasiado desiludida ainda para celebrar os golos como deve ser. No entanto, já aí reconhecia que as bancadas do Estádio do Algarve merecera aqueles golos. Fora o regresso do público aos jogos da Seleção e este fez-se ouvir durante o jogo todo – mesmo com um jogo medíocre durante oitenta e oito minutos. Seria demasiado ingrato levarem com uma derrota. 

 

Adoro em particular os festejos do segundo golo. Ronaldo tirou a camisola  –  o que, pelo menos a mim, recordou-me o seu segundo golo com as Quinas, no Euro 2004. Acabaria por ver o amarelo e ser excluído do jogo seguinte, mas acho que ninguém se importou. 

 

Momento engraçado quando os Marmanjos foram para junto do público e um dos stewards foi apanhado nos abraços. Terá mesmo havido contacto entre os jogadores e elementos da audiência, o que não é aconselhável em tempos de pandemia. Mas sinceramente? Não tenho alma para criticar. Estivemos muito tempo sem ir aos jogos, queremos este calor humano.

 

 

Além disso, os envolvidos estarão quase de certeza todos vacinados.

 

Depois do jogo ninguém se calava com o recorde quebrado por Cristiano Ronaldo. Não que não fosse merecido – são cento e onze golos! Acho que não é a primeira vez que escrevi isto aqui no blogue, tanta Ronaldomania às vezes enjoa mas, se formos olhar os factos… ele merece. Ele merece todos os elogios! Veja-se por exemplo esta infografia da SportTV. Vejam-se os recordes que o homem quebrou! 

 

Quer-me parecer que as gerações futuras, que nunca verão Ronaldo jogar, não vão acreditar que ele existiu mesmo.

 

Dito isto, irritou-me que, entre os louvores a Ronaldo, muitos tivessem esquecido tão depressa que foram os primeiros oitenta e oito minutos do jogo. Sim, os jogadores não deram o jogo como perdido, deram a volta ao resultado, persistência, garra, inconformismo, outras palavras bonitas. No entanto… era o último classificado do grupo! Dar a volta a um resultado desfavorável perante a uma equipa como esta (com o devido respeito pelos irlandeses) não é um grande feito, é uma obrigação. 

 

Acabou por ser mais ou menos como eu previra no texto anterior: exibições fraquinhas, mas suficientes para conseguir os resultados. Não satisfazia, mas sempre era um passo em frente.

 

Havemos de regressar a isto.

 

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Não tenho muito a dizer sobre o jogo do Catar – em parte porque não lhe prestei grande atenção. Para além da mesma falta de entusiasmo, tinha estado a conduzir durante cerca de duas horas nessa tarde e ficara exausta. 

 

E uma vez mais, o jogo em si não me animou por aí além. 

 

Não que estivesse à espera que o fizesse. Era apenas um particular, com um onze bem diferente do habitual. O Ronaldo já tinha deixado a Seleção e tudo. Ninguém esperava uma festa do futebol.

 

Em todo o caso, o Catar até entrou no jogo por cima, mas foi Portugal a inaugurar o marcador –  com dois golos de seguida! O primeiro foi de André Silva, após assistência de João Mário. O segundo foi mais especial, na minha opinião. Assistência de Gonçalo Guedes (está num bom momento, o Marmanjo) e o estreante Otávio deu um salto à Ronaldo e marcou de cabeça. Fico feliz por ele, que estava tão orgulhoso pela sua Convocatória.

 

Quando os cataris se viram reduzidos a dez, em cima do intervalo, pensei que teríamos a vida facilitada na segunda parte. Não foi bem assim. Os cataris, aliás, conseguiram reduzir a desvantagem na sequência de um canto, acentuando o problema recorrente dos múltiplos golos sofridos nos últimos tempos. (Para sermos justos, o jogo com a Alemanha terá desequilibrado ligeiramente essa estatística.)

