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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Portugal 2 Tunísia 2 – Sem defesa

lumiose_city_scene_illustration.0.jpgNa passada segunda-feira, dia 28 de maio, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou a duas bolas com a sua congénere tunisina, em jogo de carácter particular, no Estádio Municipal de Braga.

 

Este resultado fez soar alguns alarmes, não sem alguma razão, mas eu não achei o jogo assim tão mau. A primeira parte, pelo menos, não o foi. A primeira oportunidade pertenceu à Tunísia, no primeiro minuto, mas depois disso foi sobretudo Portugal – muito graças a Ricardo Quaresma, Bernardo Silva, João Mário e André Silva. O primeiro, aliás, desperdiçou uma, de baliza aberta, aos dez minutos (a sério, Quaresma?!?).

 

Felizmente, compensou mais tarde quando, após iniciativa de William e Bernardo Silva, assistiu para André Silva marcar de cabeça, inaugurando o marcador.

 

Diz-se que foi o milésimo golo de sempre da Seleção Portuguesa. Muito gilo e tal mas, sejamos sincermos, ninguém se vai lembrar disso, ou mesmo deste jogo, daqui a duas semanas, ou menos.

 

Não que tenha sido um mau golo, para milésimo da Seleção. Mas o milésimo-primeiro foi melhor. Na sequência de um canto, um dos médios da Tunísia aliviou mal e João Mário, a meio metro da grande área, aproveitou para disparar, de primeira, para as redes tunisinas.

 

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Isto, curiosamente, no preciso momento em que a minha irmã dizia ter saudades do trio William-Adrien-João Mário no Sporting. Não sei ao certo como correram as coisas ao João no West Ham, mas é bom saber que ele ainda tem cartas para dar pela Equipa das Quinas.

 

Infelizmente, a vantagem de duas bolas não durou muito: cinco minutos mais tarde, os avançados tunisinos fizeram o que quiseram da defesa portuguesa e Anice Badri conseguiu marcar – também com um belo tiro, por sinal.

 

Ainda assim, na segunda parte do jogo, manteve-se a tendência ofensiva portuguesa. Destaque para duas ocasiões, uma de João Mário, outra de Bernardo Silva – nessa, Bernardo atirou ao poste, João Mário ainda tentou a recarga, mas o guarda-redes defendeu.

 

Se essa bola tivesse entrado (essa e/ou outras!), a história do jogo podia ter sido diferente. Em vez disso, mais uma falha da defensiva portuguesa permitiu à Tunísia chegar ao 2-2.

 

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Depois desta, com as substituições, o cansaço e tudo o resto, Portugal nunca mais conseguiu reencontrar-se no jogo. O resultado manteve-se até aos noventa – ou melhor, até um bocadinho antes, porque o árbitro não concedeu tempo de compensação em nenhuma das partes, vá-se lá saber porquê.

 

É frustrante acabar um jogo empatado quando se estive a ganhar por 2-0. Eu, no entanto, não fiquei assim tão chateada com isso. Em parte, porque a anterior dupla jornada de particulares (sobretudo o último jogo) me deixou com baixas expectativas; em parte, porque já vi particulares piores em fases equivalentes de preparação de Europeus e Mundiais (com e sem Ronaldo); em parte porque… é só um particular, é para isso que eles servem!

 

Mesmo assim, Fernando Santos parecia irritado na flash-interview e tinha motivos para isso. A frase “Estou farto de avisar para estes lances” diz tudo. E, de facto, se formos a ver, andamos a sofrer bastantes golos nos últimos tempos. O que não era habitual: nem durante o Euro 2016 nem durante a última Qualificação.

 

Qual será o problema? Será porque o Rui Patrício não tem jogado nos particulares? Será porque, em jogos a feijões, os Marmanjos não se empenham tanto? Ou será algo mais complicado?

 

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Qualquer que seja a razão do problema, é bom que este seja resolvido antes do Mundial. Afinal de contas, a consistência da defesa foi uma das coisas que nos deu o título de Campeões Europeus.

 

Felizmente, tanto o Selecionador como os Marmanjos têm garantido, ao longo da semana, que estão a trabalhar nesse aspeto. A ver se veremos resultados nos próximos particulares. 

 

Portugal tinha todas as condições para ter vencido a Tunísia mas, pensando em termos de preparação do Mundial, até foi bom não o ter feito. Um terceiro golo poderia ter feito com que os tunisinos desistissem de lutar pela vitória e o problema da defesa ficaria mascarado. Talvez se revelasse apenas no jogo com a Bélgica ou com a Argélia e teríamos menos tempo para corrigir antes do Mundial. Pode ser que isto seja Deus a escrever por linhas tortas.

