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O Meu Clube É a Seleção!

Mulher de muitas paixões, a Seleção Nacional é uma delas.

Equipamentos da Seleção Nacional (2004-2018): do pior ao melhor

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É este o texto diferente do costume de que ando a falar há algum tempo. Hoje vamos falar sobre equipamentos da Seleção Nacional. 

 

Como toda a gente sabe, em anos pares (regra geral, por volta dos particulares de março/abril), a Equipa de Todos Nós recebe um conjunto novo de equipamentos. Esses equipamentos servem para todo o ciclo bianual, que inclui um Mundial ou um Europeu, a fase de Qualificação para o Mundial ou Europeu seguinte e, mais recentemente, a Liga das Nações. Neste texto, quero pegar nos diferente equipamentos que a Seleção envergou desde 2004 a esta parte (escolho este ano porque foi quando comecei a acompanhar ativamente a Equipa das Quinas) e ordená-los de acordo com as minhas preferências.

 

Aviso desde já que estou longe de ser uma especialista em moda, ainda menos do que em futebol. Este é apenas o meu gosto pessoal, estão à vontade para discordar. 

 

Nesta lista vou só considerar os equipamentos principais. Ainda pensei incluir os alternativos, mas ficaria demasiado confuso. Os alternativos terão o seu próprio texto, um dia. Não a curto prazo, talvez daqui a um ano ou dois. Os que forem lançados este ano já entrarão nessa lista. 

 

Antes de começar, queria deixar bem explícito que, deste conjunto, não existe nenhum equipamento principal de que eu não goste nem um bocadinho. A Seleção teve alguns equipamentos “parolos” no seu passado, como descrevem neste artigo, mas a qualidade melhorou muito de 2000 para a frente. Com os alternativos a história é outra mas, regra geral, não tenho tido razão de queixa em relação aos equipamentos principais nestes últimos dezasseis anos.

 

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Ou melhor até tenho, mas não tem a ver com a qualidade estética do equipamento. Tem a ver com o facto de, pelo menos nas fornadas de 2016 e 2018, os equipamentos produzidos pela Nike seguirem quase todos o mesmo modelo. Basta olharmos para imagens da final de Paris: o equipamento português e o francês são iguais, tirando a cor!

 

E depois temos fenómenos como, por exemplo, o equipamento alternativo da Inglaterra em 2016 ser igual ao nosso principal do mesmo ano e o nosso equipamento alternativo de 2018 ser igual ao da Polónia (com o mesmo tipo de letra nos nomes e tudo). Irrita-me tanto… Que é feito da imaginação?

 

No que toca a equipamentos principais, o vermelho tem sido, naturalmente, a cor predominante. Eu diria que é a minha segunda cor preferida, atrás do azul. Em parte por estar associada à Turma das Quinas. O meu tom preferido não é tanto o clássico vermelho vivo, é um tom um bocadinho mais escuro, como o que escolhi para o fundo deste blogue (consta que o nome oficial é vermelho persa). É uma cor rica, elegante, sobretudo nestes tons menos agressivos.    

 

Também gosto do vermelho cor de vinho tinto para vestir, sobretudo no outono/inverno.

 

Curiosamente, já foram feitos estudos sobre a influência da cor vermelha em equipamentos desportivos. É uma cor que simboliza paixão, energia, testosterona, vitalidade, dominância. Uma cor emotiva, que entusiasma e motiva os aliados e intimida os adversários. Está provado que dá vantagem. 

 

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É claro que essa vantagem pesa menos que fatores como o talento e a técnica. Se não fosse assim, teríamos muito mais que apenas dois títulos. Em todo o caso, o vermelho é uma cor que já faz parte do carácter da Seleção. 

 

Dito isto, gostava de ver mais verde nos equipamentos das Quinas. Afinal de contas, sempre representa cerca de quarenta por cento da nossa bandeira. Além de que é uma cor menos agressiva, que representa esperança, harmonia, compaixão, segurança – características que também fazem parte do ADN da Equipa de Todos Nós, a meu ver. Contrabalançam com as emoções extremas do vermelho e também com a hostilidade endémica do futebol de clubes, sobretudo em Portugal. 

 

Mas passemos ao cerne deste texto: os equipamentos da Seleção nos últimos dezasseis anos, do pior para o melhor. Vamos começar com…

 

8) 2008

 

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Admito-o desde já: o equipamento criado para o Euro 2008 só está no fundo da lista por, usando o termo técnico, picunhices. Em termos gerais, este equipamento não é pior do que os outros desta lista. Como quase todos, é todo em vermelho (embora eu não adore este tom particular), com letras e números dourados. 

 

Aquilo de que não gosto neste equipamento é do feitio da gola (estiveram ali a inventar sem necessidade) e a camisola mais justa que o habitual. Na altura, acho que li em algum lado que isto foi deliberado, era para melhor absorver a transpiração ou algo do género. No entanto, do ponto de vista estético não ficou muito bem, na minha opinião. Prefiro camisolas mais largas. 

 

7) 2012

 

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O equipamento apresentado para o Euro 2012 não difere radicalmente do de 2008. Também ele é todo vermelho, um vermelho vivo, clássico. Desta vez, no entanto, não se puseram a inventar: a gola tem um feito normal, a camisola não parece nem demasiado larga nem demasiado justa.

 

Na verdade, o ponto fraco deste equipamento é precisamente o facto de não terem inventado nada. É um equipamento simples, uma aposta segura, que não é feio mas também não deslumbra. É pouco imaginativo. Parece-se mais com o modelo básico com que os designers (estilistas?) da Nike começam na hora de conceber um equipamento novo.

 

É por isso que está tão baixo nesta lista: falta-lhe carácter. 

 

6) 2018

 

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Este é o equipamento mais recente desta lista. Criado para o Mundial 2018, mas que também foi usado durante a conquista do nosso segundo título, na Liga das Nações. Tem algumas semelhanças com o de 2008: todo vermelho, letras e números dourados. Está melhor conseguido, no entanto: gosto do estilo dos múmeros e do discreto efeito “riscado” nos ombros e braços – mais proeminente em outras peças desta coleção, como o equipamento de treino.

 

Pode ser o mesmo modelo que a Nike aplicou a todos os seus equipamentos se seleções, mas ao menos é bonito.

 

5) 2006

 

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O equipamento criado para o Mundial 2006 é todo vermelho, como vários outros desta lista. Este, no entanto, é um vermelho diferente, bastante curioso. Varia consoante a luz. Sob a luz artificial é um vermelho mais perto do vinho tinto (parecido com o vermelho das camisolas dos finais dos anos 90, início dos anos 2000). Sob a luz do sol transforma-se num vermelho mais vivo, cor de sangue seco.

 

É um efeito muito giro e único. Tive várias oportunidades de vê-lo, pois cheguei a ter o boné desta coleção, da mesma cor. Infelizmente perdi-o.

 

O único problema é que, apesar de ser uma cor original e bonita, é um bocadinho escura demais, que se torna demasiado quente e pesada. Tendo em conta que os grandes campeonatos de seleções se realizam durante o verão, esta é uma desvantagem significativa. É só mesmo por este motivo que este equipamento não está mais acima na classificação.



4) 2010

 

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Nesta parte da lista, as diferenças entre os equipamentos em termos de preferência não são muito grandes. Foi difícil de definir a ordem nesta parte. Se estivesse a escrever este texto há um ano, a ordem se calhar seria diferente. Hoje fica assim.

 

Finalmente um equipamento que não é todo em vermelho: o criado para o Mundial 2010. A camisola é vermelha, mas possui uma faixa verde horizontal, na zona do peito. Inicialmente os calções eram brancos – eu gostava assim, mas admito que fica demasiado parecido com o equipamento do Manchester United. 

