Pois é. Eis-me de volta, pouco mais de um ano após a última vez. Quando nos despedimos depois do Euro 2024, o plano não era parar por completo… mas acabou por ser isso o que aconteceu.
A verdade é que perdi um pouco de interesse na Seleção neste último ano. Não por completo – tanto quanto mais me recordo, vi todos os jogos. Fui inclusivamente ao jogo contra a Escócia no Estádio da Luz, há quase um ano. Mas deixei de me ralar com quem é Convocado ou não, deixei de tentar distinguir entre críticas legítimas e vieses clubísticos, deixei de defender ou criticar o Selecionador.
Isto pela primeira vez em mais de quinze anos! Aqui entre nós, foi libertador. Houveram alturas em que mal atualizava a página de Facebook, em que quase me esquecia de que haviam jogos. Quando os via desfrutava, no momento, ignorando o barulho. E quando as coisas não corriam tão bem… não me ralava. Como escrevi antes, o tempo e a paciência já não são os mesmos.
E a verdade é que me fartei do ciclo vicioso dos últimos anos: promessas, marketing, imenso apoio por parte da massa adepta, garantias de que temos a melhor geração de jogadores de sempre – para depois, na prática, não se verem resultados. Ou melhor, vermos resultados suficientes para se justificar que nada mude, mas que não satisfazem ninguém.
Dito isto, este último ano não foi nada mau em termos de desempenho da Seleção. Aliás, quando dei por mim, tínhamos vencido a Liga das Nações pela segunda vez. Foi o nosso terceiro título.
Antes da final four, não tinha fé quase nenhuma. Tínhamos tido uns quartos-de-final dramáticos, como era a norma perante a Dinamarca há coisa de quinze anos – à grande e à dinamarquesa, como escrevia eu na altura. Estivemos a quatro minutos da eliminação. Foi uma reviravolta emocionante mas, para sermos sinceros, a Dinamarca não é propriamente um tubarão, com o devido respeito. E quando se soube que o nosso primeiro adversário na final four seria a Alemanha – uma das nossas maiores bestas negras, ainda por cima a jogar em casa – pensei “esqueçam…”
Houve gente a dizer que preferiam que Portugal perdesse na final four, só mesmo para podermos correr com Roberto Martínez. Eu não concordava – nunca torcerei contra a Seleção – mas, aqui entre nós, se Martínez saísse, não me queixaria. O meu entusiasmo e crença eram tão poucos que, quando chegou junho, mal me recordava que haveriam jogos da Seleção.
Não digo que não acreditava de todo. Mas era quase só por princípio, numa de “até ao lavar dos cestos é vindima”.
Pois bem. Os Marmanjos resolveram ganhar-me à Alemanha, vinte e cinco anos e várias derrotas dolorosas depois da última vez. Foi preciso esperar uma geração inteira por outro Conceição – bastaram cinco minutos de Francisco em campo para catalisar a reviravolta.
A final foi perante a Espanha – outra besta negra, que não vencíamos em jogos oficiais há vinte e um anos, que se sagrou Campeã Europeia no ano passado, merecidamente. Outro jogo intenso. Estivemos por duas vezes em desvantagem, Cristiano Ronaldo voltou a sair mais cedo do jogo por problemas físicos (é fim de época, o homem tem quarenta anos! Ao menos conseguiu marcar pela primeira vez em finais). Houve prolongamento, houve penáltis.
Já estou nisto há mais de duas décadas. Nos meses anteriores, garantiria a pés juntos que não me ralaria da mesma forma. Não foi isso que aconteceu nesse dia. Não se torna mais fácil com o tempo, antes pelo contrário. O Ronaldo nem foi capaz de ver os penáltis – I feel you, bro. Nuno Mendes fez uma exibição monstruosa – ele e os colegas do PSG, Vitinha e João Neves, ganharam dois títulos europeus no espaço de uma semana. Nas grandes penalidades, Diogo Costa defendeu o penálti de Morata. No fim, a Taça veio para Portugal.
Como disse acima, isto dura há mais de vinte anos e a Seleção continua a surpreender-me. Passo por fases de maior pessimismo e aqueles Marmanjos arranjam maneira de dar a volta por cima. Daquelas lições que estou sempre a aprender.
Já lá vai quase uma década desde o primeiro título da nossa Seleção. Até agora nenhum soube tão bem como esse, admito. Mas ainda me recordo de quando ainda não tínhamos ganho nada – anos e anos em que só levantávamos um troféu nos meus sonhos. Agora já aconteceu três vezes na vida real. Não deixo de dar valor a isso. E podem dizer o que quiserem sobre a Liga das Nações, mas tivemos de derrotar dois tubarões, dois adversários contra quem raramente ganhamos, para conquistarmos este título.
Felizmente, sinto que desta vez as pessoas deram mais valor que em 2019. Para além da questão dos adversários que enfrentámos, a prova já tem uns anos, já tem algum prestígio. Quem desdenha quer comprar.
À boa maneira tuga, o povo foi do oito ao oitenta. Dias antes estavam à espera da desculpa para correr com Martínez. Depois desta, já se fala do título mundial. Claro.
Acho que ainda é muito cedo para se determinar se já saímos do ciclo vicioso. Até porque nem tudo depende diretamente dos jogadores e/ou do treinador – continuamos a ter calendários muito pesados, não sabemos em que forma os Marmanjos estarão no verão do próximo ano.
Além disso, estamos a falar de um Mundial. Se fosse um Europeu, até alinharia um pouco no otimismo. Mas historicamente Portugal dá-se pior em Mundiais. Apontar ao título poderá não ser muito realista.
Uma coisa é certa, no entanto: depois deste título, Martínez, o resto da equipa técnica, a própria Seleção atual merecem o fim do barulho, do cepticismo, merecem a nossa confiança. Ao mesmo tempo, temos o direito de pedir – para não dizer exigir – mais exibições assim. A Qualificação começa na próxima semana – acho que podemos assumir que não a falharemos. Depois disso, na hora da verdade, se não der para pedir o título, pedimos no mínimo que apontem nessa direção. Que façam uma exibição digna de uma das melhores seleções da Europa. Algo que não acontece em Mundiais há… quase vinte anos, no momento desta publicação.
Agora vamos passar a um registo bem mais triste – o mais triste aqui no blogue até agora. Vocês sabem do que se trata.
Soube da notícia de manhã cedo, quando estava no trabalho. Foi um choque – fiquei sem conseguir respirar.
Nunca considerei Diogo Jota um dos meus jogadores preferidos. Nem sequer sabia que ele tinha um irmão mais novo, também ele futebolista. Era regular na Seleção, no entanto, durante os últimos seis anos. Houve uma altura em que era um dos nossos melhores marcadores. Era uma personagem recorrente aqui no blogue.
Não sei se alguma vez o disse aqui com todas as letras, mas sempre me afeiçoei a jogadores da Seleção – em graus diferentes. Vou acompanhando as carreiras deles, as vidas pessoais (quando se casam, quando se separam, quando têm filhos), ainda que de longe. Vejo-os crescer comigo. São os meus Marmanjos, os meus meninos, as minhas musas.
E do dia para a noite fiquei sem um deles.
Eu sabia – ou melhor, devia ter sabido – que chegaria o dia em que veria um deles partir. E que era possível que um deles partisse demasiado cedo. Não estava preparada.
