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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Seleção 2014

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Mais um ano perto de terminar, mais um ano perto de começar. Ganhei o hábito de, por esta altura, recordar aqui no blogue o que aconteceu com a Seleção ao longo dos últimos doze meses, olhar para estes acontecimentos de novo, como quem volta a ler um livro depois de saber como acaba. 

 

2014 foi um ano estranho para a Seleção. Teve altos e baixos, como todos os anos, mas também teve muitas coisas incompreensíveis. Por outro lado, foi um ano em que senti a história repetindo-se: 2002, com o fracasso no Mundial; 2010, com as confusões na Federação, a sua incapacidade de lidar com o rescaldo do Mundial e de gerir os selecionadores. 2014 foi também um ano em que senti que, quanto mais as coisas mudam, mais elas ficam na mesma.

 

Comecemos pelo princípio. 2014 arrancou de forma agridoce, emotiva, para o futebol português, tanto devio à morte de Eusébio como à Bola de Ouro de Cristiano Ronaldo. O primeiro jogo da Seleção, contudo, só ocorreu em março. Pouco antes, realizou-se o sorteio da Qualificação para o Euro 2016. Independentemente do que tivéssemos pensado na altura, hoje sabemos que nenhum dos nossos adversários é fácil. 

 

 

No dia 5 de março, a Seleção jogou contra a sua congénere camaronesa num jogo de carácter particular que teve lugar no Estádio Magalhães Pessoa, em Leiria. Como o costume, a Convocatória suscitou polémica pela teimosia de Paulo Bento em excluir certos jogadores. Em defesa do nosso antigo técnico, há que dizer que alguns dos nomes mais controversos - Edinho, Rafa, Ivan Cavaleiro - não se saíram mal no jogo com os Camarões. Foi de facto um bom particular, com a Seleçção Portuguesa a vencer por 5 a 1, golos de Cristiano Ronaldo (dois), Raúl Meireles, Fábio Coentrão e Edinho. Não foi mau, tendo em conta que os Camarões também estavam Qualificados para o Mundial, mas como o costume a Comunicação Social só quis saber de Ronaldo, que ultrapassara Pedro Pauleta no número de golos com a Camisola das Quinas. Estou convencida de que esta Ronaldomania, se não foi um dos fatores a contribuir para o fracasso no Mundial, certamente não ajudou a Seleção.

 

Por outro lado, uma das coisas que não compreendo deste ano é como passámos de jogos com exibições, vá lá, boazinhas, como a deste particular e dos outros que antecederam o Mundial, a... o que quer que tenha sido a nossa participação no Campeonato do Mundo.

 

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A Convocatória Final para o Brasil foi revelada no dia 19 de maio mas a polémica começou antes, com as pré-Convocatórias. Não gosto de estar a bater no ceguinho nem acho que nomes diferentes na Lista mudassem significativamente o nosso destino, mas há coisas difíceis de compreender. A principal será, porventura, a exclusão de Ricardo Quaresma. Para ser justa, relembro que Paulo Bento não foi o único técnico a embirrar com Quaresma este ano e o próprio Marmanjo terá a sua quota-parte de culpas na maneira como os treinadores lidam com ele. No entanto, quem perde acaba por ser quem não aposta no mustang. E quando às insinuações de Paulo Bento de que os jogadores que excluía "não tinham perfil para a Seleção"... bem, Quaresma teve perfil suficiente para estar por detrás de todos os nossos golos pós-Mundial. I rest my case.

 

Também já por alturas da Convocatória se comentava a duvidosa forma física de mais de metade dos jogadores da Seleção, sendo Cristiano Ronaldo o maior exemplo - mais tarde, descobrir-se-ia que as nossas dúvidas não eram descabidas. Não fomos os únicos a ter lesões importantes - este Mundial foi ridiculamente rico em lesões - mas fomos os mais assolados por este problema. Tivemos um total de cinco elementos incapacitados, num total de quinze condicionados. Como disse a minha irmã, a Seleção esteve em modo In My Remains, dos Linkin Park "Like an army falling, one by one by one". Tanto quanto me lembrava, era a primeira vez que tal acontecia num campeonato desta envergadura e, ainda hoje, não compreendo porquê. Muitos criticaram a decisão pós-Mundial de substituir a equipa médica mas terá sido assim tão descabido? Uma coisa é certa: a histeria em redor da tendinose rotuliana de Cristiano Ronaldo foi um dos aspetos mais irritantes deste Mundial.

 

 

O primeiro particular do estágio do Mundial teve como adversário a Grécia - orientada na altura por Fernando Santos, que ironicamente é agora o nosso Selecionador. Este jogo enquadrava-se nas comemorações do centenário da Federação Portuguesa de Futebol, pelo que teve lugar no Estádio Nacional, no Jamor, uma arena de forte simbolismo para o futebol português. Também foram prestadas homenagens a Eusébio e Mário coluna, falecidos anteriormente este ano. Este jogo ficou marcado pela ausência de habituais titulares, destacando-se Cristiano Ronaldo. Portugal dominou durante praticamente todo o jogo - Nani jogou melhor do que se esperava - mas notaram-se os habituais problemas na finalização. O jogo terminou com o marcador por abrir.

 

Antes de deixar o território nacional, a Seleção Portuguesa foi recebida pelo Presidente da República no Palácio de Belém, receção marcada por selfies e outras atitudes pouco convencionais para uma visita ao Chefe de Estado. Nos dez dias, mais coisa menos coisa, que se seguiram, a Equipa de Todos Nós estagiou nos Estados Unidos - alegadamente para se adaptar ao fuso horário - tendo sido das últimas equipas a chegar ao Brasil. Este foi outro dos aspetos controversos e incompreensíveis deste ano de Seleção: a localização do estágio, o clima. Deveríamos ter ido mais cedo para o Brasil? Deveríamos ter estagiado numa cidade diferente? E se as condições fossem tão agrestes que não conseguíssemos treinar como deve ser?

 

 

Antes do Mundial, contudo, ainda tivemos dois particulares, que não correram muito mal. O jogo com o México teve lugar no Gilette Stadium, em Boston, de madrugada para o fuso horário português. Foi um jogo sem grande história, que poderia ter dado para ambos os lados. A vitória portuguesa pela margem mínima só foi obtida ao cair do pano, cortesia de Bruno Alves. Estes golos, estas vitórias ao último minuto, tornar-se-iam uma tendência deste ano. Esta foi apenas a primeira e, por sinal, a menos empolgante.  

