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O Meu Clube É a Seleção!

Mulher de muitas paixões, a Seleção Nacional é uma delas.

Estava a correr demasiado bem...

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No passado dia 9 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere checa por três bolas sem resposta. Três dias mais tarde, no entanto, perdeu perante a sua congénere suíça por uma bola sem resposta. Estes jogos contaram para a fase de grupos da Liga das Nações e, com este resultado, Portugal fica em segundo lugar, com menos um ponto que a líder Espanha.

 

Estava a correr demasiado bem, não estava?

 

Um jogo de cada vez. O jogo com a Chéquia decorreu em Alvalade, à semelhança do primeiro jogo com a Suíça. Eu podia ter estado lá. Quando soubemos que íamos ter estes dois jogos perto de nós, a minha irmã sugeriu irmos aos dois. Eu no entanto tinha começado um emprego novo, achava que ainda não estaria à vontade para pedir para sair mais cedo – sobretudo na véspera de um fim-de-semana prolongado. Eu já iria ao jogo com a Suíça. Não precisava de ir ao outro com a Chéquia, certo? Certo?

 

Errado.

 

A minha irmã acabou por arranjar bilhetes para ela e para os amigos. Claro que me arrependi de ter decidido não ir. Sobretudo depois de ter tido uma experiência fantástica no domingo anterior, que me deixou a chorar por mais, e de me ter recordado que a Seleção não tornará a jogar perto de mim este ano – o jogo em casa com a Espanha será em Braga e acho que não haverão particulares antes do Mundial. Agora que já estou um pouco mais à vontade no meu emprego, sei que podia perfeitamente ter pedido para sair mais cedo: mesmo que tivesse de ir diretamente do trabalho para o estádio, mesmo que chegasse atrasada. 

 

Não vou mentir, doeu. Sobretudo quando uma das amigas da minha irmã apanhou Covid e se colocou a hipótese de eu ir no lugar dela… mas o bilhete foi para outro amigo.

 

Fica a lição para mim. Por outro lado, mais tarde a minha irmã contou-me que os amigos dela nunca tinham ido a um jogo da Seleção e adoraram a experiência. O que me fez sentir muito melhor. Afinal, já conto uma mão-cheia de jogos da Turma das Quinas. Posso ter perdido uma oportunidade mas, se isso contribuiu para converter outros à Equipa de Todos Nós, valeu a pena. 

 

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Por outro lado, a minha irmã levou a minha camisola da Seleção, que sempre invejou, emprestada. A camisola tem o meu nome impresso nas costas, mas ela não se importou. As pessoas confundem-nos tantas vezes que ela já está habituada a que lhe chamem Sofia.

 

E vice-versa, na verdade. Quem tem irmãos sabe como é. Sobretudo se forem tão parecidos fisicamente como eu e a minha irmã.

 

Já lhe prometi que, se ela gostar do próximo equipamento da Seleção, compro-lhe uma camisola pelos anos ou pelo Natal. De qualquer forma, no caso deste jogo, fiquei contente por pelo menos a minha camisola ter estado em Alvalade – foi como se uma parte de mim tivesse estado lá.

 

Uma parte de mim está sempre lá quando joga a Seleção, no entanto.

 

A verdade é que foi uma tarde complicada no meu emprego. Voltei a sair às oito da noite, mas desta feita não consegui sequer ver (e muito menos partilhar na página) o onze inicial. 

 

Depois de sair, contudo, liguei-me logo ao relato da rádio. Fiquei a saber que Portugal estava por cima, com várias oportunidades falhadas. Na rádio disseram que isso não era garantia de nada, que o mesmo acontecera com os espanhóis quando estes jogaram com a Chéquia – e acabaram correndo atrás do empate. Iria acontecer-nos o mesmo? 

 

 

Felizmente não. Curiosamente, aconteceu-me o exato oposto do que acontecera no jogo com a Espanha: cheguei a casa no preciso momento em que marcámos o nosso primeiro golo. Bem, mais ou menos: foi quando estava a entrar no elevador, com o Nuno Matos nos headphones. Não resisti a dar um pequeno grito de golo. Espero não ter incomodado nenhum dos meus vizinhos – suponho que, para eles, seria indiferente se eu gritasse no elevador ou no meu apartamento. 

 

Este primeiro golo resultou de mais uma colaboração entre Bernardo Silva e João Cancelo. O primeiro fez um passe excelente para o segundo, escapando a três checos. Cancelo depois seguiu pela direita e rematou certeiro. 

 

Momento engraçado quando um apanha-bolas se veio abraçar a Cancelo durante os festejos. Admiro o atrevimento (penso que terá sido o mesmo que roubou um high-five a Ronaldo). Espero que não tenham ralhado com ele. 

 

O segundo golo veio cinco minutos depois e teve de novo Bernardo. Uma vez mais, passe magistral, desta feita para a finalização de Gonçalo Guedes. Um belo golo, nova colaboração entre Bernardo e Guedes exatamente três anos após a primeira final da Liga das Nações.

 

Não há muito mais a dizer sobre este jogo. Uma exibição pouco excitante, mas consistente (ao contrário do que acontecera uma semana antes, em Madrid), suficiente para garantir e merecer a vitória. No fim, estávamos todos contentes. Tínhamos feito um jogo mau perante a Espanha mas com um resultado aceitável, tínhamos duas vitórias seguidas com boas exibições. Estávamos em primeiro no grupo. As coisas estavam a correr bem para o nosso lado.

 

Não durou. 

 

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Ainda não se tinha completado um minuto do jogo com a Suíça, em Genebra, e já tínhamos consentido um golo do nosso conhecido Haris Seferovic. Desta feita contou.

 

Esperava-se que este golo servisse de “wake up call” – esse e o penálti anulado pelo VAR. Não foi assim, pelo menos não no imediato. Foi uma primeira parte muito pastosa e desinspirada – tanto da nossa parte como dos suíços. É possível que os jogadores estivessem a sentir os quatro jogos em dez dias, que já estivessem a pensar nas férias. Por outro lado, tínhamos jogadores menos experientes em campo – Rafael Leão, que ainda não se adaptou bem à Turma das Quinas; Vitinha, pela primeira vez a titular. Quando nomes mais habituais, como Gonçalo Guedes e Bernardo Silva, entraram, a qualidade do nosso jogo melhorou.

 

A segunda parte foi, assim, melhor que a primeira. No entanto, foi um caso clássico de bola-não-quer-entrar. Uma conjugação de pouca sorte (“baliza benzida”, como ia dizendo António Tadeia), falta de pontaria, guarda-redes fazendo o jogo da vida dele (porque não jogou o mesmo que jogou em Alvalade? Aquele que defendia para a frente?) e, a partir de certa altura, bloqueio psicológico. A desvantagem no marcador manteve-se. 

 

Esta derrota doeu e ainda terá doído mais aos milhares de portugueses no Estádio de Genebra. Pela maneira como estes se faziam ouvir – mesmo tendo Portugal passado noventa e nove por cento do jogo a perder – arrisco-me a dizer que estes estavam em maioria? Alegadamente o suíço Steffen ter-se-á a certa altura virado para as bancadas e pedido apoio – em vez disso recebeu assobios.

 

Quase tenho pena dos suíços. Eles supostamente estavam a jogar em casa. Ao mesmo tempo, é triste temos invadido casa alheia para ver Portugal fazer um jogo tão pobre.

 

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Cristiano Ronaldo, João Moutinho e Raphael Guerreiro não jogaram em Genebra, nem sequer estiveram no banco. Fernando Santos já tinha anunciado na véspera que os dispensara. Na altura não me chocou – Cristiano e Moutinho estão entre os mais velhos do grupo e Raphael costuma lesionar-se com alguma frequência. E não há por aí quem ache que Portugal joga melhor sem Ronaldo?

 

Por outro lado, porque é que Ronaldo, com trinta e sete anos, teve direito a ir de férias mais cedo, quando Pepe, dois anos mais velho, teve de jogar os noventa minutos vezes quatro desta jornada? A resposta é simples, na verdade: Fernando Santos está mais à vontade para rodar o meio-campo e o ataque que a defesa. O Selecionador falou sobre isso há pouco tempo, em entrevista com António Tadeia, salientando a falta de jogos particulares para fazer experiências. E a verdade é que já tivemos experiências desagradáveis quando não pudemos usar os centrais do costume.

 

Regressando a Cristiano Ronaldo, é muito fácil dizermos agora que, se ele tivesse jogado em Genebra, teríamos ganho. É possível, não o nego – talvez este não falhasse tantos remates. Mas já tivemos outros jogos em que a bola não entrava com Ronaldo em campo, por isso, não há garantia de nada.

