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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Portugal 1 Irão 1– Se tiver de ser

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Na passada segunda-feira, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou com a sua congénere iraniana por uma bola, em jogo a contar para a fase de grupos do Mundial 2018. Com este resultado, Portugal soma cinco pontos, ficando em segundo lugar no grupo. Assim, passa aos oitavos-de-final, indo enfrentar o Uruguai no próximo sábado, dia 30.

 

Mais uma vez, o trabalho coincidiu com o jogo. Desta feita, foi sobretudo durante a primeira parte. Felizmente, as coisas voltaram a estar calmas e consegui ir vendo o jogo aos poucos. Se me permitem a publicidade gratuita, a aplicação da RTP para o Mundial dá imenso jeito.

 

As coisas não começaram muito mal. Pareceu-me que a equipa estava a jogar melhor que no jogo da semana passada: mais posse de bola, melhor defesa, mais consistência em geral. Também ajudava o facto de os iranianos parecerem nervosos: não vi em direto, mas vi no resumo uma ocasião em que o guarda-redes iraniano e um dos defesas se desentenderam, deixando a bola ao mercê de João Mário. Noutra, o guarda-redes deixou literalmente a bola escorregar entre as mãos, mas infelizmente um dos centrais recuperou-a.

 

Talvez pudéssemos ter marcado mais cedo, mas o golo só veio em cima do intervalo. Foi uma jogada deliciosa: Ricardo Quaresma passa a Adrien, este devolve a bola com o calcanhar e Quaresma remata de trivela para as redes. Para ver e rever.

 

 

Depois de pelo menos duas ocasiões em que Quaresma foi excluído de um Mundial, o Mustang marcava finalmente num Mundial. E não foi um golo qualquer: foi uma trivela! Só prova que já devia ter pisado estes palcos antes. Como sempre, gostei de vê-lo festejando com Cristiano Ronaldo em particular: tomara muitas histórias de amor serem tão bonitas como esta.

 

Durante o intervalo estive ocupada a fechar as coisas no trabalho e quase me esqueci do jogo. Voltei a ligar na altura em que o vídeo-árbitro estudava o lance envolvendo Cristiano Ronaldo, para decidir se era penalti ou não. Acabou por dar luz verde para o castigo máximo.

 

Enquanto Ronaldo se preparava para cobrar, lembrei-me do jogo do Mundial 2006, em que ele marcara de penalti. Seria giro se ele comemorasse da mesma forma, pensei na altura.

 

Infelizmente, o guarda-redes falhou.

 

Não vou censurar o Ronaldo porque, coitado, fora ele a carregar a equipa nos dois jogos anteriores, a fazer quase tudo sozinho. Parecendo que não, ele é apenas humano. Ele dá-nos a mão inúmeras vezes, não podemos exigir o braço.

 

No entanto, a verdade é que o 2-0 naquela altura podia ter-nos poupado uns quantos anos de vida. Parece que, neste Mundial, teremos de fazer tudo da maneira difícil.

 

Mais sobre isso adiante.

 

Saí do trabalho após o penalti falhado e ouvi um bom bocado da segunda parte na rádio. Consta que, depois do falhanço do Capitão, Portugal deixou-se ir um pouco abaixo.

 

Já não tem piada, minha gente. Estamos numa fase em que, se Ronaldo espirra, a Seleção constipa-se logo. Será que os Marmanjos se esqueceram todos que ganhámos em Paris com Ronaldo no banco? Porque é que eles têm tão baixa autoestima?

 

É certo que o jogo sujo dos iranianos não ajudou – nem terão ajudado as irritantes vuvuzelas, que deviam ter ficado em 2010 (e que já não tinham deixado os portugueses dormir, na véspera). Conseguiram fazer com que o Quaresma se irritasse e visse o amarelo. Consta, aliás, que todo o banco do Irão passou o jogo em cima da equipa de arbitragem. Carlos Queiroz foi particularmente desprezível, acicatando os adeptos iranianos com gestos de vídeo-árbitro e, como já toda a gente viu, tentando provocar o João Moutinho, quando este se preparava para entrar.

 

E eu que pensava que ia tolerá-lo melhor, neste Mundial… Até Fernando Santos, que é amigo de Queiroz, se irritou com ele.

 

Felizmente, por essa altura, Espanha estava a perder com Marrocos, por incrível que parecesse. Fiquei com sentimentos de culpa por ter sido tão dura para com os nossos, na semana passada, mas o que interessa é que, com esse resultado, passávamos em primeiro.

 

Cheguei a casa no preciso momento em que o VAR tinha sido acionado por possível cartão vermelho a Ronaldo.  Vendo a jogada, não me parece que fosse vermelho: Ronaldo mete o braço à frente do jogador iraniano mas sem brusquidão, sem intenção de magoar. Nem todos se lembram, provavelmente, mas, quando era mais novo, ele já teve situações parecidas em que o cotovelo dele deixou adversários a sangrar do nariz. Acreditem, isto foi diferente. Queiroz mais tarde diria que cotovelo é sempre vermelho – ele sabe mais acerca de futebol do que eu, mas, até ao momento, não vi mais ninguém corroborando essa informação. A maior parte dos comentadores diz que não era vermelho.

 

E ainda bem que não foi vermelho que, se Ronaldo tivesse sido expulso, o resto da equipa implodia.

 

Depois desta, contudo, começou tudo a correr mal quase ao mesmo tempo: a Espanha empatou frente a Marrocos e foi marcado um penalti contra nós, por mão na bola de Cédric.

 

Sinceramente, acho que não era penalti. A bola parece tocar no braço do lateral, sim, mas isso não afeta a trajetória. Se mais provas fossem necessárias, no dia seguinte houve uma situação praticamente igual, no jogo da Argentina, e não se marcou nada.

 

Não sou capaz de censurar o árbitro, contudo – quem é que conseguiria funcionar com a pressão dos iranianos? Além disso, sejamos sinceros, Portugal pusera-se a jeito.

 

O penalti foi executado na perfeição, Rui Patrício não podia fazer nada. Ainda apanhámos um susto daqueles no minuto seguinte, com um remate que foi parar à malha lateral. Eu ia tendo um AVC… Teria sido uma maneira horrível de sair do Mundial: perante Queiroz, de todas as pessoas.

 

Felizmente, lá conseguimos segurar o empate e passar à fase seguinte, deixando o Irão pelo caminho. No final do jogo, Queiroz disparou em todas as direções – e não posso dizer que tenha ficado surpreendida. Destaque-se a guerra de palavras que ele manteve com Quaresma, em que Queiroz não conseguiu arranjar melhores argumentos que um ataque ao carácter do jogador e debitar o seu currículo no futebol – como se isso lhe desse o direito de ser mesquinho.

 

Por outro lado, adorei esta resposta do Quaresma.

