Hoje completo oito anos (!!!) como blogueira graças aqui a "O Meu Clube é a Seleção!". Este ano quis fazer algo para assinalar a data, algo diferente. Resolvi apresentar os meus dez jogos da Seleção preferidos – entre outras coisas, é uma oportunidade para escrever sobre partidas marcantes que ocorreram antes de inaugurar este blogue. Além disso, é mais do que apropriado recordar grandes jogos da Seleção poucos antes de começarmos a preparar um Europeu, para o qual partimos com ambições.
Uns alertas rápidos antes de começar: em primeiro lugar, só comecei a ligar a sério ao futebol e à Seleção por volta de 2002. Assim sendo, este top não incluirá jogos do Euro 2000 nem de campeonatos anteriores (quem me dera ter estado cá para ver o Mundial de 66!).
Em segundo lugar, como costuma ser a regra neste blogue, este top é muito subjetivo. Não me vou basear tanto em aspetos técnicos, de qualidade propriamente dita do futebol praticado porque, sejamos sinceros, eu não percebo assim tanto dessa vertente. Basear-me-ei antes nos aspetos mais sentimentais, no que significou aquele jogo para mim, aqueles jogos que permaneceram na minha memória em vez de se perderem no meio de dezenas de outros jogos.
Por fim, queria avisar para não levarem a posição dos jogos no top 10 demasiado à letra. Em alguns casos, a diferença entre duas posições consequentes é mínima.
Esta lista possui Menções Honrosas. Sem nenhuma ordem em especial, começo por falar dos jogos com Angola, o Irão e o México no Mundial 2006. Na minha opinião, este campeonato valeu sobretudo pela consistência da caminhada, não tanto por jogos individuais particularmente emocionantes, com uma exceção. Daí que não encontrem muitos jogos desse Mundial no top.
Refiro, também, o Portugal x Rússia da Qualificação para o Mundial 2006, uma expressiva vitória por 7-1. O intervalo de tempo entre o nosso segundo jogo do Euro 2004 e o nosso antepenúltimo do Mundial 2006 foi uma era dourada para a Seleção Portuguesa.
Por outro lado, incluo também o nosso jogo com a Espanha do Euro 2012. Sim, foi uma derrota mas, na minha opinião, foi uma derrota honrada, foi uma das nossas melhores derrotas. O domínio foi quase sempre nosso, fomos a única equipa no Euro 2012 capaz de fazer frente à Espanha. Oficialmente, era a meia-final, mas teve mais de final que o jogo com a Itália, poucos dias depois. Infelizmente abordámos mal os penálties.
Por fim, queria incluir o Portugal x Sérvia do ano passado – só porque foi o primeiro jogo da Seleção em muito tempo a que assisti… em que a Seleção ganhou.
Como tenho muito a dizer sobre estes jogos, este top virá dividido em duas entradas. Esta é a primeira parte, a segunda parte virá mais tarde, ainda hoje em princípio.
Sem mais delongas, comecemos com o número 10.
10) Portugal x Espanha (novembro de 2010)
Mesmo sendo um jogo particular, não é todos os dias que se goleia a corrente campeã europeia e mundial. Muito menos apenas dois meses – mais coisa menos coisa – após uma crise e uma troca de treinadores. Não contou para muito, teria trocado de bom grado esta vitória por uma nos oitavos-de-final do Mundial 2010 ou, sobretudo, nas meias-finais do Euro 2012 No entanto, na altura em que ocorreu, esta vitória foi importante para levantar um pouco mais a moral, quando o Mundial 2010 e o caso Queiroz ainda estavam frescos na memória e quando a Qualificação para o Euro 2012 ainda ia a meio. Considero que este foi um dos primeiros sinais a indiciar que esse Europeu nos traria alegrias.
9) Suécia x Portugal (novembro de 2013)
Este é o jogo mais recente deste top. A segunda mão do playoff de acesso ao Mundial 2014 marcou, não apenas pela vitória em si, mas também pelas circunstâncias. Como poderão ler aqui, este encontro realizou-se no aniversário da minha irmã, daí ter ganho um significado especial para nós (ainda hoje, quando vemos resumos do jogo, durante as celebrações dos três golos portugueses, a minha irmã diz algo como: “Se prestarem atenção, hão de ouvir o Ronaldo a gritar: ‘Parabéns, Mafalda!’”). Foi também uma vitória que fez muita gente fazer figura de parva: começando por Joseph Blatter, que poucas semanas antes protagonizara o triste episódio do Comandante e do bom menino; passando por vários adeptos suecos, que usaram vários truques sujos para nos destabilizar, sobretudo Ronaldo (tocando músicas provocatórias na chegada dos portugueses, fazendo barulho junto ao hotel onde estes estavam alojados…); terminando na triste campanha da Pepsi sueca. Dá um gozo especial quando conseguimos rir por último (mais sobre isso adiante). Por fim, referir também o épico relato do Nuno Matos, acima, o “És o melhor do Mundo, ca*****!”e o vídeo de agradecimento que a Seleção filmou.
Na verdade, este jogo só não está numa posição mais cimeira nesta tabela porque foi demasiado um one-man show, foi mais uma vitória de Ronaldo do que do resto da Seleção. A equipa chegou a atrapalhar mais do que a ajudar – essa Ronaldo-dependência virar-se-ia contra nós de maneira trágica uns meses mais tarde, no Brasil (e nestas últimas semanas, em que Ronaldo se tem debateu com uma lesão, tive medo que o mesmo se repetisse em França). De qualquer forma, o fraco desempenho da Seleção no Mundial 2014 não estragou as minhas recordações dos playoffs. Quando mais não seja porque deixou-nos viver na ilusão durante mais uns meses.
8) Portugal x Dinamarca (outubro de 2010)
Estou sempre a falar deste jogo, não vos vou maçar mais repetindo o que já escrevi inúmeras vezes aqui no blogue e na página do Facebook. Deixo o link para a análise a esse jogo e digo apenas que, na minha opinião, foi aqui que começou o ciclo que culminaria com as meias-finais do Euro 2012.
