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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Seleção 2014

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Mais um ano perto de terminar, mais um ano perto de começar. Ganhei o hábito de, por esta altura, recordar aqui no blogue o que aconteceu com a Seleção ao longo dos últimos doze meses, olhar para estes acontecimentos de novo, como quem volta a ler um livro depois de saber como acaba. 

 

2014 foi um ano estranho para a Seleção. Teve altos e baixos, como todos os anos, mas também teve muitas coisas incompreensíveis. Por outro lado, foi um ano em que senti a história repetindo-se: 2002, com o fracasso no Mundial; 2010, com as confusões na Federação, a sua incapacidade de lidar com o rescaldo do Mundial e de gerir os selecionadores. 2014 foi também um ano em que senti que, quanto mais as coisas mudam, mais elas ficam na mesma.

 

Comecemos pelo princípio. 2014 arrancou de forma agridoce, emotiva, para o futebol português, tanto devio à morte de Eusébio como à Bola de Ouro de Cristiano Ronaldo. O primeiro jogo da Seleção, contudo, só ocorreu em março. Pouco antes, realizou-se o sorteio da Qualificação para o Euro 2016. Independentemente do que tivéssemos pensado na altura, hoje sabemos que nenhum dos nossos adversários é fácil. 

 

 

No dia 5 de março, a Seleção jogou contra a sua congénere camaronesa num jogo de carácter particular que teve lugar no Estádio Magalhães Pessoa, em Leiria. Como o costume, a Convocatória suscitou polémica pela teimosia de Paulo Bento em excluir certos jogadores. Em defesa do nosso antigo técnico, há que dizer que alguns dos nomes mais controversos - Edinho, Rafa, Ivan Cavaleiro - não se saíram mal no jogo com os Camarões. Foi de facto um bom particular, com a Seleçção Portuguesa a vencer por 5 a 1, golos de Cristiano Ronaldo (dois), Raúl Meireles, Fábio Coentrão e Edinho. Não foi mau, tendo em conta que os Camarões também estavam Qualificados para o Mundial, mas como o costume a Comunicação Social só quis saber de Ronaldo, que ultrapassara Pedro Pauleta no número de golos com a Camisola das Quinas. Estou convencida de que esta Ronaldomania, se não foi um dos fatores a contribuir para o fracasso no Mundial, certamente não ajudou a Seleção.

 

Por outro lado, uma das coisas que não compreendo deste ano é como passámos de jogos com exibições, vá lá, boazinhas, como a deste particular e dos outros que antecederam o Mundial, a... o que quer que tenha sido a nossa participação no Campeonato do Mundo.

 

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A Convocatória Final para o Brasil foi revelada no dia 19 de maio mas a polémica começou antes, com as pré-Convocatórias. Não gosto de estar a bater no ceguinho nem acho que nomes diferentes na Lista mudassem significativamente o nosso destino, mas há coisas difíceis de compreender. A principal será, porventura, a exclusão de Ricardo Quaresma. Para ser justa, relembro que Paulo Bento não foi o único técnico a embirrar com Quaresma este ano e o próprio Marmanjo terá a sua quota-parte de culpas na maneira como os treinadores lidam com ele. No entanto, quem perde acaba por ser quem não aposta no mustang. E quando às insinuações de Paulo Bento de que os jogadores que excluía "não tinham perfil para a Seleção"... bem, Quaresma teve perfil suficiente para estar por detrás de todos os nossos golos pós-Mundial. I rest my case.

 

Também já por alturas da Convocatória se comentava a duvidosa forma física de mais de metade dos jogadores da Seleção, sendo Cristiano Ronaldo o maior exemplo - mais tarde, descobrir-se-ia que as nossas dúvidas não eram descabidas. Não fomos os únicos a ter lesões importantes - este Mundial foi ridiculamente rico em lesões - mas fomos os mais assolados por este problema. Tivemos um total de cinco elementos incapacitados, num total de quinze condicionados. Como disse a minha irmã, a Seleção esteve em modo In My Remains, dos Linkin Park "Like an army falling, one by one by one". Tanto quanto me lembrava, era a primeira vez que tal acontecia num campeonato desta envergadura e, ainda hoje, não compreendo porquê. Muitos criticaram a decisão pós-Mundial de substituir a equipa médica mas terá sido assim tão descabido? Uma coisa é certa: a histeria em redor da tendinose rotuliana de Cristiano Ronaldo foi um dos aspetos mais irritantes deste Mundial.

 

 

O primeiro particular do estágio do Mundial teve como adversário a Grécia - orientada na altura por Fernando Santos, que ironicamente é agora o nosso Selecionador. Este jogo enquadrava-se nas comemorações do centenário da Federação Portuguesa de Futebol, pelo que teve lugar no Estádio Nacional, no Jamor, uma arena de forte simbolismo para o futebol português. Também foram prestadas homenagens a Eusébio e Mário coluna, falecidos anteriormente este ano. Este jogo ficou marcado pela ausência de habituais titulares, destacando-se Cristiano Ronaldo. Portugal dominou durante praticamente todo o jogo - Nani jogou melhor do que se esperava - mas notaram-se os habituais problemas na finalização. O jogo terminou com o marcador por abrir.

 

Antes de deixar o território nacional, a Seleção Portuguesa foi recebida pelo Presidente da República no Palácio de Belém, receção marcada por selfies e outras atitudes pouco convencionais para uma visita ao Chefe de Estado. Nos dez dias, mais coisa menos coisa, que se seguiram, a Equipa de Todos Nós estagiou nos Estados Unidos - alegadamente para se adaptar ao fuso horário - tendo sido das últimas equipas a chegar ao Brasil. Este foi outro dos aspetos controversos e incompreensíveis deste ano de Seleção: a localização do estágio, o clima. Deveríamos ter ido mais cedo para o Brasil? Deveríamos ter estagiado numa cidade diferente? E se as condições fossem tão agrestes que não conseguíssemos treinar como deve ser?

 

 

Antes do Mundial, contudo, ainda tivemos dois particulares, que não correram muito mal. O jogo com o México teve lugar no Gilette Stadium, em Boston, de madrugada para o fuso horário português. Foi um jogo sem grande história, que poderia ter dado para ambos os lados. A vitória portuguesa pela margem mínima só foi obtida ao cair do pano, cortesia de Bruno Alves. Estes golos, estas vitórias ao último minuto, tornar-se-iam uma tendência deste ano. Esta foi apenas a primeira e, por sinal, a menos empolgante.  

 

 

 

O jogo com a República da Irlanda correu melhor mas também este adversário encontrava-se uns furos abaixo dos dois anteriores. Desta feita, Cristiano Ronaldo jogou mas ele não contribuiu grandemente para a vitória folgada. Hugo Almeida bisou, Fábio Coentrão assistiu para um auto-golo e marcou ele mesmo outro, Vieirinha também marcou o seu, assistido por Nani (que também assistira Coentrão). Portugal contudo ainda sofreu um golo pelo meio, fruto de uma distração coletiva aquando de um livre.

 

Por esta altura, eu sentia-me bastante otimista relativamente ao início da participação portuguesa no Mundial, talvez um pouco para lá do realista. Hoje tenho vontade de rir e de chorar com a minha ingenuidade - mas em minha defesa, acho que nem os mais pessimistas estavam à espera de um descalabro como aquele. 

