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O Meu Clube É a Seleção!

Mulher de muitas paixões, a Seleção Nacional é uma delas.

Sem mácula!

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No passado dia 16 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere… *consulta texto anterior aqui no blogue* liechtensteiniana por duas bolas a zero. Três dias mais tarde, a Seleção venceu a sua congénere islandesa pela mesma diferença de golos… e eu estive lá. Com estes dois jogos, ficou concluída a fase de Apuramento para o Euro 2024, que terá lugar na Alemanha. A Seleção ficou em primeiro lugar no grupo J e irá para o pote 1 no sorteio para a fase de grupos do Euro 2024, que decorrerá no próximo sábado, dia 2 de dezembro.

 

Comecemos pelo jogo com o Liechtenstein. Vou ser sincera, não foi grande coisa. Arrisco-me a dizer que foi o nosso pior nesta fase de Qualificação. 

 

Não que esteja surpreendida pela exibição. Olhemos para as circunstâncias: este era um jogo que já  não contava para nada. Não contava para o primeiro lugar, nem sequer contava para os potes do sorteio. Em termos práticos era um amigável. E naturalmente o Selecionador Roberto Martínez aproveitou a ocasião para inventar fazer experiências – estratégias a que os Marmanjos não estão tão habituados. Além disso, foi fora de casa, durante uma fase intensa da temporada futebolística, perante uma seleção de microestado, de nível semi-profissional ou mesmo amador. 

 

Em suma, não havia nada que convidasse a uma grande festa do futebol. Era daqueles jogos de que os treinadores gostam, mas os jogadores e dos adeptos não.

 

Foi frustrante para o meu lado pois consegui ver toda a primeira parte, em que não aconteceu nada de assinalável, e mal consegui ver a segunda, mais interessante. Culpa da hora de jantar e a televisão da cozinha, mais velha que a larga maioria da Seleção atual. 

 

Ao menos consegui ver o golo de Cristiano Ronaldo, no início da segunda parte. Ele que, sem surpresas, estava com ganas. Já em cima do intervalo falhara um pontapé de bicicleta (ele tem um bocadinho de azar com eles, não é?) e, no primeiro minuto da segunda parte, enviara uma bola ao poste.

 

No minuto seguinte, Diogo Jota isolou Ronaldo pela esquerda, este rematou e a bola finalmente entrou. Capitão ao resgate, como tantas vezes antes. 

 

 

Não consegui ver o golo de João Cancelo em direto, o que é uma pena. A assistência foi de António Silva, depois disso Cancelo fez tudo sozinho. Fintou o guarda-redes (no vídeo da Sport TV, um dos comentadores até se riu) e rematou de um ângulo difícil, entre dois defesas do Liechtenstein. 

 

Ainda houve tempo para José Sá mostrar o que vale, na sua estreia pela Seleção (custou-me a acreditar, confesso. Convocado há anos e só agora é que calçou as luvas). E para o VAR anular um golo a Gonçalo Ramos por fora-de-jogo, na sequência de um livre.

 

Uma palavra para o público adepto de Portugal, que se fez ouvir durante todo o jogo. É o costume em países como este, acessíveis aos emigrantes, e é sempre agradável. Por outro lado, em defesa dos liechtensteinianos, segundo uma reportagem que vi na RTP3 antes do jogo, a população de Vaduz, a capital, é de cinco mil. Eles não conseguiriam encher o estádio sem deixar a cidade às moscas. 

 

Ao menos os liechtensteinianos ficaram com o orgulho de terem impedido uma goleada da nossa parte. Por nosso lado, ficámos contentes com a nona vitória na Qualificação. Ainda assim, eu desejei que o jogo seguinte fosse melhor.

 

E foi. 

 

O jogo com a Islândia decorreu no vigésimo-sexto aniversário da minha irmã – e dez anos depois da inesquecível segunda mão dos play-offs frente à Suécia. Aqui entre nós, tenho inveja dela. Faço anos em janeiro, nunca há jogos da Seleção nessa altura do ano. Em todo o caso, como forma de festejar, fomos todos a Alvalade – casa do Sporting dela. Eu, ela, o seu namorado e os nossos pais.

 

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Chegámos cedo e não tivemos dificuldade em entrar. É a vantagem de o jogo ter sido ao domingo e de Alvalade ter bons acessos. 

 

O pior é que ando com azar e/ou falta de jeito para lugares. Fui eu quem comprou os bilhetes no Continente – já deviam ser os últimos. Não me lembro se fui eu ou a senhora que me atendeu quem escolheu os lugares. Só sei que ficámos na bancada de cima. Tivemos de subir vários lanços de escada – como disse um vizinho nosso, foi um aquecimento ainda mais rigoroso que o dos jogadores. Ainda me afligi com os joelhos da minha mãe, mas felizmente ela não se queixou. 

 

Os lugares em si ficavam literalmente na fila mais acima. Quase batíamos com a cabeça na pala. A visibilidade era péssima – como podem ver na fotografia, era como se víssemos o campo no fundo de um túnel. Nem sequer conseguíamos ver os ecrãs nos cantos do estádio. Mal conseguíamos identificar os jogadores – o que foi chato durante o jogo. 

 

Em defesa deles, os meus pais pelo menos não se importaram. Mal por mal, via-se o campo todo, o que nem sempre é possível nas bancadas mais abaixo. Mas eu gosto de estar próxima dos jogadores, mesmo que às vezes não veja o que se passa do outro lado do campo. 

 

Ainda assim, deu para sentir o ambiente fantástico em Alvalade, com pirotecnia e tudo. Foi a primeira vez que vi um espetáculo assim num estádio. E nós, no público, fizemos barulho durante praticamente o jogo todo – os bate-palmas foram bem utilizados. 

 

O jogo foi, de facto, melhor que o anterior, em parte porque Martínez inventou menos. Portugal entrou bem, com muitas oportunidades – um remate de cabeça de Cristiano Ronaldo no primeiro minuto, uma bola ao poste de Otávio ao sétimo minuto, entre outros. Muitos outros. 

 

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Foi um problema recorrente nesta dupla jornada, aliás: dificuldades na finalização. Neste compromisso não fez mal, mas em jogos mais importantes, perante adversários de maior calibre, poderá ser problemático. 

 

Terá de ir para a lista de problemas a resolver antes do Europeu.

 

Felizmente, o marcador mexeu-se aos trinta e seis minutos, com um belo remate do canto da grande área. Só consegui identificar o pistoleiro porque este, nos festejos, tapou as orelhas – um gesto para a Matilde, a filha mais velha de Bruno Fernandes.

 

Foi um belo golo, após uma troca deliciosa de bola entre ele e Bernardo Silva.

 

Na segunda parte houveram mais oportunidades desperdiçadas, sobretudo de Cristiano Ronaldo. Eu queria muito um golo dele porque “SIIIII!!!!!!” e ele, de facto, esforçou-se. E nós puxámos por ele, cantámos por ele. Infelizmente, não foi a noite de Ronaldo.

 

O segundo golo foi marcado no meio de alguma confusão. Do meu lugar não se conseguia ver bem quem marcou e ainda ficámos no escuro durante algum tempo – o speaker em Alvalade não se dignou a anunciar o marcador. Ainda pensei que tivesse sido João Félix mas não. Foi Ricardo Horta. 

 

 

Isto cinco minutos após ter entrado em campo. Já é habitual com ele.

