Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

A Batalha Final

IMG_20170325_194109_1.jpg

No próximo sábado, dia 7 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará a sua congénere andorrana, no Estádio Nacional de Andorra-a-Velha. Três dias mais tarde, receberá a sua congénere suíça no Estádio da Luz... e eu estarei lá! Estes dois jogos serão os últimos da Seleção Portuguesa na Qualificação para o Mundial 2018.

 

Fernando Santos apresentou uma Convocatória com várias novidades para esta dupla jornada. A que primeiro me chamou a atenção foi o regresso de Éder, após ter falhado a Taça das Confederações. Eu sabia que ele estava a dar-se bem no Lokomotiv de Moscovo – marcou um golo no fim de semana passado e ainda outro no fim de semana anterior – mas não estava à espera que ele regressasse já à Seleção.

 

É claro que não vou criticar a Chamada dele – ninguém com um bocadinho de coração vai fazê-lo. Não deverá roubar a titularidade a André Silva, obviamente, mas poderá ajudar a desbloquear uma situação complicada. Já resultou antes…

 

O facto de Éder estar a jogar na Rússia, no ano em que esta organiza o Mundial, de resto, tem alguma piada – depois de o mesmo ter acontecido há quase dois anos, quando ele se mudou para França antes do Euro 2016.

 

Terá contribuído para o que aconteceu na final? Não sei.

 

IMG_20170414_001557.jpg

  

Superstições à parte, por agora estou feliz por o Éder estar a jogar regularmente e a marcar golos, sem levar com vaias de franceses aziados. Se conseguir manter este ritmo, não deverá falhar o Mundial.

 

Menos consensual é o regresso de Renato Sanches. Como é do conhecimento geral, o Renato está a jogar no Swansea. A sua estreia não correu bem e os adeptos do clube não foram meigos. Desde essa altura, tanto quanto tem sido noticiado, Renato não tem feito nada de especial. Fernando Santos garante, no entanto, que ele e os restantes membros da equipa técnica viram “sinais positivos”.

 

Eu vou acreditar – até porque ainda alimento a esperança de voltar a ver o Renato do Euro 2016.

 

Nada a apontar à Chamada de Gonçalo Guedes, que está a sair-se muito bem no Valência.

 

a-happy-queen-once-upon-a-time.jpg

  

Por sua vez, Antunes foi Convocado no lugar de Fábio Coentrão, presumivelmente. A exclusão do lateral-esquerdo do Sporting também não foi consensual. Eu, no entanto, não posso dizer que tenha ficado surpreendida – não depois de Coentrão não ter conseguido aguentar meia hora em campo, frente à Hungria. Sendo esta uma jornada dupla muito desgastante, sobretudo na Andorra (conforme veremos a seguir),  também acho que não valia a pena arriscar.

 

E por sinal, como que a justificar esta exclusão, o Fábio lesionou-se durante o fim de semana, acabando por falhar o Clássico. Ou seja, mesmo que Coentrão tivesse sido Convocado, teria de ser substituído. Tudo isto é, por um lado, caricato. Por outro, é triste ver um jogador como ele, cheio de garra e talento, preso neste ciclo vicioso.

 

Na verdade, estou à espera que Raphael Guerreiro regresse à competição – ainda não recuperou da lesão contraída durante a Taça das Confederações. Até porque o Eliseu anda a jogar menos no Benfica. Espero que Antunes consiga dar conta do recado.

 

Por fim, dizer apenas que não compreendo porque é que o Manuel Fernandes não tem sido Convocado.

 

18809613_1902645163281336_3142023852700205056_n_b4

  

Estamos, então, na reta final deste Apuramento, ainda no segundo lugar, a três pontos do primeiro. Há cerca de um ano, havia quem dissesse que a Suíça, por esta altura, teria perdido pontos. Era natural pensar assim – com o devido respeito para com os suíços, eles não são nenhuns tubarões, tipo Alemanha ou França (e nós também não).

 

Bem, enganaram-se. Em parte, porque equipas como as Ilhas Faroé ou a Letónia dificilmente roubam pontos a equipas de maior prestígio.  Mas sobretudo por mérito dos próprios suíços. Não consigo deixar de respeitá-los por estarem a fazer uma Qualificação imaculada – feito só igualado pela Alemanha.

 

Existe a possibilidade de os suíços perderem pontos perante a Hungria – sobretudo se os húngaros levarem para Basileia o… chamemos-lhe “espírito lutador” que demonstraram no nosso último jogo contra eles. Mas mesmo na melhor das hipóteses – isto é, Suíça perder contra a Hungria e Portugal ganhar à Andorra – vencermos a Suíça continua a ser a opção mais segura.

 

Não adianta, no entanto, pensar demasiado no jogo contra os suíços antes de vencermos Andorra.  Não foi por acaso que Fernando Santos comparou este jogo a uma meia-final – ninguém no seu juízo perfeito faz planos para a final antes de passar as meias.

 

IMG_20170407_110733.jpg

  

Já se sabe que não vai ser fácil. O relvado será artificial. Os andorranos conseguiram empatar em casa com os húngaros e perder por apenas 2-1 perante os suíços. A viagem para lá é complicada: a Federação consegui arranjar um avião da Força Aérea que voe diretamente para a Andorra mas, se o tempo estiver mau, terão de aterrar em Lérida e fazer o resto da viagem de autocarro.

 

Três horas de autocarro, uma parte delas através dos Pirinéus? Só de pensar nas curvas fico com náuseas. Façamos figas para que os Marmanjos não tenham de passar por isso.

