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O Meu Clube É a Seleção!

Mulher de muitas paixões, a Seleção Nacional é uma delas.

Manter o crescendo

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No próximo dia 11 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará a sua congénere irlandesa, em Dublin. Três dias mais tarde, receberá a sua congénere sérvia no Estádio da Luz… e eu estarei lá! Estes serão os últimos dois jogos da fase de Apuramento para o Mundial 2022. 

 

Como o costume, os Convocados foram Divulgados na passada quinta-feira. Esta foi uma Convocatória bastante conservadora, sem nenhuma novidade absoluta. Não surpreende – são os últimos jogos da Qualificação, uma fase decisiva. Toda a gente sabe que Fernando Santos tem um grupinho da sua confiança, sobretudo em circunstâncias como estas 

 

Ainda assim, fiquei desiludida por a Lista não ter incluído Gonçalo Inácio (que marcou um golo este domingo) e Pedro Gonçalves (eleito o melhor em campo no jogo com o Besiktas). Em parte porque ambos já tinham falhado os dois últimos compromissos por lesão – e, agora, são vários meses até à próxima oportunidade. Muita coisa mudará entretanto.

 

Além disso, há séculos que falo da necessidade de rejuvenescermos o setor da defesa e Gonçalo Inácio parece-me ser uma boa aposta. Mas lá está, Fernando Santos confia em José Fonte e este até está num bom momento, segundo consta. E ao menos Inácio vai estrear-se nos Sub-21 (só agora?). E no que toca a Pote, este só recuperou há relativamente pouco tempo (o jogo com o Besiktas foi literalmente na véspera da Convocatória) e existe muita concorrência para a sua posição.

 

Terá de ficar para a próxima. Mas espero que não demore muito mais.

 

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Falemos agora de Marmanjos que estão na Convocatória. O destaque vai para os regressos de Renato Sanches e João Félix, Chamados pela primeira vez desde o Euro 2020. Estou feliz por ter Renato de volta, depois de ter estado muito bem no Europeu. Ele esteve lesionado durante algum tempo, mas agora parece estar em forma e, quando está em forma, Renato é uma força da Natureza. Veja-se uma das coisas que fez no último jogo com o Lille

 

Também estou contente com o regresso de João Félix, ainda que um bocadinho menos ​​(Renato já fez mais na Seleção). Félix é outro que está num bom momento. Foi eleito o melhor jogador do Atlético de Madrid em outubro e marcou um golo ao Bétis, há pouco mais de uma semana, o primeiro em oito meses (é muito tempo sem marcar, por acaso…). Chegou mesmo a ser felicitado pelos colegas, no fim desse jogo.

 

É sempre bom quando os nossos Marmanjos são bem tratados nos seus clubes. Incluindo brincadeiras, claro. Vão ter de me perdoar, mas eu tenho de referir esta, antes do jogo com o Bétis: quando o Griezmann chamou Félix para lhe servir de mascote. E a parte mais engraçada é que o miúdo chegou mesmo a dar-lhe a mão! Eu fartei-me de rir…

 

Entretanto, José Sá e Gonçalo Guedes foram Chamados para substituir os lesionados Anthony Lopes, Rafa e João Mário. 

 

Estamos então na reta final do Apuramento, com dois jogos de dificuldade média-alta. A nossa situação não é aflitiva: bastam-nos dois empates para conseguirmos a Qualificação. No entanto, jogar para o empate é sempre arriscado e as nossas ambições são maiores. Além disso, eu pelo menos não tenho saudades da velha piada do “de empate em empate…”.

 

O primeiro jogo é com a Irlanda, com quem já jogámos em setembro. Consta que estes têm vindo a crescer com o decurso desta fase de Apuramento. Depois de se terem cruzado connosco, foram simpáticos ao ponto de empatarem com a Sérvia, deixando-nos mais desafogados nesta Qualificação. Mas duvido que eles mantenham a simpatia em Dublin – até porque o jogo terá lotação esgotada. Tenho quase a certeza que os adeptos irlandeses criaram um ambiente vibrante – não necessariamente hostil, mas não favorável a nós. 

 

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Quer-me parecer que será um jogo imperdível… mas eu se calhar vou perdê-lo. A minha mãe faz sessenta anos no dia 11, vamos jantar fora e não sei se o restaurante tem televisão. 

 

Não é a primeira vez que isto acontece. No dia em que a minha mãe fez cinquenta anos, outro número redondo (uau, tenho este blogue há muito tempo…), jogou-se a primeira mão dos play-offs do Euro 2012, contra a Bósnia-Herzegovina. Só consegui ver a primeira meia-hora do jogo, mas também não terá sido uma partida particularmente memorável. Também aconteceu no ano passado, mas era apenas um particular com a Andorra, não acho que tenha perdido muito. 

 

No entanto, este é um jogo que eu queria mesmo ver, sobretudo por causa dos adeptos irlandeses. Posso tentar ver no RTP Play, como já fiz noutras ocasiões, mas não sei se o farei. Nem sempre dá jeito e… são os anos da minha mãe! Não quero passar o jantar todo a olhar para o telemóvel, ou mesmo para uma televisão.

 

Vão ter de me perdoar. Mãe é mãe!

 

Em compensação, tenho bilhetes para o jogo com a Sérvia, no próximo domingo. Pode parecer excessivo – afinal de contas, já fui a um jogo no mês passado. Mas depois das restrições da pandemia, se tenho possibilidades, não quero perder oportunidades como esta. Até porque existe a hipótese, remota mas real, de que a pandemia se descontrole de novo e que regressem as restrições.

 

Desta vez não vou sozinha. Convidei a minha tia. Também convidei a minha avó, mas ela não quis vir (tenho pena, teria sido giro). Será o primeiro jogo da Seleção da minha tia – não sei se será o primeiro jogo de futebol, ponto, mas deverá ser o primeiro em vários anos. E como ela é benfiquista, vai gostar de conhecer a Luz.

 

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Será a terceira vez que vejo um jogo com a Sérvia ao vivo. A primeira, em 2007, foi de má memória, mas a segunda, em 2015, correu muito bem. Por outro lado, da última vez que a Sérvia jogou por cá, na Luz, as coisas correram mal para o nosso lado. 

