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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Israel 3 Portugal 3 - Dejá vu

Na passada sexta-feira, dia 22 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol entrou em campo com a sua congénere israelita, em Telavive. Tal confronto resultou num empate a três bolas. Um resultado abaixo das expectativas mas arrancado a ferros, que, tendo em conta o desempenho paupérrimo da Equipa das Quinas, quase parece uma vitória.

Começo a achar que se trata de uma maldição. Talvez nenhum jogo deste Apuramento esteja destinado a ser tranquilo. Ou talvez seja de propósito. Conforme diria a minha irmã, isto não daria "pica nenhuma" fazer uma Qualificação sem escorregadelas perante equipas "menores". Que piada teria?

Não levem a mal o sarcasmo mas uma miúda não é de ferro e, sinceramente, os Marmanjos andam a abusar da minha paciência. Já são cinco jogos sem ganhar, na maior parte dos casos sem sequer fazermos exibições decentes, são cinco entradas pós derrota-ou-empate. Não chega já?


Mas vamos ao jogo. Eu estava otimista, como sempre, e o golo madrugador do Bruno Alves ajudou a manter esse estado de espírito. Não achei que eram favas contadas, mas fiquei satisfeita com o bom arranque e achei que, finalmente, poderíamos ganhar um jogo.

Os jogadores é que, aparentemente, assumiram que eram favas contadas e, em vez que procurarem dilatar a vantagem, deitaram-se à sombra do resultado e da teórica superioridade sobre o adversário. Algo que eu julgava não combinar com a maturidade dos jogadores. Enganei-me redondamente. Quando demos por nós, perdíamos 2-1.

O pesadelo continuou na segunda parte, culminando no 3-1. Aí, pensei que estava tudo perdido. Felizmente, tal momento não durou mais do que um ou dois minutos, graças ao tento de Postiga, ainda no rescaldo do terceiro golo israelita. Até foi um bom timing, pois cortou, de certa forma, o efeito do 3-1 e relançou a equipa portuguesa. No entanto, teria dado muito mais jeito caso tivesse vindo aquando dos flagrantes desperdícios do Carteiro, durante a primeira parte.


Antes deste golo, nas redes sociais, toda a gente "batia" no pobre Hélder, esquecendo-se do facto de que ele era (e continua a ser) o melhor marcador português nesta fase de Apuramento. E, embora não me tivesse esquecido disso, desta feita não me apeteceu estar a defendê-lo. Continuava a achar que ele é subvalorizado - e esta semana descobri que o mesmo acontecia com Pedro Pauleta, no seu tempo. Pauleta, o melhor marcador português! - que é dos que mais tem feito pela Seleção nos últimos tempos. No entanto, podia fazer ainda mais se não desperdiçasse tantas oportunidades de outro. 

Além disso, estou farta de defender os jogadores e eles continuarem a fazer jogos destes. Já está na altura de eles me defenderem a mim, de provarem que tenho razão quando manifesto o meu apoio. 


Mas regressemos ao jogo. Como afirmei anteriormente, o golo de Postiga catalisou o despertar português. Os Marmanjos esforçavam-se por fazer em quinze minutos aquilo que haviam parado de fazer após o golo de Bruno Alves. E, de facto, acabámos por ser bem sucedidos, mesmo no último minuto da compensação. Também se tivéssemos falhado aquele lance, éramos um caso perdido. Eu e a minha irmã, com quem estive a ver o jogo, abraçámo-nos, como se aquele fosse o golo da vitória e não do empate. E assim terminou o jogo.

Os meus seguidores do Twitter e da página do Facebook deste blogue terão, certamente, reparado que, durante o jogo e respetivo rescaldo, estive de péssimo humor. Entre mim e a minha irmã, o sarcasmo atingiu máximos históricos. Ela, adepta do clube residente em Alvalade, chegou a afirmar:

- Isto é horrível, isto parece o Sporting! E eu não preciso de mais Sportings na minha vida!

Quanto a mim, passei uma boa parte dos noventa minutos com vontade de dar um par de estalos a cada um dos Marmanjos. Muito isto era calor do momento, evidentemente, da boca para fora. Na realidade, não seria capaz de cumprir tais ameaças, por múltiplos motivos (desde falta de coragem a demasiado afeto por eles). Quem nunca se enervou durante um jogo de futebol ao ponto de insultar um dos protagonistas, seja ele um jogador da sua equipa, da equipa adversária ou da equipa de arbitragem, pode atirar a primeira pedra, por favor. 


