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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Portugal 3 Espanha 3 – Como é possível?

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Na passada sexta-feira, dia 15 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou com a sua congénere espanhola por três bolas, em jogo a contar para a fase de grupos do Mundial 2018.

 

Conforme tinha dito que faria, em vez de uma análise em texto corrido, partilho com vocês algumas notas sobre o jogo. Assim, sem mais delongas...

 

1) O jogo não podia ter começado da melhor forma: eu mesma gritei “Penálti!” quando Cristiano Ronaldo caiu na área. Felizmente o árbitro concordou. Confesso que receei que Cristiano falhasse – não seria a primeira vez e poderia ser grave em termos anímicos. Mas não: Ronaldo converteu. Ainda não tinham passado cinco minutos e Portugal já seguia na frente.

 

2) Este e os outros golos foram estragados pelos meus vizinhos – que festejaram antes de o árbitro ter apitado, na nossa televisão. Quando foi na final do Europeu, não me ralei, mas neste – um jogo menos tenso – chateou-me. Se isto continuar, talvez deixe de ver os jogos em casa.

 

3) Portugal foi conseguindo dominar nos primeiros dez, vinte minutos de jogo. Houveram várias ocasiões em que a defesa recuperava a bola e, depois, ou Ronaldo ou Gonçalo Guedes partiam para o contra-ataque.

 

4) O que nos leva à muito comentada jogada, em que Ronaldo, após um sprint daqueles, centrou para Guedes e este não soube o que fazer com a bola – oportunidade de ouro desperdiçada. Ele, Bernardo Silva, Bruno Fernandes e os outros miúdos estiveram uns furos abaixo do que lhes é habitual. Acho que foi sobretudo nervosismo: era o primeiro jogo deles no Mundial e era a Espanha. Qualquer um que não estivesse habituado aquelas andanças ficaria nervoso. Nesse aspeto, talvez os próximos jogos, com adversários de menor prestígio (não necessariamente mais acessíveis), os habituem a estes palcos.

 

Mas se chegarmos ao jogo com Marrocos e eles continuarem abaixo do que deviam, vão ter de arranjar outra desculpa.

 

5) A Espanha marcou numa altura em que começava a mandar no jogo. Diego Costa fez falta a Pepe para lhe roubar a bola, fez o que quis com o resto da defesa portuga (aqui entre nós, se o Pepe tivesse parado mais cedo com a fita, talvez tivesse conseguido travar o golo) antes de rematar – Rui Patrício não pôde fazer nada.

 

Aparentemente o vídeo-árbitro não viu nada de mal na jogada – claro que não, nunca veem. Ainda hoje levo com pessoas dizendo que Portugal não mereceu ganhar o Euro 2016 – mas nós não precisámos de favores de árbitros para ganharmos. Bem pelo contrário, tivemos de lutar durante anos contra o colinho das autoridades do futebol a um lote exclusivo de seleções. E continuamos, mesmo depois de Campeões Europeus. De que serve o VAR se as equipas beneficiadas e as prejudicadas continuam as mesmas?

 

6) O segundo golo de Cristiano Ronaldo veio em cima do intervalo, um bocadinho contra a corrente do jogo. De Gea ficou muito mal na fotografia. Confesso que reagi de forma um bocadinho intempestiva a este golo. Posso ter twittado coisas como “Contra árbitros e contra VARS! É por isto que somos Campeões Europeus!”, pontuadas por palavras ainda mais expressivas – quando o resultado estava a ser melhor que a exibição. Eu mereci o que aconteceu a seguir. Em minha defesa… sabia mesmo bem estar a ganhar à Espanha num jogo oficial pela primeira vez desde 2004 – sobretudo depois de termos sido roubados.

 

7) Na segunda parte, passámos da vantagem à desvantagem em cerca de cinco minutos. No primeiro, Busquets assistiu de cabeça para Diego Costa chutar para as redes, no segundo, Nacho disparou de fora da grande área, sem hipótese para Rui Patrício – um golo verdadeiramente espetacular.

 

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8) Passámos a meia hora seguinte a correr atrás do resultado, sem grande sucesso, assistindo ao famoso tiki-taka Fernando Santos fez entrar João Mário, Ricardo Quaresma e André Silva e sempre melhorou um bocadinho. Finalmente, aos 88 minutos, Piqué deu um empurrão desnecessário a Ronaldo e o árbitro marcou livre a nosso favor.

 

9) Cá em casa, achámos todos piada ao ar concentrado, mesmo feroz, de Ronaldo enquanto se preparava para marcar o livre – como se quisesse desfazer a barreira espanhola com os olhos. O meu pai estava armado em Velho do Restelo, a dizer que ele ia falhar, que ele já estava velho, enfim. Depois do golo, éramos três – eu, a minha mãe, a minha irmã – a cantarolar-lhe: “Bem feita! Bem feita!”

 

Aqui entre nós, antes do golo, eu não me atrevia a acreditar. Era demasiado presunçoso, sonhar demasiado alto, esperar que Ronaldo rematasse, desenhando uma parábola perfeita por cima da barreira espanhola, diretamente para as redes. Mas foi isso que ele fez.

 

10) Em suma, Cristiano Ronaldo, quase sozinho, garantiu-nos um empate com a Espanha. Com a Espanha – a mesma seleção a quem só tínhamos ganho uma vez em jogos oficiais, aquela que muitos referiam com uma das favoritas ao título, aquela que inclui meia dúzia de campeões europeus em clubes.

