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O Meu Clube É a Seleção!

Mulher de muitas paixões, a Seleção Nacional é uma delas.

Triste espetáculo

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No passado dia 14 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol perdeu contra a sua congénere sérvia por duas bolas contra uma e eu estive lá. Infelizmente. Com este resultado, a Seleção falha o Apuramento direto para o Mundial 2022, ficando obrigada a tentar a Qualificação via play-offs.

 

Nunca pensei que viríamos parar aqui. Nem mesmo nas minhas previsões mais pessimistas.

 

Comecemos pelo princípio. Como tinha explicado em textos anteriores, fui ao jogo com a minha tia. Ao contrário do que tinha acontecido nas vezes anteriores em que fui à Seleção, chegámos cedo ao Estádio. Já estávamos nos nossos lugares uma hora antes do apito inicial. Deu para assistir à apresentação dos onzes iniciais e o resto dos plantéis, ao aquecimento e aos outros eventos pré-jogo. Muito bom ambiente.

 

Que desperdício. 

 

 

Depois do apito inicial, o jogo até correu bem para o nosso lado… durante três minutos. Logo no início, Bernardo Silva roubou uma bola ao sérvio Gudelj à entrada da grande área e deixou-a para Renato Sanches. Este finalizou de primeira para as redes. Na explosão de alegria, o telemóvel saltou-me do bolso do casaco (os bolsos eram largos…). Sem danos, felizmente.

 

Isto foi mesmo a única coisa boa a acontecer no jogo. O resto foi uma tristeza. Uma das lições que sai deste encontro é que é melhor marcar a poucos minutos do fim do que poucos minutos depois do início. Estes golos muito cedo podem ser traiçoeiros. Podem levar uma equipa a acomodar-se. E tendo em conta que Portugal só precisava de empatar…

 

Ainda assim, não dá para saber se os portugueses jogariam da mesma forma se não tivessem marcado cedo. Eu infelizmente suspeito que sim.

 

Uma vez mais, o futebol de Portugal foi uma lástima. Sempre foi um bocadinho melhor que frente à Irlanda, graças a Renato e sobretudo a Bernardo Silva. Este punha-se a driblar vários jogadores de vez em quando, como tem feito algumas vezes nos últimos tempos, no City. Tirando isso, Portugal não entretinha ninguém, perdia bolas, raramente saía do seu meio-campo. Era deprimente.

 

Em contraste, os sérvios controlavam o jogo, ameaçavam muito mais, via-se que queriam ganhar. A minha tia apontou muitas vezes para “o número dezassete” – Kostic. Ao mesmo tempo, os adeptos sérvios conseguiam fazer-se ouvir, de vez em quando. 

 

Os sérvios acabaram por chegar à igualdade. Do nosso lugar não conseguíamos ver muito bem a jogada, mas eu pelo menos vi a atrapalhação de Rui Patrício. Gritei "Agarra! Agarra!", mas a bola acabou mesmo por entrar. Minutos mais tarde, um amigo meu enviou-me uma mensagem a confirmar o que eu já suspeitava: aquilo fora "frango" de Patrício. 

 

 

Bem, acontece aos melhores. Não quero ser aquela pessoa que dá mais importância às falhas dos guarda-redes do que às suas defesas. Até porque Patrício já nos salvou de muitas. E não era só por culpa dele que tínhamos consentido o empate. 

 

Na segunda parte, o nível português melhorou, mas só um bocadinho, longe do suficiente. A coisa nunca deixou de estar tremida, estivemos sempre de coração nas mãos, sobretudo à medida que o tempo passava. Íamos comentando com os nossos vizinhos que “eles ainda iam marcar”. Quando já não faltava muito para o final, cheguei a dizer que, se os sérvios marcassem, seria “a morte do artista” – porque teríamos pouco tempo para dar a volta.

 

Eu devia ir para vidente…

 

Acho que foi a primeira vez que ouvi a minha tia a praguejar – ou, pelo menos, a primeira vez em muito tempo. Eu fui criada com tolerância zero a palavrões e, mesmo hoje, não sou muito de usá-los. Mas neste jogo não deu para contê-los. Já tinha soltado uns quantos na primeira parte, quando parecera que a Sérvia chegara à vantagem – e pedira à minha tia, meio a brincar meio a sério, para não dizer aos meus pais. 

 

Mas agora fora ela quem não mordera a língua. E não era para menos.

 

Como previ, não sobrou muito tempo depois deste golo. Os sérvios marcaram mesmo em cima dos noventa e o árbitro deu quatro minutos de compensação. Confesso, pensei na música da Madonna: “I’m outta time and all I got is four minutes, four minutes”; “Time is waiting, we only got four minutes to save the world”. Mas tínhamos tido noventa minutos para acordar para a vida, agora era tarde demais. 

 

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Outro jogo deprimente. Ainda por cima em casa, um Estádio cheio, o regresso da Seleção à Luz depois das restrições da pandemia. Cheguei a pedir desculpa à minha tia por a ter convidado para aquele triste espetáculo. É claro que ela não me culpou, mas fez-me saber que, depois desta, tão cedo não volta ao futebol.

 

O que é capaz de ser o mais triste de tudo. Quantos não terão tomado uma decisão semelhante depois deste jogo?

 

Foi parecido ao que aconteceu em Dublin. De um lado uma dúzia de gatos-pingados, que não deram uma para a caixa durante noventa minutos, apesar de vários estarem entre os melhores do Mundo. A maior figura não fizera nada que se visse, mas no fim pusera-se a barafustar a propósito de um golo mal-anulado meia dúzia de jogos antes. O seu treinador teve de ir acalmá-lo. Quase vinte anos depois, Cristiano Ronaldo ainda não aprendeu a perder.

 

Do outro lado, estava uma equipa de underdogs, que fizera tudo para ganhar e conseguira-o. Quando marcaram o golo da vitória, suplentes e equipa técnica invadiram o campo para os festejos (como nós fizemos no golo do Éder). Tornaram a fazê-lo minutos mais tarde, depois do apito final. Mais tarde, quando já praticamente todos os adeptos portugueses tinham ido para casa, Mitrovic subiu de novo ao campo, em cuecas, para festejar com os adeptos sérvios. Ainda mais tarde, doaram o prémio de um milhão de euros (dado pelo presidente sérvio, pela vitória) a uma instituição que trata de crianças doentes. 

