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O Meu Clube É a Seleção!

Mulher de muitas paixões, a Seleção Nacional é uma delas.

Portugal 0 Espanha 0 – Rui Patrício de um lado, trave do outro

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Na passada quarta-feira, 7 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou sem golos com a sua congénere espanhola, no Estádio de Alvalade, em jogo de carácter particular.

 

Este jogo ficou marcado pelo regresso do público a um estádio de futebol, em Portugal Continental – pela primeira vez após o início da pandemia. Não foram colocados bilhetes à venda, apenas convites. Na quinta-feira descobri que eu fora uma das felizes contempladas, por estar inscrita no Portugal +. O convite duplo fora-me enviado na manhã do dia do jogo – mas eu só vi o e-mail mais de vinte e quatro horas depois. 

 

Em minha defesa, eles podiam ter enviado o convite mais cedo – uns dias antes ou, no mínimo, de véspera. Eu por acaso estava livre nesse fim de tarde, podia ter ido ao jogo – mas não teria companhia. 

 

Bem, pode ser que volte a receber convites para o jogo com a Suécia. Agora sei que tenho de estar atenta ao e-mail.

 

De qualquer forma, foi bom ver um jogo de futebol com público, ainda que reduzido. Eram apenas duas mil e quinhentas pessoas, cinco por cento da capacidade do Estádio de Alvalade, mas eram audíveis. Ouviam-se os aplausos, as exclamações, os assobios. Viam-se mãos nas cabeças nas repetições dos remates falhados. Os Marmanjos não estavam sozinhos.

 

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O futebol não é o mesmo sem isto.

 

Portugal não entrou nada bem no jogo. Não prestei muita atenção à primeira meia hora, pois estava a fazer o jantar, mas até eu reparei que nuestros hermanos encostaram-nos às cordas. Como dá para ver neste vídeo, os espanhóis fizeram sete remates antes dos vinte minutos de jogo, quatro deles nos primeiros dez minutos da partida. Nós mal conseguíamos sair do nosso meio-campo – o guarda-redes espanhol, Kepa, devia ter aproveitado para fazer uma siesta.

 

Este domínio só não se traduziu em golos graças a uma boa intervenção de Raphael Guerreiro, intercetando uma possível assistência de Sergio Canales para Gerard Moreno. Mas sobretudo graças a Rui Patrício. 

 

Já tinha saudades de vê-lo a este nível: imperial perante equipas grandes, um dos melhores guarda-redes da Europa, se não for do Mundo. Não me lembro da última vez que ele teve uma exibição assim. Mas sabem como é que é, quando o guarda-redes se destaca demasiado…

 

Fernando Santos sabia. Os seus gritos eram bem audíveis. E a transmissão televisiva chegou a mostrá-lo no banco, com a mão na testa.

 

Quem nunca?

 

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Felizmente, a partir dos vinte e cinco minutos, Portugal começou a entrar mais nos eixos, a criar oportunidades de perigo. Trincão, por exemplo, assistiu para Raphael Guerreiro aos quarenta e três minutos. Este, no entanto, desperdiçou, chutando para as nuvens. 

 

Em defesa dele, Raphael chutou com o seu pior pé, o direito. Era o que estava mais à mão. Se tivesse podido usar o pé esquerdo, o resultado podia ter sido outro.

 

Ainda houve tempo para Cristiano Ronaldo cabecear ao lado. Portugal terminou a primeira parte em crescendo – crescendo esse que se manteve na segunda parte, depois de Fernando Santos ter trocado João Moutinho, Pepe e André Silva (nem me lembro de ver este último em campo) por William Carvalho, Ruben Dias e Bernardo Silva. 

 

Tivemos um par de lances caricatos, em que a bola bateu na trave e caiu exatamente da mesma forma: em cima da linha de baliza, sem a cruzar. O primeiro foi aos cinquenta e dois minutos: William assistiu, de uma distância considerável, para Ronaldo disparar. Quinze minutos depois, foi Ronaldo quem assistiu, em grande estilo, um belo passe curvo (fez-me lembrar a assistência de Nani para o segundo golo de Ronaldo frente à Holanda, no Euro 2012). Renato Sanches enviou o míssil que atingiu a barra. Como diziam no Facebook das Seleções de Portugal, a trave ainda deve estar a tremer. 

 

 

Eu neste momento só me ria e comentava “Só podem estar a gozar…”. Isto era a maldição dos postes a outro nível. E nem sequer era a primeira vez que a trave ficava do lado de nuestros hermanos, impedindo mais golos que o guarda-redes espanhol. A minha mãe dizia que a baliza tinha um escudo invisível – não vi provas em contrário!

 

Os espanhóis tiveram mais uma oportunidade ou outra, na segunda parte – uma delas obrigou Rui Patrício a mais um momento imperial, defendendo com o joelho. Se a memória não me falha, imediatamente a seguir o recém-lançado João Félix, que substituiu Ronaldo, foi colocar a braçadeira de Capitão no braço de Patrício. Achei apropriado – teria sido melhor se fosse uma coroa. 

 

Ainda assim, se não me engano, foi Portugal quem teve mais oportunidades em toda a segunda parte – pena nenhuma delas se ter concretizado. Perto do fim do jogo, Félix assistiu para Trincão, mas Kepa meteu-se à frente. Mesmo no sopro final da partida, na sequência de um canto, a bola chegou a Félix, mesmo junto à linha da baliza. O jovem podia ter encostado para golo e conseguido a vitória, mas a bola passou-lhe entre as pernas. 

 

O jogo terminou assim, com o marcador teimosamente fechado. O que é chato para o público. Eu teria ficado desiludida por não ter podido gritar “GOLO!” – já aconteceu antes. Mas o que se podia fazer? Na nossa baliza estava Rui Patrício, na baliza dos espanhóis estava um escudo invisível. Estava a trave.

 

Tirando isso, não tendo sido um jogo especialmente memorável, não foi mau para um particular. Teve os seus momentos. O empate foi um resultado justo tendo em conta o que ambas as equipas fizeram. Portugal podia ter feito mais: podia não ter entrado com vinte e cinco minutos de atraso, podia não ter tido pontaria a mais. Mas se é para entrar mal num jogo, se é para ter azar, que o faça quando é a feijões, em vez que fazê-lo quando é a doer. 

 

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Como hoje, frente à França. 

 

França essa que, no mesmo dia do nosso jogo com a Espanha, venceu a Ucrânia, também num jogo particular, por nada menos que sete bolas contra uma. Contra a Ucrânia! Não é propriamente um tubarão, mas sempre está na primeira divisão da Liga das Nações – e venceu-nos no ano passado.

 

Creio que, neste momento, a França é a seleção mais perigosa, mais letal, do momento. Mesmo a Alemanha não parece estar ao nível de há uns anos – empataram com a Turquia num jogo particular (o que também vale o que vale). Não vai ser nada fácil. É bom que Rui Patrício esteja preparado para ser imperial outra vez – palpita-me que vamos precisar.

 

É engraçada a forma como as circunstâncias são tão parecidas com o 10 de julho. O estádio é o mesmo, a hora é a mesma, é também um domingo. Vamos voltar a um sítio onde já fomos felizes. Fernando Santos podia ter Convocado o Éder só para ele estar lá no banco, só para gozar com os franceses. 

