Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Em princípio

07.jpg

No passado sábado, dia 12 de dezembro, teve lugar em Paris o sorteio para a fase de grupos do Campeonato Europeu de Futebol, que se realizará no próximo verão. Portugal ficou colocado no grupo F, juntamente com a Islândia, a Áustria e a Hungria.

 

Como o costume, eu andava ansiosa por este sorteio. Consegui acompanhá-lo devidamente, pela televisão, com a minha irmã. Fiquei surpreendida por este ter começado apenas meia hora, quarenta minutos depois do início da cerimónia. Ficamos no último grupo, logo, fomos os últimos a conhecer os adversários. O pote 3 e o pote 2 iam sendo esvaziados, sem que a Suécia e a Itália, respetivamente, saíssem. Por um lado, eu não os queria no grupo, por motivos óbvios. Por outro lado, eu não as queria no grupo, por motivos óbvios. Por outro lado, eu queria-os no grupo porque seriam jogos excitantes. As duas seleções ficaram no grupo E, como que a sublinhar que nós tínhamos escapado por pouco às favas. Nós ficámos com equipas, digamos, modestas.

 

O nosso primeiro jogo ficou marcado para dia 14 de junho, em Saint-Étienne, frente à Islândia. Só jogámos duas vezes contra esta equipa, ambas no Apuramento para o Euro 2012. O primeiro jogo ocorreu naquela gloriosa dupla jornada de estreia de Paulo Bento, em que recuperámos a esperança depois do caso Queiroz e de perdermos cinco pontos nos primeiros dois jogos do Apuramento. Não tendo sido um jogo brilhante, teve os seus momentos, com o golo do Cristiano Ronaldo de livre direto, a bomba de Raul Meireles e o golo final de Hélder Postiga.

 

ronaldo perseguido por islandês.jpg

 

O segundo jogo terminou com uma vitória por 5-3, mas ainda apanhámos alguns sustos. A primeira parte até terminou com Portugal ganhando por 3-0 - golos de Nani, que marcou dois quase de seguida, e um de Hélder Postiga. No entanto, na segunda parte, os islandeses conseguiram reduzir para 3-2 e, por algum tempo, os portugueses desorientaram-se. Felizmente, João Moutinho meteu ordem no jogo ao marcar o quarto golo português, aos oitenta e um minutos. Eliseu, que já tinha assistido para o primeiro golo de Nani e para o golo de Moutinho, ainda ampliou o resultado para 5-2. Mais tarde seria considerado o Homem do Jogo (sim, estamos a falar do mesmo Eliseu, que joga hoje no Benfica). Ainda houve tempo, mesmo assim, para os islandeses reduzirem, de penálti. 

 

A Islândia partilhou o grupo de Qualificação com a Holanda e a Turquia. Os islandeses venceram os holandeses nos dois jogos que disputaram com eles, contribuindo para o afastamento da Laranja Mecânica do Europeu. Na classificação final do grupo, ficou à frente da Turquia, que muitos considerariam uma ameaça maior. Tudo isto prova que os islandeses podem complicar-nos a vida.

 

A Áustria, com quem jogaremos dia 18 em Paris, tem um histórico favorável frente a nós (três vitórias para o lado deles, duas para o nosso lado e cinco empates), mas não jogamos com eles há vinte anos - desde a Qualificação para o Euro 96. Os austríacos apuraram-se para o Europeu em primeiro lugar no seu grupo, oito pontos à frente da Rússia (!) e dez pontos à frente da Suécia (!!!), ambas equipas que, mais uma vez, muitos considerariam mais perigosas. Penso que é opinião comum que os austríacos serão os nossos adversários mais difíceis neste grupo. Não é difícil perceber porquê.

 

dois tugas e um húngaro a voar, três tugas e um

 

Fiquei um bocadinho chateada por nos ter calhado a Hungria no grupo, visto esta já ter sido sorteada para o nosso grupo de Apuramento para o Mundial 2018. Já achava eu que essa Qualificação vai ser uma seca. O facto de um dos adversários ser um repetido do Europeu em nada melhora essa condição.

 

A verdade é que vamos encontrar os húngaros no nosso último jogo da fase de grupos, em Lyon, no dia 22. Nunca perdemos contra este adversário e o último empate foi em 1983. Os nossos dois últimos jogos ocorreram durante a Qualificação para o Mundial 2010. Ambos correram bem. O segundo é capaz de ter sido o melhor desta fase de Apuramento. 

 

A Hungria apurou-se para este Europeu via playoffs, vencendo a Noruega. Nesse grupo, foi ultrapassada pela República da Irlanda e pela Roménia. Podemos concluir que, em princípio (vou usar muito esta expressão neste texto, "em princípio"), a Hungria será a Seleção menos ameaçadora deste grupo.

 

Vocês sabem que, por norma, não gosto de grupos "fáceis", de "equipas fáceis". Num Europeu mais alargado do que antes, desconfio particularmente das seleções em estreia - não terão nada a perder, logo, não sentirão a pressão caso as coisas não corram bem.

 

15.jpg

  

No entanto, mais do que ser por ser um grupo fácil, este grupo chateia-me por ser enfadonho - tal como o grupo da Qualificação para o Mundial 2018. Ainda na véspera do sorteio do Europeu saía uma lista em que Portugal aparecia entre as seleções mais chatas. Não estou a ver os jogos do grupo mudando essa perceção. Os atractivos dos campeonatos de seleções são os jogos com equipas grandes. Daqueles que, ou ganhamos de forma épica, ou perdemos com dignidade, ou somos completamente humilhados. Aqueles jogos de cortar a respiração, de vida de morte ou muito mais, em que temos constantemente o coração na garganta. Em que cada golo é celebrado de forma intensa e, por vezes, demasiado dramática. Em que chegamos ao fim quase tão exaustos como se nós mesmo tivéssemos jogado. Não estou a ver os jogos desse grupo chegarem a esse nível. Ou melhor, se chegarem é porque as coisas estão a correr mal.

 

Por outro lado, depois da tragédia que foi o Mundial 2014, não vou dizer que não me agrada a ideia de um grupo tranquilo, em que, em princípio, temos tudo para passar. Se estamos mesmo a olhar para o título, emoção e dificuldades não hão de faltar no percurso até à final. Já será suficientemente complicado chegarmos lá, não me vou queixar se o início for, em princípio, facilitado.

 

Regressando à relativa facilidade deste grupo, nos rescaldos destes sorteios, costumamos dar o exemplo do Euro 2000 e 2012, "Grupos da Morte" a que sobrevivemos, e do Mundial 2002, o grupo fácil em que tudo correu mal, tirando no jogo contra a Polónia. Portugal tem o irritante hábito de complicar o que é fácil e o lendário hábito de se superar perante dificuldades. 

 

milli-takimimiz-euro-2016-kura-cekiminde-4-7886230

 

 

E, no entanto, não sei se ainda é assim. Fizemos uma Qualificação tranquila, em que, tirando o primeiro jogo, não complicámos desnecessariamente. Sob a orientação de Fernando Santos, a equipa ganhou uma maturidade que não possuía há dois, três anos. Não estou a vê-los fazendo asneiras que comprometam a passagem aos oitavos-de-final (ainda me é estranho falar de oitavos-de-final num Europeu...), sobretudo quando Fernando Santos diz que quer ganhar o Europeu. Só uma epidemia de lesões e parvoíce estilo Mundial 2014, e mesmo assim. Muita coisa terá de correr mal para não passarmos este grupo. Já aconteceu, é certo, mas quero acreditar que eles aprenderam com os erros. Além disso, em princípio, o clima em França será menos agreste que o brasileiro, logo, também não será por aí...

