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O Meu Clube É a Seleção!

Mulher de muitas paixões, a Seleção Nacional é uma delas.

Portugal 6 Bósnia 2 - Uma autêntica final

Há cerca de um ano e um mês que sonho com esta entrada no blogue - desde que Paulo Bento assumiu o comando técnico da Selecção Portuguesa de Futebol conseguindo, em poucos dias, pô-la a vencer e a golear, relançando-a na luta pela Qualificação para o Campeonato Europeu de 2012, a realizar-se na Polónia e na Ucrânia. Isto apesar de, quando esta chegou às suas mãos, a Equipa de Todos Nós se encontrar praticamente destruída, após um Campeonato do Mundo que deixou bastante a desejar e um caso desagradável (e "desagradável" é um grande eufemismo) no seu rescaldo que culminou num trágico arranque de apuramento e no despedimento nada amigável do antigo Seleccionador. Essa crise está definitiva e finalmente ultrapassada - como eu sabia que acabaria por acontecer - após um jogo do outro mundo, ontem à noite - como eu não sabia que iria acontecer.

Realmente, até dá gosto escrever sobre jogos como a segunda mão do playoff de acesso ao Euro 2012. Dá gosto é como quem diz... Eu adoro escrever sobre a Selecção independentemente das circunstâncias mas recordar momentos como meia dúzia de golos fenomenais, os invulgarmente efusivos festejos de Paulo Bento, dezenas de milhares de pessoas gritando poderosamente "POR-TU-GAL! POR-TU-GAL!" e cantando o hino a uma só voz, os jogadores abraçando-se e atirando-se para cima uns dos outros, dulcifica imenso a coisa.

Por outro lado, devo confessar que, apesar de me ter dado um prazer especial, esta entrada levou-me tremendas quantidades de tempo a escrever. No meu caderno de rascunhos tenho páginas e páginas cheias de notas. São tantas as coisas de que queria falar, mas infelizmente vou ter de deixar algumas de fora. E, já assim, a entrada vai ser longa, por isso, preparem-se!

Duvido que alguém estivesse à espera de uma vitória tão expressiva quando a Selecção Nacional entrou em campo, ontem à noite. Eu, pelo menos, quando me sentei na minha sala de estar, com o computador portátil no colo, não imaginava que sairíamos da Luz com seis golos marcados. Como costumo fazer quando assisto aos jogos a partir de casa, estava ligada ao Twitter. Aqui ia publicando os meus comentários (apesar de ser pouco provável que estes fossem lidos) e ia lendo as reacções de portugueses e estrangeiros um pouco por todo o mundo - a beleza da Internet! E foi bom ver termos relacionados com Portugal no Top 10 dos Trending Topics, para variar.

A Selecção entrou no seu melhor, cheia de garra, decidida a sair da Luz com o passaporte carimbado para a Polónia e a Ucrânia. Daí que a primeira oportunidade de perigo para a baliza da Bósnia-Herzegovina tenha surgido logo aos cinco minutos. E que Cristiano Ronaldo tenha marcado o primeiro golo aos oito minutos, de livre. Um tiro espectacular, mesmo à CR7. Achei graça quando, após o golo se ouviram algumas notas do "Bailinho da Madeira" em honra do madeirense mais amado de todos os tempos.

Mais tarde, soube que, já durante o aquecimento, o Cristiano havia dado sinais claros de que se ia empenhar, de que não queria ficar de fora do Euro 2012. Se era por interesse próprio, pela sua própria mediatização, ou se pela Equipa de Todos Nós, não sei. Talvez fosse por ambos os motivos. Independentemente do egoísmo ou altruísmo das intenções, a verdade é que o jogo de Terça-feira à noite foi um dos melhores dele vestindo a camisola das Quinas e ele contribuiu muito para a vitória. A profecia do outro que eu mencionei na entrada anterior, de que dia 15 seria a noite de Cristiano Ronaldo e de que as 21 seriam a hora dele estava correcta. Mas a minha profecia de que dia 15 seria a noite de toda a Turma das Quinas e de que as 21 seriam a nossa hora também estava correcta uma vez que Ronaldo não foi o único Marmanjo a brilhar na Luz.

Nani, que completa hoje 25 anos de vida, foi um deles ao disparar sobre a baliza bósnia de fora da área. Um golo que me fez exclamar:

- Fogo!...

Estava provado que os Marmanjos estavam inspirados naquela noite. Achei graça ao tweet, mais uma vez, de @lidiapgomes: "Ataque à bomba na Luz".

Ora, a alegria por estes dois primeiros golos foi-me parcialmente roubada pela televisão de sinal digital. O meu pai e o meu irmão haviam chegado mais tarde a casa e estavam na cozinha, vendo o jogo enquanto jantavam. A televisão deles estava mais adiantada. Como tal, quando eles gritaram "GOLO!", eu ainda via a bola nos pés dos Marmanjos... Acabei por pegar no portátil e mudar-me para a cozinha.

O penálti a favor da Bósnia e consequente golo acabou por surgir um pouco contra a tendência do jogo. Safet Susic, o seleccionador da Bósnia, havia dito que o jogo seria decidido nos detalhes. Agora percebia o que ele queria dizer.

O jogo chegava ao intervalo com um resultado que não correspondia ao que de facto se passara em campo e pouco tranquilizador para as cores nacionais. Se os Bósnios anulassem a desvantagem, seriam apurados por terem marcado fora. Tudo era possível e a única certeza que tinha era que ainda haveria muito para ser jogado naquela noite.

Entretanto, o meu pai e o meu irmão acabaram de jantar. Agora, sem televisões adiantadas ligadas, viemos para a sala.

No início da segunda parte, os adeptos portugueses estavam menos exuberantes nas suas manifestações de apoio. Não os posso censurar, sobretudo porque, durante o resto do tempo, mereceriam cinco estrelas. Excepto quando assobiaram o hino bósnio. Apesar de compreender a atitude deles e não poder julgar, acho que isso estava fora dos limites. Em todo o caso, corresponderam ao pedido de apoio por parte de Cristiano Ronaldo. E o capitão da Turma das Quinas agradeceu marcando o terceiro golo da Selecção, na jogada seguinte. Depois, bem ao seu estilo, ter-se-à dirigido aos adeptos bósnios perguntando:

- Mess? Quem é Messi? - Ah, grande Ronaldo!