Às vezes, imagino-me assistindo aos jogos no banco de suplentes da Seleção, vivendo cada momento do encontro, sofrendo e festejando em conjunto com a equipa técnica e jogadores de reserva. No entanto, não será, se calhar, muito aconselhável, pelas reações momentâneas que descrevi acima. Não costumo praguejar abertamente mas, em jogos como o de sexta, não é raro eu chamar nomes aos jogadores. Nomes esses que, não sendo palavrões, também não são carinhosos. E evidentemente, não me convém que os destinatários oiçam tais insultos.

José Mourinho, no sábado, quando questionado acerca da situação da Equipa de Todos Nós, usou a expressão "dejá vu" para a descrever. E é, de facto, a mais adequada, na minha opinião. O treinador usou-a porque a Seleção Qualifica-se sempre resvés Campo de Ourique, sofrendo até à ultima jornada, mas Qualifica-se. Eu uso-a, não só pelo que acabo de referir, mas também porque este jogo recordou-me imenso o anterior embate de Apuramento, contra a Irlanda do Norte: também esse jogo foi encarado com demasiada leveza pela Seleção; os adversários aproveitaram-se de tal arrogância para se adiantarem no marcador; só na reta final do jogo é que os portugueses acordaram, em particular após o golo do Postiga; e embora a derrota fosse mais prejudicial às nossas aspirações de Qualificação, a Turma das Quinas não conseguiu melhor do que um empate, um resultado que, tendo em conta o suposto valor da equipa portuguesa, é claramente escasso.



O Pepe afirmou, no rescaldo do jogo com Israel, que Portugal tem de aprender com os erros cometidos - algo que a equipa não tem sido capaz de fazer. É estúpido! Este jogo podia ter corrido de maneira tão diferente! Se, apenas, não tivéssemos abrandado tão depressa após o golo do Bruno Alves, se tivéssemos feito o 2-0... Mesmo que não mantivéssemos o ritmo ao longo dos noventa minutos, mesmo que consentíssemos o 2-1, conseguiríamos, certamente, ganhar, com mais ou menos dificuldade.

Os otimistas destacam a maneira como conseguimos anular a desvantagem de dois golos em cerca de quinze minutos. Só que, embora tenha a noção de que este empate nos mantém na corrida, que este ponto arrancado a ferros pode vir a ser valiosíssimo mais à frente, não considero um grande feito emergirmos do buraco que nós mesmos cavámos, por negligência, sem necessidade.

A questão é a mesma de sempre: a teimosia da Seleção em escolher sempre o caminho mais difícil. Nos dias que antecederam o jogo com Israel, toda a gente fez questão de dizer que o jogo não era "decisivo", para aliviar a pressão sobre a equipa. Acho que fizeram mal. Está mais que provado que não se pode dar demasiada corda aos Marmanjos porque eles enforcam-se nela. Que estes só são capazes de jogar com o Sistema Nervoso Simpático ativado, sob o efeito da adrenalina.


Bem, agora vamos jogar com o Azerbaijão sem Ronaldo - a única coisa que este conseguiu fazer em Israel foi assistir para o golo do Hélder, ver o segundo amarelo da fase de Apuramento e pouco mais - e sem Nani, outros em dúvida, com a margem de erro completamente esgotada. Talvez isto forneça adrenalina suficiente para eles se mexerem a sério. Até porque existe ainda a agravante de o pior segundo classificado de todos os grupos de Qualificação ficar excluído dos playoffs. Mas podia ser pior. Em princípio, o Azerbaijão não terá capacidade de nos colocar problemas. Da última vez que jogámos com eles, ficámos à vontade para lutarmos contra a nossa falta de pontaria, até o Varela entrar e quebrar o gelo. Mas sublinho, mais uma vez, o "em princípio". Não me admirava se, mesmo assim, os portugueses inventassem algo que jogasse contra eles...

