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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Portugal 0 Holanda 3 – Uma laranja bem amarga

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Na passada segunda-feira, dia 26 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol perdeu contra a sua congénere egípcia por três bolas sem resposta, em jogo de carácter amigável no Estádio de Genebra, na Suíça.

 

Quem foi a parva que pensou “Ai e tal, eles são nossos fregueses, não há de ser muito difícil”, quem foi?

 

Em minha defesa, a atitude dos Marmanjos, sobretudo no início do jogo, não terá sido muito diferente.

 

Voltei a perder a primeira parte do jogo, mas desta feita não me importei nadinha. Segundo a minha irmã, os jogadores estiveram por ali a brincar, até que, quando deram por ela, tinham levado três. Eu mesma vi, no resumo em vídeo, os portugas ali especados a olhar, nas jogadas que resultaram nos golos. Sinceramente, WTF?!?!

 

Agora que penso nisso, não me posso queixar da minha sorte. Da última vez que levámos com três golos sem resposta em quarenta e cinco minutos, também não tive de ver, por causa do trabalho. Ou será que é a minha “presença” que evita desgraças como esta?

 

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Havemos de voltar a falar do nosso último jogo com a Alemanha mais à frente. Regressando a este particular, depois de uma primeira parte mesmo muito má, a segunda parte terá sido melhorzita. Não que tenha sido alguma coisa de especial, mas sempre deu para não sofrer mais golos. Podíamos, até, ter conseguido reduzir a desvantagem… se o João Cancelo não se tivesse feito expulsar sem necessidade.

  

Depois desta, e de já ter tido culpas no cartório da última vez que tínhamos perdido, há um ano, Cancelo deve perder o comboio para o Mundial. É uma pena, o miúdo parecia ter tanto potencial no início da Qualificação… Mas talvez seja melhor Chamar Nélson Semedo ou Ricardo Pereira para aquela posição. Ou mesmo André Almeida.

 

Voltando ao jogo, com apenas dez em campo, só dava mesmo para manter o resultado. Ainda assim, Gonçalo Guedes e André Silva tiveram cada um uma oportunidade de chegar ao golo de honra.

 

Na verdade, a parte mais interessante destes quarenta e cinco minutos foi a invasão de campo. Veio-se a descobrir mais tarde que os adeptos em questão eram um humorista/YouTuber e o seu assistente e que aquilo fora tudo planeado. Tudo muito giro e tal… se não fosse a parte do beijo. Não sejamos hipócritas, se o Cristiano fosse uma mulher ninguém acharia piada. Em tempos de #MeToo, chamemos os bois pelos nomes: aquilo foi assédio.

 

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Mas admito que a cara de frete do Ronaldo teve piada.

 

Tirando esta situação, no entanto, os Marmanjos não se podem queixar dos adeptos portugueses no Estádio de Genebra: mesmo a perder por 3-0, não deixaram de puxar por Portugal e de cantar, inclusivamente o Pouco Importa (o que é, no mínimo, estranho num jogo como aquele…). Compreende-se: não é todos os dias que os emigrantes têm a hipótese de ver a sua Seleção ao vivo, é claro que eles vão aproveitar.

 

A Seleção em si é que fez muito pouco por merecer esse apoio.

 

E é isto. Não digo que foi uma noite para esquecer, porque temos mesmo de aprender com os erros que cometemos. Nem que as únicas coisas que tenhamos aprendido sejam, como diria Thomas Edison, aquilo que não resulta. Está visto, por exemplo, que a maneira como jogámos nesta dupla jornada, sobretudo no jogo com a Holanda, não resulta. Ainda menos resultam as invenções de Fernando Santos neste jogo, conforme explicam aqui (no que toca a estes aspetos mais técnicos, prefiro dar a palavra a outros).

 

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O Selecionador, de resto, assumiu a responsabilidade pela derrota, afirmando mesmo que Portugal tem de “voltar a ser a equipa rigorosa do Euro”. Eu concordo por completo até porque fiquei um bocadinho apreensiva com a goleada que os espanhóis impuseram aos argentinos.

 

Admito, no entanto, que isso vem um pouco influenciado pela onda de pessimismo entre os adeptos portugueses, após o jogo com a Holanda (a Argentina não tinha muitas das suas maiores estrelas, como Lionel Messi, Di Maria e Aguero, a jogar). É um bocadinho hipócrita e tipicamente português: como reza aquele meme do Joker, fazemos a nossa melhor Qualificação em números e uns quantos particulares aceitáveis, ninguém liga. Fazemos um particular mau, cai o Carmo e a Trindade.

 

Ainda no outro dia comentei que estes particulares raramente espelham o verdadeiro valor de uma equipa – tanto o nosso como o de Espanha e o do Irão, que também teve um bom resultado num particular. Além disso (conforme já disse noutra ocasião, acho eu), depois de ter sobrevivido ao nosso desempenho no Mundial 2014, destaque para o jogo com a Alemanha (essa sim, uma derrota verdadeiramente destrutiva e traumática), não será um mísero particular a tirar-me o sono.

 

Mas fico chateada. Estivemos quatro meses sem jogos da Seleção. Hoje em dia lido melhor com a espera do que há uns anos e, como referi antes, já não me entusiasmo muito com jogos como estes. Mesmo assim, estava à espera de um bocadinho mais do que as exibições sofríveis nesta dupla jornada.

