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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Um problema com inícios

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No passado dia 22 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou sem golos com a sua congénere ucraniana. Eu estive lá. Três dias depois, empatou a uma bola com a sua congénere sérvia. Ambos os jogos tiveram lugar no Estádio da Luz e ambos contaram para a Qualificação para o Europeu de 2020. Ou seja, em seis pontos possíveis, a Seleção Nacional conseguiu dois.

 

Estes Marmanjos dão cabo de mim.

 

Conforme expliquei no texto anterior, fui ver o jogo com a Ucrânia à Luz, com os meus pais e a minha irmã. O problema de ir ao futebol com várias pessoas, sobretudo os meus pais, é ser difícil resolvermos todos os compromissos a tempo de sairmos para o Estádio a horas. Também não ajuda o facto de, hoje em dia, ser raríssimo termos jogos da Seleção ao sábado ou ao domingo.

 

Este jogo, infelizmente, não foi exceção. A Federação e o próprio Fernando Santos tinham apelado ao público para que chegasse antes das sete e meia. Não deu. Se houve alguma cena especial a acontecer no estádio a essa hora, nós não vimos.

 

Outra coisa que não ajudou foi o facto de ser sempre difícil entrar naquele estádio. A minha irmã queixa-se disso de todas as vezes que vamos à Luz. Eu costumo dar-lhe um desconto porque ela é sportinguista, mas começo a achar que tem razão.

 

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O estádio é enorme, tem uma data de portas, e no entanto, só se consegue aceder ao perímetro por três ou quatro sítios. Nós costumamos entrar pelo túnel à frente do Colombo, onde há sempre engarrafamentos. O Estádio de Alvalade é mais pequeno e só tem quatro portas, mas é mais fácil entrar no perímetro, pelo norte, ou pelo sul.

 

O problema do Estádio da Luz foi ter sido construído demasiado em cima da Segunda Circular, na minha opinião. Acho que não dava para ser de outra maneira.

 

Só conseguimos chegar à nossa bancada, no terceiro anel, quando já soava “A Portuguesa”. “Cantei” o hino enquanto tentava recuperar o fôlego e não cair para o lado, depois de ter subido não sei quantos lanços de escadas a correr.

 

Valeu pelo exercício.

 

Este foi um daqueles jogos em que o adversário se mete à defesa, a Seleção ataca, ataca, mas não consegue concretizar. Ambos os jogos da dupla jornada foram assim, na verdade, mas neste nem sequer conseguimos criar muitas ocasiões. Ainda assim, Pepe fez um belo remate aos quinze minutos, que infelizmente foi defendido pelo guarda-redes, Pyatov.

 

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William Carvalho conseguiu mesmo enfiar a bola na baliza aos dezasseis minutos, após assistência de Rúben Neves. Nós, na bancada, ainda festejamos durante um minuto ou dois antes de repararmos que o marcador não se mexera. O O golo fora anulado por fora-de-jogo.

 

Consta que o William pediu vídeo-árbitro, esquecendo-se que este não estava implementado no Apuramento (mais sobre isso adiante). Não que fosse servir de alguma coisa – acho que ele estava mesmo adiantado.

 

O jogo e talvez mesmo toda a jornada dupla poderiam ter decorrido de maneira muito diferente se o golo fosse válido. Mas não foi. Limitou-se a ser o único festejo a que tivemos direito nessa noite.

 

Ainda houve tempo na primeira parte para Cristiano Ronaldo rematar, em cima dos vinte e cinco minutos. Mais uma vez, Pyatov defendeu.

 

A segunda parte foi melhorzita. Como a baliza da Ucrânia ficava do nosso lado, deu para ver a ação quase toda.

 

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Não que tenha sido particularmente excitante. Portugal instalou-se no meio campo ucraniano, fartava-se de cruzar para a grande área – João Cancelo, em particular – de marcar cantos, não serviu de nada. O meu pai a certa altura comentou que nem Camões fez tantos cantos n’Os Lusíadas.  

 

Há que dizer que um dos principais culpados foi Pyatov. De todas as vezes que os portugas conseguiam boas oportunidades, ele estava lá. Defendeu duas de André Silva e, mais tarde, uma de Dyego Sousa.  

 

Uma chatice quando os guarda-redes fazem o seu trabalho.

 

As coisas animaram quando Rafa e Dyego Sousa entraram em campo. O primeiro deu velocidade ao jogo e o segundo teve um par de oportunidades. Mas já não foram a tempo.

 

No meio disto tudo, os ucranianos conseguiram uma ocasião de perigo para a nossa baliza, perto do fim do jogo. Todos nós tivemos um mini-ataque cardíaco quando vimos Rui Patrício defender para a frente. Graças a Deus, a bola foi parar às nuvens. Na altura, na nossa bancada, pensámos que tivesse sido aselhice de Júnior Moraes – só mais tarde é que soubemos que fora intervenção de Rúben Dias.

 

Espero que tenham dado uns quantos high-fives ao miúdo. Se aquela tivesse entrado…

 

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O resultado manteve-se nulo até ao fim. Não nego que saí da Luz um bocadinho chateada. Não gosto de ir ao futebol e não festejar um golo, pelo menos. E o facto de estarmos a começar outra Qualificação com o pé errado não ajudou.

 

Mesmo assim, soube bem ir ao jogo, ainda por cima com os meus pais que não vinham ao futebol há anos. Desde 2007, no caso do meu pai. Gostávamos de voltar a ir, no jogo contra o Luxemburgo, no Estádio de Alvalade. Foram precisos dois empates de seguida na Luz para a Federação se lembrar que existem outros estádios em Portugal.

 

É possível, no entanto, que eu tenha de trabalhar outra vez. Talvez eles e a minha irmã vão sem mim – será chato, mas eu vou à Liga das Nações. Não me posso queixar.

 

Nesta fase, eu estava desapontada mas não alarmada. A Seleção tem um problema crónico com inícios, está mais do que provado. Tem-se falado de inícios de Qualificações, mas isto também acontece com fases finais, conforme vimos antes (A fase de grupos da Liga das Nações foi a exceção). Não sei se é por sermos incapazes de jogar sem, como diz a minha irmã, sentirmos o rabinho a arder.

 

Ainda assim, fora só um empate, não uma derrota, como nos Apuramentos anteriores. Estava longe de ser grave.

 

Mas depois veio o jogo com a Sérvia.

 

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Conforme referi antes, estive de serviço nesse dia. Como costumo fazer quando trabalho de noite, tomei um café antes de entrar no trabalho. Vejo agora que não foi boa ideia: eu já estava algo nervosa, tanto com o serviço como com o jogo. A dose de cafeína fora do habitual deitou mais achas para a fogueira.

 

Passei, assim, o jogo quase todo numa vertigem de nervos. Arranjar maneira de ver o jogo no telemóvel, interromper para atender utentes e fazer outras coisas do trabalho e todas as atribulações do jogo: começando pelo penálti contra nós e convertido a golo, a lesão de Ronaldo, os muitos – mesmo muitos – remates falhados por parte dos portugas, o episódio ridículo do penálti.

 

E perdi o fantástico golo do Danilo – o nosso único golo nesta dupla jornada – porque fui à casa de banho. Sinceramente…

 

A última meia hora, quinze minutos do jogo foi um festival de oportunidades desperdiçadas, cada uma delas acrescentando dez milímetros de mercúrio à minha tensão arterial. Quando o árbitro apitou três vezes, eu estava assim:

 

 

Admito que sessenta por cento desta reação era a cafeína. Ainda assim há anos que não me sentia tão zangada com a Seleção. Já me acalmei entretanto, mas a desilusão continua.