 

Perante isto tudo, sou a única aqui que preferia ter torcido pela Sérvia?

 

É por isto que cheguei ao fim da linha com Fernando Santos. Já não reconheço o meu clube nesta Seleção, sobretudo nesta desastrosa dupla jornada. Não há paixão, não há garra, não há inconformismo, nada. Isto para não falar de todas as coisas que referi quando escrevi sobre a expulsão do Europeu – o que só agrava a opinião que tenho de Fernando Santos. Nada se aprendeu com o que se passou no Euro 2020. 

 

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Aliás, só piorou. Uma coisa é ter maus resultados com a Alemanha e a Bélgica. Outra coisa é tê-los com a República da Irlanda e a Sérvia.

 

Na Luz viram-se lencinhos brancos. Eu se calhar também os mostrava, se os tivesse. Acho que nunca apoiei tanto uma chicotada psicológica (só aquando de Paulo Bento?). Pode ser por já contar muitos anos disto e já não conseguir iludir-me. Pode ser porque, pelo menos nesta situação, o problema parece ser mesmo Fernando Santos. Com Paulo Bento ainda podia falar em fatores como falta de opções. Hoje não. Pelo contrário.

 

Aliás: como se tem dito, é inadmissível que uma Seleção que inclui Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva, João Cancelo, Bruno Fernandes, Rúben Dias, mesmo Renato Sanches, João Félix, Pepe, Rui Patrício, entre outros, tenha falhado a Qualificação direta. O nosso grupo de Apuramento nem sequer era difícil!

 

Por mim, rescindia-se já com Fernando Santos. Tem-se dito que esta não é a melhor altura para se trocar de Selecionador e talvez tenham razão, mas… é preferível arriscar falhar o Mundial? E mesmo que consigamos o Apuramento – o que é um “se” considerável – queremos Fernando Santos a orientar-nos no Catar? Para fazermos campanhas fraquinhas, estilo Mundial 2018 e o Euro 2020?

 

Havemos de regressar a esta questão. Para já, Fernando Santos continuará ao leme até pelo menos aos play-offs. Já prometeu sair pelo próprio pé caso falhe o Apuramento – mais do que razoável. Ele devia aproveitar estes quatro meses para pensar no que está a fazer com a Seleção, fazer um esforço genuíno para compreender o que está a correr mal, e procurar corrigir. Mesmo que isso implique falar com a restante equipa técnica, com os jogadores, mesmo com pessoas de fora.

 

Mas alguém acredita que Fernando Santos fará isto? Veja-se a reação dele quando lhe perguntaram, com todas as letras, porque é que não punha uma equipa com tanto talento a render. E mesmo a entrevista que deu, dias mais tarde, esclareceu pouco. Como muitos comentaram, Bernardo Silva e João Palhinha analisaram muito melhor a situação. Quanto a Ronaldo, este escondeu-se atrás de palavras vazias (que ninguém acredita que foram escritas por ele) nas redes sociais. 

 

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Agora virão os play-offs, que decorrerão em moldes diferentes àquilo a que estávamos habituados, há coisa de dez anos. Se acredito na Qualificação? Não sei, dependerá muito dos adversários. Continuo a querer ir ao Mundial, mesmo que tenhamos um desempenho fraquinho. Mais porque será, quase de certeza, o último Mundial de Cristiano Ronaldo, Pepe e João Moutinho. Quero que Ronaldo tenha mais uma oportunidade para marcar alguns golos, quebrar mais alguns recordes.

 

Além disso, vocês sabem que eu gosto do ritual destes campeonatos. Da Divulgação dos Convocados, do estágio de preparação, das campanhas publicitárias. Mas se conseguirmos a Qualificação sem que nada mude em termos de qualidade de jogo, não sei se conseguirei iludir-me ao ponto de saborear isto tudo. 

 

Não me interpretem mal, estarei sempre disponível para empunhar o cachecol. Se nos pedirem para irmos ao Estádio apoiar Portugal no primeiro jogo do play-off, se calhar até vou. Em parte porque a minha irmã não pôde vir a estes dois jogos a que fui e já disse que quer ir ao próximo. Mas não serei capaz de apoiar a cem por cento. 

 

Aproveito para dizer que vou voltar a saltar a revisão do ano, ainda que por motivos diferentes dos do ano passado. A parte referente ao pior deste ano seria redundante depois deste texto. 2021 não correu bem para a Seleção. O trabalho de Fernando Santos tem deixado a desejar há algum tempo, mas os outros anos tinham aspetos redentores. 

 

Em 2018 o Mundial foi pobrezinho, mas na altura não me importei muito. Ainda tinha o desastre de 2014 na memória e, se formos a ver, todos os nossos Mundiais têm sido fraquinhos, tirando o de 1966 e o de 2006. Já considerava uma vitória não ter havido um caso Saltillo ou um caso Queiroz em 2018. Além disso, fizemos uma boa fase de grupos na Liga das Nações.

 

Em 2019, a Qualificação para o Euro 2020 foi algo desastrada, com aqueles empates ao início e a derrota frente à Ucrânia, mas pelo meio ganhámos a Liga das Nações. Em 2020 só houve fase de grupos da segunda edição da Liga das Nações. Não conseguimos chegar à final four, mas apenas por causa de uma única derrota. Os restantes jogos não foram nada maus. 

 

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Em 2021 não houve nada que redimisse tudo o que aconteceu de mau – outro argumento a favor da saída de Fernando Santos. Estou grata pelo jogo com o Luxemburgo no Estádio do Algarve – uma noite feliz, mesmo que não nos tenha valido de muito. Também estou grata pela vitória frente à Hungria e, de uma maneira retorcida, por todas as reviravoltas durante o jogo contra a França. Mais nada. 

 

E agora entramos em hiato até março. O que até calha bem – eu pelo menos preciso de algum tempo para recuperar desta. Como o costume, muito obrigada por terem estado desse lado, mesmo nesta triste jornada. O blogue ficará em pausa, mas a página do Facebook continuará ativa – embora talvez um bocadinho menos do que o costume, depois desta desilusão. 

 

E como já estamos na época, boas festas para todos, sem Covid, e que 2022 corra melhor para a Seleção.

Para despachar

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Na passada quinta-feira, dia 11 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou a zeros com a sua congénere irlandesa, em Dublin, em jogo a contar para a Qualificação para o Mundial 2022.