 

Lá surgiu um penálti a nosso favor e Bruno Fernandes foi chamado a converter. O Marmanjo tinha de aproveitar, coitado – agora que tem Ronaldo como companheiro de clube, não terá muitas oportunidades. 

 

Para este caso, Bruno pode ao menos gabar-se de não ter falhado, ao contrário do Capitão. Mas também, a pressão era bem menor.

 

 

Enfim, foi um particular aceitável, ainda que eu desejasse mais golos.

 

No dia do jogo com o Azerbaijão estava de melhor humor – isto apesar de, de início, parecer que o universo estava a conspirar contra mim. O jogo foi às cinco da tarde. Eu tentei trocar para sair às quatro, mas surgiu um imprevisto e tive de sair às cinco à mesma. Não não, nem isso porque apareceram pessoas em cima das cinco, obrigando-me a sair uns dez minutos depois da hora.

 

É sempre assim.

 

O que vale é que eu até gosto de ouvir o relato da rádio de vez em quando. Foi através dele que soube dos golos. O primeiro foi espetacular: uma grande assistência de Bruno Fernandes para Bernardo Silva, que conseguiu enfiar a bola num ângulo dificílimo. 

 

O segundo golo foi menos artístico, mas resultou de uma boa jogada envolvendo João Cancelo, Bruno Fernandes, Diogo Jota, com André Silva a concluir. A cada golo, não resisti a buzinar um bocadinho.

 

Mais do que os golos até, aquilo que me deixava feliz eram os testemunhos que garantiam que a Seleção não jogava tão bem há muito tempo – desde o jogo com a França em Paris no ano passado, pelo menos. Eu pude vê-lo por mim mesma, quando cheguei finalmente a casa. 

 

 

Por outro lado, também vi algumas falhas defensivas que podiam ter custado caro. Contei pelo menos duas fífias de Nuno Mendes, mas não digo que ele tenha sido o único a falhar. Valeu-nos o facto de os azeris não terem sido capazes de aproveitar estas oportunidades. Em todo o caso, esta é uma possível explicação para os golos que temos sofrido.

 

Pelo meio, na segunda parte, Diogo Jota marcou o nosso terceiro golo, de cabeça, após assistência de João Cancelo. 

 

Uma palavra para os adeptos que invadiram o relvado, para tirarem fotografias com Bruno Fernandes. Hoje em dia estes momentos já não aparecem na televisão – por instruções das autoridades do futebol, para não encorajarem estes comportamentos. Pelos vistos a realização deste jogo não recebeu o recado. É sempre bom ver os nossos jogadores – não apenas o Ronaldo  – sendo acarinhados.

 

Foram três golos, podiam ter sido mais. No final do jogo lamentámos não ter ganho por mais, por causa das contas do Apuramento. No entanto, mais tarde naquele dia, a Sérvia empatou com a Irlanda, deixando-nos isolados no primeiro lugar do grupo. A Qualificação continua a correr bem, melhor que as anteriores.

 

E agora, como bónus, tivemos uma boa exibição. É certo que estamos a falar de azeris, não de italianos, nem mesmo de sérvios. Mas já tínhamos jogado contra o Azerbaijão este ano e foi uma tristeza. De igual modo, tivemos jogos com equipas de nível semelhante ou pouco melhor – Luxemburgo, Irlanda – e jogámos pior. 

 

Neste momento, estou numa posição estranha. Durante o jogo com a Irlanda, antes dos últimos cinco minutos, tive flashbacks do jogo com a Albânia há sete anos (!) e estava já com os lencinhos brancos a postos. Acho mesmo que, se não fosse o Ronaldo Ex-Machina, estaríamos hoje pelo menos a discutir essa possibilidade. Seria um escândalo demasiado grande perdemos perante o último classificado do nosso grupo, pouco tempo após um Europeu que deixou muito a desejar

 

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Quando o resultado virou, guardei os lencinhos, mas continuava insatisfeita. Pensava que iríamos ficar presos num ciclo vicioso de exibições fracas, de serviços mínimos. Conseguiríamos Qualificações, mas a estas seguir-se-iam participações tristes em fases finais: não suficientemente más para quase toda a gente querer chicotada psicológica, mas claramente aquém daquilo que somos capazes.

