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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Exorcizar o demónio

O estágio de preparação do Campeonato do Mundo de futebol, que terá lugar no Brasil - estágio esse também conhecido por Operação Mundial -  já começou há alguns dias. Mais de uma semana, se considerarmos os três dias de pré-estágio no Estoril. A preparação vai ainda numa fase muito inicial - os portugueses do Real Madrid, Fábio Coentrão, Pepe e, claro, Cristiano Ronaldo só se juntaram à comitiva na quinta-feira - pelo que as coisas têm andado relativamente calmas, em termos mediáticos pelo menos. Só uma ou outra réplica das polémicas em torno da Convocatória. Como já vai sendo hábito, os jogadores que participam nas Rodas de Imprensa adotam discursos tranquilos, prudentes, evitando ao máximo desestabilizar a equipa. Podem não ser os mais interessantes mas, em particular nesta altura do campeonato, ninguém duvida que são os que mais beneficiam a Equipa de Todos Nós. Haverá tempo, sem dúvida, mais adiante, para polémicas, não sentiremos falta delas - pelo menos foi o que aconteceu há dois anos.
 
Nem sempre me tem sido fácil estar a par do que vai acontecendo, estando eu em estágio (um estágio diferente do da Seleção, claro) das nove às seis. Mesmo não podendo atualizar de imediato a página, gosto - sempre gostei - de ir sabendo destas coisas à medida que vão acontecendo. Ao longo do dia, tento prestar atenção às notícias horárias da rádio. Uma das poucas vantagens de tê-la ligada a título quase constante no meu local de estágio - acreditem, é cansativo. Até Nelson Mandela se cansaria de Ordinary Love se tivessse de ouvi-la tantas vezes quanto eu. Outra vantagem diz respeito aos anúncios alusivos ao Mundial, cada vez mais frequentes - que sempre tornam os irritantes intervalos publicitários um pouco mais suportáveis. 
 
Adicionalmente, quando vou almoçar, tento sempre apanhar as reportagens dos telejornais. A caminho de casa, sintonizo as notícias do desporto na rádio, quando saio a tempo. Vou, também, tentando ir a cafés e esplanadas que tenham A Bola ou o Record, que geralmente têm algo mais que a televisão, a rádio ou a Internet - artigos de opinião, sobretudo. Gosto sempre de lê-los, quer concorde com eles ou não.
 
Quando chego, finalmente, a casa, ao fim da tarde ou à noite, atualizo a página. É aqui que agradeço ao blogue do meu parceiro, ao tumblr Fuck Yeah Portugal National Team e à página Seleção Nacional de Portugal - estas três fontes têm-me permitido aceder rapidamente a notícias e fotografias sobre a Turma das Quinas, para depois publicar.
 
 
 
Têm sido as fotografias a despertarem-me maior interesse. Sobretudo aquelas que mostram os momentos de galhofa, de bullying, como digo na brincadeira, entre os Marmanjos. Que representam bem uma das facetas de que mais gosto na Seleção: o facto de ser um grupo de amigos, um bromance a vinte e três, como às vezes digo, uma grande família; a maneira como estão sempre a brincar, como uma matilha de cachorrinhos. 
 
Ainda não está a ser bem o verão que antecipei ao longo de semanas. No entanto, não duvido que, dentro de poucos meses, vou sentir saudades destes dias. Sobretudo quando dispuser de mais tempo livre que agora sem ter nenhuma Operação Mundial para seguir.
 
Por enquanto, a minha disponibilidade reduzida tem-me privado de relativamente pouco. Isso provavelmente mudará à medida que nos formos aproximando do Mundial, mas hei-de arranjar uma solução. Por outro lado, uma grande vantagem da minha falta de tempo e, por vezes, paciência é deixar-me de importar com certas ninharias que surgem nas redes sociais, relativas à Seleção e não só. Tenho, literalmente, mais que fazer.

Entretanto, hoje, pelas sete e meia da tarde, a Seleção Portuguesa recebe no Estádio Nacional a sua congénere grega em jogo de carácter particular. Um encontro em teoria amigável, mas com um adversário que traz demasiadas recordações amargas. A malfadada final do Euro 2004 na Luz, o título que deveria ter sido nosso, que tinha tudo para ser nosso, mas que deixámos escapar. Uma oportunidade que não se tornou a repetir e que, provavelmente, não se repetirá nunca. Chegámos a defrontá-los de novo em 2008, pouco antes do Europeu, mas tornámos a perder, desta feita por 2-1 (foi um ano estranho aquele...).

