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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Refúgio

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No dia 17 de maio, Fernando Santos, o Selecionador Nacional Divulgou os Convocados que representarão Portugal no Mundial 2018.

 

Tal, no entanto, acabou por passar quase despercebido perante outros acontecimentos que abalaram o mundo desportivo. Não falei disso no texto Pré-Convocados pois tinha-o concluído e agendado para publicação uns dias antes. Eu, de início, não queria escrever sobre o assunto porque, em primeiro lugar, foge um pouco ao âmbito deste blogue. Em segundo, achava que não tinha nada a dizer que milhentas outras vozes não tivessem dito já.

 

No entanto, quando no domingo passado, vi o Rui Patrício em lágrimas no Jamor, no fim daquela que deve ter sido a pior semana da sua vida – o Rui Patrício, dono da baliza das Quinas há seis ou sete anos, um dos principais responsáveis pelo primeiro e até agora único título da Seleção, que eu já tive o privilégio de encontrar na rua – descobri que não conseguia ficar calada.

 

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Eu acho que já expliquei algures aqui no blogue que deixei de apoiar clubes de futebol – no meu caso, o Sporting – por causa do fanatismo que existe no futebol de clubes. Mas julgo que nunca dei pormenores.

 

Foi na época de 2003/2004, eu tinha catorze anos. Andavam a ocorrer vários episódios degradantes, como o alegado rasgão de José Mourinho à camisola do Rui Jorge, cenas de violência no jogo entre o Vitória de Guimarães e o Boavista – no estádio onde, uma semana antes, morrera Miklos Feher. Estava a ficar saturada.

 

A última gota foi o dérbi em Alvalade, no qual adeptos do Sporting invadiram o campo – com intenções parecidas às daqueles que invadiram Alcochete no outro dia, suponho.

 

Nesse dia decidi que não queria estar associada a este tipo de comportamento. Decidi que o meu clube seria apenas a Seleção. Cerca de um mês ou dois mais tarde deu-se o Euro 2004 e nunca mais olhei para trás.

 

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Bem, mais ou menos. Nunca quis reverter a minha decisão, mas existiram alturas em que me perguntei se tinha sido demasiado radical.  Os clubes não são corruptos por si só, o mal vem das pessoas. Existem pessoas boas e más em todos os clubes, como em tudo na vida.

 

A minha irmã, por exemplo, é uma boa pessoa no futebol de clubes. Adepta do Sporting, devota ao seu clube sem fanatismos exagerados, ainda mais resiliente do que eu – porque o clube dela dá menos retorno do que a Seleção que tem dado.

 

Assim, ao longo dos anos, permiti a mim mesma ir apreciando o futebol de clubes aqui e ali – apoiando todos e nenhum em particular. Acompanho a minha irmã a jogos do Sporting, mas se alguém me convidar a um jogo do Benfica, do F.C.Porto ou de outro clube qualquer não recusarei. Admito que, na maior parte dos casos, prefiro que o Sporting ganhe para ver a minha irmã feliz, mas se ganhar outro qualquer não me ralo. E se é um clube português numa competição europeia e/ou um clube onde alinhem jogadores portugueses, é óbvio que torço por eles.

 

Esta época, no entanto, foi mais degradante do que o costume, sendo-me mais difícil acompanhá-la. Bitaites de diretores de comunicação, polémicas em torno de arbitragens (quem é que foi a alminha iluminada que achou boa ideia testar o video-árbitro em Portugal?), envelopes, e-mails, toupeiras, claques cantando pela morte de jogadores… A minha mente foi simpática ao ponto de me fazer esquecer a maior parte dos pormenores.

 

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Fui a alguns jogos do Sporting com a minha irmã esta época mas, a partir de certa altura, comecei a recusar os convites dela (tirando para o jogo com o Atlético de Madrid). Já não aguentava a falta de educação de inúmeros adeptos, que insultavam o árbitro, os jogadores e adeptos adversários, até mesmo os jogadores que deviam apoiar. Isto na presença de crianças!

 

Não digo que estivesse a ser diferente de outras épocas. É possível que eu estivesse menos tolerante para estas coisas, com tudo o que se estava a passar fora das quatro linhas.

 

Um dos responsáveis (não o único, bem entendido) por este ambiente tóxico no futebol português é o presidente do Sporting – um sujeito com tiques de ditador que, todos concordam, contribui para o que aconteceu em Alcochete.

 

Eu já vi muita coisa no futebol português, mas nunca nada como isto. Não digo que tenha sido o mais baixo de sempre porque, mal por mal, não morreu ninguém, ao contrário de outras ocasiões. Mas fiquei deveras perturbada. Todos vimos as imagens do balneário, os ferimentos de Bas Dost (a quem a minha irmã se afeiçoou, como se afeiçoa a quase todos os que vestem as cores do Sporting). Mal consigo ler relatos do que aconteceu, como um que referia que o treinador, Jorge Jesus, foi agredido com um cinto e que, mais tarde, Bas Dost chorara ao ombro do treinador, perguntando o que fizera para merecer aquilo.

 

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Permitam-me a pergunta: como é que há pessoas capazes de fazer isto? Por futebol? Isto são coisas que se ensinam a criancinhas mas, pelos vistos, é preciso dizê-lo: isto é só futebol! Ninguém morre se se perde um jogo ou se se termina um campeonato em terceiro lugar em vez de segundo (eu, aliás, já vi o Sporting a fazer épocas bem piores do que esta). Não vou dizer que não interessa para nada – todos nós sabemos que existe muito dinheiro e muitas carreiras em jogo. Mas não justifica, nem de longe nem de perto, atitudes violentas como estas. E, como se não fossem suficientemente más por si mesmas, foram contra jogadores do próprio clube.

