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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

"Agora Qualifiquem-se, OK?"

Anteontem, segunda-feira dia 12 de agosto, a Seleção Portuguesa de Futebol efetuou o seu primeiro treino de preparação do embate particular, frente à sua congénere holandesa, a realizar-se hoje à noite, às 20h30, no Estádio do Algarve. O treino, aberto ao público, teve lugar no Estádio Nacional, no Jamor... e eu estive lá, com a minha irmã e uma amiga dela.

Pela fotografia, julgo que se pode deduzir como correu.

Não escrevi a minha habitual entrada de análise aos Convocados e de análise ao jogo que se avizinha por dois motivos. O primeiro é por considerar que pouco poderia dizer que já não tivesse dito anteriormente. Ao fim de não sei quantos anos de blogue, um certo desgaste é inevitável. Não tanto nas crónicas pós-jogo - cada encontro, seja ele oficial ou particular, é único, essa é uma das belezas do futebol. Mas nestas entradas pré-jogo, tenho de puxar pela minha criatividade para não escrever sempre o mesmo texto outra a outra vez. E como, de resto já planeava ir a um treino aberto e escrever sobre isso, não me importei.

O motivo principal, contudo, foi o facto de ter passado a última semana - incluindo o dia da Convocatória  de férias no estrangeiro. É claro que agora todo o hotel que se preze tem wi-fi, por isso, a desculpa é questionável. No entanto, não levei o meu computador comigo e o meu irmão mal me deixava tocar no dele. De resto, também estava a precisar de uma pausa da Internet. Em todo o caso, deu para ir ficando a par das principais novidades: os Convocados, a onda de lesões (outra vez, Nani?!?), a transferência de Hélder Postiga para o Valência, a derrota do Chelsea aos pés do Real Madrid.


Deu também para saber que, na preparação deste particular com a Holanda só haveria um treino aberto, na segunda-feira às 17h30, sendo que o treino de terça-feira de manhã apenas seria aberto aos Órgãos de Comunicação Social, durante quinze minutos. O que me contrariava por diversos motivos. Um deles era por ser no dia que se seguiu ao nosso regresso a Portugal, deixando-nos pouco tempo para recuperarmos da cansativa viagem. Além disso, num treino matinal, o calor não seria um inconveniente tão grande e não existira a urgência de não chegar demasiado tarde a casa. O motivo principal foi, contudo, o facto de suspeitar - acertadamente - que vários jogadores, com destaque para Cristiano Ronaldo, se baldariam àquele treino.

Eu devia era falar com os boys do Miguel Relvas, a ver se este blogue e respetiva página de Facebook me garantiam uma equivalência a Órgão de Comunicação Social...

Quer-me parecer que, para o melhor e para o pior, ir ver a Seleção ao Jamor será sempre uma aventura - até porque o local continua a ser isolado, meio degradado nalgumas zonas, e a ter péssimos acessos.

Por estes e por outros motivos - incluindo as peripécias na viagem de ida de há um ano - este nosso passeiozinho foi cuidadosamente planeado. Viemos equipadas com três garrafas de água fresca - porque o calor apertava - pacotinhos de bolachas para o caso de nos dar a fome, cartões carregados com dinheiro para os transportes, dinheiro extra para o caso de precisarmos de um táxi, o número de telefone da respetiva central, máquina fotográfica, cadernos e canetas para os autógrafos. Como agora vivemos em Lisboa, fomos de Metro até ao Cais do Sodré, onde apanhámos a Linha de Cascais. Apeámo-nos na minúscula e antiquada estação da Cruz Quebrada, atravessámos o pequeno bairro degradado e, debaixo do sol abrasador, subimos até ao Estádio, os holofotes entre as árvores servindo-nos de marco orientador. Receosa como estava dos atrasos dos comboios e de outros imprevistos, fiz questão de sairmos cedíssimo - como resultado, chegámos ao Jamor uma hora antes o início do treino.


Não fomos as únicas, de resto. Ainda não estava ninguém à entrada do Estádio mas, mais acima, junto ao parque de estacionamento, já se haviam juntado umas boas trinta pessoas, à espera do autocarro da Seleção. Aqui, encontrámos a Bárbara, uma seguidora da minha irmã no Twitter, uma jovem sportinguista, tal como ela, que viera ao Jamor praticamente só para ver o Miguel Veloso, o seu herói. Trazia um cartaz verde fluorescente, pedindo uma camisola ao jogador do Kiev que já lhe tinha sido prometida quando ela fora ao jogo com a Rússia.

Ainda ficámos uma boa meia hora à espera do autocarro, unto ao portão através do qual, no ano passado, o Eduardo, o João Pereira e o Rui Patrício nos haviam dado autógrafos. Sempre que se vislumbrava um autocarro ao fundo da estrada, as pessoas entusiasmavam-se:

- São eles? São eles?

Não eram e eu ria-me. Sabia perfeitamente que, quando fosse a Seleção, não teríamos dúvidas. E, quando eles chegaram, tal como previ, vinham no costumeiro autocarro cor-de-laranja, rodeados de polícias - a minha irmã chegou mesmo a filmar o momento da chegada mas não me deixa divulgar os vídeos. Enquanto o autocarro efetuava a manobra para entrar, chegámos a trocar acenos com o Paulo Bento e o Beto.


Depois de estacionado o autocarrro, ainda esperámos que os jogadores viessem ter connosco, os adeptos, mas não me surpreendi por não terem vindo. De resto, os portões para o Estádio foram abertos pouco depois. Mas ainda houve tempo para as meninas, juntamente com uns quantos adeptos, espreitarem entre as sebes, fazendo lembrar papparazzi, na esperança de vislumbrar um ou outro jogador. Depois de entrarmos para o Estádio, plantámo-nos o mais perto que pudémos da saída dos balneários, apesar de ficar debaixo da luz do Sol. Por algum motivo, desta vez os seguranças pareciam mais permissivos, ninguém nos veio pedir para mantermos as pernas atrás do muro. Conseguimos ver e filmar a subida dos jogadores: o André Martins e o João Pereira, o Rui Patrício e o Eduardo, o Pizzi e o Rúben Amorim, o Nélson Oliveira, o Bruno Gama, o Miguel Veloso, o Hélder Postiga. Nós e os outros adeptos íamos chamando alguns deles, trocando acenos, a Bárbara chegou a gritar ao Patrício que ficasse no Sporting, bem como ao Postiga que regressasse ao clube leonino. Eu, às vezes, ficava tão envergonhada quando os jogadores olhavam na nossa direção que olhava para baixo.

