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O Meu Clube É a Seleção!

Mulher de muitas paixões, a Seleção Nacional é uma delas.

Estava a correr demasiado bem...

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No passado dia 9 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere checa por três bolas sem resposta. Três dias mais tarde, no entanto, perdeu perante a sua congénere suíça por uma bola sem resposta. Estes jogos contaram para a fase de grupos da Liga das Nações e, com este resultado, Portugal fica em segundo lugar, com menos um ponto que a líder Espanha.

 

Estava a correr demasiado bem, não estava?

 

Um jogo de cada vez. O jogo com a Chéquia decorreu em Alvalade, à semelhança do primeiro jogo com a Suíça. Eu podia ter estado lá. Quando soubemos que íamos ter estes dois jogos perto de nós, a minha irmã sugeriu irmos aos dois. Eu no entanto tinha começado um emprego novo, achava que ainda não estaria à vontade para pedir para sair mais cedo – sobretudo na véspera de um fim-de-semana prolongado. Eu já iria ao jogo com a Suíça. Não precisava de ir ao outro com a Chéquia, certo? Certo?

 

Errado.

 

A minha irmã acabou por arranjar bilhetes para ela e para os amigos. Claro que me arrependi de ter decidido não ir. Sobretudo depois de ter tido uma experiência fantástica no domingo anterior, que me deixou a chorar por mais, e de me ter recordado que a Seleção não tornará a jogar perto de mim este ano – o jogo em casa com a Espanha será em Braga e acho que não haverão particulares antes do Mundial. Agora que já estou um pouco mais à vontade no meu emprego, sei que podia perfeitamente ter pedido para sair mais cedo: mesmo que tivesse de ir diretamente do trabalho para o estádio, mesmo que chegasse atrasada. 

 

Não vou mentir, doeu. Sobretudo quando uma das amigas da minha irmã apanhou Covid e se colocou a hipótese de eu ir no lugar dela… mas o bilhete foi para outro amigo.

 

Fica a lição para mim. Por outro lado, mais tarde a minha irmã contou-me que os amigos dela nunca tinham ido a um jogo da Seleção e adoraram a experiência. O que me fez sentir muito melhor. Afinal, já conto uma mão-cheia de jogos da Turma das Quinas. Posso ter perdido uma oportunidade mas, se isso contribuiu para converter outros à Equipa de Todos Nós, valeu a pena. 

 

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Por outro lado, a minha irmã levou a minha camisola da Seleção, que sempre invejou, emprestada. A camisola tem o meu nome impresso nas costas, mas ela não se importou. As pessoas confundem-nos tantas vezes que ela já está habituada a que lhe chamem Sofia.

 

E vice-versa, na verdade. Quem tem irmãos sabe como é. Sobretudo se forem tão parecidos fisicamente como eu e a minha irmã.

 

Já lhe prometi que, se ela gostar do próximo equipamento da Seleção, compro-lhe uma camisola pelos anos ou pelo Natal. De qualquer forma, no caso deste jogo, fiquei contente por pelo menos a minha camisola ter estado em Alvalade – foi como se uma parte de mim tivesse estado lá.

 

Uma parte de mim está sempre lá quando joga a Seleção, no entanto.

 

A verdade é que foi uma tarde complicada no meu emprego. Voltei a sair às oito da noite, mas desta feita não consegui sequer ver (e muito menos partilhar na página) o onze inicial. 

 

Depois de sair, contudo, liguei-me logo ao relato da rádio. Fiquei a saber que Portugal estava por cima, com várias oportunidades falhadas. Na rádio disseram que isso não era garantia de nada, que o mesmo acontecera com os espanhóis quando estes jogaram com a Chéquia – e acabaram correndo atrás do empate. Iria acontecer-nos o mesmo? 

 

 

Felizmente não. Curiosamente, aconteceu-me o exato oposto do que acontecera no jogo com a Espanha: cheguei a casa no preciso momento em que marcámos o nosso primeiro golo. Bem, mais ou menos: foi quando estava a entrar no elevador, com o Nuno Matos nos headphones. Não resisti a dar um pequeno grito de golo. Espero não ter incomodado nenhum dos meus vizinhos – suponho que, para eles, seria indiferente se eu gritasse no elevador ou no meu apartamento. 

 

Este primeiro golo resultou de mais uma colaboração entre Bernardo Silva e João Cancelo. O primeiro fez um passe excelente para o segundo, escapando a três checos. Cancelo depois seguiu pela direita e rematou certeiro. 

 

Momento engraçado quando um apanha-bolas se veio abraçar a Cancelo durante os festejos. Admiro o atrevimento (penso que terá sido o mesmo que roubou um high-five a Ronaldo). Espero que não tenham ralhado com ele. 

 

O segundo golo veio cinco minutos depois e teve de novo Bernardo. Uma vez mais, passe magistral, desta feita para a finalização de Gonçalo Guedes. Um belo golo, nova colaboração entre Bernardo e Guedes exatamente três anos após a primeira final da Liga das Nações.

 

Não há muito mais a dizer sobre este jogo. Uma exibição pouco excitante, mas consistente (ao contrário do que acontecera uma semana antes, em Madrid), suficiente para garantir e merecer a vitória. No fim, estávamos todos contentes. Tínhamos feito um jogo mau perante a Espanha mas com um resultado aceitável, tínhamos duas vitórias seguidas com boas exibições. Estávamos em primeiro no grupo. As coisas estavam a correr bem para o nosso lado.

 

Não durou. 

 

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Ainda não se tinha completado um minuto do jogo com a Suíça, em Genebra, e já tínhamos consentido um golo do nosso conhecido Haris Seferovic. Desta feita contou.

 

Esperava-se que este golo servisse de “wake up call” – esse e o penálti anulado pelo VAR. Não foi assim, pelo menos não no imediato. Foi uma primeira parte muito pastosa e desinspirada – tanto da nossa parte como dos suíços. É possível que os jogadores estivessem a sentir os quatro jogos em dez dias, que já estivessem a pensar nas férias. Por outro lado, tínhamos jogadores menos experientes em campo – Rafael Leão, que ainda não se adaptou bem à Turma das Quinas; Vitinha, pela primeira vez a titular. Quando nomes mais habituais, como Gonçalo Guedes e Bernardo Silva, entraram, a qualidade do nosso jogo melhorou.

 

A segunda parte foi, assim, melhor que a primeira. No entanto, foi um caso clássico de bola-não-quer-entrar. Uma conjugação de pouca sorte (“baliza benzida”, como ia dizendo António Tadeia), falta de pontaria, guarda-redes fazendo o jogo da vida dele (porque não jogou o mesmo que jogou em Alvalade? Aquele que defendia para a frente?) e, a partir de certa altura, bloqueio psicológico. A desvantagem no marcador manteve-se. 

 

Esta derrota doeu e ainda terá doído mais aos milhares de portugueses no Estádio de Genebra. Pela maneira como estes se faziam ouvir – mesmo tendo Portugal passado noventa e nove por cento do jogo a perder – arrisco-me a dizer que estes estavam em maioria? Alegadamente o suíço Steffen ter-se-á a certa altura virado para as bancadas e pedido apoio – em vez disso recebeu assobios.

 

Quase tenho pena dos suíços. Eles supostamente estavam a jogar em casa. Ao mesmo tempo, é triste temos invadido casa alheia para ver Portugal fazer um jogo tão pobre.

 

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Cristiano Ronaldo, João Moutinho e Raphael Guerreiro não jogaram em Genebra, nem sequer estiveram no banco. Fernando Santos já tinha anunciado na véspera que os dispensara. Na altura não me chocou – Cristiano e Moutinho estão entre os mais velhos do grupo e Raphael costuma lesionar-se com alguma frequência. E não há por aí quem ache que Portugal joga melhor sem Ronaldo?

