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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Quase revolucionário

fundo.jpgNo próximo sábado, dia 11 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol disputará no Stade de France, em Saint-Denis (a norte de Paris), um jogo de carácter particular com a sua congénere francesa. 

 
Recorde-se que, pela primeira vez, na Qualificação para o Campeonato Europeu da modalidade, a seleção anfitriã foi incluída num dos grupos de Apuramento, efetuando jogos com todas as outras equipas do grupo sem que estes contem para a classificação final. Por sua vez, o jogo que será disputado no Estádio Parken, em Copenhaga, três dias mais tarde, com a seleção dinamarquesa, será o nosso segundo encontro da fase de Qualificação para o Euro 2016.

Esta jornada dupla marca a estreia de Fernando Santos como Selecionador Nacional. O nome do técnico foi um dos primeiros a ser referido como possível sucessor de Paulo Bento. Era o favorito de quase toda a gente, eu incluída, graças à vasta experiência de alguém que já treinou os três grandes portugueses, vários outros no País e no estrangeiro, e teve um bom desempenho recente ao leme da seleção grega. No entanto, rapidamente foi descartado devido ao castigo atribuído pela FIFA... ou assim pareceu. Fui apanhada de surpresa pelo anúncio da sua contratação.


Infelizmente, Fernando Santos continua castigado e parece pouco provável que veja o seu castigo reduzido. Parece que o castigo só é aplicável a jogos oficiais, logo, o novo Selecionador estará presente no banco durante o jogo com a França. São muitos jogos de castigo, pode até acontecer que Fernando Santos tenha de assistir na bancada a todos os seus jogos oficiais como técnico da Turma das Quinas. Durante algum tempo, não percebi porque motivo o treinador ia apanhar oito jogos de castigo, apenas menos um que Luis Suarez, com o seu famoso e triste hábito de morder adversários. No outro dia é que percebi que o castigo se deve, não ao cartão vermelho que recebeu, mas ao facto de ter desobedecido à ordem de expulsão, desrespeitando abertamente a autoridade do árbitro. Por essa perspetiva, a punição faz mais sentido. Se esta infração é mais ou menos grave que outras menos castigadas é discutível. Para mim, mais do que a FIFA, quem fica mal na fotografia é a federação grega por não avisar o seu antigo técnico a tempo de recorrer da decisão - isto depois de tudo o que Fernando Santos fez pela seleção deles!

Apesar de muitos recordarem que as seleções não são como os clubes, de salientarem a importância de os jogadores apreenderem rapidamente a filosofia do Selecionador, não estou demasiado preocupada com a ausência de Fernando Santos do banco de suplentes português: o substituto será Ilídio Vale, o homem por detrás dos bons resultados que a seleção de sub-20 tem apresentado nos últimos anos. Tenho a certeza de que terá competência para gerir a Seleção no lugar de Fernando Santos. Corremos, no entanto, o risco de, em vez de termos um Selecionador principal e um adjunto, termos dois selecionadores principais: um para os treinos, Conferências de Imprensa e jogos particulares, outro para os jogos a doer. Não sei se isso correrá bem. Toda esta situação terá de ser muito bem gerida pela equipa técnica da Seleção.

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A primeira Convocatória assinada por Fernando Santos foi Divulgada na sexta-feira passada, dia 3, uma Lista cheia de novidades, quase revolucionária como ouvi dizer na rádio, ou pura e simplesmente uma volta na arrecadação, como diziam n'A Bola. Destacam-se, clara e quase gritantemente, os regressos dos "renegados" de Paulo Bento, como Ricardo Quaresma, Ricardo Carvalho, Tiago e Danny. Nos dias antes da Divulgação, a Comunicação Social ia apresentando as pré-Convocatórias dando a entender que  Fernando Santos dizia "Vai-te lixar, Paulo Bento!", mas o Selecionador explicou que, na Federação, ninguém lhe restringiu nenhum jogador. Sabe que Paulo Bento terá tido os seus motivos para não Chamar os jogadores, mas esses motivos não são os dele. "Não foi comigo", chegou a dizer várias vezes. Um argumento que faz sentido. Ainda que compreendamos e até concordemos com as opções de Paulo Bento, Fernando Santos não é obrigado a isso, tem todo o direito a Escolher aqueles que, de acordo com a sua própria consciência, considera os mais adequados.

