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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Portugal 2 Estados Unidos 2 - Inverno

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No passado domingo, dia 22 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou, em Manaus, a sua congénere norte-americana, em jogo a contar para a fase de grupos do Campeonato do Mundo da modalidade. Tal encontro terminou com um empate por duas bolas no marcador, deixando a Seleção praticamente eliminada do Mundial, ficando obrigada a golear o Gana, no jogo de amanhã, quinta-feira dia 26 de junho, e a esperar que a Alemanha ganhe aos Estados Unidos.

 

Visto que a minha irmã não estava em casa e eu não queria assistir ao jogo só com os meus pais, assisti a esta partida numa esplanada. O encontro até começou bem para o nosso lado, com aquele golo, bafejado pela sorte, de Nani. Gritei em coro com toda a gente na esplanada, feliz por, aparentemente, estarmos vivos e termos ainda uma palavra a dizer neste Mundial, por Nani, depois de tudo porque passou nos últimos tempos, depois de ter falhado a África do Sul, ter finalmente marcado um golo num Mundial.

 

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Ele merecia mais do que isto. Mas ainda não é altura de ir por aí.

 
Todos sabíamos que o 1-0 era um resultado perigoso, que tínhamos de marcar o segundo golo o mais rapidamente possível para matarmos o jogo. Só que esse golo nunca mais vinha e os americanos não desistiam de tentar anular a vantagem. Os portugueses iam tentando mas estavam tão lentos, era uma coisa parva, não sei se por causa do clima ou da sua forma física. Provavelmente por causa de ambos. Este jogo veio a confirmar aquilo de que já se suspeitava fortemente na segunda-feira anterior: em termos físicos, os jogadores portugueses estão um farrapo. Prova disso foi a lesão de Hélder Postiga, aos treze minutos. A sua saída acabou por não ser demasiado prejudicial, pois Éder revelou-se um dos mais inconformados ao longo de todo o jogo - não que isso tenha sido suficiente. 
 
Há que dizê-lo, os portugueses jogaram melhor que na segunda-feira anterior e viu-se que eles se esforçaram. No entanto, a fraca forma física revelou-se mais forte que a vontade. A verdade é que, tal como já tinha dito anteriormente, não é normal ocorrerem tantas lesões. Não acredito em "azar" ou coincidências - às tantas, aquele bruxo do Gana, que queria lesionar Ronaldo, foi tão eficaz que lesionou, não só o madeirense, como também três quatros da Seleção Portuguesa. Não sou, nem de longe nem de perto, a melhor pessoa para tecer julgamentos sobre esta matéria, mas devem ser fornecidas explicações sobre a situação. As que Henrique Jones e Humberto Coelho forneceram não me convencem. O mesmo se passa com a questão do clima. Conforme tem sido dito, de repente o País ficou cheio de especialistas em climatologia. No entanto, conforme tenho lido, não existem verdades absolutas nesta matéria. Não se sabe o que é melhor, se estagiar em condições adversas, semelhantes àquelas em que decorrerão os jogos, sob o risco de estas se revelarem demasiado agrestes para os jogadores treinarem, ou estagiar em condições ótimas para o treino mas diferentes das dos jogos. O que parece relativamente consensual é que este Campeonato do Mundo não foi preparado adequadamente.
 
Mas regressemos ao jogo.
 

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Ao início da segunda parte, tive esperanças de que os portugueses tivessem aproveitado o intervalo para se hidratarem e recuperarem as forças para correrem atrás do segundo golo. Não foi bem isso que aconteceu. Os portugueses continuavam tão lentos como em todo o jogo. Nem falo dos crónicos problemas na finalização - eles desperdiçavam cada uma... Acabou por acontecer o que se adivinhava havia pelo menos meia hora: os americanos marcaram. 
 
Os portugueses até pareceram acordar com este golo, ainda tentaram correr atrás do resultado, mas acordaram tarde demais. Paulo Bento mandou entrar Varela e eu até me lembrei de um lendário outro segundo jogo de fase de grupos. Ainda tive esperanças num desfecho semelhante. No entanto, não estávamos em 2012, em que havia frescura suficiente para alimentar a fase do "Ai Jesus!", frente à Dinamarca. Cedo aconteceu o pior: os Estados Unidos colocaram-se à frente no marcador. Houve quem reclamasse do fora-de-jogo no início da jogada, mas Portugal tinha tido mais do que oportunidades para evitar aquele desfecho.
 
Talvez aquela tenha sido a gota de água que fez com que, ao fim de todos estes anos, o copo derramasse, talvez uma parte de mim tenha deixado de acreditar logo aquando do desastroso jogo com a Alemanha. A verdade é que, poucos minutos após este golo, o meu estado de espírito era, para minha própria surpresa, de indiferença, de resignação. Percebia que este Mundial, pura e simplesmente, não estava fadado para nos correr bem (ai, o tão português fatalismo desta frase...). De tal maneira que nem festejei quando Varela marcou, em cima do final do jogo. Se por um lado o Drogba da Caparica voltava a dar uma de Salvador da Pátria, dando a Portugal uma ínfima hipótese de permanecer no Mundial, por outro lado, pode ter apenas adiando o inevitável. 
 

Já devem ter percebido que não, não acredito que Portugal vá além da fase de grupos deste Campeonato do Mundo. Mesmo que se dê o milagre e a Sorte seja favorável às cores lusitanas, duvido que tenhamos pernas para ir muito mais longe. Em teoria, soa melhor dizer que Portugal chegaria aos oitavos do Mundial em vez de dizer que não foi além da fase de grupos. Na prática, duvido que consigamos apagar a má imagem que temos deixado, com destaque para o nosso jogo de estreia.

Sinto-me tentada a partir já para as alegações finais, como se Portugal estivesse já fora do Brasil. No entanto, não me parece legítimo estar a escrever sobre as supostas razões do que está a ser uma péssima prestação, não quando a porta dos oitavos-de-final ainda não está definitivamente encerrada.