 

Em defesa da minha primeira percepção, foi João Félix quem fez o primeiro remate, defendido pelo guarda-redes. Cristiano ainda tentou a recarga, falhou. Horta tentou e foi bem sucedido. Ficou feito o resultado.

 

Antes de terminar, uma palavra apenas para o aplauso de Alvalade à entrada de João Neves. Martínez tinha pedido para se deixar as rivalidades de lado e, de qualquer forma, gosto de pensar que o público não seria cruel com um jogador tão novinho ainda. Não devia ter sido necessário pedi-lo, tais aplausos deviam ser a norma, temos a fasquia demasiado baixa. 

 

Mas gostei à mesma. Temos de começar por algum lado. 

 

E foi isto. Ficaram a faltar mais golos, sobretudo de Cristiano, e uns lugares melhores, mas foi uma noite bem passada, um aniversário bem passado. Estive no início desta fase de Qualificação e no final desta. Concluímos este Apuramento sem mácula, como eu desejava há muito tempo, com trinta e seis golos marcados e apenas dois sofridos. Nenhuma outra seleção fez melhor do que nós. 

 

Correndo o risco de repetir o que já escrevi em textos recentes, sim, o nosso grupo era acessível, mas já tivemos grupos acessíveis antes. Por exemplo, o nosso grupo da Qualificação para o Mundial 2022 não era muito mais difícil do que este – a Sérvia é um pouco melhor que a Islândia ou a Eslováquia, na minha opinião, mas só isso – e toda a gente se lembra de como isso correu. Contrariar a nossa mania da auto-sabotagem é um feito significativo. Temos direito a sentirmo-nos orgulhosos.

 

 

Foi um bom ano para a Seleção, em suma. Tranquilo. Sê-lo-ia sempre com este grupo de Apuramento, a menos que as coisas corressem mesmo muito mal. Mas não deixa de saber bem depois da agitação de 2021 e 2022. Como tinha previsto, este foi um ano para Roberto Martínez se adaptar à Seleção. O verdadeiro teste será agora, em 2024, com o Europeu. Para o qual partimos com ambições.

 

E, falando por mim, sim, soube-me bem o ano mais tranquilo, mas já ando com desejos de alguma adrenalina.

 

 O que nos leva aos sorteios para a fase de grupos, este sábado. Portugal está no pote 1, evitando uma série de tubarões. Não teremos de novo um cenário como o do Euro 2020. Aliás, não deveremos ter um grupo demasiado difícil. O pior que nos pode acontecer seria encontrarmos os Países Baixos (nossos fregueses, como dizia Luiz Felipe Scolari) e a Itália (detentora do título mas que nem sequer foi ao Mundial 2022). Arrisco-me a dizer que quem sobreviveu a um grupo com a Alemanha e a França, quando estávamos numa fase bem menos estável, sobrevive a qualquer coisa, nas atuais circunstâncias.

 

…meu Deus, espero não vir a arrepender-me destas palavras. Já se sabe: isto na teoria é tudo muito bonito. Na prática é que se vê.

 

Costumo escrever um texto analisando os resultados do sorteio, mas não sei se faço o mesmo desta vez. Vou estar ocupada este fim-de-semana, nem deverei acompanhar a cerimónia em si. 

 

Logo decido. E digo qualquer coisa na página

 

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A parte mais chata é que, agora, a Seleção só se reúne de novo daqui a quatro meses. Para um particular em Guimarães, frente à Suécia, e outro com adversário a definir – vai depender dos resultados do sorteio. É muito tempo, muita coisa pode – não não, vai – mudar até lá. Nos últimos dois, três anos, vínhamos de desilusões e o hiato deu jeito para lamber as feridas. Agora vai custar mais.

 

Mas pronto, havemos de sobreviver. Só espero que não hajam lesões graves que impeçam Marmanjos de virem ao Europeu. 

 

Para o caso de não haver nenhuma crónica pós-sorteio, deixo já aqui os meus votos de Boas Festas e de Feliz Ano Novo. Que 2024 seja um ano muito muito feliz para a Seleção. 

 

E para todos nós. 

Tranquilo

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No passado dia 13 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere eslovaca por três bolas contra duas, no Estádio do Dragão. Três dias mais tarde, venceu a sua congénere bósnia por cinco bolas sem resposta. Com estes resultados, a Seleção garantiu o primeiro lugar no seu grupo de Apuramento, confirmando presença no Euro 2024, que terá lugar na Alemanha. Foi a Qualificação mais rápida de sempre.

 

Começando pelo jogo com a Eslováquia, como toda a gente, gostei da primeira parte. Depois do que aconteceu no jogo de Bratislava, no mês passado, estava à espera de outro jogo enfadonho. Não foi isso que aconteceu. Houve animação à mistura com frustração: um festival de oportunidades desperdiçadas – típica mistura de azar e de guarda-redes adversário inspirado – e um par de sustos para o nosso lado. O primeiro desperdício ocorreu relativamente cedo: uma daquelas situações em que está toda a gente na pequena área, a equipa atacante em cima da linha de baliza, rematando várias vezes mas a bola teimando em não entrar. 

 

 

Felizmente, o marcador funcionou aos dezoito minutos. De uma maneira que já se tornou típica, a assistência foi de Bruno Fernandes. Depois de ter sentado um eslovaco, enviou a bola para a cabeça de Gonçalo Ramos – que, assim, aumentou ainda mais a sua respeitável conta de golos pela Seleção.

 

Perto da meia hora de jogo, a nossa vantagem ampliou depois de Cristiano Ronaldo ter, sem surpresas, sido chamado para bater um penálti

 

Como muitos têm assinalado, os dois golos de vantagem ao intervalo não refletiam o desempenho de Portugal durante a primeira parte. Na altura, os comentadores da RTP disseram que 2-0 era um resultado perigoso. Pode dar uma falsa sensação de segurança, levar a complacência por parte da equipa em vantagem. Se o adversário reduz para 2-1, a partida é relançada. 

 

O tempo deu-lhes algum razão: Portugal abrandou no início da segunda parte. Talvez tenha sido, de facto, complacência. Talvez tenha sido excesso de individualismo. Talvez tenha sido a chuva – aumentou de intensidade na segunda parte e Portugal começou a meter água. Os eslovacos começaram a crescer no jogo e conseguiram chegar ao golo aos sessenta e nove minutos. O primeiro golo que sofremos na era Martínez, em quase um ano. 

 

Sim, desagradável, mas tinha de acontecer mais cedo ou mais tarde.

 

 

Felizmente, como já tantas aconteceu nas últimas duas décadas, Cristiano Ronaldo veio em nosso auxílio três minutos depois. A assistência foi de Bruno Fernandes (quem mais?), Ronaldo só teve de encostar. 

 

Os eslovacos ainda tornaram a reduzir, por volta dos oitenta minutos. Mesmo assim, apesar de algum nervosismo da minha parte, a vitória não chegou a estar em risco. Com o apito final, Portugal selou a sua presença no Euro 2024 – a mais rápida de sempre, como referido antes.

 

Uma palavra para a chuva. Que incomodou e prejudicou, sim, mas que na minha opinião tornou tudo mais épico, deu estilo às fotografias e aos vídeos. Ao longo do encontro, ia-me recordando de outro jogo no Dragão debaixo de chuva – em 2012, frente à Irlanda do Norte (há onze anos! Estou velha!). Um jogo com um desfecho bem mais triste, o início de uma fase triste para a Seleção.

