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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Portugal 3 Noruega 0 - Dando a mão à palmatória

abraços a quaresma.jpgNo passado domingo, 29 de maio, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere norueguesa por três bolas sem resposta, no Estádio do Dragão, em jogo de carácter preparatório do Campeonato Europeu da modalidade, que começa na próxima semana.

 

Vou ter de dar a mão à palmatória, pois eu não estava nada à espera de um resultado como este. Tal como escrevi na crónica anterior, os últimos particulares semelhantes a este acabaram sempre sem golos e com exibições fracas. Eu até antecipei as críticas que provavelmente fariam à Seleção depois deste jogo! Não que este tenha sido um grande encontro, mas teve um bom resultado e deixou boas indicações para o Europeu.

 

Sei que Portugal entrou bem no jogo, dominando durante os primeiros minutos, abrandando o ritmo depois. A verdade é que não prestei muita atenção ao jogo durante a primeira parte. Estava, aliás, distraída, na conversa, no momento do golo de Ricardo Quaresma (em minha defesa, era sobre algo mais ou menos importante). Fico com pena de não ter visto a trivela em direto: uma bela obra de arte, nove anos depois de outra trivela marcante, frente à Bélgica. Já se começa a dizer que Quaresma desafia a titularidade de Nani. Eu não diria ainda isso, que Nani já conta muitos anos a virar frangos e atravessa um bom momento. Mas a Seleção só tem a ganhar com este tipo de concorrência.

 

quaresma agradece ao dragão.jpg

 

Como referi acima, depois dos primeiros vinte minutos, a Seleção baixou as linhas - mais do que Fernando Santos esperava, segundo declarações do mesmo no fim do jogo. Não me passou despercebida a fífia de José Fonte com o norueguês King, que poderia ter dado para o torto não fosse a intervenção do guarda-redes Anthony Lopes. 

 

Na segunda parte as coisas estiveram um pouco mais consistentes para o lado português. Pouco após os sessenta minutos, é marcado livre a nosso favor. Adrien e Raphael Guerreiro posicionam-se para marcar. Enquanto tentava adivinhar qual dos dois bateria o livre, lembrei-me, por acaso, que Guerreiro já tinha marcado pelo menos um golo pelo seu clube de maneira semelhante. E de facto o miúdo executou o livre de forma soberba para dentro da baliza.

 

Este golo deixou-me muito satisfeita. Como sabem, fiquei rendida a Raphael Guerreiro com o inesquecível golo à Argentina, no último minuto. Renato Sanches pode ser o menino-prodígio do momento, mas Guerreiro merece tanto carinho como ele. Continuo a fazer figas para que Guerreiro seja titular.

 

Entretanto, Ricardo Carvalho e Ricardo Quaresma foram substituídos e Éder recebeu a braçadeira de Capitão. Eu e a minha irmã estranhámos o facto, mas a verdade é que não havia ninguém mais experiente em campo em termos de Seleção.

 

- Só para verem - disse a minha irmã - o Éder é ponta-de-lança, tem internacionalizações suficientes para ser Capitão, mas só tem um golo marcado.

 

Eu tive de concordar. No entanto, Éder calar-nos-ia a todos aos setenta e um minutos, ao encostar para a baliza após passe de João Mário.

 

abraços a éder.jpg

 

É isto que queremos de Éder. Que marque golos, que justifique a Convocatória, a confiança do Selecionador, o benefício da dúvida que lhe dei, que vá calando os críticos, eu incluída. Este golo servirá, certamente, para dar confiança a Éder para os próximos jogos, sobretudo durante o Europeu.

 

No fim do jogo, o público entoou o cântico novo, "Tudo O Que Eu te Dou - Somos Portugal", algo que já tinha ocorrido amiudadas vezes durante o jogo, encorajados pelo speaker - a Federação está mesmo a tentar enfiar-nos o cântico pelas goelas abaixo. Dito isto, eu até gostei de ouvir o público cantando em coro durante o jogo. Era isto que o Cristiano Ronaldo queria, não era?

 

Este foi o resultado mais dilatado da era Fernando Santos. A Noruega, não sendo uma potência do futebol, também não está propriamente ao nível do Luxemburgo. É um claro progresso relativamente aos primeiros particulares de estágios anteriores. As falhas apresentadas neste jogo (e não foram assim tão poucas) não são motivo para grandes dramas, nesta altura do campeonato. 

 

cumprimentos de fernando santos.jfif

 

Dito isto tudo, Fernando Santos não alinhou em euforias, bem pelo contrário. O Selecionador disse mesmo que "o resultado é bom mas não é mais do que isso", que "esperava um pouco mais neste jogo em termos de automatismos". Concorde-se ou não com ele, é sempre preferível quando o treinador está menos satisfeito que os comentadores em geral. Porque o treinador pode corrigir os defeitos que encontra, ao contrário do comentador e do adepto comum. Em todo o caso, conforme Cédric afirmou após o jogo, a preparação ainda estava a começar aquando do jogo, ainda havia tempo para limar as arestas que faltavam.

 

A Seleção volta a entrar em campo hoje, com um adversário de calibre bem diferente. Os nossos três últimos jogos com a Inglaterra foram... engraçados. Só me lembro dos dois últimos - falei dos dois em entradas recentes. Mas já se passaram dez anos. Segundo o que tenho lido, hoje a seleção inglesa é uma seleção muito jovem e parte para o Europeu com ambições semelhantes às nossas.

 

Este jogo com a Inglaterra será um teste de fogo à Equipa de Todos Nós, para ver como esta se sai perante uma seleção grande. Tendo em conta que nunca ganhámos em terras de Sua Majestade e estando nós ainda a meio da preparação do Europeu e sem Cristiano Ronaldo, as minhas expectativas para este jogo não são muito altas. No entanto, a Seleção já surpreendeu perante equipas grandes nos últimos dois anos (com as devidas atenuantes). Nunca se sabe, portanto...

 

Tenho uma certa pena por Cristiano Ronaldo não participar neste jogo. Tinha uma curiosidade mórbida relativamente à maneira como os ingleses o receberiam depois do que aconteceu no Mundial 2006. Também tenho pena que não tenham convidado o guarda-redes Ricardo para assistir ao jogo, só para gozar.

 

treinos em wembley.jpg

 

Podemos ir ainda a meio da preparação do Europeu, mas já conseguimos coisas importantes. O grupo parece unido, motivado, empenhado. A mensagem ambiciosa de Fernando Santos está a ser adotada, colocada em prática por toda a Seleção (jogadores, equipa técnica, pessoal de apoio), a alastrar um pouco para a massa adepta. São cada vez mais as vozes que se juntam ao coro daqueles que acreditam na nossa Seleção (José Mourinho, Rui Costa, Marco Silva...). Tudo isto pode não ser suficiente para garantir um bom desempenho no Europeu, mas ajuda muito. Não me lembro de isto ter existido aquando do Mundial 2014, pelo menos não neste grau - talvez isso tenha feito a diferença. 