Posso já dizer, contudo, que isto não está a ser nada como estava à espera. Disse anteriormente que este Mundial seria como o verão - não está a sê-lo. Foi-o, de certa forma, durante as semanas de preparação, mas terminou com o jogo com a Alemanha. Agora está a ser como o inverno - o que até condiz com a meteorologia dos últimos dias. Talvez seja por isso que, também, não estou com grande pena de que isto possa acabar já amanhã. Ando, aliás, a desejar regressar às semanas, ou meses, antes do Mundial, ou mesmo ao ano passado - aos tempos inocentes em que podíamos, ainda, sonhar com um bom Campeonato do Mundo.

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Admito que o "eu" de há um ano ou dois, ou talvez mesmo de há uns meses, provavelmente desprezar-me-ia por estar a desistir tão "facilmente". Parte de mim, neste momento, até concorda: eu devia estar revoltada contra as previsões mais pessimistas, devia continuar a acreditar teimosamente, mesmo desesperadamente, como nos últimos tempos. É bem possível que isto seja apenas cansaço, um momento de desânimo, que daqui a umas semanas venha a sentir saudades destes dias. Contudo - embora isto não sirva, de modo algum, de desculpa - conforme já disse amiudadas vezes anteriormente, quando se passa tanto tempo como eu passo a tentar puxar pelos jogadores, a convencer os demais a puxar pelos jogadores, uma pessoa precisa de alguma espécie de retorno. Que, neste Mundial, tem sido nulo, independentemente dos responsáveis por essa situação.

Uma coisa, no entanto, não muda. Eu continuo aqui, no meu blogue, na minha página. Ainda que a minha fé tenha atingido mínimos históricos, continuarei a puxar por eles e a esperar um desfecho favorável às cores portuguesas. Nem eu sei explicar porque insisto nisso, talvez seja masoquismo, talvez seja porque é o meu clube, são os meus heróis e, conforme dizia numa curta-metragem que vi no outro dia, uma pessoa não abandona os seus heróis. É algo semelhante que, de resto, peço aos nossos jogadores para a partida de amanhã, frente ao Gana: mesmo que já não dê para passar, que tentem conseguir uma vitória ou, pelo menos, uma exibição decente, para ao menos sairmos deste Mundial de cabeça erguida. Não faltará, certamente, tempo para se fazer a análise completa ao fracasso, que parece inevitável. De qualquer forma, qualquer que seja o desfecho, eu estou aqui e sempre estarei. 

Dinamarca 2 Portugal 3 - Com o espírito do Dragão

Ontem, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou a sua congénere dinamarquesa num jogo da segunda jornada da fase de grupos do Euro 2012, saindo de lá com uma vitória por três bolas contra duas. Foi um jogo daqueles, típicos da Turma das Quinas em fases finais de campeonatos de seleções, inadequado para corações fracos. Eu, pelo menos, há anos que não gritava tanto durante um jogo, que não estava tão histérica. Ainda bem que os meus pais não estavam em casa... 

Vi o jogo com a minha irmã, a melhor amiga dela, que estava em videoconferência a partir de sua casa, e com muitas mais pessoas através do Twitter. No início do encontro, estava mais nervosa do que o habitual. Talvez por causa do café que tinha tomado pouco antes, talvez porque, inconscientemente, antecipava o sofrimento que seria a partida. A maneira como a Seleção entrou em campo em nada me ajudou a manter a calma. 

Houve um lance em que Bendtner - que acabou por ser um dos grandes protagonistas do jogo, por vários motivos - pisou Pepe. No Twitter, começaram muitos a goza, invocando os inúmeros, digamos, acessos de mau génio do luso-brasileiro para com outros jogadores, ao serviço do Real Madrid. "Foge Bendtner!", dizia um. "Bendtner não vai acabar o jogo sem sair lesionado", dizia outro.

Contudo, Pepe arranjou melhor forma de se vingar. Marcou um golo.


Este foi a segunda vez que o luso-brasileiro marcou o primeiro golo da Seleção num Europeu - recorde-se o golo frente à Turquia, na nossa estreia no Euro 2008. Depois dessa, Pepe ainda marcou uma vez em setembro de 2009, frente à Hungria. De todas as vezes que o luso-brasileiro fatura envergando as cores de Portugal, ele bate com força do peito, do símbolo das Quinas estampado na camisola, mesmo sobre o coração, agarra-o com força - já havia reparado nisso ao fazer as minhas montagens de vídeos da Equipa de Todos Nós. Ontem, chegou mesmo a beijá-lo. Como que a mostrar ao Mundo que tem o nosso País no coração, apesar de as suas raízes serem outras. São gestos bonitos.

E, como já tinha dito acima, foi uma forma bem melhor de se vingar da pisadela de Bendtner do que responder à letra, arriscando-se a cartão ou pior...

Embora, por outro lado, talvez tivesse sido melhor para a nossa pressão arterial se ele tivesse feito com que o dinamarquês saísse mais cedo, numa maca.

Estou a brincar!

A televisão da amiga da minha irmã estava ligeiramente mais adiantada do que a nossa. Portanto, aquando deste primeiro golo, ela festejou-o uns segundos antes de nós. Não que isso tenha estragado muito o sabor mas, de qualquer forma, depois desta, decidimos que, sempre que a Seleção atacasse, colocaríamos o computador em silêncio. Se soubéssemos sempre de antemão como é que cada jogada ia acabar, estando esta ainda a decorrer no nosso televisor, o jogo perdia a piada quase toda.

Acho que seria cómico visto de fora. A Seleção partindo para o ataque, eu cruzando os dedos, agarrando o meu velho cachecol, inclinando-me para a frente, em direção ao televisor, enquanto dizia:

- Tira o som.