 

Hoje, então, jogamos contra a Bélgica – que todos consideram uma das melhores seleções do Mundo e eu continuo sem saber ao certo porquê. É certo que possui uma mão-cheia de individualidades (Hazard, Lukaku, Courtois, Kompany, entre outros), mas os percursos em campeonatos de seleções anteriores, não sendo maus, não foram de extraordinário, na minha opinião. A última vez que jogámos contra eles correu bem para o nosso lado.

 

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Não deixam de ser um bom adversário, claro, o mais difícil destes três particulares. Aliás, depois destes últimos jogos assim-assim, estou curiosa (e um bocadinho apreensiva) por ver a Seleção atual perante um adversário de calibre considerável.

 

Vou aproveitar a ocasião e falar já sobre o jogo com a Argélia, que decorrerá no Estádio da Luz… e eu estarei lá. Quero aproveitar todas as oportunidades para ir a jogos da Seleção enquanto puder – nada me garante que consiga fazê-lo daqui a uns anos. Além disso, tenho uma camisola por estrear.

 

Acho que vai ser a primeira vez que jogamos contra a Argélia. Confesso que não sei muito sobre esta seleção: apenas que não se Qualificou para o Mundial 2018 e que Yacine Brahimi, do F.C.Porto, e Islam Slimani, que era do Sporting, fazem parte. Não sei se foram Convocados para este jogo, no entanto. A minha irmãzinha sportinguista, que vem comigo ao jogo, ficará feliz se vir o Slimani – mas não sei se o público da Luz concordará com ela.

 

Não sei ao certo quando conseguirei escrever sobre estes jogos. Junho vai ser um mês complicado no meu emprego – logo agora, que vem aí o Mundial! Não sei como vou dar conta do recado com este blogue. Talvez escreva sobre dois jogos de cada vez, como fiz antes. Talvez, em vez de crónicas em texto corrido, escreva as minhas análises sob a forma de notas soltas. Hei de arranjar uma solução – mas fica desde já o aviso de zona turbulenta.

 

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Ao menos devo ser capaz de manter a página de Facebook atualizada, o que é melhor do que nada. Obrigada pela vossa paciência, como sempre. Continuem desse lado.

Voltaremos!

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No passado dia 28 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol foi derrotada nos pénaltis, nas meias-finais da Taça das Confederações, pela sua congénere chilena. Quatro dias mais tarde, disputou o terceiro lugar na prova com a sua congénere mexicana, vencendo-a por duas bolas contra uma.

 

O jogo com o Chile nem começou mal. Pelo contrário, a primeira parte foi muito bem disputada por ambas as equipas. Dava gosto ver.

 

Algo a que achei piada foram as ocasiões (pelo menos duas), em que um dos guarda-redes fazia uma defesa espetacular para depois, na resposta, o guarda-redes adversário fazer uma defesa idêntica.

 

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No entanto, na segunda parte, a qualidade do jogo começou a decair. A ideia que ficou era de que Fernando Santos queria jogar para o prolongamento, para os penáltis. Talvez contasse com a (relativa) sorte que nos ajudou a conquistar o título europeu, no ano passado.

 

E até parecia que a Sorte (e o árbitro, diga-se de passagem) estava do nosso lado. Sobretudo quando chegou o prolongamento e Portugal parecia resignado a aguentar os chilenos, à espera do desempate final. José Fonte cometeu uma falta para grande penalidade que, por algum motivo, escapou ao vídeo-árbitro (provando que este ainda possui muitas arestas por limar).

 

O caso mais caricato, contudo, ocorreu em cima do final do prolongamento: um lance em que a bola bateu duas vezes nos ferros portugueses.

 

 

Eh pá, lembram-se de quando os postes costumavam ser os nossos maiores adversários?

 

O Rui Patrício até se riu após esse lance. Mas quem ri por último…

 

É a terceira vez que escrevo sobre desempates por grandes penalidades. Volto a dizer que não acredito na corrente de que os penáltis são cem por cento lotaria. Sobretudo depois deste jogo.

 

A sério, pessoal. Acham mesmo que uma equipa falha três penáltis seguidos por azar? Tenham juízo!