 

Por outro lado, porque é que Ronaldo, com trinta e sete anos, teve direito a ir de férias mais cedo, quando Pepe, dois anos mais velho, teve de jogar os noventa minutos vezes quatro desta jornada? A resposta é simples, na verdade: Fernando Santos está mais à vontade para rodar o meio-campo e o ataque que a defesa. O Selecionador falou sobre isso há pouco tempo, em entrevista com António Tadeia, salientando a falta de jogos particulares para fazer experiências. E a verdade é que já tivemos experiências desagradáveis quando não pudemos usar os centrais do costume.

 

Regressando a Cristiano Ronaldo, é muito fácil dizermos agora que, se ele tivesse jogado em Genebra, teríamos ganho. É possível, não o nego – talvez este não falhasse tantos remates. Mas já tivemos outros jogos em que a bola não entrava com Ronaldo em campo, por isso, não há garantia de nada.

 

E agora? Agora ainda dependemos de nós mesmos para nos Qualificarmos para a final four da Liga das Nações. Temos “apenas” de ganhar os dois próximos jogos. É mais fácil escrevê-lo do que fazê-lo: um dos nossos adversários é a Espanha, a quem ganhámos um total de uma vez em jogos oficiais. Nada de especial.

 

Porquê, minha gente, porquê? Andava eu toda contente por estarmos a conseguir os resultados e, pelo menos até certo ponto, as exibições. Parecia que tínhamos aprendido com os erros de 2021 e que estávamos finalmente a aproveitar o talento dos nossos jogadores. Porquê?

 

Não podíamos ter terminado a jornada com o jogo com a Chéquia? Os jogadores até agradeciam o compromisso mais leve. 

 

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Uma das poucas coisas boas em relação à nossa derrota com a Sérvia foi o facto de a equipa técnica ter aprendido com os erros. Assim, conseguiram catalisar um melhor desempenho na maioria dos jogos em 2022 até agora. Seremos também capazes de aprender com esta derrota? Eu espero que sim.

 

Por outro lado, pelo menos na parte que toca à calendarização e gestão física, depois da pandemia e do Mundial no outono, é pouco provável que estas circunstâncias se repitam de novo. 

 

Isto é, espero eu. 

 

Agora temos outra vez um tubarão a bloquear-nos o caminho para uma fase final. É certo que, nos play-offs para o Mundial, os italianos fizeram-nos o favor de perderem com a Macedónia do Norte antes de se poderem cruzar connosco. Aqui, tudo o que podemos fazer é rezar para que os espanhóis percam pontos perante os suíços, para não ficarmos obrigados a vencê-los.

 

A brincar a brincar, eu não me admirava se isso acontecesse. As pessoas dizem que Fernando Santos tem uma vaca no que toca a estas coisas.

 

Temos o verão inteiro para pensarmos nisso, para lambermos as feridas (começando por mim mesma). Os Marmanjos que descansem e aproveitem as férias – esta foi uma época longa e dura, a próxima também o será. Em setembro regressaremos mais fortes e arranjaremos uma maneira de retificar esta situação.

 

Como sempre, obrigada pela vossa visita. Visitem também a página de Facebook associada a este blogue. Tenham um verão feliz, em setembro haverá mais.

Um estranho empate, a vitória de que precisávamos

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No passado dia 2 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou a uma bola com a sua congénere espanhola. Três dias mais tarde, venceu a sua congénere suíça por quatro bolas sem resposta. Estes dois jogos contaram para a fase de grupos da terceira edição da Liga das Nações. 

 

Antes de mais nada, um pequeno pedido de desculpas por não ter publicado aqui no blogue antes destes jogos. Tenho tido umas semanas complicadas, em grande parte porque apanhei Covid e este não foi meigo comigo. Não é a primeira vez que salto uma crónica pré-jogo e não será a última. Mas não o devia ter feito desta vez. 

 

Nestas crónicas gosto de fazer uma rápida análise aos nossos adversários, o historial recente deles, o nosso histórico de confrontos com eles – para depois fazer prognósticos. Isso fez-me falta nesta jornada. Quando esta jornada começou, senti-me como se estivesse numa aula prática da faculdade sem a ter preparado.

 

Enfim, acontece. Mas vou tentar não repetir no futuro.

 

No dia do jogo com a Espanha, saí tarde do trabalho e acabei por perder os primeiros vinte e cinco minutos do jogo. Bem, mais ou menos. Ia consultando aqueles sites de atualizações de jogos quando podia até sair, depois ouvi o relato na rádio. Dava para perceber que a Espanha estava claramente por cima, ainda que Portugal fosse conseguindo defender-se dos ataques deles. 

 

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Mas não por muito tempo. Na verdade, entrei em casa precisamente no momento em que Álvaro Morata marcou. Rafael Leão tentou passar para trás, João Cancelo (foi ele, não foi?) deixou a bola fugir e ir parar aos pés de Gavi. Os Marmanjos foram basicamente apanhados com as calças na mão enquanto Gavi galgava o campo. Por fim, este passou a Sarabia que assistiu para Morata.

 

Tenho de admitir, foi uma bela jogada. Os portugueses só se podiam culpar a si mesmos.

 

Agora que já tinha acesso a uma televisão, conseguia ver com os meus próprios olhos que a Espanha estava a jogar muito melhor do que nós. Os portugueses na comparação quase pareciam amadores, dependentes da inspiração dos mais criativos. Não era tanto um “fia-te na virgem e não corras”, era mais um “fia-te no Rafael Leão e deixa os espanhóis correrem”. Em teoria isto não devia ser eficaz. Na prática, com Fernando Santos tem resultado muitas vezes.

 

Infelizmente, Rafael Leão – que jogou no lugar de Cristiano Ronaldo e é um dos Marmanjos do momento – não estava nos seus dias. Ou isso, ou se calhar ainda não estava preparado para este papel – ainda tem pouca experiência na Seleção.

 

Aproveito para falar já numa das questões-chave do jogo: a ausência de Cristiano Ronaldo do onze inicial. O assunto fez correr muita tinta – mais do que devia, na minha opinião. Ronaldo tem trinta e sete anos, vai completar em breve vinte anos como jogador profissional (!). Não podemos ficar dependentes dele para sempre, temos de ir fazendo o desmame. Pessoalmente, eu não o deixava no banco neste jogo – o mais difícil da fase de grupos. Mas temos de encarar com naturalidade quando ele não joga de início. 

 

A nossa melhor fase foi no início da segunda parte, quando entrou Rúben Neves para o lugar de João Moutinho. Infelizmente o ímpeto não durou muito. Ainda assim, Ricardo Horta – estreante e outro dos Marmanjos do momento – entrou aos setenta e poucos minutos e só precisou de mais dez para empatar a partida. Pode ter sido um golo contra a corrente do jogo, mas foi uma jogada bonita: a troca de bola entre Cancelo e Gonçalo Guedes, a assistência do primeiro para o remate de Horta.

 

 

Por alturas do fim do jogo, eu mal acreditava. Como é que tínhamos conseguido não perder aquele jogo? Quase senti pena dos espanhóis, que tinham feito muito mais por merecer a vitória. Quase… porque duvido que nuestros hermanos pensassem o mesmo se fosse ao contrário – não tanto os jogadores, mais os adeptos. Eles que não nos deram pontos na Eurovisão e, pior ainda, assobiaram o nosso hino. 

 

Por isso sim, que se danem. Este pontinho é nosso. E talvez venha a ser precioso.

 

Por outro lado, tenho de ser sincera: este empate não entusiasmou ninguém. Foi um típico jogo à Fernando Santos, sobretudo neste último ano, ano e meio. Um estranho empate, como disseram nos Memes da Bola. Parafraseando um monólogo de uma personagem de Ted Lasso, o equivalente futebolístico a um quadro de quarto de hotel: cumpre a sua função, mas está longe de ser uma obra de arte, está longe de comover. 

