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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Entrando no futuro

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Na passada quinta-feira, 6 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou a uma bola com a sua congénere croata, no Estádio do Algarve, em jogo de carácter particular. Quatro dias mais tarde, venceu a sua congénere italiana, no Estádio da Luz, em jogo a contar para a fase de grupos da primeiríssima edição da Liga das Nações… e eu estive lá!

 

Comecemos pelo jogo com a Croácia. O onze inicial português incluiu muitas novidades – só se repetiram quatro titulares relativamente ao jogo com o Uruguai. Resultou bem, ao princípio, com bastantes iniciativas por parte dos portugas. Bruma, em particular, teve uma oportunidade logo aos três minutos.

 

A Croácia, no entanto, quando tinha a bola, criava perigo. Foi assim que surgiu o primeiro golo da partida, aos dezoito minutos, após um erro de Rúben Neves – que, por sinal, tinha acabado de cobrar um livre com muito perigo.

 

Felizmente, Portugal não se deixou abalar demasiado, começou logo à procura da igualdade. E conseguiu-a. Pouco após a meia hora de jogo, na sequência de um canto em que o centenário Pepe cabeceou para as redes, após um cruzamento de Pizzi.

 

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Eu ia no carro ouvindo o relato na rádio, quando o Pepe marcou. Aproveitei para cumprir, pelo menos em parte, um desejo antigo da minha bucket list: comemorar um jogo da Seleção com uma buzinadela. Na verdade, a minha ideia era comemorar assim um golo mais “importante” (isto é, num Europeu ou Mundial), por isso, foi uma buzinadela rápida.

 

E de qualquer forma, o problema desse desejo é que, se há um jogo da Seleção num campeonato desses, vou querer estar em frente a uma televisão, não a conduzir.

 

Em todo o caso, fiquei feliz por Pepe ter marcado na sua centésima internacionalização. Eu assino por baixo de todas as homenagens que lhe têm feito – a que lhe fizeram antes do jogo com a Itália deu-me arrepios. Portugal deve muito a um cada vez mais imperial Pepe – sobretudo por causa do seu papel no nosso primeiro título.

 

Mesmo que ele nem sempre tenha sido exemplar, nunca se pôs em causa o seu camisola. Custa a acreditar que já lá vão quase dez anos – mas por outro lado, ele tem sido um dos pilares, uma das constantes da Seleção. Vai ser estranho quando ele se retirar (espero que ainda estejamos longe disso).

 

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Por outro lado, quando vimos repetições do golo, a minha irmã perguntou se os polegares na boca eram para as filhas ou para os miúdos da Seleção. Fica o mistério.

 

Durante o resto do jogo, Portugal não deixou de dominar. Nem mesmo depois das substituições, que baixaram a média das idades da equipa para pouco mais de 22 anos – é uma delícia olhar para este grupo e ver tanto talento. Desde Bernardo Silva, claro, passando por Rúben Neves, Bruma (que esteve em grande nestes jogos, numa altura em que eu mal pensava nele), Rúben Dias, Mário Rui, João Cancelo (de novo com boas exibições, após um par de jogos infelizes pela Seleção), Gelson Martins, Bruno Fernandes (a minha irmã “ralhando” com ele, por querer sempre fazer bonito e rematar de longe)... e uns quantos que ainda não foram Convocados.

 

Infelizmente, o domínio não chegou para marcar mais golos.

 

É algo que acontece com alguma frequência com equipas jovens e relativamente inexperientes: muita parra e pouca uva, muito domínio e pouco bolo. Equipas mais experientes são mais afinadas, sabem ser cínicas quando é necessário. É nestes momentos que Ronaldo ainda faz falta à Seleção.

 

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Em todo o caso, chegou para o empate e foi apenas um particular. Não foi mau, tendo em conta que, no outro lado, estavam os atuais vice-campeões do mundo.

 

Por outro lado, poucos dias depois, a Croácia seria goleada pela Espanha. Talvez tenha havido demérito dos croatas.

 

Falemos do jogo com a Itália – desta feita a doer, o nosso primeiro jogo na novíssima Liga das Nações. Conforme disse antes, estive lá com a minha irmã – mais especificamente, atrás da baliza sul. A minha irmãzinha sportinguista pôde matar saudades de Rui Patrício.

 

Portugal repetiu o onze do jogo anterior e dominou ainda mais que perante a Croácia. A Itália pouco apareceu no jogo. As coisas começaram mais ou menos equilibradas, mas cedo o equilíbrio deslocou-se a favor dos portugueses. Infelizmente, estando nós atrás da baliza de Patrício, não conseguíamos ver muito bem a ação do outro lado do campo…

 

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Uma coisa em que deu para reparar, no entanto, foi que Portugal defendeu bem. Rui Patrício não precisou de se esforçar muito, mas os outros também não comprometeram. Eu, na altura, não me atrevi a comentá-lo em voz alta, não fosse dar azar. Enfim, superstições minhas…

 

Felizmente, o único golo da partida foi marcado na baliza sul, na segunda parte. Bruma fez uma de várias arrancadas, centrou, a bola de alguma forma foi parar a André Silva, que chutou para as redes.

 

Pelos vistos, a falta de inspiração do André, no jogo com a Croácia, não passou disso mesmo: de falta de inspiração.

