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O Meu Clube É a Seleção!

Mulher de muitas paixões, a Seleção Nacional é uma delas.

Tédio, roubo e falta de intensidade

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No passado dia 24 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere azeri por uma bola a zero. Três dias mais tarde, em Belgrado, empatou a duas bolas com a sua congénere sérvia. Finalmente, no dia 30, venceu a sua congénere luxemburguesa por três bolas a uma. Todos estes jogos contaram para a Qualificação para o Mundial 2022 e, com estes resultados, Portugal conta sete pontos e segue em primeiro da classificação do grupo.

 

Esta foi uma jornada tripla bastante atribulada. Começando pelo primeiro jogo – uma maneira triste e entediante de começar o ano da Seleção. Cheguei a perguntar-me se fora mesmo daquilo que tivera saudades durante semanas – até porque nesse tempo andei a ver os jogos do Sporting com a minha irmã. 

 

Não diria que a Seleção jogou mal. Portugal não comprometeu, não cometeu erros. No entanto, não houve intensidade, não houve inspiração no ataque, nada que entusiasmasse. Ao mesmo tempo, o “Azérbaijão” (o novo “Félich” que me irritou tanto que, na segunda parte, mudei para a SportTV) mal saiu do seu meio campo durante a primeira parte. Mesmo quando conseguiu sair, mais tarde, não chegava a ameaçar a baliza de Anthony Lopes.

 

O resultado disto tudo foi um dos jogos mais enfadonhos de que há memória. É verdade que ganhámos – e não ganhávamos num primeiro jogo de Apuramento há oito anos e meio – mas este é o pior tipo de vitória. Nem sequer tivemos o prazer de festejar um golo. Foi Medvedev a marcar na própria baliza. A única coisa em que este jogo foi melhor que outras estreias em Apuramentos foi mesmo os três pontos.

 

Na altura as reações nas redes sociais a este jogo foram duras. Eu, embora concordasse com o essencial das críticas, achava um exagero. Sim, fora um jogo mau, mas estava longe de ser o pior de sempre da Equipa de Todos Nós – acreditem, eu sei do que falo. Não fazia sentido estar a pôr tudo em causa por um jogo em que ganhámos. Eu sabia que da próxima vez, com um adversário mais estimulante, a coisa correria melhor. Certo?

 

Acho que não se justifica dizer “Errado!”, mas…

 

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O resultado abaixo das expectativas no jogo com a Sérvia desiludiu-me um pouco mais do que o costume porque eu estava a ter um dia bom. Dias bons em tempos de pandemia são raros. Tinha ido dar sangue de manhã – por mera coincidência era Dia Nacional do Dador. Já agora, deem sangue! – estava bom tempo, dera um agradável passeio higiénico, tivera pizza para o jantar. 

 

A boa disposição manteve-se durante a primeira parte. Portugal não foi brilhante, mas dominou o jogo – um alívio após a fraca exibição em Turim. O primeiro golo foi marcado logo aos dez minutos – Bernardo Silva assistiu para a cabeça de Diogo Jota. O segundo golo, aos trinta e cinco minutos, foi idêntico ao primeiro – desta vez com Cédric Soares a assistir. 

 

Ao intervalo sentia-me satisfeita e otimista em relação ao resto do jogo. Os Marmanjos manteriam o nível, mais ou menos, marcariam mais um golo ou, pelo menos, conservariam a vantagem. Reconheço agora que este otimismo era um tudo nada exagerado. O género de engano de alma ledo e cego que já deveríamos saber que a Fortuna não deixaria durar muito.

 

Não cheguei a ver o primeiro golo da Sérvia pois atrasei-me a mudar de canal no fim do intervalo – foi logo aos primeiros minutos. Na altura não me preocupei muito pois continuávamos em vantagem. No entanto, a intensidade da primeira parte desaparecera sem deixar rasto. Pior de tudo, aos sessenta minutos, na sequência de (tenho de reconhecer) uma bela jogada de contra-ataque, os sérvios empataram a partida.

 

Não se pode dizer que Portugal tenha procurado febrilmente regressar à vantagem. António Tadeia é da opinião que, a certa altura, Fernando Santos resignara-se ao empate. No entanto, Portugal chegou a conseguir enfiar a bola na baliza, mesmo no último minuto, a minha irmã até desatou aos guinchos… mas não valeu. 

 

Vamos então falar deste infame momento e da reação de Ronaldo. Um episódio que tem feito correr muita tinta digital e, à boa maneira das redes sociais, as discussões chegaram a extremos ridículos. 

 

 

Deixo aqui o meu contributo para o debate. Para começar, sim, o golo era legal – dá para ver no vídeo acima – custou-nos dois pontos. Não culpo os árbitros, são humanos. É para compensar as suas limitações que existe o vídeo-árbitro e a tecnologia da linha de golo… que, no entanto, continuam a não ser usadas nas fases de Apuramento porque… razões.

 

Já não é a primeira vez que a falta de VAR, passe a expressão, nos lixa. A outra vez foi há dois anos, mais dia menos dia, por sinal também frente à Sérvia, também num segundo jogo de Apuramento. Estive a ouvir a Conferência de Imprensa depois do jogo e tive um dejá-vu quando Fernando Santos disse que o árbitro lhe pedira desculpa. 

 

Nos dias seguintes a FIFA chutou as responsabilidades para a UEFA, a UEFA chutou as responsabilidades para as federações dos países que organizam os jogos – qualquer coisa sobre a federação do país-anfitrião ter de pedir licença à federação do país visitante para implementar a tecnologia da linha de golo. 

 

O que a mim cheira a treta. Haverá alguma federação que recuse as tecnologias? 

 

Para juntar achas a esta fogueira, ao pesquisar para este texto, encontrei notícias de finais de 2019 que indicam que a UEFA aprovou o VAR para os jogos de Qualificação, estava só à espera da luz verde da FIFA. Porque é que não passou da decisão à prática? A FIFA não autorizou e, agora, está a mentir? A FIFA autorizou mas a UEFA “esqueceu-se” de implementar a tecnologia?

 

Não faz sentido. 

 

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Regressando ao momento do golo, não gostei nada da reação de Ronaldo. Sim, foi uma reação humana, no calor do momento, não serei eu a atirar a primeira pedra – se bem que, da última vez que tive uma reação semelhante (também a propósito do jogo com a Sérvia na Luz) estava mais cafeínada que o costume. Sei também que Ronaldo é daquelas pessoas que tem mau génio, tem sempre as emoções à flor da pele, sente tudo – sobretudo no que toca àquilo que adora, o futebol – não é capaz de esconder nada.

 

Ainda assim… Ronaldo tem trinta e seis anos. Está no futebol profissional há quase duas décadas. Este não foi o primeiro nem o segundo caso de má arbitragem que ele testemunhou e é possível que não seja o último. Ele não devia ter mais controlo sobre si mesmo nesta altura do campeonato?

 

Quanto ao facto de ter atirado com a braçadeira de Capitão… não foi bonito, não foi correto, percebo que algumas pessoas tenham ficado incomodadas com o gesto. No entanto, não acho que tenha sido intencional. Era o que estava à mão. Se ele tivesse um apito ao pescoço ou o telemóvel no bolso, teriam sido esses objetos a voar. 

 

Na verdade, o que me irritou neste episódio é que Ronaldo foi reclamar com o árbitro quando o jogo ainda estava a decorrer. Não houve pausa, tirando alguns segundos depois. Bernardo Silva tentara a recarga. Ronaldo podia ter adiado a birra por um minuto ao dois e ter ficado em campo com ele e os colegas tentando não desperdiçar a jogada. Talvez ele (ou outro qualquer) tivessem conseguido marcar, teríamos agora nove pontos e a conversa hoje seria outra. 

 

Um dos argumentos que tem circulado por aí é que Ronaldo adora a Seleção, adora marcar golos (e tem andado algo ansioso com isso), leva-o a peito, daí essa reação. Eu respeito isso, admiro-o, mas este caso pedia um pouco menos amor e um pouco mais juízo. 