 

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Dito isto… isto não é uma final. É apenas um jogo da fase de grupos. Nem sequer é particularmente decisivo – quem ganhar passa para o topo da tabela, mas tem de manter-se lá durante mais três jogos. Um empate não seria um mau resultado mas, como referi antes, todos queremos ganhar. 

 

Vou preparar-me para um jogo de sofrimento – aconselho-vos a fazerem o mesmo. Estou contente por ter conseguido publicar este texto antes do jogo com a França. O próximo cobrirá, então, a partida de hoje e da de quarta-feira, com a Suécia. 

 

Como o costume, obrigada por estarem desse lado. Acompanhem o resto desta jornada tripla comigo, quer aqui no blogue quer na sua página no Facebook

Agora é que vão ser elas

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Na próxima quarta-feira, dia 7 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol receberá a sua congénere espanhola, em jogo de carácter particular. Quatro dias mais tarde, a Seleção deslocar-se-á ao Stade de France, em Paris, para defrontar a seleção local. Três dias mais tarde, regressa a Portugal para receber a seleção sueca. Estes dois últimos jogos contarão para a fase de grupos da segunda edição da Liga das Nações. Ambos os jogos em casa decorrerão no Estádio de Alvalade.

 

A preparação destes jogos começa  na próxima semana, provavelmente na segunda-feira. São muitas viagens e pouco tempo, poucos dias para treinar. É certo que daqui a Paris são apenas duas horas, duas horas e meia de voo. Mesmo assim, deve custar.

 

(Por outro lado… será que eles vão ficar alojados em Marcoussis outra vez? Seria giro.)

 

Ao menos os jogos em Lisboa já vão ter público! Poucos milhares de pessoas se não me engano. À hora desta publicação, ainda não se sabe nada sobre a venda de bilhetes para estes jogos. O que é estranho, tendo em conta que faltam poucos dias para o particular com a Espanha. 

 

Eu gostava de ir a um dos jogos – em circunstâncias normais se calhar preferia o da Espanha, mas hoje em dia não sou esquisita. Vivo perto de Alvalade e, bolas, quero voltar a um estádio! Quero ver a Seleção! Mas acho que vai ser difícil conseguir bilhetes.

 

Mesmo que eu não possa ir, ao menos sei que os nossos meninos não estarão sozinhos, que não terão de cantar o hino para um estádio vazio. Já é um consolo. No entanto, confesso que me custa imaginar um jogo da Seleção sem grandes multidões, à chegada, à saída, nas bancadas. 

 

Fernando Santos revelou os Convocados para este triplo compromisso ontem, quinta-feira. Regressam William Carvalho, Rafa Silva, Daniel Podence e Rúben Semedo. Não houve nenhuma estreia absoluta em Convocatórias – embora Podence e Semedo ainda não contem internacionalizações. Eu estava à espera de mais mudanças, mas Fernando Santos trouxe o habitual argumento da estabilidade do grupo. 

 

Bem, também não sou suficiente versada no assunto para criticar.

 

Podence é um dos muitos portugueses no Wolverhampton. O clube já se tornou num meme, com tantos jogadores lusos – e equipa técnica! – mais que alguns clubes que a I Liga. Obra de Jorge Mendes, segundo consta. Ao ponto de o equipamento alternativo deles, esta época, ser vermelho e verde (mais bonito que o nosso equipamento alternativo, aqui entre nós). Há quem graceje que o Wolverhampton é uma seleção portuguesa alternativa.

 

Pessoalmente não me importo. Dá sempre jeito a qualquer seleção ter jogadores competindo no mesmo clube, arrotinados uns com os outros. Por uma questão de patriotistmo preferia que fosse num clube português – não sendo possível, ao menos é um campeonato prestigiado, competitivo, como a Premier League. 

 

Além disso, eu até gosto de lobos. Tenho uma linda pastora-alemã e muitas crianças que se cruzam com ela pensam que é o Lobo Mau (quando não pensam que é o Inspetor Max). E ela de facto é um bocadinho parecida… mas é mais um cordeirinho com pele de lobo. 

 

Regressando a Podence, acho que ele tem estado bem nos últimos tempos. Fez uma assistência num jogo contra o Sheffield e, no jogo contra o Manchester City, fez uma maldade a Kevin De Bruyne e as imagens correram mundo. 

 

 

Uma coisa que descobri agora, enquanto pesquisava para este texto: Podence é mais baixo do que eu, um metro e sessenta e cinco. Bem, a altura vale o que vale. 

 

Sobre Rúben Semedo, não sei muito das suas andanças, apenas que o Benfica o deseja mas o Olympiacos não quer deixá-lo sair. À hora desta publicação, a coisa ainda não está resolvida. Seja qual for o clube, este tem de dar-lhe oportunidades para se desenvolver. 

 

William e Rafa são Campeões Europeus e jogadores que acompanho há uns anos, logo, estou contente por tê-los de volta. Sobre o momento de William? Tem dado sinais contraditórios. Marcou ao Real Madrid há poucos dias e, há coisa de duas semanas, marcou um golo espetacular ao Valladolid. No entanto, no jogo com o Getafe, cometeu um erro que custou um golo – o Getafe acabaria por vencer o Bétis por 3-0. 

 

Acontece. Mas espero que não se repita na Seleção. 

 

Em relação a Rafa, não sei muito bem como se tem saído no Benfica. Marcou um golo ao PAOK ao cair do pano, que infelizmente não chegou para evitar a derrota. Sei no entanto que é um jogador de talento – espero voltar a vê-lo nesta jornada.

 

Vão ser uns dias giros com a Seleção – vamos defrontar não uma, mas duas das nossas bestas negras. Uma delas, felizmente, será num jogo particular: a Espanha, no Estádio de Alvalade. 

 

No mês passado comentámos que, com tanto tubarão no nosso caminho, fazia sentido praticarmos com um. Por outro lado, a Espanha também tem um tubarão com que ligar – a Alemanha está no seu grupo da Liga das Nações. Talvez tenha sido por isso, pelo menos em parte, que nuestros hermanos aceitaram jogar connosco.

 

E no entanto, neste momento, os espanhóis estão à frente no seu grupo. A Alemanha empatou os dois jogos até agora, só conta dois pontos. Já não são o que eram? Bom sinal para nós, no grupo do Europeu? Eu não fiava. 

 

Como se devem recordar, a última vez que jogáms contra nuestros hermanos foi no Mundial 2018 – empatámos três a três, com um hat-trick de Cristiano Ronaldo. Talvez seja mais rigoroso dizer que Ronaldo empatou contra a Espanha, pois o coletivo português em si deixou a desejar, tirando uma ou outra exceção. 

 

Foi um bom resultado, até porque, até ao momento, o único jogo oficial em que ganhámos à Espanha foi no Euro 2004 – o jogo mais importante da minha vida, conforme já referi várias vezes aqui no blogue, e que por sinal se realizou no mesmo estádio. Por outro lado, da última vez que recebemos a Espanha para um jogo particular, a coisa correu bem.

 

Desde a última vez que jogámos com a Espanha, os nossos vizinhos falharam o acesso à fase final da primeira edição da Liga das Nações – a Inglaterra Qualificou-se à frente deles. Para o Europeu, no entanto, Apuraram-se em primeiro, à frente da Suécia.