 

Estou a guardar os meus pensamentos sobre este Europeu e as ambições de Fernando Santos para a habitual entrada na véspera do Anúncio dos Convocados. Para já, a bola está do lado da Federação. Quero saber as datas e os adversários dos particulares prometidos para março, bem como, lá está, o dia do Anúncio. Como poderão ver ao lado, já programei um contador dos dias que faltam para o nosso jogo de estreia no Europeu. Depois, acrescento um segundo contador, para o dia dos Convocados.

 

Quanto a mim, estou neste momento a trabalhar na já tradicional revisão do ano. Continuem desse lado.

Em mares conhecidos

endotelio.jpg

Primeira entrada de 2014! Bom ano a todos os meus seguidores. Na próxima quarta-feira, Portugal receberá, no Estádio Magalhães Pessoa em Leiria, a sua congénere cama... camaronesa, num jogo de carácter particular.

 
Os Convocados para este embate foram divulgados ontem, sexta-feira. Entre as novidades, encontram-se a ausência dos habituais titulares Nani, Hélder Postiga e Rui Patrício. Os dois primeiros por lesão, sendo que Postiga pode mesmo falhar o Mundial (snif, snif). Vai custar-me ver a Seleção amputada de dois dos meus jogadores preferidos mas, para ser sincera, há já algum tempo que tenho vindo a reparar que nem o Nani nem o Hélder têm estado ao nível de antes, existindo melhores opções para os lugares deles neste momento. Mas espero que não falhem o Brasil, mesmo que não sejam titulares.
 
O pior é que Hugo Almeida, que até tem estado a fazer uma bela época, lembrou-se de contrair uma lesão na sexta-feira passada. Ainda não há confirmação oficial, mas é possível que falhe o jogo com os Camarões. É preciso azar...
 
Rui Patrício, por sua vez, ficou de fora por opção. Algo que até tem uma certa lógica: nos particulares, Paulo Bento costuma pôr um dos guarda-redes suplentes na baliza, não fazia sentido estar a Chamar Patrício - que tive a sorte de encontrar recentemente - só para aquecer o banco, quando se podia observar um guarda-redes novo. 
 
Pena é esse guarda-redes não ter sido o Ricardo, da Académica.
 
 
 
Esta Convocatória não me convence muito, aliás. Acho que existem melhores alternativas para algumas das posições. Não consigo, por exemplo, compreender a chamada de Ivan Cavaleiro (tem um nome engraçado), em detrimento de outros jogadores mais regulares. Paulo Bento justificou Escolhas como esta com o desejo de "conhecer melhor" certos jogadores antes da Convocatória Final para o Brasil. Tem a sua lógica e, de certa forma, explica a ausência de Ricardo Quaresma.
 
- Bem, o Adrien é uma pessoa adorável de se conhecer! - barafustou a minha irmãzinha sportinguista - E o Cédric!
 
Eu também concordo que alguns jogadores do Sporting mereciam mais oportunidades do que aquelas que lhes têm sido dadas mas, lá está, com uma sportinguista ferrenha em casa não garanto imparcialidade. Eu, na verdade, não percebo assim tanto de futebol para verdadeiramente questionar a Convocatória. É claro que tenho lido reclamações pela Internet, umas mais racionais do que outras, mas não me parece haver motivo para grande polémica. É só um particular, um mísero particular, que muito boa gente ignorará, a Convocatória Final será diferente. Ou acham mesmo que Paulo Bento deixaria Patrício de fora do Mundial?
 
Que o diabo seja cego, surdo, mudo e não tenha wi-fi, mesmo assim...
 
 
Entretanto, no domingo passado, realizou-se o sorteio que determinou a constituição dos grupos do Apuramento para o Euro 2016. Portugal ficou no grupo I, com a Albânia, a Arménia, a Sérvia e a Dinamarca. E a França, embora esta, na condição de equipa-anfitriã, não tenha de passar pela fase de Qualificação.

Devo dizer que acho interessante esta nova regra que determina que a seleção-anfitriã fique "colocada" no grupo de Qualificação mais pequeno, realizando jogos particulares com as outras equipas.

Uma das vantagens do grupo que nos calhou em sorte é o facto de - tirando a França, e mesmo assim - termos defrontado todas as equipas há relativamente pouco tempo. Vamos navegar em mares conhecidos. A Arménia e a Sérvia estiveram também no nosso grupo de Qualificação para o Euro 2008. A Albânia esteve connosco na Qualificação para o Mundial 2010. E a nossa velha amiga Dinamarca, então... Qualificação para o Mundial 2010, para o Euro 2012 e grupo da fase final desta última competição.

A desvantagem é que todas essas equipas nos roubaram pontos nas correspondentes Qualificações. Para o Euro 2008, empatámos 1 a 1 com a Arménia no jogo fora e, no jogo em casa, ganhámos apenas por 1-0, cortesia de Hugo Almeida - não me recordo de mais pormenores desse encontro, tirando o facto de ter sido o último em que Luiz Felipe Scolari esteve castigado - e empatámos ambos os jogos com a Sérvia. Foi até no jogo em Alvalade, a que assisti ao vivo, que se deu aquele triste episódio com Scolari e Dragutinovic. Com a Albânia, empatámos a  zero no jogo em casa, da Qualificação para o Mundial 2010 - outro jogo de má memória - e ganhámos o jogo fora com muita dificuldade. E depois, temos a Dinamarca. Provavelmente a adversária de que mais tenho falado aqui no blogue, com quem não tem sido possível termos um jogo tranquilo.


Para além destes, temos ainda aqueles particulares com a França, com quem não jogamos desde as malfadadas meias-finais o Mundial 2006. Não nego que ando há muitos anos com uma raivazinha de estimação para com os nossos amigos franceses. Eles que nos expulsaram, se não me engano, de três campeonatos de seleções e que, ao longo dos últimos anos, têm sido frequentemente levados ao colo pelas mais altas instâncias do futebol. E apesar de sentir um certo desconforto por irmos defrontar uma seleção com quem não temos sido capazes de atinar, eu agradeço a oportunidade de exorcizarmos este demónio. Eu sei que o jogo não conta para nada, mas até é bom, será menos provável que se puxem cordelinhos a favor dos franceses.

O grupo em si pode ser complicado. No entanto, a alteração das regras atenuam as dificuldades: agora apuram-se diretamente os dois primeiros classificados em cada grupo e o melhor terceiro classificado de cada grupo. Os outros terceiros classificados vão a playoffs. Não posso dizer que estas regras me agradem. Para já, por recear que o facilitismo tenha consequências na qualidade dos jogos: sendo mais fácil uma equipa Qualificar-se, os jogadores não se esforçam tanto. O caso de Portugal, então, é particularmente preocupante porque a Seleção não se dá bem com facilidades. O melhor exemplo é o mais recente: um grupo de Qualificação para o Mundial 2010 teoricamente fácil mas que, na prática, ia dando cabo de mim.

Já que falo do último Apuramento, devo confessar que ando a sentir-me culpada por termos deixado Zlatan Ibrahimovic - jogador com quem tenho vindo a simpatizar - de fora do Mundial. Não que ache que Portugal devia ter perdido nos playoffs, claro que não. No entanto, se tivéssemos ficado em primeiro lugar no grupo, teríamos conseguido a Qualificação direta, a Rússia teria ido aos playoffs, talvez a Suécia conseguisse derrotá-los e Ibra poderia ir ao Brasil. Ele merecia...