 

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Além disso, sejamos sinceros, se fosse uma mulher a fazer uma birra daquelas, as críticas seriam muito mais duras. Veja-se o que aconteceu com Serena Williams

 

Adiante. Apesar de nos terem roubado a vitória, não se pode dizer que tenhamos feito o suficiente para merecê-la. É claro que “merecer” é relativo: no futebol ganha-se marcando golos e não seria a primeira vez que Ronaldo faria de Deus Ex Machina. Ainda assim, estivemos a ganhar por 2-0 e perdemos essa vantagem. Não foi só culpa do árbitro. 

 

Havemos de falar sobre as falhas da Seleção mais à frente. Antes, o jogo com o Luxemburgo. 

 

Depois da turbulência dos jogos anteriores, só queria uma vitória tranquila. Não precisava de ser uma grande exibição: apenas um jogo sem stress, três pontos ganhos sem grandes complicações, sem dar motivos para polémicas. 

 

Era bom, não era? Aqueles Marmanjos… 

 

Péssima primeira parte, péssima. Uma vez mais, faltou agressividade, faltou concentração. Como diria o próprio Fernando Santos, Portugal estava a jogar a passo, uma espécie de peladinha. Enquanto isso, o Luxemburgo vinha catalisado pela vitória perante a República da Irlanda (!). Com os luxemburgueses entusiasmados e os portugueses apáticos, quem é que acham que marcou primeiro? 

 

 

Só quando deram por si em desvantagem é que os portugas acordaram para a vida. Bernardo Silva passou para o meio, Pedro Neto rendeu o lesionado João Félix. Portugal começou a jogar melhor. Finalmente, em cima do intervalo, Pedro Neto assistiu para Diogo Jota marcar de cabeça. 

 

Dias mais tarde, Jota marcaria da mesma forma pelo Liverpool. Quatro golos de cabeça no espaço de uma semana. O miúdo deixa-me sem palavras. Ninguém diria que esteve três meses lesionado – parece, aliás, que Jota passou esse tempo a treinar cabeceamentos!

 

Depois do intervalo, aos cinquenta minutos, Cristiano Ronaldo colocou Portugal em vantagem, após assistência de João Cancelo. Antes do jogo, eu tinha previsto que ele ia marcar – já são muitos anos, sei como ele funciona. 

 

Acertei… mas acho que todos concordamos que o enguiço ainda não passou por completo. Veja-se a oportunidade dupla que ele desperdiçou aos setenta e oito minutos (após outro período mais apagado da Seleção). Ronaldo não costuma falhar estas. 

 

Algo que é em simultâneo uma vantagem e uma desvantagem da Equipa de Todos Nós é não acompanharmos diretamente o seguimento de momentos específicos das carreiras dos jogadores. Depois das jornadas os Marmanjos regressam aos clubes e, quando voltam à Seleção, as suas histórias já estão num capítulo completamente diferente. Pode ser que Ronaldo já tenha recuperado o faro para o golo quando começarmos a preparar o Europeu.

 

 

Regressando ao jogo contra o Luxemburgo, Portugal conseguiu ampliar a vantagem a dez minutos do fim – com um golo de João Palhinha, na sequência de um canto cobrado por Pedro Neto. Espero que o tenham visto mais tarde, nas entrevistas rápidas: os olhos de Palhinha até brilhavam, estava tão feliz!

 

Ele e o outro estreante, o Nuno Mendes, estiveram muito bem nesta tripla jornada. O segundo em particular, como li algures, tem dezoito anos, mas joga como se tivesse sido internacional a vida toda. Veja-se a assistência dele para o golo não validado de Ronaldo. 

 

Este jogo com o Luxemburgo fez-me lembrar o de 2012, com o mesmo adversário. Nesse também começámos mal, com o Luxemburgo a marcar primeiro. Também conseguimos empatar antes do intervalo, também chegámos à vantagem no início da segunda parte. 

 

Na minha opinião, o jogo de 2012 foi pior – nessa altura, a seleção do Luxemburgo estava menos profissionalizada do que hoje. Ainda assim, a Turma das Quinas está melhor fornecida agora, tem capacidade para melhor.

 

O que me leva ao denominador comum aos três jogos deste compromisso: a falta de intensidade, de concentração. As redes sociais têm colocado as culpas em Fernando Santos, porque é isso que o povo faz. No entanto, tirando algumas decisões, não acho que a culpa seja dele. 

 

A falta de tempo de qualidade com os jogadores é um argumento tão velho como, se calhar, o próprio conceito de seleção nacional mas, para sermos justos, esta é apenas a terceira jornada tripla – e a primeira em que os três encontros são a doer. Foram três jogos em menos de uma semana! Segundo Fernando Santos, entre viagens e jogos, os treinos servem apenas para recuperação, não propriamente para treinar. E suponho que, nesta fase da época, isso pese mais aos jogadores que em outubro ou novembro. 

 

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Há um par de anos talvez torcesse o nariz a essa desculpa. No entanto, se formos a ver, houveram outras seleções com resultados menos bons. A França empatou com a Ucrânia – os ucranianos não são nenhuns bananas, nós mesmos o descobrimos, mas a França sempre os goleou em outubro último – a Holanda perdeu contra a Turquia, a Espanha empatou com a Grécia e, mais chocante de todas, a Alemanha perdeu com a Macedónia do Norte!

 

Tendo isto em conta, os nossos resultados nesta tripla jornada não foram assim tão maus. E não são, mesmo em circunstâncias melhores, como veremos já a seguir. Não será apenas coincidência termos várias seleções de topo com resultados abaixo das expectativas. Alguma coisa se passa e deve ter mesmo que ver com o calendário atual das seleções.

 

Não sou a melhor pessoa para falar disso, mas penso ter lido alguém sugerindo dedicarem um mês, um mês e meio, às fases de Qualificação. Mais ou menos como fazem com os Europeus e Mundiais. Teria a grande desvantagem de aumentar os hiatos entre concentrações da Seleção, mas as vantagens seriam maiores. Os selecionadores teriam mais tempo de seguida para trabalhar com os jogadores e criarem rotinas, logo, a qualidade do futebol aumentaria. Em relação aos clubes, talvez fosse menos prejudicial abdicarem dos jogadores apenas uma ou duas vezes por época, mesmo que durante várias semanas, do que abdicarem-no várias vezes ao ano, por vezes em alturas críticas dos campeonatos. 

 

A hipótese devia ser discutida, no mínimo. 

 

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Nessa linha, concordo com António Tadeia quando diz para guardarmos as pedras para Fernando Santos para depois do Europeu. Será mais adequado avaliarmos as competências do Selecionador quando este tiver oportunidade para trabalhar como deve ser com os Marmanjos.

 

Por agora, apesar das controvérsias todas, do drama, no fim do dia o que conta são os resultados, são os pontos. E a verdade é que estes não são assim tão maus. Como disse antes, foi a primeira vez em oito anos e meio que ganhámos o primeiro jogo da Qualificação. Ainda mais tempo passou, nem sei bem quanto, desde a última vez que conseguimos tantos pontos nos três primeiros jogos de Qualificação – tanto quanto me lembro, tem havido quase sempre um jogo que perdemos ou dois empates. 

 

É claro que nove pontos seriam melhores que sete – ainda não é desta que fazemos uma Qualificação imaculada. Além disso, só conseguimos o Apuramento direto se ficarmos em primeiro lugar. Estamos em primeiro agora, mas a margem de erro não é larga.

 

Eu no entanto estou confiante. Como dei a entender, já nos Qualificámos em circunstâncias mais difíceis. Não há nenhum motivo para falharmos agora. 

 

Mas para já a Qualificação ficará em pausa até setembro. Quando a Seleção se reunir de novo será para preparar o Europeu.

 

Devo avisar que ainda não sei como irei cobrir o Euro 2020 neste blogue. Mudei recentemente para um emprego que me vai roubar tempo de escrita. Ainda não sei ao certo quando, mas será muito difícil eu conseguir escrever uma crónica para cada jogo, ou pares de jogos. Se o blogue não ficar completamente parado durante o Europeu – algo que quero evitar a todo o custo – os textos terão quase de certeza um formato diferente. 

 

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Fico um bocadinho triste, mas sempre soube que isto iria acontecer. Mais cedo ou mais tarde, deixaria de ter a mesma disponibilidade para este blogue. Por outro lado, para ser sincera, às vezes fico um pouco farta da fórmula atual destas crónicas. Talvez uma mudança não seja assim tão má. 

