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O Meu Clube É a Seleção!

Mulher de muitas paixões, a Seleção Nacional é uma delas.

Stress até ao fim

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Na passada quinta-feira, dia 14 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere lituana por seis bolas sem resposta. Três dias mais tarde, deslocou-se ao Luxemburgo onde venceu a sua congénere local por duas bolas também sem resposta. Com estes resultados, a Seleção ficou em segundo lugar no grupo B do Apuramento para o Europeu de 2020, conseguindo a Qualificação direta.

 

No que toca ao jogo com a Lituânia, aconteceu uma coisa engraçada. Quem acompanhe a página de Facebook de apoio a este blogue saberá que costumo deixar uma pequena mensagem de antecipação cerca de meia hora antes do início de cada jogo. Mais tarde ao intervalo – nem sempre – costumo deixar uma mensagem ainda mais curta, fazendo o ponto da situação. 

 

Neste jogo, os Marmanjos fizeram tudo o que lhes “pedi” em ambas as mensagens. Na primeira, referi que esperava que chegassem depressa ao 2-0. Costuma-se pedir para chegar depressa ao 1-0, mas, se formos a ver, no outro jogo com a Lituânia, em casa deles, marcámos cedo mas consentimos o empate. 

 

A Seleção cumpriu. Não vi a primeira parte porque, mais uma vez, saí do trabalho às oito. Soube do primeiro golo por conversão de penálti através do Twitter no meu telemóvel. Quando cheguei ao meu carro e liguei o relato soube que estava a ser um início de jogo avassalador para Portugal, com oportunidades atrás de oportunidades. De Cristiano Ronaldo, Gonçalo Paciência (consta que ele falhou uma de caras), Bernardo Silva, Mário Rui… 

 

Ronaldo acabaria por marcar de novo, assistido por Paciência que recebera a bola de um simpático jogador lituano. Quando mais tarde cheguei a casa e vi a repetição fiquei de queixo caído com aquela bomba. 

 

 

Chegámos, assim, ao 2-0 pouco após os vinte minutos de jogo, tal como eu “pedira”. Podíamos estar já a ganhar por mais nessa altura. O ritmo abrandou durante o resto da segunda parte, mas mantivemos o jogo controlado. 

 

Na mensagem que deixei ao intervalo, quando já estava em casa, desejei que houvessem mais golos na segunda parte – para eu poder ver na televisão e, já agora, para termos uma goleada como já não tínhamos há algum tempo. 

 

A Seleção cumpriu, mais uma vez. Poucos minutos após o início da segunda parte, Bruno Fernandes assiste para Pizzi. Este remata de um ângulo apertado, a bola bate na trave e no poste mas cruza a linha de baliza. Para além de ser bonito ver dois rivais clubísticos colaborando num golo pela Seleção, Pizzi provou que a sua titularidade não foi um erro. Foi uma bela jogada. 

 

Poucos minutos depois, Bernardo Silva rematou de fora da área. O guarda-redes Setkus defendeu para a frente, Gonçalo Paciência aproveitou a ocasião para se estrear a marcar pelas Quinas. 

 

Depois da assistência, foi a vez de o próprio Bernardo assinar um golo: depois de algumas trocas de bola com Ricardo Pereira, rematou sem dificuldade para as redes. Setkus não pôde fazer nada.

 

O marcador foi encerrado pela mesma pessoa que o abriu: Ronaldo. Foi mais uma vez Bernardo a assistir, depois de ter roubado a bola à defesa lituana. Ronaldo até pareceu surpreendido pela bola durante um segundo, mas logo marcou o golo como se nada fosse. 

 

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Bernardo Silva seria substituído pouco depois. Se precisássemos de uma prova da sua importância para a Seleção, os golos pararam e o ritmo abrandou depois da sua saída – ainda que Portugal tenha continuado por cima. Bernardo esteve em todo o lado neste jogo, como Deus, contribuiu para pelo menos metade dos golos. Já não é a primeira vez que o digo e duvido que seja a última: o miúdo é já o número dois da Seleção, o Príncipe das Quinas, como disseram no Record, tão insubstituível como Ronaldo ou Rui Patrício. Todos os elogios são insuficientes.

 

Por sua vez, Cristiano Ronaldo aguentou-se em campo até aos oitenta e três minutos. Segundo os comentadores, de tanto em tanto tempo durante a segunda parte, Fernando Santos perguntava-lhe se ele estava bem, se queria continuar a jogar. Comunicação: um ingrediente essencial a uma relação saudável. Ronaldo ia fazendo questão de jogar, mas lá aceitou sair uns minutos antes do fim, para a ovação. 

 

Dias mais tarde, já concluída a dupla jornada, Ronaldo admitiria que se sacrificara, que alinhara nestes jogos da Seleção, bem como nos anteriores pela Juventus, fisicamente condicionado. Não posso deixar de comentar que, jogando condicionado, marca quatro golos em dois jogos, algo que muitos jogadores não conseguem nem nos seus picos de forma. Em todo o caso, como era mais ou meos de esperar, estas simples declarações incendiaram a imprensa nos dias que se seguiram, sobretudo em Itália.

 

Eu não percebo nada de medicina desportiva, não sou a melhor pessoa para avaliar esta situação (nem esta nem de praticamente nada sobre o que escrevo aqui mas, se me ralasse com isso, não haveria blogue). Mas confesso que estas situações me irritam. O mundo futebolístico gira à volta de Cristiano Ronaldo: a Seleção e Federação Portuguesa de Futebol por arrasto, a Juventus, imprensa desportiva… Eu sei que ele é o Melhor do Mundo e que lhe saiu praticamente tudo do seu próprio suor mas, por favor… Menos!

 

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É por estas e por outras que, às vezes, quase desejo que Ronaldo saia da Seleção. Só mesmo para não termos de lidar com estes joguinhos todos, que roubam tempo de antena a conferências de imprensa em que são outros jogadores a responder às perguntas. Ronaldo faz muito por nós, dá-nos muito jeito, sou a primeira a admiti-lo, mas esse contributo sai caro. 

 

Mas regressemos ao jogo com a Lituânia. Muitos defendem que este terá sido o melhor jogo de Portugal neste Apuramento, se não tiver sido o melhor dos últimos anos. Melhor dos últimos anos será exagero – a meu ver, o nosso melhor jogo dos últimos anos foi a final da Liga das Nações, frente à Holanda. Mesmo dizer que foi o melhor do Apuramento é questionável: quanto mérito se pode atribuir à equipa vencedora quando a equipa derrotada praticamente não existiu no jogo?

 

Não quero com isto dizer que Portugal não teve mérito, pelo contrário. Há muito que não se via a Seleção a atacar “sem medo”, como diziam no jornal Record. Fez-se tudo como deve ser. Os Marmanjos fizeram aquilo que eu lhes “pedi”, como referi acima, e, mais importante, segundo Pizzi depois do jogo, fizeram aquilo que Fernando Santos lhes indicou. “Não passámos por calafrios. Trabalhámos na segunda bola, para não deixar o contra-ataque. Foi assim que o mister pediu.”

 

Falando individualmente, já referimos Cristiano Ronaldo e Bernardo Silva, mas também destaco Pizzi, Bruno Fernandes, Gonçalo Paciência, Mário Rui. Ricardo Pereira em particular surpreendeu-me pela positiva – porque é que Fernando Santos não o pôs a jogar mais vezes antes?

 

Fico com esperança de que seja possível fazer exibições como esta no futuro. De preferência no Europeu. 

 

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Foi um bom jogo, mas não foi o suficiente para garantir a Qualificação. Isso só aconteceu no domingo, frente ao Luxemburgo. 