Em todo o caso, nada está perdido ainda. Mesmo que a Seleção esteja quase voluntariamente a tomar o caminho mais difícil até ao Brasil, quando podíamos estar a ter uma Qualificação sem drama de maior, sem calculadoras, o que interessa é chegar lá. E estou convencida de que vamos chegar lá. Como já afirmei aqui, considero sempre a Qualificação da Turma das Quinas para as fases finais como quase garantida. Talvez seja irrealista, talvez eu esteja mal habituada, mas só muito raramente coloco isso em causa. E esta ainda não é uma dessas ocasiões.

Há quem afirme que é por falta de talento que a Seleção anda em dificuldades, mas não acredito nisso. Que diabo, esta é essencialmente a mesma equipa que chegou às meias-finais do Euro 2012 no ano passado!!!! Se eles estiverem para aí virados, não existe motivo nenhum para falharmos o Apuramento. E não haverá, certamente, nenhum jogador português que queira ficar a ver o Mundial pela televisão. Comecemos, para já, por ganhar no terreno azeri, por ganhar pela primeira vez desde setembro do ano passado. Depois logo se vê.

E se aqueles totós me obrigarem a escrever outra entrada pós derrota ou empate a propósito do jogo de terça-feira, haverá sangue!

Estou a brincar, evidentemente... 

Portugal 3 Azerbaijão 0 - Vitória + exibição = Boa noite de Seleção

Na passada terça-feira, dia 11 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu no Estádio Axa, em Braga, a sua congénere azeri. Foi um jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo em Futebol, que se realizará em 2014 no Brasil, que a Seleção levou de vencida por três golos sem resposta.

Vi este jogo na sua totalidade acompanhada pela minha irmã mais nova, como já se tornou hábito. As suas tiradas, de um humor entre o de menina reguila e de dondoca, dão sempre uma outra graça a tudo. No início, ela disse-me que a Seleção nunca havia ganho naquele estádio. O meu irmão, prático, fez-lhe ver que existem muitos estádios no planeta que nunca albergaram uma vitória portuguesa. E este era apenas o terceiro jogo da seleção naquela arena.

No entanto, mentiria se dissesse que a ideia da maldição do Estádio de Braga, o espectro do empate frente à Albânia há quatro anos naquele palco nunca me passaram pela mente durante os noventa minutos do jogo.

A Seleção entrou e campo com uma atitude completamente diferente com que abordara o jogo de sexta-feira. Este encontro foi de sentido único, disputando-se quase todo no meio campo azeri. A baliza dos nossos adversários esteve constantemente debaixo de fogo. No entanto, a bola teimava em não entrar.


Isto é já um problema crónico, um filme muito visto, protagonizado pela Equipa das Quinas: a finalização. João Moutinho, no final do jogo, falava em azar - mas eu também vi alguma aselhice na maneira como perdiam as bolas na grande área azeri. Algumas pareciam de propósito. A páginas tantas, a coisa torna-se psicológica, formando-se um ciclo vicioso. Não ajudava o facto de o guarda-redes azeri, depois de um frango no último jogo da sua seleção, estar inspirado naquela noite. 

Há uns tempos, ouvi a minha irmã a reclamar a propósito do seu clube:

- Porque é que todos os guarda-redes fazem os jogos das vidas deles sempre que jogam contra o Sporting?

Podia-se perfeitamente reformular essa pergunta, desta feita, para a Seleção. No entanto, pior do que o guarda-redes, era o poste.


Se não se justifica falar de uma maldição do Estádio Axa, o caso muda de figura no que toca aos ferros das balizas. Só neste jogo, enviámos umas seis ou sete bolas ao poste. Já na sexta-feira, tinham ido duas ou três. E isto já vem desde o Europeu. Não percebo o que é que existe entre a Seleção e a trave para os Marmanjos estarem constantemente a enviar-lhes as bolas... Não parece ser um relacionamento saudável, como dizia a Ana, uma das minhas seguidoras no Twitter, a Turma das Quinas parecia gostar demasiado de dar boladas aos ferros...

- Juro-te, o poste é o melhor guarda-redes de sempre! - chegou a reclamar a minha irmã.

No intervalo, o Ronaldo chegou a ir até aos ferros, como que para se certificar de que não havia nenhum íman escondido que estivesse a atrair a bola. Mas talvez a melhor solução seja aquela que o Record sugeriu: ir à bruxa.