 

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Em contraste, o momento atual é feliz, é tranquilo. No seu pior é enfadonho, mas no seu melhor é uma festa. 

 

O que nos leva ao jogo com a Bósnia-Herzegovina. Não estava à espera de muitas facilidades – íamos jogar fora, com uma equipa perante a qual tínhamos sentido algumas dificuldades na Luz. Mesmo o penálti cobrado por Cristiano Ronaldo, claro, antes dos cinco minutos de jogo, não era garantia de nada para mim. Estes golos madrugadores às vezes são traiçoeiros – uma vez mais, podem levar a complacência. 

 

Bem, estava enganada pois a Bósnia deixou de existir no jogo depois deste penálti. Como aconteceu no mês passado com o Luxemburgo, a primeira parte resume-se aos golos marcados. 

 

Não tenho muito a dizer sobre o penálti de Ronaldo. Foi um penálti, foi bem batido. O segundo golo do Capitão foi mais interessante. Assistência de João Félix – que fez um belo jogo, finalmente encontrou-se a si mesmo no Barcelona. Ronaldo fugiu a dois bósnios, um vindo de cada lado, e fez um chapéu ao guarda-redes. Um golo cheio de estilo, pena o fora-de-jogo mal assinalado – o VAR corrigiu mas o momento já se tinha estragado.

 

É a desvantagem deste sistema.

 

 

Felizmente, não tivemos esse problema com o terceiro golo. O Gonçalo Inácio fez um passe excelente (outro a fazer um jogo fantástico, provando merecer a titularidade), desde a linha de meio-campo. A bola apanhou Bruno Fernandes, este avançou e disparou de primeira para as redes. 

 

O quarto golo teve alguma graça. Os comentadores da RTP estavam a falar sobre o histórico recente de João Cancelo nos clubes. O tema passou para a mesa do jantar. E, falando no diabo, quem marca a seguir?

 

Uma vez mais, a assistência foi de Bruno Fernandes, em cima da linha de fundo. A bola ia para Ronaldo, mas este atrapalhou-se e deixou-a passar. Cancelo chegou-se à frente, como quem diz “Eu trato disto”, apanhou a bola no limite da grande área e disparou certeiro para as redes.

 

Finalmente, já a poucos minutos do intervalo, Diogo Dalot fez um passe à distância, desde a linha do meio campo, para Otávio. Este entrou na grande área pela direita, assistindo depois para João Félix assinar um golo. Uma vez mais, a festa teve de ficar em pausa enquanto o VAR validava o golo, mas pronto.

 

Na segunda parte, a Bósnia estacionou o autocarro para ver se não sofria mais golos. Por sua vez, Portugal entrou em modo de gestão e substituições para experiências. A vitória estava mais do que assegurada, bem como o primeiro lugar no grupo. Manter o mesmo ímpeto atacante já seria bullying.

 

Assim, a segunda parte não teve história. Chega a ser brilhante a forma como não aconteceu praticamente nada em quarenta e cinco minutos de jogo. Depois do apito final, não me lembrava de quase nada da segunda parte.

 

Enfadonho, sim, mas não me importei muito, depois daquela primeira parte. Deu para ir preparando este texto.

 

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Com este resultado, assegurámos o primeiro lugar e o nosso estatuto como cabeças-de-série no sorteio da fase de grupos do Euro 2024. Fica menos provável repetir-se o cenário do Euro 2020. E ainda falta uma jornada dupla para o fim da Qualificação.

 

Naturalmente, está toda a gente satisfeita, eu incluída. Já há quem fale de recuperarmos o título europeu no próximo ano. Uma parte de mim começa a encher-se de fé, outra vez. O resto, no entanto, está a puxar essa parte para baixo, a garantir que ela mantém os pés na terra. 

 

Ainda é cedo. Faltam pouco menos de nove meses para o Europeu (guiando-me por aquele anúncio bizarro da Meo). Muita coisa pode mudar entretanto. Além disso, não nos podemos esquecer que temos apanhado adversários fáceis. Ainda não tivemos de lidar com equipas do nosso nível ou superior. Deu para ver em jogos como os contra a Eslováquia que ainda temos arestas por limar. 

 

Por fim, se me deixarem ser essa pessoa por um momento, enquanto comandou a Bélgica, o problema de Martínez não foram as fases de Qualificação. Foi depois. 

 

(Ainda que eu ache que os jogadores belgas e os seus egos também foram pelo menos parte do problema.)

 

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O próprio Martínez também parece não querer sonhar muito alto, pelo menos não para já. Não está errado. Por outro lado, pode-se argumentar que Portugal tem a obrigação de apontar para o título. Tem talento para isso, mais ainda do que em 2016. Além disso, já li no Record que esta poderá ser uma boa altura para tentarmos recuperar o título, já que vários dos habituais candidatos – Espanha, Alemanha, Itália, Bélgica – estão a passar por fases menos boas.

 

Bem, exceto a França. Sempre a França.

 

Não faltarão ocasiões daqui até junho para falarmos sobre isso. Regressando ao presente, queria dar graças pelo momento atual da Seleção: alegre e tranquilo como referi antes. Por coisas como o estreante João Neves sendo acarinhado pelos colegas (“o nosso pupilo”, chamou-lhe Danilo). É um bom contraste com outras áreas da vida atual, tanto a nível individual como coletivo. Como em muitas outras ocasiões nos últimos vinte anos, é um escape, é um consolo, é esperança de mais alegrias no futuro. 

 

E por enquanto é suficiente.

 

Ficam a faltar dois jogos para o fim da Qualificação. Com o primeiro lugar garantido, estes jogos servirão apenas para cumprir calendário. No lugar de Martínez, tratava estes jogos como meros particulares para fazer experiências, mas ele não parece muito para aí virado. Gostava de ir ao jogo com a Islândia em Alvalade, para a celebração, mas calha nos anos da minha irmã. Não sei se vai dar.

 

Logo se vê.

 

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De qualquer forma, em princípio, uma vez mais, não haverá crónica pré-jogos, a menos que aconteça algo de extraordinário. Mas, como o costume, irei deixando as minhas observações na página do Facebook.

 

Até lá…

 

Pedaços saborosos

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No passado dia 8 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere eslovaca por uma bola sem resposta. Três dias depois, a Seleção venceu a sua congénere luxemburguesa por nada menos que nove bolas sem resposta. Ambos os jogos contaram para a Qualificação para o Euro 2024.

 

Tenho muito pouco a dizer sobre o jogo com a Eslováquia. Não lhe prestei muita atenção. Para além de andar distraída com outras coisas, fui jantar fora nessa noite. Ainda consegui ver uma parte generosa do jogo na televisão, no restaurante, o resto acompanhei pela rádio. 

 

Mesmo quando podia ver, o jogo não me cativava – nem a mim nem a ninguém. Como muitos assinalaram, Portugal não entrou bem no jogo, atacando sem eficácia, cometendo erros defensivos que, felizmente, os eslovacos não conseguiram aproveitar.

 

O maior exemplo foi quando um deles rematou ao poste, aos quarenta e dois minutos. Deve ter servido de alerta – no minuto seguinte, chegámos finalmente ao golo.

 

 

Bruno Fernandes fez tudo sozinho nesta. Estava mais de metade da seleção eslovaca na grande área. O Marmanjo entrou pela direita, rematou de um ângulo difícil mas a bola entrou. 

