Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Meu Clube É a Seleção!

Mulher de muitas paixões, a Seleção Nacional é uma delas.

Isto ainda funciona?

_IO_0438.webp

 

Pois é. Eis-me de volta, pouco mais de um ano após a última vez. Quando nos despedimos depois do Euro 2024, o plano não era parar por completo… mas acabou por ser isso o que aconteceu. 

 

A verdade é que perdi um pouco de interesse na Seleção neste último ano. Não por completo – tanto quanto mais me recordo, vi todos os jogos. Fui inclusivamente ao jogo contra a Escócia no Estádio da Luz, há quase um ano. Mas deixei de me ralar com quem é Convocado ou não, deixei de tentar distinguir entre críticas legítimas e vieses clubísticos, deixei de defender ou criticar o Selecionador. 

 

Isto pela primeira vez em mais de quinze anos! Aqui entre nós, foi libertador. Houveram alturas em que mal atualizava a página de Facebook, em que quase me esquecia de que haviam jogos. Quando os via desfrutava, no momento, ignorando o barulho. E quando as coisas não corriam tão bem… não me ralava. Como escrevi antes, o tempo e a paciência já não são os mesmos. 

 

E a verdade é que me fartei do ciclo vicioso dos últimos anos: promessas, marketing, imenso apoio por parte da massa adepta, garantias de que temos a melhor geração de jogadores de sempre – para depois, na prática, não se verem resultados. Ou melhor, vermos resultados suficientes para se justificar que nada mude, mas que não satisfazem ninguém.

 

Dito isto, este último ano não foi nada mau em termos de desempenho da Seleção. Aliás, quando dei por mim, tínhamos vencido a Liga das Nações pela segunda vez. Foi o nosso terceiro título. 

 

Antes da final four, não tinha fé quase nenhuma. Tínhamos tido uns quartos-de-final dramáticos, como era a norma perante a Dinamarca há coisa de quinze anos – à grande e à dinamarquesa, como escrevia eu na altura. Estivemos a quatro minutos da eliminação. Foi uma reviravolta emocionante mas, para sermos sinceros, a Dinamarca não é propriamente um tubarão, com o devido respeito. E quando se soube que o nosso primeiro adversário na final four seria a Alemanha – uma das nossas maiores bestas negras, ainda por cima a jogar em casa – pensei “esqueçam…”

 

Houve gente a dizer que preferiam que Portugal perdesse na final four, só mesmo para podermos correr com Roberto Martínez. Eu não concordava – nunca torcerei contra a Seleção – mas, aqui entre nós, se Martínez saísse, não me queixaria. O meu entusiasmo e crença eram tão poucos que, quando chegou junho, mal me recordava que haveriam jogos da Seleção. 

 

Não digo que não acreditava de todo. Mas era quase só por princípio, numa de “até ao lavar dos cestos é vindima”. 

 

 

Pois bem. Os Marmanjos resolveram ganhar-me à Alemanha, vinte e cinco anos e várias derrotas dolorosas depois da última vez. Foi preciso esperar uma geração inteira por outro Conceição – bastaram cinco minutos de Francisco em campo para catalisar a reviravolta.

 

A final foi perante a Espanha – outra besta negra, que não vencíamos em jogos oficiais há vinte e um anos, que se sagrou Campeã Europeia no ano passado, merecidamente. Outro jogo intenso. Estivemos por duas vezes em desvantagem, Cristiano Ronaldo voltou a sair mais cedo do jogo por problemas físicos (é fim de época, o homem tem quarenta anos! Ao menos conseguiu marcar pela primeira vez em finais). Houve prolongamento, houve penáltis. 

 

Já estou nisto há mais de duas décadas. Nos meses anteriores, garantiria a pés juntos que não me ralaria da mesma forma. Não foi isso que aconteceu nesse dia. Não se torna mais fácil com o tempo, antes pelo contrário. O Ronaldo nem foi capaz de ver os penáltisI feel you, bro. Nuno Mendes fez uma exibição monstruosa – ele e os colegas do PSG, Vitinha e João Neves, ganharam dois títulos europeus no espaço de uma semana. Nas grandes penalidades, Diogo Costa defendeu o penálti de Morata. No fim, a Taça veio para Portugal.

 

Como disse acima, isto dura há mais de vinte anos e a Seleção continua a surpreender-me. Passo por fases de maior pessimismo e aqueles Marmanjos arranjam maneira de dar a volta por cima. Daquelas lições que estou sempre a aprender.

 

Já lá vai quase uma década desde o primeiro título da nossa Seleção. Até agora nenhum soube tão bem como esse, admito. Mas ainda me recordo de quando ainda não tínhamos ganho nada – anos e anos em que só levantávamos um troféu nos meus sonhos. Agora já aconteceu três vezes na vida real. Não deixo de dar valor a isso. E podem dizer o que quiserem sobre a Liga das Nações, mas tivemos de derrotar dois tubarões, dois adversários contra quem raramente ganhamos, para conquistarmos este título.

 

Felizmente, sinto que desta vez as pessoas deram mais valor que em 2019. Para além da questão dos adversários que enfrentámos, a prova já tem uns anos, já tem algum prestígio. Quem desdenha quer comprar. 

 

À boa maneira tuga, o povo foi do oito ao oitenta. Dias antes estavam à espera da desculpa para correr com Martínez. Depois desta, já se fala do título mundial. Claro. 

 

505576398_1127990339369005_4963544153026293358_n.j

 

Acho que ainda é muito cedo para se determinar se já saímos do ciclo vicioso. Até porque nem tudo depende diretamente dos jogadores e/ou do treinador – continuamos a ter calendários muito pesados, não sabemos em que forma os Marmanjos estarão no verão do próximo ano.

 

Além disso, estamos a falar de um Mundial. Se fosse um Europeu, até alinharia um pouco no otimismo. Mas historicamente Portugal dá-se pior em Mundiais. Apontar ao título poderá não ser muito realista.

 

Uma coisa é certa, no entanto: depois deste título, Martínez, o resto da equipa técnica, a própria Seleção atual merecem o fim do barulho, do cepticismo, merecem a nossa confiança. Ao mesmo tempo, temos o direito de pedir – para não dizer exigir – mais exibições assim. A Qualificação começa na próxima semana – acho que podemos assumir que não a falharemos. Depois disso, na hora da verdade, se não der para pedir o título, pedimos no mínimo que apontem nessa direção. Que façam uma exibição digna de uma das melhores seleções da Europa. Algo que não acontece em Mundiais há… quase vinte anos, no momento desta publicação. 

 

Agora vamos passar a um registo bem mais triste – o mais triste aqui no blogue até agora. Vocês sabem do que se trata.

 

Soube da notícia de manhã cedo, quando estava no trabalho. Foi um choque – fiquei sem conseguir respirar. 

 

Nunca considerei Diogo Jota um dos meus jogadores preferidos. Nem sequer sabia que ele tinha um irmão mais novo, também ele futebolista. Era regular na Seleção, no entanto, durante os últimos seis anos. Houve uma altura em que era um dos nossos melhores marcadores. Era uma personagem recorrente aqui no blogue. 

 

Não sei se alguma vez o disse aqui com todas as letras, mas sempre me afeiçoei a jogadores da Seleção – em graus diferentes. Vou acompanhando as carreiras deles, as vidas pessoais (quando se casam, quando se separam, quando têm filhos), ainda que de longe. Vejo-os crescer comigo. São os meus Marmanjos, os meus meninos, as minhas musas. 

 

E do dia para a noite fiquei sem um deles.

 

mw-1440.webp

 

Eu sabia – ou melhor, devia ter sabido – que chegaria o dia em que veria um deles partir. E que era possível que um deles partisse demasiado cedo. Não estava preparada.

