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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Reentré

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No próximo dia 7 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará a sua congénere sérvia no Estádio Rajko Mitic, em Belgrado. Três dias mais tarde, defrontará a sua congénere litua… litua… *pesquisa no Google* lituana, no Estádio LFF, em Vilnius. Ambos os jogos contarão para a fase de grupos da Qualificação para o Euro 2020.

 

Sabe sempre bem ter jogos da Equipa de Todos Nós em inícios de setembro. São um bom consolo pela proximidade do fim do verão, ajudam a lidar com a reentré. Jogos da Seleção sabem bem em qualquer altura do ano, na verdade, mas os de setembro têm um gostinho especial – melhorado pelo facto de, depois destes, só temos de esperar um mês por mais uma dupla jornada. E depois dessa, voltamos a ter de esperar apenas um mês pela próxima. É uma das melhores partes do outono. 


Como habitual, Fernando Santos divulgou os Convocados para esta dupla jornada na passada quinta-feira. Existem algumas novidades interessantes: a Chamada de Daniel Podence, do Olympiacos, para começar, bem como a de Daniel Carriço, do Sevilha. Sobre o primeiro, o Selecionador disse que o viu jogar na Grécia e este “saltou-lhe à vista”. Em relação ao segundo, pelos vistos estará a sair-se bem no Sevilha – e Fernando Santos quis Chamar quatro centrais para esta dupla jornada, caso haja alguma lesão ou cartão vermelho.

 

Eu pessoalmente não dei com nenhuma notícia reportando boas exibições destes jogadores. Mas, lá está, é tarefa de Fernando Santos e respetiva equipa técnica tomar nota dos desempenhos de jogadores portugueses, mesmo que a Comunicação Social não o faça. 

 

Fernando Santos deve ter tido uma premonição ou assim, pois de facto um dos centrais Escolhidos lesionou-se, se bem que ainda antes da concentração: Pepe. Ferro foi Chamado para o substituir. Francisco Reis Ferreira, que por algum motivo abreviou o seu nome para Ferro, um central de vinte e dois anos que representa o Benfica. Este é outro que muitos consideram merecedor de uma Convocatória há já algum tempo – embora seja sensato dar um desconto por possível viés clubístico. Pela sua idade, parece-me um bom investimento a longo prazo – melhor que Daniel Carriço, que já está na casa dos trinta. Além de que já está habituado a jogar com Rúben Dias.

 

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Só uma questão: se Ferro cometer uma falta durante um jogo, se houver falta de Ferro, pode-se dizer que o jogo está com anemia?

 

Desculpem-me…

 

Outra novidade na Convocatória é o regresso de Renato Sanches. Confesso que não tinha dado conta de que o Renato se tinha transferido para o Lille até olhar para a Convocatória – em minha defesa, o negócio só ficara fechado uns dias antes. Tinha ouvido dizer que o Marmanjo andava a jogar pouquíssimo no Bayern de Munique e a pressionar os dirigentes para sair. Cheguei a ver uma notícia dando conta de que o CEO do Bayern dera uma de Taylor Swift, garantindo que não queriam vendê-lo, mas pelos vistos o Renato acabou por ganhar este braço-de-ferro.

 

O jogador deixou bem claro que queria ter tempo de jogo, que claramente não estava a obter no Bayern. Chegou mesmo a admitir que não estava preparado para vir para Munique quando veio. 

 

Ou seja, três anos mais tarde, fica confirmado o que vários de nós suspeitavam há muito: a sua transferência precoce foi um erro.

 

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Todos esperamos que Renato consiga recuperar o tempo perdido agora, no Lille. Ele ainda é jovem, tem toda uma carreira à sua frente. Com um bocadinho de sorte, não lhe faltarão oportunidades para mostrar o seu valor. 

 

No entanto, após quase um ano de ausência dos Convocados, será sensato da parte de Fernando Santos Chamar um jogador com tão poucos minutos? Não sei. Talvez o Selecionador espere aproveitar a motivação que Renato terá trazido para o seio da Equipa de Todos Nós, agora que está a começar de novo no Lille. Isso e a clássica desculpa do pouco-tempo-para-treinar-logo-jogadores-habituais. 

 

Enfim. A ver como corre. Ao menos já deu para Cristiano Ronaldo matar saudades do cabelo dele (a sério, já não é a primeira vez).

 

Por outro lado, confesso que não percebi a conversa de Fernando Santos, quando disse que Portugal não tem um nove, um ponta-de-lança de raiz neste momento. O Gonçalo Paciência, que ainda este fim de semana marcou um golo e fez uma assistência, um André Silva em boa forma, não são pontas-de-lança de raiz? É certo que estes aspetos técnicos já estão um bocadinho além dos meus conhecimentos da matéria, mas… parece um bocadinho desculpa esfarrapada.

 

Mais sentido faz que Fernando Santos considere que jogadores como Paciência não se encaixam na estratégia para estes dois jogos. No entanto, na minha opinião, o miúdo já merece uma oportunidade há algum tempo. Mais cedo ou mais tarde, Fernando Santos vai ter de dar-lha.

 

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Um assunto de destaque é a Convocatória de João Félix que, como toda a gente deve saber, mesmo pessoas sem acesso a televisão, rádio, jornais ou Internet, foi transferido este verão para o Atlético de Madrid – pela módica quantia de 126 milhões de euros (agora é que ele vai poder ver o Doraemon em castelhano). 