 

Conforme já referi duas vezes antes, na minha opinião, os penáltis são quarenta por cento perícia, trinta por cento estado psicológico e emocional, trinta por cento sorte. Ricardo Quaresma pode ter falhado o primeiro penálti por falta de sorte, admito. Mas depois disso deu-se o efeito bola de neve.

 

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João Moutinho tem um conhecido historial de penáltis falhados – afinal de contas, Cristiano Ronaldo teve de encorajá-lo, num momento que já se tornou icónico, aquando das grandes penalidades contra a Polónia, no ano passado. No entanto, neste jogo, perante o falhanço de Quaresma, não me surpreendeu que tivesse sucumbido à pressão. Nem que o mesmo tenha acontecido a Nani.

 

Depois do jogo, debateu-se se Cristiano Ronaldo deveria ter batido o primeiro penálti, tal como tinha feito aquando do jogo com a Polónia. Eu sou da opinião de que devia. Nos quartos-de-final do Europeu, foi importante termos tido o Capitão dando o exemplo aos colegas, sobretudo a Moutinho. Além disso, da outra vez em que tínhamos caído nas grandes penalidades, Ronaldo também não chegou a bater a sua. Não me parece que tenha sido coincidência. Como tal, não compreendo que não tenhamos começado pelo Ronaldo nestes penáltis.

 

A única explicação que me ocorre é que Fernando Santos quis apostar nos jogadores suplentes, menos desgastados.

 

Por outro lado, também admito que não fosse certo que Cristiano Ronaldo tivesse acertado o primeiro penálti. Além disso… o Quaresma é um dos mais experientes do grupo. Ele devia ter marcado.

 

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Havemos de voltar a falar sobre penáltis mais à frente.

 

Não, Portugal só se pode culpar a si próprio por este desfecho. Não apenas pela maneira como abordou os penáltis, mas também por ter sido demasiado conservador ao longo dos cento e vinte minutos de jogo. Quase todos concordam que a Seleção tinha capacidade para ir à final e lutar pelo título. Podemos ter desperdiçado uma oportunidade única. Não só porque será difícil Portugal voltar a Qualificar-se para uma Taça das Confederações, como também porque talvez esta tenha sido a última edição da prova.

 

No entanto, há que recordar que isto é “apenas” a Taça das Confederações: uma prova a respeitar, mas que não tem o mesmo prestígio que um Europeu ou Mundial. Até agora, seleções que vencem a Taça das Confederações nunca venceram o Mundial do ano seguinte. Tal como referiu António Tadeia, um dos possíveis motivos será a tentação dos selecionadores em apostarem na mesma equipa e/ou na(s) mesma(s) tática(s) que resultara bem antes – quando, se calhar, os jogadores já não têm o mesmo rendimento que um ano ou dois antes e a(s) tática(s) não são adequadas àquela estrutura de prova e àqueles adversários.

 

Em linha com isso, prefiro que a Seleção Portuguesa e Fernando Santos tenham cometido esses erros nesta prova, em vez de os terem cometido num Europeu ou Mundial. Pode ser que aprendamos a não depender demasiado da tática do Euro 2016. Até porque, agora, temos jogadores como André Silva, Bernardo Silva, Gelson Martins – bons para jogar ao ataque.

 

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Antes das alegações finais, falemos do jogo pelo terceiro lugar, contra o México… outra vez.

 

Confesso que não estava particularmente interessada neste encontro. Jogos pelo terceiro lugar são um bocadinho fúteis. Chegam mesmo a ser cruéis para os jogadores: estes estão cansados, deprimidos por terem falhado a final, talvez com saudades e casa, das respetivas famílias. O bronze não é grande motivador. Eu mesma já pensava assim aquando do Mundial 2006.

 

Curiosidade: o jogo pelo terceiro lugar foi abolido em Europeus em 1980 por (segundo o livro A Fúria do Euro, de Michael Coleman) o encontro dessa prova, entre a Itália e a Checoslováquia, ter sido uma seca – o desempate por grandes penalidades ficou em 9-8, a favor da Checoslováquia.

 

Por sua vez, a Seleção deixou bem claro o investimento que faria no jogo quando dispensou Cristiano Ronaldo para que pudesse conhecer os filhos.

 

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Confesso que essa decisão me deixou desconfortável. É certo que os filhos nasceram há pouco tempo e que Ronaldo abdicou de ir vê-los mais cedo. Mas ele não é o único com filhos e outros compromissos familiares entre os Marmanjos. O Rui Patrício, por exemplo, tem um filho com menos de um ano e uma filha por nascer. Pizzi tem um filho com um ano de idade e adiou a sua lua-de-mel para vir à Taça das Confederações. Porque não tiveram eles, também, direito a dispensa?