 

É por estas e por outras que, nesta altura do campeonato, muitos de nós não conseguem estar a cem por cento com Fernando Santos – eu incluída. Foi por muitos jogos assim que o ano passado foi tão frustrante. É certo que uma coisa é termos estes estranhos empates perante adversários como a Espanha – historicamente uma das nossas maiores bestas negras. Outra coisa era quando tínhamos estes estranhos empates ou estranhas vitórias perante adversários como a República da Irlanda ou o Azerbaijão

 

E de qualquer forma, no que toca a entretenimento e obras de arte, fomos bem compensados no jogo seguinte.

 

Este decorreu no Estádio de Alvalade e eu estive lá, com a minha irmã – que não ia a um jogo da Seleção desde antes da pandemia, desde… desde a final da Liga das Nações no Porto há precisamente três anos, vejo agora. 

 

Chegámos cedo, sem grandes complicações – o facto de já não precisarmos de certificados de vacinação e afins ajuda – assistimos a parte do aquecimento. Como sempre, estava um ambiente fantástico, com lotação esgotada – nunca me farto disso. E como era o Estádio de Alvalade, a Seleção vestia um equipamento verde e vermelho e ainda tínhamos a luz do dia, lembrei-me do meu primeiro jogo.

 

 

Como já toda a gente assinalou, Portugal não entrou bem na partida. Os suíços dominaram durante os primeiros dez minutos, culminando com o golo de Seferovic, aos seis minutos. Comecei logo a fazer contas à vida, naturalmente – ao mesmo tempo, estranhei que o marcador não se alterasse nos ecrãs gigantes. Acabou por aparecer a indicação de consulta do VAR por mão na bola. Pouco depois obtivemos confirmação e o golo foi anulado. Suspiro coletivo de alívio, festejos nas bancadas.

 

– Que sirva de lição – disse eu, na altura. Estava apenas falando para o ar, claro, parecido com os meus gritos ocasionais de “Vai! Vai! Vai!”, “Corre!”, “Chuta!”. Mas a verdade é que os jogadores pensaram o mesmo – vários admitiram-no mais tarde. O golo anulado foi uma “wake up call”. Depois dele, Portugal tomou conta do jogo. 

 

Começando logo aos quinze minutos, na nossa primeira ocasião. Cristiano Ronaldo cobrou o livre direto, o guarda-redes Gregor Kobel defendeu para a frente, William Carvalho marcou na recarga. Adoro ver os festejos deste golo – se me permitem a nota menos futebolística, William tem um sorriso lindo.

 

Isto na verdade foi apenas o começo para William. Ele fez um jogo espetacular, catalisando vários lances de ataque. Não foi o único. Adiantando-me um pouco, Portugal num todo jogou bem. Jogou “bonito”, como Fernando Santos insiste em dizer. O talento que todos reconhecem nos nossos Marmanjos estava finalmente a vir ao de cima. Otávio estava em todo o lado – neste jogo reparei que ele é baixinho mas corre muito. Nuno Mendes teve vários rasgos de inspiração. Diogo Jota não esteve nas suas melhores noites – aparentemente ele só consegue marcar de cabeça – mas sempre contribuiu para os dois golos de Cristiano Ronaldo. João Cancelo foi pura e simplesmente imperial. Rúben Neves também esteve bem, à semelhança de Bruno Fernandes, que também esteve nos golos de Ronaldo. Eu podia continuar…

 

Mas regressemos à primeira parte do jogo. Os últimos quinze minutos foram absolutamente avassaladores da nossa parte, com dois golos e uns quantos desperdícios. Ambos os golos foram assinados por Ronaldo. 

 

A jogada do primeiro começou em Rúben Neves, Otávio desviou de cabeça, Bruno Fernandes passou para Diogo Jota. Pensava-se que este iria rematar – em vez disso, este desarmou dois suíços e assistiu para o remate certeiro de Ronaldo. 

 

No segundo golo, Bruno Fernandes fez uma cueca a um dos suíços (que boss…), a bola chegou a Nuno Mendes que assistiu para Diogo Jota. Este aparentemente não estava à espera e tentou um remate atrapalhado. Kobel defendeu de novo para a frente (a sério? Um remate tão fraquinho e ele defende para a frente? Acho que até eu teria conseguido agarrar esta bola!) e desta vez foi Ronaldo a aproveitar. 

 

 

Não sei como é com vocês, mas eu nunca me cansarei de ouvir multidões gritando “SIIII!!!!” em coro com Cristiano, cantando o nome dele. As imagens de uma D. Dolores em lágrimas no rescaldo dos dois golos correram mundo. Por um lado é caricato: o filho é recordista em golos de seleções (e em vários outros tipos de golos). A senhora chora de todas as vezes que Ronaldo marca?

 

Por outro lado, são imagens bonitas, ninguém o nega. E compreende-se. Era uma ocasião especial, os gémeos de Ronaldo faziam cinco anos – o pai marcou um golo para casa. Além disso, há que recordar, a família tem passado por tempos difíceis.

 

Já que falo nisso, queria destacar outro momento. Conforme referimos antes, tivemos vários desperdícios nos últimos quinze minutos da primeira parte. Um deles foi de Ronaldo, um lance de caras. O Capitão teve uma reação um pouco mais desalentada do que eu esperava. Logo a seguir, nas bancadas, aplaudimos e cantámos o nome dele, em jeito de consolo.

 

A minha irmã já tinha comentado que nós tratamo-lo bem, que o mimamos. Ninguém nega que ele o merece, sobretudo neste momento. Não só por tudo o que tem feito por nós, mas também depois da perda que ele e a família sofreram há pouco tempo.

 

O futebol é isto. A Seleção é isto.

 

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Chegámos, assim, ao intervalo com uma vantagem de três golos. Eu queria ainda mais na segunda parte – até porque a baliza da Suíça ia ficar do nosso lado. Na prática, sabia que seria difícil mantermos o ímpeto, com todas as condicionantes à forma física dos jogadores. Eu, aliás, estava à espera que Ronaldo saísse ao intervalo ou por volta do momento sessenta. Isso não aconteceu, ele jogou até ao fim – uma vez mais eu teria feito diferente, mas pronto.

 

Ainda assim, a segunda parte não foi má. Ronaldo chegou a enfiar a bola na baliza aos cinco minutos, mas o golo foi anulado por fora de jogo. Pena. Ficou por repetir o hat-trick de há exatamente três anos antes. E não pude festejar um golo de Ronaldo do meu lado do campo.

 

O momento de brilho ocorreu perto dos setenta minutos, numa jogada de João Cancelo e Bernardo Silva (que acabara de render Bruno Fernandes). Cancelo abriu caminho pela direita sem dificuldades. O passe de Bernardo escapou a três suíços, Cancelo fintou o guarda-redes com imensa classe e rematou certeiro para as redes.

 

Tal como já me tinha acontecido no jogo com a Sérvia, o telemóvel voou-me do bolso durante os festejos (o casaco que uso com a camisola da Seleção tem os bolsos muito grandes, eu esqueço-me sempre…). Desta feita, dois senhores (pai e filho?) que estavam no banco da frente apanharam-no e viraram-se para trás. Eu estava ainda de olhos nos jogadores a festejar, sorrindo como uma tola. Demorei vários segundos a perceber que o telemóvel que tinham na mão era o meu. 

 

Enfim…

 

Não aconteceu mais nada de assinalável durante o resto dp jogo, ainda que nós nas bancadas fôssemos gritando “Só mais um! Só mais um!”. Tirando o momento em que João Palhinha se ia virando a Embolo. Noutras circunstâncias eu diria que ele não devia perder a cabeça por “dá cá aquela Palhinha” (não, não peço desculpa) mas, em defesa dele… aquilo foi uma falta demasiado dura e completamente desnecessária, talvez merecesse mesmo o cartão vermelho. 

 

Por outro lado, quando revi o lance na televisão, deu para ver e ouvir claramente Fernando Santos gritando a Palhinha para ter calma. 

 

Em todo o caso, a Suíça nunca chegou a ameaçar verdadeiramente. A vitória manteve-se. 

