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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Seleção 2018

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Primeira publicação de 2019! Bom ano, pessoal! Uma das tradições de Ano Novo aqui do blogue é fazer um balanço do ano que termina no que toca à Seleção. Tal como aconteceu no ano passado, atrasei-me. Não é grave, na minha opinião, já que os anos das seleções só começam em março. E mais vale tarde do que nunca (um princípio que se está a tornar um lema de vida, numa altura em que já tive muito mais tempo para escrever…).

 

Esta revisão de 2018 decorrerá nos mesmos moldes que as revisões de 2016 e 2017: assinalando o melhor e o pior do ano. Assim, sem mais demoras, comecemos por…

 

O pior

 

  • A degradação do futebol português

 

Esta não se relaciona diretamente com a Seleção, mas afetou muito a maneira como encaro o futebol – e, quando digo “afetou”, quase podia dizer “estragou”. Falo da toxicidade endémica no futebol português em geral e, em particular, do ataque à Academia de Alcochete e respetivas consequências.

 

Escrevi sobre esse episódio aqui no blogue no rescaldo imediato do mesmo. Muitas das coisas de que me queixei na altura mantiveram-se durante o resto do ano – a elas se juntando uns quantos meses de novela com o, agora, ex-Presidente do Sporting (que em certos momentos foi vilão, em outros foi vítima) e o caso e-toupeira.

 

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Quem acompanhe este blogue há algum tempo, estará fartinho de saber que não apoio a sério nenhum clube, tirando a Seleção. Ainda assim, de alguns anos a esta parte, tenho vindo a acompanhar o futebol de clubes com algum interesse. Por causa da minha irmãzinha sportinguista; para ir acompanhando o percurso dos atuais ou possíveis jogadores das Quinas; para ir tendo coisas que publicar na página do Facebook deste blogue quando a Seleção não está ativa; porque gosto genuinamente de futebol pelo futebol, puro e duro (à semelhança do meu pai, diga-se). Bem como quando serve de pretexto para trazer à tona o melhor da Humanidade

 

No entanto, à conta do ambiente degradante no futebol português, durante uma boa parte de 2018 andei alheada do futebol de clubes. Não que tenha sido o único fator, para ser sincera –  aspetos como as acusações a Ronaldo e o fim das transmissões da Champions na SportTV também contribuíram. Mas a toxicidade do futebol português foi o principal motivo. Inclusivamente, nunca mais quis voltar ao Estádio de Alvalade – não quando as pessoas cantando na curva sul podiam ter estado envolvidas, de uma forma ou de outra, na invasão a Alcochete.

 

Só agora, que as coisas estão um bocadinho mais calmas, é que estou a reaprender a gostar do futebol de clubes. Uma das minhas resoluções, que não chega a sê-lo, para 2019 é procurar focar-me no futebol puro e duro, dentro das quatro linhas, e ignorar o resto.

 

 

Tirando, claro está, as manifestações do melhor lado do futebol, como referi acima. Um bom exemplo foi o vídeo de Natal do Sporting. É de mensagens como esta que o futebol e o mundo precisam.

 

 

  • Mundial abaixo das expectativas

 

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Acredito que qualquer pessoa com um mínimo de realismo em relação ao futebol sabia que, mesmo com o título europeu, seria muito difícil Portugal ganhar o Mundial. Não se poderia censurar o grupo se não conseguisse. No entanto, acho que estávamos todos à espera de mais do que fizemos: uma fase de grupos sofrível, tirando o primeiro jogo, e uma eliminação nos oitavos-de-final.

 

Quando reli as crónicas desses jogos aqui no blogue, em preparação para este texto, reparei que me tinha esquecido de muitos pormenores. Tirando o jogo com a Espanha (e mesmo assim), foram exibições insípidas, esquecíveis. Continuo a preferi-las a boas exibições com resultados maus, mas não por muito, sinceramente. Tirando Cristiano Ronaldo, Rui Patrício e um ou outro, ninguém parecia saber o que estava a fazer ali.

 

Continuo sem perceber ao certo o que aconteceu na Rússia. Nervosismo e falta de confiança da parte dos mais novos? Demasiada dependência de Ronaldo? Consta que, muitas vezes, jogadores como Bernardo Silva e João Mário interrompiam jogadas de ataque para procurarem o Capitão.

 

Seremos apenas uma seleção de nível europeu, com o Mundial a ser já demasiada areia para a nossa camioneta? Estarão todos os Mundiais que não os de 1966 e 2006 fadados para nos correrem mal?

 

Não sei dizer mesmo. Só sei que esperava mais, queria mais.

 

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Mesmo a nível pessoal, o Campeonato do Mundo não foi um período muito fácil para mim. O mês de junho foi muito intenso no meu trabalho, já que tinha uma colega de férias e tive de trabalhar em dois sábados de manhã e num domingo, o dia todo. No meu único fim de semana livre, fui à Suíça visitar o meu irmão – não que me esteja a queixar, mas sempre me roubou tempo de escrita.

 

Para conseguir dar conta do recado, tive de saltar a parte em que rascunho as crónicas à mão. Assim, escrevia diretamente no Google Docs, no computador ou no smartphone. Lembro-me mesmo de, durante a tal viagem à Suíça, andar pelas ruas de Zurique, na véspera dos oitavos-de-final, tentando acabar a crónica do jogo com o Irão no telemóvel.