 

Em todo o caso, na pior das hipóteses, se não conseguir voltar cá, fico satisfeita por ter aguentado durante tanto tempo (quase treze anos!) e por ter apanhado tantos momentos felizes. Destaque óbvio para os nossos primeiros dois títulos. 

 

Além disso, vou continuar na página do Facebook – as minhas postas de pescada em torno da Seleção não vão desaparecer por completo das internetes. Não é o meu formato preferido, mas é melhor do que nada. Também servirá para vos manter atualizados em relação a futuros planos para este blogue.

 

Aconteça o acontecer, como sempre, muito obrigada pelas vossas visitas. Até uma próxima!

Primavera

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Na próxima quarta-feira, dia 24 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol recebe a sua congénere azeri em casa emprestada, no Estádio de Turim. Três dias mais tarde, defrontará a sua congénere sérvia, no Estádio Estrela Vermelha, em Belgrado. Três dias depois desse, será recebida na cidade do Luxemburgo pela seleção local. Todos estes jogos contarão para a Qualificação para o Mundial 2022, que terá lugar no Qatar.

 

Cá estamos nós outra vez, quatro meses depois da última jornada tripla de Seleção. Já tinha saudades. Este ano, o regresso coincide com a primeira fase do segundo desconfinamento – e estes dois eventos coincidem com o início da primavera. 

 

Nos últimos anos, a primavera tem sido a minha estação do ano preferida. Os dias mais compridos, o tempo mais ameno (nem demasiado frio nem demasiado calor), flores silvestres em todo o lado. No ano passado, a primavera foi boicotada pelo primeiro confinamento e pelo adiamento dos jogos da Seleção. Este ano está a acontecer o exato oposto. 

 

Por isso sim, estes jogos vêm em boa altura, num momento em que a vida em geral parece um bocadinho melhor – por enquanto. Por outro lado, da última vez que usei metáforas sazonais neste blogue, estas viraram-se contra mim.

 

Fernando Santos divulgou os Convocados para este triplo compromisso na passada terça-feira, dia 16. Não houve grande contestação – pelo menos não de início. Os sportinguistas Nuno Mendes e João Palhinha são as novidades – merecidamente, pelo seu contributo para o excelente desempenho do Sporting esta época. (Espero que seja este ano que o clube finalmente ganhe o campeonato, que a minha irmãzinha sportinguista já o merece há muito tempo.) No entanto, Pedro Gonçalves, também conhecido por Pote, ficou de fora – foi Chamado para os Sub-21.

 

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Suponho que haja muita concorrência para a posição dele. Não estava à espera, por exemplo, que Diogo Jota fosse Convocado, vindo ele de uma lesão. No entanto, ele marcou no jogo contra o Wolverhampton e também não dá para ignorar o seu histórico recente pela Equipa das Quinas. 

 

Isto são problemas de equipa grande: podermos dar-nos ao luxo de deixarmos o melhor marcador da Liga Portuguesa nos Sub-21. Dito isto, todos concordamos que será uma questão de tempo até Pote vir aos séniores. 

 

Maior controvérsia ocorreu nos últimos dias. Pepe lesionou-se no último jogo do F.C. Porto e vai falhar o compromisso da Seleção… outra vez (Porquê, Pepe?!? Tiveste quatro meses para te lesionares…). Para o seu lugar foi Chamado o sportinguista Luís Neto. 

 

O problema é que Neto tem estado no banco. No seu lugar tem jogado Gonçalo Inácio, de dezanove anos, que até tem estado em ascensão, marcou no último jogo… mas nem para os Sub-21 foi Convocado. 

 

Pelo menos nesta concordo com as críticas. Podiam dar uma oportunidade ao miúdo! Até porque continuamos a precisar de rejuvenescer a defesa. Por outro lado, Luís Neto já conta pelo menos algumas Chamadas à Seleção – se calhar Fernando Santos prefere experiência. 

 

Para além de Luís Neto, também regressa Rafa e André Silva – que está num momento excelente, conta vinte e um golos na Bundesliga. Continua a não faltar talento na nossa Seleção. Há que aproveitar.

 

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Num registo diferente, Rui Patrício chegou a constar da Convocatória inicial, mesmo tendo sofrido um traumatismo craniano na véspera. Infelizmente, no sábado descobriu-se que Rui não recuperaria a tempo e Chamou José Sá para o seu lugar.

 

Depois do susto que Rui nos pregou, não me queixo desta substituição. Deixem-no descansar, coitado. Anthony Lopes e os outros darão conta do recado – e também merecem uma oportunidade para mostrarem o seu valor. Uma coisa que descobri é que é a primeira vez em quase uma década que Rui falha um jogo de Apuramento – é uma das nossas constantes, ainda mais que Pepe ou Cristiano Ronaldo.

 

Vamos então começar a Qualificação para o Mundial 2022. Ainda me é estranho começar uma fase de Apuramento em março em vez de setembro (é apenas a segunda vez). Ainda mais estranho é começar uma fase de Qualificação para um campeonato de seleções quando o anterior ainda não se realizou. Mais um sinal dos estranhos tempos que vivemos.

 

Fernando Santos diz, no entanto, que não quer ninguém a falar ou sequer a pensar no Europeu durante esta jornada tripla. É o mais sensato, para manter a concentração.

 

Até porque a Turma das Quinas tem a mania de tropeçar no início das fases de Qualificação. A última vez que ganhámos num primeiro jogo de Apuramento foi em 2012 – há não muito menos que uma década. E foi frente ao Luxemburgo! E mesmo assim não foi grande coisa!

 

Como desta vez vamos abrir o Apuramento com o Azerbaijão, os Marmanjos terão de se esforçar para não ganharem… e no entanto esta Seleção por vezes tem uma queda infeliz para a auto-sabotagem, sobretudo em fases de Qualificação. Mesmo que até se vença o primeiro jogo, podemos não vencer o segundo…

 

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Os azeris são velhos conhecidos nossos, ainda que não joguemos com eles há quase exatamente oito anos, mais dia menos dia. O histórico é favorável a nós, de caras: tirando um empate em 1999, têm sido só vitórias. Os últimos dois jogos decorreram durante a atribulada, e por vezes caricata, Qualificação para o Mundial 2014. 

 

Não há muito a dizer sobre o primeiro jogo, em casa – ganhámos por 3-0. No entanto, depois desse encontro, não tornaríamos a ganhar uma vez que fosse até reencontrarmos os azeris, em Baku. mesmo esse jogo não foi nada por aí além – vitória por 2-0, mínimo dos mínimos. Mas na altura achei que seria um ponto de viragem na fase de Qualificação.

 

E não me enganei. Tirando um (outro) tropeção perante Israel, ganhámos os jogos que faltavam e tivemos os inesquecíveis play-offs perante a Suécia.

 

A propósito da crónica do jogo de Baku, a música que referi nesse texto? Que na altura só se conhecia um excerto? Last Hope, dos Paramore? Hoje é uma das minhas preferidas de todos os tempos. 

 

Os dois adversários seguintes são repetidos da Qualificação anterior. É o problema destes campeonatos: o número de possíveis adversários é limitado, de tanto em tanto tempo há reencontros. Além disso, pela maneira como os grupos são sorteados, são sempre adversários de qualidade média/baixa (com as devidas exceções, claro), pouco estimulantes e perante os quais, demasiadas vezes, complicamos sem necessidade. 

 

E há quem reclame da Liga das Nações. 

 

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Dito isto, confesso que até saberá bem termos uns jogos mais fáceis, entre competições cheias de tubarões. Para não stressar demasiado. 

 

Não vale a pena alongar-me muito sobre estes dois adversários, então. Dizer apenas que o jogo com a Sérvia terá lugar em Belgrado, o que apresenta um problema. Os clubes franceses avisaram que não vão libertar os internacionais que realizem jogos de seleções fora da União Europeia e do Espaço Económico Europeu – as autoridades de saúde francesas obrigá-los-iam a ficar de quarentena durante uma semana. 