 

E agora? Agora ainda dependemos de nós mesmos para nos Qualificarmos para a final four da Liga das Nações. Temos “apenas” de ganhar os dois próximos jogos. É mais fácil escrevê-lo do que fazê-lo: um dos nossos adversários é a Espanha, a quem ganhámos um total de uma vez em jogos oficiais. Nada de especial.

 

Porquê, minha gente, porquê? Andava eu toda contente por estarmos a conseguir os resultados e, pelo menos até certo ponto, as exibições. Parecia que tínhamos aprendido com os erros de 2021 e que estávamos finalmente a aproveitar o talento dos nossos jogadores. Porquê?

 

Não podíamos ter terminado a jornada com o jogo com a Chéquia? Os jogadores até agradeciam o compromisso mais leve. 

 

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Uma das poucas coisas boas em relação à nossa derrota com a Sérvia foi o facto de a equipa técnica ter aprendido com os erros. Assim, conseguiram catalisar um melhor desempenho na maioria dos jogos em 2022 até agora. Seremos também capazes de aprender com esta derrota? Eu espero que sim.

 

Por outro lado, pelo menos na parte que toca à calendarização e gestão física, depois da pandemia e do Mundial no outono, é pouco provável que estas circunstâncias se repitam de novo. 

 

Isto é, espero eu. 

 

Agora temos outra vez um tubarão a bloquear-nos o caminho para uma fase final. É certo que, nos play-offs para o Mundial, os italianos fizeram-nos o favor de perderem com a Macedónia do Norte antes de se poderem cruzar connosco. Aqui, tudo o que podemos fazer é rezar para que os espanhóis percam pontos perante os suíços, para não ficarmos obrigados a vencê-los.

 

A brincar a brincar, eu não me admirava se isso acontecesse. As pessoas dizem que Fernando Santos tem uma vaca no que toca a estas coisas.

 

Temos o verão inteiro para pensarmos nisso, para lambermos as feridas (começando por mim mesma). Os Marmanjos que descansem e aproveitem as férias – esta foi uma época longa e dura, a próxima também o será. Em setembro regressaremos mais fortes e arranjaremos uma maneira de retificar esta situação.

 

Como sempre, obrigada pela vossa visita. Visitem também a página de Facebook associada a este blogue. Tenham um verão feliz, em setembro haverá mais.

Um estranho empate, a vitória de que precisávamos

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No passado dia 2 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou a uma bola com a sua congénere espanhola. Três dias mais tarde, venceu a sua congénere suíça por quatro bolas sem resposta. Estes dois jogos contaram para a fase de grupos da terceira edição da Liga das Nações. 

 

Antes de mais nada, um pequeno pedido de desculpas por não ter publicado aqui no blogue antes destes jogos. Tenho tido umas semanas complicadas, em grande parte porque apanhei Covid e este não foi meigo comigo. Não é a primeira vez que salto uma crónica pré-jogo e não será a última. Mas não o devia ter feito desta vez. 

 

Nestas crónicas gosto de fazer uma rápida análise aos nossos adversários, o historial recente deles, o nosso histórico de confrontos com eles – para depois fazer prognósticos. Isso fez-me falta nesta jornada. Quando esta jornada começou, senti-me como se estivesse numa aula prática da faculdade sem a ter preparado.

 

Enfim, acontece. Mas vou tentar não repetir no futuro.

 

No dia do jogo com a Espanha, saí tarde do trabalho e acabei por perder os primeiros vinte e cinco minutos do jogo. Bem, mais ou menos. Ia consultando aqueles sites de atualizações de jogos quando podia até sair, depois ouvi o relato na rádio. Dava para perceber que a Espanha estava claramente por cima, ainda que Portugal fosse conseguindo defender-se dos ataques deles. 

 

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Mas não por muito tempo. Na verdade, entrei em casa precisamente no momento em que Álvaro Morata marcou. Rafael Leão tentou passar para trás, João Cancelo (foi ele, não foi?) deixou a bola fugir e ir parar aos pés de Gavi. Os Marmanjos foram basicamente apanhados com as calças na mão enquanto Gavi galgava o campo. Por fim, este passou a Sarabia que assistiu para Morata.

 

Tenho de admitir, foi uma bela jogada. Os portugueses só se podiam culpar a si mesmos.

 

Agora que já tinha acesso a uma televisão, conseguia ver com os meus próprios olhos que a Espanha estava a jogar muito melhor do que nós. Os portugueses na comparação quase pareciam amadores, dependentes da inspiração dos mais criativos. Não era tanto um “fia-te na virgem e não corras”, era mais um “fia-te no Rafael Leão e deixa os espanhóis correrem”. Em teoria isto não devia ser eficaz. Na prática, com Fernando Santos tem resultado muitas vezes.

 

Infelizmente, Rafael Leão – que jogou no lugar de Cristiano Ronaldo e é um dos Marmanjos do momento – não estava nos seus dias. Ou isso, ou se calhar ainda não estava preparado para este papel – ainda tem pouca experiência na Seleção.

 

Aproveito para falar já numa das questões-chave do jogo: a ausência de Cristiano Ronaldo do onze inicial. O assunto fez correr muita tinta – mais do que devia, na minha opinião. Ronaldo tem trinta e sete anos, vai completar em breve vinte anos como jogador profissional (!). Não podemos ficar dependentes dele para sempre, temos de ir fazendo o desmame. Pessoalmente, eu não o deixava no banco neste jogo – o mais difícil da fase de grupos. Mas temos de encarar com naturalidade quando ele não joga de início. 

 

A nossa melhor fase foi no início da segunda parte, quando entrou Rúben Neves para o lugar de João Moutinho. Infelizmente o ímpeto não durou muito. Ainda assim, Ricardo Horta – estreante e outro dos Marmanjos do momento – entrou aos setenta e poucos minutos e só precisou de mais dez para empatar a partida. Pode ter sido um golo contra a corrente do jogo, mas foi uma jogada bonita: a troca de bola entre Cancelo e Gonçalo Guedes, a assistência do primeiro para o remate de Horta.

 

 

Por alturas do fim do jogo, eu mal acreditava. Como é que tínhamos conseguido não perder aquele jogo? Quase senti pena dos espanhóis, que tinham feito muito mais por merecer a vitória. Quase… porque duvido que nuestros hermanos pensassem o mesmo se fosse ao contrário – não tanto os jogadores, mais os adeptos. Eles que não nos deram pontos na Eurovisão e, pior ainda, assobiaram o nosso hino. 

 

Por isso sim, que se danem. Este pontinho é nosso. E talvez venha a ser precioso.

 

Por outro lado, tenho de ser sincera: este empate não entusiasmou ninguém. Foi um típico jogo à Fernando Santos, sobretudo neste último ano, ano e meio. Um estranho empate, como disseram nos Memes da Bola. Parafraseando um monólogo de uma personagem de Ted Lasso, o equivalente futebolístico a um quadro de quarto de hotel: cumpre a sua função, mas está longe de ser uma obra de arte, está longe de comover. 

 

É por estas e por outras que, nesta altura do campeonato, muitos de nós não conseguem estar a cem por cento com Fernando Santos – eu incluída. Foi por muitos jogos assim que o ano passado foi tão frustrante. É certo que uma coisa é termos estes estranhos empates perante adversários como a Espanha – historicamente uma das nossas maiores bestas negras. Outra coisa era quando tínhamos estes estranhos empates ou estranhas vitórias perante adversários como a República da Irlanda ou o Azerbaijão

 

E de qualquer forma, no que toca a entretenimento e obras de arte, fomos bem compensados no jogo seguinte.

 

Este decorreu no Estádio de Alvalade e eu estive lá, com a minha irmã – que não ia a um jogo da Seleção desde antes da pandemia, desde… desde a final da Liga das Nações no Porto há precisamente três anos, vejo agora. 

 

Chegámos cedo, sem grandes complicações – o facto de já não precisarmos de certificados de vacinação e afins ajuda – assistimos a parte do aquecimento. Como sempre, estava um ambiente fantástico, com lotação esgotada – nunca me farto disso. E como era o Estádio de Alvalade, a Seleção vestia um equipamento verde e vermelho e ainda tínhamos a luz do dia, lembrei-me do meu primeiro jogo.

 

 

Como já toda a gente assinalou, Portugal não entrou bem na partida. Os suíços dominaram durante os primeiros dez minutos, culminando com o golo de Seferovic, aos seis minutos. Comecei logo a fazer contas à vida, naturalmente – ao mesmo tempo, estranhei que o marcador não se alterasse nos ecrãs gigantes. Acabou por aparecer a indicação de consulta do VAR por mão na bola. Pouco depois obtivemos confirmação e o golo foi anulado. Suspiro coletivo de alívio, festejos nas bancadas.