 

Ao contrário de Carriço e Podence, de João Félix ninguém perde pitada – incluindo uma situação que eu, sinceramente, estava melhor sem saber (a sério, puto, nem a minha cadela faz isso já…). Como já tinha dado a entender antes, não fiquei lá muito satisfeita com a saída do miúdo do Benfica. Achava que ele não ia conseguir adaptar-se, que não fosse capaz de corresponder ao preço e ao eudeusamento – e que, quando isso acontecesse, seria Félix a arcar com as culpas, não as pessoas que o inflaccionaram para além do razoável. Lá está, um pouco como aconteceu com o Renato. 

 

Até agora as minhas previsões não se cumpriram. Estava errada – e ainda bem! É certo que a época ainda agora começou. Continua a haver muito hype em torno de Félix e estou a tentar não me deixar contagiar. Mas até agora tudo bem e todos esperamos que continue assim. 

 

Ao contrário do que pelo menos uma parte da Imprensa desportiva vos dirá, João Félix ainda não se afirmou na Turma das Quinas. Só conta setenta minutos nas meias-finais da Liga das Nações, em que não fez nada de especial. Não que censure o miúdo – um jogo daquela envergadura não era o mais indicado para a estreia de um jogador, sobretudo um tão jovem como Félix. Nesse aspeto, esta dupla jornada será mais adequada para o miúdo mostrar o que vale. 

 

Ele há de ir lá, mais cedo ou mais tarde. Deem-lhe tempo e espaço. 

 

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Decorre, então, a preparação da segunda dupla jornada de Apuramento para o Euro 2020. Estamos numa situação estranha em que, por um lado, perdemos quatro pontos nos dois primeiros jogos, por outro, ganhámos a Liga das Nações há pouco menos de dois meses (embora, verdade seja dita, muitos poucos têm falado sobre isso). Por um lado, provámos que continuamos entre os melhores da Europa, por outro estamos atrás do Luxemburgo na classificação do nosso grupo de Apuramento. 

 

Só mesmo nós.

 

Vamos reencontrar a Sérvia após o jogo menos conseguido na Luz. Não será fácil – o jogo será em casa deles (e as viagens longas são um fator a tem em conta nesta dupla jornada) e eles já conseguiram neutralizar-nos. É certo que, no último jogo, houve erros do árbitro, admitidos pelo próprio, mas não explica tudo. Vamos ter de jogar melhor. 

 

Quanto à Lituânia, esta será a primeira vez que a defrontamos em jogos oficiais. Antes desta, só disputámos dois jogos particulares: um em Agosto de 2000, que vencemos por 5-1, um em Junho de 2004 – uma semana antes do Europeu – que vencemos por 4-1. Não me lembro de nada deste último jogo, apesar de, em teoria, nesta altura, já estava a acompanhar a Seleção com alguma proximidade. 

 

De qualquer forma, sendo apenas jogos amigáveis que decorreram há mais de quinze anos, não dá para tirar muitas ilações.

 

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Olhando para o histórico recente da seleção lituana, dá para ver que eles não ganham um jogo há quase um ano e meio. A última vitória foi em março do ano passado, perante a Arménia. Os lituanos estão no fundo da tabela classificativa deste Apuramento, com apenas um ponto. Nós estamos imediatamente acima – embora com menos um jogo disputado. 

 

Em teoria, Portugal terá todas as condições para levar este jogo de vencida. Na prática, condições favoráveis às vezes atrapalham os portugas. Os exemplos abundam. 

 

Bem, sempre vamos ter um par de condições desfavoráveis, para contrabalançar. As viagens longas, como já referi, e o relvado artificial. Da última vez, atrapalhou um bocado. 

 

Nada disto servirá de desculpa, claro. Estes jogos são para banhar. Estes e os quatro seguintes, como disse Fernando Santos na Conferência de Imprensa – porque, para nós, não há outra forma de disputarmos Qualificações (sei que já o disse antes, mas é tão caricato, tão caricato, que não resisto a repeti-lo). 

 

O Selecionador diz que deseja Apurar-se no primeiro lugar. Eu também prefiro, claro, e acho que temos todas as condições para fazê-lo. No entanto, já me contento se não tivermos de ir a play-offs. Para além de ser indigno para o atual Campeão da Europa e das Liga das Nações… os play-offs serão apenas em 2020. Não estou habituada a começar um ano par sem saber se a Seleção vai estar no respetivo Europeu ou Mundial e quero evitá-lo.

 

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Aliás, não estou habituada a começar um ano par sem que a Seleção esteja no respetivo Europeu ou Mundial, ponto. Quero evitá-lo ainda mais. 

 

Havemos de consegui-lo. Que diabo, conseguimos vencer a Liga das Nações, havemos de conseguir Apurar-nos. Só dependemos de nós e não nos falta talento ou capacidade. Havemos de sair de (mais) este buraco. 

 

Continuem a acompanhar as aventuras e desventuras da Seleção quer através deste blogue como da respetiva página no Facebook.

A Batalha Final

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No próximo sábado, dia 7 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará a sua congénere andorrana, no Estádio Nacional de Andorra-a-Velha. Três dias mais tarde, receberá a sua congénere suíça no Estádio da Luz... e eu estarei lá! Estes dois jogos serão os últimos da Seleção Portuguesa na Qualificação para o Mundial 2018.

 

Fernando Santos apresentou uma Convocatória com várias novidades para esta dupla jornada. A que primeiro me chamou a atenção foi o regresso de Éder, após ter falhado a Taça das Confederações. Eu sabia que ele estava a dar-se bem no Lokomotiv de Moscovo – marcou um golo no fim de semana passado e ainda outro no fim de semana anterior – mas não estava à espera que ele regressasse já à Seleção.

