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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Portugal 1 Holanda 0 – Quebrando mais algumas maldições

-la-nations-league-al-portogallo-hin1.jpgNo passado domingo, dia 9 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere holandesa por uma bola sem resposta, em jogo a contar para a final da Liga das Nações, no Estádio do Dragão, no Porto… e eu estive lá! A Seleção Nacional tornou-se, deste modo, a primeira a levantar o troféu da Liga das Nações.

 

Sem mais nem menos, quase sem darmos por ela, ganhámos o nosso segundo título em seleções A. Apenas o nosso segundo título de sempre e apenas três anos após ganharmos o primeiro.

 

Aviso desde já, este texto focar-se-á mais na minha experiência indo para o Porto, vendo o jogo e celebrando a vitória depois do que o jogo em si.

 

Eu e a minha irmã fomos de comboio até à Invicta durante a tarde de domingo. O nosso hotel – que era mais uma espécie de Airbnb do que propriamente um hotel – ficava perto da estação de São Bento. Deu para ver desde o início que a cidade estava convertida num estádio: em todo o lado, pessoas equipadas não só com as cores de Portugal mas também da Holanda e da Inglaterra. Mal saímos em São Bento, aliás, vimos um grupo de adeptos ingleses em cânticos – talvez celebrando a vitória perante a Suíça, no jogo pelo terceiro lugar.

 

Era um ambiente agradável: futebolístico, mas sem a tensão associada a adeptos mais fanáticos. É uma das melhores partes de organizarmos um campeonato de seleções.

 

Infelizmente, eu e a minha irmã saímos para o Estádio um bocadinho tarde demais. Tínhamos pensado apanhar um autocarro na Praça da Liberdade, perto dos Aliados. No entanto, depois de uns dez, quinze minutos à espera – juntamente com uns quantos adeptos ingleses, também tentando chegar ao Dragão – disseram-nos que, como várias ruas estavam cortadas ao trânsito, a circulação dos autocarros estaria condicionada. O melhor seria apanharmos o Metro.

 

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Esta devia ter sido a nossa primeira opção (erro de amadoras…) e, agora, já eram sete da tarde. Vimos no Google Maps que o trajeto mais rápido seria através da estação do Bolhão, a uns dez minutos a pé. Umas raparigas inglesas, ainda mais desorientadas do que nós, pediram-nos para nos acompanharem e lá fomos, em passo acelerado. No Metro do Bolhão, estavam filas consideráveis nas bilheteiras, mas os funcionários junto às máquinas, ajudando os adeptos estrangeiros, aceleraram bastante o processo. Nem sequer tivemos de esperar muito pelo Metro, depois de comprarmos os bilhetes.

 

Ainda assim, chegámos ao Estádio do Dragão em cima da hora. Até esse momento, o atraso era exclusivamente nossa culpa. O que aconteceu a seguir não foi.

 

Os bilhetes foram comprados vários meses antes da fase final, através do site da UEFA. Para ter acesso aos mesmos, no entanto, tive de sacar uma aplicação especial para o efeito e preencher os meus dados pessoais para associar ao bilhete. Tinha a opção de ficar com os dois bilhetes, mas achei por bem transferir o segundo para a minha irmã, caso nos separássemos no caminho para o Estádio, por um motivo qualquer – e ela teve também de preencher com os seus dados.

 

Isto foi tudo muito bonito até chegarmos ao Dragão. Haviam dois checkpoints onde tínhamos de mostrar os bilhetes. No primeiro não houve problemas. No segundo, a minha irmã não conseguiu entrar. Pelo que eu percebi (posso estar errada), no caminho entre o primeiro e o segundo checkpoint, os dados do bilhete dela desapareceram. Enquanto esperávamos que se resolvesse a situação, ouvimos o hino do lado de fora (o que em retrospetiva não foi grave, teríamos nova oportunidade para cantá-lo nessa noite) e perdemos os primeiros cinco minutos do jogo.

 

 

Porque é que a UEFA não emitiu os bilhetes em PDF, como noutros sítios? Qual é a vantagem em pôr-se com mariquices tecnológicas que, em pelo menos metade dos casos, complicam em vez de facilitarem?

 

Enfim, fica a minha reclamação.

 

No meio disto tudo, houve tempo, ao menos, para entrar naquilo que me pareceu ser um vídeo de apanhados: um francês qualquer pediu-me para fazer a celebração do Ronaldo, com o “SI!!!!”. Quando a fiz, eles pegaram numa bola e fizeram-me uma cueca.

 

Se por acaso alguém der com o vídeo, publiquem o link nos comentários.

 

Finalmente chegámos aos nossos lugares, já com o jogo em curso. O Estádio do Dragão é lindo – e existe algo especial em ver jogos à luz do dia. 

 

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O ambiente estava fantástico. Ficámos sentadas perto da claque, que passou o jogo todo a cantar, puxando tanto pelo resto do público como pelos Marmanjos.

 

Também ajudava o facto de a Seleção estar a jogar bem – melhor do que eu estava à espera, melhor do que se via há algum tempo. Rúben Dias, por exemplo, teve uma exibição imperial – um adjetivo que costuma estar reservado para Pepe. É sempre uma delícia ver Bernardo Silva conseguindo linhas de passe entre adversários com o dobro do tamanho dele – estou cada vez mais rendida ao miúdo.

 

Por sua vez, Bruno Fernandes estava cheio de ganas. Só na primeira parte fez oito dos doze remates portugueses na primeira parte (como diziam no resumo da RTP, ele “tentou de todo o lado”). A Holanda só rematou uma vez.

 

Um pormenor engraçado: durante a primeira parte, a baliza holandesa estava do lado oposto ao nosso. Quando os portugueses atacavam, conseguíamos ver o público atrás da baliza levantando-se em massa, para o caso de haver golo.

 

Na segunda parte, a superioridade de Portugal transbordou finalmente para o marcador. A jogada do golo começou em Raphael Guerreiro, que fez um belo passe para Bernardo Silva. O miúdo consegue evitar os centrais holandeses, diz que ouviu Guedes a gritar “Bernardo!” nas costas dele. Fez o passe para trás, sem sequer saber ao certo onde estava o Gonçalo. Este, de qualquer forma, apodera-se da bola e não perdoa: dispara sem piedade para as redes holandesas.

 

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Tivemos a sorte, não só de o golo ter sido marcado quando a baliza holandesa estava do nosso lado, mas também de Guedes e o resto da equipa ter vindo festejar para perto da nossa bancada. Guedes tem tido desempenhos inconsistentes na Seleção – por exemplo, desiludiu um pouco durante o Mundial 2018, apesar de ter tido boas exibições em particulares anteriores. Mas já tinha estado bem no jogo com a Suíça, ao assistir para o terceiro golo, e agora deixou a sua marca na História da Seleção, ao lado do eterno Éder.

 

Na última meia hora, a Holanda tentou, naturalmente, anular a vantagem. Foco em “tentou”. Tive algum receio de que, de facto, houvesse empate, mas Portugal defendeu bem o resultado. Meia hora depois do golo, o árbitro apitou três vezes e sagrámo-nos campeões da Liga das Nações.