 

Por outro lado, existe uma grande comunidade portuguesa em Andorra – conforme testemunhado há algumas semanas pelo Presidente Marcelo. Na altura disseram mesmo que ia haver um problema, pois o Estádio não tem espaço para os portugueses todos em Andorra.

 

É este género de problemas que a Seleção agradece.

 

IMG_20170414_001567.jpg

 

Mesmo tendo em conta tudo o que enumerei antes, a Turma das Quinas não tem desculpas. Para além de ir jogar quase em casa… é a Andorra! Pode criar-nos dificuldades, sim, mas não queiram comparar. Eles nem sequer têm hipóteses de se Qualificar, nesta altura. É certo que devemos sempre ter cuidado com um adversário que não tenha nada a perder, mas a nossa motivação terá de chegar para contornar esse problema. Tropeçar perante a Andorra não é aceitável. Somos Campeões Europeus ou não?

 

Pode ser, até, que estejamos a preocuparmo-nos demasiado e que, depois, as coisas corram melhor do que estávamos à espera. Tem sido um pouco a regra em vários jogos deste Apuramento. De qualquer forma, é mil vezes melhor que o oposto: subestimarmos o adversário e apanharmos surpresas desagradáveis. Não me importo de sofrer desnecessariamente, desde que ganhemos os três pontos.

 

Por outro lado, se algum dia vier a sofrer do coração por causa disso, posso arrepender-me...

 

IMG_20170414_125039_HDR.jpg

  

Existe outro aspeto a levar em conta neste jogo: os “amarelados”. Durante estas últimas semanas, tenho-me preocupado mais com Cristiano Ronaldo, por motivos óbvios – e também porque o seu amarelo foi mais recente. Mas estive a pesquisar e descobri que, para além dele, também Gelson Martins, Ricardo Quaresma, Cédric, André Gomes, Pepe e José Fonte viram o amarelo nesta Qualificação.

 

Não nos podemos dar ao luxo de perder nenhum destes Marmanjos – não antes de uma final, em que todas as armas fazem falta. Se fossem apenas dois ou três “amarelados”, Fernando Santos ainda poderia poupá-los (duvido que o fizesse, mesmo assim). Com sete, não dá.

 

É difícil de prever quais destes conseguirão escapar ao amarelo. O Cristiano Ronaldo, por exemplo, já tem idade para ter juízo mas, de vez em quando, tem atitudes de criancinha. A nossa sorte é que ele saiu há pouco tempo de um castigo de cinco jogos – por agora, estará vacinado.

 

Consta que o Cédric é um bocadinho arruaceiro, também. E o Pepe... bem, é o Pepe.

 

IMG_20170513_140959_HDR.jpg

  

Só nos resta fazer figas para que os Marmanjos se portem que nem meninos de coro e para que o árbitro não se ponha a implicar com eles.

 

Se tudo correr bem na Andorra, o jogo com a Suíça será, então, a Batalha Final deste Apuramento – a épica resolução de um conflito, de um braço-de-ferro, que dura há mais de um ano. Conforme disse acima, tenho imenso respeito pelos nossos amigos suíços, pelo que têm feito nesta Qualificação. Mas só há espaço para um de nós no primeiro lugar. Portugal vai dar luta.

 

O jogo terá lugar no Estádio da Luz, tal como vimos antes. Noutras circunstâncias, acho que teriam escolhido outro estádio – talvez o de Alvalade. No entanto, o saldo desse estádio, em termos de jogos da Seleção, não tem sido favorável – eu que o diga, que fui assistir a três dos quatro últimos jogos em Alvalade e estes incluíram uma derrota (era um particular, mas mesmo assim) e dois empates comprometedores.

 

O Estádio da Luz, por sua vez, tem um histórico recente bem mais favorável – incluindo jogos decisivos, como os playoffs de 2009, 2011 e 2013, todos eles com resultados positivos. Faz sentido que tenha sido escolhido como palco desta Batalha Final.

 

IMG_20170414_001557.jpg

 

À hora desta publicação, já foram vendidos pelo menos 55 mil bilhetes – o meu e o da minha irmã incluídos. Tal como tinha prometido antes, comprámos os bilhetes assim que nos foi possível. E – milagre! – vamos ficar abaixo do terceiro anel! Nós e outros 55 mil, pelo menos (pode ser que cheguemos aos 60 mil até lá), estaremos lá, armados até aos dentes com as cores portuguesas e faremos a nossa parte na Batalha Final.

 

Fernando Santos prometeu há mais de um mês que Portugal ganharia estes últimos jogos e que, no dia 10, lhe daria uma prenda de aniversário. Sendo este o homem que nos prometeu, ainda em 2015, que seríamos Campeões Europeus, eu tendo a acreditar nele – até porque, entretanto, já ganhámos dois desses jogos. Eu ajudarei no que puder, sobretudo no dia 10 (espero que possamos cantar os Parabéns ao Selecionador). Mas, como sempre, a maior parte está nas mãos (e nos pés) dos nossos Marmanjos. Não nos desiludam!

Hipocrisia

youonlyfailwhenyoustop.jpgNo próximo dia 3 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol receberá a sua congénere cipriota, no Estádio António Coimbra da Mota, no Estoril, em jogo de carácter particular. Seis dias depois, a Seleção desloca-se à Letónia, para um jogo da Qualificação para o Mundial 2018.