 

Não estava nos meus planos dedicar um texto apenas a este jogo. Nos últimos anos, a regra tem sido uma crónica para cada jornada de Seleção, geralmente dois jogos, ou mesmo três. No entanto, não tenho muito a dizer sobre o que aconteceu em Dublin, consegui escrever o primeiro rascunho relativamente depressa. Mais vale despachar isto. 

 

Curiosamente, essa parece ter sido a atitude da Seleção Nacional perante a Irlanda. 

 

Como já tinha dito no texto anterior, a minha mãe fez anos nesse dia e o plano era irmos jantar fora. No entanto, eu e os meus pais constipámo-nos (era mesmo uma constipação, nós fizemos o teste!) e achámos melhor ficar em casa e encomendar comida. Na altura fiquei contente pois, como expliquei antes, queria muito ver este jogo. 

 

Agora, preferia mil vezes ter ido jantar fora e ignorado o que se passava em Dublin. 

 

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Fernando Santos apresentou um onze diferente do habitual. Deixou de fora todos os “amarelados”, tirando João Palhinha. António Tadeia acha que o plano era usar as mesmas armas que os irlandeses – o poderio físico – em vez de recorrer aos nossos pontos fortes. É claro que não ia resultar. 

 

Ainda assim, não chega para explicar a péssima atitude com que os jogadores abordaram este jogo. Ninguém parecia esforçar-se por reter uma bola ou recuperá-la quando a perdiam – segundo o GoalPoint, tivemos a pior posse de bola e eficácia de passe de todo o Apuramento, até agora. E a coisa só piorou com o decurso do jogo. Foi tortuoso.

 

Um bom exemplo foi a jogada que resultou no golo anulado dos irlandeses (sim. Os irlandeses foram os únicos a enfiar uma bola numa baliza.). O Rui Patrício esforçando-se por recuperar a bola, obrigado o adversário a cometer falta, e o Danilo ali especado!

 

A partir de certa altura, eu quase torcia pelos irlandeses – e estes não estiveram muito longe de vencer, sobretudo perto do fim. De um lado estava uma equipa de prestígio que não estava para se chatear. Do outro, estava uma equipa mais humilde, menos talentosa, mas apaixonada, aguerrida, catalisada por adeptos que estão entre os melhores do mundo. Por quem quereriam vocês torcer?

 

E veja-se a ironia. Tantos cuidados por causa dos amarelos e depois veio o Pepe e arranjou logo dois. Dois recordes quebrados: o jogador mais velho a representar a Seleção e o jogador mais velho a levar um vermelho ao serviço da Seleção. Bolas, Pepe…

 

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Não quero criticá-lo muito, no entanto, que ele fez questão de continuar com o resto do grupo, mesmo não podendo jogar com a Sérvia. É por isto que ele continua a ser Convocado, que nós continuamos a perdoar-lhe estas atitudes mais parvas: continua a ser capaz e, sobretudo, poucos amam a Camisola das Quinas mais do que ele.

 

A declaração de Fernando Santos no rescaldo do jogo – “Se tivéssemos ganho 5-0 era a mesma coisa” – tem caído mal nas redes sociais. Foi tirada um pouco do contexto, mas a indignação justifica-se, a meu ver. Mesmo que as consequências em termos de classificação sejam as mesmas… isso é coisa que se diga? Estamos a falar de uma Seleção onde alinham alguns dos melhores jogadores da atualidade! 

 

Fernando Santos estava a subir na minha consideração ultimamente, mas com esta deu vários passos atrás. Não vou ao ponto de dizer que este foi o pior jogo da Seleção deste mandato, mas é certamente a pior versão da Seleção. O meu clube não é isto!

 

A única coisa boa disto tudo é que, lá está, este jogo não terá consequências (a menos que o sorteio para a fase de grupos do Mundial dependa do desempenho na Qualificação, algo que ainda não consegui confirmar). Se ganharmos à Sérvia e conseguirmos o Apuramento, ninguém se vai lembrar do que se passou em Dublin. Mas, como alguém que encara cada jogo da Seleção como uma ocasião especial (uns mais do que os outros, claro), é frustrante quando os próprios Marmanjos não fazem o mesmo.

 

De qualquer forma, quero atirar este jogo para trás das costas e pensar na “final” com a Sérvia. Foi também em parte por isso que escrevi já sobre o jogo com a Irlanda. Acredito que o próximo encontro da Seleção será bem melhor que este. Se, daqui a uns anos, quiser reler a análise a esse jogo, não quero ter de recordar o que aconteceu em Dublin também. Como disse no texto anterior, estarei lá, na Luz. Farei a minha parte. Os Marmanjos que façam a deles. Queremos todos estar no Mundial, daqui a um ano.

 

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Mas se a exibição for igual à de quinta-feira, sou capaz de pedir o meu dinheiro de volta.

Manter o crescendo

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No próximo dia 11 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará a sua congénere irlandesa, em Dublin. Três dias mais tarde, receberá a sua congénere sérvia no Estádio da Luz… e eu estarei lá! Estes serão os últimos dois jogos da fase de Apuramento para o Mundial 2022. 

 

Como o costume, os Convocados foram Divulgados na passada quinta-feira. Esta foi uma Convocatória bastante conservadora, sem nenhuma novidade absoluta. Não surpreende – são os últimos jogos da Qualificação, uma fase decisiva. Toda a gente sabe que Fernando Santos tem um grupinho da sua confiança, sobretudo em circunstâncias como estas 

 

Ainda assim, fiquei desiludida por a Lista não ter incluído Gonçalo Inácio (que marcou um golo este domingo) e Pedro Gonçalves (eleito o melhor em campo no jogo com o Besiktas). Em parte porque ambos já tinham falhado os dois últimos compromissos por lesão – e, agora, são vários meses até à próxima oportunidade. Muita coisa mudará entretanto.

 

Além disso, há séculos que falo da necessidade de rejuvenescermos o setor da defesa e Gonçalo Inácio parece-me ser uma boa aposta. Mas lá está, Fernando Santos confia em José Fonte e este até está num bom momento, segundo consta. E ao menos Inácio vai estrear-se nos Sub-21 (só agora?). E no que toca a Pote, este só recuperou há relativamente pouco tempo (o jogo com o Besiktas foi literalmente na véspera da Convocatória) e existe muita concorrência para a sua posição.