 

Não sou assim tão ingénua, sei perfeitamente que a extrema-direta neonazi está ligada às claques, não apenas a do Sporting. Ainda assim, falando estritamente da perspetiva de um adepto fanático… que esperavam eles alcançar? Tudo o que conseguiram fazer foi com que jogadores e equipa técnica ganhasse motivo para debandar a custo zero (com todas as consequências financeiras para o clube), não treinasse ao longo do resto da semana e perdesse a Taça de Portugal – porque quem está em condições para um jogo daquela envergadura depois de uma situação como a de Alcochete?

 

E ainda houveram muitos que se puseram a criticar o desempenho dos jogadores na final da Taça – a sério, pá, nunca ninguém ouviu falar em empatia?!?

 

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Com metade da massa adepta a maltratá-los, alguns deles fisicamente, e um Presidente que não os defende e ainda os culpabiliza pelo que aconteceu, se eu estivesse no lugar dos jogadores punha-me a andar. Eles merecem muito melhor do que isto. A minha irmã merece muito melhor do que isto (mesmo antes desta situação, o clube anda há muito em dívida para com ela), bem como todos os adeptos civilizados, do Sporting e não só. O futebol português, Campeão Europeu ainda para mais, merece melhor do que isto.

 

Por outro lado, se de facto a equipa debandar, ficarei triste pela minha irmã e pelos jogadores da Seleção que eventualmente saírem. Rui Patrício, por exemplo, tem capacidade para jogar nos grandes da Europa, mas no Sporting é rei e senhor da baliza – quem nos garante que terá espaço no Nápoles ou noutro clube que o contrate?

 

O que eu sei é que precisamos todos de parar e refletir sobre o rumo que as coisas estão a tomar no futebol português. Como já outros comentaram aqui no Sapo Blogs, não queremos que a violência tomem conta do futebol. Mas confesso que não estou com grandes esperanças.

 

Com tudo isto, que ninguém se venha queixar do eventual circo publicitário e mediático em torno da Seleção, durante o Mundial!

 

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Fernando Santos disse o que tinha a dizer sobre o assunto aquando da Divulgação dos Convocados e diz que não tornará a falar sobre isso durante o Mundial e a sua preparação. De igual modo, espero não ter de voltar a escrever sobre isto de novo. Calha bem os jogadores irem agora de férias ou para as seleções – mudam de ares, para ambientes mais saudáveis. No nosso caso pelo menos. Como em muitas outras alturas, em diferentes circunstâncias, a Seleção serve de oásis, de refúgio, à parte das facetas mais tóxicas do futebol.

 

Com isto tudo, vamos em bem mais de mil palavras e ainda nem sequer falámos dos Convocados. Desta feita, não houve grande contestação em torno dos Escolhidos para o Mundial. Não sei se é porque as Escolhas foram, no geral, acertadas ou consensuais ou se estava tudo distraído com o que aconteceu no Sporting.

 

A segunda hipótese será, quase de certeza, verdade, mas acho que a primeira também é. E, da minha experiência, quando não existe grande contestação aos Convocados, as coisas correm bem.

 

A maior novidade na lista é o central Rúben dias. Já tínhamos falado sobre ele há pouco tempo, mas a lesão que tinha na altura não o deixou vir à Turma das Quinas para aquela jornada de particulares. Cheguei a temer que Fernando Santos o deixasse de fora do Mundial – ele dera a entender que dificilmente Convocaria jogadores que nunca tivessem vindo antes à Equipa de Todos Nós. Felizmente, abriu uma exceção para o Rúben.

 

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Eu teria levado o Rolando ao Mundial, mas compreendo que Fernando Santos tenha preferido José Fonte. Como ele foi para a China, tinha algumas dúvidas, mas consta que ele tem jogado com regularidade por lá.

 

Eu vou confiar.

 

Fábio Coentrão ficou de fora do Mundial por vontade própria – ele mesmo o afirmou um dias antes da Divulgação dos Convocados, nas redes sociais. E fico triste, pois ele finalmente teve uma época feliz, mas é melhor assim. A sua forma física continua a deixar muito a desejar. Ia ser uma chatice se ele se lesionasse a meio do campeonato, sem poder ser substituído, tal como aconteceu no último Mundial. Com ele e… dois terços da equipa.

 

Em vez dele, foi Convocado Raphael Guerreiro. Eu fico satisfeita, porque gosto bastante dele como jogador… mas também tenho algumas dúvidas em relação ao seu momento de forma, já que passou a época debatendo-se com lesões. Pode ser que esteja a cem por cento agora. Para além do Raphael, também veio Mário Rui que, segundo consta, fez uma boa época ao serviço do Nápoles.

 

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Confesso que estou aliviada por André Gomes ter ficado de fora. Receei, a certa altura, que Fernando Santos estivesse demasiado enviesado em relação a ele, quando existem melhores opções neste momento. Felizmente isso não aconteceu. Gostei, aliás, que Fernando Santos tivesse admitido que lhe custava não Convocar Campeões Europeus ainda no ativo.