 

Arrisco-me a dizer que este foi o nosso melhor jogo nos últimos tempos. Talvez mesmo desde 2020. É certo que houve demérito da Suíça – acho que vi nalgum lado que eles andam com problemas internos – mas isso não é culpa nossa. Eles tinham a obrigação de fazer melhor, depois dos bons resultados que tiveram no último ano. E eu não me esqueço que eles se bateram taco a taco connosco na Qualificação para o Mundial 2018.

 

Por nosso lado, como referi antes, finalmente vimos Portugal a jogar bem, aproveitando o talento dos seus jogadores. É assim que nós gostamos! Depois de demasiadas pinturas de quarto de hotel, finalmente fizemos uma obra de arte. Era a vitória de que precisávamos há muito tempo, algo que nos desse argumentos contra os críticos da Seleção – incluindo aquele que vive dentro da minha cabeça. 

 

Além de que eu não podia ter pedido mais de um jogo a que assisti ao vivo. Foi uma das minhas noites mais felizes dos últimos tempos. 

 

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A questão agora é saber se conseguimos repetir a proeza. Começando já hoje, com o jogo com a Chéquia. Vai ser difícil: os checos têm um estilo de jogo diferente da Suíça, empataram com a Espanha e igualam-nos em pontos. Não podemos esperar facilidades.

 

Eu naturalmente quero mais daquilo que tivemos no domingo, mas sei que será difícil. Para além de ser um adversário mais complicado, estamos em fim de época, são quatro jogos em onze dias, Fernando Santos tem de rodar a equipa, como tem sido amplamente comentado. Com todas as atenuantes, só peço a vitória. O fator artístico será secundário. Pelo menos no que toca aos próximos dois jogos.

 

Que ganhemos então. Hoje faz três anos desde que vencemos a Liga das Nações. Eu quero regressar a uma final four e, se possível, repetir esse feito. 

 

Como sempre, obrigada pela vossa visita. Espreitem a página de Facebook daqui do blogue. E tendo em conta que há jogo logo à noite… força Portugal!

Lá se vai

01.pngNo passado dia 11 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere andorrana por sete bolas sem resposta, em jogo de carácter particular. Três dias depois, a Seleção Portuguesa perdeu contra a sua congénere francesa pela margem mínima, ficando assim afastada da final four da Liga das Nações. Três dias depois desse jogo, a Seleção venceu a sua congénere croata por três bolas contra duas. 

 

Bem, lá se vai um dos nossos dois únicos títulos. 

 

Comecemos pelo início. Nesta jornada tripla saiu-me a fava no que toca a horários de trabalho: saí às oito da noite nos dias dos dois jogos que decorreram durante a semana. Como na jornada tripla anterior saí sempre a tempo de ver os jogos – e como os dois jogos em questão foram pouco interessantes – não foi grave.

 

No dia do jogo com a Andorra, tive o duplo “azar” de a minha mãe fazer anos e irmos jantar fora (éramos apenas quatro e todos do mesmo agregado familiar). No caminho, ou seja durante a primeira parte, fui ouvindo o relato na rádio. O restaurante, infelizmente, não tinha televisão. Ainda liguei o meu telemóvel no RTP Play, mas mal olhava para ele. Acabei por desligá-lo, pois estava a ficar sem bateria e estava mais interessada na refeição e na conversa. Ou seja, mal acompanhei o jogo.

 

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Aparentemente não perdi nada por aí além. O onze inicial foi muito diferente do que fora a regra nos jogos anteriores. Uma das melhores coisas deste jogo foi o facto de os dois estreantes, tanto em Convocatórias como em internacionalizações, terem marcado. Parece que isso não acontecia há mais de cinquenta anos. Pedro Neto, o mais novinho, abriu o marcador depois de uma bonita jogada. Paulinho bisou – marcou em ambas as partes do jogo.

 

Só na segunda parte é que entraram titulares habituais, como Cristiano Ronaldo, João Félix, Diogo Jota. Segundo dizem, Ronaldo estava impaciente por marcar – não admira, ele quer atingir o recorde de Ali Dalei – e os colegas tentaram ajudá-lo. Neste tipo de jogos, que não contam para nada, não faz mal. É mais uma prova do bom ambiente entre os Marmanjos. Além disso, lembro-me de, algures em 2004, num jogo contra o Luxemburgo, Ronaldo devia ter marcado um penálti mas ofereceu-o a Pedro Pauleta, que na altura estava atrás do recorde de Eusébio. 

 

Infelizmente Ronaldo devia estar menos inspirado que o costume. Só marcou um golo. Foi melhor assim, para que ninguém diga que ele só marca a equipas pequenas. Ele há de chegar lá, mais cedo ou mais tarde.

 

Não me arrependo de não ter visto o jogo como deve ser. Eram os anos da minha mãe e, se havia jogo que se podia não ver era este. Fernando Santos nem sequer queria disputá-lo. À hora desta publicação, provavelmente só os estreantes Pedro Neto, Paulinho e Domingos Duarte se recordam dele. 

 

Dito isto, não consegui deixar de ter pena por não ter visto este jogo. Se a Seleção joga, mesmo a feijões, mesmo perante equipas como a Andorra, eu quero ver. Mas às vezes não dá. 

 

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Suponho que agora tenha de escrever sobre o jogo com a França. Lá terá de ser. Não sei se alguma vez o referi aqui, mas custa-me mais escrever sobre jogos que correm mal do que sobre jogos que correm bem. Foi o que aconteceu com este. 

 

Antes de mais nada, em defesa dos Marmanjos… sabíamos que ia ser difícil. Eu mesma o referi na habitual nota pré-jogo na página de Facebook deste blogue. Era a França! Como tenho dito várias vezes aqui no blogue, era a atual Campeã do Mundo e uma das nossas maiores bestas negras. 

 

Aliás, para não estar sempre a escrever o mesmo, vou passar a escrever apenas, passe a expressão, “a motherfucking França. Por favor, considerem que a parte dos Campeões do Mundo e bestas negras ficam implícitos no “motherfucking”. Já devia ter adotado esta expressão há mais tempo… 

 

Dizia eu que era a motherfucking França e que sabíamos que era uma tarefa hercúlea. Ainda assim, acho que estávamos todos à espera de um bocadinho mais, sobretudo depois de até termos feito um bom jogo em Paris

 

Já aí vamos. 

 

Na primeira parte quase só deu França. Portugal parecia incapaz de segurar a bola. Muitos acusaram a Seleção de ter jogado à defesa, “para o empate”, mas pode-se sequer dizê-lo quando os franceses chegavam à nossa grande área sem dificuldade nenhuma? 

 

 

Ia-nos valendo Rui Patrício, imperial como já nos habituou há anos. Numa das primeiras defesas que ele fez, por exemplo, a um remate de Anthony Martial isolado por Antoine Griezmann, eu já dava o golo como marcado. Numa das últimas da segunda parte, também a uma iniciativa de Martial, Patrício acabou mesmo lesionado numa zona sensível (a minha irmã disse mesmo “Ficou infértil”). 

 

Aparentemente, ao intervalo Fernando Santos considerava o zero-zero um bom resultado, tendo em conta o que se sucedera na primeira parte. Não estava errado… mas não havia grandes motivos para festejos, na minha opinião. Todas as belas defesas de Rui Patrício resultaram de confrontos de um para um, avançado versus guarda-redes, que deviam ter sido evitados pelos outros jogadores. Patrício não podia fazer tudo sozinho. 

 

Teríamos defendido melhor com Pepe? A minha opinião vale o que vale, mas acho que sim. No entanto, Pepe vai a caminho dos trinta e oito, a médio/longo prazo não é viável estarmos sempre dependentes dele. 

 

Não posso, assim, dizer que o golo sofrido ao início da segunda parte (apesar de até termos reentrado bem depois do intervalo) tenha sido uma surpresa. Quem anda à chuva molha-se – e, parecendo que não, Rui Patrício é humano. 