 

Fernando Santos divulgou os Convocados para estes jogos – bem como para a Taça das Confederações – na passada quinta-feira, dia 25. A lista não trouxe grandes surpresas, mas não deixou de causar alguma controvérsia. O principal motivo prende-se com a ausência de Éder, o herói da final do Europeu.

 

Ninguém pode negar que a polémica é cem por cento emocional – Éder marcou pouquíssimos golos esta época, no Lille. O próprio Fernando Santos, igual a si próprio (e ainda bem!), não deixou de assinalar a hipocrisia: “Quando ninguém acreditava no Éder, quem é que o levou? No último ano [em que o ponta-de-lança contava cinco ou seis golos marcados pelo Lille desde janeiro], nesta mesma sala, perguntavam-me porque é que eu o tinha Convocado...”

 

Dito isto, o Selecionador deixou bem claro que não deixou de confiar no Éder só porque o deixou de fora desta Convocatória.

 

éder remata.jpeg

  

Ninguém fica feliz por o Éder ficar de fora da Taça das Confederações. Uma grande parte de mim pensa que isto é profundamente errado, quase uma blasfémia. É provável que Fernando Santos se sinta da mesma forma – sou capaz de apostar, até, que Éder só foi incluído em Convocatórias anteriores por este motivo, só porque o Selecionador não queria excluir o herói de Paris.

 

No entanto, isto é a Taça das Confederações. Não há espaço para sentimentalismos. Fernando Santos não ia deixar André Silva (que tem marcado regularmente pela Seleção nesta última época) para dar lugar a um jogador, cujo único argumento a favor é “marcou um golo importantíssimo no ano passado”. Custa-nos a todos – o próprio Fernando Santos admitiu-o – mas não há volta a dar.

 

Também tem sido comentada a ausência de Renato Sanches, mas essa é ainda menos inquestionável – com tanta boa opção para o meio-campo, não vamos ocupar um lugar com um jogador que, coitado, pouco mais tem feito do que aquecer o banco do Bayern de Munique. Isso tem, aliás, sido usado como argumento para os muitos detratores (vulgo, haters) do Renato (este artigo responde bem a essas críticas).

 

ba782c4841ce4d94dc1ba81d5f33be79.jfif

  

Tenho uma certa pena por o jovem não vir à Taça das Confederações, depois do papel que teve na conquista do Europeu. Fico, no entanto, satisfeita por ele ter sido chamado por Rui Jorge para o Europeu de Su-21. Não lhe faltarão oportunidades para brilhar nesse campeonato.

 

Por fim, queria falar sobre os guarda-redes suplentes – terão sido a melhor escolha? Beto tem sido o suplente de Rui Patrício no Sporting e José Sá tem sido o suplente de Iker Casillas no F.C.Porto – ou seja, nenhum deles conta muitos jogos nas pernas. Nesse aspeto, Bruno Varela seria melhor escolha, na minha opinião.

 

Por outro lado, Beto já não é um novato no que toca à Turma das Quinas, bem pelo contrário. José Sá, por sua vez, foi um dos destaques da Seleção de Sub-21, no Europeu de 2015 – já podia ter vindo antes à equipa principal.

 

golo de nani.jpg

  

Além disso, sejamos sinceros, nestes campeonatos é raro os guarda-redes jogarem – o Mundial 2014 foi a exceção. Eu mesmo podia ter sido Convocada como guarda-redes suplente de Rui Patrício e pouca diferença faria.

 

Exceto para mim, claro. Fazer parte da comitiva da Seleção num campeonato destes? É o sonho!

 

Desde que não me obrigassem a participar nos treinos. Eu mal conseguia sobreviver às aulas de Educação Física no ensino básico e secundário, imaginem-me num treino de futebol profissional…

 

Enfim, voltemos à realidade.

 

bola ao centro.jpg

  

Aquando da Divulgação dos Convocados, Fernando Santos disse que, para já, não quer falar sobre a Taça das Confederações. Neste momento, a prioridade é o jogo com a Letónia. Nós, aqui, já falámos sobre as Taça das Confederações no texto anterior, de qualquer forma. Hoje falamos sobre os outros jogos.

 

No sábado temos, então, o particular com o Chipre. Os nossos jogos mais recentes com os cipriotas ocorreram durante a Qualificação para o Euro 2012 – embora não tenha podido ver nenhum dos dois jogos. O nosso historial com o Chipre é francamente positivo. O pior resultado foi um empate a quatro golos, em setembro de 2010, em pleno caso Queiroz – outra altura excecional.

 

Já que falamos em alturas excecionais, gostava de referir que, ao longo deste último ano, tenho feito questão de reler textos antigos deste blogue, escritos aquando dos piores períodos da Seleção nestes últimos tempos – como o caso Queiroz e o Mundial 2010. Por vários motivos. Um deles é para apreciar o quão longe chegámos desde essas alturas. O Mundial 2014, por exemplo, foi há apenas três anos.

 

No entanto, o principal motivo pelo qual procuro recordar esses períodos é para não tomar a atual maré alta como garantida. Para me recordar do quão difícil foi chegar cá, as dificuldades que foi necessário.

 

Portugal-Gana06.jpg

  

Eu, de resto, recomendava esse exercício a mais pessoas – os portugueses têm memória curta.

 

Regressemos ao presente. Queria chamar a atenção para um pormenor curioso: o particular com o Chipre realiza-se no mesmo dia que a final da Liga dos Campeões. Yep. Já não bastou ter tido um jogo de clubes e um de seleções no mesmo fim de semana, como no ano passado – agora vão ser no mesmo dia.

 

A sério. Quem é o responsável por estes calendários? Qual é a ideia deles?