 

Incomoda-me ainda mais o discurso de alguns dos protagonistas da Seleção, dando a entender que devíamos estar gratos por Cristiano Ronaldo nos ter feito o especial favor de comparecer na Taça das Confederações.

 

Tudo isto são precedentes perigosos. Receio que, um dia, tudo isto se volte contra os responsáveis pela Seleção.

 

Regressando ao jogo com o México, nesse dia, tive pessoas em casa a almoçar. Como tal, nem sempre consegui acompanhar o jogo como deve ser, sobretudo durante a segunda parte.

 

Conforme era de esperar, Portugal alinhou com um onze com oito alterações em relação ao jogo com o Chile (destaque para Pizzi e Gelson Martins a titulares). Entrámos melhor que no primeiro jogo com o México (não que fosse difícil), claramente por cima, mas incapazes de acertar com a baliza.

 

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Um bom exemplo da nossa falta de acerto foi o penálti assinalado a favor de Portugal, aos dezasseis minutos, que André Silva desperdiçou – ainda a bola de neve que começara no jogo com o Chile.

 

Como toda a gente sabe, nestas coisas, que não marca sofre. E acabámos por ser nós mesmos a boicotar-nos, via auto-golo de Luís Neto, no início da segunda parte.

 

Tal como referi acima, não consegui prestar muita atenção durante esse período do jogo. Consta que Portugal continuava a desperdiçar oportunidades. A partir de certa altura, resignei-me: não me apetecia estar a sofrer por um mísero terceiro lugar.

 

Os Marmanjos não pensavam assim, felizmente. Desse modo, Pepe acabou por obrigar os mexicanos a provarem do seu próprio veneno, ao marcar um golo no tempo de compensação.

 

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Nunca me vou cansar da celebração de Pepe, beijando as Quinas que traz no peito. É por estas e por outras que o adoramos e lhe vamos perdoando a sua cabeça quente.

 

O jogo foi, desse modo, a prolongamento. Outra vez. Por motivos óbvios, ninguém do lado de Portugal queria ir a penáltis. Eu mesma quase preferia que os mexicanos marcassem, só para nós pouparem à vergonha.

 

Não foi preciso, graças a Deus. Perto do fim da primeira parte do prolongamento, foi assinalado pénalti a favor de Portugal. Desta vez, estava já Adrien Silva em campo – um perito na marca dos onze metros, mais experiente e, pelos vistos, melhor a lidar com a pressão que André Silva (são muitos “Silvas" na Turma das Quinas…). Assim, foi chamado a bater o penálti e, ao contrário de quatro dos seus colegas, não perdoou.

 

Ainda bem. De outra maneira, a bola de neve podia prolongar-se até aos próximos jogos da Seleção.

 

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Dizia eu antes que não planeava sofrer pelo terceiro lugar. No entanto, agora que estávamos em vantagem no marcador, queria que a mantivessem, claro.

 

Não foi fácil. O Nelson Semedo arranjou maneira de ver o segundo amarelo e Portugal ficou obrigado a segurar a vantagem em inferioridade numérica (Gelson acabou como lateral direito). O que nos valeu foi Jiménez, que teve a bondade de repôr a igualdade numérica… após entrada dura sobre o colega de equipa, Eliseu (não se faz…).

 

Os mexicanos não deixaram de tentar o empate. A certa altura quase se pegavam com o árbitro, após um lance duvidoso. Chegaram a bater um livre em que o guarda-redes mexicano, Ochoa (que se parece imenso com o Ted Mosby, de How I Met Your Mother), se veio juntar à barreira (sempre achei piada a essas ocasiões).

 

Mas a vitória já não escapou a Portugal. A Seleção ganhou, assim, a medalha de bronze.

 

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E sabem uma coisa? Estou satisfeita. Chegar às meias-finais de qualquer prova é sempre bom. Tínhamos meios para ir mais longe, sim, mas não há que ter vergonha do percurso que fizemos na Taça das Confederações – até porque esta foi a nossa primeira vez na competição.

 

Agora o importante é aprender com os erros cometidos, sobretudo no jogo com o Chile, e apontar baterias para o Mundial. Podemos ter perdido agora, mas voltaremos! No próximo ano haverá Mundial na Rússia e Portugal estará lá. Não perdem pela demora.