7) Portugal x Bósnia (novembro de 2011)
A segunda mão dos playoffs do Euro 2012 foi outro jogo emocionante. Não foi muito diferente do que seria o segundo jogo com a Suécia, em 2013, mas foi melhor – porque não foi apenas Ronaldo a brilhar (ele marcou dois golos, calando adeptos bósnios gritando por Messi), foi a equipa toda: Nani enviou uma bomba daquelas, Postiga marcou duas vezes, Miguel Veloso marcou de livre. Tal como aconteceria daí a dois anos em menor escala, esta foi uma vitória contra uma série de fatores empenhados em deitar-nos abaixo: um ex-selecionador que aproveitara o nosso único deslize em um ano para mandar farpas (acho que nunca perdoarei Queiroz…); a própria UEFA que nos obrigou a disputar a primeira mão num batatal, ignorando os nossos pedidos para trocar de campo (apesar de a seleção francesa ter conseguido essa troca, cerca de um mês antes); os responsáveis bósnios que regaram a relva antes do jogo, ignorando também os nossos pedidos, o que piorou ainda mais o estado do campo; os lasers que adeptos bósnios apontaram à cara de Ronaldo, entre outras coisas. Um jogo épico que teve o sabor de uma final, em que até houve hino no fim do jogo e tudo, que indiciou a boa campanha que a Seleção realizaria poucos meses mais tarde, no Euro 2012.
6) Portugal x Holanda (2012)
O Euro 2012 e as semanas antes foram um dos melhores períodos da minha vida. Como adepta da Seleção foi um ponto alto pois, para além de ter sido chamada à televisão a propósito deste blogue, pela primeira vez desde que inaugurara aqui o estaminé, a Equipa de Todos Nós estava a fazer um campeonato, não digo ao nível dos de 2004 ou 2006, mas lá perto. Pela primeira vez, escrevia no blogue sobre um campeonato de seleções que valia a pena ser recordado. Naturalmente, tinha de incluir jogos do Euro 2012 nesta lista.
Este foi o jogo que pôs fim a meses de dúvidas e nervosismo. Desde que o sorteio da fase de grupos do Euro 2012 nos colocara no chamado Grupo da Morte, todos sabíamos que seria muito difícil chegarmos aos quartos-de-final da prova. Do mesmo modo, sabíamos que, se passássemos o grupo, seríamos automaticamente candidatos ao título. Esta vitória trouxe um grande alívio, uma grande alegria, surpreendeu os mais céticos. Tendo em conta que, dois anos volvidos, não passaríamos o grupo do Mundial 2014, hoje valorizo ainda mais essa vitória. Recordo-me em particular de eu e a minha irmã fazermos um duplo high-five enquanto gritávamos: “PASSÁMOS A FASE DE GRUPOS!!”.
Falando do jogo em si, a Seleção fez uma exibição excelente, tirando o golo sofrido no início do jogo. A maior estrela foi Ronaldo, ao apontar dois golos – que dedicou ao filho, que fazia dois anos no dia do jogo – mas, lá está, não deixou de ser um triunfo de equipa. Ficou claro que os próprios Marmanjos sentiram esta vitória – Miguel Veloso tinha lágrimas nos olhos na flash-interview e, mais tarde, a equipa passou a noite a cantar.
Paulo Bento foi algo agressivo na Conferência de Imprensa que se seguiu e os jogadores recusaram as flash-interviews fora do campo. Até compreendo o ponto de vista deles, já que a Imprensa não andava a ser meiga. No entanto, hoje não acho que a acusação de Paulo Bento – de que alguns dos jornalistas estariam a torcer contra Portugal – tenha tido fundamento. Existem muitos críticos da Seleção, muitos céticos, alguns clubistas aziados, mas se houve coisa que aprendi com o Euro 2012 foi que, nas grandes vitórias da Seleção, como esta, não existe alma nenhuma que não fique feliz (tirando Pinto da Costa e mesmo assim). Há muita hipocrisia nessa alegria, é certo, muito aproveitamento, mas foi uma das coisas que mais feliz me fez durante esse Europeu: ter toda a gente a falar sobre as vitórias da nossa Seleção. Foi verdadeiramente a Equipa de Todos Nós.
No entanto, estando eu sempre aqui, no melhor e no pior, estas vitórias são mais minhas que de muitos por aí, reservo-me esse direito. O mesmo tornará a acontecer quando a Seleção voltar a ter triunfos como este – que estes aconteçam já no próximo mês.
5) Portugal x Inglaterra (2006)
Portugal tem um particular com a Inglaterra marcado para o próximo mês. Vai ser no mínimo interessante reencontrar os nossos amigos ingleses dez anos depois, quando os últimos três jogos disputados foram tão… interessantes, cada um à sua maneira.
Conforme referi acima, não considero os jogos individuais do Mundial 2006 assim tão memoráveis. O jogo dos quartos com a Inglaterra é a única exceção e isto, mesmo assim, deve-se quase exclusivamente à parte final. Antes de nos focarmos no jogo em si, contudo, quero falar das circunstâncias em que este ocorreu. Nos dias que antecederam e nos que se seguiram ao jogo, a Imprensa inglesa esteve de armas apontadas à nossa Seleção. Antes do jogo, o motivo era, obviamente, destabilizar-nos (algo em que falharam redondamente pois quem esteve de cabeça perdida naquele jogo foram os ingleses). Não resisto a referir um episódio, descrito no livro “A Pátria Fomos Nós”. Consta que, numa conferência de Imprensa em que os jornalistas ingleses foram criticados pela sua campanha contra a Seleção Portuguesa, alguém perguntou a Pedro Pauleta:
- Afinal de contas, de quem é que vocês têm mais medo? Da Seleção inglesa ou dos jornalistas ingleses?
Eis a resposta do ponta-de-lança:
- Ao fazer uma pergunta dessas, vê-se que não conhece a História de Portugal. Se conhecesse, saberia que os portugueses nunca têm medo de nada. Foi sem medo que chegámos a todos os lugares do Mundo. Somos um país pequeno e respeitamos toda a gente. E exigimos respeito por nós. Só isso.
Se eu tivesse estado lá neste momento, teria aplaudido. Grande Pauleta!
Infelizmente, a campanha dos ingleses nos dias que se seguiram ao jogo foi muito mais feia e… duradora. Tudo porque, se bem se recordam, os ingleses culparam Cristiano Ronaldo pela expulsão de Wayne Rooney. Ainda hoje se fala deste episódio – aposto que vão voltar a falar dele aquando do próximo jogo, no mês que vem. Os ingleses, ao que parece, não repararam que Rooney pisara, deliberadamente, Ricardo Carvalho nos… bem, numa zona sensível. A meu ver, era uma expulsão legítima. O “crime” de Ronaldo foi pressionar o árbitro a favor da expulsão (como se ele fosse o primeiro jogador de futebol a fazer uma coisa dessas…). Pelo meio, uma câmara apanhou Ronaldo a piscar o olho ao banco português, algo que os ingleses associaram ao lance.
Dizer que Ronaldo foi mal recebido quando regressou ao Manchester United depois do Mundial é eufemismo. Eu, na altura, defendi a sua saída do clube, a transferência para o Real Madrid ou para qualquer outra equipa, fora de Inglaterra. No entanto, Ronaldo ficou (consta que Sir Alex Ferguson interveio pessoalmente na questão, como forma de manter o jogador) e fez uma das suas melhores épocas em Inglaterra, ganhando ainda mais o meu respeito. Toda esta história é capaz de ter sido um dos primeiros exemplos da frase que lhe é atribuída: “Your love makes me strong, your hate makes me unstoppable”.