Aqui entre nós, não me interpretem mal, mas não estava à espera que tanta gente se ralasse com a morte do Diogo. Pelo menos não em Portugal. Ele não era um jogador particularmente mediático por cá. Mas, nessa quinta-feira maldita, fui vendo a consternação espalhando-se entre os meus colegas, entre outras pessoas, pelos meus grupos no WhatsApp, pelo resto da Internet.
Calculo que seja pela dimensão da tragédia. Outros já a descreveram melhor do que eu: dois rapazes novos, com a vida toda pela frente, que deixaram os pais órfãos dos únicos filhos que tinham. O Diogo tinha três filhos pequenos, estava com a mãe deles desde adolescente, tinha acabado de se casar. Duas vidas que se esfumaram num instante. Uma coisa estúpida, aleatória, cruel, Nem o Diogo, nem o André, nem aqueles que os amavam mereciam isto.
Por outro lado, sei de meia dúzia de pessoas, em particular um certo presidente do outro lado do oceano, que mereciam muito mais este destino.
Claro que, pelo menos cá em Portugal, as homenagens e manifestações de pesar acabaram por resvalar para o exagero. Não adoro a cultura portuguesa no que toca ao luto: há uma tendência para o exibicionismo, para a histeria, quase para o tétrico. Não pretendo tecer juízos de valor sobre a forma como cada um lida com a perda – tirando quando interfere com o luto dos outros, quando magoa ainda mais quem já está a sofrer.
Dou alguma legitimidade a quem questionou a ausência de Cristiano Ronaldo do funeral. No entanto, aqui entre nós, de que serviu a polémica? Não aliviou a dor dos entes queridos, pois não? Em relação às críticas à viúva pelo vestido que usou numa das homenagens e aos meios de Comunicação Social sem noção dos limites, só tenho repúdio.
Tirando isso, têm sido feitas homenagens lindíssimas a Diogo Jota – homenagens essas que duram até agora. Havemos de voltar aí – antes, tenho de falar sobre outra perda: Jorge Costa.
Confesso: não estava tão afeiçoada a ele. Mal me lembro dele na Seleção – ele já era “velho” quando comecei a interessar-me por futebol. Ainda assim, tenho uma imagem muito específica dele gravada na memória: levantando a Taça UEFA pelo F.C.Porto em 2003. A RTP incluiu o momento numa montagem de autopromoção que transmitiram inúmeras vezes nos meses que se seguiram – nunca consegui esquecê-la.
De resto, o Jorge fazia parte da Geração de Ouro, à qual pertencem nomes como Rui Costa e Luís Figo. Custa começar a perdê-los.
Esta foi uma morte por causas naturais – infelizmente, o Jorge tinha um histórico de problemas cardíacos. Ainda assim, estava a ter um dia de trabalho normal no F.C.Porto. Deu uma entrevista falando sobre o jogo seguinte, a nova época, as movimentações de mercado. Ter-se-á sentido mal logo depois disto. Passadas umas duas horas, se tanto, já não estava entre nós.
Já viram a maneira como os nossos planos e preocupações do dia-a-dia rapidamente se tornam irrelevantes? Já viram o quão frágeis e insignificantes somos?
Dizia eu que não têm faltado manifestações de carinho e saudade, tanto relativas ao Diogo como ao Jorge. Por outro lado, regra geral, homenagens fúnebres sempre me deixaram dividida. São bonitas, são comoventes, são um consolo para os entes queridos, mas… não teria sido melhor fazê-las quando a pessoa está cá para as ver? Sou daquelas que acredita que homenagens fazem-se em vida.
Nesse aspeto, no que toca à morte do Diogo, foi um pequeno consolo pesquisar este blogue e escrever o que fui escrevendo sobre ele ao longo dos anos. Este é apenas o meu cantinho da Internet, duvido que o Diogo alguma vez tenha dado com ele, mas ao menos deixei-lhe elogios em vida.
Essa é uma das funções da minha escrita, na verdade – deste blogue e não só. Falar sobre as minhas coisas favoritas, cimentar recordações, escrever a História da Seleção segundo o meu humilde ponto de vista, deixar provas da minha afeição pela Equipa das de Todos Nós e pelos seus protagonistas, contribuir para a imortalização.
Tendo tudo isto em conta… será correto continuar a deixar o blogue ao abandono?
Pois. Acho que não.
Não me interpretem mal, não vou regressar aos moldes de antigamente. Mas quero tentar deixar pontos de situação semelhantes a este de longe a longe. Mínimo dos mínimos, quero deixar um antes do Mundial. Ao mesmo tempo, vou fazer um esforço para, pelo menos, ir atualizando a página do Facebook quando há jogos.
Na sexta-feira passada, foram Divulgados os Convocados para a primeira dupla jornada da Qualificação. Esta não vem numa boa altura para mim: tenho planos em ambos os dias de jogo. Mas devo conseguir acompanhar, nem que seja apenas na rádio ou em sites de atualizações. Depois, quero tentar ir a pelo menos um dos jogos de Outubro, no Estádio de Alvalade. Como já terão concluído, a vida é curta, temos de agarrar todas as oportunidades – sabemos lá quantas teremos.
Ainda a propósito disso, Roberto Martínez revelou que, a partir de agora, a Seleção terá sempre um Convocado extra: o Diogo. Ele servirá de motivação, de inspiração, para lutar pelo título no Mundial do próximo ano. Adicionalmente, Rúben Neves, o melhor amigo do Diogo, herdará a camisola 21. Eu quase me desfiz em lágrimas quando vi a notícia.
Mesmo que a minha disponibilidade, quer externa quer interna, seja menor, mesmo que escreva menos e que me rale menos com as miudezas, o meu vínculo com a Seleção Nacional sobrevive e quero cultivá-lo. A vida é tão difícil, têm acontecido tantas coisas horríveis. Se temos algo de bom, há que valorizá-lo.
Como sempre, obrigada pela vossa visita. Até à próxima.
No passado dia 4 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere finlandesa por quatro bolas contra duas, no Estádio de Alvalade. Quatro dias depois, foi derrotada pela sua congénere croata por duas bolas contra uma, no Estádio Nacional, no Jamor. Finalmente, três dias mais tarde, a Seleção venceu a sua congénere irlandesa por três bolas sem resposta.
Todos estes jogos foram de carácter amigável. E hoje estreia-se no Euro 2024 perante a Chéquia.
Como já tinha referido no texto anterior, estive em dois destes três amigáveis: os dois que tiveram lugar na zona de Lisboa, ambos muito diferentes em termos de acessos.
O primeiro, contra a Finlândia, foi tranquilo. Como estava de folga nessa tarde e ia sozinha, não estava condicionada, pude ir cedo para o estádio. Tive tempo para comprar um boné – o vermelho, da nova coleção. Andava há mais de uma década à espera que lançassem um boné oficial de que gostasse.
Pelo menos é essa a desculpa que dou a mim mesma pelo dinheiro que gastei. Não foi uma compra por impulso, era algo que desejava há muito tempo.
Deu também para acompanhar a animação pré-jogo. Até consegui escrever um bocadinho no meu lugar, enquanto esperava pelo início do jogo. Este foi o melhor lugar que consegui em anos: na central, com boa vista para ambas as balizas. A única desvantagem foi ter ficado ao Sol antes do início do jogo.
