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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

A duas finais do término da qualificação

Nestas últimas semanas tenho tido pouquíssimo tempo para vir à Internet, visto que estive quase sempre fora de casa. Por um lado, foi saudável, para garantir que não me vicio nas redes sociais e afins. Por outro lado, quis actualizar o blogue diversas vezes e só hoje é que consegui. Pior foi mesmo na semana passada, quando estive no estrangeiro e a Selecção Nacional preparava o embate com o Chipre. Estive literalmente a leste de tudo o que se passava na Turma das Quinas nessa altura. Nem sequer pude saber quem foram os Convocados. O meu coração está sempre com a Equipa de Todos Nós, independentemente das circunstâncias, mas o meu cérebro ansiava por notícias. Por saber o que se dizia nas entrevistas e conferências de imprensa, sobre o desafio e não só. Não estava preocupada, contudo. Achava que as coisas não estariam muito diferentes do que estavam antes de outros jogos da Selecção. Não fazia a mínima ideia que, enquanto eu estava fora, Ricardo Carvalho havia abandonado o estágio da Equipa das Quinas.

Este caso é a primeira nódoa da era Paulo Bento, que começou há já quase um ano e, até agora, se havia mantido quase completamente imaculada. Mas suponho que teria de haver alguma mais cedo ou mais tarde. Só soube da história no Domingo e, até agora, tudo o que consegui perceber foi que o Ricardo não terá gostado de ter de disputar a titularidade com Pepe, o que o levou a sair, ao que parece, só com a roupa que tinha no corpo. Paulo Bento descreveu este abandono como uma "deserção" e já veio dizer que não torna a convocar o jogador.

É pena. O Ricardo Carvalho está na Selecção há tantos anos, foi inúmeras vezes uma mais-valia para a Equipa das Quinas. Eu gostava dele (e não devo ser a única). Vi-o celebrar um golo a pouca distância de mim. Como pôde ele arruinar a sua carreira na Selecção com aquilo que, aparentemente, se tratou de uma decisão precipitada, de um amuo de criança?!?!?! Os seus motivos até podiam ser perfeitamente legítimos mas a forma como ele fez as coisas não foi a melhor. Ele podia ter esperado pelo fim do estágio. Talvez mudasse de ideias. Se não, ao menos saía desta história com a dignidade intacta.

Paulo Bento e os outros Marmanjos garantem que o caso não afectou a Selecção, que o ambiente continua bom, mas eu duvido que isto não tenha deixado mazelas. Mas também percebo que eles não se iam pôr a dizer: Ai e tal, aquilo está de cortar à faca na Selecção ou assim... Devo mesmo elogiar a atitude dos jogadores e fa-lo-ei, mais à frente. Em todo o caso, espero que a Equipa das Quinas não se deixe afectar pelo caso, agora que estamos a duas finais do encerramento da qualificação.

Consegui, ao menos, saber o resultado do jogo com o Chipre logo no dia seguinte, através da Euronews. Já estava mais ou menos à espera de uma vitória folgada, mas a confirmação da minha expectativa deixou-me aliviada e feliz, como é habitual. Depois de saber o resultado, sugeri à minha irmã uma "aposta" nos marcadores. Ela sugeriu Ronaldo, Nani, Hugo Almeida e Coentrão. Eu concordei, mas substitui Coentrão por Hélder Postiga. Como podem ver, acertámos em dois.

Já em Portugal pude informar-me melhor sobre o jogo. Parece que foi um daqueles típicos da Selecção, com muitos nervos derivados da vantagem facilmente anulável durante a maior parte do encontro e uma exibição que terá deixado muito a desejar. Ah, mas aqueles três golos quase de seguida devem ter adoçado tanto o fim do jogo... Quem me dera ter podido ver!

Cristiano Ronaldo foi o homem do jogo. Marcou dois golos, assistiu um, carregou a equipa às costas. Desta vez, portou-se à altura da braçadeira de capitão da Equipa das Quinas. Parece que os cipriotas foram mauzinhos para ele: alguns vieram vestidos à Barcelona e a larga maioria passou o jogo quase todo gritando por Messi, irritando até a própria selecção cipriota. O Cristiano, esse, respondeu às provocações fazendo uma excelente exibição. E, apesar de dizer que já está habituado a tais cenários, que "cala gente todo o ano", não resistiu a desafiar gestualmente os cipriotas a continuarem com as provocações, depois do segundo golo. Não se livrou do amarelo... Eu devia dizer que o Ronaldo podia ter mantido a postura e tal, não se ter deixado afectar, mas o que, na verdade quero dizer é "Grande Ronaldo!". Uma miúda não é de ferro... Mais uma vez, gostava de ter visto aquelas cenas em directo.