 

É claro que não vou criticar a Chamada dele – ninguém com um bocadinho de coração vai fazê-lo. Não deverá roubar a titularidade a André Silva, obviamente, mas poderá ajudar a desbloquear uma situação complicada. Já resultou antes…

 

O facto de Éder estar a jogar na Rússia, no ano em que esta organiza o Mundial, de resto, tem alguma piada – depois de o mesmo ter acontecido há quase dois anos, quando ele se mudou para França antes do Euro 2016.

 

Terá contribuído para o que aconteceu na final? Não sei.

 

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Superstições à parte, por agora estou feliz por o Éder estar a jogar regularmente e a marcar golos, sem levar com vaias de franceses aziados. Se conseguir manter este ritmo, não deverá falhar o Mundial.

 

Menos consensual é o regresso de Renato Sanches. Como é do conhecimento geral, o Renato está a jogar no Swansea. A sua estreia não correu bem e os adeptos do clube não foram meigos. Desde essa altura, tanto quanto tem sido noticiado, Renato não tem feito nada de especial. Fernando Santos garante, no entanto, que ele e os restantes membros da equipa técnica viram “sinais positivos”.

 

Eu vou acreditar – até porque ainda alimento a esperança de voltar a ver o Renato do Euro 2016.

 

Nada a apontar à Chamada de Gonçalo Guedes, que está a sair-se muito bem no Valência.

 

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Por sua vez, Antunes foi Convocado no lugar de Fábio Coentrão, presumivelmente. A exclusão do lateral-esquerdo do Sporting também não foi consensual. Eu, no entanto, não posso dizer que tenha ficado surpreendida – não depois de Coentrão não ter conseguido aguentar meia hora em campo, frente à Hungria. Sendo esta uma jornada dupla muito desgastante, sobretudo na Andorra (conforme veremos a seguir),  também acho que não valia a pena arriscar.

 

E por sinal, como que a justificar esta exclusão, o Fábio lesionou-se durante o fim de semana, acabando por falhar o Clássico. Ou seja, mesmo que Coentrão tivesse sido Convocado, teria de ser substituído. Tudo isto é, por um lado, caricato. Por outro, é triste ver um jogador como ele, cheio de garra e talento, preso neste ciclo vicioso.

 

Na verdade, estou à espera que Raphael Guerreiro regresse à competição – ainda não recuperou da lesão contraída durante a Taça das Confederações. Até porque o Eliseu anda a jogar menos no Benfica. Espero que Antunes consiga dar conta do recado.

 

Por fim, dizer apenas que não compreendo porque é que o Manuel Fernandes não tem sido Convocado.

 

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Estamos, então, na reta final deste Apuramento, ainda no segundo lugar, a três pontos do primeiro. Há cerca de um ano, havia quem dissesse que a Suíça, por esta altura, teria perdido pontos. Era natural pensar assim – com o devido respeito para com os suíços, eles não são nenhuns tubarões, tipo Alemanha ou França (e nós também não).

 

Bem, enganaram-se. Em parte, porque equipas como as Ilhas Faroé ou a Letónia dificilmente roubam pontos a equipas de maior prestígio.  Mas sobretudo por mérito dos próprios suíços. Não consigo deixar de respeitá-los por estarem a fazer uma Qualificação imaculada – feito só igualado pela Alemanha.

 

Existe a possibilidade de os suíços perderem pontos perante a Hungria – sobretudo se os húngaros levarem para Basileia o… chamemos-lhe “espírito lutador” que demonstraram no nosso último jogo contra eles. Mas mesmo na melhor das hipóteses – isto é, Suíça perder contra a Hungria e Portugal ganhar à Andorra – vencermos a Suíça continua a ser a opção mais segura.

 

Não adianta, no entanto, pensar demasiado no jogo contra os suíços antes de vencermos Andorra.  Não foi por acaso que Fernando Santos comparou este jogo a uma meia-final – ninguém no seu juízo perfeito faz planos para a final antes de passar as meias.

 

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Já se sabe que não vai ser fácil. O relvado será artificial. Os andorranos conseguiram empatar em casa com os húngaros e perder por apenas 2-1 perante os suíços. A viagem para lá é complicada: a Federação consegui arranjar um avião da Força Aérea que voe diretamente para a Andorra mas, se o tempo estiver mau, terão de aterrar em Lérida e fazer o resto da viagem de autocarro.

 

Três horas de autocarro, uma parte delas através dos Pirinéus? Só de pensar nas curvas fico com náuseas. Façamos figas para que os Marmanjos não tenham de passar por isso.

 

Por outro lado, existe uma grande comunidade portuguesa em Andorra – conforme testemunhado há algumas semanas pelo Presidente Marcelo. Na altura disseram mesmo que ia haver um problema, pois o Estádio não tem espaço para os portugueses todos em Andorra.

 

É este género de problemas que a Seleção agradece.

 

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Mesmo tendo em conta tudo o que enumerei antes, a Turma das Quinas não tem desculpas. Para além de ir jogar quase em casa… é a Andorra! Pode criar-nos dificuldades, sim, mas não queiram comparar. Eles nem sequer têm hipóteses de se Qualificar, nesta altura. É certo que devemos sempre ter cuidado com um adversário que não tenha nada a perder, mas a nossa motivação terá de chegar para contornar esse problema. Tropeçar perante a Andorra não é aceitável. Somos Campeões Europeus ou não?

 

Pode ser, até, que estejamos a preocuparmo-nos demasiado e que, depois, as coisas corram melhor do que estávamos à espera. Tem sido um pouco a regra em vários jogos deste Apuramento. De qualquer forma, é mil vezes melhor que o oposto: subestimarmos o adversário e apanharmos surpresas desagradáveis. Não me importo de sofrer desnecessariamente, desde que ganhemos os três pontos.

 

Por outro lado, se algum dia vier a sofrer do coração por causa disso, posso arrepender-me...