Julgo ter visto o Bruno Gama recebendo a costumeira "receção ao caloiro" antes do aquecimento. Tal como faz igualmente parte da praxe, os jogadores estiveram a passar bolas uns aos outros, dando carolos amigáveis a quem falhava. Nada de novo mas não deixava de ser engraçado vê-los ali, na brincadeira, como se fossem cachorrinhos. Destaque para o André Martins, baixinho, com cara de miúdo, a dar carolos ao Eduardo, que é um matulão.

Ao meu lado, ia ouvindo a Bárbara suspirando pelo Miguel Veloso:

- Ai aqueles braços... Ai, ele mexeu no cabelo... Porque é que ele é tão lindo?

Eu ria-me pois, quando tinha quinze anos, também era assim. A diferença é que limitava estes monólogos ao meu diário e pouco mais. Todas as meninas passa por isto, faz parte do crescimento. E, pelo menos no meu caso, a fase do ai-que-ele-é-tão-perfeito já acabou há muito mas o carinho permanece.


A pedido da minha irmã, ficámos mais um pouco no mesmo sítio, vendo os guarda-redes - logo, o herói dela, Rui Patrício - treinando daquele lado do campo. Achei particularmente interessante um exercício em que Ricardo Peres - o treinador dos guarda-redes, penso eu - e dois dos guarda-redes avançavam em direção à baliza, cada um com a sua bola, mas só um é que rematava, para o terceiro guardião tentar defender. Metia um certo medo ver os três atacantes ao mesmo tempo. Eu é que não queria estar a defender a baliza!

A parte mais interessante do treino foi o minijogo. Gosto sempre de ver aqueles homens a jogar, mesmo sendo naquelas circunstâncias. Como não podia deixar de ser, foram várias bolas aos postes. Sempre que o Hélder Postiga se encontrava com a bola em frente à baliza, eu gritava:

- Vai, Postiga!

Mas a bola acabava sempre por ir parar às mãos do Eduardo ou do Beto. No fim, só houve um golo, de Bruno Gama.



Tal como já foi mencionado, estiveram ausentes muitos dos titulares habituais, incluindo o Cristiano Ronaldo. Irrita-me, contudo, quando dizem, por exemplo, que "a intenção dos adeptos [ao irem ao Jamor] era, obviamente, ver ao vivo Cristiano Ronaldo". Como se a Seleção fosse só ele, como se nós, os adeptos tivéssemos vindo só por causa dele. Não era o caso de nós as três, pelo menos. A Bárbara, tal como já foi referido, viera, sobretudo, pelo Miguel Veloso. A minha irmã queria, como podem deduzir pelo que ela escreveu  nas costas do cartaz da Bárbara, queria uma foto e/ou um abraço do Rui Patrício (infelizmente, não obteve nenhum dos dois). Quanto a mim, vim, não apenas para ver os meus heróis mas também, sobretudo, como forma de demonstrar que os apoiava.

Mas não nego que fiquei desiludida com a ausência do Cristiano.

E ainda pensámos que poderíamos perder mais gente quando o Pizzi foi tocado e começou com queixas Felizmente, passou-lhe e terminou o treino sem limitações.


Tínhamos mudado de lugar para ver o mini-jogo mas, quando os jogadores começaram a fazer os alongamentos finais, voltámos para o local inicial, junto à entrada dos balneários, na esperança de que, pelo menos, o Miguel Veloso viesse ter connosco, atraído pelo cartaz da Bárbara. Eu tinha algumas dúvidas de que isso acontecesse, pensava que só dariam atenção aos adeptos antes de entrarem no autocarro, como no ano passado.

Mas enganei-me, o Miguel veio - consegui filmar o momento - e a Bárbara foi de imediato tirar uma foto com ele. Claro que o resto dos adeptos veio atrás, à caça de fotografias e autógrafos. Eu e a minha irmã juntámo-nos logo à pequena multidão. De alguma forma, consegui manter-me bastante calma, tendo em conta que era a primeira vez, em mais de dez anos apoiando a Seleção - embora, só a tenha começado a seguir fielmente depois do Euro 2004 - era a primeira vez que estava assim tão perto de um jogador. Ainda foi um bocadinho difícil, houve alguma confusão, ainda que de uma forma bastante ordeira e civilizada, até porque os seguranças estavam sempre presentes, calmos mas firmes, para evitar abusos. Estive perto de me meter em foto alheia algumas vezes. Por fim, eu e a minha irmã (uma de cada vez), já conseguimos uma foto com o Miguel, bem como o seu autógrafo.

Entretanto, em resposta aos apelos dos outros adeptos, o Beto e o Eduardo vieram, também, ter connosco. Tal como mencionei acima, ia-me mantendo surpreendentemente calma - mas admito que, se lá estivesse o Cristiano Ronaldo, o Nani ou mesmo o Postiga, talvez caísse para o lado  de sorriso no rosto, que os jogadores retribuíam quando nele reparavam. A minha irmã conseguiu uma fotografia com o Beto e, depois, veio comigo tirar uma foto com o Eduardo - ela pediu-me para a cortar das fotografias que publicasse aqui no blogue. Depois da foto e os agradecimentos, virei-me para o Eduardo e disse-lhe:

- Agora Qualifiquem-se, OK?


Por fim, foi a vez de Paulo Bento vir ter com os adeptos. Tal como os jogadores já o tinham sido, ele foi muito paciente para connosco. Apesar de começar por dizer que não podia demorar muito, que tinha o autocarro à espera, depressa garantiu:

- Eu tiro foto com todos.

De novo tivémos de esperar pela nossa vez. Eu e a minha irmã tentámos várias vezes ir ter com o Selecionador, mas acabávamos por dar o lugar aos outros adeptos, em particular quando eram crianças. Achámos particular graça a dois miudinhos gémeos, loiros de olhos claros, que falavam francês, cada um deles com o equipamento branco da Seleção completo do Cristiano Ronaldo. A minha irmã ficou particularmente feliz quando, a certa altura, Paulo Bento olhou para ela e disse:

- Deixem lá vir a menina, que está aqui à espera.

Contudo, eu e a minha irmã ainda tivémos de esperar um bocadinho mais antes de conseguirmos a tão desejada foto com o Mister. No fim, eu ainda lhe disse:

- Meta o pessoal a jogar.

Mas acho que ele não ouviu. A minha irmã diz que ele ainda lhe piscou o olho.

Eu e as meninas ainda corremos para junto do autocarro, na esperança de que mais um viesse ter connosco, o que não aconteceu. A Bárbara só dizia:

- Eu tive o Miguel ao pé de mim... Eu tive o Miguel ao pé de mim...

Ainda houve tempo para dizermos adeus a Paulo Bento e a alguns dos jogadores antes de o autocarro partir.