 

Aqui entre nós, não me interpretem mal, mas não estava à espera que tanta gente se ralasse com a morte do Diogo. Pelo menos não em Portugal. Ele não era um jogador particularmente mediático por cá. Mas, nessa quinta-feira maldita, fui vendo a consternação espalhando-se entre os meus colegas, entre outras pessoas, pelos meus grupos no WhatsApp, pelo resto da Internet. 

 

Calculo que seja pela dimensão da tragédia. Outros já a descreveram melhor do que eu: dois rapazes novos, com a vida toda pela frente, que deixaram os pais órfãos dos únicos filhos que tinham. O Diogo tinha três filhos pequenos, estava com a mãe deles desde adolescente, tinha acabado de se casar. Duas vidas que se esfumaram num instante. Uma coisa estúpida, aleatória, cruel, Nem o Diogo, nem o André, nem aqueles que os amavam mereciam isto. 

 

Por outro lado, sei de meia dúzia de pessoas, em particular um certo presidente do outro lado do oceano, que mereciam muito mais este destino.

 

Claro que, pelo menos cá em Portugal, as homenagens e manifestações de pesar acabaram por resvalar para o exagero. Não adoro a cultura portuguesa no que toca ao luto: há uma tendência para o exibicionismo, para a histeria, quase para o tétrico. Não pretendo tecer juízos de valor sobre a forma como cada um lida com a perda – tirando quando interfere com o luto dos outros, quando magoa ainda mais quem já está a sofrer.

 

Dou alguma legitimidade a quem questionou a ausência de Cristiano Ronaldo do funeral. No entanto, aqui entre nós, de que serviu a polémica? Não aliviou a dor dos entes queridos, pois não? Em relação às críticas à viúva pelo vestido que usou numa das homenagens e aos meios de Comunicação Social sem noção dos limites, só tenho repúdio.

 

Tirando isso, têm sido feitas homenagens lindíssimas a Diogo Jota – homenagens essas que duram até agora. Havemos de voltar aí – antes, tenho de falar sobre outra perda: Jorge Costa. 

 

2003-05-21t000000z-154361187-rp3drimnsuaa-rtrmadp-

 

Confesso: não estava tão afeiçoada a ele. Mal me lembro dele na Seleção – ele já era “velho” quando comecei a interessar-me por futebol. Ainda assim, tenho uma imagem muito específica dele gravada na memória: levantando a Taça UEFA pelo F.C.Porto em 2003. A RTP incluiu o momento numa montagem de autopromoção que transmitiram inúmeras vezes nos meses que se seguiram – nunca consegui esquecê-la. 

 

De resto, o Jorge fazia parte da Geração de Ouro, à qual pertencem nomes como Rui Costa e Luís Figo. Custa começar a perdê-los.

 

Esta foi uma morte por causas naturais – infelizmente, o Jorge tinha um histórico de problemas cardíacos. Ainda assim, estava a ter um dia de trabalho normal no F.C.Porto. Deu uma entrevista falando sobre o jogo seguinte, a nova época, as movimentações de mercado. Ter-se-á sentido mal logo depois disto. Passadas umas duas horas, se tanto, já não estava entre nós.

 

Já viram a maneira como os nossos planos e preocupações do dia-a-dia rapidamente se tornam irrelevantes? Já viram o quão frágeis e insignificantes somos? 

 

Dizia eu que não têm faltado manifestações de carinho e saudade, tanto relativas ao Diogo como ao Jorge. Por outro lado, regra geral, homenagens fúnebres sempre me deixaram dividida. São bonitas, são comoventes, são um consolo para os entes queridos, mas… não teria sido melhor fazê-las quando a pessoa está cá para as ver? Sou daquelas que acredita que homenagens fazem-se em vida.

 

Nesse aspeto, no que toca à morte do Diogo, foi um pequeno consolo pesquisar este blogue e escrever o que fui escrevendo sobre ele ao longo dos anos. Este é apenas o meu cantinho da Internet, duvido que o Diogo alguma vez tenha dado com ele, mas ao menos deixei-lhe elogios em vida.

 

Essa é uma das funções da minha escrita, na verdade – deste blogue e não só. Falar sobre as minhas coisas favoritas, cimentar recordações, escrever a História da Seleção segundo o meu humilde ponto de vista, deixar provas da minha afeição pela Equipa das de Todos Nós e pelos seus protagonistas, contribuir para a imortalização. 

 

Tendo tudo isto em conta… será correto continuar a deixar o blogue ao abandono? 

 

a11d756a-e182-4abf-b651-2025bf2e7250.jpg

 

Pois. Acho que não.

 

Não me interpretem mal, não vou regressar aos moldes de antigamente. Mas quero tentar deixar pontos de situação semelhantes a este de longe a longe. Mínimo dos mínimos, quero deixar um antes do Mundial. Ao mesmo tempo, vou fazer um esforço para, pelo menos, ir atualizando a página do Facebook quando há jogos. 

 

Na sexta-feira passada, foram Divulgados os Convocados para a primeira dupla jornada da Qualificação. Esta não vem numa boa altura para mim: tenho planos em ambos os dias de jogo. Mas devo conseguir acompanhar, nem que seja apenas na rádio ou em sites de atualizações. Depois, quero tentar ir a pelo menos um dos jogos de Outubro, no Estádio de Alvalade. Como já terão concluído, a vida é curta, temos de agarrar todas as oportunidades – sabemos lá quantas teremos. 

 

Ainda a propósito disso, Roberto Martínez revelou que, a partir de agora, a Seleção terá sempre um Convocado extra: o Diogo. Ele servirá de motivação, de inspiração, para lutar pelo título no Mundial do próximo ano. Adicionalmente, Rúben Neves, o melhor amigo do Diogo, herdará a camisola 21. Eu quase me desfiz em lágrimas quando vi a notícia.

 

Mesmo que a minha disponibilidade, quer externa quer interna, seja menor, mesmo que escreva menos e que me rale menos com as miudezas, o meu vínculo com a Seleção Nacional sobrevive e quero cultivá-lo. A vida é tão difícil, têm acontecido tantas coisas horríveis. Se temos algo de bom, há que valorizá-lo.

 

Como sempre, obrigada pela vossa visita. Até à próxima.

Agarrados ao lugar

Captura de ecrã 2022-10-03, às 11.00.53.png

No passado sábado, dia 24 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a congénere checa por quatro bolas a zero. Três dias depois, foi derrotada pela margem mínima pela sua congénere espanhola. Com estes resultados, Portugal falhou a passagem à final four da Liga das Nações.

 

Cá estamos neste buraco outra vez.

 

Aviso desde já que não me vou alongar muito sobre estes dois jogos, ainda que por motivos diferentes. Não vi o primeiro. Quanto ao segundo, só não vi a primeira parte e aquilo que vi na segunda parte tira-me a vontade de escrever (e um bocadinho de viver). Quero despachar isto para poder focar-me em coisas menos deprimentes.

 

Como já tinha referido no texto anterior, no sábado tive um jantar. Na verdade, o termo técnico é “sunset”, uma festa na praia, com petiscos e música para dançar. Nunca fui grande fã de discotecas ou de sair à noite até muito tarde (tirando concertos e jogos de futebol). Naquela noite, no entanto, soube-me bem. Estava em boa companhia, a música era melhor que o costume e terminou relativamente cedo, à uma da manhã.

 

Não vou mentir, tive alguma pena de não ter visto este jogo. Dizem que foi uma exibição agradável – e compensaria antecipadamente o que aconteceu na terça-feira. Ao mesmo tempo, de uma maneira estranha, sinto que não deixei de viver as emoções do jogo. Ia vendo atualizações em sites próprios no meu telemóvel. A cada golo, ao penálti falhado, aos golos sofridos pela Espanha, eu dançava com mais gosto, dava gritinhos, brindava (pouquinho de cada vez, pois ia a conduzir). 