 

Talvez seja por isso que, em muitos jogos (talvez na maior parte deles), a Seleção tenha usado calções vermelhos. Também ficam bem, não me interpretem mal – a faixa verde distingue-os dos vários equipamentos-todos-vermelhos – mas eu preferia os calções brancos. Mais: este seria o equipamento ideal para recuperar a tradição dos calções verdes. Uma oportunidade desperdiçada, na minha opinião. 

 

3) 2016

 

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Este equipamento tem o grande viés de ter sido o equipamento com que ganhámos o nosso primeiro título. Eu mesma tenho a camisola – há anos que queria uma da Seleção e optei pela camisola de Campeões Europeus.

 

Não digo que a minha opinião não seja nem um bocadinho enviesada mas, na minha opinião, mesmo colocando de lado o facto de ser a camisola da final de Paris, é um equipamento bonito por si mesmo. Na verdade, mais do que o fator Campeão Europeu, pesa mais o facto de eu ter um exemplar da camisola, que posso examinar ao pormenor.

 

Esta camisola tem os ombros e os braços num vermelho mais escuro – como poderão ver na fotografia abaixo, são na verdade riscas muito finas, alternando entre o vermelho-vinho-tinto e o vermelho do resto da camisola. Esse vermelho, aliás, é o tal vermelho-persa de que falei acima, o meu tom preferido (se não for exatamente esse o tom, está muito próximo).

 

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É, em suma, um belo equipamento (mesmo que, mais uma vez, partilhe o modelo com várias outras seleções da Nike). Merece ser este a figurar nas fotografias do 10 de julho. 

 

2) 2014

 

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Este é capaz de ser o equipamento mais criativo e original desta lista (só o de 2010 é que compete com ele nesse capítulo). É todo em vermelho, mas a camisola possui um degradê (é esse o termo correto?). O peito e os ombros são num vermelho mais vivo que, depois, transita para um vermelho mais escuro, que ocupa a parte de baixo da camisola, os calções e as meias.

 

É uma pena este equipamento estar associado ao desastre que foi o Mundial 2014 porque eu gosto mesmo muito deste equipamento. Só prova que a beleza da camisola não serve de prognóstico.

 

E ainda bem, não é? Para estas coisas ninguém gosta de spoilers.

 

1) 2004

 

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Como disse antes, tive algumas dificuldades em definir partes desta classificação, mas nunca tive dúvidas em relação ao primeiro lugar. 

 

Admito que haja muita nostalgia nesta escolha. Como poderão ler aqui, muitos dos meus jogos preferidos de sempre da Seleção decorreram durante o Euro 2004. Ainda hoje, se reescrevesse essa lista, o Portugal-Espanha continuaria no primeiro lugar – porque foi onde tudo começou para mim. Se não fosse esse jogo, nenhum dos outros teria tido o mesmo impacto.

 

É difícil explicar a quem não se lembre desse campeonato ou tenha nascido depois dele (parecendo que não, gente de quinze anos incluem-se nesse grupo) o impacto que o Euro 2004 teve no povo. Fomos nós os anfitriões, uns anfitriões bastante entusiastas. A Seleção ia fazendo a sua parte, com jogos que se tornariam lendários. Todo o país esteve em festa como nunca se vira antes e não se tornaria a ver até agora.

 

Não, nem mesmo quando nos sagrámos Campeões Europeus. Não estou a dizer que tenha sido pior ou melhor, apenas que não foi a mesma coisa. Porque foi em França, não em Portugal.

 

O equipamento do Euro 2004 foi o último equipamento até agora a ter calções verdes. As cores, aliás, são mais vivas do que o costume, sem destoarem, com pormenores dourados – as faixas verticais, fininhas, de cada lado da camisola. À frente os números aparecem dentro de círculos, em homenagem ao equipamento da Seleção no Mundial de 1966. 

 

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Em suma, é um equipamento brilhante e festivo, diferente de qualquer outro, o que reflete na perfeição aquilo que o Euro 2004 representou para nós: um período feliz, brilhante, uma festa, algo irrepetível. O início da minha história de amor com a Seleção – e por isso estará sempre em primeiro.

 

E cá estão, os equipamentos das Quinas ordenados pelas minhas preferências. Devia ter calculado que dedicaria uma boa parte deste texto a comparar tons de vermelho mas olhem. Foi diferente. Foi divertido.

 

Agora estou ansiosa pela revelação do equipamento do Euro 2020. Provavelmente fá-lo-ão aquando dos jogos de março: o torneio da Qatar Airways, em que vamos jogar com a Bélgica e a Croácia. Espero que não se limitem a um equipamento liso, todo vermelho. Espero que sejam criativos, que lhe deem personalidade própria.

 

Não me peçam para decidir logo em que lugar ficaria nesta lista, ou mesmo para dar logo um parecer definitivo sobre o equipamento. Vou precisar de tempo para formar as minhas opiniões, de ver a Seleção envergando as novas camisolas em campo.

 

É esperar para ver. A contagem decrescente continua. Acompanhem-na connosco, na página de Facebook deste blogue.

Era preciso exagerar?

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No passado sábado, dia 30 de novembro, realizou-se o sorteio para a fase de grupos do Europeu do próximo ano, que terá lugar em várias cidades europeias. Portugal foi sorteado para o grupo F, juntamente com a Alemanha, a França e o vencedor da Liga A dos play-offs que terão lugar em março.

 

Antes de mais nada, se não se importam…

 

 

Obrigada. Estava a precisar.

 

Havia muito boa gente a desejar um grupo difícil para este Europeu. Começando pelo próprio Fernando Santos, terminando em mim, até certo ponto. Estamos fartinhos de sabê-lo, eu mesma tenho referido-o várias vezes aqui no blogue, nos últimos tempos: tradicionalmente, Portugal dá-se melhor em condições adversas. Quando os adversários são considerados fáceis, Portugal atrapalha-se. Também se sabia que, estando no pote 3, a Seleção dificilmente calharia num grupo demasiado difícil.

 

Mas também não era preciso exagerar. Queriam um grupo difícil? Ora tomem!

 

Pude acompanhar o sorteio pela televisão. Doeu um bocadinho ver Ricardo Carvalho e João Mário entregando a Henri Delaunay – é nossa! Nós conquistámo-la com sangue, suor e muitas lágrimas (de tristeza e alegria). Falando por mim, ainda não estava preparada para me separar dela.

 

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Enfim. Ficam as recordações.

 

Como habitual, os potes 1 e 2 foram sorteados primeiro. Quando a Alemanha e a França calharam no mesmo grupo, soltei logo um gemido: estava definido o Grupo da Morte. 

 

Devia ter adivinhado logo. 

 

Este foi mais um caso de sofrimento até ao fim. Tivemos de ver as outras seleções do pote 3 sendo sorteadas para outros grupos, até só sobrarmos nós para o grupo F.  

 

 

Se espreitarem as minhas publicações na página do Facebook deste blogue na altura do sorteio, verão que não reagi muito bem. Ainda não recuperei por completo. Mas também, para ser sincera, não era para menos. Naquele momento, se apanhasse os Marmanjos a jeito, dava-lhes um abanão:

 

– Estão a ver no que dá complicar a Qualificação sem necessidade?!?

 

Alemanha e França, os últimos dois Campeões do Mundo! Mesmo sem ter em conta o (péssimo) histórico que temos com estas duas equipas, não sei se era possível termos um grupo mais difícil. Pelo menos a nível europeu, a única outra seleção que se equipara em termos de dificuldade e de histórico desfavorável é a Espanha. 