 

Podíamos ter chegado ao 2-0 uns minutos mais tarde, com um remate de Bernardo Silva à entrada da área. O guarda-redes italiano teve de esmerar-se – Pepe e Rúben Dias (penso que era ele…) até foram dar-lhe os parabéns depois desta.

 

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Houveram várias outras oportunidades parecidas. Só perto do fim é que os italianos deram um ar de sua graça, embora apenas tiros de pólvora seca. Ainda assim, Portugal não chegou a matar o jogo. Não deu para ficar descansada. Mas o apito final veio e os três pontos ficaram garantidos.

 

Como tínhamos comentado antes, esta não era uma jornada dupla fácil, mas os Marmanjos passaram no teste. Podiam ter-se saído melhor, sim, mas ganharam um bom avanço para a fase final da Liga das Nações. Estou muito orgulhosa da Seleção, sobretudo dos mais novos, pelo que fizeram nesta dupla jornada.

 

Nesta altura do campeonato, sinto que estamos a entrar no futuro, com tudo o de bom e o de mau que vem com ele. Alguns começam a ser deixados para trás – constantes como João Moutinho, Bruno Alves, Nani. Mesmo Cristiano Ronaldo já esteve mais longe. Como em tudo na vida, os mais jovens acabarão, mais cedo ou mais tarde, tomar o lugar deles, os mais velhos.

 

Vou precisar de algum tempo para me habituar a essa inevitabilidade. Não vai ser fácil despedir-me de jogadores que acompanhei durante uma década, ou mais, que cresceram comigo, que conquistaram o primeiro título da Equipa de Todos Nós. Ao mesmo tempo, no entanto, estou ansiosa por ver o que estes miúdos podem fazer, por criar memórias com eles, escrever a história deles.

 

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Por outro lado, estou a tentar não “embandeirar em arco”, como diz Fernando Santos. Foram apenas dois jogos e existem atenuantes. Como vimos antes, a Croácia pode não estar assim tão bem, para perder daquela forma com a Espanha. E os italianos andam com crises existenciais desde que falharam o Mundial 2018 – o que não é de admirar.

 

Não, não vai ser fácil, isto ainda agora começou. Tal como Fernando Santos, quero muito chegar à final four (e, sobretudo, que esta decorra em Portugal) mas… um passo de cada vez.

 

Que venham os próximos!

 

Voltaremos!

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No passado dia 28 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol foi derrotada nos pénaltis, nas meias-finais da Taça das Confederações, pela sua congénere chilena. Quatro dias mais tarde, disputou o terceiro lugar na prova com a sua congénere mexicana, vencendo-a por duas bolas contra uma.

 

O jogo com o Chile nem começou mal. Pelo contrário, a primeira parte foi muito bem disputada por ambas as equipas. Dava gosto ver.

 

Algo a que achei piada foram as ocasiões (pelo menos duas), em que um dos guarda-redes fazia uma defesa espetacular para depois, na resposta, o guarda-redes adversário fazer uma defesa idêntica.

 

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No entanto, na segunda parte, a qualidade do jogo começou a decair. A ideia que ficou era de que Fernando Santos queria jogar para o prolongamento, para os penáltis. Talvez contasse com a (relativa) sorte que nos ajudou a conquistar o título europeu, no ano passado.

 

E até parecia que a Sorte (e o árbitro, diga-se de passagem) estava do nosso lado. Sobretudo quando chegou o prolongamento e Portugal parecia resignado a aguentar os chilenos, à espera do desempate final. José Fonte cometeu uma falta para grande penalidade que, por algum motivo, escapou ao vídeo-árbitro (provando que este ainda possui muitas arestas por limar).

 

O caso mais caricato, contudo, ocorreu em cima do final do prolongamento: um lance em que a bola bateu duas vezes nos ferros portugueses.

 

 

Eh pá, lembram-se de quando os postes costumavam ser os nossos maiores adversários?

 

O Rui Patrício até se riu após esse lance. Mas quem ri por último…

 

É a terceira vez que escrevo sobre desempates por grandes penalidades. Volto a dizer que não acredito na corrente de que os penáltis são cem por cento lotaria. Sobretudo depois deste jogo.

 

A sério, pessoal. Acham mesmo que uma equipa falha três penáltis seguidos por azar? Tenham juízo!

 

Conforme já referi duas vezes antes, na minha opinião, os penáltis são quarenta por cento perícia, trinta por cento estado psicológico e emocional, trinta por cento sorte. Ricardo Quaresma pode ter falhado o primeiro penálti por falta de sorte, admito. Mas depois disso deu-se o efeito bola de neve.

 

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João Moutinho tem um conhecido historial de penáltis falhados – afinal de contas, Cristiano Ronaldo teve de encorajá-lo, num momento que já se tornou icónico, aquando das grandes penalidades contra a Polónia, no ano passado. No entanto, neste jogo, perante o falhanço de Quaresma, não me surpreendeu que tivesse sucumbido à pressão. Nem que o mesmo tenha acontecido a Nani.

