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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Portugal 4 Letónia 1 - Dois minutos de susto

fonte, quaresma e ronaldo.jpg

No passado domingo, dia 13 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere letã por quatro bolas a uma, no Estádio do Algarve, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da Modalidade.

 

Olhando apenas para o resultado, ninguém diria que a Seleção Nacional se viu à rasca para ganhar à Letónia, em certos momentos. Ao contrário do que aconteceu nos dois jogos anteriores, Portugal não conseguiu marcar cedo e, como é frequentemente perante seleções como a letã, a coisa complicou-se. A primeira parte da Seleção foi sofrível, pastosa, fazendo lembrar vários jogos da Qualificação para o Euro 2016. A Letónia estacionara o autocarro frente à baliza e, ao contrário do que tinha acontecido com o português, este não tinha furos. O penálti, aldrabado por Nani, veio em boa hora - de outra maneira não íamos lá. Cristiano Ronaldo não desperdiçou. Mesmo assim, a vantagem no marcador não deu grande tranquilidade.

 

No início da segunda parte, pouca coisa mudou. A Seleção conseguiu cravar mais um penálti a seu favor, desta feita legítimo. Quando Ronaldo foi batê-lo, por acaso recordei-me de um jogo do Real Madrid, há tempos, em que ele tinha marcado um penálti e falhado outro. E, de facto, a história repetiu-se: a bola bateu primeiro no poste, depois no guarda-redes letão, e saiu para fora.

 

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Como qualquer adepto de futebol sabe, nestas situações, quem não marca, sofre. Numa altura em que Fernando Santos já tinha feito entrar Ricardo Quaresma, os defesas portugueses desentenderam-se e deixaram que Zjuzins rematasse para golo, conseguindo a igualdade.

 

O susto, felizmente, só durou um minuto ou dois. Logo de seguida, Quaresma assiste para a cabeça de William Carvalho, que remata para o seu primeiro golo com a Camisola das Quinas.

 

Só agora, no fim do jogo, é que os portugas acordavam para a vida - sobretudo depois da entrada de Gelson Martins. O Gelson é como a minha cadela, Jane: quando a solto para brincar com outros cães, ela dá-lhes energia, mete-os todos a correr. O Gelson faz o mesmo com os colegas de equipa, quando entra em campo.

 

Ainda houve tempo para Ronaldo se redimir do penálti falhado com um golo acrobático, após assistência, mais uma vez, de Quaresma. Mais tarde, seria Bruno Alves a marcar. É bem possível que a vantagem se dilatasse ainda mais se o jogo fosse mais comprido - de notar, aliás, que o árbitro escolheu terminar o encontro a meio de uma jogada de ataque de Quaresma. Não foi uma noite brilhante em termos de arbitragem.

 

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Em defesa dos jogadores, eles bem tinham passado a semana anterior a avisar que não ia ser fácil. Ao menos foram homenzinhos e, quando foi preciso, reagiram bem - algo que, conforme assinalaram aqui, é uma tradição do reinado de Fernando Santos. Por falar disso, este jogo lembrou-me vários outros, no Apuramento para o Euro 2016: exibições pouco entusiasmantes, Quaresma entra e ajuda a resolver com assistências. Isso não é uma crítica - conseguimos a nossa melhor Qualificação jogando assim. A diferença e que, agora, temos mais talento em campo, não nos limitamos a vitórias pela margem mínima - o que será importante para as contas do Apuramento.

 

Não houve brilhantismo mas o dever ficou comprido. Encerramos 2016 com uma vitória, tal como desejávamos.

 

Como já vai sendo hábito, esperam-nos, agora, mais de quatro meses sem jogos da Seleção. É muito tempo, muita coisa pode mudar até lá - no ano passado, por exemplo, foi tempo suficiente para promessas, como Gonçalo Guedes e Rúben Neves, perderem fulgor e para Renato Sanches surgir do nada  como o novo menino-bonito do futebol português.

 

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Este ano, porém, não me queixo muito - dá-me jeito uma pausa pois tenho sentido algum desgaste com este blogue. Por exemplo, demorei mais tempo do que o costume a escrever e publicar as duas crónicas anteriores a esta (fiz um esforço com este texto para não o arrastar demasiado). Não sei se é por andar com menos tempo para escrever, por estes jogos não serem assim tão interessantes, por o Euro 2016 ter esgotado toda a energia que costumo dedicar a este blogue. Em breve terei de começar a trabalhar na habitual revisão do ano (vai saber bem recapitular 2016) mas, depois disso, será bom não ter de escrever para este blogue durante uns tempos. É provável, no entanto, que daqui a uns dois ou três meses já ande doida com saudades da Seleção. Ao menos assim, quando estivermos em vésperas dos próximos jogos, saberei que recuperei a minha energia e estarei entusiasmada por votar escrever sobre a Equipa de Todos Nós.

 

Em todo o caso, a página do Facebook continuará no ativo durante estes meses, sempre atenta a tudo o que se relacione com a Seleção Nacional e com os seus jogadores. Não deixem de a visitar, se ainda não o fizeram.