 

É por isso que eu não consigo respeitá-lo. Toda a gente diz, com razão, que Queiroz fez muito pelo futebol português. Eu estou grata por isso, não me interpretem mal! Mesmo em relação ao seu trabalho como técnico das Quinas, entre 2008 e 2010, sei que ele fez o melhor que sabia. Mas nada disso atenua o seu mau carácter. Ainda bem que os iranianos gostam tanto de Queiroz. Ele que fique por lá – não faço questão nenhuma de tê-lo de volta.

 

Enfim. Espero não ter de voltar a escrever sobre Queiroz neste blogue. Pelo menos não tão cedo.

 

Como a Espanha tinha mais golos marcados, ficámos em segundo no grupo. Antes do Mundial começar, era expectável, mas, depois de termos tido o primeiro lugar na mão, é um bocadinho frustrante. Sobretudo porque o nível exibicional da equipa continua a deixar muito a desejar.

 

Sinceramente, já não sei o que dizer sobre isso. Pelo menos não que já não tenha dito antes. Continuo a achar que precisamos de mais, eu e toda a gente, mas, mal por mal, até estamos a conseguir os resultados pretendidos. Afinal de contas, em 2014, não sobrevivemos à fase de grupos, para começar. Além disso, a Espanha também teve dificuldades com Irão e Marrocos, como vimos acima. Nos outros grupos, a Argentina qualificou-se apenas à última hora e a Alemanha – a Alemanha – foi para casa.

 

Não estamos assim tão mal por comparação, mas será que chega? Vai chegar para vencermos o Uruguai amanhã?

 

Fernando Santos já veio dizer que planeia ficar muito tempo ainda na Rússia. Não falou do dia 15, mas de tempo suficiente para o neto vir vê-lo no domingo, para matar saudades.

 

Não surpreende.  O técnico só não disse isto antes, porque, como Campeões Europeus, o povo estava confiante. Agora, após estes jogos fraquinhos, é que Fernando Santos traz uma versão atenuada do “Só venho dia 11 para Portugal”.

 

Pois bem, se estamos a repetir as mensagens, os rituais de há dois anos, eu repito o meu: se tiver de ser sempre assim, a sofrer, com exibições fraquinhas, resvés Campo de Ourique, que seja. Se isso nos permitir seguir em frente na prova, quiçá chegar à final e ganhá-la, eu aceito. Vou morrer de enfarte aos quarenta anos, com tanto sofrimento acumulado, mas, com muita sorte, morrerei depois de ver Portugal Campeão do Mundo.

 

Não sei muito bem o que esperar deste primeiro mata-mata. Talvez as peças se encaixem e façamos, finalmente, um bom jogo. Talvez mantenhamos o nível da fase de grupos e seja suficiente para vencer o Uruguai… ou não. Eu ainda nem pensei pós-oitavos – nem sequer sei as datas dos quartos-de-final.

 

Dito isto, vou acreditar, como sempre. O Selecionador já acertou antes. Se ele acredita, eu acredito também. Havemos de conseguir.

 

Termino com o vídeo da minha entrevistazinha de segunda-feira ao Queridas Manhãs. Foi uma coisa curtinha, mas valeu a pena, foi divertido. O meu obrigada à equipa do Queridas Manhãs (sobretudo ao Ricardo Gama e à Maria Botelho Moniz) pelo convite e pela simpatia.

 

Escolhido a dedo

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Na passada sexta-feira, dia 1 de dezembro, realizou-se o sorteio para a fase de grupos do Campeonato do Mundo, que terá lugar na Rússia, no próximo ano. Portugal foi sorteado para o grupo B, juntamente com a Espanha, o Irão e Marrocos.

 

Conforme comentou a minha irmã depois do sorteio, este grupo parece ter sido escolhido a dedo. Bem, dois terços dele. Vamos defrontar a seleção que nos expulsou do Mundial 2010… e a seleção comandada pelo treinador que nos orientou nesse mesmo Mundial.

 

Com um sorteio marcado para o Primeiro de Dezembro, acho que era inevitável Portugal e Espanha serem colocados no mesmo grupo. Eu mesma comentei-o na página de Facebook deste blogue, umas horas antes. Deus Nosso Senhor não conseguiu resistir.

 

Eu, para ser sincera, também não resistiria se estivesse no lugar d’Ele.

 

Não nos faltavam motivos para não querermos Espanha como adversária. Nuestros hermanos são um dos nossos maiores borregos. O único jogo oficial em que vencemos foi no Euro 2004 – que continua a ser o jogo mais importante da minha vida (sim, acima da final do Euro 2016. Mais sobre isso um dia destes.) E mesmo assim, em trinta e oito jogos, só contamos oito vitórias.

 

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Nesse aspeto, até dá jeito enfrentarmos a Espanha na fase de grupos e não no mata-mata. Desde que não ocorra nenhuma tragédia, como no último Mundial, bem entendido.

 

Por outro lado, Portugal até tem matado muitos borregos desde que Fernando Santos assumiu o comando – os maiores morreram na final do Euro 2016. Pode ser que Portugal consiga vencer a Espanha… mas continuo a achar pouco provável.

 

Não posso deixar de comentar o motivo pelo qual os espanhóis estavam no pote 2, em vez de entre os cabeças-de-série. A culpa é da Polónia que, para se manter no top 10 do ranking da FIFA e garantir um lugar no pote 1, não realizou nenhum particular durante um ano, até novembro passado.

 

Se o karma funcionasse como deve ser, os polacos teriam ficado com a Espanha no grupo, mas pronto. Só prova aquilo que venho a defender há anos: o ranking não reflete o valor real das seleções – se a Polónia conseguiu manipulá-lo!

 

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Mas regressemos à nossa Seleção.

 

Não fiquei lá muito contente com o sorteio do Irão para o nosso grupo – por causa do seu Selecionador. Ainda não consegui perdoar Carlos Queiroz – não tanto pelo que aconteceu em 2010, mais pela maneira como reagiu, as declarações que prestou ao longo dos anos que se seguiram.

 

Além disso, sejamos sinceros, os dois anos de Queiroz no leme da Seleção foram dos piores da última década.

 

Dito isto, Carlos Queiroz não parece tão rancoroso como antes – pelo contrário, em declarações pós-sorteio, afirmou-se “muito contente”. Se ele continuar a deixar de lado o eventual azedume que ainda sinta pelo que aconteceu, eu farei o mesmo. A vida é demasiado curta.

 

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Dizem que o Irão era a equipa do pote 3 que todos desejavam para os seus grupos. Eu, no entanto, não acredito que os iranianos nos tragam facilidades. É certo que Portugal ganhou os únicos jogos que disputou contra eles – um particular em 1972 (3-0) e um na fase de grupos do Mundial 2006 (2-0). Mas o Irão estará uns furos acima do que estava nessa altura. Muito graças a Queiroz, na verdade, que os orienta desde 2011.