 

O que nos leva a um par de ausências significativas nesta lista: Éder e Nani. A situação do primeiro é semelhante à do ano passado, para a Taça das Confederações (e, aviso à navegação, as gracinhas do género como-é-que-vamos-ser-campeões-sem-o-Éder-para-marcar-na-final deixaram de ter piada há muito tempo).

 

A situação do segundo, por sua vez, entristece-me, ainda mais do que a do Éder. Como já devem saber, o Nani é um dos meus preferidos há quase doze anos. Tem estado presente em todas as Convocatórias desde a inauguração deste blogue – embora não tenha chegado a ir ao Mundial 2010, por lesão.

 

Esta época, no entanto, não lhe correu bem e existem inúmeras boas opções para a posição dele. Custa um bocadinho não vê-lo no grupo, durante os jogos, os treinos, as publicações nas redes sociais.

 

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É a lei da vida, suponho eu. Nada nem ninguém dura para sempre. Ao menos pude vê-lo tornar-se Campeão Europeu.

 

Além disso, temos uma série de nomes promissores estreando-se no Mundial. Já falámos de Rúben Dias e Mário Rui. Temos também Ricardo Pereira, André Silva, Bruno Fernandes, Gelson Martins e, claro, Gonçalo Guedes e Bernardo Silva (só faltou mesmo Rúben Neves).

 

Sim. É um bom grupo.

 

Já vamos em seis dias de Operação Mundial e, amanhã, temos um particular na segunda-feira, frente à Tunísia. Esta seleção também está apurada para o Mundial – está no grupo G, com a Bélgica, a Inglaterra e o Panamá – e em 41º no ranking da FIFA (que vale o que vale).

 

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Mais uma vez, o nosso historial frente a ela é reduzido: um particular em outubro de 2002. Não dá para tirar muitas ilações pois foi só um jogo e decorreu numa altura estranha para a Equipa das Quinas – nos meses entre a saída de António Oliveira, despedido após o Mundial 2002, e a chegada de Luiz Felipe Scolari, em 2003.

 

A Tunísia foi escolhida para fazer de Marrocos neste ensaio do Mundial. Curiosamente, depois do jogo de amanhã, os tunisinos vão jogar contra a Espanha no dia 9. Tivemos a mesma ideia que nuestros hermanos para nos preparamos para Marrocos.

 

Por outro lado, será que os tunisinos vão jogar connosco por eventuais semelhanças que tenhamos com os adversários deles? Vamos fazer de quem no ensaio de amanhã? De Inglaterra? De Bélgica? (De Panamá não deve ser…) Ou não fizeram questão de escolher com base no grupo deles, limitando-se a aceitar a proposta de Portugal?

 

Agora fiquei curiosa…

 

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Enfim, estamos apenas no início desta história. Só para concluir a questão anterior, espero que recordemos estas semanas, menos pela crise sem precedentes no Sporting, e mais por um bom desempenho no Mundial da Rússia. Acredito que Fernando Santos e o resto da Equipa de Todos Nós pensam da mesma forma e estão a trabalhar para isso. Pode ser que vejamos alguns frutos desse trabalho no jogo de amanhã.

 

Obrigada pela vossa visita, como sempre. Acompanhem o resto da Operação Mundial aqui no blogue ou na página do Facebook.

Vamos lá a ter calma...

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Cá vamos nós pela sexta vez (sétima, se quiserem contar com a Taça das Confederações). Fernando Santos Divulga hoje à noite, pelas oito e um quarto, a lista de Convocados para representar Portugal no Mundial 2018. Como já é hábito deste o primeiro dia deste blogue, eis-me aqui com alguns devaneios antes de, pelo menos na minha cabeça, entrarmos em modo Mundial.

 

Antes de falarmos especificamente sobre a nossa Seleção, algumas palavras sobre o campeonato em geral. Não sei se alguém se lembra disso, mas Portugal chegou a candidatar-se para albergar este Mundial, em conjunto com a Espanha. Na altura em que perdermos para a Rússia, reagi com imensa ingenuidade. No entanto, agora toda a gente sabe que houve dinheiro debaixo da mesa aquando da escolha da Rússia.

 

E do Qatar (ai, a história do Qatar…). E da Alemanha, em 2006. E da África do Sul, em 2010. E de Portugal, no Euro 2004.

 

Não seria melhor transformarmos as candidaturas ao Mundial num leilão? Sempre era mais transparente.

 

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Podem ter existido inúmeras pessoas aliviadas por Portugal e Espanha não terem vencido o concurso. Mesmo assim, agora que já estamos em 2018, sinceramente, se havia boa altura para organizarmos um Mundial (ou, vá lá, parte dele), era este ano. Para além de sermos Campeões Europeus, Portugal está na moda. Temos a Madonna a viver cá, ainda na semana passada recebemos o Festival da Canção, recebemos o Web Summit no ano passado e existem vários portugueses destacando-se em diversas áreas, não apenas no futebol. Podíamos perfeitamente receber uma mão-cheia de jogos do Campeonato do Mundo.

 

Sempre era melhor do que fazê-lo na Rússia, um país que tem sido o epicentro de inúmeros conflitos diplomáticos nos últimos meses e onde a homofobia é bem tolerada. Just sayin’...

 

A mesma lógica aplica-se às candidaturas a cidades-anfitriãs do Euro 2020. Chegou a colocar-se a hipótese de candidatar Lisboa e Porto, mas acabaram por nem sequer fazê-lo. Compreendo as razões: em 2014 a situação do país era um bocadinho pior do que agora, ninguém podia adivinhar que Portugal se tornaria um popular destino turístico e ainda menos que se tornaria Campeão Europeu.

