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O Meu Clube É a Seleção!

Mulher de muitas paixões, a Seleção Nacional é uma delas.

Sem mácula!

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No passado dia 16 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere… *consulta texto anterior aqui no blogue* liechtensteiniana por duas bolas a zero. Três dias mais tarde, a Seleção venceu a sua congénere islandesa pela mesma diferença de golos… e eu estive lá. Com estes dois jogos, ficou concluída a fase de Apuramento para o Euro 2024, que terá lugar na Alemanha. A Seleção ficou em primeiro lugar no grupo J e irá para o pote 1 no sorteio para a fase de grupos do Euro 2024, que decorrerá no próximo sábado, dia 2 de dezembro.

 

Comecemos pelo jogo com o Liechtenstein. Vou ser sincera, não foi grande coisa. Arrisco-me a dizer que foi o nosso pior nesta fase de Qualificação. 

 

Não que esteja surpreendida pela exibição. Olhemos para as circunstâncias: este era um jogo que já  não contava para nada. Não contava para o primeiro lugar, nem sequer contava para os potes do sorteio. Em termos práticos era um amigável. E naturalmente o Selecionador Roberto Martínez aproveitou a ocasião para inventar fazer experiências – estratégias a que os Marmanjos não estão tão habituados. Além disso, foi fora de casa, durante uma fase intensa da temporada futebolística, perante uma seleção de microestado, de nível semi-profissional ou mesmo amador. 

 

Em suma, não havia nada que convidasse a uma grande festa do futebol. Era daqueles jogos de que os treinadores gostam, mas os jogadores e dos adeptos não.

 

Foi frustrante para o meu lado pois consegui ver toda a primeira parte, em que não aconteceu nada de assinalável, e mal consegui ver a segunda, mais interessante. Culpa da hora de jantar e a televisão da cozinha, mais velha que a larga maioria da Seleção atual. 

 

Ao menos consegui ver o golo de Cristiano Ronaldo, no início da segunda parte. Ele que, sem surpresas, estava com ganas. Já em cima do intervalo falhara um pontapé de bicicleta (ele tem um bocadinho de azar com eles, não é?) e, no primeiro minuto da segunda parte, enviara uma bola ao poste.

 

No minuto seguinte, Diogo Jota isolou Ronaldo pela esquerda, este rematou e a bola finalmente entrou. Capitão ao resgate, como tantas vezes antes. 

 

 

Não consegui ver o golo de João Cancelo em direto, o que é uma pena. A assistência foi de António Silva, depois disso Cancelo fez tudo sozinho. Fintou o guarda-redes (no vídeo da Sport TV, um dos comentadores até se riu) e rematou de um ângulo difícil, entre dois defesas do Liechtenstein. 

 

Ainda houve tempo para José Sá mostrar o que vale, na sua estreia pela Seleção (custou-me a acreditar, confesso. Convocado há anos e só agora é que calçou as luvas). E para o VAR anular um golo a Gonçalo Ramos por fora-de-jogo, na sequência de um livre.

 

Uma palavra para o público adepto de Portugal, que se fez ouvir durante todo o jogo. É o costume em países como este, acessíveis aos emigrantes, e é sempre agradável. Por outro lado, em defesa dos liechtensteinianos, segundo uma reportagem que vi na RTP3 antes do jogo, a população de Vaduz, a capital, é de cinco mil. Eles não conseguiriam encher o estádio sem deixar a cidade às moscas. 

 

Ao menos os liechtensteinianos ficaram com o orgulho de terem impedido uma goleada da nossa parte. Por nosso lado, ficámos contentes com a nona vitória na Qualificação. Ainda assim, eu desejei que o jogo seguinte fosse melhor.

 

E foi. 

 

O jogo com a Islândia decorreu no vigésimo-sexto aniversário da minha irmã – e dez anos depois da inesquecível segunda mão dos play-offs frente à Suécia. Aqui entre nós, tenho inveja dela. Faço anos em janeiro, nunca há jogos da Seleção nessa altura do ano. Em todo o caso, como forma de festejar, fomos todos a Alvalade – casa do Sporting dela. Eu, ela, o seu namorado e os nossos pais.

 

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Chegámos cedo e não tivemos dificuldade em entrar. É a vantagem de o jogo ter sido ao domingo e de Alvalade ter bons acessos. 

 

O pior é que ando com azar e/ou falta de jeito para lugares. Fui eu quem comprou os bilhetes no Continente – já deviam ser os últimos. Não me lembro se fui eu ou a senhora que me atendeu quem escolheu os lugares. Só sei que ficámos na bancada de cima. Tivemos de subir vários lanços de escada – como disse um vizinho nosso, foi um aquecimento ainda mais rigoroso que o dos jogadores. Ainda me afligi com os joelhos da minha mãe, mas felizmente ela não se queixou. 

 

Os lugares em si ficavam literalmente na fila mais acima. Quase batíamos com a cabeça na pala. A visibilidade era péssima – como podem ver na fotografia, era como se víssemos o campo no fundo de um túnel. Nem sequer conseguíamos ver os ecrãs nos cantos do estádio. Mal conseguíamos identificar os jogadores – o que foi chato durante o jogo. 

 

Em defesa deles, os meus pais pelo menos não se importaram. Mal por mal, via-se o campo todo, o que nem sempre é possível nas bancadas mais abaixo. Mas eu gosto de estar próxima dos jogadores, mesmo que às vezes não veja o que se passa do outro lado do campo. 

 

Ainda assim, deu para sentir o ambiente fantástico em Alvalade, com pirotecnia e tudo. Foi a primeira vez que vi um espetáculo assim num estádio. E nós, no público, fizemos barulho durante praticamente o jogo todo – os bate-palmas foram bem utilizados. 

 

O jogo foi, de facto, melhor que o anterior, em parte porque Martínez inventou menos. Portugal entrou bem, com muitas oportunidades – um remate de cabeça de Cristiano Ronaldo no primeiro minuto, uma bola ao poste de Otávio ao sétimo minuto, entre outros. Muitos outros. 

 

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Foi um problema recorrente nesta dupla jornada, aliás: dificuldades na finalização. Neste compromisso não fez mal, mas em jogos mais importantes, perante adversários de maior calibre, poderá ser problemático. 

 

Terá de ir para a lista de problemas a resolver antes do Europeu.

 

Felizmente, o marcador mexeu-se aos trinta e seis minutos, com um belo remate do canto da grande área. Só consegui identificar o pistoleiro porque este, nos festejos, tapou as orelhas – um gesto para a Matilde, a filha mais velha de Bruno Fernandes.

 

Foi um belo golo, após uma troca deliciosa de bola entre ele e Bernardo Silva.

 

Na segunda parte houveram mais oportunidades desperdiçadas, sobretudo de Cristiano Ronaldo. Eu queria muito um golo dele porque “SIIIII!!!!!!” e ele, de facto, esforçou-se. E nós puxámos por ele, cantámos por ele. Infelizmente, não foi a noite de Ronaldo.

 

O segundo golo foi marcado no meio de alguma confusão. Do meu lugar não se conseguia ver bem quem marcou e ainda ficámos no escuro durante algum tempo – o speaker em Alvalade não se dignou a anunciar o marcador. Ainda pensei que tivesse sido João Félix mas não. Foi Ricardo Horta. 

 

 

Isto cinco minutos após ter entrado em campo. Já é habitual com ele.