 

Uma parte de mim continua com algum medo, algum cepticismo, sem certezas absoluta de que a Equipa de Todos Nós conseguirá traduzir todo este otimismo, toda esta ambição em campo. Rui Costa, no entanto, já disse que Portugal não pode ter medo de se assumir como candidato. Fernando Santos disse em tempos que Portugal brilha quando não tem medo - os grandes feitos da nossa Seleção nos últimos dezasseis anos são prova disso. Por fim, Pedro Pauleta disse há dez anos, precisamente numa sala cheia de ingleses, que o povo português não tem medo de nada, que foi assim que conseguiu dar novos mundos ao Mundo. 

 

Que o jogo de hoje sirva, então, para Portugal praticar o futebol sem medo.

 

 

Galvanizados

foto de capa.jpg

Hoje, a Seleção Portuguesa de Futebol enfrenta a sua congénere norueguesa no Estádio do Dragão, num jogo de carácter preparatório para o Campeonato Europeu da Modalidade, que começa daqui a menos de duas semanas em França. Estamos, aliás, no fim da primeira semana de estágio de preparação para esse mesmo campeonato.

 

Conforme estava previsto, estes primeiros dias da Operação Euro 2016 decorreram em regime livre. Os jogadores foram-se juntando ao grupo aos poucos - um aplauso para Marmanjos como Ricardo Quaresma e Eliseu, que fizeram questão de vir antes dos dias a que estavam obrigados (ainda há amor à camisola) - embora continuem a faltar Nani e Bruno Alves (que chegam amanhã) e Pepe e Cristiano (que só vêm depois do jogo com a Inglaterra. 

 

Já repararam que os adversários dos jogos de preparação para o Euro são mais difíceis do que os adversários da fase de grupos? Bem, mais ou menos. A Inglaterra é que eleva muito a média de qualidade e, na minha cabeça, a Noruega é melhor que equipas como a Áustria e a Islândia. Uma ideia errónea, visto que os noruegueses nem sequer se Qualificaram para este Europeu. O nosso historial com a Noruega é positivo, tirando aquele malfadado jogo de 2010, em plena crise Queiroz, a nossa única derrota perante os nórdicos. O nosso último jogo com eles decorreu em 2011. Ganhámos por 1-0, golo de Hélder Postiga, embora a nossa exibição não tenha sido brilhante (era fim de época...). Visto não se terem Qualificado para o Europeu, a Noruega está neste momento a passar por uma fase de renovação e um dos seus maiores destaques é Martin Odegaard, o menino-prodígio que se juntou ao Real Madrid aos 16 anos (por outras palavras, o Renato Sanches dos noruegueses... mais ou menos). Segundo Fernando Santos, este adversário foi escolhido porque os noruegueses têm um estilo de jogo muito parecido com o da Islândia. 

 

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Não estou à espera de um jogo de qualidade. Para além de já ser tradição os primeiros jogos destes estágios terminarem sem golos, com exibições fracas, o facto de o estágio ter sido muito soft até agora, com os jogadores chegando em alturas diferentes aos treinos e ainda faltando quatro dos mais importantes, não dá grandes garantias. A vantagem da ausência de Cristiano Ronaldo é o facto de podermos ver como a Seleção funciona (ou não...) sem a sua maior referência. No entanto, se o resultado não for brilhante (e não é provável que o seja), já estou a ver o povo todo a atirar-se ao ar, a dizer que a Seleção não é nada sem Ronaldo - esquecendo-se que, em 2012, no particular com a Macedónia ter Ronaldo a jogar não nos serviu de nada. Como sempre, o importante é fazer experiências, afinar estratégias,. Dificilmente este jogo ficará na História, de qualquer forma. 

 

No meio disto tudo, já começaram as campanhas publicitárias dos patrocinadores da Seleção. Tal como referi antes, apesar de saber perfeitamente que os propósitos destas campanhas são maioritariamente comerciais, esta continua a ser uma da minhas partes preferidas de um campeonato de seleções. E, afinal de contas, todos beneficiarão se Portugal ganhar o Europeu.

 

Um aspeto curioso das campanhas deste ano é o facto de quase todas terem uma mensagem comum: uma declaração de Fernando Santos aquando do Anúncio dos Convocados: "se conseguirmos se 11 jogadores com 11 milhões a apoiar, será o ideal" (eu era capaz de jurar que a população portuguesa era de 10 milhões, mas adiante). Não me admiraria se tivessem sido as equipas de marketing da Federação a sugerir a frase ao nosso Selecionador. Por outro lado, gosto este lema, faz lembrar o Onze Por Todos de 2012.

 

 

O meu anúncio preferido é capaz de ser o da Sagres. Eu não escolheria o Ricardo Araújo Pereira para protagonizar uma campanha de apoio à Seleção (lembro-me de ler um artigo de opinião dele há já vários anos em que ele dizia que não ligava à Turma das Quinas, pelo menos não tanto como ao seu Benfica), mas a verdade é que o seu humor típico deu origem a um anúncio muito original. Quase uma paródia das campanhas habituais. Eles até recorreram ao tema Heart of Courage, dos Two Steps From Hell, que é a música a que todos recorrem quando procuram algo épico - já tinha sido usada num vídeo do Euro 2012. Tudo isto vale a possível incoerência.

 

Também gostei do anúncio da MEO, em que Cristiano Ronaldo vai ter com pessoas comuns, adeptos comuns, e coloca-lhes a braçadeira de Capitão (pena é eu nunca estar lá para estas coisas... Cristiano, quando é assim, manda-me mensagem antes!). 

 

Por outro lado, não gosto mesmo nada do anúncio do Continente. Ficou demasiado melodramático, nota-se que se esforçaram demasiado por parecerem épicos.

 

 

Vou recuperar aqui uma tradição do blogue, que é falar de música de apoio à Equipa de Todos Nós. Dos criadores do Hino Seleção 2012, este ano temos o... bem, o Hino Seleção 2016 (já tínhamos tido outro em 2014). Este tema não é muito diferente do de 2012, pelo menos não em termos de sonoridade. Aquilo que mais gosto nesta canção é a sua melodia - de tal forma que esta música tem versões com guitarra eléctrica, acordeão e um remix e soa espetacular em todas - e sobretudo da interpretação de Tó Zé, o vocalista. A sério, já ouviram falar em eargasms? Foi o que eu tive quando ouvi a interpretação dele pela primeira vez.

 

Fica aqui a letra:

 

Em França vamos jogar

Jogamos de coração

Vamos todos apoiar

Portugal e a seleção

As vozes estão no ar

Gritam vivas à nação

Portugal a festejar

Juntos em multidão

 

Allez Portugal,

Allez Seleção,

Allez Portugal,

Nosso campeão

Allez Portugal,

Allez Seleção,

Allez Portugal,

Nosso campeão

 

Um grito de campeão

Pelas ruas de Paris

Um fado tocado

Num canto feliz

Tudo animado

Neste País

Grito com vontade

Grito de ambição

Com muita vaidade

Allez Seleção,

Allez Portugal

Nosso campeão

 

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Chegamos, por fim, àquele que dizem ser o cântico oficial da Seleção. Quando vi o vídeo abaixo pela primeira vez, com excertos do hino, fiquem de queixo caído. Não estava à espera que convertessem Tudo o Que Eu te Dou num cântico de apoio à Equipa de Todos Nós.