 

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Existe outro aspeto a levar em conta neste jogo: os “amarelados”. Durante estas últimas semanas, tenho-me preocupado mais com Cristiano Ronaldo, por motivos óbvios – e também porque o seu amarelo foi mais recente. Mas estive a pesquisar e descobri que, para além dele, também Gelson Martins, Ricardo Quaresma, Cédric, André Gomes, Pepe e José Fonte viram o amarelo nesta Qualificação.

 

Não nos podemos dar ao luxo de perder nenhum destes Marmanjos – não antes de uma final, em que todas as armas fazem falta. Se fossem apenas dois ou três “amarelados”, Fernando Santos ainda poderia poupá-los (duvido que o fizesse, mesmo assim). Com sete, não dá.

 

É difícil de prever quais destes conseguirão escapar ao amarelo. O Cristiano Ronaldo, por exemplo, já tem idade para ter juízo mas, de vez em quando, tem atitudes de criancinha. A nossa sorte é que ele saiu há pouco tempo de um castigo de cinco jogos – por agora, estará vacinado.

 

Consta que o Cédric é um bocadinho arruaceiro, também. E o Pepe... bem, é o Pepe.

 

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Só nos resta fazer figas para que os Marmanjos se portem que nem meninos de coro e para que o árbitro não se ponha a implicar com eles.

 

Se tudo correr bem na Andorra, o jogo com a Suíça será, então, a Batalha Final deste Apuramento – a épica resolução de um conflito, de um braço-de-ferro, que dura há mais de um ano. Conforme disse acima, tenho imenso respeito pelos nossos amigos suíços, pelo que têm feito nesta Qualificação. Mas só há espaço para um de nós no primeiro lugar. Portugal vai dar luta.

 

O jogo terá lugar no Estádio da Luz, tal como vimos antes. Noutras circunstâncias, acho que teriam escolhido outro estádio – talvez o de Alvalade. No entanto, o saldo desse estádio, em termos de jogos da Seleção, não tem sido favorável – eu que o diga, que fui assistir a três dos quatro últimos jogos em Alvalade e estes incluíram uma derrota (era um particular, mas mesmo assim) e dois empates comprometedores.

 

O Estádio da Luz, por sua vez, tem um histórico recente bem mais favorável – incluindo jogos decisivos, como os playoffs de 2009, 2011 e 2013, todos eles com resultados positivos. Faz sentido que tenha sido escolhido como palco desta Batalha Final.

 

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À hora desta publicação, já foram vendidos pelo menos 55 mil bilhetes – o meu e o da minha irmã incluídos. Tal como tinha prometido antes, comprámos os bilhetes assim que nos foi possível. E – milagre! – vamos ficar abaixo do terceiro anel! Nós e outros 55 mil, pelo menos (pode ser que cheguemos aos 60 mil até lá), estaremos lá, armados até aos dentes com as cores portuguesas e faremos a nossa parte na Batalha Final.

 

Fernando Santos prometeu há mais de um mês que Portugal ganharia estes últimos jogos e que, no dia 10, lhe daria uma prenda de aniversário. Sendo este o homem que nos prometeu, ainda em 2015, que seríamos Campeões Europeus, eu tendo a acreditar nele – até porque, entretanto, já ganhámos dois desses jogos. Eu ajudarei no que puder, sobretudo no dia 10 (espero que possamos cantar os Parabéns ao Selecionador). Mas, como sempre, a maior parte está nas mãos (e nos pés) dos nossos Marmanjos. Não nos desiludam!

Hipocrisia

youonlyfailwhenyoustop.jpgNo próximo dia 3 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol receberá a sua congénere cipriota, no Estádio António Coimbra da Mota, no Estoril, em jogo de carácter particular. Seis dias depois, a Seleção desloca-se à Letónia, para um jogo da Qualificação para o Mundial 2018.

 

Fernando Santos divulgou os Convocados para estes jogos – bem como para a Taça das Confederações – na passada quinta-feira, dia 25. A lista não trouxe grandes surpresas, mas não deixou de causar alguma controvérsia. O principal motivo prende-se com a ausência de Éder, o herói da final do Europeu.

 

Ninguém pode negar que a polémica é cem por cento emocional – Éder marcou pouquíssimos golos esta época, no Lille. O próprio Fernando Santos, igual a si próprio (e ainda bem!), não deixou de assinalar a hipocrisia: “Quando ninguém acreditava no Éder, quem é que o levou? No último ano [em que o ponta-de-lança contava cinco ou seis golos marcados pelo Lille desde janeiro], nesta mesma sala, perguntavam-me porque é que eu o tinha Convocado...”

 

Dito isto, o Selecionador deixou bem claro que não deixou de confiar no Éder só porque o deixou de fora desta Convocatória.

 

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Ninguém fica feliz por o Éder ficar de fora da Taça das Confederações. Uma grande parte de mim pensa que isto é profundamente errado, quase uma blasfémia. É provável que Fernando Santos se sinta da mesma forma – sou capaz de apostar, até, que Éder só foi incluído em Convocatórias anteriores por este motivo, só porque o Selecionador não queria excluir o herói de Paris.

 

No entanto, isto é a Taça das Confederações. Não há espaço para sentimentalismos. Fernando Santos não ia deixar André Silva (que tem marcado regularmente pela Seleção nesta última época) para dar lugar a um jogador, cujo único argumento a favor é “marcou um golo importantíssimo no ano passado”. Custa-nos a todos – o próprio Fernando Santos admitiu-o – mas não há volta a dar.