 

Nesse dia fui almoçar fora com familiares – fizemos reserva para a mesma hora do jogo. Chegámos um bocadinho depois da hora: acompanhámos os hinos e os primeiros minutos do jogo através da rádio. Ouvimos A Portuguesa cantada por uma senhora luxemburguesa que, para ser justa, tinha boa voz, mas não conseguiu disfarçar o sotaque e, nalguns momentos, enganou-se no ritmo. Eu tive de me esforçar para não rir – não sei se existe alguma regra oficial, mas não me parece que seja boa educação rir durante o hino nacional… 

 

Havia televisão no restaurante, mas os empregados não a ligaram. Disseram que estava avariada – embora se tenha consertado por magia no início da segunda parte. Não se pode levar a mal – quando lá chegámos, estavam com muito movimento. Não queriam o jogo da Seleção tentando os clientes a prolongarem o almoço, quando estavam pessoas à espera de mesa. Felizmente, tínhamos o RTP Play.

 

Ainda assim, não prestei muita muita atenção ao jogo, com o almoço e o convívio. Não perdi muito – com o péssimo estado do terreno (fazendo lembrar a primeira mão dos play-offs frente à Bósnia-Herzegovina em 2011) e a garra dos luxemburgueses, superior à sua posição no ranking da FIFA. Portugal estava a fazer uma exibição sofrível, desinspirada. Mesmo não prestando atenção, não deixei de me sentir nervosa – sobretudo quando a minha irmã dizia que a Sérvia estava a ganhar à Ucrânia. 

 

Quando temos estas jornadas finais, com jogos à mesma hora para evitar combinações de resultados, gosto de imaginar as quatro equipas no mesmo campo, jogando umas contra as outras. Na prática é mais ou menos isso que acontece. 

 

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Ao mesmo tempo, por princípio, não gosto de estar a ver o nosso jogo com ouvidos noutro – pelo menos não quando dependemos de nós mesmos. Independentemente das circunstâncias, uma equipa deve sempre lutar pela vitória. Sim, se a Sérvia estivesse empatada naquele momento, ou a perder, eu estaria menos nervosa. Mas, mesmo conseguindo a Qualificação por combinação de resultados, seria sempre indigno não ganharmos frente ao Luxemburgo, não desfazendo.

 

Não que tenha acabado por ser muito melhor, diga-se. 

 

Foi um alívio quando Portugal chegou finalmente à vantagem. Esta foi uma das ocasiões em que não estava a preparar atenção ao jogo – só me apercebi quando a minha irmã exclamou, discretamente, "Golo!". 

 

Quando olhei para o telemóvel, já só vi os festejos em direto, com Bruno Fernandes no centro, que se estreava a marcar pela Seleção. De seguida passaram as repetições do golo. Na primeira, passaram a assistência para Bruno desde o meio campo – perfeita, soberba, teleguiada como se diz hoje em dia – mas não consegui identificar o autor. Disse mesmo:

 

– Quem é que fez aquele passe? Espetacular! Foi o… Ah! Foi o Bernardo Silva! Tinha de ser ele. 

 

 

Estão a ver o que eu digo sobre todos os elogios serem insuficientes? 

 

Como disse acima, no restaurante ligaram a televisão para a segunda parte. A partir daqui, a Seleção procurou segurar o resultado. Ia funcionando, mais ou menos. Eu, mesmo assim, continuava uma pilha de nervos – sobretudo porque a exibição estava longe de convencer. 

 

Tem de ser sempre assim, não tem? Por mais voltas que se dê, todas as Qualificações começam da mesma maneira – com um ou mais tropeções – e terminam da mesma maneira – com incerteza e muito stress até ao fim. Cada Apuramento tira-me uns três a cinco anos de vida. Já vou em seis só com este blogue, façam as contas. 

 

Para ser justa, sim, é sempre difícil, é sempre atribulado, mas termina sempre da mesma maneira: Apurados. Tem sido assim há duas décadas. A minha irmã fez vinte e dois anos no outro dia e nunca viu a Turma das Quinas falhar uma Qualificação. 

 

É possível que eu já tenha escrito isto aqui no blogue. Não importa – só reforça aquilo que digo. Daqui a dois anos quero poder dizer que a minha irmã tem vinte e quatro anos e continua sem ver a Seleção falhar um Apuramento.

 

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Mas estou a adiantar-me. Felizmente tivemos direito a uns minutos de alívio antes do apito final. Bernardo Silva, claro, centrou para Diogo Jota, que estava muito perto da baliza. O miúdo fez um remate acrobático atrapalhado, o guarda-redes ainda tocou na bola mas não conseguiu travá-la. Em cima da linha de baliza, Cristiano Ronaldo foi lá certificar-se de que a bola entraria mesmo – e para garantir que seria ele o autor do golo.

 

Não podias ter deixado esta para o puto, Cristiano? Se fosse ao contrário, não terias achado piada nenhuma. Ao menos Ronaldo foi logo abraçar Jota e talvez este não tenha levado a mal. Não lhe faltarão oportunidades para marcar pelas Quinas. Ronaldo, por sua vez, não terá muitos mais anos de carreira, mas tem um recorde para bater antes de pendurar as chuteiras.

 

Então lá nos Qualificámos em segundo lugar, evitando os play-offs. Tal como desejava, vamos começar 2020 sabendo que estamos no Europeu. Esteve longe de ser um Apuramento brilhante – na verdade, foi o pior de Fernando Santos, não só como treinador de Portugal, mas também como treinador da Grécia.

 

Não sei se deva estar preocupada, se será um indício trágico para o Euro 2020 – foi-o para o Mundial 2014 e mesmo o de 2010, de certa forma. Será que os problemas que surgiram durante este Apuramento tornarão a manifestar-se no Europeu? Um Europeu em que, recordemos, seremos os detentores do título.

 

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Como já tinha referido no mês passado, as consequências desta Qualificação refletir-se-ão no sorteio para a fase de grupos do Euro 2020. Corrijam-me se estiver enganada, mas penso que é a primeira vez que a constituição dos potes é determinada pelo desempenho no Apuramento e não pelo ranking da FIFA. Eu concordo, acho mais justo – como me queixo praticamente todos os meses na página de Facebook deste blogue, não dou muita credibilidade a essa classificação. 

 

Eu sei que isso significa pior sorte para nós, Seleção Portuguesa, mas sejamos sinceros: só nos podemos culpar a nós. Como sempre. A menos que Deus Nosso Senhor seja extremamente generoso connosco (não seria a primeira vez, por acaso), devemos apanhar pelo menos um tubarão no nosso grupo. É certo que, como estamos todos fartos de saber, por tradição damo-nos melhor em grupos difíceis… Mas existem sempre exceções. 

 

Não quero especular muito sobre este sorteio. Como costumo dizer, está nas mãos da Sorte, do destino, de Deus ou de qualquer entidade sobrenatural à vossa escolha. Não podemos fazer nada senão esperar – é já este sábado!

 

Estou um bocadinho triste por não voltarmos a ter jogos da Seleção até março, mas com isto tudo o blogue não ficará inativo durante muito tempo. Como habitual, farei uma pequena análise ao resultado do nosso sorteio. Depois dessa, teremos o balanço de 2019, a publicar no fim do ano – ou, mais provável, um pouco depois. Para além destas, vou querer escrever ainda um terceiro texto, uma coisa diferente do habitual. Não vou dizer muito para não estragar a surpresa, mas espero publicá-lo antes dos particulares de março. 

 

Em jeito de despedida, de “até breve!”, não resisto a deixar aqui o anúncio da hilariante campanha de Natal da loja online da FPF (adoro o que o marketing da Federação tem feito nestes últimos anos).

 


Tenho de aprender a fazer tricot.

Novidades

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Na próxima quarta-feira, dia 14 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol receberá a sua congénere lituana no Estádio do Algarve. Três dias depois, será recebida na cidade do Luxemburgo, onde defrontará a seleção local. Estes jogos serão os últimos da fase de Apuramento para o Europeu de 2020.

 

As novidades na Convocatória para esta dupla jornada estão todas à frente (isto é, por enquanto. Pepe lesionou-se outra vez, deverá falhar estes jogos mas, até ao momento desta publicação, ainda nada foi confirmado oficialmente). Depois de ter fugido à questão antes, depois de ter afirmado que, hoje em dia, já não existem “noves puros” como antigamente, Fernando Santos Convocou nada menos que três pontas-de-lança. Um deles Gonçalo Paciência, que, segundo muitos, já merecia uma Chamada há algum tempo, mas também Eder e André Silva.