Este foi o seu 32º golo pela Equipa das Quinas, destronando, deste modo, Luís Figo - ironicamente na mesma noite em que a antiga estrela da Selecção foi homenageada pelas suas 109 internacionalizações. Mas acho que o Figo não se importa. Aqueles que dizem que o Ronaldo só dá o seu melhor pelos clubes começam a ficar sem argumentos. O madeirense encerrará o ano de 2011 com sete golos marcados com a camisola das Quinas - igualando o recorde de 2004. António Oliveira resumiu bem a situação: "Finalmente foi criada uma sintonia perfeita entre a equipa e o jogador". Agora só tem Eusébio e Pauleta acima dele na tabela dos goleadores da Equipa de Todos Nós. E visto que ainda vai a meio da carreira, qualquer dia ainda os vai destronar...

Desta feita, o prazer do golo foi-me de novo roubado, não pelo meu pai e irmão, mas pelos vizinhos de cima. Parecia mesmo que o sinal digital tinha tirado o dia para se divertir à minha custa. Irritada, acabei por voltar para a cozinha, desejando que a Selecção marcasse mais um golo, para eu poder celebrar como deve ser.

Podia ter celebrado alguns minutos mais tarde se a equipa de arbitragem tivesse visto Papac ajeitando a bola com as mãos na área da Bósnia de uma forma bem mais ostensiva do que no lance que dera o penálti à Bósnia. Mas os árbitros pareciam estar a sofrer de uma miopia bastante selectiva, naquela noite. Miopia essa que voltou a manifestar-se minutos mais tarde, quando não viram o fora-de-jogo de Spahic no lance do segundo golo deles. Mais um detalhe, mais um pormenor tornado pormaior. Houve quem twittasse que havia ali um dedinho de Michel Platini. Não me surpreenderia...

Estávamos de novo com uma vantagem precária que, apesar de nós sermos claramente melhores, poderia ser anulada por outro detalhe, por outro capricho do destino. Estava a ser um verdadeiro jogo da Equipa de Todos Nós, com todo o sofrimento que a ele costuma estar associado, cheio de emoções fortes. Uma autêntica final. Parecia, de certa forma, um resumo de toda a caminhada para a fase final do Euro 2012, com todos os momentos de brilho, de garra, mais os inesperados tropeções e momentos menos bons. Tudo podia acontecer, todos os desfechos desta história eram possíveis. Mas eu acreditava, como nunca deixo de acreditar. Acreditava que a Selecção marcaria mais um golo e consolidaria a vitória.

E não me enganei.

Hélder Postiga marcou aos 72 minutos, após uma excelente assistência por parte de Ruben Micael, dando-me, finalmente, a oportunidade de gritar "GOLO!" e travando de vez os bósnios. Menos de dez minutos depois, foi marcado um pontapé livre perigoso a favor de Portugal. À semelhança do que acontecera nos livres anteriores, o público chamou por Ronaldo, mas aquela zona era a especialidade de Miguel Veloso. Por isso, o Marmanjo pediu para ser ele a executar o pontapé livre. Ronaldo aceitou e, deste modo, Veloso teve também direito ao seu momento de glória.

Ainda não tinham passado três minutos, já Hélder Postiga cabeceava para o interior da baliza bósnia, marcando o seu segundo golo naquela noite. Houve quem dissesse que ele estava a sorrir quando fez esta jogada. É bem possível.

Estava feito o resultado, embora eu ainda esperasse mais um golo. Nas bancadas cantava-se o hino de Portugal, celebrava-se já o apuramento. Depois do apito final, os jogadores juntaram-se à festa. Nos holofotes soaram as primeiras notas do Hino Nacional e toda a Luz, todos os jogadores, toda a equipa técnica, todos os adeptos presentes no estádio, todos os portugueses seguindo o jogo à distância, em suma, toda a Selecção Nacional cantou a uma só voz. Um momento lindo e, tanto quanto sei, inédito excepto em finais, que encerrou com chave de ouro um jogo que teve todas as características de uma grande final.

Que a Selecção tenha a oportunidade de voltar a cantar o Hino Nacional no fim de um jogo em Junho do próximo ano!

Falou-se da Troika de ataque constituída por Cristiano Ronaldo, Nani e Hélder Postiga. Aqueles que mais marcaram ao longo da fase de qualificação. Cada um deles marcou no Estádio da Luz. Muita gente parece surpreendida por o Hélder Postiga ter marcado duas vezes, mas não compreendo porquê. Na minha opinião, ele tem sido injustamente subvalorizado pelo público. Não posso falar do clube mas na Selecção tem tido quase sempre bons desempenhos, não só nesta fase de qualificação mas há já vários anos. Sempre foi um dos meus jogadores preferidos. OK, admito que comecei a gostar dele quando tinha treze ou catorze anos pelo seu aspecto (e ainda hoje acho que ele não é nada feio...) mas ao longo dos anos fui ganhando melhores argumentos para gostar dele: é humilde, empenhado, ajuizado, não procura protagonismo e há muito que é um talismã para a Equipa das Quinas. Eu já reconheci o potencial dele, espero que este jogo tenha servido para outros reconhecerem.

O próprio Hélder observou que ele marca sempre na Luz, sempre naquela baliza, curiosamente. Se não me engano, isso aconteceu duas vezes no particular com a Espanha, há precisamente um ano, e no jogo com a Noruega. Um dos comentadores da RTP comentou mesmo que o Hélder devia era arrancar aquela baliza e levá-la para a Polónia e para a Ucrânia - adorei esta frase. Eu costumo dizer mal dos comentadores televisivos mas estes, quando querem, até têm uns rasgos de inspiração...

Mas eu não queria falar apenas da Troika de ataque (que, curiosamente, é constituída por, provavelmente, os meus três jogadores preferidos da Selecção). Quero falar deles em conjunto com o Miguel Veloso, o Hugo Almeida, o João Moutinho, o Fábio Coentrão, o Rui Patrício, o Ricardo Quaresma, entre outros - uma geração que, desde há alguns anos a esta parte, tem dado muito à Equipa de Todos Nós e, visto ainda serem relativamente jovens, julgo que ainda têm tempo para crescerem ainda mais e para darem ainda mais à Selecção. Eu, pelo menos, tenho fé nestes rapazes.