 

No entanto, perante o Azerbaijão ganhámos e jogámos bem. E agora estou com esperança? Afinal de contas, Fernando Santos consegue pôr a equipa a jogar. Porque não podemos jogar sempre assim (ou, vá lá, quase sempre)?

 

Vocês sabem que não sei o suficiente para opinar sobre estas matérias. Prefiro guiar-me pelo parecer de especialistas. Daquilo que tenho lido e ouvido, temos bons jogadores, mas nem sempre conseguimos encaixá-los uns com os outros. E poderá ser necessário deixar algum génio no banco. 

 

Numa discussão num vídeo de António Tadeia, por exemplo, comentou-se que o melhor onze para a Seleção neste momento será o que jogou perante o Azerbaijão, com Ronaldo no lugar de Diogo Jota. Ou seja, mandaríamos um dos melhores marcadores da Seleção no pós hiato da pandemia para o banco. 

 

E ainda temos de pensar em nomes como Renato Sanches, Pote, João Félix, que também têm de entrar nestas contas. E claro, gerir lesões e momentos de forma, adversários diferentes, etc.

 

É difícil ser-se Selecionador. Quem diria, hem?

 

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Em todo o caso, acho legítimo darmos o benefício da dúvida a Fernando Santos. Por muitos defeitos que tenhamos a apontar-lhe no passado recente, ele continua a ser o único Selecionador que nos ganhou títulos. A parte boa de os próximos jogos serem de dificuldade média-baixa, e de estarmos isolados no primeiro grupo, é que permitirá a Fernando Santos praticar estas táticas novas. Pelo menos era o que eu faria.

 

Saio assim deste compromisso da Seleção um pouco mais animada e otimista do que estava no início dele. Uma parte de mim continua receosa de que voltemos às exibições pastosas nos próximos jogos. Mas, lá está, a esperança é a última a morrer e quem sabe? Talvez isto seja um início. Talvez seja agora que aprendamos, finalmente, a usar da melhor forma os trunfos de que dispomos.

 

Vamos ver. A Seleção reúne-se de novo daqui a algumas semanas. Ainda não sei se escreverei uma crónica pré-jogos: os adversários são o Luxemburgo e o Catar, com quem jogámos recentemente, não devo ter muito a dizer. 

 

Em todo o caso, continuarei a cobrir as aventuras e desventuras da Seleção na página de Facebook deste blogue. Deem uma espreitadela. Para já, como sempre, obrigada pela vossa visita. Voltamos a falar em breve. 

Lá se vai

01.pngNo passado dia 11 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere andorrana por sete bolas sem resposta, em jogo de carácter particular. Três dias depois, a Seleção Portuguesa perdeu contra a sua congénere francesa pela margem mínima, ficando assim afastada da final four da Liga das Nações. Três dias depois desse jogo, a Seleção venceu a sua congénere croata por três bolas contra duas. 

 

Bem, lá se vai um dos nossos dois únicos títulos. 

 

Comecemos pelo início. Nesta jornada tripla saiu-me a fava no que toca a horários de trabalho: saí às oito da noite nos dias dos dois jogos que decorreram durante a semana. Como na jornada tripla anterior saí sempre a tempo de ver os jogos – e como os dois jogos em questão foram pouco interessantes – não foi grave.