 

– Que sirva de lição – disse eu, na altura. Estava apenas falando para o ar, claro, parecido com os meus gritos ocasionais de “Vai! Vai! Vai!”, “Corre!”, “Chuta!”. Mas a verdade é que os jogadores pensaram o mesmo – vários admitiram-no mais tarde. O golo anulado foi uma “wake up call”. Depois dele, Portugal tomou conta do jogo. 

 

Começando logo aos quinze minutos, na nossa primeira ocasião. Cristiano Ronaldo cobrou o livre direto, o guarda-redes Gregor Kobel defendeu para a frente, William Carvalho marcou na recarga. Adoro ver os festejos deste golo – se me permitem a nota menos futebolística, William tem um sorriso lindo.

 

Isto na verdade foi apenas o começo para William. Ele fez um jogo espetacular, catalisando vários lances de ataque. Não foi o único. Adiantando-me um pouco, Portugal num todo jogou bem. Jogou “bonito”, como Fernando Santos insiste em dizer. O talento que todos reconhecem nos nossos Marmanjos estava finalmente a vir ao de cima. Otávio estava em todo o lado – neste jogo reparei que ele é baixinho mas corre muito. Nuno Mendes teve vários rasgos de inspiração. Diogo Jota não esteve nas suas melhores noites – aparentemente ele só consegue marcar de cabeça – mas sempre contribuiu para os dois golos de Cristiano Ronaldo. João Cancelo foi pura e simplesmente imperial. Rúben Neves também esteve bem, à semelhança de Bruno Fernandes, que também esteve nos golos de Ronaldo. Eu podia continuar…

 

Mas regressemos à primeira parte do jogo. Os últimos quinze minutos foram absolutamente avassaladores da nossa parte, com dois golos e uns quantos desperdícios. Ambos os golos foram assinados por Ronaldo. 

 

A jogada do primeiro começou em Rúben Neves, Otávio desviou de cabeça, Bruno Fernandes passou para Diogo Jota. Pensava-se que este iria rematar – em vez disso, este desarmou dois suíços e assistiu para o remate certeiro de Ronaldo. 

 

No segundo golo, Bruno Fernandes fez uma cueca a um dos suíços (que boss…), a bola chegou a Nuno Mendes que assistiu para Diogo Jota. Este aparentemente não estava à espera e tentou um remate atrapalhado. Kobel defendeu de novo para a frente (a sério? Um remate tão fraquinho e ele defende para a frente? Acho que até eu teria conseguido agarrar esta bola!) e desta vez foi Ronaldo a aproveitar. 

 

 

Não sei como é com vocês, mas eu nunca me cansarei de ouvir multidões gritando “SIIII!!!!” em coro com Cristiano, cantando o nome dele. As imagens de uma D. Dolores em lágrimas no rescaldo dos dois golos correram mundo. Por um lado é caricato: o filho é recordista em golos de seleções (e em vários outros tipos de golos). A senhora chora de todas as vezes que Ronaldo marca?

 

Por outro lado, são imagens bonitas, ninguém o nega. E compreende-se. Era uma ocasião especial, os gémeos de Ronaldo faziam cinco anos – o pai marcou um golo para casa. Além disso, há que recordar, a família tem passado por tempos difíceis.

 

Já que falo nisso, queria destacar outro momento. Conforme referimos antes, tivemos vários desperdícios nos últimos quinze minutos da primeira parte. Um deles foi de Ronaldo, um lance de caras. O Capitão teve uma reação um pouco mais desalentada do que eu esperava. Logo a seguir, nas bancadas, aplaudimos e cantámos o nome dele, em jeito de consolo.

 

A minha irmã já tinha comentado que nós tratamo-lo bem, que o mimamos. Ninguém nega que ele o merece, sobretudo neste momento. Não só por tudo o que tem feito por nós, mas também depois da perda que ele e a família sofreram há pouco tempo.

 

O futebol é isto. A Seleção é isto.

 

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Chegámos, assim, ao intervalo com uma vantagem de três golos. Eu queria ainda mais na segunda parte – até porque a baliza da Suíça ia ficar do nosso lado. Na prática, sabia que seria difícil mantermos o ímpeto, com todas as condicionantes à forma física dos jogadores. Eu, aliás, estava à espera que Ronaldo saísse ao intervalo ou por volta do momento sessenta. Isso não aconteceu, ele jogou até ao fim – uma vez mais eu teria feito diferente, mas pronto.

 

Ainda assim, a segunda parte não foi má. Ronaldo chegou a enfiar a bola na baliza aos cinco minutos, mas o golo foi anulado por fora de jogo. Pena. Ficou por repetir o hat-trick de há exatamente três anos antes. E não pude festejar um golo de Ronaldo do meu lado do campo.

 

O momento de brilho ocorreu perto dos setenta minutos, numa jogada de João Cancelo e Bernardo Silva (que acabara de render Bruno Fernandes). Cancelo abriu caminho pela direita sem dificuldades. O passe de Bernardo escapou a três suíços, Cancelo fintou o guarda-redes com imensa classe e rematou certeiro para as redes.

 

Tal como já me tinha acontecido no jogo com a Sérvia, o telemóvel voou-me do bolso durante os festejos (o casaco que uso com a camisola da Seleção tem os bolsos muito grandes, eu esqueço-me sempre…). Desta feita, dois senhores (pai e filho?) que estavam no banco da frente apanharam-no e viraram-se para trás. Eu estava ainda de olhos nos jogadores a festejar, sorrindo como uma tola. Demorei vários segundos a perceber que o telemóvel que tinham na mão era o meu. 

 

Enfim…

 

Não aconteceu mais nada de assinalável durante o resto dp jogo, ainda que nós nas bancadas fôssemos gritando “Só mais um! Só mais um!”. Tirando o momento em que João Palhinha se ia virando a Embolo. Noutras circunstâncias eu diria que ele não devia perder a cabeça por “dá cá aquela Palhinha” (não, não peço desculpa) mas, em defesa dele… aquilo foi uma falta demasiado dura e completamente desnecessária, talvez merecesse mesmo o cartão vermelho. 

 

Por outro lado, quando revi o lance na televisão, deu para ver e ouvir claramente Fernando Santos gritando a Palhinha para ter calma. 

 

Em todo o caso, a Suíça nunca chegou a ameaçar verdadeiramente. A vitória manteve-se. 

 

Arrisco-me a dizer que este foi o nosso melhor jogo nos últimos tempos. Talvez mesmo desde 2020. É certo que houve demérito da Suíça – acho que vi nalgum lado que eles andam com problemas internos – mas isso não é culpa nossa. Eles tinham a obrigação de fazer melhor, depois dos bons resultados que tiveram no último ano. E eu não me esqueço que eles se bateram taco a taco connosco na Qualificação para o Mundial 2018.

 

Por nosso lado, como referi antes, finalmente vimos Portugal a jogar bem, aproveitando o talento dos seus jogadores. É assim que nós gostamos! Depois de demasiadas pinturas de quarto de hotel, finalmente fizemos uma obra de arte. Era a vitória de que precisávamos há muito tempo, algo que nos desse argumentos contra os críticos da Seleção – incluindo aquele que vive dentro da minha cabeça. 

 

Além de que eu não podia ter pedido mais de um jogo a que assisti ao vivo. Foi uma das minhas noites mais felizes dos últimos tempos. 

 

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A questão agora é saber se conseguimos repetir a proeza. Começando já hoje, com o jogo com a Chéquia. Vai ser difícil: os checos têm um estilo de jogo diferente da Suíça, empataram com a Espanha e igualam-nos em pontos. Não podemos esperar facilidades.

 

Eu naturalmente quero mais daquilo que tivemos no domingo, mas sei que será difícil. Para além de ser um adversário mais complicado, estamos em fim de época, são quatro jogos em onze dias, Fernando Santos tem de rodar a equipa, como tem sido amplamente comentado. Com todas as atenuantes, só peço a vitória. O fator artístico será secundário. Pelo menos no que toca aos próximos dois jogos.

 

Que ganhemos então. Hoje faz três anos desde que vencemos a Liga das Nações. Eu quero regressar a uma final four e, se possível, repetir esse feito. 

 

Como sempre, obrigada pela vossa visita. Espreitem a página de Facebook daqui do blogue. E tendo em conta que há jogo logo à noite… força Portugal!