 

O que vale é que os jogos são a horas diferentes (mas não me admirava se isso mudasse no próximo ano). O jogo com o Chipre começará às quatro da tarde – o que, aliás, não me dá muito jeito, pois não estarei em casa. Vou poder, no entanto, acompanhar o jogo pela rádio. Como não espero um jogo muito interessante, não me queixo.

 

youonlyfailwhenyoustop.jpg

  

Outra consequência de o jogo coincidir com a final da Liga dos Campeões é a ausência de Pepe e Cristiano Ronaldo deste jogo, bem como dos primeiros dias de estágio da Seleção – já que o Real Madrid se apurou para esta final. Por esta altura, estas ausências dos madrilenos já fazem parte da rotina. Este ano temos, aliás, uma vantagem relativamente a 2014 e 2016 – segundo consta, Zidane terá conseguido convencer o Cristiano a poupar-se, de modo a não chegar demasiado desgastado ao fim de época.

 

Durante muitos anos guardei um certo ressentimento para com Zidane, por nos ter expulsado do Mundial 2006 com um penálti duvidoso e provar, com a cabeçada a Materazzi, que não merecia estar na final. Depois desta, no entanto, sou capaz de lhe perdoar tudo. O joelho esquerdo do Ronaldo já nos tirou anos de vida suficientes!

 

Como já vai sendo hábito, já que Pepe e Cristiano estão na final da Champions, todos desejamos que a vençam… outra vez. Para poderem juntar mais um título ao currículo, para que eles venham animados para o estágio da Seleção, motivados para os próximos desafios da Equipa de Todos Nós.

 

Portugal-Gana06.jpg

  

O primeiro desses desafios é o jogo com a Letónia, no dia 9 de junho. A história tem sido sempre a mesma em todas as jornadas desta Qualificação: para continuarmos na luta pelo primeiro lugar, a vitória é a única opção. E, como os nossos rivais suíços vão jogar contra… as Ilhas Faroé, não me parece que seja desta que eles tropecem.

 

Portugal ganhou todos os jogos que disputou com a Letónia. No entanto, se bem se recordam, a Letónia fez-nos suar no jogo de novembro passado. Os letões estão ao nosso alcance, ninguém o questiona – desde que os portugueses estejam com a cabeça no lugar.

 

A Seleção tem estado a preparar estes jogos desde o início da semana. Tal como já aconteceu há um ano, antes do Euro 2016, esta primeira semana é mais leve, com os jogadores chegando à Cidade do Futebol em alturas diferentes e a regressarem a casa após os treinos. Tudo indica, no entanto, que a Seleção estará na máxima força quando for jogar contra a Letónia.

 

Estes dias são, de resto, apenas o início de várias semanas de Seleção. Se tudo correr bem, será um mês inteiro a partir de agora – até à final da Taça das Confederações, dia 2 de julho. Ainda não estou cem por cento em modo Seleção, mas hei de lá chegar muito em breve. De qualquer forma, todos desejamos o mesmo: que estas semanas terminem com mais um final feliz para a Equipa de Todos Nós.

 

miguel de cócoras.jpg

Polónia 1 Portugal 1 (4-5 após penáltis) - A melhor oportunidade

abraços pós-penáltis.JPG

Na passada quinta-feira, dia 30 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou a uma bola com a sua congénere polaca, em jogo a contar para os quartos-de-final do Euro 2016. O desempate através da marcação de grandes penalidades, após cento e vinte minutos de jogo, foi favorável à Seleção Nacional. A Equipa das Quinas segue, assim, para as suas quintas meias-finais em campeonatos Europeus. Vale a pena recordar que, nas últimas cinco edições, só em 2008 Portugal falhou o top 4 das seleções europeias.

 

Este foi um jogo que até nem começou bem para as cores portuguesas, com um golo aos dois minutos de Robert Lewandowski, depois de Cédric ter feito mal as contas e deixado Grosicki apanhar a bola e assistir para o golo. Na altura eu disse mesmo algo como "Pronto, já marcou", antes de praguejar, mas sabia perfeitamente que havia tempo de sobra para dar a volta ao texto. 

 

No entanto, os sinais que Portugal foi dando nos trinta minutos que se seguiram não foram animadores. Os portugueses estavam lentos e desorganizados. Os polacos iam detendo a maioria da posse de bola e os seus contra-ataques davam calafrios. Só à meia hora de jogo, mais coisa menos coisa, é que fizemos os primeiros remates. Foi nessa altura que nos negaram um penálti sobre Cristiano Ronaldo - já vamos em dois ou três neste Europeu mas também, como já falhámos um, não é assim tão linear que isso tenha afetado os nossos resultados.

 

Felizmente, o golo não tardaria, vindo dos pés do menino da Musgueira, pela primeira vez titular pela Seleção, Renato Sanches. Ele e Nani fizeram uma troca de bola deliciosa e, de seguida, Renato disparou para a baliza polaca, sem dó nem piedade.

