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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Seleção 2015

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Mais um ano prestes a acabar, mais um ano prestes a começar. Eis a minha habitual revisão do ano da Equipa de Todos Nós.

 

Tal como previ/desejei há um ano, 2015 foi um ano tranquilo para a Seleção, o primeiro ano assim desde 2011. Na verdade - e isto surpreenderia muitos em 2014, sobretudo na ressaca do Mundial - este é capaz de ser o melhor ano no seu todo da Equipa de Todos Nós desde 2005. Ainda que nem sempre tenha sido essa a sensação - porque, em termos exibicionais, não foi um ano brilhante. Mas a verdade é que 2015 viu Portugal concluindo a sua melhor fase de Qualificação, evitando os playoffs pela primeira vez numa eternidade. De igual modo, 2015 viu o desenvolvimento de uma nova geração de promessas e o início da sua integração na equipa principal. Agora aguardamos o Euro 2016 e Fernando Santos diz que quer ganhá-lo.

 

Tal como acontecerá em 2016, o primeiro jogo da Seleção em 2015 ocorreu só em finais de março. Foi frente à Sérvia, no Estádio da Luz, a contar para a Qualificação e eu estive lá. Quem não esteve - no banco, pelo menos - foi Fernando Santos, cumprindo o castigo que, pouco antes, fora reduzido para dois jogos. Portugal ganhou por 2-1. Como em muitas ocasiões este ano, houve mais pragmatismo que brilhantismo. Mesmo assim, considero que este foi o nosso melhor jogo este ano - e um dos meus fins de tarde/princípios de noite mais felizes. Ricardo Carvalho marcou o primeiro golo - e lesionou-se nos festejos. Em vantagem, a Seleção abrandou, até consentir o golo de Matic, de pontapé de bicicleta. Nos minutos que se seguiram, todo o Estádio vibrou com os gritos de "POR-TU-GAL! POR-TU-GAL!" vindos das bancadas. Pouco depois, em resposta, Fábio Coentrão colocou Portugal de novo em vantagem no marcador, selando o resultado.

 

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Visto que o jogo solidário com Cabo Verde se realizou apenas dois dias depois, nenhum dos que jogaram contra a Sérvia puderam alinhar. Fernando Santos teve mesmo de fazer uma segunda Convocatória só para este jogo. Como tal, o desempenho de Portugal foi fraco, tirando as iniciativas de Bernardo Santos. Perdemos por 2-0. Não há muito mais a dizer.

 

A concentração da Seleção que se seguiu a essa dupla jornada coincidiu com uma altura, digamos, interessante no futebol: quando Jorge Jesus trocou o Benfica pelo Sporting e quando rebentou o escândalo da corrupção na FIFA, que culminou agora, com Blatter e Michel Platini banidos do futebol durante oito anos. Não há muito a dizer sobre o primeiro acontecimento. Por sua vez, o segundo é, na minha opinião, um da das melhores coisas que aconteceram no futebol este ano. Há muito que se sabe que existe corrupção nas mais altas instâncias do futebol. Já era altura de algo ser feito em relação a isso. 

 

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O jogo com a Arménia foi encarado com alguma cautela. Uma vez que a Seleção nunca tinha ganho nada naquele terreno. E a verdade é que Portugal cometeu mais erros nesse jogo do que aquilo que foi a norma no resto da Qualificação. Houve alguma apatia por parte dos portugueses e Rui Patrício teve culpas nos primeiros dois golos que sofreu. Cristiano Ronaldo, tipicamente, resolveu a questão com um hat-trick - mesmo assim, Tiago fez-se expulsar após o quarto golo português e os arménios conseguiram reduzir a desvantagem para 2-3.

 

Daí a três dias, Portugal disputou um jogo amigável com a sua congénere italiana. Faltavam titulares habituais a ambos os lados e era um jogo de fim de época, logo, o desafio foi decorrendo em ritmo de treino. Por uma vez, os nossos adversários estavam com mais azar do que nós. O único golo da partida foi apontado por Éder, numa jogada começada pelo Eliseu, que passou a Quaresma, que assistiu de trivela para o ponta-de-lança. O milagre do ano, essencialmente - estou a brincar!

 

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Não posso deixar de referir a excelente prestação dos sub-21 no Europeu, chegando à final, caindo apenas nos penálties. Catalisada pelo excelente trabalho de Rui Jorge, esta é uma das melhores gerações de futebolistas dos últimos vinte anos, cheia de talento, magia (mais do que a atual Seleção A, diga-se, com as devidas exceções), maturidade e espírito ganhador. São um exemplo a seguir por muitos veteranos. A Seleção A, se quiser mesmo ganhar o Europeu, deveria olhar para a paixão dos sub-21.

 

A Seleção A só se voltou a reunir em finais de agosto, princípios de Setembro, para um particular com a França e o antepenúltimo jogo da Qualificação com a Albânia. O particular decorreu no Estádio de Alvalade e eu estive lá. Para um jogo entre grandes seleções, foi anticlimático e um pouco enfadonho. A França estava mais motivada para o jogo que Portugal, que estava mais preocupado com o restante da Qualificação. Portugal limitou-se a defender e até conseguiu fazê-lo até aos oitenta e cinco minutos, antes de sofrer um golo, cortesia de Valbuena. Este jogo serviu para provar que o estilo de jogo implementado por Fernando Santos tem os seus méritos, mas não chega para tudo.

 

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O jogo contra a Albânia foi um jogo tão típico da era Fernando Santos que chega a ser caricato. Portugal jogou melhor que contra a França - não admira, havia mais em jogo. Conseguiu o domínio durante a larga maioria do jogo, tirando durante uns dez, quinze minutos, após a marca dos sessenta. Quaresma entrou entrou a meio da segunda parte e assistiu para o golo de Miguel Veloso, marcado no último minuto. Com mais esta vitória, Portugal ficou a um ponto de se Qualificar.

 

Esse ponto e mais dois extra forma ganhos no jogo seguinte, em Braga, contra a Dinamarca. Mais um jogo típico, pouco empolgante, sobretudo na primeira parte - a Dinamarca estacionou o autocarro e Portugal não se esforçou por aí além por quebrá-lo. Na segunda parte, os dinamarqueses abriram mais o jogo, atacaram mais, mas defenderam menos. Finalmente João Moutinho marcou - um belo tiro, diga-se. Ficou selado o Apuramento.