 

Dos grandes da Europa, ao que parece, fomos os únicos que não nos Qualificámos em primeiro para o Euro 2020. E somos os detentores do título – tanto do Europeu como da Liga das Nações! Que vergonha…

 

Tendo isto tudo em conta, coloco o favoritismo ligeiramente do lado dos espanhóis. É apenas um particular, de resto, se não ganharmos não será dramático. É claro que uma vitória iria saber bem… mas o mais importante será praticarmos para os próximos desafios. 

 

E que desafios serão esses, senhores… Agora é que vão ser elas.

 

É a primeira vez que nos cruzamos com os nossos amigos franceses desde a final do Euro 2016. Quis o destino que o primeiro reencontro ocorresse exatamente no mesmo palco – não teria sido assim se o Europeu deste ano não tivesse sido adiado.

 

Acontece que agora os franceses são Campeões do Mundo, o que nos deixa numa posição… estranha. Nós conquistámos o Europeu perante eles, ainda temos esse título… mas tecnicamente o Campeão do Mundo há de ser melhor que o Campeão da Europa, certo? E no entanto, um ano depois do Mundial, nós ganhámos a Liga das Nações, que no fundo é um campeonato europeu noutros moldes. A França nem sequer chegou à final four.

 

Em defesa dos franceses, eles só não se Qualificaram por causa da diferença de golos – a Holanda Apurou-se à frente deles. Quem sabe o que teria acontecido se tivesse vindo à fase final? Teria sido giro se, mais uma vez, disputassem a final connosco.

 

Em todo o caso encontramo-nos agora, na fase de grupos da segunda edição. Estamos empatados com eles na tabela classificativa com seis pontos – estamos à frente por termos mais dois golos marcados. O Campeão do Mundo contra o Campeão da Europa, uma espécie de Supertaça em seleções. Acho que vamos ter muitos olhos neste jogo.

 

Ninguém poderá criticar demasiado a Seleção na eventualidade de perdermos. São os Campeões do Mundo e um adversário tradicionalmente difícil para Portugal – a final de Paris foi a nossa primeira vitória perante os franceses em mais de quarenta anos. E a França não nos vai subestimar segunda vez. 

 

Um empate não seria de todo um mau resultado. Adiaria a disputa pelo primeiro lugar para mais tarde, talvez para o jogo com eles em nossa casa. Nós continuaríamos à frente – por definição, um empate não altera a diferença de golos.

 

No entanto, todos queremos uma vitória. Todos queremos recriar o maior feito da História da Seleção Nacional, pelo menos em parte – o mesmo adversário, o mesmo palco. Uma nova vitória perante a França ajudaria a silenciar aqueles que ainda hoje alegam que não merecemos ganhar o Europeu. E permitir-nos-ia darmos um grande passo em frente na corrida por um lugar na final four.

 

Depois deste jogo, temos outro com a Suécia, desta vez em casa, em Alvalade. Como já jogámos contra eles no mês passado, não tenho nada de novo a dizer sobre eles. Passemos à frente.

 

Ainda não sei como vou fazer com as crónicas sobre estes jogos. São logo três, com poucos dias de intervalo entre eles. A próxima semana será complicada para mim em termos do meu emprego, não devo conseguir publicar antes do jogo com a França. Talvez consiga publicar entre esse jogo e o da Suécia… mas o mais provável é eu escrever sobre os três jogos no mesmo texto.

 

Eu vou dando informações sobre isso na página do Facebook. Para já, quero saborear a oportunidade inédita que é ter uma jornada tripla de Seleção. Continuem desse lado saboreando também!

 

CORREÇÃO A 5/10/2020: Na publicação original vinha referido que o jogo com a Espanha teria lugar na Luz. 

Em boas mãos (e pés)

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No passado sábado, dia 5 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol derrotou a sua congénere croata por quatro bolas contra uma. Três dias mais tarde, derrotou a sua congénere sueca por duas bolas sem resposta. Ambos os jogos contaram para a fase de grupos da segunda edição da Liga das Nações. 

 

Era difícil Portugal ter tido uma melhor estreia do que esta, na competição. Foi sinceramente melhor do que eu me atrevia a esperar. 

 

Antes do início do jogo com a Croácia sentia-me nervosa. Pelos motivos que referi no final da última crónica e também porque não conseguia prever como correria o jogo. Achava que poderia dar para qualquer lado. Afinal de contas, sempre era o Campeão da Europa e da Liga das Nações contra o vice-campeão do Mundo. Pelo menos em teoria, era um duelo de titãs.

 

Agora sei que não precisava de me preocupar, mas foi melhor assim. É sempre preferível sobrestimar o adversário do que o contrário. 

 

Ambos os jogos desta jornada decorreram à porta fechada. Tal como se calculava, é deprimente. Os gritos dos jogadores e treinadores faziam eco nas bancadas vazias. Dizem que se ouviam os veículos na VCI dentro do estádio, durante o jogo com a Croácia – quando devia ser o contrário. Quem passava na VCI àquela hora devia ser capaz de ouvir os gritos no público dentro do estádio – tal como quem passa na Segunda Circular junto ao Estádio de Alvalade ou ao Estádio da Luz, durante jogos lá (como vivo em Lisboa, tenho mais experiência com isso). 

 

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Cristiano Ronaldo não jogou devido a uma infeção no dedo do pé, que estava a tratar com antibiótico (como farmacêutica, gostava de saber que terapêutica ele fez). Ele e os outros suplentes assistiram ao jogo na bancada. Ronaldo pareceu-me frustrado por não poder estar em campo – ao ponto de, a certa altura, se ter esquecido de pôr a máscara (eu dava-lhe um sermão daqueles, como tenho dado a vários utentes meus). 

 

Curiosamente, durante o jogo com a Suécia, quando Ronaldo estava em campo, as câmaras não pareceram tão interessadas no que se estava a passar nas bancadas, entre os suplentes. Porque será?

 

A Croácia teve uma oportunidade aos dois minutos, defendida por Anthony Lopes (titular em vez de Rui Patrício, que estava de férias antes destes jogos). Tirando essa ocasião, os croatas permaneceram acampados no seu meio campo, mesmo na sua grande área, muito encolhidos, durante quase toda a primeira parte. 

 

Portugal ia criando oportunidades atrás de oportunidades, sem conseguir concretizá-las – parecia-me que tínhamos sempre croatas no caminho da bola. Tivemos sintomas da nossa velhinha maldição dos postes – três bolas aos ferros, já não nos acontecia há algum tempo… 

 

Os comentadores iam dizendo que, mais cedo ou mais tarde, Portugal marcaria. Eu estava com medo que nos acontecesse o oposto – que os remates falhados começassem a subir à cabeça dos Marmanjos, que os nervos piorassem ainda mais a pontaria, um ciclo vicioso que acabasse com o jogo empatado ou pior.

 

 

Felizmente não foi isso que aconteceu. Aos quarenta minutos João Cancelo recebeu a bola perto da grande área. Lá permaneceu um momento, como que pensando o que fazer a seguir. Alguém, talvez Fernando Santos, gritou “Chuta!” – eu não ouvi da primeira vez, mas o meu pai ouviu. É uma das poucas vantagens da ausência de público. De qualquer forma, Cancelo obedeceu, um belo tiro, certeiro para as redes. O golo foi dedicado à sua falecida mãe – um gesto bonito, sobretudo depois da entrevista que dera ao Canal 11, poucos dias antes.