 

Por incrível que pareça, mas eu já associava parcialmente a música original a Cristiano Ronaldo e à Seleção - se não acreditam, poder ir ao meu outro blogue ler o texto que escrevi sobre o tema em 2012. Na verdade, foi com outro anúncio relacionado com a Seleção que isso começou - este, do BES, que rodava pouco antes do Euro 2004. Segue um excerto do texto sobre Tudo o Que Eu te Dou, a música original: 

 

"Acreditem ou não, já na altura, consideravelmente antes do Euro 2004, já no tempo em que o jogador madeirense dava os primeiros passos no Sporting, eu sabia que ele seria algo grande. E vejam só, passados todos estes anos, onde está ele! É aqui que entra o refrão de Tudo O Que Eu Te Dou: "Tudo o que eu sonhei, tu serás assim". Além disso, ao longo destes anos todos como fervorosa adepta da Equipa de Todos Nós, Cristiano Ronaldo tem ajudado a Seleção, direta ou indiretamente, a dar-me alegrias, permitindo-me colecionar várias boas recordações. "Tudo o que eu te dou, tu me dás a mim" Por muitos defeitos que ele possa ter, ainda que, de vez em quando, ele e os colegas nos desiludam, como fizeram esta semana, [este texto foi publicado poucos dias após este jogo] este mérito ninguém lhe pode tirar."

 

 

 

Ainda que uma parte significativa de mim não esteja propriamente satisfeita por terem alterado uma letra original tão bonita, a verdade é que esta nova versão explora a mensagem que há muito atribuí ao tema original. Há quem reclame, naturalmente, mas se as claques do Sporting podem adotar um clássico de uma das maiores lendas da música internacional, a Seleção também pode adotar um clássico da música portuguesa, ainda por cima com autorização expressa e interpretação do próprio autor original.

 

Estou convencida, aliás, que a Federação quis precisamente a sua versão d'O Mundo Sabe Que para a Equipa de Todos Nós. O próprio Pedro Abrunhosa deu-o a entender, em entrevista à TVI24, quando disse que a Federação queria "um cântico pausado", "que as pessoas conhecessem de raiz", chegando a referir a clássica "You'll Never Walk Alone", do Liverpool. Consta mesmo que a Federação planeia pôr a música a tocar já hoje, no jogo com a Noruega. Duvido que admitam a influência, por razões óbvias, mas estou convencida. 

 

E não digo que tenha sido uma má ideia, bem pelo contrário. Já vi o cântico O Mundo Sabe Que entoado por milhares em Alvalade e achei lindo. Por mim, todos os clubes de futebol teriam o seu cântico pausado, a ser entoado por todo o público antes do início de cada jogo. Estou feliz por, aparentemente, o meu clube ter arranjado o seu. Pode ser desta que o desejo de Cristiano Ronaldo em 2012 se realize.

 

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Segundo Pedro Abrunhosa, a versão final de estúdio ainda está em processo de mistura. Ele entretanto interpretou a música inteira na TVI, como poderão ver aqui. Mesmo que a música não pegue como cântico oficial (a Federação está a esforçar-se), Tudo O Que Eu te Dou, Somos Portugal já tem lugar reservado na minha playlist.

 

Na mesma entrevista Abrunhosa diz que o futebol e a música são ambas capazes de "galvanizar as pessoas - neste caso um País - por uma causa em comum". Uma afirmação com a qual concordo plenamente. Não é por acaso que o futebol e a música se encontram entre as minhas paixões, que jogos e concertos sejam os meus eventos preferidos, que a música tenha sempre feito parte da minha relação com a Equipa de Todos Nós. Nota-se que está a ser feito um esforço para agregar o povo em torno da Seleção, que os jogadores e a Federação levam a sério as ambições de Fernando Santos. Como sempre, o meu desejo é que tudo isto, todos estes anúncios, músicas, declarações, etc, nos galvanizem a todos de modo a termos um bom desempenho em França. Que culmine, preferencialmente, com o título que nos escapa há demasiado tempo.

Selecção 2011



Mais um ano encontra-se à beira do fim, mais um ano encontra-se à beira do início. É costume as pessoas reflectirem sobre os acontecimentos mais marcantes dos últimos doze meses e tentarem prever o que acontecerá nos próximos doze. No que toca à Selecção Nacional, depois de um ano de 2010 muito atribulado, 2011 foi um ano incomparavelmente mais calmo. Sobretudo por não ter ocorrido nenhum caso tão grave como aquele que levou ao despedimento de Carlos Queiroz. Também seria difícil e menos provável que ocorresse um caso com essa gravidade este ano, em que não houve fase final de um campeonato de Selecções, estivemos quase meio ano sem jogos oficiais e, mesmo estes, foram apenas meia dúzia (contando com o playoff, que nem sequer fazia parte do plano inicial).
 
A Selecção entrou em 2011 em alta, derivada do relançamento na disputa pela Qualificação para o Europeu de 2012 e de uma inesperada goleada à Espanha num particular, e manteve-se assim durante a maior parte do ano. O público parecia ter feito as pazes com a Turma das Quinas, o ambiente parecia estar bom no seio da equipa, havia consenso, ninguém tinha nada de muito importante a criticar. Isso era bom, sem dúvida, mas era algo monótono. Se derem uma vista de olhos às minhas entradas (ou simplesmente aos títulos destas) hão de verificar que estas andavam quase todas à roda do mesmo: "A Selecção está muito bem, é a única coisa que está bem neste País". As coisas apenas começaram a descarrilar em Setembro, com a deserção de Ricardo Carvalho e à medida que se aproximava a recta final do apuramento (não sei se estes acontecimentos, bem como aquilo que se passou com José Bosingwa, estão relacionados ou se é apenas coincidência). Em todo o caso, após a brilhante segunda mão do playoff, a Selecção encerra o ano de 2011 mais ou menos da mesma maneira como o inaugurou: em alta, cheia de promessas de mais bons momentos a curto e médio prazo, apesar dos adversários dos próximos jogos oficiais.


O particular com a Argentina, realizado dia 9 de Fevereiro no Estádio de Genebra na Suíça, foi o primeiro compromisso da Selecção Portuguesa do ano. Este desafio encontrava-se envolvido em expectativa, não só devido ao anteriormente mencionado bom momento da equipa mas também - e sobretudo - uma vez que este particular oporia Cristiano Ronaldo e Lionel Messi - por muitos considerados os melhores jogadores de futebol da actualidade. Foi por causa desde duelo que os bilhetes para o jogo se esgotaram e que oitenta televisões em todo o Mundo compraram os direitos de transmissão.


O jogo, que terminou com 2-1 a favor da selecção alviceleste, foi bastante equilibrado. Os dois primeiros golos, um para cada lado, foram marcados na primeira meia hora de jogo. O tento português foi executado por Cristiano Ronaldo. Foi o primeiro de muitos golos, não apenas de Ronaldo ao serviço da Selecção, mas também da própria Equipa de Todos Nós. A substituição do madeirense, aproximadamente aos sessenta minutos de jogo, foi demasiado precoce para a assistência, atraída para o jogo pelo duelo entre os dois melhores do Mundo.


Mas voltando ao jogo em si, este foi muito equilibrado, tal como foi mencionado acima. O ritmo manteve-se quase sempre elevado. O segundo golo marcado pela Argentina resultou de um penálti, um pormenor convertido em pormaior por Messi, em cima do minuto noventa, numa altura em que "ambas as equipas já estavam conformadas com a igualdade" no marcador.


