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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Os Silvas e os perdidos e achados

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Na passada quinta-feira, dia 11 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere placa por três bolas contra duas, em jogo a contar para a fase de grupos da Liga das Nações. Três dias depois, no domingo, a Seleção venceu a sua congénere escocesa por três bolas contra uma, em jogo de carácter particular. Com o resultado do primeiro jogo, Portugal fica a um ponto apenas do Apuramento para a Liga das Nações.

 

O início do jogo com a Polónia fez-me lembrar o do Euro 2016, no sentido em que os polacos entraram por cima no jogo, acabando por abrir o marcador. Desta feita demoraram mais – aos dezoito minutos, na sequência de um canto em que a defesa portuguesa não ficou muito bem na fotografia.

  

Um aparte: o autor do golo foi Piatek, mas o meu cérebro insistia em ouvir Triatec. Enfim, parvoíces de uma farmacêutica…

 

Portugal reagiu muito bem ao golo. Tomou as rédeas da partida, levando a cabo várias jogadas vistosas na segunda metade da primeira parte – incluindo um golo anulado a Rafa. Permanece o problema da finalização: muitos têm comentado que, com Ronaldo, a Seleção era mais concreta e eficaz. Mas eu acho que isso resolve-se com o tempo.

 

Até porque Portugal não demorou muito a chegar ao empate. Foi aos 31 minutos, fruto de uma bela jogada coletiva, em que a bola passou por Bernardo Silva e João Cancelo, até Pizzi centrar para André Silva, que rematou para as redes.

 

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Portugal conseguiu ir para o intervalo em vantagem. Ninguém se tem calado com o passe de Rúben Neves para Rafa Silva e não é para menos: a bola atravessou o comprimento equivalente a um meio-campo, encontrando Rafa desmarcado. Este consegue ultrapassar o guarda-redes polaco e só não assinou o golo oficialmente porque Glik, o defesa, cortou para a própria baliza.

 

Enfim. Para mim o golo é de Rafa.

 

Tem piada porque não era suposto Rafa estar em campo. Ou mesmo na Polónia. Rafa só fora Convocado à última hora, para substituir o lesionado Gonçalo Guedes e só foi titular porque Bruma estava indisposto.

 

O mais caricato no meio disto tudo (no melhor sentido)? Não digo que isso acontecesse com Guedes, mas tenho a certeza que, se Bruma tivesse sido titular, conforme o previsto, ele também teria brilhado. Talvez também tivesse marcado  – e acabaria por fazê-lo no jogo seguinte.

 

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Mas estou a adiantar-me.

 

O ímpeto português continuou na segunda parte – culminando com mais um golo, desta feita de Bernardo Silva. O miúdo é baixinho, sobretudo quando comparado com os gigantes polacos, mas ele conseguiu dar baile a cinco deles e rematar de fora para as redes. Ele é um espetáculo! Não admira que Pep Guardiola ande caidinho por ele (e o Deco também).

 

Infelizmente, Portugal deixou-se adormecer à sombra da vantagem de dois golos. Compreensível, mas desnecessário. A Polónia aproveitou e acabou por chegar ao golo – Blaszczykowski rematou de primeira após um mau alívio de Pepe.

 

Na verdade, o golo nem sequer devia ter sido validado, pois, no início da jogada, Bereszynski deixou a bola sair pela linha lateral durante um instante. O mais estranho disto tudo é que, segundo esta imagem, o árbitro assistente viu o que aconteceu e não fez nada.

 

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Não vou insistir muito nisto, pois acabámos por ganhar o jogo à mesma, mas espero que nada deste género se volte a repetir.

 

Por sinal, o autor deste golo foi o mesmo jogador que bateu o penálti que Rui Patrício defendeu, no jogo de 2016 – um nome como Blaszczykowski fica na memória. Conseguiu redimir-se, dois anos depois.

 

Felizmente, Portugal não deixou a Polónia ganhar ímpeto com este golo – pelo contrário, voltámos a mandar na partida, sobretudo com as entradas de Danilo Pereira e Renato Sanches. Este último esteve, até, perto de repetir o protagonismo do jogo de 2016 – com duas oportunidades, aos oitenta e quatro minutos e aos noventa. Por sua vez, também Bruno Fernandes desperdiçou uma flagrante, já em tempo de compensação.

 

É uma pena não termos terminado o jogo com um resultado mais dilatado, mas deu para segurar os três pontos. Agora basta-nos um empate para garantirmos um lugar na final four. Podíamos já estar Qualificados, descansadinhos, se no Polónia-Itália os italianos não tivessem decidido marcar no tempo de compensação, depois de noventa minutos sem golos. Foi só para nos chatear…

 

Por outro lado, também seria um bocadinho seca ter dois jogos em novembro só para cumprir calendário. Se tudo correr bem, um deles – o segundo, frente à Polónia – sê-lo-á.

 

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Não estava com grandes expectativas para o particular com a Escócia. Primeiro, era um particular. Sgundo, íamos começar com um onze radicalmente diferente – só Rúben Dias se mantinha em relação ao jogo anterior.

 

E de facto Portugal não entrou bem no jogo. A equipa parecia desarticulada, mal conseguindo tocar na bola durante os primeiros minutos. Não que a Escócia tenha conseguido aproveitar. De maneira caricata, a sua melhor oportunidade foi um quase auto-golo: Sérgio Oliveira desviou mal de cabeça e Beto teve de se esmerar.

 

Tirando esse momento, a primeira parte foi uma seca. Só para o fim é que a Seleção começou a dar um ar de sua graça. Bruma teve um par de oportunidades, mas acabou por ser o absoluto estreante Hélder Costa a fazer o golo, em cima do intervalo, após assistência de Kevin Rodrigues.

 

A segunda parte foi melhorzita, se bem que não exatamente interessante. Portugal manteve-se por cima, sobretudo com a entrada de Renato Sanches. O miúdo está finalmente a provar o seu talento outra vez e eu não podia estar mais satisfeita. Ele andou perdido durante demasiado tempo.

 

Foi, aliás, dos pés de Renato que começou a jogada do segundo golo, em cima dos setenta e cinco minutos. O jovem foi chamado a bater um livre direto, a bola encontrou a cabeça de Éder, que a desviou para as redes.

 

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Este foi o primeiro golo do ponta-de-lança desde a lendária final de Paris, há mais de dois anos. Naturalmente, toda a gente ficou feliz. Éder não teve muitas oportunidades de repetir a façanha desde o Europeu – se tivesse jogado mais vezes, poderia ter marcado antes.