Como podem calcular, quando chegámos a casa (tivemos boleia), eu vinha exausta mas era aquele tipo de cansaço que prova de que fizémos o que devíamos, de que tivemos um dia extraordinário. Todo o stress, todas aquelas horas debaixo dos calores do Sara, valeram a pena pois, ao fim de anos sonhano com isto, pude contactar de perto com jogadores e treinador da Seleção, tirar fotografias com eles. Só tenho pena de não ter conseguido ver o Cristiano, o Nani, o Pepe, o Moutinho e os outros, de não ter tirado uma fotografia com o Postiga. Mas um dia conseguirei encontrar-me com mais Marmanjos, se Deus quiser, com a minha troika de ataque preferida. De resto, não devo ficar muito tempo sem vê-los de nov ao vivo, visto que, em princípio, iremos ao jogo com Israel, em Alvalade.

Antes disso, temos outros jogos, começando por o de daqui a menos de duas horas, frente à Holanda, no Estádio do Algarve - ironicamente, uma região fértil em laranjas E, apesar de, tradicionalmente, a Holanda se dar mal connosco em campo, as várias ausências fazem-me recear que esta laranja se revele mais amarga do que o costume. Paulo Bento afirma que o principal objetivo do jogo é manter a competitividade em níveis elevados. Eu acrescentaria que estes dois particulares, frente a adversários de respeito, servem precisamente para os Marmanjos se mentalizarem de que o tempo para brincadeiras já passou, que o que resta da Qualificação é para ser levado a sério.

Como tal, espero para este jogo pelo menos um empate com golos e, sobretudo, uma exibição consistente por parte das cores portuguesas, à semelhança do jogo com a Croácia. No fundo, uma garantia de que aquilo que pedi ao Eduardo será cumprido. Fui ao Jamor para demonstrar o meu apoio para com a Seleção para o resto do Apuramento. Agora, a bola está do lado dos Marmanjos.

Croácia 0 Portugal 1 - Temporada com final feliz

Na passada segunda-feira, dia 10 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol disputou um jogo de carácter particular com a sua congénere croata. Tal encontro teve lugar em Genebra, na Suíça, e terminou com uma vitória pela margem mínima para as cores portuguesas. O único golo da partida foi marcado por Cristiano Ronaldo.

Conforme já tinha dado a entender na entrada anterior, bem como na página do Facebook, não estava à espera de um jogo memorável ou mesmo interessante. Por vários fatores, entre os quais o cansaço de fim de época, o facto de muitos dos habituais titulares não irem jogar, a experiência de jogos amigáveis recentes, bem como outros igualmente disputados em final de época que, de tão irrelevantes, já praticamente ninguém se recorda deles. Acabei por ter uma agradável surpresa com este jogo com a Croácia.

Tal como já mencionei anteriormente aqui no blogue, este era um jogo para homenagear os emigrantes na Suiça, no Dia de Portugal. No entanto, o elevado preço dos bilhetes impediu a lotação esgotada. Ainda assim, o estádio esteve suficientemente cheio de emigrantes portugueses para se considerar que a Seleção jogou em casa. Ao longo do jogo, a assistência foi ouvida frequentemente puxando por Portugal.

Os portugueses entraram no jogo em domínio, embora a falta de rotina entre os jogadores fosse evidente. Cristiano Ronaldo era dos mais interventivos, tentando puxar a equipa com ele, esta é que sem sempre era capaz de acompanhá-lo. Os croatas iam dando um ar de sua graça quando podiam mas era raro apontarem à baliza. O Eduardo raras vezes era chamado a intervir. E ainda bem, que ele pareceu algumas vezes estar perto de cometer uma asneira, daquelas que cometeu no jogo com o Equador. Não sei o que se passa com ele. Será insegurança? O que quer que seja, espero que o Eduardo o ultrapasse o mais depressa possível. É uma pena ver um guarda-redes que ao longo de dois ou três anos fez um ótimo trabalho protegendo as redes nacionais, que foi tão simpático para mim quando estive no Jamor, desperdiçar-se a si mesmo desta maneira.


O golo do Cristiano Ronaldo acabou por vir em boa hora, numa altura em que a Croácia estava mais atrevida. Resultante de um bom entendimento entre Sílvio, Varela e o madeirense, não me pareceu um remate particularmente forte, por isso, não sei que parte dele terá sido frango do guarda-redes croata. Nos festejos do golo, o Ronaldo dirigiu um sorriso rasgado e um gesto de "Não-estou-a-ouvir" aos croatas que, alegadamente - pois não os ouvi - estariam a gritar por Messi.

Ele não consegue evitá-lo, pois não? Acho que nunca vai mudar...

Ainda assim, ainda houve tempo para um gesto de agradecimento ao público português.

Ao intervalo saiu ele e saiu Bruno Alves, dando lugar a Vieirinha e Sereno. Um aparte só para confessar que, durante o intervalo, mudámos para outro canal, onde estava a dar o Toy Story 3. Quando o jogo recomeçou, custou-me imenso mudar de canal de novo. É a primeira vez que me lembro de isto acontecer pois, até agora, um jogo da Seleção vencia com facilidade qualquer outro programa - até porque agora que podemos gravá-los e vê-los mais tarde. Mas o filme estava numa parte tão gira...

Enfim, regressemos ao jogo.


Se na primeira parte, Cristiano Ronaldo destacou-se, o protagonista da segunda parte foi Vieirinha. Endiabrado como esteve neste jogo, o Marmanjo está a tornar-se um sério concorrente a Nani e mesmo - vá lá, com uma saudável dose de exagero - ao próprio Ronaldo. O Vierinha merecê-lo-á se conseguir substituir Nani como titular - algo que pode ser possível caso esta má fase do jogador do Manchester United se prolongue - mas vou ter pena... 

A desarticulação entre os jogadores impediu, na minha opinião, um resultado mais dilatado. Destaque para uma excelente oportunidade, desperdiçada porque Vieirinha calculou mal a posição do Hugo Almeida. Mas, apesar da falta de rotina, apesar de terem existido um par de ocasiões que podiam ter dado para o torto na reta final do encontro, o domínio português nunca foi verdadeiramente questionado. E assim chegámos aos noventa minutos.


O momentâneo sorriso e polegar levantado de Paulo Bento aquando do apito final espelham bem a minha reação a este jogo e a este resultado. Fiquei satisfeita, esperançosa, com um sorriso no rosto para o resto do dia. Não foi um jogo brilhante, tal como o da Rússia não o foi e, mais uma vez, ninguém esperava que o fosse. Herdou, aliás, o espírito do jogo da Luz, a vontade de fazer bem, ainda que as pernas nem sempre conseguissem corresponder às intenções. Houve oportunidade para vários jogadores se destacarem: o inevitável Cristiano Ronaldo, o promissor Vieirinha, Ricardo Costa e João Moutinho que, coitado, pura e simplesmente, não sabe jogar mal, faz tudo dentro de campo.