 

Inglaterra 1 Portugal 0 - 10 de 11 milhões

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Na passada quinta-feira, dia 2 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol foi ao Estádio de Wembley, em Londres, defrontar a congénere local, num jogo de caráter preparatório do Campeonato Europeu da modalidade, que começa em França dentro de poucos dias. Este encontro terminou com uma vitória pela margem mínima para a seleção da casa.

 

A Inglaterra entrou no jogo claramente a dominar, com Portugal concentrando-se mais à defesa, com pouquíssimas oportunidades de golo para ambas as equipas. Só Deus sabe o que poderia ter acontecido se o curso normal do jogo não tivesse sido alterado... pela expulsão do Bruno Alves.

 

Fernando Santos e alguns jogadores mais tarde defenderiam que o árbitro podia ter sido mais compreensivo e evitado o vermelho, visto este ser um jogo particular e Bruno Alves não ter agido por maldade e tal. Eu no entanto acho que ele foi bem expulso. Com intenção ou não (e não me parece que tenha havido), aquele golpe de kung-fu podia ter tido consequências graves e era completamente desnecessário num jogo a feijões. Além disso, o lance correu mundo (sabem como os ingleses são...), deixando uma má impressão da Turma das Quinas. Eu fico um bocadinho preocupada, porque o defesa já anda nisto há demasiado tempo, devia ter juízo. Dito isto, é melhor cometer asneiras destas quando não conta para nada, antes do Europeu, em vez de cometê-las quando for a sério - sim, Pepe, estou a falar de ti e do teu momento de parvoíce no jogo com a Alemanha. Aliás, tu também me preocupas, depois das fitas que fizeste na Liga dos Campeões. 

 

 

Portugal já não estava grande coisa em termos ofensivos, embora defendesse bem (enormes Ricardo Carvalho, Rui Patrício e Danilo). Ficando a Seleção obrigada a ser apenas 10 de 11 milhões, teve de sacrificar Rafa, ficando apenas com um avançado. Ou seja, desistimos quase completamente de atacar. A verdade é que os ingleses também não aproveitaram a oportunidade. Houve até uma altura, no início da segunda parte, em que os portugueses pareceram tomar as rédeas do jogo, mesmo em desvantagem numérica - mas não durou muito. O golo da vitória surgiu apenas nos últimos minutos, fruto de uma bola parada - Portugal já ganhou muitos jogos desta forma, não temos direito de queixa.

 

Por esta altura, já estou tão habituada a particulares parecidos com este que já nem sequer digo que foi anticlimático. Este jogo, aliás, recordou-me o nosso último com a França, em que também defendemos até mais não conseguirmos, ainda que as circunstâncias tenham sido diferentes - estávamos a jogar com onze, tínhamos Cristiano Ronaldo, etc). Começo, aliás, a questionar um bocadinho a importância destes particulares, sobretudo em alturas críticas, como esta. A época futebolística está cada vez mais desgastante, os jogadores lesionam-se com mais frequência, correndo o risco de falhar competições importantes, como o Europeu, a Copa América e o Mundial. Não é de admirar nem de censurar que os jogadores tentem poupar-se nos jogos a feijões (ou, no caso de Cristiano Ronaldo, que faltem a metade deles), mas o espetáculo sofre. É, assim, possível que o medo do desgaste tenha condicionado a Inglaterra a jogar menos bem, pelo menos em parte. Por esta altura, os particulares só servirão mesmo para fazer experiências, afinar estratégias, cometer asneiras evitando repeti-las quando for a sério e dar minutos a jogadores normalmente menos utilizados - que poderão, eventualmente, surpreender pela positiva.

 

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Este jogo serviu, ao menos, para ensaiar a reação a um eventual cartão vermelho durante o Europeu. Reação essa que não foi má, mesmo com todas as atenuantes. No entanto, a pobreza exibicional do jogo só me faz, em parte, ansiar ainda mais pela nossa estreia no Europeu. Em parte, porque a outra parte de mim tem um bocadinho de medo do momento da verdade, do momento em que a Equipa de Todos Nós terá de se deixar de conversa fiada e provar as suas ambições em campo. 

 

Antes disso, teremos ainda um último particular antes de partirmos para França: dia 8 com a Estónia, no Estádio da Luz, em princípio já com Pepe e Cristiano Ronaldo. Não temos historial recente com a seleção estónia: dois jogos da Qualificação para o Mundial 2006 há mais de dez anos que correram bem para o nosso lado, e um particular em 2009 que esqueci por completo - nem sequer escrevi sobre ele no blogue. O histórico é-nos claramente favorável: ganhámos todos os jogos, exceto o de 2009, que empatámos. O jogo de quarta-feira decorre perto de minha casa, mas não posso ir vê-lo. Tenho uma certa pena, pois é a despedida da Seleção antes do Europeu, mas o adversário também não é o mais apelativo. E, de qualquer forma, queria tentar dar um salto ao aeroporto à hora da partida deles, no dia seguinte. É possível que me atrase um pouco mais do que o habitual com a crónica desse jogo, mas esta virá sempre antes do jogo com a Islândia. 

