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O Meu Clube É a Seleção!

Mulher de muitas paixões, a Seleção Nacional é uma delas.

Taquicárdia e amargura

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No passado dia 23 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou a duas bolas com a sua congénere francesa, em jogo a contar para a fase de grupos do Euro 2020. Com este resultado, em combinação com o empate entre a Alemanha e a Hungria, a Seleção Nacional apurou-se para os oitavos-de-final como uma das melhores terceiras classificadas da prova. Nos oitavos-de-final, no entanto, defrontou a sua congénere belga e perdeu por uma bola a zero, tendo sido eliminada do Euro 2020. 

 

A grande desvantagem do sistema de adotei neste Europeu, de não me obrigar a escrever um texto por jogo aqui no blogue, é que as coisas mudam muito depressa – de uma maneira que não acontece tanto com jogos de Qualificação. O nosso estado de espírito no fim do jogo com a França é totalmente diferente do do final do jogo com a Bélgica. 

 

Além de que o primeiro jogo foi muito mais interessante que o segundo. Como tal, este texto está muito desequilibrado. Gasto muitos mais parágrafos analisando o jogo com a França do que o jogo com a Bélgica – passo mais tempo discutindo as consequências desse segundo encontro. Peço desde já desculpa se parecer esquisito, mas a última jornada da fase de grupos foi demasiado emocionante e caricata para não escrever sobre ela. 

 

Todos sabíamos que o jogo com a França seria difícil. Tentámos preparar-nos para isso, partilhámos memes com terços e calculadoras, embora soubéssemos que, tecnicamente, para passarmos aos oitavos-de-final, bastava-nos perder por menos de três golos de diferença com a França. 

 

Isto se a Alemanha não perdesse com a Hungria mas… era a Alemanha e era a Hungria. Tínhamos acabado de levar uma tareia dos alemães e somos os atuais Campeões Europeus (não por muito mais tempo…). Os húngaros nunca seriam capazes de fazer mossa aos alemães, certo?

 

...certo?

 

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Algo que acho que nunca referi aqui no blogue: nas últimas jornadas de fases de grupos como estas, em que os dois jogos decorrem ao mesmo tempo para evitar combinações de resultados, gosto de imaginar as quatro equipas no mesmo campo, jogando umas contra as outras. Acaba por ser mais ou menos isso que acontece – pelo menos em grupos como o nosso, com a classificação ainda em aberto.

 

Agora que penso nisso, no entanto, a regra dos melhores terceiros estraga um pouco esse esquema. Para verdadeiramente evitar combinações de resultados, literalmente todas as equipas teriam de jogar ao mesmo tempo – o que não é possível, claro.

 

Outro dos motivos pelos quais imagino o campo único para quatro equipas é porque, por muito que alguns de nós o neguem, os dois jogos acabam por ser influenciados um pelo outro, nem que seja um bocadinho. Fernando Santos pode dizer que tentou impedir que dissessem aos jogadores o que se estava a passar em Munique, mas os múltiplos adeptos húngaros nas bancadas não receberam o recado. No caso do grupo F, aliás, a coisa foi tão disputada que Portugal passou pelas quatro posições da tabela nos noventa minutos de duração dos jogos (sinto que há potencial para uma piada brejeira aqui, mas está aquém das minhas capacidades).

 

Na minha opinião, a França esteve por cima no início do jogo, ainda que Portugal se tenha apresentado mais consistente que perante a Alemanha. Um breve destaque para Renato Sanches e João Moutinho, o músculo e o cérebro do meio-campo, respetivamente, pelo menos neste jogo. 

 

Os nervos apertaram-se logo aos onze minutos, quando a Hungria marcou à Alemanha. Lá se ia a conversa dos dias anteriores, de perdemos por menos de três golos. Além de que, se a vantagem húngara se mantivesse, os nossos amigos alemães estavam fora do Europeu.

 

É um alívio saber que não fomos a única equipa dita “grande” que esteve perto de sair de um Europeu frente à Hungria. Tirando a parte da homofobia, respeito aos húngaros pela maneira como se bateram neste grupo, conseguindo empates com os dois últimos Campeões do Mundo!

 

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E tendo em conta que os três sobreviventes do Grupo da Morte não se mantiveram no Europeu durante muito tempo, mais valia que um de nós os três tivesse ido para casa mais cedo (não nós, claro!) e os húngaros tivessem ido aos oitavos.

 

Regressando ao jogo com a França, agora os portugueses estavam mais pressionados, mas acabaram por ser os primeiros a chegar à vantagem. Fiquei com alguns sentimentos de culpa quando Danilo levou um soco acidental de Hugo Lloris. Horas antes do jogo estive a conversar com amigos sobre o Europeu e criticámos a prestação do Danilo nos jogos anteriores. 

 

Teria o Universo ouvido as nossas críticas e decidido castigar o Marmanjo? Não era preciso tanto…

 

Naturalmente, Cristiano Ronaldo foi chamado a converter o penálti e não falhou. Achei piada ao João Palhinha. Este começara a aquecer, depois do que acontecera ao Danilo, mas depois do golo interrompeu o aquecimento para ir abraçar o Cristiano. 

 

À semelhança do que já acontecera no jogo com a Alemanha, soube bem estarmos a ganhar à França e em primeiro no grupo, mesmo que não tenha durado. Também me pareceu que Portugal jogou melhor depois do penálti convertido.

 

Infelizmente os franceses também tiveram o seu penálti. À semelhança de muita gente, não acho que seja legítimo – só de uma forma muito exagerada. O Mbappé não reparou no Nélson Semedo atrás de si, chocou contra ele e atirou-se ao chão. Na altura, a quente, eu disse que era a UEFA levando a França ao colo, como é tradição. Mais a frio, admito que o lance não é preto no branco, mas continuo a achar que não é penálti. 

 

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Por outro lado, alegadamente este árbitro terá sido excluído do resto do Europeu por causa deste erro. A mim quer-me parecer que fizeram dele um bode expiatório. Afinal de contas, o VAR não contrariou a decisão do árbitro: o erro não foi só dele!

 

Em relação ao penálti em si, destaque para o Pepe tentando dizer ao Rui Patrício para que lado o Benzema rematava. Patrício ou não o viu ou não ligou. Bolas, Rui…

 

Golos sofridos imediatamente antes do intervalo costumam ser mau sinal e este jogo não foi exceção. Sofremos o segundo golo logo nos primeiros minutos (como disseram no Twitter, agora é que o VAR funcionava…). E como a Alemanha continuava a perder, com aqueles resultados íamos para casa naquela noite.

 

O que para mim seria inglório, mesmo humilhante. Sermos expulsos de um Europeu na fase de grupos pela primeira vez. Enquanto detentores do título. Perante a equipa a quem conquistámos esse título

 

Não. Não podia acabar assim. É certo que não duraria muito mais de qualquer forma, mas sempre foi um bocadinho menos mau.

 

Felizmente não ficámos muito tempo em desvantagem. Outro penálti a nosso favor, outra conversão para Cristiano Ronaldo. 

 

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Não sei como foi com vocês, mas para mim esta foi a altura em que as emoções ameaçaram levar a melhor sobre mim. Já tinha bebido cidra ao jantar, durante o intervalo, agora tive de beber mais uns goles para ajudar com os nervos. A minha mãe queixou-se que estava com taquicárdia. 

 

Devia usar-se esse nome em vez de Grupo da Morte. Grupo da Taquicárdia! Grupo do Nitromint!

 

Houve alguém que, nessa noite, escreveu nas redes sociais que o Europeu podia ser só o grupo F em loop. Essa pessoa claramente não era adepta de nenhuma das quatro seleções. 

 

Hoje, no entanto, que já estamos fora do Europeu, dava tudo para sofrer assim outra vez. Para ir das lágrimas à euforia e vice-versa, como aquele célebre adepto suíço. Mais sobre isso daqui a pouco.

 

Aparentemente, os Marmanjos também se deixaram enervar nesta altura e perderam um pouco o controlo da situação. Sem consequências de maior, felizmente. Foi nessa altura que Rui Patrício fez aquela espetacular defesa dupla, bloqueando um remate do Pogba e outro de Griezmann. Eu levei as mãos à cabeça, a minha irmã gritou mesmo: “PATRÍCIO!! PATRÍCIO!!” (Não se costumava gritar “RUI!!!”?). A minha rua festejou a defesa como se tivesse sido um golo. 

 

Estou como toda a gente: façam-lhe outra estátua! Somos tão abençoados por ele jogar por nós…

 

 

Quem também teve o seu momento foi João Palhinha. Não me canso de ver esta jogada: a maneira como ele se baixa, se levanta e se baixa de novo para fintar os franceses, culminando com o túnel ao Pogba. Que classe!

 

Entretanto, em Munique, a Alemanha conseguira empatar com a Hungria aos 66 minutos, mas os húngaros adiantaram-se de novo dois minutos depois. Só aos 84 minutos é que os alemães conseguiram empatar de novo e garantir a permanência na prova.