 

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Em todo o caso, é bom que isto tenha acontecido agora, a setenta e cinco dias do Mundial, quando ainda há tempo de corrigir. Estou disposta a levar com um par de jogos maus nesta altura do campeonato, em troca de jogos bons quando for a doer. Fernando Santos sai desta dupla jornada com imenso trabalho para casa. Se ele tem por objetivo ganhar o Mundial, tal como tem pregado, vamos precisar de mais.

 

Entretanto, eu mesma já ando a preparar o Mundial à minha maneira. Este blogue vai completar dez anos online em Maio e não vou deixar a ocasião passar em branco. Já alinhavei o primeiro rascunho dessa publicação. Da mesma forma, estou a pensar começar a escrever a habitual crónica pré-Convocados algures nos próximos dias. Eu sei que ainda falta cerca de um mês e meio para a Convocatória e início do estágio, mas ando com menos tempo para escrever e, com dois blogues para gerir, acho melhor deixar isto adiantado.

 

Saio desta jornada dupla um bocadinho desiludida, mas não é grave. Tenho as minhas reservas relativamente ao Mundial, como lerão num texto futuro, mas isso não significa que não acredite. Há tempo suficiente para corrigirmos as falhas e prepararmo-nos. Estes dois últimos jogos dificilmente ficariam na História, tal como vimos antes. Que ao menos nos ajudem a preparar-nos para fazermos História, a partir de junho.

Portugal 2 Egito 1 – Capitão ao resgate... outra vez

HDACg.jpgNa passada sexta-feira, dia 23 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere egípcia por duas bolas a uma, em jogo de carácter amigável no , em Zurique, na Suíça.

 

Isto apesar de, aos noventa minutos, o marcador assinalar um-zero, a favor do Egito. O que aconteceu? Cristiano Ronaldo.

 

Comecemos pelo princípio.

 

Só saí do trabalho às oito no dia do jogo, logo, não pude acompanhar a primeira parte na televisão – só na rádio e, mesmo assim, falhei os primeiros quinze, vinte minutos. O que foi uma pena, pois dizem que foi o período mais conseguido da parte de Portugal.

  

No entanto, tecnicamente, a primeira grande oportunidade de golo ter pertencido aos egípcios, aos sete minutos. Fiquei de queixo caído ao ver o resumo: um entendimento perfeito entre os avançados faraós e um remate que obrigou Beto a esmerar-se.

 

Só prova que esta seleção egípcia não é de desprezar. Atenção a eles no Mundial!

 

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Consta que os portugueses acabaram por abrandar o ritmo ao fim de algum tempo, como costuma acontecer neste tipo de jogo. Ainda assim, a bola chegou a atingir as redes egípicas perto do intervalo – após cabeceamento de Rolando, na sequência de um pontapé de canto. O central, contudo, estava fora-de-jogo e o golo foi anulado.

 

Foi pena, teria sido a maneira ideal de regressar à Seleção após quatro anos de ausência.

 

Vi a segunda parte na televisão, mas achei uma seca. Portugal continuava por cima do jogo, estatisticamente, mas o ritmo da primeira parte já se perdera havia muito e a equipa estava desconjuntada. Não era algo que desse grande gozo ver.

 

E, infelizmente, os faraós acabaram por chegar à vantagem. João Moutinho e Rúben Neves deixaram Salah sozinho, este recebe uma bola devolvida por Said e faz um remate sem defesa possível.

 

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O Manuel José bem tinha avisado que o Egito era “Salah na frente e um muro lá atrás”. O Moutinho e o Rúben Neves, pelos vistos, não receberam o recado.

 

Em defesa dos Marmanjos, nenhum deles se conformou com a desvantagem, sobretudo durante os últimos quinze minutos do jogo. De uma forma tipicamente portuguesa, deixámos tudo para a última hora (como se eu tivesse autoridade para criticar, que estou a publicar isto no dia do jogo com a Holanda, a pouco mais de meia-hora de começar a trabalhar…). Tivemos algumas boas oportunidades – um remate de Raphael Guerreiro, que rasou o poste, e um de Bruno Fernandes, que obrigou o guarda-redes egípcio a esmerar-se.

 

No fim – literalmente, estávamos em tempo de compensação – foi o papá-Ronaldo a resolver a coisa. Outra vez. E, tal como referi depois do jogo com a Andorra, é caricato, mas dá muito jeito.

 

Desta feita, Ronaldo teve a ajuda do seu habitual sidekick, Ricardo Quaresma, que fez um centro muito típico dele. Seria também Quaresma a, minutos mais tarde, cobrar um livre, direto para Cristiano cabecear para as redes.

 

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A euforia pelo golo foi interrompida pela intervenção do vídeo-árbitro, por possível fora-de-jogo. É um bocadinho enervante, confesso. Nós cá em casa tínhamos acesso às repetições, conseguíamos ver que não havia fora-de-jogo nenhum. Mas quem nos garantia que o árbitro chegaria à mesma conclusão? Já houve uma ocasião na liga portuguesa em que isso não aconteceu.

 

É chato, sim, mas, se me permitem uma comparação mais brejeira, o VAR é como o preservativo: pode estragar o clima, por vezes, mas os benefícios compensam.

 

Felizmente, desta vez, o árbitro tomou a decisão correta e validou o golo. O jogo terminou poucos minutos depois.