 

Há quem diga, já, que ele devia ter sido Convocado antes, sobretudo para o Mundial. Não que discorde… mas também não vou dizer que não compreenda as escolhas de Fernando Santos. Por muito gratos que estejamos todos a Éder, muitos parecem ter-se esquecido que ele é um jogador de altos e baixos. Em contraste, André Silva tem assinado, de forma consistente, uma data de golos pelas Quinas. Em quem é que vocês apostariam?

 

Em todo o caso, é sempre um prazer ter Éder na Seleção, sobretudo a marcar golos. Não apenas por ter marcado o golo mais importante da História do futebol português, mas também pelo seu amor à camisola – mais velho que a final de Paris. De que outra maneira se explica ele ter aguentado tanta crítica, muitas vezes injusta, da massa adepta durante tempo suficiente para marcar aquele golo?

 

Regressando ao jogo com a Escócia, o terceiro golo foi assinado por Bruma – um belo remate após ter fugido a pelo menos três escoceses. O jovem, finalmente, junta o seu nome à lista de marcadores pelas Quinas, depois de ter passado um par de jogos ameaçando. Este é outro que andou desorientado durante uns anos e que parece ter encontrado o caminho certo.

 

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Agora que penso nisso, este foi o jogo dos perdidos e achados. Cada um dos protagonistas (tirando Kevin Rodrigues, tanto quanto sei) têm tido carreiras atribuladas, de uma maneira ou de outra. No entanto, conseguiram orientar-se e, agora, dão o seu contributo para as Quinas.

 

Os escoceses ainda conseguiram o golo de honra antes do final, num lance em que a defesa portuguesa ficou mal na fotografia, devo dizer.

 

E foi isto. Dadas as circunstâncias, não se podia exigir muito mais da parte de Portugal, neste jogo. Para ser sincera, foi melhor do que estava à espera – eu teria apostado num 1-0 ou 2-0.

 

Este jogo serviu para provar que temos segundas linhas, mesmo que não joguem tão bonito como os habituais titulares. Acho que já o disse antes, mas isto, comparado com a situação há cinco ou seis anos, são vacas gordas. Bem diz o povo, não há fome que não dê em fartura.

 

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E não é por acaso, é fruto de vários anos de trabalho por parte da Federação – e não é a primeira vez que o digo.

 

Na verdade, a “moral da história” é mais ou menos a mesma que a dos jogos do mês passado: estamos bem, a começar um capítulo novo. Estamos a entrar no futuro.

 

Nesse aspeto, a Liga das Nações tem dado jeito para fazer essa transição. São jogos oficiais mas, aos olhos de muitos, não serão tão “importantes” como, por exemplo, um Apuramento para um Europeu ou Mundial, a pressão não é a mesma. No entanto, são jogos bem mais competitivos e exigentes que os habituais particulares. E, de qualquer forma, como fomos parar a um grupo pequenino, de apenas três equipas, conseguimos encaixar dois particulares para fazer outras experiências.

 

Confesso que me é um bocadinho estranho pensar que, daqui a um mês, estaremos já a encerrar a fase de grupos desta competição. É uma rotina nova de seleções, ainda estou a habituar-me. A melhor parte, de longe, é podermos vir a participar numa fase final num ano ímpar – outra vez. Melhor ainda, podermos vir a fazê-lo no nosso próprio país!

 

…mas estou a adiantar-me. Ainda nos falta um ponto. Esperemos até que os lugares na final four estejam confirmados antes de fazermos planos para junho. Até lá…

Os que cá estão

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Na próxima quinta-feira, dia 11 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará a sua congénere placa, em jogo a contar para a fase de grupos da Liga das Nações. Três dias mais tarde, defrontará a sua congénere escocesa, em jogo de carácter particular.

 

Desta vez, a Convocatória para esta dupla jornada não difere muito em relação à anterior. Entre as poucas novidades, inclui-se o regresso de Éder, o que é sempre bom, claro. A sua Chamada não surpreende: consta que ele anda a atravessar um bom momento no Lokomotiv de Moscovo. Ainda no outro dia, marcou um golo que me deixou de queixo caído – golo esse que anulou uma desvantagem aos oitenta e sete minutos, relançando a partida. O clube de Moscovo acabaria por vencer.

 

O Éder tem uma queda para momentos heroicos, dá para ver.

 

Por seu lado, Hélder Costa é a novidade absoluta. Não sabia muito sobre ele antes desta Convocatória. Segundo o que li, Hélder foi formado no Benfica, andou de um lado para o outro em empréstimos até, finalmente, encontrar o seu lugar no Wolverhampton – consta que foram os adeptos a pressionar o clube para contratá-lo, após ter passado lá uma época. Talvez Hélder já pudesse ter vindo à Seleção antes, mas mais vale tarde do que nunca.

 

Vamos ter de falar sobre Cristiano Ronaldo pois este, mais uma vez, excluiu-se voluntariamente da Convocatória. Já se sabe, aliás, que ele não regressa à Seleção este ano. Desta feita, ninguém se deu ao trabalho de dar uma desculpa – Fernando Santos disse apenas que foi combinado entre ele, Ronaldo e o presidente da Federação.

 

Para ser sincera, não estou para me chatear mais com este assunto. Ronaldo já deve estar com um pé e meio de fora da Turma das Quinas, não vale a pena contar com ele. Portugal saiu-se bem sem o madeirense na última dupla jornada, há de sair-se bem nesta. Só fazem falta os que cá estão.

 

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Além disso, aqui entre nós, à luz dos últimos acontecimentos, estou aliviada por não termos de trazer o assunto para a concentração da Equipa de Todos Nós. Não me vou pronunciar sobre o caso, pelo menos não por agora – outros já se pronunciaram melhor.

 

Vamos, então, voltar a ver os nossos amigos polacos, depois dos oitavos-de-final do Euro 2016. Se em se recordam, não foi um jogo brilhante, mas teve bons momentos. Como o golo do Renato Sanches e, claro, o famoso “Tu bates bem!”.

 

É assim que recordo os jogos desse Europeu, tirando a final e os dois primeiros, de resto: longe de brilhantes, não figurarão em nenhuma lista de top 10, estilo a minha, mas tornaram-se especiais por nos terem levado à final e por momentos como os que referi acima.

 

Há que recordar que o historial português perante a Polónia não joga a nosso favor. Só ganhámos metade dos jogos (isto é, se considerarmos o jogo do Europeu, decidido nos penáltis, uma vitória). O Mundial não correu bem aos polacos – ficaram em último no seu grupo e trocaram de selecionador após a competição – mas empataram com a Itália. Esta Polónia estará ao nosso alcance, na minha opinião, mas como o costume não convém facilitar.

