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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Portugal 1 Islândia 1 - Tem de ser sempre assim?

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Na passada terça-feira, dia 14 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol estreou-se no Campeonato Europeu da modalidade com um empate perante a sua congénere islandesa, em Saint-Étienne. 

 

Eu até estava confiante para este jogo, mais confiante do que o costume, pelo menos, como poderão ler na crónica anterior. Claro que isso tinha de dar mau resultado. Portugal não entrou bem no jogo, de tal forma que o nosso primeiro susto neste Europeu ocorreu logo aos três minutos de jogo, quando Rui Patrício foi obrigado a uma defesa dupla, na sequência de um ataque de Sigurdsson. Só a partir dos quinze, vinte minutos é que Portugal começou a subir de rendimento e a criar oportunidades de golo. Eventualmente, Nani aproveitou um centro de André Gomes para marcar o nosso primeiro golo neste Europeu. De destacar que este foi o golo número seiscentos em fase finais - o nosso Nani fica, deste modo, inscrito na História do futebol.

 

Eu admito que, depois deste golo, fiquei mais tranquila, pensando que seria uma questão de tempo até se marcar o segundo golo. Mas não foi isso que aconteceu. Tal como ocorre demasiadas vezes com a Equipa de Todos Nós, a finalização foi o nosso calcanhar de Aquiles. E como se diz na gíria do futebol, "quem não marca, sofre". Assim, no início da segunda parte, a Islândia anulou a vantagem, num lance em que Vieirinha fica muito mal na fotografia.

 

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Depois desta, Portugal perdeu o norte (percebem? Porque a Islândia fica no norte da Europa?... Não?... Eu vou calar-me...). Os Marmanjos ainda tentaram, de forma atabalhoada, correr atrás do resultado. Fernando Santos lançou Renato Sanches e Ricardo Quaresma e estes chegaram a dar uns ares da sua graça, mas já não foram a tempo de resolver a situação. O encontro terminou empatado. 

 

No final do jogo, os portugas deram as desculpas do costume: "Ai e tal, tivemos azar... tínhamos tudo para ganhar... agora temos de levantar a cabeça... não é como se começa, é como se acaba...". Não que não haja alguma verdade nisto - porque a Seleção teve bons momentos, teve posse de bola (até à altura do jogo, fora a segunda seleção do Europeu com maior posse de bola durante um encontro), em termos técnicos fomos melhores - mas declarações como estas nada acrescentam, em nada nos fazem sentir melhor. 

 

Por outro lado, as declarações de Cristiano Ronaldo, em que ele acusou os islandeses de jogarem apenas com "pontapé para a frente", de "meterem o autocarro atrás" e "fazerem anti-jogo", de festejarem o empate como se tivessem ganho o Euro, enfureceram os islandeses... e eu, para ser sincera, estou do lado deles. Para começar, palavras como estas não são novidade com Cristiano Ronaldo que, mesmo passados estes anos todos, continua um péssimo perdedor. A culpa nunca é dele! Ou são os adversários que estacionam o autocarro, ou são os colegas que não estão ao nível dele, ou é o treinador que esteve mal (ou não se lembram do "Perguntem ao Carlos"?). Fernando Santos, mais tarde, diria que Cristiano falou "com a cabeça quente", mas isso só seria aceitável como desculpa se Ronaldo tivesse vinte e um anos. Com a experiência que ele tem nos palcos mais elevados do futebol, Ronaldo já devia ter aprendido a lidar com derrotas como um homenzinho. É por estas e por outras que não acho que Ronaldo seja bom Capitão.

 

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Além disso, aquilo que ele disse sobre os islandeses foi uma falta de respeito. É uma coisa muito típica, de resto: quando uma equipa dita grande joga à defesa (e nós jogámos muito assim durante a Qualificação), ela joga "em bloco baixo". Quando uma equipa dita pequena joga à defesa, ela estaciona o autocarro. Será que Ronaldo acha que os islandeses não praticariam um futebol tecnicamente melhor, se pudessem? Será que Ronaldo esperava que a seleção de um pais com uma população que não encheria sete estádios de futebol jogasse como o Barcelona? A Islândia lutou muito para chegar a onde está, contribuiu para a eliminação da Holanda, pelo caminho ainda venceu a Turquia e agora empatou connosco, não merece ser tratada assim. Razão teve o selecionador islandês, que disse que os portugueses deviam era ter jogado melhor e ponto final. Ronaldo, amigo, eu adoro-te, mas nesta foste um idiota.

 

Dito isto tudo, têm chovido críticas a Ronaldo de todos os quadrantes do Mundo (é o que acontece em Europeus, está o planeta inteiro a ver), quer a propósito destas declarações, quer pelo seu fraco desempenho em campo. Eu não me ralo porque, em primeiro lugar, existe alguma verdade nelas; em segundo, eu mesma não estou com vontade de defender Ronaldo; finalmente, pode ser que estas críticas o espicacem a sério, de modo a que ele se vingue em campo nos próximos jogos, à boa maneira de Ronaldo.

 

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A minha irmãzinha não viu o jogo comigo, fê-lo em casa de colegas. Quando chegou a casa, já muito depois do jogo, veio abraçar-se a mim e perguntou:

 

- 'Fia, porque é que tem de ser sempre assim?

 

Ela não é a única a fazer esta pergunta. Não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira e não vai ser, certamente, a última vez que escrevo sobre uma situação que Portugal complica desnecessariamente. Penso que já escrevi isto antes, noutra ocasião, mas este é um daqueles casos em que, quanto mais as coisas mudam, mas elas ficam na mesma. É ao mesmo tempo exasperante e caricato. 

 

O que distingue este caso de outros é o discurso de Fernando Santos ao longo de... bem, o último ano. Ele tem-se fartado de dizer que quer conquistar o título e esse discurso tem convencido muitos (incluindo Miguel de Sousa Tavares, de todas as pessoas!). Eu tinha avisado, Fernando Santos não podia falar assim para depois termos resultados como este.

 

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Resultado esse que colocou logo dois terços do País a vociferar contra Fernando Santos, Ronaldo, o resto da Seleção e tudo o que ela representa. Nada disso é novidade para mim. Conforme já foi assinalado muito bem na blogosfera, a larga maioria dos adeptos da Seleção não tem fibra para estas andanças. Tal como já assinalei inúmeras vezes aqui no blogue, ser-se adepto da Seleção não é fácil, não é para fracos. Qualquer um é capaz de apoiar Portugal depois de ganhar 7-0 à Estónia. Nem todos são capazes de fazer o mesmo depois de a Seleção empatar com a Islândia ou perder 4-0 com a Alemanha. Eu estou sempre lá, mesmo quando é contra o que a razão me dita. Basta-me recordar o Mundial 2014, em que perdi a fé após o empate frente aos Estados Unidos, mas não deixei de sofrer e entusiasmar-me durante o jogo com o Gana.

