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O Meu Clube É a Seleção!

Mulher de muitas paixões, a Seleção Nacional é uma delas.

Não me façam isto outra vez!

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No próximo sábado, dia 5 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebe a sua congénere croata, no Estádio do Dragão. Três dias depois, será recebida pela sua congénere sueca, em Solna. Ambos os jogos contarão para a fase de grupos da segunda edição da Liga das Nações. São também os primeiros encontros da Seleção em (*conta pelos dedos*) quase dez meses.

 

Dez meses. Dez meses sem jogos da Seleção. Quando era suposto ter decorrido o Euro 2020. 

 

O novo coronavírus arruinou a vida a todos nós, de diferentes maneiras. No que toca a mim, uma das várias coisas que contribuíram para a minha infelicidade foi a suspensão dos jogos da Equipa de Todos Nós, o adiamento do Europeu – o que não deverá surpreender quem leia este blogue. 

 

Em trinta anos de vida, não me lembro de alguma vez o futebol ter sido suspenso antes deste ano. A Seleção tem sido uma das minhas constantes desde os meus catorze anos. Tenho tido os meus altos e baixos, o país e o Mundo em geral têm tido os seus altos e baixos, a própria Equipa de Todos Nós tem tido os seus altos e baixos. Mas eu sabia que haveria sempre um jogo da Seleção daí a semanas ou, no máximo, alguns meses – fosse uma fase de Qualificação, um Europeu ou Mundial ou um mísero particular com os Luxemburgos desta vida. Eu teria um ou mais textos para escrever aqui no blogue (no que toca aos últimos onze anos). Tudo isto fazia parte das minhas rotinas. 

 

Até vir este ano, esta pandemia mil vezes maldita, romper com tudo isso. Logo quando estávamos prestes a ter os habituais particulares de março, quando já estávamos a menos de cem dias do Europeu. 

 

 

Para ser justa, se isto tivesse ocorrido há meia dúzia de anos, o hiato ter-me-ia custado mais. Aprendi a lidar melhor com as pausas entretanto. Mas esta mesmo assim doeu. Sobretudo quando veio junho, as datas iniciais da fase de grupos do Euro 2020.

 

Uma das maneiras que arranjámos para lidar com a falta de jogos da Seleção foi recordando jogos icónicos do passado. Sobretudo em junho e julho, época de Europeus e Mundiais, altura de aniversários da maior parte desses jogos.

 

Não nego que ajudou até certo ponto. É algo que tenho feito muitas vezes ao longo dos anos, desde que criei a página de Facebook deste blogue – as redes sociais sempre se prestaram muito a este tipo de coisas. E, devo dizer, havia semanas que não me ria tanto quanto me ri com a chamada de Zoom com parte dos finalistas do Euro 2016, no Canal 11 (aqueles Marmanjos deviam fazer uma sitcom). 

 

No entanto, a partir de certa altura, começava a deprimir-me um bocado. Um mau hábito que tive de aprender a contrariar nos últimos anos, que ainda estou a aprender a contrariar, é o de viver no passado, de abusar da nostalgia. O coronavírus fez-me recair – quando no presente não acontece nada que não seja Covid, não temos remédio senão olhar para trás.

 

Mas já não me chega. Não me chega viver de glórias passadas, muito à portuguesa. Quero formar novas memórias, escrever novas crónicas aqui no blogue. O golo do Eder emociona sempre, mesmo quando o revemos pela 567ª vez (ou vez número 567), mas um não me chega. Quero ir tendo mais golos do Eder ao longo dos anos, para escrever aqui no blogue, rever em dias tristes em jeito de consolo, falar sobre eles aos meus netos. Ou pelo menos quero oportunidades para termos mais golos do Eder. 

 

Seleção Nacional do Canal 11: os melhores momentos

Para rir do início ao fim 😂 Aqui tens os melhores momentos da Seleção Nacional no "Futebol Total"! #Canal11 #FutebolEmPortuguês

Publicado por Canal 11 em Quarta-feira, 15 de julho de 2020

 

Estive tentada a escrever sobre o cancelamento do Europeu e a pausa nos jogos da Seleção em geral mais ou menos na altura em que foi anunciada – talvez algum tempo depois. Cheguei a planear esse texto. 

 

No entanto, acabei por não querer escrevê-lo. Estava a saber-me bem abrir a página do Facebook e ver o texto sobre os equipamentos da Seleção fixo no topo (falamos outra vez sobre equipamentos já a seguir… tem de ser, não é?). Foi um texto que me diverti a escrever, quando o coronavírus era apenas uma vaga ameaça. Se o blogue tinha de ficar parado, ao menos que a última publicação fosse uma publicação feliz. Não um texto cheio de lamúrias – ainda que eu fosse deixar uma conclusão esperançosa.

 

Na verdade, cheguei a temer que não houvessem jogos da Seleção de todo este ano. Assim, quando soube que a fase de grupos da Liga das Nações não ia ser adiada fiquei contente. Mais, em outubro e novembro vamos ter jornadas triplas para compensar pelo longo hiato: os jogos oficiais da Liga e dois particulares, um com a Espanha, outro com a Andorra. Vai ser giro, em vários aspetos (nomeadamente por os nossos adversários serem todos tubarões, como comentaremos adiante), mas ainda não sei como vou gerir com o blogue.

 

O problema é que, pelo menos no que toca a estes dois primeiros jogos, vai ser tudo à porta fechada. Compreende-se, mas não temos de gostar. Parte-me o coração, aliás, pensar que os Marmanjos vão ter de cantar o hino perante estádios vazios (ando a pôr a hipótese de saltar essa parte, quando vir estes jogos na televisão); que, se a Seleção sofrer um golo, não terá público que puxe por eles, motivando-os para darem a volta ao marcador. Os meus meninos vão estar sozinhos. 

 

Pode ser que as medidas afrouxem um bocadinho nas jornadas seguintes. Pode ser que, nos jogos de outubro e novembro, já dê para ter casa parcial. Eu não me importava de usar máscara durante o jogo todo, se pudesse voltar a um estádio. No trabalho uso máscara P2 entre oito a dez horas por dia e já tive de usar piores – por comparação uma máscara cirúrgica é quase confortável. Ainda assim, se for para ir a um jogo da Seleção, encomendo uma das máscaras da loja online da FPF. 

 

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Só peço que isto não aconteça de novo, que não me façam isto outra vez. Jogos à porta fechada são uma tristeza, mas sempre são melhores que não haver jogos de todo. Em princípio o futebol não tornará a parar, a menos que haja um descontrolo muito grande da pandemia – o que, infelizmente, não é assim tão descabido. 

 

Mas falemos então sobre estes jogos em especifico. Fernando Santos revelou os Convocados para a dupla jornada. O Selecionador já tinha avisado que, por causa das circunstâncias (hiato longo, pouco contacto com os jogadores, campeonatos em ritmos diferentes, etc), esta Convocatória seria mais conservadora do que o costume. 

 

Ainda assim, a lista trouxe de volta Domingos Duarte – que já tinha sido Chamado na última jornada dupla do ano passado, quando Pepe e Nelson Semedo foram dispensados por lesão. Não chegou a pisar os relvados. Também promoveu a estreia de Rui Silva e Francisco Trincão. 

 

Tanto Domingos Duarte como Rui Silva representam o Granada, que terá sido uma das equipas-sensação da última temporada da Liga Espanhola – ao ponto de se ter qualificado para a Liga Europa, pela primeira vez na sua história. Os dois jogadores portugueses têm sido apontados como peças fulcrais para este sucesso – ou, pelo menos, os seus desempenhos no clube têm sido elogiados. Dizem mesmo que Rui Silva foi um dos melhores guarda-redes da Liga Espanhola na época passada.

