Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Tanque de tubarões

transferir.jpeg

Na próxima quarta-feira, dia 5 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol defronta a sua congénere suíça no Estádio do Dragão, em jogo a contar para- a final four da Liga das Nações. Se vencer, disputará a- final no mesmo estádio no próximo domingo, dia 9 de junho. Se perder, disputará o terceiro lugar na prova no mesmo dia, no Estádio Afonso Henriques. Seja qual for o jogo de domingo, eu estarei lá!

 

Este é o quarto ano consecutivo em que Portugal participa numa fase final de um campeonato de seleções. Sabe bem, não haja dúvida. É uma competição curtinha, apenas dois jogos, no entanto. Não difere muito das habituais jornadas de Qualificação desta altura do ano,  na prática.

 

Isto é, se  não tivermos em conta que, nessas jornadas, encontramos equipas como a Rússia ou o Azerbaijão. Nesta fase final temos a Suíça, a Inglaterra e a Holanda. Um nível completamente diferente.

 

Além de que há um troféu que podemos ganhar. E que é uma prova organizada por nós – a primeira desde o Euro 2004.

 

Já tinha referido antes que tenho bilhetes para a Liga das Nações, para mim e para a minha irmã. Temos bilhetes Super Sunday – ou seja, ou para a final ou para o jogo de atribuição do terceiro e quarto lugares, consoante o resultado de Portugal perante a Suíça.

 

liga-das-nacoes-da-uefa-2018-2019.jpg

 

Ora, inteligente como sou, só no outro dia, quando estava a preparar esta crónica é que percebi que o jogo do terceiro lugar será no Estádio Afonso Henriques, em Guimarães. Pensava que ambos os jogos seriam no Dragão! Já tinha marcado a estadia no Porto, para a noite de 9 para 10! Tive um mini-ataque de pânico, confesso. 

 

Na prática, não faria grande diferença se tivesse descoberto mais cedo. Não dá para saber onde jogará a Seleção no domingo até à noite de 5 de junho. Ninguém no seu juízo perfeito iria esperar até essa altura para marcar estadia: a menos que estivessem dispostos a pagar fortunas ou a arriscar não encontrarem sítio onde dormir. Iríamos sempre passar a noite no Porto. O  jogo do terceiro lugar começa às duas da tarde. É preferível ir de Guimarães para o Porto depois desse jogo do que fazer o percurso inverso depois da final – que, se tiver prolongamento e penáltis, poderá terminar perto das onze da noite.

 

A única coisa que faria de diferente, se tivesse sabido antes, seria pôr a hipótese de marcar estadia para a noite de 8 para 9 – mesmo assim, não dava jeito à minha irmã passar duas noites fora.

 

Dará para gerir se formos ao jogo do terceiro lugar. Teremos de levar o carro (em vez de irmos de comboio ou autocarro), pois não teremos tempo de deixar a(s) mala(s) no hotel, no Porto. Se saírmos cedo de Lisboa, temos tempo para chegar a Guimarães.

 

estadio-1024x683.jpg

 

Será muito mais fácil, no entanto, se Portugal for à final. O jogo será só ao fim da tarde. Poderemos ir tranquilamente de autocarro ou de comboio de manhã. À tarde, haverá tempo para, talvez, dar uma volta pela cidade ou para descansar antes do jogo. E, confesso, gostava um bocadinho mais de ir ao Dragão do que ao Afonso Henriques. 

 

É por isso que espero que a Seleção se Qualifique para a final: dá-me mais jeito. E também porque, indo à final, podemos lutar pelo título, apenas o segundo da nossa História, blá blá blá, aspetos secundários.

 

Fernando Santos anunciou os Convocados para esta prova na semana passada. A Lista não difere radicalmente da anterior. André Silva ficou de fora pois, segundo consta, tem andado lesionado. Não há muito mais a dizer.

 

Como já aconteceu algumas vezes antes, estes primeiros dias da preparação decorreram em regime aberto, como nos clubes. Só hoje (domingo) começa a concentração a sério, em Espinho. Tenho pena que Cristiano Ronaldo não tenha participado na final da Liga dos Campeões, após três seguidas, mas, aqui entre nós que ninguém nos ouve, estou um bocadinho aliviada. Imaginem! Jogar a final da Liga dos Campeões num sábado e, na quarta-feira seguinte, jogar uma meia-final, também de nível europeu? E uma final ou jogo de terceiro lugar no domingo seguinte?

 

O mais certo era Ronaldo pedir para ficar de fora. Eu não o censuraria – ele já vai a caminho dos 35 (!!!!). Além disso, nem sequer participou na fase de grupos. Poderia haver quem o considerasse justo.

 

61395305_2442198185819727_5387869235395428352_n.jp

 

Nesse aspeto, os nossos amigos ingleses estão tramados, já que sete dos seus Convocados jogaram a final da Liga dos Campeões. Mas com o mal dos nossos adversários posso eu bem – e não acho que seja garantia de facilidades. Mais sobre isso adiante.

 

Aliás, sendo esta uma fase final com apenas quatro participantes, não é de todo razoável esperar facilidades, de maneira nenhuma. Dito isto, acho que tivemos um bocadinho de sorte ao apanharmos a Suíça das meias-finais – só mesmo porque disputámos a Qualificação anterior com eles, logo, conhecêmo-los relativamente bem. Ainda assim, a Suíça é uma das duas únicas equipas que nos venceram em jogos oficiais no mandado de Fernando Santos. É certo que conseguimos vencê-los quando os enfrentámos em casa… mas mesmo assim.

 

Na Liga das nações, os suíços ficaram no grupo com a Bélgica. Conseguiram o apuramento no último jogo da fase de grupos, precisamente perante os belgas: estiveram a perder por 2-0, mas viraram o resultado para 5-2. Haris Seferovic, do Benfica, assinou um hat-trick. Não vai dar para brincar perante eles.

 

Já agora, aproveitamos a boleia e falamos já da Inglaterra e da Holanda. Afinal de contas, iremos enfrentar um deles no jogo de domingo, mais vale.