Em todo o caso, o Ronaldo pôde dar um exemplo de maturidade, pôde voltar a mostrar que merece a braçadeira de Capitão quando lhe foi pedido que comentasse o caso Ricardo Carvalho:

- Tudo o que se passou está ultrapassado, o mister Paulo Bento já falou, o que pensamos fica dentro do grupo - disse ele.

O Cristiano podia ter dito o que pensava, mas não ia servir de nada, a não ser para criar polémicas cujo único efeito seria prejudicar a Selecção. Como já antes referi cá no blogue, atitudes como esta podem a´te ser mais importantes do que o desempenho em capo. O próprio Ronaldo admitiu que não pode julgar, que "se calhar não é o melhor exemplo". Também ele tomou muitas más decisões de cabeça quente... Em todo o caso, louvo-o, a ele e aos colegas de Selecção, por terem colocado a equipa em primeiro lugar. 

Entretanto, na Terça-feira, a Dinamarca venceu a Noruega. Como resultado, encontram-se três equipas em primeiro lugar, cada uma com treze pontos. Portugal tem a vantagem do número de golos e, pelo que percebi, basta ganhar à Islândia (dia 7 de Outubro) e empatar com a Dinamarca (dia 11), para pelo menos ficar em segundo. Talvez... mas eu preferiria que o assunto ficasse encerrado já no mês que vem. Eu e outros... Ninguém duvida que Portugal tenha qualidade para acabar a qualificação no topo da tabela, mas já se sabe como é o futebol. Acredito que nos vamos qualificar de uma forma ou de outra, seria demasiado mau se tal não acontecesse. Mas acho que só se vai decidir tudo mesmo na última jornada. Até lá...

Antes de terminar, quero ainda falar da Selecção Nacional de Sub-20. Não vou mentir, só comecei a interessar-me pelo Mundial deles quando percebi que aqueles miúdos estavam a chegar aos oitavos-de-final, quartos-de-final, meias-finais, final... Suponho que o mesmo tenha acontecido com imensa gente; quase com os próprios jogadores e equipa técnica que, segundo consta, abordaram o campeonato sem grandes expectativas. Em todo o caso, na madrugada da final, dei-me ao trabalho de ficar acordada para ver o jogo. E, apesar de a Selecção ter sido derrotada, não me arrependo.

O jogo passou-se praticamente quase todo a alta velocidade. Não me lembro de alguma vez ter visto um jogo em que os jogadores corressem tanto. Os brasileiros marcaram cedo mas, ao contrário daquilo que muitas equipas sénior fariam, os miúdos reagiram da melhor forma, repuseram, rapidamente, a igualdade. O jogo manteve-se praticamente do princípio ao fim muito renhido, qualquer uma das equipas podia ganhar. Os jogadores, coitados, de tanto correrem, já estavam prestes a cair para o lado pelo prolongamento. Terá precisamente sido por isso que o terceiro golo foi marcado. Eu ainda me mantive fiel à velha máxima de acreditar até ao fim mas era óbvio que os portugueses já tinham dado tudo o que podiam. Um deles (já não me lembro de quem), coitado, caiu logo a seguir ao terceiro tento brasileiro e não conseguiu levantar-se mais. Juro que, em quase dez anos em que me interesso por futebol, não me lembro de alguma vez ter visto um jogo em que os jogadores lutassem literalmente até ao limite das suas forças. Deste modo, a Selecção de Sub-20 deu uma lição de coragem, garra, empenho, ficando anos-luz à frente de não assim tão poucos jogadores e equipas sénior.

