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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Portugal 3 Suíça 1 – Deus Ex Machina

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Na passada quarta-feira, dia 5 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere suíça por três bolas contra uma, em jogo a contar para as meias-finais da Liga das Nações. Portugal garantiu assim a presença na final, onde irá jogar hoje com a Holanda.

 

Deus Nosso Senhor… ou melhor, Cristiano Ronaldo ouviu as minhas preces. Portugal vai à final! Não temos de ir a Guimarães. É um alívio.

 

Fernando Santos surpreendeu ao meter de início João Félix e Bruno Fernandes, bem como Rúben Neves e Nelson Semedo. Parecia mentira. Cheguei a pensar se Fernando Santos estaria a ceder à pressão de alguns comentadores e mesmo da opinião pública em geral. Em teoria, era uma boa ideia. Na prática, era a primeira vez que aqueles jogadores iam jogar na mesma equipa. Não havia garantias.

 

Tentei manter o otimismo mesmo assim. No entanto, a Suíça entrou por cima e em cima se manteve durante uma boa parte do jogo. De uma maneira geral, não achei que a exibição tivesse sido tão má como alguns a têm pintado. Mas, sim, esperava-se melhor tendo em conta as individualidades em campo.

 

Houveram muitas ocasiões em que os suíços fizeram o que quiseram perante a nossa defesa. Dá para ver um bom exemplo disso no resumo abaixo, logo a primeira jogada. Até dói. Valeu Rui Patrício. Os únicos motivos pelos quais, aliás, a Suíça não se adiantou no marcador foram precisamente intervenções à última hora e uma dose generosa de sorte.

 

 

Pelo meio, Ronaldo fez esta maldade.

 

Acabámos por ser nós a abrir o marcador. Não tenho a certeza de que a falta é legítima, mas o livre foi executado na perfeição. O guarda-redes nem se conseguiu mexer.

 

Mesmo em desvantagem, os suíços não tiraram o pé do acelerador. Seferovic, em particular, estava com ganas – teve várias oportunidades, incluindo uma em que rematou contra a trave.

 

Por outro lado, em cima do intervalo, João Félix conseguiu isolar-se em frente à baliza aberta mas o suíço tocou-lhe no ombro, Félix atrapalhou-se e rematou para as nuvens. Gritei tanto com o miúdo nesse lance…

 

O domínio da suíça manteve-se no início da segunda parte mas, mesmo assim, só conseguiram marcar de penálti, em circunstâncias confusas para toda a gente. O jogo parara para consulta no vídeo-árbitro após uma possível falta sobre Bernardo Silva para penálti. Eu distraí-me por um momento com o telemóvel e, quando dei por ela, tinha sido marcado um penálti contra nós, no lance anterior.

 

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Se eu fiquei confusa vendo o jogo em casa, imagino como se terão sentido as pessoas nas bancadas. Mas a verdade é que, no lance anterior, Nélson Semedo cometera falta para penálti, ou seja, tudo o que acontecera a seguir não era válido.

 

Confesso que tenho algumas dúvidas de que o penálti é legítimo – se aquilo é falta para penálti, o lance envolvendo João Félix, no final da primeira parte, também deveria ser – mas a verdade é que o nosso livre convertido a golo fora igualmente questionável. Só não percebo muito bem porque é que o VAR não parou a jogo logo a seguir à falta de Semedo. Acho que faz parte das regras do vídeo-árbitro, eles têm de deixar a jogada prosseguir, mas não entendo a lógica.

 

Ainda estamos todos em adaptação ao VAR.

 

Em todo o caso, Ricardo Rodriguez bateu o penálti. Rui Patrício adivinhou o lado – ou foi Ronaldo a segredar-lho ao ouvido, antes? – mas a bola passou-lhe por baixo do corpo. Estava feito o empate.

 

Os vinte minutos seguintes de jogo foram relativamente equilibrados. Portugal continuava sem conseguir criar grandes oportunidades. Nesta altura, a coisa parecia encaminhar-se para um prolongamento… o que eu não queria de todo. Seria mais meia hora nas pernas dos Marmanjos e poucos dias para recuperar para o jogo de domingo. Além disso, se tivéssemos de ir a penáltis, podia dar para os dois lados – e da última vez a coisa não deu para o nosso.

 

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É nessa altura que, do nada, Cristiano Ronaldo saca dois coelhos da cartola. No primeiro, Rúben Neves fez um daqueles passes típicos dele, de longa distância, Bernardo Silva recebe a bola já na grande área, assiste para Ronaldo, que não perdoa.

 

Poucos minutos mais tarde, Gonçalo Guedes isolou Ronaldo a meio do meio-campo suíço. Quando este chegou à grande área, Guedes ainda lhe pediu a bola. Ronaldo no entanto deve ter pensado algo do género “Esquece, puto, ainda tu usavas fraldas e eu já resolvia jogos”. Ele mesmo se desviou de um par de suíços e rematou certeiro para as redes.

 

E assim se mudou o curso de um jogo em o quê? Cinco minutos? É isto Cristiano Ronaldo: de um momento para o outro decide um jogo. Se isto fosse ficção, uma história, haveria quem acusasse o Capitão de ser um Deus Ex Machina: uma personagem, objeto ou evento que surge do nada, sem quaisquer indícios antes e altera por completo o curso da história – geralmente resolvendo as coisas a favor dos protagonistas.

 

Não foi isso que Ronaldo fez? Mudar o rumo da narrativa quando toda a gente pensava saber como a história ia acabar – ou pelo menos o que aconteceria a seguir?