 

Continuem desse lado, aqui e na página do Facebook, enquanto a Seleção afina armas para aquilo que se espera que seja uma participação inesquecível, pelos melhores motivos, no Europeu de França.

Antes da nossa estreia no Mundial 2014

Na madrugada de sexta, dia 6 de junho, para sábado, dia 7, a Seleção venceu a sua congénere mexicana por uma bola sem resposta, num jogo amigável que teve lugar no Gillette Stadium, em Boston. Quatro dias depois, no Met Stadium, em Nova Iorque, a Seleção enfrentou a sua congénere irlandesa e tornou a vencer, desta feita mais expressivamente, por cinco bolas contra uma. 

Não escrevi entradas individuais para cada um destes jogos, como costumo fazer, essencialmente por falta de tempo e de material. Quando falo em material, refiro-me à análise ao jogo por parte de um jornal desportivo, no dia seguinte, na qual me baseio para escrever as crónicas. Devido à hora tardia destes últimos encontros, não foi possível aos jornais fazerem uma análise completa aos mesmos, logo, faltaram-me as bases para escrever mais exaustivamente sobre eles. 


O jogo com o México, de resto, pouca história teve, assemelhando-se ao do Jamor, contra a Grécia. Neste, o nosso domínio não foi tão constante, os mexicanos estiveram várias vezes por cima, o jogo poderia ter dado para ambos os lados. Só não virou a favor dos mexicanos graças a Eduardo, que fez uma mão cheia de belas defesas, provando merecer estar entre os Convocados - em termos de guarda-redes, a Seleção está bem servida. Numa altura em que aquilo já me parecia uma repetição do sábado anterior, em que considerava que aquelas quase duas horas teriam sido melhor empregues a dormir, João Moutinho bateu um livre, assistindo Bruno Alves para o único golo da partida. Para um defesa, o Bruno anda a marcar bastante pela Seleção. Foi um triunfo pela margem mínima, ao cair do pano, mas que sempre serviu para levantar um pouco a moral. 

O jogo com a República da Irlanda foi melhor, esse sim valeu as horas e sono perdidas. É claro que ajudou o facto de os irlandeses estarem uns furos abaixo dos gregos e dos mexicanos, mas os portugueses não deixaram de proporcionar bons momentos de futebol - e não foi apenas o recuperado e regressado Cristiano Ronaldo a brilhar. A partida começou logo bem, com um golo do (para muitos) improvável Hugo Almeida, assistido por Varela. O resto do jogo desenrolou-se mais ou menos da mesma forma, com Portugal em claro domínio. Fábio Coentrão marcou um meio golo, assistindo um infeliz irlandês, que marcou na sua própria baliza. Mais tarde, Ronaldo tentou a sua sorte, falhou, Hugo Almeida foi à recarga e conseguiu marcar.


Muitos podem ter ficado surpreendidos com o desempenho do ponta-de-lança, mas eu não, pelo menos não tanto. Ele já não marcava pela Seleção há um ano, é certo, e chegou a fazer um par de jogos infelizes no passado recente. Eu, no entanto, lembro-me que há uns anos ele marcava com regularidade pela Seleção. Fico satisfeita por esse Hugo Almeida estar, aparentemente, de regresso a tempo do Mundial.

Ao início da segunda parte, eu receava (e quase esperava, pois sempre me daria uma desculpa para parar de ver o jogo e ir dormir) que o rendimento decaísse, sobretudo quando se processassem as substituições. Tal não chegou a acontecer, tirando o golo que sofremos. Para quase toda a gente, tal golo nasceu de uma falha de concentração. A minha irmã, contudo, alega que o livre foi batido antes do tempo, quando os portugueses ainda organizavam a barreira. Quanto a isso, não consigo chegar a nenhuma conclusão, nem mesmo depois de rever as imagens do golo. Apenas dá para ver que, independentemente do motivo, os Marmanjos estavam de facto distraídos durante esse lance.

Muitos esperariam que a saída de Cristiano Ronaldo tirasse qualidade ao jogo. Não foi isso que aconteceu pois, quando saiu Ronaldo, entrou Nani, cheio de ganas, que rapidamente assistiu para os dois últimos golos da Seleção Portuguesa, um de Vieirinha, outro de Fábio Coentrão (que também anda mais goleador do que o habitual, se considerarmos o seu meio golo na primeira parte). Pelo meio, ainda viu um golo anulado após uma linda jogada de tiki-taka por ele protagonizada. Nani dá-nos, deste modo, sinais de que poderá fazer um bom Mundial, algo que, há escassas semanas, me parecia altamente improvável.


Depois de, anteriormente, ter defendido que o empate frente à Grécia não provava nada, seria hipócrita estar agora a dizer que estes dois últimos particulares provam muito mais. Se é de esperar que, numa fase mais avançada da preparação do Mundial, os jogos corram melhor, a verdade é que, há dois anos, Portugal perdeu de forma ridícula com a Turquia mas não deixou de fazer um belo Euro 2012. Viu-se que os portugueses pelo menos parecem empenhados, motivados. No entanto, todos sabemos que, quando for a doer, tudo será diferente.