 

Isto dever-se-á em parte às lesões de João Félix e Gonçalo Guedes. No caso do primeiro é uma pena. Ainda não vai ser desta que o puto se estreará a marcar com a Camisola das Quinas, correspondendo ao hype todo. Ao menos seremos poupados aos comentadores da RTP pronunciando o seu apelido como “Félich” nestes dois jogos. 

 

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Por outro lado, perante equipas de posição baixa no ranking, que procuram fechar-se muito à defesa e adiar ao máximo o primeiro golo, faz sentido que Fernando Santos traga homens cuja principal função seja ampliar marcadores. Talvez para tentar obter goleadas, como as habituais há quinze, vinte anos perante seleções deste calibre. 

 

Estas parecem ser boas Escolhas para esse papel, talvez as melhores neste momento. Gonçalo Paciência, que regressa à Seleção dois anos depois da última vez, já conta nove golos em vinte e dois jogos. Conforme dissemos acima, já não era sem tempo.

 

Por sua vez, Eder tem passado por uma boa fase no Lokomotiv de Moskovo: conta cinco golos em catorze jogos. O Marmanjo pode nunca vir a ser o Melhor do Mundo, mas terá sempre o estatuto lendário de quem marcou o golo da vitória quando ganhámos o nosso primeiro título. Sabe sempre bem quando ele é Convocado para as Quinas. Na minha opinião, devia vir sempre que possível – isto é, desde que o seu desempenho no clube o justifique, claro. Até porque, como li no outro dia no Record, o seu misticismo pode funcionar como inspiração para os outros jogadores. 

 

Por sua vez, André Silva conta três golos em oito jogos. Mesmo as outras novidades nos avançados – Diogo Jota, Bruma, Daniel Podence – têm alguns golos marcados esta época. E, claro, temos Cristiano Ronaldo.

 

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Regressando a questão dos pontas-de-lança, Fernando Santos procurou emendar a mão de há uns meses atrás. Disse que foi mal interpretado ao dizem que, no futebol moderno, já não existem pontas-de-lança. Aparentemente tinha a ver com “um jogador fixo, que se situa apenas na área”, alegadamente chamados na gíria “pontas-de-mama” (...OK). 

 

Para ser sincera, é-me indiferente. Os jogadores estão Convocados e bem Convocados. Com o devido respeito, não me interessam as desculpas que Fernando Santos inventa para manter o seu orgulho. Da minha experiência e falando de uma maneira geral, claro, antes um Selecionador incoerente mas que toma as do que um Selecionador que não Convoca os melhores por teimosia.

 

Uma tendência em que tenho vindo a reparar este ano é que, nestas crónicas pré-jogos, dedico alguns parágrafos às novidades nas Convocatórias mas depois, em pelo menos metade dos casos, essas novidades não chegam a entrar em campo ou, quando entram, pouco contribuem para a história das partidas. É um bocadinho frustrante, mas gosto de pensar que não é uma completa perda de tempo. Saber mais sobre os nossos Marmanjos não ocupa espaço. 

 

Ao menos desta vez, nesta dupla jornada, não existem estreias absolutas. Já escrevi sobre todos eles aqui no blogue, alguns há pouco tempo, alguns mais do que outros, claro. E como duas das opções habituais ficaram de fora – Guedes e Félix – é possível que pelo menos algumas destas novidades ganhem tempo de jogo, talvez mesmo titularidade. Pode ser que seja desta que conseguirei escrever sobre os primeiros capítulos da história destes Marmanjos na Equipa de Todos Nós. 

 

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Estamos, então, na reta final do Apuramento para o Europeu do próximo ano. Depois do tropeção em Kiev, na dupla jornada passada, estamos obrigados a ganhar estes dois últimos jogos. Já escrevi – ou melhor, reclamei – extensamente sobre esse facto no texto anterior, não me vou repetir. Na Conferência de Imprensa, Fernando Santos afirmou que só pensa em ganhar estes dois jogos. 

 

Em relação ao facto de termos perdido um lugar no pote 1, o Selecionador não se mostrou demasiado preocupado. “Eu gosto de jogar com adversários fortes. Acho que é melhor para nós.” Eu própria já disse o mesmo várias vezes, mas não seria mais sensato para Fernando Santos não se fiar? Por outro lado, talvez ele estivesse a deitar água na fervura, a desdramatizar a situação.

 

Em todo o caso, não nos faltará tempo para falarmos sobre o nosso grupo no Europeu. Temos de garantir a Qualificação primeiro. Não tenho dúvidas absolutamente nenhumas de que conseguiremos fazê-lo, e já nesta dupla jornada. Não concebo outra hipótese. Como já disse antes, já conseguimos antes em circunstâncias piores, vamos consegui-lo outra vez.

 

O jogo com a Lituânia será, então, na quinta-feira, às 19h45 da praxe. Mais uma vez, nesse dia só saio do trabalho às oito da noite. Enfim. Por outro lado, o jogo com o Luxemburgo será ao domingo, o que é raro, às duas da tarde, ainda mais raro. Os meus planos para esse fim-de-semana estão ainda muito incertos, não sei se conseguirei ver o jogo, ou pelo menos o jogo todo, mas vou fazer um esforço, dentro do possível. 

 

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E é isto que tinha a dizer. Esta foi uma crónica um bocadinho mais curta do que o habitual. Nesta altura do campeonato não há muito a dizer. Eu, no entanto, queria muito escrever este texto, depois de não ter conseguido escrever antes dos jogos do mês passado. E também tendo em consideração que vamos passar algum tempo sem jogos das Quinas. 


Vou fazer, então, por desfrutar desta dupla jornada – a última ocasião em que os Marmanjos estarão reunidos este ano. Desfrutem comigo na página do Facebook. Que selemos esta Qualificação de uma vez por todas, que eu quero começar a fazer planos para o Europeu.

Preocupações

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Na passada sexta-feira, dia 11 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere luxemburguesa por três bolas sem resposta. Três dias depois, foi a Kiev... onde perdeu por duas bolas contra uma. Ambos os jogos contaram para a Qualificação para o Euro 2020.

 

Esta dupla jornada foi mais um exemplo do meu mau timing com a Seleção porque estes jogos apanharam-me numa altura difícil do meu trabalho – como tinha avisado que aconteceria no texto anterior. Não só não tive tempo para escrever a crónica pré-jornada, como saí às oito da noite do trabalho em ambos os dias de jogo. Mesmo fora isso, nas atualizações à página fiquei aquém do habitual.

 

Acontece. Na próxima jornada hei de ter mais tempo. E, sinceramente, em certos momentos foi uma bênção.

 

Também fiquei com pena de não ter podido ir ao jogo com o Luxemburgo, em Alvalade. Foi o primeiro jogo da Seleção naquele Estádio em mais de quatro anos – e o primeiro oficial em exatamente seis anos. A minha irmãzinha sportinguista em particular ansiava por ver jogadores como Rui Patrício, João Mário, mesmo Cristiano Ronaldo de novo em Alvalade.

 

Ainda assim, estou a escrever isto, a deixar os links para crónicas antigas e não consigo deixar de reparar que estou a queixar-me de barriga cheia. Afinal, estive lá nos dois jogos anteriores ao de sexta-feira em Alvalade. Além disso, nos últimos anos praticamente não tenho perdido um único jogo da Seleção na minha vizinhança (tenho a sorte de viver mais ou menos a meio caminho entre a Luz e Alvalade) e ainda fui à final da Liga das Nações.

 

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Por isso, sim, chega de queixas.

 

Foi bonito, por outro lado, terem feito uma homenagem a Aurélio Pereira, por todos os talentos que descobriu e que se tornaram figuras marcantes da Equipa de Todos Nós. Cristiano Ronaldo fez mesmo questão de lhe dar um abraço – ele pode ter muitos defeitos, mas ingratidão ou esquecer-se das pessoas que o ajudaram antes da fama não estão na lista. Gostava de ter visto esse momento (terá passado na televisão?). 