 

 

Antes de partirmos sobre as reflexões gerais, uma nota para o público no Dragão: proporcionaram um ambiente fantástico que, acredito, contribuiu para a vitória. Consta que estiveram elementos de várias claques a dirigir os cânticos, à semelhança do que aconteceu durante o Euro 2016 (se as claques só servissem para isto…). Destaque para os cânticos de “CRIIIISTIANO RONAAALDO!!”, como no vídeo acima. Houve um momento em que deu para ver o Capitão incapaz de conter o sorriso perante todas aquelas vozes.

 

Mal posso esperar por fazer parte deste ambiente na final.

 

O jogo terminou, assim, com um resultado que, todos concordam, não reflete a diferença de qualidade entre as duas equipas. Nada disto é novo: um jogo em que o coletivo deixou a desejar, com uma exibição entre o fraquinho e o assim-assim, com o Capitão-papá a salvar o couro nacional.

 

Não acho que tenha sido Ronaldo-mais-dez – Rúben Neves, Bernardo Silva e Gonçalo Guedes foram importantes para o segundo e terceiro golos; Pepe, Rúben Dias e William tiveram os seus momentos. No entanto, mantém-se muitos dos problemas que já se tinham manifestado nos jogos da Qualificação. A diferença é que, desta vez, Ronaldo conseguiu resolver.

 

Na Conferência de Imprensa após o jogo, Fernando Santos justificou-se dizendo que tem tido pouquíssimo tempo para trabalhar com os jogadores. É uma “desculpa” já tem barbas em contexto de seleção, mas estará errada? Pelo que tenho lido e ouvido, muitos comentadores parecem saber exatamente como colocar estes talentos a uso. Não digo que estejam errados mas, na prática, será que eles, ou outros treinadores, conseguiriam melhores resultados?

 

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Também tem surgido a questão – não tanto entre os comentadores, mais entre os adeptos – de se Portugal joga melhor com Ronaldo ou sem ele. As exibições durante as fase de grupos da Liga das Nações sem o Capitão foram, de facto, melhorzinhas – o primeiro jogo com a Itália e com a Polónia, pelo menos. Mas, se me permitem simplificar demasiado a coisa e/ou falar de coisas que não entendo a cem por cento, será preferível termos uma equipa sem Ronaldo, com todas as individualidades mais jovens à vontade para mostrarem o que valem? Ou termos uma equipa montada em torno de Ronaldo, em que os mais jovens jogam pior, mas em que o Capitão pode fazer a sua cena e dar-nos vitórias? Não há nenhuma maneira de combinar as duas opções?

 

Enfim. Tudo isto são questões para médio/longo prazo. A curto prazo, temos uma final para disputar, hoje. A nossa terceira final europeia. A segunda final europeia em casa. É certo que não tem o prestígio de um Europeu, mas isso deve-se, em parte, ao facto de ser a primeira edição. E eu vou estar lá!

 

O nosso adversário será a Holanda. Conforme escrevi antes, eu teria apostado na Inglaterra – eles no entanto cometeram erros, em parte devido ao cansaço, que se revelaram fatais. Ainda assim, só vi o prolongamento, mas aqui garantem que a Holanda dominou em praticamente todos os aspetos estatísticos. Temos a nosso favor o histórico, o fator casa, um dia extra de descanso para nos, mais meia hora de jogo para eles. O que não é garantia de nada.

 

Em suma, não vai ser pêra doce. Ou melhor, não vai ser laranja doce.

 

A questão é agora saber se a qualidade exibicional que temos apresentado nos últimos jogos será suficiente perante esta Holanda. Não sei se será – teremos de jogar um bocadinho melhor.

 

Como o costume, vou procurar manter o otimismo apesar das minhas reservas. Afinal de contas, eu também achava que poderíamos não ter qualidade suficiente para vencer a última final em que participámos. Não será o fim do mundo se não conseguirmos ganhar. Mas não é todos os dias que temos a oportunidade de lutar por um título, muito menos em casa. Temos a obrigação de dar o nosso melhor – e acredito que é isso que os Maranjos farão. Por todos nós.

 

Continuem a acompanhar esta aventura na Liga das Nações quer aqui neste blogue quer na página do Facebook

Os Silvas e os perdidos e achados

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Na passada quinta-feira, dia 11 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere placa por três bolas contra duas, em jogo a contar para a fase de grupos da Liga das Nações. Três dias depois, no domingo, a Seleção venceu a sua congénere escocesa por três bolas contra uma, em jogo de carácter particular. Com o resultado do primeiro jogo, Portugal fica a um ponto apenas do Apuramento para a Liga das Nações.

 

O início do jogo com a Polónia fez-me lembrar o do Euro 2016, no sentido em que os polacos entraram por cima no jogo, acabando por abrir o marcador. Desta feita demoraram mais – aos dezoito minutos, na sequência de um canto em que a defesa portuguesa não ficou muito bem na fotografia.

  

Um aparte: o autor do golo foi Piatek, mas o meu cérebro insistia em ouvir Triatec. Enfim, parvoíces de uma farmacêutica…

 

Portugal reagiu muito bem ao golo. Tomou as rédeas da partida, levando a cabo várias jogadas vistosas na segunda metade da primeira parte – incluindo um golo anulado a Rafa. Permanece o problema da finalização: muitos têm comentado que, com Ronaldo, a Seleção era mais concreta e eficaz. Mas eu acho que isso resolve-se com o tempo.

 

Até porque Portugal não demorou muito a chegar ao empate. Foi aos 31 minutos, fruto de uma bela jogada coletiva, em que a bola passou por Bernardo Silva e João Cancelo, até Pizzi centrar para André Silva, que rematou para as redes.