 

Terá de ficar para a próxima. Mas espero que não demore muito mais.

 

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Falemos agora de Marmanjos que estão na Convocatória. O destaque vai para os regressos de Renato Sanches e João Félix, Chamados pela primeira vez desde o Euro 2020. Estou feliz por ter Renato de volta, depois de ter estado muito bem no Europeu. Ele esteve lesionado durante algum tempo, mas agora parece estar em forma e, quando está em forma, Renato é uma força da Natureza. Veja-se uma das coisas que fez no último jogo com o Lille

 

Também estou contente com o regresso de João Félix, ainda que um bocadinho menos ​​(Renato já fez mais na Seleção). Félix é outro que está num bom momento. Foi eleito o melhor jogador do Atlético de Madrid em outubro e marcou um golo ao Bétis, há pouco mais de uma semana, o primeiro em oito meses (é muito tempo sem marcar, por acaso…). Chegou mesmo a ser felicitado pelos colegas, no fim desse jogo.

 

É sempre bom quando os nossos Marmanjos são bem tratados nos seus clubes. Incluindo brincadeiras, claro. Vão ter de me perdoar, mas eu tenho de referir esta, antes do jogo com o Bétis: quando o Griezmann chamou Félix para lhe servir de mascote. E a parte mais engraçada é que o miúdo chegou mesmo a dar-lhe a mão! Eu fartei-me de rir…

 

Entretanto, José Sá e Gonçalo Guedes foram Chamados para substituir os lesionados Anthony Lopes, Rafa e João Mário. 

 

Estamos então na reta final do Apuramento, com dois jogos de dificuldade média-alta. A nossa situação não é aflitiva: bastam-nos dois empates para conseguirmos a Qualificação. No entanto, jogar para o empate é sempre arriscado e as nossas ambições são maiores. Além disso, eu pelo menos não tenho saudades da velha piada do “de empate em empate…”.

 

O primeiro jogo é com a Irlanda, com quem já jogámos em setembro. Consta que estes têm vindo a crescer com o decurso desta fase de Apuramento. Depois de se terem cruzado connosco, foram simpáticos ao ponto de empatarem com a Sérvia, deixando-nos mais desafogados nesta Qualificação. Mas duvido que eles mantenham a simpatia em Dublin – até porque o jogo terá lotação esgotada. Tenho quase a certeza que os adeptos irlandeses criaram um ambiente vibrante – não necessariamente hostil, mas não favorável a nós. 

 

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Quer-me parecer que será um jogo imperdível… mas eu se calhar vou perdê-lo. A minha mãe faz sessenta anos no dia 11, vamos jantar fora e não sei se o restaurante tem televisão. 

 

Não é a primeira vez que isto acontece. No dia em que a minha mãe fez cinquenta anos, outro número redondo (uau, tenho este blogue há muito tempo…), jogou-se a primeira mão dos play-offs do Euro 2012, contra a Bósnia-Herzegovina. Só consegui ver a primeira meia-hora do jogo, mas também não terá sido uma partida particularmente memorável. Também aconteceu no ano passado, mas era apenas um particular com a Andorra, não acho que tenha perdido muito. 

 

No entanto, este é um jogo que eu queria mesmo ver, sobretudo por causa dos adeptos irlandeses. Posso tentar ver no RTP Play, como já fiz noutras ocasiões, mas não sei se o farei. Nem sempre dá jeito e… são os anos da minha mãe! Não quero passar o jantar todo a olhar para o telemóvel, ou mesmo para uma televisão.

 

Vão ter de me perdoar. Mãe é mãe!

 

Em compensação, tenho bilhetes para o jogo com a Sérvia, no próximo domingo. Pode parecer excessivo – afinal de contas, já fui a um jogo no mês passado. Mas depois das restrições da pandemia, se tenho possibilidades, não quero perder oportunidades como esta. Até porque existe a hipótese, remota mas real, de que a pandemia se descontrole de novo e que regressem as restrições.

 

Desta vez não vou sozinha. Convidei a minha tia. Também convidei a minha avó, mas ela não quis vir (tenho pena, teria sido giro). Será o primeiro jogo da Seleção da minha tia – não sei se será o primeiro jogo de futebol, ponto, mas deverá ser o primeiro em vários anos. E como ela é benfiquista, vai gostar de conhecer a Luz.

 

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Será a terceira vez que vejo um jogo com a Sérvia ao vivo. A primeira, em 2007, foi de má memória, mas a segunda, em 2015, correu muito bem. Por outro lado, da última vez que a Sérvia jogou por cá, na Luz, as coisas correram mal para o nosso lado. 

 

Pode ser que já tenhamos o Apuramento resolvido quando entrarmos em campo, no domingo. Uma parte de mim espera que não, só mesmo para poder assistir a um jogo com alguma adrenalina, mas o resto de mim prefere jogar pelo seguro. Deixarmos a Qualificação arrumada o mais cedo possível, sem stresses desnecessários. Além disso, é possível que a constituição dos potes do sorteio da fase de grupos do Mundial 2022 dependa do desempenho na Qualificação – o que nos saiu caro da última vez.

 

Se a questão ainda não estiver resolvida, poderá ser um jogo difícil. Foi o que aconteceu em Belgrado, em março. É certo que nos anularam um golo injustamente, mas Portugal não fizera o suficiente em campo para merecer claramente a vitória. 

 

De notar que, nesse jogo, a Sérvia melhorou da primeira parte para a segunda. O Selecionador sérvio foi inteligente, soube adaptar-se a nós. Se for necessário, tentará fazer o mesmo no domingo. Temos de estar preparados.

 

Como poderão ler nos textos anteriores, tenho estado satisfeita com o desempenho da Seleção nos últimos jogos. Claro que temos de ter em conta o nível dos adversários mas, como escrevi antes, tem havido uma melhoria de jogo para jogo. Será que conseguimos manter esse crescendo com adversários menos acessíveis, como os próximos?

 

Obtermos a Qualificação é o mínimo exigível e acho que conseguiremos, com maior ou menor dificuldade. Fizemo-lo para todos os Europeus e Mundiais desde 1998, incluindo em circunstâncias mais difíceis do que as atuais. Não será agora que iremos falhar. 