Algo que, mesmo assim, aceitei de bom grado. Já não é a primeira vez que o digo: adoro ver jogos de futebol à luz do dia. Sobretudo em dias tão bonitos como aquele.
O Estádio não estava cheio, mas estava bom ambiente. Fiquei sentada ao lado de uma menina de cerca de quatro anos e do pai dela. Pela maneira como o pai passou uma grande parte do jogo explicando à filha as regras do futebol – o bê-á-bá do desporto, por exemplo, “o objetivo é enfiar a bola na baliza do adversário” – calculo que aquela tenha sido o primeiro jogo da menina ao vivo, quiçá um dos primeiros jogos de futebol que ela viu.
Foi amoroso. Recordou-me de quando eu mesma era pequena e fazia perguntas ao meu pai enquanto ele via futebol na televisão. Além de que sempre gostei de crianças e, ainda por cima, tenho uma sobrinha que deverá nascer nas próximas semanas (durante o Europeu… como se eu precisasse de mais emoções, sobretudo se nos mantivermos em prova durante muito tempo). Já me imaginei levando-a a jogos e/ou falando-lhe de futebol, contando-lhe histórias de feitos anteriores da Seleção. Eu mesma respondi a uma ou outra pergunta da menina ao meu lado – teria respondido a mais, mas não estava à vontade para isso.
Quanto ao jogo em si, foi uma exibição agradável – melhor do que estava à espera para um particular no terceiro dia de estágio. Algo que me chamou a atenção foi a altura dos finlandeses – mais ou menos o dobro da altura dos portugueses. Aliás, saiu um artigo há pouco tempo dizendo que Portugal é a segunda Seleção com menor média de alturas neste Europeu. Poucos dos nossos conseguiam competir.
Por outro lado, talvez seja eu que estou a ficar velha, mas por estes dias metade da Seleção parece tão novinha! O João Neves, o Francisco Conceição… eu podia ter andado com eles ao colo! E eles têm cara disso!
Não surpreendeu que o primeiro golo, aos dezassete minutos, tivesse vindo de Rúben Dias, um dos mais altos. Vitinha bateu um canto e assistiu diretamente para a cabeça do central. Depois dessa, em cima do intervalo, Francisco Conceição foi derrubado na área, o árbitro marcou penálti e Diogo Jota converteu.
Para a segunda parte, Martinez trocou metade da equipa – algo que fazia sentido em termos de gestão física, mas que mesmo assim achei estranho. Em todo o caso, depressa o marcador se dilatou ainda mais, cortesia de Bruno Fernandes. A jogada começou em Diogo Dalot e passou por Gonçalo Ramos. Mas a assistência foi de Francisco Conceição para Bruno rematar de fora da área. Lembro-me de uma altura, há uns anos, em que a minha irmã se queixava da suposta mania de Bruno rematar de fora da área.
Mal sabíamos nós que ele se tornaria um dos melhores da Seleção Portuguesa.
Infelizmente, íamos deixando a coisa descambar: o finlandês Pukki marcou dois golos em cinco minutos. Felizmente, Bruno tornou a intervir para dilatar de novo a vantagem. Nova assistência de Conceição, que enganou dois finlandeses e Bruno nem sequer precisou de rematar com muita força. Ficou feito o resultado.
No fim, sentia-me satisfeita, mesmo com todos os senãos e atenuantes. Choviam elogios a Francisco Conceição – ou Chico Conceição, como toda a gente lhe chama – um dos melhores em campo. Também fiquei contente com o miúdo, mas não lhe quero elevar demasiado a fasquia. Não seria a primeira vez que um jovem mostrava potencial nos jogos particulares antes de uma grande competição – para, depois, não conseguir corresponder na hora da verdade.
Mas espero que o Chico continue a crescer na Equipa de Todos Nós. Se a grande explosão não acontecer neste Europeu, que aconteça num futuro próximo.
O particular seguinte não foi tão tranquilo: nem o jogo em si nem a viagem de ida e volta. Vim com uma amiga, mas cada uma trouxe o seu próprio carro… um erro. Até saí de casa relativamente cedo e mesmo assim apanhei os acessos ao estádio completamente entupidos. Demorei eternidades a estacionar, num lugar muito questionável: a margem de um percurso pedonal num parque nas redondezas.
E mesmo assim consegui chegar cedo ao meu lugar no estádio, ainda durante o aquecimento. A minha amiga, que saiu de casa mais tarde (apesar de eu a ter avisado para vir cedo), só se conseguiu juntar a mim na bancada já a primeira parte ia adiantada.
Ainda mais difícil foi o trânsito para sair do estádio. Demorei à vontade uma hora só para sair das redondezas do Jamor. Não foi tão stressante quanto poderia ter sido – tive o bom senso de comer e ir à casa de banho no estádio (não que recomenda esta última parte…) e não estava com pressa.
Ainda assim, talvez tivesse sido melhor ir de comboio. O que também não seria fácil, penso eu – até porque houve concerto das bandas dos Morangos com Açúcar nessa mesma noite, no Passeio Marítimo de Algés.
Nesse aspeto, os Estádios da Luz e de Alvalade são bem mais práticos, com melhores acessos. Eu então consigo ir a pé para ambos a partir da casa dos meus pais.
Dito isto… estou contente pela oportunidade de ver um jogo no Jamor. É místico, é lindo. E o ambiente esteve tão bom durante o jogo, mesmo que este em si não tenha sido grande coisa. Estava com medo de que chovesse durante o jogo – tinha chovido nessa manhã – mas não chegou a acontecer. Aliás, o sol até espreitou durante a segunda parte, dando uma nova luminosidade ao Jamor.
De facto, a certa altura, a meio da segunda parte, dei por mim a sentir o momento. Estava ali, num Estádio Nacional cheio, repleto de gente vestida de verde e vermelho, vendo a Seleção a jogar. Há poucos cenários mais belos do que aquele.
Mas falemos do jogo em si – a parte menos boa dessa tarde. Exibição muito fraquinha, sobretudo na primeira parte. A Croácia marcou cedo, conversão de um penálti que dizem questionável (como não foi do meu lado, não consegui ver bem eu mesma). Não se pode dizer, no entanto, que o resultado era injusto. Portugal ia atacando sem grande intensidade – Gonçalo Ramos e João Félix pareceram-me particularmente desinspirados naquela tarde.
A segunda parte correu melhor, depois de nova mini-evolução ao intervalo. Conseguimos empatar o jogo logo nos primeiros minutos da segunda parte: Nélson Semedo assistiu para o remate certeiro de Diogo Jota. Fico contente por o Diogo ter assinado dois golos nestes jogos, depois de ter passado tanto tempo lesionado.
Ainda tive esperanças de que conseguíssemos dar a volta ao resultado, ou de que pelo menos mantivéssemos o empate. Mas os croatas chegaram de novo à vantagem, numa das poucas oportunidades que tiveram. A bola foi à trave e, na recarga, Budimir marcou de cabeça.