 

Enfim, passemos à frente.

 

 

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Sendo este o nosso primeiro campeonato de seleções após a sagração no Euro 2016 (mais uma vez, sem contar com a Taça das Confederações), muitos adeptos têm vindo há muito tempo (alguns ainda nem dois dias após a final de Paris) a apontar ao título mundial.

 

O que é que eu acho sobre isso? Que é preciso ter calma.

 

Existe a tentação de colocar Europeus e Mundiais dentro do mesmo saco. Eu mesma fi-lo durante muitos anos, quando, na verdade, são campeonatos muito diferentes. Num Europeu participam seleções de um único continente, que se conhecem bem. É quase garantido que já nos cruzámos algumas vezes com os adversários antes, não só noutros Europeus e Mundiais mas também em fases de Qualificação ou em jogos particulares.

 

Mesmo saindo do âmbito das seleções, os jogadores quase todos atuarão em clubes europeus. É possível que já se tenham cruzado com membros das seleções adversárias ou nos campeonatos internos ou na Liga dos Campeões ou Liga Europa. Não há grandes mistérios.

 

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Num Mundial não é bem assim. Até podemos apanhar uma ou outra seleção europeia, mas muitos dos nossos adversários são equipas de outros continentes. Em muitos casos, o nosso historial com equipas dessas reduz-se a meia-dúzia de jogos ou menos – porque não disputamos Qualificações contra eles e porque não é viável marcar particulares contra eles (quem quer sujeitar a sua equipa a um voo longo e cansativo para disputar um jogo a feijões?). Pode existir uma mão-cheia de jogadores nessas equipas que até atuem em campeonatos europeus, sobretudo na América do Sul, mas não sei até que ponto isso influencia o estilo de jogo das seleções.

 

E depois temos a distância e as condições meteorológicas – conforme vimos em 2002 e, mais recentemente, em 2014. Não acho que seja uma coincidência o facto de os dois únicos Mundiais que nos correram bem tenham tido lugar em países europeus (1966, Inglaterra, terceiro lugar: 2006, Alemanha, quarto lugar).

 

De facto, basta comparar o nosso historial em Europeus e Mundiais para se notar a diferença. Só participámos em (*conta pelos dedos*) seis Mundiais. Em dois chegámos às meias-finais, em um chegámos aos oitavos-de-final, nos outros todos não passámos da fase de grupos.

 

Em contraste, sempre que participámos em Europeus (e não falhamos nenhum desde 1996, inclusive), chegámos sempre aos quartos-de-final, no mínimo. Nos últimos vinte anos, só em 2008 é que não chegámos às meias, pelo menos. Conforme tenho vindo a dizer (sobretudo àqueles que dizem que a nossa vitória em Paris veio do nada, foi apenas sorte), éramos a seleção com melhor historial em Europeus sem nunca termos ganho. Levarmos a Taça para casa era apenas uma questão de tempo.

 

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O que, mesmo assim, não impediu as minhas neuroses quando Fernando Santos se pôs a dizer que queria ganhar o Euro 2016. Mas isso sou eu.

 

Muita água terá de correr ainda antes de conseguirmos um currículo assim em Mundiais. Não que isso signifique que será impossível ganharmos, claro que não, mas isso é que, sim, viria quase do nada.

 

Não é de surpreender que, desta feita, Fernando Santos tenha um discurso mais sóbrio e cauteloso – embora não deixe de dizer que o título é um objetivo. Em entrevista ao jornal “O Jogo”, no início do mês, disse que “não podemos pensar que somos favoritos no Mundial porque ganhámos o Europeu.” “Não vou deixar que se embandeire em arco, achando-se que a equipa vai chegar à Rússia, vai ganhar e que o contrário será uma grande complicação.” “Mas também temos a confiança absoluta de que somos capazes de lutar [com os principais candidatos] e será muito difícil ganhar a Portugal.” “Tudo passa por um grande respeito por todos os adversários, com a confiança de que podemos ganhar os jogos.”

 

Devo confessar que os meus prognósticos andam muito voláteis, não sei muito bem o que esperar. Por um lado, tenho medo de um descalabro semelhante ao dos últimos dois Mundiais (não que o desempenho em 2010 em si tenha sido assim tão mau. Pior foi o que aconteceu depois).

 

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Por outro… já tivemos menos hipóteses de ganhar o Mundial, na minha opinião. Somos Campeões Europeus – não nos dá automaticamente o estatuto de favoritos, mas não é de desprezar. Em três anos e meio só contamos uma derrota em jogos oficiais. O Mundial decorrerá num país europeu, onde a meteorologia não será um problema – nós, aliás, estivemos lá no ano passado, logo, sabemos mais ou menos o que nos espera. Por fim, temos Cristiano Ronaldo.

 

Se é para tentar o título, é melhor ser agora.

 

Dito isto tudo, se não conseguirmos ganhar o Mundial, temos de encará-lo com naturalidade. Espero que, de qualquer forma, seja uma participação digna de um Campeão Europeu. Ou pelo menos que não seja uma tragédia completa, como da última vez.

 

O resto é a mesma conversa dos últimos dez anos: vamos tentar disfrutar do momento, do estágio de preparação, dos particulares, de eventuais campanhas de marketing que a Federação esteja a preparar e, claro, dos jogos em si. Ainda não sei ao certo como vou dar conta do recado aqui com o blogue – é possível que, por exemplo, tenha de escrever sobre dois jogos na mesma crónica – mas vou fazer um esforço. De qualquer forma, não deixarei de manter a página do Facebook atualizada.