 

Como é possível? Ele tem trinta e três anos! Com a idade dele, Luís Figo retirou-se da Seleção (nem te atrevas, Ronaldo…)! Longe disso, Ronaldo parece cada vez melhor – ao longo dos anos fomos enfrentando equipas deste nível e ele nunca tinha feito isto. Nem em 2010, nem em 2012, nem em 2014, nem mesmo em 2016 – embora, nesta última, talvez pudesse tê-lo feito, se não se tivesse lesionado. Como é possível?

 

11) Como já devem saber, irrita-me quando dizem que a Seleção é Ronaldo-mais-dez. Nos últimos tempos, tenho mudado um pouco a minha perspetiva sobre o assunto: às vezes é problemático quando dependemos demasiado de Ronaldo, mas qualquer equipa abdicaria de metade do seu plantel para ter um jogador como ele. Nós somos abençoados. E, se temos Ronaldo, é para usá-lo.

 

12) Não foi de todo uma má estreia. Eu estava disposta a aceitar uma derrota. Em vez disso, conseguimos um empate e, na minha modesta e nada especializada opinião, os principais motivos para não termos conseguido um melhor resultado foram nervosismo e erros – não falta de argumentos. Conseguimos fazer melhor. Posso estar enganada, claro, mas Fernando Santos parece concordar comigo e já todos vimos jogadores como Guedes, Bernardo Silva, Bruno Fernandes num nível bem melhor.

 

Nesse aspeto, os reparos de Fernando Santos, no final do jogo, a sua exigência, dão-me mais confiança. Ele e os jogadores hão de corrigir os erros e talvez façamos coisas giras neste Mundial. Com um bocadinho de sorte, quando voltarmos a encontrar equipas do calibre de Espanha, conseguiremos mais do que um empate.

 

Mas também, se voltarmos a cumprir o “de empate em empate até ao empate final” com o mesmo sucesso de 2016, não tenho nada contra.

 

13) De nada vai servir este empate se não ganharmos amanhã a Marrocos, claro. Dizem que, depois de terem perdido frente ao Irão com um auto-golo no último minuto, os marroquinos vão querer descarregar em nós. Não vai ser um jogo fácil, mas acredito nos nossos jogadores, acredito em Fernando Santos. Vamos conseguir.

 

14) Antes de terminar, uma nota para as montagens que a RTP3 iam exibindo, com imagens do jogo e a música Sangue Oculto, dos GNR e Javier Andreu. Adorei-as: sempre gostei imenso desta música, é um membro recorrente da minha playlist da Seleção. E, claro, sendo um dueto ibérico, é mais do que adequada a um Portugal-Espanha. Muito bem sacado.

 

15) Por fim, fiquem atentos à página do Facebook deste blogue. Em breve, terei algo para anunciar, estou só à espera de receber luz verde para fazê-lo. Continuem desse lado e... força Portugal!

 

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Bélgica 0 Portugal 0 – Melhor

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No passado sábado, dia 2 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou sem golos com a sua congénere belga, no Estádio Rei Balduíno, em jogo de carácter amigável.

 

Nessa tarde, eu e a minha irmã só chegámos a casa por volta das oito, logo, só acompanhámos os primeiros dez, quinze minutos via rádio. Acabou por ser afortunado, pois toda a gente diz que Portugal não jogou nada de jeito durante esse período. Já dava para percebê-lo no relato. Tirando uma ocasião de Gonçalo Guedes, aos três minutos, só houve Bélgica no jogo. Os portugas estavam desorganizados, perdiam bolas e pouco conseguiam avançar no terreno.

 

Pelos vistos, bastou a Fernando Santos corrigir as posições de Bernardo Silva, Guedes e Gelson Martins para a equipa entrar nos eixos. Quando eu e a minha irmã conseguimos sentar-nos em frente à televisão, Portugal começava a assumir o controlo do jogo, seguindo em crescendo até ao intervalo.

 

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Aos quarenta e dois minutos, Bernardo rematou, mas a bola bateu num defesa belga e foi para fora, rasando o poste. Dois minutos mais tarde, Gelson conseguiu isolar-se na grande área belga mas, como os colegas não conseguiram acompanhá-lo, o Marmanjo teve de rematar num ângulo apertado – sem sucesso. Por fim, Guedes tentou a sua sorte, em cima dos quarenta e cinco minutos, mas falou a baliza por pouco.

 

Se não tivéssemos sido interrompidos pelo intervalo, talvez tivéssemos conseguido marcar. Infelizmente, a equipa teve de ir para o balneário e, quando regressou, voltou a entrar no jogo um pouco aos tropeções. Beto teve de mostrar os seus dotes, com um par de defesas espetaculares aos cinquenta e cinco e aos sessenta e quatro minutos.

 

Entre ele, o Rui Patrício e mesmo o Anthony Lopes, não devemos ter problemas na baliza neste Mundial.

 

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Infelizmente, foi mais ou menos aos sessenta, setenta minutos, altura em que já tinham ocorrido algumas substituições, ambas as equipas pareceram contentar-se com o empate. O jogo tornou-se enfadonho, portanto – mas compreende-se.