 

No domingo, teremos um jogo de preparação com a Escócia. Graças a Deus, um jogo da Seleção ao fim de semana! Por uma vez, vou poder ver ambos os jogos de uma dupla jornada, sem o meu trabalho a atrapalhar.

 

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O historial perante os escoceses é ainda menos favorável que perante os polacos. No entanto, o último jogo foi em 2002, também um particular. Ganhámos com dois golos de Pedro Pauleta.

 

A única coisa de que me recordo desse jogo é de estar a chover a potes e de ver os jogadores escorregando e deslizando pelo campo fora. Parecia o Slide & Splash. Durante muito tempo, assumi que esse jogo tinha decorrido na Escócia – toda a gente sabe como é o tempo no Reino Unido – mas pelos vistos não. Foi em Braga.

 

Desta feita, o jogo será mesmo na Escócia. Talvez também chova – em Portugal deverá chover, de acordo com as previsões. Como o habitual neste tipo de encontros, o resultado será o menos relevante. A Turma das Quinas está numa fase de transição. Jogos como este dão jeito para criar rotinas, sobretudo entre os mais jovens, dar-lhes oportunidades de mostrarem o seu valor – mesmo que sejam fraquinhos em termos de entretenimento.

 

Não há muito mais a dizer sobre estes jogos, na verdade. Confesso que pus a hipótese de não escrever esta crónica. Continuo desmotivada para o futebol e o que anda a acontecer com Ronaldo não ajuda. Tenho andado, além disso, a atravessar uma fase menos boa, irritada com quase tudo, sobretudo comigo mesma.

 

Decidi escrever este texto pelos Marmanjos. Por aqueles que tão bem nos representaram na última dupla jornada – sobretudo perante a Itália, comigo nas bancadas. Por aqueles que estão de volta agora para fazer o mesmo. Por aqueles não inventam desculpas, que não viram as costas, mesmo que sejam só particulares ou provas de menor interesse, como esta Liga das Nações. Por aqueles que estão a construir o futuro da Equipa de Todos Nós, uma geração que quer dar-nos tantas alegrias como a anterior, ou ainda mais.

 

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Estes Marmanjos, os que cá estão, merecem este esforço da minha parte (que não é assim tão grande, admito. A parte mais difícil para mim é mesmo arranjar motivação para começar). Estes Marmanjos merecem isto e muito mais.

 

Esta não é a primeira e não vai ser, de certeza, a última vez que usarei a Seleção como consolo, de resto. Vou tentar deixar as minhas neuroses de lado e concentrar-me na Equipa de Todos Nós, ao longo do que resta da semana. Se quiserem ajudar-me com isso, podem fazê-lo através da página de Facebook deste blogue, aqui.

Seleção 2016

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Não, não é gralha: isto é mesmo a revisão de 2016… a meio de janeiro de 2018. Conforme poderão ler aqui, há um ano tentei escrever o meu balanço de fim de ano habitual, recordando tudo o que tinha acontecido com a Seleção em 2016. Só que o texto atrasou-se, enrolou-se, e acabei por desistir. Continuo sem me arrepender da decisão. Mas isso não significava que 2016 não merecia um texto a ele dedicado.

 

Eis-me aqui, portanto, fazendo uma segunda tentativa na revisão de 2016, mais de um ano mais tarde. Eu queria, aliás, ter publicado este texto mais perto do início do ano, mas não consegui. Não foi por motivos fúteis – pelo contrário, foram quase de vida ou de morte. Mas mais vale tarde do que nunca.

 

Vamos fazer isto de uma maneira diferente, no entanto. Em vez de recordarmos tudo exaustivamente, por ordem cronológica, vamos apenas falar do melhor e do pior deste ano. No caso de 2016 e de 2017, não há assim tanto sobre que escrever n’“O pior”, logo, parece-me um bom sítio por onde começar.

 

Assim, sem mais delongas…

 

O pior

 

  • A fase de grupos do Europeu

 

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Ninguém adivinharia o final da nossa campanha no Euro 2016 com base, apenas, no nosso desempenho na fase de grupos. Com adversários bem menos prestigiados e experientes, ninguém estava à espera que Portugal sentisse tantas dificuldades. De uma maneira muito típica nossa, fomos nós mesmos a criar essas dificuldades, mais do que os nossos adversários.

 

Recordemos os jogos individualmente. Os portugueses entraram um pouco nervosos no jogo com a Islândia, mas acabaram por crescer e Nani marcou aos trinta e um minutos. No entanto, o segundo golo, que consolidaria a vantagem no marcador, nunca veio. A Islândia empatou ao início da segunda parte e Portugal não conseguiu regressar à vantagem. Foi um daqueles jogos típicos, em que a Seleção domina em todos os aspetos e mais alguns… exceto no número de golos marcados.

 

Ainda hoje muitos criticam o estilo de Fernando Santos, de empates ou vitórias pela margem mínima, com exibições pouco empolgantes. Eu no entanto, ainda que também não seja grande fã (e esteja aliviada por, hoje, termos um ataque mais acutilante), prefiro esse estilo a vitórias morais.

 

Em retrospetiva, as polémicas críticas de Cristiano Ronaldo ao jogo islandês são irónicas: porque são, essencialmente, as mesmas que fariam a Portugal mais à frente, no campeonato. E também porque seria um golo da Islândia a enviar-nos para um percurso mais “fácil” até à final de Paris. Cristiano Ronaldo faria muitas coisas boas neste campeonato – e nem todas seriam golos ou assistências – mas este foi um momento infeliz.

 

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Estou convencida, por outro lado, que foi neste jogo que nasceu a Islândia equipa-sensação do Euro 2016, que expulsaria a Inglaterra do campeonato. Ou pelo menos contribuído para essa Islândia – recordar que eles, antes, já tinham ultrapassado a Holanda na Qualificação para este Europeu.

 

jogo com a Áustria foi ainda pior, o ponto mais baixo de 2016. Portugal jogou melhor, mas voltou a não conseguir traduzir a sua superioridade em golos. Foram vinte e cinco os remates falhados, incluindo um penálti de Cristiano Ronaldo. As críticas choviam fora e dentro de Portugal, não sem razão: aquilo estava a ser patético. Eu sentia-me particularmente desanimada.

 

Foram nestas circunstâncias que Fernando Santos proferiu as, hoje lendárias, palavras: “Eu já disse à minha família que só vou dia 11 para Portugal. (...) E vou lá e vou ser recebido em festa.”