 

Entretanto, em Budapeste, a partir de certa altura os portugueses e os franceses entraram como que em cessar-fogo. Ambas as equipas estavam satisfeitas com o resultado e pareceram não estar muito para se chatear – momento engraçado com Fernando Santos gritando com os jogadores para eles irem para a frente. Chegou mesmo a haver um alegado penálti não assinalado a favor da França (mais legítimo que o que foi assinalado, na minha opinião), mas nesta fase do jogo já ninguém queria saber. 

 

Não foi um mau jogo, tendo em conta o adversário. Foi definitivamente melhor que o jogo com a Alemanha – ao menos a derrota não foi desperdiçada. No entanto, sabendo hoje o que aconteceu depois da fase de grupos, uma pessoa pergunta-se se foi um feito assim tão notável.

 

Não tenho muito a dizer sobre o jogo com a Bélgica, para ser sincera. A primeira parte foi muito contida, ambas as equipas com muito respeitinho uma pela outra, um jogo muito tático e… enfadonho. Fez-me lembrar o jogo com a Croácia no Euro 2016. Portugal esteve ligeiramente por cima, com algumas oportunidades. Os belgas, no entanto, marcariam em cima do intervalo, no único remate enquadrado que tiveram. 

 

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Naturalmente, Portugal passou a segunda parte toda a correr atrás do resultado. As oportunidades choveram: de Diogo Jota, de João Félix, de Cristiano Ronaldo. Tivemos inclusivamente uma bola ao poste, claro que tivemos, cortesia de Raphael Guerreiro. Nada foi suficiente para anular a desvantagem e, no fim, fomos enviados para casa.

 

E foi isto o nosso Europeu. Uma vitória perante a Hungria, um empate perante a França e duas derrotas, perante a Alemanha e a Bélgica. Um bocadinho melhor que no Mundial 2018, mas não por muito. À semelhança do que aconteceu há três anos, tudo o que temos para recordar é um ou outro momento bonito, uns quantos recordes do Ronaldo e mais nada. 

 

Acho que se pode considerar mesmo o nosso pior desempenho em fases finais de Europeus. É certo que, antes de 2016, não havia oitavos-de-final, passávamos diretamente dos grupos aos quartos. Mas, como assinalaram no Twitter, foi o primeiro Euro em que a equipa que nos eliminou não chegou à final. 

 

Isto enquanto detentores do título (não por muito mais tempo, claro…). 

 

Foi uma semana algo triste, a última – aqueles dias de regressar à realidade após uma derrota como esta, de lavar os cachecóis e as bandeiras, em que a comunicação social se volta de novo para os clubes. Falando por mim, estava à espera de mais, queria mais. Queria continuar em modo Seleção, queria ter estado mais tempo no Europeu. Mesmo que não conseguíssemos chegar à final outra vez, mesmo que caíssemos nas meias ou mesmo nos quartos. Isto soube a pouco. Outra vez.

 

Por estes dias, tenho visto dois tipos de reações a esta eliminação. De um lado, temos gente defendendo a Seleção e Fernando Santos, dizendo que Portugal fez tudo para ganhar, faltou-nos a sorte, os belgas não fizeram nada para merecer a vitória. Do outro lado, temos gente que pede a demissão de Fernando Santos para ontem. 

 

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Eu estou algures no meio deste espectro, mas muito inclinada para o segundo grupo. O argumento do “mérito” da vitória já está ultrapassado há muito. Em parte porque já estivemos do outro lado, a equipa que “não merecia ganhar”. A Bélgica não é o tubarão que todos parecem achar que é e nem sequer aguentou muito tempo no Europeu depois de nós. No entanto, com um remate enquadrado conseguiram marcar um golo, enquanto nós precisámos de quatro remates enquadrados e uns tantos desenquadrados para marcarmos zero. 

 

E os burros são eles, como diria Luiz Felipe Scolari? (Acho que não é a primeira vez que parafraseio Scolari para fazer este argumento…)

 

Eu (ainda) não vou ao ponto de pôr os patins em Fernando Santos, mas compreendo aqueles que o querem. Muitas pessoas já andavam descontentes com o Selecionador há algum tempo. O desempenho neste Europeu foi a gota de água. Pessoalmente não sei se esta é a melhor altura para trocar de Selecionador, com uma fase de Qualificação já a decorrer e o Mundial já no próximo ano. E há sempre aquele argumento do o-treinador-é-a-vítima-mais-fácil.

 

É capaz de ser verdade mas, no que toca à Seleção, das últimas duas vezes que trocámos de técnico, as coisas começaram a correr bem de novo relativamente depressa depois da estreia do novo treinador. Interpretem-no como quiserem. 

 

Confesso, no entanto, que o principal motivo pelo qual não quero que Fernando Santos se vá embora é irracional. Ainda estou grata por Paris e pelo Porto. Mas para ser sincera, a minha boa vontade está a esgotar-se. Vocês sabem que estou longe de ser uma autoridade na matéria, mas a opinião que mais tenho encontrado é que Fernando Santos não sabe como usar o talento de que dispõe. Ainda joga como se fosse 2016, o que já não é adequado à realidade atual.

 

E a pior parte é que Fernando Santos parece não achar que está a fazer nada de errado. 

 

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Existem atenuantes para Fernando Santos. Mal por mal, tirando a Hungria (e mesmo assim), apanhámos equipas grandes no nosso percurso. Houve um progresso evidente nos últimos dois jogos –  aquela derrota com a Alemanha é que terá sido fatal. A França e a Alemanha acabaram por vir parar ao mesmo barco afundado. 

 

Muita gente a dizer que Portugal só ganhou três jogos no tempo regulamentar em Europeus e Mundiais com Fernando Santos, mas eu não desvalorizo a Liga das Nações: ganhámos vários jogos na primeira edição da prova perante boas equipas e atrevo-me a dizer que jogámos bem com a Itália, a Polónia e a Holanda. A segunda edição não nos correu tão bem, mas sempre ganhámos duas vezes à Suécia e à Croácia (com boas exibições, tirando o último jogo do grupo) e tivemos um bom empate com a França. Pode não ter tanto prestígio como o Euro ou o Mundial, mas também conta.

 

Por outro lado, o argumento morde a sua própria cauda. Porque é que não jogámos assim neste Europeu?

 

De qualquer forma, não me quero focar muito nessas atenuantes, porque permitem que Fernando Santos lave as mãos da sua parte da culpa. Não me admirava se ele dissesse, com todas as letras:

 

– Estão a ver? A França, Campeã do Mundo e Vice-Campeã da Europa, também falhou os quartos-de-final! O problema não sou eu!

 

A comunicação dele, aliás, já irrita. Na Conferência de Imprensa insistiu no seu velho chavão de que “nenhuma equipa pode dizer neste momento que é melhor que Portugal” – grande consolo! Disse que os jogadores estavam a chorar no balneário (um abraço para eles) mas falou em “olhar em frente e ir ganhar o Campeonato do Mundo” – o que é de mau gosto, sinceramente.

 

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Não sou a única que faz uma careta quando pensa num Mundial 2022 igual a este Europeu, pois não?

 

Quem abordou bem o assunto foi António Tadeia, no outro dia: “Fernando Santos sugerir que vamos ganhar o Mundial 2022 é tão válido como eu dizer que no ano que vem vou bater o recorde do Mundo dos dez mil metros. Enquanto eu não explicar como é que tenciono fazê-lo, com que plano de treinos, de nutrição, com que estratégia de corrida, com quem a fazer de lebre e em que dia e condições, tudo o que eu diga serve zero.” 

 

É a mesma questão de que falei no texto anterior. Como numa história infantil, acreditar com força e esperar que o destino resolva tudo por nós – quando falo em destino, falo do Cristiano Ronaldo, claro. Mensagens bonitas de esperança e crença têm a sua utilidade, são boas para as redes sociais, para as campanhas publicitárias, mesmo para este blogue, mas não chegam. Não ganham campeonatos, nem sequer ganham jogos.

 

Mesmo quando escrevi este texto (um dos que mais me orgulho neste estaminé) sobre acreditar de novo passados tantos anos, não deixei de referir que, se falhássemos, iria custar – quando se sonha alto pela primeira vez em muito tempo, se caímos, a queda dói mais.

 

Não tenciono voltar as costas à Seleção. Se não voltei em circunstâncias piores, não o farei agora. Estarei sempre disponível para, como escreve Tadeia, “empunhar o cachecol e a bandeira e urrar por Portugal sempre que há jogo”. Mas não quero que me tomem como garantida. Não quero estar sempre a passar por isto. Ou Fernando Santos aprende a usar os trunfos que tem ou dá o lugar a quem saiba usá-los. 