 

Praticamente toda a gente ficou satisfeita com este resultado e, sobretudo, com a exibição – porque, lá está, quase toda a gente olha para a Bélgica como uma das melhores seleções do Mundo. Tal como referi antes, eu não concordo: os belgas têm muitos nomes sonoros, mas estes não chegam para fazer uma equipa. Pelo menos não ao nível que a pintam.

 

As melhorias mais notórias foram na defesa. Conforme Fernando Santos assinalou, Portugal foi a primeira equipa em vinte e um meses que não sofreu golos da Bélgica. A fórmula está longe de ser nova: centrais veteranos (neste caso, Pepe e José Fonte) atrás, protegendo a nossa área, para que os caloiros possam fazer a sua magia à frente – guiados por outro veterano, Cristiano Ronaldo, na maior parte das vezes. Resultou bem no Euro 2016 e na Qualificação, há de resultar bem no Mundial.

 

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O pior é que, como tem sido assinalado várias vezes ao longo dos últimos dois anos, não é uma fórmula para longo prazo. É para isso que temos Rúben Dias, mas esta exibição dos centrais veteranos pode diminuir as hipóteses de o jovem jogar no Mundial. É uma pena, mas também me parece que o jovem foi Chamado, sobretudo, como solução a longo prazo.

 

É sempre bom sinal quando conseguimos um resultado e uma exibição perante um bom adversário, a pouco menos de duas semanas do Mundial. Sobretudo estando nós desfalcados da nossa maior arma e tendo eles, como comentou a minha irmã, trazido a artilharia pesada – com nomes como Courtois, Kompany, Hazard, entre outros, nos titulares.

 

A melhor parte? Fernando Santos disse que a Seleção ainda não estava ao nível que ele deseja. Ainda podemos melhorar ainda mais!

 

Há que ter em conta que isto é um particular e que estes nem sempre são equiparáveis a jogos a doer. Gosto muito de recordá-lo quando os particulares correm mal, não posso deixar de dizer o mesmo quando estes nos correm bem.

 

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Dito isto, este jogo deixa boas indicações para o Mundial – nem que seja apenas um ligeiro aumento na confiança dos Marmanjos. Continuo muito relutante em alinhar em otimismos (não consigo esquecer 2014), mas admito que, no que toca a Campeonatos do Mundo, há muito que os sinais não nos eram tão favoráveis.

 

Antes disso, no entanto, temos o particular frente à Argélia, terá Cristiano Ronaldo em campo e, tal como já tinha dito, eu e a minha irmã nas bancadas. Pegando no conceito da campanha publicitária de um dos patrocinadores da Seleção, não vou ter muitas hipóteses de repetir os rituais do Euro 2016, mas este será uma exceção. Mais uma vez, vou despedir-me dos Marmanjos ao Estádio da Luz.

 

Tirando este, os poucos rituais que vou repetir são, na verdade, os mesmos que repito sempre que a Seleção joga: ir escrevendo neste blogue, ir atualizando a página do Facebook e, sobretudo, ir torcendo e acreditando até ao último minuto. E, pelo menos até agora, não me posso queixar dos resultados.

Portugal 2 Tunísia 2 – Sem defesa

lumiose_city_scene_illustration.0.jpgNa passada segunda-feira, dia 28 de maio, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou a duas bolas com a sua congénere tunisina, em jogo de carácter particular, no Estádio Municipal de Braga.

 

Este resultado fez soar alguns alarmes, não sem alguma razão, mas eu não achei o jogo assim tão mau. A primeira parte, pelo menos, não o foi. A primeira oportunidade pertenceu à Tunísia, no primeiro minuto, mas depois disso foi sobretudo Portugal – muito graças a Ricardo Quaresma, Bernardo Silva, João Mário e André Silva. O primeiro, aliás, desperdiçou uma, de baliza aberta, aos dez minutos (a sério, Quaresma?!?).

 

Felizmente, compensou mais tarde quando, após iniciativa de William e Bernardo Silva, assistiu para André Silva marcar de cabeça, inaugurando o marcador.

 

Diz-se que foi o milésimo golo de sempre da Seleção Portuguesa. Muito gilo e tal mas, sejamos sincermos, ninguém se vai lembrar disso, ou mesmo deste jogo, daqui a duas semanas, ou menos.

 

Não que tenha sido um mau golo, para milésimo da Seleção. Mas o milésimo-primeiro foi melhor. Na sequência de um canto, um dos médios da Tunísia aliviou mal e João Mário, a meio metro da grande área, aproveitou para disparar, de primeira, para as redes tunisinas.

 

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Isto, curiosamente, no preciso momento em que a minha irmã dizia ter saudades do trio William-Adrien-João Mário no Sporting. Não sei ao certo como correram as coisas ao João no West Ham, mas é bom saber que ele ainda tem cartas para dar pela Equipa das Quinas.

 

Infelizmente, a vantagem de duas bolas não durou muito: cinco minutos mais tarde, os avançados tunisinos fizeram o que quiseram da defesa portuguesa e Anice Badri conseguiu marcar – também com um belo tiro, por sinal.

 

Ainda assim, na segunda parte do jogo, manteve-se a tendência ofensiva portuguesa. Destaque para duas ocasiões, uma de João Mário, outra de Bernardo Silva – nessa, Bernardo atirou ao poste, João Mário ainda tentou a recarga, mas o guarda-redes defendeu.

