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O Meu Clube É a Seleção!

Mulher de muitas paixões, a Seleção Nacional é uma delas.

Renúncias, equipamentos e outros temas fraturantes

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Hoje à noite, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará a sua congénere checa. Depois, na próxima terça-feira dia 27 de setembro, receberá a sua congénere espanhola. Estes serão os últimos jogos a contar para a fase de grupos da terceira edição da Liga das Nações. 

 

Vou ser sincera: antes de segunda-feira estive perto de não escrever uma crónica pré-jogos para dupla jornada – sobretudo tendo em conta que me atrasei com o meu outro blogue. Acho que me esforçaria sempre por publicar qualquer coisa, por pequena que fosse, pois arrependi-me de não ter escrito antes dos jogos de junho

 

Mas não tinha mesmo muito a dizer. Esta foi uma Convocatória bastante conservadora. Fiquei surpreendida mas não devia ter ficado. Para além de ser Fernando Santos, há muito pouco espaço para treinar, para fazer experiências. O calendário futebolístico atual é uma coisa parva – mais sobre isso já a seguir – quase não há jogos particulares, não vai dar para fazer um estágio como deve ser antes do Mundial. Nós teremos dez dias e estamos entre os mais afortunados nesse aspeto. É provável que a Convocatória para o Mundial também não inove muito.

 

Até aqui tudo bem, um dia normal no escritório. Tudo mudou quando, na segunda-feira, Rafa – um dos Chamados para esta dupla jornada – anunciou que se ia retirar da Seleção.

 

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Não estava à espera desta. Já lá vão anos desde a última vez que tivemos de lidar com uma situação destas. 

 

De início fiquei preocupada, devo confessar. Como amante da Seleção, nunca gostei de renúncias por princípio. Além disso, da minha experiência, estas costumam ser sintomas de desentendimentos entre jogadores e Selecionador. Aconteceu com Carlos Queiroz, aconteceu com Paulo Bento. Quem acompanhe este blogue nos últimos tempos saberá que tenho andado com um pé dentro e um pé fora no que toca a Fernando Santos – desde o Euro 2020. Se isto significasse o que eu achava que significava, teria mais munições contra o Selecionador. 

 

Não me parece que seja esse o caso, no entanto. Até pelo timing da renúncia: antes desta, Rafa só tinha vindo à Seleção nas últimas duas jornadas do ano passado e em ambas fora dispensado por lesão. Se tivessem existido desentendimentos, Rafa teria renunciado mais cedo, não acham? 

 

É certo que, da última vez que Rafa esteve na Seleção, em novembro último, circularam rumores de "falta de empenho", de que ele "gerava desconforto na Equipa das Quinas. Hoje há quem diga que Rafa se ressente de ninguém o ter defendido na altura… o que não é verdade. Fernando Santos negou todos os rumores na altura, em entrevista. 

 

Da mesma maneira, também não acho que Rafa tenha saído por estar contra o uso de jogadores naturalizados ou porque o Otávio e o Diogo Costa foram maus para o Benfica, como alguns disseram – isso são as pessoas projectando as suas próprias birras na situação. 

 

A "teoria" que me parece mais plausível relaciona-se com gestão de tempo. Rafa nunca foi uma opção super consistente na Turma das Quinas. Foi Campeão Europeu mas mal jogou. Os seus poucos destaques de Quinas ao peito foram o primeiro jogo contra a Polónia em 2018 e o jogo contra a Hungria no Euro 2020. Nunca fez parte do núcleo duro de confiança de Fernando Santos. Foi Convocado para esta dupla jornada, mas é possível que não fosse titular em nenhum dos jogos. 

 

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Segundo Rui Casaca, um antigo dirigente do Sporting de Braga e conhecido de Rafa, este "valoriza muito a vida para além do futebol". Como muitos têm assinalado, entre a pandemia e um Mundial fora de horas, os calendários futebolísticos tornaram-se demasiado pesados nos últimos anos. Por estes dias, todos os clubes “grandes” têm dois jogos por semana. 

 

E eu pergunto-me: como é que os jogadores aguentam? Quando é que têm dias de folga? Desde que comecei a trabalhar e sobretudo no pós-pandemia, sou muito ciosa do meu tempo fora do trabalho. Não sei se conseguiria aguentar o estilo de vida de um futebolista como Rafa: sem fins-de-semana, desfasados de toda a gente, inúmeras viagens.

 

Tendo tudo isto em conta, não me choca que Rafa prefira ficar de fora da Seleção. Sobretudo se estiver convencido que só iria para lá aquecer bancos (não acho que fosse verdade, mas pronto). É possível que tenhamos outros exemplos, não só em Portugal, de jogadores renunciando às respetivas seleções por não aguentarem este ritmo. 

 

Dito isto tudo, a maneira como Rafa fez isto deixou muito a desejar. Para começar, devia ter avisado Fernando Santos antes da Convocatória, não depois. O Selecionador teria tempo para pensar numa alternativa – e calculo que seja uma logística complicada para a Federação Chamar um jogador fora de horas. 

 

Por outro lado, segundo declarações de Fernando Santos ontem, Rafa disse uma coisa ao Selecionador – que não podia comparecer nesta dupla jornada – e outra coisa à Federação – que não voltaria a envergar as Quinas. Mas que raio…? Só faz com que Rafa fique pior na fotografia. 

 

Tirando estes últimos aspetos, aceito a decisão de Rafa. Mas fico triste: este está a atravessar uma boa fase e agora não podemos aproveitá-la. Por outro lado, estou feliz por Gonçalo Ramos ter sido Chamado – é outro que anda a entusiasmar. 