Será a doer já amanhã, segunda-feira, pelas cinco da tare, hora portuguesa, no Arena Fonte Nova, em Salvador da Bahia, frente à Alemanha. É o segundo campeonato de seleções consecutivo em que nos estreamos com os nossos amigos alemães, que de resto também defrontámos no Mundial 2006 e no Euro 2008. Não guardamos boas recordações de nenhum desses jogos, embora talvez pudéssemos ter guardado do último.

Há uns meses, diria que seria pouco provável ganharmos. Hoje, contudo, não acho que seja assim tão improvável. O jogo do Euro 2012 podia ter-se virado a nosso favor, bastaria aquela bola ao poste do Pepe ter entrado, ou o remate de Varela na segunda parte. Além do mais, o futebol alemão não parece tão ameaçador agora, já que este ano nenhuma equipa alemã atingiu a final da Liga dos Campeões. Também me soa animador o facto de os portugueses do Real Madrid terem sido bem sucedidos frente às várias equipas alemãs que lhes saíram na rifa. Alguns adeptos alemães não parecem, igualmente, muito confiantes na sua seleção. Por fim, os alemães deram a entender em algumas declarações que nos subestimam, com destaque para aquela em que nos comparavam com a Arménia.


Tudo isto, no entanto, não passa de conjeturas, se não forem ilusões. Não alteram o facto de a Alemanha ser, a par da Espanha (isto é, depois do jogo com a Holanda não sei...), Brasil e Argentina, uma das seleções candidatas ao título mundial, tal como o era há dois anos. Portugal pode vencer a Alemanha, mas terá de suar para fazê-lo. Por um lado, gostava mesmo de ganhar este jogo, ou pelo menos de empatar, para não ter de escrever uma crónica intitulada "22 homens atrás de uma bola, a trilogia" e também porque, se conseguíssemos vencê-los, seria um sinal de que até poderíamos ser candidatos ao título. Por outro lado, eu conheço a maneira como a Seleção Portuguesa funciona. Sei que se sai melhor sobre pressão, perante adversários mais fortes ou situações de aperto em termos de classificação. Os Estados Unidos já nos apanharam de surpresa uma vez, o mesmo pode acontecer caso entremos em campo com eles com a atitude descontraída de quem já tem três pontos amealhados. Daí que quase prefira o empate, ou mesmo a derrota.

De qualquer forma, a partir de amanhã, acabarão as teorias, os prognósticos, as apostas. O que quer que aconteça durante o jogo, cada golo, cada falta mal cobrada, cada cartão injustamente atribuído, ficará escrito a tinta-da-china na História. Poderemos, depois, olhar para eles da maneira que quisermos, mas não haverá maneira de mudá-los. Só aí saberemos quem estava certo ou errado, só aí será determinado o verdadeiro valor da nossa Seleção. Já sinto o "bichinho" a morder, a típica mistura de nervosismo e excitação, quando olho para os jogos já ocorridos do Mundial e respetiva repercussão nos media e redes sociais, e me apercebo que, na segunda-feira, seremos nós o objeto das notícias, análises, comentários e piadas.

Conforme tenho repetido inúmeras vezes nos últimos tempos aqui no blogue, não vou poder ver a primeira parte do jogo. Agora que estamos mais perto do mesmo, calculo que poderei ir estando a par d que for acontecendo, quer através do relato radiofónico, quer através de um daqueles sites, que se vão atualizando com os lances, quer, se tivermos sorte, através das das exclamações das pessoas que estiverem a ver os jogos nos cafés da zona. Quando sair, por volta das seis, corro para um desses cafés para ver a segunda parte. Em princípio, será um com wi-fi, por isso, talvez consiga levar o meu computador e ligar-me às redes sociais.


Embora não considere "desonestidade intelectual" pensar o contrário, não acho que Portugal seja candidato ao título, por diversos motivos, alguns dos quais estão listados num artigo que enviei para o Record Online. Contudo, no mesmo também recordo que, no futebol, não há impossíveis, tudo pode acontecer, e Portugal, de resto, possui meios para fazer mais do que esperar por um milagre, possui meios para, como costuma dizer Paulo bento, competir com qualquer equipa, para dar luta. Conforme afirmei no artigo, e já várias vezes aqui no blogue, Portugal pode não ter os melhores jogadores do Mundo, tirando uma exceção bem conhecida, mas estes, quando vestem a Camisola das Quinas - sobretudo em momentos decisivos - funcionam bem uns com os outros, como uma equipa, como um só, elevam-se acima do valor que lhes é cotado. E, conforme afirmei no artigo, chego a depositar mais fé nesse espírito, na garra e determinação dos jogadores, na união entre eles, na sua vontade de fazer bem, que propriamente na sua qualidade técnica ou momento de forma. Esta minha convicção aplica-se tanto à tendinose rotuliana e Cristiano Ronaldo, à falta de ritmo de Nani, à forma duvidosa de Hélder Postiga, às reservas da opinião pública relativamente a jogadores como Vieirinha ou André Almeida.