 

É sempre mais agradável ganhar do que perder, mas o resultado no marcador não disfarça as falhas demonstradas pela Seleção durante o jogo. Se isto foi uma espécie de ensaio para o jogo do Mundial com Marrocos, ainda existem várias arestas por limar. Fernando Santos diz que tem por objetivo ganhar o Mundial – mais sobre isso um dia destes. Para isso, vamos ter de fazer mais.

 

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Por outro lado, da experiência que tenho, particulares como este raramente refletem o verdadeiro valor de uma seleção. Isso vê-se quando é a sério – para o melhor e para o pior.

 

Em todo o caso, hoje temos mais um, frente à Holanda. A ver como este corre.

 

Continuem a acompanhar o que se passa com a Seleção, quer através deste blogue, quer da sua página no Facebook.

Piloto automático

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Na próxima sexta-feira, dia 23 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol enfrenta a sua congénere egípcia no Stade Letzigrund, em Zurique, na Suíça. Três dias mais tarde, enfrentará a sua congénere holandesa, no Stade de Geneve, em Genebra, também na Suíça. Ambos serão jogos de carácter particular.

 

Fernando Santos Divulgou os Convocados para esta dupla jornada de amigáveis na passada quinta-feira, dia 15. A principal novidade é a estreia do central do Benfica, Rúben Dias – um jovem de vinte anos, que poderá rejuvenescer um setor cheio de trintões. Um deles, por sinal, é Rolando, que foi Chamado pela primeira vez desde 2014. Pepe está lesionado, mas Bruno Alves e José Fonte voltaram a ser Convocados.

 

O que acho um bocadinho estranho, confesso – sobretudo o segundo, que foi jogar para a China. Não valeria a pena chamar outro jovem, como Ricardo Ferreira por exemplo?

 

Fernando Santos, contudo, não parece preocupado com a idade. No seu estilo habitual disse mesmo: “Velhos são os trapos. Não tenho jogadores velhos cá. Eu não me sinto velho e tenho 63 anos, quanto mais alguém com 34 ou 35.”

 

Enfim, ele lá saberá.

 

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Infelizmente, o Rúben sofreu um toque no jogo entre o Benfica e o Feirense, ontem, e teve de ser substituído. Consta que não será nada de grave, mas não dá para ter a certeza. À hora desta publicação, ainda não se sabe se ele terá de falhar estes particulares. Façamos figas para que não tenha.

 

Se tiver mesmo de falhar, que o anunciem depois de publicar este texto, para eu não ter de reescrever os parágrafos anteriores…

 

Não há muito mais a assinalar sobre esta Convocatória – era mais ou menos o que eu esperava. Fernando Santos diz que, nesta, estará “setenta por cento daquela que será a lista final. Se juntarmos esta à de novembro, então sim, diria que estamos muito próximos.” Não deveremos ter grandes surpresas em maio (deverão anunciar a 14 ou 15).

 

Segundo Fernando Santos, os adversários desta dupla jornada foram escolhidos por terem semelhanças com os novos adversários da fase de grupos do Mundial. O Egito, para começar, terá sido escolhido para simular o jogo com Marrocos.

 

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Uma das semelhanças entre os marroquinos e os faraós (congnome da seleção egípcia) é o facto de… quase nunca termos jogado contra eles, antes. Houve um jogo em 1955, em que ganhámos 4-0, mas isso foi há mais de sessenta anos. Para além desse, só houve mais um, em agosto de 2005. Ganhámos 2-0, golos de Fernando Meira e Hélder Postiga… mas, apesar de já seguir a Seleção nessa altura, não me lembro de nada desse jogo. E vocês sabem que eu tenho boa memória para estas coisas.

 

O jogo não deve ter sido muito interessante.

 

Outra semelhança entre o Egito e Marrocos é o facto de ambos se terem Qualificado para o Mundial pela primeira vez em muito tempo – vinte e oito anos (a minha idade) no caso dos faraós. Segundo este artigo, os egípcios também parecem jogar muito à defesa, raramente sofrendo mais do que um golo. Tal como referi antes, um género de estratégia perante o qual os portugas não costumam dar-se muito bem.

 

É uma boa ideia usarmos um destes particulares para trabalharmos nesse aspeto.

 

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Por essa lógica, a Holanda foi escolhida por ser parecida com a Espanha? Não sei, é possível que hajam semelhanças táticas entre as duas seleções. Os seus historiais perante nós, no entanto, não podiam ser mais diferentes. À Espanha só ganhámos uma vez em jogos oficiais, mas, como dizia Luíz Felipe Scolari, a  Holanda é nossa freguesa. A nossa vitória mais recente perante eles foi no Euro 2012. Um ano mais tarde empataríamos com eles num particular.

 

Como se isso não bastasse, a Holanda não atravessa uma boa fase, como é do conhecimento geral. Não esteve no Euro 2016 e também não vai estar no Mundial 2018. Não estou à espera que nos coloquem muitas dificuldades, portanto. Mas nunca é boa ideia subestimar o adversário – os franceses que o digam!

 

Ao contrário de outros anos pares, nesta altura do campeonato ainda não tenho pensado por aí além acerca do Mundial. Não existe nenhum motivo especial para isso tirando, talvez, o facto de andar ocupada com outras coisas. Talvez me sinta mais entusiasmada quando faltar menos tempo e começar a trabalhar a sério nos textos que quero publicar em maio – hei de falar melhor sobre eles depois destes jogos.