 

Como seria de esperar, houve festa no Dragão. Como poderão ver nos vídeos, filmei parte dos festejos (peço desculpa desde já se estraguei o segundo vídeo com os meus dotes vocálicos – ou a falta deles). Felizmente a entrega da Taça foi no relvado e não na tribuna, como no Europeu. Conseguimos vê-la nas bancadas.

 

Só não deu para ver a careta de “bitch, please” de Ronaldo.

 

 

Não ficámos por aqui. Pouco depois de sairmos do Estádio, descobrimos que a celebração continuaria nos Aliados, junto à Câmara Municipal. Eu e a minha irmã fomos, claro – ficava de caminho para o nosso hotel e, já que tínhamos vindo até ao Porto, aproveitávamos a festa até ao fim.

 

Uma das melhores partes da noite foi andar pelas ruas da Invicta com uma bandeira (fornecida no Dragão) aos ombros. Se pudesse andaria assim todos os dias – ou, vá lá, quando fosse assistir a jogos da Seleção. A bandeira em si veio para Lisboa, o cabo ficou – não cabia na mala e não dava jeito trazê-lo. Talvez arranje outro…

 

Tal como Cristiano Ronaldo, esta foi a minha primeira vez nos Aliados. Não fiquei desiludida. Veio muita gente mas não houve confusão. Enquanto esperávamos pela Equipa de Todos Nós – e eles ainda demoraram um bocadinho – entretive-me dançando, apesar de odiar metade das músicas. Só as danço mesmo quando o rei faz anos… ou quando a Seleção ganha um troféu.

 

Eles finalmente chegaram e fizeram discursos. Confesso que me senti um bocadinho intrusa quando Cristiano Ronaldo, Fernando Santos e os outros dirigiram as palavras à cidade do Porto. No entanto, também eu estou grata à Invicta. Eles fizeram um ótimo trabalho organizando a Liga das Nações, bem como Guimarães. Mereciam aquela homenagem.

 

E, claro, houve hino. Não podia faltar. Compensou tê-lo perdido na final.

 

 

Em suma, foi uma das melhores noites da minha vida – por ter tido a oportunidade de ver a Seleção ganhar um título ao vivo, por ter podido festejar com eles. Um aspeto curioso: estive tanto no início da nossa jornada na Liga das Nações como na conclusão da mesma.

 

Faz-me pensar noutras ocasiões em que estive assim, com a Seleção. Antes a final do Euro 2004, debaixo de um viaduto perto da Ponte Vasco da Gama, acenando ao autocarro da Seleção. Depois do Mundial 2006, no Jamor, Luiz Felipe Scolari prometendo-nos que um dia celebraríamos uma grande vitória. Depois das meias-finais do Euro 2012, quando fui ao aeroporto para tentar consolar tanto os jogadores como a mim mesma por termos falhado a final. Quatro anos depois, no mesmo aeroporto, desta feita para celebrar o primeiro título, o primeiro final feliz.

 

Começam a ser muitos anos apoiando a Seleção, muitas recordações, tanto boas como más. E ainda nem fiz trinta anos. Tenho uma vida inteira com a Equipa de Todos Nós à minha frente.

 

Se fiquei tão feliz com este troféu como com a conquista do Europeu, há três anos? Com algo semelhante àquele êxtase incrédulo que durou semanas, se não tiver durado meses? Não. Ninguém está.

 

Compreende-se. Esta é a primeira edição da Liga das Nações. Tenho a impressão que há muita gente por aí, cá em Portugal e lá fora, que ainda não percebeu ao certo como isto funciona e/ou não lhe dá importância. É normal. Na primeira edição do Europeu, há quase sessenta anos, países como Inglaterra, Alemanha Ocidental e Itália recusaram-se a participar precisamente por não levarem a prova a sério.

 

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Além disso, o 10 de julho foi a nossa primeira vitória após décadas e décadas de tentativas falhadas. Com a Liga das Nações conseguimos à primeira.

 

Em suma, isto é uma espécie de Taça da Liga para seleções europeias. Não é o mesmo que ganhar um Europeu ou Mundial, mas um título é um título. O prestígio virá com o tempo.

 

Na verdade, a melhor parte desta vitória é o facto de, à semelhança do que aconteceu com Euro 2016 em maior escala, quebrar alguns mitos (cheguei a acreditar um bocadinho nalguns deles). Nestes três anos, tanto cá em Portugal como lá fora, tem havido quem defenda que a conquista do Europeu foi um mero golpe de sorte, Deus Nosso Senhor presenteando Portugal através de Éder, um milagre que não se tornará a repetir.

 

Bem, estavam enganados – ficou provado. Tornámos a vencer uma final europeia. Por muito que isso custe a alguns, somos uma das melhores seleções da Europa, se não formos a melhor – pelo menos quando fazemos as coisas bem. E Fernando Santos contribuiu para isso – por muito que isso custe a alguns, mais uma vez.

 

Ficou também provado que não tem de ser sempre Ronaldo a decidir. Mais, a propósito do meu dilema no texto anterior: é possível conjugar os super-poderes do Capitão com os talentos desta geração mais jovem.

 

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Dito isto, não retiro as críticas que fiz anteriormente a Fernando Santos e à Seleção em geral – sobretudo após os jogos da Qualificação para 2020. Fernando Santos nem sempre acerta – como qualquer ser humano. Mas já fez mais do que qualquer um dos seus antecessores. Merece a nossa confiança e, sobretudo, a nossa gratidão.

 

À semelhança de muita gente, sinto-me fortemente tentada a falar já na renovação do título europeu, daqui a um ano. Afinal de contas, esta Liga das Nações é um campeonato europeu jogado de outra forma. Se já ganhámos ambas as versões… Mas ainda é cedo para pensarmos nisso – até porque começámos o Apuramento com o pé errado e temos de corrigi-lo.

 

Quero concluir deixando um agradecimento à cidade do Porto, a Fernando Santos, aos Marmanjos e a toda a estrutura da Seleção por mais um título, mais uma noite inesquecível. E, claro, às pessoas que têm seguido tanto este blogue como a sua página no Facebook. Tenho tido alturas nos últimos anos em que me sinto menos motivada para este blogue, mas é sempre um prazer escrever sobre vitórias como esta. E, apesar de estar a tentar manter os pés na Terra, quer-me parecer que, a médio/longo prazo, nos esperam mais noites como esta.

 

Mal posso esperar.

 

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Portugal 3 Suíça 1 – Deus Ex Machina

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Na passada quarta-feira, dia 5 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere suíça por três bolas contra uma, em jogo a contar para as meias-finais da Liga das Nações. Portugal garantiu assim a presença na final, onde irá jogar hoje com a Holanda.

 

Deus Nosso Senhor… ou melhor, Cristiano Ronaldo ouviu as minhas preces. Portugal vai à final! Não temos de ir a Guimarães. É um alívio.

 

Fernando Santos surpreendeu ao meter de início João Félix e Bruno Fernandes, bem como Rúben Neves e Nelson Semedo. Parecia mentira. Cheguei a pensar se Fernando Santos estaria a ceder à pressão de alguns comentadores e mesmo da opinião pública em geral. Em teoria, era uma boa ideia. Na prática, era a primeira vez que aqueles jogadores iam jogar na mesma equipa. Não havia garantias.