Pouco depois, foi marcado o segundo golo, desta feita sem o aviso prévio de uma televisão mais adiantada do que a nossa. Quando vi que tinha sido o Hélder Postiga a marcar, berrei:

- ESTE É P'RA MIM! ESTE É P'RA MIM! ESTE É P'RA MIM! EU DEFENDI-O NA TELEVISÃO! EU SABIA! ESTE É P'RA MIM! - a minha irmã até se assustou...

Claro que, depois deste golo, toda a gente comentou que ele até era um dos melhores marcadores do Saragoça, que este era o seu vigésimo golo com a camisola das Quinas. Como seria de esperar. Eu cá nunca deixei de acreditar no Hélder. Tinha-o defendido cá no blogue, tinha-o defendido quando fui ao "A Tarde É Sua". E embora tivesse admitido que não seria má ideia o Nélson Oliveira alinhar de início, fiquei secreta e irracionalmente satisfeita quando Paulo Bento anunciou que o Hélder seria titular frente à Dinamarca. Tinha até um pressentimento de que ele marcaria à Dinamarca. E não me enganei.

Por isso, peço desculpa mas este golo foi para mim. Eu mereci-o. Obrigada Hélder! Obrigada por não me teres deixado ficar mal na televisão.



Uma referência ainda a Nani, que esteve bastante bem no jogo. Esta assistência no golo de Hélder Postiga foi apenas um exemplo. Não é de admirar. Antes do jogo, na página do Facebook, dei vários exemplos de grandes momentos do Marmanjo frente à Dinamarca, começando no pontapé de canto direto para a baliza, no seu jogo de estreia com a camisola das Quinas, acabando nos dois golos seguidos no Estádio do Dragão. E agora a assistência neste golo, ontem. Tinha de ser. O Nani tem, como diz o outro, uma certa queda para dinamarqueses.

O golo de Bendtner estragou-nos um pouco a festa, sobretudo aos mais verdes nestas coisas, como a minha irmã, que julgavam que o jogo já estava arrumado. Mas não estava. A Dinamarca ainda tinha uma palavra a dizer. Assim, chegou-se ao intervalo com a sensação de que o jogo havia acabado de começar.

A segunda parte do jogo trouxe muito sofrimento. Cristiano Ronaldo diria, mais tarde, que os dinamarqueses não fizeram quase nada na segunda parte, mas não foi essa a sensação com que fiquei - vi demasiadas vezes os nossos adversários atacando-nos. O facto de o Ronaldo não estar nos seus dias não ajudou em nada.



Nesta altura, já devem ter ouvido falar da reação nas redes sociais às oportunidades desperdiçadas pelo madeirense. Não estavam a brincar. Pelo menos no Twitter, quase exigiam a cabeça do Marmanjo numa travessa. Nesta altura, já tinha esgotado o meu limite de tweets, portanto, não contribui nem contrariei esta tendência, mas ia acompanhando-a.

A coisa piorou aquando do segundo golo de Bendtner, que repôs o empate. O golo não surpreendeu, depois de tanto ataque dinamarquês - mas não deixou de ser um valente balde de água fria. No Twitter, fartaram-se de culpar Ronaldo por este resultado, nos minutos que se seguiram, chegando mesmo a insinuar que ele devia era sair da Seleção - algo que eu considero inconcebível. Mas já lá vamos.

Eu continuava a acreditar que era possível reverter o resultado, mas não com muita convicção. Ou melhor, com mais desespero do que convicção. Só pensava que não queria ter de fazer contas, que não queria ter de fazer figas por equipa alheia. Vi Paulo Bento meter Varela e o filme começava a parecer-me familiar.


Só que, desta feita, o filme teve um desfecho diferente. Um desfecho feliz. Varela, também conhecido como o Drogba da Costa da Caparica, saltou do banco e salvou o dia. Achei imensa graça quando hoje, no Record, na página de humor, disseram que o Marmanjo ia passar a ser patrocinado pelo Instituto de Socorro a Náufragos, pois a sensação é mesmo essa: o Varela salvou a honra do convento! O seu golo foi, sem sombra de dúvida, o ponto alto de todo o jogo. Eu e a minha irmã gritámos como nunca, ao longo de minutos. Em Lviv, a euforia não foi menor. A Seleção em peso, suplentes e um ou outro técnico incluídos, saltou em peso para cima do herói. Foi lindo! Não me canso de ver estes festejos. Só tenho pena de não terem mostrado Paulo Bento nesta altura...

Mesmo assim, o sofrimento continou. A Dinamarca não deixou de atacar, poderia repôr o empate a qualquer momento. O árbitro deu quatro minutos de compensação - foram os quatro minutos mais longos da História do Futebol! Mas finalmente lá soou o apito final e o resultado ficou selado - algo que eu celebrei com mais um par de berros de triunfo, ao mesmo tempo que começava a ouvir buzinas e vuvuzelas vindas do exterior.

E pronto. Foi assim que a Seleção teve a sua primeira vitória do Europeu, a primeira vitória do ano. Vitória essa que lhe garantiu três pontos, três pontos que nos colocam de novo na corrida por um lugar nos quartos-de-final.



O Ronaldo é que, coitado, o jogo não lhe correu bem. Mas não me parece que isso justifique a onda de fúria contra ele, quando ele já fez muito pela Seleção - parecendo que não, ele já ajudou muito a Equipa das Quinas, seja assistindo e marcando golos, seja levando a equipa ao colo, seja em conversas de balneário. O povo tem memória curta mas eu, embora também às vezes tenha dúvidas, não me esqueço destas coisas.

Julgo que o problema é o mesmo da finalização: psicológico. As pessoas - incluindo, se calhar, ele próprio - andam a pressioná-lo demasiado, na minha opinião. Não se justifica porque, como ontem ficou provado, a Seleção é mais do que Cristiano Ronaldo, existem outros jogadores de valor para além dele, que podem fazer a diferença. Além disso, como disseram ontem no Twitter, ninguém estará mais desiludido do que ele. Ele bem pode dizer que o importante é a equipa, que não se importa que nos tornemos campeões sem que ele marque um golo que seja. Eu acredito que ele esteja a ser sincero mas também acredito que ele se sinta desiludido com o seu desempenho individual. A solução há de ser a mesma; quando ele marcar, o enguiço desaparecerá.

