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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Portugal 3 Suíça 1 – Deus Ex Machina

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Na passada quarta-feira, dia 5 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere suíça por três bolas contra uma, em jogo a contar para as meias-finais da Liga das Nações. Portugal garantiu assim a presença na final, onde irá jogar hoje com a Holanda.

 

Deus Nosso Senhor… ou melhor, Cristiano Ronaldo ouviu as minhas preces. Portugal vai à final! Não temos de ir a Guimarães. É um alívio.

 

Fernando Santos surpreendeu ao meter de início João Félix e Bruno Fernandes, bem como Rúben Neves e Nelson Semedo. Parecia mentira. Cheguei a pensar se Fernando Santos estaria a ceder à pressão de alguns comentadores e mesmo da opinião pública em geral. Em teoria, era uma boa ideia. Na prática, era a primeira vez que aqueles jogadores iam jogar na mesma equipa. Não havia garantias.

 

Tentei manter o otimismo mesmo assim. No entanto, a Suíça entrou por cima e em cima se manteve durante uma boa parte do jogo. De uma maneira geral, não achei que a exibição tivesse sido tão má como alguns a têm pintado. Mas, sim, esperava-se melhor tendo em conta as individualidades em campo.

 

Houveram muitas ocasiões em que os suíços fizeram o que quiseram perante a nossa defesa. Dá para ver um bom exemplo disso no resumo abaixo, logo a primeira jogada. Até dói. Valeu Rui Patrício. Os únicos motivos pelos quais, aliás, a Suíça não se adiantou no marcador foram precisamente intervenções à última hora e uma dose generosa de sorte.

 

 

Pelo meio, Ronaldo fez esta maldade.

 

Acabámos por ser nós a abrir o marcador. Não tenho a certeza de que a falta é legítima, mas o livre foi executado na perfeição. O guarda-redes nem se conseguiu mexer.

 

Mesmo em desvantagem, os suíços não tiraram o pé do acelerador. Seferovic, em particular, estava com ganas – teve várias oportunidades, incluindo uma em que rematou contra a trave.

 

Por outro lado, em cima do intervalo, João Félix conseguiu isolar-se em frente à baliza aberta mas o suíço tocou-lhe no ombro, Félix atrapalhou-se e rematou para as nuvens. Gritei tanto com o miúdo nesse lance…

 

O domínio da suíça manteve-se no início da segunda parte mas, mesmo assim, só conseguiram marcar de penálti, em circunstâncias confusas para toda a gente. O jogo parara para consulta no vídeo-árbitro após uma possível falta sobre Bernardo Silva para penálti. Eu distraí-me por um momento com o telemóvel e, quando dei por ela, tinha sido marcado um penálti contra nós, no lance anterior.

 

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Se eu fiquei confusa vendo o jogo em casa, imagino como se terão sentido as pessoas nas bancadas. Mas a verdade é que, no lance anterior, Nélson Semedo cometera falta para penálti, ou seja, tudo o que acontecera a seguir não era válido.

 

Confesso que tenho algumas dúvidas de que o penálti é legítimo – se aquilo é falta para penálti, o lance envolvendo João Félix, no final da primeira parte, também deveria ser – mas a verdade é que o nosso livre convertido a golo fora igualmente questionável. Só não percebo muito bem porque é que o VAR não parou a jogo logo a seguir à falta de Semedo. Acho que faz parte das regras do vídeo-árbitro, eles têm de deixar a jogada prosseguir, mas não entendo a lógica.

 

Ainda estamos todos em adaptação ao VAR.

 

Em todo o caso, Ricardo Rodriguez bateu o penálti. Rui Patrício adivinhou o lado – ou foi Ronaldo a segredar-lho ao ouvido, antes? – mas a bola passou-lhe por baixo do corpo. Estava feito o empate.

 

Os vinte minutos seguintes de jogo foram relativamente equilibrados. Portugal continuava sem conseguir criar grandes oportunidades. Nesta altura, a coisa parecia encaminhar-se para um prolongamento… o que eu não queria de todo. Seria mais meia hora nas pernas dos Marmanjos e poucos dias para recuperar para o jogo de domingo. Além disso, se tivéssemos de ir a penáltis, podia dar para os dois lados – e da última vez a coisa não deu para o nosso.

 

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É nessa altura que, do nada, Cristiano Ronaldo saca dois coelhos da cartola. No primeiro, Rúben Neves fez um daqueles passes típicos dele, de longa distância, Bernardo Silva recebe a bola já na grande área, assiste para Ronaldo, que não perdoa.

 

Poucos minutos mais tarde, Gonçalo Guedes isolou Ronaldo a meio do meio-campo suíço. Quando este chegou à grande área, Guedes ainda lhe pediu a bola. Ronaldo no entanto deve ter pensado algo do género “Esquece, puto, ainda tu usavas fraldas e eu já resolvia jogos”. Ele mesmo se desviou de um par de suíços e rematou certeiro para as redes.