 

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Portugal conseguiu ir para o intervalo em vantagem. Ninguém se tem calado com o passe de Rúben Neves para Rafa Silva e não é para menos: a bola atravessou o comprimento equivalente a um meio-campo, encontrando Rafa desmarcado. Este consegue ultrapassar o guarda-redes polaco e só não assinou o golo oficialmente porque Glik, o defesa, cortou para a própria baliza.

 

Enfim. Para mim o golo é de Rafa.

 

Tem piada porque não era suposto Rafa estar em campo. Ou mesmo na Polónia. Rafa só fora Convocado à última hora, para substituir o lesionado Gonçalo Guedes e só foi titular porque Bruma estava indisposto.

 

O mais caricato no meio disto tudo (no melhor sentido)? Não digo que isso acontecesse com Guedes, mas tenho a certeza que, se Bruma tivesse sido titular, conforme o previsto, ele também teria brilhado. Talvez também tivesse marcado  – e acabaria por fazê-lo no jogo seguinte.

 

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Mas estou a adiantar-me.

 

O ímpeto português continuou na segunda parte – culminando com mais um golo, desta feita de Bernardo Silva. O miúdo é baixinho, sobretudo quando comparado com os gigantes polacos, mas ele conseguiu dar baile a cinco deles e rematar de fora para as redes. Ele é um espetáculo! Não admira que Pep Guardiola ande caidinho por ele (e o Deco também).

 

Infelizmente, Portugal deixou-se adormecer à sombra da vantagem de dois golos. Compreensível, mas desnecessário. A Polónia aproveitou e acabou por chegar ao golo – Blaszczykowski rematou de primeira após um mau alívio de Pepe.

 

Na verdade, o golo nem sequer devia ter sido validado, pois, no início da jogada, Bereszynski deixou a bola sair pela linha lateral durante um instante. O mais estranho disto tudo é que, segundo esta imagem, o árbitro assistente viu o que aconteceu e não fez nada.

 

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Não vou insistir muito nisto, pois acabámos por ganhar o jogo à mesma, mas espero que nada deste género se volte a repetir.

 

Por sinal, o autor deste golo foi o mesmo jogador que bateu o penálti que Rui Patrício defendeu, no jogo de 2016 – um nome como Blaszczykowski fica na memória. Conseguiu redimir-se, dois anos depois.

 

Felizmente, Portugal não deixou a Polónia ganhar ímpeto com este golo – pelo contrário, voltámos a mandar na partida, sobretudo com as entradas de Danilo Pereira e Renato Sanches. Este último esteve, até, perto de repetir o protagonismo do jogo de 2016 – com duas oportunidades, aos oitenta e quatro minutos e aos noventa. Por sua vez, também Bruno Fernandes desperdiçou uma flagrante, já em tempo de compensação.

 

É uma pena não termos terminado o jogo com um resultado mais dilatado, mas deu para segurar os três pontos. Agora basta-nos um empate para garantirmos um lugar na final four. Podíamos já estar Qualificados, descansadinhos, se no Polónia-Itália os italianos não tivessem decidido marcar no tempo de compensação, depois de noventa minutos sem golos. Foi só para nos chatear…

 

Por outro lado, também seria um bocadinho seca ter dois jogos em novembro só para cumprir calendário. Se tudo correr bem, um deles – o segundo, frente à Polónia – sê-lo-á.

 

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Não estava com grandes expectativas para o particular com a Escócia. Primeiro, era um particular. Sgundo, íamos começar com um onze radicalmente diferente – só Rúben Dias se mantinha em relação ao jogo anterior.

 

E de facto Portugal não entrou bem no jogo. A equipa parecia desarticulada, mal conseguindo tocar na bola durante os primeiros minutos. Não que a Escócia tenha conseguido aproveitar. De maneira caricata, a sua melhor oportunidade foi um quase auto-golo: Sérgio Oliveira desviou mal de cabeça e Beto teve de se esmerar.

 

Tirando esse momento, a primeira parte foi uma seca. Só para o fim é que a Seleção começou a dar um ar de sua graça. Bruma teve um par de oportunidades, mas acabou por ser o absoluto estreante Hélder Costa a fazer o golo, em cima do intervalo, após assistência de Kevin Rodrigues.

 

A segunda parte foi melhorzita, se bem que não exatamente interessante. Portugal manteve-se por cima, sobretudo com a entrada de Renato Sanches. O miúdo está finalmente a provar o seu talento outra vez e eu não podia estar mais satisfeita. Ele andou perdido durante demasiado tempo.

 

Foi, aliás, dos pés de Renato que começou a jogada do segundo golo, em cima dos setenta e cinco minutos. O jovem foi chamado a bater um livre direto, a bola encontrou a cabeça de Éder, que a desviou para as redes.

 

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Este foi o primeiro golo do ponta-de-lança desde a lendária final de Paris, há mais de dois anos. Naturalmente, toda a gente ficou feliz. Éder não teve muitas oportunidades de repetir a façanha desde o Europeu – se tivesse jogado mais vezes, poderia ter marcado antes.

 

Há quem diga, já, que ele devia ter sido Convocado antes, sobretudo para o Mundial. Não que discorde… mas também não vou dizer que não compreenda as escolhas de Fernando Santos. Por muito gratos que estejamos todos a Éder, muitos parecem ter-se esquecido que ele é um jogador de altos e baixos. Em contraste, André Silva tem assinado, de forma consistente, uma data de golos pelas Quinas. Em quem é que vocês apostariam?

 

Em todo o caso, é sempre um prazer ter Éder na Seleção, sobretudo a marcar golos. Não apenas por ter marcado o golo mais importante da História do futebol português, mas também pelo seu amor à camisola – mais velho que a final de Paris. De que outra maneira se explica ele ter aguentado tanta crítica, muitas vezes injusta, da massa adepta durante tempo suficiente para marcar aquele golo?