 

Eu ainda estava no trabalho quando o jogo começou, logo, não deu para acompanhar muito de perto. Consta que a Seleção entrou bem no jogo, com várias oportunidades. Duas de Ronaldo, duas de João Félix – este foi mais um jogo em que o miúdo fez de tudo para marcar e não conseguiu. Mais sobre isso adiante.

 

O golo veio aos dezasseis minutos. Eu estava a sair do trabalho e a ir para o meu carro quando ouvi pessoas celebrando num café nas proximidades – o que não é muito habitual num simples jogo de Qualificação. Gostei.

 

A jogada do golo começou com um passe de Bruno Fernandes para Nélson Semedo, que depois arrancou quase até à linha de fundo. Aí, o guarda-redes luxemburguês saiu da baliza para defender, a bola foi parar aos pés de Bernardo Silva, que rematou para as redes.

 

 

Uma das coisas que mais me irrita no hype em torno de João Félix é o facto de fazer com que Bernardo Silva seja ignorado pela imprensa. Fala-se na Seleção de Ronaldo e Félix, quando Bernardo tem feito muito mais – na minha opinião, já conquistou há muito o estatuto de número dois da Turma das Quinas. É certo que não é por falta de esforço da parte de Félix. E há que ter em conta que Bernardo é mais velho, mais experiente e está há mais tempo na Seleção. Mas mesmo no que toca a desempenhos nos clubes, muitas vezes os feitos de Bernardo Silva são menos noticiados que os de João Félix.

 

Na verdade, Bernardo Silva teve bastante cobertura noticiosa ultimamente por motivos menos desejáveis.

 

Em todo o caso, estou cá eu para notar. E para dar graças por termos um talento como o Bernardo vestindo as nossas cores. Sempre será qualquer coisa.

 

Dizem que, depois deste primeiro golo, a Seleção abrandou. Felizmente, esse período coincidiu com a minha viagem de regresso a casa. É claro que eu ia acompanhando via rádio, mas não era a mesma coisa.

 

Não que não seja divertido, atenção. Estava a ouvir a Antena1 e a certa altura falaram dos irmãos Thill – Vincent Thill e Olivier Thill – do Luxemburgo, pronunciando o apelido como “til”. David Carvalho disse, então, que eles tinham um primo, também no futebol, o… Circunflexo.

 

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Eu sei, uma piada um bocadinho seca, mas a maneira como ele a disse caiu-me no golo. A mim e aos colegas comentadores – Alexandre Afonso e José Nunes, se não me engano.

 

As coisas só aqueceram a sério na segunda parte – eu já estava em casa. Os remates multiplicavam-se: dois de Bruno Fernandes, uma tentativa de pontapé de bicicleta de Ronaldo. 

 

Este teria a oportunidade de brilhar a sério cerca de dez, quinze minutos mais tarde. O Capitão fez tudo sozinho: aproveitou-se de um erro de um defesa do Luxemburgo, roubou-lhe a bola, viu-se cara a cara com o guarda-redes. Por fim, com a maior das calmas, fez um chapéu perfeito por cima do pobre guardião. A bola só parou nas redes.

 

Que classe!

 

Depois desta, o jogo tornou a abrandar. A minha irmã queria por força que Ronaldo marcasse o seu 700º golo (ou golo número setecentos) no Estádio de Alvalade. Agora, em retrospetiva, concordo com ela. Mas não nos adiantemos.

 

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A certa altura, Gonçalo Guedes começou a aquecer. Cá em casa, eu disse algo tipo:

 

– O Féli vai sair, o Guedes vai entrar para o lugar dele e vai marcar.

 

Não chegou a ser uma substituição direta, Guedes e Félix chegaram a estar juntos em campo durante alguns minutos. De resto, acertei na minha previsão: perto do final do jogo, na sequência de um canto, a bola sobrou para Guedes e este não perdoou.

 

Onde andam estes meus dotes de futurologia quando jogo no Euromilhões?

 

Já falei amplamente sobre João Félix e Gonçalo Guedes na Seleção no texto anterior, não me vou repetir. Dizer apenas que ainda não foi desta que Félix correspondeu ao hype na Equipa de Todos Nós. A ver o que acontece na próxima dupla jornada…

 

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O marcador ficou, assim, em 3-0 para Portugal. Podia ter sido mais, mas chegou para os três pontos. Cumpriu-se a obrigação.

 

O que não aconteceria no jogo seguinte.

 

Mais uma vez, só saí do trabalho depois das oito da noite. Desta feita até foi uma bênção, pois fui poupada aos piores momentos do jogo – à semelhança do que aconteceu no particular com a Holanda. Quando ainda estava na farmácia, dei uma espreitadela rápida ao Twitter e soube que a Ucrânia tinha marcado. Mais tarde, quando cheguei ao meu carro e liguei o relato da Antena1, tinham acabado de marcar o segundo.

 

Isto não estava a acontecer…

 

O primeiro golo foi sofrido logo aos seis minutos, na sequência de um canto. Consta que nem sequer foi o primeiro lance com desconcentração da parte dos portugas, foi apenas o primeiro em que a bola entrou. E de facto praticamente ninguém na defesa de Portugal se mexe durante o lance, tirando Rui Patrício. Este ainda defende a primeira tentativa, mas nada pôde fazer quando Yaremchuk foi à recarga – perante a passividade de Pepe e Danilo. 

 

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No segundo golo, a defesa portuguesa voltou a dormir na forma. Desta feita, foi Raphael Guerreiro a deixar Yarmolenko completamente desmarcado, sozinho na cara de Patrício, que voltou a não ter maneira de impedir o golo.

 

Fernando Santos lá emendou a estratégia pouco depois, trocou peças ao intervalo. Portugal no entanto jogou sempre mais com o coração – ou melhor, com as tripas fazendo de coração – enquanto os ucranianos mantiveram sempre a cabeça fria. 

 

E como é o costume quando jogos da Seleção correm mal, a coisa ganhou contornos caricatos: um festival de oportunidades perdidas, o guarda-redes adversário, Pyatov, fazendo o jogo da vida dele. A certa altura, Bernardo Silva tentou o remate e este foi embater na perna de João Félix (se isto não é uma metáfora perfeita para o tratamento mediático dos dois cá em Portugal…). Por fim, já em cima do final do jogo, Danilo atirou ao poste. 

 

A certa altura, a sorte até nos deu uma mãozinha, com a falta de Stepanenko, que levou à sua expulsão e a um penálti a nosso favor. Ronaldo converteu e não falhou. 

 

Este é que foi o seu 700º golo, algo que as redes sociais da Federação, da Liga Portuguesa fizeram questão de assinalar entusiasmadamente – para irritação de muitos de nós. Eu tenho de concordar que aquelas celebrações caíram mal, dadas as circunstâncias: foi um mísero golo de penálti, não serviu para nada num jogo que acabámos por perder, o próprio Ronaldo teve uma reação bem mais contida. 

 

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Não digo que não se podia assinalar o recorde. Mas podiam tê-lo feito de forma bem mais sóbria. Fica claro que estas entidades se aproveitam dos feitos de Ronaldo para se auto-promoverem. Não é novidade: a Federação fá-lo há anos.

 

Tal como disse acima, teria sido melhor em todos os aspetos se Ronaldo tivesse marcado este golo no jogo com o Luxemburgo.

 

Mas estamos a adiantar-nos um pouco. Depois do penálti convertido e em superioridade numérica, a Seleção pareceu finalmente acordar para a vida, tentando chegar ao empate. Aqui entre nós, quase fico aliviada por não termos conseguido. Teria sido patético conseguirmos pontuar perante uma equipa que fora superior a nós em quase todos os aspetos – apenas por causa de uma expulsão e um golo de penálti.