Esperança reforçada

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No passado sábado, dia 9 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere catari por três bolas sem resposta, em jogo de carácter particular. Três dias depois, venceu a sua congénere luxemburguesa por cinco bolas sem resposta, em jogo a contar para a Qualificação para o Mundial 2022… e eu estive lá!

 

Neste texto, vou focar-me menos no jogo com o Catar e mais no jogo com o Luxemburgo. O primeiro foi apenas um particular, menos importante. O segundo foi oficial, com um pouco mais de história, e foi o meu regresso aos jogos da Seleção, mais de dois anos e uma pandemia depois da minha última vez. Tenho muito mais a dizer. 

 

Não que o jogo com o Catar tenha sido mau. Foi acima da média no que toca a particulares nos últimos anos e houve uma clara melhoria em relação ao jogo do mês passado. Os jogadores encararam o jogo com seriedade – gostei do desempenho de Gonçalo Guedes, por exemplo, mas os grandes destaques foram os estreantes, como veremos já a seguir. 

 

Por outro lado, o Catar também não deu uma para a caixa.

 

Ainda assim, foi preciso esperar mais de meia hora pelo primeiro golo da Seleção. O estreante Matheus Nunes fez um excelente passe para outro estreante, Diogo Dalot, em cima da linha final. Este assistiu de cabeça para Cristiano Ronaldo, que não desperdiçou.

 

 

Sem desprimor para o nosso Capitão, que juntou mais um país à sua lista de golos… aqui foram os estreantes a fazer o mais difícil. Em particular Dalot, um dos melhores em campo neste jogo.

 

O segundo golo veio no início da segunda parte, na sequência de um canto batido por João Mário. William Carvalho tentara rematar primeiro, de cabeça, mas o guarda-redes catari defendeu primeiro. Na recarga, José Fonte rematou certeiro para as redes. Foi o seu primeiro golo pela Seleção, apesar de já se ter estreado há uns bons anos. 

 

Bem, ele é um central. Marcar golos não é uma prioridade para ele, pelo menos não da maneira como é para um avançado ou mesmo um médio. Nós estamos mal habituados com Pepe e Bruno Alves.

 

Um dos destaques na segunda parte foi Rafael Leão, que rendeu Cristiano Ronaldo ao intervalo. Via-se mesmo que o Marmanjo queria muito marcar um golo, mas não conseguiu acertar com a baliza. 

 

Acabou por culminar num momento caricato aos oitenta e dois minutos. Bruno Fernandes fez-lhe um passe de primeira, desde o meio-campo. Leão conseguiu o mais difícil: desviar-se do guarda-redes e do colega catari. Mas, quando tinha a baliza aberta, atirou à barra. 

 

Um lance digno dos apanhados, coitado.

 

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Bruno Fernandes não resistiu a mandar-lhe uma bicada nas redes sociais, como podem ver. É tão mau...

 

Ao menos Rafael conseguiu carimbar uma assistência, já em tempo de compensação. André Silva – outro que estava com ganas – só teve de desviar de cabeça para a baliza. Ficou feito o resultado. 

 

A única coisa má a apontar a este jogo (e também ao seguinte) é que podiam ter havido ainda mais golos. Pelo menos neste caso era apenas um particular. Se é para falhar oportunidades como aquela do Rafael Leão, que seja quando é a feijões.

 

O Portugal x Luxemburgo foi, então, o meu regresso aos jogos da Equipa das Quinas. Não foi o meu regresso aos estádios após a pandemia – esse regresso ocorreu há poucas semanas, num jogo do Sporting com a minha irmã. Se eu teria preferido regressar com a Seleção, o meu clube? Sim. No entanto, precisamente por causa da pandemia, preferi ser prática em vez de sentimental. Não desperdiço oportunidades. 

 

Foi o que fiz também com este jogo. Tinha férias para tirar, as primeiras este ano, logo, fui passar uma semana ao Algarve (e até apanhei bom tempo. Deu para ir a banhos). A única parte chata é não ter tido companhia – foi a primeira vez que fui a um jogo de futebol sozinha.

 

Não que tenha sido muito mau. Regra geral não tenho problemas em fazer coisas a solo. E no caso deste jogo, encorajou-me a ir trocando comentários com outras pessoas na bancada – algo que, se calhar, não aconteceria noutras circunstâncias. 

 

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Esta foi a minha segunda vez no Estádio do Algarve. A primeira foi em 2005, também perante o Luxemburgo, conforme recordei aqui. Esse jogo terminou com 6-0 no marcador, mas toda a gente sabe que os luxemburgueses melhoraram muito desde então. Não se iam deixar golear desta maneira outra vez.

 

Ou assim pensávamos nós.

 

O ambiente estava ótimo no Estádio do Algarve. Lotação esgotada pela primeira vez desde o início da pandemia o que, depois de uma época inteira de estádios vazios ou parcialmente lotados, terá sabido particularmente bem aos jogadores. 

 

Tal como já acontecera noutros jogos da Seleção, havia uma pequena claque que ia entoando cânticos, alguns adaptados dos clubes. Nem todos conseguiam cativar o público, tirando uma pessoa ou outra. Os melhores eram a tradicional onda e uma adaptação do haka islandês.

 

O jogo dificilmente podia ter começado melhor, com três golos da Seleção em menos de vinte minutos. É certo que os dois primeiros foram de penálti – e que o primeiro penálti não era válido, embora na bancada não conseguíssemos perceber. 

 

Compreendo as queixas de Luc Holtz, selecionador do Luxemburgo, mas todos concordam que não foi por esse penálti que Portugal ganhou. Pode-se discutir, sim, se o jogo teria decorrido da mesma forma se aquele penálti não tivesse sido assinalado. Depende muito de jogo para jogo. Existem casos em que um golo cedo muda tudo, desbloqueia um jogo. Existem outros casos em que, quando a boa entrada de uma das equipas não se traduz em golos – ou quando se falha um penálti, como aconteceu perante a Irlanda – a corrente do jogo muda. 

 

 

No caso deste jogo, no entanto, acho que não faria diferença. Até porque os luxemburgueses fariam nova falta para penálti – esse legítimo – poucos minutos depois.

 

Ainda assim, achei mal quando, mais tarde, Fernando Santos invocou o golo anulado em Belgrado a propósito desta conversa. Uma arbitragem olho por olho no que toca a erros é mau princípio. 

 

Em todo o caso, estes penáltis serviram para Cristiano Ronaldo juntar mais um par de golos à sua lista. E para gritarmos “SIIIM!” nas bancadas em coro com ele – algo que eu desejava fazer há algum tempo.

 

Tenho a ideia de que a jogada para o terceiro golo da partida começou com João Cancelo, mas posso estar enganada. De qualquer forma, a assistência foi de Bernardo Silva e o remate foi de Bruno Fernandes. O guarda-redes Anthony Moris, se calhar, podia ter feito mais, a bola passou-lhe mesmo por baixo do corpo, mas nada disso tira o mérito a Bruno.

 

Nesta altura, um miúdo de seis ou sete anos sentado atrás de mim comentou:

 

– Isto vai dar em goleada…

 

Eu disse-lhe que costumava ser assim, com o Luxemburgo – ele era demasiado novinho para se recordar desses jogos – e que, se calhar, naquela noite aconteceria o mesmo. No entanto, depois destes frutuosos primeiros vinte minutos, o resto da primeira parte não teve grande história.

 

 

Na segunda parte, aos sessenta e oito, deu-se um dos momentos da noite. Ronaldo rematou com um lindo pontapé de bicicleta. Por seu lado, o guarda-redes Moris resolveu agigantar-se e defender aquela. Um remate espetacular que obrigou a uma defesa espetacular.

 

Imagens posteriores mostraram um Ronaldo desiludido com este falhanço. Também mostraram André Silva ajudando-o a levantar-se, os outros colegas consolando-o, e isto é um dos motivos pelos quais adoro a Seleção. Ao mesmo tempo, nas bancadas, festejámos e cantámos o nome dele (dá para ouvir no vídeo) como se a bola tivesse entrado.

 

Ou se calhar foi a nossa forma de consolá-lo.

 

Em todo o caso, no minuto seguinte, na cobrança do pontapé de canto resultante da defesa, novo destaque. João Palhinha saltou, elevando-se sobre os demais, e marcou de cabeça. Na bancada pensámos que tinha sido Ronaldo a marcar, até pelo festejo, gritámos “SIIIM!” e tudo… só depois vimos que um dos Marmanjos que foi abraçar o marcador usava a camisola 7. Estive uns bons cinco minutos a rir-me da lata do Palhinha. Não há respeito pelo Capitão… 

 

Eu adoro-os. 