No meio de tudo isto, há que louvar a atitude dos jogadores. Apesar de exibirem, ocasionalmente, sinais de ansiedade - a certa altura o Ronaldo começou a rir-se após os remates falhados, como se tivesse chegado àquela fase em que se ria para não chorar - a equipa nunca perdeu o norte, todo e cada elemento - incluindo aqueles como o Nani que nem sequer estavam a ter um desempenho brilhante - se entregou competamente ao longo de todos os noventa minutos de jogo.

Por outro lado, o que nos valeu foi o facto de o Azerbaijão não ter tido capacidade de tirar proveito da nossa falta de pontaria. Com outro adversário, a história seria diferente.


O momento alto do jogo foi a substituição de Miguel Veloso por Varela, aos sessenta e poucos minutos de jogo, seguida, ainda nem um minuto havia passado, do primeiro golo do encontro, marcado pelo homem que acabara de entrar. Mais uma vez, Varela fez de bombeiro da Seleção, de Salvador da Pátria, depois daquele inesquecível golo frente à Dinamarca. Não quero comparar as circunstâncias em que se marcaram os dois mais recentes golos do Marmanjo envergando a camisola das Quinas, mas ambos foram celebrados intensamente, com um misto de alívio e júbilo.

Este golo deu à equipa a confiança necessária para, mais uma vez, tal como disse a Ana, deixar os postes em paz e dilatar ainda mais a vantagem O primeiro a fazê-lo foi, mais uma vez, o Hélder Postiga, após uma bela assistência de Cristiano Ronaldo.


Tal como já tinha escrito no outro dia, parece que os jornais já perceberam, finalmente, que o Hélder até é bom jogador. Hoje assinalaram que o ponta-de-lança já tem uma média de golos superior à do Ronaldo - tal como já eu tinha dito antes do Europeu. Ainda ontem, no início do jogo, o meu irmão perguntava como é que ainda deixavam o Postiga jogar.

- Ui, agora irritaste a Sofia - comentou a minha irmã, divertida.

No entanto, engoli a irritação e nada disse. O Hélder falou por mim ao marcar o golo. Depois de o celebrar, virei-me para o meu irmão e perguntei-lhe.

- Que 'tavas a dizer sobre o Postiga?

Deste modo, neste momento, depois de muito ter defendido o Hélder, no blogue, no Facebook, na televisão, cada golo dele com a camisola das Quinas ganha um sabor especial, é uma prova de que tenho razão. 

Mas também, se formos por aí, cada golo que a Equipa de Todos Nós marca também é uma prova de que tenho razão, de que faço bem em apoiá-los incondicionalmente.


O golo de Bruno Alves - que já tinha marcado no último jogo frente ao Azerbaijão - surgiu três minutos mais tarde, quase sem darmos por ele, selando o resultado. Quando o árbitro apitou três vezes, fiquei com pena pois até estava a gostar do jogo.

Como podem calcular, fiquei satisfeita. Foi uma boa noite para a Turma das Quinas. Portugal amealhou mais três pontos, totalizando seis, neste momento, e fez uma exibição globalmente positiva, tirando os problemas na finalização. Gostei sobretudo do facto de a Seleção ter melhorado de um jogo para o outro. Daqui a um mês, enfrentaremos a Rússia, a nossa principal adversária neste Apuramento. Como quero que Portugal volte a amealhar seis pontos nessa dupla jornada, espero que a Equipa das Quinas esteja ainda melhor nessa altura, que continue a crescer à medida que a Qualificação avança.


Paulo Bento fez questão de abrir a Conferência de Imprensa que se seguiu ao jogo agradecendo ao público por, numa altura em que as coisas parecem cada vez piores a nível sócioeconómico, por terem vindo ao estádio. Fica bem o agradecimento. Há que, de facto, elogiar o público que foi impecável: puxando pela Seleção durante praticamente todo o jogo, sendo paciente perante os inúmeros ataques falhados. E a Seleção até retribuiu bem o apoio que lhe foi dado.

Cada vez mais pessoas, começando pelas trinta mil que foram ver este jogo, começam a aprender aquilo que já sei há, pelo menos, dois anos: neste momento, a Equipa de Todos Nós é a única instituição neste País que cumpre as promessas que faz, que retribui aquilo que recebe da nossa parte, que nos oferece consolo e alegria. Não resolve a crise, ao contrário do que o Onze Por Todos insinuava, mas dá-nos alguma força para lidarmos com ela. Eu própria tenho tido alguns dias complicados ultimamente. No entanto, agora, este tão desejado bom arranque de Qualificação, a expectativa dos próximos jogos, ajudar-me-ão a não ter medo do que aí vem. E estou certa de que também ajudará outras pessoas. É a conversa do costume, que tenho vindo a repetir desde há dois anos a esta parte. Espero que a Seleção continue a dar-me motivos para repetir estas palavras de esperança outra e outra vez.