 

 

O nosso jogo de estreia no Campeonato do Mundo foi a humilhação do ano... se não tiver sido do século. Foi um jogo em que praticamente tudo o que podia correr mal correu. A história poderia ter corrido de outra maneira se tivéssemos cometido menos asneiras: o penálti oferecido por João Pereira, a "turrinha" de Pepe a Müllero atraso na reorganização da defesa após a expulsão, a equipa toda à beira de um ataque de nervos... com a lesão de Coentrão e Hugo Almeida a ajudar à festa. Parafraseando Afonso de Melo em A Pátria Fomos Nós, num Mundial não há segundas oportunidades - Portugal sentiu-o na pele no Brasil. O descalabro só não foi maior porque os alemães tiveram pena de nós - o que para mim é a pior vergonha. O facto de agora sabermos que não fomos os únicos a ser humilhados pelos alemães neste Mundial é fraco consolo.

 

 

Portugal estava obrigado a ganhar aos Estados Unidos para poder sonhar com a passagem aos oitavos. Nós tentámos. Começámos bem, até marcámos um golo cedo, cortesia de Nani - o único golo que pudémos festejar plenamente neste Mundial. Jogámos melhor que frente à Alemanha, mas os nossos pareciam lesmas - não sei se devido ao clima ou à (falta de) forma física (Postiga saiu lesionado aos treze minutos) ou se de ambos. Portugal não conseguiu ampliar a vantagem, só a segurou até aos sessenta e três minutos, os Estados Unidos chegaram mesmo a passar à frente. Varela voltou a vestir o fato de bombeiro e empatou o jogo ao cair do pano, mas apenas adiou o inevitável. Se quiséssemos continuar no Mundial, teríamos de golear o Gana e esperar que a Alemanha vencesse os Estados Unidos.

 

Eu já não acreditava. Lembro-me em particular do dia que se seguiu ao jogo, um dia cinzento e chuvoso, apesar de em termos cronológicos o verão já ter começado. Este ano não tivemos verão, nem o do Mundial nem o propriamente dito. 

 

 

Em todo o caso, no início do jogo com o Gana, sentia-me irracionalmente entusiasmada, como se aquele fosse apenas mais um jogo da Seleção, como se ainda estivesse tudo em aberto. Ganhámos por 2-1, um auto-golo e um golo de Cristiano Ronaldo para o lado português. Um resultado insuficiente para irmos aos oitavos. O Mundial terminava para os portugueses. 

 

Acredito que nunca saberemos ao certo o que aconteceu, qual ou quais fatores foram decisivos para o descalabro, o que poderia ter sido feito para evitar isto. Se bastaria o João Pereira não ter provocado aquele penálti ou o Pepe não ter sido expulso, de modo a reduzir a expressividade da vitória alemã, se esta não tivesse sido tão destrutiva... Ou se seria necessário um lote diferente de jogadores, um local de estágio diferente, talvez mesmo um local de estágio diferente... Seria importante aprendemos com os erros cometidos neste Mundial, mas já percebo que nós, portugueses, não somos muito dotados nesse capítulo. 

 

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As medidas tomadas pela Federação após o Mundial são um bom exemplo disso. Mudou a equipa médica, deu novos poderes a Paulo Bento, um voto de confiança que deu ares de uma despropositada promoção. Isto pouco antes do arranque da Qualificação para o Euro 2016. Na Convocatória para o primeiro jogo - contra a Albânia, no Estádio de Aveiro - apenas figuravam oito dos que haviam representado (fracamente) o País no Mundial. A maior ausência era a de Ronaldo, por lesão. Era uma lista que não parecia muito convincente, apesar de algumas novidades como Bruma, Vezo, Ricardo Horta e Pedro Tiba, e ainda se notavam os fantasmas do Brasil. Estes terão tido influência no jogo com a Albânia. 

 

 

Os nossos adversários estacionaram o autocarro à frente da baliza, é certo, mas não se pode dizer que os portugueses tivessem feito muito por abrir caminho. O golo albanês resultou de um momento de inspiração que coincidiu com uma distração da nossa defesa. Os portugueses não conseguiram sequer anular a vantagem. No final do jogo viam-se lenços brancos nas bancadas e, de facto, poucos dias depois, Paulo Bento abandonava o cargo de Selecionador. 

 

Demissões de técnicos nunca são processos felizes e esta não foi exceção. Oficialmente, esta terá sido uma rescisão amigável. Na prática, não se percebeu muito bem de quem partiu a ideia da demissão. Eu fiquei com a ideia de que Paulo Bento não saiu de vontade cem por cento livre e esta medida passa, no mínimo, por estranha quando, duas semanas antes, a Federação dava um voto público de confiança ao Selecionador. Apesar de este processo ter sido bem mais civilizado do que o que aconteceu com Carlos Queiroz, a FPF tornou a ficar mal na fotografia ao ter cedido ao pedido de Paulo Bento renovar antes do Mundial e ao não o ter demitido logo após o respetivo descalabro.

 

A Federação demorou algumas semanas a encontrar um substituto. Um dos favoritos foi sempre Fernando Santos: já passara pelos três grandes e tivera um bom desempenho ao leme da seleção grega. No entanto, encontrava-se  - e ainda se encontra - condicionado pelo castigo atribuído pela FIFA por se ter desentendido com um árbitro durante o Mundial. Durante algum tempo, pensou-se que Fernando Santos era uma hipótese descartada, precisamente devido a esse castigo. No entanto, tal conficionante acabou por não ser problema - e, de qualquer forma, com o recurso, o castigo acabaria por ser suspenso - pois, no fim, a Federação contratou-o.

 

 

 

A primeira Convocatória de Fernando Santos caracterizou-se pelo regresso de ausentes prolongados, como Ricardo Carvalho, Tiago, Danny e Ricardo Quaresma. Estes regressos podem ter causado uma controvérsia na altura, mas esses antigos "renegados" têm até ao momento (tirando Danny e, mais tarde, Bosingwa) mostrado-se merecedores da segunda oportunidade, com destaque para Quaresma.

 

 

O primeiro jogo de Fernando Santos foi um particular com a França, uma seleção de quem temos sido fregueses há várias gerações. Isto associado ao facto de ser a estreia de um Selecionador depois de uma série de maus resultados fez com que o resultado final - uma derrota por 2-1 - fosse expectável. Portugal não entrou bem no jogo, com destaque para os primeiros vinte minutos. Os laterais não estiveram bem, sobretudo Eliseu. Os dois golos franceses partiram de distrações da defesa portuguesa - agora vejo que estas distrações foram um pecado frequente este ano - o segundo numa altura em que a Seleção até começava a assumir o comando do jogo. Por fim, Ricardo Quaresma, suplente utilizado, converteu um penálti, fazendo o resultado.

 

 

 

O jogo seguinte, com a Dinamarca, foi a sério. Foi um jogo de paciência - que se tornaria a regra nos jogos seguintes - e de muitos nervos. Por uma vez Portgual até parecia ter a Sorte do seu lado, com um árbitro amigo e uma bola dinamarquesa ao poste, mas permanecia incapaz de converter essa sorte em golos. Foi preciso, de novo, Ricardo Quaresma entrar e assistir para Cristiano Ronaldo salvar o dia - isto no último minuto do jogo, numa altura em que já todos fazíamos contas considerando apenas um ponto. Foi o golo mais dramático do ano. Era a primeira vitória apóso Mundial, a primeira vitória da Qualificação, da era Fernando Santos. Estava dado o primeiro passo. 