Todos são unânimes em afirmar que, ainda que o grupo não seja dos mais acessíveis, só uma catástrofe impedirá Portugal de se qualificar, de uma maneira ou de outra. Muitos opinam mesmo que Portugal é a melhor equipa deste grupo, que o primeiro lugar é perfeitamente alcançável. Na prática, todos sabemos que as coisas nem sempre são assim tão lineares, que Portugal é o pior adversário de si mesmo. Há quem diga mesmo que a Turma das Quinas, mesmo nestas circunstâncias, há de arranjar maneira de ir aos playoffs. "É a nossa cena", diz mesmo a minha irmã. Eu, no entanto, não estou para isso. As coisas teriam de correr mesmo muito mal para a Sérvia e a Dinamarca ficarem à nossa frente na classificação. E eu não aguento outra Qualificação como a última, ou pior. Não, não, não. Quero o primeiro lugar, ainda posso admitir o segundo, porque a Dinamarca é traiçoeira, mas não menos do que isso.

De qualquer forma ainda é cedo para fazer prognósticos.


Nesta Qualificação estrear-se-á, também, um novo modelo de calendário. Teremos a chamada "Semana do Futebol", com jogos diários de seleções durante seis dias seguidos. Em vez do esquema habitual de jogos à sexta e à terça, agora estes podem ser em em duplas de quinta e domingo, sexta e segunda, sábado e terça. A óbvia vantagem deste calendário novo é o regresso dos jogos ao fim-de-semana. Algo que dará particular jeito quando estiver a estagiar ou, eventualmente, a trabalhar e/ou quando quiser ir assistir a um dos jogos.

A desvantagem é este calendário obrigar a estágios mais curtos. O exemplo mais gritante disso é a última dupla jornada da Qualificação: a concentração dos jogadores só deve ser na segunda-feira anterior. Na quinta-feira seguinte, jogamos em casa com a Dinamarca, um dos nossos principais adversários. Três dias depois, enfrentaremos a Sérvia o outro principal adversário, fora, obrigando a um voo de pelo menos umas cinco horas algures nesse intervalo de tempo. Paulo Bento foi particularmente duro nas críticas a este modelo de calendarização, na Conferência de Imprensa de ontem: "Convinha chamar os selecionadores para essas conversas e não serem alguns, que talvez nem deram um pontapé na bola, a decidir esse tipo de mudanças". E tem razão.


Antes da Qualificação para o Euro 2016, contudo, temos o Mundial. E este jogo de preparação com os Camarões. À semelhança do que acontecerá no Apuramento, vamos enfrentar um adversário com quem jogámos há relativamente pouco tempo. Mais especificamente, na preparação para o Mundial 2010. Na altura, ganhámos com golos de Raul Meireles e Nani, mas o facto de Eto'o se ter feito expulsar, desnecessariamente, pode ter ajudado. Julgo que é um bom adversário para este jogo, terá certamente algumas semelhanças com o Gana, pode ser suficientemente motivador para os portugueses fazerem por jogar bem. Não estou, no entanto, à espera de um grande jogo. Tal como já dei a entender acima, nesta altura do campeonato, ninguém se preocupa demasiado com a Seleção. O experimentalismo terá prioridade sobre a qualidade do jogo, talvez mesmo sobre o resultado. É compreensível.

No entanto, como o costume, desejo uma vitória. Mesmo que a exibição não seja brilhante. Para começar bem um ano que se espera que traga muitas felicidades à Seleção Portuguesa.

Na próxima semana entro em estágio. Posso demorar algum tempo a publicar a crónica pós-jogo. Peço-vos um pouco de paciência, tentarei publicar, máximo dos máximos, no próximo fim-de-semana. Por agora, faltam setenta e nove dias para a Convocatória Final. 

Traiçoeiro

grupo G.jpg

Na passada sexta-feira, dia 6 de dezembro, as 32 seleções que se Qualificaram para a fase de grupos do Campeonato do Mundo, que se realizará no próximo ano, no Brasil, ficaram a conhecer os seus destinos no que toca à distribuição pelos grupos da primeira fase do campeonato. Portugal ficou colocado no grupo G, juntamente com a Alemanha, os Estados Unidos e o Gana.

 
Eu queria acompanhar o sorteio como deve ser: pela televisão, com o computador ao colo ligado à Internet, mas não deu. Talvez até tenha sido pelo melhor pois o sorteio propriamente dito só começou uma hora após o início da cerimónia. Até lá, deve ter sido só cantoria e dançarico - já tinha tido a minha dose disso durante o sorteio do Euro 2012. Em vez disso, acompanhei-a pela rádio, quando vinha no carro. Estacionei junto ao meu prédio ainda decorria o sorteio. Não quis perder pitada, por isso, fiquei dentro do carro ouvindo o relato, só no fim fui para casa.
 
Portugal foi a penúltima equipa a ser colocada. Como os locutores da rádio comentaram, até aqui é sofrer até ao fim... Eles iam dizendo coisas do género: "Ai e tal, este grupo E, com as Honduras e a Suíça, era simpático", afirmações que me irritavam. Depois de nos termos visto aflitos para ficar em segundo lugar neste grupo de Qualificação aparentemente acessível, eu não queria um grupo fácil. 
 
Quis a sorte que ficássemos no grupo G.
 
 
 
 
 
 
 
 
A minha primeira reação foi de satisfação por não termos calhado num grupo demasiado "fácil". Nesse aspeto, o grupo G é o ideal pois não é nem demasiado acessível, nem demasiado difícil. Isto na teoria, claro. Na prática, pode tornar-se traiçoeiro.
 
Comecemos pela Alemanha, com quem nos estreamos no Mundial, dia 16 de junho, segunda-feira, às cinco da tarde, hora portuguesa. Esta seleção é uma velha conhecida nossa, com quem nos estreámos, igualmente, no Euro 2012. Apesar do seu poderio, nós fomos capazes de fazer-lhe frente, se não tivéssemos sido demasiado cautelosos com eles, se tivéssemos tido um bocadinho mais de sorte, podíamos, pelo menos, ter empatado. O pior é que suspeito que eles, em junho, estarão melhores: tiveram duas equipas na última final da Champions, equipa essas que em muito contribuem para a seleção. Destaque para o campeão europeu Bayern de Munique. Que, ainda por cima, está a ser treinado por Pep Guardiola, o grande difusor do tiki-taka. Isto para não falar de Özil, que hoje é o órgão propulsor do Arsenal.
 
Ainda a fazer figas para que, quando jogar com Portugal, Özil entre em modo Real Madrid e faça assistências para Ronaldo marcar na baliza alemã....
 
 
Considero, mesmo, que a Alemanha é a grande candidata a vencer o Mundial, mais ainda do que a Espanha. Só mesmo o Brasil, com Scolari e o fator casa, poderão, eventualmente, igualá-los. Como poderão calcular, é extremamente difícil uma equipa caprichosa como Portugal vencer os altamente organizados alemães.
 
Nessa linha, calha bem o nosso primeiro jogo ser contra eles. Porque assim entraremos em campo contra os Estados Unidos e o Gana obrigados a ganhar - e Portugal dá-se bem nessas circunstâncias. Se fosse ao contrário, era provável que os portugueses se desleixassem perante as equipas "menores e, depois, entrassem em campo com a Alemanha com a corda ao pescoço.
 
Há dois anos, fiquei apreensiva com os resultados do sorteio dos grupos do Euro 2012. Contudo, hoje vejo que esse grupo tinha uma vantagem: era previsível. Conhecíamos bem os nossos adversários, sabíamos o que esperar deles: dificuldades. Tal não acontece neste grupo, sobretudo no que toca aos Estados Unidos e ao Gana.

 

 
O jogo com os americanos realizar-se-à no dia 22, domingo, às onze da noite. Infelizmente, ainda me lembro da última vez que jogámos contra os Estados Unidos: tinha eu doze anos e começava a interessar-me a sério por futebol. Lembro-me da vergonha que foi sofrermos três golos durante a primeira meia hora do jogo, mais coisa menos coisa. Todo esse Mundial foi uma humilhação, de resto, tirando o jogo com a Polónia. O jogo com os Estados Unidos nem foi o pior. Segundo o que li e ouvi recentemente, passados estes anos todos, parece que tudo aquilo foi uma palhaçada, desde mesmo antes do Anúncio dos Convocados. Não faço particular questão de saber pormenores - já tive a minha dose com o caso Queiroz. 
 