Não nego que sinto uma certa vontade de ajustar contas com os gregos, ainda que apenas na teoria - é apenas um particular, obviamente não nos vai devolver a Taça e nem sequer nos dará três pontos. Por outro lado, os gregos acabaram por ganhar a minha simpatia por, entre outros motivos, serem treinados pelo português Fernando Santos e pela atitude que demonstraram no Euro 2012. Já não lhes guardo nenhum ressentimento em particular (o erro de 2004 foi nosso) e desejo-lhes a melhor das sortes para o Mundial - excepto caso se cruzem connosco, evidentemente.

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O jogo terá lugar no Estádio Nacional, no Jamor, uma arena com grande simbolismo para o futebol português, e estará integrado nas comemorações do centenário da Federação Portuguesa de Futebol. Consigo compreender esta escolha visto que, para mim, é uma das casas da Seleção, se não for "a" casa. Sobretudo ao longo dos últimos anos, em que tenho lá ido assistir aos treinos abertos. Além disso, acredido que, se algum dia conseguirmos ganhar um Europeu ou Mundial, será lá que a Seleção festejará com os seus adeptos.

A desvantagem continua a residir os fracos acessos, tanto em termos de entradas para o Estádio - depois do que aconteceu na final da Taça de Portugal, espero que as pessoas tenham a sensatez de chegarem com antecedência - como em transportes públicos. 

Seria bom deixarmos este demónio exorcizado, dentro do possível, a tempo do Mundial. No entanto, duvido que os Marmanjos estejam para aí virados. Nos primeiros particulares dos estágios de 2010 e 2012 (com o Cabo Verde e a Macedónia, respetivamente) não estiveram e ambos acabaram sem golos. Como se tal não bastasse, bem como a experiência de muitos outros particulares, desta feita temos metade da Seleção em momentos de forma duvidosos. Já se sabe que Pepe e Ronaldo não jogam (estou a mentalizar-me de que o madeirense será uma dúvida constante até ao nosso primeiro jogo no Brasil, se não mesmo depois disso). Não me parece que os jogadores queiram arriscar lesões que os afastem do Mundial. Pode ser que o nome e o simbolismo do adversário tenham algum peso. Mas não sei se será suficiente.

Espero que o seja para, pelo menos, fazerem um jogo decente. Invariavelmente, eu peço uma vitória, mesmo que não venha acompanhada de uma boa exibição. Até porque, durante o jogo, homenagearão Eusébio e Mário Coluna, ficaria bem honrá-los com um bom resultado. No entanto, se tudo isso falhar, ao menos que sirva para nos prepararmos para o Mundial. Que todos esperamos que seja inesquecível pelos melhores motivos.

Portugal 3 Camarões 1 - "Uma despedida em festa"

Ontem, a Selecção Nacional venceu a sua congénere camaronesa (é assim que se diz?) por três bolas a uma, num jogo de carácter preparatório do Campeonato do Mundo de 2010, que tem início daqui a nove dias. Foi um jogo, em muitos aspectos, bem diferente do que tinha sido o da semana passada, frente a Cabo Verde.

A começar pelo público. Desta feita, os adeptos vieram em força e foram fantásticos do princípio ao fim. Eram vuvuzelas, buzinas, até a banda Filarmónica da Covilha (ouviram-nos a tocar I Gotta Feeling, a certa altura?) a fazer chinfrim p'ra apoiar a Selecção. E os marmanjos retribuiram o apoio.

Logo de início se percebeu que ia ser um jogo diferente do da semana passada, visto que os marmanjos entraram com muito mais energia, com muito mais garra. Até os locutores da rádio (durante a primeira parte do jogo eu desliguei o som da televisão e ouvi a emissão da Antena1), mais ou menos aos quinze minutos, falavam em "bom entrosamento" e em maior frescura física. O Ronaldo e o Raul Meireles eram dos que mais atacavam. O Ronaldo chegou mesmo a ter duas óptimas oportunidades, quase seguidas, que não sei como não aproveitou. Na primeira, na altura, suspeitei de nervosismo uma vez que ele tinha hesitado a certa altura, o que levou a que perdesse a oportunidade de inaugurar o marcador. Contudo, pelo que foi dito mais tarde, a culpa terá sido da bola. Mas já falarei disso mais à frente.

Finalmente, o Raul Meireles dá um tiro sem hipóteses de defesa para o guarda-redes camaronês e abre o marcador. 1-0! Estava dado o primeiro passo para a tão desejada vitória.

Quase logo a seguir, Eto'o é expulso por acumulação de amarelos. Eu fiquei surpreendida. Já tinha ouvido vagas referências a desentendimentos do género por parte do jogador do Inter de Milão, mas, por amor de Deus, ele é o capitão da Selecção Camaronesa, é a estrela deles, seria de esperar que fosse mais sensato... Se o tipo consegue ser expulso na primeira parte de um jogo amigável, que vai ele fazer ao Mundial?!?!