Gosto é da expressão que li ou ouvi há uma ou duas semanas: quando Moutinho espirra, o F.C.Porto e a Seleção constipam-se.

Foi um dos melhores particulares dos últimos tempos, em que se cumpriram os objetivos, em que os habituais suplentes mostraram vontade de provar o seu valor, ajudando a Equipa de Todos Nós. Comentadores desportivos bem mais sábios do que eu, como por exemplo Rui Santos, continuarão certamente a duvidar do valor desta Seleção, a compará-la com gerações anteriores - apesar de ele também ter criticado essas gerações na altura - mas eu, na minha humilde opinião, pelo que vi nestes dois jogos, considero que a Seleção possui o que é preciso para, pelo menos, se Qualificar para o Mundial do Brasil. Se chega também para um bom desempenho nessa fase final ainda é demasiado prematuro para ser discutido. A Seleção nem sempre tem conseguido dar bom uso a tais qualidades mas quero crer que, nestes últimos três jogos, reaprendemos a jogar com a atitude certa, que essa atitude alinhará de início nos próxímos compromissos da Equipa de Todos Nós.


Encerra-se, assim, mais uma temporada futebolística, se não com chave de ouro, pelo menos numa nota positiva. Foi uma temporada desnecessariamente turbulenta para a Seleção, que nem sempre foi fácil para muitos dos nossos jogadores, mas que penso que teve um final feliz. Antes desta dupla jornada de Turma das Quinas, tinha uma dose significativa de dúvidas. Estas não desapareceram completamente com estes dois jogos, ainda receio eventuais disparates, mas fica uma forte sensação de que estamos de novo no caminho certo. Já não me sentia assim, esperançosa, há bastante tempo.

Segue-se agora a transição entre épocas, um período menos interessante para mim. Podem existir alturas erm que não terei nada para publicar na página do Facebook. No entanto, esforçar-me-ei por manter a página ativa, ainda que publique com menos frequência.

Com um pouco de sorte, estas semanas passarão depressa. Sinto-me ansiosa pelos próximos compromissos, pelo resto da Qualificação. Esta temporada teve um final feliz. Agora, para já independentemente da forma , quero que a próxima temporada termine no Brasil!

Portugal 2 Equador 3 - Ano novo, equipamento novo, os disparates do costume

Na passada quarta-feira, dia 6 de fevereiro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu, o Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães, a sua congénere equatoriana, num jogo de cariz preparatório. No fim do encontro, o marcador assinlavava 3-2 a favor da equipa visitante.
A História recente voltou a repetir-se de uma forma que começa a ganhar contornos alarmantes. Este era mais um jogo em que tínhamos todas as condições para ganhar ou, pelo menos, para não perder. Eu tinha um bom pressentimento, ainda que não deixasse de recear que os Marmanjos metessem água outra vez. Ainda não estava em casa aquando do início do jogo. Estava no carro com a minha irmã, ouvindo o relato na rádio. Cantei o hino com uma mão no volante e outra no coração. A minha irmã até me pediu para irmos mais devagar, de modo a podermos desfrutar do relato radiofónico durante mais tempo.
O jogo não começou mal para o nosso lado, com uma primeira tentativa de golo no primeiro minuto. Agora penso que o jogo poderia ter tido uma história diferente caso o Hélder Postiga tivesse inaugurado logo o marcador. Mas, na altura, fiquei satisfeita por, aparentemente, a Seleção ter entrado em campo com vontade de fazer um bom jogo.
No momento seguinte, ouvi de passagem que os equatorianos tinham pegado na bola. Isto porque encontrava-me a debater com a minha irmã. Esta, uma fan girl do Rui Patrício, ao descobrir que o Eduardo estava na baliza em vez do guarda-redes do Sporting, amuara. Estava eu a defender o guardião titular, explicando à minha irmã que o Eduardo mantivera as nossas balizas invioladas durante jogos e jogos a fio, aquando do Mundial 2010 e respetiva qualificação, quando os equatorianos marcam, num lance em que o guarda-redes português teve culpas no cartório.
Obrigadinha, Eduardo!

Como poderão imaginar, a minha irmãzinha ficou logo numa de eu-bem-avisei assim permaneceu até bem depois dos noventa minutos. A defesa não ficou bem na fotografia aquando do primeiro golo do Equador mas, segundo a minha irmã, isso não seria problema para Rui Patrício, visto que o guardião está habituado a jogar atrás de "defesas parvas" no Sporting. O jogo acabaria por dar-lhe razão e eu própria tive de concordar que a história do encontro poderia ter sido diferente caso o Patrício tivesse jogado.
Coisas que acontecem quando duas "especialistas" do futebol vivem na mesma casa...
No entanto, Paulo Bento tinha de dar uma oportunidade a Eduardo. Como o Selecionador afirmou posteriormente, na Conferência de Imprensa de rescaldo do jogo, o plano era usar os dois guarda-redes suplentes nestes dois particulares. Contra o Gabão jogou o Beto, contra o Equador jogou o Eduardo. Não foi culpa de Paulo Bento que este último guarda-redes tenha desperdiçado a oportunidade e feito aquelas asneiras...


Felizmente a equipa reagiu bem ao golo sofrido, impulsionada por Cristiano Ronaldo - a semelhança de muitos outros jogos, o madeirense foi um dos mais inconformados, mesmo sem estar a cem por cento, nas suas palavras. Durante algum tempo tivemos Seleção a sério - algo a que não havíamos tido direito nos últimos dois jogos. O primeiro golo das hostes lusitanas resultou de um belo rasgo de criatividade, com o Coentrão dando um toque e calcanhar e Ronaldo, num gesto de mestre, ajeitando a bola e rematando, sem hipótese para o guarda-redes do Equador. Primeiro golo do ano!

No início da segunda parte, começava a adivinhar-se o segundo golo da Equipa das Quinas. Este acabou por surgir aos sessenta minutos. Marcado por Hélder Postiga - provando, uma vez mais, ser merecedor da minha teimosa fé nele - embora a jogada tivesse sido iniciada por Ronaldo e Nani tenha assistido. Foi, na verdade, um golo proporcionado pelo nosso trio de ataque, pela minha troika de jogadores preferidos.

Durante um minuto estive felicíssima. Depois de todos estes meses, a Seleção estava prestes a ganhar um jogo de novo! Estávamos de volta! No entanto, a Fortuna não deixou este engano de alma, ledo e cego, durar muito. Nem chegou a dois minutos.


Juro que não percebo que raio passou pelas cabeças de João Pereira e Eduardo, para fazerem aquele disparate. Faz lembrar o golo da Noruega no jogo de setembro de 2010 mas, nessa altura, tinham a desculpa do caso Queiroz. Porquê, João Pereira? Porquê, Eduardo? Vocês até são tipos simpáticos, deram-nos autógrafos quando eu e a minha irmã fomos ao Jamor, porque é que foram fazer aquela parvoíce?