 

Não gostei disso. Não é assim que prefiro escrever. Fiquei genuinamente surpreendida quando reli esses textos e estes estavam razoavelmente bem escritos.

 

Com a derrota com o Uruguai, deixei de estar sob tanto stress para manter este blogue atualizado. Claro que, quando isso aconteceu, senti-me triste e culpada pelas minhas queixas enquanto a Seleção ainda estava no Mundial (ainda que só me queixasse a mim própria). Aliás, se o desempenho das Quinas na Rússia tivesse sido satisfatório, não estaria a queixar-me – pelo contrário, estaria a recordar esse stress de uma forma mais positiva.

 

Ainda assim, se/quando (escolham vocês) nos Qualificarmos para o Euro 2020, talvez tire férias durante o campeonato. Ou pelo menos mais folgas.

 

  • A ausência de Ronaldo

 

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A nossa fase de grupos da Liga das Nações correu bem, mas esteve sempre assombrada pela ausência inexplicada de Cristiano Ronaldo. Não pela ausência em si – Ronaldo não fez falta, obrigou os restantes jogadores a serem homenzinhos, a fazerem eles mesmos as coisas, sem estarem sempre à espera do Capitão-papá – antes pela falta de justificações. Na primeira jornada, ainda disseram que Ronaldo queria concentrar-se na adaptação à Juventus. Depois disso, limitaram-se a dizer que Ronaldo tinha combinado com a Federação que não voltaria às Quinas em 2018, ponto final.

 

Nenhuma das partes lidou bem com o assunto. Por um lado, tal como a Fernando Santos, irritaram-me as perguntas insistentes dos jornalistas. Já se sabia que Ronaldo só regressaria em 2019 (regressará?). A Seleção estava a conseguir os resultados sem ele. Havia necessidade de bater na mesma tecla em todas as Conferências de Imprensa?

 

Por outro lado, os jornalistas batiam na mesma tecla porque Cristiano Ronaldo, Fernando Santos e os outros responsáveis da F.P.F. insistiam em não responder às perguntas. Se dessem uma explicação qualquer, por fraquinha e polémica que fosse, o assunto ficaria arrumado. Mas assim o caso arrastou-se ao longo de toda a fase de grupos e ainda hoje continua por resolver.

 

Tudo isto é lamentável e indigno da parte de Ronaldo. Conforme escrevi antes, ninguém o censuraria se quisesse desistir da Seleção. Mas não devia ser desta forma. Não devia ser assim que os últimos quinze anos – que incluíram presenças e golos em todos os campeonatos de seleções e o primeiro título das Quinas – deviam acabar.

 

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Ronaldo devia despedir-se da Equipa de Todos Nós como deve ser: com uma carta aberta ou uma Conferência de Imprensa emotiva. Eu pessoalmente gostaria que marcassem um jogo particular de propósito para o adeus. Só mesmo para, perto do fim, ser substituído e trocar aplausos e lágrimas com o público.

 

Porque, não sei como será como vocês, mas eu vou chorar. Por amor da Santa, são quinze anos. Oito campeonatos de Seleções (nove, se contarmos com a Taça das Confederações), mais de cento e cinquenta jogos, oitenta e cinco golos, mais de metade da minha vida.

 

Mas espero que a despedida seja melhor do que estamos a receber.

 

Já se debate se Ronaldo deve ser Convocado para a fase final da Liga das Nações, quando ele mesmo se excluiu da fase de grupos. Eu acho que não devia – mas não me admirava se ele mesmo escolhesse não vir, já que são jogos no final da época.

 

Com isto tudo, quase tenho medo da primeira Convocatória do ano, em março. Tenho medo que Ronaldo fique outra vez de fora e que toda esta novela recomece.

 

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Vamos esperar, no entanto, que isso tenha ficado em 2018. Que ele regresse para a Qualificação para o Europeu, conforme os responsáveis da Federação garantem que fará. Ou então, que decida colocar o ponto final na sua história nas Quinas e que o faça condignamente.

 

O melhor

 

  • As partes boas do Mundial

 

Nem tudo foi mau no Mundial. Quem acompanhe este blogue há uns anos saberá que gosto sempre de campeonatos de seleções e da preparação dos mesmos. Dão-me mais coisas sobre que escrever aqui no blogue, sobre que publicar na página. Gosto também, até certa medida, do circo mediático e publicitário, em torno de um futebol, regra geral, menos tóxico que o dos clubes. De sonhar com um bom desempenho.

 

Muitas vezes, alás, gosto mais das semanas entre a Convocatória e o início propriamente dito do Campeonato – onde, regra geral, os sonhos e esperanças chocam de frente com a realidade.

 

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Com o Mundial 2018 não foi diferente. O jogo com a Espanha permitiu-nos prolongar a ilusão durante mais uns dias – mesmo tendo sido um one-man show de Cristiano Ronaldo. Não posso deixar de referir, também, a entrevista que dei à SIC, no dia do jogo com o Irão – uma das melhores manhãs que tive em 2018. Por fim, foi divertido ver o jogo com o Uruguai num bar de desporto em Zurique, mesmo que tenhamos perdido.