Portugal 0 Espanha 0 (4-2 após penáltis) - Travados

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O Campeonato da Europa de Futebol, que se realizou na Polónia e na Ucrânia, já acabou há alguns dias, o jogo das meias-finais que opôs a Seleção Portuguesa de Futebol à sua congénere espanhola já se realizou há mais de uma semana. Devia ter publicado bem mais cedo, mas tem-me faltado tempo. É a velha questão das fases finais em época de exames. Aquando dos outros jogos, era catalisada pela necessidade de publicar antes do jogo seguinte. Mas agora...

 
Tal como se previa, o jogo despertou interesse um pouco por todo o planeta. Os olhos do Mundo estiveram pousados em Donetsk. Dave Phoenix Farrel, dos Linkin Park - mais conhecido por, simplesmente, Phoenix - afirmou no Twitter não saber por quem torcer. Chuck Comeau, dos Simple Plan, estava aflito por não ter maneira de ver o jogo, acabou por seguir os penáltis via rádio. Por sua vez, a Nelly Furtado, da eterna "Força" do Euro 2004, não teve problemas em dizer que estava a torcer por nós. Parece, inclusivamente, que o jogo bateu recordes de audiência televisiva, tanto cá em Portugal como em Espanha.
 
 
Vou ter saudades disso. De ter a Seleção no centro das atenções, sobretudo quando se começou a perceber que os portugueses tinham uma palavra a dizer neste Europeu. Dos programas de rádio e televisão sobre o assunto - mesmo que, em certas alturas, me tenham parecido exagerados. De estar na Faculdade, nos cafés, no Metro, no comboio, no autocarro, escutando por acaso conversas alheias sobre a Seleção, por vezes metendo-me nelas. Das bandeiras. Das publicações no Facebook. De ver o nome do País, o nome dos nossos jogadores, nos Trending Topics do Twitter. De ver os jogos com a minha irmã, de ela conhecer pelo metade dos jogadores pelo nome, de consultar a caderneta de cromos para saber o peso e a altura de cada um deles, para se ter uma ideia do que terá sido quando um dos nossos levavam com um adversário em cima.  Da blusa vermelha que usei no "A Tarde é Sua" e em todos os dias de jogos.  Do meu velho cachecol. De ver pessoas que, em circunstâncias normais, pouco ligariam ao futebol, tão entusiasmadas quanto eu.


Mas regressemos ao jogo antes de irmos por aí. Que, como seria de esperar, foi muito intenso, inadequado para cardíacos. Muita gente se queixou no Twitter ao longo de todo o encontro. Cedo, faríamos companhia a Eusébio...

Os primeiros noventa minutos foram muito equilibrados. Portugal foi a primeira - e única - equipa que conseguiu contrariar o tiki-taka espanhol neste Europeu. Dou graças à nossa defesa por tal feito, com destaque para Pepe e Rui Patrício. O primeiro surgia quase sempre que nuestros hermanos se aproximavam da nossa grande área. O segundo defendeu várias. Eu cheguei a pedir a canonização de ambos, comecei a chamá-los São Pepe e São Patrício, os nossos salvadores...

 

O pior é que a defesa espanhola não era inferior. O maldito Iker Casilhas agarrava todas!
 
Tirando isso, Portugal foi dominante durante quase todo o encontro. Mesmo no prolongamento, quando os nossos já estavam a meio-gás e os espanhóis começaram a encostar-nos ao nosso meio-campo, a nossa defesa continuava suficientemente organizada para lhes anular os ataques.
 
Cedo se percebeu que a coisa só se resolveria nos penáltis. E ninguém se sentia particularmente feliz com isso. Desempatando o jogo dessa forma, tudo podia acontecer - tinha noção disso mesmo antes do fim do prolongamento. Não acho que os penáltis sejam propriamente uma lotaria, mas, na minha opinião, são quarenta por cento perícia, trinta por cento estado psicológico e emocional, tanto do guarda-redes como do marcador, trinta por cento sorte.