No que toca ao duelo entre Ronaldo e Messi, este último foi o vencedor mas só por falta de comparência do adversário. No que toca à Selecção num todo, este jogo foi testemunha da capacidade da Turma das Quinas de enfrentar qualquer adversário como igual, não maculando, deste modo, o comando de Paulo Bento.


No entanto, terá sido aquando da preparação deste encontrou que terá ocorrido o primeiro capítulo do desentendimento entre o Seleccionador e José Bosingwa - isso sim, maculou o comando de Paulo Bento, ainda que só tenha vindo a lume vários meses depois. Ainda não percebi ao certo o que se passou. A versão que corre - mas não sei se é a verdadeira - é a de que Bosingwa não terá gostado da hipótese de ser suplente e, em represália, terá simulado uma lesão para abandonar o estágio.


Provavelmente, nunca se saberá ao certo o que de facto aconteceu. A única coisa acerca da qual existem certezas quase absolutas é de que, tão cedo, Bosingwa não voltará à Selecção - e isso para mim é o mais importante, o pior. Mas, tal como já mencionei anteriormente, só o soubemos muito depois de Fevereiro, depois de Bosingwa ter sido repetidamente sido deixado de fora das Convocatórias.


Em finais de Março, realizaram-se mais dois jogos de carácter preparatório: um contra o Chile, no dia 26, outro contra a Finlândia, no dia 29. O primeiro terminou empatado a um golo. Não assisti a este jogo, nem sequer pela rádio, como tal, não sei dizer como é que Portugal jogou. Em todo o caso, ninguém atribuiu grande importância a este encontro devido às eleições no Sporting, entre outros factores.


Um dos quais o desafio que opôs a Dinarmarca à Noruega, que terminou empatado a um golo e nos deu o poder de chegarmos ao primeiro lugar do grupo por nós próprios.


O encontrou com a Finlândia foi diferente. Tratava-se de uma selecção nórdica, semelhante à Noruega, que seria a nossa adversária seguinte na Qualificação para o Euro 2012. Como tal, o desempenho da Selecção foi diferente, acima da média em particulares. Destaque para os dois golos do estreante Rúben Micael. Há que dizer, no entanto, que a Finlândia não fez muito pela vida. Apesar de talvez ser essa a intenção, o jogo não foi um verdadeiro ensaio geral para o desafio frente à Noruega - dificilmente os nossos amigos noruegueses, com quem havíamos perdido da última vez que estivéramos em campo com eles, nos facilitariam a vida daquela maneira. Em todo o caso, a vitória foi mais um sinal de que a Selecção estava bem e recomendava-se. Em vários aspectos.


O embate com a Noruega, a contar para a Qualificação para o Europeu de 2012, realizou-se a 4 de Junho - oito meses após o último jogo oficial - no Estádio da Luz. Paulo Bento classificou-o como um jogo "extremamente importante, de grande responsabilidade" pois, se vencêssemos, subiríamos para o primeiro lugar do grupo. Não decidia o Apuramento, mas ajudava muito. Nesse aspecto, os noruegueses estavam menos apertados do que nós, pois, para manterem o primeiro lugar, bastava-lhes perder pela margem mínima, desde que marcassem na Luz. Com a agravante de os noruegueses nos terem vencido da última vez que entráramos em campo com eles.


A Selecção dispôs, nessa altura, do maior intervalo de tempo seguido de estágio antes de um encontro desde o início da Qualificação. Eu própria fui assistir a um dos vários treinos abertos que a Equipa de Todos Nós efectuou. Nas declarações à Comunicação Social, toda a Selecção, jogadores e treinador, aparentava estar em sintonia. Os Marmanjos afirmavam não terem medo da Noruega, apesar de a respeitarem como uma equipa que os derrotara recentemente. Afirmavam querer vencer, de modo a "podermos ir de férias descansados".


E foi o que, de facto, acabou por acontecer, Não foi um jogo brilhante, não houve domínio indiscutível por parte da Selecção Portuguesa, provavelmente devido ao desgaste típico do fim da época futebolística e, talvez, a alguma pressão. O único tento do jogo foi apontado por Hélder Postiga. Em todo o caso, a Selecção cumpriu o seu dever atingindo, desse modo, o topo da tabela classificativa.


Em Agosto, a Selecção disputou, no Estádio do Algarve, um jogo de carácter preparatório com o Luxemburgo. Supostamente esta selecção seria semelhante à cipriota, segundo Paulo Bento, mas tal era questionável. Dificilmente o Chipre, o nosso adversário seguinte, seria tão acessível. A preparação deste encontro incluiu dois treinos abertos e eu assisti a um deles, novamente no Jamor, à semelhança de mais umas oitocentas pessoas. O Seleccionador definiu como objectivos deste encontro levar o jogo a sério, vencer e não sofrer golos.


O encontro em si terminou com 5 - 0 no marcador. Tal como se previa, foi uma daquelas goleadas fáceis, sem suor, sem adrenalina, que dificilmente ficam na memória. No entanto, ao contrário do que acontecera em inúmeros particulares com Selecções teoricamente mais fracas, Portugal levou o jogo a sério e o nível nem sequer diminuiu com as substituições ao intervalo. Em suma, apesar da utilidade questionável deste jogo, os objectivos para ele definidos haviam sido alcançados.


Não pude assistir ao encontro com o Chipre, a contar para o apuramento, nem à respectiva preparação - durante a qual Ricardo Carvalho abandonou a Equipa de Todos Nós - visto encontrar-me de férias no estrangeiro. Tanto quanto percebi, terá sido em protesto contra a possibilidade de ser suplente, tudo isto com um cheirinho a vedetismo, a amuo de adolescente. Paulo Bento acusou-o de deserção e afirmou que nunca mais Convocaria o jogador. Dias depois, Ricardo deu uma entrevista em que, por sua vez, chamou "mercenário", contribuindo em nada para melhorar a sua imagem no meio disto tudo.


Mais tarde, o jogador afirmou-se arrependido por ter virado as costas à Selecção desta forma e manifestou o desejo de voltar a vestir a camisola das Quinas. Nesse aspecto, distingue-se de José Bosingwa, que nunca deu sinais de arrependimento pelas atitudes que tomou. Mas não é suficiente visto que, tanto quanto sei Ricardo Carvalho nunca apresentou um pedido de desculpas directamente, nem a Paulo Bento, nem à Federação. No meio disto tudo, acho ridículo que pessoas como Joaquim Envagelista estejam a pressionar o Seleccionador a aceitar os jogadores de volta. Se eu fosse ao Paulo Bento, ficaria irritada por tanta gente questionar as minhas decisões. Foram o Bosingwa e o Ricardo que tomaram as atitudes, que se excluíram a si próprios directa ou indirectamente. Se eles quiserem voltar à Selecção, o primeiro passo terá de partir deles. E, embora saiba que é improvável, espero que as várias partes consigam chegar a um entendimento e que ambos os jogadores voltem a vestir a camisola das Quinas com Paulo Bento no comando.