 

De qualquer forma, a injeção de cafeína depois do golo não fez efeito durante muito tempo. O jogo terminou sem que conseguíssemos chegar ao empate. Com este resultado, a Ucrânia garantiu a Qualificação – e celebrou-o efusivamente, como bem mereciam. Consta que era Dia da Defesa da Ucrânia nessa segunda-feira – como se dirá “É feriado hoje, cara***!” em ucraniano?

 

Esta foi a primeira derrota em jogos oficiais desde o Mundial 2018 – e apenas a terceira em jogos oficiais na era de Fernando Santos. Se as circunstâncias fossem diferentes, não faria grande drama da situação, nem sempre é possível ganhar todos os jogos… se não tivéssemos perdido quatro pontos em casa, na primeira dupla jornada desta Qualificação. Depois de os dois Apuramentos anteriores terem corrido de forma mais ou menos tranquila, tirando os primeiros jogos, devemos estar preocupados?

 

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No que toca a este jogo, Fernando Santos assumiu a responsabilidade, admitiu que a sua estratégia inicial não foi a correta. Pelo que tenho lido e ouvido, todos concordam. Voltam questões que já levantei em textos anteriores: se o Selecionador é demasiado conservador, se dependemos demasiado de Ronaldo, se Fernando Santos é o melhor homem para o lugar.

 

É uma questão complicada, para ser sincera. É possível que outros treinadores fizessem melhor com esta base de recrutamento… mas, antes de Fernando Santos, ninguém fez melhor, nem mesmo com bases de recrutamento de qualidade semelhante. 

 

E quando as coisas correm bem, correm mesmo bem. Vejam-se os dois títulos que Fernando Santos ajudou a conquistar. Veja-se a final da Liga das Nações, há pouco mais de quatro meses, um dos nossos melhores jogos em anos! 

 

Mas porque estamos a falhar agora? O que se está a passar nesta Qualificação? 

 

É por estas e por outras que hesito em considerar Portugal uma das melhores Seleções do Mundo. Só da Europa e, mesmo assim, mais ou menos, é mais por causa dos nossos títulos. Somos demasiado instáveis, demasiado imaturos de certa forma. Falta-nos a consistência, o instinto implacável dos grandes tubarões. 

 

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No que toca a este Apuramento, a situação está longe de ser dramática. Continuamos a depender de nós mesmos. Temos de ganhar os dois últimos jogos, no próximo mês, para nos Qualificarmos em segundo lugar. Como os adversários serão o Luxemburgo e a Lituânia, em princípio, não teremos problemas. Já saímos de situações bem piores. 

 

Na verdade, as consequências desta derrota serão mais graves a médio prazo. Por falharmos a Qualificação em primeiro, perdemos o lugar no pote 1 do sorteio da fase de grupos do Euro 2020 – correndo o risco de apanharmos um tubarão. 

 

Se isso é uma coisa má ou boa é discutível – com a nossa mania de complicar o que é simples, de nos superarmos perante dificuldades (às vezes). É também uma questão de orgulho, pelo menos no que toca a mim. Onde é que já se viu o detentor do título, bem como da Liga das Nações, fora dos cabeças-de-série? 

 

Em todo o caso, o facto de termos de viver com as consequências desta derrota durante algum tempo poderá ter uma vantagem: aprendermos com os erros. Isto é, espero eu…

 

A meu ver, a melhor atitude neste momento será encarar um desafio de cada vez. Para já, a prioridade será ganharmos os jogos de novembro e garantirmos a Qualificação direta. Se não conseguirmos (três vezes na madeira), ainda teremos os play-offs, mas, tal como referi antes, prefiro que a questão do Apuramento fique resolvida este ano. Quando estivermos Qualificados (não duvido que vamos conseguir; conseguimos de todas as vezes nos últimos vinte anos, algumas das vezes em circunstâncias bem piores, porque falharíamos agora?), logo nos preocuparemos com o sorteio. 

 

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Na melhor das hipóteses, esta derrota será apenas um acidente de percurso. Fernando Santos e restante equipa técnica tomarão medidas para que, dentro do possível, não se repita. Na prática, não há garantias de nada. Só o tempo dirá como lidaremos com as consequências do que aconteceu. 

 

Para já, é aproveitar estas semanas para ultrapassar esta desilusão e ganhar forças para a reta final. Isto tudo faz parte. Resta-nos esperar que, depois desta, não voltemos a escorregar de novo tão cedo. 

Um problema de timing

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No próximo sábado, dia 14 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol deslocar-se-à a a Krasnodar, na Rússia, para defrontar a congénere local. Três dias mais tarde, deslocar-se-à ao Luxemburgo com o mesmo fim. Ambos os jogos serão de carácter particular, com vista à preparação do Campeonato Europeu da modalidade, que se realizará em França, no próximo verão. 

 

Fernando Santos divulgou a Lista de Convocados para esta dupla jornada na passada sexta-feira. Conforme seria mais ou menos de esperar, esta foi uma Convocatória com muitas novidades, tanto por ausências como por estreias ou "regressos".

 

O Selecionador não gosta da palavra "regressos". Segundo ele, dá a entender, erradamente, que os Marmanjos em questão deixaram de fazer parte do grupo. Aparentemente, para Fernando Santos, a Seleção é um pouco como a máfia: assim que se entra, nunca mais se sai verdadeiramente. Tudo o que o Selecionador faz é gerir esse grupo alargado. 

 

Gosto desse espírito.

 

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Fechemos esse aparte. Por serem apenas jogos particulares, muitos nomes habituais ficaram de fora. Destaca-se Cristiano Ronaldo, naturalmente, mas também Ricardo Carvalho, Ricardo Quaresma, Éder, Danny e Tiago falharão estes jogos. Não vou mentir, da primeira vez que se falou da possibilidade de Ronaldo ser dispensado destes jogos, há algumas semanas, a minha reação imediata foi de desagrado. Cheirou-me a vedetismo. Mas pensei melhor no assunto, lembrei-me que terá sido aquando dos playoffs de há dois anos que Ronaldo contraiu aquela três vezes maldita tendinose rotuliana. Que, no Mundial 2014, toda a gente se lesionou. Por isso, não me queixei mais. Fico feliz, até, que tenham sido vários a ficar de fora, para que não acusem a Federação de tratamento preferencial a Ronaldo - e adorei a resposta de Fernando Santos a essa mesma insinuação. Oxalá que tudo isto permita aos Marmanjos chegarem ao Europeu mais ou menos em forma - até porque o Selecionador continua a dizer que quer ganhá-lo.

 

A outra grande vantagem da ausência dos cotas (meu Deus, quando é que o Ronaldo e o Quaresma começaram a ser considerados cotas?) é podermos apostar em jovens, como André Gomes, Bernardo Silva, João Mário, Nélson Oliveira (regressado que não representava a Seleção há muito tempo), Raphael Guerreiro e os estreantes Gonçalo Guedes, Lucas João e Ricardo Pereira. Toda a gente conhece Gonçalo Guedes (ainda que eu ainda não consiga ouvir o nome dele sem pensar nisto), o miúdo de dezoito anos (quando é que jogadores de futebol profissional começaram a ter a idade da minha irmã mais nova?) que tem-se fartado de dar cartas pelo Benfica esta época. Ainda hoje marcou um golo e foi considerado Homem do Jogo com o Boavista. Não sei muito sobre os outros dois caloiros, mas estou ansiosa por descobrir, sobretudo na forma de boas exibições nestes particulares. Quem sabe se algum destes miúdos, que agora se deverão estrear com a Camisola das Quinas, se revelará um dos heróis do Euro 2016.

 

Sobre os adversários destes particulares não há muito a dizer. Estiveram no nosso grupo de Qualificação para o Mundial 2014, logo, estamos mais ou menos familiarizados com eles. Acho que nunca ganhámos fora à Rússia. Da última vez que jogámos por lá, perdemos. Por seu lado, apesar de termos ganho ao Luxemburgo da última vez que jogámos em casa deles, ainda nos vimos um bocado aflitos, por incrível que pareça.