Não é de admirar que a equipa tenha ido abaixo depois disto, sobretudo tendo em conta que jogadores como Cristiano Ronaldo, Nani, Raúl Meireles e Hélder Postiga foram substituídos nos minutos seguintes. Tenho de ser justa, o terceiro golo dos equatorianos não foi nada mau, o Eduardo pouco poderia fazer. Nem quero recordar-me do resto do jogo. Referir apenas que até houve uma bola à trave, por Custódio, só para a festa ser completa.


Que posso eu dizer que já não tenha dito em várias entradas ao longo do último ano, em particular nas últimas três ou quatro? Já não percebo se esta série de maus resultados é azar, é incompetência, sei lá... O jogo não foi completamente mau, é certo. Como disse acima, tivemos bons períodos mas depois deitámos tudo a perder com infantilidades. Não culpo o João Pereira nem o Eduardo. Eles já fizeram muito pela Seleção anteriormente, em particular o último. E foi bom isto ter acontecido num particular, num jogo sem consequências em termos pontuais. Com um pouco de sorte, eles aprenderão com estes erros e não tornarão a cometê-los, muito menos quando fora a doer.

O melhor deste jogo foi mesmo ter sido um particular, pois aconteceram coisas que dificilmente aconteceriam num oficial: o Rui Patrício teria, provavelmente, sido titular; Paulo Bento não faria tantas alterações ao onze inicial; os jogadores esforçar-se-iam um bocadinho mais - embora não se possa dizer que não tenham tentado levar o jogo a sério.

Começa a ser um filme demasiado visto. Campanhas publicitárias para vender bilhetes, pedidos de apoio, de moldura humana, intenções de começar o ano da melhor maneira, com equipamento novo e tudo - em suma, uma dose saudável de circo. As pessoas aderem, compram os bilhetes, vão até ao treino cantar os parabéns ao Cristiano Ronaldo, mas os jogadores não são capazes de retribuir isto tudo. E já não é a primeira nem a segunda vez! Aconteceu antes do Euro 2012, com a Macedónia e com a Turquia - este jogo, aliás, teve imensas semelhanças com o particular de junho último, no Estádio da Luz - aconteceu no Dragão, com a Irlanda do Norte.


Um aparte só para dizer que a minha superstição "confirmou-se". Se tiverem seguido a página do Facebook deste blogue, saberão que não fiquei muito entusiasmada com o equipamento preto. Da última vez que a Seleção teve um equipamento dessa cor, entre 2006 e 2007, esteve sempre associado a maus resultados. A única vitória obtida com os Marmanjos vestidos de negro foi, se não me engano, coutra o Luxembrugo. Receio que o preto dê azar à Seleção. Não digo que tenhamos perdido por causa do equipamento, mas no futebol há sempre uma certa margem para a superstição.

Além de que, superstições à parte, não acho que o preto tenha muito a ver com a Turma das Quinas. O vermelho é a verdadeira cor da Seleção, penso eu. Simboliza paixão, garra, vida e os tons usados nos equipamentos não o fazem de uma forma berrante, agressiva, mas sim de uma forma sofisticada, elegante. Mesmo o verde e o branco são cores mais adequadas, a primeira por simbolizar a esperança, a segunda por ser uma cor pura, leve, e por os últimos equipamentos desta cor estarem muito bem feitos. O preto simboliza luto, tristeza e a Seleção é alegria - ou devia ser...

 A sorte daquela gente é o facto de a próxima jornada dupla ser fora. Com que cara é que iam pedir, mais uma vez, para as pessoas irem ao Estádio? Já achei que houve alguma lata em pedirem moldura humana em Guimarães... Começo a ficar um bocadinho farta de pedir e esperar por bons resultados e ter, constantemente, os Marmanjos a trocar-me as voltas.

Bem, desta vez - mais uma vez - passa. Afinal de contas, foi apenas um (outro) particular. E afinal, como outros têm recordado, antes do Euro 2012 estávamos numa situação semelhante e toda a gente viu o que aconteceu depois. A atitude é a mesma de sempre: recordar outras crises por que a Seleção passou e que foi capaz de ultrapassar, por vezes de forma milagrosa; acreditar que os Marmanjos conseguirão ultrapassar isto também.
É bom que o faça. A Turma das Quinas já esgotou todas as margens de erro de que dispunha, a partir de agora é tolerância zero. Está na altura de vermos o lado positivo da mania que a Seleção tem de escolher sempre o caminho mais difícil. Está na altura de a Equipa de Todos Nós cumprir as promessas que nos tem feito. Agora, venham Israel e Azerbaijão!

Um inesquecível início de capítulo

Na passada segunda-feira, dia 13 de agosto, a Seleção Portuguesa do Futebol realizou no Jamor o seu primeiro treino da época futebolística 2012/2013. O treino foi aberto ao público, por isso, eu e a minha irmã agarrámos a oportunidade, tal como anunciei que faríamos na última entrada.

Quis trazer a mina irmã pois ela dá claros sinais de gostar tanto de futebol como eu, eu até ainda mais. Neste momento, anda muito ferrenha pelo Sporting mas diria que a Seleção está no mesmo nível, que partilha esta loucura comigo. É apenas uma das muitas coisas que partilhamos. Já lhe tinha prometido que, assim que tivéssemos oportunidade, a levaria a um treino da Seleção. E a oportunidade surgiu agora.

Desta feita, descobri um autocarro que partia desde Monte Abraão e terminava na estação de Cruz Quebrada, pelo caminho parando junto ao Estádio Nacional. Pensava eu. Na verdade, a estação que supostamente correspondia ao Estádio era à beira do Alto da Boa Viagem, uma estrada secundária. Agora vejo que teria sido mais sensato sairmos em Cruz Quebrada e subido até ao Estádio... O que nos valeu foi uma bomba de gasolina ali perto. Se estivesse sozinha, talvez arriscasse fazer o que o empregado da bomba sugeriu, talvez andasse por ali à procura de um caminho que nos conduzisse ao Estádio. No entanto, como estava lá com a minha irmã, tive medo e pedi que nos chamassem um táxi. Mais quatro euros desembolsados e deixaram-nos no Estádio cerca de meia hora antes do início do treino. O que nos valeu foi termos tido a sensatez de apanhar o autocarro que, tivessem as coisas corrido de acordo com o planeado, nos deixaria no Jamor uma hora antes do início do treino. Foram uns dez, vinte minutos que pânico mas felizmente conseguimos dar a volta ao jogo.

- A Seleção fica a dever-nos mais esta - comentei eu para a minha irmã.