 

Hoje adoramos estas palavras – eu acho mesmo que ficarão gravadas na lápide dele – mas na altura, eu lembro-me, ninguém achou piada. Ninguém podia vê-lo à frente. Eu não ia a esse extremo, mas também não tinha argumentos para defendê-lo. Eram palavras muito bonitas e tal, éramos onze milhões em campo, mas nada daquilo estava a ser colocado em prática.

 

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Cristiano Ronaldo também responderia às críticas, de uma maneira… curiosa. Foi na manhã do jogo com a Hungria, durante o passeio da praxe, antes dos jogos. Depois de dias e dias de dedos apontados, a tampa saltou-lhe. Ou melhor, saltou o microfone do jornalista da CMTV que teve a infeliz ideia de tentar arrancar umas palavras ao Capitão.

 

Lembro-me perfeitamente de me ter fartado de rir depois de ver as imagens pela primeira vez. Ainda hoje, mais de ano e meio depois, acho hilariante. Quando contar aos meus filhos e netos acerca deste Europeu, este momento não vai ficar de fora. E vou garantir-lhes que o CM mereceu.

 

O jogo com a Hungria foi igualmente caricato. O próprio Fernando Santos admitiu que, se houve jogo em que a Seleção jogou mal, “à parva”, foi neste. Por três vezes a Hungria esteve à frente no marcador e Portugal com um pé de fora do Europeu. Duas dessas ocasiões deveram-se a livres marcados no mesmo sítio, por faltas do mesmo Marmanjo: Ricardo Carvalho. A nossa sorte – como em muitas outras ocasiões – foi termos Cristiano Ronaldo para repôr a igualdade.

 

Fernando Santos seria, mais tarde, muito criticado por ter colocado a equipa a defender, aparentemente satisfeito com o segundo lugar do grupo – que nos atiraria para o caminho mais difícil até à final.

 

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Teríamos conseguido chegar a Paris através dos “tubarões”? Eu gostaria de pensar que sim, mas não dá para ter a certeza. Seria mais difícil, sim, mas também Portugal mostrou sempre uma equipa difícil de vencer. Não seria de todo impossível.

 

De qualquer forma, a Islândia marcou à Áustria no último minuto, subindo ao segundo lugar. Nós ficámos em terceiro e não precisámos de nos preocupar com os tubarões – isto é, até encontrarmos um, na final.

 

O fraco desempenho no grupo acabou por não ter consequências de maior, a longo prazo. Mas não havia necessidade. A Equipa de Todos Nós já nos faz sofrer em demasia, já ajudava se pelo menos tentasse reduzir o sofrimento auto-infligido, como no grupo do Europeu.

 

Mas, depois destes anos todos, acho que é uma impossibilidade física a Seleção Portuguesa não se boicotar a si mesma. E já que falamos disso, passemos ao segundo item d’“O pior”.

 

 

  • A derrota perante a Suíça

 

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Esta foi a única derrota em jogos oficiais em todo 2016 e… bem, em todo o “mandato” de Fernando Santos, até agora. Tinham passado menos de dois meses desde a final de Paris. Ainda estávamos em celebração. Na semana anterior, a Seleção tinha sido homenageada no Salão Nobre da Câmara Municipal do Porto e realizado um particular com Gibraltar – que serviu para festejar o primeiro título com os adeptos, mais do que para outra coisa qualquer. Estávamos nas nuvens, eu incluída.

 

É claro que ia dar para o torto.

 

A Seleção Portuguesa nem sequer jogou assim tão mal, a entrada até foi boa. Bastaram menos de dez minutos de desconcentração (de “deslumbramento”, segundo Fernando Santos) para a coisa correr mal: os suíços marcaram dois golos quase de seguida, dos quais Portugal não conseguiu recuperar. Esses dez minutos infelizes ficaram colados a nós durante o resto da Qualficação, como uma âncora. Só nos livrámos deles mais de um ano mais tarde.

 

Na altura foi um valente balde de água fria mas agora, em retrospetiva, não acho que tenha sido uma coisa assim tão má. Os adversários deste grupo de Qualificação estavam longe de ser estimulantes. Ao ficarmos obrigados a ganhar todos os jogos depois do primeiro, demos uma dose saudável de adrenalina a este Apuramento (ainda que este se tenha tornado repetitivo, ao fim de algum tempo). Além de que, conhecendo o historial da Turma das Quinas, era possível que acabássemos por escorregar perante uma das seleções de menor prestígio – sobretudo se não tivéssemos, ainda descido à Terra, após o Euro 2016. A coisa podia ter ficado mais complicada do que chegou a ser.

 

Mesmo assim, foi uma oportunidade perdida para fazermos uma Qualificação imaculada. Enfim. Fica para a próxima.

 

O melhor

 

  • Preciso mesmo de dizer?

 

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Tirando a fase de grupos (e mesmo assim), o Euro 2016 e as semanas que se seguiram foram dos períodos mais felizes da minha vida nos últimos anos. Guardo imensas boas recordações dessa altura. A minha família toda festejando o golo de Ricardo Quaresma, no último minuto do jogo com a Croácia; escrevendo a minha análise a esse jogo uns dias depois, num café cheio de gente vendo o Espanha x Itália; indo buscar a minha irmã a uma conferência, depois do jogo com a Polónia, com um cachecol preso à janela do carro; descobrindo que jogaríamos contra o País de Gales durante um passeio à beira do Tejo; no carro com a minha irmã, na noite de 3 de julho, comentando:

 

– Já pensaste que, daqui a uma semana, podemos estar na final de Paris?

 

Lembro-me também de, depois das meias-finais, irmos tomar um copo com os meus tios (o meu tio fazia anos) e de ver pessoas festejando a presença na final; de passar os primeiros dias seguintes num estado de perpétua incredulidade; de passar de carro, no dia 9 de julho, perto do local onde esperámos o autocarro da Seleção, antes da final do Euro 2004; de recordar, nesse mesmo dia, que dez anos antes tinha ido receber a Seleção ao Jamor, depois do Mundial 2006.

 

Mas a melhor de todas foi a de 10 de julho, a que fez toda a diferença. Eu guardo boas recordações de quase todos os campeonatos de seleções que testemunhei. De uns mais do que outros mas, antes de 2016, todos acabavam da mesma forma: com a expulsão de Portugal desses campeonatos e comigo em baixo durante algumas semanas.

 

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Desta vez foi diferente.