 

Pode não ter sido muito, sobretudo em comparação com o Euro 2016, mas estou grata.

 

  • Qualificação para a fase final da Liga das Nações

 

A Seleção tinha um desafio considerável neste outono: conseguir o Apuramento para a final four da Liga das Nações, perante adversários de algum calibre, sem a sua maior referência. Não sendo uma tarefa dantesca, não seria fácil.

 

Felizmente Portugal passou no teste. Qualificou-se para a fase final, sem derrotas (foi a única equipa da Liga A a consegui-lo), com pelo menos duas boas exibições, nos dois primeiros jogos.

 

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O primeiro decorreu na Luz, frente à Itália. Portugal venceu por uma bola a zero, com golo de André Silva e uma exibição agradável. É certo que houve demérito da parte dos italianos, mas sempre foi a primeira vitória de Portugal perante a Itália em décadas, em jogos oficiais.

 

Por sua vez, o segundo jogo do grupo, perante a Polónia, teve uma boa exibição do coletivo. Ganhámos por três bolas contra duas. Destaque para os três Silvas – Rafa Silva, André Silva e Bernardo Silva – responsáveis pelos golos portugueses.

 

Os dois jogos seguintes foram menos conseguidos. O jogo com a Itália, em San Siro, resultou num empate a zeros – fraquinho, mas ao menos selou o Apuramento. O jogo em casa, com a Polónia, serviu apenas para cumprir calendário. Teve, portanto, a qualidade exibicional de mais um particular.

 

Podia ter sido um bocadinho melhor, nas não se podia exigir mais. Esta nova geração de talentos colocou-nos em mais uma fase final de um campeonato de selecções (albergada por nós, ainda por cima!) e deixa boas indicações para o futuro das Quinas.

 

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Já se sabe que vamos jogar com a Suíça, nas meias-finais. Não foi um mau resultado para este sorteio – é uma equipa que conhecemos bem, da Qualificação para o Mundial 2018. Mas é evidente que não vai dar para facilitar.

 

Falando de resultados de sorteios, também acho que tivemos sorte com os adversários do Apuramento para o Euro 2020. Sorte é como quem diz… Este grupo é uma seca. Sérvia? Ucrânia? Para não falar da Lituânia e do Luxemburgo. Não são o tipo de jogos por que uma pessoa anseie.

 

Espero que tenham aproveitado a fase de grupos da Liga das Nações e que, depois, aproveitem a final four. Vai ser toda a excitação a que teremos direito até, pelo menos, ao fim de 2019.

 

Um pormenor engraçado em que reparei há tempos, quando explicava o funcionamento da Liga das Nações e do Apuramento para o Europeu, é que a constituição dos grupos funciona de maneira oposta, de uma competição para a outra. Na Liga das Nações, somos agrupados com equipas de nível teoricamente semelhante ao nosso – para aumentar a competitividade e o interesse dos jogos.

 

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Por sua vez, os grupos de Qualificação são constituídos por equipas de “escalões” diferentes. Para que, pelo menos em teoria, sejam as equipas mais fortes a Apurar-se para o Europeu. Faz sentido mas, tirando várias notáveis exceções, não são jogos muito apelativos.

 

Parece ser esse o caso do nosso grupo de Qualificação. Ainda assim, não seria de todo estranho se nos atrapalhássemos perante estes adversários, teoricamente fáceis. Temos essa triste mania. Sempre daria um bocadinho de emoção a este Apuramento, mas eu prefiro não brincar com o fogo.

 

E foi isto 2018. Escrevi um pouco mais da parte d’O pior, mas isso não significa que o ano tenha sido assim tão mau. Apenas que tive mais a dizer sobre as partes más do que sobre as partes boas – às vezes acontece.

 

Admito que 2018 não foi tão bom como os anos anteriores, pelos motivos que listei acima. Mas não foi de todo um ano mau. Já apanhei a minha quota parte de anos maus da Seleção e este não foi um deles. Nenhum tem sido mau desde 2014. Desde que Fernando Santos assumiu o leme, por sinal – embora isso esteja longe de ser o único fator.

 

Esperemos, então, que 2019 seja melhor que 2018. Mais especificamente, que Portugal consiga a Qualificação direta para o Euro 2020 e que se saia bem na final four da Liga das Nações – de preferência levantando o troféu.

 

Obrigada por tudo o que fizeram por mim e por este blogue em 2018. Desejo-vos um resto de 2019 muito feliz, com saúde (mas não muita muita, que senão fico sem emprego), objetivos cumprimos, bons jogos e muitos golos da Seleção. Em março haverá mais.

 

Os que cá estão

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Na próxima quinta-feira, dia 11 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará a sua congénere placa, em jogo a contar para a fase de grupos da Liga das Nações. Três dias mais tarde, defrontará a sua congénere escocesa, em jogo de carácter particular.

 

Desta vez, a Convocatória para esta dupla jornada não difere muito em relação à anterior. Entre as poucas novidades, inclui-se o regresso de Éder, o que é sempre bom, claro. A sua Chamada não surpreende: consta que ele anda a atravessar um bom momento no Lokomotiv de Moscovo. Ainda no outro dia, marcou um golo que me deixou de queixo caído – golo esse que anulou uma desvantagem aos oitenta e sete minutos, relançando a partida. O clube de Moscovo acabaria por vencer.