 

No dia do jogo com a Andorra, tive o duplo “azar” de a minha mãe fazer anos e irmos jantar fora (éramos apenas quatro e todos do mesmo agregado familiar). No caminho, ou seja durante a primeira parte, fui ouvindo o relato na rádio. O restaurante, infelizmente, não tinha televisão. Ainda liguei o meu telemóvel no RTP Play, mas mal olhava para ele. Acabei por desligá-lo, pois estava a ficar sem bateria e estava mais interessada na refeição e na conversa. Ou seja, mal acompanhei o jogo.

 

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Aparentemente não perdi nada por aí além. O onze inicial foi muito diferente do que fora a regra nos jogos anteriores. Uma das melhores coisas deste jogo foi o facto de os dois estreantes, tanto em Convocatórias como em internacionalizações, terem marcado. Parece que isso não acontecia há mais de cinquenta anos. Pedro Neto, o mais novinho, abriu o marcador depois de uma bonita jogada. Paulinho bisou – marcou em ambas as partes do jogo.

 

Só na segunda parte é que entraram titulares habituais, como Cristiano Ronaldo, João Félix, Diogo Jota. Segundo dizem, Ronaldo estava impaciente por marcar – não admira, ele quer atingir o recorde de Ali Dalei – e os colegas tentaram ajudá-lo. Neste tipo de jogos, que não contam para nada, não faz mal. É mais uma prova do bom ambiente entre os Marmanjos. Além disso, lembro-me de, algures em 2004, num jogo contra o Luxemburgo, Ronaldo devia ter marcado um penálti mas ofereceu-o a Pedro Pauleta, que na altura estava atrás do recorde de Eusébio. 

 

Infelizmente Ronaldo devia estar menos inspirado que o costume. Só marcou um golo. Foi melhor assim, para que ninguém diga que ele só marca a equipas pequenas. Ele há de chegar lá, mais cedo ou mais tarde.

 

Não me arrependo de não ter visto o jogo como deve ser. Eram os anos da minha mãe e, se havia jogo que se podia não ver era este. Fernando Santos nem sequer queria disputá-lo. À hora desta publicação, provavelmente só os estreantes Pedro Neto, Paulinho e Domingos Duarte se recordam dele. 

 

Dito isto, não consegui deixar de ter pena por não ter visto este jogo. Se a Seleção joga, mesmo a feijões, mesmo perante equipas como a Andorra, eu quero ver. Mas às vezes não dá. 

 

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Suponho que agora tenha de escrever sobre o jogo com a França. Lá terá de ser. Não sei se alguma vez o referi aqui, mas custa-me mais escrever sobre jogos que correm mal do que sobre jogos que correm bem. Foi o que aconteceu com este. 

 

Antes de mais nada, em defesa dos Marmanjos… sabíamos que ia ser difícil. Eu mesma o referi na habitual nota pré-jogo na página de Facebook deste blogue. Era a França! Como tenho dito várias vezes aqui no blogue, era a atual Campeã do Mundo e uma das nossas maiores bestas negras. 

 

Aliás, para não estar sempre a escrever o mesmo, vou passar a escrever apenas, passe a expressão, “a motherfucking França. Por favor, considerem que a parte dos Campeões do Mundo e bestas negras ficam implícitos no “motherfucking”. Já devia ter adotado esta expressão há mais tempo… 

 

Dizia eu que era a motherfucking França e que sabíamos que era uma tarefa hercúlea. Ainda assim, acho que estávamos todos à espera de um bocadinho mais, sobretudo depois de até termos feito um bom jogo em Paris

 

Já aí vamos. 

 

Na primeira parte quase só deu França. Portugal parecia incapaz de segurar a bola. Muitos acusaram a Seleção de ter jogado à defesa, “para o empate”, mas pode-se sequer dizê-lo quando os franceses chegavam à nossa grande área sem dificuldade nenhuma? 

 

 

Ia-nos valendo Rui Patrício, imperial como já nos habituou há anos. Numa das primeiras defesas que ele fez, por exemplo, a um remate de Anthony Martial isolado por Antoine Griezmann, eu já dava o golo como marcado. Numa das últimas da segunda parte, também a uma iniciativa de Martial, Patrício acabou mesmo lesionado numa zona sensível (a minha irmã disse mesmo “Ficou infértil”). 