 

Não é só da noite de 10 de julho que guardo boas recordações. O dia todo foi muito bem, tirando os primeiros 109 minutos da final – mais sobre isso adiante. Lembro-me de ver a minha crónica pré-final destacada no Sapo Blogs (um texto de que me orgulho muito) logo de manhã, para começar bem. De ter passado o dia ouvindo música relacionada com a Seleção (não apenas as das minhas antigas montagens de vídeos, mas também o Bamos Lá Cambada, cortesia do meu pai…), vendo mensagens de apoio vindas de todo o lado, nas redes sociais, de eu mesma partilhar várias na minha página.

 

Também me lembro de, mais perto da hora do jogo, ver notificações no meu telemóvel de notícias acerca das traças no Stade de France – aqueles pormenores aparentemente insignificantes, mas que ninguém esquece na hora de contar a história – e de dançar ao som de This One’s For You para sacudir os nervos.

 

E, claro, lembro-me do rescaldo do jogo: de quase chorar, no sofá da minha sala, quando Ronaldo levantou a Taça; de irmos buscar a minha irmã ao Marquês (ela fora ver o jogo para a Praça do Comércio com amigos), vendo toda a gente à nossa volta a festejar e o edifício da NOS com as cores de Portugal. Mas, mais do que tudo, lembro-me do abraço que eu e a minha irmã demos quando nos encontrámos pela primeira vez, já Campeãs Europeias.

 

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Mas falemos sobre o jogo em si. Os jogos anteriores neste Europeu foram pouco memoráveis, tirando um pormenor ou outro: toda a jogada que levou ao golo frente à Croácia, por exemplo, e o famoso “Anda bater! Anda bater!” de Cristiano Ronaldo a João Moutinho.

 

A final de Paris, por seu lado, foi uma epopeia.

 

Acho mesmo que teve traços cinemáticos, hollywoodescos. Ora vejam: de um lado, uma equipa gigante, experiente, arrogante, jogando em casa, apoiada por todos. Do outro lado, uma equipa em clara desvantagem, relativamente humilde, em quem quase ninguém acreditava. Os seus adversários dão a vitória por garantida, olham-nos de cima para baixo, até já preparam a festa.

 

Um espectador desinteressado, olhando de fora para tudo isto, diria logo que os franceses não teriam um final feliz. Mas nós, na altura, estávamos demasiado envolvidos com o jogo para vermos, como dizem os anglo-saxónicos, “the big picture”.

 

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Regressando à metáfora do filme, o líder da equipa menor é afastado do jogo cedo – Cristiano Ronaldo, que tem todas as características do típico herói-alfa, protagonista de Hollywood: forte, carismático, confiante. A maior arma dos chamados underdogs, a única segundo alguns.

  

De uma maneira paradoxal, longe de se dar por vencido, o restante elenco cerra os dentes, une-se e torna-se ainda mais forte. Mesmo o herói-alfa, impedindo de participar diretamente na ação, não deixa de contribuir, de dar força e inspirar os seus colegas.

 

No fim, o dia é salvo por quem menos se esperava, o underdog dos underdogs, o patinho feio: Éder.

 

A final de Paris tornou-se inesquecível, para mim, não apenas por nos ter dado o nosso primeiro título e pelo seu carácter cinemático, mas também pelos pormenores. Os pequenos grandes momentos que tornaram a noite ainda mais especial, mais épica, e que não vou deixar de fora quando contar a história aos meus filhos e netos: desde as traças, incluindo aquela que pousou no rosto de Ronaldo às lágrimas deste, no apito final, passando pelos cânticos ensurdecedores do público português, Éder prometendo a Fernando Santos que ia marcar, o Ronaldo promovido a treinador adjunto.

 

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E, claro, o golo que mudou todas as nossas vidas.

 

O documentário “10 de julho” incluiu muitos desses momentos, mas não todos: como a joelhada de Cédric nas costas de Payet (ele garantiu que não foi vingança, mas eu gosto de pensar que foi um bocadinho), o Quaresma com a cabeça de um francês debaixo do braço, Ronaldo descarregando a frustração na perna do Adrien, no banco.

 

Vocês sabem que eu esperei por aquela noite durante doze anos, em Askaban (porque é que eu nunca me lembro de fazer estas piadas na altura…?), desde o Euro 2004. Uma parte de mim sempre achou, sobretudo quando era mais nova, que as nossas vidas mudariam para sempre assim que a Seleção ganhasse um título. Outra parte de mim, mais racional, argumentava que talvez não fizesse uma diferença assim tão grande.

 

Hoje, um ano e meio depois, contudo, posso dizer que várias coisas mudaram com o primeiro título da Equipa de Todos Nós. Mudou a maneira como olhamos para nós mesmos, com menos vergonha e mais orgulho. Foi, na verdade, um dos vários aspetos que contribui para a maior visibilidade de Portugal lá por fora, nos últimos dois, três anos.

 

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Pessoalmente, como referi antes, foi um grande orgulho ver jogadores com quem cresci, que tenho acompanhado, acarinhado ao longo dos anos, mesmo quando outros os desvalorizam, finalmente consagrados, gravados na História do futebol português. Faz com que as mesquinhezes, polémicas e guerrinhas que pululam nas notícias desportivas pareçam tão insignificantes – porque sabemos que o futebol português é capaz de muito mais do que isso.

  

Se hoje reescrevesse a minha lista com os dez melhores jogos da Seleção, a final de Paris estaria em segundo lugar. O Portugal x Espanha continuaria no topo porque, conforme escrevi na altura, foi o jogo que fez de mim uma verdadeira adepta da Seleção. Se não fosse esse jogo, a final de Paris não teria tido o mesmo impacto.

 

Confesso que, durante o verão de 2016, cheguei a desejar que Portugal não jogasse mais – para que o ato mais recente da Equipa de Todos Nós fosse, para o resto da eternidade, a conquista do Europeu. Acho que essa sensação nunca chegou a desaparecer: poderá ter sido uma das causas do desgaste que senti com o blogue, no final de 2016, que me fez desistir da revisão desse ano. Talvez o meu subconsciente se tenha convencido que este blogue já tinha cumprido seu propósito: imortalizar a conquista do primeiro título da Seleção.

 

Já ultrapassei essa fase de desgaste, é certo. Mas ainda hoje, um ano e meio depois, tenho o texto da conquista do Europeu destacado na página de Facebook deste blogue.

  

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É uma coisa muito portuguesa, eu sei. Vivermos presos às glórias do passado, sejam elas os Descobrimentos ou o Euro 2016. Já Luiz de Camões rezava: “Do mal ficam as mágoas na lembrança/E do bem (se algum houve) as saudades”.