Já várias pessoas aguardavam a abertura dos portões, muitas delas falando francês, algo que causou estranheza à minha irmã.

- C'est Ronaldo! - dizia eu, pronunciando "Ronaldô".

Todas aquelas pessoas envergando camisolas do número sete apanharam uma surpresa desagradável quando se percebeu que o madeirense não se encontrava entre os jogadores que emergiram dos balneários subterrâneos. Mais tarde, saber-se-ia que Ronaldo ficara no hotel fazendo "gestão de esforço".



Acabou por ser este o único aspeto negativo da tarde: não só a ausência de Cristiano Ronaldo, mas também a de Pepe, Bruno Alves e Custódio, juntamente com o facto de o Nani, o Hélder Postiga, o Fábio Coentrão - com o seu inconfundível cabelo loiro - o Miguel Veloso e o Miguel Lopes apenas terem feito aquecimento, saindo antes da primeira hora de treino, ficando a Seleção reduzida a dezassete jogadores. O pior foi que o grupo esteve completo no treino de ontem, terça-feira, de manhã, tendo ainda havido golo de Nani, de Hélder Postiga e um penálti falhado por parte de Cristiano Ronaldo, no jogo de treino. Mas não nos dava jeito a essa hora...

Terá de ficar para a próxima.



Em todo o caso, não deixou de ser um fim de tarde bem passado, pois sempre estavam lá o João Moutinho, o Varela, o Eduardo, o Carlos Martins - que anda claramente com ganas. Não me admirava nada se marcasse esta noite - o Rui Patrício, o Hugo Viana, entre outros. E também, Paulo Bento, Humberto Coelho e João Pinto. Aconteceu, aliás, uma coisa engraçada no início do treino. Estávamos nós a arranjar lugar nas bancadas quando reparámos no João Pinto, que olhava na nossa direção. Mais por graça do que por outro motivo qualquer, acenei-lhe.

Mais tarde, quando a minha irmã falava ao telemóvel com a nossa mãe, ela disse:

- Não tens noção, mãe, o João Pinto acenou à Sofia!

- Acenou? - repeti eu, estupefacta. Pelos vistos, o ex-jogador retribuíra o meu aceno e eu nem sequer reparara...


A minha irmã sentia-se tão feliz quanto eu ali no Jamor, a poucos metros dos nossos heróis, em particular do Rui Patrício. Passou o treino quase todo dando uma de fan girl - como agora se lê muito no Twitter - pelo jovem guarda-redes, suspirando:

- Patrício... O Patrício...

Também ela se sentia tentada a correr para o campo, fintando os polícias todos, para abraçar os seus heróis. Se fosse ela a fazê-lo, talvez deixassem passar por ainda ser relativamente novinha. Se fosse eu, já parecia mal....



A propósito dos polícias, estes continuavam tão rigorosos como sempre no que tocava aos limites. Eu e a minha irmã rapidamente havíamos decidido não nos fixarmos nas bancadas, irmos mudando de sítio de modo a encontrar os melhores locais para vermos o treino. Na parte em que não havia aquele muro de cerca de um metro de altura, não nos deixavam ficar lá paradas. Passámos uma boa parte do tempo junto a uma das balizas principais, local onde os guarda-redes treinavam e onde, mais tarde, se realizou um dos jogos de treino. Naquela altura, estávamos ao lado de uma pequena família. O polícia veio recordar-lhes a regra das pernas em cima do muro, vindo depois com uma conversa, dizendo que teríamos melhor visibilidade nas bancadas.

- Aqui há mais proximidade - respondeu o pai da família.

- Sim, mas lá em cima também há proximidade e têm maior visibilidade... - insistia o polícia. 

- Boa tentativa - comentei eu para a minha irmã. E ficámos o mesmo sítio, ignorando as não-assim-tão-indiretas do polícia.

O treino prolongou-se para além do previsto. Cedo a nossa mãe - que fez questão de nos vir buscar ao Jamor - estava a ligar-nos de novo. Ela e o nosso irmão acabaram por vir ter connosco ao Estádio. Acabou por ser a melhor solução pois dificilmente conseguiríamos apanhar o autocarro de regresso com tudo o que aconteceu depois.



Perto do fim do treino, numa altura em que os jogadores já faziam alongamentos, plantámo-nos todos o mais perto que podíamos da saída para o balneário subterrâneo. É claro que nenhum deles veio dar autógrafos, nem mesmo depois de nos lamuriarmos todos em coro. Nem eu, para ser sincera, estava à espera que tal acontecesse. No entanto, a minha irmã, que se posicionara num local diferente do meu, teve a felicidade de captar em vídeo o momento em que o Rui Patrício acenara na sua direção.

Pois, como podem calcular pela relativa qualidade das fotografias, desta vez dispúnhamos de máquina fotográfica. A minha irmã tirou fotografias e gravou um ou outro vídeo. Não com grande qualidade, é certo, não tencionamos colocá-los no YouTube nem nada disso, servirá apenas para nos recordarmos melhor desta tarde.



À saída do Estádio, tomámos um caminho diferente do que estava acostumada, na direção oposta à da estação de Cruz Quebrada, para o parque de estacionamento. Nessa altura reparámos num aglomerado de pessoas junto a um portão. Percebemos que o autocarro da Turma das Quinas estava estacionado do outro lado.

Tinha sido tão estúpida... Fartara-me de refilar por os Marmanjos não darem autógrafos no Jamor quando eu é que estava errada, eu é que fora procurar no local errado... Bem, agora já aprendi.

Eu e a minha irmã tivemos a sorte de ficar num bom sítio, ao alcance dos jogadores. O primeiro a vir foi o Eduardo - ou Edu, como tínhamos ouvido no treino. Este autografou tanto o meu caderno como as folhas que tinha dado à minha irmã e ainda deu para trocar umas palavrinhas com ele:

- Olá - cumprimentou ele.

- Olá - retribui, acrescentando de seguida - Hei, bom trabalho no Euro 2012.

- Obrigado - respondeu ele.

- Obrigado nós. E boa sorte agora para o Mundial...

Com tudo isto, pela simpatia, o Eduardo já se consolidou como um dos meus preferidos. Já me vieram dizer que o Eduardo nem sequer tinha jogado no Europeu mas isso não tira o sentido ao que disse. Primeiro, porque a mensagem era geral, para toda a Seleção. Segundo, porque o Beto, o terceiro guarda-redes, afirmara uma vez que os três guardiões das redes portuguesas se treinavam uns aos outros, puxavam uns pelos outros, de tal forma que, mesmo quando só um deles joga, é como se os três estivessem em campo. Por isso, também o Eduardo merece ser congratulado pelo sucesso do Rui Patrício.

Estou certa de que o Eduardo compreendeu a mensagem.