 

Estava quebrado o gelo. Na segunda parte, a Croácia abriu-se mais, aproximou-se mais da nossa baliza, sem fazer grandes ameaças. Portugal continuou por cima, se bem que sem o fulgor da primeira parte. Aos cinquenta e oito minutos, um dos defesas da Croácia distraiu-se com João Félix, dando espaço a Raphael Guerreiro para assistir para Diogo Jota e este rematar para as redes.

 

Este também teve direito a dedicatória – desta feita à namorada e ao filho que tem por nascer (eles são pais muito novinhos…). Depois de Ronaldo lhe ter roubado o golo no jogo com o Luxemburgo, Jota estreava-se a marcar com a Camisola das Quinas.

 

Mais tarde, foi a vez de João Félix se estrear, com um remate da meia-lua – após múltiplas tentativas, não apenas naquele jogo, praticamente desde que se estreou pela Seleção. O pobre miúdo nem sequer festejou o golo de imediato, parecia que nem acreditava que tinha mesmo marcado.

 

Os croatas tiveram direito ao golo de honra ao minuto noventa, fruto de uma fífia de João Cancelo. O Marmanjo segurou mal a bola, os adversários conseguiram ganhar posse e a jogada terminou com um remate certeiro de Bruno Petkovic, sem hipótese para Anthony Lopes. 

 

Depois do desempenho de Cancelo neste jogo, acho que toda a gente lhe perdoa este deslize. Até porque não demorou muito até a vantagem de três golos ser reposta. 

 

 

O golo de André Silva surgiu mesmo no sopro final da partida, na sequência de um canto. Foi uma jogada algo confusa, estavam muitos croatas na grande área. Pepe fez uma tentativa de remate de cabeça, a bola foi parar a André Silva, que a enfiou na baliza entre o guarda-redes croata e um colega dele. 

 

O árbitro apitou para o final logo após o golo, algo que não me lembro de alguma vez ter visto em futebol – as celebrações do golo misturando-se com as celebrações da vitória. Um pormenor engraçado. 

 

Toda a gente inundou a Seleção de elogios após este jogo. Eu incluída, claro, depois do meu nervosismo e expectativas algo baixas. Há quem aponte demérito da Croácia – e de facto acho que se esperava mais dos vice-campeões do Mundo, mesmo sem Modric e Rakitic – mas ninguém pode tirar o mérito a cada um dos que envergaram a (não muito bonita, tenho de concordar) Camisola das Quinas naquela noite. 

 

Não é a primeira vez que escrevo aqui sobre a alegria que é ver tanto jovem talentoso, alguns deles ainda com caras de adolescentes, jogando pela Seleção. Eu sentia-me inchar naquela noite com cada elogio aos Marmanjos que lia e ouvia – como se estivessem a elogiar-me a mim. Ah, as saudades que eu tinha disso!

 

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Foi aqui que as pessoas se começaram a questionar, não pela primeira vez, se Portugal jogaria melhor sem Ronaldo. Havemos de falar sobre isso neste texto… mas para já o jogo com a Suécia. 

 

Ronaldo estava já recuperado na infeção no dedo do pé. Alinhou, assim, desde início, tomando o lugar de Diogo Jota. Foi a única alteração em relação ao onze inicial anterior. Antes deste jogo ouvi comentadores debatendo qual das opções era a melhor: mudar a constituição da equipa, poupando jogadores desgastados pelo jogo anterior (afinal de contas, estamos em pré-época); ou usar essencialmente o mesmo onze, tomando partido das rotinas. 

 

Eu arrisco-me a dizer que talvez tivesse sido melhor ter usado um onze diferente, com jogadores mais frescos. O cansaço pode explicar, pelo menos em parte, a exibição menos entusiasmante da Seleção. Mas não percebo assim tanto de futebol para questionar uma decisão como esta. 

 

À hora do jogo estava, como a minha mãe diz, com a neura. Desejava uma vitória da Seleção um pouco mais do que o costume, para me levantar o ânimo. Em parte por causa disso, não prestei tanta atenção à primeira parte do jogo como prestara no sábado anterior. 

 

A Suécia começou o jogo por cima, defendendo bem. Portugal teve dificuldades em criar oportunidades, mas eventualmente foi crescendo no jogo. Cristiano Ronaldo fez duas tentativas de golo, ambas defendidas pelo guarda-redes Robin Olsen. 

 

 

Finalmente, em cima do intervalo, Gustav Svensson foi expulso por acumulação de amarelos, após falta sobre João Moutinho. Ronaldo foi chamado a cobrar e fê-lo com a mesma mestria que um jogador comum bate um penálti. Bruno Fernandes diria mais tarde que, na véspera, Ronaldo marcara “seis ou sete livres assim no treino e saiu igual”

 

Parece puro talento, magia, mas não é. É prática. O que para mim é ainda mais inacreditável. 

 

A expulsão e o golo em cima do intervalo mudaram o curso do jogo. Eu finalmente sorri, ultrapassando a minha neura. Tem sido sempre assim, há mais de metade da minha vida.

 

Deste modo, a segunda parte foi mais fácil, mesmo não sendo brilhante. Portugal teve mais oportunidades – de João Félix, dos dois meninos dos anos, João Moutinho e Bruno Fernandes. Este último chegaria a mandar uma bola aos ferros – outra vez a maldição.

 

No entanto, como em muitas outras noites de Seleção, estava escrito nas estrelas que aquela pertencia a Ronaldo. Não consigo perceber ao certo quem fez aquele passe transversal ao campo, espetacular. Não sou a única: há sítios que dizem que foi João Cancelo, outros dizem que foi Bruno Fernandes. De qualquer forma, João Félix recebeu a bola, passou-a para Ronaldo. Este disparou, em cima do limite da grande área, diretamente para as redes. 

 

 

Estava feito o marcador. Dois golos de Ronaldo, o centésimo-primeiro da sua conta pessoal pela Seleção. Sete deles foram precisamente frente à Suécia, a sua maior vítima empatada com a Lituânia. Fica a oito golos do recorde de Ali Daei. Todos esperam que Ronaldo atinja a marca em breve – se não fosse o Covid, se calhar já teria atingido. 

 

Foi ele quem mais brilhou neste jogo. Os companheiros estiveram mais apagados, em comparação com o jogo da Croácia. Existem várias explicações possíveis, algumas delas já referimos aqui. Menor frescura. Suécia mais competente que a Croácia. Ou então, talvez a Equipa de Todos Nós enquanto coletivo jogue melhor sem Ronaldo do que com ele. 

 

Esta teoria já não é nova e suspeito que depressa irá ganhar barbas. Fernando Santos tem garantido várias vezes que nenhuma equipa é melhor sem o Melhor do Mundo. No entanto, como muitos têm apontado, com Ronaldo em campo, os jogadores podem ter a pressão e/ou a tentação de passar a bola ao madeirense, esperarem que ele resolva a coisa. 

 

Uma vez mais, não sou a melhor pessoa para avaliar a questão. No entanto, no que toca a dilemas deste género relacionados com a Equipa de Todos Nós, estamos bem servidos neste momento. 

 

Há meia dúzia de anos o drama era se a Seleção era Ronaldo-mais-dez. Hoje conseguimos ganhar com ou sem Ronaldo. O drama é saber qual destas duas versões da Seleção é a melhor. Se esta dupla jornada serve de exemplo, de qualquer das maneiras, as Quinas estão em boas mãos (e pés). Temos o Melhor do Mundo e temos vários jogadores cheios de talento, representando os melhores clubes da Europa, que ainda nem sequer atingiram todo o seu potencial. Que podemos desejar mais?