 

Depois do jogo, debateu-se se Cristiano Ronaldo deveria ter batido o primeiro penálti, tal como tinha feito aquando do jogo com a Polónia. Eu sou da opinião de que devia. Nos quartos-de-final do Europeu, foi importante termos tido o Capitão dando o exemplo aos colegas, sobretudo a Moutinho. Além disso, da outra vez em que tínhamos caído nas grandes penalidades, Ronaldo também não chegou a bater a sua. Não me parece que tenha sido coincidência. Como tal, não compreendo que não tenhamos começado pelo Ronaldo nestes penáltis.

 

A única explicação que me ocorre é que Fernando Santos quis apostar nos jogadores suplentes, menos desgastados.

 

Por outro lado, também admito que não fosse certo que Cristiano Ronaldo tivesse acertado o primeiro penálti. Além disso… o Quaresma é um dos mais experientes do grupo. Ele devia ter marcado.

 

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Havemos de voltar a falar sobre penáltis mais à frente.

 

Não, Portugal só se pode culpar a si próprio por este desfecho. Não apenas pela maneira como abordou os penáltis, mas também por ter sido demasiado conservador ao longo dos cento e vinte minutos de jogo. Quase todos concordam que a Seleção tinha capacidade para ir à final e lutar pelo título. Podemos ter desperdiçado uma oportunidade única. Não só porque será difícil Portugal voltar a Qualificar-se para uma Taça das Confederações, como também porque talvez esta tenha sido a última edição da prova.

 

No entanto, há que recordar que isto é “apenas” a Taça das Confederações: uma prova a respeitar, mas que não tem o mesmo prestígio que um Europeu ou Mundial. Até agora, seleções que vencem a Taça das Confederações nunca venceram o Mundial do ano seguinte. Tal como referiu António Tadeia, um dos possíveis motivos será a tentação dos selecionadores em apostarem na mesma equipa e/ou na(s) mesma(s) tática(s) que resultara bem antes – quando, se calhar, os jogadores já não têm o mesmo rendimento que um ano ou dois antes e a(s) tática(s) não são adequadas àquela estrutura de prova e àqueles adversários.

 

Em linha com isso, prefiro que a Seleção Portuguesa e Fernando Santos tenham cometido esses erros nesta prova, em vez de os terem cometido num Europeu ou Mundial. Pode ser que aprendamos a não depender demasiado da tática do Euro 2016. Até porque, agora, temos jogadores como André Silva, Bernardo Silva, Gelson Martins – bons para jogar ao ataque.

 

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Antes das alegações finais, falemos do jogo pelo terceiro lugar, contra o México… outra vez.

 

Confesso que não estava particularmente interessada neste encontro. Jogos pelo terceiro lugar são um bocadinho fúteis. Chegam mesmo a ser cruéis para os jogadores: estes estão cansados, deprimidos por terem falhado a final, talvez com saudades e casa, das respetivas famílias. O bronze não é grande motivador. Eu mesma já pensava assim aquando do Mundial 2006.

 

Curiosidade: o jogo pelo terceiro lugar foi abolido em Europeus em 1980 por (segundo o livro A Fúria do Euro, de Michael Coleman) o encontro dessa prova, entre a Itália e a Checoslováquia, ter sido uma seca – o desempate por grandes penalidades ficou em 9-8, a favor da Checoslováquia.

 

Por sua vez, a Seleção deixou bem claro o investimento que faria no jogo quando dispensou Cristiano Ronaldo para que pudesse conhecer os filhos.

 

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Confesso que essa decisão me deixou desconfortável. É certo que os filhos nasceram há pouco tempo e que Ronaldo abdicou de ir vê-los mais cedo. Mas ele não é o único com filhos e outros compromissos familiares entre os Marmanjos. O Rui Patrício, por exemplo, tem um filho com menos de um ano e uma filha por nascer. Pizzi tem um filho com um ano de idade e adiou a sua lua-de-mel para vir à Taça das Confederações. Porque não tiveram eles, também, direito a dispensa?

 

Incomoda-me ainda mais o discurso de alguns dos protagonistas da Seleção, dando a entender que devíamos estar gratos por Cristiano Ronaldo nos ter feito o especial favor de comparecer na Taça das Confederações.

 

Tudo isto são precedentes perigosos. Receio que, um dia, tudo isto se volte contra os responsáveis pela Seleção.

 

Regressando ao jogo com o México, nesse dia, tive pessoas em casa a almoçar. Como tal, nem sempre consegui acompanhar o jogo como deve ser, sobretudo durante a segunda parte.

 

Conforme era de esperar, Portugal alinhou com um onze com oito alterações em relação ao jogo com o Chile (destaque para Pizzi e Gelson Martins a titulares). Entrámos melhor que no primeiro jogo com o México (não que fosse difícil), claramente por cima, mas incapazes de acertar com a baliza.

 

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Um bom exemplo da nossa falta de acerto foi o penálti assinalado a favor de Portugal, aos dezasseis minutos, que André Silva desperdiçou – ainda a bola de neve que começara no jogo com o Chile.

 

Como toda a gente sabe, nestas coisas, que não marca sofre. E acabámos por ser nós mesmos a boicotar-nos, via auto-golo de Luís Neto, no início da segunda parte.

 

Tal como referi acima, não consegui prestar muita atenção durante esse período do jogo. Consta que Portugal continuava a desperdiçar oportunidades. A partir de certa altura, resignei-me: não me apetecia estar a sofrer por um mísero terceiro lugar.