 

Em defesa da minha primeira percepção, foi João Félix quem fez o primeiro remate, defendido pelo guarda-redes. Cristiano ainda tentou a recarga, falhou. Horta tentou e foi bem sucedido. Ficou feito o resultado.

 

Antes de terminar, uma palavra apenas para o aplauso de Alvalade à entrada de João Neves. Martínez tinha pedido para se deixar as rivalidades de lado e, de qualquer forma, gosto de pensar que o público não seria cruel com um jogador tão novinho ainda. Não devia ter sido necessário pedi-lo, tais aplausos deviam ser a norma, temos a fasquia demasiado baixa. 

 

Mas gostei à mesma. Temos de começar por algum lado. 

 

E foi isto. Ficaram a faltar mais golos, sobretudo de Cristiano, e uns lugares melhores, mas foi uma noite bem passada, um aniversário bem passado. Estive no início desta fase de Qualificação e no final desta. Concluímos este Apuramento sem mácula, como eu desejava há muito tempo, com trinta e seis golos marcados e apenas dois sofridos. Nenhuma outra seleção fez melhor do que nós. 

 

Correndo o risco de repetir o que já escrevi em textos recentes, sim, o nosso grupo era acessível, mas já tivemos grupos acessíveis antes. Por exemplo, o nosso grupo da Qualificação para o Mundial 2022 não era muito mais difícil do que este – a Sérvia é um pouco melhor que a Islândia ou a Eslováquia, na minha opinião, mas só isso – e toda a gente se lembra de como isso correu. Contrariar a nossa mania da auto-sabotagem é um feito significativo. Temos direito a sentirmo-nos orgulhosos.

 

 

Foi um bom ano para a Seleção, em suma. Tranquilo. Sê-lo-ia sempre com este grupo de Apuramento, a menos que as coisas corressem mesmo muito mal. Mas não deixa de saber bem depois da agitação de 2021 e 2022. Como tinha previsto, este foi um ano para Roberto Martínez se adaptar à Seleção. O verdadeiro teste será agora, em 2024, com o Europeu. Para o qual partimos com ambições.

 

E, falando por mim, sim, soube-me bem o ano mais tranquilo, mas já ando com desejos de alguma adrenalina.

 

 O que nos leva aos sorteios para a fase de grupos, este sábado. Portugal está no pote 1, evitando uma série de tubarões. Não teremos de novo um cenário como o do Euro 2020. Aliás, não deveremos ter um grupo demasiado difícil. O pior que nos pode acontecer seria encontrarmos os Países Baixos (nossos fregueses, como dizia Luiz Felipe Scolari) e a Itália (detentora do título mas que nem sequer foi ao Mundial 2022). Arrisco-me a dizer que quem sobreviveu a um grupo com a Alemanha e a França, quando estávamos numa fase bem menos estável, sobrevive a qualquer coisa, nas atuais circunstâncias.

 

…meu Deus, espero não vir a arrepender-me destas palavras. Já se sabe: isto na teoria é tudo muito bonito. Na prática é que se vê.

 

Costumo escrever um texto analisando os resultados do sorteio, mas não sei se faço o mesmo desta vez. Vou estar ocupada este fim-de-semana, nem deverei acompanhar a cerimónia em si. 

 

Logo decido. E digo qualquer coisa na página

 

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A parte mais chata é que, agora, a Seleção só se reúne de novo daqui a quatro meses. Para um particular em Guimarães, frente à Suécia, e outro com adversário a definir – vai depender dos resultados do sorteio. É muito tempo, muita coisa pode – não não, vai – mudar até lá. Nos últimos dois, três anos, vínhamos de desilusões e o hiato deu jeito para lamber as feridas. Agora vai custar mais.

 

Mas pronto, havemos de sobreviver. Só espero que não hajam lesões graves que impeçam Marmanjos de virem ao Europeu. 

 

Para o caso de não haver nenhuma crónica pós-sorteio, deixo já aqui os meus votos de Boas Festas e de Feliz Ano Novo. Que 2024 seja um ano muito muito feliz para a Seleção. 

 

E para todos nós. 

Pedaços saborosos

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No passado dia 8 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere eslovaca por uma bola sem resposta. Três dias depois, a Seleção venceu a sua congénere luxemburguesa por nada menos que nove bolas sem resposta. Ambos os jogos contaram para a Qualificação para o Euro 2024.

 

Tenho muito pouco a dizer sobre o jogo com a Eslováquia. Não lhe prestei muita atenção. Para além de andar distraída com outras coisas, fui jantar fora nessa noite. Ainda consegui ver uma parte generosa do jogo na televisão, no restaurante, o resto acompanhei pela rádio. 

 

Mesmo quando podia ver, o jogo não me cativava – nem a mim nem a ninguém. Como muitos assinalaram, Portugal não entrou bem no jogo, atacando sem eficácia, cometendo erros defensivos que, felizmente, os eslovacos não conseguiram aproveitar.

 

O maior exemplo foi quando um deles rematou ao poste, aos quarenta e dois minutos. Deve ter servido de alerta – no minuto seguinte, chegámos finalmente ao golo.

 

 

Bruno Fernandes fez tudo sozinho nesta. Estava mais de metade da seleção eslovaca na grande área. O Marmanjo entrou pela direita, rematou de um ângulo difícil mas a bola entrou. 

 

Este golo tem sido comparado com um de Eusébio à seleção da antiga Checoslováquia em 1965. Terá um dos jogos mais marcantes da Qualificação para o inesquecível Mundial de 66 – os checos eram vice-campeões do Mundo em título na altura. Na minha opinião, o golo do Eusébio foi melhor. Ele pegou na bola mesmo na minha do meio-campo e galgou até quase à linha do fundo. Num terreno de péssima qualidade.

 

É por estas e por outras que acredito que nunca ninguém ultrapassará Eusébio. Porque ele foi o Melhor do Mundo em circunstâncias bem mais agrestes.

 

Regressando ao passado recente, como toda a gente disse, Bruno era o menino dos anos, mas fomos nós que recebemos a prenda. Terá sido o nosso melhor em campo – em parte por demérito dos restantes. Tal como tem acontecido várias vezes nos últimos anos, Portugal com um desempenho assim-assim durante a maioria do jogo, conseguindo a vitória graças a um lampejo de inspiração de uma das nossas grandes figuras. 

 

A segunda parte foi melhorzinha, mas continuou sem entusiasmar. O único evento assinalável foi o cartão amarelo de Cristiano Ronaldo, que o excluiu do jogo com o Luxemburgo. O Capitão não estava nos seus dias, mas parecia desesperado por marcar. O meu pai acha que ele tem noção de que a sua carreira está na fase do ocaso, logo, quer agarrar todas as oportunidades de golo como se fossem as últimas. No seu ímpeto, o pobre guarda-redes eslovaco levou com os pitons de Ronaldo. 

 

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Toda a gente viu que não foi com más intenções. Até porque Ronaldo fez logo gestos pedindo desculpa. Mas o cartão amarelo foi bem mostrado. Foi uma jogada perigosa e, de qualquer forma, o guarda-redes na grande área é intocável. 

 

Cristiano Ronaldo falhou, assim, o jogo com o Luxemburgo. Jogo é como quem diz… aquilo foi mais chuva de golos que outra coisa qualquer. 