Um aparte, aliás, para referir que fiquei satisfeita por termos evitado o Irão na fase de grupos. Não queria ter de levar com mais provocações por parte do nosso ex-selecionador - que desprezo mais do que Joseph Blatter ou Michel Platini. A Argentina que trate dele.
 
O selecionador da América é alemão, chegou mesmo a ser selecionador da Alemanha entre 2004 e 2006. O atual selecionador da Alemanha, Joachim Löw, chegou a ser seu adjunto. Jurgen Klinsmann terá, segundo consta, um estilo semelhante ao de Löw mas pior matéria-prima. Em princípio, os Estados Unidos estarão ao nosso alcance mas, conforme o jogo de 2002 provou, não é sensato subestimá-los. Pela parte que me toca, não quero de todo perder perante a seleção de um dos poucos países do Mundo para quem o futebol é um desporto secundário.
O Gana é, para nós, a grande incógnita deste grupo. Jogaremos pela primeira vez contra eles no dia 26, quinta-feira, às cinco da tarde de cá. Dizem que é das melhores seleções africanas mas isso não quer dizer nada, também diziam o mesmo da Costa do Marfim. Mais relevante é o facto de terem chegado aos quartos-de-final do Mundial 2010, tendo ficado perto de se tornarem a primeira equipa africana a chegar às meias-finais de um Mundial. Também joga contra nós o facto de, por serem uma equipa africana, estarem mais habituados ao clima tropical, quente e húmido, que encontraremos no Brasil.
 
 
 
Um dos aspetos curiosos em relação a este grupo é o facto de existirem laços inesperados entre as seleções. Já referi, acima, o caso dos selecionadores da Alemanha e dos Estados Unidos. Consta também que haverá um encontro de irmãos no jogo entre o Gana e a Alemanha já que Kevin Boateng joga na seleção ganesa e o irmão, Jérôme, joga na seleção alemã - nunca tinha ouvido falar de uma situação desse género, de irmãos em seleções diferentes. 
 
Se formos a ver, connosco a termos dois selecionadores liderando equipas alheias neste campeonato, o Fernando Santos, este Mundial começa a assemelhar-se a um torneiozinho de aldeia, em que todos os participantes são amigos, familiares, ou conhecidos. A tal Aldeia Global.
 
Em todo o caso, não é a primeira vez que os nossos companheiros de grupo lidam com estes laços já que os três também partilharam um grupo em 2010. O que também constitui uma desvantagem para nós pois eles têm a experiência desses jogos. Nós não.

Existem outras agravantes no que toca a este Mundial, começando pelas longas viagens a que obrigará, bem como ao clima. Tem-se falado da localização do quartel-general da Turma das Quinas em Terras de Vera Cruz. Eu queria também saber onde é que a Seleção estagiará cá em Portugal, durante o mês de maio. Não me ocorre nenhum local no nosso país capaz de mimetizar o calor e a humidade do norte brasileiro. Talvez fosse melhor os portugueses irem mais cedo do que o habitual para o Brasil, de modo a habituarem-se o mais depressa possível ao clima e fuso horário - embora me doa que eles se afastem tão cedo do calor humano dos adeptos portugueses.

 
Existe, também a questão das horas dos jogos. Dois deles realizar-se-ão durante a semana, às cinco da tarde. O único que decorrerá à noite - e mesmo assim às onze, definitivamente não das mais convenientes - será num domingo. Não sei se vou poder ver os jogos pois, provavelmente, estarei a estagiar. Dependerá do que terei de fazer mas pode dar-se o caso de não poder, sequer, ouvir o relato pela rádio, como faria se estivesse em aulas. Enfim, que remédio. De resto, à hora do jogo, o movimento deve ser reduzido, é pouco provável que faça algo que não permita distrações. 
 
Todos concordam que, caso os Marmanjos estejam com a cabeça no lugar certo - o que é sempre a maior variável - este grupo está ao nosso alcance. Posteriormente, nos oitavos-de-final - o mínimo definido por Paulo Bento - encontraremos uma seleção do grupo H - que, em princípio, não nos colocarão grandes problemas. Nos quartos-de-final é que poderemos cruzar-nos com a Argentina ou a França. Aí não haverá maneira de prever o desfecho. No entanto, caso cheguemos a essa fase, estaremos certamente de olhos no título, logo, teremos de ser capazes de vencer qualquer equipa.
 
 
 
Tal como tem acontecido ao longo da última década, ou mais, há quem nos coloque entre os candidatos ao título. No entanto, apesar do nosso permanente estatuto de favoritos, nunca ganhámos nada. E, francamente, está na altura de mudarmos isso. Duvido que voltemos a ter melhor oportunidade - dificilmente Ronaldo estará a este nível daqui a dois anos. Não digo isto porque ache que ele é que faz tudo na Seleção. Digo isto porque sonho com vê-lo erguendo a Taça há nove anos. Também me refiro à equipa atual, que pode não ser grande coisa em termos de individualidades mas que, quando está para aí virada, nos momentos decisivos funciona, supera-se. Uma característica que, pelo menos no Euro 2012, foi suficiente para fazermos uma prestação que nos encheu de orgulho. É claro que existem coisas que precisam de ser corrigidas na seleção atual mas será para isso que teremos aquelas semanas de estágio - entre outras coisas. Por estas e por outras, acredito, se não na conquista do título, pelo menos numa boa prestação. Agora, que venha o Mundial!

Deus quis que Portugal sofresse...

No passado dia 2 de Dezembro, Sexta-feira, realizou-se em Kiev o sorteio para fase de grupos do Campeonato Europeu de Futebol, a realizar-se entre 8 de Junho e 1 de Julho de 2012

Como era de prever, nas vésperas da cerimónia, muita gente opinou sobre quais seriam as melhores e piores selecções para companheiras de grupo. Eu não alinhei nisso. Conforme expliquei na entrada anterior, a escolha não recairia sobre mãos humanas. De acordo com a própria definição de "sorteio", a decisão coube a Deus ou, caso não sejam religiosos, à Sorte, ao Destino, ao Universo. Vocês percebem a ideia.

E, pelos vistos, independentemente da entidade sobre-humana que escolheram, essa quis que Portugal sofresse.

Fiz questão de seguir em directo este sorteio. Às cinco da tarde sentei-me em frente à televisão, com o computador ao colo, à semelhança do que costumo fazer quando há jogos. Mais tarde, arrependi-me. Antes que começassem a tirar as bolinhas dos potes, tivemos de aturar uma série de discursos, cantoria, bailarico e afins, coisas que não interessavam nem ao menino Jesus. Que não ajudaram a aliviar o nervoso miudinho que começava a instalar-se. Aquilo a certa altura já nem merecia a denominação de sorteio - como dizia um inglês no Twitter, já mais parecia o Festival da Canção.

Finalmente, lá se dignaram a fazer o sorteio. Não sem antes fornecerem uma explicaçãozinha toda XPTO de como aquilo iria funcionar. Tal impacientou-me, na altura, por ser mais uma coisa a atrasar a retirada das bolinhas dos potes. Agora vejo que devia ter prestado mais atenção pois tive alguma dificuldade em acompanhar o processo.

Para a próxima, não me dou ao trabalho de ver a cerimónia do sorteio em directo. Não vale mesmo a pena. Mais vale informar-me depois de os grupos e o calendário já estarem definidos.

De qualquer forma, lá fui acompanhando o sorteio como podia. Achei alguma graça quando soube que a Holanda e a Dinamarca partilhariam o grupo, por serem duas selecções do Norte da Europa.