 

O Éder tem uma queda para momentos heroicos, dá para ver.

 

Por seu lado, Hélder Costa é a novidade absoluta. Não sabia muito sobre ele antes desta Convocatória. Segundo o que li, Hélder foi formado no Benfica, andou de um lado para o outro em empréstimos até, finalmente, encontrar o seu lugar no Wolverhampton – consta que foram os adeptos a pressionar o clube para contratá-lo, após ter passado lá uma época. Talvez Hélder já pudesse ter vindo à Seleção antes, mas mais vale tarde do que nunca.

 

Vamos ter de falar sobre Cristiano Ronaldo pois este, mais uma vez, excluiu-se voluntariamente da Convocatória. Já se sabe, aliás, que ele não regressa à Seleção este ano. Desta feita, ninguém se deu ao trabalho de dar uma desculpa – Fernando Santos disse apenas que foi combinado entre ele, Ronaldo e o presidente da Federação.

 

Para ser sincera, não estou para me chatear mais com este assunto. Ronaldo já deve estar com um pé e meio de fora da Turma das Quinas, não vale a pena contar com ele. Portugal saiu-se bem sem o madeirense na última dupla jornada, há de sair-se bem nesta. Só fazem falta os que cá estão.

 

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Além disso, aqui entre nós, à luz dos últimos acontecimentos, estou aliviada por não termos de trazer o assunto para a concentração da Equipa de Todos Nós. Não me vou pronunciar sobre o caso, pelo menos não por agora – outros já se pronunciaram melhor.

 

Vamos, então, voltar a ver os nossos amigos polacos, depois dos oitavos-de-final do Euro 2016. Se em se recordam, não foi um jogo brilhante, mas teve bons momentos. Como o golo do Renato Sanches e, claro, o famoso “Tu bates bem!”.

 

É assim que recordo os jogos desse Europeu, tirando a final e os dois primeiros, de resto: longe de brilhantes, não figurarão em nenhuma lista de top 10, estilo a minha, mas tornaram-se especiais por nos terem levado à final e por momentos como os que referi acima.

 

Há que recordar que o historial português perante a Polónia não joga a nosso favor. Só ganhámos metade dos jogos (isto é, se considerarmos o jogo do Europeu, decidido nos penáltis, uma vitória). O Mundial não correu bem aos polacos – ficaram em último no seu grupo e trocaram de selecionador após a competição – mas empataram com a Itália. Esta Polónia estará ao nosso alcance, na minha opinião, mas como o costume não convém facilitar.

 

No domingo, teremos um jogo de preparação com a Escócia. Graças a Deus, um jogo da Seleção ao fim de semana! Por uma vez, vou poder ver ambos os jogos de uma dupla jornada, sem o meu trabalho a atrapalhar.

 

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O historial perante os escoceses é ainda menos favorável que perante os polacos. No entanto, o último jogo foi em 2002, também um particular. Ganhámos com dois golos de Pedro Pauleta.

 

A única coisa de que me recordo desse jogo é de estar a chover a potes e de ver os jogadores escorregando e deslizando pelo campo fora. Parecia o Slide & Splash. Durante muito tempo, assumi que esse jogo tinha decorrido na Escócia – toda a gente sabe como é o tempo no Reino Unido – mas pelos vistos não. Foi em Braga.

 

Desta feita, o jogo será mesmo na Escócia. Talvez também chova – em Portugal deverá chover, de acordo com as previsões. Como o habitual neste tipo de encontros, o resultado será o menos relevante. A Turma das Quinas está numa fase de transição. Jogos como este dão jeito para criar rotinas, sobretudo entre os mais jovens, dar-lhes oportunidades de mostrarem o seu valor – mesmo que sejam fraquinhos em termos de entretenimento.

 

Não há muito mais a dizer sobre estes jogos, na verdade. Confesso que pus a hipótese de não escrever esta crónica. Continuo desmotivada para o futebol e o que anda a acontecer com Ronaldo não ajuda. Tenho andado, além disso, a atravessar uma fase menos boa, irritada com quase tudo, sobretudo comigo mesma.

 

Decidi escrever este texto pelos Marmanjos. Por aqueles que tão bem nos representaram na última dupla jornada – sobretudo perante a Itália, comigo nas bancadas. Por aqueles que estão de volta agora para fazer o mesmo. Por aqueles não inventam desculpas, que não viram as costas, mesmo que sejam só particulares ou provas de menor interesse, como esta Liga das Nações. Por aqueles que estão a construir o futuro da Equipa de Todos Nós, uma geração que quer dar-nos tantas alegrias como a anterior, ou ainda mais.

 

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Estes Marmanjos, os que cá estão, merecem este esforço da minha parte (que não é assim tão grande, admito. A parte mais difícil para mim é mesmo arranjar motivação para começar). Estes Marmanjos merecem isto e muito mais.

 

Esta não é a primeira e não vai ser, de certeza, a última vez que usarei a Seleção como consolo, de resto. Vou tentar deixar as minhas neuroses de lado e concentrar-me na Equipa de Todos Nós, ao longo do que resta da semana. Se quiserem ajudar-me com isso, podem fazê-lo através da página de Facebook deste blogue, aqui.