 

Até aqui compreende-se. A FIFA deu esse poder aos clubes. Não gosto, mas compreendo. É por isso que o nosso jogo “em casa” com o Azerbaijão terá lugar em Turim – porque metade da Seleção atual joga em Inglaterra e o Reino Unido obriga pessoas vindas de Portugal a cumprir quarentena.

 

O que me irrita nesta história é a regra não se aplica à seleção francesa. A França vai jogar contra o Cazaquistão, mas os clubes franceses não podem impedir os seus jogadores de representarem os Campeões do Mundo. Claro que não! Regras como estas são para os simples mortais, não são para a motherfucking França! Alguma vez a FIFA ou a UEFA fariam isso aos franceses? É que nem sequer surpreende. 

 

Percebem a raiva que às vezes tenho à seleção francesa?

 

Pode ser que mudem as regras entretanto mas, à hora desta publicação, parece certo que Marmanjos como José Fonte e Renato Sanches não poderão ir para Belgrado. Fico à espera de saber como irá Fernando Santos gerir essa situação.

 

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Em relação ao Luxemburgo, dizer apenas que foi o nosso último adversário antes do hiato imposto pela pandemia. Cheguei a ressentir-me desse jogo por isso. Por ter tido de ver a primeira parte no meu telemóvel, por não ter sido grande coisa em termos exibicionais, por não merecer ser a recordação mais recente que tinha da Equipa de Todos Nós durante quase um ano. 

 

Mas felizmente, por estes dias, a Seleção continuará a jogar, a criar novas recordações. No que toca ao jogo com o Luxemburgo, este terá lugar no mesmo terreno. Espero que esteja em melhor estado que da última vez, mas tenho as minhas dúvidas. Não esperemos um jogo de grande qualidade exibicional – os últimos dois em casa do Luxemburgo não o foram.

 

Que seja desta que comecemos uma Qualificação com o pé direito, para variar. Que tenhamos um Apuramento mais ou menos tranquilo, sem complicações, em primeiro – para evitarmos um cenário como o da fase de grupos do Euro 2020. Além de que golos e vitórias da Seleção sabem sempre bem, mesmo que as exibições nem sempre satisfaçam.

 

Vou tentar desfrutar, então. Façam-no comigo, quer aqui no blogue, quer na sua página de Facebook. Como sempre, obrigada pela vossa visita.

Seleção 2013

 
Mais um ano encontra-se à beira do fim, mais um ano encontra-se à beira do início. Como já faz parte da praxe, segue-se a revisão de 2013.
 
Este, depois de 2012, tornou a ser um ano de altos e baixos. Começo a perceber que esta é a regra, que 2011 foi a exceção. É pena... Bem, 2013, ao menos, teve um final feliz, esperançoso. Embora tenha começado por dar seguimento à má fase com que 2012 terminou.
 
O primeiro jogo do ano foi um particular com o Equador, que teve lugar no Estádio Afonso Henriques, em Guimarães. À semelhança do que aconteceu em muitos, muitos jogos dos últimos dois anos, a Seleção tinha todas as condições e mais algumas para proporcionar um bom jogo aos inúmeros adeptos que vieram ao estádio e desperdiçou-as. Para além do habitual circo publicitário, dos pedidos de moldura humana, Cristiano Ronaldo completava vinte e oito anos na véspera do jogo. Em jeito de celebração, entre outros motivos, cinco mil adeptos assistiram ao treino e cantaram os parabéns a Ronaldo. 
 
Como é que a Seleção agradeceu? Perdendo 3-2 com o Equador.
 
 
 
É certo que a equipa visitante era forte, não estava ali apenas para elevar a auto-estima da seleção da casa. Chegou mesmo a Qualificar-se para o Mundial 2014. No entanto, encontrava-se perfeitamente ao alcance de Portugal. A Seleção até teve bons momentos no jogo: Ronaldo marcou o primeiro golo da Turma das Quinas do ano (mais tarde, marcaria igualmente o último); Hélder Postiga marcaria na segunda parte, colocando Portugal em vantagem durante... dois minutos. A Turma das Quinas acabou por ser vítima de si mesma com o Eduardo ficando mal na fotografia no primeiro golo, no início do jogo e, dois minutos após o golo de Postiga, com uma parvoíce do guarda-redes e de João Pereira. Depois, com Ronaldo e Postiga já fora de campo, os equatorianos marcaram pela terceira vez - e até foi um belo remate.
 
Apesar de este jogo ter sido (mais) uma desilusão, tinha a atenuante de ter sido apenas um particular. O verdadeiro balde de água fria veio mês e meio mais tarde, em Telavive, perante Israel. As circunstâncias, diga-se, não eram as ideiais: Nani lesionado e João Moutinho em forma duvidosa. Mesmo assim, tudo indicava que os israelitas não nos dariam grandes problemas. Estávamos enganados. Ou melhor, não foram propriamente os israelitas a dar-nos problemas. Mais uma vez, fomos nós mesmos.
 
 
Portugal até começou bem no jogo, com o Bruno Alves marcando um golo logo no primeiro minuto. Só que depois, pensando certamente que a coisa se resolveria sozinha, os portugueses entraram numa de "deixa andar". Como resultado, das três vezes que os israelitas foram à nossa baliza, marcaram. O que nos valeu foi Hélder Postiga - após ter falhado inúmeras oportunidades na primeira parte, diga-se - ter marcado no rescaldo no terceiro golo israelita, relançando a equipa. Os portugueses lá tentaram reverter a situação e lá conseguiram anular a desvantagem ao cair do pano. Tendo em conta que tínhamos estado a perder por 3-1, este empate quase pareceu uma vitória. No entanto, a exibição roçou o medíocre, as contas para o Apuramento estavam comprometidas, era o nosso quinto jogo consecutivo sem ganhar. O otimismo atingia mínimos históricos. Não me lembro de alguma vez ter estado tão furiosa com os Marmanjos como estive nessa altura. Considero, mesmo, que este foi o pior momento da Seleção em 2013.
 
 
 
 
A Seleção viajou para Baku, no Afeganistão, amputada de Cristiano Ronaldo - que vira o segundo cartão amarelo no jogo de Telavive - obrigada a ganhar. Apesar de, na teoria, o Azerbaijão pertencer a um campeonato inferior ao nosso, na prática, ainda nos vimos um bocadinho à nora para ganhar - culpa, sobretudo, do eterno problema da finalização. Acabou por ser necessário os azeris verem-se reduzidos a dez para os portugueses marcarem. Primeiro, por cortesia de Bruno Alves. Depois, de Hugo Almeida. Um jogo longe de brilhante mas, em todo o caso, a primeira vitória em mais de seis meses. Na altura, tive esperança de que isto representasse um ponto de viragem na Qualificação para o Mundial 2014. E até foi. Mais ou menos.
 
Seguiu-se o jogo com a Rússia, em junho. Um jogo de grau de dificuldade acima da média visto que o momento de forma da maioria dos jogadores não era o ideal, a Rússia era o nosso maior adversário na Qualificação e Portugal já não se podia dar a luxo de perder mais pontos. Visto que o jogo se realizava na Luz, fizeram-se, mais uma vez, apelos aos adeptos para que enchessem o Estádio. Não foi um jogo brilhante mas foi bem conseguido por parte dos portugueses, a equipa esteve bem, dominou o jogo. Hélder Postiga marcou o único golo.
 
 
Três dias após este jogo, a Seleção foi recebida na Croácia num jogo de carácter particular. Acabou por ser um jogo semelhante ao da Rússia: sem deslumbrar, houve boa atitude por parte da Turma das Quinas, o domínio foi português. Desta feita, foi Cristiano Ronaldo a marcar o único golo da partida. Este tornar-se-ia um caso sério em termos de golos ao longo da segunda metade do ano.
 
 
 
 
 
Houve um novo jogo particular a meio de agosto. Desta feita, a Seleção enfrentaria a Holanda no Estádio do Algarve. Antes disso, treinou-se no Estádio Nacional, no Jamor. Eu e a minha irmã fomos assistir ao único treino aberto e tivemos o privilégio de tirar fotografias com Miguel Veloso, Eduardo, Beto (no caso da minha irmã) e Paulo Bento. 
 
