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O Meu Clube É a Seleção!

Mulher de muitas paixões, a Seleção Nacional é uma delas.

Primavera

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Na próxima quarta-feira, dia 24 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol recebe a sua congénere azeri em casa emprestada, no Estádio de Turim. Três dias mais tarde, defrontará a sua congénere sérvia, no Estádio Estrela Vermelha, em Belgrado. Três dias depois desse, será recebida na cidade do Luxemburgo pela seleção local. Todos estes jogos contarão para a Qualificação para o Mundial 2022, que terá lugar no Qatar.

 

Cá estamos nós outra vez, quatro meses depois da última jornada tripla de Seleção. Já tinha saudades. Este ano, o regresso coincide com a primeira fase do segundo desconfinamento – e estes dois eventos coincidem com o início da primavera. 

 

Nos últimos anos, a primavera tem sido a minha estação do ano preferida. Os dias mais compridos, o tempo mais ameno (nem demasiado frio nem demasiado calor), flores silvestres em todo o lado. No ano passado, a primavera foi boicotada pelo primeiro confinamento e pelo adiamento dos jogos da Seleção. Este ano está a acontecer o exato oposto. 

 

Por isso sim, estes jogos vêm em boa altura, num momento em que a vida em geral parece um bocadinho melhor – por enquanto. Por outro lado, da última vez que usei metáforas sazonais neste blogue, estas viraram-se contra mim.

 

Fernando Santos divulgou os Convocados para este triplo compromisso na passada terça-feira, dia 16. Não houve grande contestação – pelo menos não de início. Os sportinguistas Nuno Mendes e João Palhinha são as novidades – merecidamente, pelo seu contributo para o excelente desempenho do Sporting esta época. (Espero que seja este ano que o clube finalmente ganhe o campeonato, que a minha irmãzinha sportinguista já o merece há muito tempo.) No entanto, Pedro Gonçalves, também conhecido por Pote, ficou de fora – foi Chamado para os Sub-21.

 

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Suponho que haja muita concorrência para a posição dele. Não estava à espera, por exemplo, que Diogo Jota fosse Convocado, vindo ele de uma lesão. No entanto, ele marcou no jogo contra o Wolverhampton e também não dá para ignorar o seu histórico recente pela Equipa das Quinas. 

 

Isto são problemas de equipa grande: podermos dar-nos ao luxo de deixarmos o melhor marcador da Liga Portuguesa nos Sub-21. Dito isto, todos concordamos que será uma questão de tempo até Pote vir aos séniores. 

 

Maior controvérsia ocorreu nos últimos dias. Pepe lesionou-se no último jogo do F.C. Porto e vai falhar o compromisso da Seleção… outra vez (Porquê, Pepe?!? Tiveste quatro meses para te lesionares…). Para o seu lugar foi Chamado o sportinguista Luís Neto. 

 

O problema é que Neto tem estado no banco. No seu lugar tem jogado Gonçalo Inácio, de dezanove anos, que até tem estado em ascensão, marcou no último jogo… mas nem para os Sub-21 foi Convocado. 

 

Pelo menos nesta concordo com as críticas. Podiam dar uma oportunidade ao miúdo! Até porque continuamos a precisar de rejuvenescer a defesa. Por outro lado, Luís Neto já conta pelo menos algumas Chamadas à Seleção – se calhar Fernando Santos prefere experiência. 

 

Para além de Luís Neto, também regressa Rafa e André Silva – que está num momento excelente, conta vinte e um golos na Bundesliga. Continua a não faltar talento na nossa Seleção. Há que aproveitar.

 

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Num registo diferente, Rui Patrício chegou a constar da Convocatória inicial, mesmo tendo sofrido um traumatismo craniano na véspera. Infelizmente, no sábado descobriu-se que Rui não recuperaria a tempo e Chamou José Sá para o seu lugar.

 

Depois do susto que Rui nos pregou, não me queixo desta substituição. Deixem-no descansar, coitado. Anthony Lopes e os outros darão conta do recado – e também merecem uma oportunidade para mostrarem o seu valor. Uma coisa que descobri é que é a primeira vez em quase uma década que Rui falha um jogo de Apuramento – é uma das nossas constantes, ainda mais que Pepe ou Cristiano Ronaldo.

 

Vamos então começar a Qualificação para o Mundial 2022. Ainda me é estranho começar uma fase de Apuramento em março em vez de setembro (é apenas a segunda vez). Ainda mais estranho é começar uma fase de Qualificação para um campeonato de seleções quando o anterior ainda não se realizou. Mais um sinal dos estranhos tempos que vivemos.