 

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Um mês mais tarde, Portugal recebeu a Arménia no Estádio do Algarve. Tornou a ser um jogo de paciência, tornando-se até algo pastoso, mas desta feita não foi necessário esperar até ao último minuto pelo golo. Este foi, mais uma vez, fruto da parceria entre Cristiano Ronaldo e Ricardo Quaresma - embora Nani tivesse dado uma mãozinha nesta. Não chegámos a subir ao primeiro lugar do grupo, mas ficámos em segundo com um jogo a menos. Não está a correr nada mal, por isso.

 

  

Alguns dias mais tarde, a Seleção foi a Old Trafford disputar um jogo de carácter amigável com a sua congénere argentina. Muitos esperavam um grande duelo entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi (que, afinal, não está propriamente de fora da corrida para a Bola de Ouro, ao contrário do que pensava), mas ambas as superestrelas estiveram algo apagadas. Daí o jogo se ter revelado anti-climático, mesmo secante, sobretudo após a substituição das estrelas. Para os portugueses, contudo, teve uma agradável surpresa no último minuto (mais uma vez) com um inesperado golo do miúdo Raphael Guerreiro, assistido por Ricardo Quaresma (mais uma vez). E foi isto o que aconteceu com a Seleção em 2014.

 

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Foi um ano estranho, como procurei demonstrar, com muitas coisas incompreensíveis, com claro destaque para o Mundial. Continuo a achar que podíamos ter-nos saído melhor com uma atitude diferente. Talvez não conseguíssemos ir além dos oitavos-de-final - quartos, se tivéssemos sorte - mas sempre deixaríamos uma melhor imagem, semelhante as deixadas por seleções como a Grécia ou a Argélia. Tenho a tentação de enveredar pelos clichés do "levantar a cabeça" e "seguir em frente", mas, visto que não é a primeira vez que isto acontece, seria importante percebermos o que falhou para que esse erro não se repita. Mas eu sou uma mera adepta, nem sequer percebo por aí além de futebol, não posso fazer nada.

 

Ao menos as coisas começaram a correr melhor na reta final deste ano. Continuamos com os problemas de sempre, mas estes não representam um fardo tão grande. Não jogamos grande coisa (excetuando talvez contra a França) mas vamos ganhando os jogos - quer à Arménia, quer à Argentina - conquistando três pontos de cada vez, descomplicando a Qualificação. A fazer o melhor possível com aquilo que temos, tal como eu desejava no início do Apuramento. Tal como escrevi antes, a curto prazo é suficiente. A médio/longo prazo precisaremos de mais. Mas eu acredito que chegaremos lá - à medida que a Seleção e Fernando Santos se forem habituando uns aos outros e também à medida que jogadores da excelente Seleção Sub-21 (como Raphael Guerreiro) se forem integrando entre os séniores.

 

O problema é que ainda ficam a faltar três meses para o próximo jogo da Turma das Quinas. É muito tempo, muitas semanas em que o Selecionador não tem oportunidade de treinar os jogadores ele mesmo. Muita coisa muda em quatro meses. Se para mim, mera adepta, é frustrante, para Fernando Santos sê-lo-á ainda mais - afinal de contas, esta é a vida dele.

 

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Felizmente, foi anunciada há pouco tempo uma solução para este problema: a Liga das Nações. Ainda não compreendi ao certo em que moldes funcionará esta competição, mas sei que servirá substituir os jogos particulares e para dar maior competitividade ao futebol de seleções. Parece-me uma ideia excelente (qualquer desculpa para termos mais jogos de seleções agradar-me-ia, de resto). Mas, se for bem feita, esta Liga das Nações poderá aumentar o interesse pelos jogos da Equipa de Todos Nós - diminuirão os choradinhos pela pausa no futebol de clubes. Por serem jogos de maior grau de dificuldade e por oferecerem mais oportunidades de contacto entre selecionador e jogadores, a qualidade do futebol de seleções aumentará. E em princícpio não voltaremos a estar quatro meses sem Equipa das Quinas. Toda a gente fica a ganhar.

 

Mas isto só acontecerá daqui a quatro anos. Para já temos 2015. Como sempre, os anos ímpares são menos apelativos para mim por não haver Euro nem Mundial. O meu desejo é que, já que 2014 se pareceu um pouco com 2010, que o próximo ano se pareça com 2011: sem grandes dramas relacionados com a Seleção, só alegrias. Já tivémos drama que chegue nos últimos anos. Que a Seleção continue a crescer e não torne a escorregar no Apuramento. A ver se é desta que nos Qualificamos sem recorrer a play-offs, só para variar. Se isso acontecer, se continuarmos a melhorar, talvez possamos ter uma palavra a dizer durante o Euro 2016. Há muita gente céptica por aí, mas eu tenho fé de que continuaremos a crescer, de que a Seleção ainda tem muito para dar nos próximos anos e não será apenas por termos o Melhor do Mundo, embora isso ajude e muito. 

 

Uma das coisas que, conforme afirmei no início deste texto, vai sofrendo muitas alterações mas que, no fundo, continua na mesma é a minha atitude para com a Seleção. Houve alturas este ano em que quis desistir, deixar de me ralar com as aventuras e desventuras da Turma das Quinas... ou assim pensei. Por muito que fosse dizendo no blogue e página e a mim mesma que já não queria saber - ou pelo menos não tanto como noutras alturas - vinha a Convocatória seguinte, o jogo seguinte, ouvia o hino, às vezes o relato de Nuno Matos, e pronto; sentia-me entusiasmada de novo como se os únicos fracassos não tivessem acontecido. Conforme fui repetindo aqui no blogue e na página, há poucas coisas que me entusiasmem assim. Muito poucas. 

 

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No outro dia, comentava a brincar com a minha irmãzinha sportinguista que o seu adorado clube era como um mau namorado, que não retribui o afeto que lhe é dedicado. Ela respondeu-me que os clubes e respetivos jogadores não são como namorados, são como filhos: não gostamos deles por serem bons, gostamos deles por serem nossos. Isto não difere muito daquilo que escrevi após o Mundial: os jogadores da Seleção são de certa forma da minha família (não digo meus filhos, que vários deles são mais velhos do que eu!): acompanho-os, vejo-os crescer, irrito-me com as asneiras deles, orgulho-me dos seus feitos. E isso não mudará em 2015. 

 

Desejo assim um 2015 muito positivo para o futebol português, para os jogadores portugueses e para a Seleção. E deixo aqui os meus votos de um Feliz Natal a todos os meus leitores, na companhia daqueles de quem mais gostam, e de que tudo vos corra de feição no ano que vem. Termino com um brindezinho de Natal...

 

 

Portugal 0 Albânia 1 - Caindo na real

No passado domingo, dia 7 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu a sua congénere albanesa no Estádio de Aveiro, no seu primeiro encontro a contar para a Qualificação para o Campeonato Europeu da modlaidade, que terá lugar em França em 2016. Tal embate terminou com uma derrota para a equipa da casa por uma bola sem resposta.

Entretanto, na passada quinta-feira, dia 11, Paulo Bento deixou o cargo de Selecionador Nacional "por mútuo acordo" com a Federação Portuguesa de Futebol que se encontra, neste momento, à procura de um substituto.
 