 

holanda-gol-590x393.jpg

 

A Holanda é teoricamente nossa freguesa, como dizia Luiz Felipe Scolari. Na prática, da última vez que nos cruzámos com eles, num particular, a coisa coisa não correu bem para o nosso lado. Apesar de terem falhado tanto o Euro 2016 como o Mundial 2018, os holandeses têm estado em ascensão no último ano. Partilharam o grupo da Liga das Nações com a França e a Alemanha e sobreviveram. Venceram a França por 2-0 na penúltima jornada. Aos 84 minutos do último jogo estavam a perder por 2-0 com a Alemanha. No entanto, conseguiram empatar, Qualificando-se para a fase final à frente dos nossos amigos franceses.

 

Nada mau, tendo em conta o seu histórico nos anos anteriores.

 

Por fim, vale a pena recordar que quatro dos seus Convocados jogam no Ajax, a equipa sensação desta época na Liga dos Campeões.

 

Por sua vez, os ingleses são, a meu ver, os grandes favoritos a vencer esta competição. São igualmente uma equipa em rumo ascendente, jovem e talentosa. Ficaram em quarto no Mundial 2018 e qualificaram-se para esta final four num grupo que incluiu a Espanha e a Croácia. O facto de a Premier League ter tido quatro equipas nas finais europeias de clubes – e de sete dos seus Convocados terem sido finalistas da Liga dos Campeões, como referi acima – é um bom indicador da qualidade do futebol inglês.

 

960.jpeg

 

Em suma, temos adversários de qualidade, que para cá chegarem deixaram pelo caminho os três primeiros classificados no Mundial 2018. Na comparação, nós deixámos pelo caminho “só” a Itália, que já viu melhores dias, e a Polónia que, com o devido respeito, não é propriamente um dos grandes da Europa.

 

Não tenham ilusões, nós não somos favoritos. A única coisa que temos a nosso favor é o facto de sermos Campeões Europeus (há quase três anos… muita água já correu entretanto) e de jogarmos em casa. Vamos estar a nadar num tanque de tubarões (isto não era o nome de um reality show qualquer?). Apenas três, mas não deixam de ser perigosos.

 

Devo dizer que podia estar mais confiante. Como se o calibre dos nossos adversários não fosse suficiente para nos intimidar, não me esqueci do que aconteceu nos nossos últimos dois jogos. Estou com um bocadinho de medo que façamos exibições fraquinhas outra vez, que Fernando Santos se ponha a inventar, que as estratégias se centrem demasiado em Cristiano Ronaldo e prejudiquem os outros Marmanjos. Sei que temos jogadores de qualidade suficiente para lutarmos pelo título – mas tenho medo que essa qualidade não venha ao de cima.

 

Pode ser que até venha. Pode ser que, de uma maneira tipicamente nossa, nos superemos perante o calibre destes adversários e o contexto de mata-mata. Quem sabe? Ainda somos Campeões Europeus. E vamos jogar em casa – da última vez que organizámos uma fase final europeia, a coisa não correu mal.

 

D8DH1QMXYAAGGWl.jpg

 

Apesar da minha pouca confiança, não deixo de acreditar. Não enquanto for possível. Espero que consigamos, pelo menos, ir à final. E vou querer desfrutar – não é todos os dias que vemos a nossa Seleção jogar contra os grandes da Europa. Ao vivo, no meu caso.

 

Acompanhem comigo o nosso percurso neste mini-tanque de tubarões tanto neste blogue como na página do Facebook.

O filho pródigo e os estreantes

54403605_551367818706265_5033119054303330304_n.jpg

Na próxima sexta-feira, dia 22 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol recebe, no Estádio da Luz, a sua congénere ucraniana... e eu vou lá estar! Três dias depois, receberá a sua congénere sérvia, também no Estádio da Luz (mais sobre isso adiante). Ambos os jogos contam para a fase de Qualificação para o Euro 2002, que terá lugar em várias cidades europeias.

 

Fernando Santos anunciou os Convocados para esta dupla jornada na passada sexta-feira e… depois de meses de polémica, o filho pródigo está de volta. Cristiano Ronaldo está de volta.

 

Confesso que é um alívio – o que não vos deverá surpreender se tiverem lido o meu balanço de 2018. Numa entrevista que deu poucos dias antes da Convocatória, Ronaldo voltou a dizer que pediu dispensa da fase de grupos da Liga das Nações para se adaptar à sua nova vida, em Turim. No entanto, confessou também já ter saudades da Seleção. “É a minha casa, e quero ajudar Portugal a qualificar-se para o Europeu”.

 

Agora que ele voltou, em retrospetiva, até parece razoável. Até porque, depois do hat-trick pela Juventus, na semana passada, está toda a gente de boa vontade para com ele, a elogiar a maneira como se tem gerido fisicamente.

 

Continuo a achar que tanto ele como Fernando Santos e a Federação deviam ter sido um bocadinho mais claros durante as últimas jornadas da Seleção. Já se tinha falado da adaptação à Juventus aquando dos jogos de setembro, mas na altura todos pensámos que se referia apenas aos primeiros dois jogos. Na dupla jornada seguinte disse apenas que Ronaldo só voltaria este ano e arrumou o assunto.

 

PhotoGrid_1540328149309.jpg

 

Podia-se ter evitado uma boa parte da polémica se Fernando Santos tivesse dito logo, preto no branco:

 

– O Cristiano pediu dispensa de toda a fase de grupos da Liga das Nações para se adaptar à mudança para a Itália. Além disso, ele já não tem vinte anos, as pernas dele já não dão para tanto. Em princípio volta no próximo ano. Ele aproveita para gerir a sua vida, eu aproveito para dar mais espaço e responsabilidade aos colegas. Aqueles miúdos não são capazes de apertar os atacadores das chuteiras sem estarem sempre à procura do Cristiano, para que ele resolva qualquer complicação que surja, quero acabar com essa mania.

 

Também admito culpas da minha parte. Posso ter-me deixado contagiar pela insistência dos jornalistas. Já devia saber que a Comunicação Social está sempre a tentar criar escândalos.