 

Um agradecimento a todos os que acompanharam o percurso da Seleção na Taça das Confederações comigo, quer através deste blogue, quer da página de Facebook.

 

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Portugal 2 México 2 - A estreia do costume

transferir.jfifNo passado sábado, dia 18 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol estreou-se na Taça das Confederações com um empate a duas bolas, perante a sua congénere mexicana – num jogo que teve lugar no Arena Kazan, na Rússia.

 

Não estou muito surpreendida por não termos ganho. Afinal de contas, Portugal não consegue estrear-se com uma vitória em campeonatos de seleções desde o Euro 2008, há nove anos (!!). Esta está longe de ser a pior estreia (ou já se esqueceram?).

 

No entanto, desta feita, o resultado menos bom podia ter sido evitado com um onze inicial diferente, na minha opinião. Não consigo entender a lógica de deixar André Silva no banco desde início, quando ele mostrou inúmeras vezes, ao longo desta época, entender-se na perfeição com Cristiano Ronaldo. É certo que seleções como a Hungria e a Letónia não se comparam com o México, mas não valia a pena arriscar?

 

A única explicação que me ocorre é Fernando Santos ter dado mais importância à experiência. Mas Nani (de quem gosto muito, como vocês sabem), não estando tão mal como estava há três ou quatro anos, não está em grande momento de forma. Além de que não sei se ele está habituado a jogar naquela posição: na frente de ataque em vez de como extremo (se estiver enganada, estão à vontade para me corrigir).

 

Com tudo isto, os primeiros quinze, vinte minutos da partida foram penosos. Portugal parecia incapaz de reter a bola. Até o público no Arena Kazan se irritou e se pôs a assobiar – aqueles é que eram os Campeões Europeus?

 

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Felizmente, o tormento não durou muito: aos vinte minutos, André Gomes (ou terá sido Nani? Ou Pepe? Nas imagens não dá para perceber…) conseguiu enfiar a bola na baliza mexicana, na sequência de um livre de Cristiano Ronaldo Os portugueses partiam já para os festejos quando o árbitro pediu ajuda ao seu homólogo em vídeo, metendo um travão na festa.

 

Falemos, então, sobre o vídeo-árbitro. À semelhança de muitos adeptos da modalidade, há muitos anos que ansiava pela introdução destas tecnologias no futebol. Sobretudo se permitisse, se não acabar, pelo menos diminuir polémicas irritantes, como foras-de-jogo mal assinalados ou por assinalar, mãos de Deus, faltas mal marcadas, cartões por mostrar, acusações de “colinho”, entre outras coisas que não contribuem para a felicidade de ninguém.

 

No entanto, ver o vídeo-árbitro em ação pela primeira vez, num jogo da Equipa de Todos Nós… foi um bocadinho chato. O jogo esteve parado durante minutos, enquanto os árbitros decidiam se o golo era válido ou não. Cá em casa, não se percebia ao certo qual era o problema, porque a realização não teve a bondade de repetir o lance do golo. No estádio, deve ser ainda pior pois não há maneira de jogadores, técnicos ou adeptos verem a repetição dos lances – a menos que mostrem nos ecrãs gigantes e, mesmo assim, não sei se dá para ver bem.

 

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Em suma, o vídeo-árbitro foi uma fonte extra de nervos para toda a gente.

 

Durante aqueles minutos de espera, pelo menos. Eventualmente, os árbitros lá decidiram que o Pepe estava em fora-de-jogo aquando do livre, logo, o golo era ilegal. Não temos o direito de reclamar – se fosse contra nós, ninguém se queixaria. Infelizmente, conforme assinalado neste blogue, os jornalistas desportivos portugueses começaram já a implicar com o vídeo-árbitro. Será que, sem as controvérsias evitadas por ele, ficam sem assunto para os artigos de opinião e para os programas de debate?

 

Eu concordo que existem, ainda, muitas arestas para limar nesta questão do vídeo-árbitro, mas isso há de melhorar com o tempo. No cômputo geral das coisas, o futebol tem mais a ganhar do que a perder.

 

Mas regressemos ao jogo com o México. O golo anulado teve o mérito de, ao menos, fazer os portugas acordarem para a vida. Assim, aos trinta e cinco minutos, Cristiano Ronaldo aproveitou um passe falhado para o mexicano Salcedo e arrancou em direção à baliza. Já na grande área, assistiu para Quaresma, que ainda teve o desplante de fintar o guarda-redes antes de atirar à baliza.