 

Quer dizer, como é que isto é possível? Este tipo de coisas era de esperar há cinco, seis anos, não nesta altura! Somos Campeões Europeus, temos um plantel cheio de individualidades que dão cartas lá fora. Como é que deixamos quatro pontos voar, numa dupla jornada em casa, na nossa arena talismã?

 

São os adversários mais fortes do grupo, sim, mas, com o devido respeito, estão longe de ser tubarões do futebol europeu. Azar e, no caso do jogo com a Sérvia, má arbitragem não explicam tudo. Dava para mais.

 

Começo a achar que pelo menos algumas das críticas feitas a Fernando Santos ao longo dos anos – algumas ainda durante o Euro 2016 – até fazem sentido: demasiado resultadismo, demasiado pontapé para a frente, ausência de ideias de jogo concretas. Não sou a melhor pessoa para opinar sobre o assunto, mas até eu percebo o suficiente para saber que o que aconteceu nesta dupla jornada não é normal, que temos qualidade para mais. Não serve de nada termos uma mão cheia de trunfos se não sabemos pô-los a uso.

 

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(fonte: Memes da Bola)

 

Agora temos de ganhar todos os jogos que nos faltam no Apuramento. Porque claro que tempos, existe outra maneira de disputarmos Qualificações? Não me interpretem mal, não quero com isto dizer que não acredito que nos apuremos. Já nos conseguimos safar em situações parecidas ou piores. Mal por mal, temos os playoffs garantidos.

 

Mas será um rude golpe no orgulho sermos relegados para a repescagem num grupo como este. Já é suficientemente mau estarmos atrás do Luxemburgo na tabela classificativa, neste momento.

 

Até calha bem o Apuramento ficar em pausa até setembro. Talvez nos ajude a aclarar as ideias – até porque tenho medo que se dê um efeito de bola de neve nos problemas de finalização desta dupla jornada.

 

Havemos de sair de (mais) este buraco. Antes disso temos uma final four para disputar. Há tempo até lá para ultrapassar esta desilusão e começarmos a pensar em ganhar a Liga das Nações.


Acompanhem a contagem decrescente comigo na página de Facebook deste blogue.

O filho pródigo e os estreantes

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Na próxima sexta-feira, dia 22 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol recebe, no Estádio da Luz, a sua congénere ucraniana... e eu vou lá estar! Três dias depois, receberá a sua congénere sérvia, também no Estádio da Luz (mais sobre isso adiante). Ambos os jogos contam para a fase de Qualificação para o Euro 2002, que terá lugar em várias cidades europeias.

 

Fernando Santos anunciou os Convocados para esta dupla jornada na passada sexta-feira e… depois de meses de polémica, o filho pródigo está de volta. Cristiano Ronaldo está de volta.

 

Confesso que é um alívio – o que não vos deverá surpreender se tiverem lido o meu balanço de 2018. Numa entrevista que deu poucos dias antes da Convocatória, Ronaldo voltou a dizer que pediu dispensa da fase de grupos da Liga das Nações para se adaptar à sua nova vida, em Turim. No entanto, confessou também já ter saudades da Seleção. “É a minha casa, e quero ajudar Portugal a qualificar-se para o Europeu”.

 

Agora que ele voltou, em retrospetiva, até parece razoável. Até porque, depois do hat-trick pela Juventus, na semana passada, está toda a gente de boa vontade para com ele, a elogiar a maneira como se tem gerido fisicamente.

 

Continuo a achar que tanto ele como Fernando Santos e a Federação deviam ter sido um bocadinho mais claros durante as últimas jornadas da Seleção. Já se tinha falado da adaptação à Juventus aquando dos jogos de setembro, mas na altura todos pensámos que se referia apenas aos primeiros dois jogos. Na dupla jornada seguinte disse apenas que Ronaldo só voltaria este ano e arrumou o assunto.

 

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Podia-se ter evitado uma boa parte da polémica se Fernando Santos tivesse dito logo, preto no branco:

 

– O Cristiano pediu dispensa de toda a fase de grupos da Liga das Nações para se adaptar à mudança para a Itália. Além disso, ele já não tem vinte anos, as pernas dele já não dão para tanto. Em princípio volta no próximo ano. Ele aproveita para gerir a sua vida, eu aproveito para dar mais espaço e responsabilidade aos colegas. Aqueles miúdos não são capazes de apertar os atacadores das chuteiras sem estarem sempre à procura do Cristiano, para que ele resolva qualquer complicação que surja, quero acabar com essa mania.

 

Também admito culpas da minha parte. Posso ter-me deixado contagiar pela insistência dos jornalistas. Já devia saber que a Comunicação Social está sempre a tentar criar escândalos.

 

Em todo o caso, já faz parte do passado. Só resta saber se o Cristiano virá à fase final da Liga das Nações. Não será grave se ele não vier, mas preferia que ele viesse. Sobretudo porque… tenho bilhetes para a final ou para o jogo do terceiro lugar, consoante o nosso resultado nas meias (mais sobre isso na altura).

 

Para além deste regresso, temos várias estreias interessantes. Uma das mais badaladas é a de João Félix, o jovem fenómeno do Benfica, super talentoso, que já conta doze golos esta época.

 

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Uma das coisas que dá que falar em Félix é do seu aspeto de miúdo cinco anos mais novo. Toda a gente goza com isso, incluindo eu e a minha irmã – isto apesar de também parecermos muito mais novas do que realmente somos (não me estou a queixar, atenção!). As da minha irmã, sobretudo no início, eram muito movidas a azia sportinguista. Algumas são um bocadinho fáceis, do género, “Não são horas de ele ir para a cama? Ele não tem aulas amanhã?”.

 

Uma das mais engraçadas, no entanto, foi uma vez, quando Félix estava caído depois de sofrer uma falta.

 

– Chamem a mamã dele, para lhe soprar no dói-dói.

 

A minha irmã também resmungou, uma vez, que o miúdo provavelmente não se lembra de ver o Doraemon dobrado em castelhano – a cena dele deve ser mais os Super Wings. Eu acrescentaria que ele também não se deve lembrar do Sporting campeão… mas se tivesse dito isso à minha irmã, não teria sobrevivido para ver esta dupla jornada.

 

Agora que penso nisso, Félix também não se deve lembrar do Euro 2004. É um bocadinho triste…

 

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De qualquer forma, até a minha irmã acabou por engolir a azia e se render ao talento de João Félix, como toda a gente. Eu, no entanto, ando com medo que o miúdo se torne no novo Renato Sanches – que as pessoas se deixem levar pelo hype, que Félix seja vendido no final da época, dando um passo maior do que a perna. O Renato só agora é que está a recuperar da sua saída prematura para o Bayern (e, mesmo assim, mais ou menos). Não queria que o mesmo acontecesse com o Félix.

 

Infelizmente, acho pouco provável o Benfica colocar o crescimento do miúdo à frente dos milhões que pode encaixar. Mas a esperança é a última a morrer…

 

Diogo Jota, por sua vez, já anda há uns anos no meu radar, desde os seus tempos no Paços de Ferreira. Eu, aliás, achava que ele seria Convocado mais cedo, mas compreendo porque não foi. Com jogadores jovens, nem sempre é benéfico virem demasiado cedo à Seleção A.

