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O Meu Clube É a Seleção!

Mulher de muitas paixões, a Seleção Nacional é uma delas.

Ninguém está surpreendido

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No passado dia 5 de julho, a Seleção Portuguesa de Futebol caiu nos quartos-de-final do Euro 2024 perante a sua congénere francesa após desempate por grandes penalidades. Terminou, assim, a participação de Portugal na prova.

 

Ninguém está surpreendido, penso eu. 

 

Comecemos pelo princípio, como é habitual. Uma vez mais, ainda estava a trabalhar quando o jogo começou, mas não houve ninguém para atender depois das oito. Uma das minhas colegas chegou a comentar que deviam haver jogos da Seleção deste calibre todos os dias – assim teríamos tempo para completarmos outras tarefas que não atender. Consegui mesmo ir espreitando a transmissão do jogo online no meu telemóvel enquanto fazia essas tarefas. Deu para ver, por exemplo, duas belas defesas de Diogo Costa com poucos minutos de intervalo.

 

Na segunda parte, já estava no restaurante onde tínhamos reserva para ver o jogo. Tal como antes, estava com algum receio de pessoas mais desordeiras, mas não foi o caso. Uma vez mais, foi agradável, foi divertido. É uma das coisas de que mais tenho saudades da nossa participação no Europeu.

 

Como muitos têm assinalado, esta foi a melhor exibição de Portugal neste Europeu, sobretudo a partir da segunda parte. Como se previa, Portugal deu-se melhor com uma equipa menos fechada que a Eslovénia ou a Chéquia – e ainda assim foi um jogo muito cuidadoso de ambas as partes.

 

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Nós queixamo-nos de Portugal, mas parece que hoje em dia várias seleções jogam assim, sem querer arriscar. Nós, a França, a Inglaterra… Talvez sejam cautelas a mais, mas pergunto-me se esse não será o estilo possível nesta altura do campeonato, quando os jogadores têm tantos jogos nas pernas. Penso que terá sido por isso que Bruno Fernandes e Bernardo Silva estiveram uns furos abaixo neste Europeu, como tanta gente comentou. 

 

A Espanha mereceu ganhar porque foi das poucas, se não a única, a contrariar esta tendência. Aliás, em muitos aspetos a Espanha foi o oposto de Portugal neste Europeu: uma equipa com menos nomes sonantes mas fresca, atrevida, que dá gosto ver jogar.

 

Mas estou a desviar-me. 

 

Gostei muito de ver Nuno Mendes neste jogo, bem como Vitinha. Ri-me demasiado com o momento em que este devolveu o cartão amarelo, depois de este ter caído do bolso do árbitro. Pepe, por seu lado, tornou a fazer um jogo fenomenal, é uma coisa parva. Anulando adversários que, em termos futebolísticos, têm idade para serem filhos dele – destaque para este momento. Adiantando-me um pouco, também eu fiquei de coração partido com as lágrimas dele no final do jogo e com o abraço que trocou com Joaquim Sousa Martins, na flash-interview. 

 

Aqui entre nós, espero que não tenha sido a última vez que tivemos Pepe na Seleção. Sim, ele tem quarenta e um anos, mas foi capaz de nos salvar o couro inúmeras vezes, acho que ainda tem muito para dar. É tudo muito incerto no entanto – ele está sem clube. A ver o que acontece.

 

 

Regressando ao jogo, ma exibição agradável e tal, Portugal por cima mas sem. Conseguir. Marcar. Golos. Um desespero. Já não é a primeira vez que o digo aqui no blogue: eu adoro gritar “GOLO!” e, naquele dia, no restaurante, estava mortinha por fazê-lo. Queria tanto festejar, queria tanto dar um passo em direção às meias-finais. E estivemos tão perto, tantas vezes neste jogo!

 

Devíamos ter feito mais, minha gente! Devíamos ter ganho. Esta França estava ao nosso alcance. Podíamos perfeitamente ter vencido de tivéssemos jogado um bocadinho melhor. Viemos para este Europeu com ambições de ganhá-lo, mas como é que uma seleção pode apontar tão alto se me fica seis horas sem marcar golos?!?

 

Lá fomos outra vez aos penáltis e desta feita a sorte foi menos meiga para connosco. Não vou censurar demasiado João Félix. Foi azar. Claro que já toda a gente lhe caiu em cima, até porque é o João Félix: um jogador com muita bagagem com a opinião pública, tanto em Portugal como em Espanha – e ele não deixa de ter culpas nessa bagagem. Mas ele não foi o único Marmanjo a cometer erros ou a falhar neste Europeu. Foi apenas o único cujo falhanço teve consequências que não puderam ser corrigidas. E, como dei a entender, Portugal devia ter matado o jogo quando tivera oportunidade para isso.

 

Está na altura de falarmos do elefante branco na sala. Ronaldo esteve em campo durante a quase totalidade da participação de Portugal no Europeu, mas o que é que ele fez? Aquela assistência para o golo de Bruno Fernandes, o primeiro penálti em ambos os desempates, mais nada. 

 

Nem me vou alongar porque só repetiria argumentos que já usei cá no blogue há um ano e meio, dois anos. Não tivemos nenhum drama clubístico como durante o Mundial 2022, mas, uma vez mais, tivemos todas as desvantagens e praticamente nenhuma vantagem. Eu às vezes esquecia-me que ele estava em campo perante a França! Ronaldo tem toda a Equipa das Quinas – jogadores, treinador, a própria Federação – refém das suas ambições pessoas e caprichos; está a roubar o lugar a jogadores mais jovens, em melhor forma, que talvez conseguissem melhores resultados do que ele. Não há alma que o faça ver a realidade, que lhe diga “Não!“. 

 

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Não lamento que Ronaldo tenha regressado após o Mundial 2022, até porque ele saiu-se bem na Qualificação. Mas uma coisa são equipas de nível médio-baixo numa época em decurso. Outra coisa é um Europeu no final de uma época longa.

 

E, claro, Ronaldo não vai ficar mais novo. 

 

Muitos acreditam que ainda há maneira de manter Ronaldo na Seleção, desde que não o ponham sempre a titular. Aqui entre nós, neste momento não sei quero sequer isso. Estou farta. Acho melhor cortar de uma vez com Ronaldo para podermos todos seguir com as nossas vidas. 

 

Neste momento, isto é. É possível que mude de ideias no futuro. Aliás, não queiram estar por perto quando Ronaldo deixar de virem à Seleção e me cair a ficha. Não vai ser bonito. 