 

Também tem sido comentada a ausência de Renato Sanches, mas essa é ainda menos inquestionável – com tanta boa opção para o meio-campo, não vamos ocupar um lugar com um jogador que, coitado, pouco mais tem feito do que aquecer o banco do Bayern de Munique. Isso tem, aliás, sido usado como argumento para os muitos detratores (vulgo, haters) do Renato (este artigo responde bem a essas críticas).

 

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Tenho uma certa pena por o jovem não vir à Taça das Confederações, depois do papel que teve na conquista do Europeu. Fico, no entanto, satisfeita por ele ter sido chamado por Rui Jorge para o Europeu de Su-21. Não lhe faltarão oportunidades para brilhar nesse campeonato.

 

Por fim, queria falar sobre os guarda-redes suplentes – terão sido a melhor escolha? Beto tem sido o suplente de Rui Patrício no Sporting e José Sá tem sido o suplente de Iker Casillas no F.C.Porto – ou seja, nenhum deles conta muitos jogos nas pernas. Nesse aspeto, Bruno Varela seria melhor escolha, na minha opinião.

 

Por outro lado, Beto já não é um novato no que toca à Turma das Quinas, bem pelo contrário. José Sá, por sua vez, foi um dos destaques da Seleção de Sub-21, no Europeu de 2015 – já podia ter vindo antes à equipa principal.

 

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Além disso, sejamos sinceros, nestes campeonatos é raro os guarda-redes jogarem – o Mundial 2014 foi a exceção. Eu mesmo podia ter sido Convocada como guarda-redes suplente de Rui Patrício e pouca diferença faria.

 

Exceto para mim, claro. Fazer parte da comitiva da Seleção num campeonato destes? É o sonho!

 

Desde que não me obrigassem a participar nos treinos. Eu mal conseguia sobreviver às aulas de Educação Física no ensino básico e secundário, imaginem-me num treino de futebol profissional…

 

Enfim, voltemos à realidade.

 

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Aquando da Divulgação dos Convocados, Fernando Santos disse que, para já, não quer falar sobre a Taça das Confederações. Neste momento, a prioridade é o jogo com a Letónia. Nós, aqui, já falámos sobre as Taça das Confederações no texto anterior, de qualquer forma. Hoje falamos sobre os outros jogos.

 

No sábado temos, então, o particular com o Chipre. Os nossos jogos mais recentes com os cipriotas ocorreram durante a Qualificação para o Euro 2012 – embora não tenha podido ver nenhum dos dois jogos. O nosso historial com o Chipre é francamente positivo. O pior resultado foi um empate a quatro golos, em setembro de 2010, em pleno caso Queiroz – outra altura excecional.

 

Já que falamos em alturas excecionais, gostava de referir que, ao longo deste último ano, tenho feito questão de reler textos antigos deste blogue, escritos aquando dos piores períodos da Seleção nestes últimos tempos – como o caso Queiroz e o Mundial 2010. Por vários motivos. Um deles é para apreciar o quão longe chegámos desde essas alturas. O Mundial 2014, por exemplo, foi há apenas três anos.

 

No entanto, o principal motivo pelo qual procuro recordar esses períodos é para não tomar a atual maré alta como garantida. Para me recordar do quão difícil foi chegar cá, as dificuldades que foi necessário.

 

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Eu, de resto, recomendava esse exercício a mais pessoas – os portugueses têm memória curta.

 

Regressemos ao presente. Queria chamar a atenção para um pormenor curioso: o particular com o Chipre realiza-se no mesmo dia que a final da Liga dos Campeões. Yep. Já não bastou ter tido um jogo de clubes e um de seleções no mesmo fim de semana, como no ano passado – agora vão ser no mesmo dia.

 

A sério. Quem é o responsável por estes calendários? Qual é a ideia deles?

 

O que vale é que os jogos são a horas diferentes (mas não me admirava se isso mudasse no próximo ano). O jogo com o Chipre começará às quatro da tarde – o que, aliás, não me dá muito jeito, pois não estarei em casa. Vou poder, no entanto, acompanhar o jogo pela rádio. Como não espero um jogo muito interessante, não me queixo.

 

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Outra consequência de o jogo coincidir com a final da Liga dos Campeões é a ausência de Pepe e Cristiano Ronaldo deste jogo, bem como dos primeiros dias de estágio da Seleção – já que o Real Madrid se apurou para esta final. Por esta altura, estas ausências dos madrilenos já fazem parte da rotina. Este ano temos, aliás, uma vantagem relativamente a 2014 e 2016 – segundo consta, Zidane terá conseguido convencer o Cristiano a poupar-se, de modo a não chegar demasiado desgastado ao fim de época.

 

Durante muitos anos guardei um certo ressentimento para com Zidane, por nos ter expulsado do Mundial 2006 com um penálti duvidoso e provar, com a cabeçada a Materazzi, que não merecia estar na final. Depois desta, no entanto, sou capaz de lhe perdoar tudo. O joelho esquerdo do Ronaldo já nos tirou anos de vida suficientes!

 

Como já vai sendo hábito, já que Pepe e Cristiano estão na final da Champions, todos desejamos que a vençam… outra vez. Para poderem juntar mais um título ao currículo, para que eles venham animados para o estágio da Seleção, motivados para os próximos desafios da Equipa de Todos Nós.

 

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O primeiro desses desafios é o jogo com a Letónia, no dia 9 de junho. A história tem sido sempre a mesma em todas as jornadas desta Qualificação: para continuarmos na luta pelo primeiro lugar, a vitória é a única opção. E, como os nossos rivais suíços vão jogar contra… as Ilhas Faroé, não me parece que seja desta que eles tropecem.

