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O Meu Clube É a Seleção!

Mulher de muitas paixões, a Seleção Nacional é uma delas.

*suspiro de alívio*

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Na passada terça-feira, dia 29 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere macedónia por duas bolas sem resposta, em jogo a contar para os play-offs de acesso ao Mundial 2022. Com este resultado, a Seleção garantiu presença no Catar, onde disputará a fase de grupos do Mundial com o Gana, o Uruguai e a Coreia do Sul. 

 

Quatro meses e meio depois, volto a respirar normalmente.

 

No texto de hoje não vou falar muito sobre o jogo em si – não se justifica. Chegou a ser um bocadinho seca nalgumas alturas. Menos empolgante que o jogo com a Turquia, mas mais tranquilo, com menos sofrimento – também sabe bem. Como quase toda a gente, queria o fulgor atacante da primeira parte do jogo com a Turquia. 

 

Por outro lado, também me recordava que os italianos, nas meias-finais, tinham rematado mais de trinta vezes, sem conseguir marcar. De nada servia estarmos ali a atacar ao desbarato, se não fôssemos capazes de converter. 

 

Ao mesmo tempo, Portugal defendeu melhor. Pepe, regressado após ter apanhado Covid, foi fantástico. Por seu lado, Danilo surpreendeu pela positiva como central. Tão cedo não torno a criticá-lo.

 

 

O primeiro golo foi marcado mais ou menos à meia hora de jogo. Bruno Fernandes intercetou um passe de Ristovski, passou a Cristiano Ronaldo. Este galgou em direção à grande área e, à entrada, devolveu a Bruno Fernandes (fazendo uma cueca a Musliu) e este assinou o primeiro golo. 

 

Muitos se calhar esperavam que Ronaldo tentasse marcar ele mesmo – provavelmente falharia, estavam dois macedónios em cima dele. Mas Ronaldo foi inteligente e altruísta. Ted Lasso ficaria orgulhoso (vi ambas as temporadas há pouco tempo e ando um tudo nada obcecada). 

 

O segundo golo veio na segunda parte. Desta vez foi Diogo Jota a assistir de uma grande distância – impressionante. Bruno Fernando finalizou com apenas um toque.

 

Pois bem, ainda não foi desta que a minha irmãzinha conheceu o sabor amargo de uma Qualificação falhada. Nem eu, na verdade: já era nascida aquando do Apuramento para o Mundial 98, mas aos sete anos ainda não ligava ao futebol. 

 

Mas lembro-me vagamente da final desse Mundial, entre a França de Zidane e o Brasil de Ronaldo o Fenómeno).

 

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Apesar das minhas objeções a Fernando Santos, ia ser muito triste se este deixasse a Seleção desta forma: falhando um Apuramento pela primeira vez em mais de vinte e quatro anos, ele que nos conquistou os nossos dois primeiros títulos. 

 

As coisas ainda não estão ótimas, mas gostei de ver a Seleção nestes play-offs. Houveram melhorias em relação ao final de 2021: mais união, mais espírito de equipa, em comunhão com o ambiente fantástico no Estádio do Dragão. 

 

Não vou mentir, continuo zangada por não termos conseguido o Apuramento perante a Sérvia – eu estava lá e não teria de passar os meses seguintes a sofrer com a incerteza. Mas, de uma maneira retorcida, talvez tenha sido esse falhanço a unir os Marmanjos em torno deste desafio. Por um lado é inspirador, por outro não devia ser necessário.

 

Mesmo não tendo marcado, gostei de ver Ronaldo nesta jornada. Sobretudo quando veio a público elogiar Pepe, João Cancelo, dizendo que a Seleção é uma família, pedindo o hino à capela. À Capitão.

 

Só falta ele fazer o mesmo quando há derrotas.

 

Agora que estamos Apurados, posso finalmente comentar o estranho calendário de seleções este ano. Para alguém que segue o futebol de seleções há muitos anos, estas mudanças são excitantes. Um Mundial no início do inverno em vez de no início do verão! Um Mundial perto do Natal! Espero que a Federação lance uma linha de enfeites natalícios alusivos à Seleção e ao Mundial. Não deverá ser difícil. O verde e o vermelho – e o dourado – também são cores natalícias.

 

 

Mas é possível que nem todos achem assim tanta piada. Não sei como é que as alterações no calendário irão afetar a gestão física dos jogadores. Para a qualidade futebolística no Mundial será melhor: os jogadores virão apenas com meia época nas pernas em vez de uma inteira, como costuma acontecer. Mas parece que só terão cerca de uma semana para preparar o Mundial – não acho suficiente, nem de longe nem de perto.

 

Além disso, terão os jogadores tempo de férias depois do Mundial? Eu espero que sim, mas infelizmente tenho as minhas dúvidas.

 

Por outro lado, tenho precisado de recordar a mim mesma que este ano não haverá Europeu nem Mundial em junho – o meu subconsciente ainda não está muito convencido. Ao menos teremos quatro jogos da fase de grupos da Liga das Nações. Hei de tentar ir a um deles.

 

Entretanto, já se realizou o sorteio da fase de grupos do Mundial. Portugal ficou no grupo H, juntamente com o Gana, o Uruguai e a Coreia do Sul. Um grupo interessante.

 

Vou começar pelo fim. Já tinha pensado na possibilidade de nos cruzarmos com a Coreia do Sul – orientada por Paulo Bento deste 2018, o nosso Selecionador entre 2010 e 2014, antes de Fernando Santos. Cheguei a publicá-lo na página do Facebook. Assim, quando os coreanos vieram parar ao nosso grupo, eu ri-me.

 

Eu diria que só não acerto no Euromilhões mas, para ser justa, há umas semanas ganhei quase nove euros, por isso…

 

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Ao contrário do que acontece com o seu antecedente (que por acaso falhou o Apuramento para este Mundial), não guardo ressentimentos de Paulo Bento. Ele deu o seu melhor e estar-lhe-ei sempre grata – por feitos como a recuperação no Apuramento para o Euro 2012, depois daquele início desastroso, e o próprio Euro 2012 – não acredito que já lá vão quase dez anos.

 

E ainda acredito menos no que está a acontecer a um dos seus anfitriões neste momento.

 

No que toca à Coreia do Sul em si, o nosso histórico com eles reduz-se ao infame jogo do Mundial 2002 – há quase vinte anos. Uma derrota por 1-0 que ditou a nossa expulsão do Mundial e que, pior de tudo, incluiu João Pinto dando um murro ao árbitro. Vinte anos depois ainda sinto vergonha. Sem dúvida um dos momentos mais baixos da Seleção Portuguesa.

 

O Mundial 2002 foi o primeiro campeonato de Seleções que acompanhei ativamente, ainda que não com a paixão de anos mais tarde. Eu estava no sétimo ano. Se a memória não me falha, este jogo decorreu cerca da uma da tarde. Penso que terei visto a primeira parte em casa? Não me lembro bem. Mas lembro-me que às duas da tarde, durante a segunda parte, já estava nas aulas. Alguns colegas meus ficaram no bar da escola a ver o jogo. A certa altura, um deles entrou na sala, dizendo:

 

– O Beto também foi expulso.

 

Pouco depois, outro colega meu entrou na sala, dizendo:

 

– A Coreia do Sul marcou.

 

 

A Seleção Portuguesa passou por muito desde então. Eu que o diga. Mas provavelmente, quando os sul-coreanos pensam em nós, recordam-se deste jogo. O que é triste.