 

Os Marmanjos não pensavam assim, felizmente. Desse modo, Pepe acabou por obrigar os mexicanos a provarem do seu próprio veneno, ao marcar um golo no tempo de compensação.

 

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Nunca me vou cansar da celebração de Pepe, beijando as Quinas que traz no peito. É por estas e por outras que o adoramos e lhe vamos perdoando a sua cabeça quente.

 

O jogo foi, desse modo, a prolongamento. Outra vez. Por motivos óbvios, ninguém do lado de Portugal queria ir a penáltis. Eu mesma quase preferia que os mexicanos marcassem, só para nós pouparem à vergonha.

 

Não foi preciso, graças a Deus. Perto do fim da primeira parte do prolongamento, foi assinalado pénalti a favor de Portugal. Desta vez, estava já Adrien Silva em campo – um perito na marca dos onze metros, mais experiente e, pelos vistos, melhor a lidar com a pressão que André Silva (são muitos “Silvas" na Turma das Quinas…). Assim, foi chamado a bater o penálti e, ao contrário de quatro dos seus colegas, não perdoou.

 

Ainda bem. De outra maneira, a bola de neve podia prolongar-se até aos próximos jogos da Seleção.

 

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Dizia eu antes que não planeava sofrer pelo terceiro lugar. No entanto, agora que estávamos em vantagem no marcador, queria que a mantivessem, claro.

 

Não foi fácil. O Nelson Semedo arranjou maneira de ver o segundo amarelo e Portugal ficou obrigado a segurar a vantagem em inferioridade numérica (Gelson acabou como lateral direito). O que nos valeu foi Jiménez, que teve a bondade de repôr a igualdade numérica… após entrada dura sobre o colega de equipa, Eliseu (não se faz…).

 

Os mexicanos não deixaram de tentar o empate. A certa altura quase se pegavam com o árbitro, após um lance duvidoso. Chegaram a bater um livre em que o guarda-redes mexicano, Ochoa (que se parece imenso com o Ted Mosby, de How I Met Your Mother), se veio juntar à barreira (sempre achei piada a essas ocasiões).

 

Mas a vitória já não escapou a Portugal. A Seleção ganhou, assim, a medalha de bronze.

 

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E sabem uma coisa? Estou satisfeita. Chegar às meias-finais de qualquer prova é sempre bom. Tínhamos meios para ir mais longe, sim, mas não há que ter vergonha do percurso que fizemos na Taça das Confederações – até porque esta foi a nossa primeira vez na competição.

 

Agora o importante é aprender com os erros cometidos, sobretudo no jogo com o Chile, e apontar baterias para o Mundial. Podemos ter perdido agora, mas voltaremos! No próximo ano haverá Mundial na Rússia e Portugal estará lá. Não perdem pela demora.

 

Um agradecimento a todos os que acompanharam o percurso da Seleção na Taça das Confederações comigo, quer através deste blogue, quer da página de Facebook.

 

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Hipocrisia

youonlyfailwhenyoustop.jpgNo próximo dia 3 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol receberá a sua congénere cipriota, no Estádio António Coimbra da Mota, no Estoril, em jogo de carácter particular. Seis dias depois, a Seleção desloca-se à Letónia, para um jogo da Qualificação para o Mundial 2018.

 

Fernando Santos divulgou os Convocados para estes jogos – bem como para a Taça das Confederações – na passada quinta-feira, dia 25. A lista não trouxe grandes surpresas, mas não deixou de causar alguma controvérsia. O principal motivo prende-se com a ausência de Éder, o herói da final do Europeu.

 

Ninguém pode negar que a polémica é cem por cento emocional – Éder marcou pouquíssimos golos esta época, no Lille. O próprio Fernando Santos, igual a si próprio (e ainda bem!), não deixou de assinalar a hipocrisia: “Quando ninguém acreditava no Éder, quem é que o levou? No último ano [em que o ponta-de-lança contava cinco ou seis golos marcados pelo Lille desde janeiro], nesta mesma sala, perguntavam-me porque é que eu o tinha Convocado...”

 

Dito isto, o Selecionador deixou bem claro que não deixou de confiar no Éder só porque o deixou de fora desta Convocatória.

 

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Ninguém fica feliz por o Éder ficar de fora da Taça das Confederações. Uma grande parte de mim pensa que isto é profundamente errado, quase uma blasfémia. É provável que Fernando Santos se sinta da mesma forma – sou capaz de apostar, até, que Éder só foi incluído em Convocatórias anteriores por este motivo, só porque o Selecionador não queria excluir o herói de Paris.

 

No entanto, isto é a Taça das Confederações. Não há espaço para sentimentalismos. Fernando Santos não ia deixar André Silva (que tem marcado regularmente pela Seleção nesta última época) para dar lugar a um jogador, cujo único argumento a favor é “marcou um golo importantíssimo no ano passado”. Custa-nos a todos – o próprio Fernando Santos admitiu-o – mas não há volta a dar.

 

Também tem sido comentada a ausência de Renato Sanches, mas essa é ainda menos inquestionável – com tanta boa opção para o meio-campo, não vamos ocupar um lugar com um jogador que, coitado, pouco mais tem feito do que aquecer o banco do Bayern de Munique. Isso tem, aliás, sido usado como argumento para os muitos detratores (vulgo, haters) do Renato (este artigo responde bem a essas críticas).