 

Pode ser que já tenhamos o Apuramento resolvido quando entrarmos em campo, no domingo. Uma parte de mim espera que não, só mesmo para poder assistir a um jogo com alguma adrenalina, mas o resto de mim prefere jogar pelo seguro. Deixarmos a Qualificação arrumada o mais cedo possível, sem stresses desnecessários. Além disso, é possível que a constituição dos potes do sorteio da fase de grupos do Mundial 2022 dependa do desempenho na Qualificação – o que nos saiu caro da última vez.

 

Se a questão ainda não estiver resolvida, poderá ser um jogo difícil. Foi o que aconteceu em Belgrado, em março. É certo que nos anularam um golo injustamente, mas Portugal não fizera o suficiente em campo para merecer claramente a vitória. 

 

De notar que, nesse jogo, a Sérvia melhorou da primeira parte para a segunda. O Selecionador sérvio foi inteligente, soube adaptar-se a nós. Se for necessário, tentará fazer o mesmo no domingo. Temos de estar preparados.

 

Como poderão ler nos textos anteriores, tenho estado satisfeita com o desempenho da Seleção nos últimos jogos. Claro que temos de ter em conta o nível dos adversários mas, como escrevi antes, tem havido uma melhoria de jogo para jogo. Será que conseguimos manter esse crescendo com adversários menos acessíveis, como os próximos?

 

Obtermos a Qualificação é o mínimo exigível e acho que conseguiremos, com maior ou menor dificuldade. Fizemo-lo para todos os Europeus e Mundiais desde 1998, incluindo em circunstâncias mais difíceis do que as atuais. Não será agora que iremos falhar. 

 

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O que eu peço para esta jornada, assim, é a Qualificação e boas exibições. Ou pelo menos melhores exibições que nos jogos que já disputámos este ano com a Sérvia e a Irlanda. Quero continuar a dar o benefício da dúvida a Fernando Santos. Quero acreditar que os erros do Europeu não se vão repetir e que poderemos ter um bom desempenho no Mundial 2022 – caso nos Qualifiquemos. 

 

Como o costume, obrigada pela vossa visita. Acompanhem o último compromisso da Seleção este ano na página de Facebook deste blogue. Até à próxima!

Pausa na programação

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Amanhã, dia 11 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebe a sua congénere andorrana, no Estádio da Luz, em jogo de carácter particular. Três dias mais tarde, no mesmo estádio, receberá a sua congénere francesa. Três dias depois, a Seleção desloca-se à Croácia para defrontar a seleção local. Estes últimos dois jogos contarão para a fase de grupos da segunda edição da Liga das Nações.

 

Fernando Santos anunciou os Convocados para a reta final desta fase de grupos na passada quinta-feira. As novidades na Convocatória são as chamadas de Paulinho e Pedro Neto. Não sei muito sobre eles, confesso. Consta que Paulinho tem feito uma boa época no Sporting de Braga – aparentemente é o avançado dos sonhos de Carlos Carvalhal.

 

Uma nota curiosa: ele fez anos ontem, logo no dia em que se juntou à Seleção pela primeira vez. Não é algo que aconteça todos os dias. 

 

Por seu lado, Pedro Neto é o primeiro na Seleção A a nascer na década de 2000. Ainda devia usar fraldas quando Cristiano Ronaldo subiu aos séniores do Sporting, mas agora vai partilhar o balneário com ele. Pedro é outro lobo do Wolverhampton que se tem saído bem no clube. Consta que ganhou espaço com a transferência e Diogo Jota para o Liverpool. 

 

É impressão minha ou o Wolverhampton está uma autêntica fábrica de talentos para a Turma das Quinas? Criaram o Jota e agora estão a criar o Pedro Neto…

 

Adiante. A minha irmã fez-me ver que esta é a primeira Convocatória sem jogadores do Benfica ou do Sporting em… cinquenta anos!

 

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Não acho que Fernando Santos tenha uma boa desculpa, desta feita – não se pode dizer que os clubes não estão a investir no jogador português. O Benfica tem Pizzi e Rafa. O Sporting está em primeiro lugar na Liga (coisa rara), pelo menos em parte graças a jogadores como Pedro Gonçalves, também conhecido por Pote, Nuno Mendes, Nuno Santos, João Palhinha e até o Campeão Europeu João Mário! 

 

Vão ter de me perdoar se sei um pouco mais sobre o Sporting do que sobre outros clubes portugueses. É o que dá ter uma sportinguista em casa – que ainda por cima anda mais envolvida com a atividade do clube, agora que as coisas estão a correr bem. 

 

A única explicação que me ocorre para não haverem representantes do clube leonino nesta Convocatória – e, como sabem, estou longe de ser uma especialista na matéria – é haver demasiada concorrência para aquelas posições. João Palhinha, por exemplo, concorre com Danilo Pereira para médio defensivo e Nuno Mendes concorre com Raphael Guerreiro para lateral esquerdo. Uma das piores partes de ter uma grande base de recrutamento: há jogadores bons que têm de ficar de fora. 

 

Mas se o Sporting continuar em alta até aos próximos jogos da Seleção, em março, Fernando Santos vai ter de dar oportunidades a estes jogadores. 

 

Uma ausência que me desagrada é a de Pepe por lesão. Depois do seu excelente desempenho nos últimos jogos, isto era uma das últimas coisas que desejava para um jogo difícil, como o de sábado. Enfim, o José Fonte também é experiente, também é Campeão Europeu, há de ser capaz de dar conta do recado. 

 

Nestas últimas semanas, tenho andado inchada de orgulho com tanto jogador português a brilhar nos respetivos clubes. Diogo Jota, um dos destaques da Seleção desde o fim do hiato, também tem espalhado magia no Liverpool. Só no jogo com o Atalanta para a Champions, na semana passada, marcou um hat-trick. Jürgen Klopp está rendido ao miúdo – o sonho de qualquer jogador, deixar um treinador de renome de joelhos. 

 

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Por seu lado, João Félix parece finalmente ter-se encaixado no Atlético de Madrid. No último jogo, em que o Atlético venceu o Cadiz por quatro-zero, Félix contou dois golos e uma assistência. O jornal A Marca já fala dele como o dono da equipa, um dos principais fatores para a ascensão dos colchoneros. 

 

Como alguém que receou que a transferência para o Atlético de Madrid tivesse sido um erro, estou muito feliz por não ter razão. 

 

Quanto a Renato Sanches, também ele tem arrancado elogios, desta feita à Imprensa francesa – o que é notável, tendo em conta a tendência dos franceses para nos desprezarem. Parece que Renato foi uma das estrelas na vitória por três-zero do Lille sobre o AC Milan. 