 

Tentei manter o otimismo mesmo assim. No entanto, a Suíça entrou por cima e em cima se manteve durante uma boa parte do jogo. De uma maneira geral, não achei que a exibição tivesse sido tão má como alguns a têm pintado. Mas, sim, esperava-se melhor tendo em conta as individualidades em campo.

 

Houveram muitas ocasiões em que os suíços fizeram o que quiseram perante a nossa defesa. Dá para ver um bom exemplo disso no resumo abaixo, logo a primeira jogada. Até dói. Valeu Rui Patrício. Os únicos motivos pelos quais, aliás, a Suíça não se adiantou no marcador foram precisamente intervenções à última hora e uma dose generosa de sorte.

 

 

Pelo meio, Ronaldo fez esta maldade.

 

Acabámos por ser nós a abrir o marcador. Não tenho a certeza de que a falta é legítima, mas o livre foi executado na perfeição. O guarda-redes nem se conseguiu mexer.

 

Mesmo em desvantagem, os suíços não tiraram o pé do acelerador. Seferovic, em particular, estava com ganas – teve várias oportunidades, incluindo uma em que rematou contra a trave.

 

Por outro lado, em cima do intervalo, João Félix conseguiu isolar-se em frente à baliza aberta mas o suíço tocou-lhe no ombro, Félix atrapalhou-se e rematou para as nuvens. Gritei tanto com o miúdo nesse lance…

 

O domínio da suíça manteve-se no início da segunda parte mas, mesmo assim, só conseguiram marcar de penálti, em circunstâncias confusas para toda a gente. O jogo parara para consulta no vídeo-árbitro após uma possível falta sobre Bernardo Silva para penálti. Eu distraí-me por um momento com o telemóvel e, quando dei por ela, tinha sido marcado um penálti contra nós, no lance anterior.

 

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Se eu fiquei confusa vendo o jogo em casa, imagino como se terão sentido as pessoas nas bancadas. Mas a verdade é que, no lance anterior, Nélson Semedo cometera falta para penálti, ou seja, tudo o que acontecera a seguir não era válido.

 

Confesso que tenho algumas dúvidas de que o penálti é legítimo – se aquilo é falta para penálti, o lance envolvendo João Félix, no final da primeira parte, também deveria ser – mas a verdade é que o nosso livre convertido a golo fora igualmente questionável. Só não percebo muito bem porque é que o VAR não parou a jogo logo a seguir à falta de Semedo. Acho que faz parte das regras do vídeo-árbitro, eles têm de deixar a jogada prosseguir, mas não entendo a lógica.

 

Ainda estamos todos em adaptação ao VAR.

 

Em todo o caso, Ricardo Rodriguez bateu o penálti. Rui Patrício adivinhou o lado – ou foi Ronaldo a segredar-lho ao ouvido, antes? – mas a bola passou-lhe por baixo do corpo. Estava feito o empate.

 

Os vinte minutos seguintes de jogo foram relativamente equilibrados. Portugal continuava sem conseguir criar grandes oportunidades. Nesta altura, a coisa parecia encaminhar-se para um prolongamento… o que eu não queria de todo. Seria mais meia hora nas pernas dos Marmanjos e poucos dias para recuperar para o jogo de domingo. Além disso, se tivéssemos de ir a penáltis, podia dar para os dois lados – e da última vez a coisa não deu para o nosso.

 

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É nessa altura que, do nada, Cristiano Ronaldo saca dois coelhos da cartola. No primeiro, Rúben Neves fez um daqueles passes típicos dele, de longa distância, Bernardo Silva recebe a bola já na grande área, assiste para Ronaldo, que não perdoa.

 

Poucos minutos mais tarde, Gonçalo Guedes isolou Ronaldo a meio do meio-campo suíço. Quando este chegou à grande área, Guedes ainda lhe pediu a bola. Ronaldo no entanto deve ter pensado algo do género “Esquece, puto, ainda tu usavas fraldas e eu já resolvia jogos”. Ele mesmo se desviou de um par de suíços e rematou certeiro para as redes.

 

E assim se mudou o curso de um jogo em o quê? Cinco minutos? É isto Cristiano Ronaldo: de um momento para o outro decide um jogo. Se isto fosse ficção, uma história, haveria quem acusasse o Capitão de ser um Deus Ex Machina: uma personagem, objeto ou evento que surge do nada, sem quaisquer indícios antes e altera por completo o curso da história – geralmente resolvendo as coisas a favor dos protagonistas.

 

Não foi isso que Ronaldo fez? Mudar o rumo da narrativa quando toda a gente pensava saber como a história ia acabar – ou pelo menos o que aconteceria a seguir?

 

 

Antes de partirmos sobre as reflexões gerais, uma nota para o público no Dragão: proporcionaram um ambiente fantástico que, acredito, contribuiu para a vitória. Consta que estiveram elementos de várias claques a dirigir os cânticos, à semelhança do que aconteceu durante o Euro 2016 (se as claques só servissem para isto…). Destaque para os cânticos de “CRIIIISTIANO RONAAALDO!!”, como no vídeo acima. Houve um momento em que deu para ver o Capitão incapaz de conter o sorriso perante todas aquelas vozes.

 

Mal posso esperar por fazer parte deste ambiente na final.

 

O jogo terminou, assim, com um resultado que, todos concordam, não reflete a diferença de qualidade entre as duas equipas. Nada disto é novo: um jogo em que o coletivo deixou a desejar, com uma exibição entre o fraquinho e o assim-assim, com o Capitão-papá a salvar o couro nacional.

 

Não acho que tenha sido Ronaldo-mais-dez – Rúben Neves, Bernardo Silva e Gonçalo Guedes foram importantes para o segundo e terceiro golos; Pepe, Rúben Dias e William tiveram os seus momentos. No entanto, mantém-se muitos dos problemas que já se tinham manifestado nos jogos da Qualificação. A diferença é que, desta vez, Ronaldo conseguiu resolver.

 

Na Conferência de Imprensa após o jogo, Fernando Santos justificou-se dizendo que tem tido pouquíssimo tempo para trabalhar com os jogadores. É uma “desculpa” já tem barbas em contexto de seleção, mas estará errada? Pelo que tenho lido e ouvido, muitos comentadores parecem saber exatamente como colocar estes talentos a uso. Não digo que estejam errados mas, na prática, será que eles, ou outros treinadores, conseguiriam melhores resultados?

 

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Também tem surgido a questão – não tanto entre os comentadores, mais entre os adeptos – de se Portugal joga melhor com Ronaldo ou sem ele. As exibições durante as fase de grupos da Liga das Nações sem o Capitão foram, de facto, melhorzinhas – o primeiro jogo com a Itália e com a Polónia, pelo menos. Mas, se me permitem simplificar demasiado a coisa e/ou falar de coisas que não entendo a cem por cento, será preferível termos uma equipa sem Ronaldo, com todas as individualidades mais jovens à vontade para mostrarem o que valem? Ou termos uma equipa montada em torno de Ronaldo, em que os mais jovens jogam pior, mas em que o Capitão pode fazer a sua cena e dar-nos vitórias? Não há nenhuma maneira de combinar as duas opções?

 

Enfim. Tudo isto são questões para médio/longo prazo. A curto prazo, temos uma final para disputar, hoje. A nossa terceira final europeia. A segunda final europeia em casa. É certo que não tem o prestígio de um Europeu, mas isso deve-se, em parte, ao facto de ser a primeira edição. E eu vou estar lá!