 

Cabe a nós deixarmos uma impressão bem melhor.

 

Diz que Paulo Bento é o Selecionador mais bem sucedido na Coreia do Sul, com o maior número de vitórias num só “mandato”. Por um lado fico satisfeita por as coisas lhe estarem a correr bem. Por outro, se a Coreia do Sul está a atravessar uma boa fase com um técnico que nos conhece bem… não é bom sinal para nós.

 

O nosso segundo jogo será perante o Uruguai. Um aspeto curioso é o facto de o Uruguai ter servido de carrasco a todos os seus companheiros de grupo em Mundiais anteriores. Expulsaram-nos do Mundial 2018, como se devem recordar. No Mundial 2010, derrotaram a Coreia do Sul nos oitavos-de-final. Depois desse jogo, encontraram o Gana nos quartos-de-final e… foi caricato.

 

Estou surpreendida por só estar a descobrir esta história agora. O infame Luis Suárez defendeu um golo com a mão, em cima da linha de baliza. O árbitro – o português Olegário Benquerença (que é feito dele?) – naturalmente, expulsou-o e marcou penálti a favor do Gana. Os ganeses, infelizmente, não conseguiram converter – o safadinho do Suárez chegou a ser filmado a festejar o falhanço antes de entrar no túnel. No fim, o Uruguai seguiu em frente após desempate nos penáltis.

 

É uma das histórias de futebol mais loucas que conheço – e uma zona cinzenta futebolística. Tecnicamente Suárez foi castigado pela gracinha – não é culpa dele que o Gana não tenha aproveitado o penálti de compensação. Na prática, o lance decidiu a partida, pelo menos em parte, e a recompensa foi maior que o castigo.

 

 

Vai ser engraçado quando uruguaios e ganeses se encontrarem de novo.

 

Eu diria que o Uruguai será o nosso adversário mais difícil, sobretudo pelos seus nomes sonantes. Alguns bem conhecidos dos adeptos portugueses: Coates e Ugarte, que representam o Sporting; Darwin, que representa o Benfica; Cavani, protagonista de uma novela qualquer no verão de 2020. E, claro, Suárez – colega de João Félix no Atlético de Madrid. Uma vez mais, o nosso historial é reduzido e pouco esclarecedor: uma vitória, um empate e uma derrota.

 

Finalmente, temos o Gana. O nosso histórico resume-se à nossa única vitória no Mundial 2014. Depois disso, os ganeses falharam o Mundial 2018 e, agora, Apuraram-se via play-offs frente à Nigéria. Foi na segunda mão que ocorreu o triste episódio da invasão de campo. Dizem que, de todas as seleções africanas neste Mundial, o Gana é a pior em termos de ranking da FIFA. O que vale o que vale. 

 

Em suma, é um grupo relativamente equilibrado. Já estivemos em grupos piores. Um dos aspetos que me preocupa é o nosso histórico reduzidíssimo com todas estas equipas – algo que dificilmente aconteceria com outras seleções europeias. Serão adversários que conhecemos mal, o que torna tudo mais imprevisível.

 

É engraçada a maneira como cada um destes adversários representa um momento infeliz do nosso passado. O Gana recorda-nos o desastroso Mundial 2014. A Coreia do Sul é treinada pelo ex-Selecionador que nos orientou nesse Mundial e recorda-nos, também, o igualmente desastroso Mundial 2002. O Uruguai recorda-nos o, não desastroso mas desapontante, Mundial 2018.

 

Os fantasmas de Mundiais passados. 

 

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Talvez esta seja uma oportunidade para corrigirmos esses erros. Tal como os play-offs já serviram para corrigir o fraco desempenho no Apuramento no ano passado. Talvez 2022 seja o ano da redenção.

 

É claro que isto sou eu sendo idealista e romantizando a coisa. Na prática esperam-nos muitas dificuldades. Já há quem fale em vencermos o Mundial. Não surpreende – é típico do portuga ir do oito ao oitenta do dia para a noite. Tal como aconteceu em 2018, eu acho que é preciso ter calma. O desempenho nos play-offs não apaga o que aconteceu no grupo de Apuramento e no Euro 2020. Além de que historicamente os Mundiais correm-nos pior que os Europeus.

 

Por outro lado, o Mundial só decorrerá no final deste ano. Ainda há de passar muita água até essa altura – incluindo a fase de grupos da terceira Liga das Nações. O Pepe, por exemplo, ainda nem sequer sabe se conseguirá jogar no Mundial – um bocadinho triste, mas ele faz bem em ser realista. Tendo tudo isto em conta, reservo os meus prognósticos para essa altura. 

 

É engraçado mas, agora que as coisas correram bem nos play-offs, já estou com saudades da Seleção, ainda que a jornada só tenha terminado há uma semana. Regressei ao meu modo normal. Felizmente só teremos de esperar pouco menos de dois meses até a Equipa de Todos Nós se reunir de novo. Há de passar num instante.

 

Podem ajudar-me a suportar a espera na página de Facebook deste blogue. Por outro lado, criei há pouco tempo uma conta no Ko-fi – podem pagar-me um café lá, se vos apetecer. Como sempre, obrigada pela vossa visita. Até à próxima!

Esperança reforçada

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No passado sábado, dia 9 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere catari por três bolas sem resposta, em jogo de carácter particular. Três dias depois, venceu a sua congénere luxemburguesa por cinco bolas sem resposta, em jogo a contar para a Qualificação para o Mundial 2022… e eu estive lá!

 

Neste texto, vou focar-me menos no jogo com o Catar e mais no jogo com o Luxemburgo. O primeiro foi apenas um particular, menos importante. O segundo foi oficial, com um pouco mais de história, e foi o meu regresso aos jogos da Seleção, mais de dois anos e uma pandemia depois da minha última vez. Tenho muito mais a dizer. 

 

Não que o jogo com o Catar tenha sido mau. Foi acima da média no que toca a particulares nos últimos anos e houve uma clara melhoria em relação ao jogo do mês passado. Os jogadores encararam o jogo com seriedade – gostei do desempenho de Gonçalo Guedes, por exemplo, mas os grandes destaques foram os estreantes, como veremos já a seguir. 

 

Por outro lado, o Catar também não deu uma para a caixa.

 

Ainda assim, foi preciso esperar mais de meia hora pelo primeiro golo da Seleção. O estreante Matheus Nunes fez um excelente passe para outro estreante, Diogo Dalot, em cima da linha final. Este assistiu de cabeça para Cristiano Ronaldo, que não desperdiçou.

 

 

Sem desprimor para o nosso Capitão, que juntou mais um país à sua lista de golos… aqui foram os estreantes a fazer o mais difícil. Em particular Dalot, um dos melhores em campo neste jogo.

 

O segundo golo veio no início da segunda parte, na sequência de um canto batido por João Mário. William Carvalho tentara rematar primeiro, de cabeça, mas o guarda-redes catari defendeu primeiro. Na recarga, José Fonte rematou certeiro para as redes. Foi o seu primeiro golo pela Seleção, apesar de já se ter estreado há uns bons anos. 

 

Bem, ele é um central. Marcar golos não é uma prioridade para ele, pelo menos não da maneira como é para um avançado ou mesmo um médio. Nós estamos mal habituados com Pepe e Bruno Alves.

 

Um dos destaques na segunda parte foi Rafael Leão, que rendeu Cristiano Ronaldo ao intervalo. Via-se mesmo que o Marmanjo queria muito marcar um golo, mas não conseguiu acertar com a baliza. 

