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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Três quartos cheio

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No passado sábado, dia 17 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou sem golos com a sua congénere italiana, em San Siro, em jogo a contar para a fase de grupos da Liga das Nações. Com este resultado, Portugal garantiu presença na fase final da Liga – onde tudo indica que será anfitrião. Três dias mais tarde, a Seleção Nacional empatou a uma bola com a sua congénere polaca, no Estádio Afonso Henriques, em Guimarães. Este jogo serviu apenas para cumprir calendário.

 

Talvez tenham estranhado não ter publicado uma crónica antes desta dupla jornada. Conforme expliquei na página de Facebook deste blogue, não se justificava. Eram adversários com quem tínhamos jogado pouco tempo antes e não tinha quase nada a dizer sobre as novidades na Convocatória. Não quis estar a perder tempo com um texto que não acrescentaria nada.

 

Não se admirem se voltar a fazer o mesmo em alturas semelhantes, no futuro.

 

E a verdade é que esta dupla jornada foi pouco interessante, na minha opinião. É ótimo termos garantido lugar na fase final da Liga das Nações, não me interpretem mal. Mas os jogos em si foram, perdoem-me a expressão, uma seca. Além de que, de uma maneira muito típica comigo, o timing podia ter sido melhor.

 

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Pelo menos no que toca ao jogo com a Itália, no sábado. Não consegui prestar muita atenção porque estava distraída com várias coisas. Por exemplo, estava a fazer o jantar à pressa, a consumi-lo e a arranjar-me para sair (sim, tinha planos para um sábado à noite. Não é habitual comigo, mas acontece).

 

Acho que não perdi muito, para ser sincera. Na primeira parte, só deu Itália – o seu ímpeto ofensivo empurrou Portugal para um bloco baixo, do qual os Marmanjos não conseguiram sair. Nos bocadinhos em que pude olhar para a televisão, reparei que os nossos mal saíam do seu meio-campo. Quando a bola escapava para terreno italiano, não estava lá ninguém para pegar nela. O guarda-redes Gianluigi Donnarumma podia ter aproveitado a primeira parte para um “pisolino”, como se diz em italiano, que não teria feito diferença.

 

Por seu lado, Rui Patrício é capaz de ter sido o melhor português da noite. As suas defesas impediram que o domínio italiano se traduzisse em golos. Se Portugal conseguiu segurar o empate e garantir um lugar na fase final, Patrício terá sido o principal responsável.

 

Só temos de dar graças por termos um guarda-redes de classe mundial do nosso lado.

 

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Por alturas da segunda parte, os italianos começaram a perder o gás, após quarenta e cinco minutos de intensidade. Ao mesmo tempo, a entrada de João Mário catalisou um maior domínio de Portugal, nesta fase do joo.

 

Ainda assim, o primeiro remate portuga enquadrado com a baliza ocorreu apenas aos setenta e seis minutos – isso alguma vez tinha acontecido num jogo da Seleção? E o maior ímpeto português não chegou para marcar golos, apenas para segurar o empate.

 

Sim, foi um jogo fraquinho. Uma versão extrema do Pouco Importa, do “de empate em empate até ao empate final”. Não vou criticar muito porque, em primeiro lugar, foi o suficiente para a final four e vínhamos de duas vitórias no grupo. Além disso, foi só há pouco tempo que voltámos a ganhar à Itália, após décadas de seca. Consta, até, que esta foi a primeira vez que não sofremos nenhum golo em terreno italiano.

 

Havemos de regressar aqui ao copo meio cheio (que, na verdade, é mais copo três quartos cheio). Para já, falemos sobre o jogo com a Polónia – este apenas para cumprir calendário.

 

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Este foi um daqueles dias em que saí do trabalho às oito da noite, logo, só consegui acompanhar a primeira parte (e mesmo assim não toda) via rádio. Como este era, na prática, um jogo amigável, Fernando Santos aproveitou para fazer experiências. Mudou sete jogadores em relação ao jogo com a Itália. Voltou, assim, a ser um jogo pouco excitante.

 

Ao menos foi mais equilibrado que a partida de sábado, em San Siro. Renato Sanches assinou um par de remates (e aposto que os polacos sentiram calafrios sempre que o miúdo pegava na bola). Por outro lado, Beto ia metendo água aos nove minutos (ainda bem que só vi a cena mais tarde, nos resumos), mas depois redimiu-se, aos quinze minutos, negando o golo a Frankowski, em grande estilo.

 

O golo portuga chegou aos trinta e quatro minutos. Renato Sanches cobrou um pontapé de canto, André Silva desviou de cabeça para as redes polacas.

 

O tempo passa, várias coisas mudam, muitas delas para pior, o meu foco já não é o mesmo que há uns anos. No entanto, se há coisas que não falham em deixar-me feliz são golos das Quinas. Quer sejam em jogos de Europeus ou Mundiais, quer sejam jogos a feijões, como este. Sou uma mulher simples.