Mas não achei graça nenhuma quando nos juntámos a elas.

Quando o nosso nome saiu das bolas, a minha primeira reacção foi:

- Nãããããããooooo! A Dinamarca, não!

Quase me esqueci da Holanda. Depois do nosso último jogo com eles, os dinamarqueses eram os últimos com quem desejaria que nos cruzássemos, tirando a Alemanha. Antes nos tivesse calhado a França, ou mesmo a Espanha. Ainda digerindo este resultado, não prestei muita atenção à parte seguinte do sorteio. Entretanto, os meus irmãos chegaram a casa e eu informei-os da nossa sorte. A certa altura, os locutores disseram que a quarta selecção do Grupo B seria uma destas três: Alemanha, Inglaterra ou Itália.

- Tenho um feeling de que vai ser a Alemanha - disse a minha irmã.

Eu fiz figas para que fosse a Inglaterra, pois já a tínhamos vencido no Euro 2004 e no Mundial 2006 e Wayne Rooney não jogaria nos dois primeiros desafios do campeonato. Mas Deus Nosso Senhor queria mesmo complicar-nos a vida e a profecia da minha irmã acabou por se realizar.

- Oh, fogo!

Como podem ver, a minha primeira reacção aos resultados do sorteio foi de pessimismo, quase de pânico. Vencemos os dois nossos últimos encontros com a Holanda mas isso passou-se há mais de cinco anos e, desde essa altura, os laranjas melhoraram imenso chegando mesmo a vice-campeões do Mundo. A Dinamarca é, teoricamente, a equipa mais acessível do grupo mas o seu recente historial de nos complicarem a vida à grande e à dinamarquesa não tranquiliza. E nem vou falar da Alemanha... No geral, temos equipas do Norte da Europa, de grande poderio físico, que já foram campeões europeus pelo menos uma vez. Nós somos um outsider, uma Selecção da periferia, do Sul da Europa, latina, franzina, que tem prestígio, bons jogadores mas que nunca ganhou nada. 

Já falei aqui do padrão descendente que os sucessivos campeonatos de selecções parecem seguir. Com este grupo, não pode ser deixada de fora a hipótese de não chegarmos ao mata-mata e de o padrão se manter...

Paulo Bento afirmou numa entrevista há algumas semanas que, com base nos nossos particulares com a Espanha e a Argentina, "podemos competir com as selecções mais fortes". Ele, provavelmente, tem razão. Podemos competir, desafiar, olhar nos olhos, dar dores de cabeça. Mas vencer é outra história. Além de que uma coisa é enfrentar tais equipas em particulares, em que não há nada a ganhar ou a perder - se tomarmos a Espanha como exemplo, nós trucidámo-la, é certo, mas agora, um ano e não sei quantas derrotas em amigáveis e uma Qualificação imaculada depois, acho que a noite de 17 de Novembro de 2010 foi mais demérito espanhol do que propriamente mérito português. A Alemanha e a Holanda tiveram Qualificações quase perfeitas e nós tivemos de ir aos play-offs. Se vocês as comparassem com Portugal, friamente, a que conclusão chegariam?

Por outro lado, muitos têm mencionado um possível efeito oposto ao que seria de esperar. O próprio Paulo Bento invocou a sua experiência enquanto jogador e mencionou grupos difíceis em que se amealharam nove pontos (o Euro 2000?) e grupos fáceis em que só se conseguiram três (o Mundial 2002?). Podemos mencionar outros exemplos de jogos em que tínhamos tudo para vencer e não o fizemos: com a Grécia em 2004, com a Suíça em 2008, com a Costa do Marfim em 2010. Um artigo de opinião que li há umas semanas explica bem melhor do que eu este fenómeno: "Este clima de baixas expectativas (...) pode paradoxalmente ser aliado de Paulo Bento. Quando se espera pouco, as pequenas vitórias parecem grandes e cria-se um clima de menor pressão sobre o "sucesso obrigatório" que asfixiou a equipa nos últimos campeonatos. E Portugal é sempre melhor quando precisa de se superar do que quando se julga melhor do que os adversários."

Já que se fala nisso, julgo que a alta pressão aquando das últimas competições partiu mais dos adeptos e de todo o marketing em redor da Selecção típico de tais alturas. É uma faca de dois gumes: eu gosto dessa mediatização da Equipa de Todos Nós aquando dos campeonatos de Selecções mas se isso traz mais contrapartidas do que benefícios... É uma questão complicada.

Em todo o caso, nesse aspecto, o Destino foi generoso, de uma forma obscura e retorcida. Ninguém se atreverá a sonhar demasiado alto. Os jogadores estarão motivados para darem o seu melhor. Terão cerca de 6 meses para se prepararem, incluindo as habituais semanas de estágio. E quer Portugal saia de campo vencedor ou vencido, será depois de duelos ricos em adrenalina, emoção, espectáculo, que ficarão registados na História.

E, de resto, quem conseguir sobreviver a este Grupo da Morte, como o pessoal gosta de chamar, ficará muito bem colocado para se sagrar campeão. Se por acaso Portugal se encontrar entre os dois sobreviventes, não deveremos ter problemas nos quartos-de-final já que o Grupo A é relativamente fraco. O único potencial adversário que me preocupa é a Grécia e só por causa do seu historial que inclui a usurpação de uma Taça que deveria ter sido nossa. E, mesmo assim, se tivermos conseguido lidar com a Alemanha, com a Holanda e com a Dinamarca, conseguiremos lidar com qualquer um. Se, eventualmente, conseguirmos chegar às meias-finais, tudo pode acontecer.

Mas é um grande "se". 

Eu acredito, como não podia deixar de ser. O futebol tem um longo historial de caprichos, de pormenores tornados pormaiores. Ninguém pode garantir sem margem de erro que Portugal regressará da Polónia e da Ucrânia sem a Taça Henri Delauny. Já ando há muito tempo à espera de ver a Selecção arrecadar um título, outros tem estado há ainda mais tempo. Demasiado tempo. Tentarei manter os pés assentes na Terra, encarar um jogo de cada vez, mas só deixarei de sonhar, de desejar, quando já não existir a mais remota hipótese. Quando o árbitro apitar três vezes. Até lá, acreditarei e aproveitarei ao máximo o facto de Portugal estar novamente a disputar um Campeonato Europeu de Selecções.


Deixo-vos o calendário da fase de grupos do Euro 2012 (Fonte: Expresso online)

Sorteios, apostas e desejos

Ontem, Sexta-feira, dia 4 de Dezembro de 2009, realizou-se o sorteio para os grupos da fase final do Campeonato do Mundo a realizar no próximo ano, na África do Sul. Portugal ficou no Grupo G, à semelhança do Brasil, da Coreia do Norte e da Costa do Marfim.

Eu tomei conhecimento dos resultados do sorteio de uma maneira curiosa. Geralmente à Sexta-feira saio das aulas às duas da tarde mas como tive de compensar as aulas perdidas devido ao feriado, só saí às seis. Tive pena de não poder assistir ao sorteio em directo. É irónico, já que, há dois anos, o sorteio do Euro 2008 era num Domingo, mas nenhuma televisão portuguesa, de sinal aberto ou da TV Cabo, se dignou a transmitir em directo. Este ano, a RTP transmitiu mas eu estava em aulas. De qualquer forma, vim para a estação de Entrecampos com a minha colega - não revelarei o seu nome verdadeiro, chamar-lhe-ei Joana. Éramos para apanhar o comboio das 18h19, mas este estava atrasado. Como geralmente acontece quando um comboio se atrasa à hora de ponta, ao pessoal que ia nesse comboio juntou-se parte do pessoal que iria no comboio seguinte, nós incluídas. Resultado, quando o comboio chegou, às 18h25 e nós entrámos, aquilo ficou a rebentar pelas costuras. Íamos de pé, quase abraçadas uma à outra, completamente espremidas. Isto na estação de Entrecampos. Depois de Sete Rios, ainda foi pior.