Eu vejo cada um destes casos de maneira diferente. O de Ricardo Carvalho, para começar, deixou-me algo dividida: se por um lado acho que o que o Ricardo fez foi infantil da sua parte e compreendesse a posição de Paulo Bento, ele já se mostrou arrependido várias vezes nos últimos anos (não sei se chegou a pedir desculpa diretamente ao antigo Selecionador), já cumpriu o castigo imposto pela Federação e ainda dois anos extra por escolha de Paulo Bento. Eu mesma cheguei a defender aqui no blogue uma segunda oportunidade por parte do antigo Selecionador. Além disso, conforme afirmei pouco após a sua deserção, o Ricardo já fez muito pela Equipa de Todos Nós ao longo dos anos, não seria justo que os golos que marcou, as vezes que salvou o couro nacional, valessem menos que uma decisão irrefletida - quando, ainda por cima, não foi o primeiro e não será o último jogador da Seleção a agir de cabeça quente; o próprio Paulo Bento teve pelo menos uma atitude dessas enquanto jogador (eu sinto vergonha só de ler esta última notícia, mesmo passados catorze anos sobre o acontecido). É um pouco estranho tê-lo de volta, provavelmente nunca mais olharei para ele da mesma maneira, mas ele tem agora uma oportunidade de se redimir. Oxalá saiba usá-la.

O caso de Tiago é diferente. Foi ele quem escolheu sair da Equipa de Todos Nós e manteve essa decisão mesmo depois de Paulo Bento ter, na altura, falado com ele. Ainda que ele diga que se arrepende "de ter enviado aquele fax", não acho justo ele ter decidido regressar, depois de quatro anos em que ele podia ter ajudado a Seleção e não o fez por escolha própria. Sei que Luís Figo fez o mesmo entre 2004 e 2005, mas isso não muda nada. Um jogador ou está cem por cento disponível para a Turma das Quinas, dentro das suas possibilidades físicas ou renuncia a ela definitivamente. Não acho legítimo um jogador disponibilizar-se ou não disponibilizar-se para a Seleção conforme lhe apetece - não digo que seja o caso, mas este pode abrir um precedente para situações como a que descrevi. Tal como comentei com um seguidor meu no Twitter, a Federação deveria definir regras para estes casos.

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Quanto ao Danny, não estou particularmente entusiasmada com o seu regresso. Tal como Paulo Bento, suponho eu, irritei-me com as suas desculpas esfarrapadas para se baldar às concentrações da Seleção. Ainda acreditei na história do quisto sebáceo em 2011 mas, depois de no ano passado ter sido dispensado da concentração por motivos físicos para, dois dias depois, treinar normalmente no clube, a minha boa vontade esfumou-se. A ideia com que fico é que ele não leva a Seleção a sério. Eu não o Chamaria. Nem a ele nem ao Tiago. Mas já que eles foram Convocados, eles e o Ricardo Carvalho, ao menos que justifiquem os regressos. Se a Seleção beneficiar com o regresso destes três "filhos pródigos", não direi mais nada.

Esta Lista fica também marcada pela ausência de alguns elementos do núcleo duro de Paulo Bento: Hélder Postiga, Miguel Veloso, Raul Meireles, João Pereira. Não posso contestar tais opções. Há quem alegue que são demasiadas mudanças mas a verdade é que o onze-base do Euro 2012 já não funciona, conforme os últimos resultados deram a entender. De resto, Fernando Santos justificou tais ausências com a falta de ritmo competitivo, não colocou de parte a possibilidade de Convocá-los dentro de um mês ou noutra ocasião qualquer. Postiga, por exemplo, pode não estar completamente descartado visto que... não há praticamente mais nenhum ponta-de-lança português, tirando Éder e Hugo Almeida. A menos que se conceba uma tática que dispense ponta-de-lança, Postiga pode voltar a ser necessário.

Pelo menos é disso que tenho esperanças.