 

bomba de renato.jpg

  

Estão a ver aquelas pessoas irritantes de há uns meses, que endeusavam o Renato até ao enjoo? Que diziam que o Renato seria a próxima superestrela da Equipa de Todos Nós, que já falavam da Seleção como Renato-mais-dez, que Crisitiano Ronaldo andaria com ciúmes dele e tudo? Bem, não estavam completamente errados (tirando a parte dos ciúmes, que o Ronaldo não é assim tão mesquinho) e fico felicíssima por isso. Neste Europeu, o Renato conta um golo e, não exatamente uma assistência, mas um papel importante na marcação de um golo. Foi eleito por duas vezes Homem do Jogo (ainda que Pepe tivesse sido mais merecedor em ambas as ocasiões) e colocou o Mundo inteiro a falar sobre ele. A última vez que aconteceu algo parecido na Equipa das Quinas num Euro, foi em 2004 com… Cristiano Ronaldo. Se forem ler entradas de há uns meses neste blogue, verão que eu achei que este hype montado em volta do Renato era exagerado. Agora já não acho que tenha sido assim tão exagerado. Ele ainda está algo imaturo, comete demasiados erros comprometedores, decaiu muito na segunda parte, mas não é nada que não seja expectável na idade dele. O potencial está todo lá. Resta-nos esperar que o Renato trabalhe, siga as instruções dos seus treinadores, tenha juízo e um bocadinho de sorte. Se isso acontecer, Renato continuará a ter o Mundo inteiro a falar sobre ele.

 

Uma palavra também para Nani. Ele não tem propriamente deslumbrado neste Europeu, mas já conta dois golos e pelo menos duas assistências neste campeonato. Já igualou Luís Figo e Cristiano Ronaldo em assistências em Europeus. Mesmo não estando no seu melhor momento, o Nani é daqueles que dá sempre tudo de si em campo, pela Camisola das Quinas. Pena tão poucas pessoas repararem nisso.

 

Portugal jogou melhor na segunda parte, mas esta foi pobre em acontecimentos. Adrien e William viram o amarelo (o último vai falhar o próximo jogo), pelo que acabaram por ser substituídos por João Moutinho e Danilo, respetivamente. Aos oitenta e seis minutos, Cristiano Ronaldo desperdiçou um isolamento perfeito de Moutinho, que poderia ter resolvido logo o jogo. O prolongamento veio - outra vez. Portugal continuava a jogar melhor, mas nenhuma das equipas quis arriscar demasiado, preferindo relegar a decisão para os penáltis.

 

fonte olha para cima.jpeg

 

Muitos dizem que o desempate por grandes penalidades é uma lotaria, mas eu não concordo. Conforme já tinha escrito aquando dos nossos últimos penáltis, na minha opinião, estes são quarenta por cento perícia, trinta por cento estado psicológico e emocional, trinta por cento sorte. Foi na perícia e no psicológico/emocional que Portugal esteve bem. Ao contrário do que fizemos com a Espanha, em 2012, abordámos bem os penáltis. O Ronaldo deixou-se de manias e ofereceu-se para bater o primeiro, em jeito de exemplo para o resto da equipa. Destaque, aliás, para o facto de ter convencido Moutinho a bater um deles - ele, que se tinha escondido, alegando uma dor na perna ou algo do género, embora eu suspeite que tivesse o penálti falhado em 2012 na memória.

 

Isto é que é ser Capitão. Atitudes como esta são tão valiosas como um golo ou uma assistência, se não forem mais. Daí que não esteja preocupada por aí além com o seu alegado rendimento inferior: Ronaldo tem ajudado de outras maneiras.

 

Eu estava super nervosa aquando dos penáltis, agarrada aos velhos boné e cachecol, mas os Marmanjos que os bateram não estavam: desde o Capitão Ronaldo ao miúdo Renato, todos executaram os penáltis com mestria - uma mestria que, por acaso, os alemães e os italianos não foram capazes de imitar, dois dias mais tarde, apesar de muitos os considerarem duas das melhores seleções do Mundo. Até os polacos foram mais competentes do que eles. É aqui que entra Rui Patrício, que conseguiu defender o penálti de Blaszczykowski, o último dos polacos. Ricardo Quaresma, de seguida, não desperdiçou a vantagem.

 

eduardo agarra quaresma.jpeg

 

- 'Tamos nas meias! 'Tamos nas meias! - repetia eu, entre os festejos, ainda sem acreditar. Mesmo agora, dias depois, uma parte de mim ainda não encaixou que esta Seleção está entre as quatro melhores da Europa. Passaram-se quatro anos desde o Euro 2012. Aconteceu muita coisa nestes anos, a Seleção desiludiu várias vezes, houveram ocasiões - sobretudo depois do Mundial 2014 - em que cheguei a pensar que Portugal não voltaria a chegar tão longe tão cedo, que não voltaria a estar entre as grandes seleções. Mas a verdade é que, mesmo não jogando ao nível a que jogámos em 2004, 2006 ou mesmo 2012, estamos a conseguir os mesmos feitos. Segundo os meus critérios, este está a ser um Europeu bem sucedido. Como tal, as ambições de Fernando Santos não são assim tão descabidas: nas meias-finais todos são candidatos ao título.

 

Numa coisa vou ser sincera, no entanto.  Não é bem a mesma coisa chegar às meias-finais ”só com empates”, enfrentando equipas como a Islândia, a Croácia, a Polónia, quando, nas vezes anteriores, conseguimos o mesmo com vitórias épicas, perante seleções como a Alemanha, a Espanha, a Inglaterra, a Holanda - sobre algumas das quais escrevi aqui. É claro que isto são as minhas próprias ideias pré-concebidas pois, se formos a ver, das equipas que referi, apenas a Alemanha continua em prova. A Inglaterra e a Espanha caíram nos oitavos-de-final, a Holanda nem sequer veio ao Europeu. Por sua vez, a Polónia empatou com a Alemanha na fase de grupos, a Croácia venceu a Espanha na mesma fase e a Islândia conquistou os corações de toda a gente ao eliminar a Inglaterra.