 

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Já estava em casa quando começo a segunda parte do jogo, mas infelizmente as coisas não correram tão bem. Os polacos dispuseram de algumas ocasiões, perto da hora de jogo, incluindo uma em que João Cancelo teve de defender de cabeça, em cima da linha de baliza.

 

Tem andado a jogar muito bem, o miúdo, sobretudo nesta fase de grupos. Estou contente.

 

Infelizmente, aos sessenta e um minutos, William Carvalho fez um mau atraso, a bola foi parar a Milik e Danilo viu-se obrigado a travá-lo em falta, na grande área. À primeira vista, talvez fosse um castigo demasiado duro, mas suponho que fosse uma situação clara de golo. Foi o próprio Milik quem converteu o penálti (que teve de ser batido duas vezes, não percebi bem porquê).

 

Depois desta, Portugal não conseguiu fazer mais do que defender, apesar de Éder e Bruma terem entrado. Beto voltou a esmerar-se, em cima do minuto oitenta, para defender um remate de Zielinski. No fim, o empate manteve-se.

 

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Eu teria preferido encerrar o ano da Seleção com uma vitória mas, mais uma vez, não me vou queixar muito. Este resultado já não contava para a Qualificação para a fase final. Consta, aliás, que fomos a única seleção na Liga A a concluir esta fase de grupos sem uma derrota.

 

Eu, no entanto, acho que quatro jogos são muito poucos para tirar grandes conclusões.

 

Na verdade, nós fomos os menos afetados pelo resultado deste jogo. Este empate influencia o futuro próximo da Polónia e… da Alemanha. Sim. este ponto permitiu à Polónia passar à frente dos seus vizinhos alemães, no ranking da FIFA. Assim, ganharam o estatuto de cabeças-de-série na Qualificação para o Euro 2020.

 

Agora que penso nisso, é a segunda vez que os polacos se enfiam na mesa dos cabeças-de-série, deixando um tradicional tubarão de fora. Aconteceu no ano passado, no sorteio para o Mundial, com a Espanha – e quem pagou fomos nós. Só espero que, neste Apuramento, a fava calhe a outro – embora, desta feita, tenhamos algumas culpas no cartório, por não termos vencido a Polónia.

 

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O que nos leva ao futuro próximo. No domingo, dia 2 de dezembro, realiza-se o sorteio dos grupos de Apuramento para o Europeu. Portugal será cabeça-de-série. Nesta Qualificação, os dois primeiros em cada um dos dez grupos passam à fase final – vinte seleções, portanto. Para as últimas quatro vagas, será realizado um playoff. Os participantes serão escolhidos de acordo com o seu desempenho na Liga das Nações.

 

Ainda bem que esta fase de grupos nos correu de feição. Em princípio, teremos este plano B. Eu acho que será preciso as coisas correrem muito mal para não conseguirmos pelo menos um segundo lugar, mesmo que nos calhe a Alemanha no grupo. Mas, três vezes na madeira, nunca se sabe.

 

Entretanto, teremos a fase final da Liga das Nações. Ainda não foi anunciado oficialmente, mas tudo indica que seremos nós a organizar. O que é ótimo, claro. Os jogos decorrerão no Estádio D. Afonso Henriques e no Estádio do Dragão. Ando a pensar tirar uns dias nessa altura para ir ver os jogos, se não for demasiado caro. Apoiava a Seleção, ficava a conhecer os estádios e dava uma volta pelo Porto e por Guimarães (não vou lá há anos). O sorteio realiza-se no dia 3 de dezembro (não percebo porque não o fazem no mesmo dia que o sorteio da Qualificação, mas pronto).

 

Havemos de falar melhor sobre o futuro e os resultados desses sorteios na crónica de Ano Novo. Esta terá a mesma estrutura das duas últimas: com o melhor e o pior do ano. Posso eventualmente só publicar em meados de janeiro, como no ano passado. Agradeço desde já a vossa paciência.

 

Entretanto, já sabem, podem ir acompanhando as coisas na página de Facebook deste blogue.

Os Silvas e os perdidos e achados

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Na passada quinta-feira, dia 11 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere placa por três bolas contra duas, em jogo a contar para a fase de grupos da Liga das Nações. Três dias depois, no domingo, a Seleção venceu a sua congénere escocesa por três bolas contra uma, em jogo de carácter particular. Com o resultado do primeiro jogo, Portugal fica a um ponto apenas do Apuramento para a Liga das Nações.

 

O início do jogo com a Polónia fez-me lembrar o do Euro 2016, no sentido em que os polacos entraram por cima no jogo, acabando por abrir o marcador. Desta feita demoraram mais – aos dezoito minutos, na sequência de um canto em que a defesa portuguesa não ficou muito bem na fotografia.

  

Um aparte: o autor do golo foi Piatek, mas o meu cérebro insistia em ouvir Triatec. Enfim, parvoíces de uma farmacêutica…

 

Portugal reagiu muito bem ao golo. Tomou as rédeas da partida, levando a cabo várias jogadas vistosas na segunda metade da primeira parte – incluindo um golo anulado a Rafa. Permanece o problema da finalização: muitos têm comentado que, com Ronaldo, a Seleção era mais concreta e eficaz. Mas eu acho que isso resolve-se com o tempo.