 

Jota representa hoje o Wolverhampton, a equipa mais portuguesa da Premier League. Tem-se saído bem. Houve um momento lindíssimo, há um par de meses, em que Nuno Espírito Santo foi abraçá-lo depois de um golo, como poderão ler aqui. E ainda este fim de semana, Jota marcou um belo golo, contribuindo para a expulsão do Manchester United da Taça de Inglaterra.

 

Houveram vários Convocados a marcar nos jogos do fim de semana passado, aliás. João Félix, Rafa, Diogo Jota, Bernardo Silva… Este último, então, tem deixado toda a gente rendida no Manchester City e, como dá para ver aqui, anda a ser devidamente acarinhado.

 

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É sempre bom ver que os nossos jogadores são bem tratados nos clubes que representam.

 

Tudo isto só prova que Fernando Santos escolheu bem.

 

Antes de passarmos a outro estreante, queria só comentar o “apelido” de Diogo Jota. Eu já desconfiava mais ou menos que não era o seu verdadeiro último nome e confirmei-o agora, com o Google. O seu nome completo é Diogo José Teixeira Silva. Suponho que o “Jota” venha de José.

 

Estou a rir-me porque parece mesmo algo que um miúdo faria ao escolher o seu nome futebolístico ou nickname da Internet, para soar fixe. Eu mesma decidi, quando tinha treze ou catorze anos, que a minha assinatura incluiria a inicial do meu apelido do meio – “Sofia M. Almeida” – e ainda hoje assino desta forma.

 

Pelo menos no caso do Diogo, teve o efeito que ele certamente queria. Sempre achei piada ao nome dele. O facto de a letra “J” ter um dos nome mais giros de todo o alfabeto ajuda.

 

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Consta que a Convocatória de Dyego Sousa foi a mais inesperada e… a mais contestada, embora não tanto por motivos futebolísticos. Confesso que não sabia muito sobre o ponta-de-lança do Sporting de Braga antes de ele aparecer na Lista de Fernando Santos. No entanto, segundo o que tenho lido na Internet, não será uma Escolha assim tão descabida quanto isso.

 

Não sabia, também, que ele era português naturalizado. É o primeiro a vir a Seleção em quase uma década, aliás, agora que penso nisso – desde Liedson, em 2009. Este último, também, só vestiu a Camisola das Quinas durante o quê? Um ano? (Os anos de Carlos Queiroz como Selecionador foram estranhos…)

 

Por outro lado, Pepe, também naturalizado, já está há quase doze anos connosco e eu não podia estar mais grata. Tenho quase a certeza que já o referi antes, mais do que uma vez, aliás, mas Pepe tem mais amor à Camisola das Quinas que muitos portugueses, citando as sábias palavras de Rui Santos, "bacteriologicamente puros". A Seleção deve-lhe muito, incluindo o nosso primeiro título.

 

É por essas e por outras que fico ainda mais zangada em retrospetiva com as palavras de José Mourinho, durante o Mundial 2014. Pepe fez uma idiotice durante o jogo com a Alemanha, conforme se devem recordar, e Mourinho veio dizer que o defesa devia ter tido juízo visto “nem sequer ser português”.

 

Também eu teci críticas duras a Pepe, na altura, pois o seu comportamento nos custou caro, mas nunca traria a sua naturalidade à baila. A Seleção não está a fazer-lhe nenhum favor ao deixar Pepe representar as Quinas. Bem pelo contrário. Não me lembro, aliás, de Mourinho ou outra pessoa qualquer se queixar das origens de Pepe depois dos golos que marcou ou das suas exibições imperiais. Só quando faz asneiras (ele tem o seu histórico, a sua fama, mas está longe de ser o primeiro ou de vir a ser o último a agir como um asno pela Seleção) é que, de repente, a sua condição de naturalizado é um problema.

 

O Mourinho, às vezes, é uma besta.

 

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Outro exemplo de "bestice", este mais recente, foram as já referidas palavras de Rui Santos, que podem ouvir aqui. Eu até concordo que uma das tarefas da Federação é investir no jogador jovem português... mas não é isso que a Federação tem feito, nos últimos anos? Não há uma data de jovens talentos no radar de Fernando Santos? Não temos já alguns desses talentos, como Bernardo Silva e André Silva, praticamente com lugar cativo na Seleção? O Dyego é um jogador naturalizado entre dezenas de Marmanjos não-naturalizados! É o primeiro naturalizado em quase uma década!

 

Além de que falar em portugueses "puros", seja de forma bacteriológica ou não (se uma pessoa se quer armar em besta, ao menos tenha o cuidado de não se enterrar ainda mais com gaffes deste género), roça a xenofobia.

 

Felizmente, Dyego Sousa parece ser feito do mesmo material que Pepe, pelo menos no que toca ao amor à camisola. Consta que Dyego já era adepto da Equipa de Todos Nós. Quando foi Convocado, terão havido lágrimas e chamadas para a família na reação. Agora, está todo contente no seio da Equipa das Quinas e, segundo Rúben Neves, até houve serenata dele, juntamente com João Félix e Diogo Jota (estou muito zangada com os Marmanjos por, aparentemente, nenhum deles ter filmado e partilhado connosco nas redes sociais).

 

Quando é assim, quando se nota que os próprios jogadores estão felizes enquanto representam a Seleção, é tudo muito mais especial. Já ando nisto há muitos anos, mas não me canso disso.

 

Se eu pudesse dar um conselho a Dyego Sousa, dir-lhe-ia para se agarrar a essa alegria e entusiasmo, ao sonho que está a viver. Ele que dê o seu melhor para representar Portugal e que os Rui Santos desta vida se lixem (para não usar um termo mais colorido). Assim que Dyego começar a marcar golos pelas Quinas, ninguém se vai ralar com as suas origens.

 

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Vamos, então, dar início ao Apuramento para o Euro 2020 frente à Ucrânia, no Estádio da Luz. Uma palavra, aliás, para os dois jogos da dupla jornada no mesmo estádio: já é ridículo! A Luz já andava a receber mais jogos da Seleção que qualquer outra arena portuguesa, nos últimos anos. Já foi um bocadinho estranho no ano passado, por exemplo, termos tido dois jogos lá com apenas três meses de intervalo. Agora temos com dois dias!

 

Eu sei que a Luz tem dado sorte às Quinas, mas estamos no início do Apuramento! Ainda se fossem os últimos jogos ou playoffs (que espero não virmos a precisar)... Não se podia ter, pelo menos, atribuído um dos jogos ao Estádio de Alvalade? Este não recebe a Seleção desde 2015 e, ainda no ano passado, teve de abdicar do jogo com a Itália por causa das eleições no Sporting.

 

Além de que existem muitos outros estádios que mereciam mais amor por parte da Seleção: o de Aveiro, o de Coimbra, o do Algarve…

 

Mas regressemos ao jogo de amanhã. Já estou um bocadinho farta da Luz (o que tem piada tendo em conta que nunca lá tinha ido até há quatro anos) mas, desta feita, para além da minha irmã, vêm também os meus pais, que ainda não conhecem o Estádio. Infelizmente, só conseguimos bilhetes para o terceiro anel, mas, lá está, tenho-me fartado de vir à Luz, não me posso queixar. A Federação anda a pedir-nos para estarmos lá às 19h30 – devem querer fazer alguma coisa especial durante o hino – mas acho que vai ser complicado nós os quatro chegarmos a tempo…

 

A Seleção ucraniana é um caso raro na Europa no sentido em que deve ser uma das poucas equipas neste continente com quem jogámos pouquíssimas vezes. Neste caso, só em duas ocasiões, durante a Qualificação para o Mundial 98. Ganhámos em casa, perdemos fora – ou seja, não dá para tirar grandes ilações.