 

 

 

O jogo com a República da Irlanda correu melhor mas também este adversário encontrava-se uns furos abaixo dos dois anteriores. Desta feita, Cristiano Ronaldo jogou mas ele não contribuiu grandemente para a vitória folgada. Hugo Almeida bisou, Fábio Coentrão assistiu para um auto-golo e marcou ele mesmo outro, Vieirinha também marcou o seu, assistido por Nani (que também assistira Coentrão). Portugal contudo ainda sofreu um golo pelo meio, fruto de uma distração coletiva aquando de um livre.

 

Por esta altura, eu sentia-me bastante otimista relativamente ao início da participação portuguesa no Mundial, talvez um pouco para lá do realista. Hoje tenho vontade de rir e de chorar com a minha ingenuidade - mas em minha defesa, acho que nem os mais pessimistas estavam à espera de um descalabro como aquele. 

 

 

O nosso jogo de estreia no Campeonato do Mundo foi a humilhação do ano... se não tiver sido do século. Foi um jogo em que praticamente tudo o que podia correr mal correu. A história poderia ter corrido de outra maneira se tivéssemos cometido menos asneiras: o penálti oferecido por João Pereira, a "turrinha" de Pepe a Müllero atraso na reorganização da defesa após a expulsão, a equipa toda à beira de um ataque de nervos... com a lesão de Coentrão e Hugo Almeida a ajudar à festa. Parafraseando Afonso de Melo em A Pátria Fomos Nós, num Mundial não há segundas oportunidades - Portugal sentiu-o na pele no Brasil. O descalabro só não foi maior porque os alemães tiveram pena de nós - o que para mim é a pior vergonha. O facto de agora sabermos que não fomos os únicos a ser humilhados pelos alemães neste Mundial é fraco consolo.

 

 

Portugal estava obrigado a ganhar aos Estados Unidos para poder sonhar com a passagem aos oitavos. Nós tentámos. Começámos bem, até marcámos um golo cedo, cortesia de Nani - o único golo que pudémos festejar plenamente neste Mundial. Jogámos melhor que frente à Alemanha, mas os nossos pareciam lesmas - não sei se devido ao clima ou à (falta de) forma física (Postiga saiu lesionado aos treze minutos) ou se de ambos. Portugal não conseguiu ampliar a vantagem, só a segurou até aos sessenta e três minutos, os Estados Unidos chegaram mesmo a passar à frente. Varela voltou a vestir o fato de bombeiro e empatou o jogo ao cair do pano, mas apenas adiou o inevitável. Se quiséssemos continuar no Mundial, teríamos de golear o Gana e esperar que a Alemanha vencesse os Estados Unidos.

 

Eu já não acreditava. Lembro-me em particular do dia que se seguiu ao jogo, um dia cinzento e chuvoso, apesar de em termos cronológicos o verão já ter começado. Este ano não tivemos verão, nem o do Mundial nem o propriamente dito. 

 

 

Em todo o caso, no início do jogo com o Gana, sentia-me irracionalmente entusiasmada, como se aquele fosse apenas mais um jogo da Seleção, como se ainda estivesse tudo em aberto. Ganhámos por 2-1, um auto-golo e um golo de Cristiano Ronaldo para o lado português. Um resultado insuficiente para irmos aos oitavos. O Mundial terminava para os portugueses. 

 

Acredito que nunca saberemos ao certo o que aconteceu, qual ou quais fatores foram decisivos para o descalabro, o que poderia ter sido feito para evitar isto. Se bastaria o João Pereira não ter provocado aquele penálti ou o Pepe não ter sido expulso, de modo a reduzir a expressividade da vitória alemã, se esta não tivesse sido tão destrutiva... Ou se seria necessário um lote diferente de jogadores, um local de estágio diferente, talvez mesmo um local de estágio diferente... Seria importante aprendemos com os erros cometidos neste Mundial, mas já percebo que nós, portugueses, não somos muito dotados nesse capítulo. 

 

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As medidas tomadas pela Federação após o Mundial são um bom exemplo disso. Mudou a equipa médica, deu novos poderes a Paulo Bento, um voto de confiança que deu ares de uma despropositada promoção. Isto pouco antes do arranque da Qualificação para o Euro 2016. Na Convocatória para o primeiro jogo - contra a Albânia, no Estádio de Aveiro - apenas figuravam oito dos que haviam representado (fracamente) o País no Mundial. A maior ausência era a de Ronaldo, por lesão. Era uma lista que não parecia muito convincente, apesar de algumas novidades como Bruma, Vezo, Ricardo Horta e Pedro Tiba, e ainda se notavam os fantasmas do Brasil. Estes terão tido influência no jogo com a Albânia. 

 

 

Os nossos adversários estacionaram o autocarro à frente da baliza, é certo, mas não se pode dizer que os portugueses tivessem feito muito por abrir caminho. O golo albanês resultou de um momento de inspiração que coincidiu com uma distração da nossa defesa. Os portugueses não conseguiram sequer anular a vantagem. No final do jogo viam-se lenços brancos nas bancadas e, de facto, poucos dias depois, Paulo Bento abandonava o cargo de Selecionador. 

 

Demissões de técnicos nunca são processos felizes e esta não foi exceção. Oficialmente, esta terá sido uma rescisão amigável. Na prática, não se percebeu muito bem de quem partiu a ideia da demissão. Eu fiquei com a ideia de que Paulo Bento não saiu de vontade cem por cento livre e esta medida passa, no mínimo, por estranha quando, duas semanas antes, a Federação dava um voto público de confiança ao Selecionador. Apesar de este processo ter sido bem mais civilizado do que o que aconteceu com Carlos Queiroz, a FPF tornou a ficar mal na fotografia ao ter cedido ao pedido de Paulo Bento renovar antes do Mundial e ao não o ter demitido logo após o respetivo descalabro.

 

A Federação demorou algumas semanas a encontrar um substituto. Um dos favoritos foi sempre Fernando Santos: já passara pelos três grandes e tivera um bom desempenho ao leme da seleção grega. No entanto, encontrava-se  - e ainda se encontra - condicionado pelo castigo atribuído pela FIFA por se ter desentendido com um árbitro durante o Mundial. Durante algum tempo, pensou-se que Fernando Santos era uma hipótese descartada, precisamente devido a esse castigo. No entanto, tal conficionante acabou por não ser problema - e, de qualquer forma, com o recurso, o castigo acabaria por ser suspenso - pois, no fim, a Federação contratou-o.

 

 

 

A primeira Convocatória de Fernando Santos caracterizou-se pelo regresso de ausentes prolongados, como Ricardo Carvalho, Tiago, Danny e Ricardo Quaresma. Estes regressos podem ter causado uma controvérsia na altura, mas esses antigos "renegados" têm até ao momento (tirando Danny e, mais tarde, Bosingwa) mostrado-se merecedores da segunda oportunidade, com destaque para Quaresma.