 

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Como disse no início, era de facto difícil fazer melhor nesta dupla jornada – sobretudo tendo em conta as circunstâncias. Idealmente teríamos tido uma exibição melhorzita na vitória sobre a Suécia, mas esta continuava a valer três pontos. Era importante começarmos bem esta fase de grupos, até porque o pior (leia-se: a França) ainda está para vir. Mas preocupamo-nos com isso quando chegar a altura.

 

Para já, soube-me muito bem ter a Seleção de volta – e saber que voltaremos a tê-la dentro de poucas semanas. Como dei a entender antes, a vitória sobre a Suécia serviu-me de consolo, numa noite em que estava de mau humor. Não fez os meus problemas desaparecerem por magia, claro que não, mas tirou-me da minha própria cabeça. Deu-me coisas boas em que pensar, impediu-me de ir demasiado abaixo.

 

É precisamente por isso que a Seleção fez tanta falta durante os primeiros meses da pandemia. É por isso que estou feliz por tê-la de volta.


Obrigada a todos aqueles que acompanharam esta jornada dupla de Seleção comigo, quer neste blogue quer na sua página de Facebook. No próximo mês haverá mais.

 

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Não me façam isto outra vez!

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No próximo sábado, dia 5 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebe a sua congénere croata, no Estádio do Dragão. Três dias depois, será recebida pela sua congénere sueca, em Solna. Ambos os jogos contarão para a fase de grupos da segunda edição da Liga das Nações. São também os primeiros encontros da Seleção em (*conta pelos dedos*) quase dez meses.

 

Dez meses. Dez meses sem jogos da Seleção. Quando era suposto ter decorrido o Euro 2020. 

 

O novo coronavírus arruinou a vida a todos nós, de diferentes maneiras. No que toca a mim, uma das várias coisas que contribuíram para a minha infelicidade foi a suspensão dos jogos da Equipa de Todos Nós, o adiamento do Europeu – o que não deverá surpreender quem leia este blogue. 

 

Em trinta anos de vida, não me lembro de alguma vez o futebol ter sido suspenso antes deste ano. A Seleção tem sido uma das minhas constantes desde os meus catorze anos. Tenho tido os meus altos e baixos, o país e o Mundo em geral têm tido os seus altos e baixos, a própria Equipa de Todos Nós tem tido os seus altos e baixos. Mas eu sabia que haveria sempre um jogo da Seleção daí a semanas ou, no máximo, alguns meses – fosse uma fase de Qualificação, um Europeu ou Mundial ou um mísero particular com os Luxemburgos desta vida. Eu teria um ou mais textos para escrever aqui no blogue (no que toca aos últimos onze anos). Tudo isto fazia parte das minhas rotinas. 

 

Até vir este ano, esta pandemia mil vezes maldita, romper com tudo isso. Logo quando estávamos prestes a ter os habituais particulares de março, quando já estávamos a menos de cem dias do Europeu. 

 

 

Para ser justa, se isto tivesse ocorrido há meia dúzia de anos, o hiato ter-me-ia custado mais. Aprendi a lidar melhor com as pausas entretanto. Mas esta mesmo assim doeu. Sobretudo quando veio junho, as datas iniciais da fase de grupos do Euro 2020.

 

Uma das maneiras que arranjámos para lidar com a falta de jogos da Seleção foi recordando jogos icónicos do passado. Sobretudo em junho e julho, época de Europeus e Mundiais, altura de aniversários da maior parte desses jogos.

 

Não nego que ajudou até certo ponto. É algo que tenho feito muitas vezes ao longo dos anos, desde que criei a página de Facebook deste blogue – as redes sociais sempre se prestaram muito a este tipo de coisas. E, devo dizer, havia semanas que não me ria tanto quanto me ri com a chamada de Zoom com parte dos finalistas do Euro 2016, no Canal 11 (aqueles Marmanjos deviam fazer uma sitcom). 

 

No entanto, a partir de certa altura, começava a deprimir-me um bocado. Um mau hábito que tive de aprender a contrariar nos últimos anos, que ainda estou a aprender a contrariar, é o de viver no passado, de abusar da nostalgia. O coronavírus fez-me recair – quando no presente não acontece nada que não seja Covid, não temos remédio senão olhar para trás.

 

Mas já não me chega. Não me chega viver de glórias passadas, muito à portuguesa. Quero formar novas memórias, escrever novas crónicas aqui no blogue. O golo do Eder emociona sempre, mesmo quando o revemos pela 567ª vez (ou vez número 567), mas um não me chega. Quero ir tendo mais golos do Eder ao longo dos anos, para escrever aqui no blogue, rever em dias tristes em jeito de consolo, falar sobre eles aos meus netos. Ou pelo menos quero oportunidades para termos mais golos do Eder. 

 

Seleção Nacional do Canal 11: os melhores momentos

Para rir do início ao fim 😂 Aqui tens os melhores momentos da Seleção Nacional no "Futebol Total"! #Canal11 #FutebolEmPortuguês

Publicado por Canal 11 em Quarta-feira, 15 de julho de 2020

 

Estive tentada a escrever sobre o cancelamento do Europeu e a pausa nos jogos da Seleção em geral mais ou menos na altura em que foi anunciada – talvez algum tempo depois. Cheguei a planear esse texto. 

 

No entanto, acabei por não querer escrevê-lo. Estava a saber-me bem abrir a página do Facebook e ver o texto sobre os equipamentos da Seleção fixo no topo (falamos outra vez sobre equipamentos já a seguir… tem de ser, não é?). Foi um texto que me diverti a escrever, quando o coronavírus era apenas uma vaga ameaça. Se o blogue tinha de ficar parado, ao menos que a última publicação fosse uma publicação feliz. Não um texto cheio de lamúrias – ainda que eu fosse deixar uma conclusão esperançosa.

 

Na verdade, cheguei a temer que não houvessem jogos da Seleção de todo este ano. Assim, quando soube que a fase de grupos da Liga das Nações não ia ser adiada fiquei contente. Mais, em outubro e novembro vamos ter jornadas triplas para compensar pelo longo hiato: os jogos oficiais da Liga e dois particulares, um com a Espanha, outro com a Andorra. Vai ser giro, em vários aspetos (nomeadamente por os nossos adversários serem todos tubarões, como comentaremos adiante), mas ainda não sei como vou gerir com o blogue.

 

O problema é que, pelo menos no que toca a estes dois primeiros jogos, vai ser tudo à porta fechada. Compreende-se, mas não temos de gostar. Parte-me o coração, aliás, pensar que os Marmanjos vão ter de cantar o hino perante estádios vazios (ando a pôr a hipótese de saltar essa parte, quando vir estes jogos na televisão); que, se a Seleção sofrer um golo, não terá público que puxe por eles, motivando-os para darem a volta ao marcador. Os meus meninos vão estar sozinhos. 

 

Pode ser que as medidas afrouxem um bocadinho nas jornadas seguintes. Pode ser que, nos jogos de outubro e novembro, já dê para ter casa parcial. Eu não me importava de usar máscara durante o jogo todo, se pudesse voltar a um estádio. No trabalho uso máscara P2 entre oito a dez horas por dia e já tive de usar piores – por comparação uma máscara cirúrgica é quase confortável. Ainda assim, se for para ir a um jogo da Seleção, encomendo uma das máscaras da loja online da FPF. 