 

Até porque Portugal não demorou muito a chegar ao empate. Foi aos 31 minutos, fruto de uma bela jogada coletiva, em que a bola passou por Bernardo Silva e João Cancelo, até Pizzi centrar para André Silva, que rematou para as redes.

 

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Portugal conseguiu ir para o intervalo em vantagem. Ninguém se tem calado com o passe de Rúben Neves para Rafa Silva e não é para menos: a bola atravessou o comprimento equivalente a um meio-campo, encontrando Rafa desmarcado. Este consegue ultrapassar o guarda-redes polaco e só não assinou o golo oficialmente porque Glik, o defesa, cortou para a própria baliza.

 

Enfim. Para mim o golo é de Rafa.

 

Tem piada porque não era suposto Rafa estar em campo. Ou mesmo na Polónia. Rafa só fora Convocado à última hora, para substituir o lesionado Gonçalo Guedes e só foi titular porque Bruma estava indisposto.

 

O mais caricato no meio disto tudo (no melhor sentido)? Não digo que isso acontecesse com Guedes, mas tenho a certeza que, se Bruma tivesse sido titular, conforme o previsto, ele também teria brilhado. Talvez também tivesse marcado  – e acabaria por fazê-lo no jogo seguinte.

 

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Mas estou a adiantar-me.

 

O ímpeto português continuou na segunda parte – culminando com mais um golo, desta feita de Bernardo Silva. O miúdo é baixinho, sobretudo quando comparado com os gigantes polacos, mas ele conseguiu dar baile a cinco deles e rematar de fora para as redes. Ele é um espetáculo! Não admira que Pep Guardiola ande caidinho por ele (e o Deco também).

 

Infelizmente, Portugal deixou-se adormecer à sombra da vantagem de dois golos. Compreensível, mas desnecessário. A Polónia aproveitou e acabou por chegar ao golo – Blaszczykowski rematou de primeira após um mau alívio de Pepe.

 

Na verdade, o golo nem sequer devia ter sido validado, pois, no início da jogada, Bereszynski deixou a bola sair pela linha lateral durante um instante. O mais estranho disto tudo é que, segundo esta imagem, o árbitro assistente viu o que aconteceu e não fez nada.

 

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Não vou insistir muito nisto, pois acabámos por ganhar o jogo à mesma, mas espero que nada deste género se volte a repetir.

 

Por sinal, o autor deste golo foi o mesmo jogador que bateu o penálti que Rui Patrício defendeu, no jogo de 2016 – um nome como Blaszczykowski fica na memória. Conseguiu redimir-se, dois anos depois.

 

Felizmente, Portugal não deixou a Polónia ganhar ímpeto com este golo – pelo contrário, voltámos a mandar na partida, sobretudo com as entradas de Danilo Pereira e Renato Sanches. Este último esteve, até, perto de repetir o protagonismo do jogo de 2016 – com duas oportunidades, aos oitenta e quatro minutos e aos noventa. Por sua vez, também Bruno Fernandes desperdiçou uma flagrante, já em tempo de compensação.

 

É uma pena não termos terminado o jogo com um resultado mais dilatado, mas deu para segurar os três pontos. Agora basta-nos um empate para garantirmos um lugar na final four. Podíamos já estar Qualificados, descansadinhos, se no Polónia-Itália os italianos não tivessem decidido marcar no tempo de compensação, depois de noventa minutos sem golos. Foi só para nos chatear…

 

Por outro lado, também seria um bocadinho seca ter dois jogos em novembro só para cumprir calendário. Se tudo correr bem, um deles – o segundo, frente à Polónia – sê-lo-á.

 

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Não estava com grandes expectativas para o particular com a Escócia. Primeiro, era um particular. Sgundo, íamos começar com um onze radicalmente diferente – só Rúben Dias se mantinha em relação ao jogo anterior.

 

E de facto Portugal não entrou bem no jogo. A equipa parecia desarticulada, mal conseguindo tocar na bola durante os primeiros minutos. Não que a Escócia tenha conseguido aproveitar. De maneira caricata, a sua melhor oportunidade foi um quase auto-golo: Sérgio Oliveira desviou mal de cabeça e Beto teve de se esmerar.

 

Tirando esse momento, a primeira parte foi uma seca. Só para o fim é que a Seleção começou a dar um ar de sua graça. Bruma teve um par de oportunidades, mas acabou por ser o absoluto estreante Hélder Costa a fazer o golo, em cima do intervalo, após assistência de Kevin Rodrigues.

 

A segunda parte foi melhorzita, se bem que não exatamente interessante. Portugal manteve-se por cima, sobretudo com a entrada de Renato Sanches. O miúdo está finalmente a provar o seu talento outra vez e eu não podia estar mais satisfeita. Ele andou perdido durante demasiado tempo.