 

Continuo a achar que Portugal podia, e devia ter feito mais. No entanto, ainda nada está perdido. Já estivemos em situações piores e demos a volta (vide 2004 e 2012). Eu vou assumir que Fernando Santos e o resto da Turma das Quinas farão as correções necessárias a tempo dos próximos jogos. As declarações do Selecionador ontem, aliás, deixaram-me um pouco mais animada - respeito, aliás, a Fernando Santos por ter vindo dar a cara, responder às perguntas, depois da nossa má estreia. Posso continuar com as minhas dúvidas, com a minha fé abalada, mas sábado, frente à Áustria, estarei de olhos postos na televisão, armada com a minha velha blusa, o meu velho boné e o meu cachecol, esperando até ao último minuto que a Seleção consiga uma vitória. Também isso será sempre assim.

 

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P.S. Só reparei no dia seguinte, já muito depois do jogo, que o meu último texto neste blogue foi destacado pela equipa do Sapo Blogs. Este destaque não podia ter sido mais bem-vindo. Eu tive algumas dificuldades para publicar esta crónica. Andei cansada e sem vontade de escrever durante o último fim de semana, em parte por causa de um casamento a que fui na sexta-feira. Na segunda-feira tive de recorrer a vários cafés para acabar o texto - e, mesmo assim, só consegui publicá-lo no fim da noite. Eu não dependo do tráfego para manter os meus blogues (se assim fosse, teria desistido ao fim de um mês), mas significou muito para mim ver este meu esforço recompensado. Motiva-me ainda mais para manter aqui o estaminé a funcionar, sobretudo agora, durante o Europeu. O que eu quero dizer em suma é... obrigada!

Em princípio

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No passado sábado, dia 12 de dezembro, teve lugar em Paris o sorteio para a fase de grupos do Campeonato Europeu de Futebol, que se realizará no próximo verão. Portugal ficou colocado no grupo F, juntamente com a Islândia, a Áustria e a Hungria.

 

Como o costume, eu andava ansiosa por este sorteio. Consegui acompanhá-lo devidamente, pela televisão, com a minha irmã. Fiquei surpreendida por este ter começado apenas meia hora, quarenta minutos depois do início da cerimónia. Ficamos no último grupo, logo, fomos os últimos a conhecer os adversários. O pote 3 e o pote 2 iam sendo esvaziados, sem que a Suécia e a Itália, respetivamente, saíssem. Por um lado, eu não os queria no grupo, por motivos óbvios. Por outro lado, eu não as queria no grupo, por motivos óbvios. Por outro lado, eu queria-os no grupo porque seriam jogos excitantes. As duas seleções ficaram no grupo E, como que a sublinhar que nós tínhamos escapado por pouco às favas. Nós ficámos com equipas, digamos, modestas.

 

O nosso primeiro jogo ficou marcado para dia 14 de junho, em Saint-Étienne, frente à Islândia. Só jogámos duas vezes contra esta equipa, ambas no Apuramento para o Euro 2012. O primeiro jogo ocorreu naquela gloriosa dupla jornada de estreia de Paulo Bento, em que recuperámos a esperança depois do caso Queiroz e de perdermos cinco pontos nos primeiros dois jogos do Apuramento. Não tendo sido um jogo brilhante, teve os seus momentos, com o golo do Cristiano Ronaldo de livre direto, a bomba de Raul Meireles e o golo final de Hélder Postiga.

 

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O segundo jogo terminou com uma vitória por 5-3, mas ainda apanhámos alguns sustos. A primeira parte até terminou com Portugal ganhando por 3-0 - golos de Nani, que marcou dois quase de seguida, e um de Hélder Postiga. No entanto, na segunda parte, os islandeses conseguiram reduzir para 3-2 e, por algum tempo, os portugueses desorientaram-se. Felizmente, João Moutinho meteu ordem no jogo ao marcar o quarto golo português, aos oitenta e um minutos. Eliseu, que já tinha assistido para o primeiro golo de Nani e para o golo de Moutinho, ainda ampliou o resultado para 5-2. Mais tarde seria considerado o Homem do Jogo (sim, estamos a falar do mesmo Eliseu, que joga hoje no Benfica). Ainda houve tempo, mesmo assim, para os islandeses reduzirem, de penálti. 

 

A Islândia partilhou o grupo de Qualificação com a Holanda e a Turquia. Os islandeses venceram os holandeses nos dois jogos que disputaram com eles, contribuindo para o afastamento da Laranja Mecânica do Europeu. Na classificação final do grupo, ficou à frente da Turquia, que muitos considerariam uma ameaça maior. Tudo isto prova que os islandeses podem complicar-nos a vida.

 

A Áustria, com quem jogaremos dia 18 em Paris, tem um histórico favorável frente a nós (três vitórias para o lado deles, duas para o nosso lado e cinco empates), mas não jogamos com eles há vinte anos - desde a Qualificação para o Euro 96. Os austríacos apuraram-se para o Europeu em primeiro lugar no seu grupo, oito pontos à frente da Rússia (!) e dez pontos à frente da Suécia (!!!), ambas equipas que, mais uma vez, muitos considerariam mais perigosas. Penso que é opinião comum que os austríacos serão os nossos adversários mais difíceis neste grupo. Não é difícil perceber porquê.

 

dois tugas e um húngaro a voar, três tugas e um

 

Fiquei um bocadinho chateada por nos ter calhado a Hungria no grupo, visto esta já ter sido sorteada para o nosso grupo de Apuramento para o Mundial 2018. Já achava eu que essa Qualificação vai ser uma seca. O facto de um dos adversários ser um repetido do Europeu em nada melhora essa condição.

 

A verdade é que vamos encontrar os húngaros no nosso último jogo da fase de grupos, em Lyon, no dia 22. Nunca perdemos contra este adversário e o último empate foi em 1983. Os nossos dois últimos jogos ocorreram durante a Qualificação para o Mundial 2010. Ambos correram bem. O segundo é capaz de ter sido o melhor desta fase de Apuramento. 

 

A Hungria apurou-se para este Europeu via playoffs, vencendo a Noruega. Nesse grupo, foi ultrapassada pela República da Irlanda e pela Roménia. Podemos concluir que, em princípio (vou usar muito esta expressão neste texto, "em princípio"), a Hungria será a Seleção menos ameaçadora deste grupo.

 

Vocês sabem que, por norma, não gosto de grupos "fáceis", de "equipas fáceis". Num Europeu mais alargado do que antes, desconfio particularmente das seleções em estreia - não terão nada a perder, logo, não sentirão a pressão caso as coisas não corram bem.