Mas foi mais ou menos nessa altura que ouvi um rapaz poucos anos mais velho do que eu, provavelmente um estudante regressando a casa, como eu, a falar ao telemóvel. Eu fui ouvindo as palavras "Luisão", "Drogba", "Coreia", "Costa do Marfim", "Brasil", "ganhamos os dois". De início pensei que estivesse a falar do Benfica ou assim, mas depois lembrei-me do sorteio... Depois de ele desligar, enchi-me de lata e perguntei:
- É o sorteio do Mundial? O que é que calhou? - pergunto-me o que é que a Joana terá pensado.
- O Brasil, a Coreia e a Costa do Marfim.

- Ah, obrigada...

Deste modo, arranjámos tema de conversa para o resto da viagem. O que vale é que a Joana também gosta de futebol. Tive sorte com a turma deste semestre, já que posso falar sobre este desporto com o pessoal. Faz-me lembrar quando estava no 8º e no 9º ano e era adepta fervorosa do Sporting e falava sobre isso com os rapazes da minha turma. Lembro-me de estarmos na aula de Inglês a jogar um jogo em que tínhamos um clube e devíamos dizer o maior número de jogadores desse clube. Os meus colegas ficavam surpreendidos por verem uma rapariga que sabia tanto quanto eles. Também há muito que o futebol deixou de ser um interesse exclusivamente masculino. Lembro-me também de eu e o meu irmão irmos para o café assistir aos clássicos. Como não tínhamos SportTV... Claro que nessa altura, o mais certo era apanharmos uma desilusão.

Mas voltando ao sorteio do Mundial 2010 e à viagem, de comboio, a Joana disse logo que não sabia se passávamos, já que tínhamos o Brasil como adversário. Já horas antes, no fim do almoço, quando eu e o António nos pusemos a falar do sorteio que se realizava dentro de poucas horas - para não estarmos sempre a falar do trabalho que tínhamos de apresentar na aula a seguir ou das notas que tinham acabado de sair - ele afirmou que Portugal tinha equipa para vencer qualquer um excepto precisamente o Brasil e Espanha. Eu, por acaso, não tinha muito medo do Brasil, ficaria mais nervosa se nos tivesse calhado a Alemanha (não me venham dizer que três golos em quatro remates não assustam, sobretudo depois de termos tido jogos com vinte ou trinta remates e zero golos!) ou também a Espanha. Não nos lembrávamos dos jogadores brasileiros sem ser o Luisão, o Helton e o Kaká. Eu estava mais optimista do que ela, mas não muito mais. Invoquei o particular de Fevereiro de 2007 em que vencemos os nossos irmãos por duas bolas sem réplica num jogo espectacular. Só me lembro de eu e a minha irmã virmos a correr da aula de música - eu com uma guitarra às costas - para ver o jogo.

A Joana, por sua vez, invocou o último particular, em Novembro do último ano, em que levámos uma bela tareia:6-2. Na altura, tive pena de o jogo ser à meia-noite. Eu tinha de me levantar cedo no dia seguinte. E além disso era apenas um amigável. Se fosse oficial, talvez fizesse o sacrifício. E mesmo assim, teria de ser daqueles decisivos. Em todo o caso, pus o jogo a gravar e fui-me deitar. Na manhã seguinte, a primeira coisa que fiz foi ir ao Teletexto ver o resultado. Ao vê-lo, ri-me. Foi daquelas gargalhadas que a gente solta para não chorar. Dei graças a Deus por ter tido uma boa desculpa para não ver aquela desgraça e nem me dei ao trabalho de ver a gravação.

Já que estamos dentro do tema, um aparte para referir que ainda pouco tempo antes tinha abdicado das minhas preciosas horinhas de sono (sou muito dorminhoca... se de manhã só se está bem é na caminha, às quatro da manhã nem se fala) para ver uma prova desportiva. Foi quando a Vanessa Fernandes ganhou a medalha de prata no triatlo. Se bem se lembram, a prova era em Pequim, logo as horas das provas não nos davam jeito nenhum. E como a Telma Monteiro e outros atletas sobre quem depositávamos as nossas esperanças competiam enquanto estávamos a dormir mas não estavam a ganhar nada, eu e os meus irmãos decidimos levantarmo-nos às três da manhã para ver a Vanessa, a ver se isso dava sorte. E acabou por dar.

Voltando ao Brasil, eu comparei-o ao Sporting na medida em que é uma fábrica de talentos e que os distribui pelas outras selecções (a nossa incluída). A Joana, que é benfiquista, não gostou muito da comparação e eu corrigi, afirmando que o Brasil não deixava todos os talentos fugir e costumava ganhar.

Também não sabíamos muito sobre a Costa do Marfim, apenas que o Drogba jogava por este país e que fora com esta selecção que a Alemanha disputara o jogo inaugural do Mundial 2006. E nem sequer sabíamos se a Coreia que íamos defrontar era do Sul ou do Norte - lembrava-me de ter visto ambas na lista dos qualificados. Estávamos ambas ansiosas por esclarecer essa dúvida, por conhecer a constituição dos outros grupos e as datas dos jogos.

A grande favorita a ganhar o título de campeã do Mundo é a Espanha, nisso estávamos de acordo. Nós e provavelmente todos os apreciadores de futebol. Depois do Euro 2008 e da qualificação para o Mundial 2010... Ambas também concordámos que não nos importávamos muito se a Espanha ganhasse, já que "são nossos vizinhos" e poderia ser bom para a candidatura à organização do Mundial de 2018 ou 2022.

Confessei, por fim, que tinha pena de não defrontarmos a França. Já manifestei o desejo de uma desforra cá no blogue, mas como ficámos no mesmo pote, era impossível ficarmos juntos no mesmo grupo. Falava-se que ficaríamos entre os cabeças-de-série porque ficámos em quinto lugar no ranking da FIFA mas aparentemente decidiram usar o ranking do mês de Outubro como critério. Para ser sincera, não sei bem como é que ficámos em tão alta posição, sobretudo sendo a mais alta desde Junho de 2002. Depois do Euro 2004 e do Mundial 2006 não chegámos ao quinto lugar mas conseguimos atingi-lo depois de uma qualificação à tangente? Gostava de saber que critérios é que utilizam para este ranking...

Quando cheguei a casa fui logo à Internet informar-me melhor sobre o sorteio. E não demorei muito a conhecer a constituição dos outros grupos, as datas dos nossos jogos e as opiniões de Carlos Queiroz, alguns jogadores, entre outros.

Assim, eis a data e a hora (no nosso fuso horário) dos nossos jogos:

Dia 15 de Junho (Terça-feira): Costa do Marfim vs Portugal 15h

Dia 21 de Junho (Segunda-feira): Portugal vs Coreia do Norte 12h30

Dia 25 de Junho (Sexta-feira): Portugal vs Brasil 15h

A hora não é a das mais favoráveis por coincidir com o horário laboral da maior parte das pessoas. E também para mim não me vai dar muito jeito. Uma das coisas que mais me chateia nestes Campeonatos Internacionais é que são sempre em Junho. Exactamente no mês em que temos sempre exames. Não seria tão mau se fossem em Março, por exemplo. O ideal seria se fossem em Agosto, em que o pessoal está de férias e poderia estar sempre a pensar em futebol sem se sentir culpado. É muito injusto obrigarem-nos a escolher entre o percurso académico e o futebol. Se, por um lado, temos pelo menos dez exames por ano e Europeus ou Mundiais só de dois em dois anos, também é chato termos de ir à segunda fase ou ficar com cadeiras em atraso porque ficámos a ver o jogo em vez de estudar. Além disso, o stress dos exames mais o stress da Selecção às vezes pode ter uns efeitos secundários indesejáveis. Foi durante o Mundial 2006 e nas vésperas dos exames nacionais do 11º ano que apanhei herpes labial pela primeira vez.