 

Portugal passou o resto do jogo a correr atrás do resultado. Fernando Santos, não tendo já nada a perder, colocou a carne toda no assador: Diogo Jota, Trincão, Paulinho… João Moutinho entrou muito bem. Até pareceu que Portugal estava a dominar, finalmente acordado para a vida… mas a França já tinha tirado o pé do acelerador, soube ser fria e defender o resultado. O marcador não se alterou até ao final do jogo. 

 

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A França foi melhor. É tão simples quanto isso. Podíamos ter feito melhor? É difícil avaliar. Nas redes sociais acusaram a Seleção de jogar à defesa, para o empate – levando Fernando Santos a responder à letra. Vários comentadores, como António Tadeia, defendem que o problema estava no meio-campo, sem comparação com o francês. Provavelmente têm razão. 

 

Eu ainda assim (e, uma vez mais, a minha opinião vale o que vale) acho que, mesmo que tivéssemos feito tudo bem, dificilmente teríamos ganho. Talvez conseguíssemos o empate a zeros… A França não é Campeã do Mundo por acaso. 

 

Havemos de regressar ao jogo com a França. O jogo com a Croácia, três dias depois, era suposto ser um jogo para o orgulho, para provar que o que acontecera no sábado fora apenas um deslize. Fernando Santos veio com essa conversa na antevisão do jogo e Rúben Dias, que o acompanhou, afinou pelo mesmo diapasão. 

 

Por aquilo que fez no jogo, acredito que Rúben estava a ser sincero. Mas, apesar da vitória, não sei se este jogo ajudou a limpar a imagem deixada três dias antes. 

 

Tal como já tinha dito, no dia do jogo saí do trabalho às oito, logo, só consegui acompanhar a primeira parte (e, mesmo assim, não toda) pela rádio. Só houveram golos portugueses na segunda parte, quando eu já tinha acesso a uma televisão, o que foi simpático. Por outro lado, segundo o Record, o relato dos golos por José Pedro Pinto, da Antena 1, impressionou os jornalistas croatas – o que me deixou com pena se não ter podido ouvir. 

 

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Diz que os portugueses até não entraram mal na partida, se bem que com pouca agressividade. O mau estado do relvado não ajudou. Acabou por ser a Croácia a chegar à vantagem, perto da meia hora de jogo. O Rúben Semedo tentou cortar um passe na grande área, falhou, deixando Mario Palasic assistir para Mateo Kovacic. Rui Patrício ainda defendeu o primeiro remate, mas na recarga não pôde fazer nada. 

 

Em defesa de Semedo, ele não foi o único a cometer fífias destas neste jogo. 

 

A segunda parte começou melhor para Portugal – sobretudo quando Rog foi expulso e a Croácia se viu reduzida a dez. Ronaldo cobrou o livre resultante dessa falta. O guarda-redes Livakovic fez uma defesa incompleta. Rúben Semedo tomou controlo da bola e assistiu para Rúben Dias, que se estreou a marcar pela Seleção.

 

Portugal acabaria por chegar à vantagem com um golo que, noutras circunstâncias, teria sido anulado – Diogo Jota ajeitou a bola com a mão antes de assistir para João Félix. Porque é que não há VAR na fase de grupos da Liga das Nações? A tecnologia já não é nova, está disponível em praticamente todas as competições, qual é a lógica de deixá-la de fora? Se eu estivesse do lado dos croatas – e, para ser justa, se eles estivessem mais dependentes do resultado para não descer de divisão – estaria fula.

 

De qualquer forma, os croatas não ficaram em desvantagem durante muito tempo. Kovacic tornou a marcar, numa jogada em que, uma vez mais, a defesa portuguesa ficou mal na fotografia. 

 

Felizmente conseguimos regressar à vantagem, mesmo ao cair do pano, num lance caricato. Na sequência de um canto nosso, Livakovic conseguiu agarrar a bola mas deixou-a cair depois de chocar com um colega de equipa. Rúben Dias agarrou a oportunidade e bisou.

 

 

Consta que esta foi a primeira vez em vinte e um anos que um central bisa pela Seleção – o que me surpreendeu, pois até temos tido vários centrais marcando golos nos últimos anos. O Bruno Alves teve uma fase bastante goleadora. Antes disto, era capaz de jurar que houve pelo menos uma ocasião em que ele bisou. Pelos vistos estava enganada. 

 

Espero que o Rúben Dias dê os mesmos passos que Bruno Alves e Pepe. Neste momento é apenas um jovem, fazendo os primeiros jogos pela Seleção, marcando os primeiros golos. Mas, se tudo correr bem, daqui a uns anos será um líder.

 

Em suma, longe de deixar uma melhor imagem em relação ao jogo anterior, este encontro teve a qualidade exibicional de um particular. Destaquem-se os erros defensivos de ambas as equipas. 

 

Não é dramático, atenção. O jogo valia pouco, sempre era a atual vice-campeã do Mundo (com todas as atenuantes) e, se é para cometer erros, para marcar e sofrer golos ilegais, que seja em jogos com este.

 

Ainda assim, depois da conversa de Fernando Santos e Rúben Dias na véspera, estava à espera de mais. O Selecionador esteve, aliás, invulgarmente crítico depois do jogo. Ninguém percebeu a parte do “jogar bonitinho”, mas percebe-se se o desagrado dele foi por nem todos os Marmanjos terem levado o jogo a sério. 

 

Eu também não gostei. Por outro lado, não vou dizer que não compreendo, ou mesmo que não fizesse o mesmo no lugar dos jogadores. Era o último jogo de uma jornada tripla, que não contava para nada, após uma viagem longa, num terreno mais indicado para plantar batatas do que para jogar futebol. Vinham de uma derrota desmoralizadora. Por fim, por estes dias, já quase toda a gente se esqueceu deste jogo. 

 

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Em suma, um Marmanjo não é de ferro. Não acho que se justifique censurá-los por esta (a história é diferente com o jogo com a França). Parece-me também que, se não fosse o jogo anterior, Fernando Santos não teria sido tão duro. O Selecionador desejava ter um treino no dia seguinte, poder continuar o trabalho com a Seleção. Não dá – os próximos jogos serão daqui a quatro meses. Nessa altura já muito terá mudado, a atitude será completamente diferente.

 

Não vou mentir, esta jornada tripla soube-me a pouco. Depois de ter passado a crónica anterior enchendo vários jogadores portugueses de elogios… Não me orgulho disso, mas por estes dias, quando os Marmanjos se saem bem e marcam golos pelos seus clubes, sinto-me um bocadinho ciumenta, aziada por termos visto muito pouco disso nos jogos da Seleção. 

 

A derrota perante a França foi uma desilusão. Roubou-nos a possibilidade de defender o título. Ninguém gosta de fracassar – muito menos uma Seleção que não falhava fases finais desde que a minha irmã nasceu, há vinte e três anos. 

 

É certo que estes são moldes muito diferentes de uma qualificação para um Europeu ou Mundial. Temos um grupo de seleções teoricamente ao mesmo nível que nós, em vez de haver uma estratificação. Só quatro seleções é que passam. Na primeira edição tivemos a vida facilitada, num grupo com apenas dois adversários. Agora calhou-nos a motherfucking França.

 

A parte mais dura é que, ao contrário do que quase acontece em todos os apuramentos para Mundiais ou Europeus, não se pode dizer que tenha sido um fracasso por auto-sabotagem. Até ao jogo com a França estávamos a fazer tudo bem nesta fase de grupos, até mesmo nos particulares. Bastou um jogo mau para ir tudo por água abaixo. 

 

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É duro mas não é dramático. Ao contrário do que as redes sociais deram a entender, não passámos de bestiais a bestas de um dia para o outro. E, tal como Fernando Santos apontou, é impressionante a maneira como, há um par de anos, estava toda a gente nas tintas para a Liga das Nações mas, agora, toda a gente quer a cabeça do Selecionador. 