 

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Tenho uma certa pena por o jovem não vir à Taça das Confederações, depois do papel que teve na conquista do Europeu. Fico, no entanto, satisfeita por ele ter sido chamado por Rui Jorge para o Europeu de Su-21. Não lhe faltarão oportunidades para brilhar nesse campeonato.

 

Por fim, queria falar sobre os guarda-redes suplentes – terão sido a melhor escolha? Beto tem sido o suplente de Rui Patrício no Sporting e José Sá tem sido o suplente de Iker Casillas no F.C.Porto – ou seja, nenhum deles conta muitos jogos nas pernas. Nesse aspeto, Bruno Varela seria melhor escolha, na minha opinião.

 

Por outro lado, Beto já não é um novato no que toca à Turma das Quinas, bem pelo contrário. José Sá, por sua vez, foi um dos destaques da Seleção de Sub-21, no Europeu de 2015 – já podia ter vindo antes à equipa principal.

 

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Além disso, sejamos sinceros, nestes campeonatos é raro os guarda-redes jogarem – o Mundial 2014 foi a exceção. Eu mesmo podia ter sido Convocada como guarda-redes suplente de Rui Patrício e pouca diferença faria.

 

Exceto para mim, claro. Fazer parte da comitiva da Seleção num campeonato destes? É o sonho!

 

Desde que não me obrigassem a participar nos treinos. Eu mal conseguia sobreviver às aulas de Educação Física no ensino básico e secundário, imaginem-me num treino de futebol profissional…

 

Enfim, voltemos à realidade.

 

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Aquando da Divulgação dos Convocados, Fernando Santos disse que, para já, não quer falar sobre a Taça das Confederações. Neste momento, a prioridade é o jogo com a Letónia. Nós, aqui, já falámos sobre as Taça das Confederações no texto anterior, de qualquer forma. Hoje falamos sobre os outros jogos.

 

No sábado temos, então, o particular com o Chipre. Os nossos jogos mais recentes com os cipriotas ocorreram durante a Qualificação para o Euro 2012 – embora não tenha podido ver nenhum dos dois jogos. O nosso historial com o Chipre é francamente positivo. O pior resultado foi um empate a quatro golos, em setembro de 2010, em pleno caso Queiroz – outra altura excecional.

 

Já que falamos em alturas excecionais, gostava de referir que, ao longo deste último ano, tenho feito questão de reler textos antigos deste blogue, escritos aquando dos piores períodos da Seleção nestes últimos tempos – como o caso Queiroz e o Mundial 2010. Por vários motivos. Um deles é para apreciar o quão longe chegámos desde essas alturas. O Mundial 2014, por exemplo, foi há apenas três anos.

 

No entanto, o principal motivo pelo qual procuro recordar esses períodos é para não tomar a atual maré alta como garantida. Para me recordar do quão difícil foi chegar cá, as dificuldades que foi necessário.

 

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Eu, de resto, recomendava esse exercício a mais pessoas – os portugueses têm memória curta.

 

Regressemos ao presente. Queria chamar a atenção para um pormenor curioso: o particular com o Chipre realiza-se no mesmo dia que a final da Liga dos Campeões. Yep. Já não bastou ter tido um jogo de clubes e um de seleções no mesmo fim de semana, como no ano passado – agora vão ser no mesmo dia.

 

A sério. Quem é o responsável por estes calendários? Qual é a ideia deles?

 

O que vale é que os jogos são a horas diferentes (mas não me admirava se isso mudasse no próximo ano). O jogo com o Chipre começará às quatro da tarde – o que, aliás, não me dá muito jeito, pois não estarei em casa. Vou poder, no entanto, acompanhar o jogo pela rádio. Como não espero um jogo muito interessante, não me queixo.

 

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Outra consequência de o jogo coincidir com a final da Liga dos Campeões é a ausência de Pepe e Cristiano Ronaldo deste jogo, bem como dos primeiros dias de estágio da Seleção – já que o Real Madrid se apurou para esta final. Por esta altura, estas ausências dos madrilenos já fazem parte da rotina. Este ano temos, aliás, uma vantagem relativamente a 2014 e 2016 – segundo consta, Zidane terá conseguido convencer o Cristiano a poupar-se, de modo a não chegar demasiado desgastado ao fim de época.

 

Durante muitos anos guardei um certo ressentimento para com Zidane, por nos ter expulsado do Mundial 2006 com um penálti duvidoso e provar, com a cabeçada a Materazzi, que não merecia estar na final. Depois desta, no entanto, sou capaz de lhe perdoar tudo. O joelho esquerdo do Ronaldo já nos tirou anos de vida suficientes!

 

Como já vai sendo hábito, já que Pepe e Cristiano estão na final da Champions, todos desejamos que a vençam… outra vez. Para poderem juntar mais um título ao currículo, para que eles venham animados para o estágio da Seleção, motivados para os próximos desafios da Equipa de Todos Nós.

