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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Nova Zelândia 0 Portugal 4 - Luz Verde

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No passado sábado, dia 24 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere neozelandesa por quatro bolas a zero. O jogo teve lugar no Estádio Krestovsky, em São Petersburgo, e contou para a fase de grupos da Taça das Confederações.

 

Não consegui ver o jogo todo na televisão – houve alturas em que tive de acompanhá-lo via rádio, no carro. Felizmente, pude ver três dos quatro golos em direto – só não vi o terceiro.

 

Conforme se previa, Fernando Santos fez várias alterações ao onze inicial para este jogo. Mesmo assim, foi mais conservador do que estava à espera, ao manter jogadores como Cristiano Ronaldo e Pepe. É óbvio que Fernando Santos não se atrevia a subestimar a seleção neozelandesa. Tendo em conta o historial da Turma das Quinas, compreende-se.

 

Infelizmente, a Seleção tornou a demorar cerca de vinte minutos a entrar no jogo. O primeiro remate do jogo, aos cinco minutos, veio da Nova Zelândia.

 

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A nossa sorte foi que os neozelandeses não tinham capacidade para se aproveitar do avanço oferecido pelos portugueses. E, assim, Portugal acabou por ganhar controlo sobre o jogo.

 

Ao fim da primeira meia hora, o árbitro assinalou pénalti a favor de Portugal, depois de o Danilo ter sido derrubado na área. Cristiano Ronaldo não perdoou, tal como se esperava – nada a dizer.

 

O meu momento preferido do jogo ocorreu alguns minutos mais tarde: com aquele delicioso passe de Ricardo Quaresma para Eliseu. Este assistiria, depois, para Bernardo Silva marcar. Nessa altura, estava a ver o jogo num café cheio de benfiquistas. Estes não se tinham manifestado muito aquando do golo de Ronaldo (mas também, tal como afirmei acima, todos sabíamos que ele ia marcar). No entanto, eles fizeram questão de festejar efusivamente este golo, mais por causa de Eliseu do que por outro motivo qualquer.

 

 

Eu mesma tenho de admitir que, apesar de continuar a preferir o Raphael Guerreiro, o Eliseu cresceu muito como jogador nestes últimos anos. Quer com Raphael quer com ele, o lado esquerdo da defesa da Seleção está bem entregue.

 

Infelizmente, o momento do golo foi estragado pela lesão de Bernardo Silva. Ele ainda conseguiu aguentar em campo até ao intervalo, mas acabou por ser substituído. Todos esperam que ele recupere a tempo das meias-finais, que a Seleção beneficia imenso com ele.

 

O pior momento do jogo, tirando a lesão de Bernardo Silva, foi o cartão amarelo mostrado a Pepe, na segunda parte – cartão amarelo esse que o exclui das meias-finais. Muitos têm criticado Fernando Santos por não ter substituído Pepe antes, evitando este desfecho e poupando-lhe o esforço. Mas a verdade é que Pepe, depois de tantas asneiras como esta que tem feito ao longo da sua carreira, já devia ter mais juízo.

 

Em todo o caso, José Fonte será capaz de dar conta do recado – desde que tente evitar os erros que cometeu, durante o jogo com o México.

 

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Entretanto, mais ou menos aos sessenta minutos de jogo, Cristiano Ronaldo foi substituído por Nani. Notou-se, desde o primeiro minuto em campo, que estava com ganas – não só por ser a sua centésima-décima internacionalização, mas também para se redimir do jogo menos conseguido, na estreia portuguesa na Taça das Confederações. Para provar que, mesmo com a concorrência de talentos como Bernardo Silva, Ricardo Quaresma ou Gelson Martins, a Seleção pode, também, contar com Nani – contrariando todos aqueles que, à primeira falha, se apressam a riscá-lo da lista de opções. Já tinha acontecido mais ou menos o mesmo durante o Europeu, no ano passado.

 

Antes de Nani ter hipótese de brilhar, contudo, foi a vez de André Silva mostrar o que vale. Aos oitenta minutos, o jovem recebeu a bola no meio-campo e arrancou em direção à baliza. Mais tarde, ele diria que estava à espera que algum dos colegas viesse ajudá-lo mas, como ninguém estava a jeito, ele “tentou ser feliz. E conseguiu.”