 

 

Às vezes é giro viver jogos assim, longe do sofá e da televisão. Sempre é uma experiência diferente.

 

Fiquei surpreendida pela positiva com o Diogo Dalot. Das poucas vezes que jogara pela Seleção não me tinha impressionado. Agora é capaz de questionar a titularidade de João Cancelo, algo que eu não estava à espera.

 

De facto, naquela noite correu praticamente tudo bem para o nosso lado. Aconteceu tudo o que eu queria. Tinha esperanças de que a Espanha fosse perder pontos perante a Suíça, mas não imaginava que fosse mesmo perder o jogo. Depois, do nosso lado, os checos foram simpáticos ao ponto de falharem um penálti – às tantas, aquilo que o Diogo Costa referiu depois do jogo com a Turquia, de ser capaz de influenciar os adversários para falharem penáltis, é verdade, ah ah. Uma noite praticamente perfeita.

 

Não valeu de nada.

 

Como disse antes, estive a trabalhar durante a primeira parte do jogo com a Espanha, espreitando sites de atualizações quando conseguia. Aparentemente – e de acordo com o que me contaram mais tarde – estava zero a zero, mas os portugueses estavam a esforçar-se. Não estava a correr mal.

 

A segunda parte não foi assim. O próprio Fernando Santos admitiu que, a partir dos sessenta minutos, “a equipa foi-se abaixo”. Uma pessoa pergunta-se porque é que não fez nada para remediar a situação, ou não fez melhor. Os espanhóis encostaram-nos às cordas, quase literalmente. Quando marcaram foi um choque mas não foi uma surpresa. Como em várias outras ocasiões, fomos a correr atrás do empate mas já não deu.

 

Captura de ecrã 2022-10-03, às 11.09.31.png

 

Já não sei o que dizer que não tenha dito antes. Esta estava ao nosso alcance! Os desígnios já tinham sido simpáticos ao criarem circunstâncias que não nos obrigassem a ganhar à Espanha – algo que seria sempre difícil. Bastava termos jogado um bocadinho mais que fosse para garantirmos o empate e ficarmos todos contentes. Mas nãããããoooo!

 

Tenham paciência mas já são muitas desilusões. Deixo os links para quando falhámos o Euro 2020 e quando falhámos o Apuramento para o Mundial no ano passado – o que escrevi ainda é válido. Sei que as coisas melhoraram depois do jogo com a Sérvia e tivemos alguns jogos bons este ano. Mas de que serviu se, no fim, o resultado foi o mesmo? De que serviram os bons desempenhos perante a Suíça (o primeiro jogo) e a Chéquia se falhámos o acesso à final four? De que servirão os bons resultados nos play-offs se, mais uma vez, não dermos uma para a caixa no Mundial?

 

Aparentemente, Fernando Santos considera que esta derrota “não belisca o projeto de trabalho para o Mundial” e nem sequer ameaça o seu emprego. Ele literalmente disse “Tenho contrato até 2024” – só faltava ter acrescentado “É lidar”, como disse o Insónias. Não só piora a sua imagem, numa altura em que tem o país inteiro a vociferar pela sua demissão… mas também me deixa preocupada. 

 

É possível que ele não esteja a ser sincero, pode ter sido só uma boca de gato assanhado. Mas se estiver, se for resistir a uma eventual chicotada psicológica… isto pode ficar feio. E, por muito farta que esteja de Fernando Santos por estes dias… ele não deixa de ser o técnico que nos ganhou os nossos primeiros títulos. Merece uma saída digna. 

 

Se eu acho que Fernando Santos deve deixar a Seleção? Não é uma resposta simples. Por um lado sim, talvez já devesse ter saído há mais tempo, depois do Euro 2020. Por outro lado, temos o Mundial já aí à porta e só teremos para aí uma semana para prepará-lo. Será a melhor altura para trocar a equipa técnica? Por ainda mais um lado, não quero o registo destes últimos anos neste Mundial, o último de João Moutinho, Pepe e Cristiano Ronaldo.

 

Captura de ecrã 2022-10-03, às 11.12.33.png

 

No fundo é irrelevante se apoio ou não o Selecionador. A Federação não levará a minha opinião em conta. Não me serve de nada dizer que não apoio Fernando Santos, ou que não apoio a Seleção enquanto lá estiver Fernando Santos. Talvez me proteja de eventuais desilusões, mas não me traz felicidade nenhuma. Eu quero apoiar a Seleção, eu quero ter esperança, quero desfrutar deste Mundial. Até estou a pensar ir ao particular com a Nigéria em Novembro. Mas… desta forma?

 

Não sei, sinceramente. Não sei o que esperar deste Mundial, não sei com que atitude partirei para ele. Falaremos sobre isso na altura, suponho eu.

 

E já que falamos de sujeitos agarrados aos respetivos lugares… uma palavra para Cristiano Ronaldo – provavelmente um dos piores em campo nesta dupla jornada.

 

Uma das discussões nos últimos dias tem-se centrado no papel dele na Seleção. O vídeo abaixo (em inglês) fez-me reconsiderar a minha opinião sobre o desejo de Ronaldo vestir a Camisola das Quinas até 2024. Até que ponto será nobre prolongar a sua estadia, tirando o lugar a jogadores mais capazes, se não conseguir ajudar a equipa. 

 

Faz-me lembrar a história de Roy Kent, no final da primeira temporada de Ted Lasso. Seguem-se spoilers nos próximos parágrafos. É também um conflito entre uma estrela em decadência e as necessidades de uma equipa. Ted (que, na minha opinião, é mais um mental coach do que um treinador propriamente dito) não quer colocar Roy no banco pois não quer magoá-lo. Os seus colegas, no entanto, fazem-lhe ver que Ted não pode colocar o ego de Roy acima de uma equipa inteira.

 

 

Ao mesmo tempo, Roy construiu toda a sua identidade em torno da sua carreira futebolística. Destaco a frase “Roy Kent tem sido o melhor jogador em todas as equipas em que esteve desde miúdo”. Não quer aceitar o facto de já não conseguir jogar ao nível de outrora. Tanto a sua namorada como a sua sobrinha fazem-lhe ver que existe Roy Kent para além do futebol. No fim, ele e Ted tomam a decisão certa.

 

Da mesma maneira, receio que Ronaldo esteja em profunda negação sobre si mesmo. E o pior é que acho que ele não tem nenhuma Keeley ou nenhuma Phoebe na sua vida. Tirando, talvez, Erik ten Hag e alguns colegas dele no Manchester United, todos à volta dele continuam a alimentar-lhe as ilusões. Veja-se a publicação da irmã dele nas redes sociais. Sim, as pessoas são cruéis na Internet, mas não é ódio, não é ingratidão, não é um ataque pessoal reconhecer o que está à vista de todos – e isto também é válido para Fernando Santos. Pelo contrário, reforçar a negação de Ronaldo será pior para ele a longo prazo, receio eu. A maior prova de amor que alguém lhe pode dar neste momento é obrigá-lo a enfrentar a realidade e adaptar-se a ela. 

 

Até porque, no fim do dia, Ronaldo é apenas humano. Não é uma falha pessoal ele estar a perder os seus super-poderes ao fim de vinte anos como sénior. Alguém que lhe diga isso!

 

Ao mesmo tempo, Fernando Santos e talvez a Federação em geral precisam de um Coach Beard. Não vou ao ponto de pôr todas as culpas no Selecionador. Acredito que haja pressão da parte das equipas de marketing e dos patrocinadores para dar protagonismo ao jogador mais mediático da Seleção. Mas não podem pôr o ego de um único Marmanjo, ou eventuais likes ou camisolas vendidas, acima da equipa toda. 