 

O nosso adversário será a Holanda. Conforme escrevi antes, eu teria apostado na Inglaterra – eles no entanto cometeram erros, em parte devido ao cansaço, que se revelaram fatais. Ainda assim, só vi o prolongamento, mas aqui garantem que a Holanda dominou em praticamente todos os aspetos estatísticos. Temos a nosso favor o histórico, o fator casa, um dia extra de descanso para nos, mais meia hora de jogo para eles. O que não é garantia de nada.

 

Em suma, não vai ser pêra doce. Ou melhor, não vai ser laranja doce.

 

A questão é agora saber se a qualidade exibicional que temos apresentado nos últimos jogos será suficiente perante esta Holanda. Não sei se será – teremos de jogar um bocadinho melhor.

 

Como o costume, vou procurar manter o otimismo apesar das minhas reservas. Afinal de contas, eu também achava que poderíamos não ter qualidade suficiente para vencer a última final em que participámos. Não será o fim do mundo se não conseguirmos ganhar. Mas não é todos os dias que temos a oportunidade de lutar por um título, muito menos em casa. Temos a obrigação de dar o nosso melhor – e acredito que é isso que os Maranjos farão. Por todos nós.

 

Continuem a acompanhar esta aventura na Liga das Nações quer aqui neste blogue quer na página do Facebook

Tanque de tubarões

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Na próxima quarta-feira, dia 5 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol defronta a sua congénere suíça no Estádio do Dragão, em jogo a contar para- a final four da Liga das Nações. Se vencer, disputará a- final no mesmo estádio no próximo domingo, dia 9 de junho. Se perder, disputará o terceiro lugar na prova no mesmo dia, no Estádio Afonso Henriques. Seja qual for o jogo de domingo, eu estarei lá!

 

Este é o quarto ano consecutivo em que Portugal participa numa fase final de um campeonato de seleções. Sabe bem, não haja dúvida. É uma competição curtinha, apenas dois jogos, no entanto. Não difere muito das habituais jornadas de Qualificação desta altura do ano,  na prática.

 

Isto é, se  não tivermos em conta que, nessas jornadas, encontramos equipas como a Rússia ou o Azerbaijão. Nesta fase final temos a Suíça, a Inglaterra e a Holanda. Um nível completamente diferente.

 

Além de que há um troféu que podemos ganhar. E que é uma prova organizada por nós – a primeira desde o Euro 2004.

 

Já tinha referido antes que tenho bilhetes para a Liga das Nações, para mim e para a minha irmã. Temos bilhetes Super Sunday – ou seja, ou para a final ou para o jogo de atribuição do terceiro e quarto lugares, consoante o resultado de Portugal perante a Suíça.

 

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Ora, inteligente como sou, só no outro dia, quando estava a preparar esta crónica é que percebi que o jogo do terceiro lugar será no Estádio Afonso Henriques, em Guimarães. Pensava que ambos os jogos seriam no Dragão! Já tinha marcado a estadia no Porto, para a noite de 9 para 10! Tive um mini-ataque de pânico, confesso. 

 

Na prática, não faria grande diferença se tivesse descoberto mais cedo. Não dá para saber onde jogará a Seleção no domingo até à noite de 5 de junho. Ninguém no seu juízo perfeito iria esperar até essa altura para marcar estadia: a menos que estivessem dispostos a pagar fortunas ou a arriscar não encontrarem sítio onde dormir. Iríamos sempre passar a noite no Porto. O  jogo do terceiro lugar começa às duas da tarde. É preferível ir de Guimarães para o Porto depois desse jogo do que fazer o percurso inverso depois da final – que, se tiver prolongamento e penáltis, poderá terminar perto das onze da noite.

 

A única coisa que faria de diferente, se tivesse sabido antes, seria pôr a hipótese de marcar estadia para a noite de 8 para 9 – mesmo assim, não dava jeito à minha irmã passar duas noites fora.

 

Dará para gerir se formos ao jogo do terceiro lugar. Teremos de levar o carro (em vez de irmos de comboio ou autocarro), pois não teremos tempo de deixar a(s) mala(s) no hotel, no Porto. Se saírmos cedo de Lisboa, temos tempo para chegar a Guimarães.

 

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Será muito mais fácil, no entanto, se Portugal for à final. O jogo será só ao fim da tarde. Poderemos ir tranquilamente de autocarro ou de comboio de manhã. À tarde, haverá tempo para, talvez, dar uma volta pela cidade ou para descansar antes do jogo. E, confesso, gostava um bocadinho mais de ir ao Dragão do que ao Afonso Henriques. 

 

É por isso que espero que a Seleção se Qualifique para a final: dá-me mais jeito. E também porque, indo à final, podemos lutar pelo título, apenas o segundo da nossa História, blá blá blá, aspetos secundários.

 

Fernando Santos anunciou os Convocados para esta prova na semana passada. A Lista não difere radicalmente da anterior. André Silva ficou de fora pois, segundo consta, tem andado lesionado. Não há muito mais a dizer.

 

Como já aconteceu algumas vezes antes, estes primeiros dias da preparação decorreram em regime aberto, como nos clubes. Só hoje (domingo) começa a concentração a sério, em Espinho. Tenho pena que Cristiano Ronaldo não tenha participado na final da Liga dos Campeões, após três seguidas, mas, aqui entre nós que ninguém nos ouve, estou um bocadinho aliviada. Imaginem! Jogar a final da Liga dos Campeões num sábado e, na quarta-feira seguinte, jogar uma meia-final, também de nível europeu? E uma final ou jogo de terceiro lugar no domingo seguinte?

 

O mais certo era Ronaldo pedir para ficar de fora. Eu não o censuraria – ele já vai a caminho dos 35 (!!!!). Além disso, nem sequer participou na fase de grupos. Poderia haver quem o considerasse justo.

 

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Nesse aspeto, os nossos amigos ingleses estão tramados, já que sete dos seus Convocados jogaram a final da Liga dos Campeões. Mas com o mal dos nossos adversários posso eu bem – e não acho que seja garantia de facilidades. Mais sobre isso adiante.

 

Aliás, sendo esta uma fase final com apenas quatro participantes, não é de todo razoável esperar facilidades, de maneira nenhuma. Dito isto, acho que tivemos um bocadinho de sorte ao apanharmos a Suíça das meias-finais – só mesmo porque disputámos a Qualificação anterior com eles, logo, conhecêmo-los relativamente bem. Ainda assim, a Suíça é uma das duas únicas equipas que nos venceram em jogos oficiais no mandado de Fernando Santos. É certo que conseguimos vencê-los quando os enfrentámos em casa… mas mesmo assim.

 

Na Liga das nações, os suíços ficaram no grupo com a Bélgica. Conseguiram o apuramento no último jogo da fase de grupos, precisamente perante os belgas: estiveram a perder por 2-0, mas viraram o resultado para 5-2. Haris Seferovic, do Benfica, assinou um hat-trick. Não vai dar para brincar perante eles.

 

Já agora, aproveitamos a boleia e falamos já da Inglaterra e da Holanda. Afinal de contas, iremos enfrentar um deles no jogo de domingo, mais vale.