 

Por fim, Nani marcou o quarto golo, já nos descontos. Momento fofo quando ele mostrou a foto do filho, Lucas – consta que fora uma promessa.

  

 

Este resultado deu-nos, assim – parafraseando uma brilhante jovem neozelandesa – luz verde para as meias-finais. Nada mau para um estreante na prova, diga-se de passagem. Já há quem fale da final é de uma conquista do troféu. Não que seja impossível – qualquer semi-finalista é, por defeito, candidato ao título – mas não quero meter a carroça à frente dos bois. Sobretudo porque as meias-finais não vão ser nada fáceis.

 

O nosso adversário será o Chile, cuja maior figura é Arturo Vidal, um médio que joga no Bayern de Munique. A seleção chilena tem uma história parecida com a nossa: até há bem pouco tempo, nunca tinham ganho nada. Até que, em 2015, venceram a poderosa Argentina, na final da Copa América. No ano passado, venceram ainda a Edição Centenário da Copa América. Estão, também, a participar na Taça das Confederações pela primeira vez. E eu imagino que, tal como nós, tenham tomado gosto a esta coisa de títulos de seleções e queiram repetir a dose.

 

Algo que me deixa um bocadinho (mais) nervosa no que diz respeito ao Chile é o facto de os conhecermos mal. Só jogámos três vezes vezes contra os chilenos: uma em 1928, por 4-2 (após estarmos a perder por 2-0...); uma em 1972, em que ganhámos por 4-1: outra em 2011, em que empatámos a uma bola (se bem se recordam, não vi esse jogo.

 

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Em suma, as meias-finais podem dar para qualquer dos lados.

 

Nesse aspeto, teria preferido ligeiramente (só muito ligeiramente) apanhar os alemães. Porque os conhecemos melhor (bem demais…), por um lado. Por outro, porque estão desfalcados e estão menos motivados para ganhar a Taça das Confederações.

 

Mas ainda temos o trauma do Mundial 2014…

 

Em todo o caso, como sempre, eu acredito na nossa Seleção. Acredito que podemos vencer o Chile e chegar a mais uma final. Temos tudo para consegui-lo. 

 

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Continuem a acompanhar a Equipa de Todos Nós na Taça das Confederações aqui no blogue, bem como na sua página no Facebook.

Os Eleitos

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Na passada terça-feira, dia 17 de maio, na Cidade do Futebol, Fernando Santos divulgou os vinte e três Eleitos para representar Portugal no Euro 2016. 

 

Ao contrário de Convocatórias anteriores, não houve grande cerimónia na apresentação dos vinte e três nomes: o Selecionador leu a lista e passou de imediato às perguntas e respostas. Eu prefiro assim. Geralmente quando existe demasiada pompa e circunstância no momento da Convocatória - isto é, quando Selecionador e Federação se levam demasiado a sério - a coisa acaba por correr mal. Não sei se as duas coisas estão diretamente relacionadas, mas foi o que aconteceu em 2010 e 2014.

 

Dito isto, gosto imenso do vídeo que a Federação partilhou nas redes sociais. Vejam abaixo.

 

 

Conforme muitos têm expectado, esta é uma convocatória expectável, coerente com os princípios por que Fernando Santos se tem regido enquanto Selecionador. Vários têm dito que não há "surpresas", apenas uma "novidade" chamada Renato Sanches. Pessoalmente, eu não diria que a Eleição do jovem é uma novidade - ele já tinha sido Convocado para a última dupla jornada de particulares. Renato beneficia da lesão muito recente de Bernardo Silva, que terá facilitado as Escolhas de Fernando Santos. Há quem diga que a Chamada de Renato não faz assim tanto sentido, que teria sido melhor Convocar Pizzi, por exemplo. Para ser sincera, contudo, se Renato tivesse sido deixado de fora, mesmo que por motivos legítimos, metade do país atirar-se-ia ao ar. Depois de o Benfica se ter sagrado campeão? Depois de Renato se ter transferido para o Bayern de Munique? Não Convocá-lo daria direito a cadeira elétrica!