 

Não me interpretem mal, não digo que esta seja a altura de Ronaldo pendurar a Camisola das Quinas. Mas precisamos de mudar de atitude. Se Ronaldo não rende em campo, substituam-no! No vídeo que referi acima, sugerem usá-lo como suplente de ouro, estilo Ricardo Quaresma no primeiro ano de Fernando Santos – que se estude essa hipótese! 

 

01.png

 

E, falando a médio/longo prazo, começar a pensar na retirada de Ronaldo.

 

Esta é apenas a minha opinião, claro. Estão à vontade para discordar – até porque Ronaldo ontem ficou no banco e o Manchester United foi goleado à mesma. Posso estar redondamente enganada em relação a isto tudo. Mas temos de ter esta conversa. 

 

Veremos, então, o que acontecerá a seguir. Falamos de novo em vésperas do Mundial, provavelmente depois da Convocatória. A ver como me sentirei na altura.

 

Como habitual, obrigada pela vossa visita. Visitem também a nossa página de Facebook. Fiquem bem. 

Renúncias, equipamentos e outros temas fraturantes

308070686_5807868012586044_5365796316543769802_n.j

Hoje à noite, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará a sua congénere checa. Depois, na próxima terça-feira dia 27 de setembro, receberá a sua congénere espanhola. Estes serão os últimos jogos a contar para a fase de grupos da terceira edição da Liga das Nações. 

 

Vou ser sincera: antes de segunda-feira estive perto de não escrever uma crónica pré-jogos para dupla jornada – sobretudo tendo em conta que me atrasei com o meu outro blogue. Acho que me esforçaria sempre por publicar qualquer coisa, por pequena que fosse, pois arrependi-me de não ter escrito antes dos jogos de junho

 

Mas não tinha mesmo muito a dizer. Esta foi uma Convocatória bastante conservadora. Fiquei surpreendida mas não devia ter ficado. Para além de ser Fernando Santos, há muito pouco espaço para treinar, para fazer experiências. O calendário futebolístico atual é uma coisa parva – mais sobre isso já a seguir – quase não há jogos particulares, não vai dar para fazer um estágio como deve ser antes do Mundial. Nós teremos dez dias e estamos entre os mais afortunados nesse aspeto. É provável que a Convocatória para o Mundial também não inove muito.

 

Até aqui tudo bem, um dia normal no escritório. Tudo mudou quando, na segunda-feira, Rafa – um dos Chamados para esta dupla jornada – anunciou que se ia retirar da Seleção.

 

1024 (2).jpeg

 

Não estava à espera desta. Já lá vão anos desde a última vez que tivemos de lidar com uma situação parecida. 

 

De início fiquei preocupada, devo confessar. Como amante da Seleção, nunca gostei de renúncias por princípio. Além disso, da minha experiência, estas costumam ser sintomas de desentendimentos entre jogadores e Selecionador. Aconteceu com Carlos Queiroz, aconteceu com Paulo Bento. Quem acompanhe este blogue nos últimos tempos saberá que tenho andado com um pé dentro e um pé fora no que toca a Fernando Santos – desde o Euro 2020. Se isto significasse o que eu achava que significava, teria mais munições contra o Selecionador. 

 

Não me parece que seja esse o caso, no entanto. Até pelo timing da renúncia: antes desta, Rafa só tinha vindo à Seleção nas últimas duas jornadas do ano passado e em ambas fora dispensado por lesão. Se tivessem existido desentendimentos, Rafa teria renunciado mais cedo, não acham? 

 

É certo que, da última vez que Rafa esteve na Seleção, em novembro último, circularam rumores de "falta de empenho", de que ele "gerava desconforto na Equipa das Quinas. Hoje há quem diga que Rafa se ressente de ninguém o ter defendido na altura… o que não é verdade. Fernando Santos negou todos os rumores na altura, em entrevista. 

 

Da mesma maneira, também não acho que Rafa tenha saído por estar contra o uso de jogadores naturalizados ou porque o Otávio e o Diogo Costa foram maus para o Benfica, como alguns disseram – isso são as pessoas projectando as suas próprias birras na situação. 

 

A "teoria" que me parece mais plausível relaciona-se com gestão de tempo. Rafa nunca foi uma opção super consistente na Turma das Quinas. Foi Campeão Europeu mas mal jogou. Os seus poucos destaques de Quinas ao peito foram o primeiro jogo contra a Polónia em 2018 e o jogo contra a Hungria no Euro 2020. Nunca fez parte do núcleo duro de confiança de Fernando Santos. Foi Convocado para esta dupla jornada, mas é possível que não fosse titular em nenhum dos jogos. 

 

transferir (2).jpeg

 

Segundo Rui Casaca, um antigo dirigente do Sporting de Braga e conhecido de Rafa, este "valoriza muito a vida para além do futebol". Como muitos têm assinalado, entre a pandemia e um Mundial fora de horas, os calendários futebolísticos tornaram-se demasiado pesados nos últimos anos. Por estes dias, todos os clubes “grandes” têm dois jogos por semana. 

 

E eu pergunto-me: como é que os jogadores aguentam? Quando é que têm dias de folga? Desde que comecei a trabalhar e sobretudo no pós-pandemia, sou muito ciosa do meu tempo fora do trabalho. Não sei se conseguiria aguentar o estilo de vida de um futebolista como Rafa: sem fins-de-semana, desfasados de toda a gente, inúmeras viagens.

 

Tendo tudo isto em conta, não me choca que Rafa prefira ficar de fora da Seleção. Sobretudo se estiver convencido que só iria para lá aquecer bancos (não acho que fosse verdade, mas pronto). É possível que tenhamos outros exemplos, não só em Portugal, de jogadores renunciando às respetivas seleções por não aguentarem este ritmo. 

 

Dito isto tudo, a maneira como Rafa fez isto deixou muito a desejar. Para começar, devia ter avisado Fernando Santos antes da Convocatória, não depois. O Selecionador teria tempo para pensar numa alternativa – e calculo que seja uma logística complicada para a Federação Chamar um jogador fora de horas. 

 

Por outro lado, segundo declarações de Fernando Santos ontem, Rafa disse uma coisa ao Selecionador – que não podia comparecer nesta dupla jornada – e outra coisa à Federação – que não voltaria a envergar as Quinas. Mas que raio…? Só faz com que Rafa fique pior na fotografia. 

 

Tirando estes últimos aspetos, aceito a decisão de Rafa. Mas fico triste: este está a atravessar uma boa fase e agora não podemos aproveitá-la. Por outro lado, estou feliz por Gonçalo Ramos ter sido Chamado – é outro que anda a entusiasmar. 

 

 

Do outro lado do espectro temos Cristiano Ronaldo. Não sei se sou a única mas, depois das figuras tristes que fez no último Mercado de Transferências e da sua estranha situação no Manchester United, tenho-me interrogado se o seu papel na Seleção iria mudar. 

 

Suponho que ainda seja cedo para isso acontecer. Afinal de contas, ele saiu-se bem na última jornada – e como escrevi na altura, nós recebêmo-lo sempre de braços abertos.

 

Talvez seja por isso que Ronaldo nos seja tão leal. Talvez ele sinta que neste momento que a Seleção é o único sítio onde é verdadeiramente amado (embora ele só se possa culpar a si mesmo por isso). Ao ponto de ter adiantado esta semana que quer jogar no Euro 2024. Que teremos de levar com o “Cris” durante mais um par de anos, pelo menos.

 

Por um lado fico comovida. Tenho passado os últimos quatro ou cinco anos à espera que Ronaldo acorde um dia e decida que já não aguenta vir à Seleção. Antigos heróis meus, como Luís Figo, Rui Costa, Pedro Pauleta, Deco, fizeram isso e eu encaixei. Eu também encaixaria que Ronaldo fizesse o mesmo.