 

 

O primeiro jogo de Fernando Santos foi um particular com a França, uma seleção de quem temos sido fregueses há várias gerações. Isto associado ao facto de ser a estreia de um Selecionador depois de uma série de maus resultados fez com que o resultado final - uma derrota por 2-1 - fosse expectável. Portugal não entrou bem no jogo, com destaque para os primeiros vinte minutos. Os laterais não estiveram bem, sobretudo Eliseu. Os dois golos franceses partiram de distrações da defesa portuguesa - agora vejo que estas distrações foram um pecado frequente este ano - o segundo numa altura em que a Seleção até começava a assumir o comando do jogo. Por fim, Ricardo Quaresma, suplente utilizado, converteu um penálti, fazendo o resultado.

 

 

 

O jogo seguinte, com a Dinamarca, foi a sério. Foi um jogo de paciência - que se tornaria a regra nos jogos seguintes - e de muitos nervos. Por uma vez Portgual até parecia ter a Sorte do seu lado, com um árbitro amigo e uma bola dinamarquesa ao poste, mas permanecia incapaz de converter essa sorte em golos. Foi preciso, de novo, Ricardo Quaresma entrar e assistir para Cristiano Ronaldo salvar o dia - isto no último minuto do jogo, numa altura em que já todos fazíamos contas considerando apenas um ponto. Foi o golo mais dramático do ano. Era a primeira vitória apóso Mundial, a primeira vitória da Qualificação, da era Fernando Santos. Estava dado o primeiro passo. 

 

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Um mês mais tarde, Portugal recebeu a Arménia no Estádio do Algarve. Tornou a ser um jogo de paciência, tornando-se até algo pastoso, mas desta feita não foi necessário esperar até ao último minuto pelo golo. Este foi, mais uma vez, fruto da parceria entre Cristiano Ronaldo e Ricardo Quaresma - embora Nani tivesse dado uma mãozinha nesta. Não chegámos a subir ao primeiro lugar do grupo, mas ficámos em segundo com um jogo a menos. Não está a correr nada mal, por isso.

 

  

Alguns dias mais tarde, a Seleção foi a Old Trafford disputar um jogo de carácter amigável com a sua congénere argentina. Muitos esperavam um grande duelo entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi (que, afinal, não está propriamente de fora da corrida para a Bola de Ouro, ao contrário do que pensava), mas ambas as superestrelas estiveram algo apagadas. Daí o jogo se ter revelado anti-climático, mesmo secante, sobretudo após a substituição das estrelas. Para os portugueses, contudo, teve uma agradável surpresa no último minuto (mais uma vez) com um inesperado golo do miúdo Raphael Guerreiro, assistido por Ricardo Quaresma (mais uma vez). E foi isto o que aconteceu com a Seleção em 2014.

 

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Foi um ano estranho, como procurei demonstrar, com muitas coisas incompreensíveis, com claro destaque para o Mundial. Continuo a achar que podíamos ter-nos saído melhor com uma atitude diferente. Talvez não conseguíssemos ir além dos oitavos-de-final - quartos, se tivéssemos sorte - mas sempre deixaríamos uma melhor imagem, semelhante as deixadas por seleções como a Grécia ou a Argélia. Tenho a tentação de enveredar pelos clichés do "levantar a cabeça" e "seguir em frente", mas, visto que não é a primeira vez que isto acontece, seria importante percebermos o que falhou para que esse erro não se repita. Mas eu sou uma mera adepta, nem sequer percebo por aí além de futebol, não posso fazer nada.

 

Ao menos as coisas começaram a correr melhor na reta final deste ano. Continuamos com os problemas de sempre, mas estes não representam um fardo tão grande. Não jogamos grande coisa (excetuando talvez contra a França) mas vamos ganhando os jogos - quer à Arménia, quer à Argentina - conquistando três pontos de cada vez, descomplicando a Qualificação. A fazer o melhor possível com aquilo que temos, tal como eu desejava no início do Apuramento. Tal como escrevi antes, a curto prazo é suficiente. A médio/longo prazo precisaremos de mais. Mas eu acredito que chegaremos lá - à medida que a Seleção e Fernando Santos se forem habituando uns aos outros e também à medida que jogadores da excelente Seleção Sub-21 (como Raphael Guerreiro) se forem integrando entre os séniores.

 

O problema é que ainda ficam a faltar três meses para o próximo jogo da Turma das Quinas. É muito tempo, muitas semanas em que o Selecionador não tem oportunidade de treinar os jogadores ele mesmo. Muita coisa muda em quatro meses. Se para mim, mera adepta, é frustrante, para Fernando Santos sê-lo-á ainda mais - afinal de contas, esta é a vida dele.

 

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Felizmente, foi anunciada há pouco tempo uma solução para este problema: a Liga das Nações. Ainda não compreendi ao certo em que moldes funcionará esta competição, mas sei que servirá substituir os jogos particulares e para dar maior competitividade ao futebol de seleções. Parece-me uma ideia excelente (qualquer desculpa para termos mais jogos de seleções agradar-me-ia, de resto). Mas, se for bem feita, esta Liga das Nações poderá aumentar o interesse pelos jogos da Equipa de Todos Nós - diminuirão os choradinhos pela pausa no futebol de clubes. Por serem jogos de maior grau de dificuldade e por oferecerem mais oportunidades de contacto entre selecionador e jogadores, a qualidade do futebol de seleções aumentará. E em princícpio não voltaremos a estar quatro meses sem Equipa das Quinas. Toda a gente fica a ganhar.

 

Mas isto só acontecerá daqui a quatro anos. Para já temos 2015. Como sempre, os anos ímpares são menos apelativos para mim por não haver Euro nem Mundial. O meu desejo é que, já que 2014 se pareceu um pouco com 2010, que o próximo ano se pareça com 2011: sem grandes dramas relacionados com a Seleção, só alegrias. Já tivémos drama que chegue nos últimos anos. Que a Seleção continue a crescer e não torne a escorregar no Apuramento. A ver se é desta que nos Qualificamos sem recorrer a play-offs, só para variar. Se isso acontecer, se continuarmos a melhorar, talvez possamos ter uma palavra a dizer durante o Euro 2016. Há muita gente céptica por aí, mas eu tenho fé de que continuaremos a crescer, de que a Seleção ainda tem muito para dar nos próximos anos e não será apenas por termos o Melhor do Mundo, embora isso ajude e muito. 