 

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O primeiro desses desafios é o jogo com a Letónia, no dia 9 de junho. A história tem sido sempre a mesma em todas as jornadas desta Qualificação: para continuarmos na luta pelo primeiro lugar, a vitória é a única opção. E, como os nossos rivais suíços vão jogar contra… as Ilhas Faroé, não me parece que seja desta que eles tropecem.

 

Portugal ganhou todos os jogos que disputou com a Letónia. No entanto, se bem se recordam, a Letónia fez-nos suar no jogo de novembro passado. Os letões estão ao nosso alcance, ninguém o questiona – desde que os portugueses estejam com a cabeça no lugar.

 

A Seleção tem estado a preparar estes jogos desde o início da semana. Tal como já aconteceu há um ano, antes do Euro 2016, esta primeira semana é mais leve, com os jogadores chegando à Cidade do Futebol em alturas diferentes e a regressarem a casa após os treinos. Tudo indica, no entanto, que a Seleção estará na máxima força quando for jogar contra a Letónia.

 

Estes dias são, de resto, apenas o início de várias semanas de Seleção. Se tudo correr bem, será um mês inteiro a partir de agora – até à final da Taça das Confederações, dia 2 de julho. Ainda não estou cem por cento em modo Seleção, mas hei de lá chegar muito em breve. De qualquer forma, todos desejamos o mesmo: que estas semanas terminem com mais um final feliz para a Equipa de Todos Nós.

 

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Valores

 

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Na próximo domingo, dia 13 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol receberá a sua congénere letã, no Estádio do Algarve, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade.

 

Fernando Santos apresentou os Convocados para este jogo na semana passada. Não há novidades, tirando a Inclusão de Luís Neto para substituir o lesionado e castigado Pepe. João Moutinho também falhou a Convocatória por motivos físicos.

 

Não há assim muito a dizer sobre esta fase do campeonato. A Letónia ocupa o quinto lugar da tabela classificativa do grupo B, com a penas uma vitória (frente à Andorra). O nosso historial frente a esta seleção é exemplar: quatro jogos, quatro vitórias. Só me recordo dos dois mais recentes, durante a Qualificação para o Mundial 2006. O primeiro, em setembro de 2004, teve um momento engraçado, quando uma mulher em cuecas invadiu o jogo, durante a segunda parte. Até Luiz Felipe Scolari, o Selecionador Nacional na altura, se riu. Coincidência ou não, poucos minutos mais tarde, Portugal marcou os dois golos da vitória, quase de seguida: o primeiro de Cristiano Ronaldo, o segundo de Pedro Pauleta. Nada como uma mulher nua para dar inspiração...

 

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O segundo jogo, em outubro de 2005, o último desse Apuramento, serviu apenas para cumprir calendário - a Qualificação havia sido selada no jogo anterior, frente ao Liechtenstein. Portugal ganhou por três bolas sem resposta - duas de Pauleta, uma de Hugo Viana. Foi, aliás, neste jogo que Pauleta ultrapassou o recorde de Eusébio. O açoriano foi o melhor marcador de sempre pela Seleção durante oito anos e meio até Cristiano Ronaldo arrebatar-lhe esse recorde.

 

Com tudo isto em conta, é pouco provável que a Letónia nos coloque muitos problemas, para além do habitual "autocarro" à frente da baliza. Portugal continua obrigado a ganhar para se manter na luta pela primeira posição na tabela, ocupada pela Suíça. É pouco provável que os suíços escorreguem nesta jornada, pois vão jogar com as Ilhas Faroé, em casa, onde bastante fortes - nós mesmos pudemos comprová-lo. Não há volta a dar, acho que vamos andar colados aos calcanhares suíços até os reencontrarmos no último jogo de Qualificação. Quem nos mandou adormecer à sombra da Henry Delaunay?

 

Tirando esse deslize, estamos prestes a encerrar o nosso melhor ano em termos de Seleção. Sagrámo-nos Campeões Europeus em julho e continuamos a colher os frutos. Cristiano Ronaldo está entre os finalistas tanto da Bola de Ouro como do Melhor Jogador do Ano da FIFA (prémios que, a partir de este ano, deixaram de ser um só). Não que outra coisa fosse de esperar - Ronaldo é convidado recorrente na cerimónia anual da FIFA desde 2009. No entanto, esta nomeação tem um sabor que mais nenhuma outra tem: por ter sido à custa, pelo menos em parte, do primeiro título da Seleção Portuguesa.

 

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Título esse que também possibilitou a Pepe e... a Rui Patrício serem nomeados para a Bola de Ouro. Destaco a nomeação do guarda-redes português, pois eu não estava à espera. Não que ache que não seja merecida - bem pelo contrário. É a confirmação do estatuto de Rui Patrício como guarda-redes de classe mundial - algo que eu há muito que sei que ele é, sobretudo depois da final de Paris.

 

Por sua vez, a nomeação de Fernando Santos para Treinador do Ano da FIFA era algo em que eu pensava já poucas semanas após o Europeu. No entanto, achava pouco provável, demasiado bom para ser verdade. Mas não é. Fernando Santos está entre os nomeados e consta que tem boas hipóteses. O Selecionador diz que esta nomeação é produto do trabalho, não só dele, mas também de inúmeras outras pessoas na Federação Portuguesa de Futebol, começando pelo seu presidente, e também que é um prémio "dos portugueses" , que é mais um reflexo de Portugal se ter sagrado Campeão Europeu.