 

Sou muito apologista do respeito pelo adversário e de só fazer prognósticos no fim do jogo. Mas, aqui entre nós, todos sabíamos que o mais certo era sairmos do Estádio do Algarve com uma goleada no bolso. 

 

Não que achasse que o Luxemburgo não fosse capaz de dar luta. Pelo contrário, eles estão em terceiro no grupo, na corrida para se Qualificarem para o Europeu. Se não marcássemos cedo, o jogo poderia complicar-se sem necessidade. 

 

Como se poderá concluir do resultado final, não havia motivo para preocupações. 

 

Nos últimos anos de blogue, uma das minhas partes preferidas nestes textos tem sido descrever os golos da Seleção. É pura auto-indulgência, desnecessário, sobretudo agora que os vídeos vêm logo parar aos YouTubes desta vida. Mas eu gosto. Sou eu aplicando o meu filtro pessoal. É a minha maneira de romantizar, de imortalizar.

 

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E, sejamos sinceros, noventa por cento deste blogue é auto-indulgência. 

 

No que toca a este jogo, no entanto, temos nove golos. Vou descrevê-los, mas com diferentes graus de detalhe – são muitos!

 

Houve nota artística logo no primeiro golo. Bruno Fernandes fez uma assistência de trivela e Gonçalo Inácio estreou-se a marcar de cabeça. A jogada do segundo também começou com Bruno, passou por uma assistência de Bernardo Silva e terminou com um tiro de Gonçalo Ramos.

 

O terceiro golo teve a mesma assinatura, mas uma assistência diferente: uma arrancada de Rafael Leão à moda antiga, pela esquerda. Adorei a meia-volta que Ramos deu ao receber a bola – antes de passar entre dois luxemburgueses e rematar.

 

Eu também já faço as pistolas com os dedos quando ele marca.

 

O quarto golo, em cima do intervalo, foi idêntico ao primeiro: Bruno Fernandes com uma assistência ligeiramente menos artística para a cabeça de Gonçalo Inácio.

 

 

Acho que todos concordamos que este miúdo provou que merece vir mais vezes à Seleção.

 

Não esperava que os Marmanjos mantivessem o mesmo ímpeto durante a segunda parte. E, de facto, eles abrandaram durante os primeiros quinze minutos. Mas depois o marcador tornou a funcionar e, uma vez mais, tudo começou com Bruno Fernandes. O Marmanjo esteve em todas! Desta feita, foi uma daquelas à distância, teleguiada, isolando Diogo Jota. Este, depois de ter falhado umas quantas na primeira parte, finalmente marcou. 

 

Jota também esteve no golo seguinte: uma assistência para o remate potente do recém-lançado Ricardo Horta – que, pelos vistos, não precisa de muitos minutos para marcar. Depois desse, Jota tornou a marcar. Entrou na grande área pela esquerda. Pareceu-me que queria passar a Otávio, mas a assistência acabou por vir de um jogador luxemburguês, simpático ao ponto de devolver a bola a Jota para que este rematasse. 

 

E depois de ter oferecido tantas aos colegas, foi a vez de Bruno Fernandes assinar um golo. A assistência foi de Ricardo Horta – os luxemburgueses não fizeram nada para os travar. Arrisco-me a dizer que, neste momento, Bruno Fernandes é o melhor jogador da Seleção. 

 

Nesta dupla jornada, pelo menos.

 

 

Foi depois deste golo, se não me engano, que o selecionador do Luxemburgo abandonou o banco – perdendo de imediato o meu respeito. O mínimo que se exige a um treinador é que fique com a sua equipa aconteça o que acontecer – o mínimo! 

 

É certo que o selecionador luxemburguês não se ausentou durante muito tempo. Pode dar a desculpa de ter ido ao WC. A minha mãe disse que ele foi vomitar. Ainda assim, não ficou bem.

 

João Félix encerrou a conta com um tiro bem jeitoso. Alguns de vocês terão reparado que alguém no Twitter prometera correr nu à volta do Marquês de Pombal caso Félix marcasse. Pois bem, o Marmanjo fez retweet, colocando o autor na berlinda. 

 

E, crédito seja dado, o bacano cumpriu.

 

Fiquei com uma certa pena por não termos chegado aos dois algarismos. Tirando isso, nada a apontar. Nove a zero, o nosso resultado mais dilatado de sempre. Sim, era o Luxemburgo, que nunca foi um tubarão. Mas era um Luxemburgo que está na luta pelo Apuramento. Esperava-se melhor. A nossa Qualificação continua imaculada – mais do que isso, está a ser fértil. Vinte e quatro golos marcados, nenhum sofrido. Nenhuma seleção se tem saído tão bem neste Apuramento.

 

Pode-se argumentar que Portugal não está a fazer mais do que a sua obrigação, tendo em conta o calibre dos adversários e o talento de que dispõe. Mas, da minha experiência, Portugal muitas vezes tem dificuldades em cumprir obrigações. Não é a primeira vez que nos calha um grupo fácil, mas é a primeira vez que temos um desempenho assim.

 

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Roberto Martínez dá o crédito aos jogadores por este feito, elogiando “a concentração e o compromisso”. Por exemplo, Martínez gostou do facto de Portugal ter mantido o ritmo na segunda parte. Eu também. Não levaria mal se tivessem abrandado – não era por mais golo ou menos golo – mas gostei que isso não tivesse acontecido. 

 

Ora, à boa maneira tuga, passámos logo do oito ao oitenta. Depois do jogo com a Eslováquia, toda a gente criticava a qualidade de jogo da Equipa de Todos Nós. Com razão, regra geral. Três dias depois, no entanto, já estava tudo cor-de-rosa. Nomeadamente no que toca à questão Cristiano Ronaldo, se estamos melhor com ele ou sem ele.

 

É possível que tivéssemos uma vitória menos dilatada caso Ronaldo tivesse jogado. Com ele em campo, em vez de tentarem marcar eles mesmos, talvez os outros sentissem a tentação de lhe passar a bola. “Deixa o avozinho tentar marcar, coitado, enquanto ainda tem pernas para isso.” Mas pronto, seria a diferença entre ganhar nove a zero ou ganhar seis a zero, como em março. O recorde batido soube bem, mas a vantagem foi só essa.

 

Além disso, o Luxemburgo não é a Suíça. Não se podem tirar grandes ilações de um jogo em que o adversário praticamente não existiu. 

 

E depois temos o extremo oposto. “Pois, perante o Luxemburgo até a minha avozinha! O que vamos fazer quando levarmos com um peso pesado?” Não me interpretem mal, é uma dúvida legítima, algo em que eu mesma tenho pensado. 

 

Por outro lado… de que adianta falar sobre isso agora? Este foi o grupo que nos calhou, temos um calendário para cumprir. Não nos preocupemos: quando garantirmos um lugar no Euro 2024, é só uma questão de tempo até nos cruzarmos com um tubarão. Aí poderemos tirar as dúvidas todas.

 

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Aliás, Martínez já disse que quer garantir matematicamente o Apuramento o mais depressa possível. Os restantes jogos servirão para treinar. 

 

Vai em linha com o que já disse antes. Com um grupo de Apuramento fácil como este e fazendo tudo bem, como Portugal tem feito até agora, 2023 seria sempre um ano de transição, um ano de adaptação para Martínez antes dos desafios de 2024. Pouco interessante em certos momentos, sim. Como disse o Gonzaal no outro dia, em linguagem de anime ou mesmo de séries de televisão, estamos a meio de um arco filler. Os guionistas estão a encher chouriços, a fazer tempo até à parte gira da história – neste caso, o Euro 2024. 