 

A cinco minutos do fim, Ronaldo chegou finalmente ao hat-trick. Grande trabalho de Rúben Neves também, que gosta muito de fazer estes passes à distância, quase teleguiados. Ronaldo só teve de desviar de cabeça.

 

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Estava feito o resultado. Cinco a zero. Não tem sido muito habitual a Seleção marcar tanto nos últimos anos – o mais recente fora perante a Andorra, no ano passado. É certo que o Luxemburgo não deixa de ser uma seleção de microestado e houve demérito da parte deles neste jogo, mas a verdade é que não lhe ganhávamos por tanto há dez anos.

 

E o resultado podia ter sido ainda mais volumoso. Continuamos com um problema de eficácia, o que noutras circunstâncias poderia tramar-nos. No entanto, falando por mim e exclusivamente sobre esta noite… eu não podia ter pedido mais. 

 

Foi a maneira perfeita de regressar aos jogos da Seleção, depois de tanto tempo de ausência e de tudo o que aconteceu entretanto. Uma das noites mais felizes deste ano. Cheguei a desejar que o jogo nunca acabasse. Mesmo quando acabou, não pude demorar muito, mas soube-me bem caminhar entre outros adeptos, de bandeira ao ombro, bebendo as últimas gotas daquele ambiente fantástico. Fiz toda a minha viagem de regresso a sorrir e a minha garganta demorou dois dias a recuperar. 

 

Tinha regressado a casa. Deve ser por isso que A Minha Casinha é a verdadeira música da Seleção, por muito que a FPF tente impor-nos outras músicas. 

 

Estes jogos reforçaram a esperança que senti no final da jornada do mês passado. Sim, estamos a falar apenas do Catar e do Luxemburgo, não são equipas de renome. Mas foi a segunda vez que os defrontámos este ano e houveram claras melhorias de um encontro para o outro. Fomos mais consistentes, marcámos mais golos e deixámos de sofrê-los – interrompendo uma tendência que se vinha a arrastar. Temos os play-offs garantidos, bastando-nos quatro pontos para carimbarmos o passaporte para o Catar.

 

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Por isso sim, mantenho o benefício da dúvida em relação a Fernando Santos. Por enquanto. Na próxima jornada os testes serão mais difíceis… mas falaremos sobre isso na altura.

 

Obrigada pela vossa visita, como sempre. Soube bem escrever esta. Daqui a menos de um mês haverá mais. Até lá, não deixem de visitar a página de Facebook deste blogue. 

Não pode ser sempre assim?

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No passado dia 1 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere irlandesa por duas bolas contra uma. Três dias mais tarde, venceu a sua congénere catari por três bolas contra uma. Três dias depois desse jogo, venceu a sua congénere azeri por três bolas sem resposta. O primeiro e o último jogo contaram para a Qualificação para o Mundial 2022. O outro foi apenas um particular. 

 

Esta foi uma jornada tripla estranha, pelo menos para mim. Como tinha referido no texto anteriorestava menos entusiasmada que o costume. O jogo com a Irlanda e o jogo com o Catar não ajudaram nesse sentido. O terceiro foi melhor… mas deixou-me numa posição confusa. 

 

Hei de explicar melhor já a seguir. 

 

Uma coisa de cada vez. Longe de me animar, a exibição dos portugas perante a República da Irlanda apenas piorou o meu estado de espírito. Começando pelo penálti desperdiçado.

 

Para ser justa, não me surpreendeu que Cristiano Ronaldo tivesse falhado. Primeiro, o penálti demorou imenso tempo a ser validado. A UEFA (ou terá sido a FIFA?) finalmente ganhou juízo e introduziu o vídeo-árbitro nos jogos de Qualificação. No entanto, nestas circunstâncias torna-se contraproducente: a demora aumenta os nervos. 

 

VAR. Sabotando-nos, quer estando lá quer não. 

 

 

Os irlandeses também não ajudaram, com as suas picardias a Ronaldo durante a espera. Ele que, apesar de quase duas décadas nestas andanças, no que toca a resistência a provocações, é apenas pouco melhor que Sérgio Conceição e os seus filhos. 

 

Aliás, tanto Ronaldo como o irlandês Dara O’Shea podiam ter visto cartões, se o árbitro não estivesse distraído. O primeiro ajustava a bola na marca de grande penalidade, o segundo pontapeou a bola, Ronaldo respondeu com uma palmada leve no braço do outro. 

 

Uma cena saída de um recreio da Primária. 

 

Juntando-se a isto, estava toda a gente a suster a respiração para o “momento histórico” em que Ronaldo quebraria o recorde de Ali Dalei. 

 

É claro que ia correr mal. 

 

O momento histórico acabou por ir para Gavin Bazunu, o guarda-redes irlandês de apenas dezanove anos. O miúdo tinha cinco meses de idade quando Ronaldo subiu aos séniores!

 

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Acho que o penálti falhado afetou os portugueses durante a maior parte do jogo. E como quem não marca sofre, após termos falhado mais um par de tentativas, os irlandeses inauguraram o marcador em cima do intervalo. 

 

Eu tinha vindo para este jogo com pouco entusiasmo e mesmo assim estava a apanhar uma desilusão. Com o devido respeito pelos irlandeses, como é que estávamos a perder com o último classificado do grupo?!

 

A coisa acabou por se resolver literalmente nos últimos cinco minutos da partida. Com um Ronaldo Ex Machina, como em muitas outras ocasiões. Ambos os golos foram marcados de cabeça. O primeiro teve assistência de Gonçalo Guedes, o segundo de João Mário.

 

Nesta altura estava demasiado desiludida ainda para celebrar os golos como deve ser. No entanto, já aí reconhecia que as bancadas do Estádio do Algarve merecera aqueles golos. Fora o regresso do público aos jogos da Seleção e este fez-se ouvir durante o jogo todo – mesmo com um jogo medíocre durante oitenta e oito minutos. Seria demasiado ingrato levarem com uma derrota. 

 

Adoro em particular os festejos do segundo golo. Ronaldo tirou a camisola  –  o que, pelo menos a mim, recordou-me o seu segundo golo com as Quinas, no Euro 2004. Acabaria por ver o amarelo e ser excluído do jogo seguinte, mas acho que ninguém se importou. 

 

Momento engraçado quando os Marmanjos foram para junto do público e um dos stewards foi apanhado nos abraços. Terá mesmo havido contacto entre os jogadores e elementos da audiência, o que não é aconselhável em tempos de pandemia. Mas sinceramente? Não tenho alma para criticar. Estivemos muito tempo sem ir aos jogos, queremos este calor humano.

 

 

Além disso, os envolvidos estarão quase de certeza todos vacinados.

 

Depois do jogo ninguém se calava com o recorde quebrado por Cristiano Ronaldo. Não que não fosse merecido – são cento e onze golos! Acho que não é a primeira vez que escrevi isto aqui no blogue, tanta Ronaldomania às vezes enjoa mas, se formos olhar os factos… ele merece. Ele merece todos os elogios! Veja-se por exemplo esta infografia da SportTV. Vejam-se os recordes que o homem quebrou! 

 

Quer-me parecer que as gerações futuras, que nunca verão Ronaldo jogar, não vão acreditar que ele existiu mesmo.

 

Dito isto, irritou-me que, entre os louvores a Ronaldo, muitos tivessem esquecido tão depressa que foram os primeiros oitenta e oito minutos do jogo. Sim, os jogadores não deram o jogo como perdido, deram a volta ao resultado, persistência, garra, inconformismo, outras palavras bonitas. No entanto… era o último classificado do grupo! Dar a volta a um resultado desfavorável perante a uma equipa como esta (com o devido respeito pelos irlandeses) não é um grande feito, é uma obrigação. 

 

Acabou por ser mais ou menos como eu previra no texto anterior: exibições fraquinhas, mas suficientes para conseguir os resultados. Não satisfazia, mas sempre era um passo em frente.

 

Havemos de regressar a isto.

 

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Não tenho muito a dizer sobre o jogo do Catar – em parte porque não lhe prestei grande atenção. Para além da mesma falta de entusiasmo, tinha estado a conduzir durante cerca de duas horas nessa tarde e ficara exausta. 

 

E uma vez mais, o jogo em si não me animou por aí além. 

 

Não que estivesse à espera que o fizesse. Era apenas um particular, com um onze bem diferente do habitual. O Ronaldo já tinha deixado a Seleção e tudo. Ninguém esperava uma festa do futebol.