 

Foi, aliás, dos pés de Renato que começou a jogada do segundo golo, em cima dos setenta e cinco minutos. O jovem foi chamado a bater um livre direto, a bola encontrou a cabeça de Éder, que a desviou para as redes.

 

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Este foi o primeiro golo do ponta-de-lança desde a lendária final de Paris, há mais de dois anos. Naturalmente, toda a gente ficou feliz. Éder não teve muitas oportunidades de repetir a façanha desde o Europeu – se tivesse jogado mais vezes, poderia ter marcado antes.

 

Há quem diga, já, que ele devia ter sido Convocado antes, sobretudo para o Mundial. Não que discorde… mas também não vou dizer que não compreenda as escolhas de Fernando Santos. Por muito gratos que estejamos todos a Éder, muitos parecem ter-se esquecido que ele é um jogador de altos e baixos. Em contraste, André Silva tem assinado, de forma consistente, uma data de golos pelas Quinas. Em quem é que vocês apostariam?

 

Em todo o caso, é sempre um prazer ter Éder na Seleção, sobretudo a marcar golos. Não apenas por ter marcado o golo mais importante da História do futebol português, mas também pelo seu amor à camisola – mais velho que a final de Paris. De que outra maneira se explica ele ter aguentado tanta crítica, muitas vezes injusta, da massa adepta durante tempo suficiente para marcar aquele golo?

 

Regressando ao jogo com a Escócia, o terceiro golo foi assinado por Bruma – um belo remate após ter fugido a pelo menos três escoceses. O jovem, finalmente, junta o seu nome à lista de marcadores pelas Quinas, depois de ter passado um par de jogos ameaçando. Este é outro que andou desorientado durante uns anos e que parece ter encontrado o caminho certo.

 

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Agora que penso nisso, este foi o jogo dos perdidos e achados. Cada um dos protagonistas (tirando Kevin Rodrigues, tanto quanto sei) têm tido carreiras atribuladas, de uma maneira ou de outra. No entanto, conseguiram orientar-se e, agora, dão o seu contributo para as Quinas.

 

Os escoceses ainda conseguiram o golo de honra antes do final, num lance em que a defesa portuguesa ficou mal na fotografia, devo dizer.

 

E foi isto. Dadas as circunstâncias, não se podia exigir muito mais da parte de Portugal, neste jogo. Para ser sincera, foi melhor do que estava à espera – eu teria apostado num 1-0 ou 2-0.

 

Este jogo serviu para provar que temos segundas linhas, mesmo que não joguem tão bonito como os habituais titulares. Acho que já o disse antes, mas isto, comparado com a situação há cinco ou seis anos, são vacas gordas. Bem diz o povo, não há fome que não dê em fartura.

 

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E não é por acaso, é fruto de vários anos de trabalho por parte da Federação – e não é a primeira vez que o digo.

 

Na verdade, a “moral da história” é mais ou menos a mesma que a dos jogos do mês passado: estamos bem, a começar um capítulo novo. Estamos a entrar no futuro.

 

Nesse aspeto, a Liga das Nações tem dado jeito para fazer essa transição. São jogos oficiais mas, aos olhos de muitos, não serão tão “importantes” como, por exemplo, um Apuramento para um Europeu ou Mundial, a pressão não é a mesma. No entanto, são jogos bem mais competitivos e exigentes que os habituais particulares. E, de qualquer forma, como fomos parar a um grupo pequenino, de apenas três equipas, conseguimos encaixar dois particulares para fazer outras experiências.

 

Confesso que me é um bocadinho estranho pensar que, daqui a um mês, estaremos já a encerrar a fase de grupos desta competição. É uma rotina nova de seleções, ainda estou a habituar-me. A melhor parte, de longe, é podermos vir a participar numa fase final num ano ímpar – outra vez. Melhor ainda, podermos vir a fazê-lo no nosso próprio país!

 

…mas estou a adiantar-me. Ainda nos falta um ponto. Esperemos até que os lugares na final four estejam confirmados antes de fazermos planos para junho. Até lá…

Os que cá estão

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Na próxima quinta-feira, dia 11 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará a sua congénere placa, em jogo a contar para a fase de grupos da Liga das Nações. Três dias mais tarde, defrontará a sua congénere escocesa, em jogo de carácter particular.

 

Desta vez, a Convocatória para esta dupla jornada não difere muito em relação à anterior. Entre as poucas novidades, inclui-se o regresso de Éder, o que é sempre bom, claro. A sua Chamada não surpreende: consta que ele anda a atravessar um bom momento no Lokomotiv de Moscovo. Ainda no outro dia, marcou um golo que me deixou de queixo caído – golo esse que anulou uma desvantagem aos oitenta e sete minutos, relançando a partida. O clube de Moscovo acabaria por vencer.

 

O Éder tem uma queda para momentos heroicos, dá para ver.

 

Por seu lado, Hélder Costa é a novidade absoluta. Não sabia muito sobre ele antes desta Convocatória. Segundo o que li, Hélder foi formado no Benfica, andou de um lado para o outro em empréstimos até, finalmente, encontrar o seu lugar no Wolverhampton – consta que foram os adeptos a pressionar o clube para contratá-lo, após ter passado lá uma época. Talvez Hélder já pudesse ter vindo à Seleção antes, mas mais vale tarde do que nunca.