 

E com tudo isto, é mais uma oportunidade que foi pelo cano abaixo para esta geração. Começo agora a compreender os avisos que nos fizeram quando Martínez foi contratado. E o problema é que o técnico já teve muito tempo para se humanizar aos nossos olhos, para simpatizarmos com ele. Não é fácil. 

 

Claro que não se pode confundir o carácter de uma pessoa com a sua competência profissional, mas isso daria azo a um texto por si só.

 

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Para já, estou disposta a dar mais uma oportunidade a Martínez. Mal por mal, apesar de a Seleção nunca ter entusiasmado neste Europeu, a participação terminou de maneira mais ou menos aceitável: perante a França, apenas nos penáltis, após uma exibição médio-boa. 

 

Mas, aqui entre nós, se quisessem correr com Martínez neste momento, eu aceitaria.

 

Sabem no que tenho andado a pensar muito nos últimos dias? No Euro 2012. Já lá vão doze anos, não garanto que a minha memória seja cem por cento fiável. Mas aquela equipa não tinha metade da cotação que a atual tem. Tínhamos Cristiano Ronaldo e Pepe, claro, tínhamos Fábio Coentrão no Real Madrid, Nani no Manchester United, Raúl Meireles no campeão europeu Chelsea e pouco mais. 

 

E no entanto aquele grupo teve uma participação bem respeitável nesse Euro. Perdeu com a Alemanha no primeiro jogo, sim, mas foi a nossa melhor prestação perante os alemães desde o Euro 2000. Teve uma vitória inconsistente mas emocionante perante a Dinamarca. Fez um excelente jogo perante a Holanda. O jogo com a Chéquia foi OK, penso eu – só me recordo do golo do Ronaldo. Nas meias-finais perdeu nos penáltis perante a Espanha, que também se sagrou campeã nesse Europeu – fomos a única seleção capaz de neutralizá-los. 

 

Não se fala o suficiente sobre o Euro 2012, não se dá o devido mérito a Paulo Bento e a essa Seleção. E no entanto foi um desempenho melhor que o deste ano, o de 2021 – e mais ou menos equiparável ao de 2016, dependendo do critério. Nunca pensei vir a ter saudades dessa Seleção, pelo menos não nesta altura. 

 

A Federação e Martínez têm muito sobre que refletir neste verão, antes da Liga das Nações. A ver a que conclusões chegam.

 

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Quanto a mim, tenho uma coisa a anunciar: vou passar a escrever (ainda) menos aqui no blogue. Já não é a primeira vez que digo que o meu entusiasmo já não é o que era, sobretudo quando falamos de jogos particulares ou de Qualificação. Não tenho o mesmo tempo e energia que tinha há dez anos. Às vezes quando me sento com o meu caderno, já se passaram vários dias desde o jogo em questão, o momento já passou, a inspiração não é mesma, custa mais a escrever. O blogue começa a parecer uma obrigação, não um divertimento e, como qualquer adulto, já tenho obrigações que cheguem na minha vida.

 

Tenho um bocadinho de pena, mas sempre soube que este dia havia de chegar. Aliás, estou orgulhosa por ter conseguido manter alguma regularidade aqui no blogue durante quinze anos. E, de qualquer forma, é apenas uma redução, não quero parar por completo. Os primeiros dois jogos da Liga das Nações virão numa altura complicada para mim, não devo publicar nem antes nem depois deles. Em ocasiões posteriores, logo se vê. Se me apetecer, escrevo, se não me apetecer, não escrevo. Talvez faça, por exemplo, um apanhado da fase de grupos da Liga das Nações em novembro, depois de esta terminar. 

 

Em todo o caso, obrigada pela vossa visita e por terem estado desse lado neste Europeu. Visitem a página do Facebook deste blogue – essa, em princípio, hei de continuar a atualizar. Até à próxima!

Momentos épicos e red flags

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Na passada segunda-feira, dia 1 de julho, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou a zeros com a sua congénere eslovena, em jogo a contar para os oitavos-de-final do Euro 2024. A eliminatória ficou decidida após desempate por grandes penalidades, onde Portugal levou a melhor sobre o seu adversário. Hoje a Seleção defronta a sua congénere francesa nos quartos-de-final.

 

Para começar com um pensamento positivo: este Europeu já está a correr melhor que o último. Já é qualquer coisa. 

 

O jogo com a Eslovénia decorreu mais ou menos como eu previa – tirem as vossas próprias conclusões em relação a isso. Como já tinha dito no texto anterior, estive a trabalhar durante a primeira parte e, ao que parece, não perdi nada. Portugal atacando em passo de caracol, trocando bolas entre si à frente do autocarro esloveno, abusando dos remates à distância e dos cruzamentos para o vazio. 

 

A nossa sorte é que a Eslovénia também não era muito eficaz a atacar. E mesmo assim as duas oportunidades mais flagrantes em todo o jogo pertenceram a eles. 

 

Eu mesmo assim tinha esperança de que conseguíssemos resolver a coisa nos noventa minutos. Não queria de todo ir a prolongamento: não queria o desgaste físico e psicológico de trinta minutos extra, talvez com penáltis. Mas seria a mesma coisa sem sofrimento desnecessário? 

 

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Ao longo do jogo, muitos se queixaram da mania de Cristiano Ronaldo cobrar todos os livres – incluindo um mais para a esquerda, que nem sequer é a especialidade dele. Eu percebo que Ronaldo quer marcar golos, eu também quero que ele marque, mas… ele raramente marca de livre em fases finais, como referem aqui. Não tem funcionado! 

 

Não podiam, no mínimo alternar? 

 

O que leva à velha questão do papel de Cristiano Ronaldo na Equipa de Todos Nós, se prejudica mais do que ajuda. Na imprensa estrangeira diz que “it’s all about Ronaldo”. No The Guardian saiu um artigo que tem provocado alguma polémica. Acho que há algum exagero, mesmo alguma crueldade, nessas opiniões, mas não acho que estejam erradas. Aliás, tudo isto tem-me feito recordar daquilo que escrevi em finais de 2022, antes, durante e depois do Mundial: Ronaldo continua em negação em reação às suas capacidades. Precisa de alguém que o faça ver a realidade, que lhe diga “não”. Não digo que ele não deve ser titular – aliás, no caso deste jogo, acho que foi importante ele ter ficado lá para os penáltis, como veremos mais tarde. Mas, se Ronaldo não rende em campo, tem de ser substituído. Martínez não pode ter medo disso! 