Adiante, a redução da equipa adversária ajudou-nos. A segunda parte teve altos e baixos. Entre os altos, inclui-se o segundo golo de Meireles. Um golo acidental, mas lindo! 2-0.

O 2-1 surgiu numa altura em que a Selecção começava a afrouxar, a adoptar o chamado ritmo de treino. O golo, contudo, serviu para dar um ligeiro abanão aos marmanjos, que ligaram os motores de novo. Por isso, até não foi mau.

Por fim, Nani consolidou a vitória ao dar um chapéu ao guarda-redes camaronês aos 81 minutos. 3-1! O jogador do Manchester já tinha feito uma boa exibição no jogo contra Cabo Verde (dos poucos a fazer uma boa exibição...) e agora também fez. Está mesmo determinado a dar o seu melhor, a conquistar a titularidade. Já se falou que é provável que seja titular, não me lembro é de quem o disse. E o marmanjo merece-o, sem dúvida.

Neste jogo cumpriram-se os três objectivos essenciais. 1) ganhámos - e merecêmo-lo. 2) fizemos uma boa exibição - salvo algumas excepções, mas também é um particular, compreende-se, e já tivemos pior. 3) ninguém se lesionou - apesar daquele susto com o Pedro Mendes, mas pelos vistos não é nada de grave, ele pode ir ao Mundial. Foi de facto a vitória que precisávamos para nos dar um pouco mais de esperança. E para nos despedirmos da Covilhã, agradecendo a hospitalidade. Como disse a comentadora da TVI, foi uma "despedida em festa".

De resto, deve ter sido a única coisa de jeito que os comentadores disseram ao longo de todo o jogo. A partir de certa altura, já só diziam que a seguir ao jogo, na TVI24 ia ser analisado o jogo por não sei quem, etc, etc. Era irritante - sobretudo porque nem sequer tenho TVI24, sem grande pena. O que vale é que a RTP é que tem os direitos de transmissão dos jogos do Mundial e os comentários deles são um bocadinho melhores. Mas estou a pensar desligar o som e seguir o relato na rádio. O pior é a descrepância. Outra coisa que me irritou foi, mais uma vez, eles terem metido imensa publicidade entre o final do jogo e as flash-interviews. Eu estive quase para desistir, mas ainda deu para ouvir Meireles e Queiroz. Enfim, menos uns pontinhos que a TVI perdeu na minha consideração. E já não tem muitos, diga-se de passagem. Feito este aparte, voltemos aonde estávamos.

Sendo os Camarões uma das melhores selecções africanas, esta vitória deixa uma boa indicação para o nosso jogo inaugural. Contudo, há que recordar que as circunstâncias são diferentes: na África do Sul, o adversário vai estar mais em casa do que nós; os camaroneses jogaram uma hora amputados de um dos seus melhores jogadores; este foi um jogo particular, contra a Costa do Marfim vai ser a doer. E se, na semana passada, um empate num jogo particular não era motivo para grandes alarmes, esta semana, uma vitória num jogo particular também não é motivo para grandes euforias. Mesmo assim, fiquei contente por ver que a Selecção evoluiu, está a conseguir encontrar o seu caminho, vai dar luta no Mundial. E ainda temos quase duas semanas para afinar as armas, incluindo mais um jogo de preparação.

A Selecção tem hoje uma folga, amanhã retoma o trabalho em Lisboa e no Sábado, às dez da noite, apanham o avião rumo à África do Sul. Eu por acaso não os invejo grandemente por terem de fazer um voo de cerca de dez horas, ainda por cima durante a noite. Já se sabe que é difícil dormir em aviões, a menos que se vá em classe executiva - e duvido que haja dinheiro para irem. Em todo o caso, esperemos que, quando regressarem a Portugal, tragam a Taça na bagagem (dará para vir como bagagem de mão?).