Mas isso seria mais a longo prazo. A curto/médio prazo, temos um Campeonato da Europa para preparar. Já se fazem prognósticos sobre o desempenho da Selecção no Europeu, mas eu prefiro não ir por aí, pelo menos não para já. A euforia ainda está demasiado fresca. Além disso, prefiro saber ao certo o que teremos de enfrentar. E nem me vou pôr a fazer prognósticos sobre o próprio sorteio, nem me vou pôr a dizer quais as selecções mais ou menos convenientes para nós. Para quê? Não podemos influenciar o sorteio... Que seja o que Deus quiser. E não teremos de esperar muito para se conhecer a Sua vontade visto que o sorteio é já dia 2 de Dezembro.

Mas uma coisa confesso: depois de tudo por que a Turma das Quinas passou no último ano e meio, quero ver até onde esta Selecção renascida é capaz de ir.

Encerra-se deste modo inacreditável a caminhada para o Europeu de 2012. Provámos que coisas como  seleccionadores de fraco carácter, dirigentes corruptos, jogadores desertores, notícias desestabilizadoras, relvados manhosos, adeptos hostis, dirigentes estrangeiros que não colaboram, árbitros de imparcialidade duvidosa, presidentes de parcialidade quase provada cientificamente, podem complicar-nos a vida mas, no fim, não chegam para nos impedir de alcançar os nossos objectivos. Que a Selecção é mais forte do que tudo isso.

Quero desde já felicitar todos os jogadores, equipa técnica e adeptos que, como eu, nunca deixaram de acreditar, de apoiar, por termos conseguido um lugar na Polónia e na Ucrânia, por termos conseguido reconstruir a Selecção e colocá-la a jogar ao seu melhor nível. Agradecer-lhes por nos terem dado algo para celebrar, algo por que ansiar. Agradecer-lhes por, mais uma vez, terem retribuído o apoio que lhes é dado.

Por, mais uma vez, provarem que faço bem em ser doida pela Selecção.



Agora que estamos finalmente apurados, planeio montar alguns vídeos de homenagem e apoio à Selecção ao longo dos meses que faltam para o Europeu. Começarei por refazer o vídeo que montei há um ano com a música The Climb, de Miley Cyrus. Não consegui colocá-lo no YouTube devido aos direitos de autor das imagens do Mundial e sempre o lamentei pois considero que a mensagem da música tem muito a ver com a Selecção Nacional. Daí ter decido refazer o vídeo. Desta feita, não vou usar imagens do Mundial (com alguma pena minha) a ver se evito os problemas de direito de autor. Tenciono, até, fazer três versões diferentes: uma com a versão oficial da música, outra com a versão instrumental e outra com um instrumental em piano que encontrei recentemente. Vou tentar tê-las prontas em breve. Quando as tiver postarei aqui.  Entretanto, se quiserem ver as primeiras versões do vídeo, podem sacá-las através dos links aqui ao lado direito.

P.S. As celebrações da vitória e do apuramento para o Europeu foram assombradas pelo estado de saúde do Gustavo, o filho de Carlos Martins, que completa hoje três anos e a quem lhe foi diagnosticada uma leucemia. Três anos de idade e tem cancro... Eu já tinha estranhado a sobriedade dos jogadores nas flash-interviews... Entretanto, o Cristiano Ronaldo, o Nani e o Fábio Coentrão já publicaram apelos à doação de medula óssea nas redes sociais, já se formou uma corrente de solidariedade online - algo que é de louvar e que pode fazer a diferença, dada a popularidade destes jogadores. Talvez eu não tenha grande personalidade, talvez eu seja facilmente manipulável, talvez a Selecção seja uma fraqueza minha e eu faça qualquer coisa que eles me peçam mas a verdade é que tenciono ajudar. E não é só por ser o filho de um Marmanjo, só de pensar numa criança de três anos (um ano mais nova do que um primo meu) a ter de ser submetida a cirurgias e quimioterapia... Quem é que consegue ficar indiferente? Mais ou menos nesta altura do ano costumam vir recolher sangue à minha Faculdade e costumam também apelar ao registo como doador de medula. Eu já doei sangue mas tenho estado relutante em inscrever-me como doadora de medula mas agora... Se não for o Gustavo, há-de ser o filho de outra pessoa qualquer.

Vou também acrescentar o meu blogue à onda de solidariedade para com o Gustavo, apelando a que sigam o meu exemplo e se registem como doadores de medula (saibam mais AQUI). Hoje é o filho do Carlos Martins, amanhã pode ser o vosso filho, o vosso neto, o vosso sobrinho, o vosso irmão. Quero também enviar ao Carlos e à Mónica, os pais do Gustavo, uma mensagem de solidariedade, de força e um desejo do fundo do coração que eles consigam vencer esta luta.

Bósnia 0 Portugal 0 - Sem motivos para preocupações

Na passada Sexta-feira, dia 11 de Novembro, realizou-se em Zenica, na Bósnia-Herzegovina, a primeira mão do playoff de acesso ao Campeonato Europeu de Futebol de 2012, a realizar-se na Polónia e na Ucrânia. O duelo que opôs a Selecção da casa à sua congénere portuguesa terminou empatado sem golos.

Só consegui seguir o jogo com a devida atenção durante a primeira meia hora. Nesse intervalo de tempo, assisti ao desafio numa televisão de sinal ainda analógico, com o som desligado, ouvindo ao mesmo tempo o relato via rádio. Deve ter sido a última vez que vi um jogo dessa forma uma vez que, com a substituição pela Televisão Digital Terrestre, deve acabar a sincronia quase perfeita entre a televisão e a rádio – algo que lamento profundamente. Já antes mencionei aqui o contagioso entusiasmo com que os jogos são relatados na rádio, fazendo os comentadores televisivos parecerem terrivelmente enfadonhos. Na Sexta-feira, não foi excepção. O locutor da Antena1 – cujo nome não decorei – relatou de forma primorosa ao longo do tempo em que estive a escutá-lo. Ele ia intercalando o relato com uma ou outra curiosidade ou uma ou outra piadinha. Mencionou, por exemplo, que um dos responsáveis bósnios fora, de gravador em punho, confirmar com um jornalista da SIC que aquele é que era o hino nacional português; que pernoitara no mesmo hotel que Howard Webb – o árbitro – e que não gostaria de encontra-lo num beco escuro, visto Webb ser alto e corpulento.

Ele pode ter estado apenas a encher chouriços mas os comentadores televisivos, quando não têm nada para dizer, a sua criatividade limita-se a: “Acompanhe depois o rescaldo do jogo na RTP Informação” e pouco mais.