Nunca mais conseguimos sair desta. A certa altura, o público começou a cantar por Cristiano Ronaldo. Eu mesma me juntei ao coro – sabe-se lá quantas mais ocasiões teremos para isso. Não tenho a certeza do que é que o motivou. Se foi uma continuação dos aplausos antes do jogo, sempre que ele aparecia em campo durante o aquecimento. Se o povo pura e simplesmente queria vê-lo a jogar. Ou se esperavam que Ronaldo entrasse e salvasse a honra do convento, como tantas vezes antes. Talvez tenha sido uma mistura das três hipóteses.
Claro que Martínez não ia pôr Ronaldo a jogar só porque estávamos a perder um jogo amigável. O Capitão tinha-se juntado à concentração poucos dias antes e, como jogador geriátrico, é preciso cuidado com a gestão da sua forma.
E também há muita hipocrisia. Tão depressa se diz que Ronaldo está a mais, que a Seleção joga melhor sem ele, como começamos literalmente a clamar por ele assim que as coisas começam a correr mal.
Suspeito que esta última parte irá acontecer muito quando Ronaldo se reformar.
Em todo o caso, o Capitão teve oportunidade de ser herói no jogo seguinte: o particular perante a República da Irlanda, no Estádio de Aveiro. Desta feita não estive lá – aliás, estive a trabalhar durante a primeira parte. Foi uma tarde tão agitada no trabalho que cheguei a esquecer-me que havia jogo da Seleção (estou a perder qualidades). Consegui dar uma espreitadela ao resultado quando já estava 1-0, mais nada – e já aí pensei que 1-0 era pouco.
E de facto consta que a Irlanda esteve muito fechada à defesa e foi preciso algum esforço para abrir o marcador, num lance de bola parada. Um canto batido à maneira curta e assistência de Bruno Fernandes para o belo remate de João Félix.
Ainda houve ocasião para Ronaldo bater um livre – depois de essencialmente dizer a si mesmo “Tu bates bem” – que infelizmente chocou com a trave.
Felizmente consegui ver a segunda parte, que todos garantem que foi melhor – e eu de facto achei agradável. Logo aos cinco minutos, após uma assistência teleguiada típica de Rúben Neves, Ronaldo marcou aquele que muitos consideram um dos melhores golos dele pela Seleção. Cerca de dez minutos depois, veio o segundo, após assistência de Diogo Jota. E ficou feito o resultado.
E hoje estreamo-nos no Europeu, perante a Chéquia. Tenho gostado imenso de ver imagens da Seleção sendo paparicada em Marienfeld. Imensas recordações do Mundial 2006, tal como previ. Gosto em particular das histórias de pessoas que eram bebés há dezoito anos, quando estiveram com a Seleção, e agora são jovens adultos.
Espero que não lhes faltem oportunidades para estarem com a Equipa de Todos Nós nas próximas semanas.
Estes particulares não mudaram radicalmente a minha opinião sobre as nossas hipóteses neste Europeu. Continuo mais otimista que nas últimas ocasiões – o que mesmo assim não é muito muito. Não acho que somos os maiores porque vencemos a Finlândia e a Irlanda, nem acho que deixamos de ser candidatos por termos perdido contra a Croácia.
Dito isto, não fiquei muito descansada com Martínez e alguns dos jogadores desvalorizaram a derrota no Jamor. Naquela fase, um bocadinho de dramatização seria saudável – quando havia tempo para fazer as correções necessárias.
Claro que era apenas conversa. Nada me garante que eles não estavam mais preocupados do que deram a entender e que não agiram de acordo nesta última semana e picos.
Parte de mim quer manter as expectativas baixas. Outra parte, no entanto, vê conversas como esta, de Ronaldo, e pensa: meias-finais é pouco. Quero chegar à final.
Diria que o mínimo aceitável são mesmo as meias-finais. Posso eventualmente mudar de ideias, dependendo da maneira como correr a fase de grupos – e concordo com Martínez quando diz que a Seleção irá continuar a crescer e que atingirá o nível máximo depois da fase de grupos. A verdade é que estou farta de ver esta geração desperdiçar oportunidade atrás de oportunidade. Já chega! Quero voltar a ganhar um título!
Mas pronto. Como sempre, falar é fácil, escrever é fácil. Quando a bola começar a rolar, logo à noite, é que a história começará a ser escrita, é que saberemos qual é o nosso verdadeiro valor.
Venha então o jogo com a Chéquia. Força Portugal! Vamos a eles!
No passado dia 16 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere… *consulta texto anterior aqui no blogue* liechtensteiniana por duas bolas a zero. Três dias mais tarde, a Seleção venceu a sua congénere islandesa pela mesma diferença de golos… e eu estive lá. Com estes dois jogos, ficou concluída a fase de Apuramento para o Euro 2024, que terá lugar na Alemanha. A Seleção ficou em primeiro lugar no grupo J e irá para o pote 1 no sorteio para a fase de grupos do Euro 2024, que decorrerá no próximo sábado, dia 2 de dezembro.
Comecemos pelo jogo com o Liechtenstein. Vou ser sincera, não foi grande coisa. Arrisco-me a dizer que foi o nosso pior nesta fase de Qualificação.
Não que esteja surpreendida pela exibição. Olhemos para as circunstâncias: este era um jogo que já não contava para nada. Não contava para o primeiro lugar, nem sequer contava para os potes do sorteio. Em termos práticos era um amigável. E naturalmente o Selecionador Roberto Martínez aproveitou a ocasião para inventarfazer experiências – estratégias a que os Marmanjos não estão tão habituados. Além disso, foi fora de casa, durante uma fase intensa da temporada futebolística, perante uma seleção de microestado, de nível semi-profissional ou mesmo amador.
Em suma, não havia nada que convidasse a uma grande festa do futebol. Era daqueles jogos de que os treinadores gostam, mas os jogadores e dos adeptos não.
Foi frustrante para o meu lado pois consegui ver toda a primeira parte, em que não aconteceu nada de assinalável, e mal consegui ver a segunda, mais interessante. Culpa da hora de jantar e a televisão da cozinha, mais velha que a larga maioria da Seleção atual.
Ao menos consegui ver o golo de Cristiano Ronaldo, no início da segunda parte. Ele que, sem surpresas, estava com ganas. Já em cima do intervalo falhara um pontapé de bicicleta (ele tem um bocadinho de azar com eles, não é?) e, no primeiro minuto da segunda parte, enviara uma bola ao poste.
No minuto seguinte, Diogo Jota isolou Ronaldo pela esquerda, este rematou e a bola finalmente entrou. Capitão ao resgate, como tantas vezes antes.
Não consegui ver o golo de João Cancelo em direto, o que é uma pena. A assistência foi de António Silva, depois disso Cancelo fez tudo sozinho. Fintou o guarda-redes (no vídeo da Sport TV, um dos comentadores até se riu) e rematou de um ângulo difícil, entre dois defesas do Liechtenstein.
Ainda houve tempo para José Sá mostrar o que vale, na sua estreia pela Seleção (custou-me a acreditar, confesso. Convocado há anos e só agora é que calçou as luvas). E para o VAR anular um golo a Gonçalo Ramos por fora-de-jogo, na sequência de um livre.
Uma palavra para o público adepto de Portugal, que se fez ouvir durante todo o jogo. É o costume em países como este, acessíveis aos emigrantes, e é sempre agradável. Por outro lado, em defesa dos liechtensteinianos, segundo uma reportagem que vi na RTP3 antes do jogo, a população de Vaduz, a capital, é de cinco mil. Eles não conseguiriam encher o estádio sem deixar a cidade às moscas.