 

Esta foi, aliás, a primeira vez que o Irão se Qualificou para dois Mundiais de seguida. Foram, também, a primeira seleção asiática a garantir o Apuramento. Pelo meio, tiveram uma série de doze jogos sem sofrer golos. São definitivamente uma equipa a respeitar.

 

Só falta falar sobre o jogo com Marrocos. O nosso histórico com esta Seleção é reduzido: um só jogo, no Mundial de 1986, no México.

 

É o problema dos Mundiais, de resto: enfrentamos equipas de outros continentes, contra quem raramente jogamos, logo, que conhecemos mal.

 

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No caso do histórico com Marrocos, o nosso único jogo com eles não nos permite tirar grandes ilações – deu-se durante o chamado “caso Saltillo” Eu já tinha lido ou ouvido uma ou outra coisa sobre este caso mas só agora, em preparação para este texto, é que fui ao Google e… meu Deus. Tão cedo não me apanham a queixar-me do que aconteceu em 2010 e 2014.

 

Eu gostava de perceber porque raio todos os Mundiais em que Portugal participou, tirando o de 66 (que eu saiba!) e o de 2006, resultaram numa crise, com maior ou menor gravidade, mas sempre pouco dignificante para o futebol português.

 

Acho que a Federação já aprendeu com todos estes erros e tem procurado corrigi-los. Com a construção da Cidade do Futebol, com uma escolha mais cuidada dos locais de estágio e medidas como pedir boleia à Força Aérea para a Andorra. Este profissionalismo foi um dos motivos pelos quais nos sagrámos Campeões Europeus. Se este Mundial não correr a nosso favor, não será por falta de organização – espero!

 

Regressemos a Marrocos (a seleção, não o país). Os marroquinos estão de volta ao Mundial vinte anos após a sua última participação. Foram a única equipa africana a Qualificar-se para o Mundial sem sofrer golos.

 

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Ou seja, vamos defrontar dois adversários de menor prestígio e experiência, mas com boas defesas. Portugal não costuma dar-se muito bem com seleções assim. Não podemos facilitar.

 

Estes prognósticos valem o que valem. Na maior parte das vezes, a realidade troca-nos as voltas, para o melhor e para o pior. Veja-se o que aconteceu no grupo do Euro 2016: um dos mais “fáceis” de sempre, um dos nossos piores desempenhos.

 

Isto também se explica, pelo menos em parte, pelo facto de, por muitos sorteios que se façam, o pior adversário de Portugal continua a ser… ele próprio.

 

Em todo o caso, temos seis meses para nos prepararmos para este Mundial, começando por estes três adversários. Alguns adeptos apontam já para o título… mas isso é conversa para as vésperas da Convocatória Final, como já é costume.

 

Para já, as próximas crónicas serão as revisões de 2016 e 2017, tal como tinha referido no texto anterior. Estou já a trabalhar na de 2016 e, desta vez, espero conseguir acabá-la e publicá-la sem grandes dramas.

 

Continuem por aí – quer através do blogue, quer através da página do Facebook.

Antes da nossa estreia no Euro 2012

Estamos, finalmente, a horas da nossa estreia na fase final do Europeu da Polónia e da Ucrânia. Tal estreia será frente à poderosa Alemanha, grande candidata ao título e com quem o historial não nos é favorável. O optimismo já não era grande há algumas semanas - o resultado dos dois últimos jogos particulares  pioraram ainda mais a situação.

Como o costume, agora que a Seleção está num momento menos bom, há quem aproveite para causar polémica e aumentar a audiência da Comunicação Social, com o efeito secundário de fragilizar ainda mais a Equipa das Quinas. É o caso de Manuel José, que afirma que a Seleção tem passado mais tempo em festas do que a preparar o Europeu. Carlos Queiroz já veio corroborar tais declarações, como não podia deixar de ser - já se sabe, este se tem uma oportunidade para cuspir no prato de onde comeu, aproveita-a. E um pouco por todo lado têm surgido opiniões semelhantes. Comenta-se o enorme poder que as patrocinadoras têm sobre a Seleção, as várias folgas que foram concedidas aos jogadores, os inúmeros popós topo de gama exibidos pelos jogadores aquando do regresso destas folgas, o facto de as três televisões em sinal aberto terem transmitido em direto a visita da Seleção ao Presidente da República, a posterior viagem até ao aeroporto, etc, etc.

Tais críticas não me surpreendem por aí além, são habituais em alturas como estas, conforme já foi referido acima. Não será a primeira nem a última vez que tais coisas acontecerão, já estou habituada a isso. A única coisa que difere neste caso é que... eu concordo com uma boa parte das críticas.´

Mas vamos por partes, que isto é uma questão muito complexa, com várias facetas. Começando pelas folgas. Julgo que já falei disso anteriormente, se não aqui no blogue, pelo menos na página do Facebook. Não vejo grandes vantagens em manter os jogadores aprisionados no estágio durante semanas a fio. No entanto, nesses dias viram-se demasiadas vezes os Marmanjos em eventos publicitários das respetivas patrocinadoras quando, segundo Paulo Bento, esses dias deviam ter sido aproveitados para estarem com a família e os amigos.

Por outro lado, embora tais comportamentos possam ser moralmente discutíveis, parecem-me relativamente  inofensivos quando comparados com o dos nossos adversários: parece que os jogadores alemães têm tido permissão para fumarem, beberem cerveja e vinho, saírem do hotel nos tempos livres, entre outras coisas. Acho que isso é mais prejudicial do que folgas a mais, mas também acho que a nicotina e o etanol no organismo dos nossos adversários em nada nos vai facilitar a vida quando entrarmos em campo com eles...



Também não acho que se possa dizer que o desempenho de Portugal será afetado pelo desfile dos carros de luxo dos jogadores nas chegadas a Óbidos após as folgas. Muitos deles são apaixonados por automóveis. Cresceram em meios desfavoráveis, sem quaisquer tipo de luxos, provavelmente prometendo a si mesmos que, quando fossem grandes, seriam jogadores de futebol, teriam muito dinheiro, suficiente para terem Porsches e Ferraris. E agora que já são grandes e ricos, estão a realizar os seus sonhos infantis (porque são infantis, independentemente do carácter positivo ou negativo do termo). As outras pessoas, que se calhar, tinham os mesmos sonhos quando eram miúdos, mas não conseguiram realizá-los, invejam-nos, criticam-nos por exibirem gritantes sinais exteriores de riqueza estando o País mergulhado na crise - não digo que estas críticas sejam motivadas apenas pela inveja, mas acredito que esta represente uma larga percentagem da motivação.