 

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De qualquer modo, uma vez que estes jogos são apenas amigáveis, ainda por cima já integrados na preparação do Europeu, o resultado não é o mais importante. Mesmo assim, espero que os jovens, sobretudo os estreantes, agarrem a oportunidade para provarem o seu valor. Quero ver se esta nova geração de jogadores é mesmo essa Coca-Cola toda.

 

Para mim vai ser complicado acompanhar estes jogos. Vou de viagem aos Estados Unidos durante uma semana, apanhando estes dois jogos particulares. Isto por si só não seria grande problema - não devo ter grandes dificuldades em arranjar wi-fi e, na pior das hipóteses, dou uma de Inácio. Posso, também, procurar um sports bar - ou melhor, até poderia, se o jogo com a Rússia não fosse às cinco da tarde locais, o que, no sítio onde estarei, corresponde às... seis da manhã. O único jogo fora das 19h45 da praxe (bem, um dos poucos...) calha precisamente quando menos me dá jeito.

 

Porquê, FPF, porquê?!? Porque me fazem isto?!? Será que vocês, quando vão marcar jogos, perguntam-se sempre "Senhores, como poderemos fazer com que a Sofia tenha ainda mais dificuldades em acompanhar os jogos da Seleção?".

 

Isto, no fundo, é a minha versão de #FirstWorldProblems. Eu já perdi jogos oficiais da Seleção e não morri por isso. Estes são apenas particulares (mais do que nunca, grata por nos termos livrado dos playoffs!). Nem sequer acho que vá perder muito se, eventualmente, não conseguir ver estes jogos, sobretudo o de Luxemburgo (se este fosse às seis da manhã, ficava a dormir sem problemas). O que me chateia é que, mais uma vez, depois desta dupla jornada vamos estar quatro meses sem Seleção - quatro meses esses que incluem inúmeras datas muito mais convenientes para mim.

 

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Este é apenas um exemplo do crónico problema de timing que a Seleção e eu temos. Outro exemplo é o facto de os campeonatos de seleções coincidirem sempre com épocas de exames. 

 

Hei de me desenrascar. Tal como disse antes, ninguém morrerá se não conseguir ver estes particulares. Em todo o caso, precisamente por causa desta viagem, devo voltar a condensar as análises dos dois jogos numa única crónica - e esta poderá vir atrasada. Além disso, as publicações na página do Facebook durante esses dias andaram um bocadinho desfasadas.

 

De qualquer forma, Fernando Santos disse que, para a Seleção, o Euro 2016 começou na sexta-feira passada, aquando da Divulgação desta última Lista. Não concordo - para mim, os campeonatos de seleções começam com a Convocatória Final - mas estamos sem dúvida a abrir um capítulo novo. Se queremos mesmo ganhar o Europeu (e Fernando Santos diz que quer), temos de aproveitar todas as oportunidades - que, nesta fase, não são muitas - para trabalhar nisso. Tudo isto - os problemas de timing, os jogos pouco interessantes, as ausências dos nossos jogadores preferidos) valerá a pena, não apenas se a alma não é pequena, mas também se chegarmos a França e deixarmos uma boa impressão. Até porque, se isto fosse sempre fácil, não teria a mesma piada.

Seleção 2013

 
Mais um ano encontra-se à beira do fim, mais um ano encontra-se à beira do início. Como já faz parte da praxe, segue-se a revisão de 2013.
 
Este, depois de 2012, tornou a ser um ano de altos e baixos. Começo a perceber que esta é a regra, que 2011 foi a exceção. É pena... Bem, 2013, ao menos, teve um final feliz, esperançoso. Embora tenha começado por dar seguimento à má fase com que 2012 terminou.
 
O primeiro jogo do ano foi um particular com o Equador, que teve lugar no Estádio Afonso Henriques, em Guimarães. À semelhança do que aconteceu em muitos, muitos jogos dos últimos dois anos, a Seleção tinha todas as condições e mais algumas para proporcionar um bom jogo aos inúmeros adeptos que vieram ao estádio e desperdiçou-as. Para além do habitual circo publicitário, dos pedidos de moldura humana, Cristiano Ronaldo completava vinte e oito anos na véspera do jogo. Em jeito de celebração, entre outros motivos, cinco mil adeptos assistiram ao treino e cantaram os parabéns a Ronaldo. 
 
Como é que a Seleção agradeceu? Perdendo 3-2 com o Equador.
 
 
 
É certo que a equipa visitante era forte, não estava ali apenas para elevar a auto-estima da seleção da casa. Chegou mesmo a Qualificar-se para o Mundial 2014. No entanto, encontrava-se perfeitamente ao alcance de Portugal. A Seleção até teve bons momentos no jogo: Ronaldo marcou o primeiro golo da Turma das Quinas do ano (mais tarde, marcaria igualmente o último); Hélder Postiga marcaria na segunda parte, colocando Portugal em vantagem durante... dois minutos. A Turma das Quinas acabou por ser vítima de si mesma com o Eduardo ficando mal na fotografia no primeiro golo, no início do jogo e, dois minutos após o golo de Postiga, com uma parvoíce do guarda-redes e de João Pereira. Depois, com Ronaldo e Postiga já fora de campo, os equatorianos marcaram pela terceira vez - e até foi um belo remate.
 
Apesar de este jogo ter sido (mais) uma desilusão, tinha a atenuante de ter sido apenas um particular. O verdadeiro balde de água fria veio mês e meio mais tarde, em Telavive, perante Israel. As circunstâncias, diga-se, não eram as ideiais: Nani lesionado e João Moutinho em forma duvidosa. Mesmo assim, tudo indicava que os israelitas não nos dariam grandes problemas. Estávamos enganados. Ou melhor, não foram propriamente os israelitas a dar-nos problemas. Mais uma vez, fomos nós mesmos.
 
 
Portugal até começou bem no jogo, com o Bruno Alves marcando um golo logo no primeiro minuto. Só que depois, pensando certamente que a coisa se resolveria sozinha, os portugueses entraram numa de "deixa andar". Como resultado, das três vezes que os israelitas foram à nossa baliza, marcaram. O que nos valeu foi Hélder Postiga - após ter falhado inúmeras oportunidades na primeira parte, diga-se - ter marcado no rescaldo no terceiro golo israelita, relançando a equipa. Os portugueses lá tentaram reverter a situação e lá conseguiram anular a desvantagem ao cair do pano. Tendo em conta que tínhamos estado a perder por 3-1, este empate quase pareceu uma vitória. No entanto, a exibição roçou o medíocre, as contas para o Apuramento estavam comprometidas, era o nosso quinto jogo consecutivo sem ganhar. O otimismo atingia mínimos históricos. Não me lembro de alguma vez ter estado tão furiosa com os Marmanjos como estive nessa altura. Considero, mesmo, que este foi o pior momento da Seleção em 2013.
 
 
 
 
A Seleção viajou para Baku, no Afeganistão, amputada de Cristiano Ronaldo - que vira o segundo cartão amarelo no jogo de Telavive - obrigada a ganhar. Apesar de, na teoria, o Azerbaijão pertencer a um campeonato inferior ao nosso, na prática, ainda nos vimos um bocadinho à nora para ganhar - culpa, sobretudo, do eterno problema da finalização. Acabou por ser necessário os azeris verem-se reduzidos a dez para os portugueses marcarem. Primeiro, por cortesia de Bruno Alves. Depois, de Hugo Almeida. Um jogo longe de brilhante mas, em todo o caso, a primeira vitória em mais de seis meses. Na altura, tive esperança de que isto representasse um ponto de viragem na Qualificação para o Mundial 2014. E até foi. Mais ou menos.
 
Seguiu-se o jogo com a Rússia, em junho. Um jogo de grau de dificuldade acima da média visto que o momento de forma da maioria dos jogadores não era o ideal, a Rússia era o nosso maior adversário na Qualificação e Portugal já não se podia dar a luxo de perder mais pontos. Visto que o jogo se realizava na Luz, fizeram-se, mais uma vez, apelos aos adeptos para que enchessem o Estádio. Não foi um jogo brilhante mas foi bem conseguido por parte dos portugueses, a equipa esteve bem, dominou o jogo. Hélder Postiga marcou o único golo.
 