 

Este golo tem sido comparado com um de Eusébio à seleção da antiga Checoslováquia em 1965. Terá um dos jogos mais marcantes da Qualificação para o inesquecível Mundial de 66 – os checos eram vice-campeões do Mundo em título na altura. Na minha opinião, o golo do Eusébio foi melhor. Ele pegou na bola mesmo na minha do meio-campo e galgou até quase à linha do fundo. Num terreno de péssima qualidade.

 

É por estas e por outras que acredito que nunca ninguém ultrapassará Eusébio. Porque ele foi o Melhor do Mundo em circunstâncias bem mais agrestes.

 

Regressando ao passado recente, como toda a gente disse, Bruno era o menino dos anos, mas fomos nós que recebemos a prenda. Terá sido o nosso melhor em campo – em parte por demérito dos restantes. Tal como tem acontecido várias vezes nos últimos anos, Portugal com um desempenho assim-assim durante a maioria do jogo, conseguindo a vitória graças a um lampejo de inspiração de uma das nossas grandes figuras. 

 

A segunda parte foi melhorzinha, mas continuou sem entusiasmar. O único evento assinalável foi o cartão amarelo de Cristiano Ronaldo, que o excluiu do jogo com o Luxemburgo. O Capitão não estava nos seus dias, mas parecia desesperado por marcar. O meu pai acha que ele tem noção de que a sua carreira está na fase do ocaso, logo, quer agarrar todas as oportunidades de golo como se fossem as últimas. No seu ímpeto, o pobre guarda-redes eslovaco levou com os pitons de Ronaldo. 

 

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Toda a gente viu que não foi com más intenções. Até porque Ronaldo fez logo gestos pedindo desculpa. Mas o cartão amarelo foi bem mostrado. Foi uma jogada perigosa e, de qualquer forma, o guarda-redes na grande área é intocável. 

 

Cristiano Ronaldo falhou, assim, o jogo com o Luxemburgo. Jogo é como quem diz… aquilo foi mais chuva de golos que outra coisa qualquer. 

 

Sou muito apologista do respeito pelo adversário e de só fazer prognósticos no fim do jogo. Mas, aqui entre nós, todos sabíamos que o mais certo era sairmos do Estádio do Algarve com uma goleada no bolso. 

 

Não que achasse que o Luxemburgo não fosse capaz de dar luta. Pelo contrário, eles estão em terceiro no grupo, na corrida para se Qualificarem para o Europeu. Se não marcássemos cedo, o jogo poderia complicar-se sem necessidade. 

 

Como se poderá concluir do resultado final, não havia motivo para preocupações. 

 

Nos últimos anos de blogue, uma das minhas partes preferidas nestes textos tem sido descrever os golos da Seleção. É pura auto-indulgência, desnecessário, sobretudo agora que os vídeos vêm logo parar aos YouTubes desta vida. Mas eu gosto. Sou eu aplicando o meu filtro pessoal. É a minha maneira de romantizar, de imortalizar.

 

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E, sejamos sinceros, noventa por cento deste blogue é auto-indulgência. 

 

No que toca a este jogo, no entanto, temos nove golos. Vou descrevê-los, mas com diferentes graus de detalhe – são muitos!

 

Houve nota artística logo no primeiro golo. Bruno Fernandes fez uma assistência de trivela e Gonçalo Inácio estreou-se a marcar de cabeça. A jogada do segundo também começou com Bruno, passou por uma assistência de Bernardo Silva e terminou com um tiro de Gonçalo Ramos.

 

O terceiro golo teve a mesma assinatura, mas uma assistência diferente: uma arrancada de Rafael Leão à moda antiga, pela esquerda. Adorei a meia-volta que Ramos deu ao receber a bola – antes de passar entre dois luxemburgueses e rematar.

 

Eu também já faço as pistolas com os dedos quando ele marca.

 

O quarto golo, em cima do intervalo, foi idêntico ao primeiro: Bruno Fernandes com uma assistência ligeiramente menos artística para a cabeça de Gonçalo Inácio.

 

 

Acho que todos concordamos que este miúdo provou que merece vir mais vezes à Seleção.

 

Não esperava que os Marmanjos mantivessem o mesmo ímpeto durante a segunda parte. E, de facto, eles abrandaram durante os primeiros quinze minutos. Mas depois o marcador tornou a funcionar e, uma vez mais, tudo começou com Bruno Fernandes. O Marmanjo esteve em todas! Desta feita, foi uma daquelas à distância, teleguiada, isolando Diogo Jota. Este, depois de ter falhado umas quantas na primeira parte, finalmente marcou. 

 

Jota também esteve no golo seguinte: uma assistência para o remate potente do recém-lançado Ricardo Horta – que, pelos vistos, não precisa de muitos minutos para marcar. Depois desse, Jota tornou a marcar. Entrou na grande área pela esquerda. Pareceu-me que queria passar a Otávio, mas a assistência acabou por vir de um jogador luxemburguês, simpático ao ponto de devolver a bola a Jota para que este rematasse. 

 

E depois de ter oferecido tantas aos colegas, foi a vez de Bruno Fernandes assinar um golo. A assistência foi de Ricardo Horta – os luxemburgueses não fizeram nada para os travar. Arrisco-me a dizer que, neste momento, Bruno Fernandes é o melhor jogador da Seleção. 

 

Nesta dupla jornada, pelo menos.

 

 

Foi depois deste golo, se não me engano, que o selecionador do Luxemburgo abandonou o banco – perdendo de imediato o meu respeito. O mínimo que se exige a um treinador é que fique com a sua equipa aconteça o que acontecer – o mínimo! 

 

É certo que o selecionador luxemburguês não se ausentou durante muito tempo. Pode dar a desculpa de ter ido ao WC. A minha mãe disse que ele foi vomitar. Ainda assim, não ficou bem.

 

João Félix encerrou a conta com um tiro bem jeitoso. Alguns de vocês terão reparado que alguém no Twitter prometera correr nu à volta do Marquês de Pombal caso Félix marcasse. Pois bem, o Marmanjo fez retweet, colocando o autor na berlinda. 

 

E, crédito seja dado, o bacano cumpriu.

 

Fiquei com uma certa pena por não termos chegado aos dois algarismos. Tirando isso, nada a apontar. Nove a zero, o nosso resultado mais dilatado de sempre. Sim, era o Luxemburgo, que nunca foi um tubarão. Mas era um Luxemburgo que está na luta pelo Apuramento. Esperava-se melhor. A nossa Qualificação continua imaculada – mais do que isso, está a ser fértil. Vinte e quatro golos marcados, nenhum sofrido. Nenhuma seleção se tem saído tão bem neste Apuramento.

 

Pode-se argumentar que Portugal não está a fazer mais do que a sua obrigação, tendo em conta o calibre dos adversários e o talento de que dispõe. Mas, da minha experiência, Portugal muitas vezes tem dificuldades em cumprir obrigações. Não é a primeira vez que nos calha um grupo fácil, mas é a primeira vez que temos um desempenho assim.

 

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Roberto Martínez dá o crédito aos jogadores por este feito, elogiando “a concentração e o compromisso”. Por exemplo, Martínez gostou do facto de Portugal ter mantido o ritmo na segunda parte. Eu também. Não levaria mal se tivessem abrandado – não era por mais golo ou menos golo – mas gostei que isso não tivesse acontecido. 