Pessoalmente, não compreendo esta obsessão dos homens por popós. É que chega a roçar o ridículo, como quando o Ronaldo, no outro dia, aparentemente, trouxe uma réplica do carro do Batman ou algo parecido. Um amigo meu já me veio explicar que os carros estão para os homens como os sapatos estão para as mulheres. Talvez. De qualquer forma, acho que existem coisas melhores em que gastar o dinheiro. Eu, pelo menos, se ganhasse o que eles ganham, não investiria em carros desportivos. Investiria, se calhar, uma parte em roupas e acessórios, mas não é essa a questão...


Mas um ramo em que, certamente, investiria, se, mais do que o dinheiro, tivesse o estatuto e o mediatismo que alguns deles têm, seria a filantropia. Vocês viram a campanha que fizeram quando o Gustavo, o filho do Carlos Martins, precisou de medula óssea. Se eles criassem uma fundação, se se dedicassem a uma causa humanitária, fosse ela combater uma doença ou ajudar crianças carenciadas, sem ser apenas quando toca a um filho deles, movimentariam imensa gente. Mas adiante.



A questão do "circo", do "big brother", do "folclore", das patrocinadoras, não é tão linear quanto isso. Eu própria tenho opiniões contraditórias sobre o assunto. Por um lado, concordo com Manuel José quando fala sobre o "big brother", sobre programas como o Vamos Lá Portugal. Já tinha falado sobre isso ou aqui ou no Facebook: o programa quase só tem transmitido coisas irrelevantes, tem sido sobretudo um espaço de publicidade à Nike.

Em relação à transmissão em direto das atividades da Seleção na tarde de 4 de junho (a visita ao Presidente da República, a viagem até ao aeroporto, etc) por parte das três televisões de canal aberto... é complicado. Complicado porque eu participei num deles programas. Mas não acho que seja assim tão interessante estar a transmitir coisas como os treinos abertos, as viagens no autocarro, no avião... Essas coisas são emocionantes quando estamos presentes lá fisicamente, quando podemos gritar, acenar bandeiras, fazer figuras parvas, como fiz eu, e haver a possibilidade de sermos vistos e ouvidos pelos nossos heróis, de nos tornarmos reais para eles. Tirando essa componente, tudo aquilo não passa de uma aula de Educação Física, de um autocarro, de um avião da TAP - e, na minha opinião, existem coisas mais interessantes para se ver na TV. Ou pelo menos, não me parece que sejam assim tão interessantes que justifiquem três televisões façam o direto ao mesmo tempo.


O que nos leva à influência das patrocinadoras - porque são claramente elas que beneficiam com a atenção exagerada à Equipa de Todos Nós. Sempre o soube mas só agora, depois da conversa de Manuel José e Carlos Queiroz é que me ocorreu que isso poderia ser prejudicial à Seleção. A ser verdade o que o ex-selecionador diz, seria uma completa estupidez toda aquela história de uma votação para escolher o 23º jogador da Convocatória para o Mundial 2010.

Carlos Queiroz até poderia ter recuperado parte do meu respeito por se ter recusado a fazer isto, não fosse o timing destas declarações. Ele sabe perfeitamente que a pressão é imensa nestas alturas, declarações como esta em nada ajudam. Mas não, teve dar mais uma prova do seu carácter desprezível.

Acaba por ser engraçado. Nos primeiros tempos de Paulo Bento como Selecinador, sentia-me dividida pela euforia que me causou a boa fase da Seleção e culpada devido à minha antiga lealdade para com Queiroz. O antigo selecionador acabou por resolver o meu dilema ao deixar vir ao de cima o seu verdadeiro carácter. Assim, deixei de me sentir culpada por a minha lealdade ir toda para Paulo Bento. Obrigada Queiroz!

Por outro lado, se não me engano, não é a primeira vez que Manuel José critica o folclore em volta da Seleção. Julgo que já o ouvi, há uns meses, culpar a festa antes da final do Euro 2004, no caminho desde Alcochete até à Luz, pelo fracasso da mesma. Não me admirou, portanto, que ele repetisse tais críticas agora, a propósito da preparação do Euro 2012.



Mas com isso não concordo. O futebol é um espetáculo, é um entretenimento, é feito para os adeptos, é para ser vivido, para ser aproveitdo. Eu gosto dessa componente, gosto do circo, do folclore - sem exageros, é claro. Eu sei que o BES, a Galp, o Continente e afins ganham muito com tal festa, mas isso faz parte. Sem o BES, não teria havido a Mais Bela Bandeira aquando do Mundial 2006. Sem o Continente, não teriam havido aqueles anúncios provocatórios dirigidos aos nossos adversários. Sem a Galp, não havia Menos Ais, não havia o Onze Por Todos - que eu considero uma campanha muito original, muito inspiradora. Estas campanhas muito têm contribuído para a mobilização do povo em torno da Equipa de Todos Nós. E, na minha opinião, de uma maneira geral, têm-no feito promovendo mais a Turma das Quinas do que as próprias marcas.

Como em praticamente tudo na vida, o que se pede é moderação, equilíbrio. Que se trabalhe e que se concentre no que é importante mas que haja tempo para alguma festa, alguma ligação aos adeptos.

Também já li as costumeiras opiniões de pseudo-intelectuais, considerando-se superiores ao resto do povo que vibra com a Seleção em fases finais como esta, que os julgam alienados da realidade numa altura em que todos os esforços deviam ser concentrados na resolução da crise, a conversa do costume. Nesta questão, recorrerei a um artigo de opinião, já antigo, da altura do Euro 2008, publicado no dia que se seguiu ao jogo com a República Checa, no jornal Meia Hora, que entretanto já saiu de circulação. Tem quatro anos de idade, mas continua atualíssimo e transmite exatamente aquilo que eu penso sobre este assunto.

Não digo que a alienação seja uma coisa boa, porque não o é. No entanto, a não-alienação não nos tem servido de muito. Como diz Luciano Amaral, autor do artigo: "o argumento implícito dos queixosos parece ser o de que, no espaço de tempo entre os Europeus e os Mundiais de futebol, andamos por aí a resolver os problemas do País. (...) Afinal, houve dois anos desde o último Mundial (e quatro desde o Europeu) para resolver o atraso económico português (ou a crise das finanças públicas), sem qualquer sucesso".


Isto em 2008, numa altura em que a crise ainda não tinha explodido com toda a sua força.


Não alinho na campanha da Galp, não me parece que a Taça resolva alguma coisa, que impeça os jovens da minha geração - que, como eu, cresceram ouvindo que só seriam alguém se tirassem um curso universitário e agora não conseguem arranjar emprego - de emigrar, que diminua o desemprego, a pobreza. No entanto, como assinalou muito bem João Gobern sexta-feira de manhã, no "Pano Para Mangas", no futebol não temos de nos submeter às directrizes, ao desprezo, de franceses e alemães, não temos de ser os "bons alunos" - podemos aspirar a ser maiores do que somos, a nos suplantarmos, a tentarmos o impossível e inspirar os restos dos portugueses a seguirem esse exemplo no que toca às suas carreiras, às suas ambições pessoais. Ou, pelo menos, como já repeti várias vezes ao longo do último ano e meio cá no blogue, podemos esperar por algo de bom no futuro, algo que torne tudo menos insuportável, por pequeno e fútil que seja.