Antes de avançarmos para aí, falemos do jogo com a Albânia. Eu pensava que estava a ser pouco ambiciosa e a revelar pouca fé na Seleção quando, antes do jogo, contentar-me-ia com uma vitória pela margem mínima, mesmo com uma exibição fraca. Pelos vistos não, fui ingénua. Ao contrário de alguns discursos que circularam na Imprensa, em jeito de publicidade a este jogo, eu não estava à espera que este encontro fizesse esquecer o fracasso do Mundial. Esperava apenas um passo em frente, por minúsculo que fosse. Não esperava, de todo, que a Seleção se enterrasse de novo. Não nesta altura do campeonato, pelo menos.
 
Como seria de esperar (ao ponto de, segundo consta, os próprios o terem afirmado antes do jogo), a equipa albanesa estacionou o autocarro no seu meio-campo. Portugal dominava mas eram raras as oportunidades de golo. João Moutinho era o melhor português, Nani e Fábio Coentrão demonstravam o inconformismo que os caracteriza, mas não era suficiente. A agressividade dos albaneses não ajudava, faziam entradas duras a torto e a direito e eu, com o trauma do Mundial, assustava-me sempre que os nossos caíam. A partir de certa altura, já um pouco desesperada, comecei a desejar que algum albanês acabasse por ver o segundo amarelo, a ver se assim conseguíamos marcar.
 

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Devíamos termo-nos lembrado que quem não marca, sofre, até mesmo perante equipas modestas, como a Albânia. A nossa defesa ficou a dormir na forma, deixando Balaj isolado, e este, na sequência de um centro, teve um rasgo inusitado de inspiração e rematou acrobaticamente para as redes portuguesas, sem que Rui Patrício pudesse fazer nada para evitar o golo.
 
É claro que, depois daquele balde de água fria, os nossos desataram a correr desesperadamente atrás do resultado, em vão. Nem faltou a tradicional bola ao poste. Perto do fim do jogo já se viam lencinhos brancos nas bancadas - algo que já não se via há algum tempo em jogos da Seleção - e ouviam-se assobios.
 
Como já vai sendo habitual, eu compreendo tais manifestações de descontentamento, mesmo que, caso estivesse lá, não alinhasse nelas. No caso deste jogo e de tudo o que o envolve, eu concordo com muitas das críticas feitas e, no rescaldo do jogo, cheguei a defender precisamente a demissão de Paulo Bento. Tinha demonstrado alguma boa vontade após o Mundial, mas perdermos o primeiro jogo da Qualificação para o Europeu perante uma equipa como a Albânia? São demasiadas desilusões seguidas e a nossa paciência tem limites. Como se tal não bastasse, as desculpas esfarrapadas que temos recebido, a condescendência, a arrogância que têm marcado as declarações dos protagonistas ("Colocar já tudo em causa não me parece o melhor caminho", como se o Mundial ainda não estivesse fresco na memória; "É difícil virar a página porque estão sempre a falar do Mundial", porque será que estamos sempre a falar do Mundial?) não ajudam. Senti, naquela noite, que fora a gota de água.

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Ainda assim, quando Paulo Bento rescindiu, na quinta-feira passada, não deixei de ficar em choque e um bocadinho triste. Afinal de contas, ainda que muitos o tenham esquecido depressa, este foi o homem que devolveu o rumo a uma Seleção fragilizada por uma crise com o técnico anterior, que a colocou de novo na rota do Euro 2012 (que alguns julgavam já perdida) onde atingiu as meias-finais, só sucumbindo nos penálties frente a uma poderosa Espanha. Lembro-me particularmente bem da noite do primeiro jogo de Paulo Bento como Selecionador, da inesperada vitória e boa exibição, da felicidade que senti por, depois de todo aquele drama, a Equipa de Todos Nós nos ter dado uma alegria de novo. Por tudo isso estarei sempre grata a Paulo Bento.

É uma triste ironia do destino que Paulo Bento deixe a Turma das Quinas numa situação semelhante àquela em que a encontrou, embora a de 2010 tenha sido pior. E não me parece que, desta feita, a coisa se resolva tão "facilmente". Há quatro anos, Carlos Queiroz era o principal problema (para não dizer o único). Hoje, toda a gente concorda que a saída de Paulo Bento não resolve tudo, sobretudo a médio e longo prazo.

Nunca se falou tanto da falta de opções para a Seleção. O problema já vem de trás, da Qualificação para o Mundial 2014 ou mesmo antes. Há um ou dois anos tínhamos o onze-base do Euro 2012 e muito pouco mais. Hoje já nem esse onze temos. Metade deles está velha (e pensar que eu acompanho alguns deles desde jovens...), sem ritmo e/ou lesionada. Durante algum tempo em particular nos dois últimos anos, convenci-me que os fracassos da Seleção se deviam a desleixo. Agora estou a cair na real: nós, pura e simplesmente, não temos capacidade para fazer melhor. E  somente mudarmos de treinador não vai resolvê-lo. Não vai disfarçar o facto de não termos um leque assim tão grande de escolhas, de muitas dessas escolhas não serem mais que medianas. Temos os sub-21 e os sub-19, que andam a passar por bons momentos - nunca o rótulo de "esperanças" fez tanto sentido - mas nada nos garante que essa geração consiga singrar no futebol profissional.

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Um aparte só para me interrogar, no entanto, como é que passámos de golear os Camarões, vencer o México pela margem mínima e dar cinco à República da Irlanda (e nenhuma destas equipas é assim tão fraca) a sermos incapazes de vencer a Albânia. Daí que acredite que o trauma do Mundial é mais grave do que se suponha e tenha jogado contra nós no domingo passado.

Como "em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão", como já vai sendo habitual, as criticas têm-se multiplicado, quer antes quer depois da demissão de Paulo Bento. Alguns têm mesmo aproveitado a desculpa para atacarem indiscriminadamente a Federação e outras fundações do futebol português, incluindo pessoas que, apesar de ter cometido erros recentemente, possibilitaram a boa campanha portuguesa no Euro 2012. E enquanto uns exigiam a cabeça a demissão do Selecionador, outros, após a saída de Paulo Bento, acusam a FPF de terem feito de Paulo Bento um bode expiatório. Quanto a Carlos Queiroz, que se inclui nesse grupo, ainda que reconheça a legitimidade das suas críticas, sobretudo no caso dele, relembro ao Professor que existe uma diferença entre sair pelo próprio pé e ter de ser arrastado para fora.

Agora aguardamos a escolha do próximo Selecionador. Têm sido avançados vários nomes. Eu gostava que o lugar fosse atribuído a Fernando Santos, aquele castigo parvo da FIFA é que estraga tudo. Assim sendo, outro dos meus favoritos é Jesualdo Ferreira. Em todo o caso, não tenho nada contra a eventual escolha de José Peseiro ou Vítor Pereira. A ver vamos. Seja quem for, pode contar desde já com o meu apoio.

Só espero que, depois do início deste novo mandato, não tenhamos nunca de suspirar "Volta Paulo Bento, estás perdoado."


