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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Portugal 0 Holanda 3 – Uma laranja bem amarga

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Na passada segunda-feira, dia 26 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol perdeu contra a sua congénere egípcia por três bolas sem resposta, em jogo de carácter amigável no Estádio de Genebra, na Suíça.

 

Quem foi a parva que pensou “Ai e tal, eles são nossos fregueses, não há de ser muito difícil”, quem foi?

 

Em minha defesa, a atitude dos Marmanjos, sobretudo no início do jogo, não terá sido muito diferente.

 

Voltei a perder a primeira parte do jogo, mas desta feita não me importei nadinha. Segundo a minha irmã, os jogadores estiveram por ali a brincar, até que, quando deram por ela, tinham levado três. Eu mesma vi, no resumo em vídeo, os portugas ali especados a olhar, nas jogadas que resultaram nos golos. Sinceramente, WTF?!?!

 

Agora que penso nisso, não me posso queixar da minha sorte. Da última vez que levámos com três golos sem resposta em quarenta e cinco minutos, também não tive de ver, por causa do trabalho. Ou será que é a minha “presença” que evita desgraças como esta?

 

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Havemos de voltar a falar do nosso último jogo com a Alemanha mais à frente. Regressando a este particular, depois de uma primeira parte mesmo muito má, a segunda parte terá sido melhorzita. Não que tenha sido alguma coisa de especial, mas sempre deu para não sofrer mais golos. Podíamos, até, ter conseguido reduzir a desvantagem… se o João Cancelo não se tivesse feito expulsar sem necessidade.

  

Depois desta, e de já ter tido culpas no cartório da última vez que tínhamos perdido, há um ano, Cancelo deve perder o comboio para o Mundial. É uma pena, o miúdo parecia ter tanto potencial no início da Qualificação… Mas talvez seja melhor Chamar Nélson Semedo ou Ricardo Pereira para aquela posição. Ou mesmo André Almeida.

 

Voltando ao jogo, com apenas dez em campo, só dava mesmo para manter o resultado. Ainda assim, Gonçalo Guedes e André Silva tiveram cada um uma oportunidade de chegar ao golo de honra.

 

Na verdade, a parte mais interessante destes quarenta e cinco minutos foi a invasão de campo. Veio-se a descobrir mais tarde que os adeptos em questão eram um humorista/YouTuber e o seu assistente e que aquilo fora tudo planeado. Tudo muito giro e tal… se não fosse a parte do beijo. Não sejamos hipócritas, se o Cristiano fosse uma mulher ninguém acharia piada. Em tempos de #MeToo, chamemos os bois pelos nomes: aquilo foi assédio.

 

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Mas admito que a cara de frete do Ronaldo teve piada.

 

Tirando esta situação, no entanto, os Marmanjos não se podem queixar dos adeptos portugueses no Estádio de Genebra: mesmo a perder por 3-0, não deixaram de puxar por Portugal e de cantar, inclusivamente o Pouco Importa (o que é, no mínimo, estranho num jogo como aquele…). Compreende-se: não é todos os dias que os emigrantes têm a hipótese de ver a sua Seleção ao vivo, é claro que eles vão aproveitar.

 

A Seleção em si é que fez muito pouco por merecer esse apoio.

 

E é isto. Não digo que foi uma noite para esquecer, porque temos mesmo de aprender com os erros que cometemos. Nem que as únicas coisas que tenhamos aprendido sejam, como diria Thomas Edison, aquilo que não resulta. Está visto, por exemplo, que a maneira como jogámos nesta dupla jornada, sobretudo no jogo com a Holanda, não resulta. Ainda menos resultam as invenções de Fernando Santos neste jogo, conforme explicam aqui (no que toca a estes aspetos mais técnicos, prefiro dar a palavra a outros).

 

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O Selecionador, de resto, assumiu a responsabilidade pela derrota, afirmando mesmo que Portugal tem de “voltar a ser a equipa rigorosa do Euro”. Eu concordo por completo até porque fiquei um bocadinho apreensiva com a goleada que os espanhóis impuseram aos argentinos.