 

Mas ele não faz! Ele não nos vira costas! De uma maneira que vai além do racional, na minha opinião. 

 

Porque esse é o reverso da medalha. Onde acaba o amor à camisola e ambição e começa a negação? Ele já não é um jovem. Na idade dele muitos jogadores já penduraram as botas há muito. Como pode ele ter a certeza de que irá aguentar? Tenho medo que este espírito deixe de ser saudável. Espero que Ronaldo saiba o que está a fazer.

 

Adiante. 

 

306763864_5793749363997909_1990433595286221743_n.j

 

No mesmo dia da Convocatória, foram apresentados os novos equipamentos. Desde que dediquei um texto inteiro a equipamentos da Seleção, fiquei contratualmente obrigada a pronunciar-me sobre cada coleção nova. E é o que vou fazer.

 

Uma última palavra para o equipamento principal de 2020. Como escrevi no outro dia na página, tomei o gosto a esta camisola. Quando saiu queixei-me dos colarinhos e, de facto, não adoro o pormenor. Na prática, eles não me incomodaram quase nada. Hoje colocaria este equipamento em terceiro ou quarto lugar na minha classificação.

 

Agora sobre este conjunto… No que toca ao equipamento principal, a minha primeira impressão não foi muito favorável. Percebo a ideia: durante muito tempo tivemos equipamentos só em vermelho quando a nossa bandeira é quarenta por cento verde, mais coisa menos coisa. A equipa por detrás dos equipamentos terá querido contrariar isso – o lema desta coleção é precisamente “Veste a bandeira”. Em 2020, recuperaram os clássicos calções verdes, para este quiseram pensar fora da caixa.

 

Eu aplaudo. Na minha classificação, favoreci os equipamentos mais criativos e o principal de 2022 é definitivamente um equipamento criativo. Mas talvez tenha ficado demasiado diferente para o gosto de muitos. Pessoalmente, acho que irei aprender a gostar deste equipamento. Como todos, vou precisar de vê-lo em campo. Daqui a um par de anos darei o meu juízo final. 

 

De resto, gosto muito desta coleção em geral. O equipamento alternativo é menos arrojado mas mais popular: eles raramente erram com equipamentos brancos com pormenores verdes e vermelhos – espero que lancem um boné a condizer. Os equipamentos de treino e as camisolas de passeio são também muito giros. Aliás, gosto muito da estética geral da coleção, que adotaram para as redes sociais das seleções: as diagonais, os padrões geométricos, as letras douradas.

 

306921788_5793792813993564_6375274791032194957_n.j

 

A única exceção é a camisola de aquecimento. Fui das primeiras a reparar e adivinhei logo as reações. A sério que ninguém entre os criadores fez o mesmo?

 

Não tenho muito a dizer sobre os jogos. Há quem diga que temos de pelo menos pontuar perante a Chéquia, para depois discutirmos o Apuramento com nuestros hermanos. Para ser sincera, acho mais seguro ganharmos aos checos e fazermos figas para que os suíços roubem pontos aos espanhóis – assim, não seríamos obrigados a vencê-los na terça-feira. 

 

Não que nos possamos fiar. 

 

Aliás, nenhum destes jogos será fácil. Como disse ontem Fernando Santos, os espanhóis tiveram sérias dificuldades em casa checa – e o estádio vai estar cheio, logo à noite. E mesmo que ganhemos – e eu acho que ganhamos – se a Espanha ganhar à Suíça, teremos de vencê-los na terça-feira. Recordo que só vencemos nuestros hermanos exatamente uma vez em jogos oficiais – no Euro 2004

 

Algo que joga a nosso favor é o facto de o jogo de terça se realizar em nossa casa – numa Pedreira esgotada. Tenho a certeza que o público tudo fará para facilitar a tarefa aos nossos Marmanjos.

 

Infelizmente, estou com um problema de timing nesta jornada. Hoje vou ter um jantar e não sei se terei acesso a uma televisão. Na terça-feira só saio do trabalho às 20h30 – só conseguirei ver a segunda parte do jogo com a Espanha e talvez não toda. 

 

308841079_5816577745048404_7378985991545411901_n.j

 

Não me queixo muito pois, no Mundial, não terei esse problema. Ou melhor tê-lo-ei em menor escala. Vou tirar uma semana de férias na semana dos jogos com o Uruguai e a Coreia do Sul para poder ver pelo menos esses dois jogos sem stress e ter tempo para escrever sobre eles no blogue. Há anos que queria fazê-lo e finalmente consigo – só é pena não ter conseguido tirar mais dias. 

 

De qualquer forma, mesmo não podendo ver, não deixarei de torcer. Será uma tarefa hercúlea, mas eu acredito. E se conseguirmos, se carimbarmos o regresso à final four da Liga das Nações, eu serei uma mulher feliz.

 

Como sempre, obrigada pela vossa visita. Força Portugal!

Estava a correr demasiado bem...

5f9de53841924c807293428bfd26b72ac6ba3366.jpeg

No passado dia 9 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere checa por três bolas sem resposta. Três dias mais tarde, no entanto, perdeu perante a sua congénere suíça por uma bola sem resposta. Estes jogos contaram para a fase de grupos da Liga das Nações e, com este resultado, Portugal fica em segundo lugar, com menos um ponto que a líder Espanha.

 

Estava a correr demasiado bem, não estava?

 

Um jogo de cada vez. O jogo com a Chéquia decorreu em Alvalade, à semelhança do primeiro jogo com a Suíça. Eu podia ter estado lá. Quando soubemos que íamos ter estes dois jogos perto de nós, a minha irmã sugeriu irmos aos dois. Eu no entanto tinha começado um emprego novo, achava que ainda não estaria à vontade para pedir para sair mais cedo – sobretudo na véspera de um fim-de-semana prolongado. Eu já iria ao jogo com a Suíça. Não precisava de ir ao outro com a Chéquia, certo? Certo?

 

Errado.

 

A minha irmã acabou por arranjar bilhetes para ela e para os amigos. Claro que me arrependi de ter decidido não ir. Sobretudo depois de ter tido uma experiência fantástica no domingo anterior, que me deixou a chorar por mais, e de me ter recordado que a Seleção não tornará a jogar perto de mim este ano – o jogo em casa com a Espanha será em Braga e acho que não haverão particulares antes do Mundial. Agora que já estou um pouco mais à vontade no meu emprego, sei que podia perfeitamente ter pedido para sair mais cedo: mesmo que tivesse de ir diretamente do trabalho para o estádio, mesmo que chegasse atrasada. 

 

Não vou mentir, doeu. Sobretudo quando uma das amigas da minha irmã apanhou Covid e se colocou a hipótese de eu ir no lugar dela… mas o bilhete foi para outro amigo.

 

Fica a lição para mim. Por outro lado, mais tarde a minha irmã contou-me que os amigos dela nunca tinham ido a um jogo da Seleção e adoraram a experiência. O que me fez sentir muito melhor. Afinal, já conto uma mão-cheia de jogos da Turma das Quinas. Posso ter perdido uma oportunidade mas, se isso contribuiu para converter outros à Equipa de Todos Nós, valeu a pena. 

 

285303904_5518447688194746_6559860143828250139_n.j

 

Por outro lado, a minha irmã levou a minha camisola da Seleção, que sempre invejou, emprestada. A camisola tem o meu nome impresso nas costas, mas ela não se importou. As pessoas confundem-nos tantas vezes que ela já está habituada a que lhe chamem Sofia.

 

E vice-versa, na verdade. Quem tem irmãos sabe como é. Sobretudo se forem tão parecidos fisicamente como eu e a minha irmã.