 

Fernando Santos diz, no entanto, que não quer ninguém a falar ou sequer a pensar no Europeu durante esta jornada tripla. É o mais sensato, para manter a concentração.

 

Até porque a Turma das Quinas tem a mania de tropeçar no início das fases de Qualificação. A última vez que ganhámos num primeiro jogo de Apuramento foi em 2012 – há não muito menos que uma década. E foi frente ao Luxemburgo! E mesmo assim não foi grande coisa!

 

Como desta vez vamos abrir o Apuramento com o Azerbaijão, os Marmanjos terão de se esforçar para não ganharem… e no entanto esta Seleção por vezes tem uma queda infeliz para a auto-sabotagem, sobretudo em fases de Qualificação. Mesmo que até se vença o primeiro jogo, podemos não vencer o segundo…

 

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Os azeris são velhos conhecidos nossos, ainda que não joguemos com eles há quase exatamente oito anos, mais dia menos dia. O histórico é favorável a nós, de caras: tirando um empate em 1999, têm sido só vitórias. Os últimos dois jogos decorreram durante a atribulada, e por vezes caricata, Qualificação para o Mundial 2014. 

 

Não há muito a dizer sobre o primeiro jogo, em casa – ganhámos por 3-0. No entanto, depois desse encontro, não tornaríamos a ganhar uma vez que fosse até reencontrarmos os azeris, em Baku. mesmo esse jogo não foi nada por aí além – vitória por 2-0, mínimo dos mínimos. Mas na altura achei que seria um ponto de viragem na fase de Qualificação.

 

E não me enganei. Tirando um (outro) tropeção perante Israel, ganhámos os jogos que faltavam e tivemos os inesquecíveis play-offs perante a Suécia.

 

A propósito da crónica do jogo de Baku, a música que referi nesse texto? Que na altura só se conhecia um excerto? Last Hope, dos Paramore? Hoje é uma das minhas preferidas de todos os tempos. 

 

Os dois adversários seguintes são repetidos da Qualificação anterior. É o problema destes campeonatos: o número de possíveis adversários é limitado, de tanto em tanto tempo há reencontros. Além disso, pela maneira como os grupos são sorteados, são sempre adversários de qualidade média/baixa (com as devidas exceções, claro), pouco estimulantes e perante os quais, demasiadas vezes, complicamos sem necessidade. 

 

E há quem reclame da Liga das Nações. 

 

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Dito isto, confesso que até saberá bem termos uns jogos mais fáceis, entre competições cheias de tubarões. Para não stressar demasiado. 

 

Não vale a pena alongar-me muito sobre estes dois adversários, então. Dizer apenas que o jogo com a Sérvia terá lugar em Belgrado, o que apresenta um problema. Os clubes franceses avisaram que não vão libertar os internacionais que realizem jogos de seleções fora da União Europeia e do Espaço Económico Europeu – as autoridades de saúde francesas obrigá-los-iam a ficar de quarentena durante uma semana. 

 

Até aqui compreende-se. A FIFA deu esse poder aos clubes. Não gosto, mas compreendo. É por isso que o nosso jogo “em casa” com o Azerbaijão terá lugar em Turim – porque metade da Seleção atual joga em Inglaterra e o Reino Unido obriga pessoas vindas de Portugal a cumprir quarentena.

 

O que me irrita nesta história é a regra não se aplica à seleção francesa. A França vai jogar contra o Cazaquistão, mas os clubes franceses não podem impedir os seus jogadores de representarem os Campeões do Mundo. Claro que não! Regras como estas são para os simples mortais, não são para a motherfucking França! Alguma vez a FIFA ou a UEFA fariam isso aos franceses? É que nem sequer surpreende. 

 

Percebem a raiva que às vezes tenho à seleção francesa?

 

Pode ser que mudem as regras entretanto mas, à hora desta publicação, parece certo que Marmanjos como José Fonte e Renato Sanches não poderão ir para Belgrado. Fico à espera de saber como irá Fernando Santos gerir essa situação.

 

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Em relação ao Luxemburgo, dizer apenas que foi o nosso último adversário antes do hiato imposto pela pandemia. Cheguei a ressentir-me desse jogo por isso. Por ter tido de ver a primeira parte no meu telemóvel, por não ter sido grande coisa em termos exibicionais, por não merecer ser a recordação mais recente que tinha da Equipa de Todos Nós durante quase um ano. 