 

Falemos, então, sobre o penálti falhado e as lágrimas que se seguiram. Não esperava que Ronaldo falhasse, mas Oblak é um grande guarda-redes, mérito para ele. Vou ser sincera e arriscar ser “cancelada”: na altura, as lágrimas de Ronaldo não me comoveram muito. O Marmanjo insistia em cobrar todos os livres, todos os penáltis, não conseguia converter e ainda se punha a chorar e a “obrigar” os colegas a consolá-lo? 

 

Se bem que eu também tenho telhados de vidro. Eu que também tenho fases em que sinto tudo. Nem vou dizer aqui o motivo pelo qual chorei pela última vez, à hora desta publicação. 

 

 

E de qualquer forma, mais tarde lembrei-me do final do jogo com o Gana no Mundial 2022, quando Ronaldo foi consolar Diogo Costa depois de este também ter cometido um erro. Além disso, se formos a ver, tirando o Pepe e talvez o Rui Patrício e o José Sá, todos aqueles Marmanjos cresceram idolatrando Ronaldo, sendo inspirados por ele. Agora tiveram oportunidade de retribuir. 

 

A Seleção pode deixar muito a desejar neste Europeu, mas ninguém pode dizer nada do ambiente no seio da equipa. 

 

Na mesma linha, também não quero censurar demasiado Pepe pelo deslize que podia ter resultado no golo da Eslovénia. Na minha opinião, ele tinha feito um bom jogo até àquele momento. Cometeu um erro ao fim de ter jogado durante quase cento e vinte minutos, isto com quarenta e um anos. E estava lá Diogo Costa para ajudar, é assim que uma equipa funciona. 

 

Foi uma bela defesa, aliás. Muitos têm-na descrito como o primeiro penálti que ele defendeu.

 

O que nos leva, então, ao desempate por grandes penalidades. Eu não estava com grande fé, para ser franca. Os penáltis têm sempre uma componente emocional e receava que, depois do que acontecera no prolongamento, os Marmanjos não estivessem grande coisa nesse capítulo. 

 

Claro que não dava tudo como perdido. Cheguei a usar a frase “Até ao lavar dos cestos é vindima” num dos meus grupos de WhatsApp. Sabia que o nosso Diogo Costa era bom em penáltis e, que diabo! Era a Eslovénia! Não era uma Alemanha ou mesmo uma Inglaterra. Tínhamos a obrigação de passar. 

 

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Não foi preciso preocupar-me, claramente. Infelizmente, os vizinhos estragaram-nos os penáltis, com as suas reações adiantadas e barulhentas. Não é a primeira vez que isto acontece, não sei porque é que ainda vemos estes jogos na casa dos meus pais. Já decidimos que vamos ver os quartos-de-final num restaurante, a ver se evitamos esta situação. 

 

Como disse acima, sabia que o Diogo era bom nos penáltis, mas não esperava que o miúdo me defendesse três de seguida! Logo nos primeiros minutos a seguir lembrei-me que era o décimo-oitavo aniversário dos quartos-de-final do Mundial 2006, também na Alemanha, em que Ricardo também defendeu três penáltis frente à Inglaterra. O feito do Diogo foi melhor, na minha opinião: foram três de seguida e, em 2006, terá havido algum demérito da parte dos ingleses. 

 

Na verdade, algo que me tem chocado nos últimos dias é que, ao que parece, há demasiada gente que não se recorda desse jogo do Mundial 2006. As pessoas recordam-se dos quartos-de-final do Euro 2004, de Ricardo defendendo sem luvas, mas acabam-se por se esquecer desse segundo feito, dois anos depois. Um amigo meu, mais velho, não se recordava. A minha própria irmã não se recordava! Anda uma pessoa a criar uma irmã para isto… Temos de corrigir essa injustiça!

 

Em todo o caso, foi bonito ver Diogo apoiado pelo próprio Ricardo, hoje treinador de guarda-redes da Seleção, bem como pelo Rui Patrício e pelo José Sá. A minha irmã disse que foi o Ricardo quem lhe deu a fórmula – na realidade, Diogo diz que se guiou pelo próprio instinto. Não precisou de conselhos.

 

O Diogo tem sido elogiado e homenageado por todos os lados, o País inteiro pedindo-o em casamento, merecidamente. A melhor homenagem é, sem dúvida, esta. Como o próprio disse, entre lágrimas, o Mundial 2022 não lhe correu bem – ainda há pouco recordámos um dos exemplos. O miúdo soube dar a volta por cima, aprendeu com os erros e corre o risco de se tornar um dos melhores guarda-redes do Mundo – e só tem vinte e quatro anos!

 

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Uma palavra final para Cristiano Ronaldo, que bateu o primeiro penálti, dando o mote para os colegas. Cheguei a pensar que ele não bateria primeiro, depois da sua falha anterior, mas foi a decisão correta. Afinal de contas, nas últimas duas vezes em que perdemos num desempate por grandes penalidades, o Ronaldo não bateu primeiro: não acho que seja coincidência. E é por isso que até aceito que ele tenha ficado em campo até ao fim. Depois de converter, Ronaldo fez um gesto a pedir desculpa para o público, mas na minha opinião não precisava de tê-lo feito. Ou melhor, o problema não foi ter falhado o penálti, o problema foi, como vimos acima, insistir em bater tudo o que é livre e grande penalidade, roubando a oportunidade a outros que talvez pudessem fazer melhor.

 

Não me interpretem mal, eu adorei este final de jogo. Dezoito, vinte anos depois, continuo a colecionar momentos lindos com a Seleção. Mas com todas estas emoções, com todo este drama, uma pessoa quase se esquece… isto era “só” a Eslovénia! Não devia ter sido tão difícil! Devíamos ter conseguido resolver isto nos noventa minutos regulamentares. Sim, Portugal mereceu ganhar e fiquei contente com a vitória, mas continuam os sinais de alerta – as red flags, como diriam os anglo-saxónicos – continuamos a jogar pouco e não sei durante quanto tempo isso será suficiente.

 

Tendo isso em conta, se calhar ficarão surpreendidos quando vos disser que até estou moderadamente otimista para o jogo de hoje, com a França. Mais otimista do que estava das últimas vezes que jogámos contra eles. A verdade é que os nossos amigos franceses estão numa situação semelhante à nossa: não têm jogado grande coisa. Como tem sido amplamente comentado, os únicos golos deles neste Europeu foram auto-golos e um único penálti convertido. 

 

Por outro lado, ainda só sofreram um golo.

 

Deverá um duelo relativamente equilibrado. Estes em princípio não jogarão em bloco baixo, ao contrário dos nossos adversários anteriores – havemos de jogar melhor. E, vou ser sincera, estou a contar que Diogo Costa continue a salvar-nos. 