 

Eu continuo sem saber se Renato será capaz de lidar com esta pressão toda. Quer da parte dos apoiantes, que já vêm a Seleção como Renato-mais-dez, quer da parte dos adversários, incapazes de ultrapassar as suas azias clubísticas De qualquer forma, Renato dificilmente será titular, pelo menos não nos primeiros jogos. Talvez isso lhe alivie a pressão.

 

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Entretanto, Fábio Coentrão lesionou-se há cerca de um mês e não recupera a tempo do Europeu, o que me deixa de coração partido. Em campeonatos de seleções ele tem sido um dos preferidos, muito graças à sua constante irreverência e inconformismo. O Euro 2016 não será o mesmo sem ele. A única coisa boa que deriva da lesão dele é ter permitido a Convocatória de Raphael Guerreiro. Não vou reclamar muito contra a Convocatória de Eliseu porque ele tem feito um bom trabalho no Benfica - destaque para a assistência perfeita para o golo de Jiménez, contra o Bayern. No entanto, vou fazer figas para que Guerreiro seja titular, que ele na Seleção tem jogado melhor que Eliseu.

 

Outro Marmanjo a quem vou dar o benefício da dúvida é Éder. Concordo com a opinião geral de que existe por aí muito ponta-de-lança mais merecedor de um lugar no Euro: Hugo Vieira, Bruno Moreira, André Silva... Eh pá, até Hélder Postiga seria melhor, já que ele até tem marcado várias vezes pelo seu clube e tem golos em três Europeus. Dito isto tudo, Éder tem passado por um bom momento no seu clube, o Lille. Esta não é, portanto, a pior altura para Convocar o avançado. E como de qualquer forma a tática principal dispensará ponta-de-lança, não há de fazer muita diferença.

 

Mas se este Europeu passar e ele continuar sem meter a bola na baliza, por favor, Chamem outro ponta-de-lança para a Qualificação para o Mundial 2018!

 

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Tirando isto que acabo de referir, não acho que existam grandes motivos de contestação a esta Convocatória. Pode haver quem discorde de mim, evidentemente, mas, até agora, não tenho encontrado objeções relevantes. Isto costuma ser bom sinal - foi-o em 2012. Na minha opinião, a Convocatória é boa, melhor que há dois anos, mas também, como escrevi na entrada anterior, o mais importante é todos chegarem em boas condições físicas a França, que o que se passou no Brasil foi uma tragicomédia.

 

Tenho, aliás, tido alguns flashbacks de 2014 nos últimos tempos por causa das lesões com que Cristiano Ronaldo se tem debatido. O facto de o Real Madrid se ter qualificado para a final da Liga dos Campeões (o que obriga Pepe e Cristiano a faltarem à primeira semana do estágio - mais sobre isso adiante) não ajudou. Vou ser sincera, estive muito perto de torcer pelo Manchester City, só para Cristiano e Pepe não se desgastarem com um jogo de grande intensidade. No entanto, no decurso do jogo das meias, não fui capaz de torcer contra eles. Fernando Santos garante que Ronaldo estará "na sua melhor forma"  no Europeu, que "está a preparar-se física e mentalmente" para isso, que tem "uma ambição muito forte" relativamente a este campeonato. Não que não acredite nele, mas... também se dizia isto aquando do Mundial 2014. De qualquer forma, a situação não me parece tão grave este ano. Vou esperar que corra tudo pelo melhor desta vez. E já que ele e Pepe estão na final da Liga dos Campeões... que a ganhem. 

 

A verdade é que, este ano, o calendário futebolístico está muito estranho. A final da Champions decorre apenas um dia antes do nosso particular com a Noruega. Isto faz-me imensa confusão: estou habituada a ter datas para jogos de clubes e datas para jogos de seleções bem definidas e separadas. De repente colocarem os particulares das seleções no mesmo fim de semana que a final da Champions é demasiado amadorismo para o meu gosto (falarei melhor sobre estes jogos num futuro texto).