 

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No entanto, mais do que ser por ser um grupo fácil, este grupo chateia-me por ser enfadonho - tal como o grupo da Qualificação para o Mundial 2018. Ainda na véspera do sorteio do Europeu saía uma lista em que Portugal aparecia entre as seleções mais chatas. Não estou a ver os jogos do grupo mudando essa perceção. Os atractivos dos campeonatos de seleções são os jogos com equipas grandes. Daqueles que, ou ganhamos de forma épica, ou perdemos com dignidade, ou somos completamente humilhados. Aqueles jogos de cortar a respiração, de vida de morte ou muito mais, em que temos constantemente o coração na garganta. Em que cada golo é celebrado de forma intensa e, por vezes, demasiado dramática. Em que chegamos ao fim quase tão exaustos como se nós mesmo tivéssemos jogado. Não estou a ver os jogos desse grupo chegarem a esse nível. Ou melhor, se chegarem é porque as coisas estão a correr mal.

 

Por outro lado, depois da tragédia que foi o Mundial 2014, não vou dizer que não me agrada a ideia de um grupo tranquilo, em que, em princípio, temos tudo para passar. Se estamos mesmo a olhar para o título, emoção e dificuldades não hão de faltar no percurso até à final. Já será suficientemente complicado chegarmos lá, não me vou queixar se o início for, em princípio, facilitado.

 

Regressando à relativa facilidade deste grupo, nos rescaldos destes sorteios, costumamos dar o exemplo do Euro 2000 e 2012, "Grupos da Morte" a que sobrevivemos, e do Mundial 2002, o grupo fácil em que tudo correu mal, tirando no jogo contra a Polónia. Portugal tem o irritante hábito de complicar o que é fácil e o lendário hábito de se superar perante dificuldades. 

 

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E, no entanto, não sei se ainda é assim. Fizemos uma Qualificação tranquila, em que, tirando o primeiro jogo, não complicámos desnecessariamente. Sob a orientação de Fernando Santos, a equipa ganhou uma maturidade que não possuía há dois, três anos. Não estou a vê-los fazendo asneiras que comprometam a passagem aos oitavos-de-final (ainda me é estranho falar de oitavos-de-final num Europeu...), sobretudo quando Fernando Santos diz que quer ganhar o Europeu. Só uma epidemia de lesões e parvoíce estilo Mundial 2014, e mesmo assim. Muita coisa terá de correr mal para não passarmos este grupo. Já aconteceu, é certo, mas quero acreditar que eles aprenderam com os erros. Além disso, em princípio, o clima em França será menos agreste que o brasileiro, logo, também não será por aí...

 

Estou a guardar os meus pensamentos sobre este Europeu e as ambições de Fernando Santos para a habitual entrada na véspera do Anúncio dos Convocados. Para já, a bola está do lado da Federação. Quero saber as datas e os adversários dos particulares prometidos para março, bem como, lá está, o dia do Anúncio. Como poderão ver ao lado, já programei um contador dos dias que faltam para o nosso jogo de estreia no Europeu. Depois, acrescento um segundo contador, para o dia dos Convocados.

 

Quanto a mim, estou neste momento a trabalhar na já tradicional revisão do ano. Continuem desse lado.

Selecção 2011



Mais um ano encontra-se à beira do fim, mais um ano encontra-se à beira do início. É costume as pessoas reflectirem sobre os acontecimentos mais marcantes dos últimos doze meses e tentarem prever o que acontecerá nos próximos doze. No que toca à Selecção Nacional, depois de um ano de 2010 muito atribulado, 2011 foi um ano incomparavelmente mais calmo. Sobretudo por não ter ocorrido nenhum caso tão grave como aquele que levou ao despedimento de Carlos Queiroz. Também seria difícil e menos provável que ocorresse um caso com essa gravidade este ano, em que não houve fase final de um campeonato de Selecções, estivemos quase meio ano sem jogos oficiais e, mesmo estes, foram apenas meia dúzia (contando com o playoff, que nem sequer fazia parte do plano inicial).
 
A Selecção entrou em 2011 em alta, derivada do relançamento na disputa pela Qualificação para o Europeu de 2012 e de uma inesperada goleada à Espanha num particular, e manteve-se assim durante a maior parte do ano. O público parecia ter feito as pazes com a Turma das Quinas, o ambiente parecia estar bom no seio da equipa, havia consenso, ninguém tinha nada de muito importante a criticar. Isso era bom, sem dúvida, mas era algo monótono. Se derem uma vista de olhos às minhas entradas (ou simplesmente aos títulos destas) hão de verificar que estas andavam quase todas à roda do mesmo: "A Selecção está muito bem, é a única coisa que está bem neste País". As coisas apenas começaram a descarrilar em Setembro, com a deserção de Ricardo Carvalho e à medida que se aproximava a recta final do apuramento (não sei se estes acontecimentos, bem como aquilo que se passou com José Bosingwa, estão relacionados ou se é apenas coincidência). Em todo o caso, após a brilhante segunda mão do playoff, a Selecção encerra o ano de 2011 mais ou menos da mesma maneira como o inaugurou: em alta, cheia de promessas de mais bons momentos a curto e médio prazo, apesar dos adversários dos próximos jogos oficiais.


O particular com a Argentina, realizado dia 9 de Fevereiro no Estádio de Genebra na Suíça, foi o primeiro compromisso da Selecção Portuguesa do ano. Este desafio encontrava-se envolvido em expectativa, não só devido ao anteriormente mencionado bom momento da equipa mas também - e sobretudo - uma vez que este particular oporia Cristiano Ronaldo e Lionel Messi - por muitos considerados os melhores jogadores de futebol da actualidade. Foi por causa desde duelo que os bilhetes para o jogo se esgotaram e que oitenta televisões em todo o Mundo compraram os direitos de transmissão.


O jogo, que terminou com 2-1 a favor da selecção alviceleste, foi bastante equilibrado. Os dois primeiros golos, um para cada lado, foram marcados na primeira meia hora de jogo. O tento português foi executado por Cristiano Ronaldo. Foi o primeiro de muitos golos, não apenas de Ronaldo ao serviço da Selecção, mas também da própria Equipa de Todos Nós. A substituição do madeirense, aproximadamente aos sessenta minutos de jogo, foi demasiado precoce para a assistência, atraída para o jogo pelo duelo entre os dois melhores do Mundo.


Mas voltando ao jogo em si, este foi muito equilibrado, tal como foi mencionado acima. O ritmo manteve-se quase sempre elevado. O segundo golo marcado pela Argentina resultou de um penálti, um pormenor convertido em pormaior por Messi, em cima do minuto noventa, numa altura em que "ambas as equipas já estavam conformadas com a igualdade" no marcador.


No que toca ao duelo entre Ronaldo e Messi, este último foi o vencedor mas só por falta de comparência do adversário. No que toca à Selecção num todo, este jogo foi testemunha da capacidade da Turma das Quinas de enfrentar qualquer adversário como igual, não maculando, deste modo, o comando de Paulo Bento.