 

Até a campanha de marketing da Federação, com o slogan "Não somos 11, somos 11 milhões", lançada em vésperas do Euro 2016, está nomeada para um prémio da UEFA. Se o mereceu é questionável, na minha opinião - conforme escrevi na altura, eu gostei, mas faltou-lhe um bocadinho de subtileza em certos momentos, sobretudo no que diz respeito ao Tudo o Que Eu te Dou, Somos Portugal. No entanto, cumpriu o seu objetivo, Portugal ganhou o Euro 2016. Tudo acaba por desaguar no nosso primeiro título.

 

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Gosto, aliás, de pensar que este título acabou por contagiar os restantes escalões das seleções portuguesa e vice-versa - 2016 está a ser um ano excelente para a Federação. Destaco a Seleção Feminina, que se Apurou pela primeira vez para o Europeu. Tentarei acompanhar esse campeonato, no próximo ano - já devia ter alargado os meus horizontes e dado atenção ao futebol feminino há mais tempo.

 

Estas nomeações todas confirmam o bom período de que falei antes. Neste momento, o meu desejo é encerrar 2016 com chave de ouro: ou seja, uma vitória que nos mantenha presos aos calcanhares suíços e à luta pelo primeiro lugar. Tal como nos jogos anteriores, mesmo que os Marmanjos falem em possíveis dificuldades, a vitória está perfeitamente ao nosso alcance, não há desculpas. 

 

O mundo extra-futebol está a mudar e não para melhor. Nos últimos dias, tenho-me agarrado à Seleção para não sucumbir ao desespero e ao cinismo. Quem segue este blogue há uns anos já saberá que vejo a Equipa de Todos Nós como uma fonte de consolo e de esperança. Na verdade, tenho vindo a vê-la como mais do que isso.

 

Numa altura em que o racismo e a xenofobia se estão a tornar mais comuns, a Seleção Portuguesa representa um país, é certo, mas é constituída por jogadores de várias origens: de Portugal Continental, das Regiões Autónomas, das PALOPs, filhos de emigrantes em França e na Alemanha, o filho de um brasileiro, um brasileiro naturalizado português (mas que ama Portugal e a Camisola das Quinas mais do que, se calhar, muitos portugueses nascidos cá), um cigano. E, dentro da Seleção, ninguém tem problemas com isso, a cor da pele não é um fator. (Isto, para mim, é uma noção básica de civismo, algo que devia ser a norma. Mas, infelizmente, muitos não pensam assim.)

 

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Numa altura em que um medíocre, filho de milionários, sem experiência nenhuma como político, é eleito presidente dos Estados Unidos, os jogadores da Seleção Portuguesa chegaram a onde estão sem favores, por mérito próprio, por diversas vezes construíram a sua carreira do zero. O nosso melhor jogador podia nem sequer ter nascido, passou fome e frio em miúdo, saiu de casa sozinho aos onze anos e, desde essa altura até hoje, sempre trabalhou mais do que qualquer um para chegar a onde está. Ainda continua a fazê-lo, mesmo sabendo que muitos o consideram o Melhor do Mundo.

 

O autor do golo que nos deu o primeiro título cresceu como um órfão, num lar de acolhimento, e teve dificuldades em estabelecer uma carreira como futebolista (quando estava no 12º ano, treinava sozinho todas as noites, mesmo que fizesse frio ou chovesse). Até há bem pouco tempo, era desprezado pela massa adepta. Ele mesmo calou-os a todos com um golo para a eternidade. Outro jogador de destaque na Seleção afirmou mesmo, numa entrevista, que o futebol o salvou do crime, da droga, mesmo da more. Tudo o que eles têm hoje devem-no a eles mesmos.

 

Adicionalmente, já ficou mais do que provado que, como grupo, são exemplares, sobretudo como se viu no Europeu. Momentos como o Ronaldo chamando o João Moutinho para os penálties frente à Polónia; Bruno Alves indo ter com o Ronaldo, enquanto este era levado de maca para os balneários; este último andando entre os colegas entre os colegas antes do prolongamento e no intervalo deste para lhes dar força; dizendo ao Éder que ele marcaria o golo da vitória; mais tarde, já depois do golo, enviando Raphael Guerreiro de volta para o campo, depois de ele se ter magoado; oferecendo a Bota de Prata a Nani, já no fim do jogo. Juntem a isto os momentos de cumplicidade e brincadeira que vemos em quase todos os estágios, a recente troca de partidas entre Ronaldo e Quaresma

 

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Eu sei que parece estranho estar a falar disto agora, mas eu nunca precisei mais de fazê-lo. Numa altura em que, no outro lado do oceano, o medo, o ódio, o elitismo, a ignorância venceram, é mais urgente do que nunca agarrarmo-nos aos valores que os jogadores da Seleção seguem: respeito, cooperação, solidariedade, trabalho, fé, humildade, perseverança. Eu sei que isto é um bocadinho ingénuo mas, numa altura em que o futuro parece tão sombrio, preciso de algo, por pequeno e fútil que seja, que me faça acreditar nas melhores facetas da Humanidade. 

 

Felizmente, o futebol já começou a reagir ao que aconteceu e não desiludiu.