Na semana passada foram divulgados os slogans que serão inscritos nos autocarros das Selecções. À semelhança do que aconteceu no Euro 2008, foram os adeptos que escolheram. Eis a lista completa (fonte: ApoiaPortugal):

  • África do Sul: Uma nação, orgulhosamente unida debaixo de um arco-íris
  • Alemanha: Na estrada para ganhar a Taça!
  • Argélia: Estrela e lua crescente com um objectivo: vitória!
  • Argentina: Última paragem: a glória
  • Austrália: Atreve-te a sonhar, força Austrália
  • Brasil: Lotado! O Brasil inteiro está aqui dentro!
  • Camarões: Os leões indomáveis estão de volta
  • Chile: Vermelho é o sangue do meu coração, Chile campeão
  • Coreia do Norte: 1966 de novo! Vitória para a Coreia do Norte!
  • Coreia do Sul: Os gritos dos vermelhos, República da Coreia unida
  • Costa do Marfim: Elefantes, vamos lutar pela vitória!
  • Dinamarca: Tudo o que precisa é uma selecção dinamarquesa e um sonho
  • Eslováquia: Façam tremer o relvado! Vamos Eslováquia!
  • Eslovénia: Com 11 corações valentes até o fim
  • Espanha: Esperança é o meu caminho, vitória é o meu destino
  • Estados Unidos: Vida, Liberdade e a busca pela vitória!
  • França: Todos juntos por um novo sonho em azul
  • Gana: A esperança de África
  • Grécia: A Grécia está em todo o lado!
  • Holanda: Não receie os cinco grandes, receie os 11 laranjas
  • Honduras: Um país, uma paixão, 5 estrelas no coração!
  • Inglaterra: Jogando com orgulho e glória
  • Itália: O nosso azul no céu africano!
  • Japão: O espírito samurai nunca morre! Vitória para o Japão!
  • México: Hora de um novo campeão!
  • Nigéria: Super Águias e super torcedores, estamos unidos
  • Nova Zelândia: Chutando ao estilo Kiwi
  • Paraguai: O leão Guaraní ruge na África do Sul
  • Portugal: Um sonho, uma ambição… Portugal campeão!
  • Sérvia: Joguem com o coração, comandem com um sorriso!
  • Suíça: Vamos, Suíça!
  • Uruguai: O sol brilha sobre nós! Vamos, Uruguai!

Na sua maioria, as frases não são nada de especial. A frase portuguesa está incluída nessa. Sinceramente, podiam ter arranjado bem melhor. Podiam, por exemplo, ter aproveitado o facto de termos dobrado o Cabo da Boa Esperança e dito algo tipo: Há quinhentos anos triunfámos aqui e agora vamos repetir o feito.

Mas tem algumas frases interessantes. A frase brasileira é, sem dúvida, uma das minhas preferidas. E a holandesa está muito engraçada.

Por outro lado, a frase da Coreia do Norte é interessante mas por outro motivo. 1966 de novo, dizem eles. Talvez seja por ter sido o último ano em que entraram num Mundial, mas espero que se lembrem de quem os expulsou desse mesmo Mundial. E, sobretudo, de como os expulsou desse Mundial. Querem mesmo que a história se repita? Eu não me importo nada, se quiserem...

Ultimamente não tenho escrito muito no meu blogue e peço desculpa por isso. Tem-me faltado tempo e também inspiração. Existem dias em que pura e simplesmente não sei sobre que escrever. Agora compreendo os desabafos dos Gato Fedorento e de Marcelo Rebelo de Sousa no episódio do Esmiuça os Sufrágios em que este último foi o convidado. Agora começo a compreender porque é que a Comunicação Social tanto gosta de polémicas. Realmente, é complicado para os comentadores quando nada de especial acontece. O que vale é que sou uma mera amadora e não tenho a obrigação de escrever com regularidade. Não tenho obrigação, mas fico com sentimentos de culpa... O pior é que receio que nos próximos dias volte a não ter tempo. Mas prometo que me vou esforçar.

De resto, uma das coisas que me roubou tempo foi o vídeo de apoio que enviei para o YouTube na semana passada (http://www.youtube.com/watch?v=ZMR5Bj_nv2o). Graças a Deus, desta vez não mo rejeitaram (ainda não ultrapassei o facto de terem retirado o vídeo de Bang The Drum. O vídeo deu-me imenso trabalho e acho que ficou muito giro, não é justo não poder partilhá-lo com o Mundo!) Desta feita, inspirei-me no vídeo de Ricardo Costa, autor do blogue ApoiaPortugal de que já falei aqui, em que ele apresenta do novo equipamento da Selecção Nacional e usa como banda sonora a música Conquest of Paradise (Conquista do Paraíso). Para aqueles que não sabem (eu não sabia, descobri através do Wikipédia), esta música foi composta por Vangelis para o filme com o mesmo nome da faixa, que é sobre Colombo e a descoberta da América. De resto, conheço a música deste pequena e acho que é adequada à Selecção, não só por causa do título, mas também por causa do seu carácter épico. E termino esta entrada com a mensagem do vídeo: Para que conquistemos o Céu, o Paraíso, a final, o que quer que lhe chamem. Força Portugal!