 

Se essa bola tivesse entrado (essa e/ou outras!), a história do jogo podia ter sido diferente. Em vez disso, mais uma falha da defensiva portuguesa permitiu à Tunísia chegar ao 2-2.

 

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Depois desta, com as substituições, o cansaço e tudo o resto, Portugal nunca mais conseguiu reencontrar-se no jogo. O resultado manteve-se até aos noventa – ou melhor, até um bocadinho antes, porque o árbitro não concedeu tempo de compensação em nenhuma das partes, vá-se lá saber porquê.

 

É frustrante acabar um jogo empatado quando se estive a ganhar por 2-0. Eu, no entanto, não fiquei assim tão chateada com isso. Em parte, porque a anterior dupla jornada de particulares (sobretudo o último jogo) me deixou com baixas expectativas; em parte, porque já vi particulares piores em fases equivalentes de preparação de Europeus e Mundiais (com e sem Ronaldo); em parte porque… é só um particular, é para isso que eles servem!

 

Mesmo assim, Fernando Santos parecia irritado na flash-interview e tinha motivos para isso. A frase “Estou farto de avisar para estes lances” diz tudo. E, de facto, se formos a ver, andamos a sofrer bastantes golos nos últimos tempos. O que não era habitual: nem durante o Euro 2016 nem durante a última Qualificação.

 

Qual será o problema? Será porque o Rui Patrício não tem jogado nos particulares? Será porque, em jogos a feijões, os Marmanjos não se empenham tanto? Ou será algo mais complicado?

 

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Qualquer que seja a razão do problema, é bom que este seja resolvido antes do Mundial. Afinal de contas, a consistência da defesa foi uma das coisas que nos deu o título de Campeões Europeus.

 

Felizmente, tanto o Selecionador como os Marmanjos têm garantido, ao longo da semana, que estão a trabalhar nesse aspeto. A ver se veremos resultados nos próximos particulares. 

 

Portugal tinha todas as condições para ter vencido a Tunísia mas, pensando em termos de preparação do Mundial, até foi bom não o ter feito. Um terceiro golo poderia ter feito com que os tunisinos desistissem de lutar pela vitória e o problema da defesa ficaria mascarado. Talvez se revelasse apenas no jogo com a Bélgica ou com a Argélia e teríamos menos tempo para corrigir antes do Mundial. Pode ser que isto seja Deus a escrever por linhas tortas.

 

Hoje, então, jogamos contra a Bélgica – que todos consideram uma das melhores seleções do Mundo e eu continuo sem saber ao certo porquê. É certo que possui uma mão-cheia de individualidades (Hazard, Lukaku, Courtois, Kompany, entre outros), mas os percursos em campeonatos de seleções anteriores, não sendo maus, não foram de extraordinário, na minha opinião. A última vez que jogámos contra eles correu bem para o nosso lado.

 

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Não deixam de ser um bom adversário, claro, o mais difícil destes três particulares. Aliás, depois destes últimos jogos assim-assim, estou curiosa (e um bocadinho apreensiva) por ver a Seleção atual perante um adversário de calibre considerável.

 

Vou aproveitar a ocasião e falar já sobre o jogo com a Argélia, que decorrerá no Estádio da Luz… e eu estarei lá. Quero aproveitar todas as oportunidades para ir a jogos da Seleção enquanto puder – nada me garante que consiga fazê-lo daqui a uns anos. Além disso, tenho uma camisola por estrear.

 

Acho que vai ser a primeira vez que jogamos contra a Argélia. Confesso que não sei muito sobre esta seleção: apenas que não se Qualificou para o Mundial 2018 e que Yacine Brahimi, do F.C.Porto, e Islam Slimani, que era do Sporting, fazem parte. Não sei se foram Convocados para este jogo, no entanto. A minha irmãzinha sportinguista, que vem comigo ao jogo, ficará feliz se vir o Slimani – mas não sei se o público da Luz concordará com ela.

 

Não sei ao certo quando conseguirei escrever sobre estes jogos. Junho vai ser um mês complicado no meu emprego – logo agora, que vem aí o Mundial! Não sei como vou dar conta do recado com este blogue. Talvez escreva sobre dois jogos de cada vez, como fiz antes. Talvez, em vez de crónicas em texto corrido, escreva as minhas análises sob a forma de notas soltas. Hei de arranjar uma solução – mas fica desde já o aviso de zona turbulenta.

 

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Ao menos devo ser capaz de manter a página de Facebook atualizada, o que é melhor do que nada. Obrigada pela vossa paciência, como sempre. Continuem desse lado.

Refúgio

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No dia 17 de maio, Fernando Santos, o Selecionador Nacional Divulgou os Convocados que representarão Portugal no Mundial 2018.

 

Tal, no entanto, acabou por passar quase despercebido perante outros acontecimentos que abalaram o mundo desportivo. Não falei disso no texto Pré-Convocados pois tinha-o concluído e agendado para publicação uns dias antes. Eu, de início, não queria escrever sobre o assunto porque, em primeiro lugar, foge um pouco ao âmbito deste blogue. Em segundo, achava que não tinha nada a dizer que milhentas outras vozes não tivessem dito já.