 

Por sua vez, Francisco Trincão, avançado de vinte anos de idade, acabou de ser apresentado no Barcelona. Consta que fez duas boas épocas no Sporting de Braga. A imprensa espanhola já fala dele como tábua de salvação com todo o drama à volta da saída de Lionel Messi (que nunca pensei que viesse a acontecer). Por um lado, é lisonjeador. 

 

 

Por outro… é bom que os catalães tenham calma. O Trincão é muito novinho ainda! Não precisa de lidar com os traumas de abandono da nação culé nem de servir de substituto a Messi. Não pressionem o miúdo, não lhe estraguem a carreira!

 

É bom ter sangue novo na Seleção, mesmo sendo pouco. Como era de esperar, Fernando Santos tem sido criticado por Chamar poucos nomes novos. Não alinho muito nas críticas porque, em primeiro lugar, o Selecionador justificou tais escolhas – as próximas Convocatórias serão certamente menos conservadoras, até porque serão para três jogos, serão precisos mais jogadores. Em segundo, estou tão contente por ter a Seleção de volta, não me apetece ralar-me com esta questão.

 

Só acho que o Pizzi devia ter sido Convocado. Foi um dos melhores da Liga Portuguesa na última época e marcou num dos últimos jogos da Seleção, no ano passado. Na minha opinião, não faz sentido ele ter ficado de fora.

 

Uma palavra para os equipamentos novos – como escrevi sobre eles na entrada anterior, abri um precedente, não posso deixar de comentar. 

 

Quinze anos depois, temos um equipamento principal com calções verdes. Acho que não há ninguém que não esteja contente com isso. Este equipamento tem um ar vagamente retro, na minha opinião, recorda-me equipamentos dos anos 80 e 90 – sobretudo as faixas verticais de lado, na camisola e nos calções.

 

 

O único problema deste equipamento é… o colarinho. Detesto colarinhos em camisolas de futebol. Camisolas estilo pólos da Lacoste são para ir jantar fora ou para os passeios em dia de jogo, não para levar para dentro de campo. Pura e simplesmente não é fixe.

 

É o meu gosto pessoal, apenas. Mas, pelo que tenho lido nas internetes, não sou a única com a mesma opinião.

 

No que toca aos equipamentos alternativos, no entanto, vou um pouco contra a corrente. Ninguém parece gostar muito deles. A minha primeira impressão deles também não foi a mais favorável, mas com o tempo estou a tomar-lhe o gosto.

 

Mesmo assim não são espetaculares, existem alternativos bem mais giros. A cor de fundo deste é aquele tom verde azulado muito clarinho, de roupa branca que por acidente foi parar à máquina com uma meia verde. Preferia que a camisola fosse branca. As faixas horizontais são iguais às laterais no equipamento principal – pelos vistos são a imagem de marca desta coleção. 

 

Cheguei a fazer a piada de que teria havido uma troca na Nike: a camisola de passeio estava a ser apresentada como camisola principal e a camisola de treino estava a ser apresentada como camisola alternativa. Estive a pesquisar e alguns equipamentos de seleções da Nike, como o da Inglaterra e o da Holanda – nem todos – também têm camisolas tipo pólo. Os outros têm golas normais e eu tenho inveja.

 

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De qualquer forma, preciso de tempo e de ver estes equipamentos em ação antes de formar uma opinião definitiva. Depois logo decido em que lugar ficariam no meu ranking.

 

Não tive ainda oportunidade para escrever sobre os nossos adversários da fase de grupos da Liga das Nações: a Croácia, a Suécia e a França. Temos a seleção campeã do Mundo e a vice-campeã do Mundo no nosso grupo. 

 

Embora, para ser justa, os suecos estão numa posição pior, coitados: no grupo com o campeão e vice-campeão do Mundo e o Campeão da Europa.

 

É impressionante a maneira como o caminho à nossa frente está cheio de silvas. Ele é tubarões no grupo do Europeu, ele é tubarões aqui na Liga, ele é tubarões nos particulares… OK, o jogo com a Espanha foi intencional. Não se aprende a caçar leões praticando com zebras. O título da crónica que ia escrever antes dos particulares de finais de março era precisamente “O ano dos tubarões”.

 

Mal sabia eu que o coronavírus seria mais devastador que qualquer adversário que defrontámos em campo…

 

Por um lado é bom, serão jogos interessantes, intensos. Por outro… vamos sofrer.

 

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Mas também, aqui entre nós, com tudo o que tem acontecido este ano, o sofrimento com um jogo difícil da Seleção até é um bom escape. Às vezes tenho saudades dos tempos em que eram os nervos e excitação antes dos jogos do Euro 2016 a tirar-me o sono, em vez que coisas mais sérias.

 

Falemos sobre a Croácia, com quem vamos jogar no sábado. Os croatas são os atuais vice-campeões do Mundo, tal como referimos antes… mas também o eram há dois anos. Empataram connosco e, poucos dias depois, foram goleados pela Espanha. Isto pouco depois do segundo lugar no Mundial. Na edição anterior da Liga das Nações estavam também na Liga A, mas não se qualificaram para a final four – estavam no grupo com a Inglaterra – mas Qualificaram-se em primeiro para o Euro 2020. Em termos de histórico, estamos em vantagem: em cinco jogos, contamos quatro vitórias e um empate.

 

Consta que Luka Modrić e Ivan Rakitić pediram dispensa destes jogos. Não podemos criticar pois Ronaldo fez o mesmo há dois anos e, na altura, não estávamos a lidar com nenhuma pandemia. Não sei até que ponto isto afetará o desempenho da seleção croata – é melhor não assumir facilidades. 

 

Quanto aos suecos, esses estavam na Liga B na edição anterior, mas foram promovidos à Liga A. Aposto que se arrependeram assim que calharam neste grupo. No que toca ao Euro 2020, qualificaram-se em segundo lugar no seu grupo, atrás da Espanha. O nosso histórico é equilibrado, mas pende um pouco a favor dos suecos: em dezoito jogos contamos cinco vitórias, seis empates e sete derrotas. Nós recordamos os play-offs para o Mundial 2014 (incrível como já lá vão quase sete anos), mas a verdade é que, depois disso, perdemos o nosso último jogo contra eles. 

 

Em suma, são adversários difíceis, mas estarão ao nosso alcance se fizermos o nosso trabalho como deve ser. Confesso que estou algo preocupada, pois não sei como estará a Seleção após este loooongo hiato. Por um lado, todas as seleções estão no mesmo barco, com problemas semelhantes. Por outro, mesmo antes do Covid, o desempenho da Turma das Quinas nos últimos jogos deixou muito a desejar – veja-se a derrota contra a Ucrânia e a qualificação arrancada a ferros no Luxemburgo. 

 

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É certo que, tradicionalmente, a Seleção dá-se melhor perante dificuldades – vamos precisar desse super poder nos próximos tempos. 

 

Fernando Santos já disse que quer revalidar o título da Liga das Nações, tal como quer revalidar o título Europeu no próximo ano. Eu também quero, obviamente. Aliás, como referi acima, passámos uma boa parte dos últimos meses recordando os grandes jogos da Seleção no passado. Esses jogos estão frescos na nossa memória, fazendo-nos desejar vitórias de igual calibre. Elevaram a fasquia.