 
Três dias após este jogo, a Seleção foi recebida na Croácia num jogo de carácter particular. Acabou por ser um jogo semelhante ao da Rússia: sem deslumbrar, houve boa atitude por parte da Turma das Quinas, o domínio foi português. Desta feita, foi Cristiano Ronaldo a marcar o único golo da partida. Este tornar-se-ia um caso sério em termos de golos ao longo da segunda metade do ano.
 
 
 
 
 
Houve um novo jogo particular a meio de agosto. Desta feita, a Seleção enfrentaria a Holanda no Estádio do Algarve. Antes disso, treinou-se no Estádio Nacional, no Jamor. Eu e a minha irmã fomos assistir ao único treino aberto e tivemos o privilégio de tirar fotografias com Miguel Veloso, Eduardo, Beto (no caso da minha irmã) e Paulo Bento. 
 
O jogo com a Holanda não foi brilhante - até porque o número de baixas foi uma coisa parva - mas, mais uma vez, a exibição portuguesa foi convincente, sobretudo ao longo da segunda parte. Verhaegh marcou o golo holandês, aos dezasseis minutos da primeira parte. Ronaldo igualou o marcador aos oitenta e seis minutos.
 
 
Duas ou três semanas mais tarde, no início de setembro, Portugal deslocou-se a Belfast para defrontar a Irlanda do Norte. Nos dias anteriores, falou-se bastante do facto de os irlandeses terem derrotado a Rússia no mês anterior, de serem tomba-gigantes e terem gozo nisso, sobretudo quando jogavam em casa. Algo que acabou por se confirmar dentro de campo, de certa forma. Foi, aliás, um jogo muito estranho, muito por causa de um árbitro caprichoso. A primeira parte do jogo revelou-se dantesca. Bruno Alves marcou mas os irlandeses rapidamente repuseram a igualdade no marcador. Isto nem seria muito grave se, ainda antes do intervalo, Hélder Postiga não tivesse tido a ideia parva de dar uma "turrinha" a um irlandês e o árbitro não o tivesse castigado com o vermelho direto. Uma penalização exagerada, é certo, mas o gesto de Postiga fora desnecessário. Na segunda parte, sem grande surpresa, a Irlanda adiantou-se no marcador, com um golo em fora-de-jogo. As coisas começavam a ficar verdadeiramente negras para Portugal
 
Felizmente, estava lá Ronaldo para salvar o dia. Catalisado tanto pelo buraco em que Portugal se havia deixado cair como, certamente, pelos adeptos que gritavam por Messi, o madeirense marcou o seu primeiro hat-trick com a Camisola das Quinas. Resolveu, deste modo, o imbróglio em que o jogo se transformara e ainda ultrapassou o recorde de Eusébio.
 
 
Infelizmente, o herói de Belfast ficou indisponível para o particular com o Brasil, que se realizou em Boston, nos Estados Unidos. Eu tinha grandes expectativas para este jogo, com o reencontro com Luiz Felipe Scolari e tudo mais. Nesse aspeto, o jogo revelou-se algo anti-climático. Portugal até teve bons momentos, com destaque para o golo de Raul Meireles. No entanto, sobretudo durante a segunda parte, faltou agressividade à Equipa das Quinas - embora os brasileiros se queixassem do jogo faltoso de Bruno Alves. No final, o resultado foi 3-1 para a seleção canarinha.
 
Um mês mais tarde, a Seleção Portuguesa recebeu a sua congénere israelita no Estádio de Alvalade. Foi o primeiro jogo a que assisti em mais de seis anos. Mais uma vez, tínhamos uma série de ausentes: Meireles e Bruno Alves por lesão, Hélder Postiga (GRRR!!!!) e Fábio Coentrão por castigo. Mas, se conseguíssemos vencer, o segundo lugar ficaria consolidado e ainda poderíamos sonhar com o primeiro lugar - bastaria a Rússia cometer um deslize. 
 
 
É claro que Portugal, eterno adepto dos caminhos mais difíceis, não soube aproveitar a oportunidade. A exibição foi fraca, os israelitas não fizeram nada para levar o jogo de vencida, passaram uma boa parte do tempo a engonhar até mesmo quando ainda se encontravam em desvantagem, depois do golo de Ricardo Costa. À semelhança do que aconteceu repetidas vezes ao longo deste Apuramento, foi Portugal a prejudicar-se a si mesmo. Desta feita, através de uma fífia de Rui Patrício. Só não considero este o pior jogo da Seleção do ano porque, mal por mal, garantiu-nos o playoff. De uma maneira extremamente amarga, contudo.
 
O jogo com o Luxemburgo, em Coimbra, foi quase só para cumprir calendário. A Seleção não jogo melhor do que tinha jogado contra Israel, nem precisou. Os luxemburgueses, como seria de esperar, poucas hipóteses tinham contra nós, sobretudo depois de se verem reduzidos a dez. Portugal podia ter arrecadado uma vitória bem mais expressiva mas não esteve para isso - jogo chegou a ser extremamente enfadonho em certas alturas -  contentou-se com o 3-0, cortesia de Varela, Nani (pontos para a assistência de João Moutinho) e Hélder Postiga. Terminava deste modo a fase de grupos da Qualificação para o Mundial 2014, com Portugal no segundo lugar, obrigado a ir aos playoffs lutar por uma vaga no Brasil.
 
O sorteio para definição do adversário do playoff realizou-se cerca de duas semanas mais tarde. Quis a Sorte que defrontássemos a Suécia, primeiro em casa, depois fora. Antes dessa dupla jornada deu-se algo que, tecnicamente, não se relacionava com a Turma das Quinas mas que, na minha opinião, influenciou o seu percurso: as tristes figuras e palavras de Joseph Blatter sobre Cristiano Ronaldo.

 


Considero que ficámos todos em dívida para com o presidente da FIFA. Pouco após uma jornada dupla de Seleção que deixou muito a desejar, em que Ronaldo esteve algo apagado, Blatter teve o condão, não apenas de espicaçar o nosso Capitão - o Comandante - mas também de unir a massa adepta portuguesa em torno da Seleção contra um inimigo comum. O sentimento generalizado anti-Troika, anti-topo da hierarquia europeia, ajudou. Juro, se algum dia ocorrer a improbabilidade de me encontrar com Joseph Blatter, eu abraçá-lo-ei, agradecer-lhe-ei e explicar-lhe-ei porquê. E quero ver a cara com que ficará.
 
A primeira mão do playoff contra a Suécia realizou-se pouco mais de duas semanas depois, perante um Estádio da Luz esgotadíssimo. Conforme seria de esperar, Portugal jogou melhor do que durante a Qualificação. Também ajudou o facto de a Suécia ter jogado para o empate. O poderio físico dos suecos e o seu jogo defensivo cumpriram o seu papel até mais ou menos a meio da segunda parte - aí Cristiano Ronaldo marcou o único golo da partida, conferindo a Portugal uma importante vantagem no playoff.
 

 

A segunda mão do playoff realizou-se na Suécia. Os adeptos da casa, abençoados sejam, ainda não se tinham apercebido do nexo de causalidade entre um Ronaldo alvo de provocações e os desempenhos estratosféricos que ele tem nos jogos que se seguem - apesar de até ter havido um exemplo bem recente de tal. Ou não perceberam ou então deixaram-se levar pelo medo que tinham do Comandante. Não me admiraria se tivesse sido um misto de ambas as situações. Deste modo, os suecos fizeram tudo para destabilizar os portugueses, praticamente desde que estes deram os primeiros passos no país escandinavo. Destaque para a banda que os recebeu no aeroporto, para o animador de rádio que foi de madrugada fazer barulho para junto do hotel da Seleção Portuguesa e, claro, para a infeliz campanha da Pepsi sueca. Eu, na altura, ria-me pois os suecos não sabiam aquilo que estavam a preparar. Hoje, que sei o que aconteceu, ainda me rio mais. Eles mereceram aquilo que apanharam.
 