Em todo o caso, o capitão da Equipa de Todos Nós, Cristiano Ronaldo, veio a público dizer, poucos dias após a deserção de Ricardo Carvalho, que "tudo o que se passou está ultrapassado, o mister Paulo Bento já falou, o que pensamos fica dentro do grupo", acrescentando mesmo que ele também tinha telhados de vidro no que tocava a decisões pouco sensatas.


Esta declaração foi feita após o duelo com o Chipre, duelo esse que a Selecção Portuguesa levou de vencida por quatro golos sem resposta. Já referi antes que não pude assistir a este encontro. Parece que durante a maior parte do encontro, a Selecção esteve em vantagem pela margem mínima, precária, com todo o nervosismo associado a tais circunstâncias, fazendo uma exibição que deixou bastante a desejar. Contudo, os três golos na recta final do jogo devem ter sabido muito bem. Cristiano Ronaldo desempenhou muito bem o seu papel de capitão da Equipa de Todos Nós, parece que fez uma bela prestação em campo, com dois golos e uma assistência, terá mesmo carregado a equipa às costas. Isto num ambiente particularmente hostil para o madeirense, com os adeptos cipriotas gritando por Messi, criando, salvo erro, uma moda que se estendeu aos restantes jogos da fase de Qualificação. No entanto, pelo menos neste jogo, acabou por lhes sair o tiro pela culatra.


Um mês mais tarde, realizou-se a dupla jornada final da fase de Qualificação. Faltava-nos receber a Islândia e deslocarmo-nos a Copenhaga para enfrentarmos a selecção local antes de darmos o Apuramento por concluído. As nossas condições não eram as ideais, devido a várias ausências por lesão de titulares habituais (Pepe, Hugo Almeida, Fábio Coentrão). A esta lista, juntou-se Danny, pois este teve de ser submetido a uma cirurgia para remover um quisto sebáceo.


A urgência questionável de tal intervenção, aliada às suspeitas que se começavam a formar devido às repetidas ausências do nome de Bosingwa das listas de Convocados, mais, provavelmente, a tensão derivada à proximidade do fim do Apuramento abriram uma brecha na credibilidade do Seleccionador. A Comunicação Social enfiou-se dentro dela e os ataques começaram. De uma forma injusta, na minha opinião, tendo em conta o percurso de Paulo Bento como Seleccionador até à altura.


Conforme foi repetido até à exaustão, bastava um empate e uma vitória para nos qualificarmos directamente, embora na Selecção dissessem que não viam as coisas desta maneira, que encaravam um jogo de cada vez, que não jogavam para o empate. E não se pode dizer que os Marmanjos não juntaram o gesto à palavra no Estádio do Dragão uma vez que venceram os Islandeses por cinco bolas contra três. Contudo, o jogo não foi tão fácil como o que seria de esperar. Os islandeses entraram em campo invulgarmente desenvoltos, descongelados, soltos, como que querendo desafiar o estereótipo da equipa teoricamente mais fraca. Inicialmente, Portugal não se deixou afectar, conseguiu colocar-se três golos à frente dos islandeses, mas estes não demoraram muito a reduzir a desvantagem a apenas um golo, ficando muito perto de anulá-la por completo. Felizmente, o golo de Moutinho, seguido de Eliseu, aliviaram a intranquilidade que se tinha instalado com o seguindo golo da Islândia.


Apesar da vitória, a Selecção Nacional revelara algumas fraquezas. O ideal teria sido que o jogo tivesse servido de aviso, de wake-up call.


Mas não serviu.


Com esta vitória, a Equipa de Todos Nós dava mais um passo em  direcção ao Europeu. Agora bastava um empate frente à Dinamarca para reservarmos logo um lugar na Polónia e na Ucrânia. E até podíamos perder em Copenhaga e qualificarmo-nos à mesma, desde que fôssemos a melhor Selecção em segundo lugar - a única que nos ameaçava era a Suécia. Esta ideia, repetida até à exaustão, irritou-me na altura, pois julgava que Portugal não precisaria de fazer tais contas. Agora, vendo em retrospectiva, a ideia ainda me irrita mais pois não nos serviu de nada.


A derrota de Portugal aos pés da Dinamarca constituiu, sem sombra de dúvida, o ponto mais baixo do ano. Foi provavelmente um dos piores jogos da Selecção dos últimos tempos, agonizante, em que o único ponto alto do jogo foi o golo excepcional de Cristiano Ronaldo. Ainda hoje não percebo o que aconteceu nessa noite para os Marmanjos jogarem tão mal. A era Paulo Bento, que até à altura, estivera quase imaculada, via a sua primeira derrota em jogos oficiais e a Selecção Nacional era relegada para os play-offs pois o jogo da Suécia - que, para animar ainda mais a noite, fora rico em reviravoltas - terminara com uma vitória para o seu lado, tornando-os a melhor equipa classificada em segundo lugar.


Na altura, acabei por dar graças por a Suécia se ter qualificado em vez de nós, pois não queria que a caminhada em direcção ao Europeu terminasse daquela forma. E agora que já sei qual foi o desfecho deste capítulo, ainda abençoo mais essa reviravolta do destino. 


Pouco após o jogo com a Dinamarca, soubemos que, daí a um mês, disputaríamos o play-off contra a Bósnia-Herzegovina, selecção que já se havia cruzado no nosso caminho para o Mundial 2010, dois anos antes. Muita gente recomendava prudência uma vez que a equipa bósnia tinha melhorado significativamente ao longo dos últimos dois anos e, conforme o médio bósnio Zvjedzan Misimovic assinalou, Portugal tivera, teoricamente, condições para já ter o apuramento resolvido mas teve de ir aos play-offs. No entanto, a Turma das Quinas também havia crescido, sobretudo no último ano, e Paulo Bento chegou mesmo a dizer: "Não vou desconfiar de quem durante um ano e picos fez tudo o que devia e, por um jogo, pôr tudo em causa".


A preparação dos play-offs foi marcada pelo regresso de habituais titulares que haviam estado indisponíveis na última jornada dupla e ensombrada pela entrevista de José Bosingwa ao jornal "O Jogo". Como seria de prever, a Comunicação Social alimentou-se das polémicas declarações do jogador mas, aparentemente, estas não tiveram grande repercussão no seio da Equipa de Todos Nós. 


A primeira mão do play-off foi disputada em Zenica, terreno bósnio, em condições bastante adversas para a Equipa das Quinas. Começando pelo relvado de péssima qualidade. A Federação Portuguesa de Futebol apelara para a UEFA, tentando fazê-los mudar a localização do jogo, mas os responsáveis fizeram ouvidos de mercador. Para cúmulo, os dirigentes bósnios ignoraram o acordo selado na manhã do dia da primeira mão e regaram o campo, pouco antes do início do jogo, piorando ainda mais o seu estado. Tal motivou a Selecção a jogar sob protesto.


Outro obstáculo que a Equipa de Todos Nós teve de enfrentar foram os adeptos bósnios pouco amigáveis, que tentaram desestabilizar a Selecção Portuguesa e, em particular, o capitão Cristiano Ronaldo, com lasers e gritos por Messi. 