 

ronaldo e quaresma.jpeg

 

E já que falamos de equipas surpreendentes neste Europeu, falemos do nosso próximo adversário, o País de Gales, que derrotou a Bélgica nos seus quartos-de-final por 3-1. Muitos consideram que esta equipa está ao nosso alcance, mas eu não me atrevo a subestimá-los. Para começar, tal como afirmei acima, qualquer equipa que chegue às meias-finais é candidata ao título. A Gales nunca chegou tão longe num campeonato de seleções, não tem nada a perder. A pressão está toda do nosso lado.

 

Eu sinto-me ansiosa em relação ao jogo mas é a mesma ansiedade de qualquer mata-mata. Por outro lado, no outro dia, atingiu-me pela primeira vez a ideia de que, doze anos após o Euro 2004, podemos voltar à final de um Europeu e… senti-me a hiperventilar. Ainda me sinto um bocadinho, enquanto escrevo isto. Antes de isto tudo começar, já tinha escrito que demorara imenso tempo a habituar-me à ideia de assumir a candidatura só Europeu. Nesta altura do campeonato, em que temos a nossa melhor oportunidade de voltar a uma final em vários anos, estou a descobrir que ainda não estou preparada para isso. Estou mais preparada que noutras alturas (já tenho algumas ideias muito vagas para uma eventual, muito hipotética, entrada de campeões europeus), mas não me atrevo a pensar abertamente pós meias-finais.

 

IMG_20160630_221421.jpg

 

E estas realizam-se quarta-feira. Continuo a acreditar nestes Marmanjos - se não tanto na sua qualidade, mais no seu espírito de equipa, na sua união, atributos que, por si só, não conquistam títulos, mas que são indispensáveis. É isto que interessa, tudo o resto são neuroses minhas. Que esse espírito nos ajude a passar as meias-finais e a marcarmos presença em Paris.

Croácia 0 Portugal 1 - O início

FB_IMG_1466933423188.jpg

No passado sábado, dia 25 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu, pela margem mínima, a sua congénere croata nos oitavos-de-final do Campeonato Europeu da modalidade. O autor do único tento da partida foi Ricardo Quaresma.

 

Todos concordam: tirando os últimos minutos do prolongamento, o jogo foi uma seca. A primeira parte, então, foi quase um aquecimento, foi um filler, não aconteceu pratiamente nada. Sou capaz de jurar que, nos primeiros dois ou três minutos de jogo, Portugal não tocou na bola durante mais do que um ou dois segundos, enquanto os croatas se limitavam a passar a bola uns aos outros. Ambas as equipas estiveram muito comedidas, respeitando excessivamente o adversário, sem coragem para arriscar. Por um lado, isto foi bom para os nossos corações, depois da agitação que foi o jogo com a Hungria. Por outro, até eu fiquei com sono - o que, para mim, num jogo da Seleção, numa fase final, num mata-mata ainda para mais, é raro, se não for inédito. 

 

O jogo ficou um bocadinho mais interessante quando Renato Sanches entrou, aos cinco minutos da segunda parte, mas não muito. Consta que este foi o primeiro encontro em Europeus e Mundiais em cinquenta anos em que não houve um único remate à baliza. Da nossa parte, talvez isso se devesse ao nosso engonhanço, mas, da parte dos croatas, isso muito se terá devido a um "imperial" Pepe, que nos livrou de tantas, a jogadores como Adrien, que conseguiu anular Modric e, vá lá, a uma dose decente de sorte. Pelo meio ainda nos roubaram um penálti sobre Nani e Renato fez isto. Eu só pensava que, a certa altura, alguém teria de assumir o jogo, de tentar ganhá-lo e aquilo poderia ir para qualquer um dos lados.

 

modric aos pés de adrien.JPG

 

Eventualmente acabou por chegar o prolongamento. Pelo menos no Twitter, já começávamos a fazer contas para os penáltis. Daí que não tenhamos percebido a troca de Adrien por Danilo. Das duas uma, ou Fernando Santos não tinha olhado para o historial de Adrien em penáltis, ou estava... bem chei'd'a fé de que a coisa resolver-se-ia antes dos cento e vinte. 

 

Se era a segunda hipótese, acertou em cheio pois, aos 117 minutos, tudo mudou. Rui Patrício defendeu uma iniciativa croata a meias com o poste. No contra-ataque, Ronaldo passa a Renato, que faz uma das suas arrancadas - nesse momento, eu e, provavelmente, metade do País dissemos algo como "Vai miúdo! Vai!" , enquanto este galgava pelo campo fora. Renato passa a Nani, este por sua vez, consegue enganar os defesas croatas e fazer a bola chegar a Ronaldo. O guarda-redes ainda consegue travar o remate deste, mas não conseguiu repetir a proeza quando Quaresma faz a recarga. 

 

 

Cá em casa festejámos o golo da mesma maneira que a Seleção, em Lens: aos peulos e aos abraços. Até o meu irmão que, de uma maneira muito típica emntre os homens da casa, esteve muito pessimista durante o jogo, quase que como se torcesse pela Croácia. Eu fiquei a tremer durante uns bons dez minutos depois deste golo, ainda que só me tenha atrevido a cantar vitória depois do apito final. Nós passámos a fase de grupos só com empates, mesmo que as exibições não tenham sido assim tão más... em certas alturas, pelo menos... mas não há nada que se compare a uma vitória numa fase final de um campeonato de seleções!