Visto que Portugal cedo ganhou o domínio do jogo, assisti ao desafio com bastante tranquilidade – em contraste absoluto com a agonia que fora o jogo com a Dinamarca. Mais uma prova de que a noite de Copenhaga fora apenas azar, um acidente de percurso. “Aqui quem manda somos nós”, disse mesmo o locutor. O primeiro golo não tardaria, achava eu.

Enganava-me. Entretanto, saímos para o jantar de aniversário da minha mãe – que completou cinquenta anos nesse dia. Entre beijos e abraços aos amigos e familiares, a ocupação dos lugares à mesa, a actualização das conversas, os primeiros pratos, só de vez em quando é que ia olhando a televisão. Não era, portanto, capaz de perceber o que se estava a passar ao certo. Como tal, quando o jogo terminou com o marcador por abrir, não consegui deixar de ficar desanimada. Não percebia como é que aqueles Marmanjos não tinham conseguido marcar apesar de terem jogado tão bem na primeira parte. Fazia-me recordar a Qualificação para o Mundial 2010, em que a Selecção jogava bem mas era incapaz de marcar golos. E, sem golos fora, se os bósnios marcarem na Luz, vai ser complicado.

Só mais tarde, quando vi as notícias, é que percebi que não existem motivos para grandes preocupações. A única coisa que, pelos vistos, nos impediu de levar o jogo de vencida foi, literalmente, o campo. Eu acho um bocado patético estamos a dizer “Eu sei dançar! A pista de dança é que não presta…” mas este foi mesmo um caso à parte. Portugal fez uma exibição de grande qualidade, falou-se mesmo de “personalidade fortíssima” e de “espírito guerreiro” e, segundo os jornalistas, deixou boas promessas para Terça-feira desde que jogue desta forma.

Tem graça. Geralmente, costumo ser eu a optimista e os media a ficar de pé atrás, mas neste jogo passou-se o oposto… Mas eu própria vi-os a jogar de forma excelente durante a primeira parte e acredito que a qualidade se tenha mantido ao longo dos noventa minutos de jogo, por isso…

O campo, de resto, tem sido uma verdadeira dor de cabeça há já coisa de um mês. Vários nomes foram usados para o definir – batatal, horta, pseudo-relvado – e várias piadas foram feitas. Um exemplo foi um tweet de @lidiapgomes : “Portugal ainda não encontrou o caminho do golo mas já encontrou 3 batatas, 5 cenouras e vários tomates no relvado” – depois desta, o Fábio Coentrão não vai precisar de voltar a assaltar a horta do Cristiano Ronaldo tão cedo… Outro exemplo, foi uma frase do jornal Record: “Pepe foi o que mais amealhou no Farmville”. Adorei estas duas! A Federação já tinha pedido à UEFA que trocasse a localização do jogo mas tal pedido caiu em saco roto. Isto apesar de a França ter pedido o mesmo em relação ao seu embate com a Bósnia aquando do apuramento – algo que já não me surpreende.

Aquilo que me surpreendeu foi o facto de os dirigentes bósnios terem desrespeitado o acordo forjado na manhã antes do jogo e regado o campo, piorando ainda mais a sua qualidade. Juro que não percebo qual foi a ideia deles. À pala disso, a Selecção jogou sob protesto. Agora, estou curiosa em relação às consequências de tal processo.

Mas entretanto, ainda temos a segunda mão do playoff, na Terça-feira, no Estádio da Luz. Esta coisa do “relvado” e dos dirigentes bósnios é apenas um factor a contribuir para um desejo relativamente saudável de vingança. Como dizia no Record, mais uma vez, desejamos uma desforra por isso e pelos adeptos hostis que fizeram barulho à porta do hotel da Selecção, que apontaram lasers ao Ronaldo e gritaram por Messi (apesar de muitos garantirem que, há dois anos, foi pior. Por acaso, até gostei da linguagem gestual cujo significado toda a gente conhece. Pode não ter sido politicamente correcto mas, como costumo dizer, uma miúda não é de ferro e não tenho lata para exigir que o Ronaldo o seja quando tanta gente tenta destabilizá-lo). Para isso, a ideia dos jornalistas é encher o Estádio da Luz, não só de adeptos, mas também “de fervor, de paixão, de entusiasmo, de alegria”. Recriar o lendário Inferno da Luz.

A mim, não é só a vingança que me motiva. Existem outros desejos mais antigos, várias vezes mencionados aqui no blogue ao longo do último ano: consumar o renascimento da Selecção depois do caso Queiroz; dar uma alegria aos portugueses numa altura em que tudo o resto está cada vez pior; uma promessa de mais alegrias no próximo ano, algures entre Maio e Junho. Encerrar o percurso até à fase final do Euro 2012 da melhor forma. Até porque, na remota hipótese de falharmos, o Europeu não terá o mesmo interesse, não só para nós, mas também para o mundo futebolístico em geral. Na coluna de Alexandre Pais do Record, este dizia: “Cristiano, dia 15 é a tua noite, as 21 são a tua hora”. Eu prefiro a frase assim: dia 15 é a nossa noite, as 21 são a nossa hora. Porque a Selecção não é só o Ronaldo. Somos todos nós. E na próxima Terça-feira mostraremos ao mundo aquilo de que somos capazes.


P.S. Não quero falar sobre José Bosingwa. Já se falou e opinou o suficiente sobre isso, não tenho muito mais a acrescentar. Aliás, as declarações e os rumores que têm circulado pelos media podem estar incompletos, descontextualizados, talvez até sejam falsos. Por isso, não me sinto à vontade para tecer julgamentos. Além de que não sei ao certo o que pensar desta história toda… Assim, apenas lamento que a Selecção tenha perdido mais uma mais-valia. E, tal como aconteceu com Ricardo Carvalho, espero que a Equipa de Todos Nós não saia demasiado afectada desta história toda e que, eventualmente – embora saiba que é pouco provável – Bosingwa e Paulo Bento façam as pazes e o jogador possa voltar à Selecção.

"E agora já só falta a Bósnia-Herzegovina"

Realizar-se-á em breve o play-off de acesso ao Campeonato Europeu de Selecções, a realizar-se em 2012 na Polónia e na Ucrânia. A Selecção Portuguesa de Futebol disputá-lo-á com a sua congénere bósnia num jogo a duas mãos. A primeira realizar-se-á dia 11 de Novembro em Zenica, na Bósnia-Herzegovina. A segunda realizar-se-á dia 15 de Novembro, no Estádio da Luz.