Regressemos aos quartos-de-final do Mundial 2006. Conforme referi acima, os 120 minutos de jogo não foram particularmente memoráveis, tirando a expulsão de Rooney. Este jogo é recordado pelos penálties, pelas três defesas de Ricardo – algo inédito em Mundiais. Ricardo desvalorizou o seu próprio mérito, na altura. “Eles estavam mortos”, terá ele dito, segundo o livro “A Pátria Fomos Nós”, mais uma vez. “Eu via nos olhos deles. Não tinham confiança nenhuma”. Uma boa prova disso foi aquele inglês, que chutou antes de o árbitro apitar. De qualquer forma, a postura gélida de Ricardo, na baliza, não terá de todo deixado os ingleses menos nervosos.
Vou deixar a narrativa dos penálties para o grande Nuno Matos. Ainda hoje, passados todos estes anos, depois de ter visto este vídeo inúmeras vezes, não consigo deixar de rir com a maneira como ele e Alexandre Afonso (penso que é ele…) transmitem a montanha-russa de emoções que foi este desempate.
Queria chamar a atenção, por fim, para o penálti decisivo, marcado por Cristiano Ronaldo (penálti esse que agravou ainda mais a azia inglesa). Como poderão ver no vídeo acima, antes de rematar, o (na altura) jovem fez questão de beijar a bola. Depois de executar o penálti, fica a sensação que ele demorou uns segundos a perceber que o seu penálti decidira o jogo. Nessa altura, no meio dos festejos, apontou para o céu e gritou:
- Estou aí!
Só prova que Cristiano Ronaldo sempre teve uma queda para os grandes momentos.
Por fim, dizer apenas que, aquando deste jogo, eu e a minha família estávamos a passar férias no Algarve. Sendo verão, aquilo estava, naturalmente, cheio de turistas ingleses. Vimos o jogo sozinhos, mas depois fomos todos festejar para a rua principal. Tirámos fotografias e tudo, como podem ver acima (a da esquerda sou eu, a da direita é a minha irmãzinha). Foram dos melhores festejos de uma vitória da Seleção de que me recordo (tirando um ou outro do Euro 2004). Não era para menos, foi a primeira vez que via a Seleção chegar tão longe num Mundial. Que não seja a última…
Na passada segunda-feira, dia 7 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere albanesa por uma bola a zero, em Elbasan, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato Europeu da modalidade, que terá lugar em França, no próximo verão. Miguel Veloso foi o autor do único golo do encontro. Este resultado, aliado ao empate entre a Dinamarca e a Arménia, faz com que a Seleção Portuguesa precise, apenas, de ganhar mais um ponto para garantir presença no Europeu.
Portugal jogou bem melhor que contra a França. Na sexta-feira, o nosso primeiro remate havia ocorrido à volta do minuto quarenta, e aquando de uma bola parada. Na segunda, ocorreu ao minuto onze. Durante praticamente toda a primeira parte, Portugal dominou. Um dos melhores foi Bernardo Silva, estrela do Europeu de sub-21 que, pelos vistos, também se desenrasca entre graúdos. Sem haver brilhantismo por parte de Portugal, houve intensidade. Mesmo assim, de uma maneira típica que não se torna menos caricata com os anos, acertar com a bola nas redes continua a ser uma tarefa hercúlea, aparentemente... Nem sequer faltou a bola ao poste - ainda que, desta feita, tenha sido em fora-de-jogo.
Na segunda parte, mais ou menos a partir dos quinze minutos, os portugueses acabaram por ceder o domínio à Albânia e eu comecei a ficar nervosa. Essa superioridade albanesa culminou com uma bola ao poste, em que Rui Patrício, enganado pela trajetória, demorou a reagir.
Se daqui a quinze ou vinte anos eu tiver problemas de coração, já sabem o motivo.
Apesar de tudo, uma parte de mim, quase inconsciente, nunca duvidou que ganhariamos. Não me atrevia a dizê-lo em voz alta, ou a escrevê-lo no Twitter, mas acreditava. Antes de se provar que eu tinha razão, contudo, ainda houve tempo para um momento caricato: o chapéu de Eliseu, que falhou a baliza albanesa por cerca de mei metro. Eu ri-me para não chorar.
Não tendo sido, portanto, uma surpresa, foi um alívio quando, no último minuto do jogo, Ricardo Quaresma (quem mais?) executou um pontapé de canto para o meio da pequena área e Miguel Veloso cabeceu para as redes.
Dá sempre gozo quando se apoia um jogador contra a opinião geral e este retribui o afeto resolvendo um jogo. Aconteceu durante muito tempo comigo e com o Hélder Postiga (nunca esquecer o meu grito de "ESTA É P'RA MIM! ESTA É P'RA MIM!...). Por essa lógica, ainda que eu também tivesse defendido o regresso do Miguel, este golo e esta vitória pertecem verdadeiramente à Bárbara, a mais leal adepta do herói de Elbasan. O Miguel provou que Fernando Santos pode contar com ele - baralhando, no bom sentido, as contas ao Selecionador, que, nos próximos tempos, poderá escolher entre Veloso, William Carvalho e Tiago. Se o mesmo acontecesse com todas as posições...
Acabou por ser um jogo muito típico da era Fernando Santos: muita paciência, uma exibição que, não sendo má, esteve longe de brilhante, Quaresma entrando a meio da segunda parte e, de uma forma ou de outra, desbloqueando; o golo nos últimos minutos do jogo. Este encontro pareceu-se particularmente com o jogo contra a Dinamarca, no ano passado, que por sinal também se seguiu a uma derrota com a França. Também me fez recordar o jogo com a Albânia de 2009, também resolvido no último minuto. Chega a ser caricato.
No entanto, a verdade é que foi com jogos assim - com vitórias resvés Campo de Ourique, como diz a minha mãe - que chegámos a esta posição: a um ponto do Apuramento, com duas tentativas para ganhá-lo. Contra a Dinamarca, em Braga, e contra a Sérvia, fora. E mesmo assim, segundo um artigo de António Tadeia, existem ainda uma série de cenários em que Portugal conseguiria passar diretamente, como melhor terceiro classificado.
Por princípio, não gosto de alinhar em contas como essas. Lembro-me perfeitamente de haver uma conversa parecida há quatro anos, aquando do Apuramento do Euro 2012. Também nos faltava um ponto, embora só tivéssemos um jogo para ganhá-lo. Por acaso, contra a Dinamarca de novo. Dizia-se que, mesmo assim, poderíamos passar com uma derrota desde que a Suécia perdesse contra a Holanda. Se já antes desse jogo ficava irritada com essas contas, ainda mais irritada fiquei depois de perdermos, de a Suécia ter ganho à Holanda e de sermos relegados para os playoffs.