 

Mesmo não tendo isso em conta… está a ser um ano difícil para toda a gente. Mais do que nunca, precisamos de alegrias, precisamos de vitórias da Seleção. E estou certa que toda a gente na Equipa de Todos Nós quer celebrar a reunião, após dez meses separados, ganhando seis pontos nesta dupla jornada. 

 

Por outras palavras, eu acredito.

 

Muito obrigada por terem lido. É bom estar de volta aqui ao blogue.  

Seleção 2019

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Primeira publicação de 2020! Bom ano, pessoal! Como o costume, eis o meu balanço anual no que toca à Seleção Portuguesa. E, como também já é costume, publicado em meados, já perto de finais de janeiro. Agradeço a vossa compreensão, nem sempre tenho tempo para escrever, sobretudo durante as festas. Aquilo que, antes, eram exceções, já começaram a ser regras, receio.

 

2019 foi um ano… engraçado, como veremos de seguida. Como tem acontecido com os últimos apanhados anuais, vamos escolher o melhor e o pior do ano. Assim, sem mais delongas, comecemos por...

 

O pior

 

 

  • Qualificação bem sucedida mas desnecessariamente complicada

 

 

Se forem ler a retrospetiva de 2018, verão que me queixei da constituição do nsso grupo de Apuramento. Cito-me a mim mesma: “Espero que tenham aproveitado a fase de grupos da Liga das Nações e que, depois, aproveitem a final four. Vai ser toda a excitação a que termos direito até, pelo menos, ao fim de 2019.”

 

Ai Sofia, Sofia…

 

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Em minha defesa, a “excitação” deste Apuramento é o tipo errado de excitação, de adrenalina. Uma coisa é a adrenalina de, como no nosso grupo do Euro 2020, jogar com equipas grandes, de poderio igual ou superior a nós. Outra coisa é a adrenalina de quem deu tiros no próprio pé e, agora, está a tentar chegar à meta ao pé-coxinho. 

 

Eu mesma referi nesse texto que era possível que nos atrapalhássemos neste grupo – são muitos anos, meus amigos! Hoje vejo que, ainda assim, subestimei um pouco a Ucrânia. No entanto, não estava à espera que corresse desta forma. Podíamos, e devíamos, ter feito mais.

 

Os disparates começaram logo na primeira jornada. Começam sempre. É certo que íamos defrontar logo os nossos dois principais adversários na corrida pelo primeiro lugar. Mesmo assim, vínhamos moralizados após um bom desempenho na fase de grupos da Liga das Nações. O Capitão vestia a Camisola das Quinas pela primeira vez desde o Mundial 2018. Disputaríamos os dois jogos na Luz, o nosso estádio-talismã.

 

Tínhamos tudo para a jornada correr bem. Ou pelo menos para correr melhor do que correu. Como disse antes, em retrospetiva, a Ucrânia saiu-se melhor do que se estava à espera, logo, o tropeção perante eles é mais ou menos aceitável. Mais ou menos.

 

O jogo com a Sérvia, no entanto, devia ter corrido melhor, sobretudo depois de termos perdido pontos três dias antes. Não vou ser hipócrita, tivemos azar – um penálti contra nós aos seis minutos de jogo, a lesão de Ronaldo – e erros do árbitro, admitidos pelo próprio, que afetaram o resultado. Mas também faltou agressividade, faltou entendimento para contrariar esses fatores, para de facto lutar pela vitória.

 

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Cinco meses e uma final four depois, a Qualificação recomeçou. Nos três jogos que se seguiram, a Seleção cumpriu o seu dever, mesmo não fazendo exibições por aí além. Mas depois veio o jogo de Kiev

 

Uma vez mais, admito que seria difícil em qualquer circunstância – da única outra vez em que tínhamos jogado em terras ucranianas também tínhamos perdido. Mesmo assim, acho que devíamos ter jogado melhor. Sofremos dois golos por falhas defensivas logo na primeira hora de jogo e nunca mais conseguimos recuperar. 

 

É certo que acabámos por conseguir a Qualificação via segundo lugar, na última jornada. Reconheço que, de certa forma, é um privilégio incluir um Apuramento bem sucedido no pior do ano. Há uma geração atrás daríamos tudo por uma Qualificação assim. E não me interpretem mal, estou muito feliz e orgulhosa por não me lembrar da última vez que falhámos um campeonato de seleções.

 

No entanto, na conjuntura atual da Seleção, sendo nós os atuais Campeões Europeus e os Campeões da Liga das Nações, com a qualidade dos nossos jogadores, não devíamos ter tido tantas dificuldades, esperava-se mais. Devíamos ter feito melhor. Devíamos ter-nos Qualificado em primeiro. 

 

Com isto tudo, por muito que goste de dizer que os resultados dos sorteios estão exclusivamente nas mãos do Destino ou de entidades equivalentes, desta feita só nos podemos culpar a nós mesmos. Se nos tivéssemos Apurado em primeiro, teríamos evitado o pote 3, logo, teríamos evitado um grupo com a Alemanha e a França (um rápido aparte para agradecer o destaque à minha crónica sobre o sorteio). 

 

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É difícil prever como Portugal se sairá no Europeu, tendo calhado neste grupo. No entanto, uma coisa é certa: jogando como se jogou durante a Qualificação, não iremos longe. Em suma, para 2020, sobretudo para o Europeu, vamos querer mais (menos ais, menos ais, menos ais…).

 

O melhor

 

 

  • A conquista da Liga das Nações

 

 

Em 2019, realizou-se a primeira final four da Liga das Nações. Dos quatro semifinalistas, Portugal era o único interessado em albergar o torneio e assim o fez – no Porto e em Guimarães. A Seleção Portuguesa, no entanto, acabaria por disputar ambos os jogos no Estádio do Dragão: a meia-final e a final.

 

O primeiro, a meia-final frente à Suíça, não foi um jogo por aí além. Valeu-nos Ronaldo, como tantas outras vezes. Perto do fim do jogo, do nada, marcou dois golos e arrumou a questão.

 

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A final foi diferente. Eu estive lá, com a minha irmãzinha. Apesar do stress para chegar ao Estádio, como descrevi na altura, foi uma das noites mais felizes de 2019. 

 

A Seleção fez um dos seus melhores jogos dos últimos anos. A equipa em quase perfeita sintonia, em contraste com… bem, quase todos os outros jogos em 2019. Tirando na posse de bola, a Holanda não se conseguiu impôr, tirando na posse de bola. O único golo da partida foi marcado em cima dos sessenta minutos por Gonçalo Guedes, numa jogada que começou em Raphael Guerreiro e passou por Bernardo Silva, que assistiu de primeira para o golo.

 

Depois do jogo e da cerimónia da entrega da Taça, eu, a minha irmã e restantes adeptos fomos para os Aliados festejar e esperar pela Seleção. Esta seria recebida na Câmara Municipal do Porto e juntar-se-ia a nós, brevemente, na festa.

 

Foi apenas o nosso título em Seleções A – que, a propósito, valeu a Fernando Santos o prémio de melhor Selecionador de futebol do mundo em 2019,  atribuído pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol. 

 

Hoje, no entanto, falam pouco sobre a conquista da Liga das Nações. Sou capaz de apostar que, menos de vinte e quatro horas após a final, já ninguém falava sobre o jogo, já todos tinham seguido com as suas vidas. Mesmo eu, até certo ponto. Como escrevi na altura, é uma prova recente, sem o prestígio de um Europeu ou Mundial. É possível que pelo menos metade das seleções participantes não a tenham levado a sério. Pode ser que isso mude no futuro. 