 

Regressando ao jogo com a Escócia, o terceiro golo foi assinado por Bruma – um belo remate após ter fugido a pelo menos três escoceses. O jovem, finalmente, junta o seu nome à lista de marcadores pelas Quinas, depois de ter passado um par de jogos ameaçando. Este é outro que andou desorientado durante uns anos e que parece ter encontrado o caminho certo.

 

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Agora que penso nisso, este foi o jogo dos perdidos e achados. Cada um dos protagonistas (tirando Kevin Rodrigues, tanto quanto sei) têm tido carreiras atribuladas, de uma maneira ou de outra. No entanto, conseguiram orientar-se e, agora, dão o seu contributo para as Quinas.

 

Os escoceses ainda conseguiram o golo de honra antes do final, num lance em que a defesa portuguesa ficou mal na fotografia, devo dizer.

 

E foi isto. Dadas as circunstâncias, não se podia exigir muito mais da parte de Portugal, neste jogo. Para ser sincera, foi melhor do que estava à espera – eu teria apostado num 1-0 ou 2-0.

 

Este jogo serviu para provar que temos segundas linhas, mesmo que não joguem tão bonito como os habituais titulares. Acho que já o disse antes, mas isto, comparado com a situação há cinco ou seis anos, são vacas gordas. Bem diz o povo, não há fome que não dê em fartura.

 

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E não é por acaso, é fruto de vários anos de trabalho por parte da Federação – e não é a primeira vez que o digo.

 

Na verdade, a “moral da história” é mais ou menos a mesma que a dos jogos do mês passado: estamos bem, a começar um capítulo novo. Estamos a entrar no futuro.

 

Nesse aspeto, a Liga das Nações tem dado jeito para fazer essa transição. São jogos oficiais mas, aos olhos de muitos, não serão tão “importantes” como, por exemplo, um Apuramento para um Europeu ou Mundial, a pressão não é a mesma. No entanto, são jogos bem mais competitivos e exigentes que os habituais particulares. E, de qualquer forma, como fomos parar a um grupo pequenino, de apenas três equipas, conseguimos encaixar dois particulares para fazer outras experiências.

 

Confesso que me é um bocadinho estranho pensar que, daqui a um mês, estaremos já a encerrar a fase de grupos desta competição. É uma rotina nova de seleções, ainda estou a habituar-me. A melhor parte, de longe, é podermos vir a participar numa fase final num ano ímpar – outra vez. Melhor ainda, podermos vir a fazê-lo no nosso próprio país!

 

…mas estou a adiantar-me. Ainda nos falta um ponto. Esperemos até que os lugares na final four estejam confirmados antes de fazermos planos para junho. Até lá…

Portugal 3 Argélia 0 – Preparados

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Na passada quinta-feira, dia 7 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere argelina por três bolas sem resposta, em jogo de carácter amigável, no Estádio da Luz… e eu estive lá!

 

Nesse fim de tarde choveu sem parar durante horas. Não propriamente a cântaros, mas o suficiente para chatear. Este chuveirinho irritante durou as cerca de três horas que estivemos na Luz, encharcando-nos até aos ossos. Não me constipei (tenho um bom sistema imunitário), mas, claro, foi desagradável.

 

O que eu não faço por estes Marmanjos…

 

A consequência mais caricata dizia respeito à coreografia programada pela Federação. Quem assistia em casa deve ter visto as cartolinas verdes e vermelhas, iguais às do jogo com a Suíça. Só que a minha, pelo menos, estava completamente ensopada e, quando tentei erguê-la como pediram, esta desfez-se em farrapos nos meus dedos.

 

Enfim, ficou a intenção. Em defesa da FPF, quem poderia adivinhar que ia chover? Estávamos em junho! Eu estava mais agasalhada nesse dia do que estive no jogo com a Suíça, em outubro.

 

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Um dos motivos pelos quais a chuva me irritou, aliás, foi porque estava a estrear a minha camisola nova da Seleção e tive de usar um impermeável por cima dela. Mal-empregada… O que vale é que, com o passar do tempo, acabei por gostar do visual – em parte porque sempre gostei imenso daquele impermeável, que “roubei” ao meu irmão.

 

Mas não estamos aqui para falar de moda nem de meteorologia (desse último assunto já tivemos a nossa dose há quatro anos) e sim de futebol.

 

Portugal entrou muito bem no jogo  infelizmente para nós, que estávamos mais perto da outra baliza. Logo no primeiro minuto, Cristiano Ronaldo bateu um livre a nosso favor. A bola foi parar a João Moutinho, que tentou rematar, mas o guarda-redes argelino defendeu. Aos oito minutos, Bruno Fernandes assistiu para Ronaldo, mas o golo foi anulado por fora-de-jogo.

 

Finalmente, aos dezassete minutos o marcador funcionou. Foi uma jogada muito fixe: o William Carvalho estava na linha de meio-campo mas, não sei bem como, conseguiu colocar a bola em Bernardo Silva, que estava já na grande área argelina. Este, depois, assistiu de cabeça para Gonçalo Guedes rematar para as redes.

 

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Tirando a contribuição de William (que, mesmo assim, terá sido quarenta por cento do golo), este foi um tento de dois meninos da casa, o que é sempre giro – embora, na verdade, Bernardo Silva pouco tenha jogado na equipa principal do Benfica.

 

Há que recordar que a Argélia não atravessa uma boa fase, nem sequer vai ao Mundial. Não sendo uma seleção de micro-estado, daquelas que se convida para particulares quando queremos uma vitória fácil para aumentar a auto-estima dos jogadores, não estava em condições para dar grande luta. Só mesmo em momentos, como à volta dos trinta minutos, em que Portugal afrouxava a pressão.