 

E era isto o que queria dizer. Venham daí os Convocados! (Hoje à noite, às 20h15)

Os Eleitos

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Na passada terça-feira, dia 17 de maio, na Cidade do Futebol, Fernando Santos divulgou os vinte e três Eleitos para representar Portugal no Euro 2016. 

 

Ao contrário de Convocatórias anteriores, não houve grande cerimónia na apresentação dos vinte e três nomes: o Selecionador leu a lista e passou de imediato às perguntas e respostas. Eu prefiro assim. Geralmente quando existe demasiada pompa e circunstância no momento da Convocatória - isto é, quando Selecionador e Federação se levam demasiado a sério - a coisa acaba por correr mal. Não sei se as duas coisas estão diretamente relacionadas, mas foi o que aconteceu em 2010 e 2014.

 

Dito isto, gosto imenso do vídeo que a Federação partilhou nas redes sociais. Vejam abaixo.

 

 

Conforme muitos têm expectado, esta é uma convocatória expectável, coerente com os princípios por que Fernando Santos se tem regido enquanto Selecionador. Vários têm dito que não há "surpresas", apenas uma "novidade" chamada Renato Sanches. Pessoalmente, eu não diria que a Eleição do jovem é uma novidade - ele já tinha sido Convocado para a última dupla jornada de particulares. Renato beneficia da lesão muito recente de Bernardo Silva, que terá facilitado as Escolhas de Fernando Santos. Há quem diga que a Chamada de Renato não faz assim tanto sentido, que teria sido melhor Convocar Pizzi, por exemplo. Para ser sincera, contudo, se Renato tivesse sido deixado de fora, mesmo que por motivos legítimos, metade do país atirar-se-ia ao ar. Depois de o Benfica se ter sagrado campeão? Depois de Renato se ter transferido para o Bayern de Munique? Não Convocá-lo daria direito a cadeira elétrica!

 

Eu continuo sem saber se Renato será capaz de lidar com esta pressão toda. Quer da parte dos apoiantes, que já vêm a Seleção como Renato-mais-dez, quer da parte dos adversários, incapazes de ultrapassar as suas azias clubísticas De qualquer forma, Renato dificilmente será titular, pelo menos não nos primeiros jogos. Talvez isso lhe alivie a pressão.

 

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Entretanto, Fábio Coentrão lesionou-se há cerca de um mês e não recupera a tempo do Europeu, o que me deixa de coração partido. Em campeonatos de seleções ele tem sido um dos preferidos, muito graças à sua constante irreverência e inconformismo. O Euro 2016 não será o mesmo sem ele. A única coisa boa que deriva da lesão dele é ter permitido a Convocatória de Raphael Guerreiro. Não vou reclamar muito contra a Convocatória de Eliseu porque ele tem feito um bom trabalho no Benfica - destaque para a assistência perfeita para o golo de Jiménez, contra o Bayern. No entanto, vou fazer figas para que Guerreiro seja titular, que ele na Seleção tem jogado melhor que Eliseu.

 

Outro Marmanjo a quem vou dar o benefício da dúvida é Éder. Concordo com a opinião geral de que existe por aí muito ponta-de-lança mais merecedor de um lugar no Euro: Hugo Vieira, Bruno Moreira, André Silva... Eh pá, até Hélder Postiga seria melhor, já que ele até tem marcado várias vezes pelo seu clube e tem golos em três Europeus. Dito isto tudo, Éder tem passado por um bom momento no seu clube, o Lille. Esta não é, portanto, a pior altura para Convocar o avançado. E como de qualquer forma a tática principal dispensará ponta-de-lança, não há de fazer muita diferença.

 

Mas se este Europeu passar e ele continuar sem meter a bola na baliza, por favor, Chamem outro ponta-de-lança para a Qualificação para o Mundial 2018!

 

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Tirando isto que acabo de referir, não acho que existam grandes motivos de contestação a esta Convocatória. Pode haver quem discorde de mim, evidentemente, mas, até agora, não tenho encontrado objeções relevantes. Isto costuma ser bom sinal - foi-o em 2012. Na minha opinião, a Convocatória é boa, melhor que há dois anos, mas também, como escrevi na entrada anterior, o mais importante é todos chegarem em boas condições físicas a França, que o que se passou no Brasil foi uma tragicomédia.

 

Tenho, aliás, tido alguns flashbacks de 2014 nos últimos tempos por causa das lesões com que Cristiano Ronaldo se tem debatido. O facto de o Real Madrid se ter qualificado para a final da Liga dos Campeões (o que obriga Pepe e Cristiano a faltarem à primeira semana do estágio - mais sobre isso adiante) não ajudou. Vou ser sincera, estive muito perto de torcer pelo Manchester City, só para Cristiano e Pepe não se desgastarem com um jogo de grande intensidade. No entanto, no decurso do jogo das meias, não fui capaz de torcer contra eles. Fernando Santos garante que Ronaldo estará "na sua melhor forma"  no Europeu, que "está a preparar-se física e mentalmente" para isso, que tem "uma ambição muito forte" relativamente a este campeonato. Não que não acredite nele, mas... também se dizia isto aquando do Mundial 2014. De qualquer forma, a situação não me parece tão grave este ano. Vou esperar que corra tudo pelo melhor desta vez. E já que ele e Pepe estão na final da Liga dos Campeões... que a ganhem. 