O jogo com a Holanda não foi brilhante - até porque o número de baixas foi uma coisa parva - mas, mais uma vez, a exibição portuguesa foi convincente, sobretudo ao longo da segunda parte. Verhaegh marcou o golo holandês, aos dezasseis minutos da primeira parte. Ronaldo igualou o marcador aos oitenta e seis minutos.
 
 
Duas ou três semanas mais tarde, no início de setembro, Portugal deslocou-se a Belfast para defrontar a Irlanda do Norte. Nos dias anteriores, falou-se bastante do facto de os irlandeses terem derrotado a Rússia no mês anterior, de serem tomba-gigantes e terem gozo nisso, sobretudo quando jogavam em casa. Algo que acabou por se confirmar dentro de campo, de certa forma. Foi, aliás, um jogo muito estranho, muito por causa de um árbitro caprichoso. A primeira parte do jogo revelou-se dantesca. Bruno Alves marcou mas os irlandeses rapidamente repuseram a igualdade no marcador. Isto nem seria muito grave se, ainda antes do intervalo, Hélder Postiga não tivesse tido a ideia parva de dar uma "turrinha" a um irlandês e o árbitro não o tivesse castigado com o vermelho direto. Uma penalização exagerada, é certo, mas o gesto de Postiga fora desnecessário. Na segunda parte, sem grande surpresa, a Irlanda adiantou-se no marcador, com um golo em fora-de-jogo. As coisas começavam a ficar verdadeiramente negras para Portugal
 
Felizmente, estava lá Ronaldo para salvar o dia. Catalisado tanto pelo buraco em que Portugal se havia deixado cair como, certamente, pelos adeptos que gritavam por Messi, o madeirense marcou o seu primeiro hat-trick com a Camisola das Quinas. Resolveu, deste modo, o imbróglio em que o jogo se transformara e ainda ultrapassou o recorde de Eusébio.
 
 
Infelizmente, o herói de Belfast ficou indisponível para o particular com o Brasil, que se realizou em Boston, nos Estados Unidos. Eu tinha grandes expectativas para este jogo, com o reencontro com Luiz Felipe Scolari e tudo mais. Nesse aspeto, o jogo revelou-se algo anti-climático. Portugal até teve bons momentos, com destaque para o golo de Raul Meireles. No entanto, sobretudo durante a segunda parte, faltou agressividade à Equipa das Quinas - embora os brasileiros se queixassem do jogo faltoso de Bruno Alves. No final, o resultado foi 3-1 para a seleção canarinha.
 
Um mês mais tarde, a Seleção Portuguesa recebeu a sua congénere israelita no Estádio de Alvalade. Foi o primeiro jogo a que assisti em mais de seis anos. Mais uma vez, tínhamos uma série de ausentes: Meireles e Bruno Alves por lesão, Hélder Postiga (GRRR!!!!) e Fábio Coentrão por castigo. Mas, se conseguíssemos vencer, o segundo lugar ficaria consolidado e ainda poderíamos sonhar com o primeiro lugar - bastaria a Rússia cometer um deslize. 
 
 
É claro que Portugal, eterno adepto dos caminhos mais difíceis, não soube aproveitar a oportunidade. A exibição foi fraca, os israelitas não fizeram nada para levar o jogo de vencida, passaram uma boa parte do tempo a engonhar até mesmo quando ainda se encontravam em desvantagem, depois do golo de Ricardo Costa. À semelhança do que aconteceu repetidas vezes ao longo deste Apuramento, foi Portugal a prejudicar-se a si mesmo. Desta feita, através de uma fífia de Rui Patrício. Só não considero este o pior jogo da Seleção do ano porque, mal por mal, garantiu-nos o playoff. De uma maneira extremamente amarga, contudo.
 
O jogo com o Luxemburgo, em Coimbra, foi quase só para cumprir calendário. A Seleção não jogo melhor do que tinha jogado contra Israel, nem precisou. Os luxemburgueses, como seria de esperar, poucas hipóteses tinham contra nós, sobretudo depois de se verem reduzidos a dez. Portugal podia ter arrecadado uma vitória bem mais expressiva mas não esteve para isso - jogo chegou a ser extremamente enfadonho em certas alturas -  contentou-se com o 3-0, cortesia de Varela, Nani (pontos para a assistência de João Moutinho) e Hélder Postiga. Terminava deste modo a fase de grupos da Qualificação para o Mundial 2014, com Portugal no segundo lugar, obrigado a ir aos playoffs lutar por uma vaga no Brasil.
 
O sorteio para definição do adversário do playoff realizou-se cerca de duas semanas mais tarde. Quis a Sorte que defrontássemos a Suécia, primeiro em casa, depois fora. Antes dessa dupla jornada deu-se algo que, tecnicamente, não se relacionava com a Turma das Quinas mas que, na minha opinião, influenciou o seu percurso: as tristes figuras e palavras de Joseph Blatter sobre Cristiano Ronaldo.

 


Considero que ficámos todos em dívida para com o presidente da FIFA. Pouco após uma jornada dupla de Seleção que deixou muito a desejar, em que Ronaldo esteve algo apagado, Blatter teve o condão, não apenas de espicaçar o nosso Capitão - o Comandante - mas também de unir a massa adepta portuguesa em torno da Seleção contra um inimigo comum. O sentimento generalizado anti-Troika, anti-topo da hierarquia europeia, ajudou. Juro, se algum dia ocorrer a improbabilidade de me encontrar com Joseph Blatter, eu abraçá-lo-ei, agradecer-lhe-ei e explicar-lhe-ei porquê. E quero ver a cara com que ficará.
 
A primeira mão do playoff contra a Suécia realizou-se pouco mais de duas semanas depois, perante um Estádio da Luz esgotadíssimo. Conforme seria de esperar, Portugal jogou melhor do que durante a Qualificação. Também ajudou o facto de a Suécia ter jogado para o empate. O poderio físico dos suecos e o seu jogo defensivo cumpriram o seu papel até mais ou menos a meio da segunda parte - aí Cristiano Ronaldo marcou o único golo da partida, conferindo a Portugal uma importante vantagem no playoff.
 

 

A segunda mão do playoff realizou-se na Suécia. Os adeptos da casa, abençoados sejam, ainda não se tinham apercebido do nexo de causalidade entre um Ronaldo alvo de provocações e os desempenhos estratosféricos que ele tem nos jogos que se seguem - apesar de até ter havido um exemplo bem recente de tal. Ou não perceberam ou então deixaram-se levar pelo medo que tinham do Comandante. Não me admiraria se tivesse sido um misto de ambas as situações. Deste modo, os suecos fizeram tudo para destabilizar os portugueses, praticamente desde que estes deram os primeiros passos no país escandinavo. Destaque para a banda que os recebeu no aeroporto, para o animador de rádio que foi de madrugada fazer barulho para junto do hotel da Seleção Portuguesa e, claro, para a infeliz campanha da Pepsi sueca. Eu, na altura, ria-me pois os suecos não sabiam aquilo que estavam a preparar. Hoje, que sei o que aconteceu, ainda me rio mais. Eles mereceram aquilo que apanharam.
 
A noite do jogo em si foi uma das melhores deste ano. A minha irmã fazia anos, tivemos amigos e familiares em casa, vimos e celebrámos o jogo todos juntos. A primeira parte foi relativamente morna, relativamente equilibrada, com a exibição portuguesa a melhorar com o tempo. A segunda parte foi uma montanha russa de emoções. O primeiro golo de Ronaldo deixou-nos a todos a pensar que eram já favas contadas. Os dois golos de Ibrahimovic que se seguiram forma fruto da nossa negligência. O 2-1 ainda nos era favorável mas, pelo que se via, a coisa poderia facilmente dar para o torto. De uma maneira caricata, regressámos pela enésima vez em todo o Apuramento à fase do "Ai Jesus!". E, tal como acontecera em Belfast, teve de vir Ronaldo ao resgate, com mais dois golos que puseram um ponto final na questão.
 