 

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Só peço que isto não aconteça de novo, que não me façam isto outra vez. Jogos à porta fechada são uma tristeza, mas sempre são melhores que não haver jogos de todo. Em princípio o futebol não tornará a parar, a menos que haja um descontrolo muito grande da pandemia – o que, infelizmente, não é assim tão descabido. 

 

Mas falemos então sobre estes jogos em especifico. Fernando Santos revelou os Convocados para a dupla jornada. O Selecionador já tinha avisado que, por causa das circunstâncias (hiato longo, pouco contacto com os jogadores, campeonatos em ritmos diferentes, etc), esta Convocatória seria mais conservadora do que o costume. 

 

Ainda assim, a lista trouxe de volta Domingos Duarte – que já tinha sido Chamado na última jornada dupla do ano passado, quando Pepe e Nelson Semedo foram dispensados por lesão. Não chegou a pisar os relvados. Também promoveu a estreia de Rui Silva e Francisco Trincão. 

 

Tanto Domingos Duarte como Rui Silva representam o Granada, que terá sido uma das equipas-sensação da última temporada da Liga Espanhola – ao ponto de se ter qualificado para a Liga Europa, pela primeira vez na sua história. Os dois jogadores portugueses têm sido apontados como peças fulcrais para este sucesso – ou, pelo menos, os seus desempenhos no clube têm sido elogiados. Dizem mesmo que Rui Silva foi um dos melhores guarda-redes da Liga Espanhola na época passada.

 

Por sua vez, Francisco Trincão, avançado de vinte anos de idade, acabou de ser apresentado no Barcelona. Consta que fez duas boas épocas no Sporting de Braga. A imprensa espanhola já fala dele como tábua de salvação com todo o drama à volta da saída de Lionel Messi (que nunca pensei que viesse a acontecer). Por um lado, é lisonjeador. 

 

 

Por outro… é bom que os catalães tenham calma. O Trincão é muito novinho ainda! Não precisa de lidar com os traumas de abandono da nação culé nem de servir de substituto a Messi. Não pressionem o miúdo, não lhe estraguem a carreira!

 

É bom ter sangue novo na Seleção, mesmo sendo pouco. Como era de esperar, Fernando Santos tem sido criticado por Chamar poucos nomes novos. Não alinho muito nas críticas porque, em primeiro lugar, o Selecionador justificou tais escolhas – as próximas Convocatórias serão certamente menos conservadoras, até porque serão para três jogos, serão precisos mais jogadores. Em segundo, estou tão contente por ter a Seleção de volta, não me apetece ralar-me com esta questão.

 

Só acho que o Pizzi devia ter sido Convocado. Foi um dos melhores da Liga Portuguesa na última época e marcou num dos últimos jogos da Seleção, no ano passado. Na minha opinião, não faz sentido ele ter ficado de fora.

 

Uma palavra para os equipamentos novos – como escrevi sobre eles na entrada anterior, abri um precedente, não posso deixar de comentar. 

 

Quinze anos depois, temos um equipamento principal com calções verdes. Acho que não há ninguém que não esteja contente com isso. Este equipamento tem um ar vagamente retro, na minha opinião, recorda-me equipamentos dos anos 80 e 90 – sobretudo as faixas verticais de lado, na camisola e nos calções.

 

 

O único problema deste equipamento é… o colarinho. Detesto colarinhos em camisolas de futebol. Camisolas estilo pólos da Lacoste são para ir jantar fora ou para os passeios em dia de jogo, não para levar para dentro de campo. Pura e simplesmente não é fixe.

 

É o meu gosto pessoal, apenas. Mas, pelo que tenho lido nas internetes, não sou a única com a mesma opinião.

 

No que toca aos equipamentos alternativos, no entanto, vou um pouco contra a corrente. Ninguém parece gostar muito deles. A minha primeira impressão deles também não foi a mais favorável, mas com o tempo estou a tomar-lhe o gosto.

 

Mesmo assim não são espetaculares, existem alternativos bem mais giros. A cor de fundo deste é aquele tom verde azulado muito clarinho, de roupa branca que por acidente foi parar à máquina com uma meia verde. Preferia que a camisola fosse branca. As faixas horizontais são iguais às laterais no equipamento principal – pelos vistos são a imagem de marca desta coleção. 

 

Cheguei a fazer a piada de que teria havido uma troca na Nike: a camisola de passeio estava a ser apresentada como camisola principal e a camisola de treino estava a ser apresentada como camisola alternativa. Estive a pesquisar e alguns equipamentos de seleções da Nike, como o da Inglaterra e o da Holanda – nem todos – também têm camisolas tipo pólo. Os outros têm golas normais e eu tenho inveja.

 

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De qualquer forma, preciso de tempo e de ver estes equipamentos em ação antes de formar uma opinião definitiva. Depois logo decido em que lugar ficariam no meu ranking.

 

Não tive ainda oportunidade para escrever sobre os nossos adversários da fase de grupos da Liga das Nações: a Croácia, a Suécia e a França. Temos a seleção campeã do Mundo e a vice-campeã do Mundo no nosso grupo. 

 

Embora, para ser justa, os suecos estão numa posição pior, coitados: no grupo com o campeão e vice-campeão do Mundo e o Campeão da Europa.

 

É impressionante a maneira como o caminho à nossa frente está cheio de silvas. Ele é tubarões no grupo do Europeu, ele é tubarões aqui na Liga, ele é tubarões nos particulares… OK, o jogo com a Espanha foi intencional. Não se aprende a caçar leões praticando com zebras. O título da crónica que ia escrever antes dos particulares de finais de março era precisamente “O ano dos tubarões”.

 

Mal sabia eu que o coronavírus seria mais devastador que qualquer adversário que defrontámos em campo…

 

Por um lado é bom, serão jogos interessantes, intensos. Por outro… vamos sofrer.

 

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Mas também, aqui entre nós, com tudo o que tem acontecido este ano, o sofrimento com um jogo difícil da Seleção até é um bom escape. Às vezes tenho saudades dos tempos em que eram os nervos e excitação antes dos jogos do Euro 2016 a tirar-me o sono, em vez que coisas mais sérias.

 

Falemos sobre a Croácia, com quem vamos jogar no sábado. Os croatas são os atuais vice-campeões do Mundo, tal como referimos antes… mas também o eram há dois anos. Empataram connosco e, poucos dias depois, foram goleados pela Espanha. Isto pouco depois do segundo lugar no Mundial. Na edição anterior da Liga das Nações estavam também na Liga A, mas não se qualificaram para a final four – estavam no grupo com a Inglaterra – mas Qualificaram-se em primeiro para o Euro 2020. Em termos de histórico, estamos em vantagem: em cinco jogos, contamos quatro vitórias e um empate.

 

Consta que Luka Modrić e Ivan Rakitić pediram dispensa destes jogos. Não podemos criticar pois Ronaldo fez o mesmo há dois anos e, na altura, não estávamos a lidar com nenhuma pandemia. Não sei até que ponto isto afetará o desempenho da seleção croata – é melhor não assumir facilidades. 