 

Espero que a Federação não cometa os mesmos erros que cometeu com Carlos Queiroz e Paulo Bento. Insistiram num selecionador cujo tempo já claramente terminara, só dando a chicotada quando a Seleção perdeu pontos sem necessidade na Qualificação. Uma vez mais, não digo que tenhamos chegado a essa fase com Fernando Santos, mas, se ele tiver de sair, que saia na altura certa. 

 

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Não vou mentir: será triste quando isso acontecer. Mas também é uma das leis da vida: nada dura para sempre. Também me entristece saber que este poderá ter sido o último Europeu de Pepe e Cristiano Ronaldo. A ver se eles, ao menos, ainda aguentam até ao Mundial.

 

E é tudo, por agora. Como o costume, obrigada a todos os que acompanharam comigo esta participação no Europeu, por curta que tenha sido. Em setembro haverá mais. 



Não é tradição, é sina!

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No passado dia 15 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol estreou-se no Euro 2020 com uma vitória por três bolas sem resposta perante a sua congénere húngara. No dia 19 de junho, no entanto, a Seleção Nacional perdeu perante a sua congénere alemã por quatro bolas contra duas. Com estes resultados, Portugal encontra-se em terceiro lugar na classificação do grupo F, com três pontos, ainda sem saber se segue ou não para os oitavos-de-final da prova.

 

Como rezava a música, “continhas até ao fim não é tradição, é sina.” Num grupo destes sabíamos que era uma possibilidade, mas isso não significa que seja agradável. 

 

Já aí vamos. Comecemos por falar dos jogos em si.

 

A tarde do dia da partida com a Hungria foi complicada no meu emprego. Estive ocupada até ao último minuto, de tal maneira que não tive tempo sequer de ver o onze inicial – muito menos de partilhá-lo na página.

 

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Felizmente, depois de terminar tudo, não demorei muito a chegar ao meu carro e a ligar o rádio. Só devo ter perdido os primeiros cinco ou dez minutos. Nesta altura, já tinha visto nas redes sociais que o Diogo Jota desperdiçara uma de caras. Como disseram algures, há alturas em que a melhor opção é mesmo passar ao Ronaldo.

 

Jota ao menos aprendeu a lição, como veríamos no jogo seguinte. 

 

Por outro lado, o próprio Cristiano Ronaldo falharia uma oportunidade flagrante mais tarde no jogo. Ninguém está imune a estas coisas – parecendo que não, são humanos como nós. 

 

Na primeira parte, o jogo teve essencialmente um único sentido. A minha irmã bem o dizia: os húngaros não eram capazes de partir para o ataque. Infelizmente, isso obrigou-os a ficarem mais retidos à defesa. Muitos usaram o termo “acantonados” ou “acampados”. Tornou-se ainda mais difícil para os portugueses chegarem ao golo. Não cumpri o meu desejo de festejar um golo com buzinadelas.

 

Se na primeira parte Portugal esteve claramente por cima, na segunda sempre foi assim. Houveram alturas em que a Hungria cresceu e Portugal esteve perto de perder o controlo da situação. Veja-se o golo anulado por fora-de-jogo – em que, ainda por cima, Rui Patrício não ficou muito bem na fotografia. 

 

À medida que o tempo ia passando e o golo não surgia, os nervos aumentavam. Eu sabia que seria assim, referi-o na crónica anterior, mas isso não me impediu de sofrer. Como é que uma pessoa se prepara para jogos destes?

 

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Concordo com a opinião popular que defende que Fernando Santos devia ter mexido mais cedo. Podíamos ter ganho por mais com Rafa e Renato Sanches mais tempo em campo – até porque Rafa precisou de alguns minutos até entrar nos eixos. Mas mais vale tarde do que nunca, suponho eu. 

 

Finalmente o marcador mexeu, aos oitenta e quatro minutos. Rafa assistiu para Raphael Guerreiro, que arranjou um corredor no meio de uma data de húngaros. O Raphael não tem jogado grande coisa nestes últimos dois jogos – com grande pena minha, pois gosto dele – mas ao menos conseguiu ser o primeiro português a marcar neste Europeu.

 

O resultado não se manteve inalterado durante muito tempo depois desta. A jogada começou com o Renato abrindo caminho por entre a muralha húngara. Passou a bola ao Rafa, que conseguiu um penálti. Ronaldo, claro, não desperdiçou.

 

Por fim, já em tempo de compensação, deu-se a jogada que ficou nas bocas do mundo: trinta e três passes seguidos, terminando com a assistência de Rafa para o segundo golo de Ronaldo na partida. De início pensei que ele estava em fora-de-jogo, mas em câmara lenta dá para ver que Ronaldo está em linha no momento do passe.

 

Este foi um jogo que deixou a desejar em vários aspetos – e alguns deles voltariam para nos tramar no jogo seguinte – mas, mal por mal, foi a nossa melhor estreia em campeonatos de seleções desde 2008. E tendo em conta o que aconteceu mais tarde, estes três pontinhos iniciais são preciosos.

 

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Antes do jogo com a Alemanha, até estava otimista q.b., sobretudo depois de saber do empate entre a França e a Hungria. Agora em retrospetiva, não sei se esse resultado nos trouxe alguma vantagem para além de um sorriso presunçoso. Mas na altura, de uma maneira estranha, deu-me alguma esperança.

 

Esperança que, apesar de tudo, ainda durou um bocadinho. Talvez demasiado. Ficámos numa situação parecida à da Hungria na primeira parte do nosso primeiro jogo: completamente dominados pelos alemães, só que defendendo pior. Como disse antes, Raphael Guerreiro já viu melhores dias mas, como veremos adiante, as maiores falhas estavam à direita. 

 

Antes, uma das coisas que prolongou a minha relativa ilusão foi o golo português, contra a corrente do jogo. Todos concordam que foi uma jogada lindíssima: a arrancada de Bernardo Silva, o sprint de Cristiano Ronaldo, Diogo Jota desta vez tomando a decisão correta e passando ao Capitão.

 

Este golo foi uma das poucas coisas boas da tarde. Independentemente de tudo o que aconteceu antes ou depois, era a primeira vez desde 2008 que marcamos à Alemanha. Era mais um golo marcado por Ronaldo – que fica agora a dois da marca de Ali Daei –  mais uma data de recordes quebrados e um argumento contra aqueles que dizem que Ronaldo “só marca a seleções pequenas”.

 

Ora, a Alemanha não acusou o golo. Continuou na sua e finalmente, pouco após a meia hora de jogo, conseguiu marcar dois golos em poucos minutos. Mais tarde, ainda no início da segunda parte, os alemães marcaram o terceiro. Dez minutos depois, mais coisa menos coisa, marcaram o quarto.

 

Falo dos quatro golos alemães de uma assentada porque estes têm todos o mesmo ADN. Durante o jogo, aquando do terceiro golo, eu barafustava para quem me quisesse ouvir:

 

– Mas quem é que deixou aquele gajo sozinho? Quem é que deixou aquele gajo sozinho?

 

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“Aquele gajo” era Robin Gosens. E a verdade é que, vendo agora imagens dos golos alemães, todos eles metem Gosens completamente à vontade à direita. Chega a ser caricato. Pouco importa que os dois primeiros golos tenham vindo de portugueses na baliza errada. Isto foi praticamente o mesmo golo em repetição.

 

Portugal até melhorou mais tarde, quando Fernando Santos meteu João Moutinho – mas também quando a Alemanha tirou o pé do acelerador. Conseguimos até marcar mais um golo na sequência de um livre – com Ronaldo fazendo uma assistência acrobática para a finalização de Diogo Jota.

 

Não evitou a derrota, mas poderá ser importante nas contas dos melhores terceiros.

 

Ainda houve tempo para Renato Sanches – que está em ótima forma – dar um tiro à barra. Infelizmente, o resultado desfavorável manteve-se. 

 

Não foi uma tragédia como o que aconteceu em 2014 e, por princípio, não é vergonha nenhuma perder contra a Alemanha. Mas todos concordam que podíamos ter feito mais. Não sou a melhor pessoa para avaliar o que falhou, mas até eu reparei que, em ambos os jogos, as coisas corriam melhor depois de Fernando Santos mexer no meio-campo. 

 

Além disso… cinco faltas contra quinze da Alemanha? Não é normal!

 

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Pouco depois do fim do jogo, os Marmanjos vieram para as redes sociais pedindo-nos para acreditarmos “tanto quanto eles”. Mesmo os comentadores da TVI durante o jogo iam mantendo um tom irritantemente otimista, sem noção (piores do que eu...). Chegaram a dizer coisas como:

 

– Aquilo que nos aconteceu hoje pode acontecer à França na quarta-feira.

 

Pois. Eu também posso ganhar o Prémio Nobel da Literatura este ano.

 

Não é que não acredite, porque acredito. Não seria a primeira vez – e em princípio não será a última – que a Seleção dava a volta a circunstâncias tão desfavoráveis como esta. Diz que é possível seguirmos em frente mesmo perdendo contra os franceses – e a vantagem de este ser o grupo F é o facto de sermos os últimos a jogar. Entraremos em campo conhecendo os mínimos olímpicos para seguirmos para os oitavos-de-final. À hora desta publicação, “basta-nos” perder por dois golos de diferença. 