 

Vamos ter de falar sobre Cristiano Ronaldo pois este, mais uma vez, excluiu-se voluntariamente da Convocatória. Já se sabe, aliás, que ele não regressa à Seleção este ano. Desta feita, ninguém se deu ao trabalho de dar uma desculpa – Fernando Santos disse apenas que foi combinado entre ele, Ronaldo e o presidente da Federação.

 

Para ser sincera, não estou para me chatear mais com este assunto. Ronaldo já deve estar com um pé e meio de fora da Turma das Quinas, não vale a pena contar com ele. Portugal saiu-se bem sem o madeirense na última dupla jornada, há de sair-se bem nesta. Só fazem falta os que cá estão.

 

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Além disso, aqui entre nós, à luz dos últimos acontecimentos, estou aliviada por não termos de trazer o assunto para a concentração da Equipa de Todos Nós. Não me vou pronunciar sobre o caso, pelo menos não por agora – outros já se pronunciaram melhor.

 

Vamos, então, voltar a ver os nossos amigos polacos, depois dos oitavos-de-final do Euro 2016. Se em se recordam, não foi um jogo brilhante, mas teve bons momentos. Como o golo do Renato Sanches e, claro, o famoso “Tu bates bem!”.

 

É assim que recordo os jogos desse Europeu, tirando a final e os dois primeiros, de resto: longe de brilhantes, não figurarão em nenhuma lista de top 10, estilo a minha, mas tornaram-se especiais por nos terem levado à final e por momentos como os que referi acima.

 

Há que recordar que o historial português perante a Polónia não joga a nosso favor. Só ganhámos metade dos jogos (isto é, se considerarmos o jogo do Europeu, decidido nos penáltis, uma vitória). O Mundial não correu bem aos polacos – ficaram em último no seu grupo e trocaram de selecionador após a competição – mas empataram com a Itália. Esta Polónia estará ao nosso alcance, na minha opinião, mas como o costume não convém facilitar.

 

No domingo, teremos um jogo de preparação com a Escócia. Graças a Deus, um jogo da Seleção ao fim de semana! Por uma vez, vou poder ver ambos os jogos de uma dupla jornada, sem o meu trabalho a atrapalhar.

 

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O historial perante os escoceses é ainda menos favorável que perante os polacos. No entanto, o último jogo foi em 2002, também um particular. Ganhámos com dois golos de Pedro Pauleta.

 

A única coisa de que me recordo desse jogo é de estar a chover a potes e de ver os jogadores escorregando e deslizando pelo campo fora. Parecia o Slide & Splash. Durante muito tempo, assumi que esse jogo tinha decorrido na Escócia – toda a gente sabe como é o tempo no Reino Unido – mas pelos vistos não. Foi em Braga.

 

Desta feita, o jogo será mesmo na Escócia. Talvez também chova – em Portugal deverá chover, de acordo com as previsões. Como o habitual neste tipo de encontros, o resultado será o menos relevante. A Turma das Quinas está numa fase de transição. Jogos como este dão jeito para criar rotinas, sobretudo entre os mais jovens, dar-lhes oportunidades de mostrarem o seu valor – mesmo que sejam fraquinhos em termos de entretenimento.

 

Não há muito mais a dizer sobre estes jogos, na verdade. Confesso que pus a hipótese de não escrever esta crónica. Continuo desmotivada para o futebol e o que anda a acontecer com Ronaldo não ajuda. Tenho andado, além disso, a atravessar uma fase menos boa, irritada com quase tudo, sobretudo comigo mesma.

 

Decidi escrever este texto pelos Marmanjos. Por aqueles que tão bem nos representaram na última dupla jornada – sobretudo perante a Itália, comigo nas bancadas. Por aqueles que estão de volta agora para fazer o mesmo. Por aqueles não inventam desculpas, que não viram as costas, mesmo que sejam só particulares ou provas de menor interesse, como esta Liga das Nações. Por aqueles que estão a construir o futuro da Equipa de Todos Nós, uma geração que quer dar-nos tantas alegrias como a anterior, ou ainda mais.

 

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Estes Marmanjos, os que cá estão, merecem este esforço da minha parte (que não é assim tão grande, admito. A parte mais difícil para mim é mesmo arranjar motivação para começar). Estes Marmanjos merecem isto e muito mais.

 

Esta não é a primeira e não vai ser, de certeza, a última vez que usarei a Seleção como consolo, de resto. Vou tentar deixar as minhas neuroses de lado e concentrar-me na Equipa de Todos Nós, ao longo do que resta da semana. Se quiserem ajudar-me com isso, podem fazê-lo através da página de Facebook deste blogue, aqui.