 

 

O jogo contra a Sérvia realizou-se apenas para cumprir calendário, mas Portugal não deixou de levar o jogo a sério. Por uma vez, marcámos cedo, antes dos cinco minutos, cortesia de Nani. Depois do golo, Portugal estacionou o autocarro. Conseguiu aguentá-lo durante toda a primeira parte do jogo, mas na segunda parte os sérvios conseguiram abrir buracos na nossa defesa. Aos 66 minutos empataram o jogo. Entretanto, João Moutinho entrou e tornou a resolver a situação com mais um golo espectacular. Concretizou-se, assim, a nossa sétima vitória consecutiva em jogos oficiais.

 

Já que, por uma vez, não houve necessidade de irmos a playoffs, os jogos de novembro foram apenas particulares (contra a Rússia e o Luxemburgo) e Fernando Santos pôde dispensar alguns dos titulares habituais e de chamar gente nova. Não vou falar muito sobre estes jogos pois não os vi. Portugal perdeu por 1-0 contra a Rússia e ganhou ao Luxemburgo por 2-0 - tal como disse antes, soube a goleada depois de uma data de vitórias pela margem mínima.

 

Finalmente, este mês, a Seleção foi sorteada para o grupo F do Euro 2016, juntamente com a Hungria, a Islândia e a Áustria, um grupo que, todos concordam, está perfeitamente ao alcance de Portugal, só uma grande catástrofe impedir-nos-á de falharmos os oitavos-de-final, em princípio.

 

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Foi assim o ano da Seleção, um ano tranquilo, é certo, mas pouco excitante. Os playoffs seriam sempre arriscados, mas também poderiam dar um pouco de emoção a um ano, por vezes, demasiado monótono. Por outro lado, estávamos a precisar de um ano assim, depois de tudo o que aconteceu em 2014.

 

Anos pares são sempre mais excitantes para mim. Trazem com eles campeonatos de seleções e Portugal têm conseguido estar presete em todos.Continuo a não querer ainda falar concretamente do que espero do Europeu. No entanto, como o costume passarei os primeiros meses de 2016 ansiosa pelo Anúncio dos Convocados para o Euro 2016 e o início de toda a excitação. Mal posso esperar pela data desse Anúncio, bem como pelas datas e adversários dos particulares de março. As coisas têm estado calmas na Seleção desde finais de 2014 até agora... mas não ficarão por muito mais tempo. O Europeu irá agitar tudo isto e o seu desfecho determinará o estado de espírito com que estaremos daqui a um ano.

 

Por esta altura, gosto de fazer uma espécie de renovação de votos, reafirmar a minha devoção pela Equipa de Todos Nós. Devoção essa que tem cada vez menos a ver com patriotismo. Já não acho que tenhamos obrigatoriamente de apoiar a seleção do país onde nascemos nem que seja errado torcermos pela seleção de um país que, teoricamente, nada tem a ver connosco. Percebi isso há cerca de um ano, quando Martunis (o menino que sobreviveu ao tsunami  no Índico em fins de 2004 durante três semanas vestindo uma camisola da Seleção Portuguesa) revelou que sonha um dia voltar a vestir a Camisola das Quinas, desta feita em campo. 

 

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Não sei se Martunis é bom jogador, se é suficientemente bom para representar a Seleção. Se for esse o motivo pelo qual não será Convocado, não tenho nada a dizer Mas haverá alguém com a ousadia de recusar-lhe uma Convocatória tendo apenas por base a sua nacionalidade? Não sei se ele já obeteve a nacionalidade portuguesa, mas eu acredito que, capacidades futebolísticas à parte, ele merece mais vir à Equipa de Todos Nós do que, se calhar, metade dos que lá estão agora merecem. Martunis acredita que o nosso país, a nossa Seleção lhe salvaram a vida e, de facto, a FPF doou-lhe 40 mil euros à sua família para se restabelecer, trouxe-o a Portugal para visitar a Turma das Quinas (lembro-me perfeitamente de vê-lo nas bancadas do Estádio da Luz no jogo com a Eslováquia, comemorando o golo do Cristiano Ronaldo com o Rui Costa) e, este ano, o Sporting trouxe-o até ao nosso país e ele vive hoje na academia do Sporting. Se ele viesse à Seleção, ninguém duvidaria do seu amor à camisola.

 

Cada vez acredito mais que a nacionalidade é apenas uma categoria em documentos oficiais, um aspeto burocrático. Uma pessoa é definida pelas escolhas que faz, não por aquilo que lhe é imposto. Isso significa que, sim, por princípio não sou contra nacionalizações na Equipa de Todos Nós, desde que seja por convicção e não por interesse. Se formos a ver, metade dos atuais Marmanjos não nasceram em Portugal: Nani e Eliseu nasceram em Cabo Verde, William Carvalho nasceu em Angola, Cédric nasceu na Alemanha, Adrien e Raphael Guerreiro nasceram em França (o último, quando se estreou na Seleção A, ainda mal falava o português), mas ninguém questionou a sua Convocatória. Por outro lado, concordo com a atual política de a Federação não interferir nos processos de mudança de nacionalidade.

 

 

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Já não acho que todos os portugueses têm, obrigatoriamente, de apoiar a Equipa de Todos Nós só por serem portugueses - vocês, que acompanham este blogue e a minha página, sabem o quão frustrante e desanimador isto consegue ser. Não esqueçamos também que a Turma das Quinas tem apoiantes por todo o globo, com ou sem relação com Portugal. Não me vou arrogar ao ponto de falar em nome da Seleção, mas eu aceitaria qualquer um como adepto. Quer seja por gostar do nosso país, por a Seleção lhe ter salvo a vida, por causa de um jogador em específico, porque se identificam com o espírito e/ou estilo de jogo, porque de tanto em tanto tempo lhes dá alegrias. Os mesmos motivos pelos quais se escolhe um clube como todos os outros, no fundo. Na verdade, o motivo pelo qual se começa a ser adepto não é importante, desde que se mantenham como adeptos quer nos bons, quer nos maus momentos - essa é a parte mais difícil, mas poucas coisas são mais gratificantes do que testemunhar as primeiras vitórias, os primeiros sinais de recuperação, após um período de crise.

 

Na verdade, sou cada vez mais amante do futebol em geral, não apenas o que está relacionado com a Turma das Quinas. Pelas paixões que move, as histórias a ele associaas, a maneira como ele pode salvar vidas, como a do Martunis, em vários sentidos. O meu clube é a Seleção e isso nunca vai mudar. No entanto, também me considero adepta de todos os clubes ao mesmo tempo e de nenhum em particular. E orgulho-me disso. 

 

Vou continuar a amar o futebol e a apoiar a Seleção no próximo ano, qualquer que seja o desfecho da nossa participação no Europeu. Que 2016 seja um ano muito positivo para o futebol, sobretudo para o futebol português, sobretudo para a Equipa de Todos Nós. Deixo também aqui os votos de um Natal muito feliz e de um Ano Novo cheio de coisas boas. Regressem connosco em 2016!

