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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Portugal 1 Uruguai 2 – Sem arte nem engenho

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No passado sábado, a Seleção Portuguesa de Futebol perdeu perante a sua congénere uruguaia por duas bolas contra uma, em jogo a contar para os oitavos-de-final do Mundial 2018. Com este resultado, Portugal regressou a casa após uma participação que, sinceramente, soube a muito pouco.

 

No dia do jogo, estava na Suíça, de visita ao meu irmão. Ele levou-nos a um pub irlandês, daqueles com várias televisões, feitos mesmo para assistir a transmissões de desporto. Estavam lá alguns portugueses. É um conceito giro. Deviam abrir mais bares desportivos, como este, cá em Portugal.

 

Enfim, ver um jogo numa esplanada também é fixe.

 

Pena não ter saído feliz do bar. Nem quero falar muito acerca do jogo. Portugal sofreu um golo logo aos sete minutos. Suarez fez uma assistência de letra para Cavani que, nas costas de José Fonte e Raphael Guerreiro, cabeceou para as redes portuguesas.

 

Depois dessa, os uruguaios começaram a jogar à defesa. E fizeram-no com competência – enquanto nós nos fartávamos de perder bolas desnecessariamente.

 

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A Seleção, ao menos, entrou melhor na segunda parte, disposta a lutar pela igualdade, culminando no golo de Pepe, de cabeça, na sequência de um canto. Este foi o único golo neste Mundial que consegui festejar como deve ser: sem spoilers da vizinhança, sem estar no trabalho, gritando “GOLO!” em coro com vários outros adeptos.

 

Quando for o Europeu, daqui a dois anos, vou fazer tudo para, pelo menos, evitar os spoilers.

 

Infelizmente, a alegria não durou muito. Pouco mais de cinco minutos mais tarde, os uruguaios regressavam à vantagem, numa jogada em que Pepe ficou mal na fotografia, o meio-campo português foi inútil e Cavani estava completamente desmarcado. 

 

Passámos o resto do jogo a correr atrás do empate, sem sucesso. Cristiano Ronaldo seria muito aplaudido por ter amparado Cavani para fora do campo, quando este se lesionou, mas eu desconfio que ele queria evitar que o uruguaio perdesse tempo com fitas. Nos últimos minutos do jogo, Rui Patrício subiu mesmo ao meio-campo do Uruguai – sintoma típico de equipa desesperada. Eu acreditei até ao fim – não seria a primeira vez que um marcador funcionava à beira do fim.

 

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Não serviu de nada. A derrota manteve-se.

 

Muitos dizem que esta segunda parte foi a melhor prestação de Portugal no Mundial, mas não consigo concordar. Na minha opinião, nenhuma exibição pode ser considerada “boa” se o adversário consegue marcar sempre, ou quase sempre, que vem à nossa baliza. Como reza um dos Menos Ais, “vitórias morais não têm arte nem engenho”. Não tinha saudades nenhumas – nenhumas – de “jogar bem” e perder.

 

Foi isto a nossa participação no Mundial, em suma: um inusitado empate com a Espanha, onde só deu Ronaldo; uma exibição sofrível perante Marrocos, que ao menos deu três pontos; uma exibição melhorzita perante o Irão mas que só chegou para o empate; uma boa exibição perante o Uruguai, mas sem eficácia e com erros defensivos. Foi melhor que 2014, é certo, mas não que 2010. Era irrealista apontar para o título, mas acho que todos esperávamos mais da Seleção Campeã da Europa.

 

Eu definitivamente esperava mais. Esperava ficar no Mundial até às meias, ou pelo menos aos quartos-de-final.  Como referi antes, só pude festejar um golo como deve ser. E queria ter assistido a pelo menos um jogo no Terreiro do Paço, na fan-zone, onde fui entrevistada.

 

O Mundial continua sem nós e eu confesso que não tenho grande vontade de ver os outros jogos. Não sou daquelas pessoas que, aquando do apito final, declararam prontamente que o Mundial para elas acabara. Não sou assim tão lusocêntrica. Mas não consigo evitar pensar, sempre que passam jogos ou vejo notícias sobre o Mundial, que nós podíamos ainda estar lá.

 

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Não ajuda saber que outras grandes seleções, como a Alemanha, a Espanha e a Argentina, também já vieram para casa. Pelo contrário, com uma boa parte dos tubarões fora da corrida, esta era uma boa oportunidade de tentar o título.

 

Agora que estamos fora, não torço por ninguém em particular. Só não quero que a França ganhe.