 

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Claro que não será fácil. O nosso histórico com os franceses está muito desequilibrado a favor deles. A final de Paris foi a primeira e única vitória em décadas. Aliás, uma faceta menos agradável da nostalgia pelo Mundial 2006: faz hoje dezoito anos desde que eles nos eliminaram das meias-finais desse campeonato, também na Alemanha. O nosso último jogo com eles, no último Europeu, então, ia dando cabo de mim. Estou mais ou menos à espera que este seja igualmente dramático. 

 

Preparemo-nos. Uma vez mais, só vou sair do trabalho às 20h30, ou seja, vou perder a primeira parte. Uma pena mas, se calhar, o meu coração agradece. 

 

Ou não? Não sei se sofrerei mais podendo ver ou não podendo ver.


Obrigada a todos pela vossa visita. Tenho andado algo stressada para conseguir acabar estes textos antes dos jogos seguintes. Mas obviamente quero continuar a fazê-lo durante a próxima semana, semana e meia. Quero continuar neste Europeu. Continuem a acompanhá-lo comigo quer neste blogue, quer na sua página do Facebook.

Colocando em causa

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No passado dia 22 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere turca por três bolas sem resposta. Com este resultado, conseguiu Qualificar-se para os oitavos-de-final do Euro 2024, onde irá defrontar a sua congénere eslovena, na próxima segunda-feira dia 1 de junho. Entretanto, no dia 26 de Junho, a Seleção Portuguesa foi derrotada pela sua congénere georgiana por duas bolas sem resposta, em jogo apenas para cumprir calendário e para definir a classificação do resto do grupo. 

 

Este último resultado pode, como se diz oficialmente, "não ter contado para quase nada". Mas infelizmente contou muito para a minha disposição e entusiasmo em relação a este Europeu.

 

Já aí vamos.

 

Vi o jogo com a Turquia numa esplanada – algo que queria fazer com um jogo de campeonato de seleções há muitos anos. Foi agradável, foi divertido – as outras pessoas estavam entusiasmadas, mas não de forma desordeira, como às vezes acontece. 

 

A Turquia até entrou melhor no jogo, mas Portugal lidou bem com isso. Aliás, Portugal defendeu muito bem durante todo o jogo. Tem-se falado muito sobre o Pepe, com toda a justiça, mas também me ficou na retina um lance em que Rúben Dias defendeu de cabeça. 

 

 

Eventualmente, Portugal assumiu o controlo do jogo e chegou ao golo ao minuto 22. A jogada teve alguma graça: a assistência é de Nuno Mendes, um dos turcos segura mal a bola, Cristiano Ronaldo tenta recebê-la mas cai, Bernardo Silva toma-a e remata certeiro. Fiquei contente por ter sido Bernardo a marcar, depois de, nos dias anteriores, ter recebido algumas críticas injustas por parte da opinião pública. 

 

O segundo golo não tardou e esse foi ainda mais cómico. Como muitos têm assinalado, este está a ser o Europeu dos auto-golos (a sério, que se está a passar…?) e este é capaz de ter sido um dos mais caricatos. A jogada começa com João Cancelo e Ronaldo. Cancelo tenta fazer o passe mas sai-lhe mal. Ronaldo barafusta de uma maneira muito à Ronaldo. Cancelo responde na mesma moeda (pelo menos foi o que me pareceu). A câmara foca-se nele e nem reparamos que Samet Akaydin atrasa mal a bola para o guarda-redes Altay Bayindir. A câmara regressa à ação a tempo de vermos a bola a cruzar a linha de baliza antes que os turcos conseguissem intervir.

 

Eu nem gritei “GOLO!” na altura, só me ri – uma gargalhada pouco digna, ainda por cima em público. Esta é digna dos apanhados, vai diretamente para aquelas compilações do YouTube. Uma pessoa até fica com pena dos turcos, ninguém merece. 

 

Por outro lado, logo após o golo, Ronaldo e Cancelo festejaram juntos. A zanga não durou. 

 

A vantagem dilatou-se ainda mais na segunda parte. Toda a gente tem assinalado que Ronaldo foi altruísta, algo que não é habitual nele. Não é assim tão raro quanto as pessoas pensam – aliás, foi um golo parecidíssimo com outro, nos playoffs do Mundial 2022. Novo momento à Ted Lasso. Talvez Ronaldo até conseguisse marcar dali, mesmo cara a cara com o guarda-redes. Mas tomou a opção inteligente, de aproveitar o foco do guarda-redes nele, trocar-lhe as voltas e passar para Bruno Fernandes – outro também lidando com críticas. 

 

Aqui entre nós, fico com alguma pena por Ronaldo ainda não ter conseguido marcar neste Europeu. Esta, porventura, teria sido uma boa oportunidade para acrescentar o Euro 2024 à longa lista de campeonatos de seleções seguidos com golos de Ronaldo. No entanto, com este golo, Ronaldo tornou-se no jogador com maior número de assistências em Europeus.

 

 

Agora é que percebo de que é que o próprio fala, quando diz que são os recordes que o perseguem. Se não é um, é outro. 

 

Depois deste golo, deu-se alguma descompressão – mesmo eu fiquei menos atenta. Pepe foi substituído e recebeu uma enorme e merecida ovação de ambos os lados – de facto, começam a faltar palavras para descrever a sua grandeza. 

 

Tivemos umas quantas invasões de campo porque Cristiano Ronaldo. Quando são crianças, como aquele miúdo de dez anos que tirou uma selfie com ele, ainda se aceita mais ou menos – até porque sempre adorei ver Ronaldo interagindo com miúdos, ele tem imenso jeito. Outras não têm tanta piada: como aquela em que um dos stewards ia lesionando o Gonçalo Ramos ou aquele miúdo, no jogo contra a Geórgia, que saltou das bancadas e aterrou à frente de Ronaldo. 

 

Não era suposto o Europeu, uma das provas desportivas mais mediáticas, ter melhor segurança do que isto? Espero que não aconteça nenhuma tragédia por causa de falhas como estas.

 

Nos dias que se seguiram a este jogo eu andava contente q.b., aliviada por termos conseguido passar aos oitavos logo ao segundo jogo. Sabia bem por uma vez termos evitado o stress dos melhores terceiros classificados, ao contrário dos nossos dois últimos Europeus. E andava – OK, ainda ando – a divertir-me acompanhando o Euro em geral. Nem sempre tenho conseguido ver os jogos, mas vou vendo um ou outro vídeo de análise no YouTube, ouvindo o podcast da Sport TV, ligando as Noites do Euro na RTP3 – nem sempre com muita muita atenção, só para ir ouvindo enquanto escrevo ou faço outras coisas. Lembrando-me porque é que gosto tanto de Europeus e Mundiais. 