 

Ora, à boa maneira tuga, passámos logo do oito ao oitenta. Depois do jogo com a Eslováquia, toda a gente criticava a qualidade de jogo da Equipa de Todos Nós. Com razão, regra geral. Três dias depois, no entanto, já estava tudo cor-de-rosa. Nomeadamente no que toca à questão Cristiano Ronaldo, se estamos melhor com ele ou sem ele.

 

É possível que tivéssemos uma vitória menos dilatada caso Ronaldo tivesse jogado. Com ele em campo, em vez de tentarem marcar eles mesmos, talvez os outros sentissem a tentação de lhe passar a bola. “Deixa o avozinho tentar marcar, coitado, enquanto ainda tem pernas para isso.” Mas pronto, seria a diferença entre ganhar nove a zero ou ganhar seis a zero, como em março. O recorde batido soube bem, mas a vantagem foi só essa.

 

Além disso, o Luxemburgo não é a Suíça. Não se podem tirar grandes ilações de um jogo em que o adversário praticamente não existiu. 

 

E depois temos o extremo oposto. “Pois, perante o Luxemburgo até a minha avozinha! O que vamos fazer quando levarmos com um peso pesado?” Não me interpretem mal, é uma dúvida legítima, algo em que eu mesma tenho pensado. 

 

Por outro lado… de que adianta falar sobre isso agora? Este foi o grupo que nos calhou, temos um calendário para cumprir. Não nos preocupemos: quando garantirmos um lugar no Euro 2024, é só uma questão de tempo até nos cruzarmos com um tubarão. Aí poderemos tirar as dúvidas todas.

 

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Aliás, Martínez já disse que quer garantir matematicamente o Apuramento o mais depressa possível. Os restantes jogos servirão para treinar. 

 

Vai em linha com o que já disse antes. Com um grupo de Apuramento fácil como este e fazendo tudo bem, como Portugal tem feito até agora, 2023 seria sempre um ano de transição, um ano de adaptação para Martínez antes dos desafios de 2024. Pouco interessante em certos momentos, sim. Como disse o Gonzaal no outro dia, em linguagem de anime ou mesmo de séries de televisão, estamos a meio de um arco filler. Os guionistas estão a encher chouriços, a fazer tempo até à parte gira da história – neste caso, o Euro 2024. 

 

Sim, costuma ser uma seca. Mas, como deu para ver com o jogo com o Luxemburgo, de vez em quando apanhamos pedaços saborosos no meio destes enchidos. 


Havemos de continuar à espera deles deste lado. Bem, mais ou menos. Não se admirem se, antes da próxima dupla jornada, não houver crónica pré-jogos. São adversários repetidos, não devemos ter muito sobre que falar. A menos que haja alguma grande polémica na Convocatória – e mesmo assim. Em todo o caso, como habitual, vou deixando as minhas impressões na página do Facebook

 

Obrigada pela vossa visita.

Vendo o mesmo filme

01.pngNo passado dia 17 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere bósnia por três bolas sem resposta, no Estádio da Luz… e eu estive lá. Três dias depois, a Seleção venceu a sua congénere islandesa por uma bola sem resposta. Ambos os jogos contaram para a Qualificação para o Euro 2024. Com estes resultados, Portugal encontra-se em primeiro lugar no grupo J com doze pontos.

 

Comecemos pelo primeiro jogo, perante a Bósnia-Herzegovina. Um fim de dia bem passado, como acontece sempre que vejo a Seleção. A entrada no Estádio da Luz foi demorada, mesmo faltando cerca de uma hora para o apito final. Nesta tenho de concordar com a minha irmã: os acessos ao Estádio da Luz deixam muito a desejar, sobretudo quando comparados com os do Estádio de Alvalade – quando fomos ao jogo com o Liechtenstein, chegámos em cima da hora mas a entrada até foi rápida. Passar pelo túnel da Luz demora sempre imenso tempo – e consta que, desta vez, houve um problema qualquer com alguns bilhetes, o que atrasou tudo ainda mais.

 

Talvez a coisa tivesse demorado menos se eu não tivesse querido ir às roulottes. Foram mais uns vinte minutos na fila, se calhar sem necessidade. Ainda assim, não me arrependo – a bifana com ovo, bacon, cebola frita, queijo, cenoura ralada, batata frita e alface soube-me pela vida. 

 

E, mesmo tendo custado, ainda deu para chegar à bancada quando as equipas estavam a aquecer. Não foi grave. 

 

Eu é que, como poderão ver na foto, escolhi muito mal o meu lugar. Passei o jogo quase todo encostada para a frente, com a cabeça entre as traves. Fica a lição para o futuro: é preferível escolher filas mais acima.

 

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Ainda assim, até se via bem. Estava à espera de pior.

 

Uma palavra para a animação antes do jogo, melhor que o costume. A Galp deve andar a investir forte no patrocínio à Seleção: todos os lugares tinham um bate-palmas para fazermos barulho. Adiantando-me ligeiramente, usei-o muito em certos momentos do jogo, a ver se os Marmanjos acordavam. 

 

O melhor de tudo foi quando o animador pôs a tocar o refrão do Menos Ais. Não antes de explicar o que era, claro, pois 2004 já lá vai – uma grande fatia do público e mesmo parte da Seleção atual será demasiado jovem para se recordar. Consegui filmar o momento (sei que a minha vozinha é irritante, mas não peço desculpa por cantar). Seria sempre especial para mim, ainda o foi mais agora, depois de eu mesma ter recuperado este hino há pouco tempo, como expliquei no texto anterior. Agora estou com esperanças de que criem uma nova versão para 2024, a propósito dos vinte anos. 

 

Uma coisa um bocadinho chata foi os dados móveis terem-me falhado no estádio – às vezes acontece-me no meio de multidões. Não deu para ir atualizando a página, como costumo fazer, nem criar stories para os Instagrams desta vida. A vantagem foi ter podido estar presente, ter prestado a devida atenção ao jogo, sem a Internet para me distrair.

 

Não que o que se passou dentro de campo tenha sido muito estimulante. Como toda a gente tem assinalado, o futebol das Quinas não entusiasmou ninguém nesta dupla jornada. A Bósnia entrou por cima no jogo, algo de que eu não estava à espera. A primeira oportunidade foi deles, aos vinte e dois minutos. Na altura não consegui ver bem – a minha bancada era na outra ponta do campo. Vendo no resumo, não dá para ver se Barisic estava a centrar ou a fazer um belo remate. Só sei que Diogo Costa teve de se esmerar para impedir a bola de entrar mesmo pelo cantinho da baliza.

 

O miúdo é tão bom!

 

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No minuto seguinte, João Cancelo fez um belo cruzamento para Cristiano Ronaldo cabecear para as redes. Infelizmente, encontrava-se em fora-de-jogo.

 

Confesso que, nos minutos antes do golo de Bernardo Silva, já estava a pôr muitas coisas em causa. Concordo com o que o selecionador da Bósnia diria mais tarde: os nossos três golos foram marcados nas alturas certas. Este primeiro sobretudo, mesmo em cima do intervalo. 

 

A jogada começou em Raphael Guerreiro. Este passou para Cristiano, que acabou por ir ao chão depois da entrada de um sérvio. Ainda assim, fez a bola chegar a Bruno Fernandes. Este último fez a bola atravessar uma linha de quatro sérvios, para Bernardo Silva rematar certeiro.