 

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O que eu peço para esta jornada, assim, é a Qualificação e boas exibições. Ou pelo menos melhores exibições que nos jogos que já disputámos este ano com a Sérvia e a Irlanda. Quero continuar a dar o benefício da dúvida a Fernando Santos. Quero acreditar que os erros do Europeu não se vão repetir e que poderemos ter um bom desempenho no Mundial 2022 – caso nos Qualifiquemos. 

 

Como o costume, obrigada pela vossa visita. Acompanhem o último compromisso da Seleção este ano na página de Facebook deste blogue. Até à próxima!

Esperança reforçada

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No passado sábado, dia 9 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere catari por três bolas sem resposta, em jogo de carácter particular. Três dias depois, venceu a sua congénere luxemburguesa por cinco bolas sem resposta, em jogo a contar para a Qualificação para o Mundial 2022… e eu estive lá!

 

Neste texto, vou focar-me menos no jogo com o Catar e mais no jogo com o Luxemburgo. O primeiro foi apenas um particular, menos importante. O segundo foi oficial, com um pouco mais de história, e foi o meu regresso aos jogos da Seleção, mais de dois anos e uma pandemia depois da minha última vez. Tenho muito mais a dizer. 

 

Não que o jogo com o Catar tenha sido mau. Foi acima da média no que toca a particulares nos últimos anos e houve uma clara melhoria em relação ao jogo do mês passado. Os jogadores encararam o jogo com seriedade – gostei do desempenho de Gonçalo Guedes, por exemplo, mas os grandes destaques foram os estreantes, como veremos já a seguir. 

 

Por outro lado, o Catar também não deu uma para a caixa.

 

Ainda assim, foi preciso esperar mais de meia hora pelo primeiro golo da Seleção. O estreante Matheus Nunes fez um excelente passe para outro estreante, Diogo Dalot, em cima da linha final. Este assistiu de cabeça para Cristiano Ronaldo, que não desperdiçou.

 

 

Sem desprimor para o nosso Capitão, que juntou mais um país à sua lista de golos… aqui foram os estreantes a fazer o mais difícil. Em particular Dalot, um dos melhores em campo neste jogo.

 

O segundo golo veio no início da segunda parte, na sequência de um canto batido por João Mário. William Carvalho tentara rematar primeiro, de cabeça, mas o guarda-redes catari defendeu primeiro. Na recarga, José Fonte rematou certeiro para as redes. Foi o seu primeiro golo pela Seleção, apesar de já se ter estreado há uns bons anos. 

 

Bem, ele é um central. Marcar golos não é uma prioridade para ele, pelo menos não da maneira como é para um avançado ou mesmo um médio. Nós estamos mal habituados com Pepe e Bruno Alves.

 

Um dos destaques na segunda parte foi Rafael Leão, que rendeu Cristiano Ronaldo ao intervalo. Via-se mesmo que o Marmanjo queria muito marcar um golo, mas não conseguiu acertar com a baliza. 

 

Acabou por culminar num momento caricato aos oitenta e dois minutos. Bruno Fernandes fez-lhe um passe de primeira, desde o meio-campo. Leão conseguiu o mais difícil: desviar-se do guarda-redes e do colega catari. Mas, quando tinha a baliza aberta, atirou à barra. 

 

Um lance digno dos apanhados, coitado.

 

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Bruno Fernandes não resistiu a mandar-lhe uma bicada nas redes sociais, como podem ver. É tão mau...

 

Ao menos Rafael conseguiu carimbar uma assistência, já em tempo de compensação. André Silva – outro que estava com ganas – só teve de desviar de cabeça para a baliza. Ficou feito o resultado. 

 

A única coisa má a apontar a este jogo (e também ao seguinte) é que podiam ter havido ainda mais golos. Pelo menos neste caso era apenas um particular. Se é para falhar oportunidades como aquela do Rafael Leão, que seja quando é a feijões.

 

O Portugal x Luxemburgo foi, então, o meu regresso aos jogos da Equipa das Quinas. Não foi o meu regresso aos estádios após a pandemia – esse regresso ocorreu há poucas semanas, num jogo do Sporting com a minha irmã. Se eu teria preferido regressar com a Seleção, o meu clube? Sim. No entanto, precisamente por causa da pandemia, preferi ser prática em vez de sentimental. Não desperdiço oportunidades. 

 

Foi o que fiz também com este jogo. Tinha férias para tirar, as primeiras este ano, logo, fui passar uma semana ao Algarve (e até apanhei bom tempo. Deu para ir a banhos). A única parte chata é não ter tido companhia – foi a primeira vez que fui a um jogo de futebol sozinha.

 

Não que tenha sido muito mau. Regra geral não tenho problemas em fazer coisas a solo. E no caso deste jogo, encorajou-me a ir trocando comentários com outras pessoas na bancada – algo que, se calhar, não aconteceria noutras circunstâncias. 

 

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Esta foi a minha segunda vez no Estádio do Algarve. A primeira foi em 2005, também perante o Luxemburgo, conforme recordei aqui. Esse jogo terminou com 6-0 no marcador, mas toda a gente sabe que os luxemburgueses melhoraram muito desde então. Não se iam deixar golear desta maneira outra vez.

 

Ou assim pensávamos nós.

 

O ambiente estava ótimo no Estádio do Algarve. Lotação esgotada pela primeira vez desde o início da pandemia o que, depois de uma época inteira de estádios vazios ou parcialmente lotados, terá sabido particularmente bem aos jogadores. 

 

Tal como já acontecera noutros jogos da Seleção, havia uma pequena claque que ia entoando cânticos, alguns adaptados dos clubes. Nem todos conseguiam cativar o público, tirando uma pessoa ou outra. Os melhores eram a tradicional onda e uma adaptação do haka islandês.

 

O jogo dificilmente podia ter começado melhor, com três golos da Seleção em menos de vinte minutos. É certo que os dois primeiros foram de penálti – e que o primeiro penálti não era válido, embora na bancada não conseguíssemos perceber. 

 

Compreendo as queixas de Luc Holtz, selecionador do Luxemburgo, mas todos concordam que não foi por esse penálti que Portugal ganhou. Pode-se discutir, sim, se o jogo teria decorrido da mesma forma se aquele penálti não tivesse sido assinalado. Depende muito de jogo para jogo. Existem casos em que um golo cedo muda tudo, desbloqueia um jogo. Existem outros casos em que, quando a boa entrada de uma das equipas não se traduz em golos – ou quando se falha um penálti, como aconteceu perante a Irlanda – a corrente do jogo muda. 