 

A verdade é que, este ano, o calendário futebolístico está muito estranho. A final da Champions decorre apenas um dia antes do nosso particular com a Noruega. Isto faz-me imensa confusão: estou habituada a ter datas para jogos de clubes e datas para jogos de seleções bem definidas e separadas. De repente colocarem os particulares das seleções no mesmo fim de semana que a final da Champions é demasiado amadorismo para o meu gosto (falarei melhor sobre estes jogos num futuro texto).

 

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Com tudo isto, o estágio só começa oficialmente na próxima segunda-feira, dia 23 de maio. Só treze jogadores começam no primeiro dia, os restantes virão às pinguinhas ao longo do resto da semana. Por esses dias, o estágio vai ser mais soft, semelhante ao dia-a-dia de um clube: os Marmanjos vêm de manhã e regressam a casa no fim do dia, depois dos treinos. No dia 30 é que a Seleção começa a estar em regime de "internato", ainda que com dias e noites de folga, evidentemente.

 

Como tal, visto que ainda temos alguns dias e vários jogos de clubes até a Seleção se reunir de novo, vou esperar até segunda-feira para pendurar a bandeira à janela. Este ano vai para o quarto da minha irmã em vez do meu, que agora temos uma cadela e ela gosta de espreitar pela minha janela. Em compensação, estou a pensar arranjar-lhe um cachecol ou uma bandeira mais pequena para ela usar nos jogos do Europeu: mais ou menos assim.

 

Gostei de ouvir Fernando Santos agradecendo aos jogadores que ajudaram a garantir o Apuramento, mas que não foram Convocados. Fica bem a gratidão. Por outro lado, voltando a pegar no assunto do meu texto anterior, Fernando Santos reiterou a ambição de ganhar o Europeu. "Não é uma questão de fé, é uma questão de acreditar.", disse ele, o que remonta para aquilo que escrevi sobre a diferença entre um sonho e uma ambição. Disse também que Portugal, não sendo favorito, é capaz de "defrontar qualquer adversário" - algo com que todos concordam.

 

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Quanto a nós, é o costume: ao longo deste estágio, o meu coração estará sediado na Cidade do Futebol (espero que hajam treinos abertos e que dê para dar lá um saltinho) e, mais tarde, no Centro Nacional de Râguebi, em Marcoussis. Dentro das minhas possibilidades, manter-me-ei a par do que for acontecendo com a Seleção. Espero que este seja o início de uma caminhada memorável pelos melhores motivos.

 

Caminhemos juntos aqui no blogue e/ou na página do Facebook

Cheios d'a fé

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Esta noite, pelas oito horas e trinta minutos, o Selecionador Nacional Fernando Santos divulgará a Lista de Convocados para representar Portugal no Euro 2016.

 

Para quem acompanha o meu blogue há uns anos... bem, por um lado, obrigada do fundo do coração... mas por outro, estará farto de saber que eu considero o momento da Convocatória como o início do Europeu. Já é tradição eu dedicar uma entrada aqui do blogue a algumas reflexões de antecipação a esse início. No caso do próximo campeonato de seleções, este texto corresponde à altura certa para escrever sobre algo que tenho vindo a adiar há imenso tempo.

 

Há cerca de um ano, mais coisa menos coisa, Fernando Santos deu uma entrevista a um jornal desportivo qualquer (já não me lembro qual foi) em que disse que quer ser campeão da Europa com Portugal, que assumiu esse objetivo desde o seu primeiro dia como Selecionador. Para muitos, esta declaração era expectável, mesmo exigível, da parte de um Selecionador responsável por uma seleção que se tem mantido no top 10 do ranking da FIFA, de forma mais ou menos constante, nos últimos anos e que conta com um dos melhores jogadores da atualidade. Não estão errados. No entanto, quando li estas declarações pela primeira vez, tive uma mini-crise existencial. 

 

Eu desabituara-me a pensar assim há muitos anos. Já não assumia com todas as letras que queria o título. Não me atrevia a sonhar abertamente com isso. Habituara-me a pensar um jogo de cada vez e, de resto, o antigo Selecionador Paulo Bento também pensava assim (ao definir sempre como primeiro objetivo passar a fase de grupos). Era a opção segura. Sejamos realistas, todos os campeonatos de seleções têm acabado da mesma forma, mesmo que, nalguns deles, os desempenhos até tenham sido bons. Na altura destas primeiras declarações, aliás, a Qualificação para este Europeu ainda ia a meio e as últimas exibições da Equipa de Todos Nós não tinham sido brilhantes, mesmo tendo resultado em vitórias. O fraco desempenho no Mundial 2014 ocorrera menos de um ano antes, ainda estava fresco na memória. Eu não estava preparada para ouvir Fernando Santos falar assim, não estava preparada para voltar a acreditar desta forma. Ainda hoje, uma parte de mim pensa que estamos a sonhar um bocadinho alto de mais.

 

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A minha irmã resumiu bem a situação, há uns tempos. Vimos uma notícia sobre aquele que será o quartel-general português durante o Europeu, em França. Fernando Santos disse que tinha o centro de estágios reservado até dia 11 de julho, para Portugal poder jogar a final do Euro 2016 e festejar no dia seguinte. Em resposta a isto, a minha irmã disse qualquer coisa como:

 

- Bem, este 'tá chei'da fé!