 

Admito, no entanto, que isso vem um pouco influenciado pela onda de pessimismo entre os adeptos portugueses, após o jogo com a Holanda (a Argentina não tinha muitas das suas maiores estrelas, como Lionel Messi, Di Maria e Aguero, a jogar). É um bocadinho hipócrita e tipicamente português: como reza aquele meme do Joker, fazemos a nossa melhor Qualificação em números e uns quantos particulares aceitáveis, ninguém liga. Fazemos um particular mau, cai o Carmo e a Trindade.

 

Ainda no outro dia comentei que estes particulares raramente espelham o verdadeiro valor de uma equipa – tanto o nosso como o de Espanha e o do Irão, que também teve um bom resultado num particular. Além disso (conforme já disse noutra ocasião, acho eu), depois de ter sobrevivido ao nosso desempenho no Mundial 2014, destaque para o jogo com a Alemanha (essa sim, uma derrota verdadeiramente destrutiva e traumática), não será um mísero particular a tirar-me o sono.

 

Mas fico chateada. Estivemos quatro meses sem jogos da Seleção. Hoje em dia lido melhor com a espera do que há uns anos e, como referi antes, já não me entusiasmo muito com jogos como estes. Mesmo assim, estava à espera de um bocadinho mais do que as exibições sofríveis nesta dupla jornada.

 

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Em todo o caso, é bom que isto tenha acontecido agora, a setenta e cinco dias do Mundial, quando ainda há tempo de corrigir. Estou disposta a levar com um par de jogos maus nesta altura do campeonato, em troca de jogos bons quando for a doer. Fernando Santos sai desta dupla jornada com imenso trabalho para casa. Se ele tem por objetivo ganhar o Mundial, tal como tem pregado, vamos precisar de mais.

 

Entretanto, eu mesma já ando a preparar o Mundial à minha maneira. Este blogue vai completar dez anos online em Maio e não vou deixar a ocasião passar em branco. Já alinhavei o primeiro rascunho dessa publicação. Da mesma forma, estou a pensar começar a escrever a habitual crónica pré-Convocados algures nos próximos dias. Eu sei que ainda falta cerca de um mês e meio para a Convocatória e início do estágio, mas ando com menos tempo para escrever e, com dois blogues para gerir, acho melhor deixar isto adiantado.

 

Saio desta jornada dupla um bocadinho desiludida, mas não é grave. Tenho as minhas reservas relativamente ao Mundial, como lerão num texto futuro, mas isso não significa que não acredite. Há tempo suficiente para corrigirmos as falhas e prepararmo-nos. Estes dois últimos jogos dificilmente ficariam na História, tal como vimos antes. Que ao menos nos ajudem a preparar-nos para fazermos História, a partir de junho.

Braço-de-ferro

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Na próxima quinta-feira, dia 31 de agosto, a Seleção Portuguesa de Futebol recebe a sua congénere (*consulta o Google*) faroense no Estádio do Bessa. Três dias depois, desloca-se ao Groupama Arena, em Budapeste, para defrontar a seleção húngara. Ambos os jogos contam para a Qualificação para o Mundial 2018.

 

Os Convocados para esta dupla jornada foram Divulgados na passada quinta-feira e incluíram uma mão-cheia de novidades. Não temos propriamente estreias, antes regressos após ausências prolongadas.

 

Um dos destaques, pelo menos para mim, é Fábio Coentrão. O lateral esquerdo esteve quase dois anos ausente. Tendo em conta que estes últimos dois anos incluíram a vitória no Euro 2016, estes equivalem a uma eternidade.

 

Quem já acompanhe o meu blogue há uns anos saberá que sempre gostei do Coentrão. Pelo talento, pela entrega, pelo inconformismo. Ele, contudo, passou estes últimos dois anos quase sempre lesionado e, a partir de certa altura, perdi a paciência – já não sabia se era lesão mesmo ou se era desleixo. E como, entretanto, tivemos o meu menino de ouro, Raphael Guerreiro, e mesmo Eliseu foi subindo de rendimento, não se pode dizer que Coentrão tenha feito falta.

 

As coisas parecem estar a mudar,  no entanto. Um pouco à semelhança do que fez Nani há três anos, quando regressou ao Sporting por uma época, Fábio Coentrão voltou à tutela de Jorge Jesus, o treinador que o descobriu. Por outras palavras, está a dar um passo atrás para tentar reencontrar-se a si mesmo.