 

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Há algumas semanas, em entrevista, Fernando Santos argumentou que a UEFA devia oferecer mais incentivos para as equipas investirem na Liga das Nações. Como, por exemplo, oferecer lugares no Europeu ou Mundial seguinte. Talvez os quatro semi-finalistas ou apenas o vencedor?

 

Eu por um lado concordo… por outro, não sei se fará sentido. Afinal de contas, um dos objetivos da Liga das Nações é aumentar o número de jogos oficiais, competitivos, reduzir aqueles jogos amigáveis que, na maior parte dos casos, não interessam à maior parte do público. Se houverem equipas ganhando lugares em campeonatos de Seleções um ano antes dos mesmos (se não for um ano e meio), eu assumo que os restantes jogos do Apuramento (se não for o Apuramento todo) passem a ser amigáveis. Isso não iria contra a intenção da Liga das Nações?

 

É certo que estou a assumir que seriam apenas quatro equipas no máximo. Espero que limitem mesmo esses benefícios a quatro equipas, senão, mais vale cancelarem as fases de Apuramento.

 

Enfim. A UEFA há de avaliar a situação. 

 

Antes de falarmos melhor sobre 2020, queria olhar para trás durante mais alguns parágrafos. Para além de termos mudado de ano, mudámos de década. Muitos por aí têm aproveitado a ocasião para fazer um balanço dos anos 10. Confesso que para mim não faz muito sentido. Conforme já escrevi no meu outro blogue, uma década é demasiado tempo. É difícil encontrar aspetos que se tenham mantido consistentes ao longo de dez anos. 

 

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Veja-se a Seleção, por exemplo. Imensos altos e baixos, alguns mesmo muito altos, alguns mesmo muito baixos – curiosamente, muitos dos altos coincidiram com Europeus e muitos dos baixos coincidiram com Mundiais. A segunda metade da década foi bastante melhor que a primeira – culminando com os nossos primeiros dois títulos em Seleção A. 

 

Fernando Santos é um dos responsáveis, claro, mas não me esqueço do trabalho da Federação com as camadas jovens, da Cidade do Futebol (embora eu tenha saudades dos treinos abertos no Jamor), das diversas escolas de formação dos clubes. 

 

No início dos anos 10 estávamos numa fase estranha. Tínhamo-nos Apurado para o Mundial 2010, ainda que com um desempenho que deixou muito a desejar. Carlos Queiroz era o Selecionador. Já se ouviam alguns rumores de tensão no seio das Quinas. Passávamos por um período de transição, em que ainda sobravam alguns jogadores da geração que brilhou no Euro 2004 e no Mundial 2006 mas, por exemplo, Deco já estava com um pé de fora. Vários outros sairiam daí a uns meses, quando a batata quente explodiu (isto é, quando rebentou o caso Queiroz). 

 

Hoje, no fim da década de 2010, início da década de 2020, estamos muito melhor. Dois títulos no currículo, como referi acima, vários talentos vestindo a Camisola das Quinas, jogadores leais ao atual Selecionador, como dá para ver no vídeo abaixo. 

 

 

Estamos longe de perfeitos e tenho-me fartado de comentá-lo aqui no blogue. Veja-se só: no mesmo ano em que ganhámos um título, vimo-nos um bocadinho gregos para nos Qualificarmos. Mesmo passados estes anos todos, ainda não me habituei à nossa bipolaridade. No entanto, já estivemos bem pior – tento fazer por não me esquecer disso.

 

Olhemos agora para 2020. Queria falar sobre a segunda edição da Liga das Nações, que começa em Setembro. Como vencedor da prova, Portugal continua na Liga A, naturalmente. Esta Liga, aliás, foi alargada a dezasseis equipas – as que deviam descer à Liga B terão uma segunda oportunidade para provar que merecem estar entre os melhores. 

 

Esta fase de grupos será, assim, mais complicada que a última. Em parte porque, desta feita, vamos de certeza apanhar três equipas em vez de apenas duas. Para além disso, é provável que pelo menos algumas dessas equipas sejam tubarões, outra vez – fazendo figas para que a Sorte seja mais simpática connosco do que foi com os grupos do Euro 2020. 

 

Vamos ter de nos aplicar. Até porque esta é outra prova em que defendemos o título. Talvez ainda não seja desta que as outras seleções a levarão a sério, mas pouco importa. Melhor para nós se mais ninguém quiser lutar pelo título. Acho que não falta espaço na sala dos troféus da Cidade do Futebol. 

 

Entre isto e o Europeu, 2020 vai ser um ano intenso, emocionante. Temos os dois únicos títulos que ganhámos para defender. O nosso ano vai começar devagar, provavelmente com dois particulares em março, na mesma altura dos play-offs do Euro. A meio de maio sairá a Convocatória – e depois todo o ritual bem conhecido de preparação de um campeonato de Seleções. 

 

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Como o costume, mal posso esperar. 

 

Penso que já tinha dado a entender antes que tenho planos para escrever um texto diferente do habitual aqui no blogue. Vou tentar publicá-lo algures em fevereiro, inícios de março máximo dos máximos). Entretanto, como sempre, enquanto esperamos por mais aventuras e desventuras da Equipa de Todos Nós, entretenham-se comigo na página do Facebook daqui do estaminé. 

Portugal 1 Holanda 0 – Quebrando mais algumas maldições

-la-nations-league-al-portogallo-hin1.jpgNo passado domingo, dia 9 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere holandesa por uma bola sem resposta, em jogo a contar para a final da Liga das Nações, no Estádio do Dragão, no Porto… e eu estive lá! A Seleção Nacional tornou-se, deste modo, a primeira a levantar o troféu da Liga das Nações.

 

Sem mais nem menos, quase sem darmos por ela, ganhámos o nosso segundo título em seleções A. Apenas o nosso segundo título de sempre e apenas três anos após ganharmos o primeiro.

 

Aviso desde já, este texto focar-se-á mais na minha experiência indo para o Porto, vendo o jogo e celebrando a vitória depois do que o jogo em si.

 

Eu e a minha irmã fomos de comboio até à Invicta durante a tarde de domingo. O nosso hotel – que era mais uma espécie de Airbnb do que propriamente um hotel – ficava perto da estação de São Bento. Deu para ver desde o início que a cidade estava convertida num estádio: em todo o lado, pessoas equipadas não só com as cores de Portugal mas também da Holanda e da Inglaterra. Mal saímos em São Bento, aliás, vimos um grupo de adeptos ingleses em cânticos – talvez celebrando a vitória perante a Suíça, no jogo pelo terceiro lugar.

 

Era um ambiente agradável: futebolístico, mas sem a tensão associada a adeptos mais fanáticos. É uma das melhores partes de organizarmos um campeonato de seleções.

 

Infelizmente, eu e a minha irmã saímos para o Estádio um bocadinho tarde demais. Tínhamos pensado apanhar um autocarro na Praça da Liberdade, perto dos Aliados. No entanto, depois de uns dez, quinze minutos à espera – juntamente com uns quantos adeptos ingleses, também tentando chegar ao Dragão – disseram-nos que, como várias ruas estavam cortadas ao trânsito, a circulação dos autocarros estaria condicionada. O melhor seria apanharmos o Metro.