 

Claro que tinha de vir a minha própria Seleção estragar isso.

 

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Tenho mesmo de falar sobre o jogo com a Geórgia? Tenho? Pronto, lá terá de ser. 

 

Outros saberão melhor do que eu analisar os erros táticos de Roberto Martínez, que aparentemente tem a mania de se pôr a inventar, a meter os Marmanjos em posições em que não estão à vontade. Mas para mim ficou claro que o jogo correu mal literalmente desde o primeiro minuto. 

 

Não quero ser demasiado dura para com António Silva, que infelizmente esteve por detrás de ambos os golos que sofremos – a começar por aquele passe infeliz, que resultou no primeiro golo. Ele é um miúdo, não foi o primeiro nem será o último a cometer erros deste calibre. No jogo de abertura do Euro 2004, Ronaldo provocou o penálti que resultou no segundo golo da Grécia. E ainda não me esqueci dos estragos que a testa do nosso Pepe, que ainda há pouco elogiámos, provocou no Mundial 2014. É assim que se aprende.

 

Dito isto, não há como contorná-lo: aquele primeiro golo destruiu animicamente a equipa. Portugal nunca mais conseguiu entrar nos eixos. Tinha o domínio do jogo, da posse de bola e tal, sem que isso se traduzisse na prática. Os portugueses estavam apáticos, enervados – destaque, claro, para Cristiano Ronaldo, cuja maturidade emocional congelou algures em 2004. 

 

Em contraste, os georgianos jogaram com alma, com paixão (quando, ironicamente, é suposto os portugueses serem “os Apaixonados” neste Europeu), típicos underdogs com ambições. Um guarda-redes que se agigantou, cujas luvas terão fumegado depois de ter defendido este livre de Ronaldo. O pormenor bonito de Khvicha Kvaratskhelia, o marcador do primeiro golo, ter frequentado uma escolinha de futebol inaugurada por Ronaldo – e depois ter ficado todo feliz por ter recebido a camisola do seu herói, no fim do jogo.

 

Por outras palavras, foi mais uma daquelas ocasiões, como quando jogámos contra a Sérvia, contra a Coreia do Sul, contra Marrocos, em que eu sentia mais simpatia pelo nosso adversário, em que não me revia na minha própria equipa. É preocupante isto estar a acontecer com tanta frequência nos últimos anos.

 

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Como também é habitual, existem atenuantes. Era um jogo praticamente a feijões, era um onze muito diferente e, de qualquer forma, houve um penálti que nos foi negado. Mesmo assim, Portugal tinha a obrigação de fazer melhor. A partir de meio da segunda parte só pedia o apito final, só queria que a tortura acabasse.

 

Lamento dizê-lo, mas este resultado tem-me feito pôr várias coisas em causa. É possível que ande a ser influenciada por opiniões alheias. Mas tenho medo de que esta derrota não tenha sido meramente circunstancial, que seja sintoma de um problema mais grave. Afinal de contas, quase todos os nossos golos (que incluem dois auto-golos) neste Europeu foram mais demérito dos nossos adversários do que mérito nosso. Talvez andemos a sobrevalorizar esta Seleção.

 

Por outro lado, sei que não estou a ser completamente justa. Olhando apenas para os aspetos práticos, este foi o primeiro jogo oficial que perdemos com Martínez ao comando – e mesmo assim contava para muito pouco. Em termos apenas de resultados, Martínez tem feito tudo bem. Como outros têm dito, não éramos bestiais por termos vencido a Turquia e não somos bestas por termos perdido contra a Geórgia nestas circunstâncias. E, se é para cometer erros e jogar mal, que sejam em jogos como este. 

 

Mas é bom que de facto tenham sido aprendidas lições – de uma vez por todas. É que ultimamente já começam a ser vários jogos menos conseguidos nos últimos tempos e não estou a ver ninguém a aprender nada. 

 

Um desses jogos, por sinal, foi contra a Eslovénia, que agora é torna a cruzar-se connosco, nos oitavos-de-final. Uma equipa que provavelmente usará o mesmo bloco baixo que tantos problemas causou aos portugueses nos jogos com a Chéquia e com a Geórgia – e que poderíamos ter evitado se tivéssemos ganho este último jogo. 

 

Antes de quarta-feira, tinha duas ou três coisas a dizer, incluindo uma piada ou outra, sobre o facto de termos ido parar ao lado difícil do mata-mata. Agora que o meu otimismo diminuiu, não estou para isso. É pensar um jogo de cada vez. Estou mais ou menos resignada a mais um jogo tortuoso, perdão, de paciência perante a Eslovénia. Não vou poder ver a primeira parte porque só saio do trabalho às 20h30 – pedi para me escalarem para sair mais cedo, mas não deu. 

 

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Aqui entre nós, talvez não seja assim tão mau. Serei poupada a quarenta e cinco minutos de ver os Marmanjos trocando a bola entre si perante o bloco baixo esloveno, tentando remates de longe.

 

Ainda assim, continuo a contar que Portugal passe à fase seguinte. Com mais ou menos paciência, com mais ou menos tortura, com prolongamento e penáltis se necessário (espero que não seja), outro resultado não é aceitável. Não com a equipa que temos. Depois disso, logo se vê.

 

Como sempre, obrigada pela vossa visita. Continuem a acompanhar este Europeu comigo, quer aqui no blogue, quer na sua página de Facebook.

O drama começou cedo

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Na passada terça-feira, dia 18 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol estreou-se no Euro 2024 com uma vitória por duas bolas contra uma perante a sua congénere checa. 

 

Se algum de vocês desse lado tinham saudades do sofrimento típico de um jogo da Equipa de Todos Nós numa fase final, este jogo foi para vocês.

 

Portugal assumiu cedo o controlo do jogo, embora sem conseguir criar muitas ocasiões. Tivemos alguns desperdícios, como o cabeceamento mal feito de Cristiano Ronaldo ou quando Rafael Leão não se esticou o suficiente para conseguir rematar. A Chéquia remeteu-se a um bloco baixo, aparentemente pouco interessada em tentar ganhar. 

 

Isto durou toda a primeira parte e prolongou-se até pouco antes dos sessenta minutos de jogo. Acabou por acontecer aquele tropo clássico do futebol: quem não marca, sofre. Os checos marcaram no primeiro remate enquadrado que tiveram. 

 

 

– Pois! Eu sabia! Eu sabia! – barafustei eu para a minha cadela, a única que estava a ver o jogo comigo. 