São várias as coisas mudando na Seleção Portuguesa mas, com todo o respeito por Paulo Bento, na minha opinião, estávamos a precisar de uma mudança. O conservadorismo do antigo selecionador já não funcionava. Além de que é a primeira vez em muito tempo em que temos seis jogadores do mesmo clube, tanto quanto me lembro, incluindo um meio-campo completo - não sei se serão todos titulares, mas é sempre bom termos Marmanjos familiarizados uns com os outros. Mesmo com as minhas reservas relativamente ao regresso dos "renegados", esta Lista parece-me razoavelmente sólida, acho que pode resultar.

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No entanto, não me atrevo a ser demasiado otimista pois a jornada dupla que se avizinha será complicada. Estes não são de todo os adversários ideais para a estreia de um Selecionador. Há um ano, diria que seria bom nesta altura enfrentarmos adversários de calibre, estimulantes. Ora, depois de ver a Seleção sendo completamente atropelada pela Alemanha no Mundial, a questão já não me parece assim tão linear. Para além de serem adversários de peso por si só, são adversários com quem temos historiais muito particulares.

Comecemos pela França que tem sido um espinho na nossa carne há muitos anos, com destaque para as três traumáticas meias-finais em que nos derrotaram. Se a Holanda, por exemplo, é nossa freguesa, nós somos claramente fregueses de França: em vinte e dois jogos só ganhámos cinco e a última vitória foi em 1975. Tudo o resto tem sido derrota atrás de derrota, tirando um empate algures nos anos 20. O único jogo que testemunhei já como adepta da Seleção foi o último, nas meias-finais do Mundial 2006, provavelmente a derrota mais injusta de que me recordo tirando, claro, a final do Euro 2004. Aquela Seleção, mais do que qualquer outra, merecia ser campeã do Mundo. Os franceses não mereciam estar na final, como ficou provado pela famosa cabeçada de Zidane. Isto, aliado ao constante colinho que os franceses andam há muito tempo a receber das mais altas instâncias do futebol, tem-me alimentado uma raivazinha de estimação à equipa francesa.

Não sei em que momento se encontra a França atualmente. Sei que empataram há um mês com a Sérvia, altura em que houve polémica à volta da renúncia de Franck Ribéry à sua seleção, que muito irritou Michel Platini. Mas com os problemas dos nossos adversários posso eu bem, até os agradeço. Nesta altura do campeonato, por muito que deseje uma desforra, esta terá de ficar para segundas núpcias. O mais importante será promover uma boa adaptação à nova equipa técnica e preparar o jogo com a Dinamarca, que será a sério - sobretudo porque, sendo um particular, será um dos poucos jogos em que teremos Fernando Santos no banco.

 
Quanto aos dinamarqueses, esses são já velhos amigos nossos, provavelmente são a seleção que mais vezes foi nossa adversária nos últimos anos, possuindo uma longa tradição de nos complicarem a vida, como eu gosto de dizer, à grande e à dinamarquesa. Da experiência que eu tenho, os jogos com a Dinamarca ou correm muito bem ou correm muito mal - às vezes não tanto pelo encontro em si, mas pelo contexto em termos classificativos. O empate em 2009, por exemplo, pode não ter sido um mau resultado por si só, mas deixou-nos agarrados a uma calculadora para as últimas jornadas da Qualificação para o Mundial 2010. O 2-1 de 2011 pode também não ter sido grave por si só (embora eu tenha, na altura, achado que os nossos jogaram mal), mas impediu-nos de nos Qualificarmos diretamente para o Euro 2012. Geralmente, são jogos péssimos para a pressão arterial, com destaque para o inesquecível encontro do Europeu de há dois anos, o meu favorito desse campeonato. O inverso desse foi a derrota por 3-2 em 2008, no Estádio de Alvalade. Por outro lado, apesar de termos perdido o particular de 2006, guardo boas recordações desse jogo, pois foi a estreia de Nani com a camisola das Quinas, em que ele marcou um golo diretamente do pontapé de canto e ainda assistiu para o outro, de Ricardo Carvalho - foi nesse particular que o Nani se tornou um dos meus jogadores preferidos.

Acho uma coincidência espantosa que o novo Selecionador se vá estrear em jogos oficiais (isto é, mais ou menos) com o mesmo adversário com que o anterior técnico se estreou. Na verdade, também o segundo jogo oficial de Carlos Queiroz foi com a Dinamarca, mas o primeiro de Paulo Bento é memorável pelos melhores motivos. Ainda me lembro muito bem dessa noite (ajuda ter escrito sobre ela): de ouvir o relato dos dois golos seguidos de Nani - ele tem mesmo uma queda para dinamarqueses - do alívio que foi o terceiro golo, da autoria de Cristiano Ronaldo, do quão feliz me senti após o jogo por, depois de tudo por que a Seleção passara nos últimos meses, estarmos de regresso às vitórias e às boas exibições.