 

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Esta devia ter sido a nossa primeira opção (erro de amadoras…) e, agora, já eram sete da tarde. Vimos no Google Maps que o trajeto mais rápido seria através da estação do Bolhão, a uns dez minutos a pé. Umas raparigas inglesas, ainda mais desorientadas do que nós, pediram-nos para nos acompanharem e lá fomos, em passo acelerado. No Metro do Bolhão, estavam filas consideráveis nas bilheteiras, mas os funcionários junto às máquinas, ajudando os adeptos estrangeiros, aceleraram bastante o processo. Nem sequer tivemos de esperar muito pelo Metro, depois de comprarmos os bilhetes.

 

Ainda assim, chegámos ao Estádio do Dragão em cima da hora. Até esse momento, o atraso era exclusivamente nossa culpa. O que aconteceu a seguir não foi.

 

Os bilhetes foram comprados vários meses antes da fase final, através do site da UEFA. Para ter acesso aos mesmos, no entanto, tive de sacar uma aplicação especial para o efeito e preencher os meus dados pessoais para associar ao bilhete. Tinha a opção de ficar com os dois bilhetes, mas achei por bem transferir o segundo para a minha irmã, caso nos separássemos no caminho para o Estádio, por um motivo qualquer – e ela teve também de preencher com os seus dados.

 

Isto foi tudo muito bonito até chegarmos ao Dragão. Haviam dois checkpoints onde tínhamos de mostrar os bilhetes. No primeiro não houve problemas. No segundo, a minha irmã não conseguiu entrar. Pelo que eu percebi (posso estar errada), no caminho entre o primeiro e o segundo checkpoint, os dados do bilhete dela desapareceram. Enquanto esperávamos que se resolvesse a situação, ouvimos o hino do lado de fora (o que em retrospetiva não foi grave, teríamos nova oportunidade para cantá-lo nessa noite) e perdemos os primeiros cinco minutos do jogo.

 

 

Porque é que a UEFA não emitiu os bilhetes em PDF, como noutros sítios? Qual é a vantagem em pôr-se com mariquices tecnológicas que, em pelo menos metade dos casos, complicam em vez de facilitarem?

 

Enfim, fica a minha reclamação.

 

No meio disto tudo, houve tempo, ao menos, para entrar naquilo que me pareceu ser um vídeo de apanhados: um francês qualquer pediu-me para fazer a celebração do Ronaldo, com o “SI!!!!”. Quando a fiz, eles pegaram numa bola e fizeram-me uma cueca.

 

Se por acaso alguém der com o vídeo, publiquem o link nos comentários.

 

Finalmente chegámos aos nossos lugares, já com o jogo em curso. O Estádio do Dragão é lindo – e existe algo especial em ver jogos à luz do dia. 

 

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O ambiente estava fantástico. Ficámos sentadas perto da claque, que passou o jogo todo a cantar, puxando tanto pelo resto do público como pelos Marmanjos.

 

Também ajudava o facto de a Seleção estar a jogar bem – melhor do que eu estava à espera, melhor do que se via há algum tempo. Rúben Dias, por exemplo, teve uma exibição imperial – um adjetivo que costuma estar reservado para Pepe. É sempre uma delícia ver Bernardo Silva conseguindo linhas de passe entre adversários com o dobro do tamanho dele – estou cada vez mais rendida ao miúdo.

 

Por sua vez, Bruno Fernandes estava cheio de ganas. Só na primeira parte fez oito dos doze remates portugueses na primeira parte (como diziam no resumo da RTP, ele “tentou de todo o lado”). A Holanda só rematou uma vez.

 

Um pormenor engraçado: durante a primeira parte, a baliza holandesa estava do lado oposto ao nosso. Quando os portugueses atacavam, conseguíamos ver o público atrás da baliza levantando-se em massa, para o caso de haver golo.

 

Na segunda parte, a superioridade de Portugal transbordou finalmente para o marcador. A jogada do golo começou em Raphael Guerreiro, que fez um belo passe para Bernardo Silva. O miúdo consegue evitar os centrais holandeses, diz que ouviu Guedes a gritar “Bernardo!” nas costas dele. Fez o passe para trás, sem sequer saber ao certo onde estava o Gonçalo. Este, de qualquer forma, apodera-se da bola e não perdoa: dispara sem piedade para as redes holandesas.

 

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Tivemos a sorte, não só de o golo ter sido marcado quando a baliza holandesa estava do nosso lado, mas também de Guedes e o resto da equipa ter vindo festejar para perto da nossa bancada. Guedes tem tido desempenhos inconsistentes na Seleção – por exemplo, desiludiu um pouco durante o Mundial 2018, apesar de ter tido boas exibições em particulares anteriores. Mas já tinha estado bem no jogo com a Suíça, ao assistir para o terceiro golo, e agora deixou a sua marca na História da Seleção, ao lado do eterno Éder.

 

Na última meia hora, a Holanda tentou, naturalmente, anular a vantagem. Foco em “tentou”. Tive algum receio de que, de facto, houvesse empate, mas Portugal defendeu bem o resultado. Meia hora depois do golo, o árbitro apitou três vezes e sagrámo-nos campeões da Liga das Nações.

 

Como seria de esperar, houve festa no Dragão. Como poderão ver nos vídeos, filmei parte dos festejos (peço desculpa desde já se estraguei o segundo vídeo com os meus dotes vocálicos – ou a falta deles). Felizmente a entrega da Taça foi no relvado e não na tribuna, como no Europeu. Conseguimos vê-la nas bancadas.

 

Só não deu para ver a careta de “bitch, please” de Ronaldo.

 

 

Não ficámos por aqui. Pouco depois de sairmos do Estádio, descobrimos que a celebração continuaria nos Aliados, junto à Câmara Municipal. Eu e a minha irmã fomos, claro – ficava de caminho para o nosso hotel e, já que tínhamos vindo até ao Porto, aproveitávamos a festa até ao fim.

 

Uma das melhores partes da noite foi andar pelas ruas da Invicta com uma bandeira (fornecida no Dragão) aos ombros. Se pudesse andaria assim todos os dias – ou, vá lá, quando fosse assistir a jogos da Seleção. A bandeira em si veio para Lisboa, o cabo ficou – não cabia na mala e não dava jeito trazê-lo. Talvez arranje outro…

 

Tal como Cristiano Ronaldo, esta foi a minha primeira vez nos Aliados. Não fiquei desiludida. Veio muita gente mas não houve confusão. Enquanto esperávamos pela Equipa de Todos Nós – e eles ainda demoraram um bocadinho – entretive-me dançando, apesar de odiar metade das músicas. Só as danço mesmo quando o rei faz anos… ou quando a Seleção ganha um troféu.

 

Eles finalmente chegaram e fizeram discursos. Confesso que me senti um bocadinho intrusa quando Cristiano Ronaldo, Fernando Santos e os outros dirigiram as palavras à cidade do Porto. No entanto, também eu estou grata à Invicta. Eles fizeram um ótimo trabalho organizando a Liga das Nações, bem como Guimarães. Mereciam aquela homenagem.

 

E, claro, houve hino. Não podia faltar. Compensou tê-lo perdido na final.

 

 

Em suma, foi uma das melhores noites da minha vida – por ter tido a oportunidade de ver a Seleção ganhar um título ao vivo, por ter podido festejar com eles. Um aspeto curioso: estive tanto no início da nossa jornada na Liga das Nações como na conclusão da mesma.

 

Faz-me pensar noutras ocasiões em que estive assim, com a Seleção. Antes a final do Euro 2004, debaixo de um viaduto perto da Ponte Vasco da Gama, acenando ao autocarro da Seleção. Depois do Mundial 2006, no Jamor, Luiz Felipe Scolari prometendo-nos que um dia celebraríamos uma grande vitória. Depois das meias-finais do Euro 2012, quando fui ao aeroporto para tentar consolar tanto os jogadores como a mim mesma por termos falhado a final. Quatro anos depois, no mesmo aeroporto, desta feita para celebrar o primeiro título, o primeiro final feliz.