No entanto, desta vez, tenho quase a certeza de que nos vamos Apurar. Atrevo-me a dizer que, depois de todos estes anos, eu conheço a Seleção. Se,por algum motivo perdermos contra a Dinamarca (desde si improvável, pois eles não andam a jogar grande coisa - empataram com a Arménia!), os portugas ganharão vergonha na cara e não deixarão que o mesmo aconteça na Sérvia. Eu nem sequer me lembro de alguma vez termos perdido dois jogos oficiais seguidos nos últimos anos. A única ocasião que me recordo deu-se no Mundial 2006, em que, depois de perdermos as meias-finais, perdemos o terceiro lugar para a Alemanha - e, de qualquer forma, esse jogo pouco mais vale que um particular.
Esqueçam, não vai acontecer. Só se se der alguma epidemia de lesões e parvoíce, estilo Mundial 2014. EE, mesmo nessas circunstâncias, ainda fomos capazes de pontuar frente aos Estados Unidos e ao Gana. Mais depressa apanhamos o Ricardo Araújo Pereira a falar a sério.
Nada disto apaga o nível mediano das exibições nesta Qualificação, que será claramente insuficiente para voos altos no Euro 2016. Mal o Apuramento fique arrumado, esse será o primeiro problema a resolver. Mas também nesse aspeto a situação atual é vantajosa, pois, caso ganhemos ou empatemos com a Dinamarca, teremos logo o jogo com a Sérvia para fazer experiências. Mesmo que só ganhemos o ponto que falta frente à Sérvia, talvez tenhamos um ou dois particulares em novembro. Em suma, se porventura as coisas correrem mal em França, não será por falta de tempo e oportunidades para preparar o Europeu.
Sabe bem estarmos nesta situação, em que temos de fazer contas para não passarmos, em vez do oposto. Como diziam os comentários ao tal texto de António Tadeia, uma espécie de calculadora invertida. Podemos dizer o que quisermos do brilhantismo (ou falta dele) do futebol da Seleção, mas a verdade é qque, neste último ano, temos feito tudo bem e tudo indica que continuaremos a fazê-lo até ao fim. Por agora, vamos contando os dias que faltam para o jogo com a Dinamarca.
Na próxima sexta-feira, dia 4 de setembro, a Seleção Portuguesa de futebol receberá, no Estádio de Alvalade, a sua congénere francesa, em jogo de carácter particular... e eu estarei lá! Três dias mais tarde, a Seleção deslocar-se-á a Elbasan, na Albânia, para defrontar a seleção da cada, em jogo a contar para o Campeonato Europeu da modalidade, que terá lugar no próximo verão, em França.
Nos Convocados para esta dupla jornada, as maiores novidades dizem respeito ao regresso de Miguel Veloso - ausente desde o Mundial 2014 - e Raphael Guerreiro - ausente desde o seu inesquecível golo frente à Argentina - e às ausências de Fábio Coentrão, Tiago (aquele vermelho parvo frente à Arménia, só para não termos um jogo tranquilo...), William Carvalho e, agora, João Moutinho - o primeiro por falta de ritmo, o segundo por castigo e os últimos dois por lesão.
Os regressos deixam-me muito satisfeita. Já tinha saudades do Miguel Veloso e ele já vinha há algum tempo a merecer este regresso. No entanto, também compreendo a posição de Fernando Santos: quando se tem William Carvalho e Tiago à disposição, é difícil arranjar espaço para outros.
Para além disto, andei desde novembro do ano passado à espera do regresso do Raphael Guerreiro, o menino-herói de Old Trafford. Com Coentrão sem jogar (espero que encontre espaço no Mónaco), talvez Raphael tenha tempo em campo, nem que seja apenas frente à França. Por mim, ele seria titular, mas acho que Fernando Santos apostará primeiro em Eliseu - e, depois do jogo com a Itália, tão cedo não o censuro por isso.
Passemos aos jogos, começando pelo mais importante: dia 7, frente à Albânia. Conforme se devem recordar, a Albânia foi o nosso primeiro adversário nesta Qualificação e derrotou-nos em casa por uma bola a zero - derrota essa que levou à rescisão de Paulo Bento, o Selecionador da altura. Aquando desse jogo, considerei que Portugal perdeu por incompetência própria. Continuo a achar, mas também me interrogo se não houve mérito dos albaneses, pelo percurso que fizeram desde esse jogo - empataram com a Dinamarca (não vou considerar o jogo com a Sérvia), ganharam à Arménia, ganharam à França, encontrando-se neste momento em terceiro lugar no grupo, com dez pontos (os mesmos que a Dinamarca, apenas menos dois que Portugal, isto com um jogo a menos). Às tantas, foi a vitória perante uma equipa como Portugal que os catalisou para o resto da Qualificação. Por outras palavras, fomos nós a criar este "monstro".
Sinceramente, acho que este será o jogo mais difícil daqueles que nos faltam na Qualificação. Vamos jogar fora, apenas dois dias após um particular, frente a uma equipa muito motivada. Felizmente vamos com margem de erro. No entanto, apesar daquilo que escrevi no parágrafo anterior, não deixamos de ser a equipa mais forte. A Seleção de há um ano vinha de um Mundial traumatizante, estava desfalcada de Cristiano Ronaldo, estava a ser orientada por um treinador desgastado. Hoje temos um Selecionador diferente, uma equipa melhor fornecida e num muito melhor momento - afinal, vimos de quatro vitórias oficiais consecutivas. Temos todas as condições para obtermos uma desforra sobre o jogo de há um ano.
Dito isto, mesmo que lhes ganhemos, espero que os albaneses consigam Qualificar-se, se possível diretamente. Por tudo o que fizeram até agora, ganharam o meu respeito. E, claro, é muito melhor perder na Qualificação contra uma equipa que, de facto, se Apure. Se não se Apura, a vergonha é ainda maior.
Antes desse jogo, de qualquer forma, há rendez-vous em Alvalade e eu vou comparecer! Eu, o meu irmão, a minha irmã e dois amigos desta. Como eles já conhecem a minha irmã, que nestas coisas é muito parecida comigo, em princípio, não devo preocupar-me com exuberâncias a mais durante o jogo... De início, os meus irmãos não estavam muito entusiasmados por ser, apenas, um particular. Eu, porém, quis agarrar a oportunidade rara de ver um jogo contra uma grande seleção - sobretudo quando os adversários do próximo Apuramento são tão desinteressantes... Será apenas a segunda seleção das grandes que verei jogar ao vivo - a primeira foi Espanha, no Euro 2004, por sinal no mesmo Estádio.