 

 

No caso deste jogo, no entanto, acho que não faria diferença. Até porque os luxemburgueses fariam nova falta para penálti – esse legítimo – poucos minutos depois.

 

Ainda assim, achei mal quando, mais tarde, Fernando Santos invocou o golo anulado em Belgrado a propósito desta conversa. Uma arbitragem olho por olho no que toca a erros é mau princípio. 

 

Em todo o caso, estes penáltis serviram para Cristiano Ronaldo juntar mais um par de golos à sua lista. E para gritarmos “SIIIM!” nas bancadas em coro com ele – algo que eu desejava fazer há algum tempo.

 

Tenho a ideia de que a jogada para o terceiro golo da partida começou com João Cancelo, mas posso estar enganada. De qualquer forma, a assistência foi de Bernardo Silva e o remate foi de Bruno Fernandes. O guarda-redes Anthony Moris, se calhar, podia ter feito mais, a bola passou-lhe mesmo por baixo do corpo, mas nada disso tira o mérito a Bruno.

 

Nesta altura, um miúdo de seis ou sete anos sentado atrás de mim comentou:

 

– Isto vai dar em goleada…

 

Eu disse-lhe que costumava ser assim, com o Luxemburgo – ele era demasiado novinho para se recordar desses jogos – e que, se calhar, naquela noite aconteceria o mesmo. No entanto, depois destes frutuosos primeiros vinte minutos, o resto da primeira parte não teve grande história.

 

 

Na segunda parte, aos sessenta e oito, deu-se um dos momentos da noite. Ronaldo rematou com um lindo pontapé de bicicleta. Por seu lado, o guarda-redes Moris resolveu agigantar-se e defender aquela. Um remate espetacular que obrigou a uma defesa espetacular.

 

Imagens posteriores mostraram um Ronaldo desiludido com este falhanço. Também mostraram André Silva ajudando-o a levantar-se, os outros colegas consolando-o, e isto é um dos motivos pelos quais adoro a Seleção. Ao mesmo tempo, nas bancadas, festejámos e cantámos o nome dele (dá para ouvir no vídeo) como se a bola tivesse entrado.

 

Ou se calhar foi a nossa forma de consolá-lo.

 

Em todo o caso, no minuto seguinte, na cobrança do pontapé de canto resultante da defesa, novo destaque. João Palhinha saltou, elevando-se sobre os demais, e marcou de cabeça. Na bancada pensámos que tinha sido Ronaldo a marcar, até pelo festejo, gritámos “SIIIM!” e tudo… só depois vimos que um dos Marmanjos que foi abraçar o marcador usava a camisola 7. Estive uns bons cinco minutos a rir-me da lata do Palhinha. Não há respeito pelo Capitão… 

 

Eu adoro-os. 

 

A cinco minutos do fim, Ronaldo chegou finalmente ao hat-trick. Grande trabalho de Rúben Neves também, que gosta muito de fazer estes passes à distância, quase teleguiados. Ronaldo só teve de desviar de cabeça.

 

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Estava feito o resultado. Cinco a zero. Não tem sido muito habitual a Seleção marcar tanto nos últimos anos – o mais recente fora perante a Andorra, no ano passado. É certo que o Luxemburgo não deixa de ser uma seleção de microestado e houve demérito da parte deles neste jogo, mas a verdade é que não lhe ganhávamos por tanto há dez anos.

 

E o resultado podia ter sido ainda mais volumoso. Continuamos com um problema de eficácia, o que noutras circunstâncias poderia tramar-nos. No entanto, falando por mim e exclusivamente sobre esta noite… eu não podia ter pedido mais. 

 

Foi a maneira perfeita de regressar aos jogos da Seleção, depois de tanto tempo de ausência e de tudo o que aconteceu entretanto. Uma das noites mais felizes deste ano. Cheguei a desejar que o jogo nunca acabasse. Mesmo quando acabou, não pude demorar muito, mas soube-me bem caminhar entre outros adeptos, de bandeira ao ombro, bebendo as últimas gotas daquele ambiente fantástico. Fiz toda a minha viagem de regresso a sorrir e a minha garganta demorou dois dias a recuperar. 

 

Tinha regressado a casa. Deve ser por isso que A Minha Casinha é a verdadeira música da Seleção, por muito que a FPF tente impor-nos outras músicas. 

 

Estes jogos reforçaram a esperança que senti no final da jornada do mês passado. Sim, estamos a falar apenas do Catar e do Luxemburgo, não são equipas de renome. Mas foi a segunda vez que os defrontámos este ano e houveram claras melhorias de um encontro para o outro. Fomos mais consistentes, marcámos mais golos e deixámos de sofrê-los – interrompendo uma tendência que se vinha a arrastar. Temos os play-offs garantidos, bastando-nos quatro pontos para carimbarmos o passaporte para o Catar.

 

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Por isso sim, mantenho o benefício da dúvida em relação a Fernando Santos. Por enquanto. Na próxima jornada os testes serão mais difíceis… mas falaremos sobre isso na altura.

 

Obrigada pela vossa visita, como sempre. Soube bem escrever esta. Daqui a menos de um mês haverá mais. Até lá, não deixem de visitar a página de Facebook deste blogue. 

Não pode ser sempre assim?

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No passado dia 1 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere irlandesa por duas bolas contra uma. Três dias mais tarde, venceu a sua congénere catari por três bolas contra uma. Três dias depois desse jogo, venceu a sua congénere azeri por três bolas sem resposta. O primeiro e o último jogo contaram para a Qualificação para o Mundial 2022. O outro foi apenas um particular. 

 

Esta foi uma jornada tripla estranha, pelo menos para mim. Como tinha referido no texto anteriorestava menos entusiasmada que o costume. O jogo com a Irlanda e o jogo com o Catar não ajudaram nesse sentido. O terceiro foi melhor… mas deixou-me numa posição confusa. 

 

Hei de explicar melhor já a seguir. 

 

Uma coisa de cada vez. Longe de me animar, a exibição dos portugas perante a República da Irlanda apenas piorou o meu estado de espírito. Começando pelo penálti desperdiçado.