Entrando no futuro

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Na passada quinta-feira, 6 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou a uma bola com a sua congénere croata, no Estádio do Algarve, em jogo de carácter particular. Quatro dias mais tarde, venceu a sua congénere italiana, no Estádio da Luz, em jogo a contar para a fase de grupos da primeiríssima edição da Liga das Nações… e eu estive lá!

 

Comecemos pelo jogo com a Croácia. O onze inicial português incluiu muitas novidades – só se repetiram quatro titulares relativamente ao jogo com o Uruguai. Resultou bem, ao princípio, com bastantes iniciativas por parte dos portugas. Bruma, em particular, teve uma oportunidade logo aos três minutos.

 

A Croácia, no entanto, quando tinha a bola, criava perigo. Foi assim que surgiu o primeiro golo da partida, aos dezoito minutos, após um erro de Rúben Neves – que, por sinal, tinha acabado de cobrar um livre com muito perigo.

 

Felizmente, Portugal não se deixou abalar demasiado, começou logo à procura da igualdade. E conseguiu-a. Pouco após a meia hora de jogo, na sequência de um canto em que o centenário Pepe cabeceou para as redes, após um cruzamento de Pizzi.

 

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Eu ia no carro ouvindo o relato na rádio, quando o Pepe marcou. Aproveitei para cumprir, pelo menos em parte, um desejo antigo da minha bucket list: comemorar um jogo da Seleção com uma buzinadela. Na verdade, a minha ideia era comemorar assim um golo mais “importante” (isto é, num Europeu ou Mundial), por isso, foi uma buzinadela rápida.

 

E de qualquer forma, o problema desse desejo é que, se há um jogo da Seleção num campeonato desses, vou querer estar em frente a uma televisão, não a conduzir.

 

Em todo o caso, fiquei feliz por Pepe ter marcado na sua centésima internacionalização. Eu assino por baixo de todas as homenagens que lhe têm feito – a que lhe fizeram antes do jogo com a Itália deu-me arrepios. Portugal deve muito a um cada vez mais imperial Pepe – sobretudo por causa do seu papel no nosso primeiro título.

 

Mesmo que ele nem sempre tenha sido exemplar, nunca se pôs em causa o seu camisola. Custa a acreditar que já lá vão quase dez anos – mas por outro lado, ele tem sido um dos pilares, uma das constantes da Seleção. Vai ser estranho quando ele se retirar (espero que ainda estejamos longe disso).

 

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Por outro lado, quando vimos repetições do golo, a minha irmã perguntou se os polegares na boca eram para as filhas ou para os miúdos da Seleção. Fica o mistério.

 

Durante o resto do jogo, Portugal não deixou de dominar. Nem mesmo depois das substituições, que baixaram a média das idades da equipa para pouco mais de 22 anos – é uma delícia olhar para este grupo e ver tanto talento. Desde Bernardo Silva, claro, passando por Rúben Neves, Bruma (que esteve em grande nestes jogos, numa altura em que eu mal pensava nele), Rúben Dias, Mário Rui, João Cancelo (de novo com boas exibições, após um par de jogos infelizes pela Seleção), Gelson Martins, Bruno Fernandes (a minha irmã “ralhando” com ele, por querer sempre fazer bonito e rematar de longe)... e uns quantos que ainda não foram Convocados.

 

Infelizmente, o domínio não chegou para marcar mais golos.

 

É algo que acontece com alguma frequência com equipas jovens e relativamente inexperientes: muita parra e pouca uva, muito domínio e pouco bolo. Equipas mais experientes são mais afinadas, sabem ser cínicas quando é necessário. É nestes momentos que Ronaldo ainda faz falta à Seleção.

 

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Em todo o caso, chegou para o empate e foi apenas um particular. Não foi mau, tendo em conta que, no outro lado, estavam os atuais vice-campeões do mundo.

 

Por outro lado, poucos dias depois, a Croácia seria goleada pela Espanha. Talvez tenha havido demérito dos croatas.

 

Falemos do jogo com a Itália – desta feita a doer, o nosso primeiro jogo na novíssima Liga das Nações. Conforme disse antes, estive lá com a minha irmã – mais especificamente, atrás da baliza sul. A minha irmãzinha sportinguista pôde matar saudades de Rui Patrício.

 

Portugal repetiu o onze do jogo anterior e dominou ainda mais que perante a Croácia. A Itália pouco apareceu no jogo. As coisas começaram mais ou menos equilibradas, mas cedo o equilíbrio deslocou-se a favor dos portugueses. Infelizmente, estando nós atrás da baliza de Patrício, não conseguíamos ver muito bem a ação do outro lado do campo…

 

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Uma coisa em que deu para reparar, no entanto, foi que Portugal defendeu bem. Rui Patrício não precisou de se esforçar muito, mas os outros também não comprometeram. Eu, na altura, não me atrevi a comentá-lo em voz alta, não fosse dar azar. Enfim, superstições minhas…

 

Felizmente, o único golo da partida foi marcado na baliza sul, na segunda parte. Bruma fez uma de várias arrancadas, centrou, a bola de alguma forma foi parar a André Silva, que chutou para as redes.