 

Este golo trouxe-me alívio, euforia e preocupação em partes iguais – porque Ronaldo demorou um momento a levantar-se. Na idade dele, uma pessoa fica sempre com medo. Felizmente acabou por se erguer de novo e por se juntar aos festejos, ainda que coxeando – já depois de alguns colegas o terem abraçado. 

 

Ainda tive esperanças de que o golo servisse para desbloquear o jogo na segunda parte, mas não tive sorte. Os primeiros vinte minutos foram igualmente pastosos. A invasão do adepto foi o episódio mais excitante da segunda parte até esse momento.

 

Já agora, umas palavras sobre isso. De acordo com as autoridades do futebol – e não discordo – devíamos todos ignorar o que aconteceu para não dar ideias a outros, mas este momento foi demasiado delicioso. Nomeadamente a parte em que o moço pegou em Ronaldo e o elevou no ar. O safadinho deve ter tido um pico de adrenalina, daqueles que dão forças a uma pessoa para levantar um carro para salvar um filho.  

 

 

E infelizmente esta foi a única ocasião em que o estádio inteiro gritou “SIII!!” – o invasor pediu a Ronaldo para recriar o festejo. 

 

Não vou mentir: fiquei com uma pontinha de inveja.

 

Uma palavra agora para os adeptos da Bósnia. Não estava muito longe deles na bancada. Não sei se deu para ouvir em casa, mas eles passaram o jogo todo a cantar e a puxar pela sua equipa, mesmo depois de estarem a perder. Tenho sempre imenso respeito por adeptos assim. No fim do jogo, ainda troquei olhares com um par deles e fiz um gesto a aplaudir.

 

O jogo animou a partir dos setenta minutos, mais coisa menos coisa – quando Rúben Neves entrou. Ele mesmo fez uma assistência teleguiada para um grande cabeceamento de Bruno Fernandes para as redes. 

 

Ainda houve tempo para Diogo Jota desperdiçar uma excelente assistência de Ronaldo. Pelo meio, aos oitenta e oito minutos, Rúben Neves perdeu a bola errada, Hamulic rematou e Diogo Costa voltou a brilhar. Desta vez a defesa foi do meu lado, pude ver bem. E naturalmente gritei:

 

– Grande Diogo! Grande Diogo!

 

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Nós de facto somos abençoados. Nos últimos doze anos tivemos dois guarda-redes deste calibre de seguida: primeiro Rui Patrício e agora Diogo Costa.

 

Suponho que tenha de falar sobre os assobios a Otávio – algo de que, infelizmente, eu já estava à espera. Por um lado, irritou-me um bocado a atenção que se deu ao episódio. Uns quantos idiotas que assobiaram durante trinta segundos receberam mais atenção que os milhares que criaram o excelente ambiente na Luz durante o jogo todo.

 

E, sejamos sinceros, ao contrário de João Mário, o comportamento do Otávio em relação ao Benfica tem sido censurável. O que por sua vez só sublinha a hipocrisia dos adeptos – os que assobiaram são exatamente o tipo de pessoas que, como Otávio, insultam clubes rivais. 

 

Por outro lado, acho bem que este tipo de comportamentos – que não são uma novidade, infelizmente, sempre existiram – seja cada vez menos tolerado. É um primeiro passo para mudar mentalidades.

 

E de resto, parafraseando o que o Pepe disse, a realidade podia ser outra há trinta ou quarenta anos, mas desde que me lembro os jogadores entre eles, no seio da Seleção, não olham a clubes, dão se todos bem uns com os outros. Aliás, mesmo passados estes anos todos, poucas coisas me aquecem o coração tanto como ver os Marmanjos sendo afetuosos uns com os outros. É uma das melhores coisas, não apenas da Seleção, mas também do futebol em geral. Um exemplo a seguir. 

 

Finalmente, já em tempo de compensação e numa altura em que, nas bancadas, pedíamos “Só mais um!”, uma bola interceptada por um bósnio foi parar a Bruno Fernandes, em cima do limite da grande área. Este rematou de primeira, assinando o seu segundo golo. Estava feito o resultado. 

 

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Foi mais um fim de dia bem passado, como costuma ser o caso sempre que vou à Seleção – mesmo que o jogo em si não tenha sido muito apelativo, tirando na parte final. Se me dissessem antes do jogo que ganharíamos por 3-0, imaginaria uma exibição mais cativante. Por outro lado, depois de ter passado cerca de sessenta por cento da primeira parte receando um empate, para ser sincera, por alturas do apito final estava bastante satisfeita com o resultado.

 

Havemos de regressar a esse tema. Para já, temos de falar sobre o jogo com a Islândia. Não que eu tenha muita coisa a dizer. Estive a trabalhar durante a primeira parte – espreitando sites de atualizações quando podia – e acompanhei os primeiros quinze minutos da segunda parte via rádio. 

 

Parece que não perdi nada.

 

Do pouco que vi, os islandeses jogaram com mais garra do que eu esperava, depois daquilo que descobri acerca do seu historial recente. Recordou-me um pouco o nosso primeiro jogo no Euro 2016, na verdade. 

 

Um aspeto curioso foi o facto de todo o jogo ter decorrido à luz do dia. Uma coisa rara por cá, o que é pena, pois sempre gostei mais assim. O jogo decorreu na véspera do solstício de verão, um dos dias em que se observa o sol da meia-noite em países perto do Pólo Norte, como a Islândia. Bonito, mas Pepe e Ronaldo, coitados, queixaram-se de não conseguirem dormir com a luz – eu acho que também não conseguia. 

 

Para ver o jogo, no entanto, foi agradável. E pude ver o mais importante com os meus próprios olhos, pela televisão: o golo de Ronaldo ao cair do pano. Não consigo descobrir quem faz o excelente primeiro passe para Gonçalo Inácio. O jovem central, depois, assistiu de cabeça para Ronaldo enfiar a bola no estreito intervalo entre o guarda-redes e a trave. 

 

 

A festa ficou em stand-by pois o árbitro assistente assinalou fora-de-jogo a Gonçalo Inácio e o VAR foi chamado a intervir. Estivemos minutos em suspenso, mas no fim o árbitro tomou a decisão correta (ainda que os islandeses não concordem). Os Marmanjos festejaram como se a bola tivesse acabado de entrar – não sei como conseguem, para mim o VAR corta sempre o momento. E, uma vez mais, depois de uma exibição tão fraquinha, foi um alívio levarmos os três pontos à mesma.

 

A ideia com que fico – e a minha opinião vale o que vale, pois só vi uma parte do jogo – é que foi pior que perante a Bósnia. No jogo anterior sempre marcámos três golos e não foi necessário os bósnios terem ficado reduzidos a dez.

 

Nada disto é novo, temos visto este filme muitas vezes nos últimos anos. Só acho estranho ainda estar em exibição mesmo com um novo Selecionador. Como em muitas ocasiões durante o mandato de Fernando Santos, há atenuantes e/ou desculpas. Estamos no fim de uma época longa e estranha – por exemplo, uma semana antes do jogo com a Bósnia, Bernardo Silva e Rúben Dias estavam a jogar a final da Champions. Martínez fartou-se de falaram em “fadiga mental” ao longo desta jornada – não acho que esteja errado. E, se falarmos estritamente de resultados, as coisas até estão a correr bem.

 

Mais do que bem, até: quatro vitórias em quatro jogos, catorze golos marcados, nenhum golo sofrido. Uma Qualificação imaculada até agora, algo inédito nas mais de duas décadas em que acompanho futebol, algo que sempre desejei. E claro que nem sempre é possível fazer exibições de encher o olho, sobretudo nesta altura do campeonato.