 

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E parece que está a resultar: consta que fez uma bela exibição no outro dia, perante o Steaua de Bucareste.

 

Ainda é cedo para se saber se o Fábio Coentrão que conhecíamos e adorávamos está mesmo de volta. Mas os primeiros sinais são encorajadores.

 

 Que continue assim: talentos como o de Coentrão nunca são demais.

 

O caso de Bruma é diferente. O jovem já tinha sido Chamado algumas vezes à Seleção, sem nunca chegar a vestir a camisola das Quinas. Acho que a última vez foi em 2014, na última Convocatória de Paulo Bento. Bruma acabaria por ser excluído antes do jogo com a Albânia – e, se bem me recordo, não reagiu muito bem.

 

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Essa é, aliás, um dos motivos pelos quais nunca gostei muito do Bruma: pode ser muito talentoso, mas o seu carácter deixa muito a desejar. A confusão com o Sporting, durante o verão de 2013, é um bom exemplo. E ainda há bem pouco tempo, um dos seus antigos treinadores no Galatasaray deixou-lhe críticas há uns meses.

 

Dito isto, parece que a época passada lhe correu bem – segundo a sua página na Wikipédia, Bruma contou onze golos e oito assistências. Foi, também, um dos destaques da Seleção de Sub-21 no Europeu deste ano: dois dos seus golos estão entre os dez melhores da prova. E hoje fez isto. Pode ser que ele tenha ganho juízo e que seja desta que ele se estreie com a Camisola das Quinas.

 

Não tenho nada a apontar aos regressos de Bruno Varela e Nélson Oliveira. João Cancelo, por sua vez, volta a ser Convocado após a sua fífia no jogo contra a Suécia. Se bem se recordam, ele marcou três golos em quatro jogos, há um ano – um bom registo para um lateral direito. Confesso que gosto mais dele do que do Nélson Semedo – que não deixou grande impressão na Taça das Confederações e ainda foi expulso no jogo do terceiro lugar.

 

É possível, no entanto, que volte a ser Convocado daqui a um mês, quando não estiver castigado.

 

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Fernando Santos, de resto, afirmou que existem vários jogadores “à porta” da Seleção – como Ricardo Pereira e Bruno Fernandes. (A minha irmãzinha sportinguista tem, aliás, refilado com a exclusão deste último. Eu mesma também estranho que ele nem sequer tenha sido Chamado aos Sub-21, tendo em conta o que fez nos últimos dois jogos do Sporting.) Disse mesmo que essa porta não tem chave, que tanto dá para entrar como para sair.

 

Eu, pelo menos, imagino-a como uma porta giratória.

 

Estamos, então, na penúltima jornada desta Qualificação. Praticamente nada mudou desde há quase um ano: Portugal está em segundo lugar, a três pontos da Suíça. Um braço-de-ferro entre portugueses e suíços, sem que nenhuma das partes ceda. Nesta altura do campeonato, toda a gente sabe que a Qualificação só se decidirá a 10 de outubro. Estamos apenas a fazer tempo até esse jogo. Só não digo que estamos apenas a cumprir calendário porque temos de ganhar os jogos. Caso contrário, tudo isto se complica.

 

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E sem necessidade. Temos tudo para ganhar o jogo em casa, com as Ilhas Faroé – se possível com muitos golos, para não ficarem dúvidas para o eventual desempate com a Suíça.

 

O jogo com a Hungria, por sua vez, será um pouco mais complicado. Para além de os húngaros estarem uns quantos furos acima dos faroenses, eles jogarão em casa. Em teoria, seria um dos jogos mais difíceis desta Qualificação. Na prática – na minha opinião, pelo menos – os húngaros não são tão ameaçadores como no ano passado. Pouca luta deram no jogo da Luz, este ano, e ainda perderam com a Andorra, em junho.

 

Preocupa-me mais o facto de o jogo decorrer apenas três dias depois do jogo no Bessa, com uma viagem pelo meio. Tirando isso, não temos desculpas. Somos Campeões Europeus, não somos?

 

Não, não acredito que percamos pontos nesta dupla jornada. Como disse o Selecionador, vamos ganhar estes três jogos e depois, no dia 10, vamos dar uma prenda de aniversário a Fernando Santos (adorei que ele tenha disto isto!).