 

Os comentadores da SIC já me vinham a irritar há algum tempo. Nem sequer é era pelas inúmeras referências à novela nova, como toda a gente se queixou. Era mesmo pelo tom otimista irritante que as televisões costumam adotar nestes campeonatos. Depois do golo sofrido, tive ainda menos paciência

 

– Portugal está a perder mas já provou ser superior – disseram. De que servia isso se perdêssemos? 

 

Felizmente não nos mantivemos em desvantagem durante muito tempo – embora o mérito não tenha sido cem por cento nosso. Após defesa incompleta do guarda-redes checo Stanek, o infeliz Hranác fez auto-golo (estes têm sido frequentes neste Europeu). O pior tipo de golo, uma pessoa nem sabe bem se deve festejar, mas não nos podíamos dar ao luxo de sermos esquisitos. 

 

Portugal continuou a insistir, mas observou-se outro tropo habitual: o guarda-redes adversário que decide, inusitadamente, fazer o jogo da sua vida. Por esta altura, já tinha visto pelo menos duas pessoas no Twitter dizendo que o jogo pedia Francisco Conceição. 

 

Ainda assim, Diogo Jota saltou do banco primeiro e, em sua defesa, até conseguiu enfiar a bola na baliza. Momento caricato quando andou à bulha com Stanek para agarrar a bola para o festejo, apenas para o golo ser anulado por fora-de-jogo de Ronaldo. 

 

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Já ia fazendo contas à vida tendo em conta o empate. Não seria dramático, pois não? Não seria a primeira vez que não vencíamos o jogo de estreia, para depois até termos desempenhos decentes. 

 

Felizmente, Portugal recusava-se a deitar a toalha ao chão. Martínez lançou Pedro Neto e Francisco Conceição aos noventa minutos. Muitas piadas comparando Martínez a Roger Schmidt – precisei de algum tempo para me recordar da suposta tendência do último de fazer substituições tardias. 

 

E de facto… qual é a lógica de esperar até aos noventa minutos para meter dois jogadores quando não se está a ganhar? Martínez queria ganhar, certo? Estava a contar que os substitutos resolvessem a coisa durante o tempo extra?

 

Se era a segunda hipótese… bem, o jogo deu-lhe razão. Pedro Neto pegou na bola (provavelmente a primeira vez que tocou nela), entrou na grande área pela esquerda, centrou. Um central croata ainda tentou defender mas a bola passou-lhe entre as pernas. Francisco Conceição tomou-a e enfiou-a na baliza.

 

Nem festejei como deve ser, com medo que o golo fosse anulado outra vez. Os Marmanjos fizeram o oposto: o golo foi uma explosão catártica. O Chico tirando a camisola, a Seleção em peso atirando-se ao pescoço dele, aquela energia de família abraçando o irmão mais novo, Ronaldo e Jota provocando adversários, quais criancinhas. Tudo uma delícia. 

 

Fiquei contente por o golo ter partido de jogadores que levantaram controvérsia ao serem Convocados. Eu mesma tinha as minhas reservas em relação a Pedro Neto e, ainda no dia do jogo com a Chéquia, quis aliviar a pressão sobre o Chico, aqui no blogue

 

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Fico feliz por me ter enganado em relação a ambos.

 

Mas não devia ter sido necessário todo este drama. Devíamos ter marcado antes, logo na primeira parte. A Seleção podia ter poupado o povo a este sofrimento. Se tivemos estas dificuldades no primeiro jogo, perante a Chéquia, como será mais para a frente, perante adversários mais difíceis? Acham que o meu coração vai aguentar? Nesta fase da minha vida?

 

Depois do jogo, Martínez elogiou a atitude da Seleção, a “resiliência”, a “personalidade incrível”. Destacou o facto de ter sido a primeira reviravolta da Equipa de Todos Nós durante o seu mandato. 

 

Não está errado. É importante saber reagir à desvantagem, sobretudo em campeonatos como este. Houveram ocasiões nos últimos anos em que não soubemos fazê-lo.

 

Dito isto, continuo a achar que Martínez doura demasiado a pílula – já tínhamos falado disso no texto anterior. “Não é um jogo para avaliar do ponto de vista tático, técnico e físico”, disse ele depois do jogo. Não, mister? Não vamos aprender com os erros, mesmo que não tenham tido consequências em termos pontuais?

 

Claro que nada me garante que isto não é só conversa. É possível que Martínez não queira fazer críticas ou admitir culpas em público, mas que já tenha falado com os jogadores e equipa técnica em privado, de modo a corrigir o que for necessário. Não quero criticar demasiado Martínez nesta fase, quando a Seleção ainda não cometeu um deslize que seja. Recordo que só contamos vitórias em jogos oficiais com Martínez ao comando. 

 

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E não deixo de estar satisfeita com o nosso resultado frente à Chéquia – mesmo que os dois golos que marcámos tenham envolvido erros por parte dos checos. São três pontos importantes, um passo em direção aos oitavos-de-final. O meu lado mais otimista diz que só faltam mais seis jogos de sofrimento assim, ou pior, e o título é nosso outra vez. A parte menos otimista deseja mais consistência, espera que a Seleção melhore nos próximos dois jogos, de modo a conseguirmos ir longe neste Europeu.

 

Dizem que a Turquia tem um jogo mais aberto que o da Chéquia e talvez Portugal não sinta as dificuldades que sentiu na terça-feira. Por outro lado, a Turquia está cheia de talento, virá motivada após a vitória sobre a Geórgia (num jogo que muitos garantem ter sido um dos melhores deste Europeu) e terá muitos adeptos nas bancadas. Não vai ser fácil. 

 

Mas não há desculpas. Portugal tem de ganhar.


Como sempre, obrigada pela vossa visita. Continuem a acompanhar a participação portuguesa no Euro 2024 comigo, quer aqui no blogue, quer na sua página de Facebook.

O Europeu da nostalgia

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À hora desta publicação, faltam pouco mais de duas semanas para o início do Euro 2024. Roberto Martínez Divulgou os Convocados para representar Portugal neste campeonato no passado dia 21 de maio. Pode-se dizer que já estamos em modo Europeu – ou, vá lá, quase.

 

Este campeonato vai ter – já está a ter – um sabor diferente. Um sabor nostálgico, aludindo a campeonatos anteriores. 

 

Para começar, vai decorrer exatamente vinte anos depois do Euro 2004. “Euro 2024”, aliás, soa parecidíssimo a “Euro 2004” – o meu coração dá um pequeno salto sempre ouço este nome. Sobretudo agora na era das internetes, temos ciclos de nostalgia de vinte anos. E 2004 foi um ano marcante para mim. Foi quando comecei o Secundário, quando adotei novos interesses que mantenho até agora. 