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O que mais desejo é um renascimento semelhante ao da primeira dupla jornada de Paulo Bento para os próximos dois jogos, mas sei que é pouco provável.

Consta que a Dinamarca estará uns furos abaixo do que estava nas Qualificações para o Mundial 2010 e Euro 2012. Não se Qualificou para o Mundial 2014, nem sequer chegou aos playoffs - suponho que tenham sentido falta dos pontos que Portugal lhes ofereceria... Talvez estejam de novo a contar com eles neste Apuramento, mas eu espero que, desta feita, acabemos com essa tradição.

Apesar de o passado recente da Equipa de Todos Nós não ser o mais favorável e existir a hipótese de as coisas voltarem a correr mal, como na jornada anterior, neste regresso da Seleção ao ativo sinto-me tão eufórica como sempre, como se viéssemos de uma sequência de vitórias e não de fracassos. É irracional, é quase ilusório, mas a verdade é que são poucas as coisas que me entusiasmam assim. E gosto que assim seja.


O que não significa que esteja disposta a tolerar outro fracasso. Não quando for a doer, pelo menos. Sei que será difícil, mas os Marmanjos terão de fazer um esforço se quiserem regressar a França (após o particular de sábado) em 2016. O que eu gostava mesmo era que a Seleção voltasse a ser uma fonte regular de alegrias mas... um passo de cada vez.

Concluo este texto dando as boas-vindas a Fernando Santos e com o desejo de que ele e a restante equipa técnica saibam ajudar a Seleção a regressar ao bom caminho. 

Azerbaijão 0 Portugal 2 - Faísca

Na passada terça-feira, dia 26 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou, em Baku, no Azerbaijão, a congénere da casa. O jogo terminou com dois golos de vantagem para a equipa visitante, cortesia de Bruno Alves e Hugo Almeida, permitindo a Portugal amealhar três pontos que nos mantêm na corrida por um lugar no Mundial 2014.

Finalmente.

Mais uma vez, vi-o em casa, com a minha irmã. Desta feita, não se encontrava mais ninguém connosco, pelo que não nos contivemos nos gritos de treinadoras-de-sofá-de-sala (desta vez, não houve necessidade de chamar nomes feios aos jogadores). Os vizinhos que nos perdoassem mas não é todos os dias que temos jogos da Seleção.

É claro que, quando o nosso pai chegou a casa, decorria a segunda parte, tivemos de nos portar bem.


O jogo correu mais ou menos conforme eu previa. Foi outro dejá vu. Desta feita, repetiu-se o outro jogo com o Azerbaijão, em setembro do ano passado, em Braga. A nossa última vitória antes deste encontro. A Seleção entrou em campo solta, enérgica. Montou a tenda no meio campo azeri e lá permaneceu, atirando o barro à parede, manifestando os habituais problemas na finalização. A costumeira bola ao poste ("Porque isto não era um jogo da Seleção se não houvessem bolas ao poste!!!, disse a minha irmãzinha), os costumeiros falhanços do Hélder Postiga (mais sobre isso mais à frente). E eu ia perdendo cinco minutos de vida a cada ataque português, cada remate falhado. O mesmo acontecia com os contra-ataques azeris que, no entanto, nunca constituíram grande ameaça, tirando uma situação ou outra. A defesa portuguesa pareceu-me melhor neste jogo. Pelo meio, Pepe arranjou maneira de ver o segundo amarelo do Apuramento (Porquê, Pepe???? Porquê???), excluindo-se do jogo com a Rússia.

Às vezes penso que seria mais saudável fumar do que assistir a jogos da Seleção. Ao menos um cigarro, supostamente, acalma os nervos...

As coisas não mudaram muito na segunda parte. Eu sentia, contudo, que o golo português não tardaria. Mesmo que a equipa azeri não se tivesse reduzido a dez elementos (cortesia - uma boa parte, pelo menos - da fita que o Pepe fez). Em todo o caso, Paulo Bento não deu tempo aos azeris de se reorganizarem, fez Hugo Almeida entrar.