 

 

 

A coisa até começou bem para o nosso lado, com o Rui Patrício a defender a primeira grande penalidade dos espanhóis. São Patrício, São Patrício... Pena foi João Moutinho ter estragado tudo. Quando ele ia bater o penálti, recordei-me, inevitavelmente, de um jogo da Taça de Portugal há alguns anos, entre o Sporting e o F.C.Porto, em que o Moutinho falhara o primeiro penálti de um desempate semelhante, decidindo o desfecho do jogo. Lembrei-me de o meu pai comentar que fora má ideia colocar tal pressão, tal responsabilidade, nos ombros de um jogador na altura tão jovem. Contudo, disse a mim própria que isso não significava nada, que o Moutinho já não tinha vinte anos, que ele era capaz de dar conta do recado. Ledo engano. Casilhas era demasiado bom.

 

 

Depois o penálti do Bruno Alves foi à trave. Não sei se foi por nervosismo do nosso defesa, se foi simplesmente azar. Voto na segunda - os ferros na baliza acabaram por ser os nossos maiores opositores neste Europeu. E os exemplos abundam. De tal forma que, como que para que não houvesse dúvidas de que os limites metálicos das balizas estavam contra nós, o remate de Fabregas também foi ao poste... mas a bola entrou, à mesma!

 

 

Talvez agora compreendam o título "Travados". A trave expulsou-nos do Europeu, mais do que os espanhóis!

 

 

Entretanto, já o Europeu terminou, já a Espanha se sagrou campeã, tornando-se a primeira seleção a conquistar três títulos consecutivos. Os italianos não tiveram qualquer hipótese, foram completamente cilindrados. A verdadeira final foi em Donetsk, connosco. Nós fomos a única equipa capaz de fazer frente aos espanhóis.
 
Contudo, não foi suficiente. Eu sabia que ia ser assim. Já tinha alertado para tal aqui no blogue, até mesmo antes do Europeu: nestes jogos, não chega jogar melhor, os desfechos são definidos com base em detalhes, em pormenores tornados pormaiores. Mas também é aquela: não se podia exigir muito mais aos jogadores portugueses.
 
Como muitos diriam, o futebol tem destas coisas.

 

 

Isto coloca um ponto final no Europeu da Polónia e da Ucrânia, nestas semanas gloriosas em que a Seleção esteve reunida, em que foi rainha e senhora das nossas atenções. Acho que aproveitei bem este mês e meio, mais coisa menos coisa. Não escrevi cá no blogue com tanta frequência como, se calhar, no Euro 2008 ou no Mundial 2010 porque, desta vez, tive - e vou continuar a ter - uma página no Facebook. As entradas no blogue são extensas, exigem bastante tempo - que o diga esta, que demorou mais de uma semana! No Facebook, é tudo muito mais rápido. Mesmo quando publico uma opinião um pouco mais extensa, demoro muito menos tempo. Além de que me permitiu, não só opinar sobre quase tudo o que saiu sobre a Seleção, mas também guardá-lo para a posteridade. Mantive-me, portanto, a parte de quase tudo. Acompanhei umas quantas conferências de Imprensa em direto. Vi e escutei diversos programas sobre o assunto. Gastei quase um caderno A5 inteiro, de espessura considerável, com notas e rascunhos de entradas. Fui à televisão dar a cara pela Turma das Quinas. Festejei a vitória frente à República Checa na rua, seis anos depois da última vez que o fizera.
 
A única coisa que lamento não ter feito é ter visto os jogos com várias pessoas, quer fosse no Campo Pequeno ou assim ou, simplesmente, num café ou restaurante. Posso ter estado acompanhada por muitos, um pouco por todo o Mundo, através do Twitter, mas não é a mesma coisa. Eu queria ver e ouvir as reações das pessoas, em vez de apenas lê-las.

 

 

 
Sim, aproveitei bem. E, sobretudo, valeu a pena aproveitá-lo. Pela primeira vez desde que tenho este blogue, a Seleção Nacional fez uma campanha num campeonato de seleções que vale a pena ser recordada. Pela primeira vez, sinto que fiz bem ao ter o blogue, a página do Facebook, ao não ter deitado fora os jornais dos dias que se seguiram aos jogos. 
 