Encaro este Mundial da mesma forma como tenho encarado os últimos campeonatos de seleções: com as minhas reservas, mas convicta de que tudo é possível, com a esperança de que a coisa corra bem para o nosso lado, de preferência com o título mundial à mistura. A preparação encontra-se à beira do fim, a partir de amanhã é a doer. A ver o que o destino nos reserva. Para já, não tenho mais nada a dizer senão: força Portugal!

Irlanda do Norte 2 Portugal 4 - Uma epopeia com contornos dantescos

Na passada sexta-feira, 6 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol disputou, no Estádio Windsor Park, em Belfast, na Irlanda do Norte, frente à seleção da casa, o seu antepenúltimo jogo da Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade, que terá lugar no Brasil, no próximo ano. Tal embate terminou com uma vitória por 4-2 para as cores portuguesas.

Foi um dos jogos mais estranhos, mais loucos, mais bipolares a que assisti. Fez com que o jogo com a Dinamarca, no ano passado, quase tenha parecido um piquenique. Não estava à espera, ninguém estava à espera, penso eu.

Assisti à primeira parte do jogo com o meu pai e a minha irmã. À segunda parte, assisti sozinha. Contudo, ao longo dos noventa minutos, estive sempre acompanhada pelo estádio do Twitter. O hino foi um momento mais engraçado do que o correto, visto que conseguíamos ouvir os jogadores cantando desafinadamente e um verso adiantados em relação à música. Sei que não é, de todo, patriótico rirmo-nos durante o hino mas não resisti...

Cedo ficou claro, pela maneira titubeante como Portugal entrou, que o jogo não ia ser fácil, que, mais uma vez, nos reclamaria anos de vida. Cheguei mesmo a dar com um tweet que previa um jogo muito físico, que não acabaria sem um cartão vermelho. Não nos enganámos mas, lá está, nem eu nem, provavelmente, o autor deste tweet imaginávamos que seria até esta escala. Também se viu cedo que este era, como diziam os comentadores, um "árbitro emocional" - prefiro, no entanto, o termo escolhido pelo Record: histérico - pela maneira como, cedo, o Pepe viu o amarelo. Os portugueses tinham a obrigação de ter percebido logo a aí o que a casa gastava. Mas já lá vamos.



O golo português, marcado na sequência de um canto, surgiu sem que, propriamente, o merecêssemos mas já estivemos demasiadas vezes na posição contrária. Foi, de resto, um belo remate de futevólei do defesa que, assim, se consolidava como o segundo melhor marcador português da Qualificação (isto é, antes de o Ronaldo se ter endiabrado na segunda parte).

- Bolas paradas é com o Bruno Alves! - disse a minha irmã.

Apesar de parte de mim saber que os irlandeses não desistiriam assim tão facilmente, tive esperanças de que o jogo se tornasse mais fácil. Não se tornou. Estava apenas a começar. Não passou muito tempo antes de sofremos um golo, também de canto. Em jeito de recordação de que o encontro não estava destinado a ser pacífico.

Mesmo depois de reposta a igualdade, achei que ainda existiam boas hipóteses de ganharmos. Os Marmanjos não estavam a jogar nada de jeito mas já se falava da entrada de um Nani decidido a reconquistar a titularidade, cuja garra nos poderia ajudar. Continuava por isso razoavelmente confiante.

Até Hélder Postiga me trocar as voltas.


Nesta altura, já devem estar fartos de saber o quanto gosto do Postiga. Não vos será, portanto, difícil de imaginar como fiquei quando ele foi expulso. Nem parece dele. Nem sequer me lembro de ele alguma vez ter visto um amarelo enquanto representava a Seleção. O árbitro exagerou, é claro, aquele "encosto" merecia, no máximo, amarelo mas, tal como disse atrás, o árbitro já tinha mostrado ter critérios peculiares. E aquele gesto do ponta-de-lança foi perfeitamente desnecessário. Naquele momento, pensei mesmo que o Hélder, passe a expressão, nos tinha lixado a todos, que tinha dado cabo daquele jogo e, talvez, de todo o Apuramento - até porque, com este cartão, ele excluiu-se do igualmente difícil jogo com Israel. Jogo a que, ainda por cima, devo ir assistir ao vivo mas em que já sei que não verei um dos meus jogadores preferidos. Tudo por causa de uma infantilidade. Porquê, Hélder, porquê????

Durante o intervalo, preparei-me o melhor possível para uma segunda parte tão agonizante, tão dantesca como a primeira. O segundo golo dos irlandeses não me surpreendeu mas minou-me a confiança, que já não era muita. Eu pensava que tínhamos ultrapassado essa fase má da Seleção, pensava que já se tinha dado a viragem. Pensava que já não íamos perder mais pontos, que não íamos comprometer de novo. Mas naquele momento pensei que me tinha enganado. O facto de o irlandês estar em posição irregular não ajudou em nada, antes pelo contrário. Desta vez não podia culpar os jogadores, tirando Postiga, já que estes estavam a esforçar-se, não tinham culpa de que o árbitro estivesse a protagonizar demasiado naquele jogo. Mas lá ia mantendo os dedos cruzados, lá ia esperando um milagre ou, pelo menos, um empate.