 

Mas agora procuremos analisar as coisas com mais calma. Começando pela Alemanha. 

 

Como se poderão recordar, os últimos quatro jogos que disputámos com eles não correram bem. Em 2006, jogámos pelo terceiro lugar no Mundial e perdemos por 3-1. Em 2008, já tinha eu este blogue, perdemos por 3-2, nos quartos-de-final do Europeu – embora, tanto quanto me recordo, não tenhamos jogado muito mal. Também não jogámos mal quando perdemos com eles, no Euro 2012

 

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Mas a nossa recordação mais recente de jogarmos com alemães é de sermos massacrados em Salvador. Esse é um trauma que ainda não passou. Não admira que Joachim Löw diga que guarda boas recordações de Portugal. Claro que guarda.

 

Dito isto, a Alemanha não parece ser, neste momento, o tubarão futebolístico que era há uns anos. No Mundial 2018 defendiam o título mas foram eliminados logo na fase de grupos – provando que a maldição é real, logo eles que eu pensava que seriam a exceção à regra. A crise continuou na Liga das Nações, quando ficaram em último lugar na fase de grupos – mas também estava lá com a França e com a Holanda. 

 

Pelo meio, Joachim Löw operou uma pequena revolução na equipa. Deixou pelo caminho vários dos seus habituais, até só sobrarem Manuel Neuer, Toni Kroos, Marco Reus e Ilkay Gundongan. Ao mesmo tempo, encheu a equipa de jovens. De facto, Löw não considera esta Alemanha favorita ao título europeu por ser uma equipa demasiado inexperiente.

 

Talvez seja… mas não deixam de ser jogadores de boa qualidade, alinhando em grandes clubes europeus. Não deixam de ser a Alemanha. Ninguém com dois dedos de testa vai subestimá-los. 

 

Por sua vez, a França será, sem sombra de dúvidas, a melhor seleção do mundo neste momento. Desde que perderam o Europeu para nós, fizeram praticamente tudo bem. Venceram o Mundial 2018, para grande azia minha. Os únicos tropeções que deram nos últimos dois anos foi ficarem em segundo lugar na fase de grupos da Liga das Nações (recordo que ficaram no mesmo grupo que a Alemanha e a Holanda) e perderem contra a Turquia neste Apuramento – o único motivo pelo qual ficaram no pote 2. A seleção francesa está recheada de nomes sonantes, aponta para o título e, agora que nos apanharam no grupo… vão querer vingança.

 

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Apesar de lhes termos ganho o Europeu, não tenhamos ilusões. Houve muito mérito nosso, mas algo que jogou a nosso favor foi o facto de os franceses nos terem subestimado. Ainda aquando deste sorteio, Didier Deschamps apelidou Fernando Santos de “espertalhão” por ter dito, na altura, que a França era favorita ao Europeu… mas era alguma mentira? A França jogava em casa e, ao contrário de nós, já tinham vencido o Europeu antes. Não é culpa nossa que eles tenham achado que eram favas contadas – nós tínhamos, e continuamos a ter, menos currículo, mas ninguém chega a uma final por acaso.

 

De qualquer forma, sabemos agora que os franceses não vão cometer esse erro de novo. E para além do que disse acima sobre eles serem os actuais melhores do mundo, se considerarmos o nosso histórico com eles, tirando a final do Europeu… não é animador. Mais de quarenta anos sem conseguirmos vencê-los, três derrotas em meias-finais. 

 

Dizer que não vai ser fácil é eufemismo.

 

Com isto tudo, ainda mal referi o terceiro adversário. Este só será definido daqui a uns meses, o que me é estranho – estava habituada a ter grupos decididos por completo nesta altura. Para sermos sinceros, este adversário é a menor das nossas preocupações – em parte porque é difícil preocupar-nos com um adversário por definir. 

 

Em princípio, o terceiro adversário será o vencedor da Liga A: Islândia, Hungria ou Bulgária. Tecnicamente a Roménia também joga na Liga A mas, uma vez que Bucareste é uma das cidades-anfitriãs do grupo C, se a Roménia se Qualificar irá para esse grupo, de modo a poder jogar em casa. Nesse caso, as outras equipas que poderão entrar na equação serão a Geórgia, a Bielorrússia, a Macedónia e o Kosovo. 

 

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Não quero perder muito tempo com estas últimas equipas, já que é menos provável virem para o nosso grupo. Se isso acontecer, logo escreverei sobre isso. 

 

Por algum motivo, os meus pressentimentos dizem-me que será a Islândia a Qualificar-se – a nossa velha amiga com quem nos estreámos no Euro 2016. No Mundial 2018 os islandeses não passaram da fase de grupos e, na Liga das Nações, ficaram em último lugar no seu grupo. Sempre estavam na Liga A, mas… Não estou a vê-los fazendo frente à Alemanha ou à França (se mesmo nós estamos aqui aflitos…), mas sempre guardam boas recordações de Portugal. Pode não ser suficiente para nos vencerem, mas sempre lhe dará alguma motivação.

 

Por sua vez, a Hungria não parece estar ao nível a que esteve durante o Europeu, naquele jogo tão parvo. Ainda assim, se se Qualificarem, jogarão em casa. Da última vez que jogámos em Budapeste, vencemos mas não foi fácil e trouxemos mais pontos do que precisávamos. 

 

Por fim, a Bulgária não foi ao Mundial 2018. Na Liga das Nações, esteve na Liga C. Nos últimos anos só disputámos um jogo particular com eles, em 2016 (antes de pesquisar para este texto já nem me lembrava deste jogo), de onde saímos derrotados por 1-0. Ainda assim, não estou a vê-los, criando grandes dificuldades a Portugal (meu Deus, espero não me arrepender destas palavras…).

 

Em todo o caso, a qualquer que seja a seleção a Qualificar-se para o nosso grupo… os meus pêsames. Se estivesse no lugar deles, quase preferia ficar de fora do Europeu. 

 

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Uma das coisas que me preocupa nesta fase de grupos é o facto de nos estrearmos com o vencedor do playoff. Portugal tem a infeliz mania de não ganhar o primeiro jogo de uma fase final, conforme já assinalei aqui no blogue. Desta feita não vai dar para perder pontos – com dois tubarões no nosso tanque, não nos podemos dar ao luxo de levar dentadas da sardinha. Vamos ter de entrar a matar – mais sobre isso já a seguir. 

 

A única vantagem do grupo F é o facto de ser dos melhores em termos de deslocações. Entre Munique, na Alemanha, e Budapeste, na Hungria, são “só” 553 quilómetros de distância. Em comparação com as cidades dos outros grupos é metade ou menos. 

 

Isto de fazer o Europeu um pouco por todo o continente é muito bonito, mas muito complicado em termos de logística. Jogadores e equipas técnicas das várias seleções vão chegar ao fim do campeonato completamente esgotados. 

 

Fernando Santos lamentou o facto de não termos ficado no grupo de Bilbau – sempre daria para ficarmos em casa, na Cidade do Futebol. Continuo a achar que devíamos ter candidatado Lisboa e/ou Porto para a organização deste Europeu. No entanto, em 2013-2014, com a troika a respirar sobre os nossos pescoços, quem estava disposto a arriscar? Ninguém calculava que nos sagraríamos Campeões Europeus nem que Portugal se tornaria um dos melhores destinos turísticos do Mundo. Assim sendo, deveremos instalar-nos em Budapeste. 