O futuro é incerto para a Seleção. Se já o era antes do início do Apuramento, agora, que ainda por cima perdemos o Selecionador, é-o mais ainda. Não digo que esteja já tudo perdido no que toca a esta Qualificação. O Ronaldo sempre pode continuar a tapar buracos, coitado, parece ser esse o destino dele, carregar equipas às costas. Os outros ainda podem, eventualmente, melhorar com o tempo, o novo Selecionador poderá fazer Escolhas mais acertadas. E, que diabo, temos sempre o playoff através do terceiro lugar. Em teoria isto ainda pode acabar bem. Na prática, a hipótese de não nos Qualificarmos é real, sobretudo se os jogadores continuarem desnorteados com o que aconteceu no Brasil.

Eu ainda não perdi a esperança, contudo. Como sempre, acredito que a Seleção, mais cedo ou mais tarde, regressará à sua melhor forma. Venha o que vier, venha quem vier, eu continuarei aqui, como sempre estive e como, provavelmente, sempre estarei.

Começando de novo


convocatória.jpg No próximo domingo, dia 7 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol iniciará a Qualificação para o Campeonato Europeu da modalidade, que se realizará em França em 2016, com um jogo com a sua congénere albanesa, no Estádio de Aveiro. Os Convocados para esta jornada foram Divulgados na passada sexta-feira, dia 29. Devido a uma série de lesões e momentos de forma longe do ideal (para variar), bem como à muito comentada necessidade de renovação da Equipa de Todos Nós, a Lista conta com muitos nomes fora do habitual, só incluindo oito dos vinte e três que representaram - não muito bem - o País no Brasil.

 
O ausente mais gritante desta lista é, inevitavelmente, Cristiano Ronaldo. É a primeira vez em muito tempo que o madeirense fica de fora dos Convocados. Estava tão habituada que, momentos após ouvir a Convocatória em direto na televisão com a minha irmã, voltei-me para ela e indaguei:
 
- Hum... ele Chamou o Ronaldo?
 
Ainda debatemos se o nome dele teria sido mencionado antes - pois a transmissão televisiva não apanhara o início da Convocatória - mas cedo se concluiu que não, Ronaldo não fora Convocado. Mais tarde, Paulo Bento explicou que tinham "a informação de que Ronaldo não está em condições de competir neste momento". 
 

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Cheguei a temer um reacendimento da polémica em torno da condição física do madeirense, que marcou a participação portuguesa no Mundial, e para a qual eu não tinha a mínima paciência. Eu apostava que fora o Real Madrid a proibir a Chamada de Ronaldo e alguns calculavam que este participaria já no jogo de domingo passado, frente à Real Sociedad, deixando o Selecionador e o estreante departamento médico com cara de parvos. Mas Ronaldo nem chegara a treinar na manhã de sexta-feira e, mais tarde, sairia a informação de que o madeirense ficaria de baixa durante três semanas. Logo, em princípio ninguém levantará problemas. 
 
De resto, penso que terá as suas vantagens ficarmos sem Ronaldo nesta jornada. Estando a Seleção tão dependente dele, uma desintoxicação vem mesmo a calhar. Mesmo que seja "só" frente à Albânia. Estou, aliás, convencida de que esta Ronaldo-mania foi uma das razões do fracasso dos portugueses no Mundial. Não apenas por culpa da equipa técnica ou dos jogadores, mas também por culpa dos jornalistas, que teimavam (e ainda teimam) em agir como se a Seleção fosse apenas constituída por Ronaldo, praticamente ignorando os demais, mesmo quando estes até se destacavam pela positiva  E não é por nada, mas eu já antes alertava para esse problema
 
É um tema que voltou à baila nos últimos dias, de qualquer forma, com o regresso da Seleção ao ativo: as razões do falhanço. O Presidente da Federação Portuguesa de Futebol deu mesmo uma conferência de imprensa sobre isso, há uma semana, anunciando as medidas consequentes desse mau desempenho. Em suma, o departamento médico foi substituído e o Selecionador ganhou novas funções, passando a trabalhar mais de perto com os técnicos responsáveis pelas camadas jovens. Muitos têm chamado a isto uma "promoção" (estou agora a interrogar-me se terá existido um correspondente aumento de salário), em jeito de "recompensa" pelo Mundial. Se por um lado considero que, tendo em vista uma renovação da Equipa de Todos Nós, faz sentido uma maior ligação às seleções de esperanças, não sei se esta promoção dará a mensagem correta. 
 
 
As explicações que têm sido fornecidas, aliás, de tão vagas, não esclarecem nada. Deixam-me sem saber o que pensar, com medo de que, mais cedo ou mais tarde, tornem a cometer os mesmos erros - embora acredite que seria preciso muito azar para que todas aquelas circunstâncias se repitam (as lesões, as condições meteorológicas, o jogo contra uma poderosíssima Alemanha em que tudo nos correu mal).
 
Mas regressemos à Convocatória. Tal como afirmei antes, há muitas novidades em relação à Lista para o Brasil. Bruma, por exemplo, foi Convocado, algo de que não estava à espera - nem sequer sabia que ele já tinha recuperado da lesão. Existem, também, alguns nomes que me são desconhecidos, mas já se sabe que eu estou longe de ser uma especialista absoluta em futebol. Também não ajuda a mania de alguns clubes portugueses de enviarem os seus jovens para o estrangeiro, antes de termos tempo de aprender os nomes deles. Como já vai sendo habitual, há Chamadas mais consensuais que outras, alguns jogadores em forma duvidosa, explicações que não satisfazem completamente. 
 
A verdade é que ninguém sabe o que esperar desta Seleção pós-Mundial 2014. Na teoria, este grupo de Apuramento encontra-se ao alcance de Portugal, ainda para mais quando os dois primeiros classificados garantem a Qualificação direta e o terceiro vai a play-offs. Na prática, a Turma das Quinas é cronicamente imprevisível e, ainda por cima, vem de um recente fracasso. Não dá para ter certezas de nada. E isso preocupa-me.
 
 
Tal como já disse antes, na minha opinião, teremos de encarar isto um jogo de cada vez, como se estivéssemos numa fase final. Não elevar demasiado a fasquia, não fazer demasiadas comparações com outros jogadores, outras épocas, outras seleções. Procurar, apenas, fazer o melhor possível com aquilo que tivermos. Se tudo correr bem, será possível irmos reconstruindo a Seleção, passo a passo, fazê-la regressar aos bons resultados, tal como eu sempre acredito que acontece. Felizmente, o nosso primeiro jogo não será demasiado difícil - embora já se saiba que isto é relativo no mundo do futebol; não nos esqueçamos dos problemas que a Albânia nos deu na Qualificação para a África do Sul. Na dupla jornada de outubro já não será bem assim... Abre-se agora um novo capíulo na Históra da Seleção. O cenário inicial pode não ser o melhor, mas não percamos a esperança de um final feliz. 

Portugal 2 Gana 1 - Canto do cisne

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No passado dia 26 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou a sua congénere ganesa no Estádio Nacional, em Brasília, em jogo a contar para a fase de grupos do Campeonato do Mundo da modalidade. A Seleção Nacional venceu por duas bolas contra uma, mas foi eliminada da competição por ter uma maior diferença de golos em relação ao Estados Unidos.

 
Antes de mais nada, quero pedir desculpas pelo atraso exagerado desta crónica. Têm sido uns dias complicados, tem-me faltado tempo e, também, um bocadinho de paciência. Se Portugal tivesse continuado no Brasil, eu faria um esforço por publicar esta crónica antes do jogo dos oitavos-de-final. Mas assim...
 