O milagre acabou, de certa forma, por vir aos poucos, começando com a expulsão de Brunt. Tal repôs a igualdade no número de jogadores, deixou menos irlandeses disponíveis para marcar Ronaldo, devolveu-nos alguma esperança.


Esperança, essa, que se confirmou com o primeiro golo de Cristiano Ronaldo. Tento esse que foi celebrado com fúria, com um brado raivoso de:

- Tomem! Vão p'ró c******!

Não foram definitivamente os festejos mais bonitos mas eu não estou em posição de criticá-lo. Também eu expurguei as frustrações daquele embate praguejando no Twitter - algo que não costumo fazer. Depois, fiquei a tremer com as emoções. Não estava a ser um jogo fácil para ninguém.

Felizmente estava a tornar-se mais fácil, sobretudo depois da expulsão do segundo irlandês. Estavam poucos portugueses na assistência, comparados com os barulhentos irlandeses, mas, de vez em quando, iam conseguindo fazer-se ouvir. Nesta altura iam gritando:

- SÓ MAIS UM! SÓ MAIS UM!

E Ronaldo correspondeu ao pedido com mais um golo.

- Até a chuva parou com o regresso de Portugal à vantagem - chegou a dizer um dos comentadores. Liderando a revolta portuguesa, Ronaldo fizera a reviravolta, o milagre, parecerem fáceis. Mas também, o madeirense tem qualquer coisa de sobrenatural, por isso, não é de estranhar.


Ainda houve tempo para ele marcar o seu terceiro golo, de livre direto. Aí é que fiquei completamente rendida a Ronaldo, ficámos todos. Ele que marcava o seu primeiro hat-trick com a Camisola das Quinas, que ultrapassava o recorde de Eusébio - cuja reação, devo dizer, me deixou triste. Esperava um pouco mais de humildade dele. Ainda me lembro do tempo em que a ideia de que alguém poderia ultrapassar o Rei parecia heresia mas agora já dois o ultrapassaram... E, embora todos saibamos que o Eusébio e o Pedro Pauleta nunca serão apagados da História, em breve, o Cristiano ultrapassará o recorde do açoriano, consolidando-se como o melhor futebolista português de todos os tempos.

E eu só penso na sorte que tenho por, na minha curta vida, ter podido ver tantas lendas portuguesas em ação.

Gostei quando, na flash-interview, o Hugo Gilberto disse:

- Aposto que o Cristiano não se importará se eu lhe chamar CR3.

Também me deu gozo a maneira como este hat-trick de Ronaldo calou os adeptos irlandeses, que passaram uma boa parte do jogo a chamar por Messi e, segundo o que li no Twiter, a cantar que Ronaldo não passava de um Gareth Bale baratucho. Eu, já nos primeiros minutos do jogo, twittei que os irlandeses deviam perguntar aos malteses, aos bósnios e aos croatas o que tinha acontecido quando eles gritaram por Messi. Eu sabia, de certa forma, que isto ia acontecer - mas, obviamente, não a este nível.



Não sei mesmo descrever o jogo, de tão atípico que foi. Tal como li noutro blogue, tal como a segunda mão do playoff de 2011, acabou por ser um jogo-resumo da Qualificação até agora: jogos inesperadamente difíceis, jogadores boicotando-se a si mesmos e, no momento em que tudo parece perdido, os Marmanjos lá arranjam forças, não se sabe bem onde, para se superarem, para se salvarem. No caso deste jogo, fizeram-no de uma forma inesperadamente grandiosa. Em, suma foi um encontro que chegou a ser dantesco mas que, no fim, se revelou uma autêntica epopeia.

Nesse aspeto, dá imenso jeito ter um jogador como Cristiano Ronaldo, capaz de, um momento para o outro, se endiabrar e reescrever a história de todo um jogo praticamente sozinho. Detesto a ideia, muito vendida por estes dias, de que a Seleção é "Ronaldo mais dez" ms tenho de admitir que, pelo menos naquela noite, ele foi crucial. Mais do que o Homem do Jogo, ele foi o Herói do Jogo. Conforme Bruno Alves afirmou, na flash-interview: "Foi um jogo difícil mas é nos jogos difíceis que se veem os grandes jogadores."


No entanto, ao contrário do que uma boa parte da Comunicação Social tem feito até agora, não ignoro o resto da equipa. Conforme, mais uma vez, o "sábio" Bruno Alves afirmou, "esta vitória é de todos os que cá estiveram, mesmo os que ficaram de fora. Estamos sempre juntos na vitória ou na derrota." Este foi mais um jogo em que a união e o espírito guerreiro intervieram quando as pernas ou a cabeça (sim, estou a falar de ti, Postiga!) faltaram. Mais um jogo em que se provou que vale a pena acreditar até ao último minuto do último jogo, mesmo quando já não parece possível, porque a Seleção, mais cedo ou mais tarde, dá a volta ao texto.