Arménia 2 Portugal 3 - Queremos Ainda Mais

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No pasado sábado, dia 13 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere arménia por três bolas contra duas, em Ierevan, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato Europeu da modalidade, que terá lugar em França daqui a um ano. Com esta vitória, Portugal consolidou o primeiro lugar go grupo I de Apuramento, tendo, na pior das hipóteses, de ir ao playoff. Por outro lado, bastar-lhe-á ganhar apenas mais um ponto para ficar com a Qualificação garantida.

 

É uma sensação estranhíssima termos tantas certezas sobre o Apuramento nesta altura do campeonato. O playoff é a pior das hipóteses? Na Qualificação para o Mundial 2010 era a nossa única hipótese!

 

Infelizmente, foi preciso passar por muita parvoíce para chegar a este ponto. Durante a semana anterior, tinha-se assinalado vezes e vezes sem conta que Portugal nunca havia vencido em Ierevan, que já em novembro último eles nos causaram imensas dificuldades, que o jogo não seria fácil. Tudo isto se confirmou em campo. A Seleção não entrou bem no jogo - a tática inicial não terá sido a mais adequada. Também se notava alguma apatia da nossa parte - o sujeito que invadiu o campo à beira do intervalo correu mais do que toda a equipa portuguesa. 

 

Cedo sofremos um golo de livre direto, em que Rui Patrício interpretou mal a situação, ficando mal posicionado. Este golo exasperou-me, mas não me desesperou - no passado recente temos tido vários exemplos de resultados decididos nos últimos minutos de jogo, de recuperações milagrosas. E esta nem sequer era uma situação tão aflitiva quanto isso. E, de facto, Portugal começou a jogar melhor depois do golo. Acabou por ganhar um penálti a seu favor, que Cristiano Ronaldo converteu, relançando o jogo.

 

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Portugal entrou muito melhor na segunda parte. À roda do minuto 60, Cristiano Ronaldo, o suspeito do costume, aproveitaria uma falha na defesa arménia para marcar o segundo golo português. Dois minutos depois, lançaria uma bomba de fora da grande área arménia, fazendo o terceiro. Consumava-se, assim, o terceiro hat-trick de Ronaldo com a Camisola das Quinas.

 

Pensávamos todos que, pela primeira vez desde o início do jogo, podíamos acalmar um bocadinho. Passaríamos a meia hora que faltava gerindo o resultado sem grande stress, talvez ainda houvesse tempo para um quarto golo (assinado por Ronaldo para fazer o póquer, ou assinado por outro qualquer, que também têm direito). Mas não seria a Seleção Portuguesa se não houvessem complicações desnecessárias. Poucos minutos depois do terceiro golo, Tiago viu o segundo amarelo e foi expulso.

 

Eles fazem de propósito, não fazem? É ridículo, está sempre a acontecer o mesmo! Basta consultarem rapidamente entradas com um ano e meio ou dois de idade para darem com outros exemplos de parvoíce crónica na Seleção. Com somente dez homens em campo, tivemos de passar o resto do jogo em modo "Ai Jesus!" (no pun intended), a ver se conservávamos a vantagem no marcador. Acabámos por vê-la reduzida - os arménios marcaram de canto, depois de Patrício, mais uma vez, se ter saído mal ao fazer uma defesa incompleta para os pés de um adversário. Isto deu esperança aos arménios, que passaram o resto do jogo correndo atrás do empate. Felizmente, restava aos Marmanjos maturidade e espírito coletivo para aguentar a pressão, permitindo-nos, no fim, levar os três pontos. 

 

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Vitórias pela margem mínima e exibições muito mais ou menos têm sido a regra do mandato de Fernando Santos. No entanto, a maneira como a Seleção se boicotou a si mesma, obrigando Cristiano Ronaldo a preencher as falhas, a conduzir o navio a bom porto, fez-me lembrar a Qualificação para o Mundial 2014. O que não é coisa boa - esse Apuramento acabou de uma forma apoteótica mas, depois, no Mundial em si, explodiu-nos tudo na cara. É verdade que, no caso deste jogo, existem várias desculpas atenuantes: fim de época, má estratégia inicial, por algum motivo nunca tínhamos ganho antes por lá. Ainda é cedo para dramatizar, pelo menos em relação à tendência para o complicómetro, quando, até este jogo, a Seleção de Fernando Santos tem-se caracterizado pela maturidade e pelo espírito coletivo - espírito esse que até esteve presente neste jogo, pela maneira como os portugueses conseguiram virar um resultado, saindo vitoriosos.

 

No fim do dia, as conclusões são as mesmas que nos outros jogos do mandato de Fernando Santos: os resultados são melhores que as exibições, mas já se sabe que, no futebol, os resultados é que interessam. Temos mantido o drama à distância, fazendo um contraste agradável com os últimos anos. Tal como disse no início, pela primeira vez em séculos, a Qualificação está bem encaminhada. Eu mesma tinha dito que, desde que ganhássemos, dar-me-ia por satisfeita. Mas embora isto seja suficiente por enquanto, a longo prazo (leia-se: no Euro 2016) não será bem assim - até porque Fernando Santos já deixou bem claro que quer o título. Para podermos verdadeiramente competir com qualquer equipa, como dizia Paulo Bento, será preciso ainda mais. 

 

Conforme escrevi na entrada anterior, acredito que conseguiremos dar os passos que faltam para voltarmos a ser uma grande Seleção. Temos matéria-prima e confio em Fernando Santos. É certo que continuo com as um minhas dúvidas - afinal de contas, um fiasco como o do Mundial 2014 não se esquece facilmente - mas procurarei lembrar-me das minhas próprias crenças, seguir os meus próprios conselhos. Temos tempo para crescer. Para já, que venha o resto do Apuramento.

 

E antes disso, logo à tarde, o jogo com a Itália 

Oásis de sanidade

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No próximo dia 13 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol deslocar-se-à à Ierevan, na Arménia, para defrontar a sua congénere local, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato Europeu da modalidade, que terá lugar em França, daqui a um ano. Três dias mais tarde, a Seleção Portuguesa defrontará a sua congénere italiana, em Genebra, na Suíça, em jogo de carácter amigável.

 

Nesta altura do campeonato, não há muito de novo a dizer, começando pelos Convocados. Temos um bom equilíbrio entre habituais e estreantes - Pizzi já merecia ser Chamado há muito, bem como outros como Danilo, Daniel Carriço e André André. A renovação vai decorrendo a um ritmo saudável. Penso que a única surpresa é a Vinda de Silvestre Varela, que teve uma época estranha. Mas não me queixo. Pela parte que me toca, o eterno Salvador da Pátria, o responsável pelo golo que me fez gritar como uma maluca, será sempre bem-vindo à Seleção. A única coisa que tenho a apontar é não terem Convocado Miguel Veloso, que fez uma boa época no seu clube.