 

Quanto aos suecos, esses estavam na Liga B na edição anterior, mas foram promovidos à Liga A. Aposto que se arrependeram assim que calharam neste grupo. No que toca ao Euro 2020, qualificaram-se em segundo lugar no seu grupo, atrás da Espanha. O nosso histórico é equilibrado, mas pende um pouco a favor dos suecos: em dezoito jogos contamos cinco vitórias, seis empates e sete derrotas. Nós recordamos os play-offs para o Mundial 2014 (incrível como já lá vão quase sete anos), mas a verdade é que, depois disso, perdemos o nosso último jogo contra eles. 

 

Em suma, são adversários difíceis, mas estarão ao nosso alcance se fizermos o nosso trabalho como deve ser. Confesso que estou algo preocupada, pois não sei como estará a Seleção após este loooongo hiato. Por um lado, todas as seleções estão no mesmo barco, com problemas semelhantes. Por outro, mesmo antes do Covid, o desempenho da Turma das Quinas nos últimos jogos deixou muito a desejar – veja-se a derrota contra a Ucrânia e a qualificação arrancada a ferros no Luxemburgo. 

 

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É certo que, tradicionalmente, a Seleção dá-se melhor perante dificuldades – vamos precisar desse super poder nos próximos tempos. 

 

Fernando Santos já disse que quer revalidar o título da Liga das Nações, tal como quer revalidar o título Europeu no próximo ano. Eu também quero, obviamente. Aliás, como referi acima, passámos uma boa parte dos últimos meses recordando os grandes jogos da Seleção no passado. Esses jogos estão frescos na nossa memória, fazendo-nos desejar vitórias de igual calibre. Elevaram a fasquia.

 

Mesmo não tendo isso em conta… está a ser um ano difícil para toda a gente. Mais do que nunca, precisamos de alegrias, precisamos de vitórias da Seleção. E estou certa que toda a gente na Equipa de Todos Nós quer celebrar a reunião, após dez meses separados, ganhando seis pontos nesta dupla jornada. 

 

Por outras palavras, eu acredito.

 

Muito obrigada por terem lido. É bom estar de volta aqui ao blogue.  

Equipamentos da Seleção Nacional (2004-2018): do pior ao melhor

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É este o texto diferente do costume de que ando a falar há algum tempo. Hoje vamos falar sobre equipamentos da Seleção Nacional. 

 

Como toda a gente sabe, em anos pares (regra geral, por volta dos particulares de março/abril), a Equipa de Todos Nós recebe um conjunto novo de equipamentos. Esses equipamentos servem para todo o ciclo bianual, que inclui um Mundial ou um Europeu, a fase de Qualificação para o Mundial ou Europeu seguinte e, mais recentemente, a Liga das Nações. Neste texto, quero pegar nos diferente equipamentos que a Seleção envergou desde 2004 a esta parte (escolho este ano porque foi quando comecei a acompanhar ativamente a Equipa das Quinas) e ordená-los de acordo com as minhas preferências.

 

Aviso desde já que estou longe de ser uma especialista em moda, ainda menos do que em futebol. Este é apenas o meu gosto pessoal, estão à vontade para discordar. 

 

Nesta lista vou só considerar os equipamentos principais. Ainda pensei incluir os alternativos, mas ficaria demasiado confuso. Os alternativos terão o seu próprio texto, um dia. Não a curto prazo, talvez daqui a um ano ou dois. Os que forem lançados este ano já entrarão nessa lista. 

 

Antes de começar, queria deixar bem explícito que, deste conjunto, não existe nenhum equipamento principal de que eu não goste nem um bocadinho. A Seleção teve alguns equipamentos “parolos” no seu passado, como descrevem neste artigo, mas a qualidade melhorou muito de 2000 para a frente. Com os alternativos a história é outra mas, regra geral, não tenho tido razão de queixa em relação aos equipamentos principais nestes últimos dezasseis anos.

 

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Ou melhor até tenho, mas não tem a ver com a qualidade estética do equipamento. Tem a ver com o facto de, pelo menos nas fornadas de 2016 e 2018, os equipamentos produzidos pela Nike seguirem quase todos o mesmo modelo. Basta olharmos para imagens da final de Paris: o equipamento português e o francês são iguais, tirando a cor!

 

E depois temos fenómenos como, por exemplo, o equipamento alternativo da Inglaterra em 2016 ser igual ao nosso principal do mesmo ano e o nosso equipamento alternativo de 2018 ser igual ao da Polónia (com o mesmo tipo de letra nos nomes e tudo). Irrita-me tanto… Que é feito da imaginação?

 

No que toca a equipamentos principais, o vermelho tem sido, naturalmente, a cor predominante. Eu diria que é a minha segunda cor preferida, atrás do azul. Em parte por estar associada à Turma das Quinas. O meu tom preferido não é tanto o clássico vermelho vivo, é um tom um bocadinho mais escuro, como o que escolhi para o fundo deste blogue (consta que o nome oficial é vermelho persa). É uma cor rica, elegante, sobretudo nestes tons menos agressivos.    

 

Também gosto do vermelho cor de vinho tinto para vestir, sobretudo no outono/inverno.

 

Curiosamente, já foram feitos estudos sobre a influência da cor vermelha em equipamentos desportivos. É uma cor que simboliza paixão, energia, testosterona, vitalidade, dominância. Uma cor emotiva, que entusiasma e motiva os aliados e intimida os adversários. Está provado que dá vantagem. 

 

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É claro que essa vantagem pesa menos que fatores como o talento e a técnica. Se não fosse assim, teríamos muito mais que apenas dois títulos. Em todo o caso, o vermelho é uma cor que já faz parte do carácter da Seleção. 

 

Dito isto, gostava de ver mais verde nos equipamentos das Quinas. Afinal de contas, sempre representa cerca de quarenta por cento da nossa bandeira. Além de que é uma cor menos agressiva, que representa esperança, harmonia, compaixão, segurança – características que também fazem parte do ADN da Equipa de Todos Nós, a meu ver. Contrabalançam com as emoções extremas do vermelho e também com a hostilidade endémica do futebol de clubes, sobretudo em Portugal. 

 

Mas passemos ao cerne deste texto: os equipamentos da Seleção nos últimos dezasseis anos, do pior para o melhor. Vamos começar com…

 

8) 2008

 

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Admito-o desde já: o equipamento criado para o Euro 2008 só está no fundo da lista por, usando o termo técnico, picunhices. Em termos gerais, este equipamento não é pior do que os outros desta lista. Como quase todos, é todo em vermelho (embora eu não adore este tom particular), com letras e números dourados. 

 

Aquilo de que não gosto neste equipamento é do feitio da gola (estiveram ali a inventar sem necessidade) e a camisola mais justa que o habitual. Na altura, acho que li em algum lado que isto foi deliberado, era para melhor absorver a transpiração ou algo do género. No entanto, do ponto de vista estético não ficou muito bem, na minha opinião. Prefiro camisolas mais largas. 

 

7) 2012

 

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O equipamento apresentado para o Euro 2012 não difere radicalmente do de 2008. Também ele é todo vermelho, um vermelho vivo, clássico. Desta vez, no entanto, não se puseram a inventar: a gola tem um feito normal, a camisola não parece nem demasiado larga nem demasiado justa.