Por outro lado, misturar futebol e vida académica até pode ter uns efeitos engraçados. Lembro-me que no dia do Portugal vs Irão desse Mundial tinha estado a estudar os sistemas circulatórios das diferentes classes de animais para o exame de Biologia e Geologia. Devem-se lembrar que nesse jogo, o Figo teve uma exibição excelente, tendo mesmo sido considerado o melhor em campo. Não marcou nenhum dos golos, mas esteve em todos os que foram marcados. Passou a bola ao Deco para que este desse aquele tiro fenomenal e foi numa falta sobre ele que se marcou o penálti que o Ronaldo transformou no nosso segundo golo. Mais tarde, já terminado o jogo, quando se comentava a partida e como o Figo era o grande responsável pelo desempenho da Selecção, eu disse que o Figo era o órgão propulsor da Selecção (órgão propulsor é o termo geral para os órgãos que bombeiam o sangue pelo corpo todo. No sistema circulatório dos mamíferos é chamado coração). Ao menos aquela parte da matéria foi fácil de memorizar já que me lembrava de ter visto aquilo no dia do Portugal-Irão.

E agora que penso nisso, acho que também se pode dizer que o Figo é o catalizador da Selecção. Para aqueles que não sabem assim tanto de Química, um catalizador acelera as reacções químicas. Não que seja impossível os reagentes reagirem, mas a reacção é significativamente mais lenta, nalgumas circustâncias é quase impossível que ocorra. Desta forma, o catalizador tem um papel importante na formação do produto, sem ter participado directamente no processo. Mais ou menos o que o Figo costumava fazer.

Por acaso, até nem tenho tido muito azar no que toca ao calendário de exames versus calendário da Selecção. No Euro 2008 calhou duas vezes em vésperas de exames. O que até nem é muito mau. Considerando que passava o dia quase todo a estudar, podia perfeitamente fazer uma pausa de hora e meia para ver o jogo. E como no dia seguinte fazia uma folga depois do exame, aptinha tempo para actualizar o blogue. Este ano é que vai ser mais complicado porque o jogo contra a Coreia começa uma hora e meia antes de um exame. Contas feitas, não verei os últimos quinze minutos do jogo. Nem é assim tão mau. Visto que a Coreia do Norte é teoricamente o adversário mais acessível, aos setenta e cinco minutos o jogo já deve estar resolvido, espero. O pior será descobrir como é que poderei ver o jogo lá na Faculdade. Hei-de averiguar. Na pior das hipóteses, oiço o relato na rádio através do meu leitor de MP3.

A constituição dos restantes grupos é a seguinte:

Grupo A: África do Sul, México, Uruguai e França

Grupo B: Argentina, Nigéria, Coreia do Sul e Grécia

Grupo C: Inglaterra, Estados Unidos da América, Argélia e Eslovénia

Grupo D: Alemanha, Austrália, Sérvia e Gana

Grupo E: Holanda, Dinamarca, Japão e Camarões

Grupo F: Itália, Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia
Grupo H: Espanha, Suíça, Honduras e Chile
Aquando do sorteio para o Euro 2008, eu decorei logo a constituição dos quatro grupos. Sim, tenho boa memória mas esta é muito selectiva. Decoro mais facilmente estas coisas do que as deduções das fórmulas de Física... Triste, não é? Desta vez não tive pachorra para memorizar. É que no Euro 2008 eram só quatro grupos, um deles era igualzinho ao nosso do Euro 2004, só que em vez de nós, estava lá a Suécia e a França, a Itália e a Holanda estavam no mesmo grupo. Só isto ajuda muito a decorar. Aqui são oito grupos e não estou familiarizada com pelo menos metade das selecções apuradas.

Desta feita, os grupos estão bastante equilibrados, não calhou nenhum grupo como aquele da França e da Itália do Euro 2008. Parece que o pior é mesmo o nosso grupo, visto que estamos lá nós, a Costa do Marfim (ao que consta, é uma das melhores Selecções africanas) e o Brasil (nem precisa de justificações). Se em sorteios anteriores até tivemos alguma sorte ao ficarmos no mesmo grupo de selecções teoricamente acessíveis (embora tenham demostrado em campo, por vezes, não serem tão acessíveis quanto isso), desta feita a sorte não esteve connosco. Isto se tivermos em conta o grau de dificuldade, claro.

As opiniões dividem-se. Se Deco acha que, de facto, o Brasil é o grande favorito a passar à fase seguinte, Liedson acha que é melhor enfrentar os zucas (o Miguel, o meu amigo que é brasileiro, é que me ensinou este termo) nesta fase do campeonato, em vez de no "mata-mata". O que até faz sentido. Muitos acham que as Selecções que falam a língua portuguesa passarão à fase seguinte e disputarão entre si o primeiro lugar do grupo. Eu não punha as mãos no fogo. Como já referi, a Costa do Marfim é uma das melhores selecções do continente africano e existe ainda uma outra agravante: nunca jogámos contra eles. Os jornais têm vindo a comparar esta ida ao Mundial com a viagem capitaneada por Bartolomeu Dias em que se dobrou o Cabo da Boa Esperança e já começaram a perguntar se esta Costa do Marfim será o Adamastor desta viagem, o factor desconhecido. Além disso, como Carlos Queiroz recordou, é logo o primeiro jogo. E, como o Mundial é em África, ainda devem haver uns quantos costa-marfinenses (é assim que se diz?) no público. Mas, por outro lado, é só a segunda vez que participa num Mundial, logo o factor experiência joga a nosso favor.

Também a Coreia do Norte só esteve uma vez num Mundial. Curiosamente, foi em 1966, no mesmo Campeonato em que tivemos aquele jogo histórico em que estávamos a perder 3-0 ao intervalo mas depois demos prespegámos-lhes cinco golos, quatro da autoria do grande Eusébio, e os coreanos foram para casa. De facto, também se comentou muito o facto de irmos enfrentar duas selecções que também enfrentámos em 66. Visto que foi o Mundial em que fomos mais longe - terceiro lugar - espero que esse facto dê sorte.

Pinto da Costa também deu a sua opinião sobre o sorteio do Mundial 2010. Admitiu que é possível Portugal chegar à final. "É um sonho, mas há sonhos que se concretizam". "Acho que Portugal vai passar e discutir com o Brasil a liderança do grupo". Palavras bonitas, sim senhor, mas vindas do homem que festejou o golo da Grécia na final do Euro 2004 não valem nada. Se eu já antes não tinha grande opinião sobre o dirigente portista, agora desceu ainda mais na minha consideração. Muito obrigada mas a Selecção não precisa desse tipo de apoio, tem apoiantes sinceros que cheguem.