 

Na semana que termina agora, a Operação Arménia ocorreu em moldes informais, com treinos apenas de manhã e os jogadores dispondo do resto do dia para si mesmos - um pouco à semelhança do que acontece nos clubes. Os Marmanjos têm o sábado de folga e depois, no domingo, reunir-se-ão e viajarão para a Geórgia, ficando instalados a meia hora do local do jogo. Na segunda-feira começa o trabalho a sério. Na verdade, estamos a viver uns dias muito agitados no que toca ao futebol português e internacioal. Não é de admirar que a Seleção fique um pouco em segundo plano. Noutras circunstâncias queixar-me-ia disso, lamentaria o facto de o escândalo da FIFA, a dança dos treinadores do Benfica e do Sporting, terem coincidido com a Operação Arménia. No entanto, eu fico grata por, enquanto isto ocorre, termos a Seleção, num momento estável ainda por cima. No meio de tanta confusão, de tantos acontecimentos inacreditáveis no mundo do desporto, a Equipa de Todos Nós tem representado um oásis de sanidade por estes dias. Espero que se mantenha assim, que esta dupla jornada corra bem.

 

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Passemos, desde já, à análise história dos próximos jogos. O nosso historial com a Arménia é escasso, mas sempre que jogámos por lá empatámos. Uma dessas vezes foi durante o Apuramento para o Mundial 98 e, segundo o que ouvi dizer esta semana, os pontos perdidos com esse empate custaram a Qualificação - a última que falhámos. Nos jogos em casa até ganhamos, mas nunca de forma brilhante. O jogo mais recente, em novembro último, foi um bom exemplo disso: um jogo extremamente pastoso, que ganhámos apenas pela margem mínima (Quaresma ao resgate!). Em Ierevan, teremos a agravante de um clima seco, adverso para os nossos jogadores e de estarmos em fim de época (recordações do trauma do Mundial 2014...).

 

Mesmo assim, eu acredito numa vitória. Com Fernando Santos tenho notado uma Seleção mais madura (finalmente), que sem deslumbrar consegue os resultados. Por outro lado, ainda que em teoria o momento de forma dos jogadores não seja o ideal, na prática, quando a Turma das Quinas joga em final de época, nos anos ímpares, costuma ganhar os jogos oficiais, mesmo sem brilhar. Em 2009, ganhámos à Albânia (recordações do trauma de setembro...), ainda que resvés Campo de Ourique. Tanto em 2011 como em 2013 ganhámos a adversários diretos nas respetivas Qualificações (gratidão eterna a Hélder Postiga).

 

Dito isto, um eventual empate frente à Arménia não seria grave. Toda a gente sabe que, nos últimos anos, fomos capazes de ultrapassar situações piores e marcar presença nas respectivas fases finais. E nesta Qualificação o terceiro lugar dá acesso ao playoff e tudo. No entanto, não é prudente arriscar. Fernando Santos tem frisado que é do interesse da Federação garantir o Apuramento o mais cedo possível - o que serve igualmente de resposta àqueles que têm dado a entender que a prioridade devia ser a renovação. Além do mais, o sprint final deste Apuramento vai ser difícil: dois adversários diretos na última dupla jornada e, na dupla jornada anterior, França e (*arrepio de medo*) Albânia. Não convém ir para estes jogos com a corda ao pescoço. Felizmente, na Turma das Quinas, parecem ter noção disso.

 

Depois do jogo com Arménia, à semelhança do que aconteceu há dois anos, a Turma das Quinas disputará um particular em Genebra, na Suíça. O jogo esteve quase para se realizar no Qatar - em pleno verão, com temperaturas que podem chegar aos cinquenta graus. Provavelmente num estádio construído à custa das vidas de inúmeros operários, trabalhando em condições de quase escravatura. Felizmente, houve alguém com o bom senso de mudar de palco.

 

Como poderão  deduzir, estou à espera que tirem o Mundial 2022 do Qatar. Já se esteve mais longe, agora que o escândalo rebentou e Blatter se demitiu (reação).

 

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A Itália é um adversário com quem não temos um historial favorável. Um pouco como a França, se bem que com menos ressentimento da nossa parte. Curiosamente, dois dias após o particular, ccompletar-se-ão noventa anos desde o nosso primeiro jogo contra os italianos (um amigável que vencemos por 1-0). De facto, a maioria dos jogos disputados entre as duas seleções foram amigáveis. Infelizmente, não conseguimos ganhar-lhes desde 1976. Mesmo o último empate foi em 1992, na Taça dos Estados Unidos - pelo que eu percebi das pesquisas que fiz na Internet, esta Taça era um torneio que se realizou anualmente entre 92 e 2000 (excluindo os anos de Mundial) para aumentar a popularidade do futebol entre os americanos. Portugal e Itália participaram na primeira edição, juntamente com a República da Irlanda e, claro, os anfitriões americanos. O campeonato funcionou por pontos, como uma mini-liga. A nossa Seleção ficou em último lugar, com um único ponto, amealhado no já referido empate com a Itália - não admira que nunca tenha ouvido falar desta competição antes. Depois desse jogo, foram sempre derrotas. Lembro-me de ter visto as duas mais recentes - o jogo de estreia de Luiz Felipe Scolari como Selecionador e o jogo de preparação para o Euro 2008 - mas não me recordo de pormenores. 

 

Acho, portanto, irrealista esperar um resultado brilhante frente à Itália. Já consideraria um empate como aceitável. No entanto, a verdade é que esta Seleção já conseguiu ganhar à atual vice-campeã, Argentina, ainda que quase por sorte. Uma vitória não é de todo impossível.

 

Nestas últimas semanas, Fernando Santos tem andado a dizer que quer ganhar o Euro 2016, que é para isso que a Seleção tem estado a trabalhar desde o seu primeiro dia como Selecionador. Eu podia escrever uma entrada inteira só sobre essas declarações, mas esta não é a altura certa - ainda estamos a meio da Qualificação. No entanto, posso afirmar que podíamos ter menos hipóteses. Já não se pode dizer que tenhamos uma Seleção de Liga Europa e, sim, já de Liga dos Campeões - não digo que finalista da Liga dos Campeões, mas, vá lá, chegando aos quartos-de-final. Temos os tugas do Real Madrid. Temos João Moutinho, Ricardo Carvalho, e Bernardo Silva no Mónaco. Temos Tiago no Atlético de Madrid. Temos Quaresma, que até marcou dois golos aos alemães do Bayern de Munique (onde andava o Marmanjo quando mais precisávamos dele?). Temos ainda uma Seleção de Sub-21 recheada de jogadores titulares nos seus clubes, ou seja, o futuro parece promissor. Para não falar dos Sub-20, que estão a sair-se bem no Mundial (pelo menos é o que dizem! Jogos às 5 da manhã não dão com nada...). Por outro lado, no que toca ao grande objetivo, Fernando Santos está a conseguir cumprir aquilo que assumo que seja o primeiro passo: tornar difícil ganhar a Portugal. 