 

Nesse aspeto, o golo de Bruno Fernandes veio no momento certo. Na altura não conseguimos ver muito bem, chegámos a pensar que o golo era do Bernardo – antes de o speaker anunciar o autor verdadeiro. Só mais tarde, com os resumos, é que vimos que fora Cristiano Ronaldo a assistir para a cabeça de Bruno. Segundo o próprio, foi o seu primeiro golo de cabeça enquanto profissional – mais sobre isso adiante.

 

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Na segunda parte, Portugal voltou a entrar em força – e desta feita pudemos ver como deve ser. Logo nos primeiros dez minutos, tivemos meia-dúzia de oportunidades. A bola entrou, finalmente, aos cinquenta e quatro minutos – Raphael Guerreiro assistiu para Gonçalo Guedes cabecear para a baliza. Tal como já acontecera com Bruno Fernandes, este era o seu primeiro golo de cabeça da carreira. Consegui vê-lo bem do meu lugar – tanto a jogada do golo como o abraço entre o Gonçalo e o Raphael.

 

Vocês sabem que estou muito afeiçoada aos veteranos da Seleção – aos jogadores que já vestiam a Camisola das Quinas quando criei este blogue, há dez anos. Mas, ao mesmo tempo, dá-me imenso gozo ver os mais novinhos a dar cartas, como neste jogo: não só o Guedes e o Bruno Fernandes, também o Raphael Guerreiro, o André Silva, o João Mário… Dá-me gozo vê-los crescer, ver a sua primeira internacionalização, o seu primeiro golo, o seu primeiro golo de cabeça – da mesma maneira como nos dá gozo ver uma criança dando os seus primeiros passos, dizendo as suas primeiras palavras.

 

Talvez seja isso… ou talvez goste pura e simplesmente de ver jogadores da Equipa de Todos Nós saindo-se bem, ponto. Tem sido uma constante desde os meus catorze anos.

 

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Regressando ao jogo, a pressão portuguesa continuou, mesmo depois do terceiro golo. Perdeu-se, no entanto, algum fulgor com as substituições, como o costume. João Mário, ainda assim, conseguiu enfiar a bola da baliza aos oitenta e dois minutos, mas o golo foi anulado pelo VAR. Decisão acertada – eu mesma vi a mãozinha marota de Guedes, durante a jogada.

 

A vantagem de três golos manteve-se até ao fim. Fica uma certa pena por não termos conseguido marcar mais golos. Tirando isso, foi um bom jogo, um bom ensaio para o Mundial, um fim de tarde feliz para mim (que não tivera um dia fácil), uma ótima maneira de os Marmanjos se despedirem de nós antes de partirem para a Rússia.

 

Um aparte rápido só para falar do que aconteceu depois do apito final. Quando o Estádio já estava meio vazio, eu e a minha irmã vimos que, na baliza oposta à nossa, andava um dos Marmanjos a jogar com duas crianças – debaixo dos aplausos do público que restava. Só quando nos aproximámos é que reconhecemos o Cristianinho e o seu velho.

 

Foram uns minutos giros. Eu já adoro crianças por elas mesmas e, sempre que Ronaldo e o filho aparecem juntos, acho-os adoráveis. Como se isso não bastasse… o miúdinho tem jeito!

 

 

Não que seja uma surpresa: o Cristianinho está na idade em que o pai é o seu herói. Sendo o seu alguém que sempre adorou futebol, que trabalha dia e noite para se tornar cada vez melhor, é natural que o filho esteja a seguir os seus passos.

 

Por agora, pelo menos. A ver se isso continua quando o Cristianinho chegar à adolescência e já não achar o seu cota assim tão fixe.

 

O Cristianinho é mais outro que temos visto crescer. É muito cedo para estar a fazer previsões, mas seria fantástico se, daqui a uns quinze, vinte anos, voltássemos a vê-lo no Estádio da Luz – envergando a Camisola das Quinas.

 

Fechemos o aparte.

 

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Fernando Santos ainda não estava completamente satisfeito no fim deste jogo, embora as coisas estivessem “mais perto daquilo que queria”. Também admitiu que será durante o mundial que a Seleção vai chegar ao nível que ele deseja – tal como aconteceu durante o Euro 2016, suponho eu.

 

Com isto tudo, estamos a menos de dois dias da nossa estreia no Mundial 2018 e… acho que estamos preparados. Se ainda não o estivermos, estaremos no momento em que entrarmos em campo. Como fui dando a entender aqui e ali, durante algum tempo, sobretudo depois dos primeiros particulares deste ano, estive um pouco apreensiva. No entanto, os progressos nestes últimos dois jogos e a atitude exigente de Fernando Santos deixam-me um pouco mais confiante. Não me esqueci que o Mundial são historicamente difíceis para Portugal, mas desta feita parece-me que estamos a dar os passos certos.

 

E mantenho o que disse antes: se é para tentar o título, esta é a nossa melhor oportunidade para fazê-lo.

 

Nada disso significa que vá ser fácil. Bem pelo contrário. É certo que a Espanha está a ter uma crise interna, com uma troca de selecionadores à última hora, mas é melhor não assumir que isto vai afetar a equipa. Não estou à espera de uma vitória. Já ficaria muito satisfeita com um empate. Mesmo uma derrota não seria grave… desde que não seja uma derrota pesada e destrutiva, como o último jogo com a Alemanha.

 

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Tenho de confessar uma coisa: dava-me jeito se passássemos aos oitavos-de-final em segundo lugar. Vou estar fora do país durante o fim de semana dos oitavos e, se passarmos em primeiro, o nosso jogo coincidirá com o meu voo de regresso, no domingo. Se passarmos em segundo, jogamos no sábado – a Seleção teria um dia a menos para se preparar, mas eu, em princípio, poderia ver o jogo.