Portugal 0 Cabo Verde 0 - Mas a partir de agora é a sério!

Era para ter escrito mais cedo mas faltou-me tempo. Na Segunda-feira passada, Portugal empatou sem golos no jogo de preparação para o Mundial 2010, frente a Cabo Verde. Eu escrevi na entrada anterior que não estava muito interessada no resultado, mas não consegui evitar ficar desiludida quando o árbitro apitou três vezes e o marcador por abrir. Eu contava com uma vitória, mesmo que não fosse muito expressiva!

Tal como previra, não consegui assistir à primeira parte via televisão. Em vez disso, na última aula teórica que tive, sentei-me a um canto do anfiteatro para não incomodar (e para não repararem em mim...), coloquei os headphones e pus-me a escutar a emissão da Antena 1, um pouco antes do início do jogo. Como de costume, os locutores descreviam o ambiente do estádio, cheios de entusiasmo. As suas palavras iam sendo pontuadas por vuvuzelas e motores de avião que, segundo o que percebi, andavam por lá a demostrar apoio à Selecção.

Na altura, lembrei-me de outra ocasião em que estivera em aulas enquanto a Selecção jogava. Fora em Outubro de 2007, o Cazaquistão-Portugal. Eu tinha vindo substituir uma aula. Não havia outro horário, eu bem procurei. E depois, como era uma aula em grupo e eu não fazia parte de nenhum, fiquei ali a olhar para o ar e a pensar que mais valia não ter vindo. Tinha, entretanto, pedido à minha irmã para me mandar toques caso houvesse golos e como ela nada me disse, comecei a ficar nervosa. Felizmente a aula acabou antes do jogo. Eu peguei no meu leitor de MP3, fui para junto da estação do Metro e lá fiquei a ouvir o relato do jogo. Ainda não tinham marcado Imagino a minha figura, a andar de um lado para o outro, a falar sozinha coisas como "vá lá, marquem...". Ah, mas fiquei tão contente quando marcaram... Fico sempre. Lembro-me do locutor a exclamar "MA-MAKUKULA!!!!!". Foram simpáticos, esperaram pelo fim da minha aula para marcarem os golos...

Infelizmente, desta feita, não marcaram golos. Por outro lado, até pode constituir uma vantagem, pois não sei se conseguiria evitar gritar "GOLO" no meio da aula... Ouvi perfeitamente o público cantando o hino em coro, eu própria cantei em play-back, com o meu boné da Selecção no colo. Entretanto o jogo começou. Como de costume, os comentários dos locutores divertiram-me. A certa altura, um deles disse que alguém tinha passado para o cabeludo Pedro Mendes. Outro comentário engraçado também se relacionou com este último marmanjo. Parece que a certa altura este fez menção de tirar a camisola porque tinha um aparelho qualquer para medir o ritmo cardíaco ou algo do género. Não percebi muito bem. O comentador disse Por um momento pensei que o Pedro Mendes nos ia presentear como uma sessão de strip-tease, mas não e eu tive de invocar todas as minhas forças para não desatar a rir. Mas aposto que, se tivesse sido o Ronaldo, ninguém se importava. O marmanjo pode ser demasiado vaidoso para o meu gosto, preocupar-se mais com a sua aparência do que eu me preocupo com a minha e sou rapariga, mas nenhuma mulher consegue deixar de apreciar aquele físico...

Mas passando à frente do físico do Cristiano Ronaldo, parece que o estádio não estava cheio, mas os que lá estavam eram adeptos dos bons. Praticamente nunca se deixaram de ouvir as buzinas, os gritos e as vuvuzelas. Muito chinfrim para apoiar a Selecção!

Mesmo limitada a um relato de rádio, dava para ver que o Fábio Coentrão era um daqueles que mais se esforçava. Penso que chegou a ser considerado o homem do jogo. O jovem benfiquista parecia mesmo querer demostrar que merecia estar na Selecção.

Ao intervalo, já começava a ver que não íamos lá. Tomando como exemplo o particular contra a China, na segunda parte Queiroz ia provavelmente trocar os jogadores e o desempenho ia ressentir-se disso. Se isto acaba mal, o pessoal atira-se todo ao Professor, tipo sanguessugas, pensei. E, de facto, a segunda parte apenas trouxe mais do mesmo. Entretanto, tinha chegado a casa. Estive a ver um bocado o jogo na televisão enquanto jantava. A minha mãe pôs-se logo a resmungar coisas do género:

- Que vergonha, Sofia! É o Cabo Verde! Que é que eles vão fazer ao Mundial?

Eu irritei-me e atirei-lhe:

- Mãe! Eu não sou o Queiroz! Não sou eu que os treino!