 

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Temos, portanto, motivos para algum otimismo a curto/médio prazo. No entanto, esse otimismo de nada servirá se não se traduzir em resultados. A prioridade é reservar um lugar em França o mais cedo possível - até porque tenho curiosidade em saber como é Apurarmo-nos diretamente. 

 

Termino com uma imagem de Ricardo Quaresma despindo-se de preconceitos aqui pelo estaminé... 

 

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Seleção 2014

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Mais um ano perto de terminar, mais um ano perto de começar. Ganhei o hábito de, por esta altura, recordar aqui no blogue o que aconteceu com a Seleção ao longo dos últimos doze meses, olhar para estes acontecimentos de novo, como quem volta a ler um livro depois de saber como acaba. 

 

2014 foi um ano estranho para a Seleção. Teve altos e baixos, como todos os anos, mas também teve muitas coisas incompreensíveis. Por outro lado, foi um ano em que senti a história repetindo-se: 2002, com o fracasso no Mundial; 2010, com as confusões na Federação, a sua incapacidade de lidar com o rescaldo do Mundial e de gerir os selecionadores. 2014 foi também um ano em que senti que, quanto mais as coisas mudam, mais elas ficam na mesma.

 

Comecemos pelo princípio. 2014 arrancou de forma agridoce, emotiva, para o futebol português, tanto devio à morte de Eusébio como à Bola de Ouro de Cristiano Ronaldo. O primeiro jogo da Seleção, contudo, só ocorreu em março. Pouco antes, realizou-se o sorteio da Qualificação para o Euro 2016. Independentemente do que tivéssemos pensado na altura, hoje sabemos que nenhum dos nossos adversários é fácil. 

 

 

No dia 5 de março, a Seleção jogou contra a sua congénere camaronesa num jogo de carácter particular que teve lugar no Estádio Magalhães Pessoa, em Leiria. Como o costume, a Convocatória suscitou polémica pela teimosia de Paulo Bento em excluir certos jogadores. Em defesa do nosso antigo técnico, há que dizer que alguns dos nomes mais controversos - Edinho, Rafa, Ivan Cavaleiro - não se saíram mal no jogo com os Camarões. Foi de facto um bom particular, com a Seleçção Portuguesa a vencer por 5 a 1, golos de Cristiano Ronaldo (dois), Raúl Meireles, Fábio Coentrão e Edinho. Não foi mau, tendo em conta que os Camarões também estavam Qualificados para o Mundial, mas como o costume a Comunicação Social só quis saber de Ronaldo, que ultrapassara Pedro Pauleta no número de golos com a Camisola das Quinas. Estou convencida de que esta Ronaldomania, se não foi um dos fatores a contribuir para o fracasso no Mundial, certamente não ajudou a Seleção.

 

Por outro lado, uma das coisas que não compreendo deste ano é como passámos de jogos com exibições, vá lá, boazinhas, como a deste particular e dos outros que antecederam o Mundial, a... o que quer que tenha sido a nossa participação no Campeonato do Mundo.

 

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A Convocatória Final para o Brasil foi revelada no dia 19 de maio mas a polémica começou antes, com as pré-Convocatórias. Não gosto de estar a bater no ceguinho nem acho que nomes diferentes na Lista mudassem significativamente o nosso destino, mas há coisas difíceis de compreender. A principal será, porventura, a exclusão de Ricardo Quaresma. Para ser justa, relembro que Paulo Bento não foi o único técnico a embirrar com Quaresma este ano e o próprio Marmanjo terá a sua quota-parte de culpas na maneira como os treinadores lidam com ele. No entanto, quem perde acaba por ser quem não aposta no mustang. E quando às insinuações de Paulo Bento de que os jogadores que excluía "não tinham perfil para a Seleção"... bem, Quaresma teve perfil suficiente para estar por detrás de todos os nossos golos pós-Mundial. I rest my case.

 

Também já por alturas da Convocatória se comentava a duvidosa forma física de mais de metade dos jogadores da Seleção, sendo Cristiano Ronaldo o maior exemplo - mais tarde, descobrir-se-ia que as nossas dúvidas não eram descabidas. Não fomos os únicos a ter lesões importantes - este Mundial foi ridiculamente rico em lesões - mas fomos os mais assolados por este problema. Tivemos um total de cinco elementos incapacitados, num total de quinze condicionados. Como disse a minha irmã, a Seleção esteve em modo In My Remains, dos Linkin Park "Like an army falling, one by one by one". Tanto quanto me lembrava, era a primeira vez que tal acontecia num campeonato desta envergadura e, ainda hoje, não compreendo porquê. Muitos criticaram a decisão pós-Mundial de substituir a equipa médica mas terá sido assim tão descabido? Uma coisa é certa: a histeria em redor da tendinose rotuliana de Cristiano Ronaldo foi um dos aspetos mais irritantes deste Mundial.

 

 

O primeiro particular do estágio do Mundial teve como adversário a Grécia - orientada na altura por Fernando Santos, que ironicamente é agora o nosso Selecionador. Este jogo enquadrava-se nas comemorações do centenário da Federação Portuguesa de Futebol, pelo que teve lugar no Estádio Nacional, no Jamor, uma arena de forte simbolismo para o futebol português. Também foram prestadas homenagens a Eusébio e Mário coluna, falecidos anteriormente este ano. Este jogo ficou marcado pela ausência de habituais titulares, destacando-se Cristiano Ronaldo. Portugal dominou durante praticamente todo o jogo - Nani jogou melhor do que se esperava - mas notaram-se os habituais problemas na finalização. O jogo terminou com o marcador por abrir.

 

Antes de deixar o território nacional, a Seleção Portuguesa foi recebida pelo Presidente da República no Palácio de Belém, receção marcada por selfies e outras atitudes pouco convencionais para uma visita ao Chefe de Estado. Nos dez dias, mais coisa menos coisa, que se seguiram, a Equipa de Todos Nós estagiou nos Estados Unidos - alegadamente para se adaptar ao fuso horário - tendo sido das últimas equipas a chegar ao Brasil. Este foi outro dos aspetos controversos e incompreensíveis deste ano de Seleção: a localização do estágio, o clima. Deveríamos ter ido mais cedo para o Brasil? Deveríamos ter estagiado numa cidade diferente? E se as condições fossem tão agrestes que não conseguíssemos treinar como deve ser?