 

Sim, costuma ser uma seca. Mas, como deu para ver com o jogo com o Luxemburgo, de vez em quando apanhamos pedaços saborosos no meio destes enchidos. 


Havemos de continuar à espera deles deste lado. Bem, mais ou menos. Não se admirem se, antes da próxima dupla jornada, não houver crónica pré-jogos. São adversários repetidos, não devemos ter muito sobre que falar. A menos que haja alguma grande polémica na Convocatória – e mesmo assim. Em todo o caso, como habitual, vou deixando as minhas impressões na página do Facebook

 

Obrigada pela vossa visita.

Não o humanizem!

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Na próxima quinta-feira, dia 23 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontar a sua congénere… *pesquisa no Google*... liechtensteiniana (?) no Estádio de Alvalade… e eu estarei lá! Três dias mais tarde, desloca-se ao Luxemburgo para defrontar a seleção local. Ambos os jogos contam para a Qualificação para o Euro 2024. Serão também os primeiros jogos da Seleção com o técnico Roberto Martínez ao leme.

 

Pois… Comecemos por aí. 

 

Roberto Martínez foi anunciado como Selecionador no início deste ano – a escolha de Selecionador mais controversa de que me recordo. A minha reação foi a mesma de toda a gente: tínhamo-nos finalmente livrado de Fernando Santos, o treinador que não soubera aproveitar uma das gerações mais talentosas do futebol português, apenas para ficarmos com o treinador que não soubera aproveitar uma das gerações mais talentosas do futebol belga. E Fernando Santos ao menos conseguira títulos. 

 

Juntando a isso, nas semanas que se seguiram, passei por uma fase de alguma tristeza pelo fim do ciclo de Fernando Santos – que entretanto foi treinar a seleção da Polónia. Com todos os defeitos, foram oito anos e dois títulos – e eu, por norma, não lido bem com mudanças. As últimas duas trocas de treinador foram entre as jornadas de setembro e outubro, passaram poucas semanas entre a apresentação e os primeiros jogos – não deu tempo para pensar muito no que tinha acabado.

 

Na preparação deste texto olhei melhor para o currículo de Martínez e fiquei um bocadinho mais descansada – e, ao mesmo tempo, um bocadinho mais preocupada. Martínez está longe de ser o pior treinador do mundo. O problema é que cada sucesso tem um senão, é capaz do melhor e do pior ao mesmo tempo. Martínez ajudou o Wigan Athletic a ganhar a sua primeira Taça de Inglaterra em 2013… na mesma época em que o clube foi despromovido da Premier League. Ajudou o Everton a atingir a sua maior pontuação de sempre na Premier League na época seguinte, mas foi despedido dois anos depois, numa altura em que os adeptos já não podiam vê-lo à frente (explica alguns comentários que vi nas internetes quando Martínez foi contratado). 

 

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Por fim, conforme vimos acima, Martínez esteve na seleção da Bélgica desde 2016. Sempre conseguiu ao melhor desempenho de sempre dos belgas: o terceiro lugar no Mundial 2018. Não é um feito menor. Tinha Martínez a obrigação de fazer melhor? Depende do critério de cada um. Eu acho que, tendo em conta todo o hype que se montou em torno da seleção belga, esperava-se pelo menos, vá lá, uma Liga das Nações. 

 

Dito isto, não sei se Martínez é o único culpado dos desempenhos belgas abaixo das expectativas. Dizem que ele é “conservador” – pode ser um eufemismo para “casmurro” – mas também dizem que o ambiente entre os jogadores belgas não é o mais saudável, com vários egos em rota de colisão – sobretudo no último Mundial. Nesse aspeto, Portugal sai-se melhor na comparação. Também temos um ego ou outro – não é, menino Cristiano? – mas tudo indica que o ambiente é bom.

 

Também confesso que não adoro a ideia de termos um Selecionador estrangeiro. Sobretudo um espanhol, tradicionalmente um rival nosso em termos de seleções. Mas isto é apenas um capricho meu, está longe de ser uma objeção a sério. Até porque Martínez está a aprender português, já fala bastante bem – respeito!

 

Talvez por causa de toda a polémica, a comunicação da FPF tem feito uma espécie de campanha por Roberto Martínez, tantando fazer com que o público simpatize com ele. Iniciativas como a entrevista com perguntas de adeptos, o vídeo mostrando um dia de trabalho de Martínez, o documentário do Canal 11 – essencialmente uma biografia do novo Selecionador. 

 

Se me permitem mais uma referência a Ted Lasso, isto tudo recorda-me uma das minhas deixas preferidas da série: “Damn it, Paul! Don’t humanize him!”. Fica mais difícil ter má vontade para com Martínez depois de conhecermos o sítio onde cresceu, de o vermos descobrindo o que é “fazer um cabrito”, de sabermos que ele e a mulher compraram um sofá em “L” para que cada um possa ver o que quer na televisão. 

 

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Não que eu ache que a Federação esteja a fazer mal – e é bem possível que fizessem isto independentemente de quem escolhessem para Selecionador. E mesmo sem a campanha da FPF, falando por mim, eu daria sempre o benefício da dúvida a Martínez. Nem é apenas otimismo puro e duro. Como expliquei aquando do Mundial, o pessimismo não me traz felicidade nenhuma, não ajuda ninguém. Além disso, a vantagem de este ser um grupo de Qualificação teoricamente fácil é que dará espaço a Martínez para se adaptar à Seleção. E por muitos defeitos que apontem ao novo Selecionador, a Bélgica teve bons desempenhos nos Apuramentos (daí terem passado tanto tempo no topo do ranking da FIFA). Espero que Martínez replique isso com Portugal. 

 

Falemos, então, sobre a Convocatória. Como toda a gente, estava curiosa, não sabia o que esperar. Pois bem, Martínez saiu-se com uma lista idêntica à que Fernando Santos faria. As únicas novidades foram Diogo Leite e Gonçalo Inácio, merecidamente.

 

Tive pena de não haverem mais nomes fora do habitual. Como, por exemplo, Fiorentino, Nuno Santos ou Pedro Gonçalves – este último apenas para ter uma desculpa para escrever sobre a sua candidatura ao Puskas aqui no blogue. Tirando isso, esta Convocatória não me incomoda… muito. Martínez explicou que esta lista é um “ponto de partida”. O novo Selecionador deve querer ficar a conhecer o grupo, as dinâmicas, ver o que já está construído antes de remodelar à sua maneira. 

 

São opções, são métodos de trabalho como quaisquer outros. Não estão certos nem errados por si só. Também não acho que o problema de Fernando Satnos tenha sido os jogadores que Convocava. Além disso, perante adversários como estes, sem querer desvalorizar demasiado, qualquer amostra da população atual de jogadores portugueses dará conta do recado. No fim do dia, os resultados é que interessam – o que não deverá ser problema, desde que os Marmanjos façam as coisas como deve ser.