 

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A Seleção será um dos maiores. Não é a primeira vez que o digo, não será a última. Foi com o Euro 2004 que o casamento começou – e chegámos à marca dos vinte anos! Tomara muitos! 

 

Além de que foi, pura e simplesmente, um dos capítulos mais bonitos da história do futebol português. Matéria da qual são feitas as lendas. O espanto e a maravilha ainda não se dissiparam, mesmo passadas duas décadas.

 

Malta! O Ricardo defendeu um penálti decisivo sem luvas! E depois ele mesmo bateu o penálti seguinte, assegurando a nossa vitória. Coisas como esta não acontecem!

 

Por outro lado, este Europeu irá decorrer na Alemanha – o mesmo palco que o Mundial 2006, também ele com elevado valor nostálgico. Foi o melhor desempenho português em Mundiais que testemunhei até agora. Dá-me imenso gozo ouvir os nomes das cidades, depois de as ter aprendido rapidamente durante esse Mundial. As mais conhecidas Berlim, Munique, Frankfurt, Dusseldorf, claro, mas também Marienfeld (que vai voltar a ser o quartel-general da Seleção), Colónia, Gelsenkirchen – este último é o meu nome preferido.

 

O único denominador comum entre esses campeonatos e o atual é, claro, Cristiano Ronaldo, o único que continua no ativo. Dezoito, vinte anos depois, voltou a ser Convocado. Também temos Ricardo Carvalho e Ricardo Pereira (referido acima), mas como membros da equipa técnica.

 

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Estamos velhos.

 

O terceiro fator nostálgico diz respeito aos nossos adversários nesta fase de grupos. A Turquia e a Chéquia também fizeram parte do nosso grupo no Euro 2008. A Geórgia não, mas realizámos um particular contra eles antes desse campeonato – o único, se a memória não me falha. A única recordação que tenho desse jogo é a fotografia do João Moutinho que usei como cabeçalho do texto que escrevi sobre esse jogo aqui no blogue. Ele foi um dos marcadores. 

 

Nem me recordava do resultado, apenas que tínhamos ganho. Uma pesquisa rápida recordou-me que ganhámos por duas bolas contra zero. Mas falaremos melhor num texto futuro, quando olharmos melhor para os nossos adversários neste Europeu.

 

Não que o Euro 2008 em si tenha sido particularmente memorável. Mas sempre foi o primeiro campeonato que cobri com este blogue, há dezasseis anos.

 

Dezasseis anos, minha gente. Ainda há pouco tempo o Euro 2004 e o Mundial 2006 tinham sido há apenas meia dúzia de anos. De repente já lá vão duas décadas ou quase.

 

Algo em que reparei há pouco tempo é que este blogue passou metade da sua vida com uma Seleção sem títulos e a outra metade com título. Nesse sentido, seeria poético se conseguíssemos recuperar a Henri Delaunay este ano.

 

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Vou dizê-lo já: este é capaz de ser o campeonato de seleções que encaro com maior otimismo em muitos anos. Da última vez era (mais) jovem e (mais) ingénua, claro. Agora estou confiante, sim, mas cautelosa. Temos o talento, tivemos os resultados na Qualificação, não temos Fernando Santos.

 

Mas já se sabe como são estas coisas. Tudo muito bonito, mas só conta quando a bola rolar.

 

Além disso, como temos vindo a assinalar, ainda não conhecemos Roberto Martínez assim tão bem, ainda não tivemos um desafio a sério. Não sabemos como irá esta Seleção reagir quando nos cruzarmos com um adversário de peso. 

 

Nesse aspeto, uma coisa boa deste grupo teoricamente fácil – sublinhe-se o “teoricamente” – é que vamos continuar a ter um aumento mais ou menos linear em termos de dificuldade.

 

Confesso que ainda não me sinto bem em modo Europeu. Já não é a primeira vez que o digo. Para além de ter outras coisas ocorrendo na minha vida, já são muitos anos, há aspetos que já se tornaram rotineiros. Como a Divulgação dos Convocados. A atual geração tem tanto talento que é quase impossível fazer uma Convocatória má.

 

Claro que tenho os meus reparos. Não percebo o que é que Martínez tem contra Francisco Trincão e sobretudo Pedro Gonçalves. Eles não puderam vir ao Europeu porque falharam os amigáveis de março. Mas Pedro Neto e Diogo Jota – que não só falharam essa jornada como vêm de lesões prolongadas – puderam vir? Ainda compreendo mais ou menos a Chamada de Diogo Jota – ele tem currículo na Seleção, vários golos marcados. Pedro Neto, por outro lado, só conta cinco internacionalizações e um golo marcado num particular frente a Andorra.

 

Dito isto, não estou para me ralar demasiado com esta questão. Até porque nestes debates há sempre gente usando lentes da cor dos respectivos clubes. Quando é assim, é uma luta perdida. Além disso, nenhuma das desilusões dos últimos anos se deveu a problemas com os Convocados.

 

 

A única coisa que quero recordar da Convocatória é mesmo a reação do filho do João Palhinha. 

 

A preparação do Europeu começou este domingo. Este é o primeiro campeonato de seleções “normal” que temos em anos. Está a decorrer na altura certa do ano, sem adiamentos ou outros condicionamentos provocados pela pandemia ou climas extremos. Temos três jogos de preparação antes do Europeu! Já não estava habituada a isto. 

 

Por outro lado, tenho estranhado o início tão tardio do estágio de preparação. Vou ser sincera, não me agrada muito. Os Marmanjos vão jogar o primeiro amigável depois de o quê? Um treino? Dois?

 

Claro que compreendo a lógica. Toda a gente sabe como anda o calendário futebolístico – já não é a primeira vez que falamos disso. Andam a falar de uma possível greve de futebolistas. Esta semana de férias terá feito melhor a estes Marmanjos, em termos físicos e sobretudo psicológicos, do que uma semana de estágio, por muito leve que seja. Se isso significar exibições fraquinhas nos particulares e menos publicações nas redes sociais relacionadas com a Seleção… que assim seja. É um preço mais do que razoável. 

 

Falemos então sobre estes três amigáveis. De referir que vou estar lá em dois deles. Comprei o bilhete para o primeiro, frente à Finlândia, em Alvalade, há poucos dias. Foi decisão de última hora. Estou de folga nessa tarde, não tenho outros planos, o Estádio fica perto da minha casa, a vida é curta. Porque não? É na loucura. E acho que nesta vez consegui um lugar decente. Lá está, não estou à espera de uma grande festa do futebol. Vou sobretudo pelo ambiente, pela festa, para ganhar entusiasmo para o Europeu. 