 

No entanto, quando no domingo passado, vi o Rui Patrício em lágrimas no Jamor, no fim daquela que deve ter sido a pior semana da sua vida – o Rui Patrício, dono da baliza das Quinas há seis ou sete anos, um dos principais responsáveis pelo primeiro e até agora único título da Seleção, que eu já tive o privilégio de encontrar na rua – descobri que não conseguia ficar calada.

 

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Eu acho que já expliquei algures aqui no blogue que deixei de apoiar clubes de futebol – no meu caso, o Sporting – por causa do fanatismo que existe no futebol de clubes. Mas julgo que nunca dei pormenores.

 

Foi na época de 2003/2004, eu tinha catorze anos. Andavam a ocorrer vários episódios degradantes, como o alegado rasgão de José Mourinho à camisola do Rui Jorge, cenas de violência no jogo entre o Vitória de Guimarães e o Boavista – no estádio onde, uma semana antes, morrera Miklos Feher. Estava a ficar saturada.

 

A última gota foi o dérbi em Alvalade, no qual adeptos do Sporting invadiram o campo – com intenções parecidas às daqueles que invadiram Alcochete no outro dia, suponho.

 

Nesse dia decidi que não queria estar associada a este tipo de comportamento. Decidi que o meu clube seria apenas a Seleção. Cerca de um mês ou dois mais tarde deu-se o Euro 2004 e nunca mais olhei para trás.

 

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Bem, mais ou menos. Nunca quis reverter a minha decisão, mas existiram alturas em que me perguntei se tinha sido demasiado radical.  Os clubes não são corruptos por si só, o mal vem das pessoas. Existem pessoas boas e más em todos os clubes, como em tudo na vida.

 

A minha irmã, por exemplo, é uma boa pessoa no futebol de clubes. Adepta do Sporting, devota ao seu clube sem fanatismos exagerados, ainda mais resiliente do que eu – porque o clube dela dá menos retorno do que a Seleção que tem dado.

 

Assim, ao longo dos anos, permiti a mim mesma ir apreciando o futebol de clubes aqui e ali – apoiando todos e nenhum em particular. Acompanho a minha irmã a jogos do Sporting, mas se alguém me convidar a um jogo do Benfica, do F.C.Porto ou de outro clube qualquer não recusarei. Admito que, na maior parte dos casos, prefiro que o Sporting ganhe para ver a minha irmã feliz, mas se ganhar outro qualquer não me ralo. E se é um clube português numa competição europeia e/ou um clube onde alinhem jogadores portugueses, é óbvio que torço por eles.

 

Esta época, no entanto, foi mais degradante do que o costume, sendo-me mais difícil acompanhá-la. Bitaites de diretores de comunicação, polémicas em torno de arbitragens (quem é que foi a alminha iluminada que achou boa ideia testar o video-árbitro em Portugal?), envelopes, e-mails, toupeiras, claques cantando pela morte de jogadores… A minha mente foi simpática ao ponto de me fazer esquecer a maior parte dos pormenores.

 

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Fui a alguns jogos do Sporting com a minha irmã esta época mas, a partir de certa altura, comecei a recusar os convites dela (tirando para o jogo com o Atlético de Madrid). Já não aguentava a falta de educação de inúmeros adeptos, que insultavam o árbitro, os jogadores e adeptos adversários, até mesmo os jogadores que deviam apoiar. Isto na presença de crianças!

 

Não digo que estivesse a ser diferente de outras épocas. É possível que eu estivesse menos tolerante para estas coisas, com tudo o que se estava a passar fora das quatro linhas.

 

Um dos responsáveis (não o único, bem entendido) por este ambiente tóxico no futebol português é o presidente do Sporting – um sujeito com tiques de ditador que, todos concordam, contribui para o que aconteceu em Alcochete.

 

Eu já vi muita coisa no futebol português, mas nunca nada como isto. Não digo que tenha sido o mais baixo de sempre porque, mal por mal, não morreu ninguém, ao contrário de outras ocasiões. Mas fiquei deveras perturbada. Todos vimos as imagens do balneário, os ferimentos de Bas Dost (a quem a minha irmã se afeiçoou, como se afeiçoa a quase todos os que vestem as cores do Sporting). Mal consigo ler relatos do que aconteceu, como um que referia que o treinador, Jorge Jesus, foi agredido com um cinto e que, mais tarde, Bas Dost chorara ao ombro do treinador, perguntando o que fizera para merecer aquilo.

 

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Permitam-me a pergunta: como é que há pessoas capazes de fazer isto? Por futebol? Isto são coisas que se ensinam a criancinhas mas, pelos vistos, é preciso dizê-lo: isto é só futebol! Ninguém morre se se perde um jogo ou se se termina um campeonato em terceiro lugar em vez de segundo (eu, aliás, já vi o Sporting a fazer épocas bem piores do que esta). Não vou dizer que não interessa para nada – todos nós sabemos que existe muito dinheiro e muitas carreiras em jogo. Mas não justifica, nem de longe nem de perto, atitudes violentas como estas. E, como se não fossem suficientemente más por si mesmas, foram contra jogadores do próprio clube.

 

Não sou assim tão ingénua, sei perfeitamente que a extrema-direta neonazi está ligada às claques, não apenas a do Sporting. Ainda assim, falando estritamente da perspetiva de um adepto fanático… que esperavam eles alcançar? Tudo o que conseguiram fazer foi com que jogadores e equipa técnica ganhasse motivo para debandar a custo zero (com todas as consequências financeiras para o clube), não treinasse ao longo do resto da semana e perdesse a Taça de Portugal – porque quem está em condições para um jogo daquela envergadura depois de uma situação como a de Alcochete?