 

Não têm faltado críticas à Seleção Portuguesa desde a sua estreia no Europeu, muitas delas justas, e elas têm continuado depois deste jogo. No entanto, uma coisa é inegável: Portugal venceu a Croácia, que está longe de ser uma equipa fraca, e, pelo (*conta pelos dedos*) sexto Europeu consecutivo, está entre as oito melhores seleções da Europa. Não é de desprezar. Tudo isto resultou do esforço dos jogadores, da equipa técnica, do Selecionador. Esse esforço merece ser respeitado, mesmo aplaudido - sobretudo depois de equipas respeitáveis terem já ficado pelo caminho, tal como a Espanha e a Inglaterra. Esta última frente à Islândia, de todas as equipas - menos de duas semanas depois de Cristiano Ronaldo os ter acusado de terem mentalidade de equipa pequena. 

 

FB_IMG_1466893020341.jpg

 

Não sou grande fã deste futebol defensivo, em bloco baixo, confesso, mas concordo com Fernando Santos, quando ele diz quando ele diz que assinaria por baixo se pudesse conquistar o Europeu só com empates ou jogando mal, que quer "jogar futebol" não "jogar à bola". Durante anos e anos, em múltiplos campeonatos de seleções, praticámos um futebol lindíssimo. Deixou-nos imensas recordações e encheu-nos de orgulho, não contesto isso, mas não nos deu nenhum título. Continuo a preferir esse tipo de futebol, se for possível, mas eu aceito tudo o que nos dê o título, dentro das regras. E se alguém tiver algum problema com isso, como uns quantos croatas aziados depois do jogo e os franceses que andaram a dizer que o nosso futebol era nojento... ótimo. De uma forma ou de outra, iríamos sempre irritar muitos enquanto fôssemos bem sucedidos neste Europeu. É para o lado que dormimos melhor.

 

Mas primeiro vamos ter de passar pela Polónia e não me parece que vá ser fácil. Para além de, por princípio, não existirem jogos fáceis nesta fase, o nosso historial mais recente com a Polónia não é o mais favorável (tal como já tinha desenvolvido aqui). Além disso, a Polónia chegou a ganhar à Alemanha durante a Qualificação para este Europeu e, quando a reencontrou na fase de grupos, empatou a zeros. A minha irmã disse-me que os polacos não têm tantas individualidades como a Croácia (têm Lewandowski e pouco mais), mas eu acho que eles vão jogar de forma mais fechada do que os croatas, o que é capaz de nos atrapalhar.

 

quaresma abraça nani.jpg

 

A minha esperança é que estes oitavos-de-final tenham sido o nosso verdadeiro início no Europeu, que ainda fiquemos em França por muito tempo ainda. Continuo com as minhas dúvidas, apesar de a equipa ter estado mais consistente no sábado, mas também, nesta altura do campeonato, não dá para ter certezas de nada. Continuo a acreditar que é possível chegar à final de Paris e vencê-la. Ando há demasiado tempo à espera de um título para a Seleção, não queria ver mais uma oportunidade desperdiçada. Para já, temos de ganhar à Polónia e temos tudo para consegui-lo. 

 

Continuem a acompanhar este Europeu connosco aqui no blogue e na página de Facebook.

Os Eleitos

03.jpg

Na passada terça-feira, dia 17 de maio, na Cidade do Futebol, Fernando Santos divulgou os vinte e três Eleitos para representar Portugal no Euro 2016. 

 

Ao contrário de Convocatórias anteriores, não houve grande cerimónia na apresentação dos vinte e três nomes: o Selecionador leu a lista e passou de imediato às perguntas e respostas. Eu prefiro assim. Geralmente quando existe demasiada pompa e circunstância no momento da Convocatória - isto é, quando Selecionador e Federação se levam demasiado a sério - a coisa acaba por correr mal. Não sei se as duas coisas estão diretamente relacionadas, mas foi o que aconteceu em 2010 e 2014.

 

Dito isto, gosto imenso do vídeo que a Federação partilhou nas redes sociais. Vejam abaixo.

 

 

Conforme muitos têm expectado, esta é uma convocatória expectável, coerente com os princípios por que Fernando Santos se tem regido enquanto Selecionador. Vários têm dito que não há "surpresas", apenas uma "novidade" chamada Renato Sanches. Pessoalmente, eu não diria que a Eleição do jovem é uma novidade - ele já tinha sido Convocado para a última dupla jornada de particulares. Renato beneficia da lesão muito recente de Bernardo Silva, que terá facilitado as Escolhas de Fernando Santos. Há quem diga que a Chamada de Renato não faz assim tanto sentido, que teria sido melhor Convocar Pizzi, por exemplo. Para ser sincera, contudo, se Renato tivesse sido deixado de fora, mesmo que por motivos legítimos, metade do país atirar-se-ia ao ar. Depois de o Benfica se ter sagrado campeão? Depois de Renato se ter transferido para o Bayern de Munique? Não Convocá-lo daria direito a cadeira elétrica!

 

Eu continuo sem saber se Renato será capaz de lidar com esta pressão toda. Quer da parte dos apoiantes, que já vêm a Seleção como Renato-mais-dez, quer da parte dos adversários, incapazes de ultrapassar as suas azias clubísticas De qualquer forma, Renato dificilmente será titular, pelo menos não nos primeiros jogos. Talvez isso lhe alivie a pressão.