 

Resumindo e concluindo, espera-nos uma viagem dura e turbulenta para defendermos o Europeu. Não faltará emoção, disso podemos ter a certeza. Precisamente por isso, em vez de Grupo da Morte, há quem prefira chamar a conjuntos como este Grupo da Vida ou Grupo da Glória, como ouvi no outro dia. Tudo muito bonito e não nego que haja verdade nisso. Mas é fácil dizer que é o Grupo da Vida, um grupo emocionante quando se está do lado de fora, com um balde de pipocas. Não quando é a nossa equipa em palco.

 

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É muito simples: vamos ter de dar o nosso melhor. Vamos ter de deixar as nossas habituais parvoíces de lado, vestir o fato de super-heróis, invocar a força, o espírito, o que quer que seja que nos permitiu sagrar-nos Campeões Europeus. Repetindo mais uma vez, temos a fama de nos sairmos melhor em circunstâncias difíceis, de nos superar-nos. Vamos ter de passar da fama à prática.

 

Quanto a nós, adeptos, temos de nos preparar para muito sofrimento. Agora é uma boa altura para marcar consulta no cardiologista, arranjar umas receitas para nitroglicerina (o comprimido que se põe debaixo da língua). Vai ser duro… mas a verdade é que não queríamos que fosse de outra maneira. 

 

Eu acredito que será possível sobrevivermos a este grupo, nem que seja pelo terceiro lugar. Até ao momento ultrapassámos sempre a fase de grupos de Europeus – alguns em circunstâncias quase tão difíceis ou mesmo igualmente difíceis. E se conseguirmos sobreviver a um grupo com a Alemanha e a França – sobretudo se conseguirmos vencer pelo menos um deles – seremos capazes de sobreviver a praticamente tudo neste Europeu. Estou certa de que jogadores, equipa técnica e Federação em geral farão tudo para que isso aconteça.

 

Até lá… 

Stress até ao fim

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Na passada quinta-feira, dia 14 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere lituana por seis bolas sem resposta. Três dias mais tarde, deslocou-se ao Luxemburgo onde venceu a sua congénere local por duas bolas também sem resposta. Com estes resultados, a Seleção ficou em segundo lugar no grupo B do Apuramento para o Europeu de 2020, conseguindo a Qualificação direta.

 

No que toca ao jogo com a Lituânia, aconteceu uma coisa engraçada. Quem acompanhe a página de Facebook de apoio a este blogue saberá que costumo deixar uma pequena mensagem de antecipação cerca de meia hora antes do início de cada jogo. Mais tarde ao intervalo – nem sempre – costumo deixar uma mensagem ainda mais curta, fazendo o ponto da situação. 

 

Neste jogo, os Marmanjos fizeram tudo o que lhes “pedi” em ambas as mensagens. Na primeira, referi que esperava que chegassem depressa ao 2-0. Costuma-se pedir para chegar depressa ao 1-0, mas, se formos a ver, no outro jogo com a Lituânia, em casa deles, marcámos cedo mas consentimos o empate. 

 

A Seleção cumpriu. Não vi a primeira parte porque, mais uma vez, saí do trabalho às oito. Soube do primeiro golo por conversão de penálti através do Twitter no meu telemóvel. Quando cheguei ao meu carro e liguei o relato soube que estava a ser um início de jogo avassalador para Portugal, com oportunidades atrás de oportunidades. De Cristiano Ronaldo, Gonçalo Paciência (consta que ele falhou uma de caras), Bernardo Silva, Mário Rui… 

 

Ronaldo acabaria por marcar de novo, assistido por Paciência que recebera a bola de um simpático jogador lituano. Quando mais tarde cheguei a casa e vi a repetição fiquei de queixo caído com aquela bomba. 

 

 

Chegámos, assim, ao 2-0 pouco após os vinte minutos de jogo, tal como eu “pedira”. Podíamos estar já a ganhar por mais nessa altura. O ritmo abrandou durante o resto da segunda parte, mas mantivemos o jogo controlado. 

 

Na mensagem que deixei ao intervalo, quando já estava em casa, desejei que houvessem mais golos na segunda parte – para eu poder ver na televisão e, já agora, para termos uma goleada como já não tínhamos há algum tempo. 

 

A Seleção cumpriu, mais uma vez. Poucos minutos após o início da segunda parte, Bruno Fernandes assiste para Pizzi. Este remata de um ângulo apertado, a bola bate na trave e no poste mas cruza a linha de baliza. Para além de ser bonito ver dois rivais clubísticos colaborando num golo pela Seleção, Pizzi provou que a sua titularidade não foi um erro. Foi uma bela jogada. 

 

Poucos minutos depois, Bernardo Silva rematou de fora da área. O guarda-redes Setkus defendeu para a frente, Gonçalo Paciência aproveitou a ocasião para se estrear a marcar pelas Quinas. 

 

Depois da assistência, foi a vez de o próprio Bernardo assinar um golo: depois de algumas trocas de bola com Ricardo Pereira, rematou sem dificuldade para as redes. Setkus não pôde fazer nada.

 

O marcador foi encerrado pela mesma pessoa que o abriu: Ronaldo. Foi mais uma vez Bernardo a assistir, depois de ter roubado a bola à defesa lituana. Ronaldo até pareceu surpreendido pela bola durante um segundo, mas logo marcou o golo como se nada fosse. 

 

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Bernardo Silva seria substituído pouco depois. Se precisássemos de uma prova da sua importância para a Seleção, os golos pararam e o ritmo abrandou depois da sua saída – ainda que Portugal tenha continuado por cima. Bernardo esteve em todo o lado neste jogo, como Deus, contribuiu para pelo menos metade dos golos. Já não é a primeira vez que o digo e duvido que seja a última: o miúdo é já o número dois da Seleção, o Príncipe das Quinas, como disseram no Record, tão insubstituível como Ronaldo ou Rui Patrício. Todos os elogios são insuficientes.

 

Por sua vez, Cristiano Ronaldo aguentou-se em campo até aos oitenta e três minutos. Segundo os comentadores, de tanto em tanto tempo durante a segunda parte, Fernando Santos perguntava-lhe se ele estava bem, se queria continuar a jogar. Comunicação: um ingrediente essencial a uma relação saudável. Ronaldo ia fazendo questão de jogar, mas lá aceitou sair uns minutos antes do fim, para a ovação. 

 

Dias mais tarde, já concluída a dupla jornada, Ronaldo admitiria que se sacrificara, que alinhara nestes jogos da Seleção, bem como nos anteriores pela Juventus, fisicamente condicionado. Não posso deixar de comentar que, jogando condicionado, marca quatro golos em dois jogos, algo que muitos jogadores não conseguem nem nos seus picos de forma. Em todo o caso, como era mais ou meos de esperar, estas simples declarações incendiaram a imprensa nos dias que se seguiram, sobretudo em Itália.

 

Eu não percebo nada de medicina desportiva, não sou a melhor pessoa para avaliar esta situação (nem esta nem de praticamente nada sobre o que escrevo aqui mas, se me ralasse com isso, não haveria blogue). Mas confesso que estas situações me irritam. O mundo futebolístico gira à volta de Cristiano Ronaldo: a Seleção e Federação Portuguesa de Futebol por arrasto, a Juventus, imprensa desportiva… Eu sei que ele é o Melhor do Mundo e que lhe saiu praticamente tudo do seu próprio suor mas, por favor… Menos!

 

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É por estas e por outras que, às vezes, quase desejo que Ronaldo saia da Seleção. Só mesmo para não termos de lidar com estes joguinhos todos, que roubam tempo de antena a conferências de imprensa em que são outros jogadores a responder às perguntas. Ronaldo faz muito por nós, dá-nos muito jeito, sou a primeira a admiti-lo, mas esse contributo sai caro. 