 

Acabou por culminar num momento caricato aos oitenta e dois minutos. Bruno Fernandes fez-lhe um passe de primeira, desde o meio-campo. Leão conseguiu o mais difícil: desviar-se do guarda-redes e do colega catari. Mas, quando tinha a baliza aberta, atirou à barra. 

 

Um lance digno dos apanhados, coitado.

 

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Bruno Fernandes não resistiu a mandar-lhe uma bicada nas redes sociais, como podem ver. É tão mau...

 

Ao menos Rafael conseguiu carimbar uma assistência, já em tempo de compensação. André Silva – outro que estava com ganas – só teve de desviar de cabeça para a baliza. Ficou feito o resultado. 

 

A única coisa má a apontar a este jogo (e também ao seguinte) é que podiam ter havido ainda mais golos. Pelo menos neste caso era apenas um particular. Se é para falhar oportunidades como aquela do Rafael Leão, que seja quando é a feijões.

 

O Portugal x Luxemburgo foi, então, o meu regresso aos jogos da Equipa das Quinas. Não foi o meu regresso aos estádios após a pandemia – esse regresso ocorreu há poucas semanas, num jogo do Sporting com a minha irmã. Se eu teria preferido regressar com a Seleção, o meu clube? Sim. No entanto, precisamente por causa da pandemia, preferi ser prática em vez de sentimental. Não desperdiço oportunidades. 

 

Foi o que fiz também com este jogo. Tinha férias para tirar, as primeiras este ano, logo, fui passar uma semana ao Algarve (e até apanhei bom tempo. Deu para ir a banhos). A única parte chata é não ter tido companhia – foi a primeira vez que fui a um jogo de futebol sozinha.

 

Não que tenha sido muito mau. Regra geral não tenho problemas em fazer coisas a solo. E no caso deste jogo, encorajou-me a ir trocando comentários com outras pessoas na bancada – algo que, se calhar, não aconteceria noutras circunstâncias. 

 

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Esta foi a minha segunda vez no Estádio do Algarve. A primeira foi em 2005, também perante o Luxemburgo, conforme recordei aqui. Esse jogo terminou com 6-0 no marcador, mas toda a gente sabe que os luxemburgueses melhoraram muito desde então. Não se iam deixar golear desta maneira outra vez.

 

Ou assim pensávamos nós.

 

O ambiente estava ótimo no Estádio do Algarve. Lotação esgotada pela primeira vez desde o início da pandemia o que, depois de uma época inteira de estádios vazios ou parcialmente lotados, terá sabido particularmente bem aos jogadores. 

 

Tal como já acontecera noutros jogos da Seleção, havia uma pequena claque que ia entoando cânticos, alguns adaptados dos clubes. Nem todos conseguiam cativar o público, tirando uma pessoa ou outra. Os melhores eram a tradicional onda e uma adaptação do haka islandês.

 

O jogo dificilmente podia ter começado melhor, com três golos da Seleção em menos de vinte minutos. É certo que os dois primeiros foram de penálti – e que o primeiro penálti não era válido, embora na bancada não conseguíssemos perceber. 

 

Compreendo as queixas de Luc Holtz, selecionador do Luxemburgo, mas todos concordam que não foi por esse penálti que Portugal ganhou. Pode-se discutir, sim, se o jogo teria decorrido da mesma forma se aquele penálti não tivesse sido assinalado. Depende muito de jogo para jogo. Existem casos em que um golo cedo muda tudo, desbloqueia um jogo. Existem outros casos em que, quando a boa entrada de uma das equipas não se traduz em golos – ou quando se falha um penálti, como aconteceu perante a Irlanda – a corrente do jogo muda. 

 

 

No caso deste jogo, no entanto, acho que não faria diferença. Até porque os luxemburgueses fariam nova falta para penálti – esse legítimo – poucos minutos depois.

 

Ainda assim, achei mal quando, mais tarde, Fernando Santos invocou o golo anulado em Belgrado a propósito desta conversa. Uma arbitragem olho por olho no que toca a erros é mau princípio. 

 

Em todo o caso, estes penáltis serviram para Cristiano Ronaldo juntar mais um par de golos à sua lista. E para gritarmos “SIIIM!” nas bancadas em coro com ele – algo que eu desejava fazer há algum tempo.

 

Tenho a ideia de que a jogada para o terceiro golo da partida começou com João Cancelo, mas posso estar enganada. De qualquer forma, a assistência foi de Bernardo Silva e o remate foi de Bruno Fernandes. O guarda-redes Anthony Moris, se calhar, podia ter feito mais, a bola passou-lhe mesmo por baixo do corpo, mas nada disso tira o mérito a Bruno.

 

Nesta altura, um miúdo de seis ou sete anos sentado atrás de mim comentou:

 

– Isto vai dar em goleada…

 

Eu disse-lhe que costumava ser assim, com o Luxemburgo – ele era demasiado novinho para se recordar desses jogos – e que, se calhar, naquela noite aconteceria o mesmo. No entanto, depois destes frutuosos primeiros vinte minutos, o resto da primeira parte não teve grande história.

 

 

Na segunda parte, aos sessenta e oito, deu-se um dos momentos da noite. Ronaldo rematou com um lindo pontapé de bicicleta. Por seu lado, o guarda-redes Moris resolveu agigantar-se e defender aquela. Um remate espetacular que obrigou a uma defesa espetacular.

 

Imagens posteriores mostraram um Ronaldo desiludido com este falhanço. Também mostraram André Silva ajudando-o a levantar-se, os outros colegas consolando-o, e isto é um dos motivos pelos quais adoro a Seleção. Ao mesmo tempo, nas bancadas, festejámos e cantámos o nome dele (dá para ouvir no vídeo) como se a bola tivesse entrado.

 

Ou se calhar foi a nossa forma de consolá-lo.

 

Em todo o caso, no minuto seguinte, na cobrança do pontapé de canto resultante da defesa, novo destaque. João Palhinha saltou, elevando-se sobre os demais, e marcou de cabeça. Na bancada pensámos que tinha sido Ronaldo a marcar, até pelo festejo, gritámos “SIIIM!” e tudo… só depois vimos que um dos Marmanjos que foi abraçar o marcador usava a camisola 7. Estive uns bons cinco minutos a rir-me da lata do Palhinha. Não há respeito pelo Capitão… 

 

Eu adoro-os. 

 

A cinco minutos do fim, Ronaldo chegou finalmente ao hat-trick. Grande trabalho de Rúben Neves também, que gosta muito de fazer estes passes à distância, quase teleguiados. Ronaldo só teve de desviar de cabeça.

 

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Estava feito o resultado. Cinco a zero. Não tem sido muito habitual a Seleção marcar tanto nos últimos anos – o mais recente fora perante a Andorra, no ano passado. É certo que o Luxemburgo não deixa de ser uma seleção de microestado e houve demérito da parte deles neste jogo, mas a verdade é que não lhe ganhávamos por tanto há dez anos.

 

E o resultado podia ter sido ainda mais volumoso. Continuamos com um problema de eficácia, o que noutras circunstâncias poderia tramar-nos. No entanto, falando por mim e exclusivamente sobre esta noite… eu não podia ter pedido mais. 

 

Foi a maneira perfeita de regressar aos jogos da Seleção, depois de tanto tempo de ausência e de tudo o que aconteceu entretanto. Uma das noites mais felizes deste ano. Cheguei a desejar que o jogo nunca acabasse. Mesmo quando acabou, não pude demorar muito, mas soube-me bem caminhar entre outros adeptos, de bandeira ao ombro, bebendo as últimas gotas daquele ambiente fantástico. Fiz toda a minha viagem de regresso a sorrir e a minha garganta demorou dois dias a recuperar. 