E agora estamos a menos de vinte e quatro horas da nossa estreia no Europeu. Carlos Daniel resumiu bem a forma como encaro este jogo: "Nós somos um povo do oito ao oitenta, mas agora estamos para aí no quarenta e oito". Acho que vai ser muito, muito difícil ganharmos, que uma derrota não será muito grave, mas não seria a primeira vez que a Seleção me surpreenderia.

De uma coisa tenho a certeza, contudo. Independentemente do resultado, será um jogo que ficará na História. Este e não só. No outro dia, durante uma Conferência de Imprensa, julgo que com o Eduardo, um jornalista d'A Bola disse que considera que o nosso grupo deveria ser chamado de Grupo da Vida, em vez de da Morte, pois será certamente este que mais vida trará ao Europeu. É um conceito interessante. Emoções fortes não faltarão no nosso grupo.

A mensagem que, se pudesse, deixaria à Seleção, seria a seguinte: deem o vosso melhor, façam por merecer o apoio que vos tem sido dado, deixem-nos orgulhosos. Se aqueles Marmanjos derem tudo o que têm, tudo pode acontecer. É encarar a Alemanha, a Dinamarca, a Holanda, encarar os quartos-de-final como o primeiro grande objetivo, olhos nos olhos, sem medo, e dizer...


...ou, para não ofender os mais puritanos, em bom português: Desafio Aceite!

Crise existencial em altura de aniversário

Depois de semanas à espera, incluindo um abril invulgarmente cinzento e chuvoso em vários aspetos, finalmente encontramo-nos em vésperas do Anúncio dos Convocados que representarão Portugal na fase final do Campeonato Europeu de Futebol, que terá lugar na Polónia e na Ucrânia no próximo mês. Estes dias ficam ainda marcados pelo quarto aniversário deste meu blogue, O Meu Clube é a Seleção, inaugurado a 12 de maio de 2008.

Não se pode dizer em rigor que tenho escrito neste blogue há quatro anos. A minha ideia inicial era mantê-lo apenas durante a fase final do Europeu de há quatro anos, estive praticamente um ano sem atualizar o blogue.

Quando penso nisso agora, se calhar não terá sido muito má ideia ter suspendido o blogue por essa altura. Não se deram muitos acontecimentos relacionados com a Seleção nesse ano e os poucos que se deram foram, na sua maioria, tropeções na Qualificação para o Mundial 2010 - assuntos extremamente deprimentes. No entanto, mesmo nessa altura, eu ia fazendo as minhas reflexões por escrito - mais valia tê-las publicado no blogue, para ajudar outras pessoas sem ser apenas eu própria, incluindo, se calhar, os próprios jogadores, a processarem a frustração inerente às sucessivas desilusões e, ao mesmo tempo, transmitir-lhes coragem e esperança. 

Acabou por ser, em parte, por esse motivo que retomei o blogue em junho de 2009. Em parte por isso, o resto porque, pura e simplesmente, tinha imensas saudades de escrevê-lo. A altura em que voltei a atualizá-lo acabou por coincidir com o ponto de viragem no percurso da Seleção para o Mundial 2010 - mais ou menos. E, desde essa altura, com uma ou outra exceção alheia à minha vontade, nunca mais deixei de publicar entradas sempre que a Equipa de Todos Nós tinha um jogo ou estava envolvida nalgum acontecimento importante. 

Tenho bem a noção de que o meu blogue tem tido pouquíssimos leitores, por mais promoção que tente fazer. Que, na prática, teria quase a mesma audiência que obtenho com este blogue se escrevesse sobre a Seleção num diário pessoal (como fazia antes de 2008). E embora isso às vezes me desanime, não me impede de continuar a escrevê-lo. Sempre gostei de escrever, sempre gostei de escrever sobre a Seleção, se houver hipóteses de ajudar a Equipa de Todos Nós dessa maneira, nem que seja apenas um pouco, fá-lo-ei com todo o prazer.

Há coisa de dois meses e meio, inaugurei a página de Facebook de apoio ao blogue. Ao longo deste tempo, esforcei-me por publicar pelo menos uma vez por dia - o que desafia a minha criatividade. Nunca quis que o meu blogue fosse uma mera fonte de notícias sobre a Turma das Quinas. Criei-o para que fosse um espaço onde pudesse expressar as minhas opiniões. Do mesmo modo, não queria que a respetiva página de Facebook transmitisse apenas as últimas novidades sobre a Seleção. Já existem imensas fontes de notícias assim na Internet - sem querer desvalorizar páginas como o Gosto da Seleção Portuguesa, que tem feito um excelente trabalho ao fornecer, entre outras coisas, imagens engracadíssimas referentes à Equipa de Todos Nós. Além de que já partilhou o meu vídeo para The Climb. O que tenho tentado fazer é publicar notícias, fotografias, vídeos, músicas juntamente com as minhas opiniões sobre o assunto. Houve alturas em que não acontecia nada relacionado com a Seleção e não era fácil arranjar algo que publicar. Foi difícil resistir à tentação e pura e simplesmente voltar a partilhar publicações de páginas como as acima mencionadas. Mas ajudou a mitigar a abstinência de Seleção.

Para além de páginas como o Gosto da Seleção Portuguesa, outra fonte de notícias que me foi bastante útil foi o Alerta do Google que já tinha criado há alguns meses, para me avisar sempre que surjam publicações sobre a Seleção Nacional na Internet. Não é tão seletivo como o ideal, às vezes aparecem-me artigos sobre o clube brasileiro A Portuguesa, por exemplo.

Ora, há cerca de dois meses, apareceu-me nos Alertas uma publicação no Yahoo Answers com a seguinte pergunta:

"Qual (é) o problema da Seleção Portuguesa?"

"Esses dias tenho pensado num problema tradicional da seleção portuguesa... Uma seleção cheia de grandes jogadores como CR7, Quaresma, Ricardo Carvalho, Deco, Pepe, Pauleta, Nani... E outros aposentados como Luís Figo... mas nunca conseguiu nada mais que semi-finais de euros e copas... qual o problema dessa seleção?? que cheia de sensacionais jogadores, amarela nos títulos???"

Fonte: AQUI

Quando vi o título da pergunta pela primeira vez, fiquei a olhar para aquilo estilo: "um brasileiro conseguiu resumir numa linha aquilo com que nos andamos a debater há anos!" Nunca pensei que fosse possível simplificar as coisas a este ponto. Mas faz sentido que tenha sido um brasileiro a formular a pergunta dos duzentos mil euros, pois é capaz de ser mais racional, mais isento do que um português.