Entrando no futuro

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Na passada quinta-feira, 6 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol empatou a uma bola com a sua congénere croata, no Estádio do Algarve, em jogo de carácter particular. Quatro dias mais tarde, venceu a sua congénere italiana, no Estádio da Luz, em jogo a contar para a fase de grupos da primeiríssima edição da Liga das Nações… e eu estive lá!

 

Comecemos pelo jogo com a Croácia. O onze inicial português incluiu muitas novidades – só se repetiram quatro titulares relativamente ao jogo com o Uruguai. Resultou bem, ao princípio, com bastantes iniciativas por parte dos portugas. Bruma, em particular, teve uma oportunidade logo aos três minutos.

 

A Croácia, no entanto, quando tinha a bola, criava perigo. Foi assim que surgiu o primeiro golo da partida, aos dezoito minutos, após um erro de Rúben Neves – que, por sinal, tinha acabado de cobrar um livre com muito perigo.

 

Felizmente, Portugal não se deixou abalar demasiado, começou logo à procura da igualdade. E conseguiu-a. Pouco após a meia hora de jogo, na sequência de um canto em que o centenário Pepe cabeceou para as redes, após um cruzamento de Pizzi.

 

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Eu ia no carro ouvindo o relato na rádio, quando o Pepe marcou. Aproveitei para cumprir, pelo menos em parte, um desejo antigo da minha bucket list: comemorar um jogo da Seleção com uma buzinadela. Na verdade, a minha ideia era comemorar assim um golo mais “importante” (isto é, num Europeu ou Mundial), por isso, foi uma buzinadela rápida.

 

E de qualquer forma, o problema desse desejo é que, se há um jogo da Seleção num campeonato desses, vou querer estar em frente a uma televisão, não a conduzir.

 

Em todo o caso, fiquei feliz por Pepe ter marcado na sua centésima internacionalização. Eu assino por baixo de todas as homenagens que lhe têm feito – a que lhe fizeram antes do jogo com a Itália deu-me arrepios. Portugal deve muito a um cada vez mais imperial Pepe – sobretudo por causa do seu papel no nosso primeiro título.

 

Mesmo que ele nem sempre tenha sido exemplar, nunca se pôs em causa o seu camisola. Custa a acreditar que já lá vão quase dez anos – mas por outro lado, ele tem sido um dos pilares, uma das constantes da Seleção. Vai ser estranho quando ele se retirar (espero que ainda estejamos longe disso).

 

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Por outro lado, quando vimos repetições do golo, a minha irmã perguntou se os polegares na boca eram para as filhas ou para os miúdos da Seleção. Fica o mistério.

 

Durante o resto do jogo, Portugal não deixou de dominar. Nem mesmo depois das substituições, que baixaram a média das idades da equipa para pouco mais de 22 anos – é uma delícia olhar para este grupo e ver tanto talento. Desde Bernardo Silva, claro, passando por Rúben Neves, Bruma (que esteve em grande nestes jogos, numa altura em que eu mal pensava nele), Rúben Dias, Mário Rui, João Cancelo (de novo com boas exibições, após um par de jogos infelizes pela Seleção), Gelson Martins, Bruno Fernandes (a minha irmã “ralhando” com ele, por querer sempre fazer bonito e rematar de longe)... e uns quantos que ainda não foram Convocados.

 

Infelizmente, o domínio não chegou para marcar mais golos.

 

É algo que acontece com alguma frequência com equipas jovens e relativamente inexperientes: muita parra e pouca uva, muito domínio e pouco bolo. Equipas mais experientes são mais afinadas, sabem ser cínicas quando é necessário. É nestes momentos que Ronaldo ainda faz falta à Seleção.

 

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Em todo o caso, chegou para o empate e foi apenas um particular. Não foi mau, tendo em conta que, no outro lado, estavam os atuais vice-campeões do mundo.

 

Por outro lado, poucos dias depois, a Croácia seria goleada pela Espanha. Talvez tenha havido demérito dos croatas.

 

Falemos do jogo com a Itália – desta feita a doer, o nosso primeiro jogo na novíssima Liga das Nações. Conforme disse antes, estive lá com a minha irmã – mais especificamente, atrás da baliza sul. A minha irmãzinha sportinguista pôde matar saudades de Rui Patrício.

 

Portugal repetiu o onze do jogo anterior e dominou ainda mais que perante a Croácia. A Itália pouco apareceu no jogo. As coisas começaram mais ou menos equilibradas, mas cedo o equilíbrio deslocou-se a favor dos portugueses. Infelizmente, estando nós atrás da baliza de Patrício, não conseguíamos ver muito bem a ação do outro lado do campo…

 

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Uma coisa em que deu para reparar, no entanto, foi que Portugal defendeu bem. Rui Patrício não precisou de se esforçar muito, mas os outros também não comprometeram. Eu, na altura, não me atrevi a comentá-lo em voz alta, não fosse dar azar. Enfim, superstições minhas…

 

Felizmente, o único golo da partida foi marcado na baliza sul, na segunda parte. Bruma fez uma de várias arrancadas, centrou, a bola de alguma forma foi parar a André Silva, que chutou para as redes.