 

Na verdade, o ponto fraco deste equipamento é precisamente o facto de não terem inventado nada. É um equipamento simples, uma aposta segura, que não é feio mas também não deslumbra. É pouco imaginativo. Parece-se mais com o modelo básico com que os designers (estilistas?) da Nike começam na hora de conceber um equipamento novo.

 

É por isso que está tão baixo nesta lista: falta-lhe carácter. 

 

6) 2018

 

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Este é o equipamento mais recente desta lista. Criado para o Mundial 2018, mas que também foi usado durante a conquista do nosso segundo título, na Liga das Nações. Tem algumas semelhanças com o de 2008: todo vermelho, letras e números dourados. Está melhor conseguido, no entanto: gosto do estilo dos múmeros e do discreto efeito “riscado” nos ombros e braços – mais proeminente em outras peças desta coleção, como o equipamento de treino.

 

Pode ser o mesmo modelo que a Nike aplicou a todos os seus equipamentos se seleções, mas ao menos é bonito.

 

5) 2006

 

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O equipamento criado para o Mundial 2006 é todo vermelho, como vários outros desta lista. Este, no entanto, é um vermelho diferente, bastante curioso. Varia consoante a luz. Sob a luz artificial é um vermelho mais perto do vinho tinto (parecido com o vermelho das camisolas dos finais dos anos 90, início dos anos 2000). Sob a luz do sol transforma-se num vermelho mais vivo, cor de sangue seco.

 

É um efeito muito giro e único. Tive várias oportunidades de vê-lo, pois cheguei a ter o boné desta coleção, da mesma cor. Infelizmente perdi-o.

 

O único problema é que, apesar de ser uma cor original e bonita, é um bocadinho escura demais, que se torna demasiado quente e pesada. Tendo em conta que os grandes campeonatos de seleções se realizam durante o verão, esta é uma desvantagem significativa. É só mesmo por este motivo que este equipamento não está mais acima na classificação.



4) 2010

 

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Nesta parte da lista, as diferenças entre os equipamentos em termos de preferência não são muito grandes. Foi difícil de definir a ordem nesta parte. Se estivesse a escrever este texto há um ano, a ordem se calhar seria diferente. Hoje fica assim.

 

Finalmente um equipamento que não é todo em vermelho: o criado para o Mundial 2010. A camisola é vermelha, mas possui uma faixa verde horizontal, na zona do peito. Inicialmente os calções eram brancos – eu gostava assim, mas admito que fica demasiado parecido com o equipamento do Manchester United. 

 

Talvez seja por isso que, em muitos jogos (talvez na maior parte deles), a Seleção tenha usado calções vermelhos. Também ficam bem, não me interpretem mal – a faixa verde distingue-os dos vários equipamentos-todos-vermelhos – mas eu preferia os calções brancos. Mais: este seria o equipamento ideal para recuperar a tradição dos calções verdes. Uma oportunidade desperdiçada, na minha opinião. 

 

3) 2016

 

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Este equipamento tem o grande viés de ter sido o equipamento com que ganhámos o nosso primeiro título. Eu mesma tenho a camisola – há anos que queria uma da Seleção e optei pela camisola de Campeões Europeus.

 

Não digo que a minha opinião não seja nem um bocadinho enviesada mas, na minha opinião, mesmo colocando de lado o facto de ser a camisola da final de Paris, é um equipamento bonito por si mesmo. Na verdade, mais do que o fator Campeão Europeu, pesa mais o facto de eu ter um exemplar da camisola, que posso examinar ao pormenor.

 

Esta camisola tem os ombros e os braços num vermelho mais escuro – como poderão ver na fotografia abaixo, são na verdade riscas muito finas, alternando entre o vermelho-vinho-tinto e o vermelho do resto da camisola. Esse vermelho, aliás, é o tal vermelho-persa de que falei acima, o meu tom preferido (se não for exatamente esse o tom, está muito próximo).

 

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É, em suma, um belo equipamento (mesmo que, mais uma vez, partilhe o modelo com várias outras seleções da Nike). Merece ser este a figurar nas fotografias do 10 de julho. 

 

2) 2014

 

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Este é capaz de ser o equipamento mais criativo e original desta lista (só o de 2010 é que compete com ele nesse capítulo). É todo em vermelho, mas a camisola possui um degradê (é esse o termo correto?). O peito e os ombros são num vermelho mais vivo que, depois, transita para um vermelho mais escuro, que ocupa a parte de baixo da camisola, os calções e as meias.

 

É uma pena este equipamento estar associado ao desastre que foi o Mundial 2014 porque eu gosto mesmo muito deste equipamento. Só prova que a beleza da camisola não serve de prognóstico.

 

E ainda bem, não é? Para estas coisas ninguém gosta de spoilers.

 

1) 2004

 

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Como disse antes, tive algumas dificuldades em definir partes desta classificação, mas nunca tive dúvidas em relação ao primeiro lugar. 

 

Admito que haja muita nostalgia nesta escolha. Como poderão ler aqui, muitos dos meus jogos preferidos de sempre da Seleção decorreram durante o Euro 2004. Ainda hoje, se reescrevesse essa lista, o Portugal-Espanha continuaria no primeiro lugar – porque foi onde tudo começou para mim. Se não fosse esse jogo, nenhum dos outros teria tido o mesmo impacto.

 

É difícil explicar a quem não se lembre desse campeonato ou tenha nascido depois dele (parecendo que não, gente de quinze anos incluem-se nesse grupo) o impacto que o Euro 2004 teve no povo. Fomos nós os anfitriões, uns anfitriões bastante entusiastas. A Seleção ia fazendo a sua parte, com jogos que se tornariam lendários. Todo o país esteve em festa como nunca se vira antes e não se tornaria a ver até agora.

 

Não, nem mesmo quando nos sagrámos Campeões Europeus. Não estou a dizer que tenha sido pior ou melhor, apenas que não foi a mesma coisa. Porque foi em França, não em Portugal.

 

O equipamento do Euro 2004 foi o último equipamento até agora a ter calções verdes. As cores, aliás, são mais vivas do que o costume, sem destoarem, com pormenores dourados – as faixas verticais, fininhas, de cada lado da camisola. À frente os números aparecem dentro de círculos, em homenagem ao equipamento da Seleção no Mundial de 1966. 

 

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Em suma, é um equipamento brilhante e festivo, diferente de qualquer outro, o que reflete na perfeição aquilo que o Euro 2004 representou para nós: um período feliz, brilhante, uma festa, algo irrepetível. O início da minha história de amor com a Seleção – e por isso estará sempre em primeiro.

 

E cá estão, os equipamentos das Quinas ordenados pelas minhas preferências. Devia ter calculado que dedicaria uma boa parte deste texto a comparar tons de vermelho mas olhem. Foi diferente. Foi divertido.

 

Agora estou ansiosa pela revelação do equipamento do Euro 2020. Provavelmente fá-lo-ão aquando dos jogos de março: o torneio da Qatar Airways, em que vamos jogar com a Bélgica e a Croácia. Espero que não se limitem a um equipamento liso, todo vermelho. Espero que sejam criativos, que lhe deem personalidade própria.

 

Não me peçam para decidir logo em que lugar ficaria nesta lista, ou mesmo para dar logo um parecer definitivo sobre o equipamento. Vou precisar de tempo para formar as minhas opiniões, de ver a Seleção envergando as novas camisolas em campo.

 

É esperar para ver. A contagem decrescente continua. Acompanhem-na connosco, na página de Facebook deste blogue.