 

É uma expressão que ela tem usado várias vezes ultimamente e que eu adoro.

 

Depois dessa entrevista há cerca de um ano, Fernando Santos foi reiterando várias vezes esta ambição de ganhar o Europeu e eu fui-me habituando à ideia, abrindo-me à possibilidade. O facto de termos concluído a Qualificação com os melhores número de sempre ajudou. Não garante nada, é certo, mas tal como disse na altura sete vitórias seguidas em jogos oficiais não são desprezáveis em circunstância alguma. Ao mesmo tempo, tem estado a surgir uma nova geração de jogadores, muito promissora - destaque óbvio para a equipa que chegou à final do Europeu de sub-21. O jogo com a Bélgica deixou bons sinais relativamente ao momento da Seleção, de resto. Em termos de qualidade do plantel, considero, portanto, que estamos um pouco melhor fornecidos que há dois anos, no Mundial 2014 - mas já será um enorme progresso se os vinte e três Escolhidos não se lesionarem.

 

Adicionalmente, por norma os Europeus costumam correr melhor a Portugal do que os Mundiais. Conseguimos sempre passar a fase de grupos do Euro. Além disso, em três edições do campeonato chegámos às meias-finais (em 1984, em 2000, em 2012) e, claro, em 2004 chegámos a final. A explicação possível é o facto de os jogadores e respetivas seleções nos serem mais familiares e, claro, por o clima não ser tão agreste como noutros sítios - por exemplo, o Brasil.

 

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Por fim, o facto de termos Cristiano Ronaldo é um dos maiores catalisadores desta nossa ambição. Como toda a gente sabe, ele já ganhou tudo, excepto um título pela Equipa de Todos Nós. Não deixará de ser inglório se ele terminar uma carreira, já de si extraordinária, mas com esse vazio. E visto que ele já passou a barreira dos 30 anos, está poderá ser a última oportunidade dele (embora eu tenha pensado mais ou menos o mesmo na altura do Mundial 2014).

 

Por isso, sim. Pela primeira vez em anos, neste Europeu não vou pensar apenas jogo a jogo. Pela primeira vez em anos, estou a assumir com todas as letras que quero Portugal campeão europeu. O título é o sonho, sempre o foi. Um sonho é algo irreal, fantasioso. O que o Selecionador fez - ao deixar o objetivo bem claro perante os jogadores no primeiro dia em que trabalhou com eles, ao recordar-lhes esse objetivo em todas as concentrações - foi transformá-lo numa ambição, num objetivo, em algo real, concreto e... assustador. Porque, ao se tornar real, torna-se também falível.

 

Espero que o Selecionador tenha noção do que nos está a pedir. Como escrevi antes, não é fácil voltar a acreditar depois do que aconteceu em 2014 - eu demorei meses. Fernando Santos não pode pedir-nos para voltarmos a acreditar se, depois, a Seleção fizer um Europeu para esquecer - assim vai doer ainda mais. Ele e os Marmanjos têm a responsabilidade de levarem essas ambições para o campo e jogarem para torná-las realidade. Não me quero arrepender de voltar a acreditar. 

 

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Ainda não sei de que forma estas ambições vão influenciar as comunicações com a Imprensa durante o estágio, se os Marmanjos vão dizer, preto no branco, que estão a trabalhar para ganhar o Europeu. Ainda não sabemos quem vai ao Euro, sequer (vamos descobrir hoje), nem se esse grupo terá o que é preciso para chegar lá (os particulares servirão para descobri-lo, com as devidas atenuantes). No entanto, vou assumir que Fernando Santos está a ser sincero, que sabe o que está a fazer e que os jogadores partilham a mesma ambição. Se assim for, poderemos todos - jogadores, Selecionador, restante equipa técnica, adeptos - partir para este Europeu cheios d'a fé.

A Seleção de Todos Nós

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Na passada segunda-feira, 19 de Maio, pouco após as oito e um quarto da noite, Paulo Bento anunciou os vinte e três Convocados para representar Portugal no Mundial 2014. 
 
A cerimónia contou com uma certa pompa e circunstância quanto baste e começou com um discurso do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes. Neste, o presidente teceu rasgados elogios ao atual selecionador. Agora compreende-se que Fernando Gomes pretendia dar publicamente o seu voto de confiança a Paulo Bento, antes de uma Convocatória que, como todas as outras, causaria contestação. Na altura, contudo, ansiosa como me sentia, só pensava: "Ó senhor Presidente, ninguém quer saber! Deixe o Paulo Bento dizer os Convocados, que nós não podemos esperar mais!"
 
Acabou por não ser Paulo Bento a dizê-los, estes foram-nos apresentados sob a forma de vídeo:
 
 
Com este formato, houve tempo para digerir cada um dos nomes à medida que estes iam sendo anunciados. De uma maneira geral, eu aprovava cada um deles. Fui apanhada de surpresa pela inclusão de nomes como Rafa, Éder e Vieirinha. Senti um prazer culpado com as Chamadas dos meus adorados Hélder Postiga e Nani. Só mais para o fim do vídeo é que fiquei à espera do nome de Ricardo Quaresma mas a apresentação terminou antes que este fosse anunciado. Lembro-me de fitar o símbolo da Federação no fim do vídeo e pensar: "Oh não, ele não fez isto..."