 

Não quero viver assim. Não quero acreditar que a conquista do Europeu foi o único final feliz a que tivemos direito. Quero muitos mais “10 de julho”s na minha vida. Não terão o mesmo impacto do primeiro, ninguém o nega. Mas agora que provámos o fruto, e vimos o quão saboroso ele é, porque não tentar saboreá-lo outra vez? Quem sabe… no Mundial 2018?

 

Não que queira ir já por aí. O Mundial será assunto para outra ocasião. Para já, fica o desejo de repetir o 10 de julho. E com isto termina a revisão de 2016.

 

Fiquem por aí para a revisão de 2017. Vou tentar não me demorar… muito.

A Batalha Final

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No próximo sábado, dia 7 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará a sua congénere andorrana, no Estádio Nacional de Andorra-a-Velha. Três dias mais tarde, receberá a sua congénere suíça no Estádio da Luz... e eu estarei lá! Estes dois jogos serão os últimos da Seleção Portuguesa na Qualificação para o Mundial 2018.

 

Fernando Santos apresentou uma Convocatória com várias novidades para esta dupla jornada. A que primeiro me chamou a atenção foi o regresso de Éder, após ter falhado a Taça das Confederações. Eu sabia que ele estava a dar-se bem no Lokomotiv de Moscovo – marcou um golo no fim de semana passado e ainda outro no fim de semana anterior – mas não estava à espera que ele regressasse já à Seleção.

 

É claro que não vou criticar a Chamada dele – ninguém com um bocadinho de coração vai fazê-lo. Não deverá roubar a titularidade a André Silva, obviamente, mas poderá ajudar a desbloquear uma situação complicada. Já resultou antes…

 

O facto de Éder estar a jogar na Rússia, no ano em que esta organiza o Mundial, de resto, tem alguma piada – depois de o mesmo ter acontecido há quase dois anos, quando ele se mudou para França antes do Euro 2016.

 

Terá contribuído para o que aconteceu na final? Não sei.

 

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Superstições à parte, por agora estou feliz por o Éder estar a jogar regularmente e a marcar golos, sem levar com vaias de franceses aziados. Se conseguir manter este ritmo, não deverá falhar o Mundial.

 

Menos consensual é o regresso de Renato Sanches. Como é do conhecimento geral, o Renato está a jogar no Swansea. A sua estreia não correu bem e os adeptos do clube não foram meigos. Desde essa altura, tanto quanto tem sido noticiado, Renato não tem feito nada de especial. Fernando Santos garante, no entanto, que ele e os restantes membros da equipa técnica viram “sinais positivos”.

 

Eu vou acreditar – até porque ainda alimento a esperança de voltar a ver o Renato do Euro 2016.

 

Nada a apontar à Chamada de Gonçalo Guedes, que está a sair-se muito bem no Valência.

 

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Por sua vez, Antunes foi Convocado no lugar de Fábio Coentrão, presumivelmente. A exclusão do lateral-esquerdo do Sporting também não foi consensual. Eu, no entanto, não posso dizer que tenha ficado surpreendida – não depois de Coentrão não ter conseguido aguentar meia hora em campo, frente à Hungria. Sendo esta uma jornada dupla muito desgastante, sobretudo na Andorra (conforme veremos a seguir),  também acho que não valia a pena arriscar.

 

E por sinal, como que a justificar esta exclusão, o Fábio lesionou-se durante o fim de semana, acabando por falhar o Clássico. Ou seja, mesmo que Coentrão tivesse sido Convocado, teria de ser substituído. Tudo isto é, por um lado, caricato. Por outro, é triste ver um jogador como ele, cheio de garra e talento, preso neste ciclo vicioso.

 

Na verdade, estou à espera que Raphael Guerreiro regresse à competição – ainda não recuperou da lesão contraída durante a Taça das Confederações. Até porque o Eliseu anda a jogar menos no Benfica. Espero que Antunes consiga dar conta do recado.

 

Por fim, dizer apenas que não compreendo porque é que o Manuel Fernandes não tem sido Convocado.

 

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Estamos, então, na reta final deste Apuramento, ainda no segundo lugar, a três pontos do primeiro. Há cerca de um ano, havia quem dissesse que a Suíça, por esta altura, teria perdido pontos. Era natural pensar assim – com o devido respeito para com os suíços, eles não são nenhuns tubarões, tipo Alemanha ou França (e nós também não).

 

Bem, enganaram-se. Em parte, porque equipas como as Ilhas Faroé ou a Letónia dificilmente roubam pontos a equipas de maior prestígio.  Mas sobretudo por mérito dos próprios suíços. Não consigo deixar de respeitá-los por estarem a fazer uma Qualificação imaculada – feito só igualado pela Alemanha.

 

Existe a possibilidade de os suíços perderem pontos perante a Hungria – sobretudo se os húngaros levarem para Basileia o… chamemos-lhe “espírito lutador” que demonstraram no nosso último jogo contra eles. Mas mesmo na melhor das hipóteses – isto é, Suíça perder contra a Hungria e Portugal ganhar à Andorra – vencermos a Suíça continua a ser a opção mais segura.

 

Não adianta, no entanto, pensar demasiado no jogo contra os suíços antes de vencermos Andorra.  Não foi por acaso que Fernando Santos comparou este jogo a uma meia-final – ninguém no seu juízo perfeito faz planos para a final antes de passar as meias.

 

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Já se sabe que não vai ser fácil. O relvado será artificial. Os andorranos conseguiram empatar em casa com os húngaros e perder por apenas 2-1 perante os suíços. A viagem para lá é complicada: a Federação consegui arranjar um avião da Força Aérea que voe diretamente para a Andorra mas, se o tempo estiver mau, terão de aterrar em Lérida e fazer o resto da viagem de autocarro.

 

Três horas de autocarro, uma parte delas através dos Pirinéus? Só de pensar nas curvas fico com náuseas. Façamos figas para que os Marmanjos não tenham de passar por isso.

 

Por outro lado, existe uma grande comunidade portuguesa em Andorra – conforme testemunhado há algumas semanas pelo Presidente Marcelo. Na altura disseram mesmo que ia haver um problema, pois o Estádio não tem espaço para os portugueses todos em Andorra.

 

É este género de problemas que a Seleção agradece.