Não sei que consequências terá este Mundial na carreira dos jogadores. Gostava de pensar que serão aqueles miúdos que, daqui a meia dúzia de anos, vestirão a camisola da Equipa de Todos Nós Sénior, mas já percebi que não é assim tão provável. Em todo o caso, esta prestação dos Sub-20 veio mesmo a calhar, numa altura em que os clubes privilegiam cada vez mais os jogadores estrangeiros em detrimento dos nacionais. Pode ser que isto mude mentalidades. Eu, pelo menos, vou fazer figas por isso. E por que o Nelson Oliveira, o Danilo, o Mika e os outros estejam daqui a uns anos a fazer o que o Cristiano Ronaldo, o Nani, o Rui Patrício e o Fábio Coentrão fazem hoje pela Equipa das Quinas!

Vizinhos e parceiros no futebol

Na Segunda-feira passada, foi entregue na FIFA a candidatura Ibérica à organização do Mundial de 2018 ou de 2022. De acordo com Ángel Maria Villar, o presidente da Federação Espanhola de Futebol, a opção por Portugal e Espanha é a mais "alegre", mais "organizada", mais "segura" e mais "divertida". O presidente, que também preside a fundação da candidatura, afirmou existir uma "grande sintonia" entre os povos português e espanhol.

A candidatura apresenta 21 estádios e 18 cidades, de entre os quais três estádios (o da Luz, o de Alvalade e o do Dragão) e duas cidades (Lisboa e Porto) são portuguesas. Os vencedores serão anunciados em Dezembro deste ano.

Já se fala desta candidatura há algum tempo, mas só agora é que tenho oportunidade para falar dela aqui, no meu blogue. Se alguém estava à espera que esta candidatura viesse dar novo uso aos estádios que se construiram para o Euro 2004, acho que sofreram uma desilusão, uma vez que os únicos estádios que serão utilizados são os dos três grandes. Eu, por acaso, acho que até faria mais sentido terem incluido o eternamente abandonado Estádio do Algarve na lista. Para além de ser pouco utilizado, situa-se na região que os turistas preferem.

E se alguém estava à espera de um contributo fifty-fifty para a organização do Campeonato (eu estava mais ou menos à espera...), também sofreram uma desilução. O nosso contributo será de apenas 16%. Pergunto-me se isso contribuirá ainda mais para a teoria de que Portugal não passa de uma província espanhola. Ou para o desejo de que fosse uma província espanhola.

Esse desejo, de resto, deve remontar ao século XIX, visto que n'Os Maias já se fala disso. Eu não partilho desse mesmo desejo por vários motivos. Para além de um vago patriotismo, Afonso Henriques, Nuno Álvares Pereira, a Padeira de Aljubarrota e os Conjurados de 1640 não ficariam quietos nos respectivos túmulos. Além disso, num ponto de vista mais prático, se passássemos a ser espanhóis, a ETA ganhava uma mão-cheia de novos alvos para os ataques deles. Ou pior, talvez se criasse um grupo separatista, equivalente à ETA, mas para nós.

E, de resto, já que os nossos vizinhos também andam às voltas com a crise, já não haveria grande vantagem de nos unirmos a eles.

Por outro lado, desde que tenho doze anos e comecei a interessar-me pelos Telejornais, passo o tempo todo a ouvir que "estamos em crise", "Portugal está de tanga", "Portugal está na cauda da Europa", "Portugal não tem futuro", "só neste País", "estamos em recessão técnica". E parece que essa mentalidade já perdura desde, pelo menos, o séc XIX - mais uma vez, Os Maias são a referência. Mas se olharmos para os últimos dois séculos, temos de concluir que atingimos muitas metas. As condições de vida melhoraram sem comparação, vivemos numa Democracia (longe de ser perfeita, mas podia ser pior), temos um Sistema Nacional de Saúde melhor do que o dos Estados Unidos... OK, não somos tão bons como outros países, mas andámos sempre para a frente. Vamo-nos aguentando e dando passinhos de bebé.

Voltando à Candidatura Ibérica, eu não me importo muito se as coisas não forem exactamente como no Euro 2004, se as atenções estiverem mais centradas na Espanha do que em Portugal. Já considero uma enorme vantagem o facto de termos a Selecção a estagiar e a jogar em casa, de podermos assistir aos jogos. E mesmo assim duvido que favoreçam demasiado a Espanha em detrimento de nós. Contudo, só saberemos como é que será se a FIFA nos escolher. Eu vou fazer figas!