E os golos surgiram. Primeiro de Bruno Alves e depois de Hugo Almeida.


Depois de um golo e uma parvoíce em Israel, no Azerbaijão Bruno Alves foi, indiscutivelmente, o herói. Como, de resto, já havia sido no jogo de setembro. É, aliás, curioso: já em 2007, também em casa azeri, o Bruno Alves e o Hugo Almeida haviam sido os artilheiros de serviço. Bem como em julho de 2009, na Albânia. Contando com a de terça-feira, estas três vitórias constituíram um importante ponto de viragem para as respetivas Qualificações.

O Bruno Alves e o Hugo Almeida não foram, contudo, os únicos a ajudar a Equipa das Quinas. Moutinho também se destacou depois de "reaprender a jogar em três dias" - não, não me vou pôr aqui a debitar postas de pescada sobre a polémica entre Pinto da Costa e Paulo Bento. Bem como Danny e, sobretudo, Vieirinha, que honrou a camisola de Cristiano Ronaldo.


Há quem diga que se notou a falta de Ronaldo e Nani. Não notei assim muito, para ser sincera. Obviamente a velocidade do Ronaldo e o inconformismo do Nani fazem sempre falta e talvez nos tivessem facilitado a vida na terça-feira. Mas a verdade é que, como já afirmei antes, o jogo não diferiu muito do de setembro passado e nesse tivemos os nossos extremos habituais.

De resto, não posso deixar de louvar a atitude do nosso capitão que, apesar de ter ficado excluído do jogo de terça-feira, fez questão de permanecer com a equipa.

Apenas fiquei um bocadinho triste por o Postiga não ter marcado desta vez. E, claro, como neste jogo não marcou, já caiu tudo em cima dele.

Bem, caem sempre em cima dele, quer marque quer não, não será por aí...


Não vou dizer que esteja propriamente satisfeita com o desempenho do Hélder. Começo a achar que ele falha demasiadas oportunidades flagrantes mas ainda me irrita que as pessoas se esqueçam tão facilmente de tudo o que ele tem feito pela Seleção, em particular no passado recente.

A ver o que acontece quando ele deixar a Seleção sem que haja um ponta de lança de jeito para o substituir.

Em todo o caso, apesar de achar que o Hélder se deve manter na titularidade, pelo menos por enquanto, o Hugo Almeida provou merecer mais oportunidades de jogar. E talvez seja bom para o Postiga sentir-se um bocadinho ameaçado.



Foi, de resto, uma das questões desta dupla jornada: o conservadorismo de Paulo Bento, a sua relutância em recorrer a jogadores fora do seu núcleo duro habitual. Eu até compreendo, por um lado. Já antes falei aqui da nossa excessiva dependência do onze-base do Euro 2012. São jogadores que já deram provas de qualidade, que já se conhecem uns aos outros há vários anos, possuem uma rotina. Compreendo que o Selecionador tenha medo de arriscar, em particular em jogos desta importância. Deus escreveu direito em linhas tortas nesta dupla jornada: não fosse a lesão de Nani e a expulsão de Ronaldo, Vieirinha não teria uma oportunidade de mostrar o seu valor. Quem é que, no seu juízo perfeito, abdicaria voluntariamente de Ronaldo ou mesmo de Nani?

Por outro lado, não sou capaz de ignorar aquilo que vem sempre à baila em todos os debates sobre a Seleção: o prazo de validade da equipa atual, a ausência de alternativas. Os comentadores desportivos têm todos razão: precisamos de sangue novo ou, daqui a uns anos, não haverá Seleção para ninguém!

Não existe muito a fazer em relação a isso, pelo menos para já. Por agora, o mais importante é a Qualificação, o facto de termos vencido um jogo pela primeira vez desde setembro. Finalmente. Depois de cinco jogos sem ganhar, na maior parte das vezes com exibições roçando o medíocre, tivemos finalmente uma vitória. Pode não ter sido uma vitória brilhante mais foi uma vitória. Também não esperava muito mais, para ser sincera. Isto sim, isto é Portugal! Não tanto como noutras ocasiões mais mais do que tínhamos recebido nos meses anteriores. Estamos vivos de novo!