 

Mas felizmente, por estes dias, a Seleção continuará a jogar, a criar novas recordações. No que toca ao jogo com o Luxemburgo, este terá lugar no mesmo terreno. Espero que esteja em melhor estado que da última vez, mas tenho as minhas dúvidas. Não esperemos um jogo de grande qualidade exibicional – os últimos dois em casa do Luxemburgo não o foram.

 

Que seja desta que comecemos uma Qualificação com o pé direito, para variar. Que tenhamos um Apuramento mais ou menos tranquilo, sem complicações, em primeiro – para evitarmos um cenário como o da fase de grupos do Euro 2020. Além de que golos e vitórias da Seleção sabem sempre bem, mesmo que as exibições nem sempre satisfaçam.

 

Vou tentar desfrutar, então. Façam-no comigo, quer aqui no blogue, quer na sua página de Facebook. Como sempre, obrigada pela vossa visita.

Portugal 1 Rússia 0 - Triunfo de equipa

Na passada sexta-feira, dia 8 de junho, a Seleção Portuguesa de futebol recebeu, no Estádio da Luz, a sua congénere russa, num jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade, que terá lugar no Brasil, daqui a um ano. A Seleção da casa levou o jogo de vencida por uma bola sem resposta, cortesia de Hélder Postiga. Portugal assumiu deste modo, ainda que provisoriamente - tem mais jogos que a Rússia e Israel, os adversários mais perigosos - a liderança do grupo F. 

Parece que, finalmente, a Equipa de Todos Nós começa a encarreirar neste Apuramento.

Com o tudo o que se foi dizendo ao longo da preparação deste jogo, sobre uma Rússia, treinada por Fabio Capello, que joga à italiana, que estava a ter uma Qualificação imaculada, sem um golo sofrido; sobre o cansaço físico e psicológico de fim de época de alguns jogadores; a falta de ritmo competitivo de outros; as asneiras cometidas ao longo desta fase de Qualificação; por fim, o discurso habitual da falta de opções, de alternativas para a Seleção, do estes-tipos-não-valem-nada-quando-comparados-com-o-Figo-o-Rui-Costa-e-companhia (começo a ficar saturada dessa conversa...), não me atrevia a assumir-me como optimista ou pessimista antes do jogo. Em vez disso, tal como publiquei na página do Facebook algumas horas antes do arranque da partida, preparei-me para um jogo difícil, de sofrimento, em que tudo poderia acontecer. Manifestei, também, o desejo de que os Marmanjos entrassem em campo também assim, com a consciência das dificuldades do jogo, da importância de uma vitória, preparados para qualquer cenário, para dar tudo por tudo, para sofrer, para ganhar. 

O desejo foi cumprido.

Perante uma bela moldura humana, a Turma das Quinas entrou bem no jogo, decidida a cumprir as promessas feitas ao longo da preparação desta jornada. E a recompensa surgiu cedo, na sequência de um livre cobrado por Miguel Veloso. Este colocou a bola muito bem, a jeito para o Hélder Postiga encostar. A bola foi ao poste - que, por uma vez, esteve do nosso lado - e entrou.


O melhor disto tudo é que eu não preciso de dizer nada, não preciso de contrariar as críticas. O Hélder defende-se a si mesmo, outra e outra vez, prova que não é por capricho que teimo em louvá-lo. E, no processo ajuda a Seleção a encontrar o caminho certo. É o nosso talismã há já vários anos. Vai, aliás, fazer agora uma década desde os seus dois primeiros golos pela Equipa das Quinas (num particular contra a Bolívia, dia 13 de junho de 2003, que Portugal ganhou por 4-0). Desde esse dia até hoje, tem-se fartado de marcar golos pela Seleção. Estou a pensar, por exemplo, num tiro espetacular, num jogo de Qualificação para o Euro 2008, frente à Bélgica, em junho de 2007. E no jogo contra a Noruega, há dois anos, também em final de época, também no Estádio da Luz, também ganho por 1-0, com golo de Postiga. E agora igualou Rui Costa em número de tentos. Não me esqueço destas coisas, recordo-as. E fico orgulhosa.

O golo madrugador deu-nos a tranquilidade que não tivemos em outros jogos deste Apuramento. No entanto, tendo o jogo com Israel fresco na memória, não me atrevi a ficar demasiado tranquila, receei que a Rússia empatasse de novo. Não tive grandes motivos para temê-lo a sério durante a primeira meia hora de jogo, durante a qual houve claro domínio português. Só quando a Seleção procurou gerir o resultado, dando mais espaço aos russos, é que comecei a ter motivos reais para me assustar. Sempre que os russos se aproximavam da nossa baliza, eu rezava para que nenhum dos Marmanjos fizesse uma parvoíce, como as que cometeram noutros jogos desta fase de Apuramento. Valeu-nos os bons desempenhos do novato Luís Neto, que substituiu Pepe, as já costumeiras boas intervenções de Rui Patrício, um árbitro que, em certas ocasiões, foi nosso amigo e uma boa dose de sorte. Talvez para compensar alguma infelicidade que possamos ter tido em jogos anteriores, os deuses do futebol estiveram com Portugal naquela noite. 