 

Em todo o caso, já faz parte do passado. Só resta saber se o Cristiano virá à fase final da Liga das Nações. Não será grave se ele não vier, mas preferia que ele viesse. Sobretudo porque… tenho bilhetes para a final ou para o jogo do terceiro lugar, consoante o nosso resultado nas meias (mais sobre isso na altura).

 

Para além deste regresso, temos várias estreias interessantes. Uma das mais badaladas é a de João Félix, o jovem fenómeno do Benfica, super talentoso, que já conta doze golos esta época.

 

1288840.jpg

 

Uma das coisas que dá que falar em Félix é do seu aspeto de miúdo cinco anos mais novo. Toda a gente goza com isso, incluindo eu e a minha irmã – isto apesar de também parecermos muito mais novas do que realmente somos (não me estou a queixar, atenção!). As da minha irmã, sobretudo no início, eram muito movidas a azia sportinguista. Algumas são um bocadinho fáceis, do género, “Não são horas de ele ir para a cama? Ele não tem aulas amanhã?”.

 

Uma das mais engraçadas, no entanto, foi uma vez, quando Félix estava caído depois de sofrer uma falta.

 

– Chamem a mamã dele, para lhe soprar no dói-dói.

 

A minha irmã também resmungou, uma vez, que o miúdo provavelmente não se lembra de ver o Doraemon dobrado em castelhano – a cena dele deve ser mais os Super Wings. Eu acrescentaria que ele também não se deve lembrar do Sporting campeão… mas se tivesse dito isso à minha irmã, não teria sobrevivido para ver esta dupla jornada.

 

Agora que penso nisso, Félix também não se deve lembrar do Euro 2004. É um bocadinho triste…

 

image.jpg

 

De qualquer forma, até a minha irmã acabou por engolir a azia e se render ao talento de João Félix, como toda a gente. Eu, no entanto, ando com medo que o miúdo se torne no novo Renato Sanches – que as pessoas se deixem levar pelo hype, que Félix seja vendido no final da época, dando um passo maior do que a perna. O Renato só agora é que está a recuperar da sua saída prematura para o Bayern (e, mesmo assim, mais ou menos). Não queria que o mesmo acontecesse com o Félix.

 

Infelizmente, acho pouco provável o Benfica colocar o crescimento do miúdo à frente dos milhões que pode encaixar. Mas a esperança é a última a morrer…

 

Diogo Jota, por sua vez, já anda há uns anos no meu radar, desde os seus tempos no Paços de Ferreira. Eu, aliás, achava que ele seria Convocado mais cedo, mas compreendo porque não foi. Com jogadores jovens, nem sempre é benéfico virem demasiado cedo à Seleção A.

 

Jota representa hoje o Wolverhampton, a equipa mais portuguesa da Premier League. Tem-se saído bem. Houve um momento lindíssimo, há um par de meses, em que Nuno Espírito Santo foi abraçá-lo depois de um golo, como poderão ler aqui. E ainda este fim de semana, Jota marcou um belo golo, contribuindo para a expulsão do Manchester United da Taça de Inglaterra.

 

Houveram vários Convocados a marcar nos jogos do fim de semana passado, aliás. João Félix, Rafa, Diogo Jota, Bernardo Silva… Este último, então, tem deixado toda a gente rendida no Manchester City e, como dá para ver aqui, anda a ser devidamente acarinhado.

 

54258211_2690595184303648_6860441460508983296_n.jp

 

É sempre bom ver que os nossos jogadores são bem tratados nos clubes que representam.

 

Tudo isto só prova que Fernando Santos escolheu bem.

 

Antes de passarmos a outro estreante, queria só comentar o “apelido” de Diogo Jota. Eu já desconfiava mais ou menos que não era o seu verdadeiro último nome e confirmei-o agora, com o Google. O seu nome completo é Diogo José Teixeira Silva. Suponho que o “Jota” venha de José.

 

Estou a rir-me porque parece mesmo algo que um miúdo faria ao escolher o seu nome futebolístico ou nickname da Internet, para soar fixe. Eu mesma decidi, quando tinha treze ou catorze anos, que a minha assinatura incluiria a inicial do meu apelido do meio – “Sofia M. Almeida” – e ainda hoje assino desta forma.

 

Pelo menos no caso do Diogo, teve o efeito que ele certamente queria. Sempre achei piada ao nome dele. O facto de a letra “J” ter um dos nome mais giros de todo o alfabeto ajuda.

 

img_920x519$2019_03_18_19_01_24_1520419.jpg

 

Consta que a Convocatória de Dyego Sousa foi a mais inesperada e… a mais contestada, embora não tanto por motivos futebolísticos. Confesso que não sabia muito sobre o ponta-de-lança do Sporting de Braga antes de ele aparecer na Lista de Fernando Santos. No entanto, segundo o que tenho lido na Internet, não será uma Escolha assim tão descabida quanto isso.

 

Não sabia, também, que ele era português naturalizado. É o primeiro a vir a Seleção em quase uma década, aliás, agora que penso nisso – desde Liedson, em 2009. Este último, também, só vestiu a Camisola das Quinas durante o quê? Um ano? (Os anos de Carlos Queiroz como Selecionador foram estranhos…)

 

Por outro lado, Pepe, também naturalizado, já está há quase doze anos connosco e eu não podia estar mais grata. Tenho quase a certeza que já o referi antes, mais do que uma vez, aliás, mas Pepe tem mais amor à Camisola das Quinas que muitos portugueses, citando as sábias palavras de Rui Santos, "bacteriologicamente puros". A Seleção deve-lhe muito, incluindo o nosso primeiro título.

 

É por essas e por outras que fico ainda mais zangada em retrospetiva com as palavras de José Mourinho, durante o Mundial 2014. Pepe fez uma idiotice durante o jogo com a Alemanha, conforme se devem recordar, e Mourinho veio dizer que o defesa devia ter tido juízo visto “nem sequer ser português”.