 

Começam a ser muitos anos apoiando a Seleção, muitas recordações, tanto boas como más. E ainda nem fiz trinta anos. Tenho uma vida inteira com a Equipa de Todos Nós à minha frente.

 

Se fiquei tão feliz com este troféu como com a conquista do Europeu, há três anos? Com algo semelhante àquele êxtase incrédulo que durou semanas, se não tiver durado meses? Não. Ninguém está.

 

Compreende-se. Esta é a primeira edição da Liga das Nações. Tenho a impressão que há muita gente por aí, cá em Portugal e lá fora, que ainda não percebeu ao certo como isto funciona e/ou não lhe dá importância. É normal. Na primeira edição do Europeu, há quase sessenta anos, países como Inglaterra, Alemanha Ocidental e Itália recusaram-se a participar precisamente por não levarem a prova a sério.

 

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Além disso, o 10 de julho foi a nossa primeira vitória após décadas e décadas de tentativas falhadas. Com a Liga das Nações conseguimos à primeira.

 

Em suma, isto é uma espécie de Taça da Liga para seleções europeias. Não é o mesmo que ganhar um Europeu ou Mundial, mas um título é um título. O prestígio virá com o tempo.

 

Na verdade, a melhor parte desta vitória é o facto de, à semelhança do que aconteceu com Euro 2016 em maior escala, quebrar alguns mitos (cheguei a acreditar um bocadinho nalguns deles). Nestes três anos, tanto cá em Portugal como lá fora, tem havido quem defenda que a conquista do Europeu foi um mero golpe de sorte, Deus Nosso Senhor presenteando Portugal através de Éder, um milagre que não se tornará a repetir.

 

Bem, estavam enganados – ficou provado. Tornámos a vencer uma final europeia. Por muito que isso custe a alguns, somos uma das melhores seleções da Europa, se não formos a melhor – pelo menos quando fazemos as coisas bem. E Fernando Santos contribuiu para isso – por muito que isso custe a alguns, mais uma vez.

 

Ficou também provado que não tem de ser sempre Ronaldo a decidir. Mais, a propósito do meu dilema no texto anterior: é possível conjugar os super-poderes do Capitão com os talentos desta geração mais jovem.

 

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Dito isto, não retiro as críticas que fiz anteriormente a Fernando Santos e à Seleção em geral – sobretudo após os jogos da Qualificação para 2020. Fernando Santos nem sempre acerta – como qualquer ser humano. Mas já fez mais do que qualquer um dos seus antecessores. Merece a nossa confiança e, sobretudo, a nossa gratidão.

 

À semelhança de muita gente, sinto-me fortemente tentada a falar já na renovação do título europeu, daqui a um ano. Afinal de contas, esta Liga das Nações é um campeonato europeu jogado de outra forma. Se já ganhámos ambas as versões… Mas ainda é cedo para pensarmos nisso – até porque começámos o Apuramento com o pé errado e temos de corrigi-lo.

 

Quero concluir deixando um agradecimento à cidade do Porto, a Fernando Santos, aos Marmanjos e a toda a estrutura da Seleção por mais um título, mais uma noite inesquecível. E, claro, às pessoas que têm seguido tanto este blogue como a sua página no Facebook. Tenho tido alturas nos últimos anos em que me sinto menos motivada para este blogue, mas é sempre um prazer escrever sobre vitórias como esta. E, apesar de estar a tentar manter os pés na Terra, quer-me parecer que, a médio/longo prazo, nos esperam mais noites como esta.

 

Mal posso esperar.

 

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Portugal 3 Suíça 1 – Deus Ex Machina

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Na passada quarta-feira, dia 5 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere suíça por três bolas contra uma, em jogo a contar para as meias-finais da Liga das Nações. Portugal garantiu assim a presença na final, onde irá jogar hoje com a Holanda.

 

Deus Nosso Senhor… ou melhor, Cristiano Ronaldo ouviu as minhas preces. Portugal vai à final! Não temos de ir a Guimarães. É um alívio.

 

Fernando Santos surpreendeu ao meter de início João Félix e Bruno Fernandes, bem como Rúben Neves e Nelson Semedo. Parecia mentira. Cheguei a pensar se Fernando Santos estaria a ceder à pressão de alguns comentadores e mesmo da opinião pública em geral. Em teoria, era uma boa ideia. Na prática, era a primeira vez que aqueles jogadores iam jogar na mesma equipa. Não havia garantias.

 

Tentei manter o otimismo mesmo assim. No entanto, a Suíça entrou por cima e em cima se manteve durante uma boa parte do jogo. De uma maneira geral, não achei que a exibição tivesse sido tão má como alguns a têm pintado. Mas, sim, esperava-se melhor tendo em conta as individualidades em campo.

 

Houveram muitas ocasiões em que os suíços fizeram o que quiseram perante a nossa defesa. Dá para ver um bom exemplo disso no resumo abaixo, logo a primeira jogada. Até dói. Valeu Rui Patrício. Os únicos motivos pelos quais, aliás, a Suíça não se adiantou no marcador foram precisamente intervenções à última hora e uma dose generosa de sorte.

 

 

Pelo meio, Ronaldo fez esta maldade.

 

Acabámos por ser nós a abrir o marcador. Não tenho a certeza de que a falta é legítima, mas o livre foi executado na perfeição. O guarda-redes nem se conseguiu mexer.

 

Mesmo em desvantagem, os suíços não tiraram o pé do acelerador. Seferovic, em particular, estava com ganas – teve várias oportunidades, incluindo uma em que rematou contra a trave.

 

Por outro lado, em cima do intervalo, João Félix conseguiu isolar-se em frente à baliza aberta mas o suíço tocou-lhe no ombro, Félix atrapalhou-se e rematou para as nuvens. Gritei tanto com o miúdo nesse lance…

 

O domínio da suíça manteve-se no início da segunda parte mas, mesmo assim, só conseguiram marcar de penálti, em circunstâncias confusas para toda a gente. O jogo parara para consulta no vídeo-árbitro após uma possível falta sobre Bernardo Silva para penálti. Eu distraí-me por um momento com o telemóvel e, quando dei por ela, tinha sido marcado um penálti contra nós, no lance anterior.

 

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Se eu fiquei confusa vendo o jogo em casa, imagino como se terão sentido as pessoas nas bancadas. Mas a verdade é que, no lance anterior, Nélson Semedo cometera falta para penálti, ou seja, tudo o que acontecera a seguir não era válido.

 

Confesso que tenho algumas dúvidas de que o penálti é legítimo – se aquilo é falta para penálti, o lance envolvendo João Félix, no final da primeira parte, também deveria ser – mas a verdade é que o nosso livre convertido a golo fora igualmente questionável. Só não percebo muito bem porque é que o VAR não parou a jogo logo a seguir à falta de Semedo. Acho que faz parte das regras do vídeo-árbitro, eles têm de deixar a jogada prosseguir, mas não entendo a lógica.

 

Ainda estamos todos em adaptação ao VAR.

 

Em todo o caso, Ricardo Rodriguez bateu o penálti. Rui Patrício adivinhou o lado – ou foi Ronaldo a segredar-lho ao ouvido, antes? – mas a bola passou-lhe por baixo do corpo. Estava feito o empate.