 

Em todo o caso, o Catar até entrou no jogo por cima, mas foi Portugal a inaugurar o marcador –  com dois golos de seguida! O primeiro foi de André Silva, após assistência de João Mário. O segundo foi mais especial, na minha opinião. Assistência de Gonçalo Guedes (está num bom momento, o Marmanjo) e o estreante Otávio deu um salto à Ronaldo e marcou de cabeça. Fico feliz por ele, que estava tão orgulhoso pela sua Convocatória.

 

Quando os cataris se viram reduzidos a dez, em cima do intervalo, pensei que teríamos a vida facilitada na segunda parte. Não foi bem assim. Os cataris, aliás, conseguiram reduzir a desvantagem na sequência de um canto, acentuando o problema recorrente dos múltiplos golos sofridos nos últimos tempos. (Para sermos justos, o jogo com a Alemanha terá desequilibrado ligeiramente essa estatística.)

 

Lá surgiu um penálti a nosso favor e Bruno Fernandes foi chamado a converter. O Marmanjo tinha de aproveitar, coitado – agora que tem Ronaldo como companheiro de clube, não terá muitas oportunidades. 

 

Para este caso, Bruno pode ao menos gabar-se de não ter falhado, ao contrário do Capitão. Mas também, a pressão era bem menor.

 

 

Enfim, foi um particular aceitável, ainda que eu desejasse mais golos.

 

No dia do jogo com o Azerbaijão estava de melhor humor – isto apesar de, de início, parecer que o universo estava a conspirar contra mim. O jogo foi às cinco da tarde. Eu tentei trocar para sair às quatro, mas surgiu um imprevisto e tive de sair às cinco à mesma. Não não, nem isso porque apareceram pessoas em cima das cinco, obrigando-me a sair uns dez minutos depois da hora.

 

É sempre assim.

 

O que vale é que eu até gosto de ouvir o relato da rádio de vez em quando. Foi através dele que soube dos golos. O primeiro foi espetacular: uma grande assistência de Bruno Fernandes para Bernardo Silva, que conseguiu enfiar a bola num ângulo dificílimo. 

 

O segundo golo foi menos artístico, mas resultou de uma boa jogada envolvendo João Cancelo, Bruno Fernandes, Diogo Jota, com André Silva a concluir. A cada golo, não resisti a buzinar um bocadinho.

 

Mais do que os golos até, aquilo que me deixava feliz eram os testemunhos que garantiam que a Seleção não jogava tão bem há muito tempo – desde o jogo com a França em Paris no ano passado, pelo menos. Eu pude vê-lo por mim mesma, quando cheguei finalmente a casa. 

 

 

Por outro lado, também vi algumas falhas defensivas que podiam ter custado caro. Contei pelo menos duas fífias de Nuno Mendes, mas não digo que ele tenha sido o único a falhar. Valeu-nos o facto de os azeris não terem sido capazes de aproveitar estas oportunidades. Em todo o caso, esta é uma possível explicação para os golos que temos sofrido.

 

Pelo meio, na segunda parte, Diogo Jota marcou o nosso terceiro golo, de cabeça, após assistência de João Cancelo. 

 

Uma palavra para os adeptos que invadiram o relvado, para tirarem fotografias com Bruno Fernandes. Hoje em dia estes momentos já não aparecem na televisão – por instruções das autoridades do futebol, para não encorajarem estes comportamentos. Pelos vistos a realização deste jogo não recebeu o recado. É sempre bom ver os nossos jogadores – não apenas o Ronaldo  – sendo acarinhados.

 

Foram três golos, podiam ter sido mais. No final do jogo lamentámos não ter ganho por mais, por causa das contas do Apuramento. No entanto, mais tarde naquele dia, a Sérvia empatou com a Irlanda, deixando-nos isolados no primeiro lugar do grupo. A Qualificação continua a correr bem, melhor que as anteriores.

 

E agora, como bónus, tivemos uma boa exibição. É certo que estamos a falar de azeris, não de italianos, nem mesmo de sérvios. Mas já tínhamos jogado contra o Azerbaijão este ano e foi uma tristeza. De igual modo, tivemos jogos com equipas de nível semelhante ou pouco melhor – Luxemburgo, Irlanda – e jogámos pior. 

 

Neste momento, estou numa posição estranha. Durante o jogo com a Irlanda, antes dos últimos cinco minutos, tive flashbacks do jogo com a Albânia há sete anos (!) e estava já com os lencinhos brancos a postos. Acho mesmo que, se não fosse o Ronaldo Ex-Machina, estaríamos hoje pelo menos a discutir essa possibilidade. Seria um escândalo demasiado grande perdemos perante o último classificado do nosso grupo, pouco tempo após um Europeu que deixou muito a desejar

 

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Quando o resultado virou, guardei os lencinhos, mas continuava insatisfeita. Pensava que iríamos ficar presos num ciclo vicioso de exibições fracas, de serviços mínimos. Conseguiríamos Qualificações, mas a estas seguir-se-iam participações tristes em fases finais: não suficientemente más para quase toda a gente querer chicotada psicológica, mas claramente aquém daquilo que somos capazes.

 

No entanto, perante o Azerbaijão ganhámos e jogámos bem. E agora estou com esperança? Afinal de contas, Fernando Santos consegue pôr a equipa a jogar. Porque não podemos jogar sempre assim (ou, vá lá, quase sempre)?

 

Vocês sabem que não sei o suficiente para opinar sobre estas matérias. Prefiro guiar-me pelo parecer de especialistas. Daquilo que tenho lido e ouvido, temos bons jogadores, mas nem sempre conseguimos encaixá-los uns com os outros. E poderá ser necessário deixar algum génio no banco. 

 

Numa discussão num vídeo de António Tadeia, por exemplo, comentou-se que o melhor onze para a Seleção neste momento será o que jogou perante o Azerbaijão, com Ronaldo no lugar de Diogo Jota. Ou seja, mandaríamos um dos melhores marcadores da Seleção no pós hiato da pandemia para o banco. 

 

E ainda temos de pensar em nomes como Renato Sanches, Pote, João Félix, que também têm de entrar nestas contas. E claro, gerir lesões e momentos de forma, adversários diferentes, etc.

 

É difícil ser-se Selecionador. Quem diria, hem?

 

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Em todo o caso, acho legítimo darmos o benefício da dúvida a Fernando Santos. Por muitos defeitos que tenhamos a apontar-lhe no passado recente, ele continua a ser o único Selecionador que nos ganhou títulos. A parte boa de os próximos jogos serem de dificuldade média-baixa, e de estarmos isolados no primeiro grupo, é que permitirá a Fernando Santos praticar estas táticas novas. Pelo menos era o que eu faria.

 

Saio assim deste compromisso da Seleção um pouco mais animada e otimista do que estava no início dele. Uma parte de mim continua receosa de que voltemos às exibições pastosas nos próximos jogos. Mas, lá está, a esperança é a última a morrer e quem sabe? Talvez isto seja um início. Talvez seja agora que aprendamos, finalmente, a usar da melhor forma os trunfos de que dispomos.

 

Vamos ver. A Seleção reúne-se de novo daqui a algumas semanas. Ainda não sei se escreverei uma crónica pré-jogos: os adversários são o Luxemburgo e o Catar, com quem jogámos recentemente, não devo ter muito a dizer. 

 

Em todo o caso, continuarei a cobrir as aventuras e desventuras da Seleção na página de Facebook deste blogue. Deem uma espreitadela. Para já, como sempre, obrigada pela vossa visita. Voltamos a falar em breve. 

Taquicárdia e amargura

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No passado dia 23 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou a duas bolas com a sua congénere francesa, em jogo a contar para a fase de grupos do Euro 2020. Com este resultado, em combinação com o empate entre a Alemanha e a Hungria, a Seleção Nacional apurou-se para os oitavos-de-final como uma das melhores terceiras classificadas da prova. Nos oitavos-de-final, no entanto, defrontou a sua congénere belga e perdeu por uma bola a zero, tendo sido eliminada do Euro 2020. 

 

A grande desvantagem do sistema de adotei neste Europeu, de não me obrigar a escrever um texto por jogo aqui no blogue, é que as coisas mudam muito depressa – de uma maneira que não acontece tanto com jogos de Qualificação. O nosso estado de espírito no fim do jogo com a França é totalmente diferente do do final do jogo com a Bélgica. 

 

Além de que o primeiro jogo foi muito mais interessante que o segundo. Como tal, este texto está muito desequilibrado. Gasto muitos mais parágrafos analisando o jogo com a França do que o jogo com a Bélgica – passo mais tempo discutindo as consequências desse segundo encontro. Peço desde já desculpa se parecer esquisito, mas a última jornada da fase de grupos foi demasiado emocionante e caricata para não escrever sobre ela. 