 

Por outro lado, as coisas no futebol, sobretudo cá em Portugal, andam… esquisitas. Às vezes vou comentando uma ou outra notícia na página, mas na maior parte do tempo marimbo-me para o que se passa. Sinceramente, tenho mais que fazer.

 

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Dito isto, talvez faça bem ao futebol português que o campeonato pare por duas semanas – a ver se os ânimos acalmam um bocadinho.

 

Tirando isso, bem como a possibilidade de ver a Seleção reunida e a jogar de novo, aqui entre nós, já não acho muita piada a jogos particulares como estes. Quando escrevo sobre eles, sobretudo crónicas pré-jogo como esta, faço-o quase em piloto automático – passadas semanas, esqueço-me de uma boa parte do que escrevi. Aconteceu com os jogos de novembro, tenho medo que aconteça o mesmo com estes.

 

A verdade é que, nove em cada dez casos, particulares como estes são irrelevantes – ao fim de dez dias, já toda a gente se esqueceu deles. É por estas e por outras que dou graças pela Liga das Nações – por diminuir o número de amigáveis secantes e por alterar os calendários habituais das seleções. Será menos provável voltar a sentir-me desgastada com o blogue, como aconteceu antes.

 

Enfim, como julgo ter dito antes em circunstâncias parecidas, se tudo isto ajudar a Seleção a ter um bom desempenho no Mundial, não me importo. Nesta altura, estou ansiosa pelo início da concentração, por ver os Marmanjos juntos de novo – por uma amostra daquilo de nos espera a partir de meados de maio.

 

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Ainda não sei se escreverei sobre os dois jogos numa única crónica. Nesta jornada dupla, queria tentar escrever um texto para cada um deles. Não garanto que consiga fazê-lo – ou que não decida que o jogo com o Egito não foi assim tão interessante para ter uma entrada dedicada só a ele. Já sabem como sou. Mas quero tentar, pelo menos.

 

Em todo o caso, já sabem, sigam a minha página para atualizações sobre os meus planos para o blogue, bem como para notícias e comentários rápidos sobre a Seleção e o futebol em geral. Obrigada pela vossa visita.

 

Seleção 2017

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Uma das tradições deste blogue tem sido fazer uma retrospetiva daquilo que aconteceu com a Seleção, no fim de cada ano. No ano passado, não consegui cumpri-la, por motivos que expliquei aqui. Consegui, no entanto, reescrever e publicar esse texto no outro dia. E agora, que a revisão de 2016 já está despachada, podemos falar sobre 2017.

 

Neste texto vamos recorrer, de novo, ao modelo do texto anterior: em vez de recordarmos exaustivamente tudo o que aconteceu, vamos falar apenas do melhor e do pior. Assim, sem mais delongas, recordemos…

 

O pior

 

  • Falharmos a final da Taça das Confederações

 

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O jogo das meias-finais da Taça das Confederações, frente ao Chile, foi o único jogo oficial em 2017 que não correu bem. Estatisticamente foi um empate, ou seja o jogo com a Suíça, no início da Qualificação, continua a ser o único jogo oficial em que perdemos desde 2014. Na prática, foi uma derrota. Impediu-nos de chegar à final.

 

Os primeiros trinta, quarenta e cinco até foram bem disputados pelas duas equipas. Depois disso, no entanto, ambas acabaram por se retrair, os portugueses sobretudo – um erro, na minha opinião. Portugal tinha todas as condições para, pelo menos, tentar ganhar o jogo antes do prolongamento. Ou, no mínimo, dos penáltis. O árbitro até deu uma ajudinha, ao ignorar um penálti contra nós. Deus Nosso Senhor também ajudou, com isto. Podíamos ter aproveitado a maré favorável para matarmos o jogo. Em vez disso, preferimos ficar placidamente à espera dos penáltis…

 

...onde nem sequer fizemos boa figura – bem pelo contrário. Nem um penálti convertido. Demasiado mau.

 

Portugal tinha capacidade para mais do que isto. Não podemos culpar ninguém tirando nós mesmos. Com jogadores como André Silva, Gelson Martins e Bernardo Silva, não era preciso jogarmos sempre à defesa. O Chile, ainda por cima, nem sequer se Apuraria para o Mundial. É certo que a Qualificação funciona de maneira diferente na América do Sul, parece ser mais difícil, mas mesmo assim.

 

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Ganharíamos à Alemanha na final? Não sei. Os alemães não se ralavam tanto com este campeonato como nós. Deram-se, até, ao luxo de deixar as suas principais estrelas de fora. E no entanto… ganharam à mesma. O que acontecerá quando se apresentarem no Mundial, na sua máxima força?

 

Tudo seria possível numa final entre Portugal e esta Alemanha, na minha opinião. Valia a pena termos tentado ir à final, pelo menos. Até porque não é certo que voltemos a ter Taça das Confederações.

 

Enfim, pode ser que tenha servido para aprendermos com os erros, como escrevi na altura, para que não tornemos a cometê-los noutras ocasiões. Além disso, já lá vão sete meses desde a final… e ninguém fala sobre a Taça das Confederações. Ninguém parece ralar-se muito.

 

Isto foi para mim o pior de 2017 e, como poderão concluir, nem sequer foi assim tão grave. Só prova que vivemos anos abençoados em termos de Seleção.