 

Para ser justa, não me surpreendeu que Cristiano Ronaldo tivesse falhado. Primeiro, o penálti demorou imenso tempo a ser validado. A UEFA (ou terá sido a FIFA?) finalmente ganhou juízo e introduziu o vídeo-árbitro nos jogos de Qualificação. No entanto, nestas circunstâncias torna-se contraproducente: a demora aumenta os nervos. 

 

VAR. Sabotando-nos, quer estando lá quer não. 

 

 

Os irlandeses também não ajudaram, com as suas picardias a Ronaldo durante a espera. Ele que, apesar de quase duas décadas nestas andanças, no que toca a resistência a provocações, é apenas pouco melhor que Sérgio Conceição e os seus filhos. 

 

Aliás, tanto Ronaldo como o irlandês Dara O’Shea podiam ter visto cartões, se o árbitro não estivesse distraído. O primeiro ajustava a bola na marca de grande penalidade, o segundo pontapeou a bola, Ronaldo respondeu com uma palmada leve no braço do outro. 

 

Uma cena saída de um recreio da Primária. 

 

Juntando-se a isto, estava toda a gente a suster a respiração para o “momento histórico” em que Ronaldo quebraria o recorde de Ali Dalei. 

 

É claro que ia correr mal. 

 

O momento histórico acabou por ir para Gavin Bazunu, o guarda-redes irlandês de apenas dezanove anos. O miúdo tinha cinco meses de idade quando Ronaldo subiu aos séniores!

 

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Acho que o penálti falhado afetou os portugueses durante a maior parte do jogo. E como quem não marca sofre, após termos falhado mais um par de tentativas, os irlandeses inauguraram o marcador em cima do intervalo. 

 

Eu tinha vindo para este jogo com pouco entusiasmo e mesmo assim estava a apanhar uma desilusão. Com o devido respeito pelos irlandeses, como é que estávamos a perder com o último classificado do grupo?!

 

A coisa acabou por se resolver literalmente nos últimos cinco minutos da partida. Com um Ronaldo Ex Machina, como em muitas outras ocasiões. Ambos os golos foram marcados de cabeça. O primeiro teve assistência de Gonçalo Guedes, o segundo de João Mário.

 

Nesta altura estava demasiado desiludida ainda para celebrar os golos como deve ser. No entanto, já aí reconhecia que as bancadas do Estádio do Algarve merecera aqueles golos. Fora o regresso do público aos jogos da Seleção e este fez-se ouvir durante o jogo todo – mesmo com um jogo medíocre durante oitenta e oito minutos. Seria demasiado ingrato levarem com uma derrota. 

 

Adoro em particular os festejos do segundo golo. Ronaldo tirou a camisola  –  o que, pelo menos a mim, recordou-me o seu segundo golo com as Quinas, no Euro 2004. Acabaria por ver o amarelo e ser excluído do jogo seguinte, mas acho que ninguém se importou. 

 

Momento engraçado quando os Marmanjos foram para junto do público e um dos stewards foi apanhado nos abraços. Terá mesmo havido contacto entre os jogadores e elementos da audiência, o que não é aconselhável em tempos de pandemia. Mas sinceramente? Não tenho alma para criticar. Estivemos muito tempo sem ir aos jogos, queremos este calor humano.

 

 

Além disso, os envolvidos estarão quase de certeza todos vacinados.

 

Depois do jogo ninguém se calava com o recorde quebrado por Cristiano Ronaldo. Não que não fosse merecido – são cento e onze golos! Acho que não é a primeira vez que escrevi isto aqui no blogue, tanta Ronaldomania às vezes enjoa mas, se formos olhar os factos… ele merece. Ele merece todos os elogios! Veja-se por exemplo esta infografia da SportTV. Vejam-se os recordes que o homem quebrou! 

 

Quer-me parecer que as gerações futuras, que nunca verão Ronaldo jogar, não vão acreditar que ele existiu mesmo.

 

Dito isto, irritou-me que, entre os louvores a Ronaldo, muitos tivessem esquecido tão depressa que foram os primeiros oitenta e oito minutos do jogo. Sim, os jogadores não deram o jogo como perdido, deram a volta ao resultado, persistência, garra, inconformismo, outras palavras bonitas. No entanto… era o último classificado do grupo! Dar a volta a um resultado desfavorável perante a uma equipa como esta (com o devido respeito pelos irlandeses) não é um grande feito, é uma obrigação. 

 

Acabou por ser mais ou menos como eu previra no texto anterior: exibições fraquinhas, mas suficientes para conseguir os resultados. Não satisfazia, mas sempre era um passo em frente.

 

Havemos de regressar a isto.

 

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Não tenho muito a dizer sobre o jogo do Catar – em parte porque não lhe prestei grande atenção. Para além da mesma falta de entusiasmo, tinha estado a conduzir durante cerca de duas horas nessa tarde e ficara exausta. 

 

E uma vez mais, o jogo em si não me animou por aí além. 

 

Não que estivesse à espera que o fizesse. Era apenas um particular, com um onze bem diferente do habitual. O Ronaldo já tinha deixado a Seleção e tudo. Ninguém esperava uma festa do futebol.

 

Em todo o caso, o Catar até entrou no jogo por cima, mas foi Portugal a inaugurar o marcador –  com dois golos de seguida! O primeiro foi de André Silva, após assistência de João Mário. O segundo foi mais especial, na minha opinião. Assistência de Gonçalo Guedes (está num bom momento, o Marmanjo) e o estreante Otávio deu um salto à Ronaldo e marcou de cabeça. Fico feliz por ele, que estava tão orgulhoso pela sua Convocatória.

 

Quando os cataris se viram reduzidos a dez, em cima do intervalo, pensei que teríamos a vida facilitada na segunda parte. Não foi bem assim. Os cataris, aliás, conseguiram reduzir a desvantagem na sequência de um canto, acentuando o problema recorrente dos múltiplos golos sofridos nos últimos tempos. (Para sermos justos, o jogo com a Alemanha terá desequilibrado ligeiramente essa estatística.)

 

Lá surgiu um penálti a nosso favor e Bruno Fernandes foi chamado a converter. O Marmanjo tinha de aproveitar, coitado – agora que tem Ronaldo como companheiro de clube, não terá muitas oportunidades. 

 

Para este caso, Bruno pode ao menos gabar-se de não ter falhado, ao contrário do Capitão. Mas também, a pressão era bem menor.