 

Quanto à Finlândia, é a primeira vez que jogamos contra eles em mais de uma década. Os finlandeses foram nossos adversários na Qualificação para o Euro 2008. Ambos os jogos deram empate. Lembro-me vagamente do primeiro, em setembro de 2006. De ter achado que o empate era um bom resultado, depois de um desastrado particular contra a Dinamarca (cuja única coisa boa foi a estreia de Nani) e da expulsão de Ricardo Costa.

 

 

Do segundo empate, em novembro de 2007, recordo-me ainda menos. Apenas que foi o jogo de estreia de Pepe e da célebre conferência do “E o burro sou eu?” de Luiz Felipe Scolari. 

 

Hoje revejo a cena e continuo sem perceber porque é que Scolari estava tão irritadiço. Dito isto, tendo em conta o que aconteceu em Qualificações posteriores, acho que Scolari não estava completamente errado. Seria preciso esperarmos oito anos até voltarmos a ter um Apuramento tão relativamente tranquilo quanto este.

 

Os dois jogos seguintes com a Finlândia foram particulares. Um deles foi em fevereiro de 2009. Uma vez mais, não me recordo de muito. Apenas que foi uma exibição medíocre, ao nível do que foi a era de Carlos Queiroz, sobretudo o primeiro ano. Só conseguimos ganhar por um golo de penálti de Cristiano Ronaldo – um de um total de dois golos que Ronaldo marcou nos dois anos de liderança de Queiroz.

 

Só para verem. 

 

Finalmente, o outro particular decorreu em março de 2011, no primeiro ano do mandato de Paulo Bento. Desse não me lembro de nada. Só depois de pesquisar é que me recordei que foi o jogo de estreia de Rúben Micael e que este marcou dois golos. 

 

Não pensava no Rúben há imensos anos, talvez quase uma década. Aparentemente já se reformou.

 

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Por estes dias, a Finlândia está na Divisão B da Liga das Nações. Concluiu a Qualificação para o Euro 2024 atrás da Dinamarca e da Eslovénia, foi a play-offs, mas perdeu contra o País de Gales. Diria que são um adversário de nível médio. Ao nosso alcance.

 

Mais difícil será o jogo seguinte, com a Croácia. Está na Divisão A da Liga das Nações. Aliás, serão nossos adversários na fase de grupos da próxima edição da prova, este outono. Vêm ao Europeu depois de terem ficado em segundo lugar no grupo D da Qualificação ​​– atrás da Turquia, um aviso para nós. Ficaram em terceiro lugar no último Mundial, depois de vencerem os nossos amigos marroquinos. Destaque para a figura Luka Modrić, que ainda por cima acaba de ganhar a Liga dos Campeões com o Real Madrid.

 

Ou seja, os croatas podem não ser a primeira seleção que vem à baila quando falamos de tubarões. Mas acho que podem ser considerados candidatos ao título europeu. 

 

Dito isto, a Croácia já anda na mó de cima há uns anos, mas não têm impressionado quando se cruzam connosco. Destaque para a fase de grupos da Liga das Nações em 2020. Existirão atenuantes, claro, mas não deixa de ser estranho.

 

A ver o que acontece na Liga das Nações. Para já não é tão importante ​​​​– isto é só um jogo particular. Em todo o caso, será o adversário mais difícil com quem nos cruzamos desde que Roberto Martínez assumiu as rédeas da Seleção. Será um bom teste.

 

O jogo terá lugar no Estádio Nacional e foi quase só por isso que comprei os bilhetes há já vários meses ​​– venho com uma amiga. Já fui várias vezes ao Jamor. Para receber a Seleção depois do Mundial 2006 ​​– o dia em que quase literalmente caí para o lado por causa do calor (importante tomar cuidado com isso agora no sábado). Para os treinos abertos no tempo de Paulo Bento (saudades). Mas nunca fui ver um jogo lá. 

 

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Em parte por falta de oportunidade. ​​O último jogo da Seleção lá foi há uma década ​​– frente à Grécia, curiosamente comandada por Fernando Santos, poucos meses antes de vir orientar Portugal. 

 

Este sábado colmato essa falha, finalmente.

 

Por fim, vamos jogar contra a República da Irlanda no dia 11 no Estádio de Aveiro ​​– o único particular a que não vou assistir ao vivo. Penso que já referi cá no blogue que este é um dos meus preferidos de todos os estádios construídos para o Euro 2004. No entanto, da última vez que passei por ele (penso que terá sido no final do ano passado), a fachada pareceu-me algo degradada.

 

O que, infelizmente, confirma as previsões mais pessimistas de há vinte anos: vários destes estádios virando elefantes brancos.

 

Quanto à República da Irlanda, esta falhou a Qualificação para o Euro 2004. Uma grande pena, tenho saudades dos seus adeptos. Estão na Divisão B da Liga das Nações. Em teoria, será o particular mais fácil destes três. Na prática, os últimos nossos dois jogos com eles, na Qualificação para o Mundial 2022, foram exibições medíocres.

 

Ou seja, não convém assumirmos facilidades. Mesmo que seja apenas um particular e o resultado não seja o mais importante.

 

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É pouco provável que estes jogos tenham grande história. Ainda assim, é possível que eu escreva um par de textos antes da nossa estreia no Europeu, sobre estes jogos e sobre o que quer de interessante que ocorra durante a preparação. Vêm aí um par de feriados, em princípio até terei tempo.

 

Logo se vê. Um de certeza escrevo. 

 

Posso ainda não me sentir muito entusiasmada, mas o meu interesse aumentará à medida que nos aproximarmos do início do Europeu – e com os particulares a que vou assistir. Aliás, basta-me consultar artigos sobre os possíveis caminhos de Portugal até à final de Berlim para sentir os familiares bichinhos no estômago. É o que eu digo, há muitas coisas que deixaram de ser novidade para mim mas, na hora H, o sofrimento é sempre o mesmo. Suspeito que só se tem tornado pior com o tempo.

 

Mas é também para isso que serve aqui o estaminé. Para catarse, para verter esse sofrimento para o papel e, depois, para o digital, para registar tudo para mais tarde recordar. 

 

Como sempre, obrigada pela vossa visita. É mais um campeonato de seleções que começa. Acompanhemo-lo juntos, quer aqui no blogue, quer na página do Facebook. Até à próxima!