Ao menos os liechtensteinianos ficaram com o orgulho de terem impedido uma goleada da nossa parte. Por nosso lado, ficámos contentes com a nona vitória na Qualificação. Ainda assim, eu desejei que o jogo seguinte fosse melhor.
E foi.
O jogo com a Islândia decorreu no vigésimo-sexto aniversário da minha irmã – e dez anos depois da inesquecível segunda mão dos play-offs frente à Suécia. Aqui entre nós, tenho inveja dela. Faço anos em janeiro, nunca há jogos da Seleção nessa altura do ano. Em todo o caso, como forma de festejar, fomos todos a Alvalade – casa do Sporting dela. Eu, ela, o seu namorado e os nossos pais.
Chegámos cedo e não tivemos dificuldade em entrar. É a vantagem de o jogo ter sido ao domingo e de Alvalade ter bons acessos.
O pior é que ando com azar e/ou falta de jeito para lugares. Fui eu quem comprou os bilhetes no Continente – já deviam ser os últimos. Não me lembro se fui eu ou a senhora que me atendeu quem escolheu os lugares. Só sei que ficámos na bancada de cima. Tivemos de subir vários lanços de escada – como disse um vizinho nosso, foi um aquecimento ainda mais rigoroso que o dos jogadores. Ainda me afligi com os joelhos da minha mãe, mas felizmente ela não se queixou.
Os lugares em si ficavam literalmente na fila mais acima. Quase batíamos com a cabeça na pala. A visibilidade era péssima – como podem ver na fotografia, era como se víssemos o campo no fundo de um túnel. Nem sequer conseguíamos ver os ecrãs nos cantos do estádio. Mal conseguíamos identificar os jogadores – o que foi chato durante o jogo.
Em defesa deles, os meus pais pelo menos não se importaram. Mal por mal, via-se o campo todo, o que nem sempre é possível nas bancadas mais abaixo. Mas eu gosto de estar próxima dos jogadores, mesmo que às vezes não veja o que se passa do outro lado do campo.
Ainda assim, deu para sentir o ambiente fantástico em Alvalade, com pirotecnia e tudo. Foi a primeira vez que vi um espetáculo assim num estádio. E nós, no público, fizemos barulho durante praticamente o jogo todo – os bate-palmas foram bem utilizados.
O jogo foi, de facto, melhor que o anterior, em parte porque Martínez inventou menos. Portugal entrou bem, com muitas oportunidades – um remate de cabeça de Cristiano Ronaldo no primeiro minuto, uma bola ao poste de Otávio ao sétimo minuto, entre outros. Muitos outros.
Foi um problema recorrente nesta dupla jornada, aliás: dificuldades na finalização. Neste compromisso não fez mal, mas em jogos mais importantes, perante adversários de maior calibre, poderá ser problemático.
Terá de ir para a lista de problemas a resolver antes do Europeu.
Felizmente, o marcador mexeu-se aos trinta e seis minutos, com um belo remate do canto da grande área. Só consegui identificar o pistoleiro porque este, nos festejos, tapou as orelhas – um gesto para a Matilde, a filha mais velha de Bruno Fernandes.
Foi um belo golo, após uma troca deliciosa de bola entre ele e Bernardo Silva.
Na segunda parte houveram mais oportunidades desperdiçadas, sobretudo de Cristiano Ronaldo. Eu queria muito um golo dele porque “SIIIII!!!!!!” e ele, de facto, esforçou-se. E nós puxámos por ele, cantámos por ele. Infelizmente, não foi a noite de Ronaldo.
O segundo golo foi marcado no meio de alguma confusão. Do meu lugar não se conseguia ver bem quem marcou e ainda ficámos no escuro durante algum tempo – o speaker em Alvalade não se dignou a anunciar o marcador. Ainda pensei que tivesse sido João Félix mas não. Foi Ricardo Horta.
Isto cinco minutos após ter entrado em campo. Já é habitual com ele.
Em defesa da minha primeira percepção, foi João Félix quem fez o primeiro remate, defendido pelo guarda-redes. Cristiano ainda tentou a recarga, falhou. Horta tentou e foi bem sucedido. Ficou feito o resultado.
Antes de terminar, uma palavra apenas para o aplauso de Alvalade à entrada de João Neves. Martínez tinha pedido para se deixar as rivalidades de lado e, de qualquer forma, gosto de pensar que o público não seria cruel com um jogador tão novinho ainda. Não devia ter sido necessário pedi-lo, tais aplausos deviam ser a norma, temos a fasquia demasiado baixa.
Mas gostei à mesma. Temos de começar por algum lado.
E foi isto. Ficaram a faltar mais golos, sobretudo de Cristiano, e uns lugares melhores, mas foi uma noite bem passada, um aniversário bem passado. Estive no início desta fase de Qualificação e no final desta. Concluímos este Apuramento sem mácula, como eu desejava há muito tempo, com trinta e seis golos marcados e apenas dois sofridos. Nenhuma outra seleção fez melhor do que nós.
Correndo o risco de repetir o que já escrevi em textos recentes, sim, o nosso grupo era acessível, mas já tivemos grupos acessíveis antes. Por exemplo, o nosso grupo da Qualificação para o Mundial 2022 não era muito mais difícil do que este – a Sérvia é um pouco melhor que a Islândia ou a Eslováquia, na minha opinião, mas só isso – e toda a gente se lembra de como issocorreu. Contrariar a nossa mania da auto-sabotagem é um feito significativo. Temos direito a sentirmo-nos orgulhosos.
Foi um bom ano para a Seleção, em suma. Tranquilo. Sê-lo-ia sempre com este grupo de Apuramento, a menos que as coisas corressem mesmo muito mal. Mas não deixa de saber bem depois da agitação de 2021 e 2022. Como tinha previsto, este foi um ano para Roberto Martínez se adaptar à Seleção. O verdadeiro teste será agora, em 2024, com o Europeu. Para o qual partimos com ambições.
E, falando por mim, sim, soube-me bem o ano mais tranquilo, mas já ando com desejos de alguma adrenalina.
O que nos leva aos sorteios para a fase de grupos, este sábado. Portugal está no pote 1, evitando uma série de tubarões. Não teremos de novo um cenário como o do Euro 2020. Aliás, não deveremos ter um grupo demasiado difícil. O pior que nos pode acontecer seria encontrarmos os Países Baixos (nossos fregueses, como dizia Luiz Felipe Scolari) e a Itália (detentora do título mas que nem sequer foi ao Mundial 2022). Arrisco-me a dizer que quem sobreviveu a um grupo com a Alemanha e a França, quando estávamos numa fase bem menos estável, sobrevive a qualquer coisa, nas atuais circunstâncias.
…meu Deus, espero não vir a arrepender-me destas palavras. Já se sabe: isto na teoria é tudo muito bonito. Na prática é que se vê.
Costumo escrever um texto analisando os resultados do sorteio, mas não sei se faço o mesmo desta vez. Vou estar ocupada este fim-de-semana, nem deverei acompanhar a cerimónia em si.