 

Mas regressemos ao jogo com a Lituânia. Muitos defendem que este terá sido o melhor jogo de Portugal neste Apuramento, se não tiver sido o melhor dos últimos anos. Melhor dos últimos anos será exagero – a meu ver, o nosso melhor jogo dos últimos anos foi a final da Liga das Nações, frente à Holanda. Mesmo dizer que foi o melhor do Apuramento é questionável: quanto mérito se pode atribuir à equipa vencedora quando a equipa derrotada praticamente não existiu no jogo?

 

Não quero com isto dizer que Portugal não teve mérito, pelo contrário. Há muito que não se via a Seleção a atacar “sem medo”, como diziam no jornal Record. Fez-se tudo como deve ser. Os Marmanjos fizeram aquilo que eu lhes “pedi”, como referi acima, e, mais importante, segundo Pizzi depois do jogo, fizeram aquilo que Fernando Santos lhes indicou. “Não passámos por calafrios. Trabalhámos na segunda bola, para não deixar o contra-ataque. Foi assim que o mister pediu.”

 

Falando individualmente, já referimos Cristiano Ronaldo e Bernardo Silva, mas também destaco Pizzi, Bruno Fernandes, Gonçalo Paciência, Mário Rui. Ricardo Pereira em particular surpreendeu-me pela positiva – porque é que Fernando Santos não o pôs a jogar mais vezes antes?

 

Fico com esperança de que seja possível fazer exibições como esta no futuro. De preferência no Europeu. 

 

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Foi um bom jogo, mas não foi o suficiente para garantir a Qualificação. Isso só aconteceu no domingo, frente ao Luxemburgo. 

 

Nesse dia fui almoçar fora com familiares – fizemos reserva para a mesma hora do jogo. Chegámos um bocadinho depois da hora: acompanhámos os hinos e os primeiros minutos do jogo através da rádio. Ouvimos A Portuguesa cantada por uma senhora luxemburguesa que, para ser justa, tinha boa voz, mas não conseguiu disfarçar o sotaque e, nalguns momentos, enganou-se no ritmo. Eu tive de me esforçar para não rir – não sei se existe alguma regra oficial, mas não me parece que seja boa educação rir durante o hino nacional… 

 

Havia televisão no restaurante, mas os empregados não a ligaram. Disseram que estava avariada – embora se tenha consertado por magia no início da segunda parte. Não se pode levar a mal – quando lá chegámos, estavam com muito movimento. Não queriam o jogo da Seleção tentando os clientes a prolongarem o almoço, quando estavam pessoas à espera de mesa. Felizmente, tínhamos o RTP Play.

 

Ainda assim, não prestei muita muita atenção ao jogo, com o almoço e o convívio. Não perdi muito – com o péssimo estado do terreno (fazendo lembrar a primeira mão dos play-offs frente à Bósnia-Herzegovina em 2011) e a garra dos luxemburgueses, superior à sua posição no ranking da FIFA. Portugal estava a fazer uma exibição sofrível, desinspirada. Mesmo não prestando atenção, não deixei de me sentir nervosa – sobretudo quando a minha irmã dizia que a Sérvia estava a ganhar à Ucrânia. 

 

Quando temos estas jornadas finais, com jogos à mesma hora para evitar combinações de resultados, gosto de imaginar as quatro equipas no mesmo campo, jogando umas contra as outras. Na prática é mais ou menos isso que acontece. 

 

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Ao mesmo tempo, por princípio, não gosto de estar a ver o nosso jogo com ouvidos noutro – pelo menos não quando dependemos de nós mesmos. Independentemente das circunstâncias, uma equipa deve sempre lutar pela vitória. Sim, se a Sérvia estivesse empatada naquele momento, ou a perder, eu estaria menos nervosa. Mas, mesmo conseguindo a Qualificação por combinação de resultados, seria sempre indigno não ganharmos frente ao Luxemburgo, não desfazendo.

 

Não que tenha acabado por ser muito melhor, diga-se. 

 

Foi um alívio quando Portugal chegou finalmente à vantagem. Esta foi uma das ocasiões em que não estava a preparar atenção ao jogo – só me apercebi quando a minha irmã exclamou, discretamente, "Golo!". 

 

Quando olhei para o telemóvel, já só vi os festejos em direto, com Bruno Fernandes no centro, que se estreava a marcar pela Seleção. De seguida passaram as repetições do golo. Na primeira, passaram a assistência para Bruno desde o meio campo – perfeita, soberba, teleguiada como se diz hoje em dia – mas não consegui identificar o autor. Disse mesmo:

 

– Quem é que fez aquele passe? Espetacular! Foi o… Ah! Foi o Bernardo Silva! Tinha de ser ele. 

 

 

Estão a ver o que eu digo sobre todos os elogios serem insuficientes? 

 

Como disse acima, no restaurante ligaram a televisão para a segunda parte. A partir daqui, a Seleção procurou segurar o resultado. Ia funcionando, mais ou menos. Eu, mesmo assim, continuava uma pilha de nervos – sobretudo porque a exibição estava longe de convencer. 

 

Tem de ser sempre assim, não tem? Por mais voltas que se dê, todas as Qualificações começam da mesma maneira – com um ou mais tropeções – e terminam da mesma maneira – com incerteza e muito stress até ao fim. Cada Apuramento tira-me uns três a cinco anos de vida. Já vou em seis só com este blogue, façam as contas. 

 

Para ser justa, sim, é sempre difícil, é sempre atribulado, mas termina sempre da mesma maneira: Apurados. Tem sido assim há duas décadas. A minha irmã fez vinte e dois anos no outro dia e nunca viu a Turma das Quinas falhar uma Qualificação. 

 

É possível que eu já tenha escrito isto aqui no blogue. Não importa – só reforça aquilo que digo. Daqui a dois anos quero poder dizer que a minha irmã tem vinte e quatro anos e continua sem ver a Seleção falhar um Apuramento.

 

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Mas estou a adiantar-me. Felizmente tivemos direito a uns minutos de alívio antes do apito final. Bernardo Silva, claro, centrou para Diogo Jota, que estava muito perto da baliza. O miúdo fez um remate acrobático atrapalhado, o guarda-redes ainda tocou na bola mas não conseguiu travá-la. Em cima da linha de baliza, Cristiano Ronaldo foi lá certificar-se de que a bola entraria mesmo – e para garantir que seria ele o autor do golo.

 

Não podias ter deixado esta para o puto, Cristiano? Se fosse ao contrário, não terias achado piada nenhuma. Ao menos Ronaldo foi logo abraçar Jota e talvez este não tenha levado a mal. Não lhe faltarão oportunidades para marcar pelas Quinas. Ronaldo, por sua vez, não terá muitos mais anos de carreira, mas tem um recorde para bater antes de pendurar as chuteiras.

 

Então lá nos Qualificámos em segundo lugar, evitando os play-offs. Tal como desejava, vamos começar 2020 sabendo que estamos no Europeu. Esteve longe de ser um Apuramento brilhante – na verdade, foi o pior de Fernando Santos, não só como treinador de Portugal, mas também como treinador da Grécia.

 

Não sei se deva estar preocupada, se será um indício trágico para o Euro 2020 – foi-o para o Mundial 2014 e mesmo o de 2010, de certa forma. Será que os problemas que surgiram durante este Apuramento tornarão a manifestar-se no Europeu? Um Europeu em que, recordemos, seremos os detentores do título.