 

E assim se mudou o curso de um jogo em o quê? Cinco minutos? É isto Cristiano Ronaldo: de um momento para o outro decide um jogo. Se isto fosse ficção, uma história, haveria quem acusasse o Capitão de ser um Deus Ex Machina: uma personagem, objeto ou evento que surge do nada, sem quaisquer indícios antes e altera por completo o curso da história – geralmente resolvendo as coisas a favor dos protagonistas.

 

Não foi isso que Ronaldo fez? Mudar o rumo da narrativa quando toda a gente pensava saber como a história ia acabar – ou pelo menos o que aconteceria a seguir?

 

 

Antes de partirmos sobre as reflexões gerais, uma nota para o público no Dragão: proporcionaram um ambiente fantástico que, acredito, contribuiu para a vitória. Consta que estiveram elementos de várias claques a dirigir os cânticos, à semelhança do que aconteceu durante o Euro 2016 (se as claques só servissem para isto…). Destaque para os cânticos de “CRIIIISTIANO RONAAALDO!!”, como no vídeo acima. Houve um momento em que deu para ver o Capitão incapaz de conter o sorriso perante todas aquelas vozes.

 

Mal posso esperar por fazer parte deste ambiente na final.

 

O jogo terminou, assim, com um resultado que, todos concordam, não reflete a diferença de qualidade entre as duas equipas. Nada disto é novo: um jogo em que o coletivo deixou a desejar, com uma exibição entre o fraquinho e o assim-assim, com o Capitão-papá a salvar o couro nacional.

 

Não acho que tenha sido Ronaldo-mais-dez – Rúben Neves, Bernardo Silva e Gonçalo Guedes foram importantes para o segundo e terceiro golos; Pepe, Rúben Dias e William tiveram os seus momentos. No entanto, mantém-se muitos dos problemas que já se tinham manifestado nos jogos da Qualificação. A diferença é que, desta vez, Ronaldo conseguiu resolver.

 

Na Conferência de Imprensa após o jogo, Fernando Santos justificou-se dizendo que tem tido pouquíssimo tempo para trabalhar com os jogadores. É uma “desculpa” já tem barbas em contexto de seleção, mas estará errada? Pelo que tenho lido e ouvido, muitos comentadores parecem saber exatamente como colocar estes talentos a uso. Não digo que estejam errados mas, na prática, será que eles, ou outros treinadores, conseguiriam melhores resultados?

 

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Também tem surgido a questão – não tanto entre os comentadores, mais entre os adeptos – de se Portugal joga melhor com Ronaldo ou sem ele. As exibições durante as fase de grupos da Liga das Nações sem o Capitão foram, de facto, melhorzinhas – o primeiro jogo com a Itália e com a Polónia, pelo menos. Mas, se me permitem simplificar demasiado a coisa e/ou falar de coisas que não entendo a cem por cento, será preferível termos uma equipa sem Ronaldo, com todas as individualidades mais jovens à vontade para mostrarem o que valem? Ou termos uma equipa montada em torno de Ronaldo, em que os mais jovens jogam pior, mas em que o Capitão pode fazer a sua cena e dar-nos vitórias? Não há nenhuma maneira de combinar as duas opções?

 

Enfim. Tudo isto são questões para médio/longo prazo. A curto prazo, temos uma final para disputar, hoje. A nossa terceira final europeia. A segunda final europeia em casa. É certo que não tem o prestígio de um Europeu, mas isso deve-se, em parte, ao facto de ser a primeira edição. E eu vou estar lá!

 

O nosso adversário será a Holanda. Conforme escrevi antes, eu teria apostado na Inglaterra – eles no entanto cometeram erros, em parte devido ao cansaço, que se revelaram fatais. Ainda assim, só vi o prolongamento, mas aqui garantem que a Holanda dominou em praticamente todos os aspetos estatísticos. Temos a nosso favor o histórico, o fator casa, um dia extra de descanso para nos, mais meia hora de jogo para eles. O que não é garantia de nada.

 

Em suma, não vai ser pêra doce. Ou melhor, não vai ser laranja doce.

 

A questão é agora saber se a qualidade exibicional que temos apresentado nos últimos jogos será suficiente perante esta Holanda. Não sei se será – teremos de jogar um bocadinho melhor.

 

Como o costume, vou procurar manter o otimismo apesar das minhas reservas. Afinal de contas, eu também achava que poderíamos não ter qualidade suficiente para vencer a última final em que participámos. Não será o fim do mundo se não conseguirmos ganhar. Mas não é todos os dias que temos a oportunidade de lutar por um título, muito menos em casa. Temos a obrigação de dar o nosso melhor – e acredito que é isso que os Maranjos farão. Por todos nós.

 

Continuem a acompanhar esta aventura na Liga das Nações quer aqui neste blogue quer na página do Facebook

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