 

Será egoísta da minha parte? Dar-nos-á azar não estar a torcer a cem por cento pelo melhor resultado possível para a Seleção?

 

Acho que, de qualquer forma, será muito difícil passarmos em primeiro, pelo que expliquei acima. Mesmo assim, se der para ganhar à Espanha e Qualificarmo-nos no topo da tabela, não me queixo. Porque, se conseguirmos ultrapassar a fase de grupos (algo que não aconteceu da última vez) e, quem sabe, ganhar os oitavos, os quartos, por aí fora até à final de Moscovo, que importância terão um par de horas de nervosismo nas nuvens?

 

Não há de ser nada…

 

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Recuando um bocadinho, entre o jogo com a Espanha e o jogo com Marrocos, o único dia em que não trabalho será o sábado e já tenho uma data de coisas programadas. Assim, como já tinha dito que ia fazer, a próxima análise virá por tópicos. Vai ter de ser.

 

Em todo o caso, já sabem, teremos sempre a página do Facebook. Agora, que venha a Espanha, Marrocos, Irão e o resto: estamos prontos!

Bélgica 0 Portugal 0 – Melhor

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No passado sábado, dia 2 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou sem golos com a sua congénere belga, no Estádio Rei Balduíno, em jogo de carácter amigável.

 

Nessa tarde, eu e a minha irmã só chegámos a casa por volta das oito, logo, só acompanhámos os primeiros dez, quinze minutos via rádio. Acabou por ser afortunado, pois toda a gente diz que Portugal não jogou nada de jeito durante esse período. Já dava para percebê-lo no relato. Tirando uma ocasião de Gonçalo Guedes, aos três minutos, só houve Bélgica no jogo. Os portugas estavam desorganizados, perdiam bolas e pouco conseguiam avançar no terreno.

 

Pelos vistos, bastou a Fernando Santos corrigir as posições de Bernardo Silva, Guedes e Gelson Martins para a equipa entrar nos eixos. Quando eu e a minha irmã conseguimos sentar-nos em frente à televisão, Portugal começava a assumir o controlo do jogo, seguindo em crescendo até ao intervalo.

 

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Aos quarenta e dois minutos, Bernardo rematou, mas a bola bateu num defesa belga e foi para fora, rasando o poste. Dois minutos mais tarde, Gelson conseguiu isolar-se na grande área belga mas, como os colegas não conseguiram acompanhá-lo, o Marmanjo teve de rematar num ângulo apertado – sem sucesso. Por fim, Guedes tentou a sua sorte, em cima dos quarenta e cinco minutos, mas falou a baliza por pouco.

 

Se não tivéssemos sido interrompidos pelo intervalo, talvez tivéssemos conseguido marcar. Infelizmente, a equipa teve de ir para o balneário e, quando regressou, voltou a entrar no jogo um pouco aos tropeções. Beto teve de mostrar os seus dotes, com um par de defesas espetaculares aos cinquenta e cinco e aos sessenta e quatro minutos.

 

Entre ele, o Rui Patrício e mesmo o Anthony Lopes, não devemos ter problemas na baliza neste Mundial.

 

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Infelizmente, foi mais ou menos aos sessenta, setenta minutos, altura em que já tinham ocorrido algumas substituições, ambas as equipas pareceram contentar-se com o empate. O jogo tornou-se enfadonho, portanto – mas compreende-se.

 

Praticamente toda a gente ficou satisfeita com este resultado e, sobretudo, com a exibição – porque, lá está, quase toda a gente olha para a Bélgica como uma das melhores seleções do Mundo. Tal como referi antes, eu não concordo: os belgas têm muitos nomes sonoros, mas estes não chegam para fazer uma equipa. Pelo menos não ao nível que a pintam.

 

As melhorias mais notórias foram na defesa. Conforme Fernando Santos assinalou, Portugal foi a primeira equipa em vinte e um meses que não sofreu golos da Bélgica. A fórmula está longe de ser nova: centrais veteranos (neste caso, Pepe e José Fonte) atrás, protegendo a nossa área, para que os caloiros possam fazer a sua magia à frente – guiados por outro veterano, Cristiano Ronaldo, na maior parte das vezes. Resultou bem no Euro 2016 e na Qualificação, há de resultar bem no Mundial.

 

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O pior é que, como tem sido assinalado várias vezes ao longo dos últimos dois anos, não é uma fórmula para longo prazo. É para isso que temos Rúben Dias, mas esta exibição dos centrais veteranos pode diminuir as hipóteses de o jovem jogar no Mundial. É uma pena, mas também me parece que o jovem foi Chamado, sobretudo, como solução a longo prazo.

 

É sempre bom sinal quando conseguimos um resultado e uma exibição perante um bom adversário, a pouco menos de duas semanas do Mundial. Sobretudo estando nós desfalcados da nossa maior arma e tendo eles, como comentou a minha irmã, trazido a artilharia pesada – com nomes como Courtois, Kompany, Hazard, entre outros, nos titulares.

 

A melhor parte? Fernando Santos disse que a Seleção ainda não estava ao nível que ele deseja. Ainda podemos melhorar ainda mais!

 

Há que ter em conta que isto é um particular e que estes nem sempre são equiparáveis a jogos a doer. Gosto muito de recordá-lo quando os particulares correm mal, não posso deixar de dizer o mesmo quando estes nos correm bem.

 

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Dito isto, este jogo deixa boas indicações para o Mundial – nem que seja apenas um ligeiro aumento na confiança dos Marmanjos. Continuo muito relutante em alinhar em otimismos (não consigo esquecer 2014), mas admito que, no que toca a Campeonatos do Mundo, há muito que os sinais não nos eram tão favoráveis.