 

Também eu teci críticas duras a Pepe, na altura, pois o seu comportamento nos custou caro, mas nunca traria a sua naturalidade à baila. A Seleção não está a fazer-lhe nenhum favor ao deixar Pepe representar as Quinas. Bem pelo contrário. Não me lembro, aliás, de Mourinho ou outra pessoa qualquer se queixar das origens de Pepe depois dos golos que marcou ou das suas exibições imperiais. Só quando faz asneiras (ele tem o seu histórico, a sua fama, mas está longe de ser o primeiro ou de vir a ser o último a agir como um asno pela Seleção) é que, de repente, a sua condição de naturalizado é um problema.

 

O Mourinho, às vezes, é uma besta.

 

dyego.jpg

 

Outro exemplo de "bestice", este mais recente, foram as já referidas palavras de Rui Santos, que podem ouvir aqui. Eu até concordo que uma das tarefas da Federação é investir no jogador jovem português... mas não é isso que a Federação tem feito, nos últimos anos? Não há uma data de jovens talentos no radar de Fernando Santos? Não temos já alguns desses talentos, como Bernardo Silva e André Silva, praticamente com lugar cativo na Seleção? O Dyego é um jogador naturalizado entre dezenas de Marmanjos não-naturalizados! É o primeiro naturalizado em quase uma década!

 

Além de que falar em portugueses "puros", seja de forma bacteriológica ou não (se uma pessoa se quer armar em besta, ao menos tenha o cuidado de não se enterrar ainda mais com gaffes deste género), roça a xenofobia.

 

Felizmente, Dyego Sousa parece ser feito do mesmo material que Pepe, pelo menos no que toca ao amor à camisola. Consta que Dyego já era adepto da Equipa de Todos Nós. Quando foi Convocado, terão havido lágrimas e chamadas para a família na reação. Agora, está todo contente no seio da Equipa das Quinas e, segundo Rúben Neves, até houve serenata dele, juntamente com João Félix e Diogo Jota (estou muito zangada com os Marmanjos por, aparentemente, nenhum deles ter filmado e partilhado connosco nas redes sociais).

 

Quando é assim, quando se nota que os próprios jogadores estão felizes enquanto representam a Seleção, é tudo muito mais especial. Já ando nisto há muitos anos, mas não me canso disso.

 

Se eu pudesse dar um conselho a Dyego Sousa, dir-lhe-ia para se agarrar a essa alegria e entusiasmo, ao sonho que está a viver. Ele que dê o seu melhor para representar Portugal e que os Rui Santos desta vida se lixem (para não usar um termo mais colorido). Assim que Dyego começar a marcar golos pelas Quinas, ninguém se vai ralar com as suas origens.

 

luz.jpg

 

Vamos, então, dar início ao Apuramento para o Euro 2020 frente à Ucrânia, no Estádio da Luz. Uma palavra, aliás, para os dois jogos da dupla jornada no mesmo estádio: já é ridículo! A Luz já andava a receber mais jogos da Seleção que qualquer outra arena portuguesa, nos últimos anos. Já foi um bocadinho estranho no ano passado, por exemplo, termos tido dois jogos lá com apenas três meses de intervalo. Agora temos com dois dias!

 

Eu sei que a Luz tem dado sorte às Quinas, mas estamos no início do Apuramento! Ainda se fossem os últimos jogos ou playoffs (que espero não virmos a precisar)... Não se podia ter, pelo menos, atribuído um dos jogos ao Estádio de Alvalade? Este não recebe a Seleção desde 2015 e, ainda no ano passado, teve de abdicar do jogo com a Itália por causa das eleições no Sporting.

 

Além de que existem muitos outros estádios que mereciam mais amor por parte da Seleção: o de Aveiro, o de Coimbra, o do Algarve…

 

Mas regressemos ao jogo de amanhã. Já estou um bocadinho farta da Luz (o que tem piada tendo em conta que nunca lá tinha ido até há quatro anos) mas, desta feita, para além da minha irmã, vêm também os meus pais, que ainda não conhecem o Estádio. Infelizmente, só conseguimos bilhetes para o terceiro anel, mas, lá está, tenho-me fartado de vir à Luz, não me posso queixar. A Federação anda a pedir-nos para estarmos lá às 19h30 – devem querer fazer alguma coisa especial durante o hino – mas acho que vai ser complicado nós os quatro chegarmos a tempo…

 

A Seleção ucraniana é um caso raro na Europa no sentido em que deve ser uma das poucas equipas neste continente com quem jogámos pouquíssimas vezes. Neste caso, só em duas ocasiões, durante a Qualificação para o Mundial 98. Ganhámos em casa, perdemos fora – ou seja, não dá para tirar grandes ilações.

 

imagem.jpg

 

No passado mais recente, os ucranianos falharam a Qualificação para o Mundial 2018, mas saíram-se bem na Liga das Nações. Subiram à Liga A – ou seja, tecnicamente, estão entre os melhores da Europa.

 

É óbvio que nós somos favoritos e que temos a obrigação de ganhar, por todos os motivos e mais alguns. Mas desenganem-se aqueles que esperarem facilidades no jogo de amanhã. Precisaremos de concentração máxima – até porque, nos últimos anos, temos tido o hábito infeliz de tropeçarmos nos primeiros jogos dos Apuramentos.

 

Quanto ao jogo com a Sérvia, ainda não sei se consigo vê-lo. Vou estar de serviço nessa noite. Se não se importam, vou tirar alguns parágrafos para me queixar do meu habitual péssimo timing no que toca à Equipa das Quinas. Só preciso de fazer serviços à noite de três em três meses, mais coisa menos coisa. A Seleção esteve em pausa durante quatro meses, mas um dos jogos tinha de coincidir com a minha noite de serviço.

 

Quer dizer, porque não, não é?

 

Não será assim tão tão dramático, pois talvez seja capaz de acompanhar o jogo na rádio, pelo menos, com algumas interrupções, se necessário. Não é a mesma coisa que ver o jogo no conforto de minha casa, claro, mas apesar de tudo podia ser pior.

 

Com a minha sorte, se algum dia engravidar, aposto que darei à luz durante um jogo da Seleção. O que até pode ser giro, seria uma história engraçada para, mais tarde, contar à criança. Aliás, se for um menino, até poderá receber o nome do Homem do Jogo… se eu gostar desse nome, é claro (não sou grande fã do nome Cristiano, por exemplo).