 

Uma das coisas que, conforme afirmei no início deste texto, vai sofrendo muitas alterações mas que, no fundo, continua na mesma é a minha atitude para com a Seleção. Houve alturas este ano em que quis desistir, deixar de me ralar com as aventuras e desventuras da Turma das Quinas... ou assim pensei. Por muito que fosse dizendo no blogue e página e a mim mesma que já não queria saber - ou pelo menos não tanto como noutras alturas - vinha a Convocatória seguinte, o jogo seguinte, ouvia o hino, às vezes o relato de Nuno Matos, e pronto; sentia-me entusiasmada de novo como se os únicos fracassos não tivessem acontecido. Conforme fui repetindo aqui no blogue e na página, há poucas coisas que me entusiasmem assim. Muito poucas. 

 

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No outro dia, comentava a brincar com a minha irmãzinha sportinguista que o seu adorado clube era como um mau namorado, que não retribui o afeto que lhe é dedicado. Ela respondeu-me que os clubes e respetivos jogadores não são como namorados, são como filhos: não gostamos deles por serem bons, gostamos deles por serem nossos. Isto não difere muito daquilo que escrevi após o Mundial: os jogadores da Seleção são de certa forma da minha família (não digo meus filhos, que vários deles são mais velhos do que eu!): acompanho-os, vejo-os crescer, irrito-me com as asneiras deles, orgulho-me dos seus feitos. E isso não mudará em 2015. 

 

Desejo assim um 2015 muito positivo para o futebol português, para os jogadores portugueses e para a Seleção. E deixo aqui os meus votos de um Feliz Natal a todos os meus leitores, na companhia daqueles de quem mais gostam, e de que tudo vos corra de feição no ano que vem. Termino com um brindezinho de Natal...

 

 

Portugal 5 Camarões 1 - Momentos Brilhantes

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Na passada quarta-feira, dia 5 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu a sua congénere camaronesa no Estádio Magalhães Pessoa, em Leiria, num encontro de carácter particular. Encontro, esse, que terminou com uma vitória da seleção da casa por 5-1.

 
Muito pela experiência da última fase de Qualificação, bem como de outros particulares no passado mais ou menos recente, as minhas expectativas eram baixas. Daí que o resultado final e o jogo - sobretudo a segunda parte - me tenham apanhado de surpresa, pela positiva. 
 
Portugal até entrou bem no jogo, com o seu equipamento novo. Este, já agora, não é feio. Gosto da ideia da gradação de cor, embora o tom mais claro se aproxime demasiado do cor-de-rosa para o meu gosto, pelo menos na transmissão televisiva (nas fotografias do jogo não parece tanto). Além disso, não sou grande fã dos equipamentos monocromáticos: afinal, cerca de quarenta por cento da bandeira portuguesa é verde. Tirando isto, eu aprovo.
 
Dizia eu que Portugal entrara bem no jogo. Muito graças ao estreante Rafa, que parecia empenhado em mostrar o seu valor. Cedo, contudo, os camaroneses deram um ar de sua graça, chegando a pregar-nos alguns sustos. O golo de Ronaldo acabou por surgir precisamente numa altura de ameaça por parte dos Camarões. Belo trabalho de João Moutinho, trazendo a bola para perto da grande área camaronesa, passando a João Pereira e este, por sua vez, colocando a bola em Ronaldo num passe diagonal, permitindo ao Capitão marcar o primeiro golo da Equipa de Todos Nós em 2014 (o primeiro de muitos, esperemos), e ultrapassar Pedro Pauleta na tabela de melhores marcadores da Seleção.
 
 
Agora que penso nisso, em menos de dez anos tivémos dois novos recordes em golos. O que é incrível. Quem sabe quem irá quebrar o recorde que Ronaldo, eventualmente, estabelecerá...
 
Adiante, o golo de Ronaldo não abalou demasiado os camaroneses. Pelo contrário, pareceu motivá-los ainda mais. Por fim, em cima do intervalo, Aboukabar aproveitou uma desatenção da defesa portuguesa para igualar o marcador.
 
Nos resumos não mostram - só a meio da segunda parte é que as imagens passaram - mas o marcador camaronês, após o golo imitou a meia pirueta, ilustrada em cima, com que Ronaldo tem celebrado os golos. Gostei. Pontos para a lata.
 
Bipartida como foi a primeira parte em termos exibicionais, o empate ao intervalo era justo. A Seleção entrou bem melhor na segunda parte, já que regressava a um esquema táctico mais próximo do costumeiro. Tivemos uma série de oportunidades até, finalmente, o nosso barbudo preferido, Raul Meireles - que até já tinha marcado aos Camarões em 2010, duas vezes - aproveitou um passe infeliz entre o guarda-redes camaronês e um defesa para roubar a bola e marcar o segundo golo português.
 
 
Este, sim, quebrou o gelo. A partir daí o jogo foi todo nosso. Nem dois minutos tinham passado e já Fábio Coentrão marcava o terceiro para Portugal e dedicava - digo eu - ao pai falecido e ao filho(a) que tem por nascer. Ele que estava a fazer um belo jogo, ele que na Seleção joga quase sempre bem, mesmo que não esteja a passar por um bom momento no seu clube.
 
Dez minutos mais tarde, Meireles isola Ronaldo, que faz das suas arrancadas em direção à baliza adversária, estilo as da segunda mão dos playoffs, que desaguavam todas em golo. Desta feita, como ele estava muito perto da linha lateral, não me pareceu que conseguisse marcar, apenas assistir. E foi o que aconteceu, mais ou menos. O guarda-redes fez uma defesa incompleta e Edinho aproveitou para fazer o quarto.
 
Ainda houve tempo para Ronaldo fazer, de novo, o gosto ao pé. É, de novo, ele a trazer a bola para junto da grande área camaronesa, passa a Antunes, que a devolve, quando o Capitão já está dentro da grande área, com Miguel Veloso ao lado. Durante momentos hesita, como se ele e Miguel estivessem a decidir quem remataria mas, no fim, ele finta os camaroneses, remata e marca, encerrando o marcador.
 
 
Foi sem dúvida um belo jogo, uma bela maneira de arrancar o ano com a Seleção Nacional. Arriscando cair em exageros, foi um dos melhores particulares dos últimos anos. E, embora os Camarões não sejam propriamente uma grande potência do futebol, também não são um Luxemburgo ou umas Ilhas Faroé, eles Qualificaram-se para o Mundial. Não convém, igualmente, esquecer a tristeza que foram os particulares pré-Euro 2012, o jogo com o Equador no ano passado. Não que a Seleção esteja hoje muito melhor do que estava na altura. Pura e simplesmente, levou o jogo mais a sério, cometeu menos erros (aliás, foi mais o outro lado a cometê-los.
 