 

Por fim, o Manchester United tem andado com altos e baixos, mas Bruno Fernandes continua a destacar-se pela positiva. Os jornais descrevem-no como o coração do clube de Old Trafford. 

 

São muitos clubes na mão de jogadores portugueses. O que dá muito jeito para a Equipa de Todos Nós na reta final da fase de grupos da Liga das Nações. 

 

Antes disso temos um particular de dificuldade menor – uma exceção àquela que tem sido a regra para a Seleção, após o longo hiato. O nosso último jogo com a Andorra foi mais difícil do que seria de esperar para a qualidade do adversário – o maior obstáculo foi o terreno. Ora, tendo em conta que este jogo decorrerá no Estádio da Luz, esse problema não se coloca. 

 

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Estou convencida, aliás, de que este adversário foi escolhido a dedo para Ronaldo avançar na perseguição ao recorde de golos por seleções. 

 

Eu e a minha família queríamos ir a esse jogo. A minha mãe faz anos amanhã e eu tinha a esperança de que o Portugal + me enviasse convites (esqueci-me de referi-lo na crónica anterior, mas cheguei a receber quatro convites para o jogo com a Suécia. E até foi com uns dias de antecedência. Mas mesmo assim não fui a tempo de resgatá-los.). No entanto, a pandemia agravou-se e a DGS cancelou os testes-piloto. 

 

É uma pena, sobretudo no que toca ao jogo com a França. Num jogo tão difícil, o público seria uma arma importante. Mas o que é que se pode fazer? 

 

Falemos então sobre o jogo com a França – um dos mais difíceis desta fase de grupos, se não for o mais difícil. A França dispensa apresentações e está em igualdade pontual connosco. O fator casa será praticamente irrelevante e, ao contrário do que aconteceu no Stade de France, o empate poderá não ser suficiente. Tal como disse Fernando Santos na Conferência de Imprensa, um empate com golos não nos dá muito jeito – os franceses ficam com a vantagem de terem marcado em nossa casa. Mesmo um empate sem golos não seria um resultado ideal, na minha opinião – adiaria a decisão para o último jogo, que também não será fácil. 

 

O melhor seria mesmo vencermos a França. Assim, se a matemática não me falha, bastar-nos-ia empatar com a Croácia para passarmos à final four da Liga das Nações. É claro que é mais fácil escrevê-lo do que fazê-lo – não preciso de explicar porquê. Eu não faria essa aposta no Placard. Mas, se existe uma Equipa das Quinas capaz desse feito, será a atual – a passar por uma bela fase, tanto em termos de individualidades como de coletivo. 

 

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A abordagem ao jogo com a Croácia vai, assim, depender do jogo com a França. É um voo um bocadinho longo até Zagreb. Ao menos é o último encontro da jornada e não o do meio – o desgaste seria significativo. Os croatas já estão fora da corrida pelo acesso à final four da Liga das Nações – mas é possível que compitam com a Suécia para não descerem à divisão B. É melhor não esperar facilidades. 

 

Pensar nestas coisas, nestas contas, escrever sobre elas, é um bom descanso da realidade do agravamento da pandemia. Bem, regra geral – o motivo pelo qual fiquei tão em baixo no mês passado foi por o Coronavírus ter invadido o meu escapismo. 

 

Em retrospetiva, exagerei um bocadinho – não chegou a haver nenhum surto de Covid na Seleção. Cristiano Ronaldo recuperou bem, teve ginásio e piscina no isolamento (isto não é para quem quer, é para quem pode), regressou com a veia goleadora intacta. O pior que lhe aconteceu durante esse período foi ter rapado o cabelo (Ronaldo tem andado desinspirado em termos de penteados este ano). Mas com uma doença ainda mal-conhecida como o Covid…

 

À hora desta publicação, ninguém terá acusado positivo na Turma das Quinas. A ver se se mantém assim… 

 

Com alguma sorte, o Covid não estragará esta jornada. Poderemos, nem que seja por poucas horas, fazer uma pausa na programação habitual. Enquanto estivermos a pensar em quem tomará o lugar de Pepe ou se Ronaldo deve ser poupado no jogo contra Andorra, não estaremos a pensar nos números crescentes da pandemia ou no regresso, ainda que parcial, do confinamento. E pode ser que os Marmanjos nos consolem com vitórias perante os atuais Campeões e Vice-Campeões do Mundo. 

 

Isto não é assunto novo neste blogue, já é quase um cliché. Mas costuma-se dizer que os clichés existem por um motivo. Para mim, a Seleção é um escapismo, um consolo, uma esperança – coisas que nunca fizeram mais falta. 

 

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Nesse aspeto, vou tentar aproveitar este triplo compromisso. Sugiro-vos que façam o mesmo: quer através deste blogue, quer através da sua página no Facebook.

Portugal 0 Espanha 0 – Rui Patrício de um lado, trave do outro

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Na passada quarta-feira, 7 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou sem golos com a sua congénere espanhola, no Estádio de Alvalade, em jogo de carácter particular.

 

Este jogo ficou marcado pelo regresso do público a um estádio de futebol, em Portugal Continental – pela primeira vez após o início da pandemia. Não foram colocados bilhetes à venda, apenas convites. Na quinta-feira descobri que eu fora uma das felizes contempladas, por estar inscrita no Portugal +. O convite duplo fora-me enviado na manhã do dia do jogo – mas eu só vi o e-mail mais de vinte e quatro horas depois. 

 

Em minha defesa, eles podiam ter enviado o convite mais cedo – uns dias antes ou, no mínimo, de véspera. Eu por acaso estava livre nesse fim de tarde, podia ter ido ao jogo – mas não teria companhia. 

 

Bem, pode ser que volte a receber convites para o jogo com a Suécia. Agora sei que tenho de estar atenta ao e-mail.

 

De qualquer forma, foi bom ver um jogo de futebol com público, ainda que reduzido. Eram apenas duas mil e quinhentas pessoas, cinco por cento da capacidade do Estádio de Alvalade, mas eram audíveis. Ouviam-se os aplausos, as exclamações, os assobios. Viam-se mãos nas cabeças nas repetições dos remates falhados. Os Marmanjos não estavam sozinhos.

 

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O futebol não é o mesmo sem isto.