 

servia-puma.jpg

 

Ao contrário da Ucrânia, temo-nos cruzado algumas vezes com a Sérvia nos últimos anos. A última ocasião foi durante o Apuramento para o Euro 2016. Felizmente ganhámos os dois jogos. Os sérvios foram ao Mundial, mas ficaram-se pela fase de grupos. Não se saíram mal na Liga das Nações, no entanto – subiram à Liga B. Em princípio estarão ao nosso alcance mas, já se sabe, prognósticos só no fim do jogo.

 

Tenho andado contente, mesmo entusiasmada, com o regresso dos jogos da Seleção após estes meses todos – e acho que o regresso do pródigo e os estreantes contribuíram para isso, pelo menos em parte. Os hiatos de inverno já não me incomodam como incomodavam há uns anos. Talvez porque o tempo passa mais depressa agora que estou mais velha, talvez porque a pausa ajuda a evitar o desgaste que às vezes sinto com este blogue e mesmo com a própria Seleção.

 

Estamos a entrar num novo capítulo, em que temos um título para defender. Confesso que fico um bocadinho nervosa quando falamos disto numa altura tão precoce do campeonato, mas já sabem como sou. Em minha defesa, não acho que exista nada de errado em dar um passo de cada vez, concentrarmo-nos em começar bem a Qualificação para evitar aflições desnecessárias.

 

Eu farei a minha parte amanhã, na Luz. Cabe aos Marmanjos fazerem o resto, mostrarem porque somos Campeões Europeus.

 

rir.jpg

 

Seleção 2018

49718026_1491365787632448_2938271261307961344_n.jp

 

Primeira publicação de 2019! Bom ano, pessoal! Uma das tradições de Ano Novo aqui do blogue é fazer um balanço do ano que termina no que toca à Seleção. Tal como aconteceu no ano passado, atrasei-me. Não é grave, na minha opinião, já que os anos das seleções só começam em março. E mais vale tarde do que nunca (um princípio que se está a tornar um lema de vida, numa altura em que já tive muito mais tempo para escrever…).

 

Esta revisão de 2018 decorrerá nos mesmos moldes que as revisões de 2016 e 2017: assinalando o melhor e o pior do ano. Assim, sem mais demoras, comecemos por…

 

O pior

 

  • A degradação do futebol português

 

Esta não se relaciona diretamente com a Seleção, mas afetou muito a maneira como encaro o futebol – e, quando digo “afetou”, quase podia dizer “estragou”. Falo da toxicidade endémica no futebol português em geral e, em particular, do ataque à Academia de Alcochete e respetivas consequências.

 

Escrevi sobre esse episódio aqui no blogue no rescaldo imediato do mesmo. Muitas das coisas de que me queixei na altura mantiveram-se durante o resto do ano – a elas se juntando uns quantos meses de novela com o, agora, ex-Presidente do Sporting (que em certos momentos foi vilão, em outros foi vítima) e o caso e-toupeira.

 

transferir.jpg

 

Quem acompanhe este blogue há algum tempo, estará fartinho de saber que não apoio a sério nenhum clube, tirando a Seleção. Ainda assim, de alguns anos a esta parte, tenho vindo a acompanhar o futebol de clubes com algum interesse. Por causa da minha irmãzinha sportinguista; para ir acompanhando o percurso dos atuais ou possíveis jogadores das Quinas; para ir tendo coisas que publicar na página do Facebook deste blogue quando a Seleção não está ativa; porque gosto genuinamente de futebol pelo futebol, puro e duro (à semelhança do meu pai, diga-se). Bem como quando serve de pretexto para trazer à tona o melhor da Humanidade

 

No entanto, à conta do ambiente degradante no futebol português, durante uma boa parte de 2018 andei alheada do futebol de clubes. Não que tenha sido o único fator, para ser sincera –  aspetos como as acusações a Ronaldo e o fim das transmissões da Champions na SportTV também contribuíram. Mas a toxicidade do futebol português foi o principal motivo. Inclusivamente, nunca mais quis voltar ao Estádio de Alvalade – não quando as pessoas cantando na curva sul podiam ter estado envolvidas, de uma forma ou de outra, na invasão a Alcochete.

 

Só agora, que as coisas estão um bocadinho mais calmas, é que estou a reaprender a gostar do futebol de clubes. Uma das minhas resoluções, que não chega a sê-lo, para 2019 é procurar focar-me no futebol puro e duro, dentro das quatro linhas, e ignorar o resto.

 

 

Tirando, claro está, as manifestações do melhor lado do futebol, como referi acima. Um bom exemplo foi o vídeo de Natal do Sporting. É de mensagens como esta que o futebol e o mundo precisam.

 

 

  • Mundial abaixo das expectativas

 

portugal_irao_16.jpg

 

Acredito que qualquer pessoa com um mínimo de realismo em relação ao futebol sabia que, mesmo com o título europeu, seria muito difícil Portugal ganhar o Mundial. Não se poderia censurar o grupo se não conseguisse. No entanto, acho que estávamos todos à espera de mais do que fizemos: uma fase de grupos sofrível, tirando o primeiro jogo, e uma eliminação nos oitavos-de-final.

 

Quando reli as crónicas desses jogos aqui no blogue, em preparação para este texto, reparei que me tinha esquecido de muitos pormenores. Tirando o jogo com a Espanha (e mesmo assim), foram exibições insípidas, esquecíveis. Continuo a preferi-las a boas exibições com resultados maus, mas não por muito, sinceramente. Tirando Cristiano Ronaldo, Rui Patrício e um ou outro, ninguém parecia saber o que estava a fazer ali.

 

Continuo sem perceber ao certo o que aconteceu na Rússia. Nervosismo e falta de confiança da parte dos mais novos? Demasiada dependência de Ronaldo? Consta que, muitas vezes, jogadores como Bernardo Silva e João Mário interrompiam jogadas de ataque para procurarem o Capitão.