 

E por falar disso…

 

 

O melhor

 

  • O terceiro lugar na Taça das Confederações

 

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Eu sei que isto entra em contradição com o que disse antes. No entanto, ainda que o nosso desempenho não tenha sido tão bom como poderia ter sido, continuo a achar que não foi mau – sobretudo tendo em conta que foi a nossa estreia na prova. Ficámos em terceiro lugar, ganhámos a medalha de bronze. Antes disso, as únicas medalhas que tínhamos ganho foram três: o bronze, no Mundial de 66; a prata, no Euro 2004; o ouro, no Euro 2016. Não estamos em posição de desvalorizar.

 

Além disso, sempre foi um campeonato de seleções num ano ímpar, algo que para mim e para Portugal (pelo menos nos últimos anos) foi inédito. Mesmo que não tenha tido o mesmo mediatismo que um Europeu ou Mundial, mesmo que nenhum dos jogos tenha sido particularmente memorável. Um estágio prolongado e uma mão-cheia de jogos da Seleção são o suficiente para me fazer feliz. E estes terminaram com uma vitória e com uma medalha. Não me posso queixar.

 

  • O Apuramento direto para o Mundial

 

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Depois do nosso começo em falso e de mais de um ano de braço-de-ferro, conseguimos assegurar um lugar no Mundial, no último jogo da Qualificação – frente à Suíça, o mesmo adversário com que tínhamos começado. Voltou a ser um alívio evitarmos os play-offs. É certo que estes, no passado, nos proporcionaram um par de jogos épicos… mas esta via é melhor para a nossa pressão arterial.

  

Se formos a ver, há vinte anos que não falhamos um campeonato de seleções – algo de que equipas de renome, como a Inglaterra, a Itália e a Holanda, não se podem gabar (e consta que, da última vez que falhámos, a culpa foi, pelo menos em parte, de um árbitro francês e idiota). A minha irmã nunca viu a Seleção falhar um Apuramento. 

 

A noite em que garantimos a Qualificação foi uma das minhas mais felizes em 2017. Não só pelo jogo em si, que foi um verdadeiro triunfo de equipa, mas também por momentos como a fotografia com os adeptos suíços e o encontro com os autores (?) do Pouco Importa (mais detalhes na análise a esse jogo).

 

Tal como escrevi na altura, é para noites como essa que estamos todos aqui.

 

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E foi isto o 2017 da Seleção. Continuamos a atravessar uma fase abençoada, não temos de todo motivos de queixa. Como em muitas outras ocasiões, serviu-me de consolo num ano que nem sempre foi fácil – nem para mim, sobretudo na segunda metade, como para o próprio país, tal como vimos aqui.

 

2018 veio cheio de promessas. Para começar, marcará o décimo aniversário deste blogue – e já tenho planos para assinalar essa data. Temos também o Mundial, claro, para o qual todos os sonhos são permitidos.

 

Por fim, teremos a estreia da Liga das Nações, uma prova que promete mexer com as rotinas das seleções e apimentar os anos entre Europeus e Mundiais. O sorteio para a primeira edição da prova realiza-se amanhã (o meu dia de anos, por sinal. É a primeira vez, desde que me lembro, que acontece algo relacionado com a Seleção no meu aniversário. Eu preferia um jogo, mas enfim…).

 

Ainda estou para ver como é que o mundo do futebol vai reagir à Liga das Nações. Aposto o que quiserem que vai haver gente dos clubes queixando-se de mais uma prova, que lhes roubará e/ou estragará os brinquedos. Eu, no entanto, estou entusiasmada. Até porque terá uma fase final, em junho de 2019, com as quatro primeiras classificadas da liga A, a nossa. Se Portugal conseguir ficar em primeiro no seu grupo, teremos um mini-campeonato de seleções num ano ímpar. Mais: pode até decorrer no nosso país!

 

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Havemos de falar melhor sobre a Liga das Nações noutra ocasião. Para já, sei que já vou um bocadinho tarde, mas queria deixar-vos votos de um excelente 2018. Encontramo-nos de novo em março, para os próximos jogos da Seleção. Se não quiserem esperar até lá, visitem a página de Facebook do blogue.

 

Seleção 2016

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Não, não é gralha: isto é mesmo a revisão de 2016… a meio de janeiro de 2018. Conforme poderão ler aqui, há um ano tentei escrever o meu balanço de fim de ano habitual, recordando tudo o que tinha acontecido com a Seleção em 2016. Só que o texto atrasou-se, enrolou-se, e acabei por desistir. Continuo sem me arrepender da decisão. Mas isso não significava que 2016 não merecia um texto a ele dedicado.

 

Eis-me aqui, portanto, fazendo uma segunda tentativa na revisão de 2016, mais de um ano mais tarde. Eu queria, aliás, ter publicado este texto mais perto do início do ano, mas não consegui. Não foi por motivos fúteis – pelo contrário, foram quase de vida ou de morte. Mas mais vale tarde do que nunca.

 

Vamos fazer isto de uma maneira diferente, no entanto. Em vez de recordarmos tudo exaustivamente, por ordem cronológica, vamos apenas falar do melhor e do pior deste ano. No caso de 2016 e de 2017, não há assim tanto sobre que escrever n’“O pior”, logo, parece-me um bom sítio por onde começar.

 

Assim, sem mais delongas…

 

O pior

 

  • A fase de grupos do Europeu

 

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Ninguém adivinharia o final da nossa campanha no Euro 2016 com base, apenas, no nosso desempenho na fase de grupos. Com adversários bem menos prestigiados e experientes, ninguém estava à espera que Portugal sentisse tantas dificuldades. De uma maneira muito típica nossa, fomos nós mesmos a criar essas dificuldades, mais do que os nossos adversários.