 

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A Holanda é teoricamente nossa freguesa, como dizia Luiz Felipe Scolari. Na prática, da última vez que nos cruzámos com eles, num particular, a coisa coisa não correu bem para o nosso lado. Apesar de terem falhado tanto o Euro 2016 como o Mundial 2018, os holandeses têm estado em ascensão no último ano. Partilharam o grupo da Liga das Nações com a França e a Alemanha e sobreviveram. Venceram a França por 2-0 na penúltima jornada. Aos 84 minutos do último jogo estavam a perder por 2-0 com a Alemanha. No entanto, conseguiram empatar, Qualificando-se para a fase final à frente dos nossos amigos franceses.

 

Nada mau, tendo em conta o seu histórico nos anos anteriores.

 

Por fim, vale a pena recordar que quatro dos seus Convocados jogam no Ajax, a equipa sensação desta época na Liga dos Campeões.

 

Por sua vez, os ingleses são, a meu ver, os grandes favoritos a vencer esta competição. São igualmente uma equipa em rumo ascendente, jovem e talentosa. Ficaram em quarto no Mundial 2018 e qualificaram-se para esta final four num grupo que incluiu a Espanha e a Croácia. O facto de a Premier League ter tido quatro equipas nas finais europeias de clubes – e de sete dos seus Convocados terem sido finalistas da Liga dos Campeões, como referi acima – é um bom indicador da qualidade do futebol inglês.

 

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Em suma, temos adversários de qualidade, que para cá chegarem deixaram pelo caminho os três primeiros classificados no Mundial 2018. Na comparação, nós deixámos pelo caminho “só” a Itália, que já viu melhores dias, e a Polónia que, com o devido respeito, não é propriamente um dos grandes da Europa.

 

Não tenham ilusões, nós não somos favoritos. A única coisa que temos a nosso favor é o facto de sermos Campeões Europeus (há quase três anos… muita água já correu entretanto) e de jogarmos em casa. Vamos estar a nadar num tanque de tubarões (isto não era o nome de um reality show qualquer?). Apenas três, mas não deixam de ser perigosos.

 

Devo dizer que podia estar mais confiante. Como se o calibre dos nossos adversários não fosse suficiente para nos intimidar, não me esqueci do que aconteceu nos nossos últimos dois jogos. Estou com um bocadinho de medo que façamos exibições fraquinhas outra vez, que Fernando Santos se ponha a inventar, que as estratégias se centrem demasiado em Cristiano Ronaldo e prejudiquem os outros Marmanjos. Sei que temos jogadores de qualidade suficiente para lutarmos pelo título – mas tenho medo que essa qualidade não venha ao de cima.

 

Pode ser que até venha. Pode ser que, de uma maneira tipicamente nossa, nos superemos perante o calibre destes adversários e o contexto de mata-mata. Quem sabe? Ainda somos Campeões Europeus. E vamos jogar em casa – da última vez que organizámos uma fase final europeia, a coisa não correu mal.

 

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Apesar da minha pouca confiança, não deixo de acreditar. Não enquanto for possível. Espero que consigamos, pelo menos, ir à final. E vou querer desfrutar – não é todos os dias que vemos a nossa Seleção jogar contra os grandes da Europa. Ao vivo, no meu caso.

 

Acompanhem comigo o nosso percurso neste mini-tanque de tubarões tanto neste blogue como na página do Facebook.

Um problema com inícios

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No passado dia 22 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou sem golos com a sua congénere ucraniana. Eu estive lá. Três dias depois, empatou a uma bola com a sua congénere sérvia. Ambos os jogos tiveram lugar no Estádio da Luz e ambos contaram para a Qualificação para o Europeu de 2020. Ou seja, em seis pontos possíveis, a Seleção Nacional conseguiu dois.

 

Estes Marmanjos dão cabo de mim.

 

Conforme expliquei no texto anterior, fui ver o jogo com a Ucrânia à Luz, com os meus pais e a minha irmã. O problema de ir ao futebol com várias pessoas, sobretudo os meus pais, é ser difícil resolvermos todos os compromissos a tempo de sairmos para o Estádio a horas. Também não ajuda o facto de, hoje em dia, ser raríssimo termos jogos da Seleção ao sábado ou ao domingo.

 

Este jogo, infelizmente, não foi exceção. A Federação e o próprio Fernando Santos tinham apelado ao público para que chegasse antes das sete e meia. Não deu. Se houve alguma cena especial a acontecer no estádio a essa hora, nós não vimos.

 

Outra coisa que não ajudou foi o facto de ser sempre difícil entrar naquele estádio. A minha irmã queixa-se disso de todas as vezes que vamos à Luz. Eu costumo dar-lhe um desconto porque ela é sportinguista, mas começo a achar que tem razão.

 

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O estádio é enorme, tem uma data de portas, e no entanto, só se consegue aceder ao perímetro por três ou quatro sítios. Nós costumamos entrar pelo túnel à frente do Colombo, onde há sempre engarrafamentos. O Estádio de Alvalade é mais pequeno e só tem quatro portas, mas é mais fácil entrar no perímetro, pelo norte, ou pelo sul.

 

O problema do Estádio da Luz foi ter sido construído demasiado em cima da Segunda Circular, na minha opinião. Acho que não dava para ser de outra maneira.

 

Só conseguimos chegar à nossa bancada, no terceiro anel, quando já soava “A Portuguesa”. “Cantei” o hino enquanto tentava recuperar o fôlego e não cair para o lado, depois de ter subido não sei quantos lanços de escadas a correr.

 

Valeu pelo exercício.

 

Este foi um daqueles jogos em que o adversário se mete à defesa, a Seleção ataca, ataca, mas não consegue concretizar. Ambos os jogos da dupla jornada foram assim, na verdade, mas neste nem sequer conseguimos criar muitas ocasiões. Ainda assim, Pepe fez um belo remate aos quinze minutos, que infelizmente foi defendido pelo guarda-redes, Pyatov.

 

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William Carvalho conseguiu mesmo enfiar a bola na baliza aos dezasseis minutos, após assistência de Rúben Neves. Nós, na bancada, ainda festejamos durante um minuto ou dois antes de repararmos que o marcador não se mexera. O O golo fora anulado por fora-de-jogo.

 

Consta que o William pediu vídeo-árbitro, esquecendo-se que este não estava implementado no Apuramento (mais sobre isso adiante). Não que fosse servir de alguma coisa – acho que ele estava mesmo adiantado.

 

O jogo e talvez mesmo toda a jornada dupla poderiam ter decorrido de maneira muito diferente se o golo fosse válido. Mas não foi. Limitou-se a ser o único festejo a que tivemos direito nessa noite.

 

Ainda houve tempo na primeira parte para Cristiano Ronaldo rematar, em cima dos vinte e cinco minutos. Mais uma vez, Pyatov defendeu.

 

A segunda parte foi melhorzita. Como a baliza da Ucrânia ficava do nosso lado, deu para ver a ação quase toda.

 

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Não que tenha sido particularmente excitante. Portugal instalou-se no meio campo ucraniano, fartava-se de cruzar para a grande área – João Cancelo, em particular – de marcar cantos, não serviu de nada. O meu pai a certa altura comentou que nem Camões fez tantos cantos n’Os Lusíadas.  