Realmente, qual é o nosso problema, afinal? Somos há anos, para aí desde 2000, 2002, 2004, considerados candidatos ao título em cada campeonato de seleções por possuírmos jogadores "de classe mundial". Figo, Rui Costa, Nuno Gomes, Pauleta, Deco, Cristiano Ronaldo, Nani, Fábio Coentrão... No entanto, na hora da verdade, na hora de provarmos que somos candidatos ao título, caímos sempre. O que é que está a falhar?

Analisemos a coisa...


Começarei pelo Euro 2004, que foi a altura em que comecei a acompanhar a Seleção de perto. É-me cada vez mais claro que perdemos uma oportunidade de ouro - não, não, de platina! - com este campeonato: jogávamos em casa, tínhamos a base da equipa que, no ano anterior, dera a Taça UEFA e, nesse ano, a Champions ao FC Porto, tínhamos veteranos como o Figo e o Rui Costa e promessas como o Cristiano Ronaldo, tínhamos o entusiasmo dos adeptos, tínhamos todas as condições, devia ter sido tudo nosso. Ainda hoje, passados oito anos, não compreendo como é que o deixámos escapar. Há quem fale de inexperiência, excesso de confiança, de euforia ou simplesmente azar. O que é certo é que é muito difícil - para não dizer impossível - termos circunstâncias tão favoráveis como tínhamos em 2004. Cada vez me apercebo mais disso. Devia ter sido tudo nosso.


O Mundial 2006 foi outra boa oportunidade desperdiçada, embora seja discutível se tal aconteceu por culpa nossa, se foi justo. Ainda não estou convencida de que aquele lance envolvendo o Ricardo Carvalho e o Thierry Henry era mesmo penálti. De qualquer forma, a final de Berlim foi fraquinha, Portugal devia ter estado lá. E visto que a Itália só venceu nos penálties, acho que poderíamos ter ganho.

Neste caso, contudo, o karma funcionou pois os nossos amigos franceses nunca mais fizeram nada de jeito desde aquela noite em Nuremberga. Começando pela cabeçada de Zidane e acabando nos tristes episódios  ocorridos no Mundial 2010. Como dizia a minha irmã quando era pequenina: "Deus castiga sem pau nem pedra!"


Aquando deste Europeu, a Seleção já não estava ao nível a que estivera aquando dos campeonatos anteriores. Figo e Pauleta já tinham abandonado a Equipa de Todos Nós dois anos antes e a base da equipa do FC Porto que ganhara a Taça UEFA e a Champions já se dissolvera há muito. Até tivemos um bom começo, com vitórias frente à Turquia e à República Checa. O pior foi a notícia de que Luiz Felipe Scolari, um dos heróis do Euro 2004 e do Mundial 2006, o homem que nos reaproximou da Seleção, iria trocar-nos pelo Chelsea - ainda hoje, passados quatro anos e duas estreias de treinadores, não consigo perdoar-lhe por nos ter deixado assim. A notícia é capaz de ter desestabilizado a Seleção pois não fizemos mais nada de jeito nesse campeonato depois do anúncio. Perdemos contra a anfitriã Suíça no último jogo do grupo, que só serviu para cumprir calendário. Depois, pura e simplesmente não conseguimos suplantar a terrivelmente eficaz Alemanha nos quartos-de-final, apesar de termos lutado até ao fim. Não se podia pedir mais do que isso.


Julgo que, neste caso, foi o método de Carlos Queiroz que não funcionou, na minha opinião. Só ganhámos à Coreia do Norte, de longe a adversária mais fraca do nosso grupo. Se tivéssemos abordado os jogos de maneira diferente, da maneira como, se calhar, Paulo Bento abordaria, provavelmente teríamos ganho à Costa do Marfim, talvez até ao Brasil, poderíamos ter terminado o grupo em primeiro lugar, evitado a Espanha e avançado mais na prova.


Como podem ver, as razões para os nossos falhanços são várias e já foram dadas por muitos: fatores internos, fatores externos, desculpas atrás de desculpas, cada uma mais esfarrapada do que a anterior, adeptos bipolares que, em segundos, passam da euforia à disforia e vice-versa, formação deficiente de jogadores, desvalorização do futebolista português... Quem conseguir encontrar uma explicação para esta ausência de títulos tão linear como a pergunta que originou esta crise existencial, merece o prémio Nobel.



Enquanto se procura uma resposta à pergunta, estamos à porta de mais uma fase final de um campeonato de seleções. E como já vai sendo tradição, faço aqui o meu prognóstico: considero que a Seleção está mais forte do que estava há dois anos, antes do Mundial 2010. Paulo Bento afirmou, inclusivamente, que as dificuldades porque passámos no Apuramento - que incluíram aquilo que, na minha opinião, foi o pior momento de sempre da Turma das Quinas - nos tornaram mais fortes, dar-nos-ão "motivação e confiança". Como já afirmei antes, se nos esperasse um grupo como o que tivemos na África do Sul, não estaria muito preocupada. Contudo, como já escrevi em dezembro último, Deus quis que a gente sofresse no Euro 2012. Estamos mais fortes em vários aspetos, sim, disso não existem dúvidas, mas não sei se estaremos suficientemente fortes para sobrevivermos ao Grupo da Morte.

Acho muito difícil ganharmos à Alemanha. Talvez arranquemos um empate se tivermos (muita) sorte do nosso lado. Com a Dinamarca, o nosso historial recente não nos é favorável, ao longo dos últimos anos complicaram-nos várias vezes a vida à grande e à dinamarquesa. Contudo, se conseguimos vencê-los há ano e meio, pouco depois de uma crise gravíssima, com um treinador recém-chegado, após apenas dois ou três treinos, certamente será possível vencermos após duas ou três semanas de estágio e dois particulares e com a motivação extra de estarmos na fase final de um campeonato de seleções. Em relação à Holanda, é difícil fazer previsões. Expulsámo-los duas vezes de fases finais, mas a última vez ocorreu há seis anos. Além disso, estamos a falar dos vice-campeões Mundiais. Em quem é que vocês apostariam?

Talvez consigamos passar aos quartos-de-final, mas é um grande "talvez" e não é de todo descabido pensar que não vamos conseguir (três vezes na madeira). Luís Freitas Lobo resumiu-o de uma forma brilhante há uns meses, no Público: "Se Portugal passar é um grande feito. Se for eliminado, temos de encarar isso de uma forma natural." Ninguém poderá criticar abertamente se não conseguirmos passar a fase de grupos, mas sei que o pessoal ficará ressentido. Aposto que, nestas semanas de antecipação do Europeu, será muito vendida a ideia da Seleção como remédio anti-crise. Eu vendi essa ideia anteriormente e tenciono continuar a fazê-lo. Teremos motivos para desejar a Taça que, se calhar, não tínhamos em 2004, 2006 ou mesmo em 2008 e 2010. De igual modo, teremos motivos para nos sentirmos desiludidos se falharmos que não tínhamos anteriormente.