 

Portugal não entrou nada bem no jogo. Não prestei muita atenção à primeira meia hora, pois estava a fazer o jantar, mas até eu reparei que nuestros hermanos encostaram-nos às cordas. Como dá para ver neste vídeo, os espanhóis fizeram sete remates antes dos vinte minutos de jogo, quatro deles nos primeiros dez minutos da partida. Nós mal conseguíamos sair do nosso meio-campo – o guarda-redes espanhol, Kepa, devia ter aproveitado para fazer uma siesta.

 

Este domínio só não se traduziu em golos graças a uma boa intervenção de Raphael Guerreiro, intercetando uma possível assistência de Sergio Canales para Gerard Moreno. Mas sobretudo graças a Rui Patrício. 

 

Já tinha saudades de vê-lo a este nível: imperial perante equipas grandes, um dos melhores guarda-redes da Europa, se não for do Mundo. Não me lembro da última vez que ele teve uma exibição assim. Mas sabem como é que é, quando o guarda-redes se destaca demasiado…

 

Fernando Santos sabia. Os seus gritos eram bem audíveis. E a transmissão televisiva chegou a mostrá-lo no banco, com a mão na testa.

 

Quem nunca?

 

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Felizmente, a partir dos vinte e cinco minutos, Portugal começou a entrar mais nos eixos, a criar oportunidades de perigo. Trincão, por exemplo, assistiu para Raphael Guerreiro aos quarenta e três minutos. Este, no entanto, desperdiçou, chutando para as nuvens. 

 

Em defesa dele, Raphael chutou com o seu pior pé, o direito. Era o que estava mais à mão. Se tivesse podido usar o pé esquerdo, o resultado podia ter sido outro.

 

Ainda houve tempo para Cristiano Ronaldo cabecear ao lado. Portugal terminou a primeira parte em crescendo – crescendo esse que se manteve na segunda parte, depois de Fernando Santos ter trocado João Moutinho, Pepe e André Silva (nem me lembro de ver este último em campo) por William Carvalho, Ruben Dias e Bernardo Silva. 

 

Tivemos um par de lances caricatos, em que a bola bateu na trave e caiu exatamente da mesma forma: em cima da linha de baliza, sem a cruzar. O primeiro foi aos cinquenta e dois minutos: William assistiu, de uma distância considerável, para Ronaldo disparar. Quinze minutos depois, foi Ronaldo quem assistiu, em grande estilo, um belo passe curvo (fez-me lembrar a assistência de Nani para o segundo golo de Ronaldo frente à Holanda, no Euro 2012). Renato Sanches enviou o míssil que atingiu a barra. Como diziam no Facebook das Seleções de Portugal, a trave ainda deve estar a tremer. 

 

 

Eu neste momento só me ria e comentava “Só podem estar a gozar…”. Isto era a maldição dos postes a outro nível. E nem sequer era a primeira vez que a trave ficava do lado de nuestros hermanos, impedindo mais golos que o guarda-redes espanhol. A minha mãe dizia que a baliza tinha um escudo invisível – não vi provas em contrário!

 

Os espanhóis tiveram mais uma oportunidade ou outra, na segunda parte – uma delas obrigou Rui Patrício a mais um momento imperial, defendendo com o joelho. Se a memória não me falha, imediatamente a seguir o recém-lançado João Félix, que substituiu Ronaldo, foi colocar a braçadeira de Capitão no braço de Patrício. Achei apropriado – teria sido melhor se fosse uma coroa. 

 

Ainda assim, se não me engano, foi Portugal quem teve mais oportunidades em toda a segunda parte – pena nenhuma delas se ter concretizado. Perto do fim do jogo, Félix assistiu para Trincão, mas Kepa meteu-se à frente. Mesmo no sopro final da partida, na sequência de um canto, a bola chegou a Félix, mesmo junto à linha da baliza. O jovem podia ter encostado para golo e conseguido a vitória, mas a bola passou-lhe entre as pernas. 

 

O jogo terminou assim, com o marcador teimosamente fechado. O que é chato para o público. Eu teria ficado desiludida por não ter podido gritar “GOLO!” – já aconteceu antes. Mas o que se podia fazer? Na nossa baliza estava Rui Patrício, na baliza dos espanhóis estava um escudo invisível. Estava a trave.

 

Tirando isso, não tendo sido um jogo especialmente memorável, não foi mau para um particular. Teve os seus momentos. O empate foi um resultado justo tendo em conta o que ambas as equipas fizeram. Portugal podia ter feito mais: podia não ter entrado com vinte e cinco minutos de atraso, podia não ter tido pontaria a mais. Mas se é para entrar mal num jogo, se é para ter azar, que o faça quando é a feijões, em vez que fazê-lo quando é a doer. 

 

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Como hoje, frente à França. 

 

França essa que, no mesmo dia do nosso jogo com a Espanha, venceu a Ucrânia, também num jogo particular, por nada menos que sete bolas contra uma. Contra a Ucrânia! Não é propriamente um tubarão, mas sempre está na primeira divisão da Liga das Nações – e venceu-nos no ano passado.

 

Creio que, neste momento, a França é a seleção mais perigosa, mais letal, do momento. Mesmo a Alemanha não parece estar ao nível de há uns anos – empataram com a Turquia num jogo particular (o que também vale o que vale). Não vai ser nada fácil. É bom que Rui Patrício esteja preparado para ser imperial outra vez – palpita-me que vamos precisar.

 

É engraçada a forma como as circunstâncias são tão parecidas com o 10 de julho. O estádio é o mesmo, a hora é a mesma, é também um domingo. Vamos voltar a um sítio onde já fomos felizes. Fernando Santos podia ter Convocado o Éder só para ele estar lá no banco, só para gozar com os franceses. 

 

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Dito isto… isto não é uma final. É apenas um jogo da fase de grupos. Nem sequer é particularmente decisivo – quem ganhar passa para o topo da tabela, mas tem de manter-se lá durante mais três jogos. Um empate não seria um mau resultado mas, como referi antes, todos queremos ganhar. 

 

Vou preparar-me para um jogo de sofrimento – aconselho-vos a fazerem o mesmo. Estou contente por ter conseguido publicar este texto antes do jogo com a França. O próximo cobrirá, então, a partida de hoje e da de quarta-feira, com a Suécia. 