 

Ao que chegámos… Peço desculpa, mas isto chega a ser patético. Nunca gostei de pegar na calculadora, apesar de, como disse antes, ser a nossa sina. Mas ao menos antes só tínhamos de incluir equipas do nosso grupo na equação. Na minha opinião, o critério dos “melhores terceiros” estraga um pouco a fase de grupos.

 

Enfim, é o que temos. Mal por mal, ao menos sempre é mais digno ficarmos em terceiro num grupo com a Alemanha e a França do que num grupo com a Islândia e a Áustria. 

 

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Mas dizia eu que o problema não é não acreditar. Eu acredito e acho que a maior parte de nós acredita. O problema é que acreditar não basta. É preciso aprender com os erros, fazer melhor em campo, jogar melhor – seja individualmente, seja coletivamente, seja o que quer que seja. Não sei o suficiente para apontar dedos, mas sei que temos capacidade para mais do que isto. Somos Campeões Europeus e temos grandes jogadores do nosso lado. Somos melhores do que isto!

 

Quando estivemos numa situação parecida com esta há cinco anos, escrevi que, se tudo corresse bem e nos tornássemos Campeões Europeus, ninguém se ralaria com o facto de nos termos apurado em terceiro no grupo. Não foi bem assim – pelo contrário, foi aqui que nasceu o “de empate em empate” (a parte mais engraçada desta história é que, antes do Euro 2016, Portugal não tinha empatado uma única vez sob a alçada de Fernando Santos). Mas o final dessa história continua a ser aquilo que mais interessa.

 

Da mesma forma, hoje sinto-me desiludida, mas isso passará se seguirmos em frente no Europeu. Mais: quanto mais aprendermos com o que aconteceu no jogo de sábado, mais longe iremos na prova. Aí acreditarei em Fernando Santos quando diz que, se apanharmos a Alemanha na final, ganhamos nós. 

 

Mas não conto com esse ponto até ele nascer. Ainda temos os franceses no nosso caminho, com quem nunca é fácil lidar, nem mesmo nas melhores circunstâncias. Agora vieram de um escandaloso empate perante a Hungria e vão encontrar a seleção que lhes tirou o Europeu que eles mesmos organizaram. 

 

São meninos para nos darem uma goleada só mesmo para garantir que vamos para casa mais cedo. Nem quero imaginar a humilhação…

 

Eu acredito no empate pelo menos – e já será suficientemente difícil. Se há algo de que tenho a certeza hoje é que ninguém na Seleção quer ficar pela fase de grupos. Nunca aconteceu connosco num Euro, era no mínimo indigno acontecer agora. Falta é passar dos desejos à ação. 

 

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Venham de lá os franceses. Uma vez mais, vemo-nos do outro lado.

Antes da nossa estreia no Euro 2020

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No passado dia 4 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou sem golos com a sua congénere espanhola. Mais tarde, no dia 9, venceu a sua congénere israelita por quatro bolas sem resposta. Ambos os jogos foram de carácter particular. Agora, estamos em contagem decrescente para a nossa estreia no Euro 2020, perante a Hungria, em Budapeste. 

 

Antes de começarmos, não posso deixar de falar sobre o que aconteceu no jogo entre a Dinamarca e a Finlândia. Eu, como muita gente, apanhei um susto, apesar de não saber nada sobre Christian Eriksen – e à semelhança de muitos amantes portugueses de futebol, tive recordações horríveis do que aconteceu com Miklos Feher em 2004. 

 

Felizmente, evitou-se a tragédia e o mundo do futebol respirou de alívio. Já muitas pessoas elogiaram os intervenientes (os colegas de equipa, os adversários, os médicos, os adeptos gritando por Eriksen no estádio). Eu assino por baixo de todas. É muito triste que isto tenha acontecido no Europeu que já tinha sido adiado por motivos de saúde, num dos poucos jogos com público esta época. Mas o mais importante é que Christian sobreviveu. A história teve um final feliz.

 

Passemos à frente.

 

Este é apenas o meu segundo texto aqui no blogue desde que entrámos em modo Europeu. Eu tinha avisado que seria assim, mas ainda é estranho. Nestes últimos dias às vezes penso em Europeus e Mundiais anteriores. Escrevia muito mais aqui, andava mesmo mais entusiasmada do que me sinto hoje.

 

A verdade é que estou mais velha e menos disponível para andar sempre a pensar na Seleção. Além disso, já são treze anos de blogue, muitos jogos, muitos campeonatos, parte da novidade perdeu-se – pelo menos no que toca aos estágios de preparação.  Os jogadores dão quase sempre as mesmas respostas politicamente corretas nos contactos com os jornalistas e os jogos particulares têm pouco valor preditivo do que acontece quando é a doer – mais sobre isso já a seguir.

 

 

Também não tenho muito a dizer sobre as campanhas publicitárias: não são más, mas nenhuma é absolutamente extraordinária. Gosto do facto de a do Continente não se limitar à Seleção A e estou a fazer a coleção de cromos deles. A da Galp também está gira – eles nunca desiludem. 

 

Quanto à música de apoio, Vamos Com Tudo… aprecio a intenção e não desgosto. No entanto, como cheguei a explicar na página de Facebook (a publicação já lá não está porque houve cometi a asneira de reativar a versão antiga das páginas e perdi os últimos três meses de publicações, mais coisa menos coisa. Ao menos ainda tenho este tweet), nesta fase a FPF tem de tirar a cabeça da areia e fazer d’A Minha Casinha a música oficial da Seleção. 

 

Falemos então dos particulares, começando pelo primeiro. O jogo com a Espanha não foi brilhante da parte de Portugal. Vejam-se as estatísticas ao intervalo: setenta por cento de posse de bola para nuestros hermanos. Ainda assim, como disse Fernando Santos mais tarde, os espanhóis não fizeram nada de transcendente. Rui Patrício teve poucas ocasiões para brilhar, ao contrário do que tinha acontecido no jogo anterior com a Espanha, em outubro do ano passado.

 

Por outro lado, foi bom ver Pepe de novo a jogar pela Seleção, passados estes meses todos. Já tinha saudades dele. Ao mesmo tempo, José Fonte esteve bem, tirando uma falha ou outra. Chegou mesmo a enfiar a bola na baliza aos vinte e dois minutos – o único em todo o jogo a conseguir fazê-lo. O problema foi ter-se empoleirado em Pau Torres para chegar à bola – árbitro nenhum deixaria passar.

 

Pena Fonte não ter conseguido marcar de maneira legal. Teria piada: outro golo contra a corrente do jogo, cerca de 24 horas depois das meias-finais dos sub-21. 

 

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Já que falamos de centrais, adiantemo-nos um bocadinho e falemos de Danilo. Fernando Santos colocou-o a central na segunda parte e acho que todos concordam que ele se saiu bem. Podemos não concordar com esta opção de Fernando Santos, mas ao menos a qualidade de Danilo não será um problema. 

 

Quem gostei muito de ver neste jogo (e não fui a única) foi Renato Sanches. Tirando umas faltas parvas que ele cometeu na primeira parte, terá sido um dos melhores portugueses em campo – com umas arrancadas fazendo lembrar o Euro 2016. Num dos contactos com os jornalistas, Renato disse que se sente melhor jogador hoje do que há cinco anos. Preciso de vê-lo mais vezes em campo para confirmá-lo, mas parece-me que está pelo menos ao mesmo nível.

 

Não há muito mais a dizer sobre este jogo. Como disse antes, Portugal não começou bem, mas foi crescendo ao longo dos primeiros quarenta e cinco minutos. A segunda parte foi mais aberta, mais individualista – os lançados Pedro Gonçalves e Nuno Mendes deram uns ares de sua graça – mas mesmo assim nada por aí além. Apesar da ligeira superioridade espanhola, o empate acabou por ser um resultado justo. 

 

Muitos de nós estavam à espera de um bocadinho mais, eu incluída, mas um empate com uma das nossas maiores bestas negras – só lhes ganhámos uma vez em jogos oficiais e, mesmo em jogos particulares, a última vitória foi há mais de dez anos – nunca é um mau resultado. 

 

Além disso, da minha experiência, os primeiros particulares da preparação para um Europeu ou Mundial nunca são brilhantes e nunca ficam na História. Por exemplo, quantos de nós se lembram que antes do Mundial 2018, há três anos, empatámos com a Tunísia? Eu não me lembrava! 

 

Nessa linha, os últimos particulares não são necessariamente mais memoráveis mas, nos últimos anos, a tradição tem sido escolher um adversário mais acessível para garantir uma vitória fácil, mesmo generosa. Para dar moral e quebrar alguns enguiços (não é, Cristiano?). Antes do jogo, não incluía Israel nesse grupo, estava até à espera de um jogo um pouco mais difícil, mas é provável que tenha sido essa a intenção. 