 

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Não deu para festejar durante muito tempo. Raphael Guerreiro, que estava já a fazer um jogo abaixo do nível a que nos habituou, deixou que Carlos Vela recebesse a bola, mesmo em frente da nossa baliza, e assistisse para Chicarito.

 

E eu, que, um minuto antes, me regozijava por a Seleção se ter tornado aquela equipa, que não perdoava os erros aos adversários…

 

Na segunda parte, Portugal continuava sem conseguir dominar o jogo. Isso acabou por mudar com as entradas de Adrien e Gelson (a Seleção estava mesmo a precisar de alguém como este último, que pusesse aquela rapaziada a correr…). Aos oitenta e dois minutos, André Silva lá entrou. Menos de cinco minutos depois (não acredito que seja coincidência), Portugal marcava o segundo golo – cortesia de Cédric Soares, que aproveitou um deslize de Herrera.

 

Uma parte de mim sabia que o jogo não estava, ainda, resolvido, que os mexicanos ainda tinham tempo de empatar a partida, de novo. Infelizmente, não me enganei: já em tempo de compensação, Moreno marcou na sequência de um canto, em que os defesas portugueses voltaram a ficar mal na fotografia.

 

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Dói um bocadinho ter a vitória na mão e deixá-la voar a um ou dois minutos do fim, mas a verdade é que Portugal só se pode queixar de si próprio. Não provou merecer a vitória. É certo de isto do mérito no futebol é muito relativo mas, mesmo assim, pelo que se viu em campo, o empate será mesmo o resultado mais justo.

 

Para além dos erros individuais, na minha opinião, este resultado deve-se ao onze inicial inadequado. Já falei sobre André Silva, Nani e Gelson. Há que assinalar, no entanto, que Portugal melhorou com a saída de João Moutinho e a entrada de Adrien.

 

Recordar, ainda, que temos Bernardo Silva – um jogador fabuloso como todos sabem – mas que não tem saído do banco.

 

Tudo isto faz lembrar o início do Europeu, em que Fernando Santos pareceu demorar vários jogos a perceber quais eram os melhores jogadores. É claro que, no fim, as coisas acabaram bem para o nosso lado e, de uma forma paradoxal, os “erros” nos onzes dos primeiros jogos permitiram fazer a gestão de esforço dos jogadores.

 

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Mas também tivemos sorte. Será prudente repetir a gracinha este ano?

 

O meu medo é, então, que Fernando Santos volte a cometer os mesmos erros. Que, por um motivo ou por outro, guarde os trunfos para a segunda parte, adiando a vitória.

 

Pode ser que isso funcione hoje, por outro lado. Os russos são a única equipa nesta competição que não ganhou nada, não estão ao nível dos mexicanos (ainda que estejam a jogar em casa e que Portugal nunca tenha conseguido marcar um golo, sequer, em território russo). E não se pode dizer que Portugal tenha estado a jogar para o empate, frente ao México – ao contrário do que aconteceu em certos momentos da fase de grupos do Europeu.

 

Tudo vai depender, então, do jogo de hoje. A vitória é possível, ninguém duvida disso. Mesmo que Portugal não comece com o seu melhor onze, já será uma grande ajuda se os Marmanjos não cometerem fífias, como as de domingo passado.

 

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A verdade é que estes jogos não são fáceis para mim. Eu fico nervosa, chego a perder anos de vida a cada jogo. Isto ainda não aconteceu este ano, mas, em momentos mais críticos destes campeonatos, chego a perder o apetite, a ter insónias. E, claro, se as coisas correm mal, fico em baixo.

 

Muitas vezes – sobretudo quando as coisas correm bem, como no ano passado – tenho saudades dos campeonatos de seleções. Mas a verdade é que estes não são assim tão agradáveis quando estão a decorrer.

 

É por estas e por outras que tenho cada vez menos vontade de apoiar um clube a sério – viver assim durante os nove, dez meses que dura uma época? Não, obrigada.

 

Mas chega de falar sobre as minhas neuroses. Estamos a poucas horas do jogo com a Rússia (isto de jogos a cada três dias não dá com nada...). Eu acredito numa vitória e na passagem às meias-finais. Esperemos que os Marmanjos não desiludam.

 

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Continuem a acompanhar este campeonato aqui no blogue e na página do Facebook.