 

É um fracasso, um fracasso doloroso. Temos de perceber o que correu mal, de aprender com os erros – até porque vamos voltar a cruzar-nos com os nossos amigos franceses em breve. Mas esta não é a altura para colocar tudo em causa. 

 

Eu pelo menos não vou colocar tudo em causa. Vocês sabem que tenho um viés favorável às Quinas, costumo ter boa vontade para com a Seleção. Mas já a acompanho há muitos anos e, sinceramente, já passámos por bem pior. Estou desiludida mas não é isto que me tira o sono – muito menos no ano da desgraça de 2020!

 

Agora só temos jogos da Seleção daqui a quatro meses, conforme já tinha referido antes. Confesso que me custa um bocadinho – parece que foi ainda há pouco tempo que a Equipa de Todos Nós regressou após meses e meses e, agora, fica outra vez em pausa. 

 

Serão os primeiros jogos da Qualificação para o Mundial 2022 (meu Deus, já estamos de olhos no Mundial do Qatar!). O sorteio dos grupos realiza-se no dia 7 de dezembro. Não quero especular sobre esse sorteio – só espero que não seja um grupo demasiado fácil. É nesses que a coisa dá para o torto.

 

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Como este ano só houveram jogos no outono, não vou escrever a habitual retrospetiva de fim de ano. O que escreveria? O melhor do ano? A fase de grupos da Liga das Nações estava a correr bem até ter corrido mal? O pior? Por onde começar? O adiamento do Europeu? O Ronaldo apanhando Covid e toda a gente com medo de um surto na Seleção? O fracasso aos pés da França?

 

Não, não vale a pena.

 

O pior é que isto significa que este blogue também vai ficar em pausa durante estes quatro meses. Disso tenho pena. Mas pode ser que, quando nos encontrarmos de novo, as coisas estejam melhores que agoa. Pode ser que já estejam a dar uma vacina para o Coronavírus (eu acho que as previsões atuais são demasiado otimistas, no entanto) ou, pelo menos, que os jogos tenham público outra vez – estou convencida de que o jogo com a França nos teria corrido melhor se nós, os adeptos, tivéssemos estado lá. 

 

Assim, deixo já os meus votos de boas festas e boas entradas em 2021 – dentro do possível com a pandemia. Cuidem de vocês mesmos, usem máscaras, lavem as mãos, respeitem as ordens de confinamento. Vão visitando a página do Facebook daqui do blogue. Saúde, ânimo (incluindo para mim mesma). Até à próxima!

Pausa na programação

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Amanhã, dia 11 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebe a sua congénere andorrana, no Estádio da Luz, em jogo de carácter particular. Três dias mais tarde, no mesmo estádio, receberá a sua congénere francesa. Três dias depois, a Seleção desloca-se à Croácia para defrontar a seleção local. Estes últimos dois jogos contarão para a fase de grupos da segunda edição da Liga das Nações.

 

Fernando Santos anunciou os Convocados para a reta final desta fase de grupos na passada quinta-feira. As novidades na Convocatória são as chamadas de Paulinho e Pedro Neto. Não sei muito sobre eles, confesso. Consta que Paulinho tem feito uma boa época no Sporting de Braga – aparentemente é o avançado dos sonhos de Carlos Carvalhal.

 

Uma nota curiosa: ele fez anos ontem, logo no dia em que se juntou à Seleção pela primeira vez. Não é algo que aconteça todos os dias. 

 

Por seu lado, Pedro Neto é o primeiro na Seleção A a nascer na década de 2000. Ainda devia usar fraldas quando Cristiano Ronaldo subiu aos séniores do Sporting, mas agora vai partilhar o balneário com ele. Pedro é outro lobo do Wolverhampton que se tem saído bem no clube. Consta que ganhou espaço com a transferência e Diogo Jota para o Liverpool. 

 

É impressão minha ou o Wolverhampton está uma autêntica fábrica de talentos para a Turma das Quinas? Criaram o Jota e agora estão a criar o Pedro Neto…

 

Adiante. A minha irmã fez-me ver que esta é a primeira Convocatória sem jogadores do Benfica ou do Sporting em… cinquenta anos!

 

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Não acho que Fernando Santos tenha uma boa desculpa, desta feita – não se pode dizer que os clubes não estão a investir no jogador português. O Benfica tem Pizzi e Rafa. O Sporting está em primeiro lugar na Liga (coisa rara), pelo menos em parte graças a jogadores como Pedro Gonçalves, também conhecido por Pote, Nuno Mendes, Nuno Santos, João Palhinha e até o Campeão Europeu João Mário! 

 

Vão ter de me perdoar se sei um pouco mais sobre o Sporting do que sobre outros clubes portugueses. É o que dá ter uma sportinguista em casa – que ainda por cima anda mais envolvida com a atividade do clube, agora que as coisas estão a correr bem. 

 

A única explicação que me ocorre para não haverem representantes do clube leonino nesta Convocatória – e, como sabem, estou longe de ser uma especialista na matéria – é haver demasiada concorrência para aquelas posições. João Palhinha, por exemplo, concorre com Danilo Pereira para médio defensivo e Nuno Mendes concorre com Raphael Guerreiro para lateral esquerdo. Uma das piores partes de ter uma grande base de recrutamento: há jogadores bons que têm de ficar de fora. 

 

Mas se o Sporting continuar em alta até aos próximos jogos da Seleção, em março, Fernando Santos vai ter de dar oportunidades a estes jogadores. 

 

Uma ausência que me desagrada é a de Pepe por lesão. Depois do seu excelente desempenho nos últimos jogos, isto era uma das últimas coisas que desejava para um jogo difícil, como o de sábado. Enfim, o José Fonte também é experiente, também é Campeão Europeu, há de ser capaz de dar conta do recado. 

 

Nestas últimas semanas, tenho andado inchada de orgulho com tanto jogador português a brilhar nos respetivos clubes. Diogo Jota, um dos destaques da Seleção desde o fim do hiato, também tem espalhado magia no Liverpool. Só no jogo com o Atalanta para a Champions, na semana passada, marcou um hat-trick. Jürgen Klopp está rendido ao miúdo – o sonho de qualquer jogador, deixar um treinador de renome de joelhos. 

 

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Por seu lado, João Félix parece finalmente ter-se encaixado no Atlético de Madrid. No último jogo, em que o Atlético venceu o Cadiz por quatro-zero, Félix contou dois golos e uma assistência. O jornal A Marca já fala dele como o dono da equipa, um dos principais fatores para a ascensão dos colchoneros. 

 

Como alguém que receou que a transferência para o Atlético de Madrid tivesse sido um erro, estou muito feliz por não ter razão. 

 

Quanto a Renato Sanches, também ele tem arrancado elogios, desta feita à Imprensa francesa – o que é notável, tendo em conta a tendência dos franceses para nos desprezarem. Parece que Renato foi uma das estrelas na vitória por três-zero do Lille sobre o AC Milan. 

 

Por fim, o Manchester United tem andado com altos e baixos, mas Bruno Fernandes continua a destacar-se pela positiva. Os jornais descrevem-no como o coração do clube de Old Trafford. 

 

São muitos clubes na mão de jogadores portugueses. O que dá muito jeito para a Equipa de Todos Nós na reta final da fase de grupos da Liga das Nações. 

 

Antes disso temos um particular de dificuldade menor – uma exceção àquela que tem sido a regra para a Seleção, após o longo hiato. O nosso último jogo com a Andorra foi mais difícil do que seria de esperar para a qualidade do adversário – o maior obstáculo foi o terreno. Ora, tendo em conta que este jogo decorrerá no Estádio da Luz, esse problema não se coloca. 

 

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Estou convencida, aliás, de que este adversário foi escolhido a dedo para Ronaldo avançar na perseguição ao recorde de golos por seleções. 