 

Aparentemente, ao intervalo Fernando Santos considerava o zero-zero um bom resultado, tendo em conta o que se sucedera na primeira parte. Não estava errado… mas não havia grandes motivos para festejos, na minha opinião. Todas as belas defesas de Rui Patrício resultaram de confrontos de um para um, avançado versus guarda-redes, que deviam ter sido evitados pelos outros jogadores. Patrício não podia fazer tudo sozinho. 

 

Teríamos defendido melhor com Pepe? A minha opinião vale o que vale, mas acho que sim. No entanto, Pepe vai a caminho dos trinta e oito, a médio/longo prazo não é viável estarmos sempre dependentes dele. 

 

Não posso, assim, dizer que o golo sofrido ao início da segunda parte (apesar de até termos reentrado bem depois do intervalo) tenha sido uma surpresa. Quem anda à chuva molha-se – e, parecendo que não, Rui Patrício é humano. 

 

Portugal passou o resto do jogo a correr atrás do resultado. Fernando Santos, não tendo já nada a perder, colocou a carne toda no assador: Diogo Jota, Trincão, Paulinho… João Moutinho entrou muito bem. Até pareceu que Portugal estava a dominar, finalmente acordado para a vida… mas a França já tinha tirado o pé do acelerador, soube ser fria e defender o resultado. O marcador não se alterou até ao final do jogo. 

 

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A França foi melhor. É tão simples quanto isso. Podíamos ter feito melhor? É difícil avaliar. Nas redes sociais acusaram a Seleção de jogar à defesa, para o empate – levando Fernando Santos a responder à letra. Vários comentadores, como António Tadeia, defendem que o problema estava no meio-campo, sem comparação com o francês. Provavelmente têm razão. 

 

Eu ainda assim (e, uma vez mais, a minha opinião vale o que vale) acho que, mesmo que tivéssemos feito tudo bem, dificilmente teríamos ganho. Talvez conseguíssemos o empate a zeros… A França não é Campeã do Mundo por acaso. 

 

Havemos de regressar ao jogo com a França. O jogo com a Croácia, três dias depois, era suposto ser um jogo para o orgulho, para provar que o que acontecera no sábado fora apenas um deslize. Fernando Santos veio com essa conversa na antevisão do jogo e Rúben Dias, que o acompanhou, afinou pelo mesmo diapasão. 

 

Por aquilo que fez no jogo, acredito que Rúben estava a ser sincero. Mas, apesar da vitória, não sei se este jogo ajudou a limpar a imagem deixada três dias antes. 

 

Tal como já tinha dito, no dia do jogo saí do trabalho às oito, logo, só consegui acompanhar a primeira parte (e, mesmo assim, não toda) pela rádio. Só houveram golos portugueses na segunda parte, quando eu já tinha acesso a uma televisão, o que foi simpático. Por outro lado, segundo o Record, o relato dos golos por José Pedro Pinto, da Antena 1, impressionou os jornalistas croatas – o que me deixou com pena se não ter podido ouvir. 

 

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Diz que os portugueses até não entraram mal na partida, se bem que com pouca agressividade. O mau estado do relvado não ajudou. Acabou por ser a Croácia a chegar à vantagem, perto da meia hora de jogo. O Rúben Semedo tentou cortar um passe na grande área, falhou, deixando Mario Palasic assistir para Mateo Kovacic. Rui Patrício ainda defendeu o primeiro remate, mas na recarga não pôde fazer nada. 

 

Em defesa de Semedo, ele não foi o único a cometer fífias destas neste jogo. 