A primeira mão do play-off terminou com o marcador por abrir. O resultado desapontou mas a exibição da Equipa das Quinas não. O domínio do jogo foi claramente português, falou-se de "espírito guerreiro", "personalidade fortíssima". Terá literalmente sido o campo (que foi apelidado de horta, batatal, pseudo-relvado, Farmville, etc) a impedir a vitória da Selecção Portuguesa. Em todo o caso, ficaram boas promessas para a segunda mão, que se realizaria no Estádio da Luz, daí a quatro dias.


Promessas essas que foram cumpridas, e muito bem cumpridas, naquele que foi o ponto mais alto do ano, ou mesmo de toda a Qualificação. Nesse Portugal recebeu e venceu na Luz a Bósnia por seis golos espectaculares contra dois que não passaram de pormenores tornados pormaiores, num jogo épico (palavra muito na moda e demasiado vulgarizada, na minha opinião) e emocionante, que se assemelhou a um resumo de toda a caminhada em direcção à fase final do Euro 2012, com todos os momentos de brilho, de garra, juntamente com os momentos menos bons e as inesperadas escorregadelas, antes de apresentar o desfecho da história. Que não podia ser mais feliz. O Hino Nacional entoado a plenos pulmões por todo o Estádio encerrou a caminhada, encerrou um jogo que teve todas as características de uma grande final. Um jogo que representou uma desforra contra um caso envolvendo um antigo Seleccionador de fraco carácter, dirigentes corruptos, em Portugal e no estrangeiro, jogadores desertores, notícias desestabilizadoras, relvados manhosos, lasers, adeptos hostis, árbitros pouco parciais. Uma desforra contra a crise que assola o País já ninguém sabe desde quando, contra os cortes impostos pelo Orçamento e pela Troika (bem menos simpática do que a Troika de ataque que empurrou a Selecção para a frente), contra os juros da dívida que, se não estou em erro, já roçam os vinte por cento, contra políticos corruptos e incapazes, contra os sacrifícios que parecem nunca mais acabar, contra o desemprego, contra a depressão, contra o desânimo. Um jogo que selou o apuramento e o renascimento da Selecção Nacional.


No dia 2 de Dezembro, realizou-se o sorteio da fase de grupos do Euro 2012 e Portugal ficou a conhecer os seus futuros adversários: serão eles a Dinamarca, a Holanda e a Alemanha. Dificilmente nos poderia ter calhado um grupo mais difícil. Podemos ver tanto este resultado como outro qualquer como uma coisa boa ou má, dependendo da maneira como o encararmos. Contudo, uma coisa é certa: aguardam-nos jogos verdadeiramente emocionantes, que ficarão para a História, independentemente do desfecho final. 


Foi isto que aconteceu de mais relevante à Selecção Nacional ao longo de 2011. Em suma, foi um ano muito positivo em termos futebolísticos, não só por a Equipa das Quinas se ter qualificado para o Europeu do próximo ano, mas também por causa da Liga Europa, em que três equipas portuguesas chegaram às meias-finais, duas chegaram à final e, como é óbvio, uma delas levou o troféu para casa.


Em termos políticos, financeiros e sócio-económicos, 2011 foi um ano para esquecer, com o governo a demitir-se, a chegada da Troika, a ameaça da queda do Euro, entre outras desgraças. E a situação não parece estar perto de melhorar, sobretudo porque já sabemos que em 2012 nos esperam vários cortes e vida ainda mais difícil.


Em termos pessoas, tirando o contexto acima descrito, devo dizer que foi um dos melhores anos da minha vida, por várias razões. Muitos dos desejos e objectivos que tinha definido no início do ano cumpriram-se. Além disso, posso dizer com toda a segurança que evoluí ao longo do último ano, Tal evolução já havia começado em 2010 mas bem mais discretamente, a grande explosão deu-se este ano. Não sei dizer se me tornei uma pessoa melhor, mas, pelo menos, tornei-me um pouco mais corajosa, um pouco mais certa do que sou e do que quero. Dei vários passos em frente. O facto de ter ido ao Jamor assistir aos treinos da Selecção foi um deles, ainda que não o mais importante. Ainda não estou onde quero estar, ainda tenho um longo caminho a percorrer e tenciono continuar a percorrê-lo em 2012.


Olhando, então, para o próximo ano, no que toca à situação do País, já ninguém se atreve a pedir desejos, a ser optimista, depois de sofrermos desilusões atrás de desilusões. Estamos uma posição semelhante àquela onde nos encontrávamos no início de 2011. O ano que findava havia sido mau mas tudo indicava que o ano que começava seria ainda pior. No entanto, "não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe". Isto não pode durar para sempre, terá de existir uma altura em que isto comece a melhorar! Já andamos em crise há demasiado tempo, já chega!


Existe outra coisa em comum com o início de 2011 e o início de 2012: o facto de o futebol, em particular a Selecção, ser a única coisa que funciona bem neste País, a única coisa a que nos podemos agarrar, a única coisa que nos dá boas promessas para 2012. Quer a Selecção chegue à final de Kiev ou fique pela fase de grupos (que o Diabo seja cego, surdo, mudo e não tenha acesso à Internet...), aquelas semanas antes do Euro 2012 e pelo menos a primeira semana da fase final ninguém nos tirará. Nesse intervalo de tempo, os nossos pensamentos e, pelo menos, o meu coração estarão sediados na Polónia e na Ucrânia. Teremos algo que fugirá à rotina e que nos ajudará a suportar as dificuldades.


Quem me dera que outras coisas neste País funcionassem como funciona a Equipa de Todos Nós!


Para 2012 desejo, então, que sejamos campeões europeus. Que um clube português volte a ganhar um título europeu. Que o tal virar de maré de que falei acima ocorra no próximo ano. Que em 2012 vocês, leitores, tenham uma vida melhor, que evoluam, que consigam realizar os vossos sonhos, ou seja, que 2012 vos corra como 2011 correu a mim. E uso emprestada a foto da página do Facebook Sócio da Selecção para vos desejar...


 

Portugal 1 Noruega 0 - Em primeiro!

No Sábado passado, dia 4 de Junho de 2011, a Selecção Portuguesa de Futebol recebeu e venceu a sua congénere norueguesa por um golo sem resposta, no Estádio da Luz. O único tento do jogo foi marcado por Hélder Postiga. Com este resultado, a Turma das Quinas subiu ao topo da tabela classificativa do Grupo H da qualificação para o Campeonato Europeu de Futebol, a realizar-se dentro de um ano na Polónia e na Ucrânia.

Assisti ao desafio durante uma festa de anos. Já não via um jogo da Selecção acompanhada por tanta gente desde os jogos com a Coreia e o Brasil da fase de grupos do Mundial 2010. Pude, portanto, cantar o hino em voz alta, de braço dado com os outros presentes na festa, em vez de o sussurrar, como costumo fazer quando vejo os jogos em casa. Além de que existiram outros para além de mim mandando bocas de treinadores-de-sofá, que muito irritam os meus familiares quando as digo cá em casa.

O jogo não foi muito fácil para os portugueses. Os nossos lá iam fazendo pela vida, mas os noruegueses ainda nos pregaram uns quantos sustos. Houve alturas em que receei que o Eduardo fizesse uma asneira como a que fez em Oslo, em Setembro. Felizmente, tal não aconteceu. No entanto, o tão desejado primeiro golo tardava a surgir e já começávamos a ficar preocupados. Estávamos a ver o jogo com o som desligado e com o computador a passar músicas dos anos 80. A certa altura, mais ou menos a meio da primeira parte, passa uma música chamada "All I Need Is a Miracle" e comentámos que até se adequava ao que estava a acontecer.