Independentemente da etiologia do problema, a crucificação por parto dos próprios adeptos nunca foi terapêutica eficaz. Neste momento, ele devia era ouvir mensagens de apoio.

De qualquer forma, tenho a certeza que ele vai ultrapassar esta fase má e que vai calar toda a gente que o critica. Como o fez há uns tempos no Real Madrid, segundo o que li num blogue. Parece que, depois de uma derrota no Barnabéu aos pés do Barcelona, os adeptos culparam-no pelo desaire, criando uma onda de ódio semelhante à que grassa cá em Portugal. Mas depois, o Ronaldo calou-os ao marcar um golo no jogo da segunda volta do campeonato, em Camp Nou, num jogo que lhes garantiu o título. Pode ser que o mesmo aconteça agora, pode ser que ele, frente à Holanda, se vingue de tudo isto.


Paulo Bento havia dito que se teria de recuperar o espírito do jogo no Estádio do Dragão para este encontro. E eu acho que este jogo teve, de facto, muitas semelhanças com o jogo de 8 de outubro de 2010. Nesse dia, tal como ontem, só a vitória interessava. Nesse dia, tal como ontem, sofreu-se - embora ontem tenha sido pior. Nesse dia, tal como ontem, a vitória deu-nos novo fôlego. Nesse dia, tal como ontem, a vitória não nos serviria de muito se não vencêssemos também o jogo seguinte.

Já deu para ver que jogos com a Dinamarca são sinónimo de sofrimento. Quer o desfecho seja feliz ou não para o nosso lado, nós sofremos sempre, por um motivo ou outro. Aquela malfadada reviravolta em Alvalade, no início da Qualificação para o Mundial 2010. O empate no ano seguinte, depois de termos estado a perder, que nos fez pegar na calculadora. A estreia de Paulo Bento depois do caso Queiroz. A agonizante derrota no ano passado que nos atirou para os play-offs. E o jogo de ontem - que me deixou atordoada horas após o seu término.


O pior é que ainda não estamos despachados com a Dinamarca. Ainda temos de disputar com ela um lugar nos quartos-de-final, ainda que não diretamente. Pelos artigos que tenho lido, nem tudo depende de nós. São umas contas bem manhosas estas, que dizem que nós podemos ser apurados com uma derrota e ficar pelo caminho com uma vitória. No entanto, é como eu disse hoje de manhã, no café: nós temos é de ganhar à Holanda, de preferência com vários golos. Se isso nos der o Apuramento, ótimo. Se não (três vezes na madeira!), não será por culpa nossa, pelo menos não completamente. Ao menos voltaremos a casa, com a consciência tranquila, sabendo que demos tudo por tudo.

Mas seria uma injustiça do catano!

E não será fácil ganhar à Holanda. Eu sei que ela perdeu com a Alemanha e com a Dinamarca, mas ainda me parece inverosímil que a atual vice-campeã do Mundo não passe da fase de grupos. Eles ainda podem qualificar-se e lutarão por isso. E, ao contrário do certas pessoas acham, não me parece que o nosso historial nos ajude a derrotá-los. Tanto eles como nós mudámos muito desde o Euro 2004 e o Mundial 2006. Não podemos esperar facilidades.

Eu acredito que é possível chegarmos aos quartos, que estes estão ao nosso alcance. A Seleção provou ontem que, apesar de nem sempre ter jogado muito bem, tem espírito coletivo, tem paixão, tem uma palavra a dizer neste Europeu. Mais uma vez, aqueles homens provaram que merecem o nosso apoio, a nossa fé - demoraram algum tempo, mas finalmente voltaram a prová-lo. Agora espero que o provem, mais uma vez, no próximo domingo, desmontando a Laranja Mecânica e garantindo um lugar no mata-mata.

Portugal 0 Brasil 0 - Dos grupos ao "mata-mata"

Devia ter escrito mais cedo, mas fui passar o fim-de-semana fora, sem acesso à Internet. Na Sexta-feira, a Selecção Portuguesa empatou sem golos com a sua congénere brasileira e qualificou-se para os oitavos-de-final. A passagem aos quartos-de-final será disputada com a Espanha, uma das principais favoritas ao título mas que não mete medo à Turma das Quinas.

Desta feita, fui assistir ao nosso terceiro jogo no Mundial ao Campo Pequeno na companhia de amigos. Ou melhor, assistimos ao jogo no exterior da Praça, ao ar livre, através de um ecrã gigante, juntamente com centenas de adeptos. A larga maioria eram portugueses, mas também havia um número considerável de brasileiros. Felizmente, o ambiente era amigável, não houve quaisquer desacatos. Do meu grupo, eu era a única que vinha "equipada", como disse a Inês: com um top, um boné e um cachecol de Portugal e ela nem viu as meias... Mas também se via gente ainda mais expressiva do que eu em termos de roupa. Também se ouviam vuvuzelas e buzinas que emitiam um som semelhante - e, realmente, aquilo acaba por fazer dores de cabeça ao fim de algum tempo. Ainda por cima, mais tarde, quando ia para o Metro, um deles teve a triste ideia de começar a tocar no túnel. Adicionem ao som incomodativo o eco de um túnel do Metro...

Foi bom ver o jogo junto àquela gente toda, cantar o hino em coro, de cachecol esticado, puxar pelos jogadores em coro, soltar exclamações de quase-que-era-golo em coro, gemer quando os outros apontam à nossa baliza em coro. O jogo até não foi mau, foi bastante equilibrado, ambas as equipas deram luta. Não foi o jogo intenso e vibrante que eu esperava de um Portugal-Brasil, mas também era difícil que assim fosse num jogo praticamente a feijões. Só faltaram mesmo os golos: tive imensa pena de não poder celebrar um golo em coro com aquela gente toda.