No entanto, terá sido aquando da preparação deste encontrou que terá ocorrido o primeiro capítulo do desentendimento entre o Seleccionador e José Bosingwa - isso sim, maculou o comando de Paulo Bento, ainda que só tenha vindo a lume vários meses depois. Ainda não percebi ao certo o que se passou. A versão que corre - mas não sei se é a verdadeira - é a de que Bosingwa não terá gostado da hipótese de ser suplente e, em represália, terá simulado uma lesão para abandonar o estágio.


Provavelmente, nunca se saberá ao certo o que de facto aconteceu. A única coisa acerca da qual existem certezas quase absolutas é de que, tão cedo, Bosingwa não voltará à Selecção - e isso para mim é o mais importante, o pior. Mas, tal como já mencionei anteriormente, só o soubemos muito depois de Fevereiro, depois de Bosingwa ter sido repetidamente sido deixado de fora das Convocatórias.


Em finais de Março, realizaram-se mais dois jogos de carácter preparatório: um contra o Chile, no dia 26, outro contra a Finlândia, no dia 29. O primeiro terminou empatado a um golo. Não assisti a este jogo, nem sequer pela rádio, como tal, não sei dizer como é que Portugal jogou. Em todo o caso, ninguém atribuiu grande importância a este encontro devido às eleições no Sporting, entre outros factores.


Um dos quais o desafio que opôs a Dinarmarca à Noruega, que terminou empatado a um golo e nos deu o poder de chegarmos ao primeiro lugar do grupo por nós próprios.


O encontrou com a Finlândia foi diferente. Tratava-se de uma selecção nórdica, semelhante à Noruega, que seria a nossa adversária seguinte na Qualificação para o Euro 2012. Como tal, o desempenho da Selecção foi diferente, acima da média em particulares. Destaque para os dois golos do estreante Rúben Micael. Há que dizer, no entanto, que a Finlândia não fez muito pela vida. Apesar de talvez ser essa a intenção, o jogo não foi um verdadeiro ensaio geral para o desafio frente à Noruega - dificilmente os nossos amigos noruegueses, com quem havíamos perdido da última vez que estivéramos em campo com eles, nos facilitariam a vida daquela maneira. Em todo o caso, a vitória foi mais um sinal de que a Selecção estava bem e recomendava-se. Em vários aspectos.


O embate com a Noruega, a contar para a Qualificação para o Europeu de 2012, realizou-se a 4 de Junho - oito meses após o último jogo oficial - no Estádio da Luz. Paulo Bento classificou-o como um jogo "extremamente importante, de grande responsabilidade" pois, se vencêssemos, subiríamos para o primeiro lugar do grupo. Não decidia o Apuramento, mas ajudava muito. Nesse aspecto, os noruegueses estavam menos apertados do que nós, pois, para manterem o primeiro lugar, bastava-lhes perder pela margem mínima, desde que marcassem na Luz. Com a agravante de os noruegueses nos terem vencido da última vez que entráramos em campo com eles.


A Selecção dispôs, nessa altura, do maior intervalo de tempo seguido de estágio antes de um encontro desde o início da Qualificação. Eu própria fui assistir a um dos vários treinos abertos que a Equipa de Todos Nós efectuou. Nas declarações à Comunicação Social, toda a Selecção, jogadores e treinador, aparentava estar em sintonia. Os Marmanjos afirmavam não terem medo da Noruega, apesar de a respeitarem como uma equipa que os derrotara recentemente. Afirmavam querer vencer, de modo a "podermos ir de férias descansados".


E foi o que, de facto, acabou por acontecer, Não foi um jogo brilhante, não houve domínio indiscutível por parte da Selecção Portuguesa, provavelmente devido ao desgaste típico do fim da época futebolística e, talvez, a alguma pressão. O único tento do jogo foi apontado por Hélder Postiga. Em todo o caso, a Selecção cumpriu o seu dever atingindo, desse modo, o topo da tabela classificativa.


Em Agosto, a Selecção disputou, no Estádio do Algarve, um jogo de carácter preparatório com o Luxemburgo. Supostamente esta selecção seria semelhante à cipriota, segundo Paulo Bento, mas tal era questionável. Dificilmente o Chipre, o nosso adversário seguinte, seria tão acessível. A preparação deste encontro incluiu dois treinos abertos e eu assisti a um deles, novamente no Jamor, à semelhança de mais umas oitocentas pessoas. O Seleccionador definiu como objectivos deste encontro levar o jogo a sério, vencer e não sofrer golos.


O encontro em si terminou com 5 - 0 no marcador. Tal como se previa, foi uma daquelas goleadas fáceis, sem suor, sem adrenalina, que dificilmente ficam na memória. No entanto, ao contrário do que acontecera em inúmeros particulares com Selecções teoricamente mais fracas, Portugal levou o jogo a sério e o nível nem sequer diminuiu com as substituições ao intervalo. Em suma, apesar da utilidade questionável deste jogo, os objectivos para ele definidos haviam sido alcançados.


Não pude assistir ao encontro com o Chipre, a contar para o apuramento, nem à respectiva preparação - durante a qual Ricardo Carvalho abandonou a Equipa de Todos Nós - visto encontrar-me de férias no estrangeiro. Tanto quanto percebi, terá sido em protesto contra a possibilidade de ser suplente, tudo isto com um cheirinho a vedetismo, a amuo de adolescente. Paulo Bento acusou-o de deserção e afirmou que nunca mais Convocaria o jogador. Dias depois, Ricardo deu uma entrevista em que, por sua vez, chamou "mercenário", contribuindo em nada para melhorar a sua imagem no meio disto tudo.


Mais tarde, o jogador afirmou-se arrependido por ter virado as costas à Selecção desta forma e manifestou o desejo de voltar a vestir a camisola das Quinas. Nesse aspecto, distingue-se de José Bosingwa, que nunca deu sinais de arrependimento pelas atitudes que tomou. Mas não é suficiente visto que, tanto quanto sei Ricardo Carvalho nunca apresentou um pedido de desculpas directamente, nem a Paulo Bento, nem à Federação. No meio disto tudo, acho ridículo que pessoas como Joaquim Envagelista estejam a pressionar o Seleccionador a aceitar os jogadores de volta. Se eu fosse ao Paulo Bento, ficaria irritada por tanta gente questionar as minhas decisões. Foram o Bosingwa e o Ricardo que tomaram as atitudes, que se excluíram a si próprios directa ou indirectamente. Se eles quiserem voltar à Selecção, o primeiro passo terá de partir deles. E, embora saiba que é improvável, espero que as várias partes consigam chegar a um entendimento e que ambos os jogadores voltem a vestir a camisola das Quinas com Paulo Bento no comando.