 

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No passado mais recente, os ucranianos falharam a Qualificação para o Mundial 2018, mas saíram-se bem na Liga das Nações. Subiram à Liga A – ou seja, tecnicamente, estão entre os melhores da Europa.

 

É óbvio que nós somos favoritos e que temos a obrigação de ganhar, por todos os motivos e mais alguns. Mas desenganem-se aqueles que esperarem facilidades no jogo de amanhã. Precisaremos de concentração máxima – até porque, nos últimos anos, temos tido o hábito infeliz de tropeçarmos nos primeiros jogos dos Apuramentos.

 

Quanto ao jogo com a Sérvia, ainda não sei se consigo vê-lo. Vou estar de serviço nessa noite. Se não se importam, vou tirar alguns parágrafos para me queixar do meu habitual péssimo timing no que toca à Equipa das Quinas. Só preciso de fazer serviços à noite de três em três meses, mais coisa menos coisa. A Seleção esteve em pausa durante quatro meses, mas um dos jogos tinha de coincidir com a minha noite de serviço.

 

Quer dizer, porque não, não é?

 

Não será assim tão tão dramático, pois talvez seja capaz de acompanhar o jogo na rádio, pelo menos, com algumas interrupções, se necessário. Não é a mesma coisa que ver o jogo no conforto de minha casa, claro, mas apesar de tudo podia ser pior.

 

Com a minha sorte, se algum dia engravidar, aposto que darei à luz durante um jogo da Seleção. O que até pode ser giro, seria uma história engraçada para, mais tarde, contar à criança. Aliás, se for um menino, até poderá receber o nome do Homem do Jogo… se eu gostar desse nome, é claro (não sou grande fã do nome Cristiano, por exemplo).

 

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Ao contrário da Ucrânia, temo-nos cruzado algumas vezes com a Sérvia nos últimos anos. A última ocasião foi durante o Apuramento para o Euro 2016. Felizmente ganhámos os dois jogos. Os sérvios foram ao Mundial, mas ficaram-se pela fase de grupos. Não se saíram mal na Liga das Nações, no entanto – subiram à Liga B. Em princípio estarão ao nosso alcance mas, já se sabe, prognósticos só no fim do jogo.

 

Tenho andado contente, mesmo entusiasmada, com o regresso dos jogos da Seleção após estes meses todos – e acho que o regresso do pródigo e os estreantes contribuíram para isso, pelo menos em parte. Os hiatos de inverno já não me incomodam como incomodavam há uns anos. Talvez porque o tempo passa mais depressa agora que estou mais velha, talvez porque a pausa ajuda a evitar o desgaste que às vezes sinto com este blogue e mesmo com a própria Seleção.

 

Estamos a entrar num novo capítulo, em que temos um título para defender. Confesso que fico um bocadinho nervosa quando falamos disto numa altura tão precoce do campeonato, mas já sabem como sou. Em minha defesa, não acho que exista nada de errado em dar um passo de cada vez, concentrarmo-nos em começar bem a Qualificação para evitar aflições desnecessárias.

 

Eu farei a minha parte amanhã, na Luz. Cabe aos Marmanjos fazerem o resto, mostrarem porque somos Campeões Europeus.

 

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Seleção 2018

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Primeira publicação de 2019! Bom ano, pessoal! Uma das tradições de Ano Novo aqui do blogue é fazer um balanço do ano que termina no que toca à Seleção. Tal como aconteceu no ano passado, atrasei-me. Não é grave, na minha opinião, já que os anos das seleções só começam em março. E mais vale tarde do que nunca (um princípio que se está a tornar um lema de vida, numa altura em que já tive muito mais tempo para escrever…).

 

Esta revisão de 2018 decorrerá nos mesmos moldes que as revisões de 2016 e 2017: assinalando o melhor e o pior do ano. Assim, sem mais demoras, comecemos por…

 

O pior

 

  • A degradação do futebol português

 

Esta não se relaciona diretamente com a Seleção, mas afetou muito a maneira como encaro o futebol – e, quando digo “afetou”, quase podia dizer “estragou”. Falo da toxicidade endémica no futebol português em geral e, em particular, do ataque à Academia de Alcochete e respetivas consequências.

 

Escrevi sobre esse episódio aqui no blogue no rescaldo imediato do mesmo. Muitas das coisas de que me queixei na altura mantiveram-se durante o resto do ano – a elas se juntando uns quantos meses de novela com o, agora, ex-Presidente do Sporting (que em certos momentos foi vilão, em outros foi vítima) e o caso e-toupeira.

 

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Quem acompanhe este blogue há algum tempo, estará fartinho de saber que não apoio a sério nenhum clube, tirando a Seleção. Ainda assim, de alguns anos a esta parte, tenho vindo a acompanhar o futebol de clubes com algum interesse. Por causa da minha irmãzinha sportinguista; para ir acompanhando o percurso dos atuais ou possíveis jogadores das Quinas; para ir tendo coisas que publicar na página do Facebook deste blogue quando a Seleção não está ativa; porque gosto genuinamente de futebol pelo futebol, puro e duro (à semelhança do meu pai, diga-se). Bem como quando serve de pretexto para trazer à tona o melhor da Humanidade

 

No entanto, à conta do ambiente degradante no futebol português, durante uma boa parte de 2018 andei alheada do futebol de clubes. Não que tenha sido o único fator, para ser sincera –  aspetos como as acusações a Ronaldo e o fim das transmissões da Champions na SportTV também contribuíram. Mas a toxicidade do futebol português foi o principal motivo. Inclusivamente, nunca mais quis voltar ao Estádio de Alvalade – não quando as pessoas cantando na curva sul podiam ter estado envolvidas, de uma forma ou de outra, na invasão a Alcochete.

 

Só agora, que as coisas estão um bocadinho mais calmas, é que estou a reaprender a gostar do futebol de clubes. Uma das minhas resoluções, que não chega a sê-lo, para 2019 é procurar focar-me no futebol puro e duro, dentro das quatro linhas, e ignorar o resto.

 

 

Tirando, claro está, as manifestações do melhor lado do futebol, como referi acima. Um bom exemplo foi o vídeo de Natal do Sporting. É de mensagens como esta que o futebol e o mundo precisam.

 

 

  • Mundial abaixo das expectativas

 

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Acredito que qualquer pessoa com um mínimo de realismo em relação ao futebol sabia que, mesmo com o título europeu, seria muito difícil Portugal ganhar o Mundial. Não se poderia censurar o grupo se não conseguisse. No entanto, acho que estávamos todos à espera de mais do que fizemos: uma fase de grupos sofrível, tirando o primeiro jogo, e uma eliminação nos oitavos-de-final.

 

Quando reli as crónicas desses jogos aqui no blogue, em preparação para este texto, reparei que me tinha esquecido de muitos pormenores. Tirando o jogo com a Espanha (e mesmo assim), foram exibições insípidas, esquecíveis. Continuo a preferi-las a boas exibições com resultados maus, mas não por muito, sinceramente. Tirando Cristiano Ronaldo, Rui Patrício e um ou outro, ninguém parecia saber o que estava a fazer ali.