Apesar de a grande estrela do encontro ter sido, para a Comunicação Social, Cristiano Ronaldo e a sua conquista do primeiro lugar na classificação dos marcadores portugueses, para mim é um particular alívio saber que há gente na Seleção capaz de marcar golos para além de Ronaldo. Depois de ele ter sido o único a marcar nos playoffs, tendo um dos golos corrigido duas argoladas cometidas pelos companheiros de equipa, eu estava a ficar preocupada. É verdade que a defesa camaronesa tinha as duas fragilidades, mas mesmo assim... 
 
Uma das coisas de que mais gostei neste jogo foi o facto de quase todos os que entraram em campo terem tido o seu momento brilhante, mesmo sem terem um desempenho uniforme. Começando pelos novatos, uns mais do que outros, certamente os mais motivados: William Carvalho, uma das sensações do campeonato português atual, que parece já estar integradíssimo na família, a todos os niveis; Rafa que, tal como disse antes, entrou muito bem no jogo; Ivan Cavaleiro, que teve um desempenho mais discreto mas a sua assistência para o golo de Fábio Coentrão valeu bem toda a polémica em torno da sua Chamada; Edinho, que marcou o quarto golo, e antes já tinha feito uma acrobaciazinha, seguida de um remate falhado. Pelo meio, João Moutinho foi, como sempre, o motor da Seleção; João Pereira mostrou o motivo pelo qual é considerado um dos melhores laterais-direitos da Europa; Fábio Coentrão, tal como disse acima, esteve num bom nível; Raul Meireles marcou o segundo golo e esteve na origem do quarto.
 
 
Como tal, tem-me irritado o destaque que a Comunicação Social têm dado a Cristiano Ronaldo a propósito deste jogo, quase ignorando os companheiros da Seleção. Quando o fizeram aquando dos playoffs frente à Suécia, eu aceitei porque, na verdade, foi ele o único a marcar mas, na quarta-feira, marcaram outros também. É certo que ele é, de facto, melhor do que os colegas em vários aspetos, merece ser reconhecido por isso, mas agir como se a Turma das Quinas fosse apenas "Ronaldo e mais dez" não e bom nem para os companheiros de Seleção, nem para o próprio Ronaldo. Os primeiros, por não verem os seus esforços devidamente valorizados. O último, porque leva com a pressão toda e se, por acaso, tiver um jogo menos conseguido, cai tudo em cima dele, injustamente - tal como aconteceu no jogo contra a Dinamarca, nos grupos do Euro 2012.
 
Cheguei mesmo a ler no outro dia um artigo de opinião na linha do "mais vulgaridade que qualidade" na Equipa de Todos Nós. Uma opinião que corria antes do Euro 2012, campeonato em que... chegámos às meias-finais, só falhando a final nos penálties com... a Espanha. Como podem ver, tais opiniões valem o que valem. E este artigo ainda tem a desculpa de ter sido escrito antes deste jogo. Com todas as condicionantes, este particular provou, uma vez mais, que a Seleção funciona bem como equipa, que existe um não-sei-quê na Equipa de Todos Nós que, quando está para aí virada, faz com que os jogadores escolhidos se superem a si mesmos, contrariando momentos de forma, tempo de utilização pelos respetivos clube, juízos da opinião pública. Continuo a achar que há por aí muito jogador a merecer lugar na Lista Final para o Brasil, para além daqueles que têm sido Convocados, mas a verdade é que, de uma maneira geral, as escolhas de Paulo Bento têm dado bons resultados. Mais do que isso, o Selecionador - bem como certamente, a restante equipa técnica, os outros jogadores, talvez mesmo a estrutura federativa - tem-se revelado capaz de, nos momentos decisivos, extrair o melhor dos Marmanjos. 
 
 
O maior mérito deste particular foi, precisamente, aumentar-me a esperança para o Mundial, dentro dos limites do realismo. Fazer-me acreditar que, qualquer que seja a Lista Final para o Brasil, independentemente das inevitáveis polémicas, Paulo Bento saberá fazê-la funcionar, tal como funcionou no Euro 2012. Que tudo pode acontecer. Mas não quero entrar muito por aí, não para já. Por enquanto, é dar graças por termos tido mais uma bela noite de Seleção, com todos os efeitos benéficos a ela associados. 
 
De resto, já que é quase meia-noite à hora em que publico isto, podemos considerar que faltam setenta e um dias para a Convocatória Final para o Campeonato do Mundo - altura em que a verdadeira diversão vai começar!
 
P.S. Esta é a centésima quinquagésima entrada deste blogue. Teria calhado melhor se fosse a próxima, se a número cento e cinquenta fosse a antevisão à Lista Final para o Brasil. Seria por volta do aniversário do blogue, perfeita para uma retrospetiva... Enfim. A mais cento e cinquenta publicações!
 

Em mares conhecidos

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Primeira entrada de 2014! Bom ano a todos os meus seguidores. Na próxima quarta-feira, Portugal receberá, no Estádio Magalhães Pessoa em Leiria, a sua congénere cama... camaronesa, num jogo de carácter particular.

 
Os Convocados para este embate foram divulgados ontem, sexta-feira. Entre as novidades, encontram-se a ausência dos habituais titulares Nani, Hélder Postiga e Rui Patrício. Os dois primeiros por lesão, sendo que Postiga pode mesmo falhar o Mundial (snif, snif). Vai custar-me ver a Seleção amputada de dois dos meus jogadores preferidos mas, para ser sincera, há já algum tempo que tenho vindo a reparar que nem o Nani nem o Hélder têm estado ao nível de antes, existindo melhores opções para os lugares deles neste momento. Mas espero que não falhem o Brasil, mesmo que não sejam titulares.
 
O pior é que Hugo Almeida, que até tem estado a fazer uma bela época, lembrou-se de contrair uma lesão na sexta-feira passada. Ainda não há confirmação oficial, mas é possível que falhe o jogo com os Camarões. É preciso azar...
 
Rui Patrício, por sua vez, ficou de fora por opção. Algo que até tem uma certa lógica: nos particulares, Paulo Bento costuma pôr um dos guarda-redes suplentes na baliza, não fazia sentido estar a Chamar Patrício - que tive a sorte de encontrar recentemente - só para aquecer o banco, quando se podia observar um guarda-redes novo. 
 
Pena é esse guarda-redes não ter sido o Ricardo, da Académica.
 
 
 
Esta Convocatória não me convence muito, aliás. Acho que existem melhores alternativas para algumas das posições. Não consigo, por exemplo, compreender a chamada de Ivan Cavaleiro (tem um nome engraçado), em detrimento de outros jogadores mais regulares. Paulo Bento justificou Escolhas como esta com o desejo de "conhecer melhor" certos jogadores antes da Convocatória Final para o Brasil. Tem a sua lógica e, de certa forma, explica a ausência de Ricardo Quaresma.
 