 

Eu sei que, ao longo dos próximos seis, sete meses, não vai interessar mas eu espero que esta nossa campanha de Qualificação não seja esquecida tão depressa. Teve um final feliz, com contornos apoteóticos, mas podia não ter tido. Podia ter corrido muito mal. Tirando, talvez, os jogos com a Rússia, não houve um único jogo em que não nos boicotássemos a nós mesmos. Na maior parte desses jogos, bastaria não termos cometido determinados erros, termo-nos esforçado um bocadinho mais, para conquistarmos o primeiro lugar do grupo.

E não é apenas pelo primeiro ou pelo segundo lugar. Também não é bom em termos de adesão por parte dos adeptos. Ainda no mês passado, aquando dos jogos com a Suécia, ouvi um colega meu afirmar que, no que tocava á Seleção, só lhe interessam os jogos das fases finais ou dos playoffs. Os da Qualificação e os particulares eram-lhe indiferentes. Paulo Bento, uma vez, lamentou que muita gente pensasse assim e eu, há um ano o dois, criticaria atitudes semelhantes à do meu colega. No entanto, se nem os jogadores estiveram para se chatear na maior parte dos jogos de Apuramento, porque haveríamos nós de fazê-lo?
 
Os títulos de algumas das crónicas pós-jogo que escrevi aqui no blogue acabam por ser aplicáveis a toda a Qualificação. "Uma epopeia com contornos dantescos" e "Não havia necessidade". Aquando daquele primeiro jogo com o Luxemburgo, eu não fazia ideia de que o resto do Apuramento se desenrolaria desta maneira. Sim, eu sei que assim soube melhor, eu mesma o admiti. Mas não sei até quando seremos capazes de brincar com o fogo sem nos queimarmos a sério.
 
 

Além disso, caso a Rússia tivesse conseguido o segundo lugar, a Suécia provavelmente teria sido capaz de vencê-los no playoff. Assim, Ibrahimovic não teria ficado de fora do Mundial. É que fiquei a gostar do tipo... É arrogante mas tem piada.
 
Parece que o sorteio dos grupos da Qualificação para o Euro 2016 se realizará algures em Fevereiro. Consta, igualmente, que as regras do jogo vão mudar. Agora que a prova foi alargada de dezasseis a vinte e quatro participantes - ainda estou para ver como é que isso vai funcionar - os dois primeiros classificados em cada grupo Apuram-se diretamente. Os terceiros lugares, tirando o pior, disputarão o playoff. Eu devia estar satisfeita com este baixar de fasquia mas não me custa nada imaginar a Seleção, em resposta, desleixar-se ainda mais do que se desleixou neste Apuramento, contentar-se com o terceiro lugar. Aliás, agora que penso nisso, este facilitismo pode levar a uma quebra geral na qualidade dos jogos desta Qualificação, sobretudo para as grandes candidatas ao Apuramento. Não que me preocupe demasiado com isso, só quero saber de Portugal. Espero que não nos calhe um grupo fácil, dava até jeito ficarmos com uma seleção dita "grande", motivadora. De qualquer forma, o pior adversário de Portugal continuará a ser ele mesmo.

Entretanto, no início deste mês, a Sorte determinou que Portugal ficasse agrupado com a Alemanha, os Estados Unidos e o Gana no Mundial. Um grupo teoricamente mais fácil que o do Euro 2012 mas imprevisível. Todos consideram que está ao alcance de Portugal mas a Equipa de Todos Nós terá de confirmá-lo em campo.

Foi assim o ano da Seleção. Em termos pessoais, foi um ano relativamente morno: mais estável que 2012, mas não mais do que isso. Algumas das maiores alegrias deste ano, dos dias mais felizes, estiveram ligados à Turma das Quinas: a antecipação dos jogos, o rescaldo das vitórias, a visita ao Jamor em agosto, o jogo a que assisti em Alvalade, a festa de anos da minha irmã no dia da segunda mão dos playoffs. 2013 mostrou-me, aliás, que embora algumas das minhas paixões não me despertem o mesmo interesse de antigamente, a Seleção é das poucas de que não me canso. Vão fazer dez anos desde que acompanho fielmente a Turma das Quinas mas meu interesse manteve-se praticamente sempre alto. Acho que em nenhuma altura desta última década deixei de ansiar pelo jogo seguinte. Posso já não escrever aqui no blogue tão frequentemente como antes - porque perco mais tempo a preparar as entradas e muitos dos assuntos acabam sendo abordados na página do Facebook - e certos aspetos, sobretudo antes dos jogos, depois destes anos todos, tornaram-se demasiado batidos. No entanto, cada jogo em si é único. Seja ele um mata-mata de um campeonato de seleções ou um particular com uma equipa de expressão irrelevante.

É a beleza do futebol em si, aliás. Há coisa de um ano ou dois, eu não compreendia como é que as pessoas tinham paciência para acompanhar a liga portuguesa ano após ano - sobretudo durante a altura em que, invariavelmente, o F.C.Porto se sagra campeão. Hoje compreendo: porque, para além de imprevisível, de caprichoso, o futebol é uma história que nunca acaba.

 
Em termos pessoais, 2014 vai ser um ano bem mais empolgante, bem mais decisivo, do que 2013. Em termos de Seleção, também. Já é habitual, para mim os anos pares são os mais interessantes pois, com eles, veem os grandes campeonatos de seleções. Infelizmente, não sei se me vai ser possível acompanhar o Mundial da maneira que acompanhei o Euro 2012 - posso estar a estagiar nessa altura. Vai depender de muitos fatores mas duvido que tenha tempo para ter a página do Facebook atualizada ao minuto com todas as peripécias, como chegava a estar há ano e meio. Já o tinha dito na entrada anterior, nem sequer sei se poderei acompanhar os jogos do Mundial. No entanto, não deixarei de escrever e publicar as respetivas crónicas pós-jogo. Nem que tenha de perder refeições ou mesmo noites para tal. 
 
Algumas das pessoas com quem tenho falado afirmam-se crentes de que 2014 será o nosso ano. Eu quero crer o mesmo, quero muito crer o mesmo, mas uma parte de mim concorda com os artigos de opinião da praxe, que afirmam que esta Seleção não se compara à de 2004 ou 2006. Por outro lado, a acontecer, a nós ganharmos um título, terá de ser em 2014. Não vou ao extremo de dizer "Agora ou nunca!" mas a verdade é que já deixamos fugir demasiadas oportunidades. A certa altura terá de deixar de ser um sonho. Que deixe de sê-lo em 2014.
 
Esa será uma das passas da Noite de Ano Novo - não gosto de passas mas gosto do ritual de pedir os doze desejos ou de definir os doze objetivos para o ano que começa. Sugiro que, roubando a ideia a uma campanha realizada aquando da passagem de 2005 para 2006, guardem também "uma passa para a Taça". Também desejarei, se não o fim da crise, pelo menos o início (ou a continuação) da recuperação económica. Que possamos ser campeões mundiais e que as nossas vidas melhorem no ano que vêm. A todos os meus leitores e seguidores da página do Facebook, os meus votos de um Feliz Natal e de um 2014, se não cheio de sonhos realizados, pelo menos cheio de bons momentos.

Azerbaijão 0 Portugal 2 - Faísca

Na passada terça-feira, dia 26 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou, em Baku, no Azerbaijão, a congénere da casa. O jogo terminou com dois golos de vantagem para a equipa visitante, cortesia de Bruno Alves e Hugo Almeida, permitindo a Portugal amealhar três pontos que nos mantêm na corrida por um lugar no Mundial 2014.

Finalmente.

Mais uma vez, vi-o em casa, com a minha irmã. Desta feita, não se encontrava mais ninguém connosco, pelo que não nos contivemos nos gritos de treinadoras-de-sofá-de-sala (desta vez, não houve necessidade de chamar nomes feios aos jogadores). Os vizinhos que nos perdoassem mas não é todos os dias que temos jogos da Seleção.

É claro que, quando o nosso pai chegou a casa, decorria a segunda parte, tivemos de nos portar bem.