Mas, por amor de Deus, só espero que não se voltem a enfiar num buraco como aquele tão cedo! É que os nossos corações não dão para anto! Que tenha servido de lição.


Entretanto, temos ainda o jogo com o Brasil. Fiquei triste por saber que o Cristiano não foi com eles para Boston, embora compreenda os motivos. Mas tenho pena, mais do que por não poder ver o duelo Ronaldo versus Neymar, por não ver o reencontro com Scolari. Contudo, ainda temos vários jogadores "sobreviventes" da era dele, o Carlos Godinho, o próprio Paulo Bento que é amigo de Felipão. Além disso, com um bocadinho de sorte, talvez Ronaldo e Scolari se possam reencontrar durante o Mundial.

Já decidi que, definitivamente, não me vou ralar demasiado com o resultado deste jogo. Depois de sexta-feira, preciso de poupar o meu sistema cardiovascular. O jogo será às duas da manhã de cá... Para mim não é problema - neste momento, são duas da manhã, faltam vinte e quatro horas para o início do jogo, e estou aqui, a acabar esta entrada. O pior é que, aquando do Mundial, os jogos devem ser todos a horas inconvenientes, como estas. Nessa altura será mais complicado pois, provavelmente, terei de me levantar cedo.

Contudo, antes de pensarmos nisso, temos de Qualificar-nos. Ainda nos faltam dois jogos, um dos quais será, certamente, tão difícil como este, com a Irlanda do Norte, foi. Talvez ainda mais. Espero que o particular com o Brasil, para além se ser uma festa do futebol, nos ajude a preparamo-nos para as duas finais que faltam deste Apuramento. Para podermos dizer aos nossos irmãos para guardarem umas caipirinhas para saborearmos enquanto estivermos no Brasil, durante o Campeonato do Mundo. 

Azerbaijão 0 Portugal 2 - Faísca

Na passada terça-feira, dia 26 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou, em Baku, no Azerbaijão, a congénere da casa. O jogo terminou com dois golos de vantagem para a equipa visitante, cortesia de Bruno Alves e Hugo Almeida, permitindo a Portugal amealhar três pontos que nos mantêm na corrida por um lugar no Mundial 2014.

Finalmente.

Mais uma vez, vi-o em casa, com a minha irmã. Desta feita, não se encontrava mais ninguém connosco, pelo que não nos contivemos nos gritos de treinadoras-de-sofá-de-sala (desta vez, não houve necessidade de chamar nomes feios aos jogadores). Os vizinhos que nos perdoassem mas não é todos os dias que temos jogos da Seleção.

É claro que, quando o nosso pai chegou a casa, decorria a segunda parte, tivemos de nos portar bem.


O jogo correu mais ou menos conforme eu previa. Foi outro dejá vu. Desta feita, repetiu-se o outro jogo com o Azerbaijão, em setembro do ano passado, em Braga. A nossa última vitória antes deste encontro. A Seleção entrou em campo solta, enérgica. Montou a tenda no meio campo azeri e lá permaneceu, atirando o barro à parede, manifestando os habituais problemas na finalização. A costumeira bola ao poste ("Porque isto não era um jogo da Seleção se não houvessem bolas ao poste!!!, disse a minha irmãzinha), os costumeiros falhanços do Hélder Postiga (mais sobre isso mais à frente). E eu ia perdendo cinco minutos de vida a cada ataque português, cada remate falhado. O mesmo acontecia com os contra-ataques azeris que, no entanto, nunca constituíram grande ameaça, tirando uma situação ou outra. A defesa portuguesa pareceu-me melhor neste jogo. Pelo meio, Pepe arranjou maneira de ver o segundo amarelo do Apuramento (Porquê, Pepe???? Porquê???), excluindo-se do jogo com a Rússia.

Às vezes penso que seria mais saudável fumar do que assistir a jogos da Seleção. Ao menos um cigarro, supostamente, acalma os nervos...

As coisas não mudaram muito na segunda parte. Eu sentia, contudo, que o golo português não tardaria. Mesmo que a equipa azeri não se tivesse reduzido a dez elementos (cortesia - uma boa parte, pelo menos - da fita que o Pepe fez). Em todo o caso, Paulo Bento não deu tempo aos azeris de se reorganizarem, fez Hugo Almeida entrar.

E os golos surgiram. Primeiro de Bruno Alves e depois de Hugo Almeida.


Depois de um golo e uma parvoíce em Israel, no Azerbaijão Bruno Alves foi, indiscutivelmente, o herói. Como, de resto, já havia sido no jogo de setembro. É, aliás, curioso: já em 2007, também em casa azeri, o Bruno Alves e o Hugo Almeida haviam sido os artilheiros de serviço. Bem como em julho de 2009, na Albânia. Contando com a de terça-feira, estas três vitórias constituíram um importante ponto de viragem para as respetivas Qualificações.