 

Eu e a minha família queríamos ir a esse jogo. A minha mãe faz anos amanhã e eu tinha a esperança de que o Portugal + me enviasse convites (esqueci-me de referi-lo na crónica anterior, mas cheguei a receber quatro convites para o jogo com a Suécia. E até foi com uns dias de antecedência. Mas mesmo assim não fui a tempo de resgatá-los.). No entanto, a pandemia agravou-se e a DGS cancelou os testes-piloto. 

 

É uma pena, sobretudo no que toca ao jogo com a França. Num jogo tão difícil, o público seria uma arma importante. Mas o que é que se pode fazer? 

 

Falemos então sobre o jogo com a França – um dos mais difíceis desta fase de grupos, se não for o mais difícil. A França dispensa apresentações e está em igualdade pontual connosco. O fator casa será praticamente irrelevante e, ao contrário do que aconteceu no Stade de France, o empate poderá não ser suficiente. Tal como disse Fernando Santos na Conferência de Imprensa, um empate com golos não nos dá muito jeito – os franceses ficam com a vantagem de terem marcado em nossa casa. Mesmo um empate sem golos não seria um resultado ideal, na minha opinião – adiaria a decisão para o último jogo, que também não será fácil. 

 

O melhor seria mesmo vencermos a França. Assim, se a matemática não me falha, bastar-nos-ia empatar com a Croácia para passarmos à final four da Liga das Nações. É claro que é mais fácil escrevê-lo do que fazê-lo – não preciso de explicar porquê. Eu não faria essa aposta no Placard. Mas, se existe uma Equipa das Quinas capaz desse feito, será a atual – a passar por uma bela fase, tanto em termos de individualidades como de coletivo. 

 

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A abordagem ao jogo com a Croácia vai, assim, depender do jogo com a França. É um voo um bocadinho longo até Zagreb. Ao menos é o último encontro da jornada e não o do meio – o desgaste seria significativo. Os croatas já estão fora da corrida pelo acesso à final four da Liga das Nações – mas é possível que compitam com a Suécia para não descerem à divisão B. É melhor não esperar facilidades. 

 

Pensar nestas coisas, nestas contas, escrever sobre elas, é um bom descanso da realidade do agravamento da pandemia. Bem, regra geral – o motivo pelo qual fiquei tão em baixo no mês passado foi por o Coronavírus ter invadido o meu escapismo. 

 

Em retrospetiva, exagerei um bocadinho – não chegou a haver nenhum surto de Covid na Seleção. Cristiano Ronaldo recuperou bem, teve ginásio e piscina no isolamento (isto não é para quem quer, é para quem pode), regressou com a veia goleadora intacta. O pior que lhe aconteceu durante esse período foi ter rapado o cabelo (Ronaldo tem andado desinspirado em termos de penteados este ano). Mas com uma doença ainda mal-conhecida como o Covid…

 

À hora desta publicação, ninguém terá acusado positivo na Turma das Quinas. A ver se se mantém assim… 

 

Com alguma sorte, o Covid não estragará esta jornada. Poderemos, nem que seja por poucas horas, fazer uma pausa na programação habitual. Enquanto estivermos a pensar em quem tomará o lugar de Pepe ou se Ronaldo deve ser poupado no jogo contra Andorra, não estaremos a pensar nos números crescentes da pandemia ou no regresso, ainda que parcial, do confinamento. E pode ser que os Marmanjos nos consolem com vitórias perante os atuais Campeões e Vice-Campeões do Mundo. 

 

Isto não é assunto novo neste blogue, já é quase um cliché. Mas costuma-se dizer que os clichés existem por um motivo. Para mim, a Seleção é um escapismo, um consolo, uma esperança – coisas que nunca fizeram mais falta. 

 

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Nesse aspeto, vou tentar aproveitar este triplo compromisso. Sugiro-vos que façam o mesmo: quer através deste blogue, quer através da sua página no Facebook.

Alegria e tristeza, saúde e doença

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No passado domingo, dia 11 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou sem golos contra a sua congénere francesa, em jogo que decorreu no Stade de France, em Paris. Três dias depois, a Seleção venceu a sua congénere sueca por três bolas sem resposta. 

 

Antes de falarmos sobre os jogos, receio que tenhamos de falar sobre o Coronavírus, que pelo menos para mim arruinou esta jornada tripla. Bem, na verdade tem arruinado a vida de toda a gente este ano, de múltiplas maneiras. Este foi apenas mais um exemplo. Isto numa fase em que eu pensava que estávamos preparados, que sabíamos com que contar, que já estaríamos capazes de evitar baldes de água fria. Mas não.

 

Na véspera do jogo com a Suécia, Cristiano Ronaldo acusou positivo no rotineiro teste à Covid. Reagi um bocado mal à notícia – o Ricardo Araújo Pereira deixou-me com as orelhas a arder um bocadinho, no seu monólogo de abertura no domingo passado (Ah, doença cruel! Oh, maleita inclemente!).

 

Não que tenha ficado muito preocupada com a saúde de Ronaldo – ele é jovem, é saudável, aparentemente tem estado assintomático. Na pior das hipóteses, batam na madeira, ele tem dinheiro para pagar tratamentos de luxo, semelhantes aos que o execrável presidente dos Estados Unidos recebeu. Eu até alinhei nas piadas que se fizeram na altura – embora mais na onda de rir para não chorar. 

 

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Vou desde já admitir a minha hipocrisia: isto só se tornou um problema a sério para mim quando foi Cristiano Ronaldo a acusar positivo – não me preocupei tanto quando José Fonte e Anthony Lopes acusaram, dias antes. É inútil negá-lo, Ronaldo tem um mediatismo que nenhum dos outros tem – e provavelmente nunca terão. 

 

Por outro lado, isto aconteceu uma semana depois do início da concentração. Aquilo que mais me afligiu foi o facto de, de repente, quase tudo o que Ronaldo no seio da Seleção, teve de ser questionado, assinalado como possível risco de contágio. A foto que ele tirou com Pepe e Sergio Ramos, depois do jogo com a Espanha, aludindo aos anos em que foram colegas no Real Madrid; o momento com Kylian Mbappé, seu admirador, a troca de camisolas com o jovem Eduardo Camavinga; a fotografia da Seleção à mesa do jantar. Bolas, só o facto de ter treinado e jogado futebol sem máscara.

 

Fernando Santos garante que não foi durante a concentração que Ronaldo contraiu o vírus – mas o Selecionador, com o devido respeito, não é uma autoridade de saúde. De qualquer forma, independentemente do momento em que se contaminou, se Ronaldo deu positivo, é possível que já carregasse o vírus há uns dias, correndo o risco de o ter passado aos colegas. Colegas esses que, depois desta jornada tripla, regressaram aos seus clubes, às suas famílias. Toda uma cadeia de transmissão que pode ter começado na Equipa de Todos Nós.



Como é que acham que eu me senti ao saber que um compromisso da Seleção, uma das coisas que mais alegria traz à minha vida, pode ter servido de foco de infeção? Quase que mais valia a Turma das Quinas ter continuado em hiato. Se os Marmanjos não podiam festejar um golo sem que eu receasse que se estavam a contaminar uns aos outros, para quê?

 

Não culpo os jogadores. Acredito quando dizem que tem cumprido os protocolos todos o melhor que podem. E, que diabo, segundo Fernando Santos fizeram sete testes ao Covid em uma semana (um momento de silêncio pelas suas fossas nasais). Não sei se os protocolos definidos em junho, quando o futebol recomeçou, ainda estão em vigor mas, se estiverem, os jogadores praticamente só saem de casa para os treinos e jogos. Que mais podem fazer?

 

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À hora desta publicação, tanto quanto sei, mais nenhum Marmanjo acusou positivo à Covid 19. Nem nenhum jogador francês, sueco ou espanhol, nem mesmo Mbappé ou Sergio Ramos ou Camavinga. Pode ser que Ronaldo não tenha contaminado ninguém. Não há nada que possamos fazer agora. Mais vale falarmos sobre os jogos.