 

 

Do outro lado do espectro temos Cristiano Ronaldo. Não sei se sou a única mas, depois das figuras tristes que fez no último Mercado de Transferências e da sua estranha situação no Manchester United, tenho-me interrogado se o seu papel na Seleção iria mudar. 

 

Suponho que ainda seja cedo para isso acontecer. Afinal de contas, ele saiu-se bem na última jornada – e como escrevi na altura, nós recebêmo-lo sempre de braços abertos.

 

Talvez seja por isso que Ronaldo nos seja tão leal. Talvez ele sinta que neste momento que a Seleção é o único sítio onde é verdadeiramente amado (embora ele só se possa culpar a si mesmo por isso). Ao ponto de ter adiantado esta semana que quer jogar no Euro 2004. Que teremos de levar com o “Cris” durante mais um par de anos, pelo menos.

 

Por um lado fico comovida. Tenho passado os últimos quatro ou cinco anos à espera que Ronaldo acorde um dia e decida que já não aguenta vir à Seleção. Antigos heróis meus, como Luís Figo, Rui Costa, Pedro Pauleta, Deco, fizeram isso e eu encaixei. Eu também encaixaria que Ronaldo fizesse o mesmo.

 

Mas ele não faz! Ele não nos vira costas! De uma maneira que vai além do racional, na minha mão. 

 

Porque esse é o reverso da medalha. Onde acaba o amor à camisola e ambição e começa a negação? Ele já não é um jovem. Na idade dele muitos jogadores já penduraram as botas há muito. Como pode ele ter a certeza de que irá aguentar? Tenho medo que este espírito deixe de ser saudável. Espero que Ronaldo saiba o que está a fazer.

 

Adiante. 

 

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No mesmo dia da Convocatória, foram apresentados os novos equipamentos. Desde que dediquei um texto inteiro a equipamentos da Seleção, fiquei contratualmente obrigada a pronunciar-me sobre cada coleção nova. E é o que vou fazer.

 

Uma última palavra para o equipamento principal de 2020. Como escrevi no outro dia na página, tomei o gosto a esta camisola. Quando saiu queixei-me dos colarinhos e, de facto, não adoro o pormenor. Na prática, eles não me incomodaram quase nada. Hoje colocaria este equipamento em terceiro ou quarto lugar na minha classificação.

 

Agora sobre este conjunto… No que toca ao equipamento principal, a minha primeira impressão não foi muito favorável. Percebo a ideia: durante muito tempo tivemos equipamentos só em vermelho quando a nossa bandeira é quarenta por cento verde, mais coisa menos coisa. A equipa por detrás dos equipamentos terá querido contrariar isso – o lema desta coleção é precisamente “Veste a bandeira”. Em 2020, recuperaram os clássicos calções verdes, para este quiseram pensar fora da caixa.

 

Eu aplaudo. Na minha classificação, favoreci os equipamentos mais criativos e o principal de 2022 é definitivamente um equipamento criativo. Mas talvez tenha ficado demasiado diferente para o gosto de muitos. Pessoalmente, acho que irei aprender a gostar deste equipamento. Como todos, vou precisar de vê-lo em campo. Daqui a um par de anos darei o meu juízo final. 

 

De resto, gosto muito desta coleção em geral. O equipamento alternativo é menos arrojado mas mais popular: eles raramente erram com equipamentos brancos com pormenores verdes e vermelhos – espero que lancem um boné a condizer. Os equipamentos de treino e as camisolas de passeio são também muito giros. Aliás, gosto muito da estética geral da coleção, que adotaram para as redes sociais das seleções: as diagonais, os padrões geométricos, as letras douradas.

 

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A única exceção é a camisola de aquecimento. Fui das primeiras a reparar e adivinhei logo as reações. A sério que ninguém entre os criadores fez o mesmo?

 

Não tenho muito a dizer sobre os jogos. Há quem diga que temos de pelo menos pontuar perante a Chéquia, para depois discutirmos o Apuramento com nuestros hermanos. Para ser sincera, acho mais seguro ganharmos aos checos e fazermos figas para que os suíços roubem pontos aos espanhóis – assim, não seríamos obrigados a vencê-los na terça-feira. 

 

Não que nos possamos fiar. 

 

Aliás, nenhum destes jogos será fácil. Como disse ontem Fernando Santos, os espanhóis tiveram sérias dificuldades em casa checa – e o estádio vai estar cheio, logo à noite. E mesmo que ganhemos – e eu acho que ganhamos – se a Espanha ganhar à Suíça, teremos de vencê-los na terça-feira. Recordo que só vencemos nuestros hermanos exatamente uma vez em jogos oficiais – no Euro 2004

 

Algo que joga a nosso favor é o facto de o jogo de terça se realizar em nossa casa – numa Pedreira esgotada. Tenho a certeza que o público tudo fará para facilitar a tarefa aos nossos Marmanjos.

 

Infelizmente, estou com um problema de timing nesta jornada. Hoje vou ter um jantar e não sei se terei acesso a uma televisão. Na terça-feira só saio do trabalho às 20h30 – só conseguirei ver a segunda parte do jogo com a Espanha e talvez não toda. 

 

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Não me queixo muito pois, no Mundial, não terei esse problema. Ou melhor tê-lo-ei em menor escala. Vou tirar uma semana de férias na semana dos jogos com o Uruguai e a Coreia do Sul para poder ver pelo menos esses dois jogos sem stress e ter tempo para escrever sobre eles no blogue. Há anos que queria fazê-lo e finalmente consigo – só é pena não ter conseguido tirar mais dias. 

 

De qualquer forma, mesmo não podendo ver, não deixarei de torcer. Será uma tarefa hercúlea, mas eu acredito. E se conseguirmos, se carimbarmos o regresso à final four da Liga das Nações, eu serei uma mulher feliz.

 

Como sempre, obrigada pela vossa visita. Força Portugal!