O Bruno Alves e o Hugo Almeida não foram, contudo, os únicos a ajudar a Equipa das Quinas. Moutinho também se destacou depois de "reaprender a jogar em três dias" - não, não me vou pôr aqui a debitar postas de pescada sobre a polémica entre Pinto da Costa e Paulo Bento. Bem como Danny e, sobretudo, Vieirinha, que honrou a camisola de Cristiano Ronaldo.


Há quem diga que se notou a falta de Ronaldo e Nani. Não notei assim muito, para ser sincera. Obviamente a velocidade do Ronaldo e o inconformismo do Nani fazem sempre falta e talvez nos tivessem facilitado a vida na terça-feira. Mas a verdade é que, como já afirmei antes, o jogo não diferiu muito do de setembro passado e nesse tivemos os nossos extremos habituais.

De resto, não posso deixar de louvar a atitude do nosso capitão que, apesar de ter ficado excluído do jogo de terça-feira, fez questão de permanecer com a equipa.

Apenas fiquei um bocadinho triste por o Postiga não ter marcado desta vez. E, claro, como neste jogo não marcou, já caiu tudo em cima dele.

Bem, caem sempre em cima dele, quer marque quer não, não será por aí...


Não vou dizer que esteja propriamente satisfeita com o desempenho do Hélder. Começo a achar que ele falha demasiadas oportunidades flagrantes mas ainda me irrita que as pessoas se esqueçam tão facilmente de tudo o que ele tem feito pela Seleção, em particular no passado recente.

A ver o que acontece quando ele deixar a Seleção sem que haja um ponta de lança de jeito para o substituir.

Em todo o caso, apesar de achar que o Hélder se deve manter na titularidade, pelo menos por enquanto, o Hugo Almeida provou merecer mais oportunidades de jogar. E talvez seja bom para o Postiga sentir-se um bocadinho ameaçado.



Foi, de resto, uma das questões desta dupla jornada: o conservadorismo de Paulo Bento, a sua relutância em recorrer a jogadores fora do seu núcleo duro habitual. Eu até compreendo, por um lado. Já antes falei aqui da nossa excessiva dependência do onze-base do Euro 2012. São jogadores que já deram provas de qualidade, que já se conhecem uns aos outros há vários anos, possuem uma rotina. Compreendo que o Selecionador tenha medo de arriscar, em particular em jogos desta importância. Deus escreveu direito em linhas tortas nesta dupla jornada: não fosse a lesão de Nani e a expulsão de Ronaldo, Vieirinha não teria uma oportunidade de mostrar o seu valor. Quem é que, no seu juízo perfeito, abdicaria voluntariamente de Ronaldo ou mesmo de Nani?

Por outro lado, não sou capaz de ignorar aquilo que vem sempre à baila em todos os debates sobre a Seleção: o prazo de validade da equipa atual, a ausência de alternativas. Os comentadores desportivos têm todos razão: precisamos de sangue novo ou, daqui a uns anos, não haverá Seleção para ninguém!

Não existe muito a fazer em relação a isso, pelo menos para já. Por agora, o mais importante é a Qualificação, o facto de termos vencido um jogo pela primeira vez desde setembro. Finalmente. Depois de cinco jogos sem ganhar, na maior parte das vezes com exibições roçando o medíocre, tivemos finalmente uma vitória. Pode não ter sido uma vitória brilhante mais foi uma vitória. Também não esperava muito mais, para ser sincera. Isto sim, isto é Portugal! Não tanto como noutras ocasiões mais mais do que tínhamos recebido nos meses anteriores. Estamos vivos de novo!


Cerca de duas horas antes do início do jogo, apareceram na Internet excertos de músicas do álbum novo dos Paramore, homónimo. Uma delas, Last Hope, é já uma das minhas preferidas. Há um verso que se destaca: "It's just a spark, but it's enough to keep going...". A tradução é algo tipo: "É apenas uma faísca mas chega para me fazer continuar". E, curiosamente, este verso traduz perfeitamente a maneira como me sinto relativamente à situação da Turma das Quinas.

Ganhar aos azeris pode não ter sido mais do que a nossa obrigação para muitos mas, para mim, foi um pouco mais do que isso. Foi algo que nos devolveu a esperança. Com um pouco de sorte, será uma viragem de maré, será a faísca que nos incendiará para o resto da Qualificação. Começando pelo jogo com a Rússia, no Inferno da Luz.

Atenção! Quando falo aqui em fogo e incêndios é no sentido figurativo! O Estádio da Luz não precisa de mais incêndios!

A partir de agora temos de encarar um jogo de cada vez, como se estivéssemos numa fase final. Concentrarmo-nos em ganhar cada um à medida que forem chegando.

Mas haverá tempo para pensar nesses jogos. Faltam mais de dois meses para o próximo, até lá muita coisa pode mudar. Por agora, é-me suficiente o consolo de saber que a Seleção reaprendeu a ganhar, depois de todos estes meses de jejum. O que mais desejo, neste momento, é que não tenhamos outra desilusão tão cedo, que este consolo se prolongue o mais possível, que se torne mais forte em junho. Até lá...