Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Vizinhos e parceiros no futebol

Na Segunda-feira passada, foi entregue na FIFA a candidatura Ibérica à organização do Mundial de 2018 ou de 2022. De acordo com Ángel Maria Villar, o presidente da Federação Espanhola de Futebol, a opção por Portugal e Espanha é a mais "alegre", mais "organizada", mais "segura" e mais "divertida". O presidente, que também preside a fundação da candidatura, afirmou existir uma "grande sintonia" entre os povos português e espanhol.

A candidatura apresenta 21 estádios e 18 cidades, de entre os quais três estádios (o da Luz, o de Alvalade e o do Dragão) e duas cidades (Lisboa e Porto) são portuguesas. Os vencedores serão anunciados em Dezembro deste ano.

Já se fala desta candidatura há algum tempo, mas só agora é que tenho oportunidade para falar dela aqui, no meu blogue. Se alguém estava à espera que esta candidatura viesse dar novo uso aos estádios que se construiram para o Euro 2004, acho que sofreram uma desilusão, uma vez que os únicos estádios que serão utilizados são os dos três grandes. Eu, por acaso, acho que até faria mais sentido terem incluido o eternamente abandonado Estádio do Algarve na lista. Para além de ser pouco utilizado, situa-se na região que os turistas preferem.

E se alguém estava à espera de um contributo fifty-fifty para a organização do Campeonato (eu estava mais ou menos à espera...), também sofreram uma desilução. O nosso contributo será de apenas 16%. Pergunto-me se isso contribuirá ainda mais para a teoria de que Portugal não passa de uma província espanhola. Ou para o desejo de que fosse uma província espanhola.

Esse desejo, de resto, deve remontar ao século XIX, visto que n'Os Maias já se fala disso. Eu não partilho desse mesmo desejo por vários motivos. Para além de um vago patriotismo, Afonso Henriques, Nuno Álvares Pereira, a Padeira de Aljubarrota e os Conjurados de 1640 não ficariam quietos nos respectivos túmulos. Além disso, num ponto de vista mais prático, se passássemos a ser espanhóis, a ETA ganhava uma mão-cheia de novos alvos para os ataques deles. Ou pior, talvez se criasse um grupo separatista, equivalente à ETA, mas para nós.

E, de resto, já que os nossos vizinhos também andam às voltas com a crise, já não haveria grande vantagem de nos unirmos a eles.

Por outro lado, desde que tenho doze anos e comecei a interessar-me pelos Telejornais, passo o tempo todo a ouvir que "estamos em crise", "Portugal está de tanga", "Portugal está na cauda da Europa", "Portugal não tem futuro", "só neste País", "estamos em recessão técnica". E parece que essa mentalidade já perdura desde, pelo menos, o séc XIX - mais uma vez, Os Maias são a referência. Mas se olharmos para os últimos dois séculos, temos de concluir que atingimos muitas metas. As condições de vida melhoraram sem comparação, vivemos numa Democracia (longe de ser perfeita, mas podia ser pior), temos um Sistema Nacional de Saúde melhor do que o dos Estados Unidos... OK, não somos tão bons como outros países, mas andámos sempre para a frente. Vamo-nos aguentando e dando passinhos de bebé.

Voltando à Candidatura Ibérica, eu não me importo muito se as coisas não forem exactamente como no Euro 2004, se as atenções estiverem mais centradas na Espanha do que em Portugal. Já considero uma enorme vantagem o facto de termos a Selecção a estagiar e a jogar em casa, de podermos assistir aos jogos. E mesmo assim duvido que favoreçam demasiado a Espanha em detrimento de nós. Contudo, só saberemos como é que será se a FIFA nos escolher. Eu vou fazer figas!