 

A segunda parte começou melhor para Portugal – sobretudo quando Rog foi expulso e a Croácia se viu reduzida a dez. Ronaldo cobrou o livre resultante dessa falta. O guarda-redes Livakovic fez uma defesa incompleta. Rúben Semedo tomou controlo da bola e assistiu para Rúben Dias, que se estreou a marcar pela Seleção.

 

Portugal acabaria por chegar à vantagem com um golo que, noutras circunstâncias, teria sido anulado – Diogo Jota ajeitou a bola com a mão antes de assistir para João Félix. Porque é que não há VAR na fase de grupos da Liga das Nações? A tecnologia já não é nova, está disponível em praticamente todas as competições, qual é a lógica de deixá-la de fora? Se eu estivesse do lado dos croatas – e, para ser justa, se eles estivessem mais dependentes do resultado para não descer de divisão – estaria fula.

 

De qualquer forma, os croatas não ficaram em desvantagem durante muito tempo. Kovacic tornou a marcar, numa jogada em que, uma vez mais, a defesa portuguesa ficou mal na fotografia. 

 

Felizmente conseguimos regressar à vantagem, mesmo ao cair do pano, num lance caricato. Na sequência de um canto nosso, Livakovic conseguiu agarrar a bola mas deixou-a cair depois de chocar com um colega de equipa. Rúben Dias agarrou a oportunidade e bisou.

 

 

Consta que esta foi a primeira vez em vinte e um anos que um central bisa pela Seleção – o que me surpreendeu, pois até temos tido vários centrais marcando golos nos últimos anos. O Bruno Alves teve uma fase bastante goleadora. Antes disto, era capaz de jurar que houve pelo menos uma ocasião em que ele bisou. Pelos vistos estava enganada. 

 

Espero que o Rúben Dias dê os mesmos passos que Bruno Alves e Pepe. Neste momento é apenas um jovem, fazendo os primeiros jogos pela Seleção, marcando os primeiros golos. Mas, se tudo correr bem, daqui a uns anos será um líder.

 

Em suma, longe de deixar uma melhor imagem em relação ao jogo anterior, este encontro teve a qualidade exibicional de um particular. Destaquem-se os erros defensivos de ambas as equipas. 

 

Não é dramático, atenção. O jogo valia pouco, sempre era a atual vice-campeã do Mundo (com todas as atenuantes) e, se é para cometer erros, para marcar e sofrer golos ilegais, que seja em jogos com este.

 

Ainda assim, depois da conversa de Fernando Santos e Rúben Dias na véspera, estava à espera de mais. O Selecionador esteve, aliás, invulgarmente crítico depois do jogo. Ninguém percebeu a parte do “jogar bonitinho”, mas percebe-se se o desagrado dele foi por nem todos os Marmanjos terem levado o jogo a sério. 

 

Eu também não gostei. Por outro lado, não vou dizer que não compreendo, ou mesmo que não fizesse o mesmo no lugar dos jogadores. Era o último jogo de uma jornada tripla, que não contava para nada, após uma viagem longa, num terreno mais indicado para plantar batatas do que para jogar futebol. Vinham de uma derrota desmoralizadora. Por fim, por estes dias, já quase toda a gente se esqueceu deste jogo. 

 

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Em suma, um Marmanjo não é de ferro. Não acho que se justifique censurá-los por esta (a história é diferente com o jogo com a França). Parece-me também que, se não fosse o jogo anterior, Fernando Santos não teria sido tão duro. O Selecionador desejava ter um treino no dia seguinte, poder continuar o trabalho com a Seleção. Não dá – os próximos jogos serão daqui a quatro meses. Nessa altura já muito terá mudado, a atitude será completamente diferente.

 

Não vou mentir, esta jornada tripla soube-me a pouco. Depois de ter passado a crónica anterior enchendo vários jogadores portugueses de elogios… Não me orgulho disso, mas por estes dias, quando os Marmanjos se saem bem e marcam golos pelos seus clubes, sinto-me um bocadinho ciumenta, aziada por termos visto muito pouco disso nos jogos da Seleção. 