Em todo o caso, o capitão da Equipa de Todos Nós, Cristiano Ronaldo, veio a público dizer, poucos dias após a deserção de Ricardo Carvalho, que "tudo o que se passou está ultrapassado, o mister Paulo Bento já falou, o que pensamos fica dentro do grupo", acrescentando mesmo que ele também tinha telhados de vidro no que tocava a decisões pouco sensatas.


Esta declaração foi feita após o duelo com o Chipre, duelo esse que a Selecção Portuguesa levou de vencida por quatro golos sem resposta. Já referi antes que não pude assistir a este encontro. Parece que durante a maior parte do encontro, a Selecção esteve em vantagem pela margem mínima, precária, com todo o nervosismo associado a tais circunstâncias, fazendo uma exibição que deixou bastante a desejar. Contudo, os três golos na recta final do jogo devem ter sabido muito bem. Cristiano Ronaldo desempenhou muito bem o seu papel de capitão da Equipa de Todos Nós, parece que fez uma bela prestação em campo, com dois golos e uma assistência, terá mesmo carregado a equipa às costas. Isto num ambiente particularmente hostil para o madeirense, com os adeptos cipriotas gritando por Messi, criando, salvo erro, uma moda que se estendeu aos restantes jogos da fase de Qualificação. No entanto, pelo menos neste jogo, acabou por lhes sair o tiro pela culatra.


Um mês mais tarde, realizou-se a dupla jornada final da fase de Qualificação. Faltava-nos receber a Islândia e deslocarmo-nos a Copenhaga para enfrentarmos a selecção local antes de darmos o Apuramento por concluído. As nossas condições não eram as ideais, devido a várias ausências por lesão de titulares habituais (Pepe, Hugo Almeida, Fábio Coentrão). A esta lista, juntou-se Danny, pois este teve de ser submetido a uma cirurgia para remover um quisto sebáceo.


A urgência questionável de tal intervenção, aliada às suspeitas que se começavam a formar devido às repetidas ausências do nome de Bosingwa das listas de Convocados, mais, provavelmente, a tensão derivada à proximidade do fim do Apuramento abriram uma brecha na credibilidade do Seleccionador. A Comunicação Social enfiou-se dentro dela e os ataques começaram. De uma forma injusta, na minha opinião, tendo em conta o percurso de Paulo Bento como Seleccionador até à altura.


Conforme foi repetido até à exaustão, bastava um empate e uma vitória para nos qualificarmos directamente, embora na Selecção dissessem que não viam as coisas desta maneira, que encaravam um jogo de cada vez, que não jogavam para o empate. E não se pode dizer que os Marmanjos não juntaram o gesto à palavra no Estádio do Dragão uma vez que venceram os Islandeses por cinco bolas contra três. Contudo, o jogo não foi tão fácil como o que seria de esperar. Os islandeses entraram em campo invulgarmente desenvoltos, descongelados, soltos, como que querendo desafiar o estereótipo da equipa teoricamente mais fraca. Inicialmente, Portugal não se deixou afectar, conseguiu colocar-se três golos à frente dos islandeses, mas estes não demoraram muito a reduzir a desvantagem a apenas um golo, ficando muito perto de anulá-la por completo. Felizmente, o golo de Moutinho, seguido de Eliseu, aliviaram a intranquilidade que se tinha instalado com o seguindo golo da Islândia.


Apesar da vitória, a Selecção Nacional revelara algumas fraquezas. O ideal teria sido que o jogo tivesse servido de aviso, de wake-up call.


Mas não serviu.


Com esta vitória, a Equipa de Todos Nós dava mais um passo em  direcção ao Europeu. Agora bastava um empate frente à Dinamarca para reservarmos logo um lugar na Polónia e na Ucrânia. E até podíamos perder em Copenhaga e qualificarmo-nos à mesma, desde que fôssemos a melhor Selecção em segundo lugar - a única que nos ameaçava era a Suécia. Esta ideia, repetida até à exaustão, irritou-me na altura, pois julgava que Portugal não precisaria de fazer tais contas. Agora, vendo em retrospectiva, a ideia ainda me irrita mais pois não nos serviu de nada.


A derrota de Portugal aos pés da Dinamarca constituiu, sem sombra de dúvida, o ponto mais baixo do ano. Foi provavelmente um dos piores jogos da Selecção dos últimos tempos, agonizante, em que o único ponto alto do jogo foi o golo excepcional de Cristiano Ronaldo. Ainda hoje não percebo o que aconteceu nessa noite para os Marmanjos jogarem tão mal. A era Paulo Bento, que até à altura, estivera quase imaculada, via a sua primeira derrota em jogos oficiais e a Selecção Nacional era relegada para os play-offs pois o jogo da Suécia - que, para animar ainda mais a noite, fora rico em reviravoltas - terminara com uma vitória para o seu lado, tornando-os a melhor equipa classificada em segundo lugar.


Na altura, acabei por dar graças por a Suécia se ter qualificado em vez de nós, pois não queria que a caminhada em direcção ao Europeu terminasse daquela forma. E agora que já sei qual foi o desfecho deste capítulo, ainda abençoo mais essa reviravolta do destino. 


Pouco após o jogo com a Dinamarca, soubemos que, daí a um mês, disputaríamos o play-off contra a Bósnia-Herzegovina, selecção que já se havia cruzado no nosso caminho para o Mundial 2010, dois anos antes. Muita gente recomendava prudência uma vez que a equipa bósnia tinha melhorado significativamente ao longo dos últimos dois anos e, conforme o médio bósnio Zvjedzan Misimovic assinalou, Portugal tivera, teoricamente, condições para já ter o apuramento resolvido mas teve de ir aos play-offs. No entanto, a Turma das Quinas também havia crescido, sobretudo no último ano, e Paulo Bento chegou mesmo a dizer: "Não vou desconfiar de quem durante um ano e picos fez tudo o que devia e, por um jogo, pôr tudo em causa".


A preparação dos play-offs foi marcada pelo regresso de habituais titulares que haviam estado indisponíveis na última jornada dupla e ensombrada pela entrevista de José Bosingwa ao jornal "O Jogo". Como seria de prever, a Comunicação Social alimentou-se das polémicas declarações do jogador mas, aparentemente, estas não tiveram grande repercussão no seio da Equipa de Todos Nós. 


A primeira mão do play-off foi disputada em Zenica, terreno bósnio, em condições bastante adversas para a Equipa das Quinas. Começando pelo relvado de péssima qualidade. A Federação Portuguesa de Futebol apelara para a UEFA, tentando fazê-los mudar a localização do jogo, mas os responsáveis fizeram ouvidos de mercador. Para cúmulo, os dirigentes bósnios ignoraram o acordo selado na manhã do dia da primeira mão e regaram o campo, pouco antes do início do jogo, piorando ainda mais o seu estado. Tal motivou a Selecção a jogar sob protesto.