Na primeira parte, estranhei os cartões amarelos todos que o árbitro ia mostrando. Graças a Deus, que nenhum deles foi mostrado a um Navegador previamente amarelado. Se tivesse sido o Ronaldo, era o bom e o bonito. Na altura, cheguei mesmo a comentar com os meus amigos:

- Não acham que ele está a exagerar nos amarelos?

Outras coisas que também marcaram a primeira parte foram as constantes faltas sobre Pepe. O David até comentou:

- Os brasileiros estão mesmo zangados por ele se ter neutralizado português...

Eu tinha era medo de que aquelas entradas todas lhe agravassem a lesão.

Felizmente, as coisas pareceram acalmar-se na segunda parte. Portugal esteve mais vezes perto de marcar, mas o marcador teimava em não abrir. E manteve-se fechado até ao apito final. O Brasil ficou em primeiro lugar do grupo e Portugal ficou em segundo. Findo o jogo, aguardámos ansiosamente pelos jogos do grupo H, para saber quem era o nosso adversário. Eu ainda mantive a secreta esperança de que a Espanha ficasse em segundo, mas tal não aconteceu. Vamos hoje enfrentar os nossos vizinhos nos oitavos-de-final.

Quando se soube o resultado do jogo de Espanha, a primeira coisa que disse foi:

- Eu acredito em milagres.

Contudo, agora penso que não será propriamente um milagre se conseguirmos vencer os espanhóis. No início do Mundial eles eram a minha aposta, mas depois da derrota com a Suíça... Além disso, dizem que temos dos melhores ataques da prova - embora ache um bocado precipitado dizer isso, quando só marcámos num jogo, mesmo que tenham sido sete golos - e das melhores defesas - com esta concordo. Os grandes candidatos ao título (a Argentina, a Alemanha, a Holanda, o Brasil), bem como os ex-grandes candidatos ao título (a França, a Itália e a Inglaterra) já sofreram golos, mas nós não - e estivémos no "grupo da morte"! O Eduardo não deixa nada cruzar a linha de baliza! O Eduardo e não só.... também os nossos defesas. Tendo em conta os golos que sofremos, os jogos que perdemos, por "erros defensivos", é reconfortante pensar que a defesa já não é um problema.

Eu sei que a Espanha continua a ser uma forte candidata ao título, que a forma como se aborda um jogo em que os pontos contam é diferente da forma como se aborda o "mata-mata". Os castelhanos entrarão para ganhar. Contudo, também sei que os Navegadores se deixarão de rodeios e entrarão para ganhar. E mesmo que não entrem, mesmo que se ponham à defesa, mesmo que não marquem golos... bem, se não sofrermos golos, não somos vencidos. Por isso, é que acredito que a coisa se arrastará até aos penálties - isto se não marcarmos antes, o que eu duvido, mesmo assim. Se de facto chegarmos aos penálties tudo pode acontecer. Contudo, estou a pensar na primeira final da Taça da Liga, que opôs o Vitória de Setúbal ao Sporting. Não sei se já falei deste jogo cá no blogue. Na altura o Eduardo jogava pelo Vitória. Lembro-me de me rir ao ver o contraste entre o Eduardo, alto e bem constituído, e o guarda-redes do Sporting (o Rui Patrício?), um autêntico magricela - passe a expressão. Se não me engano, o Eduardo defendeu três penálties. Eu sei que não dá para comparar o Sporting com a Selecção Espanhola, mas...

Eu acredito na passagem aos quartos. Será difícil como o catano, mas não é de todo impossível. Ontem disseram-me que hoje faz dois anos desde que eles ganharam o Euro 2008 - 'bora estragar-lhes a enfeméride? 'Bora repetir Aljubarrota? 'Bora repetir o 1º de Dezembro? 'Bora repetir o jogo de 20 de Junho de 2004 (o primeiro a que assisti ao vivo, o jogo em que o Cristiano se estreou como titular na Selecçao)? Vamos fazê-los amaldiçoar o dia em que Afonso Henriques resolveu tornar o Condado Portucalense independente de Leão e Castela! Vamos a eles! Força Portugal!

Portugal 7 Coreia do Norte 0 - Das Tormentas à Boa Esperança e o Adamastor ficou cheio de Ketchup

Vinte e quatro horas atrás, se alguém me dissesse que, no encontro entre Portugal e a Coreia do Norte, a Selecção Nacional ia enfiar sete bolas na baliza adversária, sem resposta, eu diria:

- Meu, isso é delírio!

Mesmo agora, mais ou menos vinte e duas horas depois, ainda não consigo acreditar que ganhámos por uma margem tão grande. Nem nos meus sonhos mais irrealistas imaginava que íamos vencer por 7-0. Sete-zero!

Vou, então, recuar vinte e quatro horas. Como ia ter exame às duas da tarde, impossibilitando-me de ver o jogo todo, tinha vindo de manhã para a Faculdade. Como queria ver pelo menos a primeira parte, fui almoçar cedo. Tinha ouvido dizer que na Sala de Alunos da Faculdade de Medicina costumavam projectar os jogos, mas não queria almoçar lá. Naquela a que nós, os alunos, chamamos Cantina Velha, as refeições são mais baratas. Além disso, tinha esperança de que passassem lá o jogo também. Cheguei lá cedo, ainda antes de começarem a servir as refeições. Optei por comer lasanha de soja da Macrobiótica, mas vim comer cá para fora, que o dia estava bonito. Ao mesmo tempo, ia ouvindo a Antena1 através do meu leitor de MP3. Fiquei a conhecer a constituição do onze incial e que aquele estádio, na Cidade do Cabo, tinha até agora merecido a metáfora de "Cabo das Tormentas", visto que até agora ninguém tinha ganho lá, incluindo anteriores campeãs mundiais, como a Itála, a Inglaterra e o Paraguai. Seriam os portugueses, novamente, os primeiros a dobrar o Cabo das Tormentas, a transformá-lo em Cabo da Boa Esperança? Eu esperava que sim.