 

Já lhe prometi que, se ela gostar do próximo equipamento da Seleção, compro-lhe uma camisola pelos anos ou pelo Natal. De qualquer forma, no caso deste jogo, fiquei contente por pelo menos a minha camisola ter estado em Alvalade – foi como se uma parte de mim tivesse estado lá.

 

Uma parte de mim está sempre lá quando joga a Seleção, no entanto.

 

A verdade é que foi uma tarde complicada no meu emprego. Voltei a sair às oito da noite, mas desta feita não consegui sequer ver (e muito menos partilhar na página) o onze inicial. 

 

Depois de sair, contudo, liguei-me logo ao relato da rádio. Fiquei a saber que Portugal estava por cima, com várias oportunidades falhadas. Na rádio disseram que isso não era garantia de nada, que o mesmo acontecera com os espanhóis quando estes jogaram com a Chéquia – e acabaram correndo atrás do empate. Iria acontecer-nos o mesmo? 

 

 

Felizmente não. Curiosamente, aconteceu-me o exato oposto do que acontecera no jogo com a Espanha: cheguei a casa no preciso momento em que marcámos o nosso primeiro golo. Bem, mais ou menos: foi quando estava a entrar no elevador, com o Nuno Matos nos headphones. Não resisti a dar um pequeno grito de golo. Espero não ter incomodado nenhum dos meus vizinhos – suponho que, para eles, seria indiferente se eu gritasse no elevador ou no meu apartamento. 

 

Este primeiro golo resultou de mais uma colaboração entre Bernardo Silva e João Cancelo. O primeiro fez um passe excelente para o segundo, escapando a três checos. Cancelo depois seguiu pela direita e rematou certeiro. 

 

Momento engraçado quando um apanha-bolas se veio abraçar a Cancelo durante os festejos. Admiro o atrevimento (penso que terá sido o mesmo que roubou um high-five a Ronaldo). Espero que não tenham ralhado com ele. 

 

O segundo golo veio cinco minutos depois e teve de novo Bernardo. Uma vez mais, passe magistral, desta feita para a finalização de Gonçalo Guedes. Um belo golo, nova colaboração entre Bernardo e Guedes exatamente três anos após a primeira final da Liga das Nações.

 

Não há muito mais a dizer sobre este jogo. Uma exibição pouco excitante, mas consistente (ao contrário do que acontecera uma semana antes, em Madrid), suficiente para garantir e merecer a vitória. No fim, estávamos todos contentes. Tínhamos feito um jogo mau perante a Espanha mas com um resultado aceitável, tínhamos duas vitórias seguidas com boas exibições. Estávamos em primeiro no grupo. As coisas estavam a correr bem para o nosso lado.

 

Não durou. 

 

01.png

 

Ainda não se tinha completado um minuto do jogo com a Suíça, em Genebra, e já tínhamos consentido um golo do nosso conhecido Haris Seferovic. Desta feita contou.

 

Esperava-se que este golo servisse de “wake up call” – esse e o penálti anulado pelo VAR. Não foi assim, pelo menos não no imediato. Foi uma primeira parte muito pastosa e desinspirada – tanto da nossa parte como dos suíços. É possível que os jogadores estivessem a sentir os quatro jogos em dez dias, que já estivessem a pensar nas férias. Por outro lado, tínhamos jogadores menos experientes em campo – Rafael Leão, que ainda não se adaptou bem à Turma das Quinas; Vitinha, pela primeira vez a titular. Quando nomes mais habituais, como Gonçalo Guedes e Bernardo Silva, entraram, a qualidade do nosso jogo melhorou.

 

A segunda parte foi, assim, melhor que a primeira. No entanto, foi um caso clássico de bola-não-quer-entrar. Uma conjugação de pouca sorte (“baliza benzida”, como ia dizendo António Tadeia), falta de pontaria, guarda-redes fazendo o jogo da vida dele (porque não jogou o mesmo que jogou em Alvalade? Aquele que defendia para a frente?) e, a partir de certa altura, bloqueio psicológico. A desvantagem no marcador manteve-se. 

 

Esta derrota doeu e ainda terá doído mais aos milhares de portugueses no Estádio de Genebra. Pela maneira como estes se faziam ouvir – mesmo tendo Portugal passado noventa e nove por cento do jogo a perder – arrisco-me a dizer que estes estavam em maioria? Alegadamente o suíço Steffen ter-se-á a certa altura virado para as bancadas e pedido apoio – em vez disso recebeu assobios.

 

Quase tenho pena dos suíços. Eles supostamente estavam a jogar em casa. Ao mesmo tempo, é triste temos invadido casa alheia para ver Portugal fazer um jogo tão pobre.

 

02.png

 

Cristiano Ronaldo, João Moutinho e Raphael Guerreiro não jogaram em Genebra, nem sequer estiveram no banco. Fernando Santos já tinha anunciado na véspera que os dispensara. Na altura não me chocou – Cristiano e Moutinho estão entre os mais velhos do grupo e Raphael costuma lesionar-se com alguma frequência. E não há por aí quem ache que Portugal joga melhor sem Ronaldo?

 

Por outro lado, porque é que Ronaldo, com trinta e sete anos, teve direito a ir de férias mais cedo, quando Pepe, dois anos mais velho, teve de jogar os noventa minutos vezes quatro desta jornada? A resposta é simples, na verdade: Fernando Santos está mais à vontade para rodar o meio-campo e o ataque que a defesa. O Selecionador falou sobre isso há pouco tempo, em entrevista com António Tadeia, salientando a falta de jogos particulares para fazer experiências. E a verdade é que já tivemos experiências desagradáveis quando não pudemos usar os centrais do costume.

 

Regressando a Cristiano Ronaldo, é muito fácil dizermos agora que, se ele tivesse jogado em Genebra, teríamos ganho. É possível, não o nego – talvez este não falhasse tantos remates. Mas já tivemos outros jogos em que a bola não entrava com Ronaldo em campo, por isso, não há garantia de nada.

 

E agora? Agora ainda dependemos de nós mesmos para nos Qualificarmos para a final four da Liga das Nações. Temos “apenas” de ganhar os dois próximos jogos. É mais fácil escrevê-lo do que fazê-lo: um dos nossos adversários é a Espanha, a quem ganhámos um total de uma vez em jogos oficiais. Nada de especial.

 

Porquê, minha gente, porquê? Andava eu toda contente por estarmos a conseguir os resultados e, pelo menos até certo ponto, as exibições. Parecia que tínhamos aprendido com os erros de 2021 e que estávamos finalmente a aproveitar o talento dos nossos jogadores. Porquê?

 

Não podíamos ter terminado a jornada com o jogo com a Chéquia? Os jogadores até agradeciam o compromisso mais leve. 

 

03.png

 

Uma das poucas coisas boas em relação à nossa derrota com a Sérvia foi o facto de a equipa técnica ter aprendido com os erros. Assim, conseguiram catalisar um melhor desempenho na maioria dos jogos em 2022 até agora. Seremos também capazes de aprender com esta derrota? Eu espero que sim.

 

Por outro lado, pelo menos na parte que toca à calendarização e gestão física, depois da pandemia e do Mundial no outono, é pouco provável que estas circunstâncias se repitam de novo. 

 

Isto é, espero eu. 

 

Agora temos outra vez um tubarão a bloquear-nos o caminho para uma fase final. É certo que, nos play-offs para o Mundial, os italianos fizeram-nos o favor de perderem com a Macedónia do Norte antes de se poderem cruzar connosco. Aqui, tudo o que podemos fazer é rezar para que os espanhóis percam pontos perante os suíços, para não ficarmos obrigados a vencê-los.

 

A brincar a brincar, eu não me admirava se isso acontecesse. As pessoas dizem que Fernando Santos tem uma vaca no que toca a estas coisas.