E daí talvez não. Suponho que se tivéssemos perdido ou empatado não seria muito grave em termos do nosso apuramento, acho eu. Quer dizer... não sei. De qualquer forma, não deixaria de ser mau depois de todas as palavras de optimismo que foram ditas durante o estágio, de todos os apelos que foram feitos para que o público viesse assistir ao jogo, do que dissera àqueles noruegueses. Por isso, ao intervalo, resolvi ir buscar o meu boné e, durante o resto do jogo, segurei-o nas mãos, como um terço. Tinha feito isso aquando do jogo com a Dinamarca e dera bom resultado. Tal voltou a acontecer no Sábado. E quando o Hélder, um dos meus jogadores preferidos, marcou, gritámos "GOLO!" em coro - outra vantagem de assistir a jogos na companhia de várias pessoas.

Mais tarde, Postiga afirmou que o Estádio da Luz é, para ele, um talismã, depois de confrontado com o facto de várias vezes ter marcado pela Equipa de Todos Nós naquela arena. Mas há quem diga que o verdadeiro talismã é o próprio Hélder, que já anda na Selecção há uns bons anos e possui vários tentos na bagagem. Com este, atingiu o top 10 dos marcadores da Equipa das Quinas. Sei que ele tem tido desempenhos flutuantes mas custa-me a compreender que ele tenha sido excluído da Selecção durante dois anos. Com mais este golo, voltou a provar que essa ausência prolongada foi asneira. Em suma: o Hélder é o maior!

Depois deste golo, pensei que o gelo tinha sido quebrado e que entrariam mais umas bolas na baliza norueguesa. Tal não aconteceu mas mantive essa esperança até ao apito final.

Não foi um jogo brilhante. Não houve domínio português indiscutível. Não houve propriamente ass-kicking. Não vou mentir, esperava um pouco mais de jogadores como Fábio Coentrão - pensava que ele quereria provar que tinha qualidade para ir para o Real Madrid, tal como tanto deseja - e, claro, Cristiano Ronaldo. Parece mesmo que ele foi vaiado - não sei, pois, como já disse, tirámos o som. É a velha história: para-o-Real-ele-marca-quarenta-mas-para-a-Selecção-não-dá-uma-para-a-caixa. Mas eu não vou tão longe nas críticas. As pessoas gostam de se queixar de barriga cheia, esquecem-se que, apesar de não marcar tantos golos quando desejaríamos, ele assistiu a muitos, várias vezes carregou a equipa às costas. Além disso - e isto é, provavelmente, mais importante que tudo o resto - no Sábado, foi ele quem deu aos colegas as últimas palavras de encorajamento, de optimismo, de determinação:

- Estamos todos aqui atrás de um objectivo e de um sonho. Queremos vencer e temos o destino nas mãos.

Isto só prova que o Cristiano leva a Selecção muito a sério. Os golos não são tudo na vida!

De resto, o que terá impedido uma exibição mais empolgante terá sido a pressão do acesso ao primeiro lugar e o típico degaste de final de época. E não nos podemos queixar. A Selecção, em Outubro, encontrava-se em quarto lugar no grupo e agora estamos em primeiro. Em primeiro! Ninguém acreditava que tal seria possível depois daquela trágica primeira jornada dupla. Tal como desejava, foi um encerramento com chave de ouro de uma época futebolística que ficará para a História. Agora os Marmanjos podem partir para férias descansados, satisfeitos, confiantes de que a qualificação não falhará.

Dizem - e eu acredito - que depois, em Setembro e Outubro, quando disputarmos as últimas jornadas do apuramento, a pressão terá aliviado ligeiramente, os jogadores estarão mais frescos, haverá boas hipóteses de jogarmos com mais brilho, entusiasmo, ass-kicking. E agora que temos três equipas na corrida para o apuramento, as coisas vão aquecer... Mas ainda faltam três meses, ainda é cedo para pensar nisso.

Antes teremos um particular em Agosto, com o Luxemburgo. Será dia 10, no Estádio do Algarve. É sempre o Luxemburgo, ou com o Liechenstein, ou as Ilhas Faroé... Não conseguem arranjar equipas melhorzinhas? Bem, sempre é melhor do que não haver nenhum jogo durante três meses...

Um aparte só para comentar que acho uma crueldade não existirem mais jogos da Selecção por ano. Devia realizar-se pelo menos um jogo por mês!

Não sei se vou conseguir actualizar o blogue aquando desse jogo. Nessa altura devo estar fora de casa, de férias, sem acesso garantido à Internet. Mas vou tentar publicar pelo menos uma entrada. Também não acho que haja muito a dizer...

No Domingo, Pedro Passos Coelho foi eleito Primeiro-Ministro. Assisti ao discurso de vitória. Quando, no fim, soou o Hino Nacional, lembrei-me da Selecção. Nesse momento, percebi que, quando Carlos Queiroz e Paulo Bento assumiram o comando da Turma das Quinas, prometi a mim mesma que os apoiaria e acreditaria neles enquanto estivessem naquele lugar. Mas agora que Passos Coelho assumirá em breve o comando do País, não consigo ter a mesma fé.

Gostava de poder acreditar no País, nos seus governantes, no seu Povo, da maneira como acredito na Selecção Nacional, nos jogadores, na equipa técnica. A sério que gostava. Quero acreditar que a mudança que o eleitorado pediu valerá realmente a pena, que as coisas vão melhorar, que a crise será vencida, ultrapassada, esquecida, de uma vez por todas. Suponho que a diferença resida no facto de a Selecção retribuir, mais cedo ou mais tarde, o apoio, a fé, que lhe são dedicados. O País, os políticos, apenas nos desiludem, apenas pioram cada vez mais a situação.

O tempo dirá se tudo isto valeu a pena, se a alma não é pequena. Entretanto, a Equipa de Todos os Nós deu-nos mais um motivo para acreditar que, daqui a um ano, estaremos na Polónia e na Ucrânia, talvez, quem sabe, esticando um pouco os limites do realismo, lutando pelo título. Já o disse mil vezes, de mil formas, mas volto a repeti-lo: enquanto a boa fase da Selecção Nacional se prolongar, as coisas nunca estarão assim tão más.

Tudo o que é preciso

A Selecção Portuguesa de Futebol tem andado a preparar o confronto com a sua congénere norueguesa - que se realiza amanhã, às 21h, no Estádio da Luz, com transmissão televisiva a cargo da RTP - há cerca de semana e meia mas só na Terça-feira passada é que o grupo ficou completo, depois de Nani, Bruno Alves, Danny e Paulo Machado se terem juntado aos colegas.

O Nani vinha em baixo por causa da derrota do Manchester United na final da Liga dos Campeões mas, segundo dizem, recuperou a boa disposição entre os companheiros da Equipa de Todos Nós. Apenas mais um exemplo do companheirismo que - todos o garantem - reina na Selecção. Eu agora fico sempre com um pé atrás quando me dizem estas coisas. Também o diziam no tempo de Carlos Queiroz e, mais tarde, veio a saber-se que não era bem assim... De qualquer forma, recentemente pude vê-lo com os meus próprios olhos e não notei nada de errado. Conforme já descrevi na entrada anterior, o ambiente parece positivo. Não parece haver motivos para preocupações.