- Bem, o Adrien é uma pessoa adorável de se conhecer! - barafustou a minha irmãzinha sportinguista - E o Cédric!
 
Eu também concordo que alguns jogadores do Sporting mereciam mais oportunidades do que aquelas que lhes têm sido dadas mas, lá está, com uma sportinguista ferrenha em casa não garanto imparcialidade. Eu, na verdade, não percebo assim tanto de futebol para verdadeiramente questionar a Convocatória. É claro que tenho lido reclamações pela Internet, umas mais racionais do que outras, mas não me parece haver motivo para grande polémica. É só um particular, um mísero particular, que muito boa gente ignorará, a Convocatória Final será diferente. Ou acham mesmo que Paulo Bento deixaria Patrício de fora do Mundial?
 
Que o diabo seja cego, surdo, mudo e não tenha wi-fi, mesmo assim...
 
 
Entretanto, no domingo passado, realizou-se o sorteio que determinou a constituição dos grupos do Apuramento para o Euro 2016. Portugal ficou no grupo I, com a Albânia, a Arménia, a Sérvia e a Dinamarca. E a França, embora esta, na condição de equipa-anfitriã, não tenha de passar pela fase de Qualificação.

Devo dizer que acho interessante esta nova regra que determina que a seleção-anfitriã fique "colocada" no grupo de Qualificação mais pequeno, realizando jogos particulares com as outras equipas.

Uma das vantagens do grupo que nos calhou em sorte é o facto de - tirando a França, e mesmo assim - termos defrontado todas as equipas há relativamente pouco tempo. Vamos navegar em mares conhecidos. A Arménia e a Sérvia estiveram também no nosso grupo de Qualificação para o Euro 2008. A Albânia esteve connosco na Qualificação para o Mundial 2010. E a nossa velha amiga Dinamarca, então... Qualificação para o Mundial 2010, para o Euro 2012 e grupo da fase final desta última competição.

A desvantagem é que todas essas equipas nos roubaram pontos nas correspondentes Qualificações. Para o Euro 2008, empatámos 1 a 1 com a Arménia no jogo fora e, no jogo em casa, ganhámos apenas por 1-0, cortesia de Hugo Almeida - não me recordo de mais pormenores desse encontro, tirando o facto de ter sido o último em que Luiz Felipe Scolari esteve castigado - e empatámos ambos os jogos com a Sérvia. Foi até no jogo em Alvalade, a que assisti ao vivo, que se deu aquele triste episódio com Scolari e Dragutinovic. Com a Albânia, empatámos a  zero no jogo em casa, da Qualificação para o Mundial 2010 - outro jogo de má memória - e ganhámos o jogo fora com muita dificuldade. E depois, temos a Dinamarca. Provavelmente a adversária de que mais tenho falado aqui no blogue, com quem não tem sido possível termos um jogo tranquilo.


Para além destes, temos ainda aqueles particulares com a França, com quem não jogamos desde as malfadadas meias-finais o Mundial 2006. Não nego que ando há muitos anos com uma raivazinha de estimação para com os nossos amigos franceses. Eles que nos expulsaram, se não me engano, de três campeonatos de seleções e que, ao longo dos últimos anos, têm sido frequentemente levados ao colo pelas mais altas instâncias do futebol. E apesar de sentir um certo desconforto por irmos defrontar uma seleção com quem não temos sido capazes de atinar, eu agradeço a oportunidade de exorcizarmos este demónio. Eu sei que o jogo não conta para nada, mas até é bom, será menos provável que se puxem cordelinhos a favor dos franceses.

O grupo em si pode ser complicado. No entanto, a alteração das regras atenuam as dificuldades: agora apuram-se diretamente os dois primeiros classificados em cada grupo e o melhor terceiro classificado de cada grupo. Os outros terceiros classificados vão a playoffs. Não posso dizer que estas regras me agradem. Para já, por recear que o facilitismo tenha consequências na qualidade dos jogos: sendo mais fácil uma equipa Qualificar-se, os jogadores não se esforçam tanto. O caso de Portugal, então, é particularmente preocupante porque a Seleção não se dá bem com facilidades. O melhor exemplo é o mais recente: um grupo de Qualificação para o Mundial 2010 teoricamente fácil mas que, na prática, ia dando cabo de mim.

Já que falo do último Apuramento, devo confessar que ando a sentir-me culpada por termos deixado Zlatan Ibrahimovic - jogador com quem tenho vindo a simpatizar - de fora do Mundial. Não que ache que Portugal devia ter perdido nos playoffs, claro que não. No entanto, se tivéssemos ficado em primeiro lugar no grupo, teríamos conseguido a Qualificação direta, a Rússia teria ido aos playoffs, talvez a Suécia conseguisse derrotá-los e Ibra poderia ir ao Brasil. Ele merecia...

Todos são unânimes em afirmar que, ainda que o grupo não seja dos mais acessíveis, só uma catástrofe impedirá Portugal de se qualificar, de uma maneira ou de outra. Muitos opinam mesmo que Portugal é a melhor equipa deste grupo, que o primeiro lugar é perfeitamente alcançável. Na prática, todos sabemos que as coisas nem sempre são assim tão lineares, que Portugal é o pior adversário de si mesmo. Há quem diga mesmo que a Turma das Quinas, mesmo nestas circunstâncias, há de arranjar maneira de ir aos playoffs. "É a nossa cena", diz mesmo a minha irmã. Eu, no entanto, não estou para isso. As coisas teriam de correr mesmo muito mal para a Sérvia e a Dinamarca ficarem à nossa frente na classificação. E eu não aguento outra Qualificação como a última, ou pior. Não, não, não. Quero o primeiro lugar, ainda posso admitir o segundo, porque a Dinamarca é traiçoeira, mas não menos do que isso.

De qualquer forma ainda é cedo para fazer prognósticos.


Nesta Qualificação estrear-se-á, também, um novo modelo de calendário. Teremos a chamada "Semana do Futebol", com jogos diários de seleções durante seis dias seguidos. Em vez do esquema habitual de jogos à sexta e à terça, agora estes podem ser em em duplas de quinta e domingo, sexta e segunda, sábado e terça. A óbvia vantagem deste calendário novo é o regresso dos jogos ao fim-de-semana. Algo que dará particular jeito quando estiver a estagiar ou, eventualmente, a trabalhar e/ou quando quiser ir assistir a um dos jogos.