 

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Continuem a acompanhar o braço-de-ferro que está a ser esta Qualificação, quer através deste blogue, quer através da sua página no Facebook.

À dúzia é mais barato

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Na passada sexta-feira, dia 7 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere andorrenha por seis bolas sem resposta, num encontro que teve lugar no Estádio de Aveiro. Três dias depois, a Seleção Nacional deslocou-se às Ilhas Faroé, tendo vencido a seleção da casa pelo mesmo resultado, perfazendo um total de doze golos nesta dupla jornada (bem diz o povo, "à duzia é mais barato"). Ambos os encontros contaram para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade.

 

Conforme escrevi na entrada anterior, os adversários desta dupla jornada eram pouco estimulantes, mas a Seleção Portuguesa levou ambos os jogos a sério. No jogo com a Andorra, para começar, Cristiano Ronaldo marcou dois golos logo nos primeiros três minutos - uma altura em que eu ainda nem estava bem em modo de jogo. O primeiro golo teve piada, pois Ronaldo tinha sido derrubado, estava provavelmente preparando-se para pedir penálti, mas ao ver o guarda-redes defendendo para a frente, levantou-se, rematou e marcou, como se nada fosse. No segundo golo, foi Ricardo Quaresma a assistir e Ronaldo a cabecear para a baliza. Dizem que foi o bis mais rápido de sempre na História da Seleção Nacional.

 

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Como acontece frequentemente quando uma vantagem é conquistada cedo, a Seleção adormeceu um bocadinho à sombra dela durante cerca de meia hora. Não que a Andorra tivesse pernas para se aproveitar disso. Assim, o 3-0 acabou por chegar pouco antes do intervalo, fruto de um remate rasante de João Cancelo.

 

A Seleção (que deve ter levado nas orelhas por Fernando Santos, ao intervalo) foi mais consistente na segunda parte. Poucos minutos após o regresso ao campo, André Silva assistiu para Cristiano Ronaldo, que rematou diretamente para as redes andorrenhas. O golo seguinte foi parecido - desta feita, foi executado após um desvio de José Fonte. Ronaldo fazia, assim, o seu primeiro póquer com a Camisola das Quinas (feito só antes conseguido por Eusébio, Nuno Gomes e Pauleta).

 

Depois desta, pareceu que os próprios companheiros de equipa quiseram ajudar Ronaldo a conquistar uma inédita mañita ao serviço da Seleção. No entanto, o Capitão começou a sentir dores e começou a recuar no campo, não fosse o Diabo tecê-las. Houve tempo, mesmo assim, para mais um golo, assinado por André Silva, perto do fim, após uma defesa incompleta do guarda-redes andorenho, na sequência de um livre.

 

No fim deste jogo, muitos diziam que Portugal devia ter marcado mais golos, já que o mais certo é continuarmos atrás da Suíça até ao fim da Qualificação. Quase todos temiam que as Ilhas Faroé nos pusessem mais dificuldades. A final, os faroenses ainda não tinham sofrido golos na Qualificação até àquele momento, tinham ganho à Letónia e empatado com a Hungria (estavam à nossa frente na tabela classificativa) e o estádio deles tinha um relvado sintético - sempre problemático.

 

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Eu, aliás, acompanhei o pré-jogo do encontro de segunda-feira e a conversa dos comentadores sobre a Suíça, os golos por sofrer das Ilhas Faroé, o relvado sintético, conseguiu deixar-me nervosa. Isso, felizmente, não demorou muito tempo a passar. Doze minutos depois do apito inicial, quando André Silva marcou, na sequência de uma jogada conjunta entre ele, João Mário e Cristiano Ronaldo. O segundo golo, dez minutos mais tarde, também começou com João Mário. Este passou para Quaresma, que tentou rematar. O guarda-redes defendeu para a frente e André Silva aproveitou. O terceiro golo também foi consequência uma defesa incompleta. Desta feita, André Silva passou a bola a João Cancelo, que fez o primeiro remate, antes do ponta-de-lança concluir a jogada. André Silva concluía, assim, o seu primeiro hat-trick vestindo a Camisola das Quinas - no seu quarto jogo. Ele podia até ter chegado ao póquer. Imagino a azia do Cristiano Ronaldo se o recorde só tivesse durado três dias, obra de um puto que ainda não tem vinte e um anos! 