Paulo Bento divulgou a lista de Convocados para este play-off na passada Sexta-feira, precisamente a uma semana da primeira mão. Não existem grandes novidades na lista, embora se destaque o regresso de habituais como Fábio Coentrão, Pepe, Danny e Hugo Almeida – dando a Paulo Bento uma “maior possibilidade de escolha” e, pelo menos a mim, uma maior tranquilidade.

Muitos têm alertado para o potencial da Bósnia, que cresceu durante os dois anos que nos separam da última vez que jogámos contra eles, no play-off de acesso ao Mundial 2010. Incluindo um integrante da selecção que será a nossa adversária. “Crescemos como equipa e temos mais experiência do que no último play-off”, afirmou recentemente o médio bósnio Zvjedzan Misimovic. “Há muita qualidade no ataque e também estamos um pouco melhores na defesa. A nossa autoconfiança aumentou.”  E, apesar de reconhecer o nosso valor, observou: “Nem tudo está fácil para eles [Portugal]. Qualquer Selecção com tanto potencial teria conseguido o apuramento directo.” Essa doeu.

Contudo – apesar de ser a primeira a reconhecer que não domino o assunto – acho que Portugal também melhorou alguma coisa neste intervalo de tempo, em particular, no último ano. Pelo menos, a Qualificação para o Europeu 2012 foi, em alguns aspectos, melhor do que a Qualificação para o Mundial 2010. Se bem se recordam, empatámos vários jogos, por vezes sem marcarmos um golo que fosse, só despertámos na parte final da qualificação, quando sentimos a corda ao pescoço. Na Qualificação, que terminou recentemente, ganhámos todos os jogos, exceptuando os dois primeiros e o último, marcámos generosamente em muitos deles, frente a adversários nem sempre assim tão fracos. O próprio Paulo Bento disse na Conferência de Imprensa em que anunciou os Convocados: Não vou desconfiar de quem durante um ano e picos fez tudo o que devia fazer e, por um jogo, pôr tudo em causa.  Adorei esta declaração.

Tendo tudo isto em conta, o prognóstico do Seleccionador de cinquenta por cento de hipóteses para cada lado, acaba por ser o mais sensato. Acredito, além disso, que podemos esperar um play-off bem disputado, emocionante como só um jogo da Selecção consegue ser.

Luís Figo, que, no mesmo dia em que os Convocados foram divulgados, completou  trinta e nove anos de existência, disse, mais do que uma vez, que acreditava numa vitória das cores nacionais embora tenha avisado que “não era o fim do futebol português” se isso não acontecesse. É óbvio que tem razão. Contudo, como já disse antes, penso eu, nunca coloco sequer essa hipótese. Sei que não é assim tão remota, mas, pura e simplesmente, não quero sequer pensar em ficar de fora de um Campeonato de Selecções. Muito menos agora, que as coisas estão cada vez mais negras para o nosso País. Como já repeti umas mil vezes, precisamos de algo bom por que esperar no futuro. Mesmo que o Europeu não dê em nada, mesmo que, mais tarde, se venha a descobrir que a Selecção não funcionava tão bem como parecia, tal como aconteceu no Mundial 2010, aquelas semanas em que se preparam as fases finais são uma fuga à rotina, uma fonte extra de alegria, um período de entusiasmo por antecipação que eu, pelo menos, prezo.

Como tal, não peço aos jogadores que se qualifiquem ou morram tentando, mas que, pelo menos, façam um esforço. E acredito que o farão. Como afirmou Paulo Bento, “se não estivermos motivados para jogar uma fase final, dificilmente estaremos motivados para alguma coisa”. É como diz a música: “o people é sereno mas play-off é p’ra ganhar”.

Um aparte só para comentar que uma das vantagens de voltarmos a jogar com a Bósnia é podermos reutilizar o Menos Ais Versão Play-off (AQUI). Ainda me custa a acreditar que já tem dois anos de idade…

Não sei se poderei actualizar o blogue antes do jogo de Sexta-feira, visto que terei uma semana muito ocupada. Mas obviamente poderão contar com uma análise à primeira mão nos dias seguintes.

O dia 11 será um dia multiplamente especial para mim uma vez que a minha mãe completará meio século de idade, como diz o meu pai; ainda por cima numa capicua. Só no meu aniversário é que nunca há jogos da Selecção… À hora da primeira mão do play-off estarei, certamente, no jantar de anos da minha mãe. Em princípio o restaurante terá televisão – se tiver, será bom assistir ao jogo com várias pessoas, como no meu último encontro com a Noruega. Se não tiver, tenho sempre o meu leitor de MP3.

A minha mãe não liga tanto à Selecção como eu (também deve haver pouca gente a ligar tanto ou mais do que eu…) mas os Marmanjos podiam dar-lhe um belo presente vencendo em Zenica e adiantando-se no caminho para o Europeu. À minha mãe e a todos os portugueses. Acredito, ou melhor, sei que, embora não possam prometê-lo sem margem de erro, a Selecção tudo fará para nos dar tal presente. E ninguém esperaria menos.

Bósnia 0 Portugal 1 - "Quatro, sei, oito, dez - África do Sul agora é a tua vez!" - Eu sabia que conseguíamos!

Eu sabia que conseguíamos!


Ontem à noite, dia 18 de Novembro de 2009, Quarta-feira, a Selecção Nacional foi a Zenica, na Bósnia, vencer a respectiva Selecção por uma bola a zero sem resposta, finalmente carimbando desta forma o passaporte para o Campeonato do Mundo de 2010, a realizar na África do Sul. O autor do golo foi Raúl Meireles mas o mérito da vitória é de todo o colectivo, do Seleccionador ao Rui Patrício, que, apesar das dificuldades, de algumas críticas destrutivas, da descrença de muitos, conseguiu ultrapassar tudo isso e ganhar um lugar no Mundial. Como estou orgulhosa deles!