Mais uma vez, a primeira parte do jogo coincidiu com o meu trabalho, mais uma vez recorri ao relato da rádio para acompanhá-la. Apesar daquilo que tinha escrito na crónica anterior, apesar de saber que o nosso destino estava praticamente selado, não deixei de me entusiasmar e enervar, como se ainda estivesse tudo completamente em aberto. Está mais do que visto que eu não aprendo, que esta minha doença não se controla assim tão facilmente. Ou isso, ou o Alexandre Afonso e o Nuno Matos são excelentes no que fazem. Eu prefiro pensar que é a primeira hipótese - embora a segunda não seja menos verdadeira - e que isso nunca mudará, em circunstância alguma. A receção do sinal de rádio não era a melhor, devia ter a sua piada se alguém me visse deslocando-me para certos pontos de modo a evitar as interferências da estática. Fui percebendo que Portugal entrara com... bem, com ganas, tendo Cristiano Ronaldo atirado à barra logo aos seis minutos e à figura do guarda-redes ganês aos dezanove.
 

O momento do primeiro golo coincidiu com uma altura em que o relato se misturava com a estática. Percebi que era golo e, como estava sozinha, festejei-o silenciosa mas exuberantemente em termos gestuais. Não percebi quem marcara, contudo. Na esperança de que os meus colegas estivessem a acompanhar o jogo através daqueles sites, e como já se ouviam buzinas ao longe, corri para eles a perguntar, com um bocadinho de ansiedade a mais, quem marcara. Mais tarde, fartaram-se de se meter comigo por causa desta atitude.

E tinha eu esperanças de manter esta minha doença mais ou menos controlada no local de trabalho. Não tenho mesmo emenda...

Eventualmente, descobri que havia sido auto-golo. E os meus colegas até foram simpáticos em dizer-mo quando descobriram, dou-lhes crédito por isso. Em todo o caso, ao intervalo, saí. Desta feita, não me apeteceu ir para a esplanada onde vira o jogo com a Alemanha. Em vez disso, fui para um café onde já me conheciam bem e até me viram no A Tarde É Sua de há dois anos. Logo, sabiam que sou uma grande adepta da Seleção, com o meu blogue e a minha página, conforme outros clientes vendo o jogo ficaram a saber. Outro gesto simpático, mas fiz-lhes ver que, nesta altura, ter tal estatuto é ingrato.

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Fui vendo Portugal dominando os ganeses, mas já com a fraca forma física a dar de si. Quando surgiu o golo do Gana (por sinal, pouco após sabermos que a Alemanha marcara), tive um dejá-vu do jogo com os Estados Unidos: mais uma vez, Portugal mostrava-se incapaz de segurar a vantagem.

Felizmente, os portugueses estavam a jogar melhor que nos encontros anteriores. Ou isso, ou pura e simplesmente os ganeses não tinham capacidade para nos criarem assim tantos problemas. Depois de sair Éder (que, segundo os que viram o jogo desde início, incluindo a minha irmã, apenas estava a servir de empecilho), e de entrar Varela e Vieirinha, Portugal passou o resto do jogo em constante ataque, destacando-se o inevitável Cristiano Ronaldo. Após o encontro, muitos contaram os remates falhados e vieram choramingar que "afinal, era possível" golear o Gana, como era requerido para passarmos a fase de grupos. Eu, no entanto, há muito que sei que a Seleção precisa de vinte remates para marcar um golo, por isso não vou nessa conversa.

Cristiano Ronaldo lá conseguiu acertar na baliza, alcançando a proeza de marcar em todas as fases finais em que participou - seis no total. A única coisa de que se pode orgulhar, coitado, num Mundial onde ele se destacou mais pela tendinose rotuliana e pelos cortes de cabelo.

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Por fim, o encontro terminou, sentenciando a eliminação de ambas as equipas em jogo do Campeonato do Mundio, bem como a passagem da Alemanha e dos Estados Unidos aos oitavos-de-final. Durante o jogo, enquanto o marcador estava empatado, quase desejei, à semelhança de outros senhores do café, que o Gana nos derrotasse, só para poderem passar em vez dos Estados Unidos. A última coisa que desejava neste Mundial, para além de uma eliminação prematura como esta, era sermos ultrapassados pela seleção de um país que, não apenas não ama o futebol como o resto do Mundo, como também tem pessoas que o consideram anti-americano e mesmo um veículo do comunismo. No entanto, sabe-se agora que a comitiva ganesa tinha ainda mais problemas do que a nossa, eles não tinham condições para ir muito longe. E os americanos parecem, de facto, estarem a converter-se ao futebol depois desta participação no Mundial, ao ponto de sugerirem Tim Howard, o guarda-redes que parou dezasseis remates só no jogo com a Bélgica, para Secretário da Defesa.

De qualquer forma, como já não tinha grande fé no Apuramento, fiquei satisfeita por, pelo menos, termos ganho. Este jogo foi, de certa forma, o nosso canto do cisne neste Mundial, permitiu-nos sair do Brasil com alguma dignidade.

Seguiu-se a tarefa ingrata e desagradável - que ainda não terminou - de diagnosticar este fraco desempenho da Equipa de Todos Nós, de encontrar culpados. Por muito que me custe, tenho de dizer que foram cometidos vários erros ao longo deste percurso, começando pelo número ridículo de lesões. Já aquando da Convocatória se comentava a duvidosa forma física dos Escolhidos, devíamos ter calculado que daria nisto. Eu na altura achei que haveria tempo para os jogadores recuperarem, mas enganei-me redondamente. Não nego que o departamento médico possa ter culpas no cartório, mas cheguei a ler uma notícia que alegava que os jogadores, compreensivelmente ansiosos por jogarem num Mundial, teriam mentido sobre a sua condição física. Não sei se é verdade, mas parece-me plausível. Pode-se questionar a Convocatória, mas eu acho que bastaria aos nossos jogadores estarem em melhores condições para tudo ter sido diferente.

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Por outro lado, à semelhança de muita gente, julgo que foi no jogo com a Alemanha que as coisas descarrilaram sem reparação possível. Todos garantem (eu não vi) que Portugal até entrou bem nesse jogo até o penálti, provocado por João Pereira, e a expulsão de Pepe terem deitado por terra o controlo emocional da equipa. Se tivéssemos conservado o sangue-frio, talvez tivéssemos perdido por menos e conseguido, posteriormente, o Apuramento pela diferença de golos, no mínimo. Mesmo assim, continuo convencida que não teríamos pernas para ir muito mais longe.

Pelo meio, Cristiano Ronaldo teve tempo para atirar mais achas para a fogueira. Não posso dizer, infelizmente, que esteja surpreendida - há muito que sei que ele só é o Capitão quando a Seleção está na mó de cima. No entanto, as declarações dele após o jogo contra os Estdos Unidos têm sido retiradas do contexto: tanto quanto percebi (mas posso estar enganada), quando ele disse que não tínhamos grande equipa, referia-se à condição física da maioria dos jogadores, ele mesmo incluído. Além disso, não sejamos hipócritas: infinitos comentadores têm acusado a equipa portuguesa de ser mediana ao longo das últimas semanas, para não dizer meses ou anos, ninguém se importa. O Capitão da equipa diz o mesmo e toda a gente se atira ao ar? É claro que um comentador é um comentador, um Capitão é um Capitão, mas mesmo assim. O que eu não compreendo é, realmente, o otimismo de Ronaldo antes do jogo com a Alemanha. Nem eu nem ninguém...