 

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Com tudo isto, o estágio só começa oficialmente na próxima segunda-feira, dia 23 de maio. Só treze jogadores começam no primeiro dia, os restantes virão às pinguinhas ao longo do resto da semana. Por esses dias, o estágio vai ser mais soft, semelhante ao dia-a-dia de um clube: os Marmanjos vêm de manhã e regressam a casa no fim do dia, depois dos treinos. No dia 30 é que a Seleção começa a estar em regime de "internato", ainda que com dias e noites de folga, evidentemente.

 

Como tal, visto que ainda temos alguns dias e vários jogos de clubes até a Seleção se reunir de novo, vou esperar até segunda-feira para pendurar a bandeira à janela. Este ano vai para o quarto da minha irmã em vez do meu, que agora temos uma cadela e ela gosta de espreitar pela minha janela. Em compensação, estou a pensar arranjar-lhe um cachecol ou uma bandeira mais pequena para ela usar nos jogos do Europeu: mais ou menos assim.

 

Gostei de ouvir Fernando Santos agradecendo aos jogadores que ajudaram a garantir o Apuramento, mas que não foram Convocados. Fica bem a gratidão. Por outro lado, voltando a pegar no assunto do meu texto anterior, Fernando Santos reiterou a ambição de ganhar o Europeu. "Não é uma questão de fé, é uma questão de acreditar.", disse ele, o que remonta para aquilo que escrevi sobre a diferença entre um sonho e uma ambição. Disse também que Portugal, não sendo favorito, é capaz de "defrontar qualquer adversário" - algo com que todos concordam.

 

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Quanto a nós, é o costume: ao longo deste estágio, o meu coração estará sediado na Cidade do Futebol (espero que hajam treinos abertos e que dê para dar lá um saltinho) e, mais tarde, no Centro Nacional de Râguebi, em Marcoussis. Dentro das minhas possibilidades, manter-me-ei a par do que for acontecendo com a Seleção. Espero que este seja o início de uma caminhada memorável pelos melhores motivos.

 

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Portugal 1 Itália 0 - Matando demónios

heróis de genebra.jpgNo passado dia 16 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu, por uma bola sem resposta, a sua congénere italiana num jogo de carácter particular, que teve lugar em Genebra, a Suíça. Foi a primeira vitória de Portugal frente à Itália desde 1976. O autor do único tento da partida foi Éder.

 

O Éder, minha gente, o Éder! Se já é difícil acreditar que Portugal finalmente ganhou à Itália - e sem Cristiano Ronaldo - saber que foi o Éder quem marcou o golo da vitória deixa qualquer um de queixo caído. Mas já lá vamos.

 

Eu não estava à espera de um jogo particularmente memorável, por várias razões (fim de época, ausência de figuras importantes, só o facto de ser um particular tira motivação aos jogadores e tensão ao jogo...). No entanto, durante a primeira parte, até fiquei satisfeita com a exibição dos portugueses, apesar do ritmo de fim de temporada. O domínio do jogo esteve relativamente repartido. Neste jogo notou-se, igualmmente, que a sorte estava do nosso lado e que eram os italianos a cometer mais erros - destaco o momento em que o Éder rouba a bola após um atraso infeliz para o guarda-redes italiano (uma oportunidade que, infelizmente, não soubemos aproveitar). É uma alternativa agradável ao que costuma ser a regra, da qual o jogo com a Arménia foi um exemplo.

 

Na altura em que Fábio Coentrão se lesionou, tendo de ser substituído por Eliseu, fiquei chateada. Desde o jogo com a França tinha embirrado com o lateral do Benfica - para aquela posição, prefiria mil vezes o Raphael Guerreiro que, apesar de jovem, marcou no seu segundo jogo pela Seleção, ainda por cima à Argentina. Da mesma maneira como embirrava com Éder, que já tivera inúmeras internacionalizações e zero golos pela Seleção. Digam o que quiserem do Hugo Almeida e do Hélder Postiga, mas, tanto quanto me lembro, eles demoraram menos tempo a marcar com a Camisola das Quinas, tendo ambos, até, uma série de golos no currículo que, em diversas ocasiões, nos foram preciosos.