Para além da equipa bósnia, a Selecção tinha mais dois adversários: o relvado em péssimo estado e os adeptos muito pouco amigáveis. E se, noutros resultados menos positivos, o relvado tenha sido invocado como desculpa, perdão, factor que contribuíra para o escasso número de golos, ontem apenas impediu que jogassem um futebol mais bonito. Não foi suficiente para parar os marmanjos, que chegaram mesmo a fazer um jogo melhor do que aquele que fizeram no Inferno da Luz, sobretudo na segunda parte. Em minha casa, estivemos a jantar durante a primeira parte e eu estava tão nervosa que perdi o apetite - a minha mãe julgou que não comia por ter andado a pestiscar antes do jantar, por isso obrigou-me a comer um pouco mais do que queria e perdi a oportunidade para cortar nas calorias... Mas não tinha razão para estar nervosa. Se bem que os portugueses não atacassem muito, defendiam bem quando os bósnios ameaçavam a nossa baliza. Nas poucas vezes em que a bola conseguia passar pelos nossos defesas e ameaçar a nossa baliza, o Eduardo estava lá para a defender.


Na segunda parte, veio o golo de Raul Meireles numa jogada em que também entraram Liedson e Nani. O golo fez-me saltar a mim e ao meu pai saltar do sofá e contribuiu para expulsar de vez os nervos, pois a partir desse momento, se os bósnios quisessem passar tinham de nos marcar três golos. Foi também na ressaca dos golos que os milhares de bósnios se calaram finalmente e os poucos portugueses presentes no estádio se fizeram ouvir. E no resto do jogo, os marmanjos ficaram bem mais soltos e podíamos ter dilatado o resultado. Ainda falhámos umas quantas oportunidades excelentes. Noutras circunstâncias fartar-me-ia de praguejar mas naquela altura, com o jogo praticamente resolvido, limitei-me a alguns refilanços bem-humorados.


O triste episódio ocorrido aos 75 minutos, aproximadamente, é que estragou o jogo. Quando aquele jogador bósnio foi expulso, os adeptos começaram logo a arremessar coisas para o campo. Eu vi logo que alguém ia sair dali magoado e acabou por ser o árbitro assistente. Como o Simão estava mesmo à frente dele, julgo que ele é que era o alvo. Se ele tivesse de facto sido atingido, ia haver confusão ainda maior... Em todo o caso, não deixa de ser um episódio degradante, que só contribui para estragar o futebol. Se tivesse sido ao contrário, morreria de vergonha.


Finalmente, o jogo terminou e com o fim do jogo, a entrada no Mundial ficou definitiva e finalmente selada. Eu queria ver em directo os jogadores a celebrarem o apuramento que custou tanto a carimbar mas a TVI achou por bem escolher uma pausa para publicidade naquele momento. Eu ainda fiquei um bocado à espera que acabasse para ver as flash-interviews, na esperança de que fosse aqueles intervalos de pouco mais de um minuto, só com dois ou três anúncios, mas não foi. Acabei por me fartar, desliguei a televisão e a TVI desceu ainda mais na minha consideração. É por estas e por outras que, no que toca a canais generalistas, sem contar com os telejornais, já quase só vejo a RTP 2.


Mais tarde, estive um bocado a oscilar entre a SICNotícias e a RTPN, como costumo fazer em dias de jogo, para ver a Conferência de Imprensa do Seleccionador e ouvir um ou outro comentário sobre o jogo. Na SIC, estava o Rui Santos e outro senhor de idade avançada cujo nome não memorizei a comentar. Este último, depois de se rever a flash-interview de Carlos Queiroz, citou uma das frases que o Professor disse. Se não me engano, algo tipo "obrigado a todos que acreditaram em nós". O senhor considerou esta frase "infeliz", por estar subjacente uma crítica àqueles que, a certa altura, deixaram de acreditar (o próprio comentador admite que foi uma dessas pessoas), mas eu concordo com o Seleccionador. Com todo o respeito pelo senhor comentador e pela sua opinião, estaria ele à espera que Queiroz viesse agradecer àqueles interesseiros e hipócritas que, nas alturas mais difíceis da qualificação deixaram de apoiar e acreditar mas quando a Selecção encontrou de novo o caminho voltaram de novo a apoiar?!?


Eu fui uma daquelas que nunca deixou de apoiar, de acreditar. Admito que apanhei imensos baldes de água fria, que houve alturas em que me senti uma parva por continuar a acreditar, que estive a "um bocadinho assim" de desistir, que nunca deixei de ter medo que tudo falhasse. E teria sido bem mais fácil ter feito isso. Concordo plenamente com o que o jornalista Carlos Daniel escreveu uma vez no Record, se não me engano na véspera do último jogo frente à Dinamarca: é mais difícil ser-se optimista do que pessismista. Na altura, entusiasmada como andava com o jogo, não compreendi bem porque dizia ele isso, mas no dia seguinte, depois do jogo, percebi perfeitamente.


Mas agora estou feliz. Agora vou poder esfregar esta vitória na cara de todos os que me disseram que já estava tudo perdido. Ah, ah, ah! Engulam esta!


Ainda neste assunto dos críticos, ontem o Ricardo Carvalho surpreendeu-me pela positiva, tanto dentro como fora do campo. Admitiu que a qualificação começou mal, que perdemos pontos desnecessariamente, que "merecemos as críticas e temos de assumi-las", contrariando a fama que a Selecção ganhou nos últimos anos, sobretudo no tempo do Scolari, de não lidar bem com as críticas. Confesso que, neste tópico, o Ricardo é melhor pessoa do que eu, pois eu levo um bocado a mal as críticas à Selecção. Suponho que seja normal, que uma pessoa não goste de ouvir e ler seu clube a ser criticado. Mas também às vezes irrita-me ouvir e ler pessoas a chamarem "incompetente" ao Seleccionador, a porem em causa as suas Escolhas, a sugerirem outros nomes para a Selecção, não tanto os comentadores desportivos, mas aqueles que escrevem para os jornais ou participam nos fóruns de opinião. Os comentadores ainda têm a experiência de vários anos a lidarem com o futebol, mas será que as outras pessoas se julgam mais entendidas na matéria do que Carlos Queiroz que ganha o pão para a boca a observar jogadores portugueses e a Escolhê-los para a Selecção? Também eu às vezes não concordo com algumas opções tomadas pelo Professor, mas eu não percebo assim tanto de futebol para me pôr a questionar os jogadores que Convoca... Eu não estou a criticar as pessoas por terem e exprimirem a sua opinião, critico-as é pela arrogância das suas opiniões.