 

Pelos vistos, a falta de inspiração do André, no jogo com a Croácia, não passou disso mesmo: de falta de inspiração.

 

Podíamos ter chegado ao 2-0 uns minutos mais tarde, com um remate de Bernardo Silva à entrada da área. O guarda-redes italiano teve de esmerar-se – Pepe e Rúben Dias (penso que era ele…) até foram dar-lhe os parabéns depois desta.

 

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Houveram várias outras oportunidades parecidas. Só perto do fim é que os italianos deram um ar de sua graça, embora apenas tiros de pólvora seca. Ainda assim, Portugal não chegou a matar o jogo. Não deu para ficar descansada. Mas o apito final veio e os três pontos ficaram garantidos.

 

Como tínhamos comentado antes, esta não era uma jornada dupla fácil, mas os Marmanjos passaram no teste. Podiam ter-se saído melhor, sim, mas ganharam um bom avanço para a fase final da Liga das Nações. Estou muito orgulhosa da Seleção, sobretudo dos mais novos, pelo que fizeram nesta dupla jornada.

 

Nesta altura do campeonato, sinto que estamos a entrar no futuro, com tudo o de bom e o de mau que vem com ele. Alguns começam a ser deixados para trás – constantes como João Moutinho, Bruno Alves, Nani. Mesmo Cristiano Ronaldo já esteve mais longe. Como em tudo na vida, os mais jovens acabarão, mais cedo ou mais tarde, tomar o lugar deles, os mais velhos.

 

Vou precisar de algum tempo para me habituar a essa inevitabilidade. Não vai ser fácil despedir-me de jogadores que acompanhei durante uma década, ou mais, que cresceram comigo, que conquistaram o primeiro título da Equipa de Todos Nós. Ao mesmo tempo, no entanto, estou ansiosa por ver o que estes miúdos podem fazer, por criar memórias com eles, escrever a história deles.

 

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Por outro lado, estou a tentar não “embandeirar em arco”, como diz Fernando Santos. Foram apenas dois jogos e existem atenuantes. Como vimos antes, a Croácia pode não estar assim tão bem, para perder daquela forma com a Espanha. E os italianos andam com crises existenciais desde que falharam o Mundial 2018 – o que não é de admirar.

 

Não, não vai ser fácil, isto ainda agora começou. Tal como Fernando Santos, quero muito chegar à final four (e, sobretudo, que esta decorra em Portugal) mas… um passo de cada vez.

 

Que venham os próximos!

 

Bandeira vermelha

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Na próxima quinta-feira, dia 6 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol receberá, no Estádio do Algarve, a sua congénere croata, em jogo de carácter amigável. Quatro dias mais tarde, receberá a sua congénere italiana, no Estádio da Luz, naquele que será o seu primeiro jogo na primeira edição da Liga das Nações… e eu estarei lá!

 

Antes de falarmos sobre os jogos em si, falemos sobre a Convocatória para esta jornada dupla. Nomeadamente… a ausência de Cristiano Ronaldo.

 

Na altura da Convocatória irritei-me, mas a azia já me passou. Bem, quase toda. A ausência terá sido combinada entre Fernando Santos e o Capitão, que se mudou há pouco tempo para a Juventus e precisa destas duas semanas para se adaptar (note-se que, até ao momento, ele ainda não marcou em jogos oficiais… ao contrário do Cristianinho, curiosamente).

 

A minha azia tinha vários motivos: para começar, o Ronaldo não é o primeiro e não será o último jogador a vir à Seleção pouco após mudar de clube. Se o Rui Patrício, o William Carvalho e os outros jogadores do Sporting que foram atacados durante o treino puderam disputar o Mundial, um mês depois, o Ronaldo não podia disputar dois míseros jogos dois meses depois de ir para a Juventus?

 

Ainda se compreendia se fossem dois particulares. Mas um dos jogos é oficial, o primeiro numa prova novinha em folha, perante a Itália – que pode não ser o tubarão que era há uns anos, mas não é nenhum Luxemburgo.

 

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Não estamos a ir longe demais nos favores? Se o Ronaldo quer sair da Seleção, que o assuma de uma vez, como um homem adulto! Ninguém lho levaria a mal. Luís Figo tinha a idade dele quando pendurou a Camisola das Quinas. Ficaríamos tristes (eu, quase de certeza, vou chorar quando isso acontecer), mas aceitá-lo-íamos. Agora, estes meios-termos não dão com nada.

 

Hoje, passados uns dias, já aceito melhor a decisão, dele e de Fernando Santos. Se por um lado, como disse acima, há muitos jogadores que não pedem dispensa por condições mais difíceis do que uma mudança de clube, também acredito que, se alguém pedisse ao Selecionador para não ser Convocado, ele aceitá-lo-ia. Fábio Coentrão, por exemplo, pediu para não ir ao Mundial da Rússia, pois está sempre à beira de uma lesão. E, se bem me recordo, Anthony Lopes pediu dispensa da Taça das Confederações por motivos pessoais.

 

Por outro lado, se um jogador se sente mais ou menos à vontade para fazer estes pedidos é outra questão, claro. Cristiano Ronaldo tem uma margem de manobra maior do que os outros.

 

As minhas objeções são mais uma questão de princípio. Na prática, até é capaz de ser uma boa opção técnica deixar Ronaldo de fora.