 

Tinha regressado a casa. Deve ser por isso que A Minha Casinha é a verdadeira música da Seleção, por muito que a FPF tente impor-nos outras músicas. 

 

Estes jogos reforçaram a esperança que senti no final da jornada do mês passado. Sim, estamos a falar apenas do Catar e do Luxemburgo, não são equipas de renome. Mas foi a segunda vez que os defrontámos este ano e houveram claras melhorias de um encontro para o outro. Fomos mais consistentes, marcámos mais golos e deixámos de sofrê-los – interrompendo uma tendência que se vinha a arrastar. Temos os play-offs garantidos, bastando-nos quatro pontos para carimbarmos o passaporte para o Catar.

 

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Por isso sim, mantenho o benefício da dúvida em relação a Fernando Santos. Por enquanto. Na próxima jornada os testes serão mais difíceis… mas falaremos sobre isso na altura.

 

Obrigada pela vossa visita, como sempre. Soube bem escrever esta. Daqui a menos de um mês haverá mais. Até lá, não deixem de visitar a página de Facebook deste blogue. 

Não pode ser sempre assim?

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No passado dia 1 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere irlandesa por duas bolas contra uma. Três dias mais tarde, venceu a sua congénere catari por três bolas contra uma. Três dias depois desse jogo, venceu a sua congénere azeri por três bolas sem resposta. O primeiro e o último jogo contaram para a Qualificação para o Mundial 2022. O outro foi apenas um particular. 

 

Esta foi uma jornada tripla estranha, pelo menos para mim. Como tinha referido no texto anteriorestava menos entusiasmada que o costume. O jogo com a Irlanda e o jogo com o Catar não ajudaram nesse sentido. O terceiro foi melhor… mas deixou-me numa posição confusa. 

 

Hei de explicar melhor já a seguir. 

 

Uma coisa de cada vez. Longe de me animar, a exibição dos portugas perante a República da Irlanda apenas piorou o meu estado de espírito. Começando pelo penálti desperdiçado.

 

Para ser justa, não me surpreendeu que Cristiano Ronaldo tivesse falhado. Primeiro, o penálti demorou imenso tempo a ser validado. A UEFA (ou terá sido a FIFA?) finalmente ganhou juízo e introduziu o vídeo-árbitro nos jogos de Qualificação. No entanto, nestas circunstâncias torna-se contraproducente: a demora aumenta os nervos. 

 

VAR. Sabotando-nos, quer estando lá quer não. 

 

 

Os irlandeses também não ajudaram, com as suas picardias a Ronaldo durante a espera. Ele que, apesar de quase duas décadas nestas andanças, no que toca a resistência a provocações, é apenas pouco melhor que Sérgio Conceição e os seus filhos. 

 

Aliás, tanto Ronaldo como o irlandês Dara O’Shea podiam ter visto cartões, se o árbitro não estivesse distraído. O primeiro ajustava a bola na marca de grande penalidade, o segundo pontapeou a bola, Ronaldo respondeu com uma palmada leve no braço do outro. 

 

Uma cena saída de um recreio da Primária. 

 

Juntando-se a isto, estava toda a gente a suster a respiração para o “momento histórico” em que Ronaldo quebraria o recorde de Ali Dalei. 

 

É claro que ia correr mal. 

 

O momento histórico acabou por ir para Gavin Bazunu, o guarda-redes irlandês de apenas dezanove anos. O miúdo tinha cinco meses de idade quando Ronaldo subiu aos séniores!

 

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Acho que o penálti falhado afetou os portugueses durante a maior parte do jogo. E como quem não marca sofre, após termos falhado mais um par de tentativas, os irlandeses inauguraram o marcador em cima do intervalo. 

 

Eu tinha vindo para este jogo com pouco entusiasmo e mesmo assim estava a apanhar uma desilusão. Com o devido respeito pelos irlandeses, como é que estávamos a perder com o último classificado do grupo?!

 

A coisa acabou por se resolver literalmente nos últimos cinco minutos da partida. Com um Ronaldo Ex Machina, como em muitas outras ocasiões. Ambos os golos foram marcados de cabeça. O primeiro teve assistência de Gonçalo Guedes, o segundo de João Mário.

 

Nesta altura estava demasiado desiludida ainda para celebrar os golos como deve ser. No entanto, já aí reconhecia que as bancadas do Estádio do Algarve merecera aqueles golos. Fora o regresso do público aos jogos da Seleção e este fez-se ouvir durante o jogo todo – mesmo com um jogo medíocre durante oitenta e oito minutos. Seria demasiado ingrato levarem com uma derrota. 

 

Adoro em particular os festejos do segundo golo. Ronaldo tirou a camisola  –  o que, pelo menos a mim, recordou-me o seu segundo golo com as Quinas, no Euro 2004. Acabaria por ver o amarelo e ser excluído do jogo seguinte, mas acho que ninguém se importou. 

 

Momento engraçado quando os Marmanjos foram para junto do público e um dos stewards foi apanhado nos abraços. Terá mesmo havido contacto entre os jogadores e elementos da audiência, o que não é aconselhável em tempos de pandemia. Mas sinceramente? Não tenho alma para criticar. Estivemos muito tempo sem ir aos jogos, queremos este calor humano.

 

 

Além disso, os envolvidos estarão quase de certeza todos vacinados.

 

Depois do jogo ninguém se calava com o recorde quebrado por Cristiano Ronaldo. Não que não fosse merecido – são cento e onze golos! Acho que não é a primeira vez que escrevi isto aqui no blogue, tanta Ronaldomania às vezes enjoa mas, se formos olhar os factos… ele merece. Ele merece todos os elogios! Veja-se por exemplo esta infografia da SportTV. Vejam-se os recordes que o homem quebrou! 

 

Quer-me parecer que as gerações futuras, que nunca verão Ronaldo jogar, não vão acreditar que ele existiu mesmo.

 

Dito isto, irritou-me que, entre os louvores a Ronaldo, muitos tivessem esquecido tão depressa que foram os primeiros oitenta e oito minutos do jogo. Sim, os jogadores não deram o jogo como perdido, deram a volta ao resultado, persistência, garra, inconformismo, outras palavras bonitas. No entanto… era o último classificado do grupo! Dar a volta a um resultado desfavorável perante a uma equipa como esta (com o devido respeito pelos irlandeses) não é um grande feito, é uma obrigação. 

 

Acabou por ser mais ou menos como eu previra no texto anterior: exibições fraquinhas, mas suficientes para conseguir os resultados. Não satisfazia, mas sempre era um passo em frente.

 

Havemos de regressar a isto.

 

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Não tenho muito a dizer sobre o jogo do Catar – em parte porque não lhe prestei grande atenção. Para além da mesma falta de entusiasmo, tinha estado a conduzir durante cerca de duas horas nessa tarde e ficara exausta. 

 

E uma vez mais, o jogo em si não me animou por aí além. 

 

Não que estivesse à espera que o fizesse. Era apenas um particular, com um onze bem diferente do habitual. O Ronaldo já tinha deixado a Seleção e tudo. Ninguém esperava uma festa do futebol.