 

Continuo sem perceber ao certo o que aconteceu na Rússia. Nervosismo e falta de confiança da parte dos mais novos? Demasiada dependência de Ronaldo? Consta que, muitas vezes, jogadores como Bernardo Silva e João Mário interrompiam jogadas de ataque para procurarem o Capitão.

 

Seremos apenas uma seleção de nível europeu, com o Mundial a ser já demasiada areia para a nossa camioneta? Estarão todos os Mundiais que não os de 1966 e 2006 fadados para nos correrem mal?

 

Não sei dizer mesmo. Só sei que esperava mais, queria mais.

 

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Mesmo a nível pessoal, o Campeonato do Mundo não foi um período muito fácil para mim. O mês de junho foi muito intenso no meu trabalho, já que tinha uma colega de férias e tive de trabalhar em dois sábados de manhã e num domingo, o dia todo. No meu único fim de semana livre, fui à Suíça visitar o meu irmão – não que me esteja a queixar, mas sempre me roubou tempo de escrita.

 

Para conseguir dar conta do recado, tive de saltar a parte em que rascunho as crónicas à mão. Assim, escrevia diretamente no Google Docs, no computador ou no smartphone. Lembro-me mesmo de, durante a tal viagem à Suíça, andar pelas ruas de Zurique, na véspera dos oitavos-de-final, tentando acabar a crónica do jogo com o Irão no telemóvel.

 

Não gostei disso. Não é assim que prefiro escrever. Fiquei genuinamente surpreendida quando reli esses textos e estes estavam razoavelmente bem escritos.

 

Com a derrota com o Uruguai, deixei de estar sob tanto stress para manter este blogue atualizado. Claro que, quando isso aconteceu, senti-me triste e culpada pelas minhas queixas enquanto a Seleção ainda estava no Mundial (ainda que só me queixasse a mim própria). Aliás, se o desempenho das Quinas na Rússia tivesse sido satisfatório, não estaria a queixar-me – pelo contrário, estaria a recordar esse stress de uma forma mais positiva.

 

Ainda assim, se/quando (escolham vocês) nos Qualificarmos para o Euro 2020, talvez tire férias durante o campeonato. Ou pelo menos mais folgas.

 

  • A ausência de Ronaldo

 

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A nossa fase de grupos da Liga das Nações correu bem, mas esteve sempre assombrada pela ausência inexplicada de Cristiano Ronaldo. Não pela ausência em si – Ronaldo não fez falta, obrigou os restantes jogadores a serem homenzinhos, a fazerem eles mesmos as coisas, sem estarem sempre à espera do Capitão-papá – antes pela falta de justificações. Na primeira jornada, ainda disseram que Ronaldo queria concentrar-se na adaptação à Juventus. Depois disso, limitaram-se a dizer que Ronaldo tinha combinado com a Federação que não voltaria às Quinas em 2018, ponto final.

 

Nenhuma das partes lidou bem com o assunto. Por um lado, tal como a Fernando Santos, irritaram-me as perguntas insistentes dos jornalistas. Já se sabia que Ronaldo só regressaria em 2019 (regressará?). A Seleção estava a conseguir os resultados sem ele. Havia necessidade de bater na mesma tecla em todas as Conferências de Imprensa?

 

Por outro lado, os jornalistas batiam na mesma tecla porque Cristiano Ronaldo, Fernando Santos e os outros responsáveis da F.P.F. insistiam em não responder às perguntas. Se dessem uma explicação qualquer, por fraquinha e polémica que fosse, o assunto ficaria arrumado. Mas assim o caso arrastou-se ao longo de toda a fase de grupos e ainda hoje continua por resolver.

 

Tudo isto é lamentável e indigno da parte de Ronaldo. Conforme escrevi antes, ninguém o censuraria se quisesse desistir da Seleção. Mas não devia ser desta forma. Não devia ser assim que os últimos quinze anos – que incluíram presenças e golos em todos os campeonatos de seleções e o primeiro título das Quinas – deviam acabar.

 

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Ronaldo devia despedir-se da Equipa de Todos Nós como deve ser: com uma carta aberta ou uma Conferência de Imprensa emotiva. Eu pessoalmente gostaria que marcassem um jogo particular de propósito para o adeus. Só mesmo para, perto do fim, ser substituído e trocar aplausos e lágrimas com o público.

 

Porque, não sei como será como vocês, mas eu vou chorar. Por amor da Santa, são quinze anos. Oito campeonatos de Seleções (nove, se contarmos com a Taça das Confederações), mais de cento e cinquenta jogos, oitenta e cinco golos, mais de metade da minha vida.

 

Mas espero que a despedida seja melhor do que estamos a receber.

 

Já se debate se Ronaldo deve ser Convocado para a fase final da Liga das Nações, quando ele mesmo se excluiu da fase de grupos. Eu acho que não devia – mas não me admirava se ele mesmo escolhesse não vir, já que são jogos no final da época.

 

Com isto tudo, quase tenho medo da primeira Convocatória do ano, em março. Tenho medo que Ronaldo fique outra vez de fora e que toda esta novela recomece.

 

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Vamos esperar, no entanto, que isso tenha ficado em 2018. Que ele regresse para a Qualificação para o Europeu, conforme os responsáveis da Federação garantem que fará. Ou então, que decida colocar o ponto final na sua história nas Quinas e que o faça condignamente.

 

O melhor

 

  • As partes boas do Mundial

 

Nem tudo foi mau no Mundial. Quem acompanhe este blogue há uns anos saberá que gosto sempre de campeonatos de seleções e da preparação dos mesmos. Dão-me mais coisas sobre que escrever aqui no blogue, sobre que publicar na página. Gosto também, até certa medida, do circo mediático e publicitário, em torno de um futebol, regra geral, menos tóxico que o dos clubes. De sonhar com um bom desempenho.

 

Muitas vezes, alás, gosto mais das semanas entre a Convocatória e o início propriamente dito do Campeonato – onde, regra geral, os sonhos e esperanças chocam de frente com a realidade.

 

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Com o Mundial 2018 não foi diferente. O jogo com a Espanha permitiu-nos prolongar a ilusão durante mais uns dias – mesmo tendo sido um one-man show de Cristiano Ronaldo. Não posso deixar de referir, também, a entrevista que dei à SIC, no dia do jogo com o Irão – uma das melhores manhãs que tive em 2018. Por fim, foi divertido ver o jogo com o Uruguai num bar de desporto em Zurique, mesmo que tenhamos perdido.

 

Pode não ter sido muito, sobretudo em comparação com o Euro 2016, mas estou grata.

 

  • Qualificação para a fase final da Liga das Nações

 

A Seleção tinha um desafio considerável neste outono: conseguir o Apuramento para a final four da Liga das Nações, perante adversários de algum calibre, sem a sua maior referência. Não sendo uma tarefa dantesca, não seria fácil.

 

Felizmente Portugal passou no teste. Qualificou-se para a fase final, sem derrotas (foi a única equipa da Liga A a consegui-lo), com pelo menos duas boas exibições, nos dois primeiros jogos.

 

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O primeiro decorreu na Luz, frente à Itália. Portugal venceu por uma bola a zero, com golo de André Silva e uma exibição agradável. É certo que houve demérito da parte dos italianos, mas sempre foi a primeira vitória de Portugal perante a Itália em décadas, em jogos oficiais.

 

Por sua vez, o segundo jogo do grupo, perante a Polónia, teve uma boa exibição do coletivo. Ganhámos por três bolas contra duas. Destaque para os três Silvas – Rafa Silva, André Silva e Bernardo Silva – responsáveis pelos golos portugueses.