 

Pelos vistos, a falta de inspiração do André, no jogo com a Croácia, não passou disso mesmo: de falta de inspiração.

 

Podíamos ter chegado ao 2-0 uns minutos mais tarde, com um remate de Bernardo Silva à entrada da área. O guarda-redes italiano teve de esmerar-se – Pepe e Rúben Dias (penso que era ele…) até foram dar-lhe os parabéns depois desta.

 

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Houveram várias outras oportunidades parecidas. Só perto do fim é que os italianos deram um ar de sua graça, embora apenas tiros de pólvora seca. Ainda assim, Portugal não chegou a matar o jogo. Não deu para ficar descansada. Mas o apito final veio e os três pontos ficaram garantidos.

 

Como tínhamos comentado antes, esta não era uma jornada dupla fácil, mas os Marmanjos passaram no teste. Podiam ter-se saído melhor, sim, mas ganharam um bom avanço para a fase final da Liga das Nações. Estou muito orgulhosa da Seleção, sobretudo dos mais novos, pelo que fizeram nesta dupla jornada.

 

Nesta altura do campeonato, sinto que estamos a entrar no futuro, com tudo o de bom e o de mau que vem com ele. Alguns começam a ser deixados para trás – constantes como João Moutinho, Bruno Alves, Nani. Mesmo Cristiano Ronaldo já esteve mais longe. Como em tudo na vida, os mais jovens acabarão, mais cedo ou mais tarde, tomar o lugar deles, os mais velhos.

 

Vou precisar de algum tempo para me habituar a essa inevitabilidade. Não vai ser fácil despedir-me de jogadores que acompanhei durante uma década, ou mais, que cresceram comigo, que conquistaram o primeiro título da Equipa de Todos Nós. Ao mesmo tempo, no entanto, estou ansiosa por ver o que estes miúdos podem fazer, por criar memórias com eles, escrever a história deles.

 

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Por outro lado, estou a tentar não “embandeirar em arco”, como diz Fernando Santos. Foram apenas dois jogos e existem atenuantes. Como vimos antes, a Croácia pode não estar assim tão bem, para perder daquela forma com a Espanha. E os italianos andam com crises existenciais desde que falharam o Mundial 2018 – o que não é de admirar.

 

Não, não vai ser fácil, isto ainda agora começou. Tal como Fernando Santos, quero muito chegar à final four (e, sobretudo, que esta decorra em Portugal) mas… um passo de cada vez.

 

Que venham os próximos!

 

Bandeira vermelha

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Na próxima quinta-feira, dia 6 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol receberá, no Estádio do Algarve, a sua congénere croata, em jogo de carácter amigável. Quatro dias mais tarde, receberá a sua congénere italiana, no Estádio da Luz, naquele que será o seu primeiro jogo na primeira edição da Liga das Nações… e eu estarei lá!

 

Antes de falarmos sobre os jogos em si, falemos sobre a Convocatória para esta jornada dupla. Nomeadamente… a ausência de Cristiano Ronaldo.

 

Na altura da Convocatória irritei-me, mas a azia já me passou. Bem, quase toda. A ausência terá sido combinada entre Fernando Santos e o Capitão, que se mudou há pouco tempo para a Juventus e precisa destas duas semanas para se adaptar (note-se que, até ao momento, ele ainda não marcou em jogos oficiais… ao contrário do Cristianinho, curiosamente).

 

A minha azia tinha vários motivos: para começar, o Ronaldo não é o primeiro e não será o último jogador a vir à Seleção pouco após mudar de clube. Se o Rui Patrício, o William Carvalho e os outros jogadores do Sporting que foram atacados durante o treino puderam disputar o Mundial, um mês depois, o Ronaldo não podia disputar dois míseros jogos dois meses depois de ir para a Juventus?

 

Ainda se compreendia se fossem dois particulares. Mas um dos jogos é oficial, o primeiro numa prova novinha em folha, perante a Itália – que pode não ser o tubarão que era há uns anos, mas não é nenhum Luxemburgo.

 

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Não estamos a ir longe demais nos favores? Se o Ronaldo quer sair da Seleção, que o assuma de uma vez, como um homem adulto! Ninguém lho levaria a mal. Luís Figo tinha a idade dele quando pendurou a Camisola das Quinas. Ficaríamos tristes (eu, quase de certeza, vou chorar quando isso acontecer), mas aceitá-lo-íamos. Agora, estes meios-termos não dão com nada.

 

Hoje, passados uns dias, já aceito melhor a decisão, dele e de Fernando Santos. Se por um lado, como disse acima, há muitos jogadores que não pedem dispensa por condições mais difíceis do que uma mudança de clube, também acredito que, se alguém pedisse ao Selecionador para não ser Convocado, ele aceitá-lo-ia. Fábio Coentrão, por exemplo, pediu para não ir ao Mundial da Rússia, pois está sempre à beira de uma lesão. E, se bem me recordo, Anthony Lopes pediu dispensa da Taça das Confederações por motivos pessoais.