 

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Como já tinha referido no mês passado, as consequências desta Qualificação refletir-se-ão no sorteio para a fase de grupos do Euro 2020. Corrijam-me se estiver enganada, mas penso que é a primeira vez que a constituição dos potes é determinada pelo desempenho no Apuramento e não pelo ranking da FIFA. Eu concordo, acho mais justo – como me queixo praticamente todos os meses na página de Facebook deste blogue, não dou muita credibilidade a essa classificação. 

 

Eu sei que isso significa pior sorte para nós, Seleção Portuguesa, mas sejamos sinceros: só nos podemos culpar a nós. Como sempre. A menos que Deus Nosso Senhor seja extremamente generoso connosco (não seria a primeira vez, por acaso), devemos apanhar pelo menos um tubarão no nosso grupo. É certo que, como estamos todos fartos de saber, por tradição damo-nos melhor em grupos difíceis… Mas existem sempre exceções. 

 

Não quero especular muito sobre este sorteio. Como costumo dizer, está nas mãos da Sorte, do destino, de Deus ou de qualquer entidade sobrenatural à vossa escolha. Não podemos fazer nada senão esperar – é já este sábado!

 

Estou um bocadinho triste por não voltarmos a ter jogos da Seleção até março, mas com isto tudo o blogue não ficará inativo durante muito tempo. Como habitual, farei uma pequena análise ao resultado do nosso sorteio. Depois dessa, teremos o balanço de 2019, a publicar no fim do ano – ou, mais provável, um pouco depois. Para além destas, vou querer escrever ainda um terceiro texto, uma coisa diferente do habitual. Não vou dizer muito para não estragar a surpresa, mas espero publicá-lo antes dos particulares de março. 

 

Em jeito de despedida, de “até breve!”, não resisto a deixar aqui o anúncio da hilariante campanha de Natal da loja online da FPF (adoro o que o marketing da Federação tem feito nestes últimos anos).

 


Tenho de aprender a fazer tricot.

Novidades

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Na próxima quarta-feira, dia 14 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol receberá a sua congénere lituana no Estádio do Algarve. Três dias depois, será recebida na cidade do Luxemburgo, onde defrontará a seleção local. Estes jogos serão os últimos da fase de Apuramento para o Europeu de 2020.

 

As novidades na Convocatória para esta dupla jornada estão todas à frente (isto é, por enquanto. Pepe lesionou-se outra vez, deverá falhar estes jogos mas, até ao momento desta publicação, ainda nada foi confirmado oficialmente). Depois de ter fugido à questão antes, depois de ter afirmado que, hoje em dia, já não existem “noves puros” como antigamente, Fernando Santos Convocou nada menos que três pontas-de-lança. Um deles Gonçalo Paciência, que, segundo muitos, já merecia uma Chamada há algum tempo, mas também Eder e André Silva.

 

Isto dever-se-á em parte às lesões de João Félix e Gonçalo Guedes. No caso do primeiro é uma pena. Ainda não vai ser desta que o puto se estreará a marcar com a Camisola das Quinas, correspondendo ao hype todo. Ao menos seremos poupados aos comentadores da RTP pronunciando o seu apelido como “Félich” nestes dois jogos. 

 

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Por outro lado, perante equipas de posição baixa no ranking, que procuram fechar-se muito à defesa e adiar ao máximo o primeiro golo, faz sentido que Fernando Santos traga homens cuja principal função seja ampliar marcadores. Talvez para tentar obter goleadas, como as habituais há quinze, vinte anos perante seleções deste calibre. 

 

Estas parecem ser boas Escolhas para esse papel, talvez as melhores neste momento. Gonçalo Paciência, que regressa à Seleção dois anos depois da última vez, já conta nove golos em vinte e dois jogos. Conforme dissemos acima, já não era sem tempo.

 

Por sua vez, Eder tem passado por uma boa fase no Lokomotiv de Moskovo: conta cinco golos em catorze jogos. O Marmanjo pode nunca vir a ser o Melhor do Mundo, mas terá sempre o estatuto lendário de quem marcou o golo da vitória quando ganhámos o nosso primeiro título. Sabe sempre bem quando ele é Convocado para as Quinas. Na minha opinião, devia vir sempre que possível – isto é, desde que o seu desempenho no clube o justifique, claro. Até porque, como li no outro dia no Record, o seu misticismo pode funcionar como inspiração para os outros jogadores. 

 

Por sua vez, André Silva conta três golos em oito jogos. Mesmo as outras novidades nos avançados – Diogo Jota, Bruma, Daniel Podence – têm alguns golos marcados esta época. E, claro, temos Cristiano Ronaldo.

 

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Regressando a questão dos pontas-de-lança, Fernando Santos procurou emendar a mão de há uns meses atrás. Disse que foi mal interpretado ao dizem que, no futebol moderno, já não existem pontas-de-lança. Aparentemente tinha a ver com “um jogador fixo, que se situa apenas na área”, alegadamente chamados na gíria “pontas-de-mama” (...OK). 

 

Para ser sincera, é-me indiferente. Os jogadores estão Convocados e bem Convocados. Com o devido respeito, não me interessam as desculpas que Fernando Santos inventa para manter o seu orgulho. Da minha experiência e falando de uma maneira geral, claro, antes um Selecionador incoerente mas que toma as do que um Selecionador que não Convoca os melhores por teimosia.

 

Uma tendência em que tenho vindo a reparar este ano é que, nestas crónicas pré-jogos, dedico alguns parágrafos às novidades nas Convocatórias mas depois, em pelo menos metade dos casos, essas novidades não chegam a entrar em campo ou, quando entram, pouco contribuem para a história das partidas. É um bocadinho frustrante, mas gosto de pensar que não é uma completa perda de tempo. Saber mais sobre os nossos Marmanjos não ocupa espaço. 

 

Ao menos desta vez, nesta dupla jornada, não existem estreias absolutas. Já escrevi sobre todos eles aqui no blogue, alguns há pouco tempo, alguns mais do que outros, claro. E como duas das opções habituais ficaram de fora – Guedes e Félix – é possível que pelo menos algumas destas novidades ganhem tempo de jogo, talvez mesmo titularidade. Pode ser que seja desta que conseguirei escrever sobre os primeiros capítulos da história destes Marmanjos na Equipa de Todos Nós. 

 

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Estamos, então, na reta final do Apuramento para o Europeu do próximo ano. Depois do tropeção em Kiev, na dupla jornada passada, estamos obrigados a ganhar estes dois últimos jogos. Já escrevi – ou melhor, reclamei – extensamente sobre esse facto no texto anterior, não me vou repetir. Na Conferência de Imprensa, Fernando Santos afirmou que só pensa em ganhar estes dois jogos. 

 

Em relação ao facto de termos perdido um lugar no pote 1, o Selecionador não se mostrou demasiado preocupado. “Eu gosto de jogar com adversários fortes. Acho que é melhor para nós.” Eu própria já disse o mesmo várias vezes, mas não seria mais sensato para Fernando Santos não se fiar? Por outro lado, talvez ele estivesse a deitar água na fervura, a desdramatizar a situação.

 

Em todo o caso, não nos faltará tempo para falarmos sobre o nosso grupo no Europeu. Temos de garantir a Qualificação primeiro. Não tenho dúvidas absolutamente nenhumas de que conseguiremos fazê-lo, e já nesta dupla jornada. Não concebo outra hipótese. Como já disse antes, já conseguimos antes em circunstâncias piores, vamos consegui-lo outra vez.