 

Seremos apenas uma seleção de nível europeu, com o Mundial a ser já demasiada areia para a nossa camioneta? Estarão todos os Mundiais que não os de 1966 e 2006 fadados para nos correrem mal?

 

Não sei dizer mesmo. Só sei que esperava mais, queria mais.

 

portugal_irao_02.jpg

 

Mesmo a nível pessoal, o Campeonato do Mundo não foi um período muito fácil para mim. O mês de junho foi muito intenso no meu trabalho, já que tinha uma colega de férias e tive de trabalhar em dois sábados de manhã e num domingo, o dia todo. No meu único fim de semana livre, fui à Suíça visitar o meu irmão – não que me esteja a queixar, mas sempre me roubou tempo de escrita.

 

Para conseguir dar conta do recado, tive de saltar a parte em que rascunho as crónicas à mão. Assim, escrevia diretamente no Google Docs, no computador ou no smartphone. Lembro-me mesmo de, durante a tal viagem à Suíça, andar pelas ruas de Zurique, na véspera dos oitavos-de-final, tentando acabar a crónica do jogo com o Irão no telemóvel.

 

Não gostei disso. Não é assim que prefiro escrever. Fiquei genuinamente surpreendida quando reli esses textos e estes estavam razoavelmente bem escritos.

 

Com a derrota com o Uruguai, deixei de estar sob tanto stress para manter este blogue atualizado. Claro que, quando isso aconteceu, senti-me triste e culpada pelas minhas queixas enquanto a Seleção ainda estava no Mundial (ainda que só me queixasse a mim própria). Aliás, se o desempenho das Quinas na Rússia tivesse sido satisfatório, não estaria a queixar-me – pelo contrário, estaria a recordar esse stress de uma forma mais positiva.

 

Ainda assim, se/quando (escolham vocês) nos Qualificarmos para o Euro 2020, talvez tire férias durante o campeonato. Ou pelo menos mais folgas.

 

  • A ausência de Ronaldo

 

Dg_e-NnW0AU2JM-.jpg

 

A nossa fase de grupos da Liga das Nações correu bem, mas esteve sempre assombrada pela ausência inexplicada de Cristiano Ronaldo. Não pela ausência em si – Ronaldo não fez falta, obrigou os restantes jogadores a serem homenzinhos, a fazerem eles mesmos as coisas, sem estarem sempre à espera do Capitão-papá – antes pela falta de justificações. Na primeira jornada, ainda disseram que Ronaldo queria concentrar-se na adaptação à Juventus. Depois disso, limitaram-se a dizer que Ronaldo tinha combinado com a Federação que não voltaria às Quinas em 2018, ponto final.

 

Nenhuma das partes lidou bem com o assunto. Por um lado, tal como a Fernando Santos, irritaram-me as perguntas insistentes dos jornalistas. Já se sabia que Ronaldo só regressaria em 2019 (regressará?). A Seleção estava a conseguir os resultados sem ele. Havia necessidade de bater na mesma tecla em todas as Conferências de Imprensa?

 

Por outro lado, os jornalistas batiam na mesma tecla porque Cristiano Ronaldo, Fernando Santos e os outros responsáveis da F.P.F. insistiam em não responder às perguntas. Se dessem uma explicação qualquer, por fraquinha e polémica que fosse, o assunto ficaria arrumado. Mas assim o caso arrastou-se ao longo de toda a fase de grupos e ainda hoje continua por resolver.

 

Tudo isto é lamentável e indigno da parte de Ronaldo. Conforme escrevi antes, ninguém o censuraria se quisesse desistir da Seleção. Mas não devia ser desta forma. Não devia ser assim que os últimos quinze anos – que incluíram presenças e golos em todos os campeonatos de seleções e o primeiro título das Quinas – deviam acabar.

 

5b23d5e147f68.jpeg

 

Ronaldo devia despedir-se da Equipa de Todos Nós como deve ser: com uma carta aberta ou uma Conferência de Imprensa emotiva. Eu pessoalmente gostaria que marcassem um jogo particular de propósito para o adeus. Só mesmo para, perto do fim, ser substituído e trocar aplausos e lágrimas com o público.

 

Porque, não sei como será como vocês, mas eu vou chorar. Por amor da Santa, são quinze anos. Oito campeonatos de Seleções (nove, se contarmos com a Taça das Confederações), mais de cento e cinquenta jogos, oitenta e cinco golos, mais de metade da minha vida.

 

Mas espero que a despedida seja melhor do que estamos a receber.

 

Já se debate se Ronaldo deve ser Convocado para a fase final da Liga das Nações, quando ele mesmo se excluiu da fase de grupos. Eu acho que não devia – mas não me admirava se ele mesmo escolhesse não vir, já que são jogos no final da época.

 

Com isto tudo, quase tenho medo da primeira Convocatória do ano, em março. Tenho medo que Ronaldo fique outra vez de fora e que toda esta novela recomece.

 

ap18171439412426-f0f15ba62089dfc0e8f02d8512c6e3fa-

 

Vamos esperar, no entanto, que isso tenha ficado em 2018. Que ele regresse para a Qualificação para o Europeu, conforme os responsáveis da Federação garantem que fará. Ou então, que decida colocar o ponto final na sua história nas Quinas e que o faça condignamente.

 

O melhor

 

  • As partes boas do Mundial

 

Nem tudo foi mau no Mundial. Quem acompanhe este blogue há uns anos saberá que gosto sempre de campeonatos de seleções e da preparação dos mesmos. Dão-me mais coisas sobre que escrever aqui no blogue, sobre que publicar na página. Gosto também, até certa medida, do circo mediático e publicitário, em torno de um futebol, regra geral, menos tóxico que o dos clubes. De sonhar com um bom desempenho.

 

Muitas vezes, alás, gosto mais das semanas entre a Convocatória e o início propriamente dito do Campeonato – onde, regra geral, os sonhos e esperanças chocam de frente com a realidade.