 

Uma palavra para Cristiano Ronaldo, claro. Depois do texto anterior, este mudou-se para o Al Nassr, na Arábia Saudita. Durante muito tempo ficou a dúvida sobre se ele voltaria a ser Convocado. Neste contexto, eu aceitava ambas as opções. Martínez escolheu Chamá-lo, eu fico contente. Ache-se o que se achar da mudança de Ronaldo para as Arábias, ao menos o inferno mediático que foi a saída dele do Manchester United já faz parte do passado. Além disso, os nossos adversários nesta jornada estarão mais ou menos ao mesmo nível competitivo que a maior parte das equipas da Arábia Saudita.

 

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E depois temos as razões do coração. Vou ao jogo com o Liechtenstein com os meus pais e posso ou não ter convencido a minha mãe dizendo que esta pode ser uma das nossas últimas oportunidades para ver Ronaldo jogar. Fui sincera. Entristece-me pensar que temos os “SIIII!!!” em coro com todo o estádio contados. Não me importo nada de adiar um pouco mais a despedida – como disse acima, não gosto de mudanças e esta será uma das grandes.

 

Falemos, então, sobre os nossos adversários. Era capaz de jurar que tínhamos jogado com o Liechtenstein pelo menos uma vez nos últimos dez anos. Parece que não. O nosso último jogo foi em agosto de 2009, há quase catorze anos. Já tinha o blogue aquando desse jogo – um amigável que vencemos por 3-0, com golos de Raúl Meireles e dois de Hugo Almeida – mas não me recordo de nada dele. Nem faço questão de recordar, aqui entre nós. 

 

Recordo-me um pouco melhor dos dois confrontos anteriores, durante a Qualificação para o Mundial 2006. É possível que já tenha escrito sobre eles em 2009, mas não quero sujeitar-vos à minha escrita de há catorze anos. Prefiro escrever sobre isso de novo do que deixar link para um texto de 2009. 

 

No primeiro jogo, empatámos 2-2, o que na altura foi um escândalo. Um ano mais tarde, estive no jogo em casa, no Estádio de Aveiro – provavelmente, o meu preferido – com os meus pais e irmãos. Os liechtensteinianos marcaram primeiro: lembro-me bem de levar as mãos à cara enquanto a bola rolava para a nossa baliza. Por entre manifestações de exasperação na nossa bancada, um senhor de idade, adepto do Liechtenstein, festejou efusivamente o golo nas escadas. Nós, na bancada, acabámos por lhe bater palmas.

 

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Claro que os Marmanjos acabaram por dar a volta ao resultado e selaram a Qualificação para o Mundial – eu ergui um cartaz onde tinha escrito “Próxima paragem: Alemanha 2006”. Em todo o caso, esta história serve para nos recordarmos do perigo que é assumirmos que são favas contadas. Mas, na verdade, o próprio João Félix recordou-nos uma história bem mais recente de assumirmos que são favas contadas. 

 

Vamos, então, cruzarmo-nos com o Liechtenstein numa fase de Apuramento, quase dezoito anos depois (chiça, estou velha…). Acabo de perceber agora que, uma vez mais, o destino final é a Alemanha. Estarei lá para dar as boas-vindas a Roberto Martínez. Que os erros de 2004 e 2005 não se repitam.

 

Quanto ao Luxemburgo, ao contrário do Liechtenstein, temos recordações recentes deles – os luxemburgueses estiveram nos nossos dois últimos Apuramentos. Assim, não me vou alongar muito. Recordo apenas que, apesar de serem uma seleção de microestado, estão um ou dois degraus acima do Liechtenstein e temos tido dificuldades nas nossas visitas lá. 

 

Estou à espera de vitórias em ambos os jogos. Quero uma fase de Qualificação tranquila, ao contrário das últimas duas. Até porque a vida não está fácil para ninguém, precisamos de alegrias. Que estejamos todos errados em relação a Roberto Martínez (quando digo “todos”, falo dos pessimistas, claro). 

 

Obrigada pela vossa visita, como sempre. Visitem a nossa página no Facebook. Até à próxima. 

 

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Em transição

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No passado dia 10 de dezembro, a Seleção Portuguesa de Futebol perdeu perante a sua congénere marroquina por uma bola sem resposta. Com este resultado, Portugal falhou a passagem às meias-finais do Mundial 2022.

 

Eu estava a isto de acreditar a sério…

 

Antes de mais nada, um breve pedido de desculpas pelo atraso com esta crónica. Por norma, na altura das festas tenho sempre menos tempo para escrever. Para além das compras e dos preparativos, é também a altura em que o meu irmão emigrante vem para casa e combinamos sempre coisas. 

 

Mais um argumento contra fazer-se um Mundial nesta altura do ano. Teve a sua graça, mas espero que não se repita. No verão dá mais jeito. 

 

Como muitos têm referido, Portugal ofereceu a primeira parte do jogo a Marrocos. Sabíamos que eles defendiam bem, que se organizavam bem, mas não soubemos lidar com isso. Eu mesma reparei nas várias vezes em que os nossos jogadores se punham a trocar a bola entre si, como que fazendo tempo enquanto pensavam numa maneira de furar a muralha. 

 

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Depois, acabámos por sofrer um golo por culpa própria perto do intervalo e passámos o resto do jogo a correr atrás do resultado. Nesse aspeto, lembrou-me um pouco o jogo com a Bélgica, no Euro 2020. E mesmo o jogo com o Uruguai, no Mundial 2018.

 

Por falar no golo que sofremos, Diogo Costa tem estado na berlinda pela sua saída infeliz – fazendo lembrar Ricardo no golo sofrido na final do Euro 2004, mesmo para doer mais. Sim, o experiente Rui Patrício talvez não cometesse este erro, mas também é aquela: como é que os jogadores ganham experiência?

 

Além de que o Diogo não foi o único a errar. Rúben Dias também ficou mal na fotografia. E o nosso corredor direito todo deixou o marroquino Attiat-Allah completamente à vontade para fazer a assistência. 

 

Como noutras ocasiões semelhantes em que tínhamos de correr atrás do resultado, até tivemos momentos bonitos – pena não terem resultado em nada. Faltou um bocadinho de sorte, é certo. Bruno Fernandes atirou uma bola à barra, o guarda-redes Bono esmerou-se para defender um remate de João Félix, o Pepe falhou uma mesmo no último minuto. Mas a verdade é que só nos podemos culpar a nós mesmos por termos falhado. 

 

Não vou mentir, esta doeu. Não é a primeira vez que falhamos a conquista de um título, não será a última. Seria de esperar que eu já estivesse habituada a desilusões como estas. Pelos vistos não estou. Custa sempre cair dos céus, regressar à realidade. 

 

Vocês podem ler nos textos anteriores, estava a gostar deste Mundial e estava a começar a acreditar no título. Mesmo não estando a ser perfeitos, estávamos a fazer o nosso melhor Mundial desde 2006, temos carradas de talento, tínhamos vários tubarões ficando pelo caminho – Espanha, Brasil, Alemanha, Bélgica. Esta era a nossa melhor ocasião para conquistarmos o título mundial, tanto para Pepe e Cristiano Ronaldo (mais sobre isso a seguir) como para esta geração tão talentosa. Ou para, pelo menos, ficarmos no top 4, igualando as participações de 1966 ou 2006. 

 

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Foi uma oportunidade desperdiçada. Mais outra. Perante Marrocos.