 

Há que dizer que um dos principais culpados foi Pyatov. De todas as vezes que os portugas conseguiam boas oportunidades, ele estava lá. Defendeu duas de André Silva e, mais tarde, uma de Dyego Sousa.  

 

Uma chatice quando os guarda-redes fazem o seu trabalho.

 

As coisas animaram quando Rafa e Dyego Sousa entraram em campo. O primeiro deu velocidade ao jogo e o segundo teve um par de oportunidades. Mas já não foram a tempo.

 

No meio disto tudo, os ucranianos conseguiram uma ocasião de perigo para a nossa baliza, perto do fim do jogo. Todos nós tivemos um mini-ataque cardíaco quando vimos Rui Patrício defender para a frente. Graças a Deus, a bola foi parar às nuvens. Na altura, na nossa bancada, pensámos que tivesse sido aselhice de Júnior Moraes – só mais tarde é que soubemos que fora intervenção de Rúben Dias.

 

Espero que tenham dado uns quantos high-fives ao miúdo. Se aquela tivesse entrado…

 

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O resultado manteve-se nulo até ao fim. Não nego que saí da Luz um bocadinho chateada. Não gosto de ir ao futebol e não festejar um golo, pelo menos. E o facto de estarmos a começar outra Qualificação com o pé errado não ajudou.

 

Mesmo assim, soube bem ir ao jogo, ainda por cima com os meus pais que não vinham ao futebol há anos. Desde 2007, no caso do meu pai. Gostávamos de voltar a ir, no jogo contra o Luxemburgo, no Estádio de Alvalade. Foram precisos dois empates de seguida na Luz para a Federação se lembrar que existem outros estádios em Portugal.

 

É possível, no entanto, que eu tenha de trabalhar outra vez. Talvez eles e a minha irmã vão sem mim – será chato, mas eu vou à Liga das Nações. Não me posso queixar.

 

Nesta fase, eu estava desapontada mas não alarmada. A Seleção tem um problema crónico com inícios, está mais do que provado. Tem-se falado de inícios de Qualificações, mas isto também acontece com fases finais, conforme vimos antes (A fase de grupos da Liga das Nações foi a exceção). Não sei se é por sermos incapazes de jogar sem, como diz a minha irmã, sentirmos o rabinho a arder.

 

Ainda assim, fora só um empate, não uma derrota, como nos Apuramentos anteriores. Estava longe de ser grave.

 

Mas depois veio o jogo com a Sérvia.

 

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Conforme referi antes, estive de serviço nesse dia. Como costumo fazer quando trabalho de noite, tomei um café antes de entrar no trabalho. Vejo agora que não foi boa ideia: eu já estava algo nervosa, tanto com o serviço como com o jogo. A dose de cafeína fora do habitual deitou mais achas para a fogueira.

 

Passei, assim, o jogo quase todo numa vertigem de nervos. Arranjar maneira de ver o jogo no telemóvel, interromper para atender utentes e fazer outras coisas do trabalho e todas as atribulações do jogo: começando pelo penálti contra nós e convertido a golo, a lesão de Ronaldo, os muitos – mesmo muitos – remates falhados por parte dos portugas, o episódio ridículo do penálti.

 

E perdi o fantástico golo do Danilo – o nosso único golo nesta dupla jornada – porque fui à casa de banho. Sinceramente…

 

A última meia hora, quinze minutos do jogo foi um festival de oportunidades desperdiçadas, cada uma delas acrescentando dez milímetros de mercúrio à minha tensão arterial. Quando o árbitro apitou três vezes, eu estava assim:

 

 

Admito que sessenta por cento desta reação era a cafeína. Ainda assim há anos que não me sentia tão zangada com a Seleção. Já me acalmei entretanto, mas a desilusão continua.

 

Quer dizer, como é que isto é possível? Este tipo de coisas era de esperar há cinco, seis anos, não nesta altura! Somos Campeões Europeus, temos um plantel cheio de individualidades que dão cartas lá fora. Como é que deixamos quatro pontos voar, numa dupla jornada em casa, na nossa arena talismã?

 

São os adversários mais fortes do grupo, sim, mas, com o devido respeito, estão longe de ser tubarões do futebol europeu. Azar e, no caso do jogo com a Sérvia, má arbitragem não explicam tudo. Dava para mais.

 

Começo a achar que pelo menos algumas das críticas feitas a Fernando Santos ao longo dos anos – algumas ainda durante o Euro 2016 – até fazem sentido: demasiado resultadismo, demasiado pontapé para a frente, ausência de ideias de jogo concretas. Não sou a melhor pessoa para opinar sobre o assunto, mas até eu percebo o suficiente para saber que o que aconteceu nesta dupla jornada não é normal, que temos qualidade para mais. Não serve de nada termos uma mão cheia de trunfos se não sabemos pô-los a uso.

 

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(fonte: Memes da Bola)

 

Agora temos de ganhar todos os jogos que nos faltam no Apuramento. Porque claro que tempos, existe outra maneira de disputarmos Qualificações? Não me interpretem mal, não quero com isto dizer que não acredito que nos apuremos. Já nos conseguimos safar em situações parecidas ou piores. Mal por mal, temos os playoffs garantidos.

 

Mas será um rude golpe no orgulho sermos relegados para a repescagem num grupo como este. Já é suficientemente mau estarmos atrás do Luxemburgo na tabela classificativa, neste momento.

 

Até calha bem o Apuramento ficar em pausa até setembro. Talvez nos ajude a aclarar as ideias – até porque tenho medo que se dê um efeito de bola de neve nos problemas de finalização desta dupla jornada.

 

Havemos de sair de (mais) este buraco. Antes disso temos uma final four para disputar. Há tempo até lá para ultrapassar esta desilusão e começarmos a pensar em ganhar a Liga das Nações.


Acompanhem a contagem decrescente comigo na página de Facebook deste blogue.

O filho pródigo e os estreantes

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Na próxima sexta-feira, dia 22 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol recebe, no Estádio da Luz, a sua congénere ucraniana... e eu vou lá estar! Três dias depois, receberá a sua congénere sérvia, também no Estádio da Luz (mais sobre isso adiante). Ambos os jogos contam para a fase de Qualificação para o Euro 2002, que terá lugar em várias cidades europeias.

 

Fernando Santos anunciou os Convocados para esta dupla jornada na passada sexta-feira e… depois de meses de polémica, o filho pródigo está de volta. Cristiano Ronaldo está de volta.

 

Confesso que é um alívio – o que não vos deverá surpreender se tiverem lido o meu balanço de 2018. Numa entrevista que deu poucos dias antes da Convocatória, Ronaldo voltou a dizer que pediu dispensa da fase de grupos da Liga das Nações para se adaptar à sua nova vida, em Turim. No entanto, confessou também já ter saudades da Seleção. “É a minha casa, e quero ajudar Portugal a qualificar-se para o Europeu”.

 

Agora que ele voltou, em retrospetiva, até parece razoável. Até porque, depois do hat-trick pela Juventus, na semana passada, está toda a gente de boa vontade para com ele, a elogiar a maneira como se tem gerido fisicamente.

 

Continuo a achar que tanto ele como Fernando Santos e a Federação deviam ter sido um bocadinho mais claros durante as últimas jornadas da Seleção. Já se tinha falado da adaptação à Juventus aquando dos jogos de setembro, mas na altura todos pensámos que se referia apenas aos primeiros dois jogos. Na dupla jornada seguinte disse apenas que Ronaldo só voltaria este ano e arrumou o assunto.