 

E ainda houveram muitos que se puseram a criticar o desempenho dos jogadores na final da Taça – a sério, pá, nunca ninguém ouviu falar em empatia?!?

 

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Com metade da massa adepta a maltratá-los, alguns deles fisicamente, e um Presidente que não os defende e ainda os culpabiliza pelo que aconteceu, se eu estivesse no lugar dos jogadores punha-me a andar. Eles merecem muito melhor do que isto. A minha irmã merece muito melhor do que isto (mesmo antes desta situação, o clube anda há muito em dívida para com ela), bem como todos os adeptos civilizados, do Sporting e não só. O futebol português, Campeão Europeu ainda para mais, merece melhor do que isto.

 

Por outro lado, se de facto a equipa debandar, ficarei triste pela minha irmã e pelos jogadores da Seleção que eventualmente saírem. Rui Patrício, por exemplo, tem capacidade para jogar nos grandes da Europa, mas no Sporting é rei e senhor da baliza – quem nos garante que terá espaço no Nápoles ou noutro clube que o contrate?

 

O que eu sei é que precisamos todos de parar e refletir sobre o rumo que as coisas estão a tomar no futebol português. Como já outros comentaram aqui no Sapo Blogs, não queremos que a violência tomem conta do futebol. Mas confesso que não estou com grandes esperanças.

 

Com tudo isto, que ninguém se venha queixar do eventual circo publicitário e mediático em torno da Seleção, durante o Mundial!

 

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Fernando Santos disse o que tinha a dizer sobre o assunto aquando da Divulgação dos Convocados e diz que não tornará a falar sobre isso durante o Mundial e a sua preparação. De igual modo, espero não ter de voltar a escrever sobre isto de novo. Calha bem os jogadores irem agora de férias ou para as seleções – mudam de ares, para ambientes mais saudáveis. No nosso caso pelo menos. Como em muitas outras alturas, em diferentes circunstâncias, a Seleção serve de oásis, de refúgio, à parte das facetas mais tóxicas do futebol.

 

Com isto tudo, vamos em bem mais de mil palavras e ainda nem sequer falámos dos Convocados. Desta feita, não houve grande contestação em torno dos Escolhidos para o Mundial. Não sei se é porque as Escolhas foram, no geral, acertadas ou consensuais ou se estava tudo distraído com o que aconteceu no Sporting.

 

A segunda hipótese será, quase de certeza, verdade, mas acho que a primeira também é. E, da minha experiência, quando não existe grande contestação aos Convocados, as coisas correm bem.

 

A maior novidade na lista é o central Rúben dias. Já tínhamos falado sobre ele há pouco tempo, mas a lesão que tinha na altura não o deixou vir à Turma das Quinas para aquela jornada de particulares. Cheguei a temer que Fernando Santos o deixasse de fora do Mundial – ele dera a entender que dificilmente Convocaria jogadores que nunca tivessem vindo antes à Equipa de Todos Nós. Felizmente, abriu uma exceção para o Rúben.

 

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Eu teria levado o Rolando ao Mundial, mas compreendo que Fernando Santos tenha preferido José Fonte. Como ele foi para a China, tinha algumas dúvidas, mas consta que ele tem jogado com regularidade por lá.

 

Eu vou confiar.

 

Fábio Coentrão ficou de fora do Mundial por vontade própria – ele mesmo o afirmou um dias antes da Divulgação dos Convocados, nas redes sociais. E fico triste, pois ele finalmente teve uma época feliz, mas é melhor assim. A sua forma física continua a deixar muito a desejar. Ia ser uma chatice se ele se lesionasse a meio do campeonato, sem poder ser substituído, tal como aconteceu no último Mundial. Com ele e… dois terços da equipa.

 

Em vez dele, foi Convocado Raphael Guerreiro. Eu fico satisfeita, porque gosto bastante dele como jogador… mas também tenho algumas dúvidas em relação ao seu momento de forma, já que passou a época debatendo-se com lesões. Pode ser que esteja a cem por cento agora. Para além do Raphael, também veio Mário Rui que, segundo consta, fez uma boa época ao serviço do Nápoles.

 

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Confesso que estou aliviada por André Gomes ter ficado de fora. Receei, a certa altura, que Fernando Santos estivesse demasiado enviesado em relação a ele, quando existem melhores opções neste momento. Felizmente isso não aconteceu. Gostei, aliás, que Fernando Santos tivesse admitido que lhe custava não Convocar Campeões Europeus ainda no ativo.

 

O que nos leva a um par de ausências significativas nesta lista: Éder e Nani. A situação do primeiro é semelhante à do ano passado, para a Taça das Confederações (e, aviso à navegação, as gracinhas do género como-é-que-vamos-ser-campeões-sem-o-Éder-para-marcar-na-final deixaram de ter piada há muito tempo).

 

A situação do segundo, por sua vez, entristece-me, ainda mais do que a do Éder. Como já devem saber, o Nani é um dos meus preferidos há quase doze anos. Tem estado presente em todas as Convocatórias desde a inauguração deste blogue – embora não tenha chegado a ir ao Mundial 2010, por lesão.