Pena não terem permitido um segundo golo português, só para manter a nossa tensão arterial nos valores normais. Juro que ainda vou descobrir quem é o cardiologista que anda a patrocinar a Seleção para não haver um jogo que seja sem sofrimento...

O encontro acabou, por isso, por ser bastante equilibrado, embora Portugal se mantivesse quase sempre por cima. O que não quer dizer nada - a História recente do futebol é rica em jogos cujos resultados se decidiram numa questão de minutos. E se existiram várias ocasiões em que estivemos perto do segundo golo, existiram outras em que, como disse @lidiapgomes no Twitter, "estivemosábilitar-nos". Por o jogo decorrer no estádio do Benfica, houve quem se recordasse da maldição do minuto 92. Eu, nessa altura, já só rezava, "Apita, árbitro, apita... Termina o jogo...". E, apesar de várias vezes ter receado o contrário, o jogo terminou com a nossa baliza inviolada e Portugal em vantagem, amealhando três pontos.


Foi um bom jogo, sobretudo tendo em conta todos os fatores que jogavam contra nós, já mencionados neste texto. Não foi um jogo brilhante, mas ninguém esperava que o fosse. Vários jogadores se destacaram, como Luís Neto, Vieirinha, Moutinho, entre outros, mas, na minha opinião, foi sobretudo um jogo de equipa, um triunfo de equipa. Houve atitude, espírito guerreiro, de entre-ajuda, união - precisamente os pontos fortes da Equipa de Todos Nós. Os comentadores desportivos não estão errados quando dizem que esta Seleção é mais pobre em valores em individuais do que, por exemplo, a de 2004-2006. No entanto, quando estão para aí virados, quando vestem a camisola das Quinas e jogam em equipa, cada um dos onze jogadores vale mais do que o seu valor individual. Isto foi suficiente para chegarmos às meias-finais do Europeu, no ano passado, chegando a jogar de igual para igual com a Espanha. Foi, também, suficiente para ganharmos à Rússia, apesar das dificuldades todas. Isto, sim, isto é Portugal! Estamos de volta!

O problema é mesmo o facto de os Marmanjos nem sempre estarem para isso. Podia perguntar onde esteve este espírito noutros jogos deste Apuramento. Mas não o farei. Não quero olhar para trás. Não se pode mudar o passado. Aquilo que podemos controlar são os jogos que nos faltam. Cada um deles será uma final. Este, com a Rússia, já o era. Talvez tenha sido a mais difícil. Vencê-la foi um grande passo em frente, mas ainda temos caminho a percorrer e ainda existe o risco de nos perdermos pelo meio, de novo.

Mas, como o próximo jogo oficial é em setembro, haverá tempo para pensar melhor nisso. Antes, ainda teremos dois particulares, um dos quais já na segunda-feira, contra a Croácia. Não alimento grandes entusiasmos para este jogo, por motivos diversos, embora me atraia a possibilidade de vermos jogadores menos habituais - destaque para o estreante André Martins - em campo. Como será uma semana complicada para mim, não sei quando poderei publicar uma análise ao jogo. Nem sei, sequer, se farei uma análise ao jogo. Mas vou tentar escrevê-la, mesmo que o jogo não se revele grande coisa, mesmo que só consiga publicar a entrada uma semana depois.


Fico feliz por a Seleção, finalmente, estar no caminho certo. É verdade que ainda não conquistámos nada, as o Brasil encontra-se cada vez mais alcançável. É o que me farto de repetir aqui no blogue mais uma vez provado: mais cedo ou mais tarde, os jogadores recompensam-nos pelo apoio que lhes damos, mostram que vale a pena acreditar na Seleção. Por isso é que me obriguei a mim mesma, ao longo destes meses todos, a manter a fé, apesar das sucessivas desilusões. Fica este consolo para as próximas semanas: a chama está mais forte, o Brasil está mais perto. Agora, espero que não tornemos a desviar-nos da rota, que continuemos a dar passos em frente e que, daqui a uns meses, estejamos a comemorar a sexta presença num Campeonato do Mundo.