 

Não me admiraria, aliás, sé o facto de o André Silva estar a açambarcar a glória toda naquela noite tiver sido o motivador para o golo de Ronaldo (que, antes disso, parecera pouco inspirado), na segunda parte, após uma deliciosa troca de bola com João Mário.

 

Quando, algum tempo depois, a Seleção abrandou um pouco o jogo, Gelson Martins entrou em campo e acelerou de novo as coisas. Os resultados, contudo, só se manifestaram depois dos noventa, com as assistências para os dois últimos golos da partida: o primeiro de João Moutinho, o último de João Cancelo.

 

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Com estes resultados, Portugal ascendeu ao segundo lugar da tabela classificativa - com Suíça ainda três pontos acima. Estamos num bom caminho. Atrevo-me, aliás, a afirmar que este é o melhor período da Seleção em anos. Somos Campeões Europeus. Temos múltiplas soluções de qualidade para quase todas as posições (a única exceção são defesas centrais) em absoluto contraste com a situação de há três ou quatro anos. Isto deve-se muito ao trabalho da FPF na formação, com destaque para Rui Jorge, fulcral para a geração de jovens jogadores que começa, agora, a dar cartas. Alguns já jogam pela Seleção há algum tempo e foram Campeões Europeus, alguns chegaram mesmo agora, alguns ainda estão por Convocar.

 

André Silva é o exemplo do momento: o Hélder Postiga e o Hugo Almeida que me perdoem; Éder, adoro-te, terás sempre Paris; mas não tínhamos um ponta-de-lança matador há anos e anos e, meu Deus, as saudades que eu já tinha! A sua parceria com Cristiano Ronaldo poderá vir a dar-nos muitas alegrias. Também João Cancelo dá ótimas indicações - três golos em três jogos é muito bom registo para um avançado, façam as contas para um lateral-direito! O Cédric que se ponha a pau. Temos, ainda, o João Mário, cujo génio ajudou Portugal a conquistar o seu primeiro título e, agora, anda a dar cartas no Inter de Milão; o meu menino de ouro Raphael Guerreiro, o Renato Sanches, o Bernardo Silva, o Gelson Martins, entre muitos, muitos outros.

 

Parte-me o coração pensar que jogadores que cresceram comigo - o Cristiano é o exemplo mais flagrante, mas também falo do Nani, do Ricardo Quaresma, do João Moutinho, do Pepe, do Bruno Alves - já não terão muitos anos com a Camisola das Quinas e que, um dia, teremos de nos despedir deles. No entanto, com esta nova geração, cheia de promessas, acredito que a Equipa de Todos Nós ficará bem entregue, quando a altura chegar. Também acredito que, se as coisas continuarem a correr assim, mais cedo ou mais tarde voltaremos a ganhar um título. 

 

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Não garanto, no entanto, que este otimismo todo não tenha sido exacerbado pelos doze golos marcados nesta dupla jornada. Como sempre, prefiro ir encarando uma coisa de cada vez. Temos ambições, sim, e qualidade que as justifiquem, mas só poderemos lutar pelo título no Campeonato do Mundo se nos Apurarmos para o mesmo Não convém esquecer que este ainda agora começou e já temos uma escorregadela para corrigir. Eu, porém, gosto sempre de recordar as situações mais complicadas que conseguimos reverter. E, apesar de me esforçar por manter os pés assentes na terra, acho que nunca estive tão crente num futuro risonho para a Equipa de Todos Nós.

 

A ver se tenho razão.

Portugal 5 Gibraltar 0 - Treino com adrenalina

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Na passada quinta-feira, dia 1 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere gibraltina por cinco bolas sem resposta, em jogo de carácter amigável, realizado no Estádio do Bessa.

 

Adianto, desde já, que não prestei muita atenção ao jogo, sobretudo na primeira parte. Tinha dormido mal na noite anterior e passei o dia inteiro com dores de cabeça. Não muito fortes, mas o suficiente para não me deixarem concentrar devidamente no jogo.