Toda a gente conhece o nosso historial com a França: já lá vão quarenta anos sem vitórias (mais pormenores aqui). Sendo o próximo jogo um particular, dificilmente seria prioridade, mesmo se não tivéssemos um jogo tão importante daí a dois dias. Como tal, não conto com uma vitória na sexta. No entanto, se bem se recordarem, disse o mesmo em relação aos particulares, com a Argentina e com a Itália. Não seria, de qualquer forma, a primeira maldição que quebrávamos neste último ano. Nunca se sabe...
Por outro lado, não sei se isso conta para alguma coisa, mas da última (e única) vez que fui a um jogo com uma grande seleção, vínhamos igualmente de um longo período sem lhes ganhar em jogos oficiais. E, depois dessa ocasião, não tornámos a ganhar-lhes em jogos oficiais. É certo que eu sou um amuleto duvidoso pois, durante muito tempo, não consegui ir a jogos em Alvalade que não terminassem com empates 1-1 (isto incluiu dois jogos da Seleção e aqueles empates em casa do Sporting, na época passada). Mas um empate a uma bola frente à França não seria, de todo, um mau resultado.
Se não der para ganhar à França, então só peço um bom espetáculo de futebol, de preferência com muitos golos portugueses.
Não tenho muito mais a dizer sobre esta dupla jornada. Já se sabe, os pré-jogos não me dão muito por onde pegar, sobretudo durante períodos tranquilos, como o atual. O verdadeiro interesse reside nos jogos em si. As coisas estão a correr bem e é provável que assim se mantenham - terá de acontecer uma catástrofe para não nos Qualificarmos diretamente. Por este caminho, estaremos muito em breve a fazer planos para o Euro 2016 - mais cedo do que o costume.
Anteontem, segunda-feira dia 12 de agosto, a Seleção Portuguesa de Futebol efetuou o seu primeiro treino de preparação do embate particular, frente à sua congénere holandesa, a realizar-se hoje à noite, às 20h30, no Estádio do Algarve. O treino, aberto ao público, teve lugar no Estádio Nacional, no Jamor... e eu estive lá, com a minha irmã e uma amiga dela.
Pela fotografia, julgo que se pode deduzir como correu.
Não escrevi a minha habitual entrada de análise aos Convocados e de análise ao jogo que se avizinha por dois motivos. O primeiro é por considerar que pouco poderia dizer que já não tivesse dito anteriormente. Ao fim de não sei quantos anos de blogue, um certo desgaste é inevitável. Não tanto nas crónicas pós-jogo - cada encontro, seja ele oficial ou particular, é único, essa é uma das belezas do futebol. Mas nestas entradas pré-jogo, tenho de puxar pela minha criatividade para não escrever sempre o mesmo texto outra a outra vez. E como, de resto já planeava ir a um treino aberto e escrever sobre isso, não me importei.
O motivo principal, contudo, foi o facto de ter passado a última semana - incluindo o dia da Convocatória de férias no estrangeiro. É claro que agora todo o hotel que se preze tem wi-fi, por isso, a desculpa é questionável. No entanto, não levei o meu computador comigo e o meu irmão mal me deixava tocar no dele. De resto, também estava a precisar de uma pausa da Internet. Em todo o caso, deu para ir ficando a par das principais novidades: os Convocados, a onda de lesões (outra vez, Nani?!?), a transferência de Hélder Postiga para o Valência, a derrota do Chelsea aos pés do Real Madrid.
Deu também para saber que, na preparação deste particular com a Holanda só haveria um treino aberto, na segunda-feira às 17h30, sendo que o treino de terça-feira de manhã apenas seria aberto aos Órgãos de Comunicação Social, durante quinze minutos. O que me contrariava por diversos motivos. Um deles era por ser no dia que se seguiu ao nosso regresso a Portugal, deixando-nos pouco tempo para recuperarmos da cansativa viagem. Além disso, num treino matinal, o calor não seria um inconveniente tão grande e não existira a urgência de não chegar demasiado tarde a casa. O motivo principal foi, contudo, o facto de suspeitar - acertadamente - que vários jogadores, com destaque para Cristiano Ronaldo, se baldariam àquele treino.
Eu devia era falar com os boys do Miguel Relvas, a ver se este blogue e respetiva página de Facebook me garantiam uma equivalência a Órgão de Comunicação Social...
Quer-me parecer que, para o melhor e para o pior, ir ver a Seleção ao Jamor será sempre uma aventura - até porque o local continua a ser isolado, meio degradado nalgumas zonas, e a ter péssimos acessos.
Por estes e por outros motivos - incluindo as peripécias na viagem de ida de há um ano - este nosso passeiozinho foi cuidadosamente planeado. Viemos equipadas com três garrafas de água fresca - porque o calor apertava - pacotinhos de bolachas para o caso de nos dar a fome, cartões carregados com dinheiro para os transportes, dinheiro extra para o caso de precisarmos de um táxi, o número de telefone da respetiva central, máquina fotográfica, cadernos e canetas para os autógrafos. Como agora vivemos em Lisboa, fomos de Metro até ao Cais do Sodré, onde apanhámos a Linha de Cascais. Apeámo-nos na minúscula e antiquada estação da Cruz Quebrada, atravessámos o pequeno bairro degradado e, debaixo do sol abrasador, subimos até ao Estádio, os holofotes entre as árvores servindo-nos de marco orientador. Receosa como estava dos atrasos dos comboios e de outros imprevistos, fiz questão de sairmos cedíssimo - como resultado, chegámos ao Jamor uma hora antes o início do treino.
Não fomos as únicas, de resto. Ainda não estava ninguém à entrada do Estádio mas, mais acima, junto ao parque de estacionamento, já se haviam juntado umas boas trinta pessoas, à espera do autocarro da Seleção. Aqui, encontrámos a Bárbara, uma seguidora da minha irmã no Twitter, uma jovem sportinguista, tal como ela, que viera ao Jamor praticamente só para ver o Miguel Veloso, o seu herói. Trazia um cartaz verde fluorescente, pedindo uma camisola ao jogador do Kiev que já lhe tinha sido prometida quando ela fora ao jogo com a Rússia.
Ainda ficámos uma boa meia hora à espera do autocarro, unto ao portão através do qual, no ano passado, o Eduardo, o João Pereira e o Rui Patrício nos haviam dado autógrafos. Sempre que se vislumbrava um autocarro ao fundo da estrada, as pessoas entusiasmavam-se:
- São eles? São eles?