 

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Suponho que ainda estava com os nossos jogos de 2013 na mente. Esqueci-me que, hoje, Portugal é melhor equipa. 

 

Os portugueses entraram bem no jogo, com uma oportunidade logo aos dois minutos – eu ainda mal me aperceber que o jogo tinha começado. Como disse Fernando Santos, “podíamos ter feito dois ou três golos nos primeiros vinte e cinco minutos”. O problema era a finalização – Diogo Jota, por exemplo, não estava inspirado.

 

Por estes dias, tem havido quem fale em alinhar André Silva ao lado de Cristiano Ronaldo: o segundo melhor marcador do campeonato alemão ao lado do melhor marcador do campeonato italiano. Compreendo que critiquem Fernando Santos por, ao que parece, não investir nessa opção. Até concordo em parte – afinal de contas, essa dupla deu bons resultados entre 2016 e 2018, mais coisa menos coisa.

 

Dito isto, também compreendo que Fernando Santos não queira ir por aí, para já. André Silva teve um par de épocas menos conseguidas e acabou por perder lugar na Seleção – nas poucas oportunidades de que tem disposto, ainda não deu motivos ao Selecionador para apostar nele. Ao mesmo tempo, Diogo Jota tem sido uma peça importante na Turma das Quinas após o hiato da pandemia – e toda a gente sabe o que se diz sobre equipas que ganham. 

 

É daquelas coisas que, em teoria, são boa ideia mas que é difícil passar à prática. Infelizmente não estou a ver André Silva como opção de primeira linha neste Europeu. Mas poderá vir a ser um trunfo secreto numa situação de aperto. 

 

Regressando ao jogo com Israel, foram precisos quarenta e dois minutos para se chegar ao golo. Bom entendimento à direita entre Bernardo Silva e João Cancelo, este último assistiu para Bruno Fernandes que não falhou. 

 

 

Este jogo estava fadado para ter golos aos pares, perto do final de cada uma das partes. O segundo golo veio poucos minutos depois do primeiro. Bruno Fernandes também esteve neste – assistiu para Ronaldo, que beneficiou de um frango do guarda-redes Marciano. 

 

Na segunda parte, Fernando Santos mudou a estratégia e, como acontece em muitos particulares deste género, a qualidade decaiu. Chegou a ser secante nalguns momentos. Mas felizmente tivemos direito a um segundo par de golos, ao cair do pano.

 

Aquele remate de João Cancelo, encontrando um corredor para a baliza no meio de uma grande área cheia, para começar. E depois o tiro de Bruno Fernandes (após assistência de Gonçalo Guedes), à entrada da área, mesmo no canto superior esquerdo da baliza. Ninguém podia defender aquela.

 

Para mim estes foram os melhores em campo: Cancelo e Bruno Fernandes. Quem diria que finalistas europeus de clubes fariam a diferença, não é? 

 

Pena é Cancelo ter testado positivo para o Coronavírus e ir falhar o Europeu. Logo agora que ele se revelava tão promissor, ele que podia combinar-se com Bernardo Silva! 

 

Ao menos sempre é uma oportunidade para o Diogo Dalot.

 

 

Regressando ao particular com Israel, este foi um bom jogo. É claro que temos de dar um desconto por ser uma equipa como Israel, no entanto. Quem nos dera que as coisas fossem assim tão fáceis no Euro.

 

...e daí talvez não. Como toda a gente sabe, é quando as coisas são demasiado difíceis que Portugal se atrapalha.

 

De qualquer forma, os particulares são águas passadas, o Europeu já começou. Citando Rui Reininho, “agora é a doer”. E vai doer, não se iludam. 

 

Ainda não tive oportunidade de falar sobre a Hungria como adversário. São a seleção mais fraca do grupo F, ninguém discorda, mas eu não os descreveria como sardinhas, como fiz antes. Mal por mal, vão em onze jogos sem perder e, na última fase de grupos da Liga das Nações, subiram à divisão A.

 

Isto para não falar do caricato jogo da fase de grupos de 2016. Por outro lado, recordar que os húngaros vão jogar em casa, com um estádio cheio e tudo. Da última vez que visitámos a Hungria vencemos… mas houve sangue.

 

Por fim, recordo que Portugal tem a mania infeliz de não ganhar o primeiro jogo de um Europeu ou Mundial. A última vez que o conseguiu foi em 2008, ainda este blogue era um bebé. Mas desta feita não vai dar – não podemos dar-nos a esse luxo.

 

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Em suma, não esperem facilidades. Nem perante a Hungria, nem perante a Alemanha ou a França, nem perante qualquer adversário que se cruze connosco, caso passemos a fase de grupos. Estive a ver este vídeo de uma previsão do Europeu e olhemos para as possíveis seleções no nosso caminho: ele é Espanha, ele é Croácia, ele é Inglaterra, ele é Bélgica, ele é uma Itália que teve uma boa estreia neste Europeu… 

 

Eu não sei se vou aguentar, minha gente. 

 

Dito isto, na minha opinião, pelo menos no que toca a individualidades, esta é a melhor seleção que temos em anos – desde o Euro 2004 e o Mundial 2006, arrisco-me a dizer. Como referi antes, temos três finalistas europeus de clubes (tínhamos quatro, mas o FDP do Covid…), temos muitos jogadores que foram campeões nos respectivos campeonatos, temos o Melhor do Mundo. Se há Equipa de Todos Nós à altura deste desafio... é esta. 

 

É claro que o talento por si só não basta. É preciso saber usá-lo – e há muita gente que não perdoará a Fernando Santos, se ele não for capaz de canalizar esta qualidade toda para um bom desempenho neste Europeu.

 

Pois bem, eu acredito. Vai ser difícil, cada jogo vai ser um sofrimento atroz. Racionalmente, não ponho as mãos no fogo. Mas acredito dos jogadores e equipa técnica, acredito na sua determinação e entrega, na sua capacidade de superação. Afinal de contas, Portugal costuma dar-se bem em circunstâncias como estas. É certo que, até agora, só a Espanha foi capaz de revalidar um título europeu, mas nunca se sabe… 

 

O melhor é ir encarando um jogo de cada vez. Para já é importante começarmos com uma vitória perante a Hungria, o que nos facilitará bastante a vida no chamado Grupo da Morte, ou Grupo da Vida, ou Grupo da Glória (é bom que Portugal ultrapasse as suas manias de não ganhar o primeiro jogo, de se boicotar a si mesmo). Depois logo se vê.

 

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O jogo é terça-feira às cinco da tarde, que é a hora a que saio do trabalho. Estive a pensar em hipóteses diferentes, mas em princípio venho ver o jogo para casa, mesmo que tenha de acompanhar a primeira parte na rádio, no caminho. Por um lado, quero ver se não perco muita coisa por não ter acesso à televisão. Por outro, até será simpático se marcarem um golo durante o meu regresso a casa – para além das vantagens de marcar um golo cedo, dava para eu cumprir um desejo antigo de festejar com buzinadelas. 

 

Em relação a este blogue, ainda não sei quando tornarei a publicar de novo, mas em princípio vou tentar escrever uma crónica sobre os dois primeiros jogos. Em último caso, escrevo um texto sobre os três jogos da fase de grupos. De qualquer forma, como habitual, vou deixando as minhas impressões na página de Facebook deste blogue. 

 

Terça-feira saltamos para a toca de coelho. Vemo-nos no outro lado. 

 

Teremos sempre Paris

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Na passada quinta-feira, dia 20 de março, Fernando Santos divulgou a lista de Convocados para representar Portugal no Euro 2020.

 

Isto já não é novidade para quem conheça este blogue há algum tempo. Para mim, o Europeu começa com a Convocatória. O que não é tão habitual para mim é só escrever depois da Divulgação. Deve-se a falta de tempo, em parte, mas também porque receei não ter muito a dizer sobre os Convocados – pelo menos não o suficiente para merecer um texto em separado.

 

Este vai ser um Europeu especial em muitos aspetos. Decorre com um ano de atraso (estamos em 2021, mas ainda lhe chamamos Euro 2020) e durante uma pandemia (mais sobre isso adiante). Será também um campeonato onde entramos como detentores do título – e com desejos de renová-lo. 

 

O problema é que o caminho para a renovação passa pelo chamado Grupo da Morte, conforme vimos na altura – meu Deus, parece que o sorteio foi noutra vida!

 

Fernando Santos já disse que somos candidatos ao título, que “espera só regressar a 12 de julho”, ainda que admita que não somos favoritos. Eu concordo com essa ideia. Quero vencer o Europeu outra vez e hei de reforçá-lo nos próximos textos. 

 

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Hoje no entanto quero sacudir a pressão sobre os Marmanjos e dizer que, se não conseguirmos ganhar de novo, não faz (muito) mal porque, ao menos, já ganhámos uma vez.