 

Todos sabíamos que o jogo com a França seria difícil. Tentámos preparar-nos para isso, partilhámos memes com terços e calculadoras, embora soubéssemos que, tecnicamente, para passarmos aos oitavos-de-final, bastava-nos perder por menos de três golos de diferença com a França. 

 

Isto se a Alemanha não perdesse com a Hungria mas… era a Alemanha e era a Hungria. Tínhamos acabado de levar uma tareia dos alemães e somos os atuais Campeões Europeus (não por muito mais tempo…). Os húngaros nunca seriam capazes de fazer mossa aos alemães, certo?

 

...certo?

 

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Algo que acho que nunca referi aqui no blogue: nas últimas jornadas de fases de grupos como estas, em que os dois jogos decorrem ao mesmo tempo para evitar combinações de resultados, gosto de imaginar as quatro equipas no mesmo campo, jogando umas contra as outras. Acaba por ser mais ou menos isso que acontece – pelo menos em grupos como o nosso, com a classificação ainda em aberto.

 

Agora que penso nisso, no entanto, a regra dos melhores terceiros estraga um pouco esse esquema. Para verdadeiramente evitar combinações de resultados, literalmente todas as equipas teriam de jogar ao mesmo tempo – o que não é possível, claro.

 

Outro dos motivos pelos quais imagino o campo único para quatro equipas é porque, por muito que alguns de nós o neguem, os dois jogos acabam por ser influenciados um pelo outro, nem que seja um bocadinho. Fernando Santos pode dizer que tentou impedir que dissessem aos jogadores o que se estava a passar em Munique, mas os múltiplos adeptos húngaros nas bancadas não receberam o recado. No caso do grupo F, aliás, a coisa foi tão disputada que Portugal passou pelas quatro posições da tabela nos noventa minutos de duração dos jogos (sinto que há potencial para uma piada brejeira aqui, mas está aquém das minhas capacidades).

 

Na minha opinião, a França esteve por cima no início do jogo, ainda que Portugal se tenha apresentado mais consistente que perante a Alemanha. Um breve destaque para Renato Sanches e João Moutinho, o músculo e o cérebro do meio-campo, respetivamente, pelo menos neste jogo. 

 

Os nervos apertaram-se logo aos onze minutos, quando a Hungria marcou à Alemanha. Lá se ia a conversa dos dias anteriores, de perdemos por menos de três golos. Além de que, se a vantagem húngara se mantivesse, os nossos amigos alemães estavam fora do Europeu.

 

É um alívio saber que não fomos a única equipa dita “grande” que esteve perto de sair de um Europeu frente à Hungria. Tirando a parte da homofobia, respeito aos húngaros pela maneira como se bateram neste grupo, conseguindo empates com os dois últimos Campeões do Mundo!

 

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E tendo em conta que os três sobreviventes do Grupo da Morte não se mantiveram no Europeu durante muito tempo, mais valia que um de nós os três tivesse ido para casa mais cedo (não nós, claro!) e os húngaros tivessem ido aos oitavos.

 

Regressando ao jogo com a França, agora os portugueses estavam mais pressionados, mas acabaram por ser os primeiros a chegar à vantagem. Fiquei com alguns sentimentos de culpa quando Danilo levou um soco acidental de Hugo Lloris. Horas antes do jogo estive a conversar com amigos sobre o Europeu e criticámos a prestação do Danilo nos jogos anteriores. 

 

Teria o Universo ouvido as nossas críticas e decidido castigar o Marmanjo? Não era preciso tanto…

 

Naturalmente, Cristiano Ronaldo foi chamado a converter o penálti e não falhou. Achei piada ao João Palhinha. Este começara a aquecer, depois do que acontecera ao Danilo, mas depois do golo interrompeu o aquecimento para ir abraçar o Cristiano. 

 

À semelhança do que já acontecera no jogo com a Alemanha, soube bem estarmos a ganhar à França e em primeiro no grupo, mesmo que não tenha durado. Também me pareceu que Portugal jogou melhor depois do penálti convertido.

 

Infelizmente os franceses também tiveram o seu penálti. À semelhança de muita gente, não acho que seja legítimo – só de uma forma muito exagerada. O Mbappé não reparou no Nélson Semedo atrás de si, chocou contra ele e atirou-se ao chão. Na altura, a quente, eu disse que era a UEFA levando a França ao colo, como é tradição. Mais a frio, admito que o lance não é preto no branco, mas continuo a achar que não é penálti. 

 

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Por outro lado, alegadamente este árbitro terá sido excluído do resto do Europeu por causa deste erro. A mim quer-me parecer que fizeram dele um bode expiatório. Afinal de contas, o VAR não contrariou a decisão do árbitro: o erro não foi só dele!

 

Em relação ao penálti em si, destaque para o Pepe tentando dizer ao Rui Patrício para que lado o Benzema rematava. Patrício ou não o viu ou não ligou. Bolas, Rui…

 

Golos sofridos imediatamente antes do intervalo costumam ser mau sinal e este jogo não foi exceção. Sofremos o segundo golo logo nos primeiros minutos (como disseram no Twitter, agora é que o VAR funcionava…). E como a Alemanha continuava a perder, com aqueles resultados íamos para casa naquela noite.

 

O que para mim seria inglório, mesmo humilhante. Sermos expulsos de um Europeu na fase de grupos pela primeira vez. Enquanto detentores do título. Perante a equipa a quem conquistámos esse título

 

Não. Não podia acabar assim. É certo que não duraria muito mais de qualquer forma, mas sempre foi um bocadinho menos mau.

 

Felizmente não ficámos muito tempo em desvantagem. Outro penálti a nosso favor, outra conversão para Cristiano Ronaldo. 

 

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Não sei como foi com vocês, mas para mim esta foi a altura em que as emoções ameaçaram levar a melhor sobre mim. Já tinha bebido cidra ao jantar, durante o intervalo, agora tive de beber mais uns goles para ajudar com os nervos. A minha mãe queixou-se que estava com taquicárdia. 

 

Devia usar-se esse nome em vez de Grupo da Morte. Grupo da Taquicárdia! Grupo do Nitromint!

 

Houve alguém que, nessa noite, escreveu nas redes sociais que o Europeu podia ser só o grupo F em loop. Essa pessoa claramente não era adepta de nenhuma das quatro seleções. 

 

Hoje, no entanto, que já estamos fora do Europeu, dava tudo para sofrer assim outra vez. Para ir das lágrimas à euforia e vice-versa, como aquele célebre adepto suíço. Mais sobre isso daqui a pouco.

 

Aparentemente, os Marmanjos também se deixaram enervar nesta altura e perderam um pouco o controlo da situação. Sem consequências de maior, felizmente. Foi nessa altura que Rui Patrício fez aquela espetacular defesa dupla, bloqueando um remate do Pogba e outro de Griezmann. Eu levei as mãos à cabeça, a minha irmã gritou mesmo: “PATRÍCIO!! PATRÍCIO!!” (Não se costumava gritar “RUI!!!”?). A minha rua festejou a defesa como se tivesse sido um golo. 

 

Estou como toda a gente: façam-lhe outra estátua! Somos tão abençoados por ele jogar por nós…

 

 

Quem também teve o seu momento foi João Palhinha. Não me canso de ver esta jogada: a maneira como ele se baixa, se levanta e se baixa de novo para fintar os franceses, culminando com o túnel ao Pogba. Que classe!

 

Entretanto, em Munique, a Alemanha conseguira empatar com a Hungria aos 66 minutos, mas os húngaros adiantaram-se de novo dois minutos depois. Só aos 84 minutos é que os alemães conseguiram empatar de novo e garantir a permanência na prova.

 

Entretanto, em Budapeste, a partir de certa altura os portugueses e os franceses entraram como que em cessar-fogo. Ambas as equipas estavam satisfeitas com o resultado e pareceram não estar muito para se chatear – momento engraçado com Fernando Santos gritando com os jogadores para eles irem para a frente. Chegou mesmo a haver um alegado penálti não assinalado a favor da França (mais legítimo que o que foi assinalado, na minha opinião), mas nesta fase do jogo já ninguém queria saber. 

 

Não foi um mau jogo, tendo em conta o adversário. Foi definitivamente melhor que o jogo com a Alemanha – ao menos a derrota não foi desperdiçada. No entanto, sabendo hoje o que aconteceu depois da fase de grupos, uma pessoa pergunta-se se foi um feito assim tão notável.