Outra coisa que ouvi era que o Verão começaria rigorosamente ao meio-dia e vinte e oito minutos, pouco antes de a Selecção entrar em campo. Desejei que fosse também a essa hora que acabasse de vez esta fase um pouco nublada da Equipa de Todos Nós.

Entretanto, o Nani tinha já enviado uma mensagem de apoio aos companheiros de Selecção:

Meus queridos guerreiros nacionais

Há 522 anos, o português Bartolomeu Dias conseguiu, pela primeira vez, ultrapassar o Cabo das Tormentas, demonstrando que era possível ultrapassar o extremo sul de África por mar, apesar das muitas tempestades e perigos. O nome foi mudado para Cabo da Boa Esperança e é esta esperança que hoje, quase sete séculos depois, vocês vão continuar a alimentar. Na mesma cidade, apesar de todas as dificuldades e perigos, contra ventos e marés, vocês conseguirão manter bem vivo o sonho português, conseguirão dobrar todas as tormentas.
E eu estarei aqui, tão longe e tão perto, a torcer, a vibrar e a festejar com vocês. Hoje, todo o Mundo perceberá quem são os guerreiros nacionais.
Com votos das maiores felicidades
Um forte abraço deste vosso companheiro e amigo
Nani

Foi querido. No Destak, na parte das cartas dos leitores, havia este poema:

Força Portugal
Continuamos confiantes
Na nossa Selecção
Porque não são apenas
Uma equipa com emoção
São também uma Nação

Que a próxima disputa
Tenha emoção e luta
Tenhamos confiança
E até ao último minuto
Na Selecção Nacional
Com fervor e sem igual
Força Portugal

Alexandrina Silva

Nem Nani nem a autora deste poema calculava quão verdadeiras se tornariam as suas palavras em poucas horas. Ninguém calculava.

Um pouco antes do início do jogo, uns alunos pediram que se ligasse a televisão junto ao balcão dos bitoques, para ver o jogo. Eu ainda não tinha acabado de comer, mas fui logo marcar lugar junto à televisão. Era uma das antigas, sem grande qualidade, com muitos reflexos no ecrã que dificultavam a visualização, pré-histórica quando comparada com o tão publicitado HD, mas tinha uma grande vantagem: a sincronização com o relato da rádio era quase perfeita. No dia do jogo com a Costa do Marfim tentei ouvir o rádio enquanto via a emissão na RTP HD mas a descrepância era de quase dez segundos - e acontece muita coisa em dez segundos. Se até os comentários da televisão estavam desfasados com as imagens... O entusiasmo dos locutores da rádio (pelo que apanhei, eram Alexandre Afonso e Nuno Matos) era contagiante e aumentou os meus níveis de excitação.

Os portugueses entraram bem no jogo, de resto, se bem que os norte-coreanos fossem dando luta e pregando uns sustos ocasionais. Ontem, houve muito mais garra, muito mais determinação, muito menos medo, isso ficou evidente quase logo desde início.

Até que, perto da meia-hora de jogo:

- GOLO! - gritei eu em coro com todos os que assistiam, libertando a ansiedade e o nervosismo que, apesar de tudo, me acompanhavam desde o início. Levantámo-nos todos, com os punhos cerrados em sinal de triunfo, e uns miúdos de um campo de férias que estavam lá a almoçar correram para junto de nós mal ouviram os gritos. Um deles até me perguntou:

- Quem marcou?

- Foi o Raúl Meireles.

Na altura, agradeci mentalmente aos jogadores (e tenho quase a certeza de que eles ouviram) e esperei que aquele que era o nosso primeiro golo no Mundial fosse o primeiro de muitos neste campeonato. Não calculava é que muitos desses golos seriam marcados já neste jogo.

Finda a primeira parte, resolvi ir-me embora. Entraria em exame daí a pouco mais de meia hora, se começasse a ver a segunda parte certamente não conseguiria sair a meio. Regressei então à minha Faculdade, sem, contudo, deixar de ouvir a rádio. Mesmo quando me juntei a colegas para revisões de última hora - revisões que, por sinal, ajudaram-me - continuei a ouvir a emissão em volume baixo, embora tivesse a atenção voltada para outra coisa.

Quando o Simão marcou o segundo golo, eu não percebi logo. O locutor só gritava:

- Já lá mora! Já lá mora!

E eu só pensava: "Eh pá, não podias gritar GOLO! primeiro? Assim uma pessoa baralha-se". Depois, foi eu quem comunicou às minhas colegas:

- Olhem, o Simão marcou.

Fiquei satisfeita. 2-0 certamente já consolidaria a vitória, podia fazer o exame descansada, aquilo estava no papo. Contudo, ainda digeria o golo do Simão, já o Hugo Almeida marcava o terceiro. Quando o anunciei, a Sara, que estava um bocado nervosa com o exame, comentou:

- Ao menos que corra bem a alguém.

E logo a seguir, mais um golo. Desta feita, como já aumentara o número de alunos naquela zona, à espera de entrar para exame, já houve quem gritasse golo. Foi aí que percebi: o ketchup estava a jorrar. A minha irmã, que não sabia se eu estava a ver o jogo, ia-me enviando mensagens anunciando os golos. Neste quarto golo, escreveu o seguinte: Nós hoje não paramos, o tiago traz outro! Eu entretanto já tinha enviado uma dizendo: E vão 4! Não sei se foi nesse golo se noutro, acho que foi em vários, mas achei imensa graça a algo que o locutor da rádio disse, enquanto festejava o golo:

- É meu, é teu, é nosso, é de Portugal!

Pouco depois, entrámos para o auditório, onde íamos fazer o exame. Eu ia já com um sorriso no rosto. Distribuídos os exames por todos, numa altura em que os primeiros a receber o exame já escrevinhavam, um dos professores de vigia, de telemóvel e respectivo auricular na mão, disse:

- OK, Portugal está a 4-0, a gente avisa se marcarem.