O que eu sei é que, ainda que, como toda a gente diz, Portugal não seja uma Seleção de topo, nós tínhamos condições para mais do que isto, conforme já dei a entender acima. Um pouco por superstição, não faço prognósticos específicos antes das fases finais. Agora que o Mundial já acabou para nós, posso dizer que calculava que chegássemos aos quartos-de-final. E acho que teria sido possível, quer com este vinte e três, em boa forma, quer com um grupo algo diferente. Além disso, temos jogadores que até estavam bem fisicamente e mereciam ter ficado mais tempo no Mundial; é o caso, por exemplo, de Nani e William Carvalho.


O pior de tudo é que este está a ser um belo Mundial, bem disputado, cheio de emoções. Se por um lado não estávamos de todo ao nível dele, por outro lado, se estivéssemos melhor preparados, poderíamos estar a fazer parte disto, ou pelo menos ter saído dele de forma mais digna, como saíram seleções como a Grécia e a Costa Rica, merecedora do respeito de toda a gente. Irrita-me que tenhamos desperdiçado mais esta oportunidade. E, claro, poderíamos ter aumentado o índice de felicidade e auto-estima nacional, da maneira tão frequentemente por mim descrita cá no blogue, ainda que durante escassas semanas. Poderíamos ter tido mais golos, mais vitórias, daquelas que se festejam nas ruas, que alegram todo o País, poderíamos ter vídeos de bastidores mostrando os jogadores a cantar e a festejar, ter tido o Mundo com os olhos postos na Seleção pelos melhores motivos.

Outra das questões muito debatidas no rescaldo da nossa participação no Mundial diz respeito à necessidade de renovação da Seleção, bem como à continuidade de Paulo Bento. Começando pelo segundo tema, não tenho uma opinião formada sobre ele, já que já estive a favor e contra a continuidade do atual Selecionador. Agora já não importa, pois o contrato está há muito assinado e, aparentemente, nenhuma das partes está interessada em rescindir (em princípio o caso Queiroz não se repetirá, como eu cheguei a temer). Apesar de o Selecionador ter uma fatia significativa da responsabilidade pelo que aconteceu, eu não tenho memória curta, como parece ter o resto do País. Não acho que tudo esteja mal na Seleção "só" por causa deste Mundial e, sobretudo, não me esqueço (e nunca me esquecerei) da maneira como Paulo Bento recuperou a Equipa de Todos Nós após a trapalhada com o Selecionador anterior, nem do Euro 2012 - cuja participação portuguesa continuo a não considerar um acaso, uma anomalia, ao contrário do que toda a gente parece acreditar.

Por outro lado, uma das lições que retiro deste Mundial é que um bom passado não garante um bom presente ou um bom futuro. O que nos leva à renovação da Equipa das Quinas. Não nego que a linha pode ter acabado para certos Marmanjos, como (sniff, sniff) Hélder Postiga, mas também já falei aqui de jogadores que mereciam mais oportunidades na Seleção. Um dos receios que tenho relativamente à continuidade de Paulo Bento é que ele insista em Convocar os mesmos de sempre, que ele não tenha "aprendido" com este Mundial. Mas o futuro a Deus pertence.


O que eu acho que a Seleção precisa, tanto como a tão debatida renovação, é de recomeçar do zero, dentro do possível. Embarcar na Qualificação para o Euro 2016 sem grandes expectativas senão Apurarmo-nos - seja de que maneira for - encarando um jogo de cada vez. Gostava de poder dizer que acredito numa Qualificação tranquila mas não acredito. Acho que nos espera (mais) um Apuramento atribulado e tenciono tentar mentalizar-me o melhor que puder em relação a isso, para evitar apanhar tantos baldes de água fria.

Quanto a este Mundial, só quero atirá-lo para trás das costas o mais depressa possível. Foi uma participação para esquecer. Ficaram a faltar as coisas que descrevi acima, por que ansiava. Tornámos a perder uma oportunidade de realizar o sonho. Não era uma oportunidade tão boa como outras, mas duvido que as próximas sejam melhores. Já me interrogo, até, se isto é uma maldição qualquer, se só poderemos fazer um bom Mundial de quarenta em quarenta anos.

Por outro lado, admito que, ainda que o Mundial tenha estado abaixo das minhas expectativas, talvez daqui a umas semanas ou meses, quando já tiver digerido o que aconteceu, venha a ter saudades das pequenas coisas boas: chegar a casa após o trabalho e atualizar a página, as fotografias dos treinos, do bullying entre jogadores, os fins de tarde passados nas esplanadas, consultando os jornais desportivos, rascunhando as crónicas do blogue, mesmo passando-as a computador. E quando começar a sentir saudades de tudo isso, ainda faltarão quase dois anos para voltarmos a ter um campeonato de seleções.


Há coisas que, no entanto, não mudam: apesar de tudo o que aconteceu, eu continuo ao lado da Equipa de Todos Nós, a apoiá-los, a ajudá-los à minha maneira, a adorar praticamente todos os que vestem a Camisola das Quinas. Acompanho vários deles há muitos anos, tenho crescido com eles, exulto e orgulho-me dos seus triunfos, irrito-me com os seus disparates, sofro com as suas tristezas. De certa forma, são uma espécie de família para mim, são os meus heróis, são o meu clube. Conforme já disse anteriormente, uma pessoa não vira as costas ao seu clube.

Além do mais, sei que mais cedo ou mais tarde a Seleção recuperará, levantar-se-á, voltará a dar alegrias. Mesmo que sejam pequenas: uma vitória num particular insignificante ou num jogo de Qualificação com um adversário "acessível". É apenas uma questão de paciência e perseverança.

Quero aqui deixar os meus agradecimentos às pessoas que acompanharam o meu blogue e respetiva página do Facebook ao longo da participação do Mundial, que continuam a fazê-lo mesmo depois de esta participação ter terminado. Ao longo das próximas semanas, até surgirem novas notícias sobre a Seleção, naturalmente o blogue estará em stand-by e a página com atividade reduzida. No entanto, conforme tenho vindo a dizer ultimamente, enquanto tal estiver dentro das minhas possibilidades, não desistirei nem do blogue nem da página. E mesmo que desista deles, da Seleção em si nunca desistirei. O capítulo do Mundial 2014 está encerrado, pelo menos para Portugal. Agora venha o próximo.

Portugal 2 Estados Unidos 2 - Inverno

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No passado domingo, dia 22 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou, em Manaus, a sua congénere norte-americana, em jogo a contar para a fase de grupos do Campeonato do Mundo da modalidade. Tal encontro terminou com um empate por duas bolas no marcador, deixando a Seleção praticamente eliminada do Mundial, ficando obrigada a golear o Gana, no jogo de amanhã, quinta-feira dia 26 de junho, e a esperar que a Alemanha ganhe aos Estados Unidos.

 

Visto que a minha irmã não estava em casa e eu não queria assistir ao jogo só com os meus pais, assisti a esta partida numa esplanada. O encontro até começou bem para o nosso lado, com aquele golo, bafejado pela sorte, de Nani. Gritei em coro com toda a gente na esplanada, feliz por, aparentemente, estarmos vivos e termos ainda uma palavra a dizer neste Mundial, por Nani, depois de tudo porque passou nos últimos tempos, depois de ter falhado a África do Sul, ter finalmente marcado um golo num Mundial.