 

 

Antes do Mundial, contudo, ainda tivemos dois particulares, que não correram muito mal. O jogo com o México teve lugar no Gilette Stadium, em Boston, de madrugada para o fuso horário português. Foi um jogo sem grande história, que poderia ter dado para ambos os lados. A vitória portuguesa pela margem mínima só foi obtida ao cair do pano, cortesia de Bruno Alves. Estes golos, estas vitórias ao último minuto, tornar-se-iam uma tendência deste ano. Esta foi apenas a primeira e, por sinal, a menos empolgante.  

 

 

 

O jogo com a República da Irlanda correu melhor mas também este adversário encontrava-se uns furos abaixo dos dois anteriores. Desta feita, Cristiano Ronaldo jogou mas ele não contribuiu grandemente para a vitória folgada. Hugo Almeida bisou, Fábio Coentrão assistiu para um auto-golo e marcou ele mesmo outro, Vieirinha também marcou o seu, assistido por Nani (que também assistira Coentrão). Portugal contudo ainda sofreu um golo pelo meio, fruto de uma distração coletiva aquando de um livre.

 

Por esta altura, eu sentia-me bastante otimista relativamente ao início da participação portuguesa no Mundial, talvez um pouco para lá do realista. Hoje tenho vontade de rir e de chorar com a minha ingenuidade - mas em minha defesa, acho que nem os mais pessimistas estavam à espera de um descalabro como aquele. 

 

 

O nosso jogo de estreia no Campeonato do Mundo foi a humilhação do ano... se não tiver sido do século. Foi um jogo em que praticamente tudo o que podia correr mal correu. A história poderia ter corrido de outra maneira se tivéssemos cometido menos asneiras: o penálti oferecido por João Pereira, a "turrinha" de Pepe a Müllero atraso na reorganização da defesa após a expulsão, a equipa toda à beira de um ataque de nervos... com a lesão de Coentrão e Hugo Almeida a ajudar à festa. Parafraseando Afonso de Melo em A Pátria Fomos Nós, num Mundial não há segundas oportunidades - Portugal sentiu-o na pele no Brasil. O descalabro só não foi maior porque os alemães tiveram pena de nós - o que para mim é a pior vergonha. O facto de agora sabermos que não fomos os únicos a ser humilhados pelos alemães neste Mundial é fraco consolo.

 

 

Portugal estava obrigado a ganhar aos Estados Unidos para poder sonhar com a passagem aos oitavos. Nós tentámos. Começámos bem, até marcámos um golo cedo, cortesia de Nani - o único golo que pudémos festejar plenamente neste Mundial. Jogámos melhor que frente à Alemanha, mas os nossos pareciam lesmas - não sei se devido ao clima ou à (falta de) forma física (Postiga saiu lesionado aos treze minutos) ou se de ambos. Portugal não conseguiu ampliar a vantagem, só a segurou até aos sessenta e três minutos, os Estados Unidos chegaram mesmo a passar à frente. Varela voltou a vestir o fato de bombeiro e empatou o jogo ao cair do pano, mas apenas adiou o inevitável. Se quiséssemos continuar no Mundial, teríamos de golear o Gana e esperar que a Alemanha vencesse os Estados Unidos.

 

Eu já não acreditava. Lembro-me em particular do dia que se seguiu ao jogo, um dia cinzento e chuvoso, apesar de em termos cronológicos o verão já ter começado. Este ano não tivemos verão, nem o do Mundial nem o propriamente dito. 

 

 

Em todo o caso, no início do jogo com o Gana, sentia-me irracionalmente entusiasmada, como se aquele fosse apenas mais um jogo da Seleção, como se ainda estivesse tudo em aberto. Ganhámos por 2-1, um auto-golo e um golo de Cristiano Ronaldo para o lado português. Um resultado insuficiente para irmos aos oitavos. O Mundial terminava para os portugueses. 

 

Acredito que nunca saberemos ao certo o que aconteceu, qual ou quais fatores foram decisivos para o descalabro, o que poderia ter sido feito para evitar isto. Se bastaria o João Pereira não ter provocado aquele penálti ou o Pepe não ter sido expulso, de modo a reduzir a expressividade da vitória alemã, se esta não tivesse sido tão destrutiva... Ou se seria necessário um lote diferente de jogadores, um local de estágio diferente, talvez mesmo um local de estágio diferente... Seria importante aprendemos com os erros cometidos neste Mundial, mas já percebo que nós, portugueses, não somos muito dotados nesse capítulo. 

 

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As medidas tomadas pela Federação após o Mundial são um bom exemplo disso. Mudou a equipa médica, deu novos poderes a Paulo Bento, um voto de confiança que deu ares de uma despropositada promoção. Isto pouco antes do arranque da Qualificação para o Euro 2016. Na Convocatória para o primeiro jogo - contra a Albânia, no Estádio de Aveiro - apenas figuravam oito dos que haviam representado (fracamente) o País no Mundial. A maior ausência era a de Ronaldo, por lesão. Era uma lista que não parecia muito convincente, apesar de algumas novidades como Bruma, Vezo, Ricardo Horta e Pedro Tiba, e ainda se notavam os fantasmas do Brasil. Estes terão tido influência no jogo com a Albânia. 

 

 

Os nossos adversários estacionaram o autocarro à frente da baliza, é certo, mas não se pode dizer que os portugueses tivessem feito muito por abrir caminho. O golo albanês resultou de um momento de inspiração que coincidiu com uma distração da nossa defesa. Os portugueses não conseguiram sequer anular a vantagem. No final do jogo viam-se lenços brancos nas bancadas e, de facto, poucos dias depois, Paulo Bento abandonava o cargo de Selecionador. 

 

Demissões de técnicos nunca são processos felizes e esta não foi exceção. Oficialmente, esta terá sido uma rescisão amigável. Na prática, não se percebeu muito bem de quem partiu a ideia da demissão. Eu fiquei com a ideia de que Paulo Bento não saiu de vontade cem por cento livre e esta medida passa, no mínimo, por estranha quando, duas semanas antes, a Federação dava um voto público de confiança ao Selecionador. Apesar de este processo ter sido bem mais civilizado do que o que aconteceu com Carlos Queiroz, a FPF tornou a ficar mal na fotografia ao ter cedido ao pedido de Paulo Bento renovar antes do Mundial e ao não o ter demitido logo após o respetivo descalabro.