Ouviram-se risos. Pouco depois, contudo, já ele anunciava o quinto golo, mas não disse quem tinha marcado. Concentrámo-nos no exame. A onda positiva estendeu-se ao teste, que era mais fácil do que eu estava à espera e me correu bastante bem. Uns minutos depois, penso que nessa altura já o jogo tinha acabado, uma professora de outra cadeira entrou e, com os dedos, fez sete-zero.

- E o Ronaldo marcou - acrescentou ela.

Quando o exame acabou não fui para casa uma vez que ainda tinha uma consulta no dentista daí a duas horas. Voltei a sintonizar a Antena1 no meu leitor de MP3, de modo a ir acompanhando o rescaldo do jogo e as avaliações do desempenho. Segundo um dos comentadores (o Joaquim Rita?), a Selecção libertou-se finalmente do "atadismo", jogou com garra, com coragem, com alegria. Como dizia hoje no Record, a Selecção assumiu "atitude ambiciosa para parecer digna do lugar que ocupa no ranking da FIFA". Agora estamos "com um pé e meio" (não me lembro de quem disse isto) nos oitavos-de-final, até podemos qualificarmo-nos se perdermos com o Brasil. No Trio D'Ataque de ontem, o apresentador Carlos Daniel disse mesmo que tínhamos saído dali com "mais equipa", já que se todos os jogadores demonstraram ter valor em campo.

O Tiago é capaz de ter sido o jogador que mais surpreendeu pela positiva. A noção que eu tinha dele nunca foi de um jogador brilhante. Acima da média, mas não era nada do outro mundo. Lembro-me até de ouvir, há uns anos, já nem me lembro por quem, que se o Tiago, se fosse mais rápido, podia ser o melhor do Mundo. Eterno suplente de Deco na Selecção, nunca se conseguiu impôr. Ontem, nem o reconhecia. No Record resumiram bem o jogo dele: "exibição esmagadora (...) como que querendo recuperar num só jogo todo o tempo perdido nestes anos para se afirmar como uma mais-valia indiscutível da Selecção Nacional". Ficou provado que, sem tirar qualquer mérito a Deco que, apesar de já ter visto melhores dias, já fez muito pela Selecção, os habituais comentários de que "o Deco é insubstituível", que "a Selecção não é a mesma sem Deco" não eram totalmente verdade. É sempre bom saber que temos alternativas. Por outro lado, o seu caso é semelhante aos casos de Nani e Hugo Almeida, que não sendo titulares permanentes, aproveitam todas as oportunidades para mostrar o seu valor, para dizerem ao Mister que eles também são opção.

Por falar no Nani, tenho pena de ele não ter participado nesta festa. Tenho a certeza de que ele também teria marcado um golo ou dois e celebrado com o seu mortal.

O Cristiano Ronaldo lá quebrou o seu jejum, com um golo bizarro, mas para mim, mais marcante do que isso, foi ele ter oferecido o prémio de Homem do Jogo a Tiago. Foi um gesto bonito. Vê-se que ele está mais maduro, que começa a desempenhar o papel que Figo desempenhou, como líder da Selecção. Isso, para mim, tem mais valor do que os golos que ele marca.

Talvez seja ainda euforia pós-goleada, mas tenho esperanças de que seja um ponto de viragem, que seja como o Portugal-Rússia do Euro 2004, em que começámos mal e chegámos à final. Eu sei que a Coreia do Norte é uma equipa fraca, que pode haver quem ache que Portugal "não fez mais do que a sua obrigação", mas ninguém pode negar que soube tão bem... Nem me lembro de um resultado tão dilatado em Europeus ou Mundiais. Só me lembro do 7-1 à Rússia, na qualificação para o Mundial. Pode não valer mais do que três pontos, mas servirá para aumentar a confiança e talvez para estimular ainda mais o apoio por parte dos adeptos. Eu, pelo menos, já vi mais bandeiras nas janelas da minha avenida...

O nosso próximo jogo é na Sexta-feira, frente ao Brasil. Deve ser provavelmente um dos jogos mais aguardados da fase de grupos. Eu tenho pena de o Kaká não jogar - apesar de nos facilitar a vida, é mau para o espectáculo. Se é para termos um Portugal-Brasil no Mundial, o ideal seria se fosse um jogo daqueles de igual para igual, renhido, cheio de bom futebol, cada equipa com o seu "melhor do Mundo". Não dá, paciência. Em todo o caso, todos os que ouvi estão de acordo e eu também: convém entrarmos a matar, com o espírito, a garra e a paixão com que entrámos hoje, esforçarmo-nos por fazer um bom resultado. Mesmo que já não seja certo que o primeiro lugar ajuda a fugir da Espanha. Para reforçar aquilo que começámos a demonstrar ontem: que estamos aqui para fazer estragos, para ir o mais longe possível. Como diz o Nani, para mostrar ao mundo quem são os guerreiros portugueses!

Depois de uma semana de Mundial

Já passou uma semana desde o início do Campeonato do Mundo do ano de 2010. A primeira jornada, segundo consta, foi a primeira jornada com menos golos da história dos Mundiais. É claro que trouxe algumas surpresas, sendo a maior de todas a derrota da Espanha aos pés da Suíça, de que já falei na entrada anterior.

A segunda jornada só começou ontem (ou anteontem, não tenho bem a certeza) mas já mostrou trazer mais uns quantos golos (os 4-1 da Argentina frente à Coreia do Sul) e mais umas quantas surpresas. Uma delas, a derrota da França pelo México, por duas bolas sem resposta e, apenas há poucas horas atrás, a vitória da Sérvia frente à Alemanha.

Começo por falar da Espanha, visto que o seu percurso do Mundial é o que mais interessa à Turma das Quinas, dada a possibilidade dos nossos vizinhos se cruzarem connosco. Eu ainda estou em choque. A Espanha era a minha aposta para Campeã do Mundo. Mas, por outro lado, isto também me alivia, pois esta derrota diminui as probabilidades de os espanhóis passarem à fase seguinte em primeiro lugar. E como é quase impossível nós irmos para o mata-mata em primeiro lugar, assim, pode ser que não apanhemos a Espanha nos oitavos-de-final, se lá chegarmos.