 

Já lá vão quase cinco anos desde a final do Euro 2016, mas ainda não nos cansámos de falar sobre ela. Duvido que algum dia nos cansemos. Foi o primeiríssimo título após anos de ameaças, de excelentes jogadores. Além disso, o jogo em si foi uma epopeia, cheia de momentos e pormenores deliciosos, conforme recordei aqui.

 

É possível que fiquemos sem a Taça dentro de mês e meio. No entanto, nunca nos tirarão o 10 de julho. Teremos sempre Paris. Teremos sempre aquela final cinemática, as celebrações madrugada fora e no dia seguinte. Adversário nenhum pode roubar-nos recordações – mesmo que percamos faculdades mentais, temos o documentário “10 de julho”, ocasionais reposições do jogo, notícias, blogues como este e o testemunho verbal de milhões para nos reavivar a memória.

 

Tal como ninguém poderá tirar o Euro 2004 aos gregos, para mal dos nossos pecados. 

 

Se tornarmos a ganhar, dificilmente será a mesma coisa, dificilmente será tão especial. Ou melhor, até pode ser especial, até podemos vir a ter outra epopeia, quer na final, quer nos jogos anteriores. Mas será diferente – e não terá aquele sabor de um sonho realizado ao fim de tanto tempo. 

 

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Será diferente sobretudo porque, ganhemos ou não no final, não vamos poder vivê-lo da mesma forma. Pandemia e tal. Veja-se o que aconteceu há coisa de duas semanas, quando o Sporting ganhou o campeonato (finalmente! A minha irmãzinha sportinguista já o merecia há muito!).

 

Concordo que foi uma imprudência o que aconteceu, para não dizer pior, que devia ter sido melhor planeado e ainda estamos para ver quais serão as consequências no controlo da doença. 

 

Dito isto, não consigo ser demasiado dura para com os adeptos que saíram às ruas. Se tivesse sido a vitória no Europeu, eu também não ficava em casa. Há coisa de um ano, durante as ordens de confinamento, tínhamos um meme a circular pelas internetes mostrando um doente entubado com a seguinte legenda: "Que bem me soube aquele passeio pela Marginal”. Eu acho que existem por aí muitas pessoas que, mesmo que tivessem de ficar ligadas a um ventilador, pensariam “Ao menos pude ver o Sporting campeão, dezanove anos depois, e ir festejar para o Marquês”

 

Eu mesma pensaria o mesmo, no lugar deles. Eu que não vou a jogos de futebol há quase dois anos e raramente fui tão feliz como quando festejei as conquistas do Europeu e da Liga das Nações

 

Mesmo sem me colocar no lugar dos sportinguistas, eu gostei de ver pessoas nas ruas com camisolas e cachecóis futebolísticos, poucas horas antes do jogo com o Boavista. Já não via isso há mais de um ano – e como vivo mais ou menos a meio caminho entre o Estádio de Alvalade e o Estádio da Luz, antes da pandemia isto era uma visão habitual no meu bairro. 

 

O pior é que isto não afeta só o individual – o nosso último ano, ano e meio teria sido muito mais fácil se assim fosse. Aqueles adeptos podiam não querer saber do coronavírus, mas isso pode não ser verdade para as pessoas que, mais tarde, contactaram com eles. 

 

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Tendo isto em conta, eu tentaria um meio-termo. Como fez a minha irmã: em vez de ir para a confusão do Marquês, ficou no Campo Grande, onde estava menos gente, e esteve sempre de máscara (pelo menos foi o que me disse). 

 

Portanto, se voltarmos a ganhar o Europeu, dificilmente poderemos celebrar sem restrições. Talvez tenhamos mais liberdade do que agora: será daqui a um mês e meio, quase dois meses, mais pessoas estarão vacinadas, talvez a doença esteja mais controlada… mas teremos de ter cuidado à mesma, quase de certeza. 

 

Mesmo antes, acho que não existirão fan zones, como aquela onde fui entrevistada durante o Mundial 2018. Eu tinha ficado com o desejo de ver um jogo de um Europeu ou Mundial desde essa altura – ou pelo menos numa esplanada. Em parte para evitar os meus vizinhos, que me dão spoilers dos golos em jogos desta envergadura. Mas até isso não deverá ser permitido. 

 

E mesmo que o seja… serei capaz de fazê-lo sem medo ou culpa?

 

A vitória no Euro 2016 veio na altura certa por vários motivos – um deles por ter ocorrido quando ninguém sabia ainda o que era um coronavírus. Não havia necessidade de colocar entraves à nossa diversão, pudemos disfrutar como deve ser. Todas estas medidas preventivas – bem como o cansaço psicológico de viver em pandemia – estragam-me um pouco o entusiasmo por este Europeu. 

 

Com um bocadinho de sorte, esse há de crescer à medida que nos aproximamos do Euro. Em todo o caso, fica o desabafo. Passemos à frente.

 

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Acho que ninguém ficou muito surpreendido com a Convocatória para o Euro 2020. Era mais ou menos o que se esperava de Fernando Santos. A grande novidade é a inclusão de Pedro Gonçalves, também conhecido por Pote. Menos de vinte e quatro horas depois de se ter sagrado o melhor marcador da Liga Portuguesa – o primeiro português a consegui-lo desde… Domingos Paciência, que hoje é treinador e tem um filho profissional há já vários anos. 

 

Eu não tinha a certeza de que Pote viria ao Europeu. A sua ausência nos jogos de março deu-me sinais confusos. Fernando Santos explicou que só não chamou Pote em março porque não teria tempo para observá-lo como deve ser. Como vimos na altura, foram três jogos em menos de uma semana, os treinos serviam para muito pouco. 

 

Aceita-se.

 

Não tenho visto grandes objeções a esta lista. Muitos têm contestado a Chamada de William Carvalho, que tem jogado pouco no Bétis. Compreendo as críticas, mas também compreendo que William seja um jogador da confiança de Fernando Santos. Uma incoerência numa lista de vinte e seis não é problemática, na minha opinião – até porque também gosto de William.

 

Quanto à parte de só levar três centrais, aí concordo com a opinião popular: má ideia. Levamos dois centrais que, como diria Manuel José, já são quase avôs. Pepe falhou inclusivamente os dois últimos compromissos da Turma das Quinas por lesão – quem nos garante que ele não se lesiona outra vez, que estamos em fim de época? Fernando Santos diz que outros jogadores, como William ou Palhinha, podem jogar como defesas, se for necessário. Mas não seria mais seguro termos um central de raiz?

 

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Além de que este continua a ser um setor que precisa de sangue novo. Temos o jovem Rúben Dias (que tinha dez anos quando Pepe se estreou na Seleção, quase podia ser filho dele), um dos melhores centrais da Europa atualmente, um dos nossos orgulhos, mas não chega. Se levássemos outro central – por exemplo, Rúben Semedo – matávamos dois coelhos com uma cajadada. A curto prazo, teríamos um central extra. A longo prazo, investíamos no futuro do setor defensivo. 

 

Enfim, tudo isto são problemas menores na minha opinião. Temos um conjunto cheio de talento – vários que foram campeões pelos respectivos clubes, um que chegou à final da Liga Europa e três que estão na final da Liga dos Campeões (é refrescante por uma vez não ser o Ronaldo a chegar atrasado à Cidade do Futebol). Um grupo digno de tentar a revalidação do título. Além disso, Fernando Santos já nos ganhou dois títulos, merece a nossa confiança.

 

Dito isto, para os críticos de Fernando Santos (uns mais legítimos do que outros), esta será a prova dos nove. Aqui o Selecionador não se poderá esconder atrás do “ai e tal, tive pouco tempo para treinar”. Agora é que vamos ver se Fernando Santos é o homem certo no lugar certo ou se o seu tempo já acabou.

 

A preparação começa oficialmente amanhã. Posso ter começado este texto retirando a pressão sobre os ombros dos Marmanjos, mas isso não significa que não quero a Taça – nem que não vou ficar triste se não a conseguirmos. Mesmo que não dê para celebrar da forma que desejo, quero vitórias à mesma. Não vai ser fácil, mas eu acredito na Seleção. Sei que temos capacidade para sobreviver a este grupo difícil – e, dos oitavos-de-final para a frente, tudo é possível. 

 

Vale a pena recordar que serão jogos de muito sofrimento. Repito o conselho que dei em dezembro de 2019: preparem-se (sobretudo se forem do Sporting, o vosso coração já teve a sua dose esta época). Se calhar já não vão a tempo de irem ao cardiologista, mas tentem arranjar receitas para comprimidos de nitroglicerina, para meter debaixo da língua nas alturas mais difíceis.

 

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No que toca a este blogue, não se chegou a confirmar aquilo de que falei no meu último texto: ainda tenho tempo para escrever aqui. No entanto, as coisas deverão mudar à mesma, porque estamos a falar de um campeonato longo de seleções. O Mundial 2018 foi um período muito stressante para mim, tentando conjugar o blogue com um emprego recente. Na altura prometi a mim mesma que, no próximo campeonato de seleções deste género, tiraria pelo menos alguns dias de férias. 