 

Os dois jogos seguintes foram menos conseguidos. O jogo com a Itália, em San Siro, resultou num empate a zeros – fraquinho, mas ao menos selou o Apuramento. O jogo em casa, com a Polónia, serviu apenas para cumprir calendário. Teve, portanto, a qualidade exibicional de mais um particular.

 

Podia ter sido um bocadinho melhor, nas não se podia exigir mais. Esta nova geração de talentos colocou-nos em mais uma fase final de um campeonato de selecções (albergada por nós, ainda por cima!) e deixa boas indicações para o futuro das Quinas.

 

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Já se sabe que vamos jogar com a Suíça, nas meias-finais. Não foi um mau resultado para este sorteio – é uma equipa que conhecemos bem, da Qualificação para o Mundial 2018. Mas é evidente que não vai dar para facilitar.

 

Falando de resultados de sorteios, também acho que tivemos sorte com os adversários do Apuramento para o Euro 2020. Sorte é como quem diz… Este grupo é uma seca. Sérvia? Ucrânia? Para não falar da Lituânia e do Luxemburgo. Não são o tipo de jogos por que uma pessoa anseie.

 

Espero que tenham aproveitado a fase de grupos da Liga das Nações e que, depois, aproveitem a final four. Vai ser toda a excitação a que teremos direito até, pelo menos, ao fim de 2019.

 

Um pormenor engraçado em que reparei há tempos, quando explicava o funcionamento da Liga das Nações e do Apuramento para o Europeu, é que a constituição dos grupos funciona de maneira oposta, de uma competição para a outra. Na Liga das Nações, somos agrupados com equipas de nível teoricamente semelhante ao nosso – para aumentar a competitividade e o interesse dos jogos.

 

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Por sua vez, os grupos de Qualificação são constituídos por equipas de “escalões” diferentes. Para que, pelo menos em teoria, sejam as equipas mais fortes a Apurar-se para o Europeu. Faz sentido mas, tirando várias notáveis exceções, não são jogos muito apelativos.

 

Parece ser esse o caso do nosso grupo de Qualificação. Ainda assim, não seria de todo estranho se nos atrapalhássemos perante estes adversários, teoricamente fáceis. Temos essa triste mania. Sempre daria um bocadinho de emoção a este Apuramento, mas eu prefiro não brincar com o fogo.

 

E foi isto 2018. Escrevi um pouco mais da parte d’O pior, mas isso não significa que o ano tenha sido assim tão mau. Apenas que tive mais a dizer sobre as partes más do que sobre as partes boas – às vezes acontece.

 

Admito que 2018 não foi tão bom como os anos anteriores, pelos motivos que listei acima. Mas não foi de todo um ano mau. Já apanhei a minha quota parte de anos maus da Seleção e este não foi um deles. Nenhum tem sido mau desde 2014. Desde que Fernando Santos assumiu o leme, por sinal – embora isso esteja longe de ser o único fator.

 

Esperemos, então, que 2019 seja melhor que 2018. Mais especificamente, que Portugal consiga a Qualificação direta para o Euro 2020 e que se saia bem na final four da Liga das Nações – de preferência levantando o troféu.

 

Obrigada por tudo o que fizeram por mim e por este blogue em 2018. Desejo-vos um resto de 2019 muito feliz, com saúde (mas não muita muita, que senão fico sem emprego), objetivos cumprimos, bons jogos e muitos golos da Seleção. Em março haverá mais.

 

Três quartos cheio

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No passado sábado, dia 17 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou sem golos com a sua congénere italiana, em San Siro, em jogo a contar para a fase de grupos da Liga das Nações. Com este resultado, Portugal garantiu presença na fase final da Liga – onde tudo indica que será anfitrião. Três dias mais tarde, a Seleção Nacional empatou a uma bola com a sua congénere polaca, no Estádio Afonso Henriques, em Guimarães. Este jogo serviu apenas para cumprir calendário.

 

Talvez tenham estranhado não ter publicado uma crónica antes desta dupla jornada. Conforme expliquei na página de Facebook deste blogue, não se justificava. Eram adversários com quem tínhamos jogado pouco tempo antes e não tinha quase nada a dizer sobre as novidades na Convocatória. Não quis estar a perder tempo com um texto que não acrescentaria nada.

 

Não se admirem se voltar a fazer o mesmo em alturas semelhantes, no futuro.

 

E a verdade é que esta dupla jornada foi pouco interessante, na minha opinião. É ótimo termos garantido lugar na fase final da Liga das Nações, não me interpretem mal. Mas os jogos em si foram, perdoem-me a expressão, uma seca. Além de que, de uma maneira muito típica comigo, o timing podia ter sido melhor.

 

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Pelo menos no que toca ao jogo com a Itália, no sábado. Não consegui prestar muita atenção porque estava distraída com várias coisas. Por exemplo, estava a fazer o jantar à pressa, a consumi-lo e a arranjar-me para sair (sim, tinha planos para um sábado à noite. Não é habitual comigo, mas acontece).

 

Acho que não perdi muito, para ser sincera. Na primeira parte, só deu Itália – o seu ímpeto ofensivo empurrou Portugal para um bloco baixo, do qual os Marmanjos não conseguiram sair. Nos bocadinhos em que pude olhar para a televisão, reparei que os nossos mal saíam do seu meio-campo. Quando a bola escapava para terreno italiano, não estava lá ninguém para pegar nela. O guarda-redes Gianluigi Donnarumma podia ter aproveitado a primeira parte para um “pisolino”, como se diz em italiano, que não teria feito diferença.

 

Por seu lado, Rui Patrício é capaz de ter sido o melhor português da noite. As suas defesas impediram que o domínio italiano se traduzisse em golos. Se Portugal conseguiu segurar o empate e garantir um lugar na fase final, Patrício terá sido o principal responsável.

 

Só temos de dar graças por termos um guarda-redes de classe mundial do nosso lado.

 

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Por alturas da segunda parte, os italianos começaram a perder o gás, após quarenta e cinco minutos de intensidade. Ao mesmo tempo, a entrada de João Mário catalisou um maior domínio de Portugal, nesta fase do joo.

 

Ainda assim, o primeiro remate portuga enquadrado com a baliza ocorreu apenas aos setenta e seis minutos – isso alguma vez tinha acontecido num jogo da Seleção? E o maior ímpeto português não chegou para marcar golos, apenas para segurar o empate.

 

Sim, foi um jogo fraquinho. Uma versão extrema do Pouco Importa, do “de empate em empate até ao empate final”. Não vou criticar muito porque, em primeiro lugar, foi o suficiente para a final four e vínhamos de duas vitórias no grupo. Além disso, foi só há pouco tempo que voltámos a ganhar à Itália, após décadas de seca. Consta, até, que esta foi a primeira vez que não sofremos nenhum golo em terreno italiano.

 

Havemos de regressar aqui ao copo meio cheio (que, na verdade, é mais copo três quartos cheio). Para já, falemos sobre o jogo com a Polónia – este apenas para cumprir calendário.

 

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Este foi um daqueles dias em que saí do trabalho às oito da noite, logo, só consegui acompanhar a primeira parte (e mesmo assim não toda) via rádio. Como este era, na prática, um jogo amigável, Fernando Santos aproveitou para fazer experiências. Mudou sete jogadores em relação ao jogo com a Itália. Voltou, assim, a ser um jogo pouco excitante.