A desvantagem é este calendário obrigar a estágios mais curtos. O exemplo mais gritante disso é a última dupla jornada da Qualificação: a concentração dos jogadores só deve ser na segunda-feira anterior. Na quinta-feira seguinte, jogamos em casa com a Dinamarca, um dos nossos principais adversários. Três dias depois, enfrentaremos a Sérvia o outro principal adversário, fora, obrigando a um voo de pelo menos umas cinco horas algures nesse intervalo de tempo. Paulo Bento foi particularmente duro nas críticas a este modelo de calendarização, na Conferência de Imprensa de ontem: "Convinha chamar os selecionadores para essas conversas e não serem alguns, que talvez nem deram um pontapé na bola, a decidir esse tipo de mudanças". E tem razão.


Antes da Qualificação para o Euro 2016, contudo, temos o Mundial. E este jogo de preparação com os Camarões. À semelhança do que acontecerá no Apuramento, vamos enfrentar um adversário com quem jogámos há relativamente pouco tempo. Mais especificamente, na preparação para o Mundial 2010. Na altura, ganhámos com golos de Raul Meireles e Nani, mas o facto de Eto'o se ter feito expulsar, desnecessariamente, pode ter ajudado. Julgo que é um bom adversário para este jogo, terá certamente algumas semelhanças com o Gana, pode ser suficientemente motivador para os portugueses fazerem por jogar bem. Não estou, no entanto, à espera de um grande jogo. Tal como já dei a entender acima, nesta altura do campeonato, ninguém se preocupa demasiado com a Seleção. O experimentalismo terá prioridade sobre a qualidade do jogo, talvez mesmo sobre o resultado. É compreensível.

No entanto, como o costume, desejo uma vitória. Mesmo que a exibição não seja brilhante. Para começar bem um ano que se espera que traga muitas felicidades à Seleção Portuguesa.

Na próxima semana entro em estágio. Posso demorar algum tempo a publicar a crónica pós-jogo. Peço-vos um pouco de paciência, tentarei publicar, máximo dos máximos, no próximo fim-de-semana. Por agora, faltam setenta e nove dias para a Convocatória Final. 

Portugal 3 Camarões 1 - "Uma despedida em festa"

Ontem, a Selecção Nacional venceu a sua congénere camaronesa (é assim que se diz?) por três bolas a uma, num jogo de carácter preparatório do Campeonato do Mundo de 2010, que tem início daqui a nove dias. Foi um jogo, em muitos aspectos, bem diferente do que tinha sido o da semana passada, frente a Cabo Verde.

A começar pelo público. Desta feita, os adeptos vieram em força e foram fantásticos do princípio ao fim. Eram vuvuzelas, buzinas, até a banda Filarmónica da Covilha (ouviram-nos a tocar I Gotta Feeling, a certa altura?) a fazer chinfrim p'ra apoiar a Selecção. E os marmanjos retribuiram o apoio.

Logo de início se percebeu que ia ser um jogo diferente do da semana passada, visto que os marmanjos entraram com muito mais energia, com muito mais garra. Até os locutores da rádio (durante a primeira parte do jogo eu desliguei o som da televisão e ouvi a emissão da Antena1), mais ou menos aos quinze minutos, falavam em "bom entrosamento" e em maior frescura física. O Ronaldo e o Raul Meireles eram dos que mais atacavam. O Ronaldo chegou mesmo a ter duas óptimas oportunidades, quase seguidas, que não sei como não aproveitou. Na primeira, na altura, suspeitei de nervosismo uma vez que ele tinha hesitado a certa altura, o que levou a que perdesse a oportunidade de inaugurar o marcador. Contudo, pelo que foi dito mais tarde, a culpa terá sido da bola. Mas já falarei disso mais à frente.

Finalmente, o Raul Meireles dá um tiro sem hipóteses de defesa para o guarda-redes camaronês e abre o marcador. 1-0! Estava dado o primeiro passo para a tão desejada vitória.

Quase logo a seguir, Eto'o é expulso por acumulação de amarelos. Eu fiquei surpreendida. Já tinha ouvido vagas referências a desentendimentos do género por parte do jogador do Inter de Milão, mas, por amor de Deus, ele é o capitão da Selecção Camaronesa, é a estrela deles, seria de esperar que fosse mais sensato... Se o tipo consegue ser expulso na primeira parte de um jogo amigável, que vai ele fazer ao Mundial?!?!

Adiante, a redução da equipa adversária ajudou-nos. A segunda parte teve altos e baixos. Entre os altos, inclui-se o segundo golo de Meireles. Um golo acidental, mas lindo! 2-0.

O 2-1 surgiu numa altura em que a Selecção começava a afrouxar, a adoptar o chamado ritmo de treino. O golo, contudo, serviu para dar um ligeiro abanão aos marmanjos, que ligaram os motores de novo. Por isso, até não foi mau.

Por fim, Nani consolidou a vitória ao dar um chapéu ao guarda-redes camaronês aos 81 minutos. 3-1! O jogador do Manchester já tinha feito uma boa exibição no jogo contra Cabo Verde (dos poucos a fazer uma boa exibição...) e agora também fez. Está mesmo determinado a dar o seu melhor, a conquistar a titularidade. Já se falou que é provável que seja titular, não me lembro é de quem o disse. E o marmanjo merece-o, sem dúvida.

Neste jogo cumpriram-se os três objectivos essenciais. 1) ganhámos - e merecêmo-lo. 2) fizemos uma boa exibição - salvo algumas excepções, mas também é um particular, compreende-se, e já tivemos pior. 3) ninguém se lesionou - apesar daquele susto com o Pedro Mendes, mas pelos vistos não é nada de grave, ele pode ir ao Mundial. Foi de facto a vitória que precisávamos para nos dar um pouco mais de esperança. E para nos despedirmos da Covilhã, agradecendo a hospitalidade. Como disse a comentadora da TVI, foi uma "despedida em festa".

De resto, deve ter sido a única coisa de jeito que os comentadores disseram ao longo de todo o jogo. A partir de certa altura, já só diziam que a seguir ao jogo, na TVI24 ia ser analisado o jogo por não sei quem, etc, etc. Era irritante - sobretudo porque nem sequer tenho TVI24, sem grande pena. O que vale é que a RTP é que tem os direitos de transmissão dos jogos do Mundial e os comentários deles são um bocadinho melhores. Mas estou a pensar desligar o som e seguir o relato na rádio. O pior é a descrepância. Outra coisa que me irritou foi, mais uma vez, eles terem metido imensa publicidade entre o final do jogo e as flash-interviews. Eu estive quase para desistir, mas ainda deu para ouvir Meireles e Queiroz. Enfim, menos uns pontinhos que a TVI perdeu na minha consideração. E já não tem muitos, diga-se de passagem. Feito este aparte, voltemos aonde estávamos.