 

Letónia 0 Portugal 3 - Os suspeitos do costume

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Na passada sexta-feira, dia 9 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere letã por três bolas sem resposta, no Estádio Skonto, em Riga. O jogo contou para a Qualificação para o Mundial 2018.

 

Este jogo não começou muito bem para Portugal – eu diria mesmo que os portugueses chegaram vinte minutos atrasados ao jogo, incapazes de furar a muralha letã. Gelson Martins, por exemplo, estreava-se a titular, mas esteve uns quantos furos abaixo daquilo a que nos habituou. Mesmo Cristiano Ronaldo pouco se fez notar em campo. Quase só houve Letónia durante a primeira meia hora de jogo, embora os letões não tivessem capacidade para grandes ameaças à baliza portuguesa.

 

Eventualmente, os portugueses foram-se encaixando no jogo – sobretudo depois de Fernando Santos ter pedido a André Gomes para jogar mais adiantado. O primeiro golo surgiu ao minuto quarenta e dois (curiosamente, o mesmo minuto em que João Moutinho marcara o seu segundo golo no jogo anterior). Numa altura em que a Seleção se instalara na grande área letã, André Gomes cruzou para José Fonte, que cabeceou para o poste. Na recarga, Ronaldo marcou.

 

Como já é habitual neste tipo de jogos, depois do primeiro golo ficou tudo mais fácil. Mais ou menos aos dez minutos da segunda parte Fernando Santos enviou Ricardo Quaresma para o campo. Este, de uma maneira igualmente típica, recebeu um cruzamento de André Gomes e, mesmo em cima da linha de fundo, assistiu para o segundo golo de Ronaldo.

 

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Menos de três minuto depois, o Capitão pôde dar-se ao luxo de oferecer a bola de André Silva e o miúdo (que acabou de ser contratado pelo AC Milan) não desperdiçou a prenda. Estava feito o resultado.

 

Não há muito mais a dizer sobre este jogo. Esteve longe de ser uma partida empolgante, mas Portugal fez o que tinha a fazer, com três golos assinados pelos suspeitos do costume desta fase de Qualificação. Tendo em conta que a Suíça também ganhou o seu jogo, as contas do Apuramento continuam na mesma. Estou cada vez mais convencida de que a coisa se vai manter assim durante os próximos tempos. Tinha esperanças de que os nossos amigos húngaros nos dessem uma mãozinha na antepenúltima jornada. No entanto, a Hungria acaba de perder perante… a Andorra.

 

Acham mesmo que eles estão em condições de roubar pontos à Suíça?

 

Não, não dá mesmo para esperar que outras equipas resolvam o imbróglio em que Portugal se meteu, no início desta Qualificação. Vamos ter de ser nós mesmos a corrigir os nossos próprios erros.

 

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Mas isso fica para outras núpcias. Agora começou oficialmente a Operação Taça das Confederações. O nosso primeiro jogo, perante o México, é no próximo domingo, às três da tarde. Fernando Santos não promete nada, exceto “que vamos trabalhar muito, como sempre fizemos, e que vamos lá para tentar vencê-la”.

 

Suponho que o “só venho dia 11 para Portugal” (expressão que, de resto, espero que fique gravada na lápide do Selecionador) tenha ido uma ocasião única: palavras de desafio aos mais céticos, após uma má estreia no Europeu, uma forma de inspirar os jogadores. A Seleção tem definitivamente os olhos na Taça. No entanto, numa altura em que Portugal é Campeão da Europa e a moral do povo está em alta, o Fernando Santos faz bem em adotar um discurso mais sóbrio, com os pés assentes na terra.

 

Quanto a mim, estou mais otimista do que o costume, mas vou manter a tradição de pensar jogo-a-jogo. Espero que Portugal fique muito tempo na Rússia, que só regresse dia 3 de julho. Porque não? Já tivemos um final feliz antes…

 

Acompanhem o desenrolar desta história comigo, quer neste blogue, quer na sua página no Facebook.

 

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Portugal 4 Letónia 1 - Dois minutos de susto

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No passado domingo, dia 13 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere letã por quatro bolas a uma, no Estádio do Algarve, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da Modalidade.

 

Olhando apenas para o resultado, ninguém diria que a Seleção Nacional se viu à rasca para ganhar à Letónia, em certos momentos. Ao contrário do que aconteceu nos dois jogos anteriores, Portugal não conseguiu marcar cedo e, como é frequentemente perante seleções como a letã, a coisa complicou-se. A primeira parte da Seleção foi sofrível, pastosa, fazendo lembrar vários jogos da Qualificação para o Euro 2016. A Letónia estacionara o autocarro frente à baliza e, ao contrário do que tinha acontecido com o português, este não tinha furos. O penálti, aldrabado por Nani, veio em boa hora - de outra maneira não íamos lá. Cristiano Ronaldo não desperdiçou. Mesmo assim, a vantagem no marcador não deu grande tranquilidade.