 

Ao menos foi mais equilibrado que a partida de sábado, em San Siro. Renato Sanches assinou um par de remates (e aposto que os polacos sentiram calafrios sempre que o miúdo pegava na bola). Por outro lado, Beto ia metendo água aos nove minutos (ainda bem que só vi a cena mais tarde, nos resumos), mas depois redimiu-se, aos quinze minutos, negando o golo a Frankowski, em grande estilo.

 

O golo portuga chegou aos trinta e quatro minutos. Renato Sanches cobrou um pontapé de canto, André Silva desviou de cabeça para as redes polacas.

 

O tempo passa, várias coisas mudam, muitas delas para pior, o meu foco já não é o mesmo que há uns anos. No entanto, se há coisas que não falham em deixar-me feliz são golos das Quinas. Quer sejam em jogos de Europeus ou Mundiais, quer sejam jogos a feijões, como este. Sou uma mulher simples.

 

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Já estava em casa quando começo a segunda parte do jogo, mas infelizmente as coisas não correram tão bem. Os polacos dispuseram de algumas ocasiões, perto da hora de jogo, incluindo uma em que João Cancelo teve de defender de cabeça, em cima da linha de baliza.

 

Tem andado a jogar muito bem, o miúdo, sobretudo nesta fase de grupos. Estou contente.

 

Infelizmente, aos sessenta e um minutos, William Carvalho fez um mau atraso, a bola foi parar a Milik e Danilo viu-se obrigado a travá-lo em falta, na grande área. À primeira vista, talvez fosse um castigo demasiado duro, mas suponho que fosse uma situação clara de golo. Foi o próprio Milik quem converteu o penálti (que teve de ser batido duas vezes, não percebi bem porquê).

 

Depois desta, Portugal não conseguiu fazer mais do que defender, apesar de Éder e Bruma terem entrado. Beto voltou a esmerar-se, em cima do minuto oitenta, para defender um remate de Zielinski. No fim, o empate manteve-se.

 

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Eu teria preferido encerrar o ano da Seleção com uma vitória mas, mais uma vez, não me vou queixar muito. Este resultado já não contava para a Qualificação para a fase final. Consta, aliás, que fomos a única seleção na Liga A a concluir esta fase de grupos sem uma derrota.

 

Eu, no entanto, acho que quatro jogos são muito poucos para tirar grandes conclusões.

 

Na verdade, nós fomos os menos afetados pelo resultado deste jogo. Este empate influencia o futuro próximo da Polónia e… da Alemanha. Sim. este ponto permitiu à Polónia passar à frente dos seus vizinhos alemães, no ranking da FIFA. Assim, ganharam o estatuto de cabeças-de-série na Qualificação para o Euro 2020.

 

Agora que penso nisso, é a segunda vez que os polacos se enfiam na mesa dos cabeças-de-série, deixando um tradicional tubarão de fora. Aconteceu no ano passado, no sorteio para o Mundial, com a Espanha – e quem pagou fomos nós. Só espero que, neste Apuramento, a fava calhe a outro – embora, desta feita, tenhamos algumas culpas no cartório, por não termos vencido a Polónia.

 

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O que nos leva ao futuro próximo. No domingo, dia 2 de dezembro, realiza-se o sorteio dos grupos de Apuramento para o Europeu. Portugal será cabeça-de-série. Nesta Qualificação, os dois primeiros em cada um dos dez grupos passam à fase final – vinte seleções, portanto. Para as últimas quatro vagas, será realizado um playoff. Os participantes serão escolhidos de acordo com o seu desempenho na Liga das Nações.

 

Ainda bem que esta fase de grupos nos correu de feição. Em princípio, teremos este plano B. Eu acho que será preciso as coisas correrem muito mal para não conseguirmos pelo menos um segundo lugar, mesmo que nos calhe a Alemanha no grupo. Mas, três vezes na madeira, nunca se sabe.

 

Entretanto, teremos a fase final da Liga das Nações. Ainda não foi anunciado oficialmente, mas tudo indica que seremos nós a organizar. O que é ótimo, claro. Os jogos decorrerão no Estádio D. Afonso Henriques e no Estádio do Dragão. Ando a pensar tirar uns dias nessa altura para ir ver os jogos, se não for demasiado caro. Apoiava a Seleção, ficava a conhecer os estádios e dava uma volta pelo Porto e por Guimarães (não vou lá há anos). O sorteio realiza-se no dia 3 de dezembro (não percebo porque não o fazem no mesmo dia que o sorteio da Qualificação, mas pronto).

 

Havemos de falar melhor sobre o futuro e os resultados desses sorteios na crónica de Ano Novo. Esta terá a mesma estrutura das duas últimas: com o melhor e o pior do ano. Posso eventualmente só publicar em meados de janeiro, como no ano passado. Agradeço desde já a vossa paciência.

 

Entretanto, já sabem, podem ir acompanhando as coisas na página de Facebook deste blogue.

Os Silvas e os perdidos e achados

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Na passada quinta-feira, dia 11 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere placa por três bolas contra duas, em jogo a contar para a fase de grupos da Liga das Nações. Três dias depois, no domingo, a Seleção venceu a sua congénere escocesa por três bolas contra uma, em jogo de carácter particular. Com o resultado do primeiro jogo, Portugal fica a um ponto apenas do Apuramento para a Liga das Nações.

 

O início do jogo com a Polónia fez-me lembrar o do Euro 2016, no sentido em que os polacos entraram por cima no jogo, acabando por abrir o marcador. Desta feita demoraram mais – aos dezoito minutos, na sequência de um canto em que a defesa portuguesa não ficou muito bem na fotografia.

  

Um aparte: o autor do golo foi Piatek, mas o meu cérebro insistia em ouvir Triatec. Enfim, parvoíces de uma farmacêutica…

 

Portugal reagiu muito bem ao golo. Tomou as rédeas da partida, levando a cabo várias jogadas vistosas na segunda metade da primeira parte – incluindo um golo anulado a Rafa. Permanece o problema da finalização: muitos têm comentado que, com Ronaldo, a Seleção era mais concreta e eficaz. Mas eu acho que isso resolve-se com o tempo.

 

Até porque Portugal não demorou muito a chegar ao empate. Foi aos 31 minutos, fruto de uma bela jogada coletiva, em que a bola passou por Bernardo Silva e João Cancelo, até Pizzi centrar para André Silva, que rematou para as redes.

 

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Portugal conseguiu ir para o intervalo em vantagem. Ninguém se tem calado com o passe de Rúben Neves para Rafa Silva e não é para menos: a bola atravessou o comprimento equivalente a um meio-campo, encontrando Rafa desmarcado. Este consegue ultrapassar o guarda-redes polaco e só não assinou o golo oficialmente porque Glik, o defesa, cortou para a própria baliza.

 

Enfim. Para mim o golo é de Rafa.

 

Tem piada porque não era suposto Rafa estar em campo. Ou mesmo na Polónia. Rafa só fora Convocado à última hora, para substituir o lesionado Gonçalo Guedes e só foi titular porque Bruma estava indisposto.

 

O mais caricato no meio disto tudo (no melhor sentido)? Não digo que isso acontecesse com Guedes, mas tenho a certeza que, se Bruma tivesse sido titular, conforme o previsto, ele também teria brilhado. Talvez também tivesse marcado  – e acabaria por fazê-lo no jogo seguinte.

 

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Mas estou a adiantar-me.