 

Os vinte minutos seguintes de jogo foram relativamente equilibrados. Portugal continuava sem conseguir criar grandes oportunidades. Nesta altura, a coisa parecia encaminhar-se para um prolongamento… o que eu não queria de todo. Seria mais meia hora nas pernas dos Marmanjos e poucos dias para recuperar para o jogo de domingo. Além disso, se tivéssemos de ir a penáltis, podia dar para os dois lados – e da última vez a coisa não deu para o nosso.

 

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É nessa altura que, do nada, Cristiano Ronaldo saca dois coelhos da cartola. No primeiro, Rúben Neves fez um daqueles passes típicos dele, de longa distância, Bernardo Silva recebe a bola já na grande área, assiste para Ronaldo, que não perdoa.

 

Poucos minutos mais tarde, Gonçalo Guedes isolou Ronaldo a meio do meio-campo suíço. Quando este chegou à grande área, Guedes ainda lhe pediu a bola. Ronaldo no entanto deve ter pensado algo do género “Esquece, puto, ainda tu usavas fraldas e eu já resolvia jogos”. Ele mesmo se desviou de um par de suíços e rematou certeiro para as redes.

 

E assim se mudou o curso de um jogo em o quê? Cinco minutos? É isto Cristiano Ronaldo: de um momento para o outro decide um jogo. Se isto fosse ficção, uma história, haveria quem acusasse o Capitão de ser um Deus Ex Machina: uma personagem, objeto ou evento que surge do nada, sem quaisquer indícios antes e altera por completo o curso da história – geralmente resolvendo as coisas a favor dos protagonistas.

 

Não foi isso que Ronaldo fez? Mudar o rumo da narrativa quando toda a gente pensava saber como a história ia acabar – ou pelo menos o que aconteceria a seguir?

 

 

Antes de partirmos sobre as reflexões gerais, uma nota para o público no Dragão: proporcionaram um ambiente fantástico que, acredito, contribuiu para a vitória. Consta que estiveram elementos de várias claques a dirigir os cânticos, à semelhança do que aconteceu durante o Euro 2016 (se as claques só servissem para isto…). Destaque para os cânticos de “CRIIIISTIANO RONAAALDO!!”, como no vídeo acima. Houve um momento em que deu para ver o Capitão incapaz de conter o sorriso perante todas aquelas vozes.

 

Mal posso esperar por fazer parte deste ambiente na final.

 

O jogo terminou, assim, com um resultado que, todos concordam, não reflete a diferença de qualidade entre as duas equipas. Nada disto é novo: um jogo em que o coletivo deixou a desejar, com uma exibição entre o fraquinho e o assim-assim, com o Capitão-papá a salvar o couro nacional.

 

Não acho que tenha sido Ronaldo-mais-dez – Rúben Neves, Bernardo Silva e Gonçalo Guedes foram importantes para o segundo e terceiro golos; Pepe, Rúben Dias e William tiveram os seus momentos. No entanto, mantém-se muitos dos problemas que já se tinham manifestado nos jogos da Qualificação. A diferença é que, desta vez, Ronaldo conseguiu resolver.

 

Na Conferência de Imprensa após o jogo, Fernando Santos justificou-se dizendo que tem tido pouquíssimo tempo para trabalhar com os jogadores. É uma “desculpa” já tem barbas em contexto de seleção, mas estará errada? Pelo que tenho lido e ouvido, muitos comentadores parecem saber exatamente como colocar estes talentos a uso. Não digo que estejam errados mas, na prática, será que eles, ou outros treinadores, conseguiriam melhores resultados?

 

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Também tem surgido a questão – não tanto entre os comentadores, mais entre os adeptos – de se Portugal joga melhor com Ronaldo ou sem ele. As exibições durante as fase de grupos da Liga das Nações sem o Capitão foram, de facto, melhorzinhas – o primeiro jogo com a Itália e com a Polónia, pelo menos. Mas, se me permitem simplificar demasiado a coisa e/ou falar de coisas que não entendo a cem por cento, será preferível termos uma equipa sem Ronaldo, com todas as individualidades mais jovens à vontade para mostrarem o que valem? Ou termos uma equipa montada em torno de Ronaldo, em que os mais jovens jogam pior, mas em que o Capitão pode fazer a sua cena e dar-nos vitórias? Não há nenhuma maneira de combinar as duas opções?

 

Enfim. Tudo isto são questões para médio/longo prazo. A curto prazo, temos uma final para disputar, hoje. A nossa terceira final europeia. A segunda final europeia em casa. É certo que não tem o prestígio de um Europeu, mas isso deve-se, em parte, ao facto de ser a primeira edição. E eu vou estar lá!

 

O nosso adversário será a Holanda. Conforme escrevi antes, eu teria apostado na Inglaterra – eles no entanto cometeram erros, em parte devido ao cansaço, que se revelaram fatais. Ainda assim, só vi o prolongamento, mas aqui garantem que a Holanda dominou em praticamente todos os aspetos estatísticos. Temos a nosso favor o histórico, o fator casa, um dia extra de descanso para nos, mais meia hora de jogo para eles. O que não é garantia de nada.

 

Em suma, não vai ser pêra doce. Ou melhor, não vai ser laranja doce.

 

A questão é agora saber se a qualidade exibicional que temos apresentado nos últimos jogos será suficiente perante esta Holanda. Não sei se será – teremos de jogar um bocadinho melhor.

 

Como o costume, vou procurar manter o otimismo apesar das minhas reservas. Afinal de contas, eu também achava que poderíamos não ter qualidade suficiente para vencer a última final em que participámos. Não será o fim do mundo se não conseguirmos ganhar. Mas não é todos os dias que temos a oportunidade de lutar por um título, muito menos em casa. Temos a obrigação de dar o nosso melhor – e acredito que é isso que os Maranjos farão. Por todos nós.

 

Continuem a acompanhar esta aventura na Liga das Nações quer aqui neste blogue quer na página do Facebook

Tanque de tubarões

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Na próxima quarta-feira, dia 5 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol defronta a sua congénere suíça no Estádio do Dragão, em jogo a contar para- a final four da Liga das Nações. Se vencer, disputará a- final no mesmo estádio no próximo domingo, dia 9 de junho. Se perder, disputará o terceiro lugar na prova no mesmo dia, no Estádio Afonso Henriques. Seja qual for o jogo de domingo, eu estarei lá!

 

Este é o quarto ano consecutivo em que Portugal participa numa fase final de um campeonato de seleções. Sabe bem, não haja dúvida. É uma competição curtinha, apenas dois jogos, no entanto. Não difere muito das habituais jornadas de Qualificação desta altura do ano,  na prática.

 

Isto é, se  não tivermos em conta que, nessas jornadas, encontramos equipas como a Rússia ou o Azerbaijão. Nesta fase final temos a Suíça, a Inglaterra e a Holanda. Um nível completamente diferente.

 

Além de que há um troféu que podemos ganhar. E que é uma prova organizada por nós – a primeira desde o Euro 2004.

 

Já tinha referido antes que tenho bilhetes para a Liga das Nações, para mim e para a minha irmã. Temos bilhetes Super Sunday – ou seja, ou para a final ou para o jogo de atribuição do terceiro e quarto lugares, consoante o resultado de Portugal perante a Suíça.

 

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Ora, inteligente como sou, só no outro dia, quando estava a preparar esta crónica é que percebi que o jogo do terceiro lugar será no Estádio Afonso Henriques, em Guimarães. Pensava que ambos os jogos seriam no Dragão! Já tinha marcado a estadia no Porto, para a noite de 9 para 10! Tive um mini-ataque de pânico, confesso. 