 

Por outro lado, se um jogador se sente mais ou menos à vontade para fazer estes pedidos é outra questão, claro. Cristiano Ronaldo tem uma margem de manobra maior do que os outros.

 

As minhas objeções são mais uma questão de princípio. Na prática, até é capaz de ser uma boa opção técnica deixar Ronaldo de fora.

 

Para o melhor e para o pior, continuamos muito dependentes do nosso Capitão. Fernando Santos quer, claramente, começar uma nova era na Turma das Quinas: ao deixar de fora uns quantos titulares habituais e ao Chamar uma série de jovens, alguns novidades absolutas, alguns já antes Convocados mas pouco utilizados.

 

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Para além de ser uma boa altura para renovar, é uma boa altura para tentar resolver a nossa Ronaldodependência. Precisamos de crescer, de aprender a resolver os nossos próprios problemas, sem estar à espera que venha o Capitão-papá fazer o trabalho por nós. Intencionalmente ou não, Fernando Santos está a tirar-nos as rodinhas da bicicleta, a atirar-nos para a água, a ver se aprendemos a nadar para não nos afogarmos.

 

E, tendo em conta os nossos adversários, não vamos aprender a nadar na piscina das crianças. Vamos fazê-lo numa praia com bandeira vermelha.

 

Já resultou uma vez, antes.

 

Esta é, sem dúvida, uma dupla jornada interessante. Vamos enfrentar os atuais vice-campeões do Mundo… e a Itália. Há um ano ou dois, nunca imaginaria usar esta expressão para falar da Croácia.

 

Mas também, antes de 2016, poucos imaginariam usar a expressão “Campeões Europeus” para falar dos portugueses.

 

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O nosso historial recente perante a Croácia até tem sido favorável – destaquem-se os oitavos-de-final do Euro 2016 – mas depois do desempenho deles no último Mundial, de pouco nos serve o passado. Não, não vai ser um jogo fácil. Dou graças por ser apenas um particular.

 

Mas estou curiosa para saber como Portugal se sairá perante esta Croácia.

 

Falemos, então, sobre a Liga das Nações. É bastante excitante estarmos, agora, em vésperas da sua estreia, quatro anos após saírem as primeiras informações – e de ter escrito sobre elas. Este artigo explica bem as regras, caso ainda não as conheçam. São bastante simples. Eu apenas tenho algumas dúvidas em relação à parte da Qualificação para o Euro 2020. De qualquer forma, prefiro encarar isto como um jogo de tabuleiro novo: por muito que nos expliquem as regras no início, só se aprende jogando.

 

Vamos, então, estrear-nos nesta prova com a Itália, um adversário tradicionalmente complicado para os portugueses, mas que falhou o último Mundial – já não são o que eram. Guardamos, aliás, boas recordações do nosso último jogo contra eles. É certo que era uma Itália desfalcada, mas não deixou de ser agradável – sobretudo porque não lhes ganhávamos há décadas. Éder marcou o único golo da partida – foi nessa altura que senti o choque que quase toda a gente sentiria um ano mais tarde, depois da final de Paris.

 

Infelizmente, desta feita não temos Éder (nem Ronaldo). Mesmo assim, talvez consigamos ganhar. Quem sabe?

 

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O jogo será na Luz e eu vou lá estar, com a minha irmã – mais uma ocasião para usar a minha camisola. Até há um par de meses, estava previsto o jogo realizar-se em Alvalade. No entanto, as eleições no Sporting foram marcadas para dois dias antes do jogo. Logo, por uma questão de logística, a Federação achou por bem mudar o encontro para o outro lado da Segunda Circular.

 

Esta decisão causou alguma polémica nas redes sociais, não sem razão. Afinal de contas, Alvalade não recebe um jogo da Seleção há três anos (pergunto-me se é por os últimos jogos lá não terem corrido muito bem). Por sua vez, a Luz tem recebido um por ano, quando não recebe dois – o último foi há três meses!

 

No entanto, acho que a Federação fez bem. Da maneira como as coisas têm estado no Sporting, nos últimos tempos… Ainda nos arriscávamos a ter o presidente deposto em junho a barricar-se nos balneários com uma das seleções, mantendo os jogadores como reféns até lhe devolverem a presidência.

 

Vão dizer-me que isto é assim tão improvável? Há um ano, talvez… Mas agora?

 

Enfim. Talvez seja possível Alvalade receber outro jogo da Liga das Nações numa das próximas duplas jornadas, quando as coisas estiverem mais calmas no Sporting. De preferência com Bruno de Carvalho internado num hospício.

 

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Para já, o que interessa é que a Seleção vai jogar outra vez. Andei muito desinteressada do futebol este verão – em parte por estar ainda chateada por causa do nosso desempenho no Mundial, em parte por não gostar do mercado de transferências, em parte por causa da confusão no Sporting e, agora, no Benfica. Talvez estes jogos, este novo ciclo na Equipa de Todos Nós, me ajudem a limpar o palato, a recuperar o entusiasmo pelo futebol. Que este novo capítulo nos traga muitas alegrias.

 

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