 

Esta época, no entanto, não lhe correu bem e existem inúmeras boas opções para a posição dele. Custa um bocadinho não vê-lo no grupo, durante os jogos, os treinos, as publicações nas redes sociais.

 

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É a lei da vida, suponho eu. Nada nem ninguém dura para sempre. Ao menos pude vê-lo tornar-se Campeão Europeu.

 

Além disso, temos uma série de nomes promissores estreando-se no Mundial. Já falámos de Rúben Dias e Mário Rui. Temos também Ricardo Pereira, André Silva, Bruno Fernandes, Gelson Martins e, claro, Gonçalo Guedes e Bernardo Silva (só faltou mesmo Rúben Neves).

 

Sim. É um bom grupo.

 

Já vamos em seis dias de Operação Mundial e, amanhã, temos um particular na segunda-feira, frente à Tunísia. Esta seleção também está apurada para o Mundial – está no grupo G, com a Bélgica, a Inglaterra e o Panamá – e em 41º no ranking da FIFA (que vale o que vale).

 

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Mais uma vez, o nosso historial frente a ela é reduzido: um particular em outubro de 2002. Não dá para tirar muitas ilações pois foi só um jogo e decorreu numa altura estranha para a Equipa das Quinas – nos meses entre a saída de António Oliveira, despedido após o Mundial 2002, e a chegada de Luiz Felipe Scolari, em 2003.

 

A Tunísia foi escolhida para fazer de Marrocos neste ensaio do Mundial. Curiosamente, depois do jogo de amanhã, os tunisinos vão jogar contra a Espanha no dia 9. Tivemos a mesma ideia que nuestros hermanos para nos preparamos para Marrocos.

 

Por outro lado, será que os tunisinos vão jogar connosco por eventuais semelhanças que tenhamos com os adversários deles? Vamos fazer de quem no ensaio de amanhã? De Inglaterra? De Bélgica? (De Panamá não deve ser…) Ou não fizeram questão de escolher com base no grupo deles, limitando-se a aceitar a proposta de Portugal?

 

Agora fiquei curiosa…

 

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Enfim, estamos apenas no início desta história. Só para concluir a questão anterior, espero que recordemos estas semanas, menos pela crise sem precedentes no Sporting, e mais por um bom desempenho no Mundial da Rússia. Acredito que Fernando Santos e o resto da Equipa de Todos Nós pensam da mesma forma e estão a trabalhar para isso. Pode ser que vejamos alguns frutos desse trabalho no jogo de amanhã.

 

Obrigada pela vossa visita, como sempre. Acompanhem o resto da Operação Mundial aqui no blogue ou na página do Facebook.

Vamos lá a ter calma...

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Cá vamos nós pela sexta vez (sétima, se quiserem contar com a Taça das Confederações). Fernando Santos Divulga hoje à noite, pelas oito e um quarto, a lista de Convocados para representar Portugal no Mundial 2018. Como já é hábito deste o primeiro dia deste blogue, eis-me aqui com alguns devaneios antes de, pelo menos na minha cabeça, entrarmos em modo Mundial.

 

Antes de falarmos especificamente sobre a nossa Seleção, algumas palavras sobre o campeonato em geral. Não sei se alguém se lembra disso, mas Portugal chegou a candidatar-se para albergar este Mundial, em conjunto com a Espanha. Na altura em que perdermos para a Rússia, reagi com imensa ingenuidade. No entanto, agora toda a gente sabe que houve dinheiro debaixo da mesa aquando da escolha da Rússia.

 

E do Qatar (ai, a história do Qatar…). E da Alemanha, em 2006. E da África do Sul, em 2010. E de Portugal, no Euro 2004.

 

Não seria melhor transformarmos as candidaturas ao Mundial num leilão? Sempre era mais transparente.

 

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Podem ter existido inúmeras pessoas aliviadas por Portugal e Espanha não terem vencido o concurso. Mesmo assim, agora que já estamos em 2018, sinceramente, se havia boa altura para organizarmos um Mundial (ou, vá lá, parte dele), era este ano. Para além de sermos Campeões Europeus, Portugal está na moda. Temos a Madonna a viver cá, ainda na semana passada recebemos o Festival da Canção, recebemos o Web Summit no ano passado e existem vários portugueses destacando-se em diversas áreas, não apenas no futebol. Podíamos perfeitamente receber uma mão-cheia de jogos do Campeonato do Mundo.

 

Sempre era melhor do que fazê-lo na Rússia, um país que tem sido o epicentro de inúmeros conflitos diplomáticos nos últimos meses e onde a homofobia é bem tolerada. Just sayin’...

 

A mesma lógica aplica-se às candidaturas a cidades-anfitriãs do Euro 2020. Chegou a colocar-se a hipótese de candidatar Lisboa e Porto, mas acabaram por nem sequer fazê-lo. Compreendo as razões: em 2014 a situação do país era um bocadinho pior do que agora, ninguém podia adivinhar que Portugal se tornaria um popular destino turístico e ainda menos que se tornaria Campeão Europeu.

 

Enfim, passemos à frente.

 

 

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Sendo este o nosso primeiro campeonato de seleções após a sagração no Euro 2016 (mais uma vez, sem contar com a Taça das Confederações), muitos adeptos têm vindo há muito tempo (alguns ainda nem dois dias após a final de Paris) a apontar ao título mundial.