Mas na altura não invejei nada o Professor. Coitado, ele deve ouvir daquilo tantas vezes...

Era a primeira vez que usavam o novo equipamento principal. Eu até gosto, mas parece o equipamento do Manchester United...

O jogo finalmente acabou. Seguiram-se as flash-interviews. O Ronaldo foi o primeiro. O marmanjo aparentava estar bem-disposto mas a mim pareceu-me que estava mais chateado do que dava a entender. Ele invocou a "falta de frescura física" como desculpa, perdão, motivo para o resultado abaixo das expectativas. É capaz de ser essa a principal razão, se pensarmos que os jogadores foram chegando a conta-gotas ao estágio.

Outro dos entrevistados foi Fábio Coentrão. O jovem disse verbalmente aquilo que tinha dito ao longo de todo o jogo através do seu desempenho: que o Mister pode contar com ele. Talvez seja isso que por vezes falte aos outros jogadores. Como já foi referido, o Fábio está a estrear-se na Selecção. O Nani, que também esteve muito bem no jogo, perde muitas vezes a titularidade para Simão - que só não jogou devido ao desgaste físico - ou para Ronaldo. Ambos queriam demostrar que mereciam a titularidade. Às vezes, penso que seria bom se outros jogadores sentissem os lugares ameaçados de vez em quando. Era da maneira que não se desleixavam.

Queiroz, entretanto, já veio ontem afirmar que a partir de agora é a sério. Ainda bem. Eu compreendo o mau resultado, percebo que aquilo tenha sido mais um treino do que um jogo. Espero que, ao menos, tenha servido para se tirar ilações sobre o que é preciso fazer. Não me importo que se perca ou empate nestes jogos, mas quando estivermos no Mundial não haverá desculpas para ninguém!

P.S. Surgiu outro tema de apoio à Selecção. Desta vez, chama-se, se não me engano, A Selecção de Todos Nós e é inerpretado pelos Fonzie. Podem ouvi-lo neste vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=4-qzzkMnzrs. Tenho também um link para download http://cid-f2b324c1ea207c60.skydrive.live.com/self.aspx/.Public/A%20Selec%C3%A7%C3%A3o%20de%20Todos%20N%C3%B3s.mp3?wa=wsignin1.0&sa=131084116 . É um tema bem rock e sendo esse o meu estilo musical preferido... Certamente deve ser interpretado esta tarde no Rock in Rio, já que os Fonzie vêm substituir os Sum 41, que cancelaram a sua actuação. Não faltam mesmo hinos de apoio à Selecção neste Mundial...

Probabilidades e estatística

Ontem, Pepe, Ricardo Costa e Ricardo Costa e Zé Castro juntaram-se aos companheiros de Selecção no Estágio e preparação do Mundial 2010, que está a decorrer na Covilhã. Pepe revelou aos jornalistas que a sua recuperação está num bom caminho, que tenciona trabalhar arduamente nestas semanas de estágio e que sente muita vontade de ajudar a Selecção.

Nani também falou à Comunicação Social e revelou que se sente ansioso pela chegada dos companheiros, para que a Selecção fique completa. O marmanjo revelou que espera, sobretudo, por Cristiano Ronaldo. Nani tenciona provar que é melhor do que o madeirense... no pingue-pongue.

Na manhã de Domingo passado, houve treino aberto ao público e a população de Covilhã respondeu em força. Vieram dois mil assistir ao treino, apesar de só estarem presentes sete marmanjos, e, pelo que li nos jornais, o público vibrou com os jogadores. Parece que a própria cidade de Covilhã está a receber muito bem a Selecção Nacional. Vi fotografias de lojas e barraquinhas vendendo produtos relativos à Selecção e, de acordo com os jornais, sempre que os jogadores passam, ouvem-se aplausos. É bom saber que o povo está com a Selecção... apesar de as duras críticas à Convocatória de Carlos Queiroz ainda persistirem nos Media.

Eu confesso que estas críticas começam a irritar-me e admito que não é uma reacção racional, longe disso. Só que eu também duvido que as opiniões expressadas sejam totalmente racionais, que não haja muito clubismo por detrás daquilo. Eu até compreendo muitas das críticas e até concordo com algumas. Mas não entendo porque é que este pessoal não pode parar de choramingar as ausências e as presenças de certos jogadores - e eu, de resto, duvido que boa parte destes últimos cheguem a titularidade, ou mesmo que vão todos para a África do Sul. Quer dizer... não podem engolir isso e apoiar a Selecção? A actividade clubística em Portugal já cessou, por isso não podem invocar a desculpa de darem mais importância ao clube do que à Selecção. Até agora, só João Gobern e Artur Agostinho afirmaram que apoiariam a Selecção, mesmo depois de criticarem a Convocatória. E o primeiro até criticou bastante duramente. É isso que mais me irrita. Que mais ninguém diga:
- OK, a minha lista não era esta, mas pronto, é a Selecção. Força Portugal!