 

Para o melhor e para o pior, continuamos muito dependentes do nosso Capitão. Fernando Santos quer, claramente, começar uma nova era na Turma das Quinas: ao deixar de fora uns quantos titulares habituais e ao Chamar uma série de jovens, alguns novidades absolutas, alguns já antes Convocados mas pouco utilizados.

 

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Para além de ser uma boa altura para renovar, é uma boa altura para tentar resolver a nossa Ronaldodependência. Precisamos de crescer, de aprender a resolver os nossos próprios problemas, sem estar à espera que venha o Capitão-papá fazer o trabalho por nós. Intencionalmente ou não, Fernando Santos está a tirar-nos as rodinhas da bicicleta, a atirar-nos para a água, a ver se aprendemos a nadar para não nos afogarmos.

 

E, tendo em conta os nossos adversários, não vamos aprender a nadar na piscina das crianças. Vamos fazê-lo numa praia com bandeira vermelha.

 

Já resultou uma vez, antes.

 

Esta é, sem dúvida, uma dupla jornada interessante. Vamos enfrentar os atuais vice-campeões do Mundo… e a Itália. Há um ano ou dois, nunca imaginaria usar esta expressão para falar da Croácia.

 

Mas também, antes de 2016, poucos imaginariam usar a expressão “Campeões Europeus” para falar dos portugueses.

 

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O nosso historial recente perante a Croácia até tem sido favorável – destaquem-se os oitavos-de-final do Euro 2016 – mas depois do desempenho deles no último Mundial, de pouco nos serve o passado. Não, não vai ser um jogo fácil. Dou graças por ser apenas um particular.

 

Mas estou curiosa para saber como Portugal se sairá perante esta Croácia.

 

Falemos, então, sobre a Liga das Nações. É bastante excitante estarmos, agora, em vésperas da sua estreia, quatro anos após saírem as primeiras informações – e de ter escrito sobre elas. Este artigo explica bem as regras, caso ainda não as conheçam. São bastante simples. Eu apenas tenho algumas dúvidas em relação à parte da Qualificação para o Euro 2020. De qualquer forma, prefiro encarar isto como um jogo de tabuleiro novo: por muito que nos expliquem as regras no início, só se aprende jogando.

 

Vamos, então, estrear-nos nesta prova com a Itália, um adversário tradicionalmente complicado para os portugueses, mas que falhou o último Mundial – já não são o que eram. Guardamos, aliás, boas recordações do nosso último jogo contra eles. É certo que era uma Itália desfalcada, mas não deixou de ser agradável – sobretudo porque não lhes ganhávamos há décadas. Éder marcou o único golo da partida – foi nessa altura que senti o choque que quase toda a gente sentiria um ano mais tarde, depois da final de Paris.

 

Infelizmente, desta feita não temos Éder (nem Ronaldo). Mesmo assim, talvez consigamos ganhar. Quem sabe?

 

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O jogo será na Luz e eu vou lá estar, com a minha irmã – mais uma ocasião para usar a minha camisola. Até há um par de meses, estava previsto o jogo realizar-se em Alvalade. No entanto, as eleições no Sporting foram marcadas para dois dias antes do jogo. Logo, por uma questão de logística, a Federação achou por bem mudar o encontro para o outro lado da Segunda Circular.

 

Esta decisão causou alguma polémica nas redes sociais, não sem razão. Afinal de contas, Alvalade não recebe um jogo da Seleção há três anos (pergunto-me se é por os últimos jogos lá não terem corrido muito bem). Por sua vez, a Luz tem recebido um por ano, quando não recebe dois – o último foi há três meses!

 

No entanto, acho que a Federação fez bem. Da maneira como as coisas têm estado no Sporting, nos últimos tempos… Ainda nos arriscávamos a ter o presidente deposto em junho a barricar-se nos balneários com uma das seleções, mantendo os jogadores como reféns até lhe devolverem a presidência.

 

Vão dizer-me que isto é assim tão improvável? Há um ano, talvez… Mas agora?

 

Enfim. Talvez seja possível Alvalade receber outro jogo da Liga das Nações numa das próximas duplas jornadas, quando as coisas estiverem mais calmas no Sporting. De preferência com Bruno de Carvalho internado num hospício.

 

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Para já, o que interessa é que a Seleção vai jogar outra vez. Andei muito desinteressada do futebol este verão – em parte por estar ainda chateada por causa do nosso desempenho no Mundial, em parte por não gostar do mercado de transferências, em parte por causa da confusão no Sporting e, agora, no Benfica. Talvez estes jogos, este novo ciclo na Equipa de Todos Nós, me ajudem a limpar o palato, a recuperar o entusiasmo pelo futebol. Que este novo capítulo nos traga muitas alegrias.

 

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Portugal 1 Uruguai 2 – Sem arte nem engenho

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No passado sábado, a Seleção Portuguesa de Futebol perdeu perante a sua congénere uruguaia por duas bolas contra uma, em jogo a contar para os oitavos-de-final do Mundial 2018. Com este resultado, Portugal regressou a casa após uma participação que, sinceramente, soube a muito pouco.