A parte mais chata é que, agora, a Seleção só se reúne de novo daqui a quatro meses. Para um particular em Guimarães, frente à Suécia, e outro com adversário a definir – vai depender dos resultados do sorteio. É muito tempo, muita coisa pode – não não, vai – mudar até lá. Nos últimos dois, três anos, vínhamos de desilusões e o hiato deu jeito para lamber as feridas. Agora vai custar mais.
Mas pronto, havemos de sobreviver. Só espero que não hajam lesões graves que impeçam Marmanjos de virem ao Europeu.
Para o caso de não haver nenhuma crónica pós-sorteio, deixo já aqui os meus votos de Boas Festas e de Feliz Ano Novo. Que 2024 seja um ano muito muito feliz para a Seleção.
No passado dia 8 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere eslovaca por uma bola sem resposta. Três dias depois, a Seleção venceu a sua congénere luxemburguesa por nada menos que nove bolas sem resposta. Ambos os jogos contaram para a Qualificação para o Euro 2024.
Tenho muito pouco a dizer sobre o jogo com a Eslováquia. Não lhe prestei muita atenção. Para além de andar distraída com outras coisas, fui jantar fora nessa noite. Ainda consegui ver uma parte generosa do jogo na televisão, no restaurante, o resto acompanhei pela rádio.
Mesmo quando podia ver, o jogo não me cativava – nem a mim nem a ninguém. Como muitos assinalaram, Portugal não entrou bem no jogo, atacando sem eficácia, cometendo erros defensivos que, felizmente, os eslovacos não conseguiram aproveitar.
O maior exemplo foi quando um deles rematou ao poste, aos quarenta e dois minutos. Deve ter servido de alerta – no minuto seguinte, chegámos finalmente ao golo.
Bruno Fernandes fez tudo sozinho nesta. Estava mais de metade da seleção eslovaca na grande área. O Marmanjo entrou pela direita, rematou de um ângulo difícil mas a bola entrou.
Este golo tem sido comparado com um de Eusébio à seleção da antiga Checoslováquia em 1965. Terá um dos jogos mais marcantes da Qualificação para o inesquecível Mundial de 66 – os checos eram vice-campeões do Mundo em título na altura. Na minha opinião, o golo do Eusébio foi melhor. Ele pegou na bola mesmo na minha do meio-campo e galgou até quase à linha do fundo. Num terreno de péssima qualidade.
É por estas e por outras que acredito que nunca ninguém ultrapassará Eusébio. Porque ele foi o Melhor do Mundo em circunstâncias bem mais agrestes.
Regressando ao passado recente, como toda a gente disse, Bruno era o menino dos anos, mas fomos nós que recebemos a prenda. Terá sido o nosso melhor em campo – em parte por demérito dos restantes. Tal como tem acontecido várias vezes nos últimos anos, Portugal com um desempenho assim-assim durante a maioria do jogo, conseguindo a vitória graças a um lampejo de inspiração de uma das nossas grandes figuras.
A segunda parte foi melhorzinha, mas continuou sem entusiasmar. O único evento assinalável foi o cartão amarelo de Cristiano Ronaldo, que o excluiu do jogo com o Luxemburgo. O Capitão não estava nos seus dias, mas parecia desesperado por marcar. O meu pai acha que ele tem noção de que a sua carreira está na fase do ocaso, logo, quer agarrar todas as oportunidades de golo como se fossem as últimas. No seu ímpeto, o pobre guarda-redes eslovaco levou com os pitons de Ronaldo.
Toda a gente viu que não foi com más intenções. Até porque Ronaldo fez logo gestos pedindo desculpa. Mas o cartão amarelo foi bem mostrado. Foi uma jogada perigosa e, de qualquer forma, o guarda-redes na grande área é intocável.
Cristiano Ronaldo falhou, assim, o jogo com o Luxemburgo. Jogo é como quem diz… aquilo foi mais chuva de golos que outra coisa qualquer.
Sou muito apologista do respeito pelo adversário e de só fazer prognósticos no fim do jogo. Mas, aqui entre nós, todos sabíamos que o mais certo era sairmos do Estádio do Algarve com uma goleada no bolso.
Não que achasse que o Luxemburgo não fosse capaz de dar luta. Pelo contrário, eles estão em terceiro no grupo, na corrida para se Qualificarem para o Europeu. Se não marcássemos cedo, o jogo poderia complicar-se sem necessidade.
Como se poderá concluir do resultado final, não havia motivo para preocupações.
Nos últimos anos de blogue, uma das minhas partes preferidas nestes textos tem sido descrever os golos da Seleção. É pura auto-indulgência, desnecessário, sobretudo agora que os vídeos vêm logo parar aos YouTubes desta vida. Mas eu gosto. Sou eu aplicando o meu filtro pessoal. É a minha maneira de romantizar, de imortalizar.
E, sejamos sinceros, noventa por cento deste blogue é auto-indulgência.
No que toca a este jogo, no entanto, temos nove golos. Vou descrevê-los, mas com diferentes graus de detalhe – são muitos!
Houve nota artística logo no primeiro golo. Bruno Fernandes fez uma assistência de trivela e Gonçalo Inácio estreou-se a marcar de cabeça. A jogada do segundo também começou com Bruno, passou por uma assistência de Bernardo Silva e terminou com um tiro de Gonçalo Ramos.
O terceiro golo teve a mesma assinatura, mas uma assistência diferente: uma arrancada de Rafael Leão à moda antiga, pela esquerda. Adorei a meia-volta que Ramos deu ao receber a bola – antes de passar entre dois luxemburgueses e rematar.
Eu também já faço as pistolas com os dedos quando ele marca.
O quarto golo, em cima do intervalo, foi idêntico ao primeiro: Bruno Fernandes com uma assistência ligeiramente menos artística para a cabeça de Gonçalo Inácio.
Acho que todos concordamos que este miúdo provou que merece vir mais vezes à Seleção.
Não esperava que os Marmanjos mantivessem o mesmo ímpeto durante a segunda parte. E, de facto, eles abrandaram durante os primeiros quinze minutos. Mas depois o marcador tornou a funcionar e, uma vez mais, tudo começou com Bruno Fernandes. O Marmanjo esteve em todas! Desta feita, foi uma daquelas à distância, teleguiada, isolando Diogo Jota. Este, depois de ter falhado umas quantas na primeira parte, finalmente marcou.
Jota também esteve no golo seguinte: uma assistência para o remate potente do recém-lançado Ricardo Horta – que, pelos vistos, não precisa de muitos minutos para marcar. Depois desse, Jota tornou a marcar. Entrou na grande área pela esquerda. Pareceu-me que queria passar a Otávio, mas a assistência acabou por vir de um jogador luxemburguês, simpático ao ponto de devolver a bola a Jota para que este rematasse.
E depois de ter oferecido tantas aos colegas, foi a vez de Bruno Fernandes assinar um golo. A assistência foi de Ricardo Horta – os luxemburgueses não fizeram nada para os travar. Arrisco-me a dizer que, neste momento, Bruno Fernandes é o melhor jogador da Seleção.
Nesta dupla jornada, pelo menos.
Foi depois deste golo, se não me engano, que o selecionador do Luxemburgo abandonou o banco – perdendo de imediato o meu respeito. O mínimo que se exige a um treinador é que fique com a sua equipa aconteça o que acontecer – o mínimo!