 

Sem Título.jpg

 

Com o Mundial 2018 não foi diferente. O jogo com a Espanha permitiu-nos prolongar a ilusão durante mais uns dias – mesmo tendo sido um one-man show de Cristiano Ronaldo. Não posso deixar de referir, também, a entrevista que dei à SIC, no dia do jogo com o Irão – uma das melhores manhãs que tive em 2018. Por fim, foi divertido ver o jogo com o Uruguai num bar de desporto em Zurique, mesmo que tenhamos perdido.

 

Pode não ter sido muito, sobretudo em comparação com o Euro 2016, mas estou grata.

 

  • Qualificação para a fase final da Liga das Nações

 

A Seleção tinha um desafio considerável neste outono: conseguir o Apuramento para a final four da Liga das Nações, perante adversários de algum calibre, sem a sua maior referência. Não sendo uma tarefa dantesca, não seria fácil.

 

Felizmente Portugal passou no teste. Qualificou-se para a fase final, sem derrotas (foi a única equipa da Liga A a consegui-lo), com pelo menos duas boas exibições, nos dois primeiros jogos.

 

img_818x455$2018_10_11_20_26_40_787225.jpg

 

O primeiro decorreu na Luz, frente à Itália. Portugal venceu por uma bola a zero, com golo de André Silva e uma exibição agradável. É certo que houve demérito da parte dos italianos, mas sempre foi a primeira vitória de Portugal perante a Itália em décadas, em jogos oficiais.

 

Por sua vez, o segundo jogo do grupo, perante a Polónia, teve uma boa exibição do coletivo. Ganhámos por três bolas contra duas. Destaque para os três Silvas – Rafa Silva, André Silva e Bernardo Silva – responsáveis pelos golos portugueses.

 

Os dois jogos seguintes foram menos conseguidos. O jogo com a Itália, em San Siro, resultou num empate a zeros – fraquinho, mas ao menos selou o Apuramento. O jogo em casa, com a Polónia, serviu apenas para cumprir calendário. Teve, portanto, a qualidade exibicional de mais um particular.

 

Podia ter sido um bocadinho melhor, nas não se podia exigir mais. Esta nova geração de talentos colocou-nos em mais uma fase final de um campeonato de selecções (albergada por nós, ainda por cima!) e deixa boas indicações para o futuro das Quinas.

 

portugal-celebrate-andre-silva-goal-vs-italy_qo27x

 

Já se sabe que vamos jogar com a Suíça, nas meias-finais. Não foi um mau resultado para este sorteio – é uma equipa que conhecemos bem, da Qualificação para o Mundial 2018. Mas é evidente que não vai dar para facilitar.

 

Falando de resultados de sorteios, também acho que tivemos sorte com os adversários do Apuramento para o Euro 2020. Sorte é como quem diz… Este grupo é uma seca. Sérvia? Ucrânia? Para não falar da Lituânia e do Luxemburgo. Não são o tipo de jogos por que uma pessoa anseie.

 

Espero que tenham aproveitado a fase de grupos da Liga das Nações e que, depois, aproveitem a final four. Vai ser toda a excitação a que teremos direito até, pelo menos, ao fim de 2019.

 

Um pormenor engraçado em que reparei há tempos, quando explicava o funcionamento da Liga das Nações e do Apuramento para o Europeu, é que a constituição dos grupos funciona de maneira oposta, de uma competição para a outra. Na Liga das Nações, somos agrupados com equipas de nível teoricamente semelhante ao nosso – para aumentar a competitividade e o interesse dos jogos.

 

880x495_cmsv2_45741df1-69f2-5a76-82d4-59456b37563c

 

Por sua vez, os grupos de Qualificação são constituídos por equipas de “escalões” diferentes. Para que, pelo menos em teoria, sejam as equipas mais fortes a Apurar-se para o Europeu. Faz sentido mas, tirando várias notáveis exceções, não são jogos muito apelativos.

 

Parece ser esse o caso do nosso grupo de Qualificação. Ainda assim, não seria de todo estranho se nos atrapalhássemos perante estes adversários, teoricamente fáceis. Temos essa triste mania. Sempre daria um bocadinho de emoção a este Apuramento, mas eu prefiro não brincar com o fogo.

 

E foi isto 2018. Escrevi um pouco mais da parte d’O pior, mas isso não significa que o ano tenha sido assim tão mau. Apenas que tive mais a dizer sobre as partes más do que sobre as partes boas – às vezes acontece.

 

Admito que 2018 não foi tão bom como os anos anteriores, pelos motivos que listei acima. Mas não foi de todo um ano mau. Já apanhei a minha quota parte de anos maus da Seleção e este não foi um deles. Nenhum tem sido mau desde 2014. Desde que Fernando Santos assumiu o leme, por sinal – embora isso esteja longe de ser o único fator.

 

Esperemos, então, que 2019 seja melhor que 2018. Mais especificamente, que Portugal consiga a Qualificação direta para o Euro 2020 e que se saia bem na final four da Liga das Nações – de preferência levantando o troféu.

 

Obrigada por tudo o que fizeram por mim e por este blogue em 2018. Desejo-vos um resto de 2019 muito feliz, com saúde (mas não muita muita, que senão fico sem emprego), objetivos cumprimos, bons jogos e muitos golos da Seleção. Em março haverá mais.

 

Piloto automático

HDACg.jpg

Na próxima sexta-feira, dia 23 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol enfrenta a sua congénere egípcia no Stade Letzigrund, em Zurique, na Suíça. Três dias mais tarde, enfrentará a sua congénere holandesa, no Stade de Geneve, em Genebra, também na Suíça. Ambos serão jogos de carácter particular.

 

Fernando Santos Divulgou os Convocados para esta dupla jornada de amigáveis na passada quinta-feira, dia 15. A principal novidade é a estreia do central do Benfica, Rúben Dias – um jovem de vinte anos, que poderá rejuvenescer um setor cheio de trintões. Um deles, por sinal, é Rolando, que foi Chamado pela primeira vez desde 2014. Pepe está lesionado, mas Bruno Alves e José Fonte voltaram a ser Convocados.

 

O que acho um bocadinho estranho, confesso – sobretudo o segundo, que foi jogar para a China. Não valeria a pena chamar outro jovem, como Ricardo Ferreira por exemplo?