 

Já conto catorze anos disto, uma mão-cheia de campeonatos de seleções, mas derrotas como esta não deixam de doer. É possível que doa mais agora, já que não tivemos de lidar com finais infelizes durante quatro anos (como escrevi na altura, a Taça das Confederações não me desiludiu por aí além).

 

Ao menos agora podemos consolar-nos recordando a final de Paris. Mais: são muito poucas as mágoas que não se curam com uma tablete grande de chocolate e o documentário “10 de julho”.

 

Há de passar. Se Fernando Santos e a Federação em geral fizerem as coisas como deve ser, hão de olhar para este Mundial, perceber porque é que não resultou e procurar corrigir os erros, para os próximos compromissos da Seleção. Daqui a dois meses começa um novo ciclo, com a Liga das Nações, uma prova novinha em folha, e a Qualificação para o Euro 2020. Os Europeus costumam correr-nos melhor, talvez dê para defendermos o nosso título… mas não nos adiantemos.

 

Um agradecimento a todos os que acompanharam o Mundial da Seleção comigo, quer através do blogue, quer através da página do Facebook. Nos próximos dois meses o blogue estará em pausa e mesmo a página terá menos atividade. Em setembro haverá mais. Obrigada e até à próxima.

 

Croácia 0 Portugal 1 - O início

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No passado sábado, dia 25 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu, pela margem mínima, a sua congénere croata nos oitavos-de-final do Campeonato Europeu da modalidade. O autor do único tento da partida foi Ricardo Quaresma.

 

Todos concordam: tirando os últimos minutos do prolongamento, o jogo foi uma seca. A primeira parte, então, foi quase um aquecimento, foi um filler, não aconteceu pratiamente nada. Sou capaz de jurar que, nos primeiros dois ou três minutos de jogo, Portugal não tocou na bola durante mais do que um ou dois segundos, enquanto os croatas se limitavam a passar a bola uns aos outros. Ambas as equipas estiveram muito comedidas, respeitando excessivamente o adversário, sem coragem para arriscar. Por um lado, isto foi bom para os nossos corações, depois da agitação que foi o jogo com a Hungria. Por outro, até eu fiquei com sono - o que, para mim, num jogo da Seleção, numa fase final, num mata-mata ainda para mais, é raro, se não for inédito. 

 

O jogo ficou um bocadinho mais interessante quando Renato Sanches entrou, aos cinco minutos da segunda parte, mas não muito. Consta que este foi o primeiro encontro em Europeus e Mundiais em cinquenta anos em que não houve um único remate à baliza. Da nossa parte, talvez isso se devesse ao nosso engonhanço, mas, da parte dos croatas, isso muito se terá devido a um "imperial" Pepe, que nos livrou de tantas, a jogadores como Adrien, que conseguiu anular Modric e, vá lá, a uma dose decente de sorte. Pelo meio ainda nos roubaram um penálti sobre Nani e Renato fez isto. Eu só pensava que, a certa altura, alguém teria de assumir o jogo, de tentar ganhá-lo e aquilo poderia ir para qualquer um dos lados.

 

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Eventualmente acabou por chegar o prolongamento. Pelo menos no Twitter, já começávamos a fazer contas para os penáltis. Daí que não tenhamos percebido a troca de Adrien por Danilo. Das duas uma, ou Fernando Santos não tinha olhado para o historial de Adrien em penáltis, ou estava... bem chei'd'a fé de que a coisa resolver-se-ia antes dos cento e vinte. 

 

Se era a segunda hipótese, acertou em cheio pois, aos 117 minutos, tudo mudou. Rui Patrício defendeu uma iniciativa croata a meias com o poste. No contra-ataque, Ronaldo passa a Renato, que faz uma das suas arrancadas - nesse momento, eu e, provavelmente, metade do País dissemos algo como "Vai miúdo! Vai!" , enquanto este galgava pelo campo fora. Renato passa a Nani, este por sua vez, consegue enganar os defesas croatas e fazer a bola chegar a Ronaldo. O guarda-redes ainda consegue travar o remate deste, mas não conseguiu repetir a proeza quando Quaresma faz a recarga. 

 

 

Cá em casa festejámos o golo da mesma maneira que a Seleção, em Lens: aos peulos e aos abraços. Até o meu irmão que, de uma maneira muito típica emntre os homens da casa, esteve muito pessimista durante o jogo, quase que como se torcesse pela Croácia. Eu fiquei a tremer durante uns bons dez minutos depois deste golo, ainda que só me tenha atrevido a cantar vitória depois do apito final. Nós passámos a fase de grupos só com empates, mesmo que as exibições não tenham sido assim tão más... em certas alturas, pelo menos... mas não há nada que se compare a uma vitória numa fase final de um campeonato de seleções!