O jogo correu mais ou menos conforme eu previa. Foi outro dejá vu. Desta feita, repetiu-se o outro jogo com o Azerbaijão, em setembro do ano passado, em Braga. A nossa última vitória antes deste encontro. A Seleção entrou em campo solta, enérgica. Montou a tenda no meio campo azeri e lá permaneceu, atirando o barro à parede, manifestando os habituais problemas na finalização. A costumeira bola ao poste ("Porque isto não era um jogo da Seleção se não houvessem bolas ao poste!!!, disse a minha irmãzinha), os costumeiros falhanços do Hélder Postiga (mais sobre isso mais à frente). E eu ia perdendo cinco minutos de vida a cada ataque português, cada remate falhado. O mesmo acontecia com os contra-ataques azeris que, no entanto, nunca constituíram grande ameaça, tirando uma situação ou outra. A defesa portuguesa pareceu-me melhor neste jogo. Pelo meio, Pepe arranjou maneira de ver o segundo amarelo do Apuramento (Porquê, Pepe???? Porquê???), excluindo-se do jogo com a Rússia.

Às vezes penso que seria mais saudável fumar do que assistir a jogos da Seleção. Ao menos um cigarro, supostamente, acalma os nervos...

As coisas não mudaram muito na segunda parte. Eu sentia, contudo, que o golo português não tardaria. Mesmo que a equipa azeri não se tivesse reduzido a dez elementos (cortesia - uma boa parte, pelo menos - da fita que o Pepe fez). Em todo o caso, Paulo Bento não deu tempo aos azeris de se reorganizarem, fez Hugo Almeida entrar.

E os golos surgiram. Primeiro de Bruno Alves e depois de Hugo Almeida.


Depois de um golo e uma parvoíce em Israel, no Azerbaijão Bruno Alves foi, indiscutivelmente, o herói. Como, de resto, já havia sido no jogo de setembro. É, aliás, curioso: já em 2007, também em casa azeri, o Bruno Alves e o Hugo Almeida haviam sido os artilheiros de serviço. Bem como em julho de 2009, na Albânia. Contando com a de terça-feira, estas três vitórias constituíram um importante ponto de viragem para as respetivas Qualificações.

O Bruno Alves e o Hugo Almeida não foram, contudo, os únicos a ajudar a Equipa das Quinas. Moutinho também se destacou depois de "reaprender a jogar em três dias" - não, não me vou pôr aqui a debitar postas de pescada sobre a polémica entre Pinto da Costa e Paulo Bento. Bem como Danny e, sobretudo, Vieirinha, que honrou a camisola de Cristiano Ronaldo.


Há quem diga que se notou a falta de Ronaldo e Nani. Não notei assim muito, para ser sincera. Obviamente a velocidade do Ronaldo e o inconformismo do Nani fazem sempre falta e talvez nos tivessem facilitado a vida na terça-feira. Mas a verdade é que, como já afirmei antes, o jogo não diferiu muito do de setembro passado e nesse tivemos os nossos extremos habituais.

De resto, não posso deixar de louvar a atitude do nosso capitão que, apesar de ter ficado excluído do jogo de terça-feira, fez questão de permanecer com a equipa.

Apenas fiquei um bocadinho triste por o Postiga não ter marcado desta vez. E, claro, como neste jogo não marcou, já caiu tudo em cima dele.

Bem, caem sempre em cima dele, quer marque quer não, não será por aí...


Não vou dizer que esteja propriamente satisfeita com o desempenho do Hélder. Começo a achar que ele falha demasiadas oportunidades flagrantes mas ainda me irrita que as pessoas se esqueçam tão facilmente de tudo o que ele tem feito pela Seleção, em particular no passado recente.

A ver o que acontece quando ele deixar a Seleção sem que haja um ponta de lança de jeito para o substituir.

Em todo o caso, apesar de achar que o Hélder se deve manter na titularidade, pelo menos por enquanto, o Hugo Almeida provou merecer mais oportunidades de jogar. E talvez seja bom para o Postiga sentir-se um bocadinho ameaçado.



Foi, de resto, uma das questões desta dupla jornada: o conservadorismo de Paulo Bento, a sua relutância em recorrer a jogadores fora do seu núcleo duro habitual. Eu até compreendo, por um lado. Já antes falei aqui da nossa excessiva dependência do onze-base do Euro 2012. São jogadores que já deram provas de qualidade, que já se conhecem uns aos outros há vários anos, possuem uma rotina. Compreendo que o Selecionador tenha medo de arriscar, em particular em jogos desta importância. Deus escreveu direito em linhas tortas nesta dupla jornada: não fosse a lesão de Nani e a expulsão de Ronaldo, Vieirinha não teria uma oportunidade de mostrar o seu valor. Quem é que, no seu juízo perfeito, abdicaria voluntariamente de Ronaldo ou mesmo de Nani?

Por outro lado, não sou capaz de ignorar aquilo que vem sempre à baila em todos os debates sobre a Seleção: o prazo de validade da equipa atual, a ausência de alternativas. Os comentadores desportivos têm todos razão: precisamos de sangue novo ou, daqui a uns anos, não haverá Seleção para ninguém!

Não existe muito a fazer em relação a isso, pelo menos para já. Por agora, o mais importante é a Qualificação, o facto de termos vencido um jogo pela primeira vez desde setembro. Finalmente. Depois de cinco jogos sem ganhar, na maior parte das vezes com exibições roçando o medíocre, tivemos finalmente uma vitória. Pode não ter sido uma vitória brilhante mais foi uma vitória. Também não esperava muito mais, para ser sincera. Isto sim, isto é Portugal! Não tanto como noutras ocasiões mais mais do que tínhamos recebido nos meses anteriores. Estamos vivos de novo!


Cerca de duas horas antes do início do jogo, apareceram na Internet excertos de músicas do álbum novo dos Paramore, homónimo. Uma delas, Last Hope, é já uma das minhas preferidas. Há um verso que se destaca: "It's just a spark, but it's enough to keep going...". A tradução é algo tipo: "É apenas uma faísca mas chega para me fazer continuar". E, curiosamente, este verso traduz perfeitamente a maneira como me sinto relativamente à situação da Turma das Quinas.

Ganhar aos azeris pode não ter sido mais do que a nossa obrigação para muitos mas, para mim, foi um pouco mais do que isso. Foi algo que nos devolveu a esperança. Com um pouco de sorte, será uma viragem de maré, será a faísca que nos incendiará para o resto da Qualificação. Começando pelo jogo com a Rússia, no Inferno da Luz.

Atenção! Quando falo aqui em fogo e incêndios é no sentido figurativo! O Estádio da Luz não precisa de mais incêndios!

A partir de agora temos de encarar um jogo de cada vez, como se estivéssemos numa fase final. Concentrarmo-nos em ganhar cada um à medida que forem chegando.

Mas haverá tempo para pensar nesses jogos. Faltam mais de dois meses para o próximo, até lá muita coisa pode mudar. Por agora, é-me suficiente o consolo de saber que a Seleção reaprendeu a ganhar, depois de todos estes meses de jejum. O que mais desejo, neste momento, é que não tenhamos outra desilusão tão cedo, que este consolo se prolongue o mais possível, que se torne mais forte em junho. Até lá...

Israel 3 Portugal 3 - Dejá vu

Na passada sexta-feira, dia 22 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol entrou em campo com a sua congénere israelita, em Telavive. Tal confronto resultou num empate a três bolas. Um resultado abaixo das expectativas mas arrancado a ferros, que, tendo em conta o desempenho paupérrimo da Equipa das Quinas, quase parece uma vitória.

Começo a achar que se trata de uma maldição. Talvez nenhum jogo deste Apuramento esteja destinado a ser tranquilo. Ou talvez seja de propósito. Conforme diria a minha irmã, isto não daria "pica nenhuma" fazer uma Qualificação sem escorregadelas perante equipas "menores". Que piada teria?

Não levem a mal o sarcasmo mas uma miúda não é de ferro e, sinceramente, os Marmanjos andam a abusar da minha paciência. Já são cinco jogos sem ganhar, na maior parte dos casos sem sequer fazermos exibições decentes, são cinco entradas pós derrota-ou-empate. Não chega já?


Mas vamos ao jogo. Eu estava otimista, como sempre, e o golo madrugador do Bruno Alves ajudou a manter esse estado de espírito. Não achei que eram favas contadas, mas fiquei satisfeita com o bom arranque e achei que, finalmente, poderíamos ganhar um jogo.