 Depois veio o João Pereira, que eu demorei a reconhecer por causa do penteado novo. Desta vez, só deu autógrafo à minha irmã - não valia a pena estar eu também a pedir-lhe quando já ia levar um para casa e já tinha a recordação do encontro. Tentei dar-lhe os parabéns pelo passe de génio que permitiu o primeiro golo à Holanda, dizer-lhe que mandava abraços para todos, mas não sei se ouviu entre as várias vozes pedindo o seu regresso ao Sporting. A minha irmã, coitada, tremia de nervosismo e excitação, fazendo figas para que o Rui Patrício viesse também.



E ele veio, deu-nos também um autógrafo. Mais uma vez, tentei dar-lhe os parabéns pelo Europeu, ainda exclamei uma ou duas vezes quando o pessoal estava todo a elogiá-lo:

- É o São Patrício!

Mas, mais uma vez, não tive certezas de que ele tivesse ouvido.

Depois desta já o autocarro estava em funcionamento, por isso, mais nenhum veio. Mas tanto eu como a minha irmã ficámos delirantes com estes três autógrafos. Que fizeram com que a vinda ao Jamor e tudo o que implicou - incluindo termos sido largadas no Alto da Boa Viagem - tivesse valido a pena. A minha irmã falava já em emoldurar os autógrafos, em repetirmos a experiência. O pior é que suspeito que só teremos nova oportunidade daqui a um ano...



Quanto a mim, esta foi a maneira perfeita de abrirmos o capítulo da Qualificação para o Mundial 2014, deixando-me com um bom pressentimento, o melhor que tenho no início de uma fase de apuramento desde há vários anos. Em 2008, com a saída de Luiz Felipe Scolari, não andava com grande entusiasmo. Em 2010, com toda a confusão do caso Queiroz, era depressão completa. Este ano, depois do Europeu, sinto-me muito mais otimista. Não que me entusiasmem particularmente os jogos com o Luxemburgo e o Azerbaijão, mas desta feita sinto que tudo correrá sem grandes contratempos.

Uma das coisas que contribui para tal pressentimento é a aparente determinação de Paulo Bento em acabar com o mito dos adversários acessíveis. Agora é ser ser ele e os jogadores passam das palavras às ações - algo que nem sempre acontece.



Entretanto, devido as lesões de Pepe, Bruno Alves e Custódio, a Convocatória sofreu alterações significativas desde quinta-feira. Não espero por isso, um grande resultado hoje à noite, frente ao Panamá. O mais importante é fazer experiências, testar alternativas, como falei na outra entrada. Mas também quero que ganhem, é claro.

De qualquer forma, já cumpri o objetivo de transformar esta jornada desinteressante em algo inesquecível. Por, pela primeira vez, ter conversado - bem, mais ou menos... - com um jogador da Seleção, por ter conseguido autógrafos de três Marmanjos, por ter ficado ainda mais cúmplice da minha irmã, por ter mais uma boa recordação a que me agarre quando estiver deprimida. Ainda quero mais, mesmo assim. Um dia hei de conseguir autógrafos de outros Marmanjos, de preferência da minha Troika preferida, mas para já estou satisfeita.

Agora que o capítulo está aberto, que comece a Qualificação!

Em Modo Seleção

Na última segunda-feira, dia 14 de Maio, foram finalmente divulgados os Convocados para representar Portugal na fase final do Europeu de Futebol, que se realizará no próximo mês, na Polónia e na Ucrânia.

Passei uma boa parte desse dia antecipando a Divugação. Tive aulas das oito às oito, com alguns furos pelo meio. Quando não estava nas aulas e/ou ocupada com o trabalho académico, estive a ouvir programas da Antena 1 dedicados ao tema, a atualizar a página do Facebook, a contar as horas até à cerimónia. Afinal de contas, como afirmou Jorge Andrade, na entrevista matinal à estação de rádio acima mencionada, o dia do Anúncio dos Convocados "é um dia especial, é um dia da Seleção, é um dia de todos nós", devendo, por isso, ser aproveitado.

Tinha ouvido na Antena 1 que a emissão em direto a partir da Casa da Música, em Óbidos, começaria às 19h55. A essa hora ainda estava em aulas, mas isso não me impediu de ligar o meu leitor de MP3. Assim que o fiz, deixei a Faculdade e aterrei em Óbidos. A aula prolongou-se até depois da hora de término, como era a última do semestre daquela cadeira, a professora fez uma espécie de discurso de encerramento, mas eu estive completamente a leste. Acabaria por regressar à minha localização física mas não completamente. Uma parte de mim ficou lá. Uma parte de mim está sempre lá quando a Seleção está reunida.

A propósito, um aparte só para informar que já foram divulgadas as frases que figurarão nos autocarros das Seleções durante o Europeu. A frase portuguesa é "Aqui batem 10 milhões de corações". Adoro. É de longe a melhor frase desde o Mundial 2006 e também a melhor de todas as seleções participantes nesta fase final, já que as outras não são grande coisa, na minha opinião. Podem lê-las AQUI.

Mas regressemos aos Convocados. Como estava a dizer, ouvi Paulo Bento a ler a lista dentro da sala de aula, acocorada atrás da fila de mesas traseiras, inclinada sobre a minha mochila (já tinha começado a arrumar as coisas antes de perceber que ia haver discurso de encerramento), as interjeições de júbilo e/ou espanto após cada nome saíram em surdina dos meus lábios. Continuei a ouvir a emissão da Antena1 depois de, finalmente, sair da aula, ouvi as perguntas que os jornalistas fizeram a Paulo Bento - tanto as perguntas como as respostas foram previsíveis - sorri com as declarações emocionadas das surpresas-que-não-chegaram-a-sê-lo Custódio e Miguel Lopes, escutei a análise dos locutores à Convocatória. Mais tarde, em casa, li outras reações na Internet. Depois, ontem à tarde, esperei cerca de meia hora no café até que um senhor acabasse de ler o Record para depois folheá-lo.

Na minha opinião, é uma boa Convocatória, sem grandes surpresas - na Antena1, cerca de doze horas antes da Divulgação, já Joaquim Rita havia falado de Custódio e mesmo da possível ausência de Quim a favor de Eduardo (não me lembro se ele falou de Miguel Lopes...). Segundo Octávio Ribeiro, na edição de ontem do jornal Record, a Convocatória reflete bem a personalidade de Paulo Bento: "seguro, confiável, previsível". Como disse Alexandre Pereira, no site Mais Futebol, nenhuma das presenças e/ou ausências "roçou o escândalo (...) ao contrário do que fez o seu antecessor". Ou antecessores. Não me esqueci dos caos envolvendo Vítor Baía, Ricardo Quaresma e Maniche na era Scolari.