 

Como o costume, obrigada por estarem desse lado. Acompanhem o resto desta jornada tripla comigo, quer aqui no blogue quer na sua página no Facebook

Em boas mãos (e pés)

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No passado sábado, dia 5 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol derrotou a sua congénere croata por quatro bolas contra uma. Três dias mais tarde, derrotou a sua congénere sueca por duas bolas sem resposta. Ambos os jogos contaram para a fase de grupos da segunda edição da Liga das Nações. 

 

Era difícil Portugal ter tido uma melhor estreia do que esta, na competição. Foi sinceramente melhor do que eu me atrevia a esperar. 

 

Antes do início do jogo com a Croácia sentia-me nervosa. Pelos motivos que referi no final da última crónica e também porque não conseguia prever como correria o jogo. Achava que poderia dar para qualquer lado. Afinal de contas, sempre era o Campeão da Europa e da Liga das Nações contra o vice-campeão do Mundo. Pelo menos em teoria, era um duelo de titãs.

 

Agora sei que não precisava de me preocupar, mas foi melhor assim. É sempre preferível sobrestimar o adversário do que o contrário. 

 

Ambos os jogos desta jornada decorreram à porta fechada. Tal como se calculava, é deprimente. Os gritos dos jogadores e treinadores faziam eco nas bancadas vazias. Dizem que se ouviam os veículos na VCI dentro do estádio, durante o jogo com a Croácia – quando devia ser o contrário. Quem passava na VCI àquela hora devia ser capaz de ouvir os gritos no público dentro do estádio – tal como quem passa na Segunda Circular junto ao Estádio de Alvalade ou ao Estádio da Luz, durante jogos lá (como vivo em Lisboa, tenho mais experiência com isso). 

 

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Cristiano Ronaldo não jogou devido a uma infeção no dedo do pé, que estava a tratar com antibiótico (como farmacêutica, gostava de saber que terapêutica ele fez). Ele e os outros suplentes assistiram ao jogo na bancada. Ronaldo pareceu-me frustrado por não poder estar em campo – ao ponto de, a certa altura, se ter esquecido de pôr a máscara (eu dava-lhe um sermão daqueles, como tenho dado a vários utentes meus). 

 

Curiosamente, durante o jogo com a Suécia, quando Ronaldo estava em campo, as câmaras não pareceram tão interessadas no que se estava a passar nas bancadas, entre os suplentes. Porque será?

 

A Croácia teve uma oportunidade aos dois minutos, defendida por Anthony Lopes (titular em vez de Rui Patrício, que estava de férias antes destes jogos). Tirando essa ocasião, os croatas permaneceram acampados no seu meio campo, mesmo na sua grande área, muito encolhidos, durante quase toda a primeira parte. 

 

Portugal ia criando oportunidades atrás de oportunidades, sem conseguir concretizá-las – parecia-me que tínhamos sempre croatas no caminho da bola. Tivemos sintomas da nossa velhinha maldição dos postes – três bolas aos ferros, já não nos acontecia há algum tempo… 

 

Os comentadores iam dizendo que, mais cedo ou mais tarde, Portugal marcaria. Eu estava com medo que nos acontecesse o oposto – que os remates falhados começassem a subir à cabeça dos Marmanjos, que os nervos piorassem ainda mais a pontaria, um ciclo vicioso que acabasse com o jogo empatado ou pior.

 

 

Felizmente não foi isso que aconteceu. Aos quarenta minutos João Cancelo recebeu a bola perto da grande área. Lá permaneceu um momento, como que pensando o que fazer a seguir. Alguém, talvez Fernando Santos, gritou “Chuta!” – eu não ouvi da primeira vez, mas o meu pai ouviu. É uma das poucas vantagens da ausência de público. De qualquer forma, Cancelo obedeceu, um belo tiro, certeiro para as redes. O golo foi dedicado à sua falecida mãe – um gesto bonito, sobretudo depois da entrevista que dera ao Canal 11, poucos dias antes.

 

Estava quebrado o gelo. Na segunda parte, a Croácia abriu-se mais, aproximou-se mais da nossa baliza, sem fazer grandes ameaças. Portugal continuou por cima, se bem que sem o fulgor da primeira parte. Aos cinquenta e oito minutos, um dos defesas da Croácia distraiu-se com João Félix, dando espaço a Raphael Guerreiro para assistir para Diogo Jota e este rematar para as redes.

 

Este também teve direito a dedicatória – desta feita à namorada e ao filho que tem por nascer (eles são pais muito novinhos…). Depois de Ronaldo lhe ter roubado o golo no jogo com o Luxemburgo, Jota estreava-se a marcar com a Camisola das Quinas.

 

Mais tarde, foi a vez de João Félix se estrear, com um remate da meia-lua – após múltiplas tentativas, não apenas naquele jogo, praticamente desde que se estreou pela Seleção. O pobre miúdo nem sequer festejou o golo de imediato, parecia que nem acreditava que tinha mesmo marcado.

 

Os croatas tiveram direito ao golo de honra ao minuto noventa, fruto de uma fífia de João Cancelo. O Marmanjo segurou mal a bola, os adversários conseguiram ganhar posse e a jogada terminou com um remate certeiro de Bruno Petkovic, sem hipótese para Anthony Lopes. 

 

Depois do desempenho de Cancelo neste jogo, acho que toda a gente lhe perdoa este deslize. Até porque não demorou muito até a vantagem de três golos ser reposta. 

 

 

O golo de André Silva surgiu mesmo no sopro final da partida, na sequência de um canto. Foi uma jogada algo confusa, estavam muitos croatas na grande área. Pepe fez uma tentativa de remate de cabeça, a bola foi parar a André Silva, que a enfiou na baliza entre o guarda-redes croata e um colega dele. 

 

O árbitro apitou para o final logo após o golo, algo que não me lembro de alguma vez ter visto em futebol – as celebrações do golo misturando-se com as celebrações da vitória. Um pormenor engraçado. 

 

Toda a gente inundou a Seleção de elogios após este jogo. Eu incluída, claro, depois do meu nervosismo e expectativas algo baixas. Há quem aponte demérito da Croácia – e de facto acho que se esperava mais dos vice-campeões do Mundo, mesmo sem Modric e Rakitic – mas ninguém pode tirar o mérito a cada um dos que envergaram a (não muito bonita, tenho de concordar) Camisola das Quinas naquela noite. 