 

Portugal ganhou todos os jogos que disputou com a Letónia. No entanto, se bem se recordam, a Letónia fez-nos suar no jogo de novembro passado. Os letões estão ao nosso alcance, ninguém o questiona – desde que os portugueses estejam com a cabeça no lugar.

 

A Seleção tem estado a preparar estes jogos desde o início da semana. Tal como já aconteceu há um ano, antes do Euro 2016, esta primeira semana é mais leve, com os jogadores chegando à Cidade do Futebol em alturas diferentes e a regressarem a casa após os treinos. Tudo indica, no entanto, que a Seleção estará na máxima força quando for jogar contra a Letónia.

 

Estes dias são, de resto, apenas o início de várias semanas de Seleção. Se tudo correr bem, será um mês inteiro a partir de agora – até à final da Taça das Confederações, dia 2 de julho. Ainda não estou cem por cento em modo Seleção, mas hei de lá chegar muito em breve. De qualquer forma, todos desejamos o mesmo: que estas semanas terminem com mais um final feliz para a Equipa de Todos Nós.

 

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Polónia 1 Portugal 1 (4-5 após penáltis) - A melhor oportunidade

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Na passada quinta-feira, dia 30 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou a uma bola com a sua congénere polaca, em jogo a contar para os quartos-de-final do Euro 2016. O desempate através da marcação de grandes penalidades, após cento e vinte minutos de jogo, foi favorável à Seleção Nacional. A Equipa das Quinas segue, assim, para as suas quintas meias-finais em campeonatos Europeus. Vale a pena recordar que, nas últimas cinco edições, só em 2008 Portugal falhou o top 4 das seleções europeias.

 

Este foi um jogo que até nem começou bem para as cores portuguesas, com um golo aos dois minutos de Robert Lewandowski, depois de Cédric ter feito mal as contas e deixado Grosicki apanhar a bola e assistir para o golo. Na altura eu disse mesmo algo como "Pronto, já marcou", antes de praguejar, mas sabia perfeitamente que havia tempo de sobra para dar a volta ao texto. 

 

No entanto, os sinais que Portugal foi dando nos trinta minutos que se seguiram não foram animadores. Os portugueses estavam lentos e desorganizados. Os polacos iam detendo a maioria da posse de bola e os seus contra-ataques davam calafrios. Só à meia hora de jogo, mais coisa menos coisa, é que fizemos os primeiros remates. Foi nessa altura que nos negaram um penálti sobre Cristiano Ronaldo - já vamos em dois ou três neste Europeu mas também, como já falhámos um, não é assim tão linear que isso tenha afetado os nossos resultados.

 

Felizmente, o golo não tardaria, vindo dos pés do menino da Musgueira, pela primeira vez titular pela Seleção, Renato Sanches. Ele e Nani fizeram uma troca de bola deliciosa e, de seguida, Renato disparou para a baliza polaca, sem dó nem piedade.

 

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Estão a ver aquelas pessoas irritantes de há uns meses, que endeusavam o Renato até ao enjoo? Que diziam que o Renato seria a próxima superestrela da Equipa de Todos Nós, que já falavam da Seleção como Renato-mais-dez, que Crisitiano Ronaldo andaria com ciúmes dele e tudo? Bem, não estavam completamente errados (tirando a parte dos ciúmes, que o Ronaldo não é assim tão mesquinho) e fico felicíssima por isso. Neste Europeu, o Renato conta um golo e, não exatamente uma assistência, mas um papel importante na marcação de um golo. Foi eleito por duas vezes Homem do Jogo (ainda que Pepe tivesse sido mais merecedor em ambas as ocasiões) e colocou o Mundo inteiro a falar sobre ele. A última vez que aconteceu algo parecido na Equipa das Quinas num Euro, foi em 2004 com… Cristiano Ronaldo. Se forem ler entradas de há uns meses neste blogue, verão que eu achei que este hype montado em volta do Renato era exagerado. Agora já não acho que tenha sido assim tão exagerado. Ele ainda está algo imaturo, comete demasiados erros comprometedores, decaiu muito na segunda parte, mas não é nada que não seja expectável na idade dele. O potencial está todo lá. Resta-nos esperar que o Renato trabalhe, siga as instruções dos seus treinadores, tenha juízo e um bocadinho de sorte. Se isso acontecer, Renato continuará a ter o Mundo inteiro a falar sobre ele.

 

Uma palavra também para Nani. Ele não tem propriamente deslumbrado neste Europeu, mas já conta dois golos e pelo menos duas assistências neste campeonato. Já igualou Luís Figo e Cristiano Ronaldo em assistências em Europeus. Mesmo não estando no seu melhor momento, o Nani é daqueles que dá sempre tudo de si em campo, pela Camisola das Quinas. Pena tão poucas pessoas repararem nisso.

 

Portugal jogou melhor na segunda parte, mas esta foi pobre em acontecimentos. Adrien e William viram o amarelo (o último vai falhar o próximo jogo), pelo que acabaram por ser substituídos por João Moutinho e Danilo, respetivamente. Aos oitenta e seis minutos, Cristiano Ronaldo desperdiçou um isolamento perfeito de Moutinho, que poderia ter resolvido logo o jogo. O prolongamento veio - outra vez. Portugal continuava a jogar melhor, mas nenhuma das equipas quis arriscar demasiado, preferindo relegar a decisão para os penáltis.

 

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Muitos dizem que o desempate por grandes penalidades é uma lotaria, mas eu não concordo. Conforme já tinha escrito aquando dos nossos últimos penáltis, na minha opinião, estes são quarenta por cento perícia, trinta por cento estado psicológico e emocional, trinta por cento sorte. Foi na perícia e no psicológico/emocional que Portugal esteve bem. Ao contrário do que fizemos com a Espanha, em 2012, abordámos bem os penáltis. O Ronaldo deixou-se de manias e ofereceu-se para bater o primeiro, em jeito de exemplo para o resto da equipa. Destaque, aliás, para o facto de ter convencido Moutinho a bater um deles - ele, que se tinha escondido, alegando uma dor na perna ou algo do género, embora eu suspeite que tivesse o penálti falhado em 2012 na memória.