 

O jogo com a Lituânia será, então, na quinta-feira, às 19h45 da praxe. Mais uma vez, nesse dia só saio do trabalho às oito da noite. Enfim. Por outro lado, o jogo com o Luxemburgo será ao domingo, o que é raro, às duas da tarde, ainda mais raro. Os meus planos para esse fim-de-semana estão ainda muito incertos, não sei se conseguirei ver o jogo, ou pelo menos o jogo todo, mas vou fazer um esforço, dentro do possível. 

 

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E é isto que tinha a dizer. Esta foi uma crónica um bocadinho mais curta do que o habitual. Nesta altura do campeonato não há muito a dizer. Eu, no entanto, queria muito escrever este texto, depois de não ter conseguido escrever antes dos jogos do mês passado. E também tendo em consideração que vamos passar algum tempo sem jogos das Quinas. 


Vou fazer, então, por desfrutar desta dupla jornada – a última ocasião em que os Marmanjos estarão reunidos este ano. Desfrutem comigo na página do Facebook. Que selemos esta Qualificação de uma vez por todas, que eu quero começar a fazer planos para o Europeu.

Preocupações

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Na passada sexta-feira, dia 11 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere luxemburguesa por três bolas sem resposta. Três dias depois, foi a Kiev... onde perdeu por duas bolas contra uma. Ambos os jogos contaram para a Qualificação para o Euro 2020.

 

Esta dupla jornada foi mais um exemplo do meu mau timing com a Seleção porque estes jogos apanharam-me numa altura difícil do meu trabalho – como tinha avisado que aconteceria no texto anterior. Não só não tive tempo para escrever a crónica pré-jornada, como saí às oito da noite do trabalho em ambos os dias de jogo. Mesmo fora isso, nas atualizações à página fiquei aquém do habitual.

 

Acontece. Na próxima jornada hei de ter mais tempo. E, sinceramente, em certos momentos foi uma bênção.

 

Também fiquei com pena de não ter podido ir ao jogo com o Luxemburgo, em Alvalade. Foi o primeiro jogo da Seleção naquele Estádio em mais de quatro anos – e o primeiro oficial em exatamente seis anos. A minha irmãzinha sportinguista em particular ansiava por ver jogadores como Rui Patrício, João Mário, mesmo Cristiano Ronaldo de novo em Alvalade.

 

Ainda assim, estou a escrever isto, a deixar os links para crónicas antigas e não consigo deixar de reparar que estou a queixar-me de barriga cheia. Afinal, estive lá nos dois jogos anteriores ao de sexta-feira em Alvalade. Além disso, nos últimos anos praticamente não tenho perdido um único jogo da Seleção na minha vizinhança (tenho a sorte de viver mais ou menos a meio caminho entre a Luz e Alvalade) e ainda fui à final da Liga das Nações.

 

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Por isso, sim, chega de queixas.

 

Foi bonito, por outro lado, terem feito uma homenagem a Aurélio Pereira, por todos os talentos que descobriu e que se tornaram figuras marcantes da Equipa de Todos Nós. Cristiano Ronaldo fez mesmo questão de lhe dar um abraço – ele pode ter muitos defeitos, mas ingratidão ou esquecer-se das pessoas que o ajudaram antes da fama não estão na lista. Gostava de ter visto esse momento (terá passado na televisão?). 

 

Eu ainda estava no trabalho quando o jogo começou, logo, não deu para acompanhar muito de perto. Consta que a Seleção entrou bem no jogo, com várias oportunidades. Duas de Ronaldo, duas de João Félix – este foi mais um jogo em que o miúdo fez de tudo para marcar e não conseguiu. Mais sobre isso adiante.

 

O golo veio aos dezasseis minutos. Eu estava a sair do trabalho e a ir para o meu carro quando ouvi pessoas celebrando num café nas proximidades – o que não é muito habitual num simples jogo de Qualificação. Gostei.

 

A jogada do golo começou com um passe de Bruno Fernandes para Nélson Semedo, que depois arrancou quase até à linha de fundo. Aí, o guarda-redes luxemburguês saiu da baliza para defender, a bola foi parar aos pés de Bernardo Silva, que rematou para as redes.

 

 

Uma das coisas que mais me irrita no hype em torno de João Félix é o facto de fazer com que Bernardo Silva seja ignorado pela imprensa. Fala-se na Seleção de Ronaldo e Félix, quando Bernardo tem feito muito mais – na minha opinião, já conquistou há muito o estatuto de número dois da Turma das Quinas. É certo que não é por falta de esforço da parte de Félix. E há que ter em conta que Bernardo é mais velho, mais experiente e está há mais tempo na Seleção. Mas mesmo no que toca a desempenhos nos clubes, muitas vezes os feitos de Bernardo Silva são menos noticiados que os de João Félix.

 

Na verdade, Bernardo Silva teve bastante cobertura noticiosa ultimamente por motivos menos desejáveis.

 

Em todo o caso, estou cá eu para notar. E para dar graças por termos um talento como o Bernardo vestindo as nossas cores. Sempre será qualquer coisa.

 

Dizem que, depois deste primeiro golo, a Seleção abrandou. Felizmente, esse período coincidiu com a minha viagem de regresso a casa. É claro que eu ia acompanhando via rádio, mas não era a mesma coisa.

 

Não que não seja divertido, atenção. Estava a ouvir a Antena1 e a certa altura falaram dos irmãos Thill – Vincent Thill e Olivier Thill – do Luxemburgo, pronunciando o apelido como “til”. David Carvalho disse, então, que eles tinham um primo, também no futebol, o… Circunflexo.

 

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Eu sei, uma piada um bocadinho seca, mas a maneira como ele a disse caiu-me no golo. A mim e aos colegas comentadores – Alexandre Afonso e José Nunes, se não me engano.

 

As coisas só aqueceram a sério na segunda parte – eu já estava em casa. Os remates multiplicavam-se: dois de Bruno Fernandes, uma tentativa de pontapé de bicicleta de Ronaldo. 

 

Este teria a oportunidade de brilhar a sério cerca de dez, quinze minutos mais tarde. O Capitão fez tudo sozinho: aproveitou-se de um erro de um defesa do Luxemburgo, roubou-lhe a bola, viu-se cara a cara com o guarda-redes. Por fim, com a maior das calmas, fez um chapéu perfeito por cima do pobre guardião. A bola só parou nas redes.

 

Que classe!

 

Depois desta, o jogo tornou a abrandar. A minha irmã queria por força que Ronaldo marcasse o seu 700º golo (ou golo número setecentos) no Estádio de Alvalade. Agora, em retrospetiva, concordo com ela. Mas não nos adiantemos.

 

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A certa altura, Gonçalo Guedes começou a aquecer. Cá em casa, eu disse algo tipo:

 

– O Féli vai sair, o Guedes vai entrar para o lugar dele e vai marcar.

 

Não chegou a ser uma substituição direta, Guedes e Félix chegaram a estar juntos em campo durante alguns minutos. De resto, acertei na minha previsão: perto do final do jogo, na sequência de um canto, a bola sobrou para Guedes e este não perdoou.

 

Onde andam estes meus dotes de futurologia quando jogo no Euromilhões?

 

Já falei amplamente sobre João Félix e Gonçalo Guedes na Seleção no texto anterior, não me vou repetir. Dizer apenas que ainda não foi desta que Félix correspondeu ao hype na Equipa de Todos Nós. A ver o que acontece na próxima dupla jornada…

 

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O marcador ficou, assim, em 3-0 para Portugal. Podia ter sido mais, mas chegou para os três pontos. Cumpriu-se a obrigação.

 

O que não aconteceria no jogo seguinte.