Sendo os Camarões uma das melhores selecções africanas, esta vitória deixa uma boa indicação para o nosso jogo inaugural. Contudo, há que recordar que as circunstâncias são diferentes: na África do Sul, o adversário vai estar mais em casa do que nós; os camaroneses jogaram uma hora amputados de um dos seus melhores jogadores; este foi um jogo particular, contra a Costa do Marfim vai ser a doer. E se, na semana passada, um empate num jogo particular não era motivo para grandes alarmes, esta semana, uma vitória num jogo particular também não é motivo para grandes euforias. Mesmo assim, fiquei contente por ver que a Selecção evoluiu, está a conseguir encontrar o seu caminho, vai dar luta no Mundial. E ainda temos quase duas semanas para afinar as armas, incluindo mais um jogo de preparação.

A Selecção tem hoje uma folga, amanhã retoma o trabalho em Lisboa e no Sábado, às dez da noite, apanham o avião rumo à África do Sul. Eu por acaso não os invejo grandemente por terem de fazer um voo de cerca de dez horas, ainda por cima durante a noite. Já se sabe que é difícil dormir em aviões, a menos que se vá em classe executiva - e duvido que haja dinheiro para irem. Em todo o caso, esperemos que, quando regressarem a Portugal, tragam a Taça na bagagem (dará para vir como bagagem de mão?).

Na semana passada foram divulgados os slogans que serão inscritos nos autocarros das Selecções. À semelhança do que aconteceu no Euro 2008, foram os adeptos que escolheram. Eis a lista completa (fonte: ApoiaPortugal):

  • África do Sul: Uma nação, orgulhosamente unida debaixo de um arco-íris
  • Alemanha: Na estrada para ganhar a Taça!
  • Argélia: Estrela e lua crescente com um objectivo: vitória!
  • Argentina: Última paragem: a glória
  • Austrália: Atreve-te a sonhar, força Austrália
  • Brasil: Lotado! O Brasil inteiro está aqui dentro!
  • Camarões: Os leões indomáveis estão de volta
  • Chile: Vermelho é o sangue do meu coração, Chile campeão
  • Coreia do Norte: 1966 de novo! Vitória para a Coreia do Norte!
  • Coreia do Sul: Os gritos dos vermelhos, República da Coreia unida
  • Costa do Marfim: Elefantes, vamos lutar pela vitória!
  • Dinamarca: Tudo o que precisa é uma selecção dinamarquesa e um sonho
  • Eslováquia: Façam tremer o relvado! Vamos Eslováquia!
  • Eslovénia: Com 11 corações valentes até o fim
  • Espanha: Esperança é o meu caminho, vitória é o meu destino
  • Estados Unidos: Vida, Liberdade e a busca pela vitória!
  • França: Todos juntos por um novo sonho em azul
  • Gana: A esperança de África
  • Grécia: A Grécia está em todo o lado!
  • Holanda: Não receie os cinco grandes, receie os 11 laranjas
  • Honduras: Um país, uma paixão, 5 estrelas no coração!
  • Inglaterra: Jogando com orgulho e glória
  • Itália: O nosso azul no céu africano!
  • Japão: O espírito samurai nunca morre! Vitória para o Japão!
  • México: Hora de um novo campeão!
  • Nigéria: Super Águias e super torcedores, estamos unidos
  • Nova Zelândia: Chutando ao estilo Kiwi
  • Paraguai: O leão Guaraní ruge na África do Sul
  • Portugal: Um sonho, uma ambição… Portugal campeão!
  • Sérvia: Joguem com o coração, comandem com um sorriso!
  • Suíça: Vamos, Suíça!
  • Uruguai: O sol brilha sobre nós! Vamos, Uruguai!

Na sua maioria, as frases não são nada de especial. A frase portuguesa está incluída nessa. Sinceramente, podiam ter arranjado bem melhor. Podiam, por exemplo, ter aproveitado o facto de termos dobrado o Cabo da Boa Esperança e dito algo tipo: Há quinhentos anos triunfámos aqui e agora vamos repetir o feito.

Mas tem algumas frases interessantes. A frase brasileira é, sem dúvida, uma das minhas preferidas. E a holandesa está muito engraçada.

Por outro lado, a frase da Coreia do Norte é interessante mas por outro motivo. 1966 de novo, dizem eles. Talvez seja por ter sido o último ano em que entraram num Mundial, mas espero que se lembrem de quem os expulsou desse mesmo Mundial. E, sobretudo, de como os expulsou desse Mundial. Querem mesmo que a história se repita? Eu não me importo nada, se quiserem...

Ultimamente não tenho escrito muito no meu blogue e peço desculpa por isso. Tem-me faltado tempo e também inspiração. Existem dias em que pura e simplesmente não sei sobre que escrever. Agora compreendo os desabafos dos Gato Fedorento e de Marcelo Rebelo de Sousa no episódio do Esmiuça os Sufrágios em que este último foi o convidado. Agora começo a compreender porque é que a Comunicação Social tanto gosta de polémicas. Realmente, é complicado para os comentadores quando nada de especial acontece. O que vale é que sou uma mera amadora e não tenho a obrigação de escrever com regularidade. Não tenho obrigação, mas fico com sentimentos de culpa... O pior é que receio que nos próximos dias volte a não ter tempo. Mas prometo que me vou esforçar.

De resto, uma das coisas que me roubou tempo foi o vídeo de apoio que enviei para o YouTube na semana passada (http://www.youtube.com/watch?v=ZMR5Bj_nv2o). Graças a Deus, desta vez não mo rejeitaram (ainda não ultrapassei o facto de terem retirado o vídeo de Bang The Drum. O vídeo deu-me imenso trabalho e acho que ficou muito giro, não é justo não poder partilhá-lo com o Mundo!) Desta feita, inspirei-me no vídeo de Ricardo Costa, autor do blogue ApoiaPortugal de que já falei aqui, em que ele apresenta do novo equipamento da Selecção Nacional e usa como banda sonora a música Conquest of Paradise (Conquista do Paraíso). Para aqueles que não sabem (eu não sabia, descobri através do Wikipédia), esta música foi composta por Vangelis para o filme com o mesmo nome da faixa, que é sobre Colombo e a descoberta da América. De resto, conheço a música deste pequena e acho que é adequada à Selecção, não só por causa do título, mas também por causa do seu carácter épico. E termino esta entrada com a mensagem do vídeo: Para que conquistemos o Céu, o Paraíso, a final, o que quer que lhe chamem. Força Portugal!