 

 

Enfim, foi um particular aceitável, ainda que eu desejasse mais golos.

 

No dia do jogo com o Azerbaijão estava de melhor humor – isto apesar de, de início, parecer que o universo estava a conspirar contra mim. O jogo foi às cinco da tarde. Eu tentei trocar para sair às quatro, mas surgiu um imprevisto e tive de sair às cinco à mesma. Não não, nem isso porque apareceram pessoas em cima das cinco, obrigando-me a sair uns dez minutos depois da hora.

 

É sempre assim.

 

O que vale é que eu até gosto de ouvir o relato da rádio de vez em quando. Foi através dele que soube dos golos. O primeiro foi espetacular: uma grande assistência de Bruno Fernandes para Bernardo Silva, que conseguiu enfiar a bola num ângulo dificílimo. 

 

O segundo golo foi menos artístico, mas resultou de uma boa jogada envolvendo João Cancelo, Bruno Fernandes, Diogo Jota, com André Silva a concluir. A cada golo, não resisti a buzinar um bocadinho.

 

Mais do que os golos até, aquilo que me deixava feliz eram os testemunhos que garantiam que a Seleção não jogava tão bem há muito tempo – desde o jogo com a França em Paris no ano passado, pelo menos. Eu pude vê-lo por mim mesma, quando cheguei finalmente a casa. 

 

 

Por outro lado, também vi algumas falhas defensivas que podiam ter custado caro. Contei pelo menos duas fífias de Nuno Mendes, mas não digo que ele tenha sido o único a falhar. Valeu-nos o facto de os azeris não terem sido capazes de aproveitar estas oportunidades. Em todo o caso, esta é uma possível explicação para os golos que temos sofrido.

 

Pelo meio, na segunda parte, Diogo Jota marcou o nosso terceiro golo, de cabeça, após assistência de João Cancelo. 

 

Uma palavra para os adeptos que invadiram o relvado, para tirarem fotografias com Bruno Fernandes. Hoje em dia estes momentos já não aparecem na televisão – por instruções das autoridades do futebol, para não encorajarem estes comportamentos. Pelos vistos a realização deste jogo não recebeu o recado. É sempre bom ver os nossos jogadores – não apenas o Ronaldo  – sendo acarinhados.

 

Foram três golos, podiam ter sido mais. No final do jogo lamentámos não ter ganho por mais, por causa das contas do Apuramento. No entanto, mais tarde naquele dia, a Sérvia empatou com a Irlanda, deixando-nos isolados no primeiro lugar do grupo. A Qualificação continua a correr bem, melhor que as anteriores.

 

E agora, como bónus, tivemos uma boa exibição. É certo que estamos a falar de azeris, não de italianos, nem mesmo de sérvios. Mas já tínhamos jogado contra o Azerbaijão este ano e foi uma tristeza. De igual modo, tivemos jogos com equipas de nível semelhante ou pouco melhor – Luxemburgo, Irlanda – e jogámos pior. 

 

Neste momento, estou numa posição estranha. Durante o jogo com a Irlanda, antes dos últimos cinco minutos, tive flashbacks do jogo com a Albânia há sete anos (!) e estava já com os lencinhos brancos a postos. Acho mesmo que, se não fosse o Ronaldo Ex-Machina, estaríamos hoje pelo menos a discutir essa possibilidade. Seria um escândalo demasiado grande perdemos perante o último classificado do nosso grupo, pouco tempo após um Europeu que deixou muito a desejar

 

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Quando o resultado virou, guardei os lencinhos, mas continuava insatisfeita. Pensava que iríamos ficar presos num ciclo vicioso de exibições fracas, de serviços mínimos. Conseguiríamos Qualificações, mas a estas seguir-se-iam participações tristes em fases finais: não suficientemente más para quase toda a gente querer chicotada psicológica, mas claramente aquém daquilo que somos capazes.

 

No entanto, perante o Azerbaijão ganhámos e jogámos bem. E agora estou com esperança? Afinal de contas, Fernando Santos consegue pôr a equipa a jogar. Porque não podemos jogar sempre assim (ou, vá lá, quase sempre)?

 

Vocês sabem que não sei o suficiente para opinar sobre estas matérias. Prefiro guiar-me pelo parecer de especialistas. Daquilo que tenho lido e ouvido, temos bons jogadores, mas nem sempre conseguimos encaixá-los uns com os outros. E poderá ser necessário deixar algum génio no banco. 

 

Numa discussão num vídeo de António Tadeia, por exemplo, comentou-se que o melhor onze para a Seleção neste momento será o que jogou perante o Azerbaijão, com Ronaldo no lugar de Diogo Jota. Ou seja, mandaríamos um dos melhores marcadores da Seleção no pós hiato da pandemia para o banco. 

 

E ainda temos de pensar em nomes como Renato Sanches, Pote, João Félix, que também têm de entrar nestas contas. E claro, gerir lesões e momentos de forma, adversários diferentes, etc.

 

É difícil ser-se Selecionador. Quem diria, hem?

 

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Em todo o caso, acho legítimo darmos o benefício da dúvida a Fernando Santos. Por muitos defeitos que tenhamos a apontar-lhe no passado recente, ele continua a ser o único Selecionador que nos ganhou títulos. A parte boa de os próximos jogos serem de dificuldade média-baixa, e de estarmos isolados no primeiro grupo, é que permitirá a Fernando Santos praticar estas táticas novas. Pelo menos era o que eu faria.

 

Saio assim deste compromisso da Seleção um pouco mais animada e otimista do que estava no início dele. Uma parte de mim continua receosa de que voltemos às exibições pastosas nos próximos jogos. Mas, lá está, a esperança é a última a morrer e quem sabe? Talvez isto seja um início. Talvez seja agora que aprendamos, finalmente, a usar da melhor forma os trunfos de que dispomos.

 

Vamos ver. A Seleção reúne-se de novo daqui a algumas semanas. Ainda não sei se escreverei uma crónica pré-jogos: os adversários são o Luxemburgo e o Catar, com quem jogámos recentemente, não devo ter muito a dizer. 

 

Em todo o caso, continuarei a cobrir as aventuras e desventuras da Seleção na página de Facebook deste blogue. Deem uma espreitadela. Para já, como sempre, obrigada pela vossa visita. Voltamos a falar em breve.