Cerca de duas horas antes do início do jogo, apareceram na Internet excertos de músicas do álbum novo dos Paramore, homónimo. Uma delas, Last Hope, é já uma das minhas preferidas. Há um verso que se destaca: "It's just a spark, but it's enough to keep going...". A tradução é algo tipo: "É apenas uma faísca mas chega para me fazer continuar". E, curiosamente, este verso traduz perfeitamente a maneira como me sinto relativamente à situação da Turma das Quinas.

Ganhar aos azeris pode não ter sido mais do que a nossa obrigação para muitos mas, para mim, foi um pouco mais do que isso. Foi algo que nos devolveu a esperança. Com um pouco de sorte, será uma viragem de maré, será a faísca que nos incendiará para o resto da Qualificação. Começando pelo jogo com a Rússia, no Inferno da Luz.

Atenção! Quando falo aqui em fogo e incêndios é no sentido figurativo! O Estádio da Luz não precisa de mais incêndios!

A partir de agora temos de encarar um jogo de cada vez, como se estivéssemos numa fase final. Concentrarmo-nos em ganhar cada um à medida que forem chegando.

Mas haverá tempo para pensar nesses jogos. Faltam mais de dois meses para o próximo, até lá muita coisa pode mudar. Por agora, é-me suficiente o consolo de saber que a Seleção reaprendeu a ganhar, depois de todos estes meses de jejum. O que mais desejo, neste momento, é que não tenhamos outra desilusão tão cedo, que este consolo se prolongue o mais possível, que se torne mais forte em junho. Até lá...

Tolerância Zero

Na passada quinta-feira, 14 de março, Paulo Bento divulgou os Convocados para a próxima jornada de Qualificação para o Campeonato do Mundo de Futebol, a realizar-se no próximo ano, no Brasil. Nesta jornada, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará a sua congénere israelita no próximo dia 22. Quatro dias mais tarde, jogará contra a seleção azeri. Nesta convocatória, destaca-se, entre outros aspetos, a Estreia de Vieirinha, substituindo o lesionado Nani, e a dúvida relativamente à aptidão de João Moutinho.

A ausência do avançado do Manchester United dos Convocados deixou-me triste. O pobre Nani não tem tido uma vida fácil nesta época. Tem-se esforçado por ultrapassá-lo, ultimamente, por provar o seu valor, com a garra que o caracteriza. No entanto, o Destino insiste em conspirar contra ele! Primeiro com o cartão vermelho no jogo contra o Real Madrid e, agora, com esta lesão que o impede de vestir a camisola das Quinas. Ele tem mesmo de ir à bruxa, coitado...

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Em todo o caso, o Danny está de volta e ele já anteriormente fez um bom trabalho substituindo Nani - no jogo contra Moçambique, no malfadado dia em que Nani foi obrigado a abandonar a Equipa de Todos Nós, em vésperas do Mundial 2010. E como já jogou com esta Seleção, mesmo tendo em conta a sua ausência prolongada, talvez se adapte bem à equipa. Pelo menos melhor do que um estreante como o Vieirinha - ainda que este tenha marcado um golo no fim de semana anterior a este.

Na verdade, mais preocupante será a eventual ausência de João Moutinho, também por lesão. Ele foi Convocado à mesma, mas será hoje reavaliado. Tenho andado a fazer figas para que ele recupere a tempo dos jogos, pois ele é o tipo de jogador cuja ausência terá impacto no desempenho de uma equipa. Lembro-me sempre da frase pronunciada, se não me engano, por um dos comentadores durante o jogo contra a Irlanda do Norte que, mais tarde, apareceria nas redes sociais: "O João Moutinho, mesmo quando joga mal, joga mais ou menos":  uma frase tosta mas verdadeira.

Este não será o único fator a jogar contra nós nesta dupla jornada de Qualificação. Há que ter em contra que vamos jogar fora, que a viagem até à terra prometida, onde esperamos que o leite e o mel sejam para nós, e depois até ao Azerbaijão, trará algum desgaste.