 

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Mesmo tendo em conta tudo o que enumerei antes, a Turma das Quinas não tem desculpas. Para além de ir jogar quase em casa… é a Andorra! Pode criar-nos dificuldades, sim, mas não queiram comparar. Eles nem sequer têm hipóteses de se Qualificar, nesta altura. É certo que devemos sempre ter cuidado com um adversário que não tenha nada a perder, mas a nossa motivação terá de chegar para contornar esse problema. Tropeçar perante a Andorra não é aceitável. Somos Campeões Europeus ou não?

 

Pode ser, até, que estejamos a preocuparmo-nos demasiado e que, depois, as coisas corram melhor do que estávamos à espera. Tem sido um pouco a regra em vários jogos deste Apuramento. De qualquer forma, é mil vezes melhor que o oposto: subestimarmos o adversário e apanharmos surpresas desagradáveis. Não me importo de sofrer desnecessariamente, desde que ganhemos os três pontos.

 

Por outro lado, se algum dia vier a sofrer do coração por causa disso, posso arrepender-me...

 

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Existe outro aspeto a levar em conta neste jogo: os “amarelados”. Durante estas últimas semanas, tenho-me preocupado mais com Cristiano Ronaldo, por motivos óbvios – e também porque o seu amarelo foi mais recente. Mas estive a pesquisar e descobri que, para além dele, também Gelson Martins, Ricardo Quaresma, Cédric, André Gomes, Pepe e José Fonte viram o amarelo nesta Qualificação.

 

Não nos podemos dar ao luxo de perder nenhum destes Marmanjos – não antes de uma final, em que todas as armas fazem falta. Se fossem apenas dois ou três “amarelados”, Fernando Santos ainda poderia poupá-los (duvido que o fizesse, mesmo assim). Com sete, não dá.

 

É difícil de prever quais destes conseguirão escapar ao amarelo. O Cristiano Ronaldo, por exemplo, já tem idade para ter juízo mas, de vez em quando, tem atitudes de criancinha. A nossa sorte é que ele saiu há pouco tempo de um castigo de cinco jogos – por agora, estará vacinado.

 

Consta que o Cédric é um bocadinho arruaceiro, também. E o Pepe... bem, é o Pepe.

 

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Só nos resta fazer figas para que os Marmanjos se portem que nem meninos de coro e para que o árbitro não se ponha a implicar com eles.

 

Se tudo correr bem na Andorra, o jogo com a Suíça será, então, a Batalha Final deste Apuramento – a épica resolução de um conflito, de um braço-de-ferro, que dura há mais de um ano. Conforme disse acima, tenho imenso respeito pelos nossos amigos suíços, pelo que têm feito nesta Qualificação. Mas só há espaço para um de nós no primeiro lugar. Portugal vai dar luta.

 

O jogo terá lugar no Estádio da Luz, tal como vimos antes. Noutras circunstâncias, acho que teriam escolhido outro estádio – talvez o de Alvalade. No entanto, o saldo desse estádio, em termos de jogos da Seleção, não tem sido favorável – eu que o diga, que fui assistir a três dos quatro últimos jogos em Alvalade e estes incluíram uma derrota (era um particular, mas mesmo assim) e dois empates comprometedores.

 

O Estádio da Luz, por sua vez, tem um histórico recente bem mais favorável – incluindo jogos decisivos, como os playoffs de 2009, 2011 e 2013, todos eles com resultados positivos. Faz sentido que tenha sido escolhido como palco desta Batalha Final.

 

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À hora desta publicação, já foram vendidos pelo menos 55 mil bilhetes – o meu e o da minha irmã incluídos. Tal como tinha prometido antes, comprámos os bilhetes assim que nos foi possível. E – milagre! – vamos ficar abaixo do terceiro anel! Nós e outros 55 mil, pelo menos (pode ser que cheguemos aos 60 mil até lá), estaremos lá, armados até aos dentes com as cores portuguesas e faremos a nossa parte na Batalha Final.

 

Fernando Santos prometeu há mais de um mês que Portugal ganharia estes últimos jogos e que, no dia 10, lhe daria uma prenda de aniversário. Sendo este o homem que nos prometeu, ainda em 2015, que seríamos Campeões Europeus, eu tendo a acreditar nele – até porque, entretanto, já ganhámos dois desses jogos. Eu ajudarei no que puder, sobretudo no dia 10 (espero que possamos cantar os Parabéns ao Selecionador). Mas, como sempre, a maior parte está nas mãos (e nos pés) dos nossos Marmanjos. Não nos desiludam!

Hipocrisia

youonlyfailwhenyoustop.jpgNo próximo dia 3 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol receberá a sua congénere cipriota, no Estádio António Coimbra da Mota, no Estoril, em jogo de carácter particular. Seis dias depois, a Seleção desloca-se à Letónia, para um jogo da Qualificação para o Mundial 2018.

 

Fernando Santos divulgou os Convocados para estes jogos – bem como para a Taça das Confederações – na passada quinta-feira, dia 25. A lista não trouxe grandes surpresas, mas não deixou de causar alguma controvérsia. O principal motivo prende-se com a ausência de Éder, o herói da final do Europeu.

 

Ninguém pode negar que a polémica é cem por cento emocional – Éder marcou pouquíssimos golos esta época, no Lille. O próprio Fernando Santos, igual a si próprio (e ainda bem!), não deixou de assinalar a hipocrisia: “Quando ninguém acreditava no Éder, quem é que o levou? No último ano [em que o ponta-de-lança contava cinco ou seis golos marcados pelo Lille desde janeiro], nesta mesma sala, perguntavam-me porque é que eu o tinha Convocado...”

 

Dito isto, o Selecionador deixou bem claro que não deixou de confiar no Éder só porque o deixou de fora desta Convocatória.

 

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Ninguém fica feliz por o Éder ficar de fora da Taça das Confederações. Uma grande parte de mim pensa que isto é profundamente errado, quase uma blasfémia. É provável que Fernando Santos se sinta da mesma forma – sou capaz de apostar, até, que Éder só foi incluído em Convocatórias anteriores por este motivo, só porque o Selecionador não queria excluir o herói de Paris.

 

No entanto, isto é a Taça das Confederações. Não há espaço para sentimentalismos. Fernando Santos não ia deixar André Silva (que tem marcado regularmente pela Seleção nesta última época) para dar lugar a um jogador, cujo único argumento a favor é “marcou um golo importantíssimo no ano passado”. Custa-nos a todos – o próprio Fernando Santos admitiu-o – mas não há volta a dar.