 

Em todo o caso, o Catar até entrou no jogo por cima, mas foi Portugal a inaugurar o marcador –  com dois golos de seguida! O primeiro foi de André Silva, após assistência de João Mário. O segundo foi mais especial, na minha opinião. Assistência de Gonçalo Guedes (está num bom momento, o Marmanjo) e o estreante Otávio deu um salto à Ronaldo e marcou de cabeça. Fico feliz por ele, que estava tão orgulhoso pela sua Convocatória.

 

Quando os cataris se viram reduzidos a dez, em cima do intervalo, pensei que teríamos a vida facilitada na segunda parte. Não foi bem assim. Os cataris, aliás, conseguiram reduzir a desvantagem na sequência de um canto, acentuando o problema recorrente dos múltiplos golos sofridos nos últimos tempos. (Para sermos justos, o jogo com a Alemanha terá desequilibrado ligeiramente essa estatística.)

 

Lá surgiu um penálti a nosso favor e Bruno Fernandes foi chamado a converter. O Marmanjo tinha de aproveitar, coitado – agora que tem Ronaldo como companheiro de clube, não terá muitas oportunidades. 

 

Para este caso, Bruno pode ao menos gabar-se de não ter falhado, ao contrário do Capitão. Mas também, a pressão era bem menor.

 

 

Enfim, foi um particular aceitável, ainda que eu desejasse mais golos.

 

No dia do jogo com o Azerbaijão estava de melhor humor – isto apesar de, de início, parecer que o universo estava a conspirar contra mim. O jogo foi às cinco da tarde. Eu tentei trocar para sair às quatro, mas surgiu um imprevisto e tive de sair às cinco à mesma. Não não, nem isso porque apareceram pessoas em cima das cinco, obrigando-me a sair uns dez minutos depois da hora.

 

É sempre assim.

 

O que vale é que eu até gosto de ouvir o relato da rádio de vez em quando. Foi através dele que soube dos golos. O primeiro foi espetacular: uma grande assistência de Bruno Fernandes para Bernardo Silva, que conseguiu enfiar a bola num ângulo dificílimo. 

 

O segundo golo foi menos artístico, mas resultou de uma boa jogada envolvendo João Cancelo, Bruno Fernandes, Diogo Jota, com André Silva a concluir. A cada golo, não resisti a buzinar um bocadinho.

 

Mais do que os golos até, aquilo que me deixava feliz eram os testemunhos que garantiam que a Seleção não jogava tão bem há muito tempo – desde o jogo com a França em Paris no ano passado, pelo menos. Eu pude vê-lo por mim mesma, quando cheguei finalmente a casa. 

 

 

Por outro lado, também vi algumas falhas defensivas que podiam ter custado caro. Contei pelo menos duas fífias de Nuno Mendes, mas não digo que ele tenha sido o único a falhar. Valeu-nos o facto de os azeris não terem sido capazes de aproveitar estas oportunidades. Em todo o caso, esta é uma possível explicação para os golos que temos sofrido.

 

Pelo meio, na segunda parte, Diogo Jota marcou o nosso terceiro golo, de cabeça, após assistência de João Cancelo. 

 

Uma palavra para os adeptos que invadiram o relvado, para tirarem fotografias com Bruno Fernandes. Hoje em dia estes momentos já não aparecem na televisão – por instruções das autoridades do futebol, para não encorajarem estes comportamentos. Pelos vistos a realização deste jogo não recebeu o recado. É sempre bom ver os nossos jogadores – não apenas o Ronaldo  – sendo acarinhados.

 

Foram três golos, podiam ter sido mais. No final do jogo lamentámos não ter ganho por mais, por causa das contas do Apuramento. No entanto, mais tarde naquele dia, a Sérvia empatou com a Irlanda, deixando-nos isolados no primeiro lugar do grupo. A Qualificação continua a correr bem, melhor que as anteriores.

 

E agora, como bónus, tivemos uma boa exibição. É certo que estamos a falar de azeris, não de italianos, nem mesmo de sérvios. Mas já tínhamos jogado contra o Azerbaijão este ano e foi uma tristeza. De igual modo, tivemos jogos com equipas de nível semelhante ou pouco melhor – Luxemburgo, Irlanda – e jogámos pior. 

 

Neste momento, estou numa posição estranha. Durante o jogo com a Irlanda, antes dos últimos cinco minutos, tive flashbacks do jogo com a Albânia há sete anos (!) e estava já com os lencinhos brancos a postos. Acho mesmo que, se não fosse o Ronaldo Ex-Machina, estaríamos hoje pelo menos a discutir essa possibilidade. Seria um escândalo demasiado grande perdemos perante o último classificado do nosso grupo, pouco tempo após um Europeu que deixou muito a desejar

 

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Quando o resultado virou, guardei os lencinhos, mas continuava insatisfeita. Pensava que iríamos ficar presos num ciclo vicioso de exibições fracas, de serviços mínimos. Conseguiríamos Qualificações, mas a estas seguir-se-iam participações tristes em fases finais: não suficientemente más para quase toda a gente querer chicotada psicológica, mas claramente aquém daquilo que somos capazes.

 

No entanto, perante o Azerbaijão ganhámos e jogámos bem. E agora estou com esperança? Afinal de contas, Fernando Santos consegue pôr a equipa a jogar. Porque não podemos jogar sempre assim (ou, vá lá, quase sempre)?

 

Vocês sabem que não sei o suficiente para opinar sobre estas matérias. Prefiro guiar-me pelo parecer de especialistas. Daquilo que tenho lido e ouvido, temos bons jogadores, mas nem sempre conseguimos encaixá-los uns com os outros. E poderá ser necessário deixar algum génio no banco. 

 

Numa discussão num vídeo de António Tadeia, por exemplo, comentou-se que o melhor onze para a Seleção neste momento será o que jogou perante o Azerbaijão, com Ronaldo no lugar de Diogo Jota. Ou seja, mandaríamos um dos melhores marcadores da Seleção no pós hiato da pandemia para o banco. 

 

E ainda temos de pensar em nomes como Renato Sanches, Pote, João Félix, que também têm de entrar nestas contas. E claro, gerir lesões e momentos de forma, adversários diferentes, etc.

 

É difícil ser-se Selecionador. Quem diria, hem?

 

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Em todo o caso, acho legítimo darmos o benefício da dúvida a Fernando Santos. Por muitos defeitos que tenhamos a apontar-lhe no passado recente, ele continua a ser o único Selecionador que nos ganhou títulos. A parte boa de os próximos jogos serem de dificuldade média-baixa, e de estarmos isolados no primeiro grupo, é que permitirá a Fernando Santos praticar estas táticas novas. Pelo menos era o que eu faria.

 

Saio assim deste compromisso da Seleção um pouco mais animada e otimista do que estava no início dele. Uma parte de mim continua receosa de que voltemos às exibições pastosas nos próximos jogos. Mas, lá está, a esperança é a última a morrer e quem sabe? Talvez isto seja um início. Talvez seja agora que aprendamos, finalmente, a usar da melhor forma os trunfos de que dispomos.

 

Vamos ver. A Seleção reúne-se de novo daqui a algumas semanas. Ainda não sei se escreverei uma crónica pré-jogos: os adversários são o Luxemburgo e o Catar, com quem jogámos recentemente, não devo ter muito a dizer. 

 

Em todo o caso, continuarei a cobrir as aventuras e desventuras da Seleção na página de Facebook deste blogue. Deem uma espreitadela. Para já, como sempre, obrigada pela vossa visita. Voltamos a falar em breve. 