 

Temos o verão inteiro para pensarmos nisso, para lambermos as feridas (começando por mim mesma). Os Marmanjos que descansem e aproveitem as férias – esta foi uma época longa e dura, a próxima também o será. Em setembro regressaremos mais fortes e arranjaremos uma maneira de retificar esta situação.

 

Como sempre, obrigada pela vossa visita. Visitem também a página de Facebook associada a este blogue. Tenham um verão feliz, em setembro haverá mais.

Um estranho empate, a vitória de que precisávamos

283989561_433126985484938_5523332544242578628_n.jp

No passado dia 2 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou a uma bola com a sua congénere espanhola. Três dias mais tarde, venceu a sua congénere suíça por quatro bolas sem resposta. Estes dois jogos contaram para a fase de grupos da terceira edição da Liga das Nações. 

 

Antes de mais nada, um pequeno pedido de desculpas por não ter publicado aqui no blogue antes destes jogos. Tenho tido umas semanas complicadas, em grande parte porque apanhei Covid e este não foi meigo comigo. Não é a primeira vez que salto uma crónica pré-jogo e não será a última. Mas não o devia ter feito desta vez. 

 

Nestas crónicas gosto de fazer uma rápida análise aos nossos adversários, o historial recente deles, o nosso histórico de confrontos com eles – para depois fazer prognósticos. Isso fez-me falta nesta jornada. Quando esta jornada começou, senti-me como se estivesse numa aula prática da faculdade sem a ter preparado.

 

Enfim, acontece. Mas vou tentar não repetir no futuro.

 

No dia do jogo com a Espanha, saí tarde do trabalho e acabei por perder os primeiros vinte e cinco minutos do jogo. Bem, mais ou menos. Ia consultando aqueles sites de atualizações de jogos quando podia até sair, depois ouvi o relato na rádio. Dava para perceber que a Espanha estava claramente por cima, ainda que Portugal fosse conseguindo defender-se dos ataques deles. 

 

Captura de ecrã 2022-06-09, às 21.36.29.png

 

Mas não por muito tempo. Na verdade, entrei em casa precisamente no momento em que Álvaro Morata marcou. Rafael Leão tentou passar para trás, João Cancelo (foi ele, não foi?) deixou a bola fugir e ir parar aos pés de Gavi. Os Marmanjos foram basicamente apanhados com as calças na mão enquanto Gavi galgava o campo. Por fim, este passou a Sarabia que assistiu para Morata.

 

Tenho de admitir, foi uma bela jogada. Os portugueses só se podiam culpar a si mesmos.

 

Agora que já tinha acesso a uma televisão, conseguia ver com os meus próprios olhos que a Espanha estava a jogar muito melhor do que nós. Os portugueses na comparação quase pareciam amadores, dependentes da inspiração dos mais criativos. Não era tanto um “fia-te na virgem e não corras”, era mais um “fia-te no Rafael Leão e deixa os espanhóis correrem”. Em teoria isto não devia ser eficaz. Na prática, com Fernando Santos tem resultado muitas vezes.

 

Infelizmente, Rafael Leão – que jogou no lugar de Cristiano Ronaldo e é um dos Marmanjos do momento – não estava nos seus dias. Ou isso, ou se calhar ainda não estava preparado para este papel – ainda tem pouca experiência na Seleção.

 

Aproveito para falar já numa das questões-chave do jogo: a ausência de Cristiano Ronaldo do onze inicial. O assunto fez correr muita tinta – mais do que devia, na minha opinião. Ronaldo tem trinta e sete anos, vai completar em breve vinte anos como jogador profissional (!). Não podemos ficar dependentes dele para sempre, temos de ir fazendo o desmame. Pessoalmente, eu não o deixava no banco neste jogo – o mais difícil da fase de grupos. Mas temos de encarar com naturalidade quando ele não joga de início. 

 

A nossa melhor fase foi no início da segunda parte, quando entrou Rúben Neves para o lugar de João Moutinho. Infelizmente o ímpeto não durou muito. Ainda assim, Ricardo Horta – estreante e outro dos Marmanjos do momento – entrou aos setenta e poucos minutos e só precisou de mais dez para empatar a partida. Pode ter sido um golo contra a corrente do jogo, mas foi uma jogada bonita: a troca de bola entre Cancelo e Gonçalo Guedes, a assistência do primeiro para o remate de Horta.

 

 

Por alturas do fim do jogo, eu mal acreditava. Como é que tínhamos conseguido não perder aquele jogo? Quase senti pena dos espanhóis, que tinham feito muito mais por merecer a vitória. Quase… porque duvido que nuestros hermanos pensassem o mesmo se fosse ao contrário – não tanto os jogadores, mais os adeptos. Eles que não nos deram pontos na Eurovisão e, pior ainda, assobiaram o nosso hino. 

 

Por isso sim, que se danem. Este pontinho é nosso. E talvez venha a ser precioso.

 

Por outro lado, tenho de ser sincera: este empate não entusiasmou ninguém. Foi um típico jogo à Fernando Santos, sobretudo neste último ano, ano e meio. Um estranho empate, como disseram nos Memes da Bola. Parafraseando um monólogo de uma personagem de Ted Lasso, o equivalente futebolístico a um quadro de quarto de hotel: cumpre a sua função, mas está longe de ser uma obra de arte, está longe de comover. 

 

É por estas e por outras que, nesta altura do campeonato, muitos de nós não conseguem estar a cem por cento com Fernando Santos – eu incluída. Foi por muitos jogos assim que o ano passado foi tão frustrante. É certo que uma coisa é termos estes estranhos empates perante adversários como a Espanha – historicamente uma das nossas maiores bestas negras. Outra coisa era quando tínhamos estes estranhos empates ou estranhas vitórias perante adversários como a República da Irlanda ou o Azerbaijão

 

E de qualquer forma, no que toca a entretenimento e obras de arte, fomos bem compensados no jogo seguinte.

 

Este decorreu no Estádio de Alvalade e eu estive lá, com a minha irmã – que não ia a um jogo da Seleção desde antes da pandemia, desde… desde a final da Liga das Nações no Porto há precisamente três anos, vejo agora. 

 

Chegámos cedo, sem grandes complicações – o facto de já não precisarmos de certificados de vacinação e afins ajuda – assistimos a parte do aquecimento. Como sempre, estava um ambiente fantástico, com lotação esgotada – nunca me farto disso. E como era o Estádio de Alvalade, a Seleção vestia um equipamento verde e vermelho e ainda tínhamos a luz do dia, lembrei-me do meu primeiro jogo.

 

 

Como já toda a gente assinalou, Portugal não entrou bem na partida. Os suíços dominaram durante os primeiros dez minutos, culminando com o golo de Seferovic, aos seis minutos. Comecei logo a fazer contas à vida, naturalmente – ao mesmo tempo, estranhei que o marcador não se alterasse nos ecrãs gigantes. Acabou por aparecer a indicação de consulta do VAR por mão na bola. Pouco depois obtivemos confirmação e o golo foi anulado. Suspiro coletivo de alívio, festejos nas bancadas.

 

– Que sirva de lição – disse eu, na altura. Estava apenas falando para o ar, claro, parecido com os meus gritos ocasionais de “Vai! Vai! Vai!”, “Corre!”, “Chuta!”. Mas a verdade é que os jogadores pensaram o mesmo – vários admitiram-no mais tarde. O golo anulado foi uma “wake up call”. Depois dele, Portugal tomou conta do jogo. 

 

Começando logo aos quinze minutos, na nossa primeira ocasião. Cristiano Ronaldo cobrou o livre direto, o guarda-redes Gregor Kobel defendeu para a frente, William Carvalho marcou na recarga. Adoro ver os festejos deste golo – se me permitem a nota menos futebolística, William tem um sorriso lindo.