 

Recordemos os jogos individualmente. Os portugueses entraram um pouco nervosos no jogo com a Islândia, mas acabaram por crescer e Nani marcou aos trinta e um minutos. No entanto, o segundo golo, que consolidaria a vantagem no marcador, nunca veio. A Islândia empatou ao início da segunda parte e Portugal não conseguiu regressar à vantagem. Foi um daqueles jogos típicos, em que a Seleção domina em todos os aspetos e mais alguns… exceto no número de golos marcados.

 

Ainda hoje muitos criticam o estilo de Fernando Santos, de empates ou vitórias pela margem mínima, com exibições pouco empolgantes. Eu no entanto, ainda que também não seja grande fã (e esteja aliviada por, hoje, termos um ataque mais acutilante), prefiro esse estilo a vitórias morais.

 

Em retrospetiva, as polémicas críticas de Cristiano Ronaldo ao jogo islandês são irónicas: porque são, essencialmente, as mesmas que fariam a Portugal mais à frente, no campeonato. E também porque seria um golo da Islândia a enviar-nos para um percurso mais “fácil” até à final de Paris. Cristiano Ronaldo faria muitas coisas boas neste campeonato – e nem todas seriam golos ou assistências – mas este foi um momento infeliz.

 

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Estou convencida, por outro lado, que foi neste jogo que nasceu a Islândia equipa-sensação do Euro 2016, que expulsaria a Inglaterra do campeonato. Ou pelo menos contribuído para essa Islândia – recordar que eles, antes, já tinham ultrapassado a Holanda na Qualificação para este Europeu.

 

jogo com a Áustria foi ainda pior, o ponto mais baixo de 2016. Portugal jogou melhor, mas voltou a não conseguir traduzir a sua superioridade em golos. Foram vinte e cinco os remates falhados, incluindo um penálti de Cristiano Ronaldo. As críticas choviam fora e dentro de Portugal, não sem razão: aquilo estava a ser patético. Eu sentia-me particularmente desanimada.

 

Foram nestas circunstâncias que Fernando Santos proferiu as, hoje lendárias, palavras: “Eu já disse à minha família que só vou dia 11 para Portugal. (...) E vou lá e vou ser recebido em festa.”

 

Hoje adoramos estas palavras – eu acho mesmo que ficarão gravadas na lápide dele – mas na altura, eu lembro-me, ninguém achou piada. Ninguém podia vê-lo à frente. Eu não ia a esse extremo, mas também não tinha argumentos para defendê-lo. Eram palavras muito bonitas e tal, éramos onze milhões em campo, mas nada daquilo estava a ser colocado em prática.

 

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Cristiano Ronaldo também responderia às críticas, de uma maneira… curiosa. Foi na manhã do jogo com a Hungria, durante o passeio da praxe, antes dos jogos. Depois de dias e dias de dedos apontados, a tampa saltou-lhe. Ou melhor, saltou o microfone do jornalista da CMTV que teve a infeliz ideia de tentar arrancar umas palavras ao Capitão.

 

Lembro-me perfeitamente de me ter fartado de rir depois de ver as imagens pela primeira vez. Ainda hoje, mais de ano e meio depois, acho hilariante. Quando contar aos meus filhos e netos acerca deste Europeu, este momento não vai ficar de fora. E vou garantir-lhes que o CM mereceu.

 

O jogo com a Hungria foi igualmente caricato. O próprio Fernando Santos admitiu que, se houve jogo em que a Seleção jogou mal, “à parva”, foi neste. Por três vezes a Hungria esteve à frente no marcador e Portugal com um pé de fora do Europeu. Duas dessas ocasiões deveram-se a livres marcados no mesmo sítio, por faltas do mesmo Marmanjo: Ricardo Carvalho. A nossa sorte – como em muitas outras ocasiões – foi termos Cristiano Ronaldo para repôr a igualdade.

 

Fernando Santos seria, mais tarde, muito criticado por ter colocado a equipa a defender, aparentemente satisfeito com o segundo lugar do grupo – que nos atiraria para o caminho mais difícil até à final.

 

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Teríamos conseguido chegar a Paris através dos “tubarões”? Eu gostaria de pensar que sim, mas não dá para ter a certeza. Seria mais difícil, sim, mas também Portugal mostrou sempre uma equipa difícil de vencer. Não seria de todo impossível.

 

De qualquer forma, a Islândia marcou à Áustria no último minuto, subindo ao segundo lugar. Nós ficámos em terceiro e não precisámos de nos preocupar com os tubarões – isto é, até encontrarmos um, na final.

 

O fraco desempenho no grupo acabou por não ter consequências de maior, a longo prazo. Mas não havia necessidade. A Equipa de Todos Nós já nos faz sofrer em demasia, já ajudava se pelo menos tentasse reduzir o sofrimento auto-infligido, como no grupo do Europeu.

 

Mas, depois destes anos todos, acho que é uma impossibilidade física a Seleção Portuguesa não se boicotar a si mesma. E já que falamos disso, passemos ao segundo item d’“O pior”.