Devo dizer (e acho que não é a primeira vez que o digo) que me enojam perfeitamente esse tipo de adeptos, bipolares, que só apoiam a Seleção quando esta vence, cujo "casamento" com as Quinas não é no melhor e no pior. O meu é, devo ser uma espécie em vias de extinção, mas já perdi, se não todas, pelo menos noventa por cento das ilusões que, se calhar, tinha há oito anos. Como é que querem que eu as tenha quando jogadores como o Simão, o Miguel, o Paulo Ferreira se puseram a andar quando as coisas começaram a correr mal? (leia-se, quando rebentou o caso Queiroz). Não me deixarei iludir pelo marketing todo, pelos discurso de que "tudo está bem" na Seleção. Pelo menos, manterei sempre uma certa reserva.

Já não é, aliás, o patriotismo que me liga às Quinas - eu gosto da Equipa de Todos Nós precisamente por, pelo menos nalguns aspetos, não ter nada a ver com o País que representa. A Seleção é literamente e cada vez mais apenaso meu clube (escolhi mesmo bem o nome para o meu blogue...). Tamém sei que nem todos os jogadores se movem pelo patriotismo, se é que algum se move, que muitos deles só vestirão a camisola enquanto lhes for conveniente.

Contudo, continuarei a apoiar porque, mesmo que já não confie nos outros adeptos, nem confie a cem por cento nas palavras e nas intenções dos Marmanjos, acredito nas ações deles. Porque é através de jogos como aquele com a Dinamarca, em outubro de 2010, com a Espanha no mês seguinte, com a Bósnia em novembro último, no Estádio da Luz, que a Turma das Quinas retribui o apoio que pessoas como eu lhe dão. E como a Seleção já provou conseguir superar-se, aposto que teremos direito a mais jogos como esses no Euro 2012. Mesmo que agora esteja mais consciente do que estava há quatro anos, quando inaugurei o blogue, de que é pouco provável nós levantarmos a Taça, que o mais certo é tudo acabar "em desilusão e poeira" (não me perguntem de quem é esta citação, porque não me lembro...), de que nem toda a gente apoia tão desinteressadamente como eu a Equipa que devia ser de Todos Nós, incluindo os próprios jogadores, o meu amor pela Seleção continua intacto ao fim de todos estes anos e ainda não abandonei a esperança que tinha, em maio de 2008, de um dia publicar uma entrada sobre o nosso primeiro título a nível de Seleção A. Hei de publicá-la um dia, seja daqui a mês e meio, dois anos, quatro, sei, dez, vinte ou cinquenta. Que diabo, se só conseguirmos levantar uma Taça depois de eu ter falecido, se eu só puder acompanhar esse momento através do relato de Jorge Perestrelo, espero que o Céu tenha acesso à Internet! Até lá, continuarei a encarar cada fase final de campeonatos de seleções da mesma forma: pensado jogo a jogo, mantendo ambos os pés assentes na Terra, sem contudo deixar de aproveitar cada momento de cada uma das viagens.

A viagem rumo à final de Kiev começa segunda-feira, dia 14 de maio, na Casa da Música, em Óbidos, às 20h. Como sempre, acompanharei a jornada desde início e utilizarei o blogue e a página do Facebook como diários de bordo. Agora, é ver até onde a Seleção Nacional consegue ir.

Dinamarca 2 Portugal 1 - ...mas eles não acordaram

Ontem, a Selecção Portuguesa de Futebol foi derrotada, em Copenhaga, pela sua congénere dinamarquesa, por  dois golos contra um.  Deste modo, a Dinamarca ficou em primeiro lugar no grupo, apurando-se, por isso, para a fase final do Europeu de 2012, a realizar-se na Polónia e na Ucrânia, enquanto Portugal terá de disputar o play-off no próximo mês, com a Bósnia-Herzegovina, para se qualificar. 
 
Não vou mentir, não foi dourar a pílula, foi um jogo horrível, agonizante do princípio ao fim, absolutamente inesperado. Devo ter perdido uns vinte anos de vida naqueles noventa minutos.
 
Logo de início se notou que a coisa não ia correr bem. Os Marmanjos mal conseguiam manter a bola nos pés. O golo anulado à Dinamarca, logo aos três ou quatro minutos, devia ter sevido de wake-up call - porque, pelo que se via, o jogo contra a Islândia não tinha servido, apesar da minha última entrada - mas não serviu. Os jogadores estavam irritantemente lentos e apáticos. O golo da Dinamarca aos doze minutos não constituiu, portanto, surpresa.
 
Depois deste golo, os dinamarqueses abrandaram um pouco, os portugueses apareceram um pouco mais, tivera, algumas oportunidades, mas continuava a não ser suficiente. E eu ficava cada vez mais aflita.
 
A minha sorte foi o facto de estar a assistir ao jogo sozinha. Podia praguejar em voz alta sem que me mandassem calar. Outra coisa que ajudou imenso foi não ter a minha mãe resmungando coisas como:
 
- Que vergonha!
 
Também ia desabafando através do Twitter (podem ver AQUI).
 
Ao intervalo, desejei que eles regressassem aos relvados com outra atitude, com mais garra, mais energia, mais alma. Mais uma vez, não tive sorte. Aliás, estive perto de sofrer um ataque cardíaco (pela quinquagésima vez desde o início do jogo, diga-se de passagem...) quando o João Pereira passou a bola a Krohn-Dehli mesmo à frente da baliza...
 
Entretanto, os comentadores iam falando, ocasionalmente, acerca do jogo da Suécia e da Holanda. Parecia que Deus Nosso Senhor tinha tirado a noite para gozar com a nossa cara pois este desafio teve não sei quantas reviravoltas. Ora a Suécia estava a ganhar, ora estava a perder. Não havia dúvida que me queriam matar naquela noite... Lenta e dolorosamente.
 
Com o segundo golo da Dinamarca, desliguei-me do jogo, se bem que não completamente. Já pensava: "Que se lixe! Não é assim tão mau irmos ao play-off". Só desejava que marcássemos pelo menos um golo para não sairmos de lá completamente humilhados e, vá lá, ver se a equipa se motivava e começava a jogar como deve ser.
 
Esse golo surgiu mas demasiado tarde para relançar a Turma das Quinas. O golo de Cristiano Ronaldo foi, de resto, o único momento bom do jogo. Foi um golpe de génio, aquele golo que há muito desejávamos que ele marcasse pela Selecção (de livre directo, com a bola a entrar directamente na baliza) mas, de preferência, noutras circunstâncias.
 