 

É claro que, mais tarde, teria de engolir as minhas embirações. Algo que fiz com alegria.

 

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A primeira parte terminou numa nota positiva para as cores lusas. Não pude acompanhar o início da primeira parte via televisiva, pois tive de ir à farmácia. É claro que me fiz acompanhar das palavras de Nuno Matos. Através do relato dele, soube que escapámos a um golo da Itália de pontapé livre por milagre - a bola bateu primeiro na trave e a recarga saiu ao lado. Mais uma vez, sabe bem ver a Sorte divertindo-se à custa dos nossos adversários, em vez do oposto, que costuma ser a regra. 

 

Foi também pela boca de Nuno Matos que soube quando Portugal chegou à vantagem. Como não estava em casa, não gritei "GOLO!", mas não deixei de festejar silenciosamente à minha maneira e, de qualquer forma, Nuno Matos deu voz às minhas emoções ("O Éder marcou! O Éder marcou! O Éder marcou!"). 

 

 

Durante muito tempo, depois do fim do jogo, fui repetindo para mim mesma: "O Éder? O Éder?". Quando mais tarde vi as repetições, soube que a jogada começara no igualmente improvável Eliseu e continuara com Ricardo Quaresma - este não assim tão improvável, sobretudo nesta era com Fernando Santos. Foi uma assistência em grande estilo, de trivela, que desaguou no golo.

 

Depois disto, naturalmente, a confiança dos portugueses disparou. Tivemos várias oportunidades para dilatarmos a vantagem, incluindo um pontapé de bicicleta de Éder - estava com ganas naquela noite... Nenhuma se concretizou e, mais perdo do fim, foi a vez dos italianos tentarem o empate. Valeu-nos Beto, que agarrou diversas bolas em que eu já via o golo. Não dei a vitória por garantida até ao apito final pois sentia que a Itália poderia empatar a qualquer momento. O que, felizmente, não aconteceu.

 

Tal como dei a entender antes, o desfecho do jogo deixou-me a rir de incredulidade. Tinha baixas expectativas para este encontro, mas pela enésima vez a Seleção apanhou-me de surpresa. Pela primeira vez em quarenta anos, Portugal vencia a Itália - cortesia dos jogadores mais improváveis (tirando Quaresma), na minha opinião. À semelhança do que aconteceu em 2013, a época teve um final feliz. A que terminou agora não começou nada bem, mas tornámos a entrar nos eixos relativamente depressa. Não temos muitos motivos de queixa.

 

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No final do jogo com a Sérvia, Fernando Santos dizia que as coisas estavam a correr bem. Continuamos nessa linha. Se formos a ver, no mandato dele, a Seleção tem sido capaz de, digamos, quebrar maldições antigas, matar uma série de demónios. Vencemos equipas que não vencíamos há décadas - a Argentina e a Itália. Vencemos a Dinamarca fora pela primeira vez em não sei quantos anos. Estreámo-nos, também, em vitórias frente à Sérvia e à Arménia fora. Éder marcou, finalmente. Contra as expectativas de muitos (eu incluída), a Turma das Quinas venceu uma boa equipa (não digo "uma grande equipa", pois tratava-se de uma Itália desfalcada) sem Cristiano Ronaldo. Pela primeira vez em dez anos (Dez. Anos.), o Apuramento decorre sem sobressaltos. A brincar a brincar, até a minha superstição do equipamento preto foi contrariada - a Turma das Quinas ganhou a uma equipa que não o Luxemburgo com ele vestido.

 

Com tudo isto, se em setembro conseguirmos vencer a França, começarei a acreditar verdadeiramente que poderemos vencer o Euro 2016. 