Ao longo dos últimos meses, no entanto, esgotei a minha paciência no que toca a este tipo de desculpas, umas mais esfarrapadas do que outras. Apesar de não saber quase nada sobre a seleção israelita, toda a gente garante que esta se encontra ao nosso alcance. Os azeris, então, estão definitivamente ao nosso alcance, conforme ficou provado em vários jogos do passado recente, incluindo um há seis meses. Mesmo que tenhamos o azar de jogar amputados de Moutinho (três vezes na madeira, só para o caso), desde que os Marmanjos tenham a cabeça no lugar e deem tudo o que têm em campo, não existe motivo nenhum para não obtermos as vitórias de que precisamos, com mais ou menos dificuldade, com mais ou menos golos. Não será pedir muito a uma equipa que, no ano passado (custa a acreditar que já se passaram nove meses), ficou entre as quatro melhores da Europa. Ainda que Paulo Bento tenha dito que o próximo jogo não é decisivo, estou farta de empates e derrotas. Não me levem a mal mas já perdemos e empatámos tudo o que tínhamos para perder e empatar. Agora é tolerância zero!

O jogo contra Israel realizar-se-à dia 22 de março, sexta-feira, às 12h45, hora portuguesa. Dia 26, jogaremos com o Azerbaijão às cinco da tarde. Horas que não darão muito jeito a muita gente. Mas podia ser pior, pois coincide com as férias da Páscoa escolares. Com um pouco de sorte, o Twitter não estará completamente deserto, como esteve aquando do jogo contra a Rússia. Só entro de férias mesmo na sexta-feira, dia 22, mas termino a tempo de ver o jogo. E se terça-feira, dia 26, fosse um dia normal, teria dificuldades em acompanhar o encontro frente ao Azerbaijão. Talvez publique outra entrada ainda antes do jogo com Israel, mas duvido que, até lá, aconteça algo que o justifique. Em todo o caso, manterei a página do Facebook atualizada com todas as novidades que forem surgindo ao longo da preparação desta jornada dupla.


Não preciso de invocar os motivos pelos quais duas vitórias da Equipa de Todos Nós, sobretudo em jogos desta importância, viriam mesmo a calhar. Sobretudo depois das recentes previsões de um futuro ainda mais negro. Se não se recordem, consultem as entradas dos últimos... dois anos. Os Marmanjos devem-nos isto desde outubro. Está na hora de tornarmos a provar que somos grandes, que somos dos melhores do Mundo não apenas na teoria. E podemos começar já na sexta-feira!

Contra a corrente


Estamos nas vésperas da primeira das duas últimas finais que a Selecção Nacional tem de disputar antes de dar por concluída a Qualificação para o Euro 2012, a realizar-se na Polónia e na Ucrânia... e as coisas não estão fáceis.


Danny não compareceu ao estágio de preparação destes dois desafios. Inicialmente, invocou motivos pessoais que o impediam de abandonar a Rússia. É claro que a Comunicação Social tentou logo agarrar a oportunidade para criar polémica, pelos motivos que toda a gente conhece. Não têm emenda, realmente...

Entretanto, já foram revelados os verdadeiros motivos mas nunca duvidei, por um minuto que fosse, que estes fossem fortes, nem acreditei que estivéssemos perante uma reedição do caso Ricardo Carvalho. Numa entrevista que deu na semana passada, Danny deu a entender que leva a Selecção muito a sério. Afirmou mesmo que o seu sonho é "ganhar o Europeu com a Selecção". Acham mesmo que abdicaria do seu lugar na Equipa de Todos Nós de ânimo leve?

E, de facto, os seus motivos são válidos. Soube-se ontem que Danny teve de fazer uma cirurgia para remover um quisto que se temia que contivesse células cancerosas. Eu já passei por uma situação semelhante e sei que estas coisas são aflitivas, mais do que parecem. Com cancro, não se brinca. Compreendo, também, que Danny se tenha sentido relutante em divulgá-lo, daí ter invocado os motivos pessoais. Embora saiba que é pouco provável que ele o leia, envio através do blogue uma mensagem de solidariedade e um desejo de uma recuperação rápida e completa.

Por falar do Ricardo Carvalho, este tem dado a entender que se arrependeu de ter abandonado o estágio da Selecção antes da partida para o Chipre. Ainda hoje, numa entrevista, afirmou que continua disponível para regressar à Equipa de Todos Nós. Por causa do castigo que a Federação lhe aplicou, tal só poderia acontecer daqui a pelo menos um ano. Tenho de confessar que espero que Paulo Bento mude de ideias em relação a excluí-lo definitivamente das suas Convocatórias. Não que o que o Ricardo fez tenha sido de louvar, bem pelo contrário, mas será justo que uma decisão irreflectida anule todo um percurso na Selecção, esse sim, digno de louvores?