Outro obstáculo que a Equipa de Todos Nós teve de enfrentar foram os adeptos bósnios pouco amigáveis, que tentaram desestabilizar a Selecção Portuguesa e, em particular, o capitão Cristiano Ronaldo, com lasers e gritos por Messi. 


A primeira mão do play-off terminou com o marcador por abrir. O resultado desapontou mas a exibição da Equipa das Quinas não. O domínio do jogo foi claramente português, falou-se de "espírito guerreiro", "personalidade fortíssima". Terá literalmente sido o campo (que foi apelidado de horta, batatal, pseudo-relvado, Farmville, etc) a impedir a vitória da Selecção Portuguesa. Em todo o caso, ficaram boas promessas para a segunda mão, que se realizaria no Estádio da Luz, daí a quatro dias.


Promessas essas que foram cumpridas, e muito bem cumpridas, naquele que foi o ponto mais alto do ano, ou mesmo de toda a Qualificação. Nesse Portugal recebeu e venceu na Luz a Bósnia por seis golos espectaculares contra dois que não passaram de pormenores tornados pormaiores, num jogo épico (palavra muito na moda e demasiado vulgarizada, na minha opinião) e emocionante, que se assemelhou a um resumo de toda a caminhada em direcção à fase final do Euro 2012, com todos os momentos de brilho, de garra, juntamente com os momentos menos bons e as inesperadas escorregadelas, antes de apresentar o desfecho da história. Que não podia ser mais feliz. O Hino Nacional entoado a plenos pulmões por todo o Estádio encerrou a caminhada, encerrou um jogo que teve todas as características de uma grande final. Um jogo que representou uma desforra contra um caso envolvendo um antigo Seleccionador de fraco carácter, dirigentes corruptos, em Portugal e no estrangeiro, jogadores desertores, notícias desestabilizadoras, relvados manhosos, lasers, adeptos hostis, árbitros pouco parciais. Uma desforra contra a crise que assola o País já ninguém sabe desde quando, contra os cortes impostos pelo Orçamento e pela Troika (bem menos simpática do que a Troika de ataque que empurrou a Selecção para a frente), contra os juros da dívida que, se não estou em erro, já roçam os vinte por cento, contra políticos corruptos e incapazes, contra os sacrifícios que parecem nunca mais acabar, contra o desemprego, contra a depressão, contra o desânimo. Um jogo que selou o apuramento e o renascimento da Selecção Nacional.


No dia 2 de Dezembro, realizou-se o sorteio da fase de grupos do Euro 2012 e Portugal ficou a conhecer os seus futuros adversários: serão eles a Dinamarca, a Holanda e a Alemanha. Dificilmente nos poderia ter calhado um grupo mais difícil. Podemos ver tanto este resultado como outro qualquer como uma coisa boa ou má, dependendo da maneira como o encararmos. Contudo, uma coisa é certa: aguardam-nos jogos verdadeiramente emocionantes, que ficarão para a História, independentemente do desfecho final. 


Foi isto que aconteceu de mais relevante à Selecção Nacional ao longo de 2011. Em suma, foi um ano muito positivo em termos futebolísticos, não só por a Equipa das Quinas se ter qualificado para o Europeu do próximo ano, mas também por causa da Liga Europa, em que três equipas portuguesas chegaram às meias-finais, duas chegaram à final e, como é óbvio, uma delas levou o troféu para casa.


Em termos políticos, financeiros e sócio-económicos, 2011 foi um ano para esquecer, com o governo a demitir-se, a chegada da Troika, a ameaça da queda do Euro, entre outras desgraças. E a situação não parece estar perto de melhorar, sobretudo porque já sabemos que em 2012 nos esperam vários cortes e vida ainda mais difícil.


Em termos pessoas, tirando o contexto acima descrito, devo dizer que foi um dos melhores anos da minha vida, por várias razões. Muitos dos desejos e objectivos que tinha definido no início do ano cumpriram-se. Além disso, posso dizer com toda a segurança que evoluí ao longo do último ano, Tal evolução já havia começado em 2010 mas bem mais discretamente, a grande explosão deu-se este ano. Não sei dizer se me tornei uma pessoa melhor, mas, pelo menos, tornei-me um pouco mais corajosa, um pouco mais certa do que sou e do que quero. Dei vários passos em frente. O facto de ter ido ao Jamor assistir aos treinos da Selecção foi um deles, ainda que não o mais importante. Ainda não estou onde quero estar, ainda tenho um longo caminho a percorrer e tenciono continuar a percorrê-lo em 2012.


Olhando, então, para o próximo ano, no que toca à situação do País, já ninguém se atreve a pedir desejos, a ser optimista, depois de sofrermos desilusões atrás de desilusões. Estamos uma posição semelhante àquela onde nos encontrávamos no início de 2011. O ano que findava havia sido mau mas tudo indicava que o ano que começava seria ainda pior. No entanto, "não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe". Isto não pode durar para sempre, terá de existir uma altura em que isto comece a melhorar! Já andamos em crise há demasiado tempo, já chega!


Existe outra coisa em comum com o início de 2011 e o início de 2012: o facto de o futebol, em particular a Selecção, ser a única coisa que funciona bem neste País, a única coisa a que nos podemos agarrar, a única coisa que nos dá boas promessas para 2012. Quer a Selecção chegue à final de Kiev ou fique pela fase de grupos (que o Diabo seja cego, surdo, mudo e não tenha acesso à Internet...), aquelas semanas antes do Euro 2012 e pelo menos a primeira semana da fase final ninguém nos tirará. Nesse intervalo de tempo, os nossos pensamentos e, pelo menos, o meu coração estarão sediados na Polónia e na Ucrânia. Teremos algo que fugirá à rotina e que nos ajudará a suportar as dificuldades.


Quem me dera que outras coisas neste País funcionassem como funciona a Equipa de Todos Nós!


Para 2012 desejo, então, que sejamos campeões europeus. Que um clube português volte a ganhar um título europeu. Que o tal virar de maré de que falei acima ocorra no próximo ano. Que em 2012 vocês, leitores, tenham uma vida melhor, que evoluam, que consigam realizar os vossos sonhos, ou seja, que 2012 vos corra como 2011 correu a mim. E uso emprestada a foto da página do Facebook Sócio da Selecção para vos desejar...


 

Portugal 5 Islândia 3 - Wake-up call

Na passada Sexta-feira, a Selecção Portuguesa de Futebol recebeu a sua congénere islandesa no Estádio do Dragão e venceu-a por cinco bolas contra três.