Os jogadores é que, aparentemente, assumiram que eram favas contadas e, em vez que procurarem dilatar a vantagem, deitaram-se à sombra do resultado e da teórica superioridade sobre o adversário. Algo que eu julgava não combinar com a maturidade dos jogadores. Enganei-me redondamente. Quando demos por nós, perdíamos 2-1.

O pesadelo continuou na segunda parte, culminando no 3-1. Aí, pensei que estava tudo perdido. Felizmente, tal momento não durou mais do que um ou dois minutos, graças ao tento de Postiga, ainda no rescaldo do terceiro golo israelita. Até foi um bom timing, pois cortou, de certa forma, o efeito do 3-1 e relançou a equipa portuguesa. No entanto, teria dado muito mais jeito caso tivesse vindo aquando dos flagrantes desperdícios do Carteiro, durante a primeira parte.


Antes deste golo, nas redes sociais, toda a gente "batia" no pobre Hélder, esquecendo-se do facto de que ele era (e continua a ser) o melhor marcador português nesta fase de Apuramento. E, embora não me tivesse esquecido disso, desta feita não me apeteceu estar a defendê-lo. Continuava a achar que ele é subvalorizado - e esta semana descobri que o mesmo acontecia com Pedro Pauleta, no seu tempo. Pauleta, o melhor marcador português! - que é dos que mais tem feito pela Seleção nos últimos tempos. No entanto, podia fazer ainda mais se não desperdiçasse tantas oportunidades de outro. 

Além disso, estou farta de defender os jogadores e eles continuarem a fazer jogos destes. Já está na altura de eles me defenderem a mim, de provarem que tenho razão quando manifesto o meu apoio. 


Mas regressemos ao jogo. Como afirmei anteriormente, o golo de Postiga catalisou o despertar português. Os Marmanjos esforçavam-se por fazer em quinze minutos aquilo que haviam parado de fazer após o golo de Bruno Alves. E, de facto, acabámos por ser bem sucedidos, mesmo no último minuto da compensação. Também se tivéssemos falhado aquele lance, éramos um caso perdido. Eu e a minha irmã, com quem estive a ver o jogo, abraçámo-nos, como se aquele fosse o golo da vitória e não do empate. E assim terminou o jogo.

Os meus seguidores do Twitter e da página do Facebook deste blogue terão, certamente, reparado que, durante o jogo e respetivo rescaldo, estive de péssimo humor. Entre mim e a minha irmã, o sarcasmo atingiu máximos históricos. Ela, adepta do clube residente em Alvalade, chegou a afirmar:

- Isto é horrível, isto parece o Sporting! E eu não preciso de mais Sportings na minha vida!

Quanto a mim, passei uma boa parte dos noventa minutos com vontade de dar um par de estalos a cada um dos Marmanjos. Muito isto era calor do momento, evidentemente, da boca para fora. Na realidade, não seria capaz de cumprir tais ameaças, por múltiplos motivos (desde falta de coragem a demasiado afeto por eles). Quem nunca se enervou durante um jogo de futebol ao ponto de insultar um dos protagonistas, seja ele um jogador da sua equipa, da equipa adversária ou da equipa de arbitragem, pode atirar a primeira pedra, por favor. 


Às vezes, imagino-me assistindo aos jogos no banco de suplentes da Seleção, vivendo cada momento do encontro, sofrendo e festejando em conjunto com a equipa técnica e jogadores de reserva. No entanto, não será, se calhar, muito aconselhável, pelas reações momentâneas que descrevi acima. Não costumo praguejar abertamente mas, em jogos como o de sexta, não é raro eu chamar nomes aos jogadores. Nomes esses que, não sendo palavrões, também não são carinhosos. E evidentemente, não me convém que os destinatários oiçam tais insultos.

José Mourinho, no sábado, quando questionado acerca da situação da Equipa de Todos Nós, usou a expressão "dejá vu" para a descrever. E é, de facto, a mais adequada, na minha opinião. O treinador usou-a porque a Seleção Qualifica-se sempre resvés Campo de Ourique, sofrendo até à ultima jornada, mas Qualifica-se. Eu uso-a, não só pelo que acabo de referir, mas também porque este jogo recordou-me imenso o anterior embate de Apuramento, contra a Irlanda do Norte: também esse jogo foi encarado com demasiada leveza pela Seleção; os adversários aproveitaram-se de tal arrogância para se adiantarem no marcador; só na reta final do jogo é que os portugueses acordaram, em particular após o golo do Postiga; e embora a derrota fosse mais prejudicial às nossas aspirações de Qualificação, a Turma das Quinas não conseguiu melhor do que um empate, um resultado que, tendo em conta o suposto valor da equipa portuguesa, é claramente escasso.



O Pepe afirmou, no rescaldo do jogo com Israel, que Portugal tem de aprender com os erros cometidos - algo que a equipa não tem sido capaz de fazer. É estúpido! Este jogo podia ter corrido de maneira tão diferente! Se, apenas, não tivéssemos abrandado tão depressa após o golo do Bruno Alves, se tivéssemos feito o 2-0... Mesmo que não mantivéssemos o ritmo ao longo dos noventa minutos, mesmo que consentíssemos o 2-1, conseguiríamos, certamente, ganhar, com mais ou menos dificuldade.

Os otimistas destacam a maneira como conseguimos anular a desvantagem de dois golos em cerca de quinze minutos. Só que, embora tenha a noção de que este empate nos mantém na corrida, que este ponto arrancado a ferros pode vir a ser valiosíssimo mais à frente, não considero um grande feito emergirmos do buraco que nós mesmos cavámos, por negligência, sem necessidade.

A questão é a mesma de sempre: a teimosia da Seleção em escolher sempre o caminho mais difícil. Nos dias que antecederam o jogo com Israel, toda a gente fez questão de dizer que o jogo não era "decisivo", para aliviar a pressão sobre a equipa. Acho que fizeram mal. Está mais que provado que não se pode dar demasiada corda aos Marmanjos porque eles enforcam-se nela. Que estes só são capazes de jogar com o Sistema Nervoso Simpático ativado, sob o efeito da adrenalina.


Bem, agora vamos jogar com o Azerbaijão sem Ronaldo - a única coisa que este conseguiu fazer em Israel foi assistir para o golo do Hélder, ver o segundo amarelo da fase de Apuramento e pouco mais - e sem Nani, outros em dúvida, com a margem de erro completamente esgotada. Talvez isto forneça adrenalina suficiente para eles se mexerem a sério. Até porque existe ainda a agravante de o pior segundo classificado de todos os grupos de Qualificação ficar excluído dos playoffs. Mas podia ser pior. Em princípio, o Azerbaijão não terá capacidade de nos colocar problemas. Da última vez que jogámos com eles, ficámos à vontade para lutarmos contra a nossa falta de pontaria, até o Varela entrar e quebrar o gelo. Mas sublinho, mais uma vez, o "em princípio". Não me admirava se, mesmo assim, os portugueses inventassem algo que jogasse contra eles...

Em todo o caso, nada está perdido ainda. Mesmo que a Seleção esteja quase voluntariamente a tomar o caminho mais difícil até ao Brasil, quando podíamos estar a ter uma Qualificação sem drama de maior, sem calculadoras, o que interessa é chegar lá. E estou convencida de que vamos chegar lá. Como já afirmei aqui, considero sempre a Qualificação da Turma das Quinas para as fases finais como quase garantida. Talvez seja irrealista, talvez eu esteja mal habituada, mas só muito raramente coloco isso em causa. E esta ainda não é uma dessas ocasiões.

Há quem afirme que é por falta de talento que a Seleção anda em dificuldades, mas não acredito nisso. Que diabo, esta é essencialmente a mesma equipa que chegou às meias-finais do Euro 2012 no ano passado!!!! Se eles estiverem para aí virados, não existe motivo nenhum para falharmos o Apuramento. E não haverá, certamente, nenhum jogador português que queira ficar a ver o Mundial pela televisão. Comecemos, para já, por ganhar no terreno azeri, por ganhar pela primeira vez desde setembro do ano passado. Depois logo se vê.

E se aqueles totós me obrigarem a escrever outra entrada pós derrota ou empate a propósito do jogo de terça-feira, haverá sangue!

Estou a brincar, evidentemente...