 

Não têm faltado críticas à Seleção Portuguesa desde a sua estreia no Europeu, muitas delas justas, e elas têm continuado depois deste jogo. No entanto, uma coisa é inegável: Portugal venceu a Croácia, que está longe de ser uma equipa fraca, e, pelo (*conta pelos dedos*) sexto Europeu consecutivo, está entre as oito melhores seleções da Europa. Não é de desprezar. Tudo isto resultou do esforço dos jogadores, da equipa técnica, do Selecionador. Esse esforço merece ser respeitado, mesmo aplaudido - sobretudo depois de equipas respeitáveis terem já ficado pelo caminho, tal como a Espanha e a Inglaterra. Esta última frente à Islândia, de todas as equipas - menos de duas semanas depois de Cristiano Ronaldo os ter acusado de terem mentalidade de equipa pequena. 

 

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Não sou grande fã deste futebol defensivo, em bloco baixo, confesso, mas concordo com Fernando Santos, quando ele diz quando ele diz que assinaria por baixo se pudesse conquistar o Europeu só com empates ou jogando mal, que quer "jogar futebol" não "jogar à bola". Durante anos e anos, em múltiplos campeonatos de seleções, praticámos um futebol lindíssimo. Deixou-nos imensas recordações e encheu-nos de orgulho, não contesto isso, mas não nos deu nenhum título. Continuo a preferir esse tipo de futebol, se for possível, mas eu aceito tudo o que nos dê o título, dentro das regras. E se alguém tiver algum problema com isso, como uns quantos croatas aziados depois do jogo e os franceses que andaram a dizer que o nosso futebol era nojento... ótimo. De uma forma ou de outra, iríamos sempre irritar muitos enquanto fôssemos bem sucedidos neste Europeu. É para o lado que dormimos melhor.

 

Mas primeiro vamos ter de passar pela Polónia e não me parece que vá ser fácil. Para além de, por princípio, não existirem jogos fáceis nesta fase, o nosso historial mais recente com a Polónia não é o mais favorável (tal como já tinha desenvolvido aqui). Além disso, a Polónia chegou a ganhar à Alemanha durante a Qualificação para este Europeu e, quando a reencontrou na fase de grupos, empatou a zeros. A minha irmã disse-me que os polacos não têm tantas individualidades como a Croácia (têm Lewandowski e pouco mais), mas eu acho que eles vão jogar de forma mais fechada do que os croatas, o que é capaz de nos atrapalhar.

 

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A minha esperança é que estes oitavos-de-final tenham sido o nosso verdadeiro início no Europeu, que ainda fiquemos em França por muito tempo ainda. Continuo com as minhas dúvidas, apesar de a equipa ter estado mais consistente no sábado, mas também, nesta altura do campeonato, não dá para ter certezas de nada. Continuo a acreditar que é possível chegar à final de Paris e vencê-la. Ando há demasiado tempo à espera de um título para a Seleção, não queria ver mais uma oportunidade desperdiçada. Para já, temos de ganhar à Polónia e temos tudo para consegui-lo. 

 

Continuem a acompanhar este Europeu connosco aqui no blogue e na página de Facebook.

Portugal 0 Brasil 0 - Dos grupos ao "mata-mata"

Devia ter escrito mais cedo, mas fui passar o fim-de-semana fora, sem acesso à Internet. Na Sexta-feira, a Selecção Portuguesa empatou sem golos com a sua congénere brasileira e qualificou-se para os oitavos-de-final. A passagem aos quartos-de-final será disputada com a Espanha, uma das principais favoritas ao título mas que não mete medo à Turma das Quinas.

Desta feita, fui assistir ao nosso terceiro jogo no Mundial ao Campo Pequeno na companhia de amigos. Ou melhor, assistimos ao jogo no exterior da Praça, ao ar livre, através de um ecrã gigante, juntamente com centenas de adeptos. A larga maioria eram portugueses, mas também havia um número considerável de brasileiros. Felizmente, o ambiente era amigável, não houve quaisquer desacatos. Do meu grupo, eu era a única que vinha "equipada", como disse a Inês: com um top, um boné e um cachecol de Portugal e ela nem viu as meias... Mas também se via gente ainda mais expressiva do que eu em termos de roupa. Também se ouviam vuvuzelas e buzinas que emitiam um som semelhante - e, realmente, aquilo acaba por fazer dores de cabeça ao fim de algum tempo. Ainda por cima, mais tarde, quando ia para o Metro, um deles teve a triste ideia de começar a tocar no túnel. Adicionem ao som incomodativo o eco de um túnel do Metro...