 

Não quero com isto menosprezar os marroquinos. Pelo contrário, eles ganharam a minha simpatia, mesmo antes do nosso jogo. Pelo seu estatuto de underdogs, por Sofiane Boufal, que celebrava as vitórias no relvado com a mãe, pelos que tentaram consolar Ronaldo no fim do jogo, por Hakim Ziyech, que tem doado todo o salário que recebe da seleção marroquina a funcionários dessa seleção e a famílias carenciadas, por aquilo que Marrocos representava como uma seleção islâmica, como uma seleção africana. Sobretudo depois de toda a riqueza e alegria que as equipas africanas trouxeram a este Mundial.

 

Eu estava a torcer por eles na meia-final perante a França. Infelizmente, os nossos amigos franceses fizeram em cinco minutos o que várias seleções não conseguiram fazer em noventa – ou, no caso dos espanhóis, cento e vinte mais penáltis. Ainda assim, uma campanha respeitável para Marrocos, conquistaram os corações de muitos.

 

Dito isto… nós éramos a melhor equipa e tínhamos a obrigação de ganhar. Sim, este foi o nosso terceiro melhor Mundial, superou as minhas expectativas, na minha opinião foi melhor que o Mundial 2018 e o Euro 2020. Mas uma coisa seria termos sido eliminados pela Espanha, França ou mesmo pela Inglaterra. Outra coisa é termos sido eliminados por Marrocos. 

 

Tendo tudo isto em conta, Fernando Santos tinha de ir. E foi. 

 

 

A decisão foi anunciada no dia 15 após alguns dias de rumores. Não sei como decorreu o processo todo dentro de portas, mas a maneira como foi comunicado foi exemplar – das transições mais pacíficas de que me recordo. Por um lado, pela mensagem de despedida de Fernando Santos, com agradecimentos a todos os jogadores que orientou, à equipa técnica, à Federação e aos adeptos. Só mostra o carácter dele. 

 

Por outro lado, também gostei do vídeo do vídeo que as redes sociais das Seleções publicaram, agradecendo a Fernando Santos. Um pormenor que me agradou foi terem começado pelo início – porque é importante recordarmo-nos. Vínhamos de um Mundial 2014 desastroso e a Qualificação para o Euro 2016 começara mal. Aquele primeiro jogo com a Dinamarca, em outubro de 2014, aquela vitória mesmo ao cair do pano, foi a primeira vez em muito tempo em que senti esperança em relação ao futuro da Equipa de Todos Nós. Foi o início de algo que terminou quando levantámos a Henri Delaunay

 

Terá sido na altura desse jogo, aliás, que Fernando Santos começou a falar de ganharmos o Europeu. Menos de quatro meses depois de termos sido goleados pela Alemanha. Pois claro.

 

De uma maneira estranha, às vezes tenho saudades desse primeiro ano. Um ano de exibições assim-assim, mas suficientes para cumprir – hoje não seria suficiente, mas na altura soube bem depois do turbulento ciclo do Mundial 2014. Além disso, ganhámos à Argentina e à Itália em jogos particulares, o que foi agradável.

 

E, claro, os nossos dois primeiros títulos. Há quem hoje desdenhe, como se tivéssemos ganho por acaso, esquecendo-se que a Seleção esteve quase cem anos sem ganhar um título desta envergadura. E que precisou de vinte anos, mais coisa menos coisa, de presenças regulares em Europeus e Mundiais. Pode ter sido sorte e fé mas, como disse Ricardo Quaresma, “fé e sorte dão muito trabalho”. 

 

Dito isto, por muito grata que esteja… esta é a decisão certa. Só peca por tardia.

 

 

Por outro lado, este até é um timing perfeito para esta transição. Faltam vários meses para o próximo compromisso da Seleção e os primeiros jogos são contra Luxemburgo e Liechtenstein.

 

O próximo passo agora, naturalmente, encontrar um sucessor. Eu não tenho opinião, não percebo o suficiente para fazer sugestões. José Mourinho tem sido um dos nomes mais falados. Uma opção óbvia, talvez. Mourinho costumava dizer que queria ser Selecionador quando fizesse sessenta e cinco – ainda lhe faltam cinco anos e trocos, mas suponho que ele não estivesse a ser literal. 

 

No entanto, ele ainda está no AS Roma. Chegou a falar-se da possibilidade de ele conjugar o emprego de Selecionador com o de técnico do Roma. Isso a mim parecia-me bizarro e duvidoso do ponto de vista ético (ele poderia Convocar jogadores do próprio clube de modo a valorizá-los no mercado? Ou, pelo contrário, poderia não Convocá-los para mantê-los em forma para o clube?), mas aparentemente não é assim tão raro. Fui pesquisar sobre o assunto e descobri alguns exemplos – incluindo Sir Alex Ferguson, de todas as pessoas, antes de treinar o Manchester United. 

 

Eu mesmo assim não acho que resultasse. E consta que o Roma também não morre de amores pela ideia. Diz que, agora, o plano é que Rui Jorge assuma o cargo interinamente durante a dupla jornada de março e que, em junho, Mourinho deixe o Roma e venha treinar a Seleção. Isto sim, já me parece mais aceitável. 

 

Por outro lado, já que falamos de Rui Jorge, há quem o aponte como possível sucessor. Em teoria faz sentido, na prática talvez não. António Tadeia diz que ele não quererá – ele será demasiado pacato para estas andanças, estará satisfeito no seu cantinho, com os Sub-21. Para além disso, aqui o Gonzaal deu bons argumentos a favor de Jorge Jesus. Não simpatizo muito com o senhor mas, se tiver de ser… 

 

Por fim, de vez em quando alguém lembra-se de sugerir Carlos Queiroz e eu fico com vontade de dar um berro. Sou a única aqui que se recorda do que aconteceu em 2010?!? 

 

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Ficamos a aguardar. Há tempo para tomar esta decisão. Ainda assim, espero que não demorem muito, para que o novo Selecionador possa começar a preparar o novo ciclo com tempo. 

 

E por falar em novos ciclos…

 

Uma das coisas que mais dói em relação a este fracasso é o facto de este ter sido o último Mundial de Pepe e Cristiano Ronaldo. As imagens das lágrimas do último correram mundo e partiram o coração de toda a gente. Este terá sido o pior ano da vida de Ronaldo, tanto a nível pessoal como profissional. Agora perdia a sua última oportunidade de levantar este troféu. Pouco mais de uma semana mais tarde, viu o seu velho rival Lionel Messi ganhar esta corrida e encerrar de vez o debate sobre quem é o melhor do Mundo. Por estes dias tem recebido críticas de todo o lado.

 

Não é difícil sentir compaixão por ele. Por outro lado, se Ronaldo neste momento está no fundo do poço, é em parte por culpa própria.

 

Todo o mediatismo em torno de Ronaldo foi sem dúvida a pior parte da nossa participação neste Mundial. Não digo que tenha sido por isso que perdemos, mas foi uma distração, uma irritação, tempo gasto com discussões inúteis. 

 

Não, nem tudo foi culpa do próprio Ronaldo. Pode-se argumentar que isso aconteceria sempre, independentemente das circunstâncias. Sobretudo tendo em conta que, no Catar, a larga maioria dos adeptos de Portugal eram na verdade adeptos de Ronaldo. 

 

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Ao mesmo tempo, ninguém mandou Ronaldo dar aquela entrevista a Piers Morgan, nem lançá-la na véspera da preparação do Mundial. Ele bem tentou fazer-se de inocente mais tarde, mas sabia perfeitamente o que aconteceria.