Não eram e eu ria-me. Sabia perfeitamente que, quando fosse a Seleção, não teríamos dúvidas. E, quando eles chegaram, tal como previ, vinham no costumeiro autocarro cor-de-laranja, rodeados de polícias - a minha irmã chegou mesmo a filmar o momento da chegada mas não me deixa divulgar os vídeos. Enquanto o autocarro efetuava a manobra para entrar, chegámos a trocar acenos com o Paulo Bento e o Beto.
Depois de estacionado o autocarrro, ainda esperámos que os jogadores viessem ter connosco, os adeptos, mas não me surpreendi por não terem vindo. De resto, os portões para o Estádio foram abertos pouco depois. Mas ainda houve tempo para as meninas, juntamente com uns quantos adeptos, espreitarem entre as sebes, fazendo lembrar papparazzi, na esperança de vislumbrar um ou outro jogador. Depois de entrarmos para o Estádio, plantámo-nos o mais perto que pudémos da saída dos balneários, apesar de ficar debaixo da luz do Sol. Por algum motivo, desta vez os seguranças pareciam mais permissivos, ninguém nos veio pedir para mantermos as pernas atrás do muro. Conseguimos ver e filmar a subida dos jogadores: o André Martins e o João Pereira, o Rui Patrício e o Eduardo, o Pizzi e o Rúben Amorim, o Nélson Oliveira, o Bruno Gama, o Miguel Veloso, o Hélder Postiga. Nós e os outros adeptos íamos chamando alguns deles, trocando acenos, a Bárbara chegou a gritar ao Patrício que ficasse no Sporting, bem como ao Postiga que regressasse ao clube leonino. Eu, às vezes, ficava tão envergonhada quando os jogadores olhavam na nossa direção que olhava para baixo.
Julgo ter visto o Bruno Gama recebendo a costumeira "receção ao caloiro" antes do aquecimento. Tal como faz igualmente parte da praxe, os jogadores estiveram a passar bolas uns aos outros, dando carolos amigáveis a quem falhava. Nada de novo mas não deixava de ser engraçado vê-los ali, na brincadeira, como se fossem cachorrinhos. Destaque para o André Martins, baixinho, com cara de miúdo, a dar carolos ao Eduardo, que é um matulão.
Ao meu lado, ia ouvindo a Bárbara suspirando pelo Miguel Veloso:
- Ai aqueles braços... Ai, ele mexeu no cabelo... Porque é que ele é tão lindo?
Eu ria-me pois, quando tinha quinze anos, também era assim. A diferença é que limitava estes monólogos ao meu diário e pouco mais. Todas as meninas passa por isto, faz parte do crescimento. E, pelo menos no meu caso, a fase do ai-que-ele-é-tão-perfeito já acabou há muito mas o carinho permanece.
A pedido da minha irmã, ficámos mais um pouco no mesmo sítio, vendo os guarda-redes - logo, o herói dela, Rui Patrício - treinando daquele lado do campo. Achei particularmente interessante um exercício em que Ricardo Peres - o treinador dos guarda-redes, penso eu - e dois dos guarda-redes avançavam em direção à baliza, cada um com a sua bola, mas só um é que rematava, para o terceiro guardião tentar defender. Metia um certo medo ver os três atacantes ao mesmo tempo. Eu é que não queria estar a defender a baliza!
A parte mais interessante do treino foi o minijogo. Gosto sempre de ver aqueles homens a jogar, mesmo sendo naquelas circunstâncias. Como não podia deixar de ser, foram várias bolas aos postes. Sempre que o Hélder Postiga se encontrava com a bola em frente à baliza, eu gritava:
- Vai, Postiga!
Mas a bola acabava sempre por ir parar às mãos do Eduardo ou do Beto. No fim, só houve um golo, de Bruno Gama.
Tal como já foi mencionado, estiveram ausentes muitos dos titulares habituais, incluindo o Cristiano Ronaldo. Irrita-me, contudo, quando dizem, por exemplo, que "a intenção dos adeptos [ao irem ao Jamor] era, obviamente, ver ao vivo Cristiano Ronaldo". Como se a Seleção fosse só ele, como se nós, os adeptos tivéssemos vindo só por causa dele. Não era o caso de nós as três, pelo menos. A Bárbara, tal como já foi referido, viera, sobretudo, pelo Miguel Veloso. A minha irmã queria, como podem deduzir pelo que ela escreveu nas costas do cartaz da Bárbara, queria uma foto e/ou um abraço do Rui Patrício (infelizmente, não obteve nenhum dos dois). Quanto a mim, vim, não apenas para ver os meus heróis mas também, sobretudo, como forma de demonstrar que os apoiava.
Mas não nego que fiquei desiludida com a ausência do Cristiano.
E ainda pensámos que poderíamos perder mais gente quando o Pizzi foi tocado e começou com queixas Felizmente, passou-lhe e terminou o treino sem limitações.
Tínhamos mudado de lugar para ver o mini-jogo mas, quando os jogadores começaram a fazer os alongamentos finais, voltámos para o local inicial, junto à entrada dos balneários, na esperança de que, pelo menos, o Miguel Veloso viesse ter connosco, atraído pelo cartaz da Bárbara. Eu tinha algumas dúvidas de que isso acontecesse, pensava que só dariam atenção aos adeptos antes de entrarem no autocarro, como no ano passado.
Mas enganei-me, o Miguel veio - consegui filmar o momento - e a Bárbara foi de imediato tirar uma foto com ele. Claro que o resto dos adeptos veio atrás, à caça de fotografias e autógrafos. Eu e a minha irmã juntámo-nos logo à pequena multidão. De alguma forma, consegui manter-me bastante calma, tendo em conta que era a primeira vez, em mais de dez anos apoiando a Seleção - embora, só a tenha começado a seguir fielmente depois do Euro 2004 - era a primeira vez que estava assim tão perto de um jogador. Ainda foi um bocadinho difícil, houve alguma confusão, ainda que de uma forma bastante ordeira e civilizada, até porque os seguranças estavam sempre presentes, calmos mas firmes, para evitar abusos. Estive perto de me meter em foto alheia algumas vezes. Por fim, eu e a minha irmã (uma de cada vez), já conseguimos uma foto com o Miguel, bem como o seu autógrafo.
Entretanto, em resposta aos apelos dos outros adeptos, o Beto e o Eduardo vieram, também, ter connosco. Tal como mencionei acima, ia-me mantendo surpreendentemente calma - mas admito que, se lá estivesse o Cristiano Ronaldo, o Nani ou mesmo o Postiga, talvez caísse para o lado de sorriso no rosto, que os jogadores retribuíam quando nele reparavam. A minha irmã conseguiu uma fotografia com o Beto e, depois, veio comigo tirar uma foto com o Eduardo - ela pediu-me para a cortar das fotografias que publicasse aqui no blogue. Depois da foto e os agradecimentos, virei-me para o Eduardo e disse-lhe:
- Agora Qualifiquem-se, OK?