 

Não que este tenha sido muito interessante, pelo menos no início. Como seria de esperar, o jogo teve sentido único. O Eduardo só foi chamado à ação perto do fim da segunda parte e mesmo assim não eram situações de perigo. Podia ter ficado a jogar Candy Crush na baliza, que não faria diferença. No entanto, de uma maneira muito típica, a Seleção Portuguesa teve dificuldades em acertar na baliza, desperdiçando diversas oportunidades. Campeões Europeus e tal, mas há coisas que nunca mudam, pelos vistos. Éder falhou um par de golos, incluindo um de baliza aberta, e eu não quero de todo estar a dizer algo como “O Éder sendo o Éder outra vez”, por motivos óbvios, mas… Ao menos o público do Bessa, benevolente com o herói da final do Europeu, aplaudiu-o aquando dessa falha. Há bem pouco tempo a reação seria diferente… mas esta ajuda mais.

 

O primeiro golo português surgiu aos vinte e sete minutos, dos pés de Nani após passe de Bruno Alves. Um golo que teve direito a celebração com um mortal. É uma pena que Nani não tenha comemorado nenhum dos seus golos no Europeu da mesma forma… mas compreende-se a cautela, depois da traumática exclusão do Mundial 2010.

 

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Nani voltaria a marcar na segunda parte, quando Adrien, André Silva é Bernardo Silva já estavam em campo. Foi, aliás, o último quem centrou para Nani, que cabeceou para o seu segundo golo da noite. O Marmanjo já está perfeitamente à vontade no papel de Capitão, de líder da Equipa das Quinas, no lugar de Cristiano Ronaldo. Já conta dez anos vestindo a Camisolas das Quinas, tem marcado bastante pela Seleção este ano e eu não podia estar mais orgulhosa. Sobretudo tendo em conta que se tornou Campeão Europeu.

 

O terceiro golo das cores lusitanas teve a participação dos dois estreantes da dupla jornada. André Silva recebeu a bola na grande área gibraltina, passou-a a João Cancelo, que rematou num ângulo difícil, mas a bola entrou.

 

O golo de Bernardo Silva foi marcado quase por acaso. O Marmanjo recebeu uma bola perdida pelos gibraltinos na sua grande área. Fez um remate fraco, mas o modesto guarda-redes de Gibraltar chegou tarde. A bola passou por baixo dele, cruzando a linha de baliza. Bernardo nem sequer festejou muito pois o golo foi mais demérito do pobre guarda-redes que mérito dele.

 

Bernardo, de qualquer forma, ainda teve tempo para assistir para o último golo da noite: um centro perfeito para a careca de Pepe, que cabeceou para as redes gibraltinas, fazendo o resultado.

 

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Não há muito mais a dizer sobre este jogo. Portugal cumpriu a sua obrigação. O melhor resultado obtido por Gibraltar, até ao momento, foi uma desvantagem de quatro golos - ganhar por menos do que isso teria sido inglório. Podíamos até ter saído do Bessa com um resultado ainda mais generoso não fosse a aselhice típica dos portugas. Todos os Marmanjos estiveram bem mas de resto, com o devido respeito pelos gibraltinos, perante Gibraltar até as nossas avozinhas fariam boas exibições.

 

Fernando Santos tem perfeita noção disso e não o escondeu. Conforme declarou no rescaldo do jogo, este particular não foi mais do que um treino com mais adrenalina que o habitual. Não prova nada para o jogo com a Suíça. Serviu, no entanto, para dar algum ritmo a Marmanjos com pouco tempo de jogo nos respectivos clubes, o que é importante nesta fase do campeonato.

 

Terça-feira, em Basileia, será completamente diferente. Será a contar para a Qualificação para o Mundial 2018 e todos concordam que será, provavelmente, o jogo mais difícil. A Suíça é o adversário mais cotado do grupo, fora nós, e têm fama de serem fortes em casa. Por esse prisma, um empate talvez não fosse um resultado muito mau. No entanto, estando nós ainda a saborear o delicioso estatuto de Campeões Europeus, ninguém quer outra coisa que não seja a vitória. E é, conforme escrevi na entrada anterior, gostei de ver a Seleção Apurando-se em primeiro lugar para o Euro 2016 e quero repetir a dose.

 

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