 

A Federação demorou algumas semanas a encontrar um substituto. Um dos favoritos foi sempre Fernando Santos: já passara pelos três grandes e tivera um bom desempenho ao leme da seleção grega. No entanto, encontrava-se  - e ainda se encontra - condicionado pelo castigo atribuído pela FIFA por se ter desentendido com um árbitro durante o Mundial. Durante algum tempo, pensou-se que Fernando Santos era uma hipótese descartada, precisamente devido a esse castigo. No entanto, tal conficionante acabou por não ser problema - e, de qualquer forma, com o recurso, o castigo acabaria por ser suspenso - pois, no fim, a Federação contratou-o.

 

 

 

A primeira Convocatória de Fernando Santos caracterizou-se pelo regresso de ausentes prolongados, como Ricardo Carvalho, Tiago, Danny e Ricardo Quaresma. Estes regressos podem ter causado uma controvérsia na altura, mas esses antigos "renegados" têm até ao momento (tirando Danny e, mais tarde, Bosingwa) mostrado-se merecedores da segunda oportunidade, com destaque para Quaresma.

 

 

O primeiro jogo de Fernando Santos foi um particular com a França, uma seleção de quem temos sido fregueses há várias gerações. Isto associado ao facto de ser a estreia de um Selecionador depois de uma série de maus resultados fez com que o resultado final - uma derrota por 2-1 - fosse expectável. Portugal não entrou bem no jogo, com destaque para os primeiros vinte minutos. Os laterais não estiveram bem, sobretudo Eliseu. Os dois golos franceses partiram de distrações da defesa portuguesa - agora vejo que estas distrações foram um pecado frequente este ano - o segundo numa altura em que a Seleção até começava a assumir o comando do jogo. Por fim, Ricardo Quaresma, suplente utilizado, converteu um penálti, fazendo o resultado.

 

 

 

O jogo seguinte, com a Dinamarca, foi a sério. Foi um jogo de paciência - que se tornaria a regra nos jogos seguintes - e de muitos nervos. Por uma vez Portgual até parecia ter a Sorte do seu lado, com um árbitro amigo e uma bola dinamarquesa ao poste, mas permanecia incapaz de converter essa sorte em golos. Foi preciso, de novo, Ricardo Quaresma entrar e assistir para Cristiano Ronaldo salvar o dia - isto no último minuto do jogo, numa altura em que já todos fazíamos contas considerando apenas um ponto. Foi o golo mais dramático do ano. Era a primeira vitória apóso Mundial, a primeira vitória da Qualificação, da era Fernando Santos. Estava dado o primeiro passo. 

 

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Um mês mais tarde, Portugal recebeu a Arménia no Estádio do Algarve. Tornou a ser um jogo de paciência, tornando-se até algo pastoso, mas desta feita não foi necessário esperar até ao último minuto pelo golo. Este foi, mais uma vez, fruto da parceria entre Cristiano Ronaldo e Ricardo Quaresma - embora Nani tivesse dado uma mãozinha nesta. Não chegámos a subir ao primeiro lugar do grupo, mas ficámos em segundo com um jogo a menos. Não está a correr nada mal, por isso.

 

  

Alguns dias mais tarde, a Seleção foi a Old Trafford disputar um jogo de carácter amigável com a sua congénere argentina. Muitos esperavam um grande duelo entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi (que, afinal, não está propriamente de fora da corrida para a Bola de Ouro, ao contrário do que pensava), mas ambas as superestrelas estiveram algo apagadas. Daí o jogo se ter revelado anti-climático, mesmo secante, sobretudo após a substituição das estrelas. Para os portugueses, contudo, teve uma agradável surpresa no último minuto (mais uma vez) com um inesperado golo do miúdo Raphael Guerreiro, assistido por Ricardo Quaresma (mais uma vez). E foi isto o que aconteceu com a Seleção em 2014.

 

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Foi um ano estranho, como procurei demonstrar, com muitas coisas incompreensíveis, com claro destaque para o Mundial. Continuo a achar que podíamos ter-nos saído melhor com uma atitude diferente. Talvez não conseguíssemos ir além dos oitavos-de-final - quartos, se tivéssemos sorte - mas sempre deixaríamos uma melhor imagem, semelhante as deixadas por seleções como a Grécia ou a Argélia. Tenho a tentação de enveredar pelos clichés do "levantar a cabeça" e "seguir em frente", mas, visto que não é a primeira vez que isto acontece, seria importante percebermos o que falhou para que esse erro não se repita. Mas eu sou uma mera adepta, nem sequer percebo por aí além de futebol, não posso fazer nada.

 

Ao menos as coisas começaram a correr melhor na reta final deste ano. Continuamos com os problemas de sempre, mas estes não representam um fardo tão grande. Não jogamos grande coisa (excetuando talvez contra a França) mas vamos ganhando os jogos - quer à Arménia, quer à Argentina - conquistando três pontos de cada vez, descomplicando a Qualificação. A fazer o melhor possível com aquilo que temos, tal como eu desejava no início do Apuramento. Tal como escrevi antes, a curto prazo é suficiente. A médio/longo prazo precisaremos de mais. Mas eu acredito que chegaremos lá - à medida que a Seleção e Fernando Santos se forem habituando uns aos outros e também à medida que jogadores da excelente Seleção Sub-21 (como Raphael Guerreiro) se forem integrando entre os séniores.

 

O problema é que ainda ficam a faltar três meses para o próximo jogo da Turma das Quinas. É muito tempo, muitas semanas em que o Selecionador não tem oportunidade de treinar os jogadores ele mesmo. Muita coisa muda em quatro meses. Se para mim, mera adepta, é frustrante, para Fernando Santos sê-lo-á ainda mais - afinal de contas, esta é a vida dele.

 

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Felizmente, foi anunciada há pouco tempo uma solução para este problema: a Liga das Nações. Ainda não compreendi ao certo em que moldes funcionará esta competição, mas sei que servirá substituir os jogos particulares e para dar maior competitividade ao futebol de seleções. Parece-me uma ideia excelente (qualquer desculpa para termos mais jogos de seleções agradar-me-ia, de resto). Mas, se for bem feita, esta Liga das Nações poderá aumentar o interesse pelos jogos da Equipa de Todos Nós - diminuirão os choradinhos pela pausa no futebol de clubes. Por serem jogos de maior grau de dificuldade e por oferecerem mais oportunidades de contacto entre selecionador e jogadores, a qualidade do futebol de seleções aumentará. E em princícpio não voltaremos a estar quatro meses sem Equipa das Quinas. Toda a gente fica a ganhar.