 

Mais uma vez, só saí do trabalho depois das oito da noite. Desta feita até foi uma bênção, pois fui poupada aos piores momentos do jogo – à semelhança do que aconteceu no particular com a Holanda. Quando ainda estava na farmácia, dei uma espreitadela rápida ao Twitter e soube que a Ucrânia tinha marcado. Mais tarde, quando cheguei ao meu carro e liguei o relato da Antena1, tinham acabado de marcar o segundo.

 

Isto não estava a acontecer…

 

O primeiro golo foi sofrido logo aos seis minutos, na sequência de um canto. Consta que nem sequer foi o primeiro lance com desconcentração da parte dos portugas, foi apenas o primeiro em que a bola entrou. E de facto praticamente ninguém na defesa de Portugal se mexe durante o lance, tirando Rui Patrício. Este ainda defende a primeira tentativa, mas nada pôde fazer quando Yaremchuk foi à recarga – perante a passividade de Pepe e Danilo. 

 

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No segundo golo, a defesa portuguesa voltou a dormir na forma. Desta feita, foi Raphael Guerreiro a deixar Yarmolenko completamente desmarcado, sozinho na cara de Patrício, que voltou a não ter maneira de impedir o golo.

 

Fernando Santos lá emendou a estratégia pouco depois, trocou peças ao intervalo. Portugal no entanto jogou sempre mais com o coração – ou melhor, com as tripas fazendo de coração – enquanto os ucranianos mantiveram sempre a cabeça fria. 

 

E como é o costume quando jogos da Seleção correm mal, a coisa ganhou contornos caricatos: um festival de oportunidades perdidas, o guarda-redes adversário, Pyatov, fazendo o jogo da vida dele. A certa altura, Bernardo Silva tentou o remate e este foi embater na perna de João Félix (se isto não é uma metáfora perfeita para o tratamento mediático dos dois cá em Portugal…). Por fim, já em cima do final do jogo, Danilo atirou ao poste. 

 

A certa altura, a sorte até nos deu uma mãozinha, com a falta de Stepanenko, que levou à sua expulsão e a um penálti a nosso favor. Ronaldo converteu e não falhou. 

 

Este é que foi o seu 700º golo, algo que as redes sociais da Federação, da Liga Portuguesa fizeram questão de assinalar entusiasmadamente – para irritação de muitos de nós. Eu tenho de concordar que aquelas celebrações caíram mal, dadas as circunstâncias: foi um mísero golo de penálti, não serviu para nada num jogo que acabámos por perder, o próprio Ronaldo teve uma reação bem mais contida. 

 

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Não digo que não se podia assinalar o recorde. Mas podiam tê-lo feito de forma bem mais sóbria. Fica claro que estas entidades se aproveitam dos feitos de Ronaldo para se auto-promoverem. Não é novidade: a Federação fá-lo há anos.

 

Tal como disse acima, teria sido melhor em todos os aspetos se Ronaldo tivesse marcado este golo no jogo com o Luxemburgo.

 

Mas estamos a adiantar-nos um pouco. Depois do penálti convertido e em superioridade numérica, a Seleção pareceu finalmente acordar para a vida, tentando chegar ao empate. Aqui entre nós, quase fico aliviada por não termos conseguido. Teria sido patético conseguirmos pontuar perante uma equipa que fora superior a nós em quase todos os aspetos – apenas por causa de uma expulsão e um golo de penálti.

 

De qualquer forma, a injeção de cafeína depois do golo não fez efeito durante muito tempo. O jogo terminou sem que conseguíssemos chegar ao empate. Com este resultado, a Ucrânia garantiu a Qualificação – e celebrou-o efusivamente, como bem mereciam. Consta que era Dia da Defesa da Ucrânia nessa segunda-feira – como se dirá “É feriado hoje, cara***!” em ucraniano?

 

Esta foi a primeira derrota em jogos oficiais desde o Mundial 2018 – e apenas a terceira em jogos oficiais na era de Fernando Santos. Se as circunstâncias fossem diferentes, não faria grande drama da situação, nem sempre é possível ganhar todos os jogos… se não tivéssemos perdido quatro pontos em casa, na primeira dupla jornada desta Qualificação. Depois de os dois Apuramentos anteriores terem corrido de forma mais ou menos tranquila, tirando os primeiros jogos, devemos estar preocupados?

 

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No que toca a este jogo, Fernando Santos assumiu a responsabilidade, admitiu que a sua estratégia inicial não foi a correta. Pelo que tenho lido e ouvido, todos concordam. Voltam questões que já levantei em textos anteriores: se o Selecionador é demasiado conservador, se dependemos demasiado de Ronaldo, se Fernando Santos é o melhor homem para o lugar.

 

É uma questão complicada, para ser sincera. É possível que outros treinadores fizessem melhor com esta base de recrutamento… mas, antes de Fernando Santos, ninguém fez melhor, nem mesmo com bases de recrutamento de qualidade semelhante. 

 

E quando as coisas correm bem, correm mesmo bem. Vejam-se os dois títulos que Fernando Santos ajudou a conquistar. Veja-se a final da Liga das Nações, há pouco mais de quatro meses, um dos nossos melhores jogos em anos! 

 

Mas porque estamos a falhar agora? O que se está a passar nesta Qualificação? 

 

É por estas e por outras que hesito em considerar Portugal uma das melhores Seleções do Mundo. Só da Europa e, mesmo assim, mais ou menos, é mais por causa dos nossos títulos. Somos demasiado instáveis, demasiado imaturos de certa forma. Falta-nos a consistência, o instinto implacável dos grandes tubarões. 

 

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No que toca a este Apuramento, a situação está longe de ser dramática. Continuamos a depender de nós mesmos. Temos de ganhar os dois últimos jogos, no próximo mês, para nos Qualificarmos em segundo lugar. Como os adversários serão o Luxemburgo e a Lituânia, em princípio, não teremos problemas. Já saímos de situações bem piores. 

 

Na verdade, as consequências desta derrota serão mais graves a médio prazo. Por falharmos a Qualificação em primeiro, perdemos o lugar no pote 1 do sorteio da fase de grupos do Euro 2020 – correndo o risco de apanharmos um tubarão. 

 

Se isso é uma coisa má ou boa é discutível – com a nossa mania de complicar o que é simples, de nos superarmos perante dificuldades (às vezes). É também uma questão de orgulho, pelo menos no que toca a mim. Onde é que já se viu o detentor do título, bem como da Liga das Nações, fora dos cabeças-de-série? 

 

Em todo o caso, o facto de termos de viver com as consequências desta derrota durante algum tempo poderá ter uma vantagem: aprendermos com os erros. Isto é, espero eu…

 

A meu ver, a melhor atitude neste momento será encarar um desafio de cada vez. Para já, a prioridade será ganharmos os jogos de novembro e garantirmos a Qualificação direta. Se não conseguirmos (três vezes na madeira), ainda teremos os play-offs, mas, tal como referi antes, prefiro que a questão do Apuramento fique resolvida este ano. Quando estivermos Qualificados (não duvido que vamos conseguir; conseguimos de todas as vezes nos últimos vinte anos, algumas das vezes em circunstâncias bem piores, porque falharíamos agora?), logo nos preocuparemos com o sorteio. 

 

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Na melhor das hipóteses, esta derrota será apenas um acidente de percurso. Fernando Santos e restante equipa técnica tomarão medidas para que, dentro do possível, não se repita. Na prática, não há garantias de nada. Só o tempo dirá como lidaremos com as consequências do que aconteceu. 

 

Para já, é aproveitar estas semanas para ultrapassar esta desilusão e ganhar forças para a reta final. Isto tudo faz parte. Resta-nos esperar que, depois desta, não voltemos a escorregar de novo tão cedo.