Não se pode, contudo, dizer que hajam grandes surpresas na Convocatória. Para mim, a maior surpresa foi mesmo a exclusão de Quaresma, que não consigo mesmo compreender, por muito que me esforce. De uma maneira geral, Paulo Bento referiu dois critérios para justificar as suas escolhas: polivalência e estabilidade emocional. Não sou, nem de longe nem de perto, a pessoa mais habilitada para falar sobre o primeiro aspeto, que terá justificado as inclusões de Rafa,  Rúben Amorim e André Almeida, bem como a exclusão de Adrien. Quanto à estabilidade, à confiança, compreende-se. Paulo Bento chegou mesmo a enviar uma indireta a Danny quando referiu ser "preferível levar jogadores com vontade, determinação e compromisso". Para ser sincera, por muito boa vontade que tenha anteriormente demonstrado para com Danny, estava a ficar farta das confusões dele. De uma forma quase inconsciente, fiquei aliviada quando ele nem sequer entrou na pré-Convocatória. Nesta, concordo com Paulo Bento.

O caso de Quaresma - que, coitado, deve estar a ter um dejá-vu de 2006 - na minha opinião, é diferente de Danny. É certo que o jogador do F.C. Porto continua algo imaturo, apesar dos trinta e um anos, mas ao ponto de não merecer ir ao Mundial? Tenho as minhas dúvidas. É aqui também que reside a grande incoerência de Paulo Bento. O Selecionador alega que Quaresma esteve um ano e meio sem jogar, só se tornando selecionável nos últimos dois ou três meses. No entanto, tal situação não difere muito da de metade da Convocatória que, como tem sido ampla e jocosamente comentado nas redes sociais, falhou parte da época por lesão. Ainda que Paulo Bento afirme que Nani tem características diferentes de Quaresma, que o primeiro não esteve um ano e meio sem jogar, como o segundo, em termos práticos, na minha opinião, Quaresma fez mais pelo seu clube nos três ou quatro meses que jogou que Nani fez pelo dele desde o Euro 2012. Até Carlos Mané merecia mais estar no Mundial que Nani, nesse aspeto pelo menos - é claro que não é a decisão mais sensata um jogador de dezoito ou dezanove anos estrear-se pela Seleção num Mundial.

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Não sou, contudo, verdadeiramente capaz de contestar nem a Chamada de Nani nem a de Hélder Postiga. Estive em conflito comigo mesma durante as últimas semanas pois, se tanto as lesões de Postiga como a falta de ritmo de Nani me exasperavam, a verdade é que não queria o Mundial sem dois dos meus jogadores preferidos, mesmo que não fossem titulares. Passa-se um bocadinho o mesmo com o Eduardo. Não seria justo eu estar a criticar os outros casos de momentos de forma duvidosos. Desse modo, tirando a situação de Quaresma, não tenho muito mais a apontar a esta Lista Final. No entanto, não nego que isto se torna injusto para outros jogadores selecionáveis, com ritmo de jogo e comprovada qualidade, que ficaram de fora deste campeonato. Paulo Bento aparenta dar prioridade aos aspetos psicológicos, em detrimento, um pouco, dos aspetos técnicos. Tem a sua lógica: de nada serve termos trunfos no baralho que não temos maneira de utilizá-los. Ninguém pode negar que Marmanjos como Nani, Postiga, Eduardo e outros que tais sempre mostraram empenho quando vestem a camisola das Quinas. Vão na linha dos jogadores, de que falei anteriormente, que se saem melhor pela Seleção que pelos clubes. Não esquecer o caso de Nani que tem aquele talento que o Selecionador "não se dá ao luxo de desperdiçar", tal como afirmou há um ano. Ainda deve haver tempo para os "lesionados" (Ronaldo incluído) recuperarem até ao Mundial e, de qualquer forma, duvido que muitos desses venham a ser titulares. Mas até que ponto, contudo, conseguirão as pernas acompanhar a vontade de fazer bem?

Eu confio em Paulo Bento, apesar de todas estas dúvidas. Tal como o disse antes da Convocatória, acredito que ele sabe o que está a fazer, que ele saberá tirar o melhor proveito dos jogadores que Escolheu, colocando-o ao serviço de Portugal. Como sempre, têm sido tecidas várias críticas a esta Convocatória, umas mais construtivas do que outras. Há dois anos, as mais destrutivas ter-me-iam enfurecido. Hoje, apenas me despertam indiferença. Tal como já referi anteriormente, caso o Mundial nos corra de feição, todas essas alminhas aziadas se esquecerão desses comentários e juntar-se-ão à festa, como se nunca tivessem duvidado da Turma das Quinas. Citando João Querido Manha, "a partir de agora, esta é a Seleção de Portugal, é a Seleção de todos nós". Tudo o resto é irrelevante.

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Tirando os portugueses do Real Madrid (não sei se Vieirinha já chegou), a Seleção encontra-se já reunida em Cascais, tendo já começado a Operação Mundial. É lá que o meu coração se encontra sediado. Tal como na próxima semana estará sediado em Óbidos, depois em New Jersey, nos Estados Unidos, até finalmente aportar em Terras de Vera Cruz. Apesar de, segundo o que disse anteriormente, o Verão ter começado na segunda-feira, a verdade é que o tempo piorou desde esse dia. Não faz mal. Agora, que estamos finalmente em Modo Seleção, o Sol arranjará sempre maneira de brilhar por entre a chuva, tal como reza um dos temas da minha playlist da Equipa de Todos Nós. E é meu desejo que este período abençoado se prolongue o mais possível.