 

Não é a primeira vez que escrevo aqui sobre a alegria que é ver tanto jovem talentoso, alguns deles ainda com caras de adolescentes, jogando pela Seleção. Eu sentia-me inchar naquela noite com cada elogio aos Marmanjos que lia e ouvia – como se estivessem a elogiar-me a mim. Ah, as saudades que eu tinha disso!

 

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Foi aqui que as pessoas se começaram a questionar, não pela primeira vez, se Portugal jogaria melhor sem Ronaldo. Havemos de falar sobre isso neste texto… mas para já o jogo com a Suécia. 

 

Ronaldo estava já recuperado na infeção no dedo do pé. Alinhou, assim, desde início, tomando o lugar de Diogo Jota. Foi a única alteração em relação ao onze inicial anterior. Antes deste jogo ouvi comentadores debatendo qual das opções era a melhor: mudar a constituição da equipa, poupando jogadores desgastados pelo jogo anterior (afinal de contas, estamos em pré-época); ou usar essencialmente o mesmo onze, tomando partido das rotinas. 

 

Eu arrisco-me a dizer que talvez tivesse sido melhor ter usado um onze diferente, com jogadores mais frescos. O cansaço pode explicar, pelo menos em parte, a exibição menos entusiasmante da Seleção. Mas não percebo assim tanto de futebol para questionar uma decisão como esta. 

 

À hora do jogo estava, como a minha mãe diz, com a neura. Desejava uma vitória da Seleção um pouco mais do que o costume, para me levantar o ânimo. Em parte por causa disso, não prestei tanta atenção à primeira parte do jogo como prestara no sábado anterior. 

 

A Suécia começou o jogo por cima, defendendo bem. Portugal teve dificuldades em criar oportunidades, mas eventualmente foi crescendo no jogo. Cristiano Ronaldo fez duas tentativas de golo, ambas defendidas pelo guarda-redes Robin Olsen. 

 

 

Finalmente, em cima do intervalo, Gustav Svensson foi expulso por acumulação de amarelos, após falta sobre João Moutinho. Ronaldo foi chamado a cobrar e fê-lo com a mesma mestria que um jogador comum bate um penálti. Bruno Fernandes diria mais tarde que, na véspera, Ronaldo marcara “seis ou sete livres assim no treino e saiu igual”

 

Parece puro talento, magia, mas não é. É prática. O que para mim é ainda mais inacreditável. 

 

A expulsão e o golo em cima do intervalo mudaram o curso do jogo. Eu finalmente sorri, ultrapassando a minha neura. Tem sido sempre assim, há mais de metade da minha vida.

 

Deste modo, a segunda parte foi mais fácil, mesmo não sendo brilhante. Portugal teve mais oportunidades – de João Félix, dos dois meninos dos anos, João Moutinho e Bruno Fernandes. Este último chegaria a mandar uma bola aos ferros – outra vez a maldição.

 

No entanto, como em muitas outras noites de Seleção, estava escrito nas estrelas que aquela pertencia a Ronaldo. Não consigo perceber ao certo quem fez aquele passe transversal ao campo, espetacular. Não sou a única: há sítios que dizem que foi João Cancelo, outros dizem que foi Bruno Fernandes. De qualquer forma, João Félix recebeu a bola, passou-a para Ronaldo. Este disparou, em cima do limite da grande área, diretamente para as redes. 

 

 

Estava feito o marcador. Dois golos de Ronaldo, o centésimo-primeiro da sua conta pessoal pela Seleção. Sete deles foram precisamente frente à Suécia, a sua maior vítima empatada com a Lituânia. Fica a oito golos do recorde de Ali Daei. Todos esperam que Ronaldo atinja a marca em breve – se não fosse o Covid, se calhar já teria atingido. 

 

Foi ele quem mais brilhou neste jogo. Os companheiros estiveram mais apagados, em comparação com o jogo da Croácia. Existem várias explicações possíveis, algumas delas já referimos aqui. Menor frescura. Suécia mais competente que a Croácia. Ou então, talvez a Equipa de Todos Nós enquanto coletivo jogue melhor sem Ronaldo do que com ele. 

 

Esta teoria já não é nova e suspeito que depressa irá ganhar barbas. Fernando Santos tem garantido várias vezes que nenhuma equipa é melhor sem o Melhor do Mundo. No entanto, como muitos têm apontado, com Ronaldo em campo, os jogadores podem ter a pressão e/ou a tentação de passar a bola ao madeirense, esperarem que ele resolva a coisa. 

 

Uma vez mais, não sou a melhor pessoa para avaliar a questão. No entanto, no que toca a dilemas deste género relacionados com a Equipa de Todos Nós, estamos bem servidos neste momento. 

 

Há meia dúzia de anos o drama era se a Seleção era Ronaldo-mais-dez. Hoje conseguimos ganhar com ou sem Ronaldo. O drama é saber qual destas duas versões da Seleção é a melhor. Se esta dupla jornada serve de exemplo, de qualquer das maneiras, as Quinas estão em boas mãos (e pés). Temos o Melhor do Mundo e temos vários jogadores cheios de talento, representando os melhores clubes da Europa, que ainda nem sequer atingiram todo o seu potencial. Que podemos desejar mais?

 

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Como disse no início, era de facto difícil fazer melhor nesta dupla jornada – sobretudo tendo em conta as circunstâncias. Idealmente teríamos tido uma exibição melhorzita na vitória sobre a Suécia, mas esta continuava a valer três pontos. Era importante começarmos bem esta fase de grupos, até porque o pior (leia-se: a França) ainda está para vir. Mas preocupamo-nos com isso quando chegar a altura.

 

Para já, soube-me muito bem ter a Seleção de volta – e saber que voltaremos a tê-la dentro de poucas semanas. Como dei a entender antes, a vitória sobre a Suécia serviu-me de consolo, numa noite em que estava de mau humor. Não fez os meus problemas desaparecerem por magia, claro que não, mas tirou-me da minha própria cabeça. Deu-me coisas boas em que pensar, impediu-me de ir demasiado abaixo.

 

É precisamente por isso que a Seleção fez tanta falta durante os primeiros meses da pandemia. É por isso que estou feliz por tê-la de volta.


Obrigada a todos aqueles que acompanharam esta jornada dupla de Seleção comigo, quer neste blogue quer na sua página de Facebook. No próximo mês haverá mais.

 

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O jogo começa na segunda parte

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No passado sábado, dia 7 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere sérvia por quatro bolas contra duas, no Estádio Rajko Mitic, também conhecido por Marakana, em Belgrado. Três dias mais tarde, venceu a sua congénere lituana por cinco bolas contra uma. Ambos os jogos contaram para o Apuramento para a fase final do Europeu de 2020.