 

O problema é a longo prazo, quando deixa de ser suficiente. É o que tem acontecido inúmeras vezes de 2016 para cá. Serviços mínimos exibicionais, dependendo menos da equipa como um todo e mais de lampejos de inspiração das nossas maiores figuras, conseguindo os resultados, conseguindo os resultados… até não conseguir. Pouco importa pouco importa… até ao dia em que importa muito: no Mundial 2018, no grupo da Liga das Nações em 2020, na Qualificação para o Mundial 2022, no grupo da Liga das Nações em 2022, no Mundial desse mesmo ano. 

 

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Não quero apontar já armas a Martínez. O senhor acabou de chegar, ainda não teve assim tantas ocasiões para trabalhar com os Marmanjos. E, mal por mal, está a conseguir resultados com a Seleção que ninguém consegue há pelo menos duas décadas. O tempo dirá se estas mais exibições foram ocasionais ou se isto é um problema sistemático que nos leve a desperdiçar oportunidades… outra vez. 

 

Uma palavra para Cristiano Ronaldo antes de terminarmos. A meu ver, o Marmanjo voltou a justificar a sua Convocatória nesta dupla jornada. Todos assinalaram o seu altruísmo durante o jogo com a Bósnia. Perante a Islândia, por sua vez, fez de Deus Ex Machina, como tem feito inúmeras vezes nos últimos vinte anos. E agora atingiu o número redondo de duzentas internacionalizações – é o futebolista masculino que mais vezes representou a sua Seleção. 

 

E diz que quer continuar.

 

Já partilhei o que penso e sinto em relação a isso na página do Facebook. Em suma, a minha cabeça tem inúmeras objeções mas o meu coração terá sempre, no mínimo, uma porta semi-aberta para Cristiano. 

 

A ver o que acontece daqui a um par de meses. Para já, aproveitemos as férias – estamos todos a precisar – e rezemos para que os Marmanjos não migrem todos para a Arábia Saudita.

Nível um

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Na passada quinta-feira, dia 23 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere liechtensteiniana por quatro bolas sem resposta… e eu estive lá. Três dias mais tarde, a Seleção deslocou-se ao Luxemburgo, onde venceu a seleção local por seis bolas, também sem resposta.

 

Como tinha dito no texto anterior, fui ao jogo com o Liechtenstein (meu Deus, odeio escrever “Liechtenstein”. Ainda bem que, depois deste texto, só terei de fazê-lo em novembro.) com os meus pais. Como era mais ou menos inevitável com idas ao futebol durante a semana, não deu para sair tão cedo como o ideal. Ainda assim, chegámos aos nossos lugares precisamente na hora certa: no curto intervalo entre o hino do Liechtenstein e A Portuguesa.

 

Já que falo nisso, por estes dias aprendi uma coisa nova. Enquanto passávamos pela cancela dos bilhetes e procurávamos a nossa bancada, soou o hino do Liechtenstein. Reconheci a melodia.

 

– Mas isto é o God Save the Queen.

 

Na altura não me lembrava que a Rainha já tinha morrido e agora o hino oficial é God Save the King.

 

Mais tarde, em casa, fui pesquisar e descobri que existem várias canções patrióticas que usam esta melodia – que foi originalmente composta em França, no século XVII. Algumas delas foram hinos nacionais no passado – por exemplo, nos Estados Unidos e na Suíça – mas a Noruega usa-a como hino à sua família real e, como se viu, o Liechtenstein ainda a usa como hino nacional.

 

Deve ser esquisito quando o Liechtenstein joga contra a Inglaterra.

 

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Regressando ao nosso jogo, a minha mãe gostou do ambiente. O meu pai, no entanto, tem muito do arquétipo do velho resmungão e queixou-se de ver mal e de não haverem repetições. E, como podem ver na fotografia, trouxe o seu pacotinho de amendoins, com uma mola e tudo. 

 

Enfim.

 

Estávamos sentados perto da bandeirola de canto direita, junto à baliza norte – a do Liechtenstein durante a primeira parte. Fomos regalados, logo nos primeiros minutos, com um “cabrito de João Cancelo – caso Roberto Martínez ainda tivesse dúvidas em relação ao significado do termo. A minha mãe gostou muito de vê-lo jogar, a ele e ao João Félix. Não foi a única. 

 

E não tardou muito até celebrarmos um golo, precisamente de Cancelo. A bola sobrou para ele na sequência de um canto, ele pontapeou com força. Foi também um “frango” do guarda-redes do Liechtenstein, que basicamente defendeu para dentro da baliza. Em todo o caso, estava aberto o marcador. Primeiro golo de 2023. 

 

Infelizmente, o resto da primeira parte entreteve pouco. Os liechtensteinianos, coitados, só tinham capacidade para estacionar o autocarro e chutar para a frente. O Rui Patrício apanhou uma seca – em ambos os jogos desta jornada, na verdade. 

 

Não vou culpar uma seleção de microestado, com jogadores competindo em ligas regionais, por não conseguirem fazer frente a Portugal: uma seleção recheada de jogadores que alinham nalguns dos melhores clubes da Europa. Mas não gostei da atitude do guarda-redes deles: queimando tempo em todos os pontapés de baliza, mesmo depois de estarem a perder.

 

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Ó homem, ninguém espera que o Liechtenstein consiga competir com Portugal, mas tem algum amor próprio! Dá uma oportunidade, a ti e aos teus colegas, para pelo menos tentarem!

 

Não deu para ver aí em casa – eu confirmei-no – mas a certa altura, aquando de mais um pontapé de baliza, Cristiano Ronaldo pegou na bola e foi ele mesmo colocá-la para o guarda-redes, para que não perdesse mais tempo. Nós, no público, rimo-nos – que Ronaldo nunca mude!

 

Portugal desperdiçou muitas oportunidades durante a primeira parte – Bruno Fernandes, Ronaldo (uma que ele não costuma falhar). No que toca a este último, no entanto, o público não pareceu demasiado desiludido. Pelo contrário, continua aquilo que eu tinha observado no jogo com a Suíça no ano passado: Ronaldo continua a ser apaparicado, continua a receber aplausos mesmo quando falha remates. 

 

Ele merece nesta fase? Discutível. Em todo o caso, ele retribuiria mais tarde. 

 

Aqui entre nós, fiquei um bocadinho zangada por a maior parte dos golos terem sido marcados na baliza mais longe de nós. Mas pronto. 

 

Logo a abrir na segunda parte, Cancelo centrou para a grande área, um dos jogadores do Liechtenstein segurou mal a bola e Bernardo Silva aproveitou para rematar certeiro para as redes. Menos de cinco minutos depois, o árbitro marcou penálti a nosso favor e – quem mais? – Ronaldo foi chamado a converter e não falhou.

 

 

A minha mãe não sabia que ultimamente, em jogos da Seleção, quando Ronaldo marca, o público grita “SIIIIII!!!” em coro com ele. Eu não lhe tinha contado precisamente para não estragar a surpresa. E fico feliz por ela ter podido ver por ela mesma – como referi no texto anterior, nesta altura é quase só por isso que aceito que Ronaldo continue na Seleção.

 

O segundo golo dele sempre foi mais interessante: um livre direto, mesmo à entrada da grande área. Uma vez mais, o guarda-redes conseguiu tocar na bola, outro se calhar conseguiria defender. Ou talvez não, foi um remate bastante potente.