 

No início da segunda parte, pouca coisa mudou. A Seleção conseguiu cravar mais um penálti a seu favor, desta feita legítimo. Quando Ronaldo foi batê-lo, por acaso recordei-me de um jogo do Real Madrid, há tempos, em que ele tinha marcado um penálti e falhado outro. E, de facto, a história repetiu-se: a bola bateu primeiro no poste, depois no guarda-redes letão, e saiu para fora.

 

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Como qualquer adepto de futebol sabe, nestas situações, quem não marca, sofre. Numa altura em que Fernando Santos já tinha feito entrar Ricardo Quaresma, os defesas portugueses desentenderam-se e deixaram que Zjuzins rematasse para golo, conseguindo a igualdade.

 

O susto, felizmente, só durou um minuto ou dois. Logo de seguida, Quaresma assiste para a cabeça de William Carvalho, que remata para o seu primeiro golo com a Camisola das Quinas.

 

Só agora, no fim do jogo, é que os portugas acordavam para a vida - sobretudo depois da entrada de Gelson Martins. O Gelson é como a minha cadela, Jane: quando a solto para brincar com outros cães, ela dá-lhes energia, mete-os todos a correr. O Gelson faz o mesmo com os colegas de equipa, quando entra em campo.

 

Ainda houve tempo para Ronaldo se redimir do penálti falhado com um golo acrobático, após assistência, mais uma vez, de Quaresma. Mais tarde, seria Bruno Alves a marcar. É bem possível que a vantagem se dilatasse ainda mais se o jogo fosse mais comprido - de notar, aliás, que o árbitro escolheu terminar o encontro a meio de uma jogada de ataque de Quaresma. Não foi uma noite brilhante em termos de arbitragem.

 

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Em defesa dos jogadores, eles bem tinham passado a semana anterior a avisar que não ia ser fácil. Ao menos foram homenzinhos e, quando foi preciso, reagiram bem - algo que, conforme assinalaram aqui, é uma tradição do reinado de Fernando Santos. Por falar disso, este jogo lembrou-me vários outros, no Apuramento para o Euro 2016: exibições pouco entusiasmantes, Quaresma entra e ajuda a resolver com assistências. Isso não é uma crítica - conseguimos a nossa melhor Qualificação jogando assim. A diferença e que, agora, temos mais talento em campo, não nos limitamos a vitórias pela margem mínima - o que será importante para as contas do Apuramento.

 

Não houve brilhantismo mas o dever ficou comprido. Encerramos 2016 com uma vitória, tal como desejávamos.

 

Como já vai sendo hábito, esperam-nos, agora, mais de quatro meses sem jogos da Seleção. É muito tempo, muita coisa pode mudar até lá - no ano passado, por exemplo, foi tempo suficiente para promessas, como Gonçalo Guedes e Rúben Neves, perderem fulgor e para Renato Sanches surgir do nada  como o novo menino-bonito do futebol português.

 

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Este ano, porém, não me queixo muito - dá-me jeito uma pausa pois tenho sentido algum desgaste com este blogue. Por exemplo, demorei mais tempo do que o costume a escrever e publicar as duas crónicas anteriores a esta (fiz um esforço com este texto para não o arrastar demasiado). Não sei se é por andar com menos tempo para escrever, por estes jogos não serem assim tão interessantes, por o Euro 2016 ter esgotado toda a energia que costumo dedicar a este blogue. Em breve terei de começar a trabalhar na habitual revisão do ano (vai saber bem recapitular 2016) mas, depois disso, será bom não ter de escrever para este blogue durante uns tempos. É provável, no entanto, que daqui a uns dois ou três meses já ande doida com saudades da Seleção. Ao menos assim, quando estivermos em vésperas dos próximos jogos, saberei que recuperei a minha energia e estarei entusiasmada por votar escrever sobre a Equipa de Todos Nós.

 

Em todo o caso, a página do Facebook continuará no ativo durante estes meses, sempre atenta a tudo o que se relacione com a Seleção Nacional e com os seus jogadores. Não deixem de a visitar, se ainda não o fizeram.