Também já ouvi e li muito que tudo isto até seria desnecessário, que podíamos perfeitamente ter garantido a qualificação mais cedo, que o grupo não era assim tão difícil, etc. Até têm razão. Penso que aquilo que impediu uma qualificação bem menos sofrida foi o facto de termos mudado de Seleccionador, que obriga sempre a um tempo de adaptação, jogadores lesionados, algum azar e alguma ansiedade que levou a problemas na finalização (um marmanjo consegue passar a defesa e ficar à frente da baliza mas, na altura de rematar enerva-se e chuta ao lado). Mas conseguimos ultrapassar isto tudo, graças a Deus. Graças a Deus é como quem diz... graças ao espírito colectivo, à persistência e a alguma sorte.
Quando confrontado com o facto de podermos ter encerrado a qualificação mais cedo, o Ricardo Carvalho afirmou que desta forma soube melhor. Eu até concordo com ele. O apuramento para Mundial 2006 não teve grandes atribulações, foi relativamente "fácil", mas a certa altura comecei a sentir saudades de um jogo mais renhido, mais complicado, de alguma adrenalina. nesta perspectiva, a qualificação para o Europeu 2008 foi melhor. Em relação a esta fase de qualificação, no entanto, acho que houve adrenalina a mais... Mas, sim, fez com que o triunfo tão dificilmente alcançado saiba tão bem...
Além disso, termos de ir a play-off deu-nos mais dois jogos de Selecção oficiais. Como, para mim, quanto mais jogos melhor, isto constitui uma grande vantagem. Agora só voltamos a ter jogos oficiais em Junho do próximo ano. Até ao anúncio dos Convocados, temos de nos contentar com um ou outro particular. Que, a menos que o adversário seja os grandes, tipo Itália ou Brasil, não tem nem metade da emoção de um jogo oficial.


Agora já se conhecem as 32 selecções que, no próximo Verão, vão disputar a Taça do Mundo: nós, África do Sul, Nigéria, Camarões, Nova Zelândia, Japão, Holanda, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Austrália, Estados Unidos, Brasil, Gana, Inglaterra, Paraguai, Espanha, Dinamarca, Costa do Marfim, Chile, Alemanha, Itália, México, Sérvia, Suíça, Argentina, Honduras, Eslováquia, Argélia, França, Eslovénia, Grécia e Uruguai.


A França, como nós teve de ir a play-offs para se qualificar mas, ao contrário de nós, necessitou de uma "mão de Deus" para se qualificar. Enquanto estava a alternar entre a SICNotícias e a RTPN, ouvi que a Irlanda estava a ganhar à França e iam a prolongamento. Na altura, fiquei satisfeita e um pouco esperançosa de que os franceses falhassem o Mundial. Perdoem-me esta falta de fair-play mas ainda não esqueci o jogo do Mundial 2006. E quando soube que eles tinham dado a volta ao texto com um golo, fruto de uma jogada em que Thierry Henry ajeitou a bola com a mão antes de centrar para o marcador, perante a indiferença do árbitro pensei logo que era típico da França. Pelos vistos a FIFA não podia deixar que uma das Selecções mais rentáveis falhasse o Mundial... Eu sei que nós beneficiámos com a alteração do regulamento dos play-offs, que se tivéssemos de defrontar a Grécia ou a própria França estávamos ainda mais tramados, mas nós vencemos o play-off com toda a justiça, não precisámos de "favores" do árbitro para passarmos. Mas não me supreende, de facto. Não falo do penálti que nos expulsou do Mundial (não tenho a certeza se era legal ou não, embora tenha ficado claro, na final, que a França não tinha perfil para estar lá), mas o facto de Zidane ter sido eleito o melhor jogador do Mundial depois da cabeçada ao... tem graça, não me lembro do nome do jogador italiano...


Tudo isto só me dá vontade de voltar a defrontar a França para desforrar isto tudo. Eu sei que esta atitude não vai muito com o espírito desportivo, mas também uma miúda não é de ferro...


Agora que a nossa bandeira já foi hasteada na África do Sul, já se começa a discutir como será a nossa prestação no Mundial. Eu acho que ainda é um bocado cedo para falar nisso. Ainda estou um bocado naquela fase de euforia pós-vitória, em que uma pessoa pensa que "somos os maiores e mais nada!". Depois do sorteio da fase de grupos lá analisarei as nossas hipóteses. Mas é claro que nada nos impede de sonhar. Quem sabe se não será desta?


Quero então agradecer através do blogue a toda a Selecção, desde o Professor ao funcionário que trata das botas dos marmanjos, passando por todos os jogadores que foram Convocados ao longo desta fase de qualificação, por me terem feito a vontade, por terem feito com que o facto de ter sempre acreditado tenha valido a pena. Obrigado Selecção! Estou orgulhosa de vocês! Agradeço também a todos que, tal como eu, nunca deixaram de acreditar, de apoiar. Valeu a pena!


Vai ser tão bom viver de novo um campeonato internacional de Selecções... um Campeonato do Mundo então... Oficialmente dura um mês inteirinho, mas com os Convocados e o Estágio de preparação ainda vão uns dois meses...


Entretanto, agora que nos qualificarmos, tenho uma ideia em mente que, assim que puder, colocarei em prática. Não revelarei o que é, mas assim que a concluir (e ainda é capaz de demorar um pouco...), anunciarei aqui no blogue.


"Quatro, seis, oito, dez, África do Sul agora é a tua vez!"

Portugal 1 Bósnia 0 - Um passo de passarinho em direcção à Africa do Sul

Jogou-se Sábado passado, no Estádio da Luz, a primeira mão do play-off de acesso ao Campeonato do undo 2010 que opõe a Selecção Portuguesa e a Selecção Bósnia. A equipa da casa ganhou por 1-0, golo de Bruno Alves aos 31 minutos da primeira parte.

Foi um jogo assim assim, muito intermitente, com alturas em que os portugueses dominaram e alturas em que os bósnios nos pregaram uns sustos valentes. Com muitos nervos, mas quase não há jogo oficial de Selecção sem nervos. Ainda por cima sendo este tão importante. Já se viu a Selecção jogar melhor, mas também já se viu a Selecção jogar pior. Há que ter em conta que a Selecção Bósnia estava lá para ganhar, que ficaram em segundo lugar no seu grupo e não chegaram lá por acaso. O único golo é fruto de uma jogada conjunta de Deco, Nani e Bruno Alves. Como os Bósnios não marcaram em resposta, esta vantagem pela margem mínima pode dar-nos muito jeito para o jogo de amanhã.