 

 

  • A derrota perante a Suíça

 

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Esta foi a única derrota em jogos oficiais em todo 2016 e… bem, em todo o “mandato” de Fernando Santos, até agora. Tinham passado menos de dois meses desde a final de Paris. Ainda estávamos em celebração. Na semana anterior, a Seleção tinha sido homenageada no Salão Nobre da Câmara Municipal do Porto e realizado um particular com Gibraltar – que serviu para festejar o primeiro título com os adeptos, mais do que para outra coisa qualquer. Estávamos nas nuvens, eu incluída.

 

É claro que ia dar para o torto.

 

A Seleção Portuguesa nem sequer jogou assim tão mal, a entrada até foi boa. Bastaram menos de dez minutos de desconcentração (de “deslumbramento”, segundo Fernando Santos) para a coisa correr mal: os suíços marcaram dois golos quase de seguida, dos quais Portugal não conseguiu recuperar. Esses dez minutos infelizes ficaram colados a nós durante o resto da Qualficação, como uma âncora. Só nos livrámos deles mais de um ano mais tarde.

 

Na altura foi um valente balde de água fria mas agora, em retrospetiva, não acho que tenha sido uma coisa assim tão má. Os adversários deste grupo de Qualificação estavam longe de ser estimulantes. Ao ficarmos obrigados a ganhar todos os jogos depois do primeiro, demos uma dose saudável de adrenalina a este Apuramento (ainda que este se tenha tornado repetitivo, ao fim de algum tempo). Além de que, conhecendo o historial da Turma das Quinas, era possível que acabássemos por escorregar perante uma das seleções de menor prestígio – sobretudo se não tivéssemos, ainda descido à Terra, após o Euro 2016. A coisa podia ter ficado mais complicada do que chegou a ser.

 

Mesmo assim, foi uma oportunidade perdida para fazermos uma Qualificação imaculada. Enfim. Fica para a próxima.

 

O melhor

 

  • Preciso mesmo de dizer?

 

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Tirando a fase de grupos (e mesmo assim), o Euro 2016 e as semanas que se seguiram foram dos períodos mais felizes da minha vida nos últimos anos. Guardo imensas boas recordações dessa altura. A minha família toda festejando o golo de Ricardo Quaresma, no último minuto do jogo com a Croácia; escrevendo a minha análise a esse jogo uns dias depois, num café cheio de gente vendo o Espanha x Itália; indo buscar a minha irmã a uma conferência, depois do jogo com a Polónia, com um cachecol preso à janela do carro; descobrindo que jogaríamos contra o País de Gales durante um passeio à beira do Tejo; no carro com a minha irmã, na noite de 3 de julho, comentando:

 

– Já pensaste que, daqui a uma semana, podemos estar na final de Paris?

 

Lembro-me também de, depois das meias-finais, irmos tomar um copo com os meus tios (o meu tio fazia anos) e de ver pessoas festejando a presença na final; de passar os primeiros dias seguintes num estado de perpétua incredulidade; de passar de carro, no dia 9 de julho, perto do local onde esperámos o autocarro da Seleção, antes da final do Euro 2004; de recordar, nesse mesmo dia, que dez anos antes tinha ido receber a Seleção ao Jamor, depois do Mundial 2006.

 

Mas a melhor de todas foi a de 10 de julho, a que fez toda a diferença. Eu guardo boas recordações de quase todos os campeonatos de seleções que testemunhei. De uns mais do que outros mas, antes de 2016, todos acabavam da mesma forma: com a expulsão de Portugal desses campeonatos e comigo em baixo durante algumas semanas.

 

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Desta vez foi diferente.

 

Não é só da noite de 10 de julho que guardo boas recordações. O dia todo foi muito bem, tirando os primeiros 109 minutos da final – mais sobre isso adiante. Lembro-me de ver a minha crónica pré-final destacada no Sapo Blogs (um texto de que me orgulho muito) logo de manhã, para começar bem. De ter passado o dia ouvindo música relacionada com a Seleção (não apenas as das minhas antigas montagens de vídeos, mas também o Bamos Lá Cambada, cortesia do meu pai…), vendo mensagens de apoio vindas de todo o lado, nas redes sociais, de eu mesma partilhar várias na minha página.

 

Também me lembro de, mais perto da hora do jogo, ver notificações no meu telemóvel de notícias acerca das traças no Stade de France – aqueles pormenores aparentemente insignificantes, mas que ninguém esquece na hora de contar a história – e de dançar ao som de This One’s For You para sacudir os nervos.

 

E, claro, lembro-me do rescaldo do jogo: de quase chorar, no sofá da minha sala, quando Ronaldo levantou a Taça; de irmos buscar a minha irmã ao Marquês (ela fora ver o jogo para a Praça do Comércio com amigos), vendo toda a gente à nossa volta a festejar e o edifício da NOS com as cores de Portugal. Mas, mais do que tudo, lembro-me do abraço que eu e a minha irmã demos quando nos encontrámos pela primeira vez, já Campeãs Europeias.

 

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Mas falemos sobre o jogo em si. Os jogos anteriores neste Europeu foram pouco memoráveis, tirando um pormenor ou outro: toda a jogada que levou ao golo frente à Croácia, por exemplo, e o famoso “Anda bater! Anda bater!” de Cristiano Ronaldo a João Moutinho.

 

A final de Paris, por seu lado, foi uma epopeia.