Por fim, foi a vez de Paulo Bento vir ter com os adeptos. Tal como os jogadores já o tinham sido, ele foi muito paciente para connosco. Apesar de começar por dizer que não podia demorar muito, que tinha o autocarro à espera, depressa garantiu:
- Eu tiro foto com todos.
De novo tivémos de esperar pela nossa vez. Eu e a minha irmã tentámos várias vezes ir ter com o Selecionador, mas acabávamos por dar o lugar aos outros adeptos, em particular quando eram crianças. Achámos particular graça a dois miudinhos gémeos, loiros de olhos claros, que falavam francês, cada um deles com o equipamento branco da Seleção completo do Cristiano Ronaldo. A minha irmã ficou particularmente feliz quando, a certa altura, Paulo Bento olhou para ela e disse:
- Deixem lá vir a menina, que está aqui à espera.
Contudo, eu e a minha irmã ainda tivémos de esperar um bocadinho mais antes de conseguirmos a tão desejada foto com o Mister. No fim, eu ainda lhe disse:
- Meta o pessoal a jogar.
Mas acho que ele não ouviu. A minha irmã diz que ele ainda lhe piscou o olho.
Eu e as meninas ainda corremos para junto do autocarro, na esperança de que mais um viesse ter connosco, o que não aconteceu. A Bárbara só dizia:
- Eu tive o Miguel ao pé de mim... Eu tive o Miguel ao pé de mim...
Ainda houve tempo para dizermos adeus a Paulo Bento e a alguns dos jogadores antes de o autocarro partir.
Como podem calcular, quando chegámos a casa (tivemos boleia), eu vinha exausta mas era aquele tipo de cansaço que prova de que fizémos o que devíamos, de que tivemos um dia extraordinário. Todo o stress, todas aquelas horas debaixo dos calores do Sara, valeram a pena pois, ao fim de anos sonhano com isto, pude contactar de perto com jogadores e treinador da Seleção, tirar fotografias com eles. Só tenho pena de não ter conseguido ver o Cristiano, o Nani, o Pepe, o Moutinho e os outros, de não ter tirado uma fotografia com o Postiga. Mas um dia conseguirei encontrar-me com mais Marmanjos, se Deus quiser, com a minha troika de ataque preferida. De resto, não devo ficar muito tempo sem vê-los de nov ao vivo, visto que, em princípio, iremos ao jogo com Israel, em Alvalade. Antes disso, temos outros jogos, começando por o de daqui a menos de duas horas, frente à Holanda, no Estádio do Algarve - ironicamente, uma região fértil em laranjas E, apesar de, tradicionalmente, a Holanda se dar mal connosco em campo, as várias ausências fazem-me recear que esta laranja se revele mais amarga do que o costume. Paulo Bento afirma que o principal objetivo do jogo é manter a competitividade em níveis elevados. Eu acrescentaria que estes dois particulares, frente a adversários de respeito, servem precisamente para os Marmanjos se mentalizarem de que o tempo para brincadeiras já passou, que o que resta da Qualificação é para ser levado a sério.
Como tal, espero para este jogo pelo menos um empate com golos e, sobretudo, uma exibição consistente por parte das cores portuguesas, à semelhança do jogo com a Croácia. No fundo, uma garantia de que aquilo que pedi ao Eduardo será cumprido. Fui ao Jamor para demonstrar o meu apoio para com a Seleção para o resto do Apuramento. Agora, a bola está do lado dos Marmanjos.
Quando, no passado dia 2 de dezembro, fomos sorteados para o Grupo B do Euro 2012, com a vice-campeã europeia, a vice-campeã mundial e a seleção que tinha ficado à nossa frente nas nossas duas últimas fases de Qualificação, receei seriamente que Portugal regressasse a casa ontem. Agora, estou aqui escrevendo sobre a Seleção que sobreviveu ao Grupo da Morte, enviando a atual vice-campeã do Mundo de regresso a casa, enquanto bebo um belo copo de sumo de laranja natural.
Antes deste jogo, estava muito confiante num bom resultado para as cores portuguesas e, em parte derivado de um sonho que tivera na noite anterior, estava, à semelhança de muitos, com um pressentimento de que Cristiano Ronaldo vingar-se-ia dos críticos e marcava, pelo menos, um golo. Contudo, tal não me impediu, como sempre, de sofrer imenso enquanto via o jogo.
Os primeiros dez, quinze minutos do jogo são incompreensíveis para mim. Parecia que os Marmanjos estavam propositadamente a dar espaço à Holanda. O golo laranja não surpreendeu, portanto. Não foi, igualmente, surpresa que a Turma das Quinas tenha começado a jogar a sério após o tento holandês. Talvez eles tenham feito um acordo com um cardiologista, para ele tratar dos nossos corações torturados pelos jogos da Equipa de Todos Nós. Talvez a Seleção seja fisicamente incapaz de dar tudo por tudo quando não está na corda bamba. Só sei que não havia necessidade, como diz o outro, de termos entrado tão mal e sofrido aquele golo.
O primeiro golo de Portugal, que devolveu a igualdade ao marcador, foi uma chapada de luva branca aos críticos. Não apenas de Cristiano Ronaldo, mas também aqueles que haviam criticado a inclusão de João Pereira - que fez a sublime assistência para golo - na Convocatória. Não apenas na Convocatória deste Europeu, mas também em anteriores. Parabéns aos dois! Depois do golo, deu-se aquele que considero um dos momentos do jogo: o Cristiano dirigindo-se à câmara e gritando:
- P'ra ti, filho!
Há ainda bem pouco tempo, o Cristiano Ronaldo era o puto cheio de promessas que lutava pelo seu lugar na Seleção. Agora ele é o Melhor do Mundo, capitão da Turma das Quinas, um pai babado que dedica golos e prémios ao filho... Estamos todos a ficar velhos!
O relógio pareceu voar neste jogo. Quando dei por mim, já estávamos no intervalo. Na segunda parte, Portugal continuava imparável no ataque. Iniciativas de Nani e Fábio Coentrão podiam ter-nos dilatado o marcador mas estava escrito que aquela seria a noite de Cristiano Ronaldo. A jogada começou, julgo eu, com Nani. Este assiste para Ronaldo, num lance em que a bola faz uma trajetória em curva quase perfeita. O madeirense tem mais do que tempo para ajeitar a bola antes de a enviar para as redes da baliza adversária.
Depois desta, mais uma vez, o tempo voou. Em breve, o árbitro apitaria, marcando o fim do encontro e selando o nosso apuramento para os quartos-de-final do Euro 2012.