 

O que é que eu acho sobre isso? Que é preciso ter calma.

 

Existe a tentação de colocar Europeus e Mundiais dentro do mesmo saco. Eu mesma fi-lo durante muitos anos, quando, na verdade, são campeonatos muito diferentes. Num Europeu participam seleções de um único continente, que se conhecem bem. É quase garantido que já nos cruzámos algumas vezes com os adversários antes, não só noutros Europeus e Mundiais mas também em fases de Qualificação ou em jogos particulares.

 

Mesmo saindo do âmbito das seleções, os jogadores quase todos atuarão em clubes europeus. É possível que já se tenham cruzado com membros das seleções adversárias ou nos campeonatos internos ou na Liga dos Campeões ou Liga Europa. Não há grandes mistérios.

 

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Num Mundial não é bem assim. Até podemos apanhar uma ou outra seleção europeia, mas muitos dos nossos adversários são equipas de outros continentes. Em muitos casos, o nosso historial com equipas dessas reduz-se a meia-dúzia de jogos ou menos – porque não disputamos Qualificações contra eles e porque não é viável marcar particulares contra eles (quem quer sujeitar a sua equipa a um voo longo e cansativo para disputar um jogo a feijões?). Pode existir uma mão-cheia de jogadores nessas equipas que até atuem em campeonatos europeus, sobretudo na América do Sul, mas não sei até que ponto isso influencia o estilo de jogo das seleções.

 

E depois temos a distância e as condições meteorológicas – conforme vimos em 2002 e, mais recentemente, em 2014. Não acho que seja uma coincidência o facto de os dois únicos Mundiais que nos correram bem tenham tido lugar em países europeus (1966, Inglaterra, terceiro lugar: 2006, Alemanha, quarto lugar).

 

De facto, basta comparar o nosso historial em Europeus e Mundiais para se notar a diferença. Só participámos em (*conta pelos dedos*) seis Mundiais. Em dois chegámos às meias-finais, em um chegámos aos oitavos-de-final, nos outros todos não passámos da fase de grupos.

 

Em contraste, sempre que participámos em Europeus (e não falhamos nenhum desde 1996, inclusive), chegámos sempre aos quartos-de-final, no mínimo. Nos últimos vinte anos, só em 2008 é que não chegámos às meias, pelo menos. Conforme tenho vindo a dizer (sobretudo àqueles que dizem que a nossa vitória em Paris veio do nada, foi apenas sorte), éramos a seleção com melhor historial em Europeus sem nunca termos ganho. Levarmos a Taça para casa era apenas uma questão de tempo.

 

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O que, mesmo assim, não impediu as minhas neuroses quando Fernando Santos se pôs a dizer que queria ganhar o Euro 2016. Mas isso sou eu.

 

Muita água terá de correr ainda antes de conseguirmos um currículo assim em Mundiais. Não que isso signifique que será impossível ganharmos, claro que não, mas isso é que, sim, viria quase do nada.

 

Não é de surpreender que, desta feita, Fernando Santos tenha um discurso mais sóbrio e cauteloso – embora não deixe de dizer que o título é um objetivo. Em entrevista ao jornal “O Jogo”, no início do mês, disse que “não podemos pensar que somos favoritos no Mundial porque ganhámos o Europeu.” “Não vou deixar que se embandeire em arco, achando-se que a equipa vai chegar à Rússia, vai ganhar e que o contrário será uma grande complicação.” “Mas também temos a confiança absoluta de que somos capazes de lutar [com os principais candidatos] e será muito difícil ganhar a Portugal.” “Tudo passa por um grande respeito por todos os adversários, com a confiança de que podemos ganhar os jogos.”

 

Devo confessar que os meus prognósticos andam muito voláteis, não sei muito bem o que esperar. Por um lado, tenho medo de um descalabro semelhante ao dos últimos dois Mundiais (não que o desempenho em 2010 em si tenha sido assim tão mau. Pior foi o que aconteceu depois).

 

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Por outro… já tivemos menos hipóteses de ganhar o Mundial, na minha opinião. Somos Campeões Europeus – não nos dá automaticamente o estatuto de favoritos, mas não é de desprezar. Em três anos e meio só contamos uma derrota em jogos oficiais. O Mundial decorrerá num país europeu, onde a meteorologia não será um problema – nós, aliás, estivemos lá no ano passado, logo, sabemos mais ou menos o que nos espera. Por fim, temos Cristiano Ronaldo.

 

Se é para tentar o título, é melhor ser agora.

 

Dito isto tudo, se não conseguirmos ganhar o Mundial, temos de encará-lo com naturalidade. Espero que, de qualquer forma, seja uma participação digna de um Campeão Europeu. Ou pelo menos que não seja uma tragédia completa, como da última vez.

 

O resto é a mesma conversa dos últimos dez anos: vamos tentar disfrutar do momento, do estágio de preparação, dos particulares, de eventuais campanhas de marketing que a Federação esteja a preparar e, claro, dos jogos em si. Ainda não sei ao certo como vou dar conta do recado aqui com o blogue – é possível que, por exemplo, tenha de escrever sobre dois jogos na mesma crónica – mas vou fazer um esforço. De qualquer forma, não deixarei de manter a página do Facebook atualizada.

 

E era isto o que queria dizer. Venham daí os Convocados! (Hoje à noite, às 20h15)