A maior incoerência acaba mesmo por ser a dupla Eduardo/Quim. Não vou estar aqui os argumentos. A situação lembra-me um pouco o caso de Ricardo em 2008: o guardião havia sido o herói em diversas situações nos anos anteriores, no entanto, pouco tinha jogado ao longo da temporada anterior - e conforme disse Joaquim Rita (acho eu, não tenho a certeza...), se há jogador que precisa de entrar em campo com regularidade para não perder o jeito, esse jogador é o guarda-redes. Além disso, tenho medo que aconteça o mesmo que aconteceu, mais uma vez, em 2008: o Quim, que, em princípio, seria titular, partiu o pulso indo, portanto, a titularidade para o Ricardo. Se o Rui Patrício se lesiona, há quem se questione se Eduardo dará conta do recado.

No entanto, depois de acompanhar não sei quantas fases finais, já acredito que todo o Selecionador tem direito à sua incongruência. Eduardo é a incongruência de Paulo Bento. Na minha opinião, podia ter arranjado pior. O guardião fez um ótimo trabalho enquanto esteve encarregue das balizas portuguesas. Fico mais descansada com Rui Patricio a titular mas, se por por algum infortúnio, Eduardo tiver de substituí-lo, acho que podemos confiar nele.


Apesar de tudo isto, tenho um bom pressentimento em relação a esta Convocatória. E parece que não sou a única. Segundo Nuno Farinha, mais uma vez na edição de ontem do Record, "há muito tempo que Portugal não chegava à antecâmara de uma fase final com a "estranha" sensação de estar a dar todos os passos certos." Se este bom pressentimento, se os "passos certos" nos levarão longe, só o próximo mês nos poderá responder a isso.

Como o costume, as opiniões dividem-se em relação a esta Convocatória. Já não devia ficar surpreendida depois de tantos anos seguindo a Turma das Quinas, mas fico. E pior do que surpreendida, fico um pouco irritada com alguns comentários. Li, por exemplo, um artigo em que dizem que esta é a COnvocatória mais fraca dos últimos doze anos - sem comentários...

Foi, no entanto, na noite de segunda-feira, quando estive no Twitter, que a mostarda começou a subir-me em força ao nariz, quando li mensagens de contestação a alguns nomes da lista de Convocados. Em particular, um: Hélder Postiga.


Tais críticas irritaram-me até aos ossos. Posso não ter argumentos a favor de algumas escolhas de Paulo Bento que têm sido questionadas, mas a favor do Hélder tenho melhor do que isso: tenho factos. O Hélder é, até agora, o décimo melhor marcador da Seleção. (Fonte: AQUI). Se reduzirmos isso a apenas os jogadores selecionáveis, acima dele só se encontra o Cristiano Ronaldo. Além disso, eu fiz as contas: em quarenta e sete internacionalizações, o Hélder marcou dezanove golos, o que lhe dá uma médioa de 0,4 tentos por jogo, uma média melhor que a do próprio Cristiano Ronaldo (0,36)! Contra factos não há argumentos. Ainda o consideram uma "nulidade"?

Admito que talvez não seja completamente isenta no que toca ao Hélder Postiga uma vez que ele é, há já muitos anos, um dos meus preferidos. Mas a opinião pública não tem sido justa para ele. Não sei como é que ele se tem comportado nos clubes, mas ninguém se pode queixar do seu desempenho na Seleção. Por isso, o próximo que me vier falar mal do meu Hélder, vai levar com o top 10 dos marcadores. com a média de golos por jogo, talvez até com uma lista de encontros em que ele foi heróis, começando no Portugal - Inglaterra do Euro 2004 e terminando nos play-offs frente à Bósnia!


O que as pessoas devem compreender é que esta é a Convocatória, esta é a Equipa que deve ser de Todos Nós. Paulo Bento não vai mudá-la só porque não concordamos com algumas das suas escolhas. Quer gostemos, quer não, estes vão ser os homens que nos vão representar no Euro 2012, que vão entrar em campo com a Alemanha, a Dinamarca e a Holanda. Serão jogos difíceis, realistiamente nós, os adeptos, pouco poderemos fazer para ajudá-los, mas a contestação permanente em nada os ajudará. Se querem que Portugal faça boa figuar no Europeu, coloquem a Seleção acima das vossas opiniões pessoais e deem o vosso apoio.

Esta semana haverá apenas pré-estágio em Lisboa, com dois treinos no Estádio da Luz. Ainda pus a hipótese de assistir a pelo menos um deles mas estes serão apenas abertos à Comunicação Social - ser a autora de um blogue e de uma página do Facebook, pelos vistos, não me torna um órgão de Comunicação Social... O estágio a sério começa na próxima segunda-feira, em Óbidos, e durará cerca de duas semanas. Incluirá dois jogos particulares: um dia 26 de Maio, em Leiria, frente à Macedónia, outro dia 2 de Junho, no Estádio da Luz, frente à Turquia.

Durante estas semanas, serão transmitidos diversos programas a propósito da preparação para o Euro 2012, muitos deles diários. Vou gravá-los todos mas não sei se terei tempo de vê-los. O mais certo é apenas conseguir passá-los em fast-forward, eventualmente ver um ou outro segmento que me pareça interessante. Como fiz com o Especial de duas horas que a TVI24 transmitiu a propósito da Divulgação dos Convocados.


Quando nos cruzamos com conhecidos, vizinhos, colegas, a praxe é sempre fazer perguntas do género: "Tudo bem? Como é que isso vai?". As respostas da praxe costumam girar à volta do mesmo: "Ai e tal, vai-se andando...". Nalgumas vezes, até se responde: "Está tudo bem".

Nestes dias, esta última resposta será a que mais vezes sairá dos meus lábios. Que será honesta. Mesmo que, se calhar, as coisas não estejam a correr assim tão bem, que, por exemplo, ande stressada com o trabalho académico. Mesmo que os dias sejam nublados e chuvosos, literalmente e não só, o Sol arranjará maneira de brilhar por entre a chuva, como diz a música. Isto porque a Turma das Quinas estará no ativo depois de todos estes meses em latência. Isto porque todos os olhos, todos os sonhos estarão pousados nela. Isto porque ela contrabalançará com os problemas do dia-a-dia. Só nestes dois dias tenho-me divertido imenso a ver notícias, artigos de opinião, tudo o que sirva de material de trabalho para o blogue e página do Facebook, pendurando a bandeira à minha janela. E a diversão está apenas a começar.

Ao longo destas semanas nada me deitará abaixo. Isto porque estarei em Modo Seleção.


Quero agradecer desde já todo o feedback que tenho recebido na página d'"O Meu Clube é a Seleção". Espero que estejam a apreciá-la tanto como aprecio tratar, tanto da página do Facebook como do blogue!