 

O tempo dirá quais serão as consequências dos eventos da semana que termina agora. Não me vou alongar mais sobre isso, que este é um blogue sobre futebol. Procuro sempre não perder a noção de que o futebol é apenas um desporto, um entretenimento. No entanto, acredito que se mais instituições funcionassem como a Seleção, se mais pessoas seguissem o exemplo dos nossos jogadores, o Mundo seria um lugar muito melhor.

Portugal 5 Gibraltar 0 - Treino com adrenalina

abraço a bernardo.jpe

Na passada quinta-feira, dia 1 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere gibraltina por cinco bolas sem resposta, em jogo de carácter amigável, realizado no Estádio do Bessa.

 

Adianto, desde já, que não prestei muita atenção ao jogo, sobretudo na primeira parte. Tinha dormido mal na noite anterior e passei o dia inteiro com dores de cabeça. Não muito fortes, mas o suficiente para não me deixarem concentrar devidamente no jogo.

 

Não que este tenha sido muito interessante, pelo menos no início. Como seria de esperar, o jogo teve sentido único. O Eduardo só foi chamado à ação perto do fim da segunda parte e mesmo assim não eram situações de perigo. Podia ter ficado a jogar Candy Crush na baliza, que não faria diferença. No entanto, de uma maneira muito típica, a Seleção Portuguesa teve dificuldades em acertar na baliza, desperdiçando diversas oportunidades. Campeões Europeus e tal, mas há coisas que nunca mudam, pelos vistos. Éder falhou um par de golos, incluindo um de baliza aberta, e eu não quero de todo estar a dizer algo como “O Éder sendo o Éder outra vez”, por motivos óbvios, mas… Ao menos o público do Bessa, benevolente com o herói da final do Europeu, aplaudiu-o aquando dessa falha. Há bem pouco tempo a reação seria diferente… mas esta ajuda mais.

 

O primeiro golo português surgiu aos vinte e sete minutos, dos pés de Nani após passe de Bruno Alves. Um golo que teve direito a celebração com um mortal. É uma pena que Nani não tenha comemorado nenhum dos seus golos no Europeu da mesma forma… mas compreende-se a cautela, depois da traumática exclusão do Mundial 2010.

 

camisola 17.jpe

 

Nani voltaria a marcar na segunda parte, quando Adrien, André Silva é Bernardo Silva já estavam em campo. Foi, aliás, o último quem centrou para Nani, que cabeceou para o seu segundo golo da noite. O Marmanjo já está perfeitamente à vontade no papel de Capitão, de líder da Equipa das Quinas, no lugar de Cristiano Ronaldo. Já conta dez anos vestindo a Camisolas das Quinas, tem marcado bastante pela Seleção este ano e eu não podia estar mais orgulhosa. Sobretudo tendo em conta que se tornou Campeão Europeu.

 

O terceiro golo das cores lusitanas teve a participação dos dois estreantes da dupla jornada. André Silva recebeu a bola na grande área gibraltina, passou-a a João Cancelo, que rematou num ângulo difícil, mas a bola entrou.

 

O golo de Bernardo Silva foi marcado quase por acaso. O Marmanjo recebeu uma bola perdida pelos gibraltinos na sua grande área. Fez um remate fraco, mas o modesto guarda-redes de Gibraltar chegou tarde. A bola passou por baixo dele, cruzando a linha de baliza. Bernardo nem sequer festejou muito pois o golo foi mais demérito do pobre guarda-redes que mérito dele.

 

Bernardo, de qualquer forma, ainda teve tempo para assistir para o último golo da noite: um centro perfeito para a careca de Pepe, que cabeceou para as redes gibraltinas, fazendo o resultado.

 

nani abraça todos.jpe

 

Não há muito mais a dizer sobre este jogo. Portugal cumpriu a sua obrigação. O melhor resultado obtido por Gibraltar, até ao momento, foi uma desvantagem de quatro golos - ganhar por menos do que isso teria sido inglório. Podíamos até ter saído do Bessa com um resultado ainda mais generoso não fosse a aselhice típica dos portugas. Todos os Marmanjos estiveram bem mas de resto, com o devido respeito pelos gibraltinos, perante Gibraltar até as nossas avozinhas fariam boas exibições.

 

Fernando Santos tem perfeita noção disso e não o escondeu. Conforme declarou no rescaldo do jogo, este particular não foi mais do que um treino com mais adrenalina que o habitual. Não prova nada para o jogo com a Suíça. Serviu, no entanto, para dar algum ritmo a Marmanjos com pouco tempo de jogo nos respectivos clubes, o que é importante nesta fase do campeonato.

 

Terça-feira, em Basileia, será completamente diferente. Será a contar para a Qualificação para o Mundial 2018 e todos concordam que será, provavelmente, o jogo mais difícil. A Suíça é o adversário mais cotado do grupo, fora nós, e têm fama de serem fortes em casa. Por esse prisma, um empate talvez não fosse um resultado muito mau. No entanto, estando nós ainda a saborear o delicioso estatuto de Campeões Europeus, ninguém quer outra coisa que não seja a vitória. E é, conforme escrevi na entrada anterior, gostei de ver a Seleção Apurando-se em primeiro lugar para o Euro 2016 e quero repetir a dose.

 

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