Em todo o caso, como já foi mencionado, tão cedo Ricardo Carvalho não voltará à Turma das Quinas, não nos poderá ajudar nesta jornada dupla. E agora que Danny e Sílvio engrossaram a lista dos indisponíveis, torna-se claro que a Selecção terá de se basear, pelo menos em parte, em segundas opções... o que não me agrada.

Também não me agrada o facto de a Comunicação Social andar com as miras apontadas a Paulo Bento. Não só por causa do Danny, mas também por ter Chamado jogadores como Beto e Ricardo Costa (com esta nem eu concordo e nem percebo muito de futebol...) e deixado de fora jogadores como Bosingwa e Duda. O caso Ricardo Carvalho pode não ter deixado mazelas no seio da Selecção Nacional mas deixou-as na credibilidade de Paulo Bento e, agora, os jornalistas e comentadores aproveitam.

Apesar de saber perfeitamente que, neste país, (ainda) há liberdade de expressão e opinião e tal, sempre me irritou ver as pessoas questionarem o Seleccionador. Mesmo quando este era Luís Felipe Scolari ou Carlos Queiroz. Mesmo até quando existiam motivos válidos para fazer críticas, mesmo até quando eu até concordava com elas. E as críticas que fazem ao actual Seleccionador ainda me irritam mais. Não acho justo andarem a atacar uma pessoa que encontrou uma Selecção feita aos bocados e, ao fim de poucos dias, consegui pô-la a vencer, a convencer, a golear, e agora, passado um ano, encontra-se numa excelente posição para atingir a fase final do Europeu de 2012 - algo que se pensou ser impossível.

É claro que, se a Selecção der uma escorregadela (três vezes na madeira!) vão todos cair em cima do Paulo Bento...

Não, os jogos com a Islândia e com a Dinamarca não vão ser nada fáceis... Por estas e por outras.

Por outro lado, a verdade é que já nos apurámos em condições mais difíceis. Os nossos últimos dois apuramentos são bons exemplos disso. Neste, as condições difíceis foram no início mas conseguimos revertê-las e, tal como disse acima, agora estamos numa posição com que muitos não se atreviam a sonhar há um ano - eu incluída.

Luís Figo disse ontem que, apesar de a hipótese de não nos qualificarmos não poder ser colocada de fora, "temos todas as condições e possibilidades para nos apurarmos". Garantiu também que Paulo Bento "tem alternativas para colmatar as ausências. Aqueles que ocuparem esse lugar darão duzentos por cento para ajudar Portugal". Ele deve saber do que fala... Nuno Gones, por sua vez, afirmou que "o ambiente está óptimo [dentro da Selecção], temos treinado bem e os jogadores estão concentrados no que têm a fazer Sexta-feira: conquistar os três pontos". Disse ainda que a Selecção vai levar a Islândia a sério uma vez que "eles perderam pela margem mínima com os nossos adversários mais directos". E essa a atitude que se quer! Aparentemente não falta determinação nem seriedade na Equipa de Todos Nós.

Como sempre, a Selecção - jogadores e equipa técnica - pode contar o meu apoio, a minha confiança, a minha fé, no melhor e no pior. Sempre foi assim e não tenciono mudá-lo. É certo que já apanhei vários baldes de água fria à custa disso mas, mais cedo ou mais tarde, acabo por ser recompensada. Ao longo do último ano tenho sido muito bem recompensada, até. E não acredito que isso vá mudar agora, só porque alguns jogadores estão ausentes. O jogo com a Islândia realiza-se na Sexta-feira, às nove da noite, com transmissão em directo na RTP. Acredito que voltarei a ser recompensada nessa noite. Eu... e os outros quinze milhões de portugueses espalhados pelo Mundo, unidos pela Selecção!


P.S. Há já algum tempo que não escrevia uma entrada assim, contra a corrente da generalidade da Comunicação Social. Dá cá um gozo... Sei que não é lá muito maduro mas, como costumo dizer, uma miúda não é de ferro!