Tem-me deprimido um pouco, mais do que o facto de não termos ido à final, a ideia de que o Europeu já acabou, que a Seleção já não está reunida, que a atenção já está a regressar aos clubes. Isto, adicionado ao facto de ainda estar em exames, faz-me, por vezes, desejar dolorosamente que a Equipa de Todos Nós estivesse, de novo, em estágio, que me levassem com eles para lá - fisicamente, não apenas uma parte de mim. Há quem recorde que a Qualificação para o Mundial 2014 já começa em setembro mas não é a mesma coisa.
 
Em suma, estou em ressaca de Seleção. Há de passar.
 
 
Uma das coisas que tem ajudado é pensar no próximo Apuramento. Os nossos adversários já são conhecidos desde há um ano. Em princípio, só a Rússia nos colocará dificuldades significativas, embora suspeite que Israel e a Irlanda do Norte não sejam tão inofensivos como parecem. De qualquer forma, espero que esta Qualificação seja bem menos atribulada que as duas anteriores. Sem tropeções graves, sem grandes polémicas, sem calculadoras. Sê-lo-á, certamente. Paulo Bento parece estar de pedra e cal ao leme na Seleção. Os Marmanjos provaram ter carácter. Alguns deles, como o Cristiano Ronaldo, o Nani, o Hugo Almeida, o João Moutinho, o Raúl Meireles, o Pepe, entre outros, já jogam juntos na Seleção há alguns anos. Além disso, Paulo Bento teve o mérito de, não tenho a espinha dorsal de nenhum clube, formar uma equipa sólida a partir de jogadores de clubes e campeonatos diferentes. 
 
Talvez dê para assistir a um jogo. Os meus pais, pela primeira vez em vários anos, parecem recetivos à ideia - ao preço a que estão os bilhetes, não dá para ir sem financiamento parental. E, definitivamente, vou voltar a assistir a treinos abertos, assim que eles voltarem ao Jamor.
 
 
Há quem já nos considere candidatos ao título no Mundial 2014 - que é o suposto prazo de validade desta equipa. Eu não estou assim tão otimista. Tenho medo que as circunstâncias deste Europeu não se repitam, que tenhamos perdido outra boa oportunidade. Que, em 2014, as coisas não corram tão bem para o nosso lado.
 
No entanto, ao longo do ano passado, tal como já mencionei em entradas anteriores, pressenti - não de uma forma cem por cento racional - que a Seleção estava lentamente a fortalecer-se cada vez mais, a regressar aos seus melhores tempos, tornando o sonho cada vez menos impossível. Este Europeu confirmou tais suspeitas. Podemos ter sido travados, mas tornámo-nos grandes de novo, somos outra vez uma das melhores seleções do Mundo e não é apenas por termos o Cristiano Ronaldo.
 
E o meu pressentimento agora é de que continuaremos a crescer, ao longo dos próximos dois anos. De que chegaremos ao Brasil ainda mais fortes. Talvez suficientemente fortes para voltarmos a lutar pelo título. 
 
 
Por enquanto, a curto e a médio prazo, uma coisa não mudará: a Seleção continuará a ser uma das poucas coisas em que poderemos acreditar no nosso País, que retribuirá todo o apoio que lhe for dado, que nos permitirá esperar por algo de bom no futuro. Foi o que aconteceu agora, neste Europeu. As próximas alegrias serão menores, provavelmente não durarão mais do que uma noite, na maior parte dos casos. Não resolverão os problemas a ninguém. Mas se ajudar alguém a dormir melhor nessa noite, já valerá a pena.
 
Deixo aqui o calendário da Qualificação para o Mundial 2014:
 

O capítulo Euro 2012 terminou, o capítulo Mundial 2014 começa em setembro. A coisa boa disto tudo é que há sempre um campeonato de seleções a cada dois anos, há sempre um recomeço, há sempre uma nova oportunidade se lutar pelo sonho. Temos sempre desculpas para continuar a acreditar. Ainda me encontro um pouco em luto mas temos o verão para recuperar. Continuarei a atualizar a página do Facebook - não tão frequentemente como nas últimas semanas pois as notícias escassearão e poderei, inclusivamente, estar de férias sem acesso à Internet. Mas se surgir algo sobre a Seleção, falarei disso. Mantenham-se ligados. A história continuará a ser escrita em setembro.