 

Antes disso, no entanto, temos o particular frente à Argélia, terá Cristiano Ronaldo em campo e, tal como já tinha dito, eu e a minha irmã nas bancadas. Pegando no conceito da campanha publicitária de um dos patrocinadores da Seleção, não vou ter muitas hipóteses de repetir os rituais do Euro 2016, mas este será uma exceção. Mais uma vez, vou despedir-me dos Marmanjos ao Estádio da Luz.

 

Tirando este, os poucos rituais que vou repetir são, na verdade, os mesmos que repito sempre que a Seleção joga: ir escrevendo neste blogue, ir atualizando a página do Facebook e, sobretudo, ir torcendo e acreditando até ao último minuto. E, pelo menos até agora, não me posso queixar dos resultados.

Portugal 2 Suíça 0 - Noites como estas

IMG_20170513_140959_HDR.jpgNa passada terça-feira, dia 10 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere suíça por duas bolas a zero, no Estádio da Luz... e eu estive lá! Este era o último jogo da Qualificação para o Mundial 2018. Com esta vitória, Portugal iguala a Suíça em pontos. No entanto, como tem mais golos marcados, fica em primeiro lugar no grupo e Apura-se diretamente para o Mundial.

 

Às vezes pergunto a mim mesma porque raio ainda tenho dúvidas no que toca a esta Seleção.

 

Conforme tinha escrito antes, fui ao jogo com a minha irmã. Uma vez que a lotação estava esgotada (até a Madonna veio, para delícia de muitos), os profissionais da Federação tinham recomendado que viéssemos o mais cedo possível. Eu e a minha irmã seguimos as recomendações e chegámos mais ou menos uma hora antes do início do jogo.

 

Por sinal, chegámos ao mesmo tempo que a maioria dos adeptos suíços, entoando cânticos em coro. Não houve confusão. Pelo contrário, uns deles meteram-se comigo. Falavam alemão, do qual não compreendo uma palavra (deviam ser da chamada “Suíça alemã”), mas lá percebi que queriam tirar uma selfie comigo. Eu aceitei, sobretudo por uma questão de fair-play – é sempre bonito confraternizar com adversários.

 

Eu, no entanto, suspeito que eles estavam menos interessados em fair-play e mais no meu decote. Enfim.

 

Eu e a minha irmã ficámos sentadas na bancada BTV (julgo que é essa), não muito longe dos adeptos suíços. Estes começaram a fazer barulho desde muito cedo, puxando pela sua equipa.

 

Mais um motivo para respeitar a Suíça, de resto: os seus adeptos não se deixaram intimidar por uma Luz esgotada, decidida a fazer a sua parte na luta pela Qualificação.

 

 

E, de facto, o momento da coreografia, com as cartolinas verdes e vermelhas provocou-me arrepios – sobretudo enquanto cantávamos “A Portuguesa”. Foi uma jogada de mestre por parte da Federação.

 

O jogo não foi muito fácil, pelo menos não de início. Portugal jogava bem, sem grande brilho mas com consistência – João Mário foi o primeiro a chamar-me a atenção, mas também William, Eliseu (com a sua pouca utilização no Benfica, não estava à espera que jogasse tão bem) e Bernardo Silva se destacavam.

 

Os suíços, no entanto, iam sendo capazes de travar as iniciativas portuguesas. De tal forma que a primeira oportunidade de perigo para Portugal ocorreu apenas aos trinta e dois minutos – uma boa iniciativa de Bernardo Silva. A Suíça também atacava de vez em quando mas com ainda menos eficácia – Rui Patrício teve uma noite inesperadamente tranquila.

 

Os dedos das mãos já não chegam para contar os jogos de futebol a que já assisti ao vivo. No entanto, ainda não me fartei – ver através de um ecrã pura e simplesmente não se compara a isto. Ainda por cima, desta vez estávamos apenas algumas filas acima do campo, relativamente perto dos jogadores. Dava para irmos gritando coisas como “Corre, Eliseu!”, “Vai, miúdo!”, “Força William!” e eles podiam ouvir.

 

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Em teoria. Na prática não davam sinais disso, claro. Como seriam capazes de se concentrar no jogo se estivessem atentos a todas as baboseiras que vêm das bancadas? Quando se trata de dar força, no entanto, gosto de pensar que eles percebem a mensagem.

 

O jogo foi na semana passada mas, só recordando-me disto, já estou com saudades e ansiosa por regressar a um jogo da Seleção. O pior é que duvido que a Turma das Quinas volte a jogar tão cedo em Lisboa.

 

Mas também estou a queixar-me de barriga cheia: eu que fui a dois jogos este ano.

 

Tivemos um bocadinho de sorte com o nosso primeiro golo, há que admiti-lo. Mas também não se pode dizer que Portugal não o tenha merecido. Poucos minutos antes do intervalo, Eliseu centrou para João Mário. Este enrolou-se com o defesa e o guarda-redes da Suíça, mas a bola acabou por entrar.

 

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A partir da nossa bancada não dava para ver bem o que se passava – durante algum tempo pensámos que tinha sido João Mário a marcar. Na altura, achei justo – ele estava a ser um dos melhores em campo. Só ao intervalo é que descobrimos que tinha sido auto-golo de Djourou.

 

Enfim. Golo é golo.

 

Dá sempre jeito partir para o intervalo com um golo acabado de marcar. A segunda parte foi quase completamente dominada por Portugal, sobretudo nos primeiros dez minutos. O facto de os suíços se terem aberto mais ajudou. Esta fase culminou com uma jogada brilhante, em que a bola passou por mais de metade da Seleção antes de Bernardo Silva assistir para André Silva, que concluiu com um remate atrapalhado mas certeiro.