Antes da nossa estreia no Euro 2020

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No passado dia 4 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou sem golos com a sua congénere espanhola. Mais tarde, no dia 9, venceu a sua congénere israelita por quatro bolas sem resposta. Ambos os jogos foram de carácter particular. Agora, estamos em contagem decrescente para a nossa estreia no Euro 2020, perante a Hungria, em Budapeste. 

 

Antes de começarmos, não posso deixar de falar sobre o que aconteceu no jogo entre a Dinamarca e a Finlândia. Eu, como muita gente, apanhei um susto, apesar de não saber nada sobre Christian Eriksen – e à semelhança de muitos amantes portugueses de futebol, tive recordações horríveis do que aconteceu com Miklos Feher em 2004. 

 

Felizmente, evitou-se a tragédia e o mundo do futebol respirou de alívio. Já muitas pessoas elogiaram os intervenientes (os colegas de equipa, os adversários, os médicos, os adeptos gritando por Eriksen no estádio). Eu assino por baixo de todas. É muito triste que isto tenha acontecido no Europeu que já tinha sido adiado por motivos de saúde, num dos poucos jogos com público esta época. Mas o mais importante é que Christian sobreviveu. A história teve um final feliz.

 

Passemos à frente.

 

Este é apenas o meu segundo texto aqui no blogue desde que entrámos em modo Europeu. Eu tinha avisado que seria assim, mas ainda é estranho. Nestes últimos dias às vezes penso em Europeus e Mundiais anteriores. Escrevia muito mais aqui, andava mesmo mais entusiasmada do que me sinto hoje.

 

A verdade é que estou mais velha e menos disponível para andar sempre a pensar na Seleção. Além disso, já são treze anos de blogue, muitos jogos, muitos campeonatos, parte da novidade perdeu-se – pelo menos no que toca aos estágios de preparação.  Os jogadores dão quase sempre as mesmas respostas politicamente corretas nos contactos com os jornalistas e os jogos particulares têm pouco valor preditivo do que acontece quando é a doer – mais sobre isso já a seguir.

 

 

Também não tenho muito a dizer sobre as campanhas publicitárias: não são más, mas nenhuma é absolutamente extraordinária. Gosto do facto de a do Continente não se limitar à Seleção A e estou a fazer a coleção de cromos deles. A da Galp também está gira – eles nunca desiludem. 

 

Quanto à música de apoio, Vamos Com Tudo… aprecio a intenção e não desgosto. No entanto, como cheguei a explicar na página de Facebook (a publicação já lá não está porque houve cometi a asneira de reativar a versão antiga das páginas e perdi os últimos três meses de publicações, mais coisa menos coisa. Ao menos ainda tenho este tweet), nesta fase a FPF tem de tirar a cabeça da areia e fazer d’A Minha Casinha a música oficial da Seleção. 

 

Falemos então dos particulares, começando pelo primeiro. O jogo com a Espanha não foi brilhante da parte de Portugal. Vejam-se as estatísticas ao intervalo: setenta por cento de posse de bola para nuestros hermanos. Ainda assim, como disse Fernando Santos mais tarde, os espanhóis não fizeram nada de transcendente. Rui Patrício teve poucas ocasiões para brilhar, ao contrário do que tinha acontecido no jogo anterior com a Espanha, em outubro do ano passado.

 

Por outro lado, foi bom ver Pepe de novo a jogar pela Seleção, passados estes meses todos. Já tinha saudades dele. Ao mesmo tempo, José Fonte esteve bem, tirando uma falha ou outra. Chegou mesmo a enfiar a bola na baliza aos vinte e dois minutos – o único em todo o jogo a conseguir fazê-lo. O problema foi ter-se empoleirado em Pau Torres para chegar à bola – árbitro nenhum deixaria passar.

 

Pena Fonte não ter conseguido marcar de maneira legal. Teria piada: outro golo contra a corrente do jogo, cerca de 24 horas depois das meias-finais dos sub-21. 

 

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Já que falamos de centrais, adiantemo-nos um bocadinho e falemos de Danilo. Fernando Santos colocou-o a central na segunda parte e acho que todos concordam que ele se saiu bem. Podemos não concordar com esta opção de Fernando Santos, mas ao menos a qualidade de Danilo não será um problema. 

 

Quem gostei muito de ver neste jogo (e não fui a única) foi Renato Sanches. Tirando umas faltas parvas que ele cometeu na primeira parte, terá sido um dos melhores portugueses em campo – com umas arrancadas fazendo lembrar o Euro 2016. Num dos contactos com os jornalistas, Renato disse que se sente melhor jogador hoje do que há cinco anos. Preciso de vê-lo mais vezes em campo para confirmá-lo, mas parece-me que está pelo menos ao mesmo nível.

 

Não há muito mais a dizer sobre este jogo. Como disse antes, Portugal não começou bem, mas foi crescendo ao longo dos primeiros quarenta e cinco minutos. A segunda parte foi mais aberta, mais individualista – os lançados Pedro Gonçalves e Nuno Mendes deram uns ares de sua graça – mas mesmo assim nada por aí além. Apesar da ligeira superioridade espanhola, o empate acabou por ser um resultado justo. 

 

Muitos de nós estavam à espera de um bocadinho mais, eu incluída, mas um empate com uma das nossas maiores bestas negras – só lhes ganhámos uma vez em jogos oficiais e, mesmo em jogos particulares, a última vitória foi há mais de dez anos – nunca é um mau resultado. 

 

Além disso, da minha experiência, os primeiros particulares da preparação para um Europeu ou Mundial nunca são brilhantes e nunca ficam na História. Por exemplo, quantos de nós se lembram que antes do Mundial 2018, há três anos, empatámos com a Tunísia? Eu não me lembrava! 

 

Nessa linha, os últimos particulares não são necessariamente mais memoráveis mas, nos últimos anos, a tradição tem sido escolher um adversário mais acessível para garantir uma vitória fácil, mesmo generosa. Para dar moral e quebrar alguns enguiços (não é, Cristiano?). Antes do jogo, não incluía Israel nesse grupo, estava até à espera de um jogo um pouco mais difícil, mas é provável que tenha sido essa a intenção. 

 

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Suponho que ainda estava com os nossos jogos de 2013 na mente. Esqueci-me que, hoje, Portugal é melhor equipa. 

 

Os portugueses entraram bem no jogo, com uma oportunidade logo aos dois minutos – eu ainda mal me aperceber que o jogo tinha começado. Como disse Fernando Santos, “podíamos ter feito dois ou três golos nos primeiros vinte e cinco minutos”. O problema era a finalização – Diogo Jota, por exemplo, não estava inspirado.

 

Por estes dias, tem havido quem fale em alinhar André Silva ao lado de Cristiano Ronaldo: o segundo melhor marcador do campeonato alemão ao lado do melhor marcador do campeonato italiano. Compreendo que critiquem Fernando Santos por, ao que parece, não investir nessa opção. Até concordo em parte – afinal de contas, essa dupla deu bons resultados entre 2016 e 2018, mais coisa menos coisa.

 

Dito isto, também compreendo que Fernando Santos não queira ir por aí, para já. André Silva teve um par de épocas menos conseguidas e acabou por perder lugar na Seleção – nas poucas oportunidades de que tem disposto, ainda não deu motivos ao Selecionador para apostar nele. Ao mesmo tempo, Diogo Jota tem sido uma peça importante na Turma das Quinas após o hiato da pandemia – e toda a gente sabe o que se diz sobre equipas que ganham. 