 

No dia do jogo com a França, cheguei a casa um bocadinho tarde. Quando liguei a televisão, já tinham decorrido os primeiros minutos da partida. Rúben Dias já contava um cartão amarelo, aparentemente após uma cotovelada a Olivier Giroud. O jogador francês ficou a sangrar e tiveram de lhe ligar a cabeça.

 

Havia necessidade disto tão cedo no jogo? Acho que não. Um árbitro mais duro teria mostrado logo o vermelho, o que ia estragar-nos o jogo por completo. Mas tenho de confessar, depois de Dimitri Payet nem sequer ter levado falta quando lesionou o Ronaldo na final de Paris, c’est le karma. O Giroud individualmente não teve culpa, coitado, mas é bem feita para a seleção francesa em geral. 

 

Parece que, em relação aos franceses, vou ser sempre algo mesquinha. O facto de lhes termos roubado o título de Campeões Europeus não foi suficiente. Em minha defesa, os franceses continuam igualmente mesquinhos: vejam-se as notas que a France Football deu aos Marmanjos.

 

Mas estou a desviar-me. 

 

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À parte esse pormenor, foi um jogo muito equilibrado. Caricatamente equilibrado, como se pode ver no meme acima. Na primeira parte, Portugal esteve por cima – muito graças ao excelente trabalho dos nossos médios, sobretudo de William Carvalho e Danilo. William, então, foi uma das estrelas desta jornada tripla.

 

Ainda assim, não dispusemos de muitas oportunidades. Tivemos um lance caricato em que, após um belo passe, Bernardo Silva tentou esticar-se mas acabou por cair com espalhafato. Houve também uma oportunidade de Bruno Fernandes, de Cristiano Ronaldo (boa intervenção de Lucas Hernandez) e pouco mais.

 

Na segunda parte, os franceses entraram mais afoitos. Desta feita, os nossos médios tiveram mais dificuldade em contê-los – em parte por causa do cansaço. O jogo tornou-se mais partido, menos seguro. Ainda assim, mesmo tomando mais as rédeas da partida, os franceses nunca obrigaram Rui Patrício a esmerar-se, tirando um momento ou outro.

 

Por seu lado, Fernando Santos lançou Diogo Jota e Francisco Trincão, a ver se não ficávamos pelo empate. Não resultou, infelizmente. Pepe até conseguiu enfiar a bola na baliza, na sequência de um livre. Ainda festejei, mas o golo foi anulado por fora-de-jogo.

 

O marcador permaneceu por abrir até ao apito final. Tínhamos vindo a dizer, nos dias anteriores, que um empate não seria um mau resultado – e de facto não o foi. Afinal de contas, era uma das melhores seleções do Mundo e um adversário tradicionalmente difícil para nós.

 

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Ao mesmo tempo, empatámos perante uma das melhores seleções do Mundo e um adversário tradicionalmente difícil para nós… e mesmo assim Fernando Santos queria mais. Queixou-se que os jogadores de ambas as equipas foram “demasiado cautelosos”... mas quem pode censurá-los? Éramos nós contra os Campeões do Mundo e nossas maiores bestas negras. Eram eles contra os Campeões da Europa e Liga das Nações e que já lhes tinham causado dissabores.

 

Além disso, é possível que, tivéssemos sido menos cuidadosos, corrríamos o risco de sofrermos golos, o que não era desejável.

 

Depois do jogo, toda a gente fez a piada de que faltou o Éder para repetir o feito do 10 de julho. A brincar a brincar, eu até concordo, faltou o Éder. Não o jogador em si, antes aquilo que ele representou na final de Paris: a estrelinha, aquele rasgo inesperado de inspiração, de talento, para marcar o golo da vitória (não confundir com sorte). Ronaldo fá-lo inúmeras vezes, mas podia ter vindo de qualquer um. 

 

Desta vez não deu.

 

Cheguei a ter medo de que esta jornada tripla terminasse sem que a Seleção marcasse um golo. Felizmente, o jogo com a Suécia deu-nos ocasiões para matar essa sede. 

 

Portugal entrou em jogo com a “pica” toda – fazendo lembrar um pouco a Espanha, uma semana antes. Tivemos oportunidades logo aos primeiros minutos, uma de Diogo Jota (que substituiu Ronaldo), outra de William Carvalho (já disse aqui que o William foi espetacular nestes jogos?). Finalmente, aos vinte minutos, Bruno Fernandes isolou Jota, este driblou um pouco e assistiu para o golo de Bernardo Silva.

 

 

Estava aberto o marcador – e a Seleção pôde festejar este golo com público!

 

Apesar da entrada em grande de Portugal, a Suécia não se deixou dominar. Pelo contrário, este foi um jogo muito partido, atípico para o estilo de Fernando Santos. Conforme mencionaram aqui na vizinhança, os suecos esticaram o campo em vez de encolhê-lo. Portugal nunca conseguiu ter o jogo controlado por completo.

 

Felizmente, a Seleção conseguiu não sofrer golos – uma vez mais, graças ao trabalho de Rui Patrício (um dos melhores guarda-redes do Mundo), Danilo e Pepe. Este último está numa fase excelente apesar a idade. É o mestre da defesa portuguesa – e Rúben Dias, que combina muito bem com ele, é o seu aprendiz, talvez o seu sucessor.

 

Eram Pepe, Patrício e Danilo brilhando atrás, era Diogo Jota brilhando à frente. Poucos minutos antes do intervalo, João Cancelo fez um passe espetacular, como que guiado por GPS. A bola encontrou Jota cara a cara com a baliza e o miúdo não desperdiçou. 

 

As coisas não mudaram muito na segunda parte. Aos sessenta e sete minutos, Bruno Fernandes recuperou a bola, arrancou em direção ao meio-campo da Suécia, isolou João Félix à entrada da área, só o guarda-redes à sua frente. Infelizmente, o miúdo deve ter-se enervado e rematou por cima. 

 

Pobre Félix. Ainda não está lá.

 

 

Finalmente, dez minutos depois, Jota fez quase tudo sozinho no último golo. O passe foi de William, Jota conduziu a bola para dentro da grande área, indiferente aos quatro suecos lá, e rematou para as redes.

 

Muito entusiasmada com este miúdo. Se se mantiver no caminho certo e tiver sorte, será um grande jogador.

 

Ficou feito o resultado. Talvez demasiado dilatado para um jogo em que Portugal nunca teve mão no jogo por completo. Não é grave. O que interessa são os três pontos e os golos numerosos, que poderão vir a da jeito em caso de empate pontual com a França, mais à frente.

 

Se não fossem todos os problemas causados pelo Coronavírus, hoje estaria muito feliz com o momento atual da Seleção. A Equipa de Todos Nós não fez um único jogo mau nesta edição da Liga das Nações, mesmo com adversários deste calibre. O longo hiato pode ter feito bem à Seleção – nos últimos jogos antes da pausa, tinhamos concluído uma Qualificação para o Euro 2020 com dificuldade, deixando muito a desejar. Depois disso, eu não esperava um desempenho tão consistente nesta prova.

 

Ou então, é a nossa mania de jogarmos melhor perante equipas difíceis. Nesse sentido, a Liga das Nações é uma competição à nossa medida (mesmo que muito boa gente como Arsène Wegner não lhe ache piada). Não admira que tenhamos sido os primeiros vencedores.

 

Neste momento, sobramos nós e a França na luta pela passagem às meias-finais. A maneira menos stressante de carimbarmos o passaporte é vencendo os franceses no próximo mês, em casa. Uma tarefa difícil em qualquer circunstância. No entanto, acredito que a Seleção atual, da maneira como tem jogado, é a melhor preparada para este desafio.

 

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Falaremos melhor sobre isso na altura.

 

Esperemos que Ronaldo elimine o vírus depressa e que mais ninguém na Seleção se contamine. Obrigada por lerem. Tenham cuidado convosco, para não se virem na mesma situação. Continuem a acompanhar a Equipa de Todos Nós comigo, quer aqui no blogue, quer na sua página de Facebook.