 

Fernando Santos, contudo, não parece preocupado com a idade. No seu estilo habitual disse mesmo: “Velhos são os trapos. Não tenho jogadores velhos cá. Eu não me sinto velho e tenho 63 anos, quanto mais alguém com 34 ou 35.”

 

Enfim, ele lá saberá.

 

part_5__what_s_up_unova__by_justlex-d62gvjq.jpg

 

Infelizmente, o Rúben sofreu um toque no jogo entre o Benfica e o Feirense, ontem, e teve de ser substituído. Consta que não será nada de grave, mas não dá para ter a certeza. À hora desta publicação, ainda não se sabe se ele terá de falhar estes particulares. Façamos figas para que não tenha.

 

Se tiver mesmo de falhar, que o anunciem depois de publicar este texto, para eu não ter de reescrever os parágrafos anteriores…

 

Não há muito mais a assinalar sobre esta Convocatória – era mais ou menos o que eu esperava. Fernando Santos diz que, nesta, estará “setenta por cento daquela que será a lista final. Se juntarmos esta à de novembro, então sim, diria que estamos muito próximos.” Não deveremos ter grandes surpresas em maio (deverão anunciar a 14 ou 15).

 

Segundo Fernando Santos, os adversários desta dupla jornada foram escolhidos por terem semelhanças com os novos adversários da fase de grupos do Mundial. O Egito, para começar, terá sido escolhido para simular o jogo com Marrocos.

 

maxresdefault.jpg

  

Uma das semelhanças entre os marroquinos e os faraós (congnome da seleção egípcia) é o facto de… quase nunca termos jogado contra eles, antes. Houve um jogo em 1955, em que ganhámos 4-0, mas isso foi há mais de sessenta anos. Para além desse, só houve mais um, em agosto de 2005. Ganhámos 2-0, golos de Fernando Meira e Hélder Postiga… mas, apesar de já seguir a Seleção nessa altura, não me lembro de nada desse jogo. E vocês sabem que eu tenho boa memória para estas coisas.

 

O jogo não deve ter sido muito interessante.

 

Outra semelhança entre o Egito e Marrocos é o facto de ambos se terem Qualificado para o Mundial pela primeira vez em muito tempo – vinte e oito anos (a minha idade) no caso dos faraós. Segundo este artigo, os egípcios também parecem jogar muito à defesa, raramente sofrendo mais do que um golo. Tal como referi antes, um género de estratégia perante o qual os portugas não costumam dar-se muito bem.

 

É uma boa ideia usarmos um destes particulares para trabalharmos nesse aspeto.

 

54706_edicao02_vitrola_avril_700x700.jpg

  

Por essa lógica, a Holanda foi escolhida por ser parecida com a Espanha? Não sei, é possível que hajam semelhanças táticas entre as duas seleções. Os seus historiais perante nós, no entanto, não podiam ser mais diferentes. À Espanha só ganhámos uma vez em jogos oficiais, mas, como dizia Luíz Felipe Scolari, a  Holanda é nossa freguesa. A nossa vitória mais recente perante eles foi no Euro 2012. Um ano mais tarde empataríamos com eles num particular.

 

Como se isso não bastasse, a Holanda não atravessa uma boa fase, como é do conhecimento geral. Não esteve no Euro 2016 e também não vai estar no Mundial 2018. Não estou à espera que nos coloquem muitas dificuldades, portanto. Mas nunca é boa ideia subestimar o adversário – os franceses que o digam!

 

Ao contrário de outros anos pares, nesta altura do campeonato ainda não tenho pensado por aí além acerca do Mundial. Não existe nenhum motivo especial para isso tirando, talvez, o facto de andar ocupada com outras coisas. Talvez me sinta mais entusiasmada quando faltar menos tempo e começar a trabalhar a sério nos textos que quero publicar em maio – hei de falar melhor sobre eles depois destes jogos.

 

Por outro lado, as coisas no futebol, sobretudo cá em Portugal, andam… esquisitas. Às vezes vou comentando uma ou outra notícia na página, mas na maior parte do tempo marimbo-me para o que se passa. Sinceramente, tenho mais que fazer.

 

8b020fe94cfc71f42fcd927fd752eedc.jpg

 

Dito isto, talvez faça bem ao futebol português que o campeonato pare por duas semanas – a ver se os ânimos acalmam um bocadinho.

 

Tirando isso, bem como a possibilidade de ver a Seleção reunida e a jogar de novo, aqui entre nós, já não acho muita piada a jogos particulares como estes. Quando escrevo sobre eles, sobretudo crónicas pré-jogo como esta, faço-o quase em piloto automático – passadas semanas, esqueço-me de uma boa parte do que escrevi. Aconteceu com os jogos de novembro, tenho medo que aconteça o mesmo com estes.

 

A verdade é que, nove em cada dez casos, particulares como estes são irrelevantes – ao fim de dez dias, já toda a gente se esqueceu deles. É por estas e por outras que dou graças pela Liga das Nações – por diminuir o número de amigáveis secantes e por alterar os calendários habituais das seleções. Será menos provável voltar a sentir-me desgastada com o blogue, como aconteceu antes.

 

Enfim, como julgo ter dito antes em circunstâncias parecidas, se tudo isto ajudar a Seleção a ter um bom desempenho no Mundial, não me importo. Nesta altura, estou ansiosa pelo início da concentração, por ver os Marmanjos juntos de novo – por uma amostra daquilo de nos espera a partir de meados de maio.

 

28753980_171544153645445_184357683019644928_n.jpg

  

Ainda não sei se escreverei sobre os dois jogos numa única crónica. Nesta jornada dupla, queria tentar escrever um texto para cada um deles. Não garanto que consiga fazê-lo – ou que não decida que o jogo com o Egito não foi assim tão interessante para ter uma entrada dedicada só a ele. Já sabem como sou. Mas quero tentar, pelo menos.

 

Em todo o caso, já sabem, sigam a minha página para atualizações sobre os meus planos para o blogue, bem como para notícias e comentários rápidos sobre a Seleção e o futebol em geral. Obrigada pela vossa visita.