Passemos agora à França. Confesso que a derrota deles quase que me satisfez mais do que a derrota da Espanha. Não deixa de ter o doce sabor da vingança por nos ter expulso do último Mundial com uma grande penalidade duvidosa, bem como por só terem conseguido passaporte para esta fase final através de uma "mão de Deus". Quem ainda deve estar mais feliz são os irlandeses. Ou antes, devem estar divididos entre a euforia ("Ah, ah! O castigo tarda mas não falha!") e a raiva ("Isto só prova que nós é que merecíamos estar lá!"). Hoje li no Record que a Pizza Hut de Dublin tinha prometido oferecer trezentas e cinquenta pizzas a uma equipa por casa golo que esta marcasse à França. Depois deste jogo, parece que os mexicanos vão ter direito a setecentas pizzas. Bom proveito!

Finalmente, soube há pouco que a Alemanha caiu aos pés da Sérvia, por uma bola sem resposta. É certo que os alemães estavam a jogar amputados de um jogador, mas mesmo assim... Lá se vai mais um grande candidato ao título... Eles que tinham reafirmado o seu carácter de favoritos depois do 4-0 frente à Austrália...

Realmente, os grandes já não são o que eram... O meu irmão até comentou:

- Comparados com estes, até nós parecemos bons... Agora já se percebe porque é que estamos em terceiro lugar no ranking: os habituais grandes não estão a dar uma para a caixa!

Com os habituais candidatos ao título a obterem resultados longe de brilhantes, vou-me convencendo cada vez mais que o resultado do nosso jogo de estreia não foi tão mau como certas pessoas pintaram. Quer dizer, nós ainda temos a "desculpa" de termos jogado com uma das melhores selecções africanas. A Inglaterra empatou com os Estados Unidos! E a Espanha perdeu com a Suíça! Hei, se os habituais favoritos continuarem a desiludir desta maneira, talvez até tenhamos hipóteses de sermos campeões! Eh, eh, eh!

No que toca à Selecção Portuguesa, ainda se sentem as réplicas das polémicas palavras de Deco no final do nosso jogo de estreia. Sobre este assunto, Laurentino Dias afirmou que os Navegadores deviam falar menos e jogar mais. "Mais futebol e menos conversa", pediu ele. O meu pai, por acaso, concorda com Laurentino Dias. Segundo o meu pai, não deviam deixar os jogadores de futebol falarem, pois, segundo ele, muitas vezes falam mal o português e raramente dão uma para a caixa. Admito que tanto ele como o Secretário de Estado do Desporto (é esse o cargo que Laurentino Dias ocupa, não é?) têm uma certa razão, mas pode haver quem conclua, a partir dessas palavras, que Laurentino Dias vê os Navegadores exclusivamente como jogadores, não como pessoas. Pois eu gosto de conhecer o lado humano dos jogadores, gosto de saber como é que sentem os jogos, como é que convivem uns com os outros, como é que se tratam uns aos outros. É por isso que gosto de programas como Ligados a Portugal e Os Incríveis, embora nem sempre tenha paciência para vê-los até ao fim.

Por outro lado, pude assistir às duas últimas Conferências de Imprensa de jogadores da Selecção (do Eduardo e do Liedson) e nenhum deles disse nada de especial. Foi quase tudo:

- Está tudo bem, o ambiente dentro da Selecção é óptimo, não, não tenho medo de ser substituído, o que interessa é a equipa, isto são decisoões do treinador, etc, etc, etc.

Parece que na semana passada não era tanto assim, desde que o Deco disse aquilo que os jogadores têm evitado ao máximo desviarem-se do politicamente correcto. Mas eu compreendo. Eles sabem que, se falam demais, a Comunicação Social pegam naquilo, exploram até ao tutano e a credibilidade da Selecção é que paga. Realmente, se fosse sempre assim é que não valia mesmo a pena ouvir os jogadores.

Eu não os posso censurar. Pode haver quem diga que os jogadores falam mal em público por terem poucos estudos, mas eu tenho o 12ºano feito e farto-me de gaguejar só para apresentar um mísero PowerPoint na Faculdade. Imaginem-me numa Conferência de Imprensa, com os holofotes todos voltados para mim... Não deve ser fácil lidar com a Imprensa.

Na Segunda-feira temos o nosso segundo jogo do Mundial, frente à Coreia do Norte. Será ao meio-dia e meia. Eu não sei se vou conseguir ver, visto que tenho um exame e devo passar o dia todo na Faculdade. Não devo encontrar televisão, devo só poder ouvir o relato pela rádio. E mesmo assim, não conseguirei ouvir a segunda parte toda, visto que o exame é às duas da tarde... Se queremos passar à segunda fase deste campeonato, teremos de ganhar à Coreia do Norte. E para ganharmos à Coreia do Norte, teremos de entrar em campo com uma atitude diferente da do jogo com a Costa do Marfim. Sem medo, pessoal! O Liedson disse hoje que, certamente, na Segunda-feira, os jogadores não estarão tão nervosos, visto que já não sentirão aquela ansiedade do jogo de estreia.

Eu acredito que venceremos a Coreia. Para já, é uma Selecção teoricamente mais fraca do que a da Costa do Marfim. Embora isso já pouco signifique - este Mundial está recheado de exemplos disso! Por outro lado, como já referi aqui no blogue, os Navegadores funcionam melhor se sentirem a qualificação ameaçada. Sim, é possível. Ainda é possível termos um bom Mundial. Eu acredito. E nunca deixarei de estar com a Selecção. Mesmo quando estiver no exame, totalmente concentrada na matéria, uma parte ínfima de mim não deixará de torcer por uma vitória. Força!