 

É claro que sei que as coisas não são assim tão lineares, que cada um dos exemplos que referi ocorreu em circunstâncias específicas. No entanto, é o suficiente para deixarmos de acreditar em impossíveis. Tal como escrevi antes, Fernando Santos define como objetivo o título europeu e garante que a Seleção tem trabalhado para isso, desde o primeiro dia do seu mandato. É o que ele diz e a verdade é que, o que quer que ele esteja a fazer, ele está a conseguir fazer coisas que outros não conseguiram. Todos concordamos que ainda temos caminho a percorrer, que ainda estamos a dar os primeiros passos, mas o que tenho visto até agora chega-me para acreditar que, se continuarmos assim, teremos condições para, daqui a um ano, matarmos o nosso último e maior demónio: a conquista do primeiro título.

 

Portugal 5 Islândia 3 - Wake-up call

Na passada Sexta-feira, a Selecção Portuguesa de Futebol recebeu a sua congénere islandesa no Estádio do Dragão e venceu-a por cinco bolas contra três.

Eu até estava bastante calminha no início deste encontro. Só que a Selecção Nacional não entrou da melhor maneira no jogo enquanto a Islândia entrou invulgarmente desenvolta, como que desafiando o estereótipo da equipa teoricamente mais fraca, e assim se manteve durante uma boa parte do jogo. Eu e o meu pai até trocámos umas piadas secas em relação a isso:

- Os islandeses, com este calor, deviam derreter… – disse o meu pai.

- Não – respondi eu – Eles geralmente ‘tão congelados lá na Islândia mas aqui, com o calor, descongelaram, ganharam energia cinética e ‘tão mais mexidos…

Se era por causa do calor, não sei, mas a verdade é que os islandeses estavam a dar luta. Como resultado, após terem tido o primeiro momento de perigo do jogo e três pontapés de canto marcados a seu favor seguidos, eu já roía as unhas.

Felizmente, o nervosismo não durou muito pois Eliseu assistiu para a cabeça de Nani que, marcou, deste modo, o primeiro golo do jogo aos treze minutos. Assim estava melhor. Mais tarde, o mesmo Marmanjo, cheio de lata, aproveitou um atraso para o guarda-redes islandês mal conseguido e marcou o segundo golo.
Estes dois tentos do Nani trouxeram à memória os dois golos que ele marcara, havia precisamente um ano menos um dia, no mesmo estádio, frente à Dinamarca, no primeiro jogo de Paulo Bento – precisamente o desafio em que a Selecção Nacional iniciou o seu renascimento. Como tal, estes dois golos pareceram-me um bom prenúncio para o resto do jogo.

E as coisas de facto correram bem até ao intervalo, com destaque para o golo engraçado de Hélder Postiga, em que a bola primeiro bateu na barra e só depois cruzou a linha de baliza. Não há muito a dizer em relação a este tento. Já se sabe que o Hélder tem altos e baixos mas, quando veste a camisola das Quinas, costuma fazer o gosto ao pé.

Ao intervalo tudo parecia estar decidido. Certamente, na segunda parte, os portugueses limitar-se-iam a manter o jogo sob controlo, a pouparem-se para o desafio frente à Dinamarca, talvez marcassem mais um ou outro golo. Era o que se esperava mas não foi bem isso o que aconteceu,

O primeiro golo da Islândia não preocupou por aí além. Fora por 3-1 que tínhamos ganho há um ano, na casa deles. Ainda havia tempo para se dilatar a vantagem.
Quando eles marcaram o segundo é que se começou a ver a vida a andar para trás. Recomecei a roer as unhas.

Nos cerca de vinte minutos que se seguiram, por algumas vezes, a Islândia esteve perigosamente à beira de anular a nossa vantagem – nessas alturas, a minha mãe dava-me vontade de dar um berro quando se punha a dizer coisas como:

- Olha o terceiro golo deles.

O Cristiano Ronaldo, esse, coitado, estava em noite não. Não que tenha jogado mal, ele até ajudava a equipa. Só que, amiudadas vezes, fazia uns remates de longe, estilo tiro-ao-alvo, que nunca entravam. Notava-se nas expressões que ele exibia que queria marcar um golo.