 

Isto é que é ser Capitão. Atitudes como esta são tão valiosas como um golo ou uma assistência, se não forem mais. Daí que não esteja preocupada por aí além com o seu alegado rendimento inferior: Ronaldo tem ajudado de outras maneiras.

 

Eu estava super nervosa aquando dos penáltis, agarrada aos velhos boné e cachecol, mas os Marmanjos que os bateram não estavam: desde o Capitão Ronaldo ao miúdo Renato, todos executaram os penáltis com mestria - uma mestria que, por acaso, os alemães e os italianos não foram capazes de imitar, dois dias mais tarde, apesar de muitos os considerarem duas das melhores seleções do Mundo. Até os polacos foram mais competentes do que eles. É aqui que entra Rui Patrício, que conseguiu defender o penálti de Blaszczykowski, o último dos polacos. Ricardo Quaresma, de seguida, não desperdiçou a vantagem.

 

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- 'Tamos nas meias! 'Tamos nas meias! - repetia eu, entre os festejos, ainda sem acreditar. Mesmo agora, dias depois, uma parte de mim ainda não encaixou que esta Seleção está entre as quatro melhores da Europa. Passaram-se quatro anos desde o Euro 2012. Aconteceu muita coisa nestes anos, a Seleção desiludiu várias vezes, houveram ocasiões - sobretudo depois do Mundial 2014 - em que cheguei a pensar que Portugal não voltaria a chegar tão longe tão cedo, que não voltaria a estar entre as grandes seleções. Mas a verdade é que, mesmo não jogando ao nível a que jogámos em 2004, 2006 ou mesmo 2012, estamos a conseguir os mesmos feitos. Segundo os meus critérios, este está a ser um Europeu bem sucedido. Como tal, as ambições de Fernando Santos não são assim tão descabidas: nas meias-finais todos são candidatos ao título.

 

Numa coisa vou ser sincera, no entanto.  Não é bem a mesma coisa chegar às meias-finais ”só com empates”, enfrentando equipas como a Islândia, a Croácia, a Polónia, quando, nas vezes anteriores, conseguimos o mesmo com vitórias épicas, perante seleções como a Alemanha, a Espanha, a Inglaterra, a Holanda - sobre algumas das quais escrevi aqui. É claro que isto são as minhas próprias ideias pré-concebidas pois, se formos a ver, das equipas que referi, apenas a Alemanha continua em prova. A Inglaterra e a Espanha caíram nos oitavos-de-final, a Holanda nem sequer veio ao Europeu. Por sua vez, a Polónia empatou com a Alemanha na fase de grupos, a Croácia venceu a Espanha na mesma fase e a Islândia conquistou os corações de toda a gente ao eliminar a Inglaterra.

 

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E já que falamos de equipas surpreendentes neste Europeu, falemos do nosso próximo adversário, o País de Gales, que derrotou a Bélgica nos seus quartos-de-final por 3-1. Muitos consideram que esta equipa está ao nosso alcance, mas eu não me atrevo a subestimá-los. Para começar, tal como afirmei acima, qualquer equipa que chegue às meias-finais é candidata ao título. A Gales nunca chegou tão longe num campeonato de seleções, não tem nada a perder. A pressão está toda do nosso lado.

 

Eu sinto-me ansiosa em relação ao jogo mas é a mesma ansiedade de qualquer mata-mata. Por outro lado, no outro dia, atingiu-me pela primeira vez a ideia de que, doze anos após o Euro 2004, podemos voltar à final de um Europeu e… senti-me a hiperventilar. Ainda me sinto um bocadinho, enquanto escrevo isto. Antes de isto tudo começar, já tinha escrito que demorara imenso tempo a habituar-me à ideia de assumir a candidatura só Europeu. Nesta altura do campeonato, em que temos a nossa melhor oportunidade de voltar a uma final em vários anos, estou a descobrir que ainda não estou preparada para isso. Estou mais preparada que noutras alturas (já tenho algumas ideias muito vagas para uma eventual, muito hipotética, entrada de campeões europeus), mas não me atrevo a pensar abertamente pós meias-finais.

 

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E estas realizam-se quarta-feira. Continuo a acreditar nestes Marmanjos - se não tanto na sua qualidade, mais no seu espírito de equipa, na sua união, atributos que, por si só, não conquistam títulos, mas que são indispensáveis. É isto que interessa, tudo o resto são neuroses minhas. Que esse espírito nos ajude a passar as meias-finais e a marcarmos presença em Paris.

Croácia 0 Portugal 1 - O início

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No passado sábado, dia 25 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu, pela margem mínima, a sua congénere croata nos oitavos-de-final do Campeonato Europeu da modalidade. O autor do único tento da partida foi Ricardo Quaresma.

 

Todos concordam: tirando os últimos minutos do prolongamento, o jogo foi uma seca. A primeira parte, então, foi quase um aquecimento, foi um filler, não aconteceu pratiamente nada. Sou capaz de jurar que, nos primeiros dois ou três minutos de jogo, Portugal não tocou na bola durante mais do que um ou dois segundos, enquanto os croatas se limitavam a passar a bola uns aos outros. Ambas as equipas estiveram muito comedidas, respeitando excessivamente o adversário, sem coragem para arriscar. Por um lado, isto foi bom para os nossos corações, depois da agitação que foi o jogo com a Hungria. Por outro, até eu fiquei com sono - o que, para mim, num jogo da Seleção, numa fase final, num mata-mata ainda para mais, é raro, se não for inédito. 