- Passámos a fase de grupos? - dissemos eu e a minha irmã, em coro, olhando uma para a outra - PASSÁMOS A FASE DE GRUPOS!! - exclamámos, celebrando com um duplo high-five.
Em Kharkiv e um pouco por todo o Portugal, multiplicavam-se as manifestações de euforia e triunfo. Através das janelas abertas, ouviam-se gritos, buzinas, vuvuzelas e sou capaz de jurar que, na nossa zona, alguém atirou fogo-de-artifício. No Estádio do Metalist, jogadores e selecionador celebravam uns com os outros, o Ronaldo exibia a camisola interior (da Nike, como não podia deixar de ser...) ostentando uma mensagem de amor ao filho, escrita num português mal amanhado, mas com certeza sentida. Miguel Veloso exibia lágrimas nos olhos na flash-interview.
Contudo, as críticas à Seleção continuavam na mente dos jogadores. Foi por isso que fizeram greve às declarações aos jornalistas. Já veio muita gente reclamar, mas eu compreendo a atitude deles. O direito ao silêncio está incluído na liberdade de expressão, duvido que dissessem algo que o Cristiano Ronaldo ou o Miguel Veloso não tivessem dito já, prefiro que a Seleção comunique com os adeptos através de resultados. E que cale os críticos da mesma forma.
Paulo Bento foi, aliás, especialmente duro na Conferência de Imprensa. Hoje, cheguei mesmo a ler que esta é a Seleção "com a pior imprensa de sempre". Eu até compreendo algumas das críticas - já falei disso anteriormente. Sejamos sinceros, o desempenho da Turma das Quinas não tem sido perfeito mas também, tanto quanto sei, nenhuma seleção neste Europeu tem tido um desempenho isento de falhas.
Depois, temos as críticas de certas personagens, que me irritam profundamente. Como as de Rui Santos. Eu odeio aquelas pessoas de carácter desprezível, que insultam os outros só por terem opiniões diferentes das suas. Quero evitar ao máximo ser assim, mas pessoas como este senhor tornam-no difícil. Pelo menos, hoje tenho argumentos para o contradizer a ele e a outros com críticas semelhantes.
Diz-se que nesta Seleção há mais vulgaridade que qualidade? Ora, se existe algo que a campanha da Holanda neste Europeu provou é que uma equipa cheia de talentos individuais não chega para ganhar jogos. Se existe algo que a nossa campanha até agora provou é que o espírito coletivo pode nem sempre dar-nos vitórias mas, sem ele, não estaríamos onde estamos agora.
Diz-se que bem podiam estar lá jogadores que ainda estão no ativo, como Deco, Simão, Paulo Ferreira, Miguel, Bosingwa, Ricardo Carvalho? Ora, foram eles próprios que se excluíram da Seleção, direta ou indiretamente: Deco já o havia anunciado antes do Mundial 2010; Simão, Paulo Ferreira e Miguel debandaram cobardemente aquando do caso Queiroz; Bosingwa e Ricardo Carvalho são a história que se conhece. Aqueles que estão no lugar deles, cuja escolha nem sempre foi consensual - João Pereira, Hélder Postiga, Varela, etc - ajudaram a Seleção a chegar aos quartos.
Houve até quem questionasse a escolha de Paulo Bento para selecionador, uma vez que este só teve meia dúzia de anos como técnico antes da Equipa de Todos Nós, durante os quais apenas conseguiu duas ou três Taças de Portugal. Pois bem, deixem-me recordar que antes deve esteve um senhor, já praticamente um veterano nestas andanças, que apenas conseguiu uma Qualificação resvés Campo de Ourique, após uma série de empates; no Mundial, apenas conseguiu vencer uma equipa claramente mais fraca - a Seleção deste Europeu teria conseguido melhor do que um empate frente à Costa do Marfim e talvez mesmo frente ao Brasil - e, no fim, deixou uma equipa em cacos.
Teve de vir o treinador inexperiente limpar a porcaria deixada por alheios. E fê-lo com uma mestria invejável: com apenas dois ou três treinos, conseguiu que a Seleção goleasse nos dois primeiros jogos ao seu leme. Qualificou-a para o Europeu - pelo caminho, fez uns três ou quatro jogos de grande qualidade - e agora conseguiu garantir-lhe um lugar nos quartos-de-final, após o chamado Grupo da Morte.
É nestas alturas que compreendo Luiz Felipe Scolari. Quem é o burro aqui, afinal?
Ao longo do ano passado, comecei a ter bons pressentimentos. A sentir que aquele sonho antigo, de ver Portugal ganhar um título, podia realizar-se em breve. A cada vitória da Turma das Quinas, a cada boa exibição, eu sentia que o sonho se ia tornando um pouco menos impossível.
Só que, entretanto, começaram a surgir contradições a essa sensação: a derrota frente à Dinamarca, em outubro do ano passado, o grupo difícil para o qual fomos sorteados, os últimos particulares antes do Europeu.
Mas agora Paulo Bento e os Marmanjos devolveram-me esse pressentimento. Muitos diziam que quem sobrevivesse a este Grupo tornar-se-ia sério candidato ao título. Nós sobrevivemos. Batemo-nos como iguais com algumas das melhores seleções do Mundo. Graças a meia dúzia de jogadores de qualidade e a um coletivo ainda melhor.
No entanto, como somos a única Seleção que sempre sobreviveu à fase de grupos dos Europeus, este triunfo oscila entre o grande feito e a obrigação. Não convém, por isso, alinhar em grandes euforias.
Julgo que a República Checa está ao nosso alcance. Já os vencemos em 2008. Além disso, o meu pai e o meu irmão comentaram, no dia em que os checos venceram a Polónia e carimbaram o seu apuramento, que, tirando o Peter Cech, eles não têm grande defesa. E nós temos um bom ataque, por isso...
No entanto, há que recordar que os nossos amigos checos conseguiram chegar aos quartos após uma derrota humilhante aos pés da Rússia, no jogo de estria - demonstrando que têm grande carácter. E ninguém quer repetir a história do Euro 96. Além disso, preocupa-me a mania que os Marmanjos parecem ter, de só darem o seu melhor quando estão em desvantagem - uma atitude perigosa, na minha opinião.
Mesmo assim, acredito neles. Acredito naqueles homens. Que têm dado provas de sobra de que merecem a nossa confiança, a nossa fé, o nosso amor. Acredito que pode ser desta. Só espero que, agora, os Marmanjos não desperdicem esta oportunidade que criaram de se aproximarem de um sonho que nos anda a escapar há demasiado tempo. Cá em Portugal, envergarmos as cores nacionais, torceremos por eles. O resto está nas mãos, ou melhor nos pés, daquela que é a Equipa de Todos Nós.