 

Não tenho muito a dizer sobre o jogo com a Bélgica, para ser sincera. A primeira parte foi muito contida, ambas as equipas com muito respeitinho uma pela outra, um jogo muito tático e… enfadonho. Fez-me lembrar o jogo com a Croácia no Euro 2016. Portugal esteve ligeiramente por cima, com algumas oportunidades. Os belgas, no entanto, marcariam em cima do intervalo, no único remate enquadrado que tiveram. 

 

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Naturalmente, Portugal passou a segunda parte toda a correr atrás do resultado. As oportunidades choveram: de Diogo Jota, de João Félix, de Cristiano Ronaldo. Tivemos inclusivamente uma bola ao poste, claro que tivemos, cortesia de Raphael Guerreiro. Nada foi suficiente para anular a desvantagem e, no fim, fomos enviados para casa.

 

E foi isto o nosso Europeu. Uma vitória perante a Hungria, um empate perante a França e duas derrotas, perante a Alemanha e a Bélgica. Um bocadinho melhor que no Mundial 2018, mas não por muito. À semelhança do que aconteceu há três anos, tudo o que temos para recordar é um ou outro momento bonito, uns quantos recordes do Ronaldo e mais nada. 

 

Acho que se pode considerar mesmo o nosso pior desempenho em fases finais de Europeus. É certo que, antes de 2016, não havia oitavos-de-final, passávamos diretamente dos grupos aos quartos. Mas, como assinalaram no Twitter, foi o primeiro Euro em que a equipa que nos eliminou não chegou à final. 

 

Isto enquanto detentores do título (não por muito mais tempo, claro…). 

 

Foi uma semana algo triste, a última – aqueles dias de regressar à realidade após uma derrota como esta, de lavar os cachecóis e as bandeiras, em que a comunicação social se volta de novo para os clubes. Falando por mim, estava à espera de mais, queria mais. Queria continuar em modo Seleção, queria ter estado mais tempo no Europeu. Mesmo que não conseguíssemos chegar à final outra vez, mesmo que caíssemos nas meias ou mesmo nos quartos. Isto soube a pouco. Outra vez.

 

Por estes dias, tenho visto dois tipos de reações a esta eliminação. De um lado, temos gente defendendo a Seleção e Fernando Santos, dizendo que Portugal fez tudo para ganhar, faltou-nos a sorte, os belgas não fizeram nada para merecer a vitória. Do outro lado, temos gente que pede a demissão de Fernando Santos para ontem. 

 

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Eu estou algures no meio deste espectro, mas muito inclinada para o segundo grupo. O argumento do “mérito” da vitória já está ultrapassado há muito. Em parte porque já estivemos do outro lado, a equipa que “não merecia ganhar”. A Bélgica não é o tubarão que todos parecem achar que é e nem sequer aguentou muito tempo no Europeu depois de nós. No entanto, com um remate enquadrado conseguiram marcar um golo, enquanto nós precisámos de quatro remates enquadrados e uns tantos desenquadrados para marcarmos zero. 

 

E os burros são eles, como diria Luiz Felipe Scolari? (Acho que não é a primeira vez que parafraseio Scolari para fazer este argumento…)

 

Eu (ainda) não vou ao ponto de pôr os patins em Fernando Santos, mas compreendo aqueles que o querem. Muitas pessoas já andavam descontentes com o Selecionador há algum tempo. O desempenho neste Europeu foi a gota de água. Pessoalmente não sei se esta é a melhor altura para trocar de Selecionador, com uma fase de Qualificação já a decorrer e o Mundial já no próximo ano. E há sempre aquele argumento do o-treinador-é-a-vítima-mais-fácil.

 

É capaz de ser verdade mas, no que toca à Seleção, das últimas duas vezes que trocámos de técnico, as coisas começaram a correr bem de novo relativamente depressa depois da estreia do novo treinador. Interpretem-no como quiserem. 

 

Confesso, no entanto, que o principal motivo pelo qual não quero que Fernando Santos se vá embora é irracional. Ainda estou grata por Paris e pelo Porto. Mas para ser sincera, a minha boa vontade está a esgotar-se. Vocês sabem que estou longe de ser uma autoridade na matéria, mas a opinião que mais tenho encontrado é que Fernando Santos não sabe como usar o talento de que dispõe. Ainda joga como se fosse 2016, o que já não é adequado à realidade atual.

 

E a pior parte é que Fernando Santos parece não achar que está a fazer nada de errado. 

 

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Existem atenuantes para Fernando Santos. Mal por mal, tirando a Hungria (e mesmo assim), apanhámos equipas grandes no nosso percurso. Houve um progresso evidente nos últimos dois jogos –  aquela derrota com a Alemanha é que terá sido fatal. A França e a Alemanha acabaram por vir parar ao mesmo barco afundado. 

 

Muita gente a dizer que Portugal só ganhou três jogos no tempo regulamentar em Europeus e Mundiais com Fernando Santos, mas eu não desvalorizo a Liga das Nações: ganhámos vários jogos na primeira edição da prova perante boas equipas e atrevo-me a dizer que jogámos bem com a Itália, a Polónia e a Holanda. A segunda edição não nos correu tão bem, mas sempre ganhámos duas vezes à Suécia e à Croácia (com boas exibições, tirando o último jogo do grupo) e tivemos um bom empate com a França. Pode não ter tanto prestígio como o Euro ou o Mundial, mas também conta.

 

Por outro lado, o argumento morde a sua própria cauda. Porque é que não jogámos assim neste Europeu?

 

De qualquer forma, não me quero focar muito nessas atenuantes, porque permitem que Fernando Santos lave as mãos da sua parte da culpa. Não me admirava se ele dissesse, com todas as letras:

 

– Estão a ver? A França, Campeã do Mundo e Vice-Campeã da Europa, também falhou os quartos-de-final! O problema não sou eu!

 

A comunicação dele, aliás, já irrita. Na Conferência de Imprensa insistiu no seu velho chavão de que “nenhuma equipa pode dizer neste momento que é melhor que Portugal” – grande consolo! Disse que os jogadores estavam a chorar no balneário (um abraço para eles) mas falou em “olhar em frente e ir ganhar o Campeonato do Mundo” – o que é de mau gosto, sinceramente.

 

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Não sou a única que faz uma careta quando pensa num Mundial 2022 igual a este Europeu, pois não?

 

Quem abordou bem o assunto foi António Tadeia, no outro dia: “Fernando Santos sugerir que vamos ganhar o Mundial 2022 é tão válido como eu dizer que no ano que vem vou bater o recorde do Mundo dos dez mil metros. Enquanto eu não explicar como é que tenciono fazê-lo, com que plano de treinos, de nutrição, com que estratégia de corrida, com quem a fazer de lebre e em que dia e condições, tudo o que eu diga serve zero.” 

 

É a mesma questão de que falei no texto anterior. Como numa história infantil, acreditar com força e esperar que o destino resolva tudo por nós – quando falo em destino, falo do Cristiano Ronaldo, claro. Mensagens bonitas de esperança e crença têm a sua utilidade, são boas para as redes sociais, para as campanhas publicitárias, mesmo para este blogue, mas não chegam. Não ganham campeonatos, nem sequer ganham jogos.

 

Mesmo quando escrevi este texto (um dos que mais me orgulho neste estaminé) sobre acreditar de novo passados tantos anos, não deixei de referir que, se falhássemos, iria custar – quando se sonha alto pela primeira vez em muito tempo, se caímos, a queda dói mais.

 

Não tenciono voltar as costas à Seleção. Se não voltei em circunstâncias piores, não o farei agora. Estarei sempre disponível para, como escreve Tadeia, “empunhar o cachecol e a bandeira e urrar por Portugal sempre que há jogo”. Mas não quero que me tomem como garantida. Não quero estar sempre a passar por isto. Ou Fernando Santos aprende a usar os trunfos que tem ou dá o lugar a quem saiba usá-los. 

 

Espero que a Federação não cometa os mesmos erros que cometeu com Carlos Queiroz e Paulo Bento. Insistiram num selecionador cujo tempo já claramente terminara, só dando a chicotada quando a Seleção perdeu pontos sem necessidade na Qualificação. Uma vez mais, não digo que tenhamos chegado a essa fase com Fernando Santos, mas, se ele tiver de sair, que saia na altura certa. 

 

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Não vou mentir: será triste quando isso acontecer. Mas também é uma das leis da vida: nada dura para sempre. Também me entristece saber que este poderá ter sido o último Europeu de Pepe e Cristiano Ronaldo. A ver se eles, ao menos, ainda aguentam até ao Mundial.

 

E é tudo, por agora. Como o costume, obrigada a todos os que acompanharam comigo esta participação no Europeu, por curta que tenha sido. Em setembro haverá mais.