Nós ficámos um bocado nervosos com o facto de irmos defrontar o Brasil na fase de grupos mas, pelos vistos, os brasileiros estão tão nervosos como nós. Quando estive a comentar o sorteio com o Miguel, ele lembrou-me que nós ficámos em quarto em 2006 e os brasileiros ficaram pelos quartos-de-final. Eu sosseguei-o dizendo que, em termos futebolísticos, isso foi há séculos. É bom saber que os nossos adversários (ainda) nos respeitam, mesmo depois de nos termos visto gregos para nos qualificarmos.
Em todo o caso, até gostei que nos tivesse calhado este grupo. O jogo com o Brasil será, sem dúvida o mais escaldante da fase de grupos, incluindo o jogo inaugural. Todos os olhos estarão em nós e nos nossos "irmãos". Um jogo de proporções epopeias já está garantido. Não faltará adrenalina, não faltará emoção. Será um jogo impróprio para cardíacos.
Em relação às nossas hipóteses, estou com a maior parte do pessoal, que considera que passamos e discutimos a liderança do grupo com o Brasil. Espero mesmo que fiquemos em primeiro lugar, porque se ficamos em segundo corremos o risco de ter de jogar os oitavos-de-final com a Espanha... O pior é que não sei o que esperar da Costa do Marfim. E se passarmos ao mata-mata, sim, acho que podemos ir longe desde que não nos calhe a Espanha ou a Alemanha pelo caminho... Se para o Euro 2008 não estava muito confiante, agora para o Mundial, depois desta fase de qualificação, estou ainda menos. Mas vou adoptar a mesma atitude que adoptei nessa altura, pensar um jogo de cada vez, não exagerar na euforia das vitórias, partilhar emoções cá no blogue, aproveitar ao máximo. Que o Mundial é a festa suprema do futebol e só acontece de quatro em quatro anos.

Certamente já repararam no vídeo de apoio à Selecção. Se já o viram, espero que tenham gostado. Já tinha feito um aquando do Euro 2008, mas fora só com fotografias e, admito, estava um bocado fraco. Neste ano e meio que decorreu entre a montagem desse vídeo e o momento actual aprendi a explorar as potencialidades do Windows Movie Maker, a montar vídeos a partir de outros vídeos, não só de fotografias, a adicionar efeitos (embora quase só use câmara lenta, o "aparece gradualmente a partir de preto" e o desaparece gradualmente até ficar preto"). Desta feita, usei a música "Here I Am", de Bryan Adams, o meu cantor favorito. Para mim, esta é a música que mais se identifica com a Selecção Nacional, execptuando os "Menos Ais", é claro. É muito viva, muito alegre, de ritmo rápido a letra é bastante simples mas tem versos como "Tonight we'll make our dreams come true" (Esta noite faremos com que os nossos sonhos se tornem realidade), "Here we are/We've just begun/ And after all this time our time has come" (Aqui estamos nós/Ainda agora começámos/E depois deste tempo todo, o nosso tempo chegou), "Here we are/Still going strong" (Aqui estamos nós/Ainda a fortalecermos) que me fazem pensar no espírito da Selecção.

Já que estamos dentro do assunto, tenho visto no YouTube alguns vídeos de apoio semelhantes aos meus, mas como música de fundo têm I Gotta Feeling dos Black Eyed Peas. Parece que o próprio Professor Carlos Queiroz disse que a música serviu para inspirar e motivar os jogadores agora na etapa final da qualificação. Tinha logo de ser essa... Não é por nada, sei que é um dos "hits do momento", mas eu não gosto lá muito dessa música. Acho-a muito repetitiva e um bocado fútil. Como disse um amigo meu no outro dia, parece que agora o pessoal gosta destas repetições. Mas eu não. Além disso, a música fala mais sobre sair à noite, à parte do refrão não tem muito a ver com a Selecção. Here I Am tem mais a ver. Pelo menos na minha opinião.
Não estou aqui a julgar ninguém, atenção! Tenho todo o direito de não gostar de uma música mas vocês também têm todo o direito de gostar dela. Como costumo dizer ou pensar quando alguém critica os cantores de quem eu gosto, quem perde sou eu. E como parece que serviu de catalizador aos jogadores... Só espero que o professor esteja a ser sincero, que ele tenha relacionado a Selecção com a música, que nenhuma editora discográfica lhe tenha pago para dizer isso.

Não, a mim ninguém me pagou para fazer publicidade ao Bryan Adams. Na verdade, acontece mais o contrário, eles não gostam que eu use as músicas dele nos meus vídeos. Há um ano atrás tiraram-me o vídeo com Heat Of the Night do YouTube. O Euro 2008 já fazia parte da História, o desempenho da Selecção deixava muito a desejar, o vídeo era muito fraquinho, a qualidade das fotografias e do som era péssima, só tive três comentários todos negativos, mas fiquei chateada. Apesar de o vídeo não ser grande coisa, foi ele que me permitiu obter cerca de mil visualizações do meu canal num único dia (no dia do Portugal-República Checa), recorde que só foi ultrapassado em Outubro deste ano, mais de um ano mais tarde. Desta vez, (ainda) não rejeitaram o vídeo, embora tenha recebido um avisozinho. De qualquer forma, estou prevenida para o caso das regras dos direitos de autor mudarem. Fiz um segundo upload do vídeo com uma versão karaoke de Here I Am (é só a parte instrumental mais as vozes de fundo), que até é bem gira. Ninguém se queixou de violação dos direitos de autor, até agora. Podem eventualmente tirar o vídeo com a versão oficial, mas o outro é pouco provável que retirem. Pelo menos, já usei versões instrumentais/karaoke para tornear a regra dos direitos de autor noutros vídeos e até agora resultou... Fica aqui a dica para outros utilizadores do YouTube com problemas semelhantes: versões instrumentais/karaoke. Em todo o caso, espero que mantenham o vídeo, pelo menos até ao fim do Mundial.

2009 aproxima-se do fim. Vem aí 2010 e com ele um Campeonato do Mundo. Na Noite de Ano Novo, costumo cumprir sempre a tradição das doze passas, um desejo para cada uma delas. Com grande sacrifício da minha parte, que odeio passas. Mas gosto de pedir os doze desejos. No final do ano passado, um dos meus desejos era a presença do Mundial 2010. Esse desejo foi cumprido. De resto, que me lembre, à excepção da carta de condução, é capaz de ter sido o único a ser cumprido. O desejo de novos governantes sinceramente empenhados em melhorar Portugal não foi... Mas agora, na próxima Noite de Ano Novo, um dos meus desejos será a Taça do Mundo. Lembro-me que, antes da passagem de 2005 para 2006, a Galp andou a fazer uma campanha para estimular o pessoal a "guardarem uma passa para a Taça", que 15 milhões de desejos podem significar alguma coisa. Agora faço um apelo semelhante através deste blogue. "Guarda uma passa para a Taça". Não que eu acredite sinceramente que será isso que nos dará a Taça, mas também não custa nada - para aqueles que costumam cumprir esta tradição, não deixam de ser doze passas - e temos de usar todas as armas que pudermos. E parece que, segundo o último livro do Dan Brown, é possível que os pensamentos de milhões provoquem alterações em acontecimentos supostamente aleatórios - isto segundo a explicação do meu irmão, que eu não li o livro...

Esta é a última entrada deste ano. Aproveito para desejar a todos os leitores um Feliz Natal, na companhia daqueles que mais gostam, e que 2010 vos traga coisas boas, incluindo a Taça do Mundo, claro está. E não se esqueçam daquilo das passas!

P.S. Ao saberem que a música deles serviu de inspiração à Selecção, os Black Eyed Peas gravaram um vídeo a darem apoio aos tugas para o Mundial. Foram simpáticos. Eu já gostei mais desta banda, mas agora subiram na minha consideração. Mesmo que só nos apoiem por termos gostado da música deles, eles podiam ter escolhido outras Selecções para apoiar, algumas das quais permitiriam uma promoção ainda maior da música deles, mas escolheram a nossa. São mais sinceros que o Pinto da Costa... A gente agradece o apoio. Não vou passar a gostar de I Gotta Feeling só por causa disso, mas vou fazer um esforço para evitar aquela irritação que me invade quando vejo a música associada à Selecção. Ao menos os Black Eyed Peas não fotografaram a Selecção Alemã aquando do Euro 2008 para uma exposição, ao contrário de um certo cantor canadiano que uma vez afirmou que Portugal era a sua segunda casa...


Quem deve andar passada de ciúmes é a Nelly Furtado...