É certo que o selecionador luxemburguês não se ausentou durante muito tempo. Pode dar a desculpa de ter ido ao WC. A minha mãe disse que ele foi vomitar.Ainda assim, não ficou bem.
João Félix encerrou a conta com um tiro bem jeitoso. Alguns de vocês terão reparado que alguém no Twitter prometera correr nu à volta do Marquês de Pombal caso Félix marcasse. Pois bem, o Marmanjo fez retweet, colocando o autor na berlinda.
Fiquei com uma certa pena por não termos chegado aos dois algarismos. Tirando isso, nada a apontar. Nove a zero, o nosso resultado mais dilatado de sempre. Sim, era o Luxemburgo, que nunca foi um tubarão. Mas era um Luxemburgo que está na luta pelo Apuramento. Esperava-se melhor. A nossa Qualificação continua imaculada – mais do que isso, está a ser fértil. Vinte e quatro golos marcados, nenhum sofrido. Nenhuma seleção se tem saído tão bem neste Apuramento.
Pode-se argumentar que Portugal não está a fazer mais do que a sua obrigação, tendo em conta o calibre dos adversários e o talento de que dispõe. Mas, da minha experiência, Portugal muitas vezes tem dificuldades em cumprir obrigações. Não é a primeira vez que nos calha um grupo fácil, mas é a primeira vez que temos um desempenho assim.
Roberto Martínez dá o crédito aos jogadores por este feito, elogiando “a concentração e o compromisso”. Por exemplo, Martínez gostou do facto de Portugal ter mantido o ritmo na segunda parte. Eu também. Não levaria mal se tivessem abrandado – não era por mais golo ou menos golo – mas gostei que isso não tivesse acontecido.
Ora, à boa maneira tuga, passámos logo do oito ao oitenta. Depois do jogo com a Eslováquia, toda a gente criticava a qualidade de jogo da Equipa de Todos Nós. Com razão, regra geral. Três dias depois, no entanto, já estava tudo cor-de-rosa. Nomeadamente no que toca à questão Cristiano Ronaldo, se estamos melhor com ele ou sem ele.
É possível que tivéssemos uma vitória menos dilatada caso Ronaldo tivesse jogado. Com ele em campo, em vez de tentarem marcar eles mesmos, talvez os outros sentissem a tentação de lhe passar a bola. “Deixa o avozinho tentar marcar, coitado, enquanto ainda tem pernas para isso.” Mas pronto, seria a diferença entre ganhar nove a zero ou ganhar seis a zero, como em março. O recorde batido soube bem, mas a vantagem foi só essa.
Além disso, o Luxemburgo não é a Suíça. Não se podem tirar grandes ilações de um jogo em que o adversário praticamente não existiu.
E depois temos o extremo oposto. “Pois, perante o Luxemburgo até a minha avozinha! O que vamos fazer quando levarmos com um peso pesado?” Não me interpretem mal, é uma dúvida legítima, algo em que eu mesma tenho pensado.
Por outro lado… de que adianta falar sobre isso agora? Este foi o grupo que nos calhou, temos um calendário para cumprir. Não nos preocupemos: quando garantirmos um lugar no Euro 2024, é só uma questão de tempo até nos cruzarmos com um tubarão. Aí poderemos tirar as dúvidas todas.
Aliás, Martínez já disse que quer garantir matematicamente o Apuramento o mais depressa possível. Os restantes jogos servirão para treinar.
Vai em linha com o que já disse antes. Com um grupo de Apuramento fácil como este e fazendo tudo bem, como Portugal tem feito até agora, 2023 seria sempre um ano de transição, um ano de adaptação para Martínez antes dos desafios de 2024. Pouco interessante em certos momentos, sim. Como disse o Gonzaal no outro dia, em linguagem de anime ou mesmo de séries de televisão, estamos a meio de um arco filler. Os guionistas estão a encher chouriços, a fazer tempo até à parte gira da história – neste caso, o Euro 2024.
Sim, costuma ser uma seca. Mas, como deu para ver com o jogo com o Luxemburgo, de vez em quando apanhamos pedaços saborosos no meio destes enchidos.
Havemos de continuar à espera deles deste lado. Bem, mais ou menos. Não se admirem se, antes da próxima dupla jornada, não houver crónica pré-jogos. São adversários repetidos, não devemos ter muito sobre que falar. A menos que haja alguma grande polémica na Convocatória – e mesmo assim. Em todo o caso, como habitual, vou deixando as minhas impressões na página do Facebook.
Na próxima quinta-feira, dia 23 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontar a sua congénere… *pesquisa no Google*... liechtensteiniana (?) no Estádio de Alvalade… e eu estarei lá! Três dias mais tarde, desloca-se ao Luxemburgo para defrontar a seleção local. Ambos os jogos contam para a Qualificação para o Euro 2024. Serão também os primeiros jogos da Seleção com o técnico Roberto Martínez ao leme.
Pois… Comecemos por aí.
Roberto Martínez foi anunciado como Selecionador no início deste ano – a escolha de Selecionador mais controversa de que me recordo. A minha reação foi a mesma de toda a gente: tínhamo-nos finalmente livrado de Fernando Santos, o treinador que não soubera aproveitar uma das gerações mais talentosas do futebol português, apenas para ficarmos com o treinador que não soubera aproveitar uma das gerações mais talentosas do futebol belga. E Fernando Santos ao menos conseguira títulos.
Juntando a isso, nas semanas que se seguiram, passei por uma fase de alguma tristeza pelo fim do ciclo de Fernando Santos – que entretanto foi treinar a seleção da Polónia. Com todos os defeitos, foram oito anos e dois títulos – e eu, por norma, não lido bem com mudanças. As últimas duas trocas de treinador foram entre as jornadas de setembro e outubro, passaram poucas semanas entre a apresentação e os primeiros jogos – não deu tempo para pensar muito no que tinha acabado.
Na preparação deste texto olhei melhor para o currículo de Martínez e fiquei um bocadinho mais descansada – e, ao mesmo tempo, um bocadinho mais preocupada. Martínez está longe de ser o pior treinador do mundo. O problema é que cada sucesso tem um senão, é capaz do melhor e do pior ao mesmo tempo. Martínez ajudou o Wigan Athletic a ganhar a sua primeira Taça de Inglaterra em 2013… na mesma época em que o clube foi despromovido da Premier League. Ajudou o Everton a atingir a sua maior pontuação de sempre na Premier League na época seguinte, mas foi despedido dois anos depois, numa altura em que os adeptos já não podiam vê-lo à frente (explica alguns comentários que vi nas internetes quando Martínez foi contratado).
Por fim, conforme vimos acima, Martínez esteve na seleção da Bélgica desde 2016. Sempre conseguiu ao melhor desempenho de sempre dos belgas: o terceiro lugar no Mundial 2018. Não é um feito menor. Tinha Martínez a obrigação de fazer melhor? Depende do critério de cada um. Eu acho que, tendo em conta todo o hype que se montou em torno da seleção belga, esperava-se pelo menos, vá lá, uma Liga das Nações.
Dito isto, não sei se Martínez é o único culpado dos desempenhos belgas abaixo das expectativas. Dizem que ele é “conservador” – pode ser um eufemismo para “casmurro” – mas também dizem que o ambiente entre os jogadores belgas não é o mais saudável, com vários egos em rota de colisão – sobretudo no último Mundial. Nesse aspeto, Portugal sai-se melhor na comparação. Também temos um ego ou outro – não é, menino Cristiano? – mas tudo indica que o ambiente é bom.
