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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Adeus, Professor

Ontem, após quatro horas de reunião, Gilberto Madaíl pegou no telefone, ligou a Carlos Queiroz e anunciou-lhe que este não seria mais Seleccionador Nacional. Espera-se que este seja o fim, ou pelo menos o princípio do fim desta novela que já dura há tempo de mais. Entretanto, irão também ocorrer eleições antecipadas na Federação Portuguesa de Futebol.

Era o que toda a gente desejava (incluindo eu) e que toda a gente sabia que ia acabar por acontecer. O próximo capítulo será a escolha de um novo Seleccionador. Mencionam-se vários nomes, mas até agora nenhum foi confirmado.

Na minha opinião, esta decisão peca por tardia. Pode, aliás, ter sido tarde de mais. Teria sido bem melhor se o Professor tivesse sido demitido imediatamente depois do Mundial. Apesar de eu considerar que não teria sido justo, visto que o Campeonato do Mundo não foi tão mau como alguns pintam - só perdemos com a selecção que acabou por ser campeã, pela margem mínima, com um golo de legalidade discutível; se nos tivesse calhado outro adversário nos oitavos-de-final, a história poderia ter sido diferente. Eu protestaria na altura, mas, como já disse na entrada anterior, pior do que o que estamos a viver, seria difícil. Teria havido tempo para contratar um novo técnico, para este ter feito meia dúzia de treinos com a Selecção, talvez um jogo particular em meados de Agosto. E talvez não teríamos perdido cinco pontos na primeira jornada dupla da qualificação para o Europeu de 2012. Mas não. Foi preciso invocar ofensas ao Controlo Anti-Dopping, uma entrevista infeliz ao Expresso, prolongar a trapalhada até a situação se tornar insustentável, até toda a gente suplicar pelo fim da novela, com jogadores a sair e cinco pontos a voar pelo meio, para a Federação tomar uma decisão. Mais uma vez, obrigada!

Entretanto, já o Miguel veio anunciar que ia fugir, perdão, sair da Selecção. Sem comentários...

Agora, terão de escolher um novo Seleccionador. Não sei quem será o masoquista que reparar uma Selecção esmigalhada, tendo, talvez, de colar os cacos um a um, já em risco de ver o Europeu pela televisão. Se ficarmos fora da corrida, ele é que terá de lidar com as críticas quando a culpa nem sequer é dele, ou não totalmente dele. Em todo o caso, seja ele quem for, goste dele ou não, concorde com a sua contratação ou não, contará com o meu apoio incondicional. Tal como o Professor contou.

Quero, desde já, agradecer a Queiroz. Apesar de todos os erros que cometeu, que lhe custaram o cargo de Seleccionador, quero agradecer-lhe por ter tomado conta da Selecção, pelos bons momentos que me proporcionou através dela, por aturar tanto ataque, tanta crítica, em nome da Selecção. Obrigada, Professor. Apesar de tudo, obrigada.

Espero agora que esta novela termine rapidamente e que a Selecção Nacional regresse ao bom caminho. Isso inclui qualificarmo-nos para o Europeu.

Cinco golos sofridos, cinco pontos a voar

Finda a primeira dupla jornada desta fase de qualificação, a Selecção Nacional apenas ganhou um ponto, resultado de um empate por quatro bolas frente ao Chipre e de uma derrota por um golo sem resposta frente à Noruega. Agora corremos o risco de vermos o Europeu por um canudo, ainda agora a classificação começou. É o pior arranque de qualificação desde 1996. Mas não estou surpreendida. Estavam à espera de quê?!?!?!

Como já tinha dito na entrada anterior, não pude ver o jogo com o Chipre uma vez que estava no estrangeiro. Só soube do resultado do jogo no Domingo passado, quando nos deram jornais portugueses à entrada do avião de regresso. Vi o jogo de ontem, mas sem um milionésimo do interesse com que antes via os jogos da Selecção. E ainda bem, porque senão ainda me sentiria pior do que me sinto agora.

Não posso censurar os jogadores, nem mesmo Eduardo com aquele golo patético. Eles devem ser as maiores vítimas. O Ricardo Carvalho estava quase a chorar ontem à noite, na flash-interview (pelo menos, foi o que me pareceu...). Eu sabia que aquela novela toda ia - passe a palavra - "lixar" a Selecção. O Mourinho tinha avisado, vários jornalistas e comentadores tinham avisado, eu tinha avisado (confirmem entradas anteriores) e nem percebo muito de futebol. Tenho de dar os parabéns ao pessoal da Federação, a Carlos Queiroz, à Autoridade Antidopagem, a quem quer que seja responsável pela crise actual. Conseguiram dar cabo da Selecção Nacional, conseguiram destruir um dos nossos poucos pontos fortes no último Mundial, se não foi o único: a defesa, o nosso guarda-redes que nestes dois jogos sofreu tantos golos quantos os que tinha sofrido no Mundial e em mais de metade da fase de qualificação para este último campeonato. Obrigadíssima! Agora estamos de novo de calculadora na mão.

Porque é que voltei a Portugal? Porque é que não fiquei num país civilizado? Enquanto lia os jornais no avião de regresso, ainda nem este tinha descolado, e me apercebia que a novela estava longe do fim, já punha a hipótese de tentar fugir do avião para não ter de voltar. Antigamente, não há tanto tempo quanto isso, a Selecção era a única coisa que me prendia a este país sempre-em-crise, com uma justiça lenta e ineficaz, com pessoas sempre a queixarem-se da crise mas sem mexerem uma palha para combatê-la e políticos medíocres. A Selecção era a única coisa que nos fazia orgulharmo-nos de sermos portugueses - foi preciso um estrangeiro vir cá para que tal acontecesse! Mas agora conseguiram arruiná-la.

E eu não posso fazer nada, não consigo fazer nada. Já é suficientemente mau andarmos com maus resultados - se fosse só esse o problema, podia-se "resolver" com estímulos ao apoio popular para aumentar a motivação, preserverança e fé em Deus. Eu sempre podia ajudar um bocadinho. Mas quando a origem vem de dentro e de lá de cima, sem que ninguém esteja disposto a fazer nada, que se pode fazer?

Apenas pedir que resolvam isto de uma vez por todas. Já chego ao extremo de pedir que despeçam Queiroz de vez (nunca pensei vir a desejá-lo) se é isso que querem. Que se dane a adaptação a um novo treinador - pior do que a situação actual é difícil. Se for preciso paguem a cláusula de rescisão - duvido que seja maior do que os potenciais prejuízos de uma não-qualificação. E já vão tarde - mesmo que tudo se resolva agora, já voaram cinco pontos.

Entretanto, a nós, os adeptos, aqueles que não deixam de apoiar a Selecção mesmo nestes momentos, só nos resta esperar e rezar pelo fim desta trapalhada toda. Qualquer que seja o fim.