Ele e o resto da equipa começavam a dar sinais de intranquilidade e não eram os únicos; nesta altura, já eu fazia contas à vida, interrogava-me como raio haveríamos de fazer frente à Dinamarca jogando assim. Os adeptos presentes no estádio também não estavam a achar graça e, a certa altura, exprimiram o seu descontentamento através de assobios. Eu, geralmente, sou contra isso mas, naquela altura, até compreendia.
Em todo o caso, os adeptos não demoraram a trocar os assobios por gritos de “POR-TUG-AL! POR-TU-GAL!”. E resultou porque, depois disso, o Eliseu voltou a assistir, desta feita para Moutinho, que enviou a bola para as redes islandesas. Nas bancadas, um adepto segurava um cartaz dizendo: “Moutinho, génio da bola, dá-me a tua camisola”. Tal génio revelou-se aos oitenta e um minutos com o quarto golo de Portugal e devolveu-nos a tranquilidade. Grande Moutinho!

Mais uma vez ficou provado que, quando as coisas não estão a correr bem, os assobios não resolvem nada mas as manifestações de apoio até podem ajudar.

Cinco minutos mais tarde, Eliseu, que estava a fazer o jogo da vida dele, dilatou ainda mais o marcador com um belo remate de fora da área. O cabo-verdiano açoriano (como lhe chamei, na brincadeira, depois deste golo) foi considerado o homem do desafio e mereceu-o. Revelou ser uma boa alternativa a Fábio Coentrão e, como afirmou Nani, outra figura do jogo, “mostrou a Bento que pode contar com ele para o que der e vier”. Eliseu engrossou, assim, a lista, de tamanho considerável, de jogadores prontos a dar a sua parte pela Equipa de Todos Nós.

Ainda houve tempo para a Islândia marcar um terceiro golo, de penálti. Não teve efeitos práticos para além de diminuir a vantagem portuguesa, mas Johannesson, o Seleccionador Islandês, parecia muito feliz depois deste tento. Mais tarde, confessaria que se sentia satisfeito por a sua equipa ter marcado três golos a Portugal e diria, sem rodeios:

- Com a bola, Portugal é uma das melhores Selecções do Mundo mas, sem ela e a defender, os jogadores são um pouco preguiçosos.

Se foi por preguiça dos Marmanjos, não sei, mas a verdade é que este encontro teve altos e baixos e deixou bastante a desejar no que toca à defesa. O meu pai disse que o problema fora a falta dos titulares habituais, como o Pepe. E o Ricardo Carvalho. Talvez. O pior é que estes jogadores continuam indisponíveis para Terça-feira…

Hélder Postiga afirmou que “estes jogos servem para corrigir erros”. E, de facto, é preferível cometê-los frente à Islândia, que não soube aproveitá-los para obter a vitória, do que frente à Dinamarca. Por outro lado, se estivéssemos a enfrentar esta última selecção, seria pouco provável que os Marmanjos baixassem a guarda desta maneira… Em todo o caso, este jogo serviu de aviso, de wake-up call (chamada para acordar), como dizem os ingleses, mostrando que as coisas não vão ser fáceis na próxima Terça-feira.

Agora basta empatarmos para garantirmos a qualificação directa para o Europeu de 2012. Podemos até perder o próximo jogo, desde que sejamos a melhor selecção classificada em segundo de toda a prova. Esta ideia foi repetida até à exaustão pelos locutores da Antena1, durante o rescaldo do encontro de Sexta-feira. Eu prefiro não me fiar nessa, irrita-me estar a fazer esse tipo de contas quando não precisamos, quando basta um empate para nos qualificarmos.

Felizmente, não sou a única a pensar assim. Paulo Bento garantiu que “não planeia derrotas, não planeia empates” e todo o resto da Turma das Quinas aparenta afinar pelo mesmo diapasão. Tudo indica que o jogo de Terça-feira será uma autêntica final, intenso, emotivo, pois não acredito que os nossos amigos nórdicos nos facilitem a vida nem que joguem para o empate. Espero que os marmanjos não repitam os erros de Sexta-feira. Espero que, como dizia n’O Jogo, não parem de acelerar até a corrida estar ganha, até a qualificação estar assegurada, até os efeitos das polémicas do ano passado estarem definitivamente anulados, até o renascimento da Selecção estar finalmente consumado. É com isso que conto. E acredito que os Marmanjos não nos vão desiludir.