 

transferir.jfif

 

Entretanto, Fábio Coentrão lesionou-se há cerca de um mês e não recupera a tempo do Europeu, o que me deixa de coração partido. Em campeonatos de seleções ele tem sido um dos preferidos, muito graças à sua constante irreverência e inconformismo. O Euro 2016 não será o mesmo sem ele. A única coisa boa que deriva da lesão dele é ter permitido a Convocatória de Raphael Guerreiro. Não vou reclamar muito contra a Convocatória de Eliseu porque ele tem feito um bom trabalho no Benfica - destaque para a assistência perfeita para o golo de Jiménez, contra o Bayern. No entanto, vou fazer figas para que Guerreiro seja titular, que ele na Seleção tem jogado melhor que Eliseu.

 

Outro Marmanjo a quem vou dar o benefício da dúvida é Éder. Concordo com a opinião geral de que existe por aí muito ponta-de-lança mais merecedor de um lugar no Euro: Hugo Vieira, Bruno Moreira, André Silva... Eh pá, até Hélder Postiga seria melhor, já que ele até tem marcado várias vezes pelo seu clube e tem golos em três Europeus. Dito isto tudo, Éder tem passado por um bom momento no seu clube, o Lille. Esta não é, portanto, a pior altura para Convocar o avançado. E como de qualquer forma a tática principal dispensará ponta-de-lança, não há de fazer muita diferença.

 

Mas se este Europeu passar e ele continuar sem meter a bola na baliza, por favor, Chamem outro ponta-de-lança para a Qualificação para o Mundial 2018!

 

03.jpg

 

Tirando isto que acabo de referir, não acho que existam grandes motivos de contestação a esta Convocatória. Pode haver quem discorde de mim, evidentemente, mas, até agora, não tenho encontrado objeções relevantes. Isto costuma ser bom sinal - foi-o em 2012. Na minha opinião, a Convocatória é boa, melhor que há dois anos, mas também, como escrevi na entrada anterior, o mais importante é todos chegarem em boas condições físicas a França, que o que se passou no Brasil foi uma tragicomédia.

 

Tenho, aliás, tido alguns flashbacks de 2014 nos últimos tempos por causa das lesões com que Cristiano Ronaldo se tem debatido. O facto de o Real Madrid se ter qualificado para a final da Liga dos Campeões (o que obriga Pepe e Cristiano a faltarem à primeira semana do estágio - mais sobre isso adiante) não ajudou. Vou ser sincera, estive muito perto de torcer pelo Manchester City, só para Cristiano e Pepe não se desgastarem com um jogo de grande intensidade. No entanto, no decurso do jogo das meias, não fui capaz de torcer contra eles. Fernando Santos garante que Ronaldo estará "na sua melhor forma"  no Europeu, que "está a preparar-se física e mentalmente" para isso, que tem "uma ambição muito forte" relativamente a este campeonato. Não que não acredite nele, mas... também se dizia isto aquando do Mundial 2014. De qualquer forma, a situação não me parece tão grave este ano. Vou esperar que corra tudo pelo melhor desta vez. E já que ele e Pepe estão na final da Liga dos Campeões... que a ganhem. 

 

A verdade é que, este ano, o calendário futebolístico está muito estranho. A final da Champions decorre apenas um dia antes do nosso particular com a Noruega. Isto faz-me imensa confusão: estou habituada a ter datas para jogos de clubes e datas para jogos de seleções bem definidas e separadas. De repente colocarem os particulares das seleções no mesmo fim de semana que a final da Champions é demasiado amadorismo para o meu gosto (falarei melhor sobre estes jogos num futuro texto).

 

06.jfif

 

Com tudo isto, o estágio só começa oficialmente na próxima segunda-feira, dia 23 de maio. Só treze jogadores começam no primeiro dia, os restantes virão às pinguinhas ao longo do resto da semana. Por esses dias, o estágio vai ser mais soft, semelhante ao dia-a-dia de um clube: os Marmanjos vêm de manhã e regressam a casa no fim do dia, depois dos treinos. No dia 30 é que a Seleção começa a estar em regime de "internato", ainda que com dias e noites de folga, evidentemente.

 

Como tal, visto que ainda temos alguns dias e vários jogos de clubes até a Seleção se reunir de novo, vou esperar até segunda-feira para pendurar a bandeira à janela. Este ano vai para o quarto da minha irmã em vez do meu, que agora temos uma cadela e ela gosta de espreitar pela minha janela. Em compensação, estou a pensar arranjar-lhe um cachecol ou uma bandeira mais pequena para ela usar nos jogos do Europeu: mais ou menos assim.

 

Gostei de ouvir Fernando Santos agradecendo aos jogadores que ajudaram a garantir o Apuramento, mas que não foram Convocados. Fica bem a gratidão. Por outro lado, voltando a pegar no assunto do meu texto anterior, Fernando Santos reiterou a ambição de ganhar o Europeu. "Não é uma questão de fé, é uma questão de acreditar.", disse ele, o que remonta para aquilo que escrevi sobre a diferença entre um sonho e uma ambição. Disse também que Portugal, não sendo favorito, é capaz de "defrontar qualquer adversário" - algo com que todos concordam.

 

abraço de seleção.jpg

 

Quanto a nós, é o costume: ao longo deste estágio, o meu coração estará sediado na Cidade do Futebol (espero que hajam treinos abertos e que dê para dar lá um saltinho) e, mais tarde, no Centro Nacional de Râguebi, em Marcoussis. Dentro das minhas possibilidades, manter-me-ei a par do que for acontecendo com a Seleção. Espero que este seja o início de uma caminhada memorável pelos melhores motivos.

 

Caminhemos juntos aqui no blogue e/ou na página do Facebook