 

Com estes resultados, Portugal soma oito pontos, ocupando a segunda posição na tabela classificativa. Tem menos cinco pontos que a Ucrânia, que ocupa a primeira posição, e mais um que a Sérvia, que ocupa a terceira posição. De notar, no entanto, que Portugal tem menos um jogo disputado que as restantes equipas do grupo. 

 

Ou seja, depois do começo em falso, já se respira melhor neste Apuramento. 

 

Comecemos por falar do jogo com a Sérvia. Este era um dos jogos mais difíceis deste grupo de Apuramento: um adversário direto na corrida, que não perdia em casa desde… bem, desde outubro de 2015, quando nós os visitámos e os derrotámos, já depois de selada a Qualificação para o Euro 2016, há quatro anos.

 

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Conforme o título desta crónica dará a entender, um dos denominadores comuns entre os dois jogos desta dupla jornada diz respeito às primeiras partes que deixaram a desejar. No caso deste jogo, a primeira parte não foi propriamente má, apenas pastosa. Portugal sentiu dificuldades em aproximar-se da baliza sérvia durante a primeira hora do jogo. A Sérvia concentrou-se muito na defesa, mas quando se punha em contra-ataque chegou a assustar.

 

O primeiro golo de Portugal surgiu quase por acidente. Bruno Fernandes cruzou para a grande área, Milenovic e o guarda-redes Dmitrovic chocaram um com o outro. William Carvalho, matreiro, aproveitou a ocasião para inaugurar o marcador.

 

Talvez catalisados pelo golo, os Marmanjos entraram bem na segunda parte. Cristiano Ronaldo dispôs de um par de oportunidades para aumentar a vantagem, mas acabou por ser Gonçalo Guedes a marcar primeiro. Depois de umas trocas de bola jeitosas à porta da grande área sérvia, o Marmanjo conseguiu fugir aos defesas e rematar em diagonal e grande estilo para as redes adversárias. 

 

É por isto que Fernando Santos vai pondo Guedes a titular, em detrimento do extremamente mediático João Félix: porque o Marmanjo mais velho tem conseguido marcar e assistir para golos importantes – mesmo não fazendo exibições de encher o olho, como neste jogo. Mais sobre isso adiante.

 

Nesta fase, confesso que cometi o mesmo erro que a Seleção: achei que o 2-0 mataria o jogo. Enganámo-nos redondamente. Os sérvios teimaram em lutar pelo empate. Por um lado, imenso respeito – não consigo evitar simpatizar com um adversário que não se rende com facilidade. Por outro – sobretudo quando insistiam em marcar golos depois de nós – só pedia que alguém enfiasse um Zolpidem na água deles. 

 

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Embora, para sermos sinceros, tenham havido culpas portuguesas no cartório nos dois golos da Sérvia. No primeiro, foi Danilo quem deixou Milenkvic desmarcado e o sérvio aproveitou para marcar de cabeça. Logo no minuto seguinte, Rui Patrício teve de se esmerar para travar o remate longo de Ljajic. 

 

Como em muitas situações de aperto, foi o Capitão a intervir para repôr os dois golos de vantagem. Bernardo Silva tomou posse da bola a meio campo, conduziu-a durante um bocado, passou-a a Ronaldo ultrapassando uma linha de sérvios e o Capitão rematou-a calmamente para as redes. Momento engraçado quando, antes de celebrar o golo, se pôs a olhar para o fiscal de linha, para confirmar que não estava em fora-de-jogo.

 

Ainda não foi suficiente para resolver a questão. Nesta altura, muitos adeptos sérvios começavam a abandonar o estádio. Sempre desprezei este tipo de público, mas este caso em particular é pior. Os adeptos desistiram antes dos jogadores. Não merecem a seleção que têm.

 

Os sérvios acabaram por marcar outra vez (agora estou a pensar que terão havido adeptos a caminho das saídas, apenas para correrem de novo para dentro ao ouvirem os gritos de golo). Bruno Fernandes perde uma bola que não devia ter perdido e a jogava terminou com Mitrovic rematando certeiro para as nossas redes.

 

Ao menos desta feita não demorámos muito a recuperarmos a vantagem de dois golos. Menos de dois minutos depois, Raphael Guerreiro assistiu para Bernardo, que encerrou o marcador.

 

 

Este miúdo é uma delícia de ver jogar.

 

Em suma, como tem sido a regra nos últimos anos, foi uma exibição que não deslumbrou, mas que garantiu os três pontos. Este era um dos jogos mais difíceis deste Apuramento – passámos este teste.

 

Falemos, então, sobre o jogo com a Lituânia: um encontro em que, em teoria, não teríamos grandes dificuldades. Na prática não foi bem assim.

 

De início as coisas até correram de forma mais ou menos normal. João Félix, titular, conseguiu um penálti para Cristiano Ronaldo converter, antes dos dez minutos de jogo (já se pode dizer que Félix contribuiu para um golo da Seleção?). 

 

Portugal foi, no entanto, incapaz de ampliar a vantagem no marcador, apesar de não faltarem oportunidades. Acabou por ser a Lituânia a chegar ao golo na sequência de um canto. Andriuskevicius saltou mais alto que João Félix, que não estará habituado a defender, e marcou de cabeça.

 

 

 

Não sei como foi com vocês, mas esta deixou-me com vontade de me enfiar num buraco. Ou, vá lá, numa sebe. Uma equipa que não ganhava um jogo há ano e meio mas que conseguia empatar connosco.

 

Não me preocupei por aí além com este contratempo. Sabia que era uma questão de tempo até regressarmos à vantagem no marcador. Não me enganei – mas ainda demorou e não faltaram momentos de exasperação pelo meio.

 

João Félix, em particular, metia dó. Via-se que o miúdo queria mesmo marcar um golo, por todos os motivos e mais alguns, mas a bola teimava em não entrar – quer por falta de sorte, quer por momentos inusitados de inspiração por parte do guarda-redes lituano. 

 

Suponho que seja uma boa altura para falar do desempenho geral de João Félix nesta dupla jornada. A ideia com que fico – e posso estar enganada, atenção – é que, pelo menos a curto prazo, Fernando Santos poderá pôr Félix a titular em jogos de dificuldade teoricamente menor, mas em jogos mais difíceis voltará a pôr Guedes de início. E de facto, se pusermos de lado todo o mediatismo (muito catalisado por benfiquistas e colchoneros, diga-se)... porque não o faria?