Enfim, não vale a pena gastar cera com estes defuntos.

Entretanto, saiu ontem um estudo da PricewaterhouseCoopers (o que quer que isso seja...) que concluiu que a Selecção que, de acordo com as estatísticas, a Selecção Brasileira é a mais forte candidata a sagrar-se Campeã do Mundo. Existem ainda referências à Alemanha, à Itália e à Argentina. Estas quatro selecções, contando com o Brasil, são, de acordo com este estudo, as que possuem maiores probabilidades de levarem a final de vencida. Isto por possuirem forte historial nesta competição.

Nós também somos mencionados como fortes candidatos. Nós e os gregos, sobretudo por causa dos nossos recentes bons desempenhos. Muita gente concorda com isso, pelo menos na parte que diz respeito a nós. Toda a gente diz que só não somos favoritos porque nunca ganhámos um Mundial. O estudo refere ainda que as selecções africanas também têm boas hipóteses, visto terem o factor casa do lado deles.

Eu confesso que não acredito muito neste estudo. Em primeiro lugar, porque é que não falam da Espanha, que é campeã da Europa e fez uma qualificação brilhante? E, peço desculpa, de que "bons desempenhos gregos" estão eles a falar? Eles nem se qualificaram para o último Mundial! E não foram nada de especial no Euro 2008! OK, ganharam o Euro 2004 (grrr...), mas a Espanha ganhou o de 2008 e não falaram nela.

E daí talvez tenham falado. Só que no artigo em que li isto (http://desporto.sapo.pt/mundial2010/artigo/2010/05/17/brasil_favorito_a_ganhar_campe.html) não falam dela.

Outros critérios que não compreendo são os do ranking da FIFA. Como é que chegámos ao terceiro lugar?!? Quando eu soube que estávamos em terceiro, a minha primeira reacção foi, literalmente:

- Hã?!?

Como já mencionei aqui, nós estivemos numa final de um Campeonato Europeu, ficámos em quarto lugar num Campeonato do Mundo, e, se não me engano, não passámos do sétimo lugar. Contudo, agora ascendemos ao terceiro lugar, meses depois de uma qualificação resvés Campo de Ourique, como diz a minha mãe... E em Agosto estávamos em décimo-sétimo lugar... Mas enfim, se nos querem meter em terceiro lugar, eu não me queixo. Antes no topo do que no fundo.

Existe de facto muita gente a colocar-nos entre os candidatos ao título, mas eu não estou assim tão optimista. Por isso é que sou grande adepta da máxima "pensar jogo a jogo" - se me ponho a pensar nos adversários que nos esperam se passarmos a fase de grupos, fico com insónias!

Na semana passada, o meu irmão esteve a olhar para o mapa com os jogos com Mundial. Este mapa vinha no jornal, no dia a seguir ao sorteio dos grupos do Mundial. Eu afixei-o na parede do meu quarto. Tenciono ir completando o mapa com os resultados dos jogos durante o Campeonato. Mas adiante, eu e ele estivémos um bocado a comentar os nossos adversários.

A fase de grupos não me preocupa muito. Sobretudo por falta de conhecimento sobre a Coreia do Norte e a Costa do Marfim - realmente não sei o que esperar deles. Em relação ao Brasil, sim, já referi que eles são os mais fortes candidatos ao título mas, como foi recentemente assinalado, não me lembro por quem, possuem uma fraqueza: eles sabem que podemos vencê-los.

A propósito do Brasil, Pepe também falou dos nossos adversários, ontem. O marmanjo luso-brasileiro tenciona vingar a pesada derrota de Novembro de 2008. O último jogo ficou atravessado e está mais do que na hora de mostrarmos ao Mundo que nós temos valor e que aquele último jogo foi um lapso, disse ele.

O pior será depois. Se não conseguirmos passar a fase de grupos em primeiro lugar, o mais provável é levarmos com a Espanha em cima. E se conseguirmos vencê-los, um dos possíveis adversários é a Itália. Como observou o meu irmão, primeiro apanhamos o Campeão da Europa e depois levamos com o Campeão do Mundo em cima... Outros adversários possíveis são a Holanda e o Japão.

No fundo, acredito que estes estudos, rankings, apostas e especulações pouca influência têm. O futebol nem sempre obedece à lógica dos favoritos, dos fortes e fracos. Existem tantos factores a influenciar os jogos que é impossível fazer profecias sobre os resultados. E os exemplos abundam!