 

No dia do jogo, estava na Suíça, de visita ao meu irmão. Ele levou-nos a um pub irlandês, daqueles com várias televisões, feitos mesmo para assistir a transmissões de desporto. Estavam lá alguns portugueses. É um conceito giro. Deviam abrir mais bares desportivos, como este, cá em Portugal.

 

Enfim, ver um jogo numa esplanada também é fixe.

 

Pena não ter saído feliz do bar. Nem quero falar muito acerca do jogo. Portugal sofreu um golo logo aos sete minutos. Suarez fez uma assistência de letra para Cavani que, nas costas de José Fonte e Raphael Guerreiro, cabeceou para as redes portuguesas.

 

Depois dessa, os uruguaios começaram a jogar à defesa. E fizeram-no com competência – enquanto nós nos fartávamos de perder bolas desnecessariamente.

 

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A Seleção, ao menos, entrou melhor na segunda parte, disposta a lutar pela igualdade, culminando no golo de Pepe, de cabeça, na sequência de um canto. Este foi o único golo neste Mundial que consegui festejar como deve ser: sem spoilers da vizinhança, sem estar no trabalho, gritando “GOLO!” em coro com vários outros adeptos.

 

Quando for o Europeu, daqui a dois anos, vou fazer tudo para, pelo menos, evitar os spoilers.

 

Infelizmente, a alegria não durou muito. Pouco mais de cinco minutos mais tarde, os uruguaios regressavam à vantagem, numa jogada em que Pepe ficou mal na fotografia, o meio-campo português foi inútil e Cavani estava completamente desmarcado. 

 

Passámos o resto do jogo a correr atrás do empate, sem sucesso. Cristiano Ronaldo seria muito aplaudido por ter amparado Cavani para fora do campo, quando este se lesionou, mas eu desconfio que ele queria evitar que o uruguaio perdesse tempo com fitas. Nos últimos minutos do jogo, Rui Patrício subiu mesmo ao meio-campo do Uruguai – sintoma típico de equipa desesperada. Eu acreditei até ao fim – não seria a primeira vez que um marcador funcionava à beira do fim.

 

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Não serviu de nada. A derrota manteve-se.

 

Muitos dizem que esta segunda parte foi a melhor prestação de Portugal no Mundial, mas não consigo concordar. Na minha opinião, nenhuma exibição pode ser considerada “boa” se o adversário consegue marcar sempre, ou quase sempre, que vem à nossa baliza. Como reza um dos Menos Ais, “vitórias morais não têm arte nem engenho”. Não tinha saudades nenhumas – nenhumas – de “jogar bem” e perder.

 

Foi isto a nossa participação no Mundial, em suma: um inusitado empate com a Espanha, onde só deu Ronaldo; uma exibição sofrível perante Marrocos, que ao menos deu três pontos; uma exibição melhorzita perante o Irão mas que só chegou para o empate; uma boa exibição perante o Uruguai, mas sem eficácia e com erros defensivos. Foi melhor que 2014, é certo, mas não que 2010. Era irrealista apontar para o título, mas acho que todos esperávamos mais da Seleção Campeã da Europa.

 

Eu definitivamente esperava mais. Esperava ficar no Mundial até às meias, ou pelo menos aos quartos-de-final.  Como referi antes, só pude festejar um golo como deve ser. E queria ter assistido a pelo menos um jogo no Terreiro do Paço, na fan-zone, onde fui entrevistada.

 

O Mundial continua sem nós e eu confesso que não tenho grande vontade de ver os outros jogos. Não sou daquelas pessoas que, aquando do apito final, declararam prontamente que o Mundial para elas acabara. Não sou assim tão lusocêntrica. Mas não consigo evitar pensar, sempre que passam jogos ou vejo notícias sobre o Mundial, que nós podíamos ainda estar lá.

 

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Não ajuda saber que outras grandes seleções, como a Alemanha, a Espanha e a Argentina, também já vieram para casa. Pelo contrário, com uma boa parte dos tubarões fora da corrida, esta era uma boa oportunidade de tentar o título.

 

Agora que estamos fora, não torço por ninguém em particular. Só não quero que a França ganhe.

 

Já conto catorze anos disto, uma mão-cheia de campeonatos de seleções, mas derrotas como esta não deixam de doer. É possível que doa mais agora, já que não tivemos de lidar com finais infelizes durante quatro anos (como escrevi na altura, a Taça das Confederações não me desiludiu por aí além).

 

Ao menos agora podemos consolar-nos recordando a final de Paris. Mais: são muito poucas as mágoas que não se curam com uma tablete grande de chocolate e o documentário “10 de julho”.

 

Há de passar. Se Fernando Santos e a Federação em geral fizerem as coisas como deve ser, hão de olhar para este Mundial, perceber porque é que não resultou e procurar corrigir os erros, para os próximos compromissos da Seleção. Daqui a dois meses começa um novo ciclo, com a Liga das Nações, uma prova novinha em folha, e a Qualificação para o Euro 2020. Os Europeus costumam correr-nos melhor, talvez dê para defendermos o nosso título… mas não nos adiantemos.

 

Um agradecimento a todos os que acompanharam o Mundial da Seleção comigo, quer através do blogue, quer através da página do Facebook. Nos próximos dois meses o blogue estará em pausa e mesmo a página terá menos atividade. Em setembro haverá mais. Obrigada e até à próxima.