 

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Há comentadores desportivos que parecem assumir que a sagração de Félix como um dos melhores jogadores de todos os tempos é um evento tão certo como o nascer e pôr-do-sol e que Fernando Santos tem a obrigação de acelerar esse processo na Equipa das Quinas. O que é uma filosofia perigosa. Servir de rampa de lançamento a carreiras de jogadores individuais não é o objetivo principal da Seleção. 

 

Não sou ingénua – sei que os Europeus e Mundiais servem de montra para os jogadores. Regra geral, não tenho problemas com isso – é uma daquelas situações em que todos ganham. No entanto, os interesses individuais não podem nunca sobrepôr-se aos interesses do coletivo.

 

Isto tudo para dizer que Fernando Santos não tem a obrigação de pôr Félix a titular, quando tem Gonçalo Guedes – menos mediático, talvez mesmo menos talentoso, mas mais experiente na Seleção, mais capaz de obter os resultados pretendidos. Félix ainda não está nessa fase. 

 

Dito isto tudo, é possível que o jovem chegue a essa fase a curto, médio prazo. Ficou provado neste jogo que vontade não lhe falta. Mais uns jogos – é possível que ele seja titular no próximo – e ele chega lá.

 

Regressemos ao encontro com a Lituânia. Como vimos, a primeira parte não correu muito bem a Portugal, mas a Seleção entrou melhor na segunda, conseguindo várias oportunidades para desfazer o empate. Ainda assim, o golo que desbloqueou o jogo resultou de uma atrapalhação do guarda-redes depois de um remate de Ronaldo: a bola bateu-lhe no ombro e entrou na baliza.

 

 

É rir para não chorar.

 

Em todo o caso, a UEFA atribuiu o golo a Ronaldo. O Capitão marcaria ainda mais dois golos – ambos assistidos por Bernardo Silva, como poderão ver no vídeo abaixo. Que mais é preciso para o miúdo ser considerado insubstituível na Seleção?

 

O foco, no entanto, tem sido o póquer de Ronaldo, o seu segundo na Seleção – o primeiro foi frente à Andorra, na Qualificação para o Mundial 2018 (custa a acreditar que já lá vão quase três anos). Às vezes irrita-me um pouco toda a aenção dada a Ronaldo mas depois olho para os factos e não posso contestar: Ronaldo merece tudo isto e muito mais! 

 

Algo de que só me apercebi agora foi que ele já duplicou o número de golos de Eusébio pela Seleção. De Eusébio! O recorde dele demorou décadas a ser quebrado – pelo Pauleta. Mesmo o recorde do açoriano está a um golo de ser duplicado – e Ronaldo só o ultrapassou há cinco anos e meio! 

 

Recordar, de resto, que Ronaldo já tem trinta e quatro anos, quase trinta e cinco!

 

 

Peço desculpa, mas às vezes tomo Ronaldo como garantido, nem sempre páro para recordar o quão raro e, sinceramente, sobrenatural este Marmanjo é. Não admira que o venerem como Nosso Senhor dos Golos, que abençoem a senhora que o deu à luz. Ronaldo não é deste Mundo!

 

Diz Fernando Santos que “Cristiano nunca acaba”. Seria bom se fosse verdade: ter o Capitão para sempre a este nível. 

 

Ainda houve tempo, já depois de Ronaldo ter sido substituído, para William marcar o quinto. É um pormenor engraçado desta dupla jornada: o William marcou o primeiro e o último golo.

 

Antes de partirmos para as conclusões, uma palavra de apreço para o público português no Estádio LFF, mariotariamente fuzileiros da Marinha Portuguesa estacionados na Lituânia, convidados pela Federação para assistir ao jogo. É sempre impressionante quando os adeptos visitantes, minoritários, fazem mais barulho que os adeptos da casa. Os Marmanjos fizeram questão de tirar uma fotografia com a claque, o que foi um gesto muito bonito. Devia tornar-se tradição em jogos das Quinas, pelo menos fora – em jogos em casa será complicado.

 

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Esteve tremido durante um bocado – claro que esteve, nós e a nossa afinidade para o caricato – mas o jogo acabou por se resolver a nosso favor. O resultado foi semelhante aos dos particulares há mais de quinze anos, de que falámos no texto anterior. Conforme referido acima, depois dos tropeções anteriores, regressamos ao bom caminho. 

 

Há opiniões díspares no que toca ao resto da Qualificação. Há quem defenda que está no papo, mais uma ou duas vitórias e ficamos Apurados. Fernando Santos continuará a falar de quatro finais para vencer, creio eu. 

 

Pessoalmente, estou algures no meio. não me parece que os dois jogos com o Luxemburgo e o jogo em casa com a Lituânia nos coloquem grandes dificuldades – aqui entre nós, estou mais preocupada com as dificuldades que possamos causar a nós mesmos. O jogo fora com a Ucrânia (em Kiev?), no entanto, poderá ser complicado. Ainda assim, acho que a Qualificação direta estará ao nosso alcance. Todos nós preferíamos Apurar-nos em primeiro lugar, por uma questão de orgulho de Campeões Europeus e da Liga das Nações, mas ninguém morre se só nos Qualificarmos em segundo. 

 

Confesso que fiquei com um bocadinho de pena quando a dupla jornada terminou. Já estou com saudades da Seleção. Felizmente só temos de esperar umas três semanas até à próxima Convocatória. Aproveito para avisar que vou ter um outubro complicado, terei menos tempo para o blogue. Em princípio, devo saltar a habitual crónica pré-jogo.

 

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É possível, aliás, que nas próximas semanas o meu outro blogue ultrapasse este em número de publicações. Fico um bocadinho triste, mas suponho que era inevitável. Este blogue só está ativo quase quando a Seleção está. O meu Álbum de Testamentos não tem essas limitações. Uma agravante é o facto de, nos últimos anos, crónicas como esta, em que analiso dois jogos em vez de apenas um, serem mais frequentes. Estou até surpreendida por ter demorado tanto tempo – sete anos – até chegarmos a este ponto.

 

Mas estou a desviar-me. Mesmo que o blogue não regresse logo com a Seleção, a página no Facebook manter-se-se-á ativa. Vemo-nos em outubro.