Foi bom ver o jogo junto àquela gente toda, cantar o hino em coro, de cachecol esticado, puxar pelos jogadores em coro, soltar exclamações de quase-que-era-golo em coro, gemer quando os outros apontam à nossa baliza em coro. O jogo até não foi mau, foi bastante equilibrado, ambas as equipas deram luta. Não foi o jogo intenso e vibrante que eu esperava de um Portugal-Brasil, mas também era difícil que assim fosse num jogo praticamente a feijões. Só faltaram mesmo os golos: tive imensa pena de não poder celebrar um golo em coro com aquela gente toda.

Na primeira parte, estranhei os cartões amarelos todos que o árbitro ia mostrando. Graças a Deus, que nenhum deles foi mostrado a um Navegador previamente amarelado. Se tivesse sido o Ronaldo, era o bom e o bonito. Na altura, cheguei mesmo a comentar com os meus amigos:

- Não acham que ele está a exagerar nos amarelos?

Outras coisas que também marcaram a primeira parte foram as constantes faltas sobre Pepe. O David até comentou:

- Os brasileiros estão mesmo zangados por ele se ter neutralizado português...

Eu tinha era medo de que aquelas entradas todas lhe agravassem a lesão.

Felizmente, as coisas pareceram acalmar-se na segunda parte. Portugal esteve mais vezes perto de marcar, mas o marcador teimava em não abrir. E manteve-se fechado até ao apito final. O Brasil ficou em primeiro lugar do grupo e Portugal ficou em segundo. Findo o jogo, aguardámos ansiosamente pelos jogos do grupo H, para saber quem era o nosso adversário. Eu ainda mantive a secreta esperança de que a Espanha ficasse em segundo, mas tal não aconteceu. Vamos hoje enfrentar os nossos vizinhos nos oitavos-de-final.

Quando se soube o resultado do jogo de Espanha, a primeira coisa que disse foi:

- Eu acredito em milagres.

Contudo, agora penso que não será propriamente um milagre se conseguirmos vencer os espanhóis. No início do Mundial eles eram a minha aposta, mas depois da derrota com a Suíça... Além disso, dizem que temos dos melhores ataques da prova - embora ache um bocado precipitado dizer isso, quando só marcámos num jogo, mesmo que tenham sido sete golos - e das melhores defesas - com esta concordo. Os grandes candidatos ao título (a Argentina, a Alemanha, a Holanda, o Brasil), bem como os ex-grandes candidatos ao título (a França, a Itália e a Inglaterra) já sofreram golos, mas nós não - e estivémos no "grupo da morte"! O Eduardo não deixa nada cruzar a linha de baliza! O Eduardo e não só.... também os nossos defesas. Tendo em conta os golos que sofremos, os jogos que perdemos, por "erros defensivos", é reconfortante pensar que a defesa já não é um problema.

Eu sei que a Espanha continua a ser uma forte candidata ao título, que a forma como se aborda um jogo em que os pontos contam é diferente da forma como se aborda o "mata-mata". Os castelhanos entrarão para ganhar. Contudo, também sei que os Navegadores se deixarão de rodeios e entrarão para ganhar. E mesmo que não entrem, mesmo que se ponham à defesa, mesmo que não marquem golos... bem, se não sofrermos golos, não somos vencidos. Por isso, é que acredito que a coisa se arrastará até aos penálties - isto se não marcarmos antes, o que eu duvido, mesmo assim. Se de facto chegarmos aos penálties tudo pode acontecer. Contudo, estou a pensar na primeira final da Taça da Liga, que opôs o Vitória de Setúbal ao Sporting. Não sei se já falei deste jogo cá no blogue. Na altura o Eduardo jogava pelo Vitória. Lembro-me de me rir ao ver o contraste entre o Eduardo, alto e bem constituído, e o guarda-redes do Sporting (o Rui Patrício?), um autêntico magricela - passe a expressão. Se não me engano, o Eduardo defendeu três penálties. Eu sei que não dá para comparar o Sporting com a Selecção Espanhola, mas...

Eu acredito na passagem aos quartos. Será difícil como o catano, mas não é de todo impossível. Ontem disseram-me que hoje faz dois anos desde que eles ganharam o Euro 2008 - 'bora estragar-lhes a enfeméride? 'Bora repetir Aljubarrota? 'Bora repetir o 1º de Dezembro? 'Bora repetir o jogo de 20 de Junho de 2004 (o primeiro a que assisti ao vivo, o jogo em que o Cristiano se estreou como titular na Selecçao)? Vamos fazê-los amaldiçoar o dia em que Afonso Henriques resolveu tornar o Condado Portucalense independente de Leão e Castela! Vamos a eles! Força Portugal!