 

O pior é que estou outra vez num emprego novo – ainda não posso tirar férias. Isto não teria acontecido se o Europeu tivesse decorrido na altura certa, maldita pandemia!

 

Assim, mantenho o plano de fazer as coisas de maneira um pouco diferente. Não me vou obrigar a escrever um texto para cada um dos jogos, para começar. Escreverei e publicarei quando conseguir – vou falando sobre os meus planos na página do Facebook. A prazo mais curto, não deverei publicar antes do jogo com a Espanha – jogámos com eles há pouco tempo, não há muito a dizer sobre os espanhóis – a menos que surja algo de interessante nos primeiros dias da preparação. 

 

Como habitual, obrigada pela vossa visita. Estou ansiosa por viver este Europeu na vossa companhia. Esperemos que termine da mesma maneira que o último.

Tédio, roubo e falta de intensidade

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No passado dia 24 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere azeri por uma bola a zero. Três dias mais tarde, em Belgrado, empatou a duas bolas com a sua congénere sérvia. Finalmente, no dia 30, venceu a sua congénere luxemburguesa por três bolas a uma. Todos estes jogos contaram para a Qualificação para o Mundial 2022 e, com estes resultados, Portugal conta sete pontos e segue em primeiro da classificação do grupo.

 

Esta foi uma jornada tripla bastante atribulada. Começando pelo primeiro jogo – uma maneira triste e entediante de começar o ano da Seleção. Cheguei a perguntar-me se fora mesmo daquilo que tivera saudades durante semanas – até porque nesse tempo andei a ver os jogos do Sporting com a minha irmã. 

 

Não diria que a Seleção jogou mal. Portugal não comprometeu, não cometeu erros. No entanto, não houve intensidade, não houve inspiração no ataque, nada que entusiasmasse. Ao mesmo tempo, o “Azérbaijão” (o novo “Félich” que me irritou tanto que, na segunda parte, mudei para a SportTV) mal saiu do seu meio campo durante a primeira parte. Mesmo quando conseguiu sair, mais tarde, não chegava a ameaçar a baliza de Anthony Lopes.

 

O resultado disto tudo foi um dos jogos mais enfadonhos de que há memória. É verdade que ganhámos – e não ganhávamos num primeiro jogo de Apuramento há oito anos e meio – mas este é o pior tipo de vitória. Nem sequer tivemos o prazer de festejar um golo. Foi Medvedev a marcar na própria baliza. A única coisa em que este jogo foi melhor que outras estreias em Apuramentos foi mesmo os três pontos.

 

Na altura as reações nas redes sociais a este jogo foram duras. Eu, embora concordasse com o essencial das críticas, achava um exagero. Sim, fora um jogo mau, mas estava longe de ser o pior de sempre da Equipa de Todos Nós – acreditem, eu sei do que falo. Não fazia sentido estar a pôr tudo em causa por um jogo em que ganhámos. Eu sabia que da próxima vez, com um adversário mais estimulante, a coisa correria melhor. Certo?

 

Acho que não se justifica dizer “Errado!”, mas…

 

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O resultado abaixo das expectativas no jogo com a Sérvia desiludiu-me um pouco mais do que o costume porque eu estava a ter um dia bom. Dias bons em tempos de pandemia são raros. Tinha ido dar sangue de manhã – por mera coincidência era Dia Nacional do Dador. Já agora, deem sangue! – estava bom tempo, dera um agradável passeio higiénico, tivera pizza para o jantar. 

 

A boa disposição manteve-se durante a primeira parte. Portugal não foi brilhante, mas dominou o jogo – um alívio após a fraca exibição em Turim. O primeiro golo foi marcado logo aos dez minutos – Bernardo Silva assistiu para a cabeça de Diogo Jota. O segundo golo, aos trinta e cinco minutos, foi idêntico ao primeiro – desta vez com Cédric Soares a assistir. 

 

Ao intervalo sentia-me satisfeita e otimista em relação ao resto do jogo. Os Marmanjos manteriam o nível, mais ou menos, marcariam mais um golo ou, pelo menos, conservariam a vantagem. Reconheço agora que este otimismo era um tudo nada exagerado. O género de engano de alma ledo e cego que já deveríamos saber que a Fortuna não deixaria durar muito.

 

Não cheguei a ver o primeiro golo da Sérvia pois atrasei-me a mudar de canal no fim do intervalo – foi logo aos primeiros minutos. Na altura não me preocupei muito pois continuávamos em vantagem. No entanto, a intensidade da primeira parte desaparecera sem deixar rasto. Pior de tudo, aos sessenta minutos, na sequência de (tenho de reconhecer) uma bela jogada de contra-ataque, os sérvios empataram a partida.

 

Não se pode dizer que Portugal tenha procurado febrilmente regressar à vantagem. António Tadeia é da opinião que, a certa altura, Fernando Santos resignara-se ao empate. No entanto, Portugal chegou a conseguir enfiar a bola na baliza, mesmo no último minuto, a minha irmã até desatou aos guinchos… mas não valeu. 

 

Vamos então falar deste infame momento e da reação de Ronaldo. Um episódio que tem feito correr muita tinta digital e, à boa maneira das redes sociais, as discussões chegaram a extremos ridículos. 

 

 

Deixo aqui o meu contributo para o debate. Para começar, sim, o golo era legal – dá para ver no vídeo acima – custou-nos dois pontos. Não culpo os árbitros, são humanos. É para compensar as suas limitações que existe o vídeo-árbitro e a tecnologia da linha de golo… que, no entanto, continuam a não ser usadas nas fases de Apuramento porque… razões.

 

Já não é a primeira vez que a falta de VAR, passe a expressão, nos lixa. A outra vez foi há dois anos, mais dia menos dia, por sinal também frente à Sérvia, também num segundo jogo de Apuramento. Estive a ouvir a Conferência de Imprensa depois do jogo e tive um dejá-vu quando Fernando Santos disse que o árbitro lhe pedira desculpa. 

 

Nos dias seguintes a FIFA chutou as responsabilidades para a UEFA, a UEFA chutou as responsabilidades para as federações dos países que organizam os jogos – qualquer coisa sobre a federação do país-anfitrião ter de pedir licença à federação do país visitante para implementar a tecnologia da linha de golo. 

 

O que a mim cheira a treta. Haverá alguma federação que recuse as tecnologias? 

 

Para juntar achas a esta fogueira, ao pesquisar para este texto, encontrei notícias de finais de 2019 que indicam que a UEFA aprovou o VAR para os jogos de Qualificação, estava só à espera da luz verde da FIFA. Porque é que não passou da decisão à prática? A FIFA não autorizou e, agora, está a mentir? A FIFA autorizou mas a UEFA “esqueceu-se” de implementar a tecnologia?

 

Não faz sentido. 

 

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Regressando ao momento do golo, não gostei nada da reação de Ronaldo. Sim, foi uma reação humana, no calor do momento, não serei eu a atirar a primeira pedra – se bem que, da última vez que tive uma reação semelhante (também a propósito do jogo com a Sérvia na Luz) estava mais cafeínada que o costume. Sei também que Ronaldo é daquelas pessoas que tem mau génio, tem sempre as emoções à flor da pele, sente tudo – sobretudo no que toca àquilo que adora, o futebol – não é capaz de esconder nada.

 

Ainda assim… Ronaldo tem trinta e seis anos. Está no futebol profissional há quase duas décadas. Este não foi o primeiro nem o segundo caso de má arbitragem que ele testemunhou e é possível que não seja o último. Ele não devia ter mais controlo sobre si mesmo nesta altura do campeonato?

 

Quanto ao facto de ter atirado com a braçadeira de Capitão… não foi bonito, não foi correto, percebo que algumas pessoas tenham ficado incomodadas com o gesto. No entanto, não acho que tenha sido intencional. Era o que estava à mão. Se ele tivesse um apito ao pescoço ou o telemóvel no bolso, teriam sido esses objetos a voar. 

 

Na verdade, o que me irritou neste episódio é que Ronaldo foi reclamar com o árbitro quando o jogo ainda estava a decorrer. Não houve pausa, tirando alguns segundos depois. Bernardo Silva tentara a recarga. Ronaldo podia ter adiado a birra por um minuto ao dois e ter ficado em campo com ele e os colegas tentando não desperdiçar a jogada. Talvez ele (ou outro qualquer) tivessem conseguido marcar, teríamos agora nove pontos e a conversa hoje seria outra. 

 

Um dos argumentos que tem circulado por aí é que Ronaldo adora a Seleção, adora marcar golos (e tem andado algo ansioso com isso), leva-o a peito, daí essa reação. Eu respeito isso, admiro-o, mas este caso pedia um pouco menos amor e um pouco mais juízo. 