 

Isto na verdade foi apenas o começo para William. Ele fez um jogo espetacular, catalisando vários lances de ataque. Não foi o único. Adiantando-me um pouco, Portugal num todo jogou bem. Jogou “bonito”, como Fernando Santos insiste em dizer. O talento que todos reconhecem nos nossos Marmanjos estava finalmente a vir ao de cima. Otávio estava em todo o lado – neste jogo reparei que ele é baixinho mas corre muito. Nuno Mendes teve vários rasgos de inspiração. Diogo Jota não esteve nas suas melhores noites – aparentemente ele só consegue marcar de cabeça – mas sempre contribuiu para os dois golos de Cristiano Ronaldo. João Cancelo foi pura e simplesmente imperial. Rúben Neves também esteve bem, à semelhança de Bruno Fernandes, que também esteve nos golos de Ronaldo. Eu podia continuar…

 

Mas regressemos à primeira parte do jogo. Os últimos quinze minutos foram absolutamente avassaladores da nossa parte, com dois golos e uns quantos desperdícios. Ambos os golos foram assinados por Ronaldo. 

 

A jogada do primeiro começou em Rúben Neves, Otávio desviou de cabeça, Bruno Fernandes passou para Diogo Jota. Pensava-se que este iria rematar – em vez disso, este desarmou dois suíços e assistiu para o remate certeiro de Ronaldo. 

 

No segundo golo, Bruno Fernandes fez uma cueca a um dos suíços (que boss…), a bola chegou a Nuno Mendes que assistiu para Diogo Jota. Este aparentemente não estava à espera e tentou um remate atrapalhado. Kobel defendeu de novo para a frente (a sério? Um remate tão fraquinho e ele defende para a frente? Acho que até eu teria conseguido agarrar esta bola!) e desta vez foi Ronaldo a aproveitar. 

 

 

Não sei como é com vocês, mas eu nunca me cansarei de ouvir multidões gritando “SIIII!!!!” em coro com Cristiano, cantando o nome dele. As imagens de uma D. Dolores em lágrimas no rescaldo dos dois golos correram mundo. Por um lado é caricato: o filho é recordista em golos de seleções (e em vários outros tipos de golos). A senhora chora de todas as vezes que Ronaldo marca?

 

Por outro lado, são imagens bonitas, ninguém o nega. E compreende-se. Era uma ocasião especial, os gémeos de Ronaldo faziam cinco anos – o pai marcou um golo para casa. Além disso, há que recordar, a família tem passado por tempos difíceis.

 

Já que falo nisso, queria destacar outro momento. Conforme referimos antes, tivemos vários desperdícios nos últimos quinze minutos da primeira parte. Um deles foi de Ronaldo, um lance de caras. O Capitão teve uma reação um pouco mais desalentada do que eu esperava. Logo a seguir, nas bancadas, aplaudimos e cantámos o nome dele, em jeito de consolo.

 

A minha irmã já tinha comentado que nós tratamo-lo bem, que o mimamos. Ninguém nega que ele o merece, sobretudo neste momento. Não só por tudo o que tem feito por nós, mas também depois da perda que ele e a família sofreram há pouco tempo.

 

O futebol é isto. A Seleção é isto.

 

283600240_433121498818820_5194620304423600965_n.jp

 

Chegámos, assim, ao intervalo com uma vantagem de três golos. Eu queria ainda mais na segunda parte – até porque a baliza da Suíça ia ficar do nosso lado. Na prática, sabia que seria difícil mantermos o ímpeto, com todas as condicionantes à forma física dos jogadores. Eu, aliás, estava à espera que Ronaldo saísse ao intervalo ou por volta do momento sessenta. Isso não aconteceu, ele jogou até ao fim – uma vez mais eu teria feito diferente, mas pronto.

 

Ainda assim, a segunda parte não foi má. Ronaldo chegou a enfiar a bola na baliza aos cinco minutos, mas o golo foi anulado por fora de jogo. Pena. Ficou por repetir o hat-trick de há exatamente três anos antes. E não pude festejar um golo de Ronaldo do meu lado do campo.

 

O momento de brilho ocorreu perto dos setenta minutos, numa jogada de João Cancelo e Bernardo Silva (que acabara de render Bruno Fernandes). Cancelo abriu caminho pela direita sem dificuldades. O passe de Bernardo escapou a três suíços, Cancelo fintou o guarda-redes com imensa classe e rematou certeiro para as redes.

 

Tal como já me tinha acontecido no jogo com a Sérvia, o telemóvel voou-me do bolso durante os festejos (o casaco que uso com a camisola da Seleção tem os bolsos muito grandes, eu esqueço-me sempre…). Desta feita, dois senhores (pai e filho?) que estavam no banco da frente apanharam-no e viraram-se para trás. Eu estava ainda de olhos nos jogadores a festejar, sorrindo como uma tola. Demorei vários segundos a perceber que o telemóvel que tinham na mão era o meu. 

 

Enfim…

 

Não aconteceu mais nada de assinalável durante o resto dp jogo, ainda que nós nas bancadas fôssemos gritando “Só mais um! Só mais um!”. Tirando o momento em que João Palhinha se ia virando a Embolo. Noutras circunstâncias eu diria que ele não devia perder a cabeça por “dá cá aquela Palhinha” (não, não peço desculpa) mas, em defesa dele… aquilo foi uma falta demasiado dura e completamente desnecessária, talvez merecesse mesmo o cartão vermelho. 

 

Por outro lado, quando revi o lance na televisão, deu para ver e ouvir claramente Fernando Santos gritando a Palhinha para ter calma. 

 

Em todo o caso, a Suíça nunca chegou a ameaçar verdadeiramente. A vitória manteve-se. 

 

Arrisco-me a dizer que este foi o nosso melhor jogo nos últimos tempos. Talvez mesmo desde 2020. É certo que houve demérito da Suíça – acho que vi nalgum lado que eles andam com problemas internos – mas isso não é culpa nossa. Eles tinham a obrigação de fazer melhor, depois dos bons resultados que tiveram no último ano. E eu não me esqueço que eles se bateram taco a taco connosco na Qualificação para o Mundial 2018.

 

Por nosso lado, como referi antes, finalmente vimos Portugal a jogar bem, aproveitando o talento dos seus jogadores. É assim que nós gostamos! Depois de demasiadas pinturas de quarto de hotel, finalmente fizemos uma obra de arte. Era a vitória de que precisávamos há muito tempo, algo que nos desse argumentos contra os críticos da Seleção – incluindo aquele que vive dentro da minha cabeça. 

 

Além de que eu não podia ter pedido mais de um jogo a que assisti ao vivo. Foi uma das minhas noites mais felizes dos últimos tempos. 

 

286483963_433082882156015_7184190997704284828_n.jp

 

A questão agora é saber se conseguimos repetir a proeza. Começando já hoje, com o jogo com a Chéquia. Vai ser difícil: os checos têm um estilo de jogo diferente da Suíça, empataram com a Espanha e igualam-nos em pontos. Não podemos esperar facilidades.

 

Eu naturalmente quero mais daquilo que tivemos no domingo, mas sei que será difícil. Para além de ser um adversário mais complicado, estamos em fim de época, são quatro jogos em onze dias, Fernando Santos tem de rodar a equipa, como tem sido amplamente comentado. Com todas as atenuantes, só peço a vitória. O fator artístico será secundário. Pelo menos no que toca aos próximos dois jogos.

 

Que ganhemos então. Hoje faz três anos desde que vencemos a Liga das Nações. Eu quero regressar a uma final four e, se possível, repetir esse feito. 

 

Como sempre, obrigada pela vossa visita. Espreitem a página de Facebook daqui do blogue. E tendo em conta que há jogo logo à noite… força Portugal!