 

Também tem sido comentada a ausência de Renato Sanches, mas essa é ainda menos inquestionável – com tanta boa opção para o meio-campo, não vamos ocupar um lugar com um jogador que, coitado, pouco mais tem feito do que aquecer o banco do Bayern de Munique. Isso tem, aliás, sido usado como argumento para os muitos detratores (vulgo, haters) do Renato (este artigo responde bem a essas críticas).

 

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Tenho uma certa pena por o jovem não vir à Taça das Confederações, depois do papel que teve na conquista do Europeu. Fico, no entanto, satisfeita por ele ter sido chamado por Rui Jorge para o Europeu de Su-21. Não lhe faltarão oportunidades para brilhar nesse campeonato.

 

Por fim, queria falar sobre os guarda-redes suplentes – terão sido a melhor escolha? Beto tem sido o suplente de Rui Patrício no Sporting e José Sá tem sido o suplente de Iker Casillas no F.C.Porto – ou seja, nenhum deles conta muitos jogos nas pernas. Nesse aspeto, Bruno Varela seria melhor escolha, na minha opinião.

 

Por outro lado, Beto já não é um novato no que toca à Turma das Quinas, bem pelo contrário. José Sá, por sua vez, foi um dos destaques da Seleção de Sub-21, no Europeu de 2015 – já podia ter vindo antes à equipa principal.

 

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Além disso, sejamos sinceros, nestes campeonatos é raro os guarda-redes jogarem – o Mundial 2014 foi a exceção. Eu mesmo podia ter sido Convocada como guarda-redes suplente de Rui Patrício e pouca diferença faria.

 

Exceto para mim, claro. Fazer parte da comitiva da Seleção num campeonato destes? É o sonho!

 

Desde que não me obrigassem a participar nos treinos. Eu mal conseguia sobreviver às aulas de Educação Física no ensino básico e secundário, imaginem-me num treino de futebol profissional…

 

Enfim, voltemos à realidade.

 

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Aquando da Divulgação dos Convocados, Fernando Santos disse que, para já, não quer falar sobre a Taça das Confederações. Neste momento, a prioridade é o jogo com a Letónia. Nós, aqui, já falámos sobre as Taça das Confederações no texto anterior, de qualquer forma. Hoje falamos sobre os outros jogos.

 

No sábado temos, então, o particular com o Chipre. Os nossos jogos mais recentes com os cipriotas ocorreram durante a Qualificação para o Euro 2012 – embora não tenha podido ver nenhum dos dois jogos. O nosso historial com o Chipre é francamente positivo. O pior resultado foi um empate a quatro golos, em setembro de 2010, em pleno caso Queiroz – outra altura excecional.

 

Já que falamos em alturas excecionais, gostava de referir que, ao longo deste último ano, tenho feito questão de reler textos antigos deste blogue, escritos aquando dos piores períodos da Seleção nestes últimos tempos – como o caso Queiroz e o Mundial 2010. Por vários motivos. Um deles é para apreciar o quão longe chegámos desde essas alturas. O Mundial 2014, por exemplo, foi há apenas três anos.

 

No entanto, o principal motivo pelo qual procuro recordar esses períodos é para não tomar a atual maré alta como garantida. Para me recordar do quão difícil foi chegar cá, as dificuldades que foi necessário.

 

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Eu, de resto, recomendava esse exercício a mais pessoas – os portugueses têm memória curta.

 

Regressemos ao presente. Queria chamar a atenção para um pormenor curioso: o particular com o Chipre realiza-se no mesmo dia que a final da Liga dos Campeões. Yep. Já não bastou ter tido um jogo de clubes e um de seleções no mesmo fim de semana, como no ano passado – agora vão ser no mesmo dia.

 

A sério. Quem é o responsável por estes calendários? Qual é a ideia deles?

 

O que vale é que os jogos são a horas diferentes (mas não me admirava se isso mudasse no próximo ano). O jogo com o Chipre começará às quatro da tarde – o que, aliás, não me dá muito jeito, pois não estarei em casa. Vou poder, no entanto, acompanhar o jogo pela rádio. Como não espero um jogo muito interessante, não me queixo.

 

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Outra consequência de o jogo coincidir com a final da Liga dos Campeões é a ausência de Pepe e Cristiano Ronaldo deste jogo, bem como dos primeiros dias de estágio da Seleção – já que o Real Madrid se apurou para esta final. Por esta altura, estas ausências dos madrilenos já fazem parte da rotina. Este ano temos, aliás, uma vantagem relativamente a 2014 e 2016 – segundo consta, Zidane terá conseguido convencer o Cristiano a poupar-se, de modo a não chegar demasiado desgastado ao fim de época.

 

Durante muitos anos guardei um certo ressentimento para com Zidane, por nos ter expulsado do Mundial 2006 com um penálti duvidoso e provar, com a cabeçada a Materazzi, que não merecia estar na final. Depois desta, no entanto, sou capaz de lhe perdoar tudo. O joelho esquerdo do Ronaldo já nos tirou anos de vida suficientes!

 

Como já vai sendo hábito, já que Pepe e Cristiano estão na final da Champions, todos desejamos que a vençam… outra vez. Para poderem juntar mais um título ao currículo, para que eles venham animados para o estágio da Seleção, motivados para os próximos desafios da Equipa de Todos Nós.

 

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O primeiro desses desafios é o jogo com a Letónia, no dia 9 de junho. A história tem sido sempre a mesma em todas as jornadas desta Qualificação: para continuarmos na luta pelo primeiro lugar, a vitória é a única opção. E, como os nossos rivais suíços vão jogar contra… as Ilhas Faroé, não me parece que seja desta que eles tropecem.

 

Portugal ganhou todos os jogos que disputou com a Letónia. No entanto, se bem se recordam, a Letónia fez-nos suar no jogo de novembro passado. Os letões estão ao nosso alcance, ninguém o questiona – desde que os portugueses estejam com a cabeça no lugar.

 

A Seleção tem estado a preparar estes jogos desde o início da semana. Tal como já aconteceu há um ano, antes do Euro 2016, esta primeira semana é mais leve, com os jogadores chegando à Cidade do Futebol em alturas diferentes e a regressarem a casa após os treinos. Tudo indica, no entanto, que a Seleção estará na máxima força quando for jogar contra a Letónia.

 

Estes dias são, de resto, apenas o início de várias semanas de Seleção. Se tudo correr bem, será um mês inteiro a partir de agora – até à final da Taça das Confederações, dia 2 de julho. Ainda não estou cem por cento em modo Seleção, mas hei de lá chegar muito em breve. De qualquer forma, todos desejamos o mesmo: que estas semanas terminem com mais um final feliz para a Equipa de Todos Nós.

 

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