 

Agora, no pós-Mundial, Ronaldo está sem clube e isso já está a ser outra novela. Ainda no outro dia saiu a notícia de que, se de facto assinar pelo Al Nassr, será também embaixador da Arábia Saudita na corrida à organização do Mundial 2030… contra a candidatura de Portugal e Espanha. 

 

Eu ainda quero ver se alguma destas coisas será confirmada oficialmente. Para já, um consolo para mim é saber que, a curto prazo, os dramas de Ronaldo não afetarão diretamente a Turma das Quinas. A médio/longo prazo já é outra questão.

 

O que nos leva ao futuro de Ronaldo na Equipa de Todos Nós. Se é que ele existe. 

 

Ainda no rescaldo do jogo começaram a circular mensagens de despedida a Pepe e a Cristiano Ronaldo. Devo confessar que isso foi uma das coisas que mais contribuiu para a minha azia com a eliminação. 

 

Uma coisa é este ter sido o último Mundial de Ronaldo. Outra coisa muito diferente é estes terem sido os últimos jogos de Ronaldo na Seleção. Se foi o último caso… não estou preparada. Mesmo tendo em conta o que escrevi recentemente sobre ele, sobre termos mais desvantagens do que vantagens neste momento. 

 

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Ronaldo tem sido a grande constante da Seleção desde o Euro 2004. Foi um dos motivos pelos quais me afeiçoei à Equipa de Todos Nós depois desse campeonato. É um pouco como a Rainha de Inglaterra: existe toda uma geração já adulta – incluindo, talvez, metade da Seleção atual – que não se recorda das Quinas sem Ronaldo. Isto para não falar, claro, de tudo o que o Capitão tem feito pelo futebol português, mesmo pelo país em si. Pense-se o que se pense sobre Ronaldo, vai custar-nos a todos quando ele se for embora. 

 

Suponho que haja uma lição de vida qualquer sobre crescer aqui.

 

Se estiver mesmo na hora, espero que se faça uma despedida como deve ser. Por mim, marcava-se um jogo particular em casa, com uma equipa “pequena” a quem Ronaldo pudesse marcar os últimos golos. Perto dos noventa far-se-ia a substituição e o estádio todo aplaudiria de pé durante minutos, com muitas lágrimas à mistura.

 

Mas isto é uma fantasia minha. Pode não ser possível prever quando é que Ronaldo deixará a Seleção. Vai depender do que acontecer no mercado de transferências. Tal como em relação à questão do Selecionador, ficamos a aguardar.

 

Apesar de ter partido para este Mundial com baixas expectativas, expectativas essas que acabaram por se cumprir (mesmo com várias atenuantes, isto foi uma desilusão), não me arrependo de, a certa altura, ter começado a acreditar e a entusiasmar-me. Em futebol costuma-se falar em “esperança que mata” mas, para mim, a esperança vale sempre a pena. Para que servem estes campeonatos ou mesmo o futebol em geral se não o encaramos com alegria e um bocadinho de fé?

 

E este Mundial foi divertido, melhor do que tinha o direito de ser tendo em conta as circunstâncias, com todas as surpresas e reviravoltas. A final, então, foi um reflexo perfeito disso: um empate 3 a 3, que parece ficcionado (Não simpatizava particularmente com nenhum dos finalistas, mas estou contente por a França não ter ganho. Os franceses continuam péssimos perdedores). Foram umas semanas alegres, fora da rotina – como já é habitual, de resto – que souberam bem no final de um ano difícil.

 

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E infelizmente teremos de esperar pelo menos um ano e meio para voltarmos a senti-lo.

 

Outra coisa boa em relação ao Mundial foi ter dado oportunidade a vários Marmanjos de darem provas do seu talento: Bruno Fernandes, Gonçalo Ramos, João Félix, Rafael Leão. Como vários têm assinalado, esta geração tem muito potencial e estamos todos ansiosos por ver de que serão capazes daqui a um par de anos. 

 

Antes de terminarmos, façamos um rápido apanhado a 2022 (acho que não torno a fazer balanços anuais como fazia antes). Foi melhor que 2021, com mais pontos altos – as vitórias na fase de grupos da Liga das Nações, sobretudo esta, as vitórias no Mundial. Infelizmente, foi igualmente infrutífero. A alegria das vitórias valeu a pena mas teve curta duração.

 

Com um Selecionador novo e Ronaldo incerto, 2023 será um ano de mudança de página, de transição. Será pouco excitante: sem Europeu ou Mundial, sem sequer a fase de grupos da Liga das Nações, com adversários de maior calibre. Temos apenas a Qualificação para o Euro 2024, com um grupo teoricamente acessível – se houver excitação, será à mistura com exasperação, quando inevitavelmente metermos água e nos Apurarmos à rasquinha. 

 

Por outro lado, como referimos antes, dificilmente conseguiríamos melhores circunstâncias para uma mudança de ciclo.

 

Que 2023 nos corra melhor que 2022. Obrigada a todos os que acompanharam este Mundial comigo, quer através do blogue quer através da sua página de Facebook. Última chamada para fazerem um donativo à Amnistia Internacional, que está a ajudar os trabalhadores maltratados na construção do Mundial. Votos de boas festas e boas entradas em 2023. Até à próxima!

Com um abraço para Paulo Bento

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Na passada sexta-feira, dia 2 de dezembro, a Seleção Portuguesa de Futebol perdeu com a sua congénere sul-coreana por duas bolas contra uma, em jogo a contar para a fase de grupos do Mundial 2022. Apesar deste resultado, Portugal terminou o grupo em primeiro e seguiu para os oitavos de final da prova, onde irá defrontar a Suíça.

 

A isto sim, já estou mais habituada. Infelizmente.

 

Este foi outro jogo que vi em casa, com a minha irmã. Felizmente, desta feita os meus vizinhos não se fizeram ouvir. Como se previa, Portugal alinhou com um onze com várias mudanças – entre os titulares encontravam-se Ricardo Horta, Vitinha, Diogo Dalot, António Silva (que passou a ser o português mais jovem a representar Portugal num Campeonato do Mundo).

 

Depressa houve oportunidade de celebrar um golo: Pepe fez um grande passe, desde o meio campo coreano, para Diogo Dalot, que depois assistiu para Ricardo Horta se estrear a marcar neste Mundial. 

 

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Por acaso, uma parte de mim lembrou-se na altura que golos madrugadores costumam ser traiçoeiros. Aconteceu com a Sérvia no ano passado, por exemplo. Como neste jogo, ainda por cima, tínhamos a passagem mais do que garantida – pouco após a meia-hora de jogo o Uruguai já vencia o Gana por 2-0 – Portugal desacelerou. Isso, somado aos jogadores menos habituados uns aos outros, correu tão bem como devíamos ter calculado.

 

Ainda assim, houveram uns quantos portugueses que estiveram bem. Pepe continua ao nível de sempre. Dalot foi um dos melhores, provou merecer a titularidade. Ricardo Horta marcou o golo. Vitinha também esteve bem – destaque para estes passos de dança. Por fim, João Cancelo pareceu um pouco melhor jogando à esquerda. Mas nada disso chegou. Portugal só jogou bem durante os primeiros dez, quinze minutos do jogo.

 

A Coreia do Sul já tinha deixado um aviso uns minutos antes, com um golo anulado por fora-de-jogo. Pelos vistos, os portugueses não levaram a sério. No golo não anulado, Cristiano Ronaldo ficou mal na fotografia: aquando de um pontapé de canto favorável aos coreanos, Ronaldo encolheu-se todo, a bola bateu-lhe nas costas, sobrando para Kim Young-gwon rematar.