Um dos "homens" do jogo foi a Sorte que, no Sábado, esteve do nosso lado, talvez para compensar o facto de nos ter abandonado ao longo da qualificação. Quando os bósnios atiraram aquelas duas bolas à trave ficou bem claro que a Nossa Senhora do Caravaggio estava connosco. Eu quase tive um ataque cardíaco com o susto e o comentador até exclamou: "Isto é o Euromilhões para o Carloz Queiroz!". Para ele e não só, para todos nós. Se os Bósnios tivesse marcado, nos ficávamos, passe a expressão, "lixados".

Esta jogada surgiu, de resto, já perto do fim do jogo, numa altura em que os bósnios fizeram imensas ameaças, como que mostrando que não iam sair derrotados na Luz sem dar luta, sem tentarem marcar também. Eu já suplicava pelo final do jogo, antes que a bola cruzasse a linha da baliza defendida por Eduardo. Graças a Deus, tal não chegou a acontecer.

Outro dos pontos que marcaram o jogo foi o número de faltas. Os bósnios foram um bocado agressivos, fartaram-se de nos marcar faltas. E alguns deles eram bem corpulentos, comparados com alguns jogadores nossos... No entanto, foram eles que saíram mais prejudicados, uma vez que três deles perderam o direito de jogarem na segunda mão, incluindo o capitão. Pode ser mais uma coisa que jogue a nosso favor, mas mesmo assim, não é de fiar. Sabe-se lá se eles não têm bons suplentes no banco.

O Estádio da Luz estava completamente cheio e, como de costume, os adeptos foram fantásticos. O décimo segundo jogador voltou a ser homem (e mulher) do jogo. Mereciam um resultado um bocadinho mais dilatado, mas não se podem queixar. Tive pena de não poder estar lá.

Em suma, pode-se dizer que o resultado é o menos mau para nós. Mas deixa tudo em aberto para amanhã. Já deu para ver que os bósnios querem estar no Mundial, que não estão ali para facilitar. E se no jogo de Sábado houve uma amostra daquilo que são capazes, amanhã, com o Estádio do lado deles, aposto que ainda nos vão criar mais problemas. Vai ser um jogo ainda mais difícil do que o último, que já não foi nenhum piquenique.

Entretanto, a Galp lançou uma campanha para apoiar a Selecção neste play-off, campanha essa que inclui uma nova versão da música do Menos Ais. Para ouvirem, venham a este site: http://www.queromais.pt/ . A letra que está no site tem uns quantos erros, portanto, vou escrever aqui a letra como deve ser:

Quatro, seis, oito, dez
África do Sul, agora é a tua vez.
O grupo já passou, como lá tinha que ser
Suado, chorado que o 'tuga tem que sofrer
Continhas até ao fim não é tradição, é sina
E agora já só falta a Bósnia-Herzegovina

Palavras do Professor: eles não são equipa fraca
Mas acredita, Queiroz, não vamos dar barraca
Nem penses. Não dispenses uns berros ao pessoal
Balneário empolgado, motivação coiso, e tal.
O people é sereno mas o play-off é p'ra ganhar
Que a nação fica valente é quando a bola entrar
Truques? Bruxarias? Mezinhas? Não!
Baza lá meu irmão, tu sabes esta canção.
Isto não tem grande ciência e o segredo
Está no refrão
Marca mais!
Corre mais!
Menos ais, menos ais, menos ais!
Quero muito mais!

Ronaldo, Liedson, Deco, Simão
Algum de vocês quer ver o Mundial pela televisão?
Bruno Alves, Eduardo, Tiago e João Moutinho
Vamos à África do Sul ou vai faltar um bocadinho?

Vitórias morais não têm arte nem engenho
'Bora lá trocar desculpas por mais empenho!
Jogaste mal? Corre mais. Correu mal? Sua mais.
Soa mal? Estás a mais! Ficar de fora já é demais!

Olha à volta e ouve os gritos de milhões que querem festa
Residentes, emigrantes, interessa é que seja desta
E depois de passares ainda estás longe do fim
Para levantares a Taça tens que fazer sempre assim.
Vai por mim!

Marca mais!
Corre mais!
Menos ais, menos ais, menos ais!
Quero muito mais!
Joga mais!
Sua mais!
Menos ais, menos ais, menos ais!
Quero muito mais!


É mais curta que as outras duas versões mas também não se justificaria escrever uma música daquele tamanho só para uma jornada dupla - e, provavelmente, não há muito mais a dizer que não isto. É exigente, como as outras duas músicas o eram, mas desta feita não pedem nada de mais. Ainda estou para descobrir porque é que não tivemos direito a um Menos Ais para o Euro 2008. Mas, se tudo correr bem e nós garantirmos um lugar no Mundial, pode ser que escrevam um para esssa altura.

No site estão ainda alguns vídeos de fotografias desta campanha, se não me engano capturadas no jogo de Sábado. Eu bem estranhei os fatinhos cor-de-laranja que alguns adeptos estavam a usar... A letra deste Menos Ais, à semelhança do que aconteceu com os outros dois, apenas exprime o desejo de 10 milhões de verem a nossa Selecção no Mundial 2010.

Enfim, é amanhã que se decide tudo. Está tudo em aberto. Faltam pouco mais de 24 horas. Vai ser um jogo de muitos nervos até ao último segundo do tempo de compensação da segunda parte. Impróprio para quem tiver problemas cardíacos.

Eu quero muito que passemos esta prova e que estejamos na Àfrica do Sul no início do próximo Verão. Quero mesmo muito! Neste momento, é o que mais quero. Quero que tudo isto tenha valido a pena. Ter acreditado sempre até ao fim, ao longo de todo o tempo, todos os jogos, todas as desilusões, quando todos me tentavam convencer que estava a perder tempo, que estava tudo perdido. Estas horas todas que gastei a actualizar o blogue, para que o Mundo saiba que estou com a Selecção até ao fim. Quero provar que tenho razão, que sempre tive razão em apoiar a Selecçao.

Tenho um bocado de medo que falhemos. Quem não tiver, que atire a primeira pedra. Contudo, acredito sinceramente na Selecção, que é possível corrigirmos de vez esta complicada fase de qualificação. Só deixarei de acreditar quando o árbitro amanhã apitar para o final da partida. Mas também, mesmo que esteja tudo a correr bem, só festejo a vitória depois desse apito. Até lá tudo é possível. Sei que temos capacidade para irmos ao Mundial. Só peço aos jogadores que dêem tudo o que têm amanhã, que retribuam todo o apoio que os portugueses têm dado à sua Selecção. Não é nada de mais. Certo?