 

Mas isto só acontecerá daqui a quatro anos. Para já temos 2015. Como sempre, os anos ímpares são menos apelativos para mim por não haver Euro nem Mundial. O meu desejo é que, já que 2014 se pareceu um pouco com 2010, que o próximo ano se pareça com 2011: sem grandes dramas relacionados com a Seleção, só alegrias. Já tivémos drama que chegue nos últimos anos. Que a Seleção continue a crescer e não torne a escorregar no Apuramento. A ver se é desta que nos Qualificamos sem recorrer a play-offs, só para variar. Se isso acontecer, se continuarmos a melhorar, talvez possamos ter uma palavra a dizer durante o Euro 2016. Há muita gente céptica por aí, mas eu tenho fé de que continuaremos a crescer, de que a Seleção ainda tem muito para dar nos próximos anos e não será apenas por termos o Melhor do Mundo, embora isso ajude e muito. 

 

Uma das coisas que, conforme afirmei no início deste texto, vai sofrendo muitas alterações mas que, no fundo, continua na mesma é a minha atitude para com a Seleção. Houve alturas este ano em que quis desistir, deixar de me ralar com as aventuras e desventuras da Turma das Quinas... ou assim pensei. Por muito que fosse dizendo no blogue e página e a mim mesma que já não queria saber - ou pelo menos não tanto como noutras alturas - vinha a Convocatória seguinte, o jogo seguinte, ouvia o hino, às vezes o relato de Nuno Matos, e pronto; sentia-me entusiasmada de novo como se os únicos fracassos não tivessem acontecido. Conforme fui repetindo aqui no blogue e na página, há poucas coisas que me entusiasmem assim. Muito poucas. 

 

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No outro dia, comentava a brincar com a minha irmãzinha sportinguista que o seu adorado clube era como um mau namorado, que não retribui o afeto que lhe é dedicado. Ela respondeu-me que os clubes e respetivos jogadores não são como namorados, são como filhos: não gostamos deles por serem bons, gostamos deles por serem nossos. Isto não difere muito daquilo que escrevi após o Mundial: os jogadores da Seleção são de certa forma da minha família (não digo meus filhos, que vários deles são mais velhos do que eu!): acompanho-os, vejo-os crescer, irrito-me com as asneiras deles, orgulho-me dos seus feitos. E isso não mudará em 2015. 

 

Desejo assim um 2015 muito positivo para o futebol português, para os jogadores portugueses e para a Seleção. E deixo aqui os meus votos de um Feliz Natal a todos os meus leitores, na companhia daqueles de quem mais gostam, e de que tudo vos corra de feição no ano que vem. Termino com um brindezinho de Natal...

 

 

Portugal 1 Arménia 0 - A saca-rolhas

 

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Na passada sexta-feira, dia 14 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu, no Estádio do Algarve, a sua congénere arménia, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato Europeu da modalidade. Este encontro terminou, à semelhança do anterior, com uma vitória pela margem mínima, cortesia do inevitável Cristiano Ronaldo. 

 

Só consegui acompanhar os primeiros vinte, trinta minutos do jogo via rádio visto que eu, os meus pais e a minha irmã formos de fim de semana e, àquela hora, ainda estávamos na estrada. Tínhamos o GPS ligado e, para nossa exasperação, a voz feminina conseguia falar sempre na altura crítica dos ataques portugueses - que, nos primeiros minutos de jogo, foram frequentes.

 

Felizmente, não tardámos a encontrar um restaurante, onde pudémos ver através de um ecrã os portugueses dominando, mas sem brilho, num jogo extremamente pastoso. Sabíamos de antemão que seria assim, que seria necessário termos paciência. Contudo, tal não atenuava a nossa frustração quando os nossos passes falhavam, os arménios recuperavam a bola, os remates saíam ao lado ou (como já é costume) iam ao poste. Por exemplo, eu até estava feliz por Hélder Postiga ser titular mas ele, coitado, não dava uma para a caixa. E não me venham dizer que o Éder, que o substituiu aos cinquenta e seis minutos, é melhor. Ele já participou em quinze jogos e, até agora, nada. Na sexta-feira, então, voltou a falhar uma, como diz a minha avó, de caracacá.

 

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Queria chamar a atenção para um dos caloiros desta jornada, Raphäel Guerreiro, que teve uma excelente estreia a titular. Ele que tem cara de miúdo, a quem chamavam "o menino" no relato da rádio. É bom saber que temos alternativa a Fábio Coentrão, que estas são melhores que Eliseu.

 

Quando Fernando Santos, finalmente, pôs Ricardo Quaresma a jogar, já eu e a minha irmã tínhamos passado os últimos dez minutos a resmungar "Mete o Quaresma! Mete o Quaresma!". E ficou provado que tínhamos razão pois, mais uma vez, foi ele quem, combinado com Ronaldo (desta feita, Nani deu uma mãozinha), quem lançou as bases para se desatar aquele nó. Está mais que provado que o Quaresma é o novo Varela, é o novo Salvador da Pátria. O selecionador da Armémia disse que foi um golo "estúpido". Eu digo que estúpidos seríamos nós se desperdiçássemos mais aquela.

 

Um aparte só para apreciarmos o quão tristes foram as queixas do selecionador arménio. Confusões nas marcações de campos para treinos e motoristas com fraco sentido de orientação (os autocarros não têm GPS?) são coisas que acontecem. E, tanto quanto me lembro, são a primeira seleção visitante a fazerem queixas como estas. Agora, usarem isso para justificar a derrota é pura e simplesmente patético. Um exemplo perfeito do ditado "Eu sei dançar, o chão da sala é que está torto". E os arménios até demonstraram saber dançar, à sua maneira.

 

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Não ocorreu assim mais nada de muito relevante até ao fim do jogo, tirando a já referida falha de Éder. Foi uma vitória tirada a saca-rolhas de um jogo pastoso, mediano, mas foi uma vitória. Foram três pontos. Não estamos em primeiro, mas estamos em segundo, com um jogo a menos que os dinamarqueses. Não é mau. É estranho chegarmos aproximadamente a esta altura e não termos de pegar numa calculadora. Continuamos com as dificuldades que já se tornaram mais ou menos crónicas na Seleção - fazemos exibições medianas, só o Ronaldo parece capaz de marcar, o cliché da renovação... - mas eu tenho esperança de que melhoraremos com o tempo. Tal como grão a grão enche a galinha o papo, vitória resvés a vitória resvés iremos reconstruindo a Seleção. Tal como vão dizendo várias vozes na Federação, o que é preciso é paciência.

 

Eu não me importo de alinhar nisso desde que, daqui a uns anos, a FPF me pague os medicamentos para o coração. É que começam a ser muitos anos....

 

Não esquecer que hoje temos jogo com a Argentina.