 

É bom ver a Equipa de Todos Nós marcar um golo assim, com a contribuição direta de quase toda a equipa. Podemos continuar muito dependentes de Ronaldo (e acho que é mais uma dependência psicológica do que outra coisa qualquer), mas ninguém pode negar que existe Seleção para além dele.

 

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A parte chata de golos como este é que os resumos em vídeo cortam uma parte da jogada. Tive de recorrer às gravações automáticas para revê-la na íntegra – e estas desaparecem ao fim de alguns dias.

 

Depois desta, o jogo decorreu sem incidentes de maior. Portugal procurou segurar o resultado, sem abdicar de tentar o 3-0. Estivemos perto, sobretudo com a oportunidade de Cristiano Ronaldo, aos oitenta minutos. O Capitão conseguiu isolar-se perante o guarda-redes suíço mas depois atrapalhou-se com a finta.

 

Não estava nos seus dias, pobre Ronaldo. É capaz de ter sido dos menos eficazes em campo, entre os portugueses – a antítese do que aconteceu em Andorra, curiosamente. Não que tenha sido grave – outros brilharam por ele, tal como vimos antes.

 

Cristiano Ronaldo um dia destes deixará a Seleção (embora Fernando Santos diga que ele ainda poderá jogar durante cinco anos). Não temos nenhum fenómeno como ele para tomar o seu lugar – nem agora, nem nos próximos... duzentos anos, provavelmente. No entanto, com jogadores como Bernardo Silva, João Mário, William, entre muitos outros, não precisamos de nos preocupar com o futuro.

 

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Finalmente, o árbitro apitou três vezes, consumando o nosso Apuramento direto. Pela segunda vez consecutiva, escapamo-nos aos play-offs. Continua a saber bem. Em termos de números, esta foi a nossa melhor Qualificação de todos os tempos, com noventa por cento de vitórias. No Apuramento anterior também só tínhamos perdido uma vez. Mas como foram apenas oito jogos, a percentagem de vitórias foi de apenas 87,5.

 

Continua a faltar, ainda assim, uma Qualificação imaculada.

 

Uma palavra sobre a Suíça. Escrevi em textos anteriores que respeitava imenso os suíços por tudo o que fizeram nesta Qualificação. Isso não mudou com a derrota deles. São uma boa equipa, estiveram à nossa frente – nós, Campeões Europeus – na tabela classificativa durante mais de um ano, os seus adeptos foram exemplares na Luz. O mais justo teria sido ambas as equipas Qualificarem-se diretamente. 

 

A Suíça, no entanto, tem ainda a hipótese de ir à Rússia via play-offs. Eu vou torcer por eles.

 

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Fernando Santos  disse na Conferência de Imprensa que esta é uma das melhores seleções de sempre. Se é a melhor, é discutível – depende dos critérios. No entanto, em termos de resultados, de consistência, ninguém discorda: é a número um até agora.

 

A Seleção de Fernando Santos (isto é, de finais de 2014 até agora) pode nem sempre ter praticado o futebol mais excitante ou bonito. Mas os únicos fracassos até agora foram a derrota perante a Suíça (que, de qualquer forma, acabou agora mesmo de ser corrigida) e as meias-finais da Taça das Confederações. Pelo meio, tornámo-nos Campeões Europeus.

 

Fernando Santos celebrava o seu aniversário naquele dia. E, de facto, todos nós devemos dar graças por ele ter nascido e dado tanto à Seleção.

 

Foi mesmo a única coisa que faltou naquela noite: cantarmos os Parabéns a Fernando Santos.

 

  

Bem, ao menos pudemos comover o Selecionador com o “Hino à capela”, como o próprio descreveu, no fim do jogo. Eu não estava à espera, mas não me surpreendeu – o mesmo já tinha acontecido há quase seis anos (!!), no jogo com a Bósnia-Herzegovina.

 

Depois de o jogo acabar (ou talvez antes, não me lembro ao certo), reparei neste cartaz, algumas filas acima do meu lugar, com uma nova versão do Pouco Importa. Quando estávamos nos túneis para sair do estádio, consegui apanhar os autores do cartaz e pedir-lhes para tirar esta fotografia (serão membros da claque do Euro 2016, que criou o cântico original?). Ainda me juntei a eles quando começaram a cantar esta nova quadra, no meio da multidão que abandonava a Luz (tentei filmar o momento, mas atrapalhei-me com o telemóvel).

 

Já cantei, portanto, que “o Mundial da Rússia, vamos ganhá-lo também”. Na realidade, contudo, ainda não quis pensar a sério nisso. É muito cedo. Mais disparatado ainda é pensar já nos Convocados, como já vi – faltam sete meses! Os momentos de forma mudam até lá!

 

Haverá tempo para falarmos sobre o Mundial e sobre as ambições de ganhá-lo. Entristece-me um bocadinho, aliás, não voltarmos a ter jogos oficiais até junho.

 

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Enfim. Havemos de sobreviver.

 

Já sabemos que, no próximo mês, receberemos a Arábia Saudita e os Estados Unidos, em jogos particulares. Não me admiraria, no entanto, se Fernando Santos deixasse a maior parte dos habituais de fora. Não esperemos, portanto, jogos muito interessantes. Os de há quase dois anos não foram.

 

Recordo, no entanto, que de uma forma ou de outra esses jogos ajudaram-nos a sagrarmo-nos Campeões Europeus. É para noites como a de 10 de julho de 2016 e a de 10 de outubro deste ano que estamos todos aqui.

 

Que tenhamos muitas noites como estas no próximo ano, na Rússia.