A noite do jogo em si foi uma das melhores deste ano. A minha irmã fazia anos, tivemos amigos e familiares em casa, vimos e celebrámos o jogo todos juntos. A primeira parte foi relativamente morna, relativamente equilibrada, com a exibição portuguesa a melhorar com o tempo. A segunda parte foi uma montanha russa de emoções. O primeiro golo de Ronaldo deixou-nos a todos a pensar que eram já favas contadas. Os dois golos de Ibrahimovic que se seguiram forma fruto da nossa negligência. O 2-1 ainda nos era favorável mas, pelo que se via, a coisa poderia facilmente dar para o torto. De uma maneira caricata, regressámos pela enésima vez em todo o Apuramento à fase do "Ai Jesus!". E, tal como acontecera em Belfast, teve de vir Ronaldo ao resgate, com mais dois golos que puseram um ponto final na questão.
 

 

Eu sei que, ao longo dos próximos seis, sete meses, não vai interessar mas eu espero que esta nossa campanha de Qualificação não seja esquecida tão depressa. Teve um final feliz, com contornos apoteóticos, mas podia não ter tido. Podia ter corrido muito mal. Tirando, talvez, os jogos com a Rússia, não houve um único jogo em que não nos boicotássemos a nós mesmos. Na maior parte desses jogos, bastaria não termos cometido determinados erros, termo-nos esforçado um bocadinho mais, para conquistarmos o primeiro lugar do grupo.

E não é apenas pelo primeiro ou pelo segundo lugar. Também não é bom em termos de adesão por parte dos adeptos. Ainda no mês passado, aquando dos jogos com a Suécia, ouvi um colega meu afirmar que, no que tocava á Seleção, só lhe interessam os jogos das fases finais ou dos playoffs. Os da Qualificação e os particulares eram-lhe indiferentes. Paulo Bento, uma vez, lamentou que muita gente pensasse assim e eu, há um ano o dois, criticaria atitudes semelhantes à do meu colega. No entanto, se nem os jogadores estiveram para se chatear na maior parte dos jogos de Apuramento, porque haveríamos nós de fazê-lo?
 
Os títulos de algumas das crónicas pós-jogo que escrevi aqui no blogue acabam por ser aplicáveis a toda a Qualificação. "Uma epopeia com contornos dantescos" e "Não havia necessidade". Aquando daquele primeiro jogo com o Luxemburgo, eu não fazia ideia de que o resto do Apuramento se desenrolaria desta maneira. Sim, eu sei que assim soube melhor, eu mesma o admiti. Mas não sei até quando seremos capazes de brincar com o fogo sem nos queimarmos a sério.
 
 

Além disso, caso a Rússia tivesse conseguido o segundo lugar, a Suécia provavelmente teria sido capaz de vencê-los no playoff. Assim, Ibrahimovic não teria ficado de fora do Mundial. É que fiquei a gostar do tipo... É arrogante mas tem piada.
 
Parece que o sorteio dos grupos da Qualificação para o Euro 2016 se realizará algures em Fevereiro. Consta, igualmente, que as regras do jogo vão mudar. Agora que a prova foi alargada de dezasseis a vinte e quatro participantes - ainda estou para ver como é que isso vai funcionar - os dois primeiros classificados em cada grupo Apuram-se diretamente. Os terceiros lugares, tirando o pior, disputarão o playoff. Eu devia estar satisfeita com este baixar de fasquia mas não me custa nada imaginar a Seleção, em resposta, desleixar-se ainda mais do que se desleixou neste Apuramento, contentar-se com o terceiro lugar. Aliás, agora que penso nisso, este facilitismo pode levar a uma quebra geral na qualidade dos jogos desta Qualificação, sobretudo para as grandes candidatas ao Apuramento. Não que me preocupe demasiado com isso, só quero saber de Portugal. Espero que não nos calhe um grupo fácil, dava até jeito ficarmos com uma seleção dita "grande", motivadora. De qualquer forma, o pior adversário de Portugal continuará a ser ele mesmo.

Entretanto, no início deste mês, a Sorte determinou que Portugal ficasse agrupado com a Alemanha, os Estados Unidos e o Gana no Mundial. Um grupo teoricamente mais fácil que o do Euro 2012 mas imprevisível. Todos consideram que está ao alcance de Portugal mas a Equipa de Todos Nós terá de confirmá-lo em campo.

Foi assim o ano da Seleção. Em termos pessoais, foi um ano relativamente morno: mais estável que 2012, mas não mais do que isso. Algumas das maiores alegrias deste ano, dos dias mais felizes, estiveram ligados à Turma das Quinas: a antecipação dos jogos, o rescaldo das vitórias, a visita ao Jamor em agosto, o jogo a que assisti em Alvalade, a festa de anos da minha irmã no dia da segunda mão dos playoffs. 2013 mostrou-me, aliás, que embora algumas das minhas paixões não me despertem o mesmo interesse de antigamente, a Seleção é das poucas de que não me canso. Vão fazer dez anos desde que acompanho fielmente a Turma das Quinas mas meu interesse manteve-se praticamente sempre alto. Acho que em nenhuma altura desta última década deixei de ansiar pelo jogo seguinte. Posso já não escrever aqui no blogue tão frequentemente como antes - porque perco mais tempo a preparar as entradas e muitos dos assuntos acabam sendo abordados na página do Facebook - e certos aspetos, sobretudo antes dos jogos, depois destes anos todos, tornaram-se demasiado batidos. No entanto, cada jogo em si é único. Seja ele um mata-mata de um campeonato de seleções ou um particular com uma equipa de expressão irrelevante.

É a beleza do futebol em si, aliás. Há coisa de um ano ou dois, eu não compreendia como é que as pessoas tinham paciência para acompanhar a liga portuguesa ano após ano - sobretudo durante a altura em que, invariavelmente, o F.C.Porto se sagra campeão. Hoje compreendo: porque, para além de imprevisível, de caprichoso, o futebol é uma história que nunca acaba.

 
Em termos pessoais, 2014 vai ser um ano bem mais empolgante, bem mais decisivo, do que 2013. Em termos de Seleção, também. Já é habitual, para mim os anos pares são os mais interessantes pois, com eles, veem os grandes campeonatos de seleções. Infelizmente, não sei se me vai ser possível acompanhar o Mundial da maneira que acompanhei o Euro 2012 - posso estar a estagiar nessa altura. Vai depender de muitos fatores mas duvido que tenha tempo para ter a página do Facebook atualizada ao minuto com todas as peripécias, como chegava a estar há ano e meio. Já o tinha dito na entrada anterior, nem sequer sei se poderei acompanhar os jogos do Mundial. No entanto, não deixarei de escrever e publicar as respetivas crónicas pós-jogo. Nem que tenha de perder refeições ou mesmo noites para tal. 
 
Algumas das pessoas com quem tenho falado afirmam-se crentes de que 2014 será o nosso ano. Eu quero crer o mesmo, quero muito crer o mesmo, mas uma parte de mim concorda com os artigos de opinião da praxe, que afirmam que esta Seleção não se compara à de 2004 ou 2006. Por outro lado, a acontecer, a nós ganharmos um título, terá de ser em 2014. Não vou ao extremo de dizer "Agora ou nunca!" mas a verdade é que já deixamos fugir demasiadas oportunidades. A certa altura terá de deixar de ser um sonho. Que deixe de sê-lo em 2014.
 
Esa será uma das passas da Noite de Ano Novo - não gosto de passas mas gosto do ritual de pedir os doze desejos ou de definir os doze objetivos para o ano que começa. Sugiro que, roubando a ideia a uma campanha realizada aquando da passagem de 2005 para 2006, guardem também "uma passa para a Taça". Também desejarei, se não o fim da crise, pelo menos o início (ou a continuação) da recuperação económica. Que possamos ser campeões mundiais e que as nossas vidas melhorem no ano que vêm. A todos os meus leitores e seguidores da página do Facebook, os meus votos de um Feliz Natal e de um 2014, se não cheio de sonhos realizados, pelo menos cheio de bons momentos.