 

A derrota perante a França foi uma desilusão. Roubou-nos a possibilidade de defender o título. Ninguém gosta de fracassar – muito menos uma Seleção que não falhava fases finais desde que a minha irmã nasceu, há vinte e três anos. 

 

É certo que estes são moldes muito diferentes de uma qualificação para um Europeu ou Mundial. Temos um grupo de seleções teoricamente ao mesmo nível que nós, em vez de haver uma estratificação. Só quatro seleções é que passam. Na primeira edição tivemos a vida facilitada, num grupo com apenas dois adversários. Agora calhou-nos a motherfucking França.

 

A parte mais dura é que, ao contrário do que quase acontece em todos os apuramentos para Mundiais ou Europeus, não se pode dizer que tenha sido um fracasso por auto-sabotagem. Até ao jogo com a França estávamos a fazer tudo bem nesta fase de grupos, até mesmo nos particulares. Bastou um jogo mau para ir tudo por água abaixo. 

 

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É duro mas não é dramático. Ao contrário do que as redes sociais deram a entender, não passámos de bestiais a bestas de um dia para o outro. E, tal como Fernando Santos apontou, é impressionante a maneira como, há um par de anos, estava toda a gente nas tintas para a Liga das Nações mas, agora, toda a gente quer a cabeça do Selecionador. 

 

É um fracasso, um fracasso doloroso. Temos de perceber o que correu mal, de aprender com os erros – até porque vamos voltar a cruzar-nos com os nossos amigos franceses em breve. Mas esta não é a altura para colocar tudo em causa. 

 

Eu pelo menos não vou colocar tudo em causa. Vocês sabem que tenho um viés favorável às Quinas, costumo ter boa vontade para com a Seleção. Mas já a acompanho há muitos anos e, sinceramente, já passámos por bem pior. Estou desiludida mas não é isto que me tira o sono – muito menos no ano da desgraça de 2020!

 

Agora só temos jogos da Seleção daqui a quatro meses, conforme já tinha referido antes. Confesso que me custa um bocadinho – parece que foi ainda há pouco tempo que a Equipa de Todos Nós regressou após meses e meses e, agora, fica outra vez em pausa. 

 

Serão os primeiros jogos da Qualificação para o Mundial 2022 (meu Deus, já estamos de olhos no Mundial do Qatar!). O sorteio dos grupos realiza-se no dia 7 de dezembro. Não quero especular sobre esse sorteio – só espero que não seja um grupo demasiado fácil. É nesses que a coisa dá para o torto.

 

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Como este ano só houveram jogos no outono, não vou escrever a habitual retrospetiva de fim de ano. O que escreveria? O melhor do ano? A fase de grupos da Liga das Nações estava a correr bem até ter corrido mal? O pior? Por onde começar? O adiamento do Europeu? O Ronaldo apanhando Covid e toda a gente com medo de um surto na Seleção? O fracasso aos pés da França?

 

Não, não vale a pena.

 

O pior é que isto significa que este blogue também vai ficar em pausa durante estes quatro meses. Disso tenho pena. Mas pode ser que, quando nos encontrarmos de novo, as coisas estejam melhores que agoa. Pode ser que já estejam a dar uma vacina para o Coronavírus (eu acho que as previsões atuais são demasiado otimistas, no entanto) ou, pelo menos, que os jogos tenham público outra vez – estou convencida de que o jogo com a França nos teria corrido melhor se nós, os adeptos, tivéssemos estado lá. 

 

Assim, deixo já os meus votos de boas festas e boas entradas em 2021 – dentro do possível com a pandemia. Cuidem de vocês mesmos, usem máscaras, lavem as mãos, respeitem as ordens de confinamento. Vão visitando a página do Facebook daqui do blogue. Saúde, ânimo (incluindo para mim mesma). Até à próxima!