 

Acho mesmo que teve traços cinemáticos, hollywoodescos. Ora vejam: de um lado, uma equipa gigante, experiente, arrogante, jogando em casa, apoiada por todos. Do outro lado, uma equipa em clara desvantagem, relativamente humilde, em quem quase ninguém acreditava. Os seus adversários dão a vitória por garantida, olham-nos de cima para baixo, até já preparam a festa.

 

Um espectador desinteressado, olhando de fora para tudo isto, diria logo que os franceses não teriam um final feliz. Mas nós, na altura, estávamos demasiado envolvidos com o jogo para vermos, como dizem os anglo-saxónicos, “the big picture”.

 

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Regressando à metáfora do filme, o líder da equipa menor é afastado do jogo cedo – Cristiano Ronaldo, que tem todas as características do típico herói-alfa, protagonista de Hollywood: forte, carismático, confiante. A maior arma dos chamados underdogs, a única segundo alguns.

  

De uma maneira paradoxal, longe de se dar por vencido, o restante elenco cerra os dentes, une-se e torna-se ainda mais forte. Mesmo o herói-alfa, impedindo de participar diretamente na ação, não deixa de contribuir, de dar força e inspirar os seus colegas.

 

No fim, o dia é salvo por quem menos se esperava, o underdog dos underdogs, o patinho feio: Éder.

 

A final de Paris tornou-se inesquecível, para mim, não apenas por nos ter dado o nosso primeiro título e pelo seu carácter cinemático, mas também pelos pormenores. Os pequenos grandes momentos que tornaram a noite ainda mais especial, mais épica, e que não vou deixar de fora quando contar a história aos meus filhos e netos: desde as traças, incluindo aquela que pousou no rosto de Ronaldo às lágrimas deste, no apito final, passando pelos cânticos ensurdecedores do público português, Éder prometendo a Fernando Santos que ia marcar, o Ronaldo promovido a treinador adjunto.

 

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E, claro, o golo que mudou todas as nossas vidas.

 

O documentário “10 de julho” incluiu muitos desses momentos, mas não todos: como a joelhada de Cédric nas costas de Payet (ele garantiu que não foi vingança, mas eu gosto de pensar que foi um bocadinho), o Quaresma com a cabeça de um francês debaixo do braço, Ronaldo descarregando a frustração na perna do Adrien, no banco.

 

Vocês sabem que eu esperei por aquela noite durante doze anos, em Askaban (porque é que eu nunca me lembro de fazer estas piadas na altura…?), desde o Euro 2004. Uma parte de mim sempre achou, sobretudo quando era mais nova, que as nossas vidas mudariam para sempre assim que a Seleção ganhasse um título. Outra parte de mim, mais racional, argumentava que talvez não fizesse uma diferença assim tão grande.

 

Hoje, um ano e meio depois, contudo, posso dizer que várias coisas mudaram com o primeiro título da Equipa de Todos Nós. Mudou a maneira como olhamos para nós mesmos, com menos vergonha e mais orgulho. Foi, na verdade, um dos vários aspetos que contribui para a maior visibilidade de Portugal lá por fora, nos últimos dois, três anos.

 

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Pessoalmente, como referi antes, foi um grande orgulho ver jogadores com quem cresci, que tenho acompanhado, acarinhado ao longo dos anos, mesmo quando outros os desvalorizam, finalmente consagrados, gravados na História do futebol português. Faz com que as mesquinhezes, polémicas e guerrinhas que pululam nas notícias desportivas pareçam tão insignificantes – porque sabemos que o futebol português é capaz de muito mais do que isso.

  

Se hoje reescrevesse a minha lista com os dez melhores jogos da Seleção, a final de Paris estaria em segundo lugar. O Portugal x Espanha continuaria no topo porque, conforme escrevi na altura, foi o jogo que fez de mim uma verdadeira adepta da Seleção. Se não fosse esse jogo, a final de Paris não teria tido o mesmo impacto.

 

Confesso que, durante o verão de 2016, cheguei a desejar que Portugal não jogasse mais – para que o ato mais recente da Equipa de Todos Nós fosse, para o resto da eternidade, a conquista do Europeu. Acho que essa sensação nunca chegou a desaparecer: poderá ter sido uma das causas do desgaste que senti com o blogue, no final de 2016, que me fez desistir da revisão desse ano. Talvez o meu subconsciente se tenha convencido que este blogue já tinha cumprido seu propósito: imortalizar a conquista do primeiro título da Seleção.

 

Já ultrapassei essa fase de desgaste, é certo. Mas ainda hoje, um ano e meio depois, tenho o texto da conquista do Europeu destacado na página de Facebook deste blogue.

  

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É uma coisa muito portuguesa, eu sei. Vivermos presos às glórias do passado, sejam elas os Descobrimentos ou o Euro 2016. Já Luiz de Camões rezava: “Do mal ficam as mágoas na lembrança/E do bem (se algum houve) as saudades”.

 

Não quero viver assim. Não quero acreditar que a conquista do Europeu foi o único final feliz a que tivemos direito. Quero muitos mais “10 de julho”s na minha vida. Não terão o mesmo impacto do primeiro, ninguém o nega. Mas agora que provámos o fruto, e vimos o quão saboroso ele é, porque não tentar saboreá-lo outra vez? Quem sabe… no Mundial 2018?

 

Não que queira ir já por aí. O Mundial será assunto para outra ocasião. Para já, fica o desejo de repetir o 10 de julho. E com isto termina a revisão de 2016.

 

Fiquem por aí para a revisão de 2017. Vou tentar não me demorar… muito.