 

Parece irreal. O tempo vai passando, tanta coisa vai mudando, mas o Ronaldo continua a fazer aquilo que faz há dezoito anos: a marcar pela Seleção. Continua a ser uma constante na nossa vida, mesmo numa altura em que muitos já teriam pendurado as chuteiras. Uma pessoa começa a pensar…

 

Regressando ao jogo com o Liechtenstein, infelizmente não houveram mais golos depois deste – por muito que fôssemos pedindo “Só mais um! Só mais um!” – nem aconteceu nada mais de assinalável. Não vou falar dos assobios a João Mário – quem acompanhe este blogue ou a sua página no Facebook já sabe o que penso sobre clubites, não tenho nada a acrescentar. Destaco apenas as declarações de João Palhinha sobre o assunto – esteve muito bem. 

 

Por outro lado, tenho de assinalar este momento, que tive o privilégio de ver com os meus próprios olhos. Grande Cancelo!

 

Em suma, um resultado perfeitamente aceitável para este adversário – e uma noite bem passada, pela parte que me toca. No dia seguinte, doía-me tudo e tinha a voz um pouco rouca – prova de que tinha aproveitado bem. Podia ter sido uma vitória mais volumosa mas pronto. Sempre foi o nosso primeiro jogo com este Selecionador, que só tinha feito dois treinos. Longe de ser grave. 

 

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Sabíamos que as coisas não seriam tão fáceis perante o Luxemburgo. Também uma seleção de microestado, mas uns furos acima do Liechtenstein. Só perdera dois dos nove jogos que disputara antes e as nossas últimas visitas não foram muito fáceis. Estávamos todos cautelosos. 

 

Tais preocupações esfumaram-se ao fim de vinte minutos e três golos. 

 

O primeiro foi marcado aos nove minutos. Bruno Fernandes assistiu para Nuno Mendes, em cima da linha de fundo. Este cabeceou para os pés de Cristiano Ronaldo. Acho que este último não estava à espera de receber a bola, mas a confusão só durou uma fração de segundo. Depressa a bola foi parar às redes. 

 

Os portugueses estavam bem representados no Estádio do Luxemburgo e fizeram-se ouvir neste momento: gritando “SIIII!!” em coro com Ronaldo, cantando o nome dele. Aqui entre nós, foram um público ainda mais efusivo que nós, em Alvalade. Não tendo tantas oportunidades para verem a Seleção jogar, os emigrantes aproveitam bem quando conseguem. 

 

Só tivemos de esperar mais cinco minutos pelo segundo golo. Uma grande assistência de Bernardo Silva e eu adorei o salto de João Félix, cabeceando para as redes luxemburguesas.

 

E a pose que ele fez nos festejos. 

 

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Foi bastante comentado o facto pouco habitual de a Seleção ter marcado três golos de cabeça. Algo que acho ainda mais engraçado é o facto de terem sido todos marcados por “baixinhos”. O terceiro golo, aos dezassete minutos, veio depois de outra grande assistência, desta vez de João Palhinha, para a cabeça de Bernardo Silva.

 

Finalmente – pelo menos no que toca à primeira parte – em cima da hora de jogo, foi a vez de Bruno Fernandes isolar Ronaldo para que este bisasse.

 

Por esta altura, todas as oportunidades de Portugal tinham sido convertidas a golo – tirando uma de Danilo, anulada por fora-de-jogo, e uma bola na trave de Félix, em cima do intervalo. A Seleção eficaz? Que coisa tão estranha!

 

A segunda parte do jogo não foi tão bem conseguida. Portugal desacelerou um pouco e o Luxemburgo começou a dar mais luta – sem consequências práticas. Portugal melhorou com as substituições, sobretudo com as entradas de Otávio e Rafael Leão. O primeiro foi outro “baixinho” a marcar de cabeça aos 76 minutos. Nuno Mendes e Rafael Leão meteram-se pela esquerda, o último centrou para Otávio, que teve de saltar para cabecear para as redes.

 

Pelo meio, Rúben Neves cobrou um livre mas a bola bateu com estrondo na trave. Aos 85 minutos, o árbitro assinalou um penálti a nosso favor. Como todos os habituais conversores já tinham saído, foi Leão bater… mas não correu bem. Parece que foi o primeiro penálti que ele cobrou enquanto sénior. E como já estávamos a ganhar por muito… aceita-se. A defesa do guarda-redes serve de momento de honra para o Luxemburgo, no meio da goleada. 

 

Dito isto, é bom que Leão vá praticando penáltis. A médio/longo prazo poderemos ter desempates por grandes penalidades, precisamos de gente que saiba batê-los.

 

Na jogada seguinte deu-se um momento caricato, quando Otávio rematou e Gonçalo Ramos fez de central luxemburguês. Não seria a Seleção sem uma dose saudável de parvoíce. 

 

 

Felizmente, Leão conseguiu redimir-se. Rúben Neves fez-lhe o passe, Leão seguiu pela esquerda, passou por vários luxemburgueses e, no fim, rematou certeiro.

 

Foi assim a nossa dupla jornada inaugural da Qualificação: seis pontos (o que não acontecia desde 2012), dez golos, nenhum sofrido. Somos líderes do grupo. Não vou mentir, sabe bem depois da inconsistência dos dois últimos Apuramentos. Sobretudo o segundo jogo – um progresso em relação às três visitas anteriores ao Luxemburgo. Ronaldo marcou quatro golos, quando alguns de nós pensavam que o tempo dele na Seleção já tinha terminado. Ele e os outros Marmanjos parecem contentes com Roberto Martínez.

 

Aliás, tenho gostado das palavras dos jogadores em relação à mudança de técnico: elogiando Martínez, sem deixar de mostrar respeito e gratidão pelo trabalho de Fernando Santos. Isto é, tirando Cristiano Ronaldo – Fernando Santos contrariou o menino, logo, virou persona non grata. O Capitão parece estar numa fase melhor que durante o Mundial, mas pelos vistos continua a só querer “yes men” na sua vida.

 

Em todo o caso, apesar das dúvidas que permanecem em relação a Roberto Martínez, nota-se que este está a fazer um esforço. Tem estado a aprender português, já canta o hino (ainda que a minha irmã torça o nariz), rodeou-se de gente, como Ricardo Pereira (o antigo guarda-redes) e Ricardo Carvalho, que conhece bem a Seleção e o futebol português e diz que quer falar com Fernando Santos em breve. Como disse antes, respeito a humildade e o compromisso.

 

Dito isto… estes jogos não provam quase nada (e isto é válido tanto para Martínez como para Ronaldo neste momento). É quase para dizer: perante estes adversários e com os jogadores que temos hoje em dia, até as nossas avozinhas conseguiam. Até eu conseguia. Isto foi pouco mais que a nossa obrigação. Estou contente mas não alinho em euforias. Isto foi apenas o nível um.

 

Claro que dá imenso jeito termos uma fase de Apuramento com uma progressão relativamente linear em termos de dificuldade. A próxima dupla jornada não será tão fácil… mas falamos sobre isso na altura. Gostava de ir ao jogo com a Bósnia, mas os bilhetes estão “temporariamente” esgotados. A ver se consigo comprá-los quando os puserem à venda de novo. 

 

Como sempre, obrigada pela vossa visita. Até à próxima.

 

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