Com  este resultado e como a Suécia acabou por ganhar à Holanda, sagrando-se a melhor Selecção classificada em segundo lugar e, por isso, garantindo o apuramento directo, teremos de disputar o play-off de acesso ao Europeu. Para ser sincera, estou um pouco aliviada por não termos sido os melhores segundos lugares. Não queria que a campanha pelo acesso ao Euro 2012 terminasse com um jogo como o de Terça-feira. 
 
Além de que, ao menos, assim termos mais dois jogos oficiais da Selecção, o que é sempre bom. E talvez vá assistir à segunda mão do play-off, que será disputada em Lisboa, embora ainda não hajam certezas em relação ao estádio.
 
Em suma, foi um dos piores jogos dos últimos tempos. E ainda não percebo como é que isso aconteceu, porque é que isso aconteceu. Como é que fomos estragar aquilo que, desde há um ano a esta parte, estava a ser uma campanha brilhante? O que aconteceu ao vamos-jogar-para-ganhar, ao não-se-planeiam-empates-ou-derrotas?
 
Há quem diga que nos descontraímos demais. Como passámos do oito ao oitenta muito depressa, começámos a baixar as defesas. Tenho de admitir que eu própria alinhei nisso. Como há um ano que a Selecção não dava razões de queixa, comecei rapidamente a sonhar alto. Nunca me tinha passado pela cabeça que íamos tropeçar agora.
 
A verdade é que nem os mais cépticos duvidavam que íamos sair de Copenhaga apurados, de uma forma ou de outra.
 
Há quem diga que se tratou apenas de uma má noite. Alguns dos titulares habituais estavam ausentes, alguns dos presentes não estavam na melhor forma. O Ronaldo, por exemplo, tinha dores mas fez questão de vestir a camisola das Quinas. Às tantas, mais valia ter ficado de fora...
 
Talvez. A única coisa que sei é que prefiro que não nos cruzemos de novo com a Dinamarca num futuro próximo. Com a óbvia excepção do jogo do ano passado, a coisa costuma correr mal no que toca a nós...
 
Como já tinha previsto, com esta derrota, todos caíram em cima de Paulo Bento, como pombos sobre migalhas de pão. Não constitui surpresa. Mas entre todas as declarações relacionadas com a situação da Equipa de Todos Nós, sobressai a de um indivíduo em particular, um caso engraçado. Há coisa de um ano e meio eu respeitava-o, admirava-o, defendia-o no meu blogue. Há um ano, depois de ele cair em desgraça, criticava-o mas achava-o alvo de uma injustiça, sentia-me grata pelas coisas boas que ele fizera e ligeiramente culpada por ter voltado a minha lealdade para outra pessoa. Depois disso, a cada declaração que ele fazia, ia-se enterrando cada vez mais na minha consideração. E agora, depois de ontem ter dito que, com ele, "a nossa qualificação teria sido absolutamente natural, normal, consistente e estaríamos agora na fase final", aquilo que sinto por Carlos Queiroz já roça o ódio.
 
como aquela canção dos Kaiser Chiefs, chamada "Everyday I Love You Less and Less". (AQUI). Pelo menos uma parte da música exprime de forma excelente o que sinto: "You're turning into something I detest/And everebody says that you're a mess/Since everyday I love you less and less" (Estás a transformar-te em algo que detesto/E todos dizem que estás uma desgraça/Desde que a cada dia te amo menos e menos). 

Há que ter em atenção que os meios de Comunicação Social têm citado esta frase fora do contexto, de modo a criar mais polémica. O que Queiroz queria dizer é que a qualificação teria sido bem menos atribulada se não fosse toda aquela confusão gerada no ano passado, no rescaldo do Mundial 2010. Ele talvez tenha razão. Fossem outras as circustâncias, talvez tivéssemos amealhado mais do que apenas um ponto nessa primeira jornada dupla e, sim, talvez agora estivéssemos qualificados. Mas é um grande talvez. E, de qualquer forma, nesta altura do campeonato, a última coisa de que a Selecção precisa é de ser desestabilizada por polémicas, muito menos iniciadas por um antigo Seleccionador.

 
O que mais me irrita é o seguinte: como já disse, houve uma altura em que me sentia culpada por dar graças pela chegada de Paulo Bento quando Carlos Queiroz tinha sido afastado da Selecção de uma forma manhosa e injusta. Mas ele, por sua vez, não parece sentir culpa de nada, não estar arrependido de nada. Parece achar que nunca fez nada de mal. Aproveita todos os microfones ligados num raio de um quilómetro para se fazer de vítima e atacar tudo o que se mexe, sem se preocupar com as repercussões que isso tem na Equipa das Quinas. 
 
Não parece compreender que, quanto mais faz isto, menos nos comove, menos respeito sentimos por ele, levando a um ponto em que achamos que ele até mereceu o destino que teve. Apesar de, neste caso, até ter alguma razão, apesar de alguns de nós até concordarem quando ele diz que existe corrupção no seio da FPF. O caso que levou ao seu despedimento foi apenas um exemplo.
 
Não vale a pena chorarmos mais sobre o leite derramado, sobre o apuramento directo falhado. Agora temos é de voltar as nossas atenções para o play-off, que se realiza daqui a um mês. Soube-se hoje que será com a Bósnia-Herzegovina que vamos disputar o lugar no Europeu, à semelhança do que aconteceu há dois anos, com o apuramento para o Mundial 2010. Muitos ficaram apreensivos, pois estes estiveram perto de vencer a  França mas, na minha opinião, há a vantagem de ser uma equipa que conhecemos melhor do que, por exemplo, o Montenegro. Todos acham que Portugal tem capacidade para ultrapassar este obstáculo inesperado, que consegue melhor do que conseguiu na Terça-feira... ou, pelo menos, se não conseguir, mais vale vermos o Euro 2012 pela televisão. 
 
Eu fiquem zangada com esta derrota mas já o ultrapassei e agora estou ansiosa pelos jogos de daqui a um mês. Faço parte dos que acreditam, não, que sabem que a Selecção é muito melhor do que deu a entender frente à Dinamarca. Digam o que disserem, o que aconteceu na Terça-feira não muda o facto de Paulo Bento ter reconstruído uma equipa aos bocados e nos ter dado aquilo pelo qual, há um ano, estaríamos profundamente gratos: chegar aos play-offs. Esta derrota foi uma fuga ao guião, um desvio ao plano que tínhamos delineado, mas ainda vamos a tempo de corrigir as coisas. Ainda vamos a tempo de anular os efeitos do caso Queiroz, de consumar o renascimento da Selecção, de marcar presença no Euro 2012. E acredito que vamos fazê-lo. De uma maneira ou de outra.