Eu até estava bastante calminha no início deste encontro. Só que a Selecção Nacional não entrou da melhor maneira no jogo enquanto a Islândia entrou invulgarmente desenvolta, como que desafiando o estereótipo da equipa teoricamente mais fraca, e assim se manteve durante uma boa parte do jogo. Eu e o meu pai até trocámos umas piadas secas em relação a isso:

- Os islandeses, com este calor, deviam derreter… – disse o meu pai.

- Não – respondi eu – Eles geralmente ‘tão congelados lá na Islândia mas aqui, com o calor, descongelaram, ganharam energia cinética e ‘tão mais mexidos…

Se era por causa do calor, não sei, mas a verdade é que os islandeses estavam a dar luta. Como resultado, após terem tido o primeiro momento de perigo do jogo e três pontapés de canto marcados a seu favor seguidos, eu já roía as unhas.

Felizmente, o nervosismo não durou muito pois Eliseu assistiu para a cabeça de Nani que, marcou, deste modo, o primeiro golo do jogo aos treze minutos. Assim estava melhor. Mais tarde, o mesmo Marmanjo, cheio de lata, aproveitou um atraso para o guarda-redes islandês mal conseguido e marcou o segundo golo.
Estes dois tentos do Nani trouxeram à memória os dois golos que ele marcara, havia precisamente um ano menos um dia, no mesmo estádio, frente à Dinamarca, no primeiro jogo de Paulo Bento – precisamente o desafio em que a Selecção Nacional iniciou o seu renascimento. Como tal, estes dois golos pareceram-me um bom prenúncio para o resto do jogo.

E as coisas de facto correram bem até ao intervalo, com destaque para o golo engraçado de Hélder Postiga, em que a bola primeiro bateu na barra e só depois cruzou a linha de baliza. Não há muito a dizer em relação a este tento. Já se sabe que o Hélder tem altos e baixos mas, quando veste a camisola das Quinas, costuma fazer o gosto ao pé.

Ao intervalo tudo parecia estar decidido. Certamente, na segunda parte, os portugueses limitar-se-iam a manter o jogo sob controlo, a pouparem-se para o desafio frente à Dinamarca, talvez marcassem mais um ou outro golo. Era o que se esperava mas não foi bem isso o que aconteceu,

O primeiro golo da Islândia não preocupou por aí além. Fora por 3-1 que tínhamos ganho há um ano, na casa deles. Ainda havia tempo para se dilatar a vantagem.
Quando eles marcaram o segundo é que se começou a ver a vida a andar para trás. Recomecei a roer as unhas.

Nos cerca de vinte minutos que se seguiram, por algumas vezes, a Islândia esteve perigosamente à beira de anular a nossa vantagem – nessas alturas, a minha mãe dava-me vontade de dar um berro quando se punha a dizer coisas como:

- Olha o terceiro golo deles.

O Cristiano Ronaldo, esse, coitado, estava em noite não. Não que tenha jogado mal, ele até ajudava a equipa. Só que, amiudadas vezes, fazia uns remates de longe, estilo tiro-ao-alvo, que nunca entravam. Notava-se nas expressões que ele exibia que queria marcar um golo.

Ele e o resto da equipa começavam a dar sinais de intranquilidade e não eram os únicos; nesta altura, já eu fazia contas à vida, interrogava-me como raio haveríamos de fazer frente à Dinamarca jogando assim. Os adeptos presentes no estádio também não estavam a achar graça e, a certa altura, exprimiram o seu descontentamento através de assobios. Eu, geralmente, sou contra isso mas, naquela altura, até compreendia.
Em todo o caso, os adeptos não demoraram a trocar os assobios por gritos de “POR-TUG-AL! POR-TU-GAL!”. E resultou porque, depois disso, o Eliseu voltou a assistir, desta feita para Moutinho, que enviou a bola para as redes islandesas. Nas bancadas, um adepto segurava um cartaz dizendo: “Moutinho, génio da bola, dá-me a tua camisola”. Tal génio revelou-se aos oitenta e um minutos com o quarto golo de Portugal e devolveu-nos a tranquilidade. Grande Moutinho!

Mais uma vez ficou provado que, quando as coisas não estão a correr bem, os assobios não resolvem nada mas as manifestações de apoio até podem ajudar.

Cinco minutos mais tarde, Eliseu, que estava a fazer o jogo da vida dele, dilatou ainda mais o marcador com um belo remate de fora da área. O cabo-verdiano açoriano (como lhe chamei, na brincadeira, depois deste golo) foi considerado o homem do desafio e mereceu-o. Revelou ser uma boa alternativa a Fábio Coentrão e, como afirmou Nani, outra figura do jogo, “mostrou a Bento que pode contar com ele para o que der e vier”. Eliseu engrossou, assim, a lista, de tamanho considerável, de jogadores prontos a dar a sua parte pela Equipa de Todos Nós.

Ainda houve tempo para a Islândia marcar um terceiro golo, de penálti. Não teve efeitos práticos para além de diminuir a vantagem portuguesa, mas Johannesson, o Seleccionador Islandês, parecia muito feliz depois deste tento. Mais tarde, confessaria que se sentia satisfeito por a sua equipa ter marcado três golos a Portugal e diria, sem rodeios:

- Com a bola, Portugal é uma das melhores Selecções do Mundo mas, sem ela e a defender, os jogadores são um pouco preguiçosos.

Se foi por preguiça dos Marmanjos, não sei, mas a verdade é que este encontro teve altos e baixos e deixou bastante a desejar no que toca à defesa. O meu pai disse que o problema fora a falta dos titulares habituais, como o Pepe. E o Ricardo Carvalho. Talvez. O pior é que estes jogadores continuam indisponíveis para Terça-feira…

Hélder Postiga afirmou que “estes jogos servem para corrigir erros”. E, de facto, é preferível cometê-los frente à Islândia, que não soube aproveitá-los para obter a vitória, do que frente à Dinamarca. Por outro lado, se estivéssemos a enfrentar esta última selecção, seria pouco provável que os Marmanjos baixassem a guarda desta maneira… Em todo o caso, este jogo serviu de aviso, de wake-up call (chamada para acordar), como dizem os ingleses, mostrando que as coisas não vão ser fáceis na próxima Terça-feira.

Agora basta empatarmos para garantirmos a qualificação directa para o Europeu de 2012. Podemos até perder o próximo jogo, desde que sejamos a melhor selecção classificada em segundo de toda a prova. Esta ideia foi repetida até à exaustão pelos locutores da Antena1, durante o rescaldo do encontro de Sexta-feira. Eu prefiro não me fiar nessa, irrita-me estar a fazer esse tipo de contas quando não precisamos, quando basta um empate para nos qualificarmos.