 

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Além disso, sejamos sinceros, se fosse uma mulher a fazer uma birra daquelas, as críticas seriam muito mais duras. Veja-se o que aconteceu com Serena Williams

 

Adiante. Apesar de nos terem roubado a vitória, não se pode dizer que tenhamos feito o suficiente para merecê-la. É claro que “merecer” é relativo: no futebol ganha-se marcando golos e não seria a primeira vez que Ronaldo faria de Deus Ex Machina. Ainda assim, estivemos a ganhar por 2-0 e perdemos essa vantagem. Não foi só culpa do árbitro. 

 

Havemos de falar sobre as falhas da Seleção mais à frente. Antes, o jogo com o Luxemburgo. 

 

Depois da turbulência dos jogos anteriores, só queria uma vitória tranquila. Não precisava de ser uma grande exibição: apenas um jogo sem stress, três pontos ganhos sem grandes complicações, sem dar motivos para polémicas. 

 

Era bom, não era? Aqueles Marmanjos… 

 

Péssima primeira parte, péssima. Uma vez mais, faltou agressividade, faltou concentração. Como diria o próprio Fernando Santos, Portugal estava a jogar a passo, uma espécie de peladinha. Enquanto isso, o Luxemburgo vinha catalisado pela vitória perante a República da Irlanda (!). Com os luxemburgueses entusiasmados e os portugueses apáticos, quem é que acham que marcou primeiro? 

 

 

Só quando deram por si em desvantagem é que os portugas acordaram para a vida. Bernardo Silva passou para o meio, Pedro Neto rendeu o lesionado João Félix. Portugal começou a jogar melhor. Finalmente, em cima do intervalo, Pedro Neto assistiu para Diogo Jota marcar de cabeça. 

 

Dias mais tarde, Jota marcaria da mesma forma pelo Liverpool. Quatro golos de cabeça no espaço de uma semana. O miúdo deixa-me sem palavras. Ninguém diria que esteve três meses lesionado – parece, aliás, que Jota passou esse tempo a treinar cabeceamentos!

 

Depois do intervalo, aos cinquenta minutos, Cristiano Ronaldo colocou Portugal em vantagem, após assistência de João Cancelo. Antes do jogo, eu tinha previsto que ele ia marcar – já são muitos anos, sei como ele funciona. 

 

Acertei… mas acho que todos concordamos que o enguiço ainda não passou por completo. Veja-se a oportunidade dupla que ele desperdiçou aos setenta e oito minutos (após outro período mais apagado da Seleção). Ronaldo não costuma falhar estas. 

 

Algo que é em simultâneo uma vantagem e uma desvantagem da Equipa de Todos Nós é não acompanharmos diretamente o seguimento de momentos específicos das carreiras dos jogadores. Depois das jornadas os Marmanjos regressam aos clubes e, quando voltam à Seleção, as suas histórias já estão num capítulo completamente diferente. Pode ser que Ronaldo já tenha recuperado o faro para o golo quando começarmos a preparar o Europeu.

 

 

Regressando ao jogo contra o Luxemburgo, Portugal conseguiu ampliar a vantagem a dez minutos do fim – com um golo de João Palhinha, na sequência de um canto cobrado por Pedro Neto. Espero que o tenham visto mais tarde, nas entrevistas rápidas: os olhos de Palhinha até brilhavam, estava tão feliz!

 

Ele e o outro estreante, o Nuno Mendes, estiveram muito bem nesta tripla jornada. O segundo em particular, como li algures, tem dezoito anos, mas joga como se tivesse sido internacional a vida toda. Veja-se a assistência dele para o golo não validado de Ronaldo. 

 

Este jogo com o Luxemburgo fez-me lembrar o de 2012, com o mesmo adversário. Nesse também começámos mal, com o Luxemburgo a marcar primeiro. Também conseguimos empatar antes do intervalo, também chegámos à vantagem no início da segunda parte. 

 

Na minha opinião, o jogo de 2012 foi pior – nessa altura, a seleção do Luxemburgo estava menos profissionalizada do que hoje. Ainda assim, a Turma das Quinas está melhor fornecida agora, tem capacidade para melhor.

 

O que me leva ao denominador comum aos três jogos deste compromisso: a falta de intensidade, de concentração. As redes sociais têm colocado as culpas em Fernando Santos, porque é isso que o povo faz. No entanto, tirando algumas decisões, não acho que a culpa seja dele. 

 

A falta de tempo de qualidade com os jogadores é um argumento tão velho como, se calhar, o próprio conceito de seleção nacional mas, para sermos justos, esta é apenas a terceira jornada tripla – e a primeira em que os três encontros são a doer. Foram três jogos em menos de uma semana! Segundo Fernando Santos, entre viagens e jogos, os treinos servem apenas para recuperação, não propriamente para treinar. E suponho que, nesta fase da época, isso pese mais aos jogadores que em outubro ou novembro. 

 

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Há um par de anos talvez torcesse o nariz a essa desculpa. No entanto, se formos a ver, houveram outras seleções com resultados menos bons. A França empatou com a Ucrânia – os ucranianos não são nenhuns bananas, nós mesmos o descobrimos, mas a França sempre os goleou em outubro último – a Holanda perdeu contra a Turquia, a Espanha empatou com a Grécia e, mais chocante de todas, a Alemanha perdeu com a Macedónia do Norte!

 

Tendo isto em conta, os nossos resultados nesta tripla jornada não foram assim tão maus. E não são, mesmo em circunstâncias melhores, como veremos já a seguir. Não será apenas coincidência termos várias seleções de topo com resultados abaixo das expectativas. Alguma coisa se passa e deve ter mesmo que ver com o calendário atual das seleções.

 

Não sou a melhor pessoa para falar disso, mas penso ter lido alguém sugerindo dedicarem um mês, um mês e meio, às fases de Qualificação. Mais ou menos como fazem com os Europeus e Mundiais. Teria a grande desvantagem de aumentar os hiatos entre concentrações da Seleção, mas as vantagens seriam maiores. Os selecionadores teriam mais tempo de seguida para trabalhar com os jogadores e criarem rotinas, logo, a qualidade do futebol aumentaria. Em relação aos clubes, talvez fosse menos prejudicial abdicarem dos jogadores apenas uma ou duas vezes por época, mesmo que durante várias semanas, do que abdicarem-no várias vezes ao ano, por vezes em alturas críticas dos campeonatos. 

 

A hipótese devia ser discutida, no mínimo. 

 

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Nessa linha, concordo com António Tadeia quando diz para guardarmos as pedras para Fernando Santos para depois do Europeu. Será mais adequado avaliarmos as competências do Selecionador quando este tiver oportunidade para trabalhar como deve ser com os Marmanjos.

 

Por agora, apesar das controvérsias todas, do drama, no fim do dia o que conta são os resultados, são os pontos. E a verdade é que estes não são assim tão maus. Como disse antes, foi a primeira vez em oito anos e meio que ganhámos o primeiro jogo da Qualificação. Ainda mais tempo passou, nem sei bem quanto, desde a última vez que conseguimos tantos pontos nos três primeiros jogos de Qualificação – tanto quanto me lembro, tem havido quase sempre um jogo que perdemos ou dois empates. 

 

É claro que nove pontos seriam melhores que sete – ainda não é desta que fazemos uma Qualificação imaculada. Além disso, só conseguimos o Apuramento direto se ficarmos em primeiro lugar. Estamos em primeiro agora, mas a margem de erro não é larga.

 

Eu no entanto estou confiante. Como dei a entender, já nos Qualificámos em circunstâncias mais difíceis. Não há nenhum motivo para falharmos agora. 

 

Mas para já a Qualificação ficará em pausa até setembro. Quando a Seleção se reunir de novo será para preparar o Europeu.

 

Devo avisar que ainda não sei como irei cobrir o Euro 2020 neste blogue. Mudei recentemente para um emprego que me vai roubar tempo de escrita. Ainda não sei ao certo quando, mas será muito difícil eu conseguir escrever uma crónica para cada jogo, ou pares de jogos. Se o blogue não ficar completamente parado durante o Europeu – algo que quero evitar a todo o custo – os textos terão quase de certeza um formato diferente. 

 

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Fico um bocadinho triste, mas sempre soube que isto iria acontecer. Mais cedo ou mais tarde, deixaria de ter a mesma disponibilidade para este blogue. Por outro lado, para ser sincera, às vezes fico um pouco farta da fórmula atual destas crónicas. Talvez uma mudança não seja assim tão má. 

 

Em todo o caso, na pior das hipóteses, se não conseguir voltar cá, fico satisfeita por ter aguentado durante tanto tempo (quase treze anos!) e por ter apanhado tantos momentos felizes. Destaque óbvio para os nossos primeiros dois títulos. 

 

Além disso, vou continuar na página do Facebook – as minhas postas de pescada em torno da Seleção não vão desaparecer por completo das internetes. Não é o meu formato preferido, mas é melhor do que nada. Também servirá para vos manter atualizados em relação a futuros planos para este blogue.

 

Aconteça o acontecer, como sempre, muito obrigada pelas vossas visitas. Até uma próxima!