 

É daquelas coisas que, em teoria, são boa ideia mas que é difícil passar à prática. Infelizmente não estou a ver André Silva como opção de primeira linha neste Europeu. Mas poderá vir a ser um trunfo secreto numa situação de aperto. 

 

Regressando ao jogo com Israel, foram precisos quarenta e dois minutos para se chegar ao golo. Bom entendimento à direita entre Bernardo Silva e João Cancelo, este último assistiu para Bruno Fernandes que não falhou. 

 

 

Este jogo estava fadado para ter golos aos pares, perto do final de cada uma das partes. O segundo golo veio poucos minutos depois do primeiro. Bruno Fernandes também esteve neste – assistiu para Ronaldo, que beneficiou de um frango do guarda-redes Marciano. 

 

Na segunda parte, Fernando Santos mudou a estratégia e, como acontece em muitos particulares deste género, a qualidade decaiu. Chegou a ser secante nalguns momentos. Mas felizmente tivemos direito a um segundo par de golos, ao cair do pano.

 

Aquele remate de João Cancelo, encontrando um corredor para a baliza no meio de uma grande área cheia, para começar. E depois o tiro de Bruno Fernandes (após assistência de Gonçalo Guedes), à entrada da área, mesmo no canto superior esquerdo da baliza. Ninguém podia defender aquela.

 

Para mim estes foram os melhores em campo: Cancelo e Bruno Fernandes. Quem diria que finalistas europeus de clubes fariam a diferença, não é? 

 

Pena é Cancelo ter testado positivo para o Coronavírus e ir falhar o Europeu. Logo agora que ele se revelava tão promissor, ele que podia combinar-se com Bernardo Silva! 

 

Ao menos sempre é uma oportunidade para o Diogo Dalot.

 

 

Regressando ao particular com Israel, este foi um bom jogo. É claro que temos de dar um desconto por ser uma equipa como Israel, no entanto. Quem nos dera que as coisas fossem assim tão fáceis no Euro.

 

...e daí talvez não. Como toda a gente sabe, é quando as coisas são demasiado difíceis que Portugal se atrapalha.

 

De qualquer forma, os particulares são águas passadas, o Europeu já começou. Citando Rui Reininho, “agora é a doer”. E vai doer, não se iludam. 

 

Ainda não tive oportunidade de falar sobre a Hungria como adversário. São a seleção mais fraca do grupo F, ninguém discorda, mas eu não os descreveria como sardinhas, como fiz antes. Mal por mal, vão em onze jogos sem perder e, na última fase de grupos da Liga das Nações, subiram à divisão A.

 

Isto para não falar do caricato jogo da fase de grupos de 2016. Por outro lado, recordar que os húngaros vão jogar em casa, com um estádio cheio e tudo. Da última vez que visitámos a Hungria vencemos… mas houve sangue.

 

Por fim, recordo que Portugal tem a mania infeliz de não ganhar o primeiro jogo de um Europeu ou Mundial. A última vez que o conseguiu foi em 2008, ainda este blogue era um bebé. Mas desta feita não vai dar – não podemos dar-nos a esse luxo.

 

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Em suma, não esperem facilidades. Nem perante a Hungria, nem perante a Alemanha ou a França, nem perante qualquer adversário que se cruze connosco, caso passemos a fase de grupos. Estive a ver este vídeo de uma previsão do Europeu e olhemos para as possíveis seleções no nosso caminho: ele é Espanha, ele é Croácia, ele é Inglaterra, ele é Bélgica, ele é uma Itália que teve uma boa estreia neste Europeu… 

 

Eu não sei se vou aguentar, minha gente. 

 

Dito isto, na minha opinião, pelo menos no que toca a individualidades, esta é a melhor seleção que temos em anos – desde o Euro 2004 e o Mundial 2006, arrisco-me a dizer. Como referi antes, temos três finalistas europeus de clubes (tínhamos quatro, mas o FDP do Covid…), temos muitos jogadores que foram campeões nos respectivos campeonatos, temos o Melhor do Mundo. Se há Equipa de Todos Nós à altura deste desafio... é esta. 

 

É claro que o talento por si só não basta. É preciso saber usá-lo – e há muita gente que não perdoará a Fernando Santos, se ele não for capaz de canalizar esta qualidade toda para um bom desempenho neste Europeu.

 

Pois bem, eu acredito. Vai ser difícil, cada jogo vai ser um sofrimento atroz. Racionalmente, não ponho as mãos no fogo. Mas acredito dos jogadores e equipa técnica, acredito na sua determinação e entrega, na sua capacidade de superação. Afinal de contas, Portugal costuma dar-se bem em circunstâncias como estas. É certo que, até agora, só a Espanha foi capaz de revalidar um título europeu, mas nunca se sabe… 

 

O melhor é ir encarando um jogo de cada vez. Para já é importante começarmos com uma vitória perante a Hungria, o que nos facilitará bastante a vida no chamado Grupo da Morte, ou Grupo da Vida, ou Grupo da Glória (é bom que Portugal ultrapasse as suas manias de não ganhar o primeiro jogo, de se boicotar a si mesmo). Depois logo se vê.

 

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O jogo é terça-feira às cinco da tarde, que é a hora a que saio do trabalho. Estive a pensar em hipóteses diferentes, mas em princípio venho ver o jogo para casa, mesmo que tenha de acompanhar a primeira parte na rádio, no caminho. Por um lado, quero ver se não perco muita coisa por não ter acesso à televisão. Por outro, até será simpático se marcarem um golo durante o meu regresso a casa – para além das vantagens de marcar um golo cedo, dava para eu cumprir um desejo antigo de festejar com buzinadelas. 

 

Em relação a este blogue, ainda não sei quando tornarei a publicar de novo, mas em princípio vou tentar escrever uma crónica sobre os dois primeiros jogos. Em último caso, escrevo um texto sobre os três jogos da fase de grupos. De qualquer forma, como habitual, vou deixando as minhas impressões na página de Facebook deste blogue. 

 

Terça-feira saltamos para a toca de coelho. Vemo-nos no outro lado. 

 

Pausa na programação

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Amanhã, dia 11 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebe a sua congénere andorrana, no Estádio da Luz, em jogo de carácter particular. Três dias mais tarde, no mesmo estádio, receberá a sua congénere francesa. Três dias depois, a Seleção desloca-se à Croácia para defrontar a seleção local. Estes últimos dois jogos contarão para a fase de grupos da segunda edição da Liga das Nações.

 

Fernando Santos anunciou os Convocados para a reta final desta fase de grupos na passada quinta-feira. As novidades na Convocatória são as chamadas de Paulinho e Pedro Neto. Não sei muito sobre eles, confesso. Consta que Paulinho tem feito uma boa época no Sporting de Braga – aparentemente é o avançado dos sonhos de Carlos Carvalhal.

 

Uma nota curiosa: ele fez anos ontem, logo no dia em que se juntou à Seleção pela primeira vez. Não é algo que aconteça todos os dias. 

 

Por seu lado, Pedro Neto é o primeiro na Seleção A a nascer na década de 2000. Ainda devia usar fraldas quando Cristiano Ronaldo subiu aos séniores do Sporting, mas agora vai partilhar o balneário com ele. Pedro é outro lobo do Wolverhampton que se tem saído bem no clube. Consta que ganhou espaço com a transferência e Diogo Jota para o Liverpool. 

 

É impressão minha ou o Wolverhampton está uma autêntica fábrica de talentos para a Turma das Quinas? Criaram o Jota e agora estão a criar o Pedro Neto…

 

Adiante. A minha irmã fez-me ver que esta é a primeira Convocatória sem jogadores do Benfica ou do Sporting em… cinquenta anos!