Além disso, eu também me sinto pouco confiante porque a qualificação ainda está fresca na minha memória. Convém recordar que as circustâncias de uma fase de qualificação são diferentes das circustâncias de um Campeonato Internacional como este. Nós tínhamos um Seleccionador novo e pouquíssimos dias para treinar como Selecção. Mas agora temos um mês para criar rotinas, para afinar as armas.

Ninguém disse que era fácil. Ninguém disse que o favoritismo está do nosso lado. E toda a gente sabe que as probabilidades e a estatística já foram mais favoráveis. Mas uma coisa é certa: nós vamos dar luta. Não será por não nos esforçarmos que vamos falhar. E eu sei que não farei grande diferença, mas eu faço a minha parte ao escrever este blogue, ao montar vídeos de apoio e tentar enviá-los para o YouTube, ao pendurar uma bandeira à janela, ao envergar os símbolos da Selecção. Tenho é poucas possibilidades de assistir a jogos e treinos, de apoias fisicamente a Selecção. Não é por falta de vontade. A questão não é o que faria pela Selecção, mas sim o que faço pela Selecção. E eu faço quase o máximo que posso. Com todo o gosto.

Primeiro dia de estágio

Hoje, os marmanjos começam a concentrar-se na Covilhã com vista à preparação do Campeonato do Mundo. Parece que hoje só chegam sete jogadores - Nani, Daniel Fernandes, Fábio Coentrão, Eduardo, Pedro Mendes, Miguel Veloso e Liedson - visto que os outros têm ainda compromissos com os respectivos clubes, entre os quais se inclui a final da Taça de Portugal, entre o Futebol Clube do Porto e o Desportivo das Aves, a realizar-se, se não me engano, no próximo Domingo.

Parece que a Federação escolheu a cidade da Covilhã como palco do Estágio de Preparação do Mundial porque iremos jogar em altitude, na África do Sul. Os marmanjos irão, por isso, pernoitar no hotel com maior altitude de Portugal. Penso que o objectivo é fazer com que aqueles vinte e quatro organismos se habituem ao ar rarefeito característico das altitudes elevadas. Para compensar o teor em oxigénio mais baixo do que o habitual ao nível médio das águas do mar, os rins produzem eritropoetina, um composto que vai estimular a síntese de glóbulos vermelhos - para aqueles que não sabem, são as células que transportam o oxigénio pelo sangue. E como os glóbulos vermelhos têm um tempo de vida médio de quartro meses, estes "aguentam" até ao Mundial. Por outro lado, se eles vierem jogar a baixa altitude, como têm maior número de glóbulos vermelhos, maior quantidade de oxigénio será fornecida às células, logo, maior quantidade de energia será produzida. É por isso que a eritropoetina artificial é conseiderada um composto dopante. Curiosamente, pelo que me contaram, treinar em elevada altitude de modo a estimular a produção de eritropoetina não é considerado doping.

Esta tarde, mais precisamente às quatro, Carlos Queiroz dará uma Conferência de Imprensa. Toda a gente espera que ele explique as Escolhas que divulgou na passada Segunda-feira, mas eu duvido. Naquela entrevista a A Bola, sobre a qual falei no outro dia, quando confrontado com a opção que tomara por um jogador qualquer, já não me lembro qual, em detrimento de outro, ele respondeu que, obviamente, fora por considerar que o primeiro era melhor ou estava melhor do que o segundo. Um pouco mais à frente, afirmou que tinha o direito de não explicar as suas opções. Aposto o que quiserem que ele, hoje à tarde, vai voltar a invocar esse direito.

De resto, não estou a ver qual é a vantagem de questionar insistentemente as opções do Seleccionador. Ele não vai chamar o jogador X nem mandar embora o jogador Y, só porque um comentador desportivo considera que o X merece ser Convocado e o Y não! É claro que umas declarações polémicas dão sempre jeito à Comunicação Social...

Depois da Conferência de Imprensa, às cinco da tarde, haverá treino aberto ao público. Os ingressos estão já esgotados. Quer-me parecer que se vai repetir a festa que os anteriores estágios para Campeonatos Internacionais como este foram. E repito o apelo que já tinha feito aquando da preparação para o Euro 2008: aproveitem ao máximo estas semanas em que têm a Selecção ao pé deles, para que estes fiquem ainda mais motivados para fazer um Mundial que fique para a História!

NOTA: a fotografia que utilizei é antiga. Não encontrei nenhuma que mostrasse os jogadores a chegarem à Covilhã...