Felizmente, não sou a única a pensar assim. Paulo Bento garantiu que “não planeia derrotas, não planeia empates” e todo o resto da Turma das Quinas aparenta afinar pelo mesmo diapasão. Tudo indica que o jogo de Terça-feira será uma autêntica final, intenso, emotivo, pois não acredito que os nossos amigos nórdicos nos facilitem a vida nem que joguem para o empate. Espero que os marmanjos não repitam os erros de Sexta-feira. Espero que, como dizia n’O Jogo, não parem de acelerar até a corrida estar ganha, até a qualificação estar assegurada, até os efeitos das polémicas do ano passado estarem definitivamente anulados, até o renascimento da Selecção estar finalmente consumado. É com isso que conto. E acredito que os Marmanjos não nos vão desiludir.

Contra a corrente


Estamos nas vésperas da primeira das duas últimas finais que a Selecção Nacional tem de disputar antes de dar por concluída a Qualificação para o Euro 2012, a realizar-se na Polónia e na Ucrânia... e as coisas não estão fáceis.


Danny não compareceu ao estágio de preparação destes dois desafios. Inicialmente, invocou motivos pessoais que o impediam de abandonar a Rússia. É claro que a Comunicação Social tentou logo agarrar a oportunidade para criar polémica, pelos motivos que toda a gente conhece. Não têm emenda, realmente...

Entretanto, já foram revelados os verdadeiros motivos mas nunca duvidei, por um minuto que fosse, que estes fossem fortes, nem acreditei que estivéssemos perante uma reedição do caso Ricardo Carvalho. Numa entrevista que deu na semana passada, Danny deu a entender que leva a Selecção muito a sério. Afirmou mesmo que o seu sonho é "ganhar o Europeu com a Selecção". Acham mesmo que abdicaria do seu lugar na Equipa de Todos Nós de ânimo leve?

E, de facto, os seus motivos são válidos. Soube-se ontem que Danny teve de fazer uma cirurgia para remover um quisto que se temia que contivesse células cancerosas. Eu já passei por uma situação semelhante e sei que estas coisas são aflitivas, mais do que parecem. Com cancro, não se brinca. Compreendo, também, que Danny se tenha sentido relutante em divulgá-lo, daí ter invocado os motivos pessoais. Embora saiba que é pouco provável que ele o leia, envio através do blogue uma mensagem de solidariedade e um desejo de uma recuperação rápida e completa.

Por falar do Ricardo Carvalho, este tem dado a entender que se arrependeu de ter abandonado o estágio da Selecção antes da partida para o Chipre. Ainda hoje, numa entrevista, afirmou que continua disponível para regressar à Equipa de Todos Nós. Por causa do castigo que a Federação lhe aplicou, tal só poderia acontecer daqui a pelo menos um ano. Tenho de confessar que espero que Paulo Bento mude de ideias em relação a excluí-lo definitivamente das suas Convocatórias. Não que o que o Ricardo fez tenha sido de louvar, bem pelo contrário, mas será justo que uma decisão irreflectida anule todo um percurso na Selecção, esse sim, digno de louvores?

Em todo o caso, como já foi mencionado, tão cedo Ricardo Carvalho não voltará à Turma das Quinas, não nos poderá ajudar nesta jornada dupla. E agora que Danny e Sílvio engrossaram a lista dos indisponíveis, torna-se claro que a Selecção terá de se basear, pelo menos em parte, em segundas opções... o que não me agrada.

Também não me agrada o facto de a Comunicação Social andar com as miras apontadas a Paulo Bento. Não só por causa do Danny, mas também por ter Chamado jogadores como Beto e Ricardo Costa (com esta nem eu concordo e nem percebo muito de futebol...) e deixado de fora jogadores como Bosingwa e Duda. O caso Ricardo Carvalho pode não ter deixado mazelas no seio da Selecção Nacional mas deixou-as na credibilidade de Paulo Bento e, agora, os jornalistas e comentadores aproveitam.

Apesar de saber perfeitamente que, neste país, (ainda) há liberdade de expressão e opinião e tal, sempre me irritou ver as pessoas questionarem o Seleccionador. Mesmo quando este era Luís Felipe Scolari ou Carlos Queiroz. Mesmo até quando existiam motivos válidos para fazer críticas, mesmo até quando eu até concordava com elas. E as críticas que fazem ao actual Seleccionador ainda me irritam mais. Não acho justo andarem a atacar uma pessoa que encontrou uma Selecção feita aos bocados e, ao fim de poucos dias, consegui pô-la a vencer, a convencer, a golear, e agora, passado um ano, encontra-se numa excelente posição para atingir a fase final do Europeu de 2012 - algo que se pensou ser impossível.

É claro que, se a Selecção der uma escorregadela (três vezes na madeira!) vão todos cair em cima do Paulo Bento...

Não, os jogos com a Islândia e com a Dinamarca não vão ser nada fáceis... Por estas e por outras.

Por outro lado, a verdade é que já nos apurámos em condições mais difíceis. Os nossos últimos dois apuramentos são bons exemplos disso. Neste, as condições difíceis foram no início mas conseguimos revertê-las e, tal como disse acima, agora estamos numa posição com que muitos não se atreviam a sonhar há um ano - eu incluída.

Luís Figo disse ontem que, apesar de a hipótese de não nos qualificarmos não poder ser colocada de fora, "temos todas as condições e possibilidades para nos apurarmos". Garantiu também que Paulo Bento "tem alternativas para colmatar as ausências. Aqueles que ocuparem esse lugar darão duzentos por cento para ajudar Portugal". Ele deve saber do que fala... Nuno Gones, por sua vez, afirmou que "o ambiente está óptimo [dentro da Selecção], temos treinado bem e os jogadores estão concentrados no que têm a fazer Sexta-feira: conquistar os três pontos". Disse ainda que a Selecção vai levar a Islândia a sério uma vez que "eles perderam pela margem mínima com os nossos adversários mais directos". E essa a atitude que se quer! Aparentemente não falta determinação nem seriedade na Equipa de Todos Nós.

Como sempre, a Selecção - jogadores e equipa técnica - pode contar o meu apoio, a minha confiança, a minha fé, no melhor e no pior. Sempre foi assim e não tenciono mudá-lo. É certo que já apanhei vários baldes de água fria à custa disso mas, mais cedo ou mais tarde, acabo por ser recompensada. Ao longo do último ano tenho sido muito bem recompensada, até. E não acredito que isso vá mudar agora, só porque alguns jogadores estão ausentes. O jogo com a Islândia realiza-se na Sexta-feira, às nove da noite, com transmissão em directo na RTP. Acredito que voltarei a ser recompensada nessa noite. Eu... e os outros quinze milhões de portugueses espalhados pelo Mundo, unidos pela Selecção!


P.S. Há já algum tempo que não escrevia uma entrada assim, contra a corrente da generalidade da Comunicação Social. Dá cá um gozo... Sei que não é lá muito maduro mas, como costumo dizer, uma miúda não é de ferro!