 

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Não acho que Fernando Santos tenha uma boa desculpa, desta feita – não se pode dizer que os clubes não estão a investir no jogador português. O Benfica tem Pizzi e Rafa. O Sporting está em primeiro lugar na Liga (coisa rara), pelo menos em parte graças a jogadores como Pedro Gonçalves, também conhecido por Pote, Nuno Mendes, Nuno Santos, João Palhinha e até o Campeão Europeu João Mário! 

 

Vão ter de me perdoar se sei um pouco mais sobre o Sporting do que sobre outros clubes portugueses. É o que dá ter uma sportinguista em casa – que ainda por cima anda mais envolvida com a atividade do clube, agora que as coisas estão a correr bem. 

 

A única explicação que me ocorre para não haverem representantes do clube leonino nesta Convocatória – e, como sabem, estou longe de ser uma especialista na matéria – é haver demasiada concorrência para aquelas posições. João Palhinha, por exemplo, concorre com Danilo Pereira para médio defensivo e Nuno Mendes concorre com Raphael Guerreiro para lateral esquerdo. Uma das piores partes de ter uma grande base de recrutamento: há jogadores bons que têm de ficar de fora. 

 

Mas se o Sporting continuar em alta até aos próximos jogos da Seleção, em março, Fernando Santos vai ter de dar oportunidades a estes jogadores. 

 

Uma ausência que me desagrada é a de Pepe por lesão. Depois do seu excelente desempenho nos últimos jogos, isto era uma das últimas coisas que desejava para um jogo difícil, como o de sábado. Enfim, o José Fonte também é experiente, também é Campeão Europeu, há de ser capaz de dar conta do recado. 

 

Nestas últimas semanas, tenho andado inchada de orgulho com tanto jogador português a brilhar nos respetivos clubes. Diogo Jota, um dos destaques da Seleção desde o fim do hiato, também tem espalhado magia no Liverpool. Só no jogo com o Atalanta para a Champions, na semana passada, marcou um hat-trick. Jürgen Klopp está rendido ao miúdo – o sonho de qualquer jogador, deixar um treinador de renome de joelhos. 

 

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Por seu lado, João Félix parece finalmente ter-se encaixado no Atlético de Madrid. No último jogo, em que o Atlético venceu o Cadiz por quatro-zero, Félix contou dois golos e uma assistência. O jornal A Marca já fala dele como o dono da equipa, um dos principais fatores para a ascensão dos colchoneros. 

 

Como alguém que receou que a transferência para o Atlético de Madrid tivesse sido um erro, estou muito feliz por não ter razão. 

 

Quanto a Renato Sanches, também ele tem arrancado elogios, desta feita à Imprensa francesa – o que é notável, tendo em conta a tendência dos franceses para nos desprezarem. Parece que Renato foi uma das estrelas na vitória por três-zero do Lille sobre o AC Milan. 

 

Por fim, o Manchester United tem andado com altos e baixos, mas Bruno Fernandes continua a destacar-se pela positiva. Os jornais descrevem-no como o coração do clube de Old Trafford. 

 

São muitos clubes na mão de jogadores portugueses. O que dá muito jeito para a Equipa de Todos Nós na reta final da fase de grupos da Liga das Nações. 

 

Antes disso temos um particular de dificuldade menor – uma exceção àquela que tem sido a regra para a Seleção, após o longo hiato. O nosso último jogo com a Andorra foi mais difícil do que seria de esperar para a qualidade do adversário – o maior obstáculo foi o terreno. Ora, tendo em conta que este jogo decorrerá no Estádio da Luz, esse problema não se coloca. 

 

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Estou convencida, aliás, de que este adversário foi escolhido a dedo para Ronaldo avançar na perseguição ao recorde de golos por seleções. 

 

Eu e a minha família queríamos ir a esse jogo. A minha mãe faz anos amanhã e eu tinha a esperança de que o Portugal + me enviasse convites (esqueci-me de referi-lo na crónica anterior, mas cheguei a receber quatro convites para o jogo com a Suécia. E até foi com uns dias de antecedência. Mas mesmo assim não fui a tempo de resgatá-los.). No entanto, a pandemia agravou-se e a DGS cancelou os testes-piloto. 

 

É uma pena, sobretudo no que toca ao jogo com a França. Num jogo tão difícil, o público seria uma arma importante. Mas o que é que se pode fazer? 

 

Falemos então sobre o jogo com a França – um dos mais difíceis desta fase de grupos, se não for o mais difícil. A França dispensa apresentações e está em igualdade pontual connosco. O fator casa será praticamente irrelevante e, ao contrário do que aconteceu no Stade de France, o empate poderá não ser suficiente. Tal como disse Fernando Santos na Conferência de Imprensa, um empate com golos não nos dá muito jeito – os franceses ficam com a vantagem de terem marcado em nossa casa. Mesmo um empate sem golos não seria um resultado ideal, na minha opinião – adiaria a decisão para o último jogo, que também não será fácil. 

 

O melhor seria mesmo vencermos a França. Assim, se a matemática não me falha, bastar-nos-ia empatar com a Croácia para passarmos à final four da Liga das Nações. É claro que é mais fácil escrevê-lo do que fazê-lo – não preciso de explicar porquê. Eu não faria essa aposta no Placard. Mas, se existe uma Equipa das Quinas capaz desse feito, será a atual – a passar por uma bela fase, tanto em termos de individualidades como de coletivo. 

 

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A abordagem ao jogo com a Croácia vai, assim, depender do jogo com a França. É um voo um bocadinho longo até Zagreb. Ao menos é o último encontro da jornada e não o do meio – o desgaste seria significativo. Os croatas já estão fora da corrida pelo acesso à final four da Liga das Nações – mas é possível que compitam com a Suécia para não descerem à divisão B. É melhor não esperar facilidades. 

 

Pensar nestas coisas, nestas contas, escrever sobre elas, é um bom descanso da realidade do agravamento da pandemia. Bem, regra geral – o motivo pelo qual fiquei tão em baixo no mês passado foi por o Coronavírus ter invadido o meu escapismo. 

 

Em retrospetiva, exagerei um bocadinho – não chegou a haver nenhum surto de Covid na Seleção. Cristiano Ronaldo recuperou bem, teve ginásio e piscina no isolamento (isto não é para quem quer, é para quem pode), regressou com a veia goleadora intacta. O pior que lhe aconteceu durante esse período foi ter rapado o cabelo (Ronaldo tem andado desinspirado em termos de penteados este ano). Mas com uma doença ainda mal-conhecida como o Covid…

 

À hora desta publicação, ninguém terá acusado positivo na Turma das Quinas. A ver se se mantém assim… 

 

Com alguma sorte, o Covid não estragará esta jornada. Poderemos, nem que seja por poucas horas, fazer uma pausa na programação habitual. Enquanto estivermos a pensar em quem tomará o lugar de Pepe ou se Ronaldo deve ser poupado no jogo contra Andorra, não estaremos a pensar nos números crescentes da pandemia ou no regresso, ainda que parcial, do confinamento. E pode ser que os Marmanjos nos consolem com vitórias perante os atuais Campeões e Vice-Campeões do Mundo. 

 

Isto não é assunto novo neste blogue, já é quase um cliché. Mas costuma-se dizer que os clichés existem por um motivo. Para mim, a Seleção é um escapismo, um consolo, uma esperança – coisas que nunca fizeram mais falta. 

 

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