 

O jogo ficou um bocadinho mais interessante quando Renato Sanches entrou, aos cinco minutos da segunda parte, mas não muito. Consta que este foi o primeiro encontro em Europeus e Mundiais em cinquenta anos em que não houve um único remate à baliza. Da nossa parte, talvez isso se devesse ao nosso engonhanço, mas, da parte dos croatas, isso muito se terá devido a um "imperial" Pepe, que nos livrou de tantas, a jogadores como Adrien, que conseguiu anular Modric e, vá lá, a uma dose decente de sorte. Pelo meio ainda nos roubaram um penálti sobre Nani e Renato fez isto. Eu só pensava que, a certa altura, alguém teria de assumir o jogo, de tentar ganhá-lo e aquilo poderia ir para qualquer um dos lados.

 

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Eventualmente acabou por chegar o prolongamento. Pelo menos no Twitter, já começávamos a fazer contas para os penáltis. Daí que não tenhamos percebido a troca de Adrien por Danilo. Das duas uma, ou Fernando Santos não tinha olhado para o historial de Adrien em penáltis, ou estava... bem chei'd'a fé de que a coisa resolver-se-ia antes dos cento e vinte. 

 

Se era a segunda hipótese, acertou em cheio pois, aos 117 minutos, tudo mudou. Rui Patrício defendeu uma iniciativa croata a meias com o poste. No contra-ataque, Ronaldo passa a Renato, que faz uma das suas arrancadas - nesse momento, eu e, provavelmente, metade do País dissemos algo como "Vai miúdo! Vai!" , enquanto este galgava pelo campo fora. Renato passa a Nani, este por sua vez, consegue enganar os defesas croatas e fazer a bola chegar a Ronaldo. O guarda-redes ainda consegue travar o remate deste, mas não conseguiu repetir a proeza quando Quaresma faz a recarga. 

 

 

Cá em casa festejámos o golo da mesma maneira que a Seleção, em Lens: aos peulos e aos abraços. Até o meu irmão que, de uma maneira muito típica emntre os homens da casa, esteve muito pessimista durante o jogo, quase que como se torcesse pela Croácia. Eu fiquei a tremer durante uns bons dez minutos depois deste golo, ainda que só me tenha atrevido a cantar vitória depois do apito final. Nós passámos a fase de grupos só com empates, mesmo que as exibições não tenham sido assim tão más... em certas alturas, pelo menos... mas não há nada que se compare a uma vitória numa fase final de um campeonato de seleções!

 

Não têm faltado críticas à Seleção Portuguesa desde a sua estreia no Europeu, muitas delas justas, e elas têm continuado depois deste jogo. No entanto, uma coisa é inegável: Portugal venceu a Croácia, que está longe de ser uma equipa fraca, e, pelo (*conta pelos dedos*) sexto Europeu consecutivo, está entre as oito melhores seleções da Europa. Não é de desprezar. Tudo isto resultou do esforço dos jogadores, da equipa técnica, do Selecionador. Esse esforço merece ser respeitado, mesmo aplaudido - sobretudo depois de equipas respeitáveis terem já ficado pelo caminho, tal como a Espanha e a Inglaterra. Esta última frente à Islândia, de todas as equipas - menos de duas semanas depois de Cristiano Ronaldo os ter acusado de terem mentalidade de equipa pequena. 

 

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Não sou grande fã deste futebol defensivo, em bloco baixo, confesso, mas concordo com Fernando Santos, quando ele diz quando ele diz que assinaria por baixo se pudesse conquistar o Europeu só com empates ou jogando mal, que quer "jogar futebol" não "jogar à bola". Durante anos e anos, em múltiplos campeonatos de seleções, praticámos um futebol lindíssimo. Deixou-nos imensas recordações e encheu-nos de orgulho, não contesto isso, mas não nos deu nenhum título. Continuo a preferir esse tipo de futebol, se for possível, mas eu aceito tudo o que nos dê o título, dentro das regras. E se alguém tiver algum problema com isso, como uns quantos croatas aziados depois do jogo e os franceses que andaram a dizer que o nosso futebol era nojento... ótimo. De uma forma ou de outra, iríamos sempre irritar muitos enquanto fôssemos bem sucedidos neste Europeu. É para o lado que dormimos melhor.

 

Mas primeiro vamos ter de passar pela Polónia e não me parece que vá ser fácil. Para além de, por princípio, não existirem jogos fáceis nesta fase, o nosso historial mais recente com a Polónia não é o mais favorável (tal como já tinha desenvolvido aqui). Além disso, a Polónia chegou a ganhar à Alemanha durante a Qualificação para este Europeu e, quando a reencontrou na fase de grupos, empatou a zeros. A minha irmã disse-me que os polacos não têm tantas individualidades como a Croácia (têm Lewandowski e pouco mais), mas eu acho que eles vão jogar de forma mais fechada do que os croatas, o que é capaz de nos atrapalhar.

 

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A minha esperança é que estes oitavos-de-final tenham sido o nosso verdadeiro início no Europeu, que ainda fiquemos em França por muito tempo ainda. Continuo com as minhas dúvidas, apesar de a equipa ter estado mais consistente no sábado, mas também, nesta altura do campeonato, não dá para ter certezas de nada. Continuo a acreditar que é possível chegar à final de Paris e vencê-la. Ando há demasiado tempo à espera de um título para a Seleção, não queria ver mais uma oportunidade desperdiçada. Para já, temos de ganhar à Polónia e temos tudo para consegui-lo. 

 

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