 

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Podia-se ter evitado uma boa parte da polémica se Fernando Santos tivesse dito logo, preto no branco:

 

– O Cristiano pediu dispensa de toda a fase de grupos da Liga das Nações para se adaptar à mudança para a Itália. Além disso, ele já não tem vinte anos, as pernas dele já não dão para tanto. Em princípio volta no próximo ano. Ele aproveita para gerir a sua vida, eu aproveito para dar mais espaço e responsabilidade aos colegas. Aqueles miúdos não são capazes de apertar os atacadores das chuteiras sem estarem sempre à procura do Cristiano, para que ele resolva qualquer complicação que surja, quero acabar com essa mania.

 

Também admito culpas da minha parte. Posso ter-me deixado contagiar pela insistência dos jornalistas. Já devia saber que a Comunicação Social está sempre a tentar criar escândalos.

 

Em todo o caso, já faz parte do passado. Só resta saber se o Cristiano virá à fase final da Liga das Nações. Não será grave se ele não vier, mas preferia que ele viesse. Sobretudo porque… tenho bilhetes para a final ou para o jogo do terceiro lugar, consoante o nosso resultado nas meias (mais sobre isso na altura).

 

Para além deste regresso, temos várias estreias interessantes. Uma das mais badaladas é a de João Félix, o jovem fenómeno do Benfica, super talentoso, que já conta doze golos esta época.

 

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Uma das coisas que dá que falar em Félix é do seu aspeto de miúdo cinco anos mais novo. Toda a gente goza com isso, incluindo eu e a minha irmã – isto apesar de também parecermos muito mais novas do que realmente somos (não me estou a queixar, atenção!). As da minha irmã, sobretudo no início, eram muito movidas a azia sportinguista. Algumas são um bocadinho fáceis, do género, “Não são horas de ele ir para a cama? Ele não tem aulas amanhã?”.

 

Uma das mais engraçadas, no entanto, foi uma vez, quando Félix estava caído depois de sofrer uma falta.

 

– Chamem a mamã dele, para lhe soprar no dói-dói.

 

A minha irmã também resmungou, uma vez, que o miúdo provavelmente não se lembra de ver o Doraemon dobrado em castelhano – a cena dele deve ser mais os Super Wings. Eu acrescentaria que ele também não se deve lembrar do Sporting campeão… mas se tivesse dito isso à minha irmã, não teria sobrevivido para ver esta dupla jornada.

 

Agora que penso nisso, Félix também não se deve lembrar do Euro 2004. É um bocadinho triste…

 

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De qualquer forma, até a minha irmã acabou por engolir a azia e se render ao talento de João Félix, como toda a gente. Eu, no entanto, ando com medo que o miúdo se torne no novo Renato Sanches – que as pessoas se deixem levar pelo hype, que Félix seja vendido no final da época, dando um passo maior do que a perna. O Renato só agora é que está a recuperar da sua saída prematura para o Bayern (e, mesmo assim, mais ou menos). Não queria que o mesmo acontecesse com o Félix.

 

Infelizmente, acho pouco provável o Benfica colocar o crescimento do miúdo à frente dos milhões que pode encaixar. Mas a esperança é a última a morrer…

 

Diogo Jota, por sua vez, já anda há uns anos no meu radar, desde os seus tempos no Paços de Ferreira. Eu, aliás, achava que ele seria Convocado mais cedo, mas compreendo porque não foi. Com jogadores jovens, nem sempre é benéfico virem demasiado cedo à Seleção A.

 

Jota representa hoje o Wolverhampton, a equipa mais portuguesa da Premier League. Tem-se saído bem. Houve um momento lindíssimo, há um par de meses, em que Nuno Espírito Santo foi abraçá-lo depois de um golo, como poderão ler aqui. E ainda este fim de semana, Jota marcou um belo golo, contribuindo para a expulsão do Manchester United da Taça de Inglaterra.

 

Houveram vários Convocados a marcar nos jogos do fim de semana passado, aliás. João Félix, Rafa, Diogo Jota, Bernardo Silva… Este último, então, tem deixado toda a gente rendida no Manchester City e, como dá para ver aqui, anda a ser devidamente acarinhado.

 

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É sempre bom ver que os nossos jogadores são bem tratados nos clubes que representam.

 

Tudo isto só prova que Fernando Santos escolheu bem.

 

Antes de passarmos a outro estreante, queria só comentar o “apelido” de Diogo Jota. Eu já desconfiava mais ou menos que não era o seu verdadeiro último nome e confirmei-o agora, com o Google. O seu nome completo é Diogo José Teixeira Silva. Suponho que o “Jota” venha de José.

 

Estou a rir-me porque parece mesmo algo que um miúdo faria ao escolher o seu nome futebolístico ou nickname da Internet, para soar fixe. Eu mesma decidi, quando tinha treze ou catorze anos, que a minha assinatura incluiria a inicial do meu apelido do meio – “Sofia M. Almeida” – e ainda hoje assino desta forma.

 

Pelo menos no caso do Diogo, teve o efeito que ele certamente queria. Sempre achei piada ao nome dele. O facto de a letra “J” ter um dos nome mais giros de todo o alfabeto ajuda.

 

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Consta que a Convocatória de Dyego Sousa foi a mais inesperada e… a mais contestada, embora não tanto por motivos futebolísticos. Confesso que não sabia muito sobre o ponta-de-lança do Sporting de Braga antes de ele aparecer na Lista de Fernando Santos. No entanto, segundo o que tenho lido na Internet, não será uma Escolha assim tão descabida quanto isso.

 

Não sabia, também, que ele era português naturalizado. É o primeiro a vir a Seleção em quase uma década, aliás, agora que penso nisso – desde Liedson, em 2009. Este último, também, só vestiu a Camisola das Quinas durante o quê? Um ano? (Os anos de Carlos Queiroz como Selecionador foram estranhos…)

 

Por outro lado, Pepe, também naturalizado, já está há quase doze anos connosco e eu não podia estar mais grata. Tenho quase a certeza que já o referi antes, mais do que uma vez, aliás, mas Pepe tem mais amor à Camisola das Quinas que muitos portugueses, citando as sábias palavras de Rui Santos, "bacteriologicamente puros". A Seleção deve-lhe muito, incluindo o nosso primeiro título.

 

É por essas e por outras que fico ainda mais zangada em retrospetiva com as palavras de José Mourinho, durante o Mundial 2014. Pepe fez uma idiotice durante o jogo com a Alemanha, conforme se devem recordar, e Mourinho veio dizer que o defesa devia ter tido juízo visto “nem sequer ser português”.

 

Também eu teci críticas duras a Pepe, na altura, pois o seu comportamento nos custou caro, mas nunca traria a sua naturalidade à baila. A Seleção não está a fazer-lhe nenhum favor ao deixar Pepe representar as Quinas. Bem pelo contrário. Não me lembro, aliás, de Mourinho ou outra pessoa qualquer se queixar das origens de Pepe depois dos golos que marcou ou das suas exibições imperiais. Só quando faz asneiras (ele tem o seu histórico, a sua fama, mas está longe de ser o primeiro ou de vir a ser o último a agir como um asno pela Seleção) é que, de repente, a sua condição de naturalizado é um problema.