Estava a contar ter oportunidade para publicar umas quantas entradas ao longo deste estágio invulgarmente longo, mas não tenho tido grande assunto sobre que escrever. Mas tenho procurado! Todos os dias folheio os jornais no meu café preferido, consulto as notícias na Internet, cheguei mesmo a ver a entrevista que Paulo Bento deu à RTP no domingo passado. Dou-me ao trabalho de, literalmente, copiar para o caderno onde faço os rascunhos para as entradas do blogue as declarações dos jogadores, na esperança de que alguma frase deles motive um texto jeitoso. Sem sorte.

Todos eles, jogadores e treinador, dão a entender que tudo corre bem no seio da Equipa de Todos Nós. "As coisas voltaram à normalidade e ao bom caminho... [Vitória no Sábado e consequente primeiro lugar] é meio caminho andado para o apuramento... Estamos na máxima força... Todo o grupo está motivado para alcançar os seus objectivos... Dependemos de nós próprios e não queremos desperdiçar essa vantagem... Há que vencer o jogo com a Noruega para irmos de férias descansados... Temos um enorme respeito por uma equipa com quem perdemos na primeira volta e conhecemos bem  a [sua] força e o [seu] jogo mais físico (...) Mas não temos medo...  Se jogarmos ao nosso nível temos grandes hipóteses de ganhar... [A Selecção] dá tudo pelos adeptos... Precisamos deles neste momento tão importante... Todos afinam pelo mesmo diapasão, usam palavreado diferente para transmitir a mesmíssima mensagem, sem nunca se desviarem do politicamente correcto.

Não me interpretem mal. Eu sei que isto significa que eles estão em sintonia, unidos, confiantes, motivados, concentrados (ou, pelo menos, tencionam transmitir essa imagem). Isso é bom. Muito melhor do que no Verão passado, em que ninguém se entendia e a Selecção ia-se desintegrando.  Mas também é uma seca. É uma seca porque, assim, não tenho nada de novo para escrever no blogue. Carlos Queiroz não era uma figura consensual na Opinião Pública. Nessa altura, tinha sempre oportunidade de ir contra tudo e contra todos ao exprimir o meu apoio, a minha fidelidade, a minha fé, e de estimular os outros a fazerem o mesmo. Mas agora que o povo está de bem com a Selecção, não há nada de novo a dizer.

É nestas alturas que compreendo por que é que a Comunicação Social gosta tanto de polémicas. Por que é que, tantas vezes, espicaça os protagonistas, encoraja guerras de palavras, inventa casos. A falta de assunto chega a ser desesperante até para mim, que não passo de uma blogueira ocasional, que só publica duas ou três entradas de tantas em tantas semanas!

É nestas alturas que quase desejo uma declaração mais para o controverso, por exemplo, umas ameaças com as que os nossos "amigos" dinamarqueses gostam de fazer quando jogam connosco. Mas nunca desceria ao nível de provocar situações destas, como fazem os media. Uma coisa é compreender os motivos por que o fazem. Outra coisa, muito diferente, é concordar com o que fazem.

As declarações que vêm do outro lado, tanto quanto sei, têm sido tudo menos provocadoras. Aliás, o seleccionador norueguês, Egil Olsen, chegou a afirmar que considera-nos a melhor Selecção do Mundo por termos goleado a campeã Mundial. Não digo que sejamos os melhores mas já provámos que podemos enfrentar como iguais algumas das melhores selecções do Mundo. É por estas e por outras que, para o jogo de amanhã, somos claros favoritos. Nesta altura do campeonato, ninguém acredita que falharemos o apuramento. Há dois anos era ao contrário...

Mas considero perigosa esta filosofia. Já vi que chegue para não alinhar em vencedores antecipados. A Noruega tem alinhado o seu físico à experiência, pode ser um adversário à altura e já nos venceu nesta fase de qualificação. É certo que as circunstâncias eram tremendamente desfavoráveis mas serviu para provar que, mais uma vez, no futebol não há impossíveis.

A vitória, aliás, pode não ser suficiente para o primeiro lugar. Precisamos de marcar golos para ultrapassarmos a Noruega na tabela classificativa. Nesse aspecto, os noruegueses partem com uma vantagem relativa pois, para se manterem no topo, basta marcarem e perderem pela margem mínima, amanhã.

De qualquer forma, não acredito que tal aconteça. Temos uma defesa sólida, com um guarda-redes competente que de certeza não voltará a cometer o erro humilhante que nos fez sofrer um golo e sair de Oslo derrotados. Temos vários jogadores capazes de marcar golos, incluindo dois pontas-de-lança com potencial para serem titulares e um que marcou quarenta golos na liga onde compete e afirma que "a mira está boa para um golinho".

Outra das nossas armas será o factor casa. Jogadores e treinador têm feito variados apelos ao longo do estágio, estimulando o povo a ir assistir ao jogo. Temos como dois exemplos, os seguintes vídeos:




Por acaso, estava com medo que as pessoas não fossem por ser demasiado caro. O próprio Amândio de Carvalho admitiu que os preços dos bilhetes deviam ser revistos tendo em conta as actuais condições económicas. Mas parece que o pessoal anda a responder ao apelo e que os bilhetes se encontram em via de se esgotarem. Álvaro Albino, responsável federativo, chegou a afirmar:

- A certa altura, o público desligou-se um pouco da Selecção, mas aos poucos tem vindo a ser reconquistado. Estamos a voltar à fase em que há um apoio massivo à Selecção Nacional e isso vai certamente reflectir-se neste jogo.

Em momentos como este, é claro que toda a gente se reúne em torno da Selecção, manifesta o seu apoio. Grande coisa! Não são nestes momentos que se descobrem os verdadeiros adeptos... Mas não quero falar disto, não hoje. É sempre preferível quando a Selecção é verdadeiramente a Equipa de Todos Nós, quando o estádio enche e dá condições para ser criado o mítico Inferno da Luz, para intimidar os noruegueses. E, de qualquer forma, tal como afirmei na semana passada, com ou sem verdadeiros adeptos, quando a Turma das Quinas ganha, a alegria é geral, unânime, democrática, sem amarguras clubísticas.

O jogo é já amanhã. Já começo a sentir o típico entusiasmo que precede os encontros da Selecção Nacional. Como podem ver, temos tudo o que é preciso para fazermos um grande desafio, para vencermos os noruegueses. E apesar do que disse acima, apesar de ter sido feito um apelo à humildade, não resisto a concluir esta entrada com uma dose "saudável" de arrogância, repetindo o que disse aos nossos adversários, há uma semana: we're gonna kick their asses! E acrescento: vamos demolhá-los e ultracongelá-los, como fazemos aos bacalhaus que lhes compramos! Vamos vingar a derrota de Oslo! Vamos dar mais um passo a caminho do Europeu 2012, a realizar dentro de um ano na Polónia e na Ucrânia! Vamos provar-lhes que eles têm razão: que nós somos a melhor Selecção do Mundo!