 

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Ele merecia mais do que isto. Mas ainda não é altura de ir por aí.

 
Todos sabíamos que o 1-0 era um resultado perigoso, que tínhamos de marcar o segundo golo o mais rapidamente possível para matarmos o jogo. Só que esse golo nunca mais vinha e os americanos não desistiam de tentar anular a vantagem. Os portugueses iam tentando mas estavam tão lentos, era uma coisa parva, não sei se por causa do clima ou da sua forma física. Provavelmente por causa de ambos. Este jogo veio a confirmar aquilo de que já se suspeitava fortemente na segunda-feira anterior: em termos físicos, os jogadores portugueses estão um farrapo. Prova disso foi a lesão de Hélder Postiga, aos treze minutos. A sua saída acabou por não ser demasiado prejudicial, pois Éder revelou-se um dos mais inconformados ao longo de todo o jogo - não que isso tenha sido suficiente. 
 
Há que dizê-lo, os portugueses jogaram melhor que na segunda-feira anterior e viu-se que eles se esforçaram. No entanto, a fraca forma física revelou-se mais forte que a vontade. A verdade é que, tal como já tinha dito anteriormente, não é normal ocorrerem tantas lesões. Não acredito em "azar" ou coincidências - às tantas, aquele bruxo do Gana, que queria lesionar Ronaldo, foi tão eficaz que lesionou, não só o madeirense, como também três quatros da Seleção Portuguesa. Não sou, nem de longe nem de perto, a melhor pessoa para tecer julgamentos sobre esta matéria, mas devem ser fornecidas explicações sobre a situação. As que Henrique Jones e Humberto Coelho forneceram não me convencem. O mesmo se passa com a questão do clima. Conforme tem sido dito, de repente o País ficou cheio de especialistas em climatologia. No entanto, conforme tenho lido, não existem verdades absolutas nesta matéria. Não se sabe o que é melhor, se estagiar em condições adversas, semelhantes àquelas em que decorrerão os jogos, sob o risco de estas se revelarem demasiado agrestes para os jogadores treinarem, ou estagiar em condições ótimas para o treino mas diferentes das dos jogos. O que parece relativamente consensual é que este Campeonato do Mundo não foi preparado adequadamente.
 
Mas regressemos ao jogo.
 

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Ao início da segunda parte, tive esperanças de que os portugueses tivessem aproveitado o intervalo para se hidratarem e recuperarem as forças para correrem atrás do segundo golo. Não foi bem isso que aconteceu. Os portugueses continuavam tão lentos como em todo o jogo. Nem falo dos crónicos problemas na finalização - eles desperdiçavam cada uma... Acabou por acontecer o que se adivinhava havia pelo menos meia hora: os americanos marcaram. 
 
Os portugueses até pareceram acordar com este golo, ainda tentaram correr atrás do resultado, mas acordaram tarde demais. Paulo Bento mandou entrar Varela e eu até me lembrei de um lendário outro segundo jogo de fase de grupos. Ainda tive esperanças num desfecho semelhante. No entanto, não estávamos em 2012, em que havia frescura suficiente para alimentar a fase do "Ai Jesus!", frente à Dinamarca. Cedo aconteceu o pior: os Estados Unidos colocaram-se à frente no marcador. Houve quem reclamasse do fora-de-jogo no início da jogada, mas Portugal tinha tido mais do que oportunidades para evitar aquele desfecho.
 
Talvez aquela tenha sido a gota de água que fez com que, ao fim de todos estes anos, o copo derramasse, talvez uma parte de mim tenha deixado de acreditar logo aquando do desastroso jogo com a Alemanha. A verdade é que, poucos minutos após este golo, o meu estado de espírito era, para minha própria surpresa, de indiferença, de resignação. Percebia que este Mundial, pura e simplesmente, não estava fadado para nos correr bem (ai, o tão português fatalismo desta frase...). De tal maneira que nem festejei quando Varela marcou, em cima do final do jogo. Se por um lado o Drogba da Caparica voltava a dar uma de Salvador da Pátria, dando a Portugal uma ínfima hipótese de permanecer no Mundial, por outro lado, pode ter apenas adiando o inevitável. 
 

Já devem ter percebido que não, não acredito que Portugal vá além da fase de grupos deste Campeonato do Mundo. Mesmo que se dê o milagre e a Sorte seja favorável às cores lusitanas, duvido que tenhamos pernas para ir muito mais longe. Em teoria, soa melhor dizer que Portugal chegaria aos oitavos do Mundial em vez de dizer que não foi além da fase de grupos. Na prática, duvido que consigamos apagar a má imagem que temos deixado, com destaque para o nosso jogo de estreia.

Sinto-me tentada a partir já para as alegações finais, como se Portugal estivesse já fora do Brasil. No entanto, não me parece legítimo estar a escrever sobre as supostas razões do que está a ser uma péssima prestação, não quando a porta dos oitavos-de-final ainda não está definitivamente encerrada.

Posso já dizer, contudo, que isto não está a ser nada como estava à espera. Disse anteriormente que este Mundial seria como o verão - não está a sê-lo. Foi-o, de certa forma, durante as semanas de preparação, mas terminou com o jogo com a Alemanha. Agora está a ser como o inverno - o que até condiz com a meteorologia dos últimos dias. Talvez seja por isso que, também, não estou com grande pena de que isto possa acabar já amanhã. Ando, aliás, a desejar regressar às semanas, ou meses, antes do Mundial, ou mesmo ao ano passado - aos tempos inocentes em que podíamos, ainda, sonhar com um bom Campeonato do Mundo.

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Admito que o "eu" de há um ano ou dois, ou talvez mesmo de há uns meses, provavelmente desprezar-me-ia por estar a desistir tão "facilmente". Parte de mim, neste momento, até concorda: eu devia estar revoltada contra as previsões mais pessimistas, devia continuar a acreditar teimosamente, mesmo desesperadamente, como nos últimos tempos. É bem possível que isto seja apenas cansaço, um momento de desânimo, que daqui a umas semanas venha a sentir saudades destes dias. Contudo - embora isto não sirva, de modo algum, de desculpa - conforme já disse amiudadas vezes anteriormente, quando se passa tanto tempo como eu passo a tentar puxar pelos jogadores, a convencer os demais a puxar pelos jogadores, uma pessoa precisa de alguma espécie de retorno. Que, neste Mundial, tem sido nulo, independentemente dos responsáveis por essa situação.

Uma coisa, no entanto, não muda. Eu continuo aqui, no meu blogue, na minha página. Ainda que a minha fé tenha atingido mínimos históricos, continuarei a puxar por eles e a esperar um desfecho favorável às cores portuguesas. Nem eu sei explicar porque insisto nisso, talvez seja masoquismo, talvez seja porque é o meu clube, são os meus heróis e, conforme dizia numa curta-metragem que vi no outro dia, uma pessoa não abandona os seus heróis. É algo semelhante que, de resto, peço aos nossos jogadores para a partida de amanhã, frente ao Gana: mesmo que já não dê para passar, que tentem conseguir uma vitória ou, pelo menos, uma exibição decente, para ao menos sairmos deste Mundial de cabeça erguida. Não faltará, certamente, tempo para se fazer a análise completa ao fracasso, que parece inevitável. De qualquer forma, qualquer que seja o desfecho, eu estou aqui e sempre estarei.