 

Na prática, não faria grande diferença se tivesse descoberto mais cedo. Não dá para saber onde jogará a Seleção no domingo até à noite de 5 de junho. Ninguém no seu juízo perfeito iria esperar até essa altura para marcar estadia: a menos que estivessem dispostos a pagar fortunas ou a arriscar não encontrarem sítio onde dormir. Iríamos sempre passar a noite no Porto. O  jogo do terceiro lugar começa às duas da tarde. É preferível ir de Guimarães para o Porto depois desse jogo do que fazer o percurso inverso depois da final – que, se tiver prolongamento e penáltis, poderá terminar perto das onze da noite.

 

A única coisa que faria de diferente, se tivesse sabido antes, seria pôr a hipótese de marcar estadia para a noite de 8 para 9 – mesmo assim, não dava jeito à minha irmã passar duas noites fora.

 

Dará para gerir se formos ao jogo do terceiro lugar. Teremos de levar o carro (em vez de irmos de comboio ou autocarro), pois não teremos tempo de deixar a(s) mala(s) no hotel, no Porto. Se saírmos cedo de Lisboa, temos tempo para chegar a Guimarães.

 

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Será muito mais fácil, no entanto, se Portugal for à final. O jogo será só ao fim da tarde. Poderemos ir tranquilamente de autocarro ou de comboio de manhã. À tarde, haverá tempo para, talvez, dar uma volta pela cidade ou para descansar antes do jogo. E, confesso, gostava um bocadinho mais de ir ao Dragão do que ao Afonso Henriques. 

 

É por isso que espero que a Seleção se Qualifique para a final: dá-me mais jeito. E também porque, indo à final, podemos lutar pelo título, apenas o segundo da nossa História, blá blá blá, aspetos secundários.

 

Fernando Santos anunciou os Convocados para esta prova na semana passada. A Lista não difere radicalmente da anterior. André Silva ficou de fora pois, segundo consta, tem andado lesionado. Não há muito mais a dizer.

 

Como já aconteceu algumas vezes antes, estes primeiros dias da preparação decorreram em regime aberto, como nos clubes. Só hoje (domingo) começa a concentração a sério, em Espinho. Tenho pena que Cristiano Ronaldo não tenha participado na final da Liga dos Campeões, após três seguidas, mas, aqui entre nós que ninguém nos ouve, estou um bocadinho aliviada. Imaginem! Jogar a final da Liga dos Campeões num sábado e, na quarta-feira seguinte, jogar uma meia-final, também de nível europeu? E uma final ou jogo de terceiro lugar no domingo seguinte?

 

O mais certo era Ronaldo pedir para ficar de fora. Eu não o censuraria – ele já vai a caminho dos 35 (!!!!). Além disso, nem sequer participou na fase de grupos. Poderia haver quem o considerasse justo.

 

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Nesse aspeto, os nossos amigos ingleses estão tramados, já que sete dos seus Convocados jogaram a final da Liga dos Campeões. Mas com o mal dos nossos adversários posso eu bem – e não acho que seja garantia de facilidades. Mais sobre isso adiante.

 

Aliás, sendo esta uma fase final com apenas quatro participantes, não é de todo razoável esperar facilidades, de maneira nenhuma. Dito isto, acho que tivemos um bocadinho de sorte ao apanharmos a Suíça das meias-finais – só mesmo porque disputámos a Qualificação anterior com eles, logo, conhecêmo-los relativamente bem. Ainda assim, a Suíça é uma das duas únicas equipas que nos venceram em jogos oficiais no mandado de Fernando Santos. É certo que conseguimos vencê-los quando os enfrentámos em casa… mas mesmo assim.

 

Na Liga das nações, os suíços ficaram no grupo com a Bélgica. Conseguiram o apuramento no último jogo da fase de grupos, precisamente perante os belgas: estiveram a perder por 2-0, mas viraram o resultado para 5-2. Haris Seferovic, do Benfica, assinou um hat-trick. Não vai dar para brincar perante eles.

 

Já agora, aproveitamos a boleia e falamos já da Inglaterra e da Holanda. Afinal de contas, iremos enfrentar um deles no jogo de domingo, mais vale.

 

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A Holanda é teoricamente nossa freguesa, como dizia Luiz Felipe Scolari. Na prática, da última vez que nos cruzámos com eles, num particular, a coisa coisa não correu bem para o nosso lado. Apesar de terem falhado tanto o Euro 2016 como o Mundial 2018, os holandeses têm estado em ascensão no último ano. Partilharam o grupo da Liga das Nações com a França e a Alemanha e sobreviveram. Venceram a França por 2-0 na penúltima jornada. Aos 84 minutos do último jogo estavam a perder por 2-0 com a Alemanha. No entanto, conseguiram empatar, Qualificando-se para a fase final à frente dos nossos amigos franceses.

 

Nada mau, tendo em conta o seu histórico nos anos anteriores.

 

Por fim, vale a pena recordar que quatro dos seus Convocados jogam no Ajax, a equipa sensação desta época na Liga dos Campeões.

 

Por sua vez, os ingleses são, a meu ver, os grandes favoritos a vencer esta competição. São igualmente uma equipa em rumo ascendente, jovem e talentosa. Ficaram em quarto no Mundial 2018 e qualificaram-se para esta final four num grupo que incluiu a Espanha e a Croácia. O facto de a Premier League ter tido quatro equipas nas finais europeias de clubes – e de sete dos seus Convocados terem sido finalistas da Liga dos Campeões, como referi acima – é um bom indicador da qualidade do futebol inglês.

 

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Em suma, temos adversários de qualidade, que para cá chegarem deixaram pelo caminho os três primeiros classificados no Mundial 2018. Na comparação, nós deixámos pelo caminho “só” a Itália, que já viu melhores dias, e a Polónia que, com o devido respeito, não é propriamente um dos grandes da Europa.

 

Não tenham ilusões, nós não somos favoritos. A única coisa que temos a nosso favor é o facto de sermos Campeões Europeus (há quase três anos… muita água já correu entretanto) e de jogarmos em casa. Vamos estar a nadar num tanque de tubarões (isto não era o nome de um reality show qualquer?). Apenas três, mas não deixam de ser perigosos.

 

Devo dizer que podia estar mais confiante. Como se o calibre dos nossos adversários não fosse suficiente para nos intimidar, não me esqueci do que aconteceu nos nossos últimos dois jogos. Estou com um bocadinho de medo que façamos exibições fraquinhas outra vez, que Fernando Santos se ponha a inventar, que as estratégias se centrem demasiado em Cristiano Ronaldo e prejudiquem os outros Marmanjos. Sei que temos jogadores de qualidade suficiente para lutarmos pelo título – mas tenho medo que essa qualidade não venha ao de cima.

 

Pode ser que até venha. Pode ser que, de uma maneira tipicamente nossa, nos superemos perante o calibre destes adversários e o contexto de mata-mata. Quem sabe? Ainda somos Campeões Europeus. E vamos jogar em casa – da última vez que organizámos uma fase final europeia, a coisa não correu mal.

 

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Apesar da minha pouca confiança, não deixo de acreditar. Não enquanto for possível. Espero que consigamos, pelo menos, ir à final. E vou querer desfrutar – não é todos os dias que vemos a nossa Seleção jogar contra os grandes da Europa. Ao vivo, no meu caso.

 

Acompanhem comigo o nosso percurso neste mini-tanque de tubarões tanto neste blogue como na página do Facebook.