Também confesso que não adoro a ideia de termos um Selecionador estrangeiro. Sobretudo um espanhol, tradicionalmente um rival nosso em termos de seleções. Mas isto é apenas um capricho meu, está longe de ser uma objeção a sério. Até porque Martínez está a aprender português, já fala bastante bem – respeito!
Talvez por causa de toda a polémica, a comunicação da FPF tem feito uma espécie de campanha por Roberto Martínez, tantando fazer com que o público simpatize com ele. Iniciativas como a entrevista com perguntas de adeptos, o vídeo mostrando um dia de trabalho de Martínez, o documentário do Canal 11 – essencialmente uma biografia do novo Selecionador.
Se me permitem mais uma referência a Ted Lasso, isto tudo recorda-me uma das minhas deixas preferidas da série: “Damn it, Paul! Don’t humanize him!”. Fica mais difícil ter má vontade para com Martínez depois de conhecermos o sítio onde cresceu, de o vermos descobrindo o que é “fazer um cabrito”, de sabermos que ele e a mulher compraram um sofá em “L” para que cada um possa ver o que quer na televisão.
Não que eu ache que a Federação esteja a fazer mal – e é bem possível que fizessem isto independentemente de quem escolhessem para Selecionador. E mesmo sem a campanha da FPF, falando por mim, eu daria sempre o benefício da dúvida a Martínez. Nem é apenas otimismo puro e duro. Como expliquei aquando do Mundial, o pessimismo não me traz felicidade nenhuma, não ajuda ninguém. Além disso, a vantagem de este ser um grupo de Qualificação teoricamente fácil é que dará espaço a Martínez para se adaptar à Seleção. E por muitos defeitos que apontem ao novo Selecionador, a Bélgica teve bons desempenhos nos Apuramentos (daí terem passado tanto tempo no topo do ranking da FIFA). Espero que Martínez replique isso com Portugal.
Falemos, então, sobre a Convocatória. Como toda a gente, estava curiosa, não sabia o que esperar. Pois bem, Martínez saiu-se com uma lista idêntica à que Fernando Santos faria. As únicas novidades foram Diogo Leite e Gonçalo Inácio, merecidamente.
Tive pena de não haverem mais nomes fora do habitual. Como, por exemplo, Fiorentino, Nuno Santos ou Pedro Gonçalves – este último apenas para ter uma desculpa para escrever sobre a sua candidatura ao Puskasaqui no blogue. Tirando isso, esta Convocatória não me incomoda… muito. Martínez explicou que esta lista é um “ponto de partida”. O novo Selecionador deve querer ficar a conhecer o grupo, as dinâmicas, ver o que já está construído antes de remodelar à sua maneira.
São opções, são métodos de trabalho como quaisquer outros. Não estão certos nem errados por si só. Também não acho que o problema de Fernando Satnos tenha sido os jogadores que Convocava. Além disso, perante adversários como estes, sem querer desvalorizar demasiado, qualquer amostra da população atual de jogadores portugueses dará conta do recado. No fim do dia, os resultados é que interessam – o que não deverá ser problema, desde que os Marmanjos façam as coisas como deve ser.
Uma palavra para Cristiano Ronaldo, claro. Depois do texto anterior, este mudou-se para o Al Nassr, na Arábia Saudita. Durante muito tempo ficou a dúvida sobre se ele voltaria a ser Convocado. Neste contexto, eu aceitava ambas as opções. Martínez escolheu Chamá-lo, eu fico contente. Ache-se o que se achar da mudança de Ronaldo para as Arábias, ao menos o inferno mediático que foi a saída dele do Manchester United já faz parte do passado. Além disso, os nossos adversários nesta jornada estarão mais ou menos ao mesmo nível competitivo que a maior parte das equipas da Arábia Saudita.
E depois temos as razões do coração. Vou ao jogo com o Liechtenstein com os meus pais e posso ou não ter convencido a minha mãe dizendo que esta pode ser uma das nossas últimas oportunidades para ver Ronaldo jogar. Fui sincera. Entristece-me pensar que temos os “SIIII!!!” em coro com todo o estádio contados. Não me importo nada de adiar um pouco mais a despedida – como disse acima, não gosto de mudanças e esta será uma das grandes.
Falemos, então, sobre os nossos adversários. Era capaz de jurar que tínhamos jogado com o Liechtenstein pelo menos uma vez nos últimos dez anos. Parece que não. O nosso último jogo foi em agosto de 2009, há quase catorze anos. Já tinha o blogue aquando desse jogo – um amigável que vencemos por 3-0, com golos de Raúl Meireles e dois de Hugo Almeida – mas não me recordo de nada dele. Nem faço questão de recordar, aqui entre nós.
Recordo-me um pouco melhor dos dois confrontos anteriores, durante a Qualificação para o Mundial 2006. É possível que já tenha escrito sobre eles em 2009, mas não quero sujeitar-vos à minha escrita de há catorze anos. Prefiro escrever sobre isso de novo do que deixar link para um texto de 2009.
No primeiro jogo, empatámos 2-2, o que na altura foi um escândalo. Um ano mais tarde, estive no jogo em casa, no Estádio de Aveiro – provavelmente, o meu preferido – com os meus pais e irmãos. Os liechtensteinianos marcaram primeiro: lembro-me bem de levar as mãos à cara enquanto a bola rolava para a nossa baliza. Por entre manifestações de exasperação na nossa bancada, um senhor de idade, adepto do Liechtenstein, festejou efusivamente o golo nas escadas. Nós, na bancada, acabámos por lhe bater palmas.
Claro que os Marmanjos acabaram por dar a volta ao resultado e selaram a Qualificação para o Mundial – eu ergui um cartaz onde tinha escrito “Próxima paragem: Alemanha 2006”. Em todo o caso, esta história serve para nos recordarmos do perigo que é assumirmos que são favas contadas. Mas, na verdade, o próprio João Félix recordou-nos uma história bem mais recente de assumirmos que são favas contadas.
Vamos, então, cruzarmo-nos com o Liechtenstein numa fase de Apuramento, quase dezoito anos depois (chiça, estou velha…). Acabo de perceber agora que, uma vez mais, o destino final é a Alemanha. Estarei lá para dar as boas-vindas a Roberto Martínez. Que os erros de 2004 e 2005 não se repitam.
Quanto ao Luxemburgo, ao contrário do Liechtenstein, temos recordações recentes deles – os luxemburgueses estiveram nos nossos dois últimos Apuramentos. Assim, não me vou alongar muito. Recordo apenas que, apesar de serem uma seleção de microestado, estão um ou dois degraus acima do Liechtenstein e temos tido dificuldades nas nossas visitas lá.
Estou à espera de vitórias em ambos os jogos. Quero uma fase de Qualificação tranquila, ao contrário das últimas duas. Até porque a vida não está fácil para ninguém, precisamos de alegrias. Que estejamos todos errados em relação a Roberto Martínez (quando digo “todos”, falo dos pessimistas, claro).
Obrigada pela vossa visita, como sempre. Visitem a nossa página no Facebook. Até à próxima.