 

Mais um erro caricato para juntarmos à coleção. Daquelas coisas que só acontecem a quem faz. No entanto, Ronaldo só se pode culpar a si próprio. Andava com vontade de saber o que aconteceria quando o Capitão não pudesse apontar o dedo a outros.

 

Tive um vislumbre depressa. 

 

Está na altura de falarmos do infame momento da substituição de Ronaldo, aos sessenta e cinco minutos de jogo. As câmaras captaram-no aparentemente reclamando que estavam com muita pressa de tirá-lo de campo – isto pontuado por termos mais coloridos.

 

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Mais tarde, Fernando Santos e o próprio Ronaldo garantiriam que o Capitão se dirigia a um coreano qualquer. Ninguém acredita nisso. Ronaldo sabe falar inglês, porque falaria em português com um coreano? 

 

Dito isto… não dá para ter a certeza do que aconteceu ali. Ele estava a dirigir-se a Fernando Santos? Ao André Silva? Estava a “vociferar”, como cheguei a ler, ou apenas a resmungar para si mesmo? (quem nunca? Um dos motivos pelos quais até gosto de trabalhar de máscara.)

 

Inicialmente, ia ser bastante crítica para com Ronaldo neste texto. Já o fui na página. Depois de pensar melhor no assunto, não tenho assim tanto em que me basear, não seria justo. 

 

Na melhor das hipóteses, foi uma irritação momentânea, um mero desabafo de Ronaldo para os seus botões – todos sabemos que ele não gosta de ser substituído. A minha mãe diz que ele gosta de jogar, quer estar sempre em campo. Eu digo que ele é egoísta, põe as suas necessidades à frente das da equipa, é incapaz de se olhar ao espelho exceto para admirar a sua própria imagem. 

 

Sim, na melhor das hipóteses.

 

Na pior das hipóteses, isto será o primeiro sintoma daquilo que eu mais temi depois da entrevista a Piers Morgan: Ronaldo cada vez mais afundado na sua negação, desautorizando Fernando Santos, voltando-se contra nós.

 

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Lá está, não quero assumir já o pior. Para já, dou o benefício da dúvida. Para já.

 

E de qualquer forma… isto cansa. Faz-nos gastar tempo e energia, distrai-nos do resto da Seleção. E eu sei que nem tudo é culpa do próprio Ronaldo – ele definitivamente não convidou as câmaras a focarem-se nos seus lábios enquanto saía de campo. 

 

E para quê, neste momento? O que é que Ronaldo tem feito por nós ultimamente, para além de atrair o interesse das multidões? Perante a Coreia do Sul não fez nada, até prejudicou. Neste momento, estamos com todas as desvantagens e quase nenhuma das vantagens.

 

Enfim. Esperemos que tenha sido só desta vez. Não quero ter de escrever sobre isto de novo.

 

À Coreia do Sul bastava um golo para conseguirem sobreviver à fase de grupos. A partir de certa altura, comecei a desejar que conseguissem marcar esse golo – mais para dar uma prenda a Paulo Bento do que por outro motivo qualquer, naquele momento. E como, de qualquer forma, não perderíamos o primeiro lugar… porque não?

 

Cheguei a pensar que os Marmanjos em campo tiveram a mesma ideia que eu. Pela maneira como, em cima dos noventa, Son Heung-min teve ali um corredor aberto para o contra-ataque, sem ninguém capaz de travá-lo, eu podia jurar que os portugueses fizeram de propósito. E foi uma bela assistência para o remate de Hwang Hee-Chan.

 

 

Não vou mentir, eu fiquei contente. Em parte pelo fator Paulo Bento, em parte porque era fácil simpatizar com os sul-coreanos. As imagens deles, jogadores e adeptos, de olhos ansiosos nos telemóveis depois do apito final, são deliciosas – eu própria nesta altura ia alternando entre canais. E, claro, a festa depois, com muitas lágrimas dentro e fora de campo. Os típicos underdogs, humildes mas ambiciosos, apaixonados, dando o seu melhor sem nada a perder. 

 

Contrastem isto connosco: um grupo talentoso mas conformista, complacente, por vezes arrogante, demasiado preso às birras da sua maior estrela. E ainda mais com os uruguaios, que passaram os dias anteriores queixando-se do penálti contra eles no nosso jogo e foram super-agressivos para com a equipa de arbitragem durante o jogo com o Gana. José Maria Giménez foi particularmente execrável.

 

Por isso, não, ninguém teve pena do Uruguai. Os ganeses nem sequer se ralaram com a sua própria eliminação, pois contribuíram em parte para a desgraça dos seus amigos uruguaios. É certo que foi sobretudo pelo que aconteceu no Mundial 2010, mas mesmo assim.

 

Quanto a nós… infelizmente nada do que aconteceu na sexta-feira foi inédito, sobretudo no que toca aos últimos anos. Dito isto, se é para cometer erros e jogar mal, que seja em circunstâncias assim, sem consequências. Que não volte a acontecer e que se aproveite para aprender – como disse Tite, o selecionador brasileiro, num Mundial não costumam haver segundas oportunidades. 

 

Já que falo nisso, sinto-me um pouco melhor por saber que também o Brasil e a França perderam no último jogo do grupo, mesmo já apurados.

 

O primeiro obstáculo no mata-mata é a Suíça. Vamos defrontá-los pela terceira vez este ano. Tivemos uma vitória e uma derrota – infelizmente, acho que a nossa vitória foi a exceção para os suíços, não a regra. Os suíços podem não ter o prestígio de uma França ou de uma Inglaterra, mas são uma equipa competente, muito boa a defender. Não vai ser fácil mas, se fizermos as coisas bem, estará ao nosso alcance.

 

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Um grande “se”. 

 

Por muito que me custe a admitir, tendo em conta as circunstâncias em todo deste campeonato discutidas aqui, este Mundial está a ser super divertido. Esta terceira jornada da fase de grupos, então… Equipas “grandes”, como a Alemanha, a Bélgica e a Dinamarca indo mais cedo para casa. Equipas menos “grandes”, como aqui a Coreia do Sul, o Japão e a Austrália, conseguindo passar. A Tunísia e os Camarões conseguindo vitórias perante a França e o Brasil, respetivamente, mesmo não lhes tendo servido de muito. Tem sido uma delícia.

 

Infelizmente, depois das surpresas da fase de grupos, até agora os oitavos estão a ser bastante previsíveis. A França venceu a Polónia, a Inglaterra venceu o Senegal e a Argentina venceu a Austrália. Pode ser que hajam surpresas amanhã ou depois... desde que nós não sejamos uma delas! Quero que Portugal continue nesta festa – e que, se possível, seja a derradeira surpresa.


Como sempre, obrigada pela vossa visita. Infelizmente volto ao trabalho amanhã, ou seja, terei menos tempo para ver jogos do Mundial e para escrever aqui. Em todo o caso, se passarmos aos quartos-de-final, vou tentar publicar a análise aos oitavos antes. Se puderem, façam um donativo à Amnistia Internacional, que está a ajudar os trabalhadores maltratados na construção deste campeonato. Continuem a sofrer e a divertir-se comigo, quer através deste blogue, quer através da sua página no Facebook.