 

O Mourinho, às vezes, é uma besta.

 

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Outro exemplo de "bestice", este mais recente, foram as já referidas palavras de Rui Santos, que podem ouvir aqui. Eu até concordo que uma das tarefas da Federação é investir no jogador jovem português... mas não é isso que a Federação tem feito, nos últimos anos? Não há uma data de jovens talentos no radar de Fernando Santos? Não temos já alguns desses talentos, como Bernardo Silva e André Silva, praticamente com lugar cativo na Seleção? O Dyego é um jogador naturalizado entre dezenas de Marmanjos não-naturalizados! É o primeiro naturalizado em quase uma década!

 

Além de que falar em portugueses "puros", seja de forma bacteriológica ou não (se uma pessoa se quer armar em besta, ao menos tenha o cuidado de não se enterrar ainda mais com gaffes deste género), roça a xenofobia.

 

Felizmente, Dyego Sousa parece ser feito do mesmo material que Pepe, pelo menos no que toca ao amor à camisola. Consta que Dyego já era adepto da Equipa de Todos Nós. Quando foi Convocado, terão havido lágrimas e chamadas para a família na reação. Agora, está todo contente no seio da Equipa das Quinas e, segundo Rúben Neves, até houve serenata dele, juntamente com João Félix e Diogo Jota (estou muito zangada com os Marmanjos por, aparentemente, nenhum deles ter filmado e partilhado connosco nas redes sociais).

 

Quando é assim, quando se nota que os próprios jogadores estão felizes enquanto representam a Seleção, é tudo muito mais especial. Já ando nisto há muitos anos, mas não me canso disso.

 

Se eu pudesse dar um conselho a Dyego Sousa, dir-lhe-ia para se agarrar a essa alegria e entusiasmo, ao sonho que está a viver. Ele que dê o seu melhor para representar Portugal e que os Rui Santos desta vida se lixem (para não usar um termo mais colorido). Assim que Dyego começar a marcar golos pelas Quinas, ninguém se vai ralar com as suas origens.

 

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Vamos, então, dar início ao Apuramento para o Euro 2020 frente à Ucrânia, no Estádio da Luz. Uma palavra, aliás, para os dois jogos da dupla jornada no mesmo estádio: já é ridículo! A Luz já andava a receber mais jogos da Seleção que qualquer outra arena portuguesa, nos últimos anos. Já foi um bocadinho estranho no ano passado, por exemplo, termos tido dois jogos lá com apenas três meses de intervalo. Agora temos com dois dias!

 

Eu sei que a Luz tem dado sorte às Quinas, mas estamos no início do Apuramento! Ainda se fossem os últimos jogos ou playoffs (que espero não virmos a precisar)... Não se podia ter, pelo menos, atribuído um dos jogos ao Estádio de Alvalade? Este não recebe a Seleção desde 2015 e, ainda no ano passado, teve de abdicar do jogo com a Itália por causa das eleições no Sporting.

 

Além de que existem muitos outros estádios que mereciam mais amor por parte da Seleção: o de Aveiro, o de Coimbra, o do Algarve…

 

Mas regressemos ao jogo de amanhã. Já estou um bocadinho farta da Luz (o que tem piada tendo em conta que nunca lá tinha ido até há quatro anos) mas, desta feita, para além da minha irmã, vêm também os meus pais, que ainda não conhecem o Estádio. Infelizmente, só conseguimos bilhetes para o terceiro anel, mas, lá está, tenho-me fartado de vir à Luz, não me posso queixar. A Federação anda a pedir-nos para estarmos lá às 19h30 – devem querer fazer alguma coisa especial durante o hino – mas acho que vai ser complicado nós os quatro chegarmos a tempo…

 

A Seleção ucraniana é um caso raro na Europa no sentido em que deve ser uma das poucas equipas neste continente com quem jogámos pouquíssimas vezes. Neste caso, só em duas ocasiões, durante a Qualificação para o Mundial 98. Ganhámos em casa, perdemos fora – ou seja, não dá para tirar grandes ilações.

 

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No passado mais recente, os ucranianos falharam a Qualificação para o Mundial 2018, mas saíram-se bem na Liga das Nações. Subiram à Liga A – ou seja, tecnicamente, estão entre os melhores da Europa.

 

É óbvio que nós somos favoritos e que temos a obrigação de ganhar, por todos os motivos e mais alguns. Mas desenganem-se aqueles que esperarem facilidades no jogo de amanhã. Precisaremos de concentração máxima – até porque, nos últimos anos, temos tido o hábito infeliz de tropeçarmos nos primeiros jogos dos Apuramentos.

 

Quanto ao jogo com a Sérvia, ainda não sei se consigo vê-lo. Vou estar de serviço nessa noite. Se não se importam, vou tirar alguns parágrafos para me queixar do meu habitual péssimo timing no que toca à Equipa das Quinas. Só preciso de fazer serviços à noite de três em três meses, mais coisa menos coisa. A Seleção esteve em pausa durante quatro meses, mas um dos jogos tinha de coincidir com a minha noite de serviço.

 

Quer dizer, porque não, não é?

 

Não será assim tão tão dramático, pois talvez seja capaz de acompanhar o jogo na rádio, pelo menos, com algumas interrupções, se necessário. Não é a mesma coisa que ver o jogo no conforto de minha casa, claro, mas apesar de tudo podia ser pior.

 

Com a minha sorte, se algum dia engravidar, aposto que darei à luz durante um jogo da Seleção. O que até pode ser giro, seria uma história engraçada para, mais tarde, contar à criança. Aliás, se for um menino, até poderá receber o nome do Homem do Jogo… se eu gostar desse nome, é claro (não sou grande fã do nome Cristiano, por exemplo).

 

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Ao contrário da Ucrânia, temo-nos cruzado algumas vezes com a Sérvia nos últimos anos. A última ocasião foi durante o Apuramento para o Euro 2016. Felizmente ganhámos os dois jogos. Os sérvios foram ao Mundial, mas ficaram-se pela fase de grupos. Não se saíram mal na Liga das Nações, no entanto – subiram à Liga B. Em princípio estarão ao nosso alcance mas, já se sabe, prognósticos só no fim do jogo.

 

Tenho andado contente, mesmo entusiasmada, com o regresso dos jogos da Seleção após estes meses todos – e acho que o regresso do pródigo e os estreantes contribuíram para isso, pelo menos em parte. Os hiatos de inverno já não me incomodam como incomodavam há uns anos. Talvez porque o tempo passa mais depressa agora que estou mais velha, talvez porque a pausa ajuda a evitar o desgaste que às vezes sinto com este blogue e mesmo com a própria Seleção.

 

Estamos a entrar num novo capítulo, em que temos um título para defender. Confesso que fico um bocadinho nervosa quando falamos disto numa altura tão precoce do campeonato, mas já sabem como sou. Em minha defesa, não acho que exista nada de errado em dar um passo de cada vez, concentrarmo-nos em começar bem a Qualificação para evitar aflições desnecessárias.

 

Eu farei a minha parte amanhã, na Luz. Cabe aos Marmanjos fazerem o resto, mostrarem porque somos Campeões Europeus.

 

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