 

O ímpeto português continuou na segunda parte – culminando com mais um golo, desta feita de Bernardo Silva. O miúdo é baixinho, sobretudo quando comparado com os gigantes polacos, mas ele conseguiu dar baile a cinco deles e rematar de fora para as redes. Ele é um espetáculo! Não admira que Pep Guardiola ande caidinho por ele (e o Deco também).

 

Infelizmente, Portugal deixou-se adormecer à sombra da vantagem de dois golos. Compreensível, mas desnecessário. A Polónia aproveitou e acabou por chegar ao golo – Blaszczykowski rematou de primeira após um mau alívio de Pepe.

 

Na verdade, o golo nem sequer devia ter sido validado, pois, no início da jogada, Bereszynski deixou a bola sair pela linha lateral durante um instante. O mais estranho disto tudo é que, segundo esta imagem, o árbitro assistente viu o que aconteceu e não fez nada.

 

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Não vou insistir muito nisto, pois acabámos por ganhar o jogo à mesma, mas espero que nada deste género se volte a repetir.

 

Por sinal, o autor deste golo foi o mesmo jogador que bateu o penálti que Rui Patrício defendeu, no jogo de 2016 – um nome como Blaszczykowski fica na memória. Conseguiu redimir-se, dois anos depois.

 

Felizmente, Portugal não deixou a Polónia ganhar ímpeto com este golo – pelo contrário, voltámos a mandar na partida, sobretudo com as entradas de Danilo Pereira e Renato Sanches. Este último esteve, até, perto de repetir o protagonismo do jogo de 2016 – com duas oportunidades, aos oitenta e quatro minutos e aos noventa. Por sua vez, também Bruno Fernandes desperdiçou uma flagrante, já em tempo de compensação.

 

É uma pena não termos terminado o jogo com um resultado mais dilatado, mas deu para segurar os três pontos. Agora basta-nos um empate para garantirmos um lugar na final four. Podíamos já estar Qualificados, descansadinhos, se no Polónia-Itália os italianos não tivessem decidido marcar no tempo de compensação, depois de noventa minutos sem golos. Foi só para nos chatear…

 

Por outro lado, também seria um bocadinho seca ter dois jogos em novembro só para cumprir calendário. Se tudo correr bem, um deles – o segundo, frente à Polónia – sê-lo-á.

 

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Não estava com grandes expectativas para o particular com a Escócia. Primeiro, era um particular. Sgundo, íamos começar com um onze radicalmente diferente – só Rúben Dias se mantinha em relação ao jogo anterior.

 

E de facto Portugal não entrou bem no jogo. A equipa parecia desarticulada, mal conseguindo tocar na bola durante os primeiros minutos. Não que a Escócia tenha conseguido aproveitar. De maneira caricata, a sua melhor oportunidade foi um quase auto-golo: Sérgio Oliveira desviou mal de cabeça e Beto teve de se esmerar.

 

Tirando esse momento, a primeira parte foi uma seca. Só para o fim é que a Seleção começou a dar um ar de sua graça. Bruma teve um par de oportunidades, mas acabou por ser o absoluto estreante Hélder Costa a fazer o golo, em cima do intervalo, após assistência de Kevin Rodrigues.

 

A segunda parte foi melhorzita, se bem que não exatamente interessante. Portugal manteve-se por cima, sobretudo com a entrada de Renato Sanches. O miúdo está finalmente a provar o seu talento outra vez e eu não podia estar mais satisfeita. Ele andou perdido durante demasiado tempo.

 

Foi, aliás, dos pés de Renato que começou a jogada do segundo golo, em cima dos setenta e cinco minutos. O jovem foi chamado a bater um livre direto, a bola encontrou a cabeça de Éder, que a desviou para as redes.

 

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Este foi o primeiro golo do ponta-de-lança desde a lendária final de Paris, há mais de dois anos. Naturalmente, toda a gente ficou feliz. Éder não teve muitas oportunidades de repetir a façanha desde o Europeu – se tivesse jogado mais vezes, poderia ter marcado antes.

 

Há quem diga, já, que ele devia ter sido Convocado antes, sobretudo para o Mundial. Não que discorde… mas também não vou dizer que não compreenda as escolhas de Fernando Santos. Por muito gratos que estejamos todos a Éder, muitos parecem ter-se esquecido que ele é um jogador de altos e baixos. Em contraste, André Silva tem assinado, de forma consistente, uma data de golos pelas Quinas. Em quem é que vocês apostariam?

 

Em todo o caso, é sempre um prazer ter Éder na Seleção, sobretudo a marcar golos. Não apenas por ter marcado o golo mais importante da História do futebol português, mas também pelo seu amor à camisola – mais velho que a final de Paris. De que outra maneira se explica ele ter aguentado tanta crítica, muitas vezes injusta, da massa adepta durante tempo suficiente para marcar aquele golo?

 

Regressando ao jogo com a Escócia, o terceiro golo foi assinado por Bruma – um belo remate após ter fugido a pelo menos três escoceses. O jovem, finalmente, junta o seu nome à lista de marcadores pelas Quinas, depois de ter passado um par de jogos ameaçando. Este é outro que andou desorientado durante uns anos e que parece ter encontrado o caminho certo.

 

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Agora que penso nisso, este foi o jogo dos perdidos e achados. Cada um dos protagonistas (tirando Kevin Rodrigues, tanto quanto sei) têm tido carreiras atribuladas, de uma maneira ou de outra. No entanto, conseguiram orientar-se e, agora, dão o seu contributo para as Quinas.

 

Os escoceses ainda conseguiram o golo de honra antes do final, num lance em que a defesa portuguesa ficou mal na fotografia, devo dizer.

 

E foi isto. Dadas as circunstâncias, não se podia exigir muito mais da parte de Portugal, neste jogo. Para ser sincera, foi melhor do que estava à espera – eu teria apostado num 1-0 ou 2-0.

 

Este jogo serviu para provar que temos segundas linhas, mesmo que não joguem tão bonito como os habituais titulares. Acho que já o disse antes, mas isto, comparado com a situação há cinco ou seis anos, são vacas gordas. Bem diz o povo, não há fome que não dê em fartura.

 

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E não é por acaso, é fruto de vários anos de trabalho por parte da Federação – e não é a primeira vez que o digo.

 

Na verdade, a “moral da história” é mais ou menos a mesma que a dos jogos do mês passado: estamos bem, a começar um capítulo novo. Estamos a entrar no futuro.

 

Nesse aspeto, a Liga das Nações tem dado jeito para fazer essa transição. São jogos oficiais mas, aos olhos de muitos, não serão tão “importantes” como, por exemplo, um Apuramento para um Europeu ou Mundial, a pressão não é a mesma. No entanto, são jogos bem mais competitivos e exigentes que os habituais particulares. E, de qualquer forma, como fomos parar a um grupo pequenino, de apenas três equipas, conseguimos encaixar dois particulares para fazer outras experiências.

 

Confesso que me é um bocadinho estranho pensar que, daqui a um mês, estaremos já a encerrar a fase de grupos desta competição. É uma rotina nova de seleções, ainda estou a habituar-me. A melhor parte, de longe, é podermos vir a participar numa fase final num ano ímpar – outra vez. Melhor ainda, podermos vir a fazê-lo no nosso próprio país!

 

…mas estou a adiantar-me